Debate da RPC: uma noite para o Paraná olhar seus candidatos nos olhos

Na reta final da eleição, Moro, Sandro Alex e Requião Filho estarão frente a frente. É hora de ouvir propostas, cobrar respostas e lembrar que o futuro do Paraná será decidido no domingo (4)

Na reta final da eleição, Moro, Sandro Alex e Requião Filho estarão frente a frente. É hora de ouvir propostas, cobrar respostas e lembrar que o futuro do Paraná será decidido no domingo (4)

Hoje, terça-feira, 29 de setembro, o Paraná novamente vai ter uma daquelas noites que podem decidir toda uma corrida eleitoral.

Após meses de entrevistas, propaganda, carreatas, discursos e uma disputa jamais antes vista nas redes sociais, os três candidatos ao Governo do Estado que confirmaram participação no debate da RPC (canal 12.1) estarão finalmente frente a frente: Sergio Moro (PL), Sandro Alex (PSD) e Requião Filho (PDT).

A própria Rede Paranaense de Comunicação apresentou hoje em seu telejornal matutino, Bom Dia Paraná o encontro como oportunidade para que os paranaenses conheçam as propostas dos candidatos para o futuro do nosso Estado. O debate será exibido logo após a novela Quem Ama Cuida.

Jogo aberto, olho no olho

De acordo com as regras do debate, explicadas pela equipe da RPC, o formato permitirá que os candidatos administrem seu tempo de participação. Ficou acertado com as coordenações das campanhas que cada candidato terá quatro minutos e meio para organizar suas perguntas, respostas, réplicas e tréplicas, para cada bloco.

O canal 12 também apresenta este ano uma novidade, uma regra que pode fazer diferença: todos participarão de cada bloco. Um candidato pergunta ao outro e quem responde deverá acionar um terceiro, fazendo com que o debate realmente circule entre os três. Trazendo assim mais democracia ao embate de ideias, bem como a oportunidade para que a audiência da emissora conheça a proposta de cada postulante Governo do Estado do Paraná.

É justamente aí que está a importância da noite de hoje para quem estiver ligado na telinha da Globo. O público não quer saber quem fala mais alto. O objetivo não é saber quem faz a melhor provocação. Está todo mundo cansado de ataques pessoais. É o futuro da população paranaense que está em jogo. O que interessa ao cidadão do nosso paranázão velho de guerra é sair do debate sabendo o que cada candidato pretende fazer, o projeto de cada um, quanto isso vai custar, de onde virá o dinheiro e quem será beneficiado.

As pesquisas exercem ainda mais pressão

Os números das pesquisas mais recentes mostram uma disputa importante pela segunda posição. Na sondagem do Paraná Pesquisas, divulgada nesta segunda-feira, 28 de setembro, Sergio Moro aparece com 46,2% das intenções de voto, Requião Filho com 23,6% e Sandro Alex com 21,5%. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais, para mais ou para menos. Portanto, embora Requião Filho esteja numericamente à frente, os dois estão tecnicamente empatados. O levantamento ouviu 1.280 eleitores em 60 municípios entre 25 e 27 de setembro e está registrado no TSE sob o número PR-02701/2026.

Na pesquisa Quaest, encomendada pela RPC e divulgada em 24 de setembro, Moro aparece com 36%, enquanto Requião Filho e Sandro Alex registram 20% cada. A margem de erro é de três pontos percentuais. Foram entrevistadas 804 pessoas entre 20 e 23 de setembro, com registro no TSE sob o número PR-02802/2026.

Ou seja: o retrato do momento eleitoral é claro em um ponto, mas exige atenção em outro. Requião Filho aparece numericamente em segundo na pesquisa mais recente, mas a disputa pela segunda colocação permanece tecnicamente aberta. E talvez seja exatamente por isso que o debate desta noite tenha tanto peso na reta final, embora todos nós paranaense saibamos o peso e a importância que tem o nome Requião e a história da família para a política do nosso Estado. Justamente a capacidade de virar o jogo na reta final.

O Paraná quer ouvir propostas

Saúde, educação, segurança pública, pedágio, infraestrutura, Copel, desenvolvimento econômico, indústria, empregos, precatórios e qualidade dos serviços públicos estão entre os assuntos que podem aparecer no confronto.

Mas há uma pergunta que deveria acompanhar cada resposta: como fazer isso se materializar? Porque governar não é somente prometer, ou lançar ideias vazias no ar, para depois não cumprir com as promessas de campanha. As respostas estão na elaboração do orçamento, no estabelecimento de prioridades, respeitar contratos e leis, na escolha e organização das equipes, na execução das políticas públicas e prestação de contas à população.

O Paraná é grande demais e diverso demais para caber apenas em slogans eleitorais.

Do trabalhador da indústria ao pequeno agricultor. Da região metropolitana de Curitiba, das periferias, às cidades do Interior. Dos povos indígenas às famílias que dependem do SUS. Dos estudantes aos idosos. De quem pega ônibus todos os dias a quem enfrenta quilômetros de estrada para trabalhar. O custo de vida no nosso estado ultrapassou todos os limites. O povo paranaense não aguenta mais pagar a conta num estado que tem o segundo maior custo de vida do país.

É essa gente que necessariamente precisa e deve estar no centro do debate. Isso não é só política é uma questão ética e moral. O povo tem que vir em primeiro lugar e não projetos de poder que em verdade são vazios e buscam apenas vencer a todo custo. Gente que se importa apenas em ganhar a eleição mesmo que seja aumentando ainda mais o custo já praticamente impagável para a maioria da população paranaense.

Um dia de fé e esperança

E ainda existe um simbolismo especial nesta terça-feira.  Hoje a tradição católica celebra o dia do Arcanjo Miguel. Dos Santos Arcanjos: Miguel, tradicionalmente invocado como protetor; São Gabriel, mensageiro; e São Rafael, associado à cura e à proteção. Para quem tem fé, é um dia de pedir luz, proteção, coragem e sabedoria.

E para aqueles que têm Nossa Senhora como mãe e advogada, assim como eu e provavelmente você, fica também a esperança de sua intercessão em favor dos humildes, dos pobres, dos trabalhadores, dos que sofrem e dos que tantas vezes precisam lutar para que seus direitos sejam respeitados. Das pessoas que diariamente vertem suor da testa para poder colocar comida na mesa e alimentar a família.

Que São Miguel, São Gabriel e São Rafael iluminem os caminhos daqueles que estarão hoje diante das câmeras. São três arcanjos que podem iluminar os três candidatos para que ao invés de trocas de acusações se troquem ideias, projetos para o estado. O que seria o ideal, embora saibamos que nos debates muitas vezes não existe como não responder às provocações e acusações, que na maioria das vezes são meramente eleitoreiras.

Que Nossa Senhora, advogada dos pobres, Mãe do Perpétuo Socorro proteja o povo do Paraná iluminando para que a escolha do voto seja sabia. A democracia também é uma comunhão, o voto é sagrado e secreto. É o voto digitado na urna que vai definir o futuro da família paranaense pelos próximos quatro anos.

Então, que acima da disputa política, prevaleçam a verdade, o respeito, a democracia e o compromisso com a vida real das pessoas. Rua Paraná de verdade e não com aquele construído apenas para comerciais de televisão e para que turistas vejam.

Uma noite realmente importante

Faltam apenas cinco dias para o primeiro turno, marcado para domingo, 4 de outubro. Por isso, este não será apenas mais um programa de televisão. Será uma valiosa oportunidade para o eleitor comparar discursos, confrontar propostas e observar como cada candidato reage quando precisa responder diretamente ao adversário.

Em minha leitura, como um paranaense que desde seus 12 anos de idade se preocupa com a política no estado, esta é uma noite de grande importância para a eleição e para o debate sobre o futuro do Paraná. Mas a decisão não pertence aos candidatos, às pesquisas, às emissoras ou aos blogueiros. Pertence a nós, eleitores.

Somos nós do povo que estaremos diante das urnas no próximo domingo para definir o nosso próprio futuro. E é justamente por isso que vale a pena assistir ao debate com o coração aberto, atenção, espírito crítico e memória. Porque depois que as luzes do estúdio se apagarem, as promessas continuarão esperando por respostas. O Paraná e as pessoas que constroem ele diariamente também.

Porque o Paraná não é fruto apenas dos políticos que vencem eleições, mas principalmente do fruto do trabalho de quem nele vive e exerce sua atividade profissional, seja ela qual for. Um governo precisa, acima de tudo cuidar das pessoas, das famílias que nele vivem e do progresso que transforma a vida das pessoas. Do campo fértil que transforma sonhos em realidade.

Ronald Sanson Stresser Jr.
Jornalista – 12713/PR

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