'Justitia Mater', poema por Antero de Quental
Justitia Mater Nas florestas solenes há o culto Da eterna, íntima força primitiva: Na serra, o grito audaz da alma cativa, Do coração, em seu combate inulto: No espaço constelado passa o vulto Do inominado Alguém, que os sóis aviva: No mar ouve-se a voz grave e aflitiva D'um deus que luta, poderoso e inculto. Mas nas negras cidades, onde solta Se ergue, de sangue medida, a revolta, Como incêndio que um vento bravo atiça, Há mais alta missão, mais alta glória: O combater, à grande luz da história, Os combates eternos da Justiça! Antero de Quental , in " Sonetos "