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Mostrando postagens de agosto, 2020

Poesias, de Olavo Bilac

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Olavo Bilac ( 1865/1918) O volume Poesias, de Olavo Bilac ¹ , possui uma importância histórica extraordinária. Excetuando-se talvez o Eu, de Augusto dos Anjos, nenhum livro de nossa poesia teve aceitação e influência na sensibilidade brasileira desde 1888, ano de sua primeira edição, até mais ou menos 1950. Dai para cá, por influência das ideias modernistas, entrou em processo de descrédito, sem contudo perder a força das verdadeiras obras de arte. Superadas as razões modernistas, é hora de revisitar o grande parnasiano, sem preconceito nem reverência. Sempre haverá a possibilidade de se encontrar neste livro, quase todo escrito quando o poeta tinha 23 anos, uma das fontes da melhor poesia que já se escreveu no país. A seguir algumas poesias desta que é a obra prima de Olavo Bilac: Velhas Árvores Poesisas (Olavo Bilac) "Olha estas velhas árvores, mais belas  Do que as árvores novas, mais amigas:  Tanto mais belas quanto mais antigas,  Venced...

Navegar é Preciso (Fernando Pessoa)

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"Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: "Navegar é preciso; viver não é preciso". Quero para mim o espírito d'esta frase, transformada a forma para a casar como eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo. Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha. Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade. É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça." Fernando Pessoa Nota de SF: "Navigare necesse; vivere non est necesse" - latim, frase de Pompeu, general romano , 106-48 aC., dita aos marinheiros, amedrontados, que recusavam viajar durante a guerra, cf. Pluta...

'Morte e Vida Severniva', de João Cabral de Melo Neto

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"O meu nome é Severino, como não tenho outro da pia. Como há muitos Severinos, que é santo de romaria, deram então de me chamar Severino de Maria. Como há muitos Severinos com mães chamadas Maria, fiquei sendo o da Maria do finado Zacarias. Mas isso ainda diz pouco: há muitos na freguesia, por causa de um coronel que se chamou Zacarias e que foi o mais antigo senhor desta sesmaria. Como então dizer quem falo ora a Vossas Senhorias? Vejamos:é o Severino da Maria do Zacarias, lá da Serra da Costela, limites da Paraíba. Mas isso ainda diz pouco: se ao menos mais cinco havia com nome de Severino filhos de tantas Marias mulheres de outros tantos já finados, Zacarias, vivendo na mesma serra magra e ossuda em que eu vivia. Somos muitos Severinos iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte severina: que é a morte de que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte, ...

Os Lusíadas (Três excertos) Luís de Camões

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Seleção de "Os Lusíadas" pelo Min. Luís Roberto Barroso,  postado no Twitter em 24/07/20 " CANTO PRIMEIRO   1
 As armas e os barões assinalados, Que da ocidental praia Lusitana,
 Por mares nunca de antes navegados, Passaram ainda além da Taprobana, Em perigos e guerras esforçados,
 Mais do que prometia a força humana, E entre gente remota edificaram
 Novo Reino, que tanto sublimaram;  2
 E também as memórias gloriosas Daqueles Reis, que foram dilatando A Fé, o Império, e as terras viciosas
 De África e de Ásia andaram devastando; E aqueles, que por obras valerosas
 Se vão da lei da morte libertando; Cantando espalharei por toda parte,
 Se a tanto me ajudar o engenho e arte.  3
 Cessem do sábio Grego e do Troiano As navegações grandes que fizeram; Cale-se de Alexandro e de Trajano
 A fama das vitórias que tiveram;
 Que eu canto o peito ilustre Lusitano, A quem Neptuno e Marte obedeceram: Cesse tudo o que a Musa antiga ca...