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Mostrando postagens de janeiro, 2021

'A Rosa Branca', por Louise Glück

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"Isto é a terra? Então não sou daqui Quem és tu na janela acesa, agora à sombra das folhas trêmulas do viburno? Podes sobreviver onde não vou durar Além do próximo verão? A noite inteira os galhos esguios da árvore movem-se e sussurram à janela iluminada. Explica a minha vida, tu que não fazes sinal algum, embora eu chame por ti na noite: não sou como tu, tenho apenas meu corpo como voz; não posso desaparecer no silêncio — E na manhã fria sobre a superfície escura da terra vagueiam ecos da minha voz, brancura que firme se consome em escuridão como se finalmente fizesses um sinal para me convencer de que também não pudeste sobreviver aqui ou para me mostrar que não és a luz que chamei mas o breu atrás dela." Louise Glück Louise Glück (1943), foi ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 2020. A tradução é de Maria Lúcia Milléo Martins (Fonte: Revista Bula/Internet) - Imagem: Foto de  Joe deSousa from StockSnap com adição do poema à imagem por equipe SULPOST . -  Dica: ...

'Quem Sabe Um Dia', por Mario Quintana

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"Quem sabe um dia Quem sabe um seremos Quem sabe um viveremos Quem sabe um morreremos! Quem é que Quem é macho Quem é fêmea Quem é humano, apenas! Sabe amar Sabe de mim e de si Sabe de nós Sabe ser um! Um dia Um mês Um ano Um(a) vida! Sentir primeiro, pensar depois Perdoar primeiro, julgar depois Amar primeiro, educar depois Esquecer primeiro, aprender depois Libertar primeiro, ensinar depois Alimentar primeiro, cantar depois Possuir primeiro, contemplar depois Agir primeiro, julgar depois. Navegar primeiro, aportar depois Viver primeiro, morrer depois." Mario Quintana Imagem: ph - pxhere - uso gratuito - atribuição não requerida - domínio público (CC0) com os versos de Mário Quintana

1918: 'Previna-se contra a gripe'. Um alerta em forma de poema!

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No início do século XX, durante a pandemia da 'Gripe Espanhola', foi escrita e distribuída no Brasil uma cartilha de saúde em forma de poema, contendo as mesmas orientações dadas atualmente para evitar o contágio pela Covid-19, como distanciamento social e ter o hábito de lavar as mãos frequentemente. Há 103 anos, estima-se que a Gripe Espanhola (influenza) matou mais de 20 milhões de pessoas em todo mundo, até desaparecer misteriosamente em 1920. A Covid-19, que começou a se alastrar no final de 2019, já causou oficialmente cerca de 2 milhões de mortes - números de 13/01/2019 -, e mesmo com o início da vacinação em vários países vem se alastrando assustadoramente segundo dados atualizados diariamente pelo Google . A cartilha com as orientações de saúde, em forma de poema, foi distribuída pelas campanhas do Serviço Nacional de Educação Sanitária, segundo o artigo " Revisitando a espanhola: a gripe pandêmica de 1918 no Rio de Janeiro ", de Adriana da Costa Goulart, mes...

'Invenção de Orfeu', por Jorge de Lima

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" 1. Um barão assinalado sem brasão, sem gume e fama cumpre apenas o seu fado: amar, louvar sua dama, dia e noite navegar, que é de aquém e de além-mar a ilha que busca e amor que ama. Nobre apenas de memórias, vai lembrando de seus dias, dias que são as histórias, histórias que são porfias de passados e futuros, naufrágios e outros apuros, descobertas e alegrias. Alegrias descobertas ou mesmo achadas, lá vão a todas as naus alertas de vaia mastreação, mastros que apoiam caminhos a países de outros vinhos. Está é a ébria embarcação. Barão ébrio, mas barão, de manchas condecorado; entre o mar, o céu e o chão fala sem ser escutado a peixes, homens e aves, bocas e bicos, com chaves, e ele sem chaves na mão. 2. A ilha ninguém achou porque todos o sabíamos. Mesmo nos olhos havia uma clara geografia. Mesmo nesse fim de mar qualquer ilha se encontrava, mesmo sem mar e sem fim, mesmo sem terra e sem mim. Mesmo sem naus e sem rumos, mesmo sem vagas e areias, há sempre um copo de mar para u...