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'Canção do Exílio', poema de Gonçalves Dias

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"Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar — sozinho, à noite — Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu’inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá." Fonte: Poema transcrito do livro: "Canção do Exilio", por Gonçalves Dias "Minha terra tem palmeiras, Onde canta o sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá." Este livro faz parte da coleção Poesia para todas as idades...

Roger Waters e alguns de seus pensamentos arrebatadores

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Sir Roger Waters - divulgação - internet " Quando a roda de dor para de girar E o ferro em brasa ardente pára Quando as crianças podem ser filhos Quando o desesperado enfraquecer Quando a maré chegar a cumprimentá-los E a lei natural da ciência Cumprimenta os humildes e os poderosos E um bilhão de velas queimando Acende o lado escuro de cada mente humana." “Eu poderia ter sido um arquiteto, mas eu não acho que eu seria muito feliz. Quase toda a arquitetura moderna é um jogo bobo, tanto quanto eu posso ver." "Quem é o mais forte, quem é o melhor, quem segura os ases, no Oriente ou no Ocidente. Esta é a merda que nossas crianças estão aprendendo." "Cada pequena vela Acende um canto da escuridão." "É muita gentileza para nós Caso gentileza seja arquivada juntamente com empatia Nós sentimos pela criança Cada vez que uma bomba inteligente faz sua mira e erra Filho de outra pessoa morre em ações de aumento de defesa América, América, por favor nos ouve...

Negrinha, de Monteiro Lobato

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Este conto de Monteiro Lobato, narra a vida triste de uma menina que ficou órfã aos 4 anos de idade. Ela vivia assustada. Era muito pequenina quando sua mãe, uma escrava, tapava-lhe a boca para que sua senhora não ouvisse o choro da menina. A senhora se chamava 'Santa' Inácia. Uma mulher triste, amarga e malvada, que ficara viúva e não tinha filhos. Talvez por este motivo Dona Inácia não gostava de crianças e ficava profundamente perturbada ao ouvir uma chorar. Quando a mãe da menina morreu, Inácia mantinha a menininha sempre ao seu lado e a pobrezinha mal podia se mexer. Dona Inácia costuma exclamar: "— Sentadinha aí, e bico, hein? Negrinha imobilizava-se no canto, horas e horas. — Braços cruzados, já, diabo!" A má senhora, D. Inácia, nunca lhe dera um carinho sequer e costumava se dirigir à menininha utilizando-se de apelidos terríveis, mas mesmo assim afirmava ter um coração caridoso, por criar a órfã. Além disso, todo os outros moradores da casa viviam batendo na ...

Oswald de Andrade: "A Descoberta"

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"Seguimos nosso caminho por este mar de longo Até a oitava da Páscoa Topamos aves E houvemos vista de terra os selvagens Mostraram-lhes uma galinha Quase haviam medo dela E não queriam por a mão E depois a tomaram como espantados primeiro chá Depois de dançarem Diogo Dias Fez o salto real as meninas da gare Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis Com cabelos mui pretos pelas espáduas E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas Que de nós as muito bem olharmos Não tínhamos nenhuma vergonha." Oswald de Andrade Fonte: ANDRADE, Oswald. Poesias Reunidas (Companhia das Letras; 1ª edição) Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978 

'Soneto de Fidelidade', por Vinícius de Moraes

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"De tudo, ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento E em louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento. E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure." Vinícius de Moraes Recomendado: clique aqui e tenha acesso para adquirir a obra de Vinícius de Moraes...

'Pode UC O orgulho na pantera', música libertadora de Tupac

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"Diz-se que todo ato revolucionário é um ato de amor E este é um ato de amor Todo o poder ao povo Eu disse que o P é de poder, de A para a ação O NT, porque agora é o momento para fazê-lo Veja o C é para o coração, e E para o efeito Os R mantenha-o no fim do respeito Quem sou eu? A pantera Quem sou eu? A pantera Quem sou eu? A pantera O que eu tenho Eu tenho alma, o que eu tenho Eu tenho amor O que eu tenho eu tenho orgulho, o que eu quero ser LIVRE Levante suas mãos no ar se você se sentir como eu Quem sou eu? A pantera Quem sou eu? A pantera O que eu tenho Eu tenho alma, o que eu tenho Eu tenho amor O que eu tenho eu tenho orgulho, o que eu quero ser LIVRE Levante suas mãos no ar se você se sentir como eu Você pode ver o orgulho na pantera Como ele brilha em esplendor e graça? Mesmo com obstáculos colocados No caminho da evolução de sua raça? Você pode ver o orgulho na pantera Como ela alimenta seus filhos, sozinho? A semente deve crescer, não obstante Do fato de que é plantada ...

'O Cão Sem Plumas', por João Cabral de Melo Neto

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 "A cidade é passada pelo rio como uma rua é passada por um cachorro; uma fruta por uma espada. O rio ora lembrava a língua mansa de um cão ora o ventre triste de um cão, ora o outro rio de aquoso pano sujo dos olhos de um cão. Aquele rio era como um cão sem plumas. Nada sabia da chuva azul, da fonte cor-de-rosa, da água do copo de água, da água de cântaro, dos peixes de água, da brisa na água. Sabia dos caranguejos de lodo e ferrugem. Sabia da lama como de uma mucosa. Devia saber dos povos. Sabia seguramente da mulher febril que habita as ostras. Aquele rio jamais se abre aos peixes, ao brilho, à inquietação de faca que há nos peixes. Jamais se abre em peixes." João Cabral de Melo Neto Fonte: poema integrante da obra ' O cão sem plumas ', 1º poema de fôlego de João Cabral de Melo Neto , lançado em 1950, foi uma criação decisiva do jovem poeta, que na época vivia em Barcelona, com 30 anos. Este volume reúne também os quatro primeiros livros do poeta - 'Pedra do so...

Olavo Bilac: 'Via-Láctea' XIII

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  Via-Láctea XIII “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto... E conversamos toda a noite, enquanto A via-láctea, como um pálio aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto. Direis agora: “Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?” E eu vos direi:”Amai para entende-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas”. Olavo Bilac Siga este link para conhecer e adquirir a obra de Olavo Bilac, em eBook ou livro físico...

'A máquina do mundo', por Carlos Drummond de Andrade

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"E como eu palmilhasse vagamente uma estrada de Minas, pedregosa, e no fecho da tarde um sino rouco se misturasse ao som de meus sapatos que era pausado e seco; e aves pairassem no céu de chumbo, e suas formas pretas lentamente se fossem diluindo na escuridão maior, vinda dos montes e de meu próprio ser desenganado, a máquina do mundo se entreabriu para quem de a romper já se esquivava e só de o ter pensado se carpia. Abriu-se majestosa e circunspecta, sem emitir um som que fosse impuro nem um clarão maior que o tolerável pelas pupilas gastas na inspeção contínua e dolorosa do deserto, e pela mente exausta de mentar toda uma realidade que transcende a própria imagem sua debuxada no rosto do mistério, nos abismos. Abriu-se em calma pura, e convidando quantos sentidos e intuições restavam a quem de os ter usado os já perdera e nem desejaria recobrá-los, se em vão e para sempre repetimos os mesmos sem roteiro tristes périplos, convidando-os a todos, em coorte, a se aplicarem s...

Quero observar os astros... Qual telescópio devo comprar?

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O que posso ver e como escolher um telescópio de observação astronômica? "O diâmetro da Abertura (Objetiva ou Espelho) de um telescópio é quem proporciona a resolução e qualidade das imagens de um telescópio, se usada um mesma ocular. Portanto você deve saber, que com um Telescópio de maior abertura, você terá imagens melhores e mais nítidas que qualquer um com abertura inferior. Por exemplo: Com um telescópio de 70 mm, você irá observar tudo o que nos de 60mm, 50mm, porém com muito mais detalhes e resolução, com uma qualidade de imagens bem superior, além de poder observar muito mais estrelas, nebulosas e maiores detalhes na observação terrestre. E assim como um telescópio de 150mm você verá tudo o que os de menor abertura veêm, porém com muito mais detalhes e definição, além de mais estrelas, nebulosas, etc.  E assim por diante. Entretanto saiba que com qualquer telescópio, é possível realizar ótimas observações e é um passatempo que desenvolve a inteligência e é proporciona ó...

7 pensamentos importantes de Eduardo Galeano

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“Muita gente pequena, em pequenos lugares, fazendo coisas pequenas podem transformar o mundo.” “Em 1492, os nativos descobriram que eram índios. Descobriram que viviam num lugar chamado América. Descobriram que estavam nus, que existia o pecado. Descobriram que deviam obediência a um rei e uma rainha de outro mundo, e a um deus de outro céu. E que esse deus havia inventado a culpa e o vestido, e que mandou queimar vivo quem adorasse o sol, a lua, a terra e a chuva que a molha.” “Os países que dão as ordens no mundo, através dos organismos que criaram para dar as ordens no mundo, ditam as ordens ao mundo mas não as seguem. Sim, porque eles são sádicos, mas não masoquistas.” “As guerras mentem. Nenhuma tem a honestidade de confessar: eu mato para roubar. As sempre invocam motivos nobres. Matam em nome da paz, em nome da civilização, em nome do progresso, em nome da democracia, e para que não reste dúvidas, se nenhuma dessas mentiras não for suficiente, aparecem os meios de ...

Cora Coralina: 'Aninha e Suas Pedras'

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 Aninha e Suas Pedras "Não te deixes destruir… Ajuntando novas pedras e construindo novos poemas. Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça. Faz de tua vida mesquinha um poema. E viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir. Esta fonte é para uso de todos os sedentos. Toma a tua parte. Vem a estas páginas e não entraves seu uso aos que têm sede." Cora Coralina Cora Coralina nasceu na Cidade de Goiás, em 20 de agosto de 1889, e faleceu em Goiânia, a 10 de abril de 1985. Aninha e suas pedras foi publicado em 1983, no seu livro Vintém de cobre: meias confissões de Aninha . Imagem gratuita PxHere (CC0)

'Justitia Mater', poema por Antero de Quental

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Justitia Mater Nas florestas solenes há o culto Da eterna, íntima força primitiva: Na serra, o grito audaz da alma cativa, Do coração, em seu combate inulto: No espaço constelado passa o vulto Do inominado Alguém, que os sóis aviva: No mar ouve-se a voz grave e aflitiva D'um deus que luta, poderoso e inculto. Mas nas negras cidades, onde solta Se ergue, de sangue medida, a revolta, Como incêndio que um vento bravo atiça, Há mais alta missão, mais alta glória: O combater, à grande luz da história, Os combates eternos da Justiça!   Antero de Quental , in " Sonetos "

Alberto Caeiro: Os poetas místicos são filósofos...

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"Os poetas místicos são filósofos doentes,  E os filósofos são homens doidos.  Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem  E dizem que as pedras têm alma  E que os rios têm êxtases ao luar.  Mas as flores, se sentissem, não eram flores,  Eram gente;  E se as pedras tivessem alma, eram coisas vivas, não eram pedras;  E se os rios tivessem êxtases ao luar,  Os rios seriam homens doentes." Alberto Caeiro Alberto Caeiro , é considerado o mestre de todos os heterônimos do célebre poeta e filósofo português  Fernando Pessoa . Segundo o seu criador "Nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão, nem educação quase alguma, só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia avó..."