segunda-feira, 20 de abril de 2026

Ponte de Guaratuba entra na semana final e já mobiliza olhares e reconhecimento no litoral

Obra aguardada há décadas se aproxima da entrega enquanto visita de Chik Jeitoso traduz sentimento de gratidão de quem acompanha essa espera histórica — bruxo diz que quem passar na ponte vai ter sorte

 
Chik Jeitoso - Divulgação 

O céu aberto sobre a Baía de Guaratuba já não é o mesmo cenário de antes. Há algo novo atravessando o horizonte — não apenas concreto e aço, mas a sensação de que uma espera antiga está chegando ao fim.

A Ponte de Guaratuba entra em sua última semana de obras com ritmo contínuo, inclusive durante o feriado de Tiradentes. No local, o movimento é de conclusão: menos máquinas pesadas, mais ajustes finos. É o tipo de etapa que não chama atenção à distância, mas define o momento da entrega.

Reta final com foco técnico

As equipes concentram esforços nos acabamentos e na preparação da estrutura para inauguração, prevista para o dia 29 de abril. Entre os serviços em andamento estão:

  • execução de meio-fio
  • implantação de juntas de dilatação
  • finalização da capa asfáltica
  • limpeza e organização do canteiro

No lado de Matinhos, a ligação com a rodovia avança com terraplanagem, pavimentação e instalação de dispositivos de segurança. Já em Guaratuba, na região de Caieiras, as alças de acesso entram na fase final, redesenhando o fluxo que por décadas dependeu exclusivamente do ferryboat.

Ao mesmo tempo, o espaço começa a ser preparado para a cerimônia de inauguração — um indicativo claro de que a obra sai do campo técnico e entra no calendário oficial.

Uma espera de décadas prestes a terminar

Com 1.240 metros de extensão e investimento superior a R$ 400 milhões, a ponte representa uma das maiores intervenções de infraestrutura do Paraná nos últimos anos.

Serão quatro faixas de tráfego, além de ciclovia e passagem para pedestres. A travessia entre Guaratuba e Matinhos, hoje sujeita a filas e horários, deve passar a durar cerca de dois minutos.

Mais do que encurtar distâncias, a estrutura altera o ritmo do litoral — impactando turismo, economia e a própria dinâmica da região.

Um olhar que traduz o sentimento coletivo

Foi nesse cenário, já marcado pela expectativa da entrega, que o influenciador espiritualista Chik Jeitoso passou pelo local e registrou um vídeo simples, direto, sem produção elaborada — mas carregado de significado.

Tem que dar parabéns ao governador Ratinho Júnior. Quantos anos esperando essa ponte… é real, existe… olha que maravilha”, diz, enquanto observa a estrutura à bordo do antigo ferryboat .

A fala, espontânea, ecoa algo que vai além de uma opinião individual. Ela condensa o sentimento de quem acompanhou por anos - o bruxo tem casa no litoral paranaense - a promessa da ponte e agora vê a obra concretizada.

Há ainda um elemento que chama atenção entre seguidores: Chik Jeitoso já havia mencionado, anteriormente, que a construção da ponte aconteceria durante o governo de Ratinho Júnior — algo que seus admiradores passaram a destacar com a proximidade da inauguração.

Da obra à paisagem

Durante o vídeo, ele observa um detalhe curioso:

Os iates, os barcos vêm aqui para fazer foto e vídeo…", e bruxo Jeitoso diz que: "a ponte não é Fake News, ela é real, é a sétima maravilha do Paraná, do Brasil e do mundo.

A frase revela um movimento silencioso. Antes mesmo da inauguração, a ponte já se tornou ponto de observação, cenário, referência visual no litoral.

É o momento em que uma obra pública deixa de ser apenas infraestrutura e passa a integrar o cotidiano — e o imaginário — das pessoas. Ela veio para definitivamente fazer parte da paisagem na Bahia de Guaratuba.

Ponte da Sorte 

Consultado pelo Sulpost, Chik afirmou mais uma vez — como já vêm dizendo há algum tempo — que a Ponte de Guaratuba vai atrair muita sorte. Ele inclusive nos ensinou uma simpatia, para quem atravesse a ponte:

"Vou te contar um segredo ... pra quem passar a primeira vez na ponte, faz um pedido na ida e um pedido na volta, porque quem passar a primeira vez por essa ponte que vai ter muita sorte", e completa que "e quem alcançar a graça, para que ela seja abençoada, doar três cestas básicas assim que alcançar a benção."

A obra está sendo inaugurada no mês de São Jorge, sincretizado com o orixá Ogum, que além de proteger as construções e edificações contra as forças da natureza, também é a deidade do panteão afro-brasileiro responsável por abrir os caminhos.

Entre entrega e reconhecimento

Na reta final, a Ponte de Guaratuba já não representa apenas uma solução logística. Ela carrega o peso de uma espera longa e o alívio de uma entrega concreta.

Entre máquinas que finalizam os últimos detalhes e visitantes que param para olhar, fotografar ou simplesmente contemplar, forma-se um consenso silencioso: a travessia, agora, não é mais uma promessa. É realidade — e começa a ser reconhecida como tal.

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Brasil leva agenda ambiental à Europa e aposta em florestas em pé como ativo econômico

Em Hanôver, Lula defende biocombustíveis, critica regras da União Europeia e firma acordo com a Alemanha para financiar a preservação das florestas tropicais

Brasil leva agenda ambiental à Europa e aposta em florestas em pé como ativo econômico. Em Hanôver, Lula defende biocombustíveis, critica regras da União Europeia e firma acordo com a Alemanha para financiar a preservação das florestas tropicais.

Em meio a discursos técnicos, metas climáticas e acordos que muitas vezes parecem distantes da vida real, o Brasil chegou à Hanôver com um recado que tenta aproximar esse debate do cotidiano: preservar o meio ambiente também pode significar gerar renda, atrair investimento e baratear energia.

Foi nesse tom que o presidente Lula se posicionou durante o Encontro Econômico Brasil-Alemanha, nesta segunda-feira (20), colocando o país no centro de duas frentes estratégicas — energia limpa e financiamento ambiental.

Energia limpa como resposta imediata

A defesa dos biocombustíveis veio como um dos pilares do discurso brasileiro. Ao citar o etanol de cana-de-açúcar, Lula destacou um modelo que já funciona — e que, segundo ele, pode ajudar o mundo a enfrentar a emergência climática sem esperar décadas. O combustível brasileiro, além de produzir mais energia por hectare, reduz em até 90% as emissões em comparação com a gasolina.

Na prática, isso não é só uma discussão ambiental. É também econômica. Menos emissão significa menos pressão climática, mas também abre espaço para uma energia mais barata — algo que, no fim do mês, pesa diretamente no bolso de famílias e empresas. E há um contraste que chama atenção: enquanto a União Europeia projeta alcançar 50% de fontes renováveis até 2050, o Brasil já atingiu esse patamar em 2025.

Regras ambientais e o risco de barreiras

Apesar do discurso alinhado à transição energética, o encontro também expôs divergências. O presidente brasileiro criticou propostas em debate na Europa que, segundo ele, desconsideram práticas sustentáveis adotadas no Brasil, principalmente no uso do solo. Também mencionou um novo mecanismo europeu de cálculo de carbono que ignora o perfil renovável da produção brasileira.

Na avaliação do governo, esse tipo de medida pode acabar criando obstáculos para a entrada de biocombustíveis no mercado europeu — justamente num momento em que a demanda por energia limpa cresce.

Florestas em pé entram na conta global

Mas o ponto mais estratégico da agenda ambiental brasileira em Hanôver foi além dos combustíveis. Durante encontro bilateral com o chanceler alemão, Brasil e Alemanha firmaram uma declaração conjunta de apoio ao chamado Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). A proposta parte de uma lógica simples, mas que tenta mudar o jogo: pagar para preservar.

O fundo foi concebido para garantir financiamento de longo prazo a países com florestas tropicais, com base em resultados comprovados de conservação e restauração. A ideia é transformar a floresta em pé em um ativo econômico real — algo que gere retorno financeiro e não apenas custo. Na prática, isso envolve critérios técnicos, transparência e participação de povos indígenas e comunidades tradicionais, conectando proteção ambiental com desenvolvimento e combate à pobreza.

Dinheiro na mesa: compromissos e interesses

O movimento não ficou só no discurso. A Alemanha já sinalizou apoio político e financeiro ao mecanismo, com aportes iniciais e a previsão de investir até 1 bilhão de euros a partir de 2027, por meio de fundos ligados à transição climática. Do lado brasileiro, o país saiu na frente ao anunciar um investimento de 1 bilhão de dólares, com recursos do Fundo Clima e apoio de bancos públicos.

A leitura por trás desses números é clara: a preservação ambiental entrou de vez na lógica do mercado global. Criar valor econômico para manter a floresta em pé passa a ser, ao mesmo tempo, uma estratégia ambiental e uma oportunidade de negócio.

O que está em jogo

O que se discutiu em Hanôver vai além de acordos diplomáticos. A combinação entre biocombustíveis e financiamento florestal aponta para um reposicionamento do Brasil na agenda climática — não apenas como país que precisa preservar, mas como fornecedor de soluções. No fim das contas, o debate deixa de ser apenas ambiental. Passa a ser sobre desenvolvimento, competitividade e futuro.

E, como quase tudo nesse campo, as decisões tomadas agora devem chegar — mais cedo ou mais tarde — ao cotidiano das pessoas, seja no preço da energia, na geração de empregos ou na forma como o país ocupa seu espaço no mundo.


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Fronteira em movimento: exportações disparam no Oeste do Paraná e redesenham logística do Estado

Com quase 2 milhões de toneladas desde 2018, Foz do Iguaçu e Guaíra ganham protagonismo no escoamento de cargas e apontam novo eixo econômico na região

Fronteira em movimento: exportações disparam no Oeste do Paraná e redesenham logística do Estado. Com quase 2 milhões de toneladas desde 2018, Foz do Iguaçu e Guaíra ganham protagonismo no escoamento de cargas e apontam novo eixo econômico na região
Exportações de empresas paranaenses por Foz e Guaíra crescem até 21% desde 2018 - Ari Dias/AEN

O ronco grave do motor dos caminhões nunca para completamente na fronteira Oeste do Paraná. Ele atravessa a madrugada, corta o amanhecer e, quando o sol já está alto, continua ali — constante — empurrando toneladas de produção rumo a outros países. É um fluxo silencioso, mas decisivo.

Desde 2018, quase 2 milhões de toneladas de mercadorias produzidas por empresas paranaenses cruzaram as aduanas de Foz do Iguaçu e Guaíra. Um volume que ajuda a redesenhar o mapa logístico do Estado — e que revela uma engrenagem funcionando além dos grandes portos.

Fronteiras que cresceram junto com a economia

Levantamento do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) - divulgado pela AEN PR - mostra que as exportações por essas duas estruturas tiveram crescimento consistente nos últimos anos.

Em Foz do Iguaçu, a movimentação saltou de 1,66 milhão de toneladas em 2018 para cerca de 2 milhões em 2025 — alta de 21,2%. Já em Guaíra, o avanço foi de 15,8% no mesmo período, chegando a 128,5 mil toneladas.

Somadas, as duas estruturas já ultrapassam 2,1 milhões de toneladas movimentadas, consolidando os chamados portos secos como peças-chave no escoamento da produção.

Rota direta para o Paraguai

O destino dessas cargas tem endereço quase certo: o Paraguai. Pela fronteira de Foz, seguem principalmente fertilizantes, cimento e placas para pavimentação. Em Guaíra, entram na rota produtos como cebola, amidos e féculas modificadas.

A proximidade geográfica reduz custos, encurta distâncias e transforma a fronteira em uma extensão natural do mercado externo.

Muito além do litoral

Embora o Porto de Paranaguá siga como principal corredor de exportação — com 42,8 milhões de toneladas embarcadas em 2025 — o crescimento das aduanas terrestres revela uma diversificação logística importante.

Além das empresas paranaenses, mercadorias de estados como São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais também utilizam essas rotas, reforçando o papel estratégico do Oeste como eixo nacional de circulação.

Segundo o Ipardes, esse avanço está diretamente ligado à qualidade da infraestrutura. Rodovias operantes e integração logística sustentam o aumento da movimentação.

O próximo salto já está em construção

A engrenagem deve girar ainda mais rápido. Um novo porto seco em Foz do Iguaçu está previsto para entrar em operação ainda este ano, com investimento da Multilog e apoio do Governo do Estado e da Receita Federal.

A expectativa é dobrar a capacidade de cargas na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, além de reduzir o impacto do trânsito de caminhões na área urbana.

O projeto inclui pátio logístico, áreas cobertas para armazenagem, estruturas de vistoria e câmaras frias com docas específicas para produtos que exigem controle de temperatura.

Em 2025, o terminal atual já havia processado mais de 5,15 milhões de toneladas de cargas e recebido cerca de 215 mil caminhões.

No fim das contas, o que se vê não é apenas estatística. É movimento real — concreto — de uma economia que atravessa pontes, cruza fronteiras e segue em frente.

E ali, entre buzinas, motores e filas que nunca param totalmente, o Paraná continua exportando mais do que produtos: exporta ritmo, escala e presença.

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domingo, 19 de abril de 2026

Debaixo da terra, um risco que a ciência ainda não enxerga totalmente

Estudo internacional revela lacunas críticas sobre espécies do solo e alerta para perdas invisíveis que podem afetar alimentos e clima

© Valter Campanato/Agência Brasil

O que sustenta a vida na superfície do planeta começa, silenciosamente, debaixo dos nossos pés.

Num punhado de terra, quase invisível a olho nu, existe uma rede complexa — viva, ativa, essencial. E é justamente essa dimensão subterrânea que agora acende um alerta global: sabemos menos do que deveríamos sobre ela. Muito menos.

Um estudo que levanta mais dúvidas do que certezas

No Dia da Conservação do Solo e da Água, um estudo de alcance global trouxe mais perguntas do que respostas — e isso, por si só, já é motivo de preocupação.

Intitulada Avaliação Global do Risco de Extinção de Espécies Dependentes do Solo: avanços recentes e recomendações, a pesquisa aponta um problema estrutural: a ciência ainda não consegue medir com precisão o risco de extinção das espécies que vivem no solo.

E não é por falta de importância.

Cerca de 95% dos alimentos consumidos no mundo dependem diretamente da saúde do solo. É ali também que está armazenado 27% do carbono essencial para conter o aquecimento global abaixo de 2°C. Ainda assim, o que acontece nesse ambiente segue, em grande parte, fora do radar.

Os números que já preocupam — e os que faltam

O levantamento, liderado pela organização Conservation International, analisou dados da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) — principal referência global sobre risco de extinção.

Entre 8.653 espécies avaliadas, o cenário já é delicado:

  • 20% (1.758 espécies) estão ameaçadas de extinção
  • 1.722 espécies não puderam sequer ser avaliadas por falta de dados

Mas o dado mais inquietante está fora das estatísticas: a maior parte da biodiversidade do solo simplesmente não aparece nas análises globais.

O invisível domina — e é o menos estudado

Segundo o pesquisador Neil Cox, responsável pelo estudo, existe um desequilíbrio claro no conhecimento disponível.

Hoje, as informações se concentram principalmente em vertebrados — que representam apenas uma fração da vida subterrânea.

Enquanto isso, invertebrados e fungos, fundamentais para a fertilidade do solo, seguem amplamente sub-representados.

Na prática, isso significa que estamos avaliando o estado de conservação de um ecossistema inteiro com base em uma amostra limitada — quase superficial.

O risco mais grave: perder o que nunca foi descoberto

Há um trecho do estudo que soa como um aviso direto: espécies podem desaparecer antes mesmo de serem conhecidas.

Esse não é um cenário distante. É uma possibilidade concreta, especialmente quando se trata de organismos que vivem em ambientes pouco estudados, como a interface entre solo e matéria orgânica.

E o impacto disso é difícil de medir — justamente porque essas espécies desempenham funções essenciais:

  • decomposição da matéria orgânica
  • ciclagem de nutrientes
  • manutenção da fertilidade do solo

Uma crise silenciosa, com efeitos visíveis

A biodiversidade do solo é uma engrenagem invisível que mantém os ecossistemas funcionando. Quando ela perde diversidade, os efeitos emergem na superfície:

  • queda na produtividade agrícola
  • degradação ambiental
  • impacto nos ciclos climáticos

Ainda que nem todos os efeitos possam ser previstos com precisão, há um consenso entre os pesquisadores: a perda tende a ser negativa — e ampla.

O que precisa mudar agora

Diante desse cenário, o estudo propõe ações diretas:

  • criação de um grupo específico para estudar a biota do solo dentro da IUCN
  • maior integração entre instituições científicas e governos
  • ampliação do acesso à informação sobre conservação do solo
  • inclusão mais efetiva da biodiversidade subterrânea nas políticas ambientais

Mais do que produzir dados, o desafio agora é tornar visível o que sustenta a vida invisivelmente.

O chão que a gente pisa — e pouco conhece

Existe uma espécie de ironia difícil de ignorar: dependemos profundamente de um sistema que ainda não compreendemos por completo.

O solo, tantas vezes tratado como recurso inerte, é, na verdade, um organismo coletivo — pulsante, complexo, indispensável.

E talvez o maior alerta desse estudo não seja apenas sobre o risco de extinção.

Mas sobre o quanto ainda estamos olhando para o lugar errado.

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sábado, 18 de abril de 2026

Barcelona vira palco da articulação global em defesa da democracia — e Lula assume protagonismo no novo eixo progressista

Encontro internacional reúne milhares de lideranças, reforça aliança contra a extrema-direita e reposiciona Brasil como ator central no debate global

Barcelona vira palco da articulação global em defesa da democracia — e Lula assume protagonismo no novo eixo progressista. Encontro internacional reúne milhares de lideranças, reforça aliança contra a extrema-direita e reposiciona Brasil como ator central no debate global.

... das agências internacionais —— Barcelona amanheceu sob o peso de um encontro que tenta redesenhar o mapa político global. Entre bandeiras, discursos e articulações de bastidores, a cidade espanhola se transformou, nas últimas 48 horas, em um centro nervoso da esquerda internacional.

A chamada mobilização progressista global, realizada na, reuniu milhares de lideranças políticas, intelectuais e ativistas de diferentes continentes, em uma tentativa clara de reorganizar o campo progressista diante do avanço de forças conservadoras e da crescente polarização mundial.

No epicentro desse movimento está, que sediou também a quarta reunião internacional “Em Defesa da Democracia”, ampliando o peso institucional do encontro e atraindo chefes de Estado, ministros e representantes de organismos multilaterais.

O discurso dominante foi direto: é preciso reconstruir pontes, conter a desinformação, enfrentar a desigualdade e reposicionar a democracia como eixo central das políticas públicas. A crítica ao avanço da extrema-direita foi constante — e, em alguns momentos, frontal. O mundo precisa de mais pontes e menos muros.

O primeiro-ministro espanhol assumiu o papel de anfitrião e articulador europeu, defendendo a unidade entre forças progressistas. Em tom de alerta, ele foi enfático ao dizer que “não se pode dar a democracia como garantida”, em referência direta ao cenário internacional e à influência de lideranças como.

Sánchez também elevou o tom no campo institucional: propôs a renovação da para torná-la mais representativa do mundo atual e defendeu, de forma simbólica e política, que uma mulher assuma o comando da entidade — um gesto que dialoga com a pauta global de equidade de gênero.

Mas foi a presença do presidente que deu ao encontro uma dimensão ainda mais ampla.

Lula não apenas participou — ele operou como peça central da engrenagem política que sustenta essa articulação. Ao lado de Sánchez, ajudou a alinhar discursos, conectar agendas e consolidar uma frente internacional que busca ir além do simbolismo.

Em sua intervenção, o presidente brasileiro adotou um tom direto e crítico. Falou sobre desigualdade, atacou a concentração de renda e fez um alerta interno ao próprio campo progressista: cobrou coerência de governos que se dizem de esquerda, mas enfrentam dificuldades para traduzir discurso em política concreta.

Também reforçou a defesa do multilateralismo e voltou a criticar o modelo econômico que, segundo ele, amplia distorções sociais e fragiliza democracias.

Nos bastidores, Lula ainda participou de reuniões bilaterais com autoridades espanholas, avançando em acordos nas áreas de comércio, tecnologia e inovação — um movimento que indica que o encontro não ficou restrito ao campo simbólico.

O que se desenha, ao fim dessas últimas horas, é mais do que um evento pontual. A Espanha tenta se consolidar como um polo de articulação política internacional, enquanto o Brasil se reposiciona como liderança estratégica do chamado Sul Global.

Há, no ar, uma tentativa clara de reorganização. Não apenas de discursos, mas de poder.

Se essa engrenagem vai se sustentar ao longo do tempo, ainda é cedo para dizer. Mas Barcelona, ao menos por agora, conseguiu o que poucos encontros recentes alcançaram: reunir, alinhar e projetar uma narrativa global com ambição de influência real.

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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Cabelo humano vira escudo contra óleo na Baía de Guanabara

Projeto transforma descarte cotidiano em tecnologia ambiental de baixo custo para proteger manguezais no Rio

Cabelo humano vira escudo contra óleo na Baía de Guanabara
Foto: Edgar Costa/Fundação Grupo Boticário

O mar não fala — mas entrega sinais. Na superfície turva da Baía de Guanabara, entre garrafas à deriva e manchas invisíveis de óleo, surge agora uma resposta improvável, quase poética: cabelo humano.

Na enseada de Bom Jesus, na Ilha do Fundão, zona norte do Rio de Janeiro, uma tecnologia simples — e surpreendente — começou a operar onde soluções caras muitas vezes falham. Barreiras formadas por mechas de cabelo humano, envoltas em malha de algodão, passaram a reforçar uma estrutura flutuante de cerca de 300 metros que já atuava na retenção de resíduos sólidos, segundo noticiado pela Agência Brasil.

Agora, além do lixo visível, essas barreiras também capturam o que escapa aos olhos: o óleo.

A lógica é direta. Estudos mostram que um único grama de cabelo é capaz de absorver, em média, até cinco gramas de óleo. Um material abundante, descartado diariamente em salões e barbearias, passa a cumprir um papel ambiental estratégico — com baixo custo e alto impacto.

A iniciativa é conduzida pelas organizações Orla Sem Lixo Transforma (OSLT) e Fiotrar, com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. É a primeira vez que esse tipo de tecnologia é aplicado em um ecossistema natural no Brasil.

Há também uma dimensão social no projeto. A Fiotrar já trabalha com a coleta de cabelos para a produção de perucas destinadas a pacientes com câncer. Agora, amplia seu alcance: o que antes seria descartado passa a integrar uma cadeia de reaproveitamento com impacto ambiental direto.

Depois de um ano de testes e adaptações às condições específicas da baía, o sistema começa a mostrar resultados. A preocupação central está nos manguezais — áreas sensíveis e essenciais para o equilíbrio costeiro. Funcionam como barreiras naturais contra erosão, ajudam a conter a força das marés e desempenham papel crucial no sequestro de carbono.

Proteger esses territórios é, na prática, proteger a própria cidade.

A nova barreira não resolve tudo. Mas aponta um caminho. Um desses raros momentos em que ciência, sustentabilidade e engenho cotidiano se encontram — e funcionam.

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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Deputado Arilson homenageia escola de samba Rosa do Povo, campeã do Grupo de Acesso

Agremiação venceu o Carnaval de Curitiba em seu desfile de estreia e reforça atuação nas periferias da região metropolitana

 
Deputado Arilson homenageia escola de samba Rosa do Povo, campeã do Grupo de Acesso. Agremiação venceu o Carnaval de Curitiba em seu desfile de estreia e reforça atuação nas periferias da região metropolitana.
A escola homenageada no Plenário da ALEP - Assessoria

O som do tamborim ecoa diferente quando atravessa o plenário de um parlamento. Entre discursos formais e protocolos rígidos, foi o ritmo do samba que abriu espaço — e sentido — para uma homenagem incomum na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

A escola de samba Rosa do Povo, criada há menos de um ano, foi celebrada em sessão solene proposta pelo deputado estadual Arilson Chiorato (PT). A agremiação conquistou o título do Grupo de Acesso do Carnaval de Curitiba 2026 logo em sua estreia — um feito raro, ainda mais considerando os recursos limitados.

“A Rosa do Povo representa a cultura popular dos bairros, da periferia e da resistência formada por pessoas normalmente invisíveis na sociedade”, afirmou o parlamentar durante a homenagem, aprovada por unanimidade.

Fundada em agosto de 2025, a escola atua em comunidades de Curitiba, Araucária e Campo Magro. Seu barracão fica na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), território onde a cultura pulsa fora dos holofotes oficiais.

No lugar do tradicional hino nacional, a sessão começou com o samba-enredo “Nasce uma Rosa na Curitiba de Todos os Povos”, apresentado pela bateria Bruta Flor. Foi esse mesmo samba que levou cerca de 350 componentes à Avenida Marechal Deodoro, no desfile de fevereiro, garantindo o título.

A letra mistura referências e identidade — inclusive com ecos dos Racionais MC’s — e constrói uma metáfora direta: a beleza que nasce no asfalto duro, no cotidiano das lutas periféricas.

“Nossa proposta é ser uma escola progressista, ligada aos movimentos sociais e populares, com gestão democrática”, explicou o presidente da agremiação, Paulo Bearzorti.

Nos bastidores, o desafio foi grande. Foram apenas quatro meses de preparação e pouco mais de R$ 30 mil para colocar o desfile na rua — cerca de metade do orçamento de escolas do Grupo Especial.

“Estar aqui também é uma forma de pleitear apoio à cultura. Cultura é direito humano”, destacou Sueli Fernandes, diretora de Alas e Comunidades, responsável por manter o vínculo da escola com sua base.

Durante a sessão, o vereador Angelo Vanhoni (PT) relembrou a história do Carnaval curitibano e criticou tentativas de apagar essa tradição em nome de uma identidade mais europeizada da cidade.

“O samba não é só Carnaval. É modo de vida, especialmente para a comunidade negra”, afirmou.

Para 2027, a Rosa do Povo já prepara seu próximo desfile — agora no Grupo Especial. O enredo será uma homenagem a Maria da Conceição Bueno, figura popular em Curitiba, considerada por muitos como santa milagreira, ainda que não reconhecida oficialmente pela Igreja Católica.

A expectativa é de continuidade. E crescimento.

“Que essa conquista seja só o começo de um caminho ainda maior”, disse Arilson.

Fonte: ALEP
Reportagem: Felipe Bottamedi

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Trabalhador não é máquina: campanha pelo fim da escala 6x1 ganha força em Curitiba

Mobilização começa nas portas de fábrica e conecta a Região Metropolitana ao debate nacional sobre jornada e qualidade de vida

Trabalhador não é máquina: campanha pelo fim da escala 6x1 ganha força em Curitiba. Mobilização começa nas portas de fábrica e conecta a Região Metropolitana ao debate nacional sobre jornada e qualidade de vida.

O dia ainda nem tinha clareado completamente quando os primeiros jornais, bottons e adesivos começaram a circular nas portas das fábricas. Em Curitiba e na Região Metropolitana, o movimento sindical voltou a ocupar o espaço onde tudo começa: a porta de fábrica.

No mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou centrais sindicais a pressionarem o Congresso pelo fim da escala 6x1, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) fez o movimento acontecer na prática. Nas ruas. Ali, no contato direto com quem vive a rotina pesada do trabalho industrial.

O começo de uma nova mobilização

Na manhã de quarta-feira (15), dirigentes do SMC e da Força Sindical do Paraná deram início à campanha pelo fim da escala 6x1. A ação percorreu empresas estratégicas da região — um território marcado pela forte presença da indústria automotiva e metalúrgica.

Entre as plantas mobilizadas estão Volvo, Neodent (CIC), Brafer (Araucária), Volkswagen, Renault, PIC da Audi e SLB/OneSubsea, em São José dos Pinhais. A campanha não para por aí. Nos próximos dias, outras fábricas devem entrar no roteiro.

Mais do que jornada: uma questão de vida

O discurso levado aos trabalhadores é direto — e difícil de contestar. A escala 6x1 não afeta apenas o cansaço. Ela atravessa toda a vida de quem depende do trabalho para viver.

  • menos tempo com a família;
  • desgaste físico e mental acumulado;
  • dificuldade para estudar ou crescer profissionalmente;
  • falta de tempo até para resolver o básico do dia a dia.

No limite, o problema é simples de entender: quem trabalha seis dias seguidos tem apenas um para tudo. Descansar, cuidar da casa, ver os filhos, reorganizar a própria vida. Não fecha. E é exatamente esse desequilíbrio que a campanha quer mostrar.

Conscientização dentro e fora da fábrica

A companheirada começou cedo. Circulou pela frente das fabricas, conversou com trabalhadores, distribuíu uma edição especial do jornal A Voz do Metalúrgico, além de bottons e adesivos.

Um detalhe chama atenção: a mobilização também dialoga com quem já está em jornadas melhores, como o regime 5x2.

A ideia é ampliar a consciência coletiva — mostrar que o debate não é individual, mas estrutural.

Coordenação e articulação

Um dos nomes à frente da mobilização é o dirigente conhecido como Nelsão da Força, vice-presidente do SMC, que atua na articulação direta com a base e na construção da campanha no estado.

A estratégia combina presença nas fábricas com pressão política — alinhando o movimento local ao cenário nacional.

Brasília no horizonte

No Congresso, o tema avança em ritmo acelerado.

O Projeto de Lei 1838/2026, enviado pelo governo com urgência constitucional, propõe reduzir a jornada semanal para 40 horas, sem redução salarial, além de garantir dois dias de descanso remunerado por semana.

A proposta também amplia a regra para diferentes categorias e tenta reorganizar o tempo de trabalho sem comprometer renda — um dos pontos centrais da negociação.

Na prática, o que está em jogo é uma mudança de lógica: trabalhar menos para viver melhor, sem perder poder de compra.

Um movimento que volta a respirar

Na Região Metropolitana de Curitiba, onde a indústria dita o ritmo da economia, a retomada da mobilização sindical não passa despercebida. Ela reaparece com um discurso mais direto, menos técnico e mais conectado à vida real.

No fim das contas, a mensagem que ecoa nas portas de fábrica é simples — e difícil de ignorar: trabalhar não pode significar viver menos.

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Lula chama centrais à pressão por fim da escala 6x1 (vídeo)

Categorias entregam 68 reivindicações e colocam na mesa o futuro do trabalho no Brasil

Lula chama centrais à pressão por fim da escala 6x1. Categorias entregam 68 reivindicações e colocam na mesa o futuro do trabalho no Brasil.

O clima em Brasília não era de rotina. Do lado de fora, a marcha. Do lado de dentro, a expectativa. Um dia depois de enviar ao Congresso o projeto que propõe o fim da escala 6x1 e limita a jornada a 40 horas semanais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu lideranças sindicais no Palácio do Planalto com uma mensagem direta — e sem rodeios.

Não basta enviar o projeto. É preciso pressionar.

“Vocês não podem abdicar da responsabilidade de lutar pelos trabalhadores que representam”, disse o presidente, em tom firme, diante dos dirigentes. Não era discurso formal. Era recado político.

Pressão como parte do jogo

A fala de Lula expõe o cenário real da proposta: o texto já está no Congresso, mas a disputa está só começando. E, como costuma acontecer em pautas trabalhistas, o peso da mobilização social pode ser decisivo.

“Não tem tempo fácil”, resumiu. A frase veio como diagnóstico — e também como aviso.

Um rosto para a pauta

Entre os presentes, uma figura sintetizava o espírito do debate. Rick Azevedo, ex-balconista e hoje ativista, relembrou o momento em que rompeu com a rotina exaustiva de trabalho.

Depois de enfrentar burnout e depressão, ele publicou um vídeo nas redes denunciando a lógica de seis dias de trabalho para apenas um de descanso. O desabafo viralizou — e acabou se transformando em movimento.

O nome ganhou força: Vida Além do Trabalho.

Lula chegou a sugerir que, se aprovada, a nova legislação leve o nome do ativista. Um gesto simbólico, mas que revela o peso político que a pauta ganhou.

Disputa de narrativa

O presidente também aproveitou o encontro para mirar decisões do passado recente. Voltou a criticar as reformas trabalhista e previdenciária, apontando perdas para os trabalhadores.

Mais do que isso, fez um alerta: existem setores defendendo modelos ainda mais flexíveis — inclusive com jornadas diárias mais longas.

No fundo, a disputa não é só sobre dias de folga. É sobre qual modelo de trabalho o país pretende adotar daqui para frente.

Mais tempo — e mais empregos?

Do lado das centrais sindicais, o discurso foi de oportunidade. Para o presidente da CTB, Adilson Araújo, a redução da jornada pode gerar milhões de empregos ao redistribuir o tempo de trabalho. Já Miguel Torres, da Força Sindical, preferiu traduzir o impacto no cotidiano: Mais tempo para a família. Para a saúde. Para estudar. Para viver.

A marcha que levou milhares de trabalhadores à Esplanada dos Ministérios foi apresentada como sinal de que a pauta deixou de ser periférica — e passou a ocupar o centro do debate nacional.

Um pacote maior de mudanças

O fim da escala 6x1 é apenas uma peça de um tabuleiro mais amplo. Ao todo, foram 68 reivindicações entregues ao governo, com um horizonte de cinco anos. O documento tenta antecipar um mundo do trabalho em transformação acelerada.

Entre os pontos levantados:

  • impactos da inteligência artificial sobre empregos;

  • maior vulnerabilidade de jovens e mulheres;

  • avanço da pejotização;

  • proteção a trabalhadores de aplicativos.

A preocupação central é clara: as mudanças já começaram — com ou sem regulação.

O que está realmente em jogo

Por trás da proposta, existe uma pergunta que vai além da política e da economia. Quanto vale o tempo de vida fora do trabalho? E quem decide isso?

O projeto agora está nas mãos do Congresso. Mas, como o próprio presidente deixou claro, essa é uma disputa que não se resolve apenas dentro dele.

Veja o vídeo do encontro


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Febre das canetas emagrecedoras expõe mercado ilegal, furtos e riscos à saúde no Brasil

Com produtos falsificados, contrabando internacional e alta demanda, uso indiscriminado transforma tratamento médico em alvo do crime e alerta autoridades sanitárias

Febre das canetas emagrecedoras expõe mercado ilegal, furtos e riscos à saúde no Brasil. Com produtos falsificados, contrabando internacional e alta demanda, uso indiscriminado transforma tratamento médico em alvo do crime e alerta autoridades sanitárias.

O estojo já não chama mais atenção. O alvo agora é outro — pequeno, discreto, caro e altamente desejado. Em prateleiras de farmácia ou no fundo de mochilas cruzando fronteiras, as chamadas “canetas emagrecedoras” deixaram de ser apenas um recurso médico e passaram a ocupar um espaço inquietante no imaginário coletivo: o de solução rápida, quase obsessiva, para o corpo ideal.

O avanço desses medicamentos, baseados em substâncias como a tirzepatida, trouxe resultados reais no tratamento da obesidade e do diabetes. Mas junto com os benefícios veio um efeito colateral social difícil de ignorar: a banalização do uso.

O que era prescrição médica virou tendência. E tendência, no Brasil, rapidamente vira mercado paralelo.

Nos últimos dias, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acendeu um alerta contundente. A agência determinou a apreensão e proibiu completamente a comercialização de dois produtos que vinham circulando com força na internet: Gluconex e Tirzedral.

A razão é direta — e grave. Esses produtos não possuem registro, não foram notificados e não têm origem identificada. Na prática, ninguém sabe exatamente o que há dentro dessas canetas.

A decisão foi formalizada na resolução publicada no Diário Oficial em 14 de abril de 2026, tornando ilegal qualquer etapa da cadeia: venda, distribuição, importação e até o uso.

A própria Anvisa foi taxativa ao afirmar que não existe “qualquer garantia quanto ao conteúdo ou à qualidade” desses produtos. Em termos técnicos — e humanos — isso significa risco imprevisível.

Contrabando e nova rota ilegal

Enquanto a regulamentação tenta acompanhar o fenômeno, o crime organizado já se move com agilidade.

Na segunda-feira (13), uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou um ônibus vindo do Paraguai, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O veículo carregava um volume expressivo de mercadorias ilegais — entre elas, mil frascos de canetas emagrecedoras.

Quarenta e dois passageiros foram levados para averiguação. Um casal, que havia embarcado em Foz do Iguaçu (PR), acabou preso em flagrante. Com eles, além dos medicamentos, havia anabolizantes e outros produtos destinados ao comércio clandestino.

A substância encontrada nas canetas — tirzepatida — até existe no mercado regular, mas ali estava fora de qualquer controle sanitário.

O material apreendido agora passa por análise, enquanto as investigações buscam identificar outros envolvidos na cadeia de importação e distribuição ilegal.

Furtos e mudança de comportamento

Há uma mudança silenciosa acontecendo também dentro das cidades.

Farmácias já registram furtos direcionados. Não é mais o dinheiro do caixa o principal interesse — são as canetas. Produtos pequenos, de alto valor e fácil revenda.

Esse padrão revela algo mais profundo do que criminalidade oportunista. Ele aponta para uma pressão social crescente, que transforma saúde em urgência estética e medicamento em objeto de desejo. Não se trata apenas de emagrecer. Trata-se de acelerar o processo — custe o que custar.

Riscos invisíveis

O problema das canetas irregulares não é apenas legal. É biológico. Sem controle sanitário, esses produtos podem conter dosagens incorretas, apresentar contaminação ou até utilizar substâncias diferentes das anunciadas.

Por serem injetáveis, o risco é direto — sem os filtros naturais do organismo. Na ponta, quem compra muitas vezes não percebe que está participando de uma cadeia que mistura falsificação, contrabando e ameaça à própria saúde.

Um fenômeno em expansão

O Brasil vive o início de uma nova frente de vigilância sanitária. Não é mais apenas sobre medicamentos tradicionais, mas sobre tendências que nascem na internet, viralizam nas redes e rapidamente escapam do controle institucional.

As canetas emagrecedoras estão no centro desse movimento.

Entre promessas rápidas e atalhos perigosos, o que se desenha é um cenário onde o maior risco não está apenas no produto falsificado — mas na lógica que o tornou tão desejado.

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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Licitação de R$ 580 milhões é suspensa e expõe pressa, suspeitas: é segurança pública, modelo de vigilância chinesa ou vitrine eleitoral?

Projeto de vigilantismo em massa com inteligência artificial soa como ficção — mas começa a revelar uma distopia bem real

 
Licitação de R$ 580 milhões é suspensa e expõe pressa, suspeitas: é segurança pública, modelo de vigilância chinesa ou vitrine eleitoral? Projeto de vigilantismo em massa com inteligência artificial soa como ficção — mas começa a revelar uma distopia bem real

Manhã típica em Curitiba. Frio que engana, clima esquentando aos poucos. Trânsito, café apressado, rotina — o normal de todos os dias. Mas nos bastidores do poder, algo travou. E não foi por acaso.

O Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR) puxou o freio de um projeto bilionário disfarçado de modernização: o programa Olho Vivo. A promessa era simples de vender — mais câmeras, mais tecnologia, mais segurança. Mas o que apareceu no papel foi outra coisa.

Um edital de quase R$ 580 milhões, recheado de inconsistências, valores inflados e decisões que levantam uma pergunta incômoda: isso é planejamento público… ou pressa política, com os olhos já voltados para as próximas eleições?

Projeto grande demais — explicado de menos

A decisão do TCE foi direta: suspender o pregão antes mesmo da contratação avançar. O motivo é claro — risco real de dano ao dinheiro público.

Técnicos identificaram indícios de sobrepreço, falhas na modelagem do projeto e até riscos envolvendo o uso de dados pessoais dos cidadãos — um ponto crítico, e perigoso, quando se fala em monitoramento em tempo real com inteligência artificial.

Em termos mais crus: o Estado tentou contratar um sistema caro, sensível e complexo, potencialmente invasivo… e, pior, sem deixar claro como ele funcionaria na prática.

Há comparações que incomodam ainda mais. Em alguns cenários, o custo projetado ultrapassa em várias vezes soluções semelhantes já implementadas em outras cidades do país — muitas delas com bons resultados, sem avançar sobre a privacidade do cidadão.

Segurança pública sem a Segurança Pública?

Um detalhe chama atenção nos bastidores: a própria Secretaria de Segurança Pública (SESP-PR), que deveria liderar um projeto desse porte, teria participação limitada na formulação do modelo.

Isso ajuda a explicar por que o sistema parece ter nascido de cima para baixo, sem considerar as necessidades reais da população — mais como produto político do que como política pública estruturada.

Quando a tecnologia vira vitrine, o risco é simples: ela deixa de servir à população e passa a servir à narrativa. E todos conhecem o perigo de narrativas construídas de forma apressada — especialmente quando embaladas por inteligência artificial.

O Paraná sob vigilância — e sem debate

O discurso oficial aposta na eficiência. Câmeras inteligentes, reconhecimento de padrões, integração de dados. Tudo isso pode, sim, contribuir com a segurança.

Mas existe um limite que raramente entra na propaganda: quem controla esse sistema? Como esses dados serão usados? Quem fiscaliza o fiscal? Cidadãos comuns também terão suas rotinas, famílias e padrões de vida monitorados?

O avanço de tecnologias de vigilância em massa exige transparência, debate público e regras claras. Nada disso aparece com força nesse projeto.

Em outros países, como a China, modelos de vigilância integral com uso intensivo de inteligência artificial já acenderam alertas globais sobre privacidade e controle social. Até que ponto o Estado pode vigiar seus próprios cidadãos?

Quando um sistema desse tipo nasce cercado de falhas, dúvidas técnicas, pressa e suspeitas, o problema deixa de ser técnico — passa a ser estrutural. Vira problema de Estado.

E agora?

A suspensão não encerra o caso. O governo ainda pode corrigir o edital, ajustar valores e tentar retomar o processo — talvez reduzindo o “olho gordo” sobre o Olho Vivo. Mas o dano político já está feito.

O que era vendido como inovação virou questionamento. O que era vitrine virou investigação. O que era promessa de segurança virou dúvida sobre privacidade.

E o que deveria proteger passou a gerar desconfiança. Vai o governo agora ficar de butuca, atrás da moita, espiando todo mundo? Outra questão levantada foi observada por uma fonte do blog: "estão acabando com os cobradores de ônibus nas estações tubo, querendo automatizar tudo. Será que não querem automatizar a polícia também?"

No fim, a pergunta que fica é simples — e difícil de ignorar: quem está realmente sendo protegido e quem são os verdadeiros interessados nesse projeto?

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Detido pelo ICE nos Estados Unidos, Alexandre Ramagem pode enfrentar extradição ao Brasil

Ex-chefe da inteligência brasileira e ex-deputado federal foi localizado na Flórida após viver como foragido; caso envolve imigração, diplomacia e disputa jurídica internacional

Detido pelo ICE nos Estados Unidos, Alexandre Ramagem pode enfrentar extradição ao Brasil. Ex-chefe da inteligência brasileira e ex-deputado federal foi localizado na Flórida após viver como foragido; caso envolve imigração, diplomacia e disputa jurídica internacional.

O cenário é discreto, quase silencioso — mas carrega implicações de alto impacto político. Em uma unidade de detenção na Flórida, longe dos holofotes brasileiros, um dos nomes mais controversos do cenário recente do país aguarda o próximo movimento da Justiça internacional.

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal, foi detido por autoridades de imigração dos Estados Unidos (ICE) na região de Orlando entre os dias 13 e 14 de abril de 2026. A informação foi confirmada por veículos de imprensa brasileiros e internacionais, além de registros no sistema de custódia americano.

A detenção ocorreu por questões migratórias, mas rapidamente ganhou dimensão política e jurídica. Ramagem estava nos Estados Unidos desde 2025, após deixar o Brasil em meio a investigações e posterior condenação judicial.

Onde ele está

Até o momento, Ramagem permanece sob custódia do ICE na região de Orlando, no estado da Flórida. Registros indicam vínculo com o sistema carcerário do condado de Orange County, prática comum em casos de “immigration hold”, quando o detido aguarda definição sobre deportação ou extradição.

As autoridades americanas não divulgaram oficialmente o nome da unidade específica onde ele está detido — procedimento padrão em casos envolvendo estrangeiros sob custódia migratória.

Por que ele foi preso

A detenção foi motivada inicialmente por irregularidades no status migratório. No entanto, o contexto é mais amplo. Ramagem havia sido condenado no Brasil a mais de 16 anos de prisão por envolvimento em uma tentativa de ruptura institucional.

Após a condenação, fugiu do país e passou a ser considerado foragido da Justiça brasileira, com pedido de cooperação internacional em andamento. Nos Estados Unidos, a abordagem teria ocorrido após identificação pelas autoridades locais, possivelmente em uma situação rotineira, como fiscalização ou verificação documental. A partir daí, o ICE assumiu a custódia.

O que pode acontecer agora

O caso entra agora em uma fase mais complexa, com três caminhos possíveis:

  • Deportação: retorno ao Brasil por irregularidade migratória, processo mais rápido e administrativo

  • Extradição: envio formal ao Brasil com base na condenação judicial, envolvendo decisão judicial e diplomática

  • Pedido de asilo: tentativa de permanecer nos EUA alegando perseguição política

Brasil e Estados Unidos possuem tratado de extradição em vigor, o que permite o procedimento — desde que cumpridos critérios legais, como a chamada “dupla tipificação” (o crime também precisa existir na legislação americana).

Um dos pontos mais sensíveis será a natureza dos crimes atribuídos a Ramagem. Se forem considerados “crimes políticos puros”, a extradição pode ser negada. Caso sejam interpretados como crimes comuns com motivação política, o processo deve avançar.

Disputa jurídica e diplomática

Mesmo com decisão favorável da Justiça americana, a extradição não é automática. A palavra final cabe ao Departamento de Estado dos EUA, o que insere o caso também no campo diplomático.

Além disso, um eventual pedido de asilo pode suspender ou atrasar qualquer tentativa de envio ao Brasil, prolongando o impasse por meses — ou até anos.

Repercussão

A detenção repercutiu rapidamente nos dois países. No Brasil, o caso reacende debates sobre responsabilização política e cooperação internacional. Nos Estados Unidos, entra no radar de discussões sobre imigração e uso do sistema para lidar com estrangeiros procurados por outros países.

Até aqui, o que se sabe é claro — mas ainda incompleto. Ramagem está sob custódia, o Brasil tem interesse em seu retorno, e os Estados Unidos terão que decidir como conduzir um caso que mistura direito, política e diplomacia em um único processo. O desfecho, por ora, segue em aberto.

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O Brasil na corrida dos data centers — entre o futuro digital e o custo ambiental

Com investimentos bilionários e avanço da inteligência artificial, país se consolida como hub tecnológico — mas pressão sobre recursos naturais já entra no radar

Ronald Stresser Jr — Sulpost

 

O Brasil na corrida dos data centers — entre o futuro digital e o custo invisível da energia. Com investimentos bilionários e avanço da inteligência artificial, país se consolida como hub tecnológico — mas pressão sobre recursos naturais já entra no radar.

O zumbido constante dos servidores não aparece nas cidades. Não faz barulho nas ruas, não ocupa manchetes todos os dias — mas está lá. Em galpões discretos, muitas vezes longe do olhar público, o Brasil começa a sustentar uma nova camada da economia: a infraestrutura invisível da era digital.

Os data centers, antes restritos ao universo técnico, viraram peça-chave de um mundo conectado, automatizado e, agora, acelerado pela inteligência artificial. E o país entrou de vez nessa corrida. Nos bastidores, o movimento é intenso.

Um boom silencioso — e estratégico

O Brasil se posiciona hoje como o principal polo de data centers da América Latina, atraindo investimentos pesados e projetos de larga escala. A combinação é poderosa: energia relativamente barata, matriz majoritariamente renovável e um mercado interno massivo.

Não por acaso, gigantes globais e fundos de infraestrutura estão ampliando presença. A lógica é simples — onde há dados, há poder econômico. E há muitos dados.

A digitalização de serviços, o avanço da computação em nuvem e, sobretudo, a explosão da inteligência artificial criaram uma demanda inédita por processamento. Modelos de IA exigem capacidade computacional contínua, intensa — e cara.

Esse novo ciclo já impacta diretamente o consumo energético. A expansão dos data centers começa a aparecer como vetor relevante na demanda por eletricidade no Brasil.

O outro lado da equação

Mas há um ponto que começa a ganhar densidade no debate — e que o entusiasmo tecnológico tende a suavizar: o custo ambiental dessa infraestrutura.

Hoje, os data centers ainda representam uma fração relativamente pequena do consumo nacional de energia. O problema não é o tamanho atual — é a velocidade de crescimento.

A inteligência artificial mudou a escala do jogo. Treinar e operar modelos avançados exige milhares de processadores funcionando sem pausa — o que já começa a pressionar emissões e cadeias energéticas em escala global.

E não é só energia.

A água — usada principalmente para resfriamento — entra na conta. Em alguns casos, um único data center pode consumir volumes comparáveis ao de pequenas cidades ao longo do ano.

Esse é o ponto de tensão: uma infraestrutura essencial para o futuro digital, mas com impacto físico concreto sobre recursos naturais.

Eficiência ou ilusão?

O setor responde com tecnologia. Sistemas mais modernos reduzem consumo, utilizam circuitos fechados de refrigeração e apostam em energias renováveis. A ideia de “data centers verdes” ganha espaço e investimento.

Mas há um paradoxo difícil de ignorar. Quanto mais eficiente a tecnologia se torna, maior tende a ser a demanda total — impulsionada justamente pelo crescimento do uso. A inteligência artificial melhora a eficiência, mas também multiplica o consumo global.

O Brasil no meio dessa encruzilhada

O país reúne condições raras para liderar esse setor. Energia relativamente competitiva, abundância hídrica e território disponível colocam o Brasil como destino natural para grandes operações. Mas essa vantagem vem com responsabilidade — e riscos.

A expansão dos data centers não é neutra: pressiona redes elétricas, reorganiza territórios e pode gerar disputas por recursos, especialmente em cenários de crise hídrica ou eventos climáticos extremos. Em outras palavras: o futuro digital também ocupa espaço físico.

O que está em jogo

A questão não é frear o avanço — isso simplesmente não está na mesa. A pergunta real é outra: como crescer sem repetir os erros de outras revoluções industriais?

O Brasil tem, talvez, uma janela rara de escolha. Pode se tornar apenas um grande hospedeiro de infraestrutura intensiva — ou liderar um modelo mais equilibrado, onde tecnologia e sustentabilidade caminhem juntas de forma menos retórica e mais concreta.

Porque, no fim, toda nuvem tem também endereço fixo. E consome energia, muita energia.

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terça-feira, 14 de abril de 2026

Conta de luz pode disparar no Paraná após privatização da Copel, alerta Arilson

Deputado aponta aumento médio de 19% para residências e mais de 50% em setores industriais, criticando modelo voltado ao lucro

14 de abril de 2026 — Sulpost — via Assessoria do Deputado 

Conta de luz pode disparar no Paraná após privatização da Copel, alerta Arilson. Deputado aponta aumento médio de 19% para residências e mais de 50% em setores industriais, criticando modelo voltado ao lucro.
Deputado Arilson Chiorato, Líder da Oposição na ALEP e presidente do PT-PR (Orlando Kissner/Alep)

O impacto chega primeiro na fatura. Silencioso, direto, difícil de escapar. E pode ficar mais pesado nos próximos meses. Nesta terça-feira (14), na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), o deputado estadual Arilson Chiorato (PT) acendeu um alerta: a conta de energia pode subir, em média, 19,2% para consumidores residenciais — e ultrapassar os 50% em alguns segmentos da economia.

Líder da Oposição e presidente do PT no Paraná, Arilson atribui o cenário à mudança no modelo de gestão da Companhia Paranaense de Energia (Copel), após a privatização conduzida pelo governo Ratinho Jr. (PSD).

Segundo o parlamentar, os números chamam atenção: mesmo com uma queda aproximada de 1% no custo da energia entre 2025 e 2026, a proposta de reajuste segue em alta expressiva. Em áreas como grandes indústrias, mineração e centros comerciais, o impacto pode ser ainda mais acentuado.

“A Copel deixou de ter como prioridade o interesse público e passou a focar no resultado para acionistas. Isso muda a lógica da tarifa e impacta diretamente o bolso da população”, afirmou Arilson.

No plenário, o líder reforçou que a mudança no controle da empresa trouxe uma nova diretriz: maximizar lucro e ampliar a distribuição de dividendos. Para ele, o cenário atual confirma alertas feitos ainda em 2020, durante o debate sobre a venda da estatal.

Estrutura de cobrança pressiona tarifas

Outro ponto destacado pelo deputado é o crescimento da remuneração do capital — índice que representa o retorno sobre investimentos na rede elétrica — que, segundo ele, avançou mais de 70%.

Na prática, a lógica é técnica, mas o efeito é direto: a infraestrutura de distribuição tem seu valor reconhecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), e sobre esse montante incide uma remuneração. Quanto maior esse valor, maior a pressão sobre a tarifa final.

“É investimento virando aumento de tarifa. A empresa investe e depois incorpora esse custo na conta de luz. Quando isso cresce demais, quem paga é o consumidor”, disse.

Na avaliação do parlamentar, o modelo atual permite que investimentos sejam incorporados de forma crescente ao preço pago pela população, ampliando a base de cobrança e abrindo espaço para novos reajustes.

Efeito em cadeia na economia

O impacto, segundo Arilson, não se limita às residências. A alta da energia se espalha pela economia: encarece a produção industrial, pressiona o comércio e chega, inevitavelmente, ao preço final de produtos e serviços.

O deputado também criticou a ausência de resposta do governo estadual diante das mudanças na empresa. Ele mencionou relatos de piora no atendimento, com demora na religação de energia e redução de equipes.

“Há relatos claros de piora no atendimento da Copel. A população enfrenta demora na religação de energia e redução de equipes. Isso é realidade. A questão é: qual foi a decisão do Governo Ratinho Jr. diante disso? Nenhuma”, afirmou.

Para Arilson, os efeitos da privatização já se manifestam no cotidiano dos paranaenses — seja na conta mais cara, seja na pressão crescente sobre o orçamento familiar.

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Ratinho Jr. ignora pesquisas, surpreende aliados e lança Sandro Alex ao governo do Paraná

Com Moro chegando a 52%, escolha do governador desafia lógica eleitoral e acende alerta dentro da própria base

 
Ratinho Jr. ignora pesquisas, surpreende aliados e lança Sandro Alex ao governo do Paraná. Com Moro chegando a 52%, escolha do governador desafia lógica eleitoral e acende alerta dentro da própria base.

O movimento veio sem aviso — quase em silêncio. Nos bastidores, o clima era de expectativa, de cálculo, de espera longa. Até que Ratinho Jr. decidiu. E decidiu contra o que parecia mais óbvio.

O nome escolhido para disputar o governo do Paraná é o de Sandro Alex, ex-secretário de Infraestrutura, um quadro técnico, fiel ao grupo, mas ainda distante do radar da maioria dos eleitores.

A decisão encerra meses de indefinição. Mas, ao mesmo tempo, abre uma pergunta que começa a ecoar — primeiro nos corredores da política, agora também fora deles: qual é, afinal, a lógica dessa escolha?

Os números estavam na mesa

A pesquisa divulgada nesta semana pelo Paraná Pesquisas ajuda a entender o tamanho do desafio.

No principal cenário estimulado, o senador Sergio Moro aparece com 46,0% das intenções de voto. Bem atrás, o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca soma 19,7%, seguido por Requião Filho, com 17,7%.

Em um cenário mais enxuto, sem alguns concorrentes, Moro avança ainda mais: 52,5%.

É o tipo de número que, em política, não passa despercebido. E há um detalhe que pesa: Sandro Alex simplesmente não aparece entre os principais nomes testados.

A escolha que foge do desenho

Diante desse cenário, a decisão de Ratinho Jr. não apenas surpreende — ela desorganiza o que vinha sendo desenhado como caminho natural.

Ficaram de fora nomes com presença eleitoral concreta, como Rafael Greca e o presidente da Assembleia, Alexandre Curi. Ambos aparecem com dois dígitos nas simulações e já partem de um nível conhecido pelo eleitor. Sandro Alex, por outro lado, começa de outro ponto. Mais baixo. Mais distante. Mais incerto. Não é só uma escolha política. É uma aposta. Talvez o governador acredita que de acordo com suas últimas pesquisas de popularidade, acima de 80%, ele pode eleger quem quiser. Isto, mesmo que o nome ainda seja desconhecido da maior parque da população, como é o caso.

Popularidade alta — transferência incerta

O contraste fica ainda mais evidente quando se olha outro dado da mesma pesquisa: a gestão de Ratinho Jr. tem 83,8% de aprovação. É um número robusto, difícil de ignorar. Mas aprovação não se transfere automaticamente. E, na prática, raramente sustenta sozinha uma candidatura.

Entre ser bem avaliado e conseguir eleger um sucessor, existe um caminho — e ele costuma ser mais longo do que parece. Deputados ouvidos pelo Sulpost se disseram surpresos com a decisão do governador, escolha que deve apresentar seus desdobramentos políticos no decorrer do dia de hoje.

Moro cresce — e ocupa o espaço

Enquanto o governo define sua estratégia, Sergio Moro avança. Lidera com folga, cresce entre uma pesquisa e outra e já se aproxima de um patamar que, em alguns cenários, flerta com vitória em primeiro turno.

Nesse contexto, lançar um nome ainda pouco conhecido não parece, à primeira vista, um movimento de enfrentamento direto. Parece outra coisa.

Nos bastidores, as interpretações variam — de estratégia controlada a cálculo político mais amplo. Mas nenhuma delas elimina a sensação de que o governo decidiu sair fora da curva e jogar fora do script.

O efeito na base já começou

Na Assembleia Legislativa, o impacto foi imediato. O PSD, partido de Ratinho Jr e maior bancada da Casa, observa o cenário com um tipo de preocupação que não costuma aparecer em público.

A conta é conhecida: candidato forte puxa votos. Candidato fraco deixa cada deputado por conta própria. Com 19 cadeiras em disputa, qualquer oscilação no topo da chapa pode custar caro na base. Pode custar a reeleição dos titulares de praticamente metade dessas cadeiras em jogo.

Uma candidatura contra o tempo

Sandro Alex entra na corrida com três tarefas urgentes: tornar-se conhecido, construir identidade eleitoral e enfrentar um adversário que já larga consolidado.

Não é uma largada confortável. É uma corrida contra o tempo — e contra os números. Tudo dentro do contexto de uma largada tardia.

Quando a política desafia os dados

Ratinho Jr. fez sua escolha. E, ao fazê-la, contrariou o que as pesquisas indicavam como caminho mais seguro.

Com Moro liderando com até 52,5%, uma base inquieta e um candidato ainda desconhecido, a decisão do governador deixa de ser apenas estratégica. Ela se torna difícil de explicar.

Porque, no fim, a política pode até ignorar os números por um tempo. Mas dificilmente escapa deles. As pesquisas estão cada vez mais precisas.

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TSE prepara troca de comando: Nunes Marques deve assumir presidência

Votação simbólica nesta terça-feira (14) marca transição antecipada; André Mendonça será o vice na Corte eleitoral

TSE prepara troca de comando: Nunes Marques deve assumir presidência. Votação simbólica nesta terça-feira (14) marca transição antecipada; André Mendonça será o vice na Corte eleitoral.
Ministro Kassio Nunes Marques - Marcelo Camargo/Agência Brasil

O relógio avança em Brasília e, nos bastidores da Justiça Eleitoral, a troca de comando já começa a ganhar forma — discreta, quase silenciosa, mas cheia de implicações para os próximos meses.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realiza nesta terça-feira (14), às 19h, uma votação simbólica que deve confirmar o ministro Kassio Nunes Marques como novo presidente da Corte. Na vice-presidência, assumirá o ministro André Mendonça.

Transição antecipada

Atual vice-presidente do tribunal, Nunes Marques herdará o comando com o fim do mandato da ministra Cármen Lúcia, previsto para o final de maio. A data exata da posse ainda não foi definida.

A eleição segue um rito já estabelecido: no TSE, a escolha da presidência obedece ao critério de antiguidade entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que integram a Corte eleitoral. Por isso, a votação ocorre de forma simbólica.

Nos bastidores, o movimento mais relevante partiu da própria Cármen Lúcia. Diante da proximidade do calendário eleitoral, a ministra optou por antecipar sua saída da presidência, abrindo espaço para uma transição mais organizada. Embora pudesse permanecer no tribunal até agosto, ela já sinalizou que pretende concentrar sua atuação exclusivamente no STF.

Com isso, o ministro Dias Toffoli deve assumir uma cadeira efetiva no TSE.

Perfil

Natural de Teresina (PI), Kassio Nunes Marques tem 53 anos e chegou ao Supremo em 2020, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro para a vaga deixada pelo ministro Celso de Mello.

Antes disso, construiu carreira no Judiciário como desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília. Também atuou por cerca de 15 anos como advogado e teve passagem pela Justiça Eleitoral como juiz do TRE do Piauí.

Como fica o tribunal

A composição do TSE — que reúne magistrados e juristas — é parte essencial do equilíbrio institucional da Corte. Após a saída de Cármen Lúcia, segundo informa a Agência Brasil, o tribunal deve ficar assim:

  • STF: Nunes Marques, André Mendonça e Dias Toffoli
  • STJ: Antonio Carlos Ferreira e Ricardo Villas Bôas Cueva
  • Juristas: Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha

Ao todo, são sete ministros titulares, além dos substitutos.

O pano de fundo

Mesmo sendo uma mudança previsível, o momento não é neutro. A antecipação da transição revela uma preocupação prática: garantir estabilidade administrativa em um período que antecede o ciclo eleitoral.

No calendário político brasileiro, cada ajuste no comando do TSE costuma ser observado com atenção — não apenas pelo impacto jurídico, mas pelo peso institucional que a Corte carrega no processo democrático.

A troca começa silenciosa. Mas, como costuma acontecer em Brasília, seus efeitos tendem a aparecer aos poucos, nos detalhes.

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segunda-feira, 13 de abril de 2026

Primeira safra, produção familiar e clima favorável colocam o a região de Guarapuava no mapa dos vinhos brasileiros

O clima típico de Guarapuava não passa despercebido — ele molda o ritmo da cidade, desenha a paisagem e, agora, começa a dar origem a novos sabores. Entre colinas e geadas frequentes, nasce um vinho ainda fora do mercado, mas já carregado de identidade: o Casa Jordão 

Primeira safra, produção familiar e clima favorável colocam o a região de Guarapuava no mapa dos vinhos brasileiros. O clima típico de Guarapuava não passa despercebido — ele molda o ritmo da cidade, desenha a paisagem e, agora, começa a dar origem a novos sabores. Entre colinas e geadas frequentes, nasce um vinho ainda fora do mercado, mas já carregado de identidade: o Casa Jordão.
Ilustração: IA/Sulpost

A novidade ganhou visibilidade após a deputada Gleisi Hoffmann publicar um vídeo direto da propriedade da família. Em tom espontâneo, ela apresenta o projeto conduzido pelo irmão Juliano e pela cunhada Bianca.

“Eu tô aqui em Guarapuava, na casa do meu irmão Juliano, da minha cunhada Bianca. E eu vim aqui provar um vinho, um vinho que eles fabricam, Casa Jordão. É a primeira safra.”

Produzido de forma artesanal, o vinho é um Pinot Noir que ainda não chegou ao mercado. Segundo a própria deputada, trata-se de um projeto em fase inicial, mas já promissor:

“O vinho é uma delícia. Ainda não tá tão forte no mercado, mas logo vai ficar.”

A fala reforça algo que vai além da experiência pessoal. O Casa Jordão nasce dentro de um movimento maior, que vem ganhando força no interior do Paraná.

Paraná no mapa do vinho

Tradicionalmente lembrado por outras cadeias do agronegócio, o Paraná começa a se firmar como uma nova fronteira da vitivinicultura brasileira. E não por acaso.

Regiões como Guarapuava reúnem condições naturais ideais: altitude elevada, temperaturas mais baixas e boa amplitude térmica. Esse conjunto favorece o cultivo de uvas de alta qualidade, especialmente variedades mais sensíveis como a Pinot Noir.

Nos últimos anos, produtores locais têm apostado nesse potencial. Muitos deles, como no caso do Casa Jordão, surgem a partir da agricultura familiar e avançam de forma gradual, com foco em qualidade e identidade regional.

“A gente tá junto com uma associação agora, vários produtores envolvendo a vitivinicultura aqui em Guarapuava.”

A organização em associações é um dos sinais mais claros de maturidade do setor. Ela indica que a produção deixou de ser isolada e começa a ganhar escala, articulação e perspectiva de mercado.

Da produção familiar ao mercado

Ainda sem comercialização oficial, o Casa Jordão representa esse estágio inicial — quando o vinho nasce primeiro como expressão da terra e da família, antes de chegar às prateleiras.

Ao destacar o projeto, Gleisi também chama atenção para o impacto econômico desse tipo de iniciativa:

“A produção de vinho gera emprego, gera renda. É muito importante.”

Pequenos produtores, organizados e apoiados por condições naturais favoráveis, ajudam a construir um novo capítulo para o Paraná — um estado que começa a transformar seu clima e sua terra em vinhos de qualidade cada vez mais reconhecida.

O Casa Jordão ainda não chegou ao mercado. Mas, como toda boa primeira safra, já sinaliza o que pode vir pela frente.

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