domingo, 26 de abril de 2026

Fragata Tamandaré entra em operação e marca nova fase da Marinha brasileira

Primeiro navio da classe é incorporado com sistemas de combate testados e acordo prevê expansão do programa com mais quatro unidades

Fragata Tamandaré entra em operação e marca nova fase da Marinha brasileira. Primeiro navio da classe é incorporado com sistemas de combate testados e acordo prevê expansão do programa com mais quatro unidades. Veja o vídeo oficial da Cerimônia de Mostra de Armas, no Rio de Janeiro

O casco cinza corta a Baía de Guanabara com uma presença que não passa despercebida. Não é só mais um navio — é um marco. A Fragata Tamandaré (F-200) entra oficialmente em serviço e, com ela, uma mudança silenciosa, porém profunda, começa a ganhar forma na Marinha do Brasil.

O momento foi breve, protocolar, quase contido. Mas o significado é amplo. Na última quinta-feira (24), a Marinha do Brasil incorporou oficialmente a Fragata Tamandaré (F-200) à sua frota — o primeiro navio de uma nova geração que reposiciona o país no mapa da construção naval militar.

Não se trata de uma estreia simbólica. A embarcação chega após concluir uma sequência rigorosa de testes, incluindo validações em mar aberto e exercícios com sistemas de combate. Em outras palavras: entra em operação pronta para uso real, sem a fase de adaptação que, historicamente, marcava projetos desse porte no Brasil.

O salto é técnico, mas também estratégico. A Tamandaré foi concebida dentro de um conceito moderno de guerra naval, com integração de sensores, sistemas automatizados e capacidade de atuação em múltiplos cenários — da defesa antiaérea ao combate antissubmarino.

Um projeto que vai além do navio

Por trás do casco e dos sistemas embarcados, há um arranjo industrial que explica boa parte do peso desse momento. O programa reúne a Embraer Defesa & Segurança, a alemã Thyssenkrupp Marine Systems (TKMS) e o consórcio Águas Azuis, responsável pela construção em território nacional.

O resultado é duplo: de um lado, a entrega de um meio militar avançado; de outro, a formação de uma base industrial com capacidade crescente de absorver tecnologia e manter projetos complexos em andamento.

Os números ajudam a dimensionar o impacto. Cerca de 2 mil profissionais atuam diretamente na construção das fragatas. Considerando efeitos indiretos, o programa já movimenta algo próximo de 23 mil empregos — um reflexo do efeito multiplicador típico da indústria de defesa.

As últimas 72 horas mudaram o jogo

Se a incorporação da F-200 já seria, por si só, um marco, o que aconteceu nos bastidores nos últimos dias amplia ainda mais o alcance do programa.

Durante a cerimônia, Embraer, Ministério da Defesa e TKMS assinaram um Memorando de Entendimento que abre caminho para um segundo lote de quatro fragatas da mesma classe.

Na prática, isso significa mais do que dobrar o programa original. Significa manter a linha de produção ativa, preservar o conhecimento transferido e evitar um velho problema brasileiro: ciclos industriais interrompidos antes de amadurecer.

Há também um componente geopolítico evidente. O acordo reforça a cooperação entre Brasil e Alemanha, consolidando uma parceria que vai além da compra de equipamentos — envolve desenvolvimento conjunto, engenharia e potencial de exportação.

Fragata Tamandaré F-200 entra em operação e marca nova fase da Marinha brasileira
24 de abril de 2026 - A Fragata Tamandaré F-200 entra oficialmente em serviço - Divulgação

Produção em ritmo incomum

Enquanto a F-200 inicia sua vida operacional, outras três embarcações avançam em diferentes estágios de construção. É um cenário raro: quatro fragatas sendo produzidas simultaneamente no país.

Esse ritmo indica algo que vai além da entrega de navios. Mostra uma cadeia produtiva ativa, com continuidade — um elemento essencial para qualquer ambição de autonomia no setor de defesa.

O que muda no mar — e fora dele

A entrada da Tamandaré altera o equilíbrio em três dimensões.

No plano operacional, inicia a substituição gradual de navios mais antigos e amplia a capacidade de monitoramento da chamada Amazônia Azul — área estratégica que concentra rotas comerciais e recursos naturais.

No campo tecnológico, representa avanço na integração de sistemas complexos, uma competência dominada por poucos países.

E, no eixo industrial, consolida uma base que pode sustentar novos projetos — inclusive com potencial de exportação, caso o programa mantenha consistência ao longo do tempo.

Entre expectativa e continuidade

A F-200 Tamandaré não resolve tudo. Nenhum navio resolve. Mas ela estabelece um ponto de inflexão.

O verdadeiro teste começa agora: manter o programa vivo, garantir previsibilidade e transformar capacidade técnica em política de Estado.

Se isso acontecer, o Brasil deixa de apenas operar navios e passa a dominar, de forma consistente, o ciclo de construção naval militar. É uma mudança que não faz barulho imediato — mas redesenha o futuro da soberania nacional.

Assista à Cerimônia de Mostra de Armas da "Tamandaré" (F-200), a nova guardiã da soberania da nossa Amazônia Azul

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sábado, 25 de abril de 2026

O mundo quer mais que terras raras — quer o controle da riqueza estratégica brasileira

Disputa global se intensifica e governo reage: país não quer repetir papel histórico de ser mero exportador de matéria-prima

O mundo quer mais que terras raras — quer o controle da riqueza estratégica brasileira. Disputa global se intensifica e governo reage: país não quer repetir papel histórico de ser mero exportador de matéria-prima.

No subsolo brasileiro, há mais do que minério. Há um tipo de riqueza que não aparece à primeira vista, mas que hoje move decisões de Estado, contratos bilionários e rearranjos silenciosos no mapa do poder global.

Dizer que o mundo está de olho nas terras raras do Brasil já não descreve bem o momento. O que se vê agora é uma disputa mais profunda: o interesse não é apenas extrair — é controlar cadeias inteiras de produção que sustentam a economia do século XXI.

Nos últimos dias, esse movimento ganhou contornos mais claros. Em Brasília, o governo federal começou a reagir de forma mais explícita, tentando evitar que o país repita um padrão conhecido: exportar riqueza bruta e importar tecnologia cara.

O recado direto de Brasília

Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, foi direto ao ponto:

“Não queremos ser um exportador de matéria-prima. Minerais críticos e terras raras têm que ser objeto de industrialização.”

A fala não é isolada. Ela surge no meio de um debate que ganhou urgência dentro do governo: criar regras claras para um setor que deixou de ser apenas econômico e passou a ser estratégico.

A avaliação é que o Brasil ainda opera com lacunas regulatórias em um momento em que esses recursos passaram a ter peso geopolítico.

O negócio que acendeu o alerta

O ponto de virada recente foi a venda da mineradora Serra Verde, em Goiás, para a empresa norte-americana USA Rare Earth, em um negócio estimado em US$ 2,8 bilhões.

A empresa opera a única mina de argilas iônicas ativa do Brasil, responsável pela produção de elementos como neodímio, disprósio, térbio e ítrio — componentes essenciais para tecnologias que vão de carros elétricos a sistemas de defesa.

São matérias-primas invisíveis no dia a dia, mas absolutamente centrais para:

  • turbinas eólicas
  • veículos elétricos
  • chips e semicondutores
  • drones e equipamentos militares

O episódio escancarou o tamanho do interesse internacional — e também a fragilidade de um setor ainda pouco estruturado no país.

O tamanho do ativo brasileiro

Segundo o Serviço Geológico do Brasil, o país reúne cerca de 21 milhões de toneladas de terras raras — aproximadamente 23% das reservas globais. É a segunda maior concentração do planeta.

Mas o potencial brasileiro vai além. O país também concentra:

  • 94% das reservas mundiais de nióbio
  • 26% das reservas de grafita
  • 12% das reservas de níquel

Na prática, trata-se de um conjunto de recursos que sustenta a transição energética, a indústria de alta tecnologia e boa parte da economia digital.

O Brasil entra no jogo

Essa corrida tem uma origem clara. Hoje, a China domina amplamente o refino e a produção de terras raras, o que gera preocupação em outras potências, como Estados Unidos e países europeus. A dependência é vista como um risco estratégico.

Por isso, cresce a busca por novos fornecedores — e o Brasil aparece como uma das poucas alternativas viáveis em escala. O problema é que extrair não basta. A cadeia produtiva desses minerais envolve etapas mais complexas, como beneficiamento e refino, que ainda são pouco desenvolvidas no país. É justamente aí que está o maior valor econômico.

O risco de repetir o passado

Especialistas apontam que o Brasil ainda carrega um padrão histórico difícil de romper: exporta matéria-prima e importa produtos industrializados. Foi assim com o ouro, com o ferro e, em certa medida, com o petróleo.

Sem mudança estrutural, o país corre o risco de repetir esse ciclo — agora com minerais ainda mais estratégicos. O resultado é conhecido: baixo valor agregado interno e dependência tecnológica externa.

Mais do que economia

A discussão também envolve custos que não aparecem nas planilhas. A mineração desses recursos provoca impactos ambientais relevantes, como pressão sobre recursos hídricos e alterações profundas no território. Também tende a gerar efeitos sociais intensos nas regiões onde ocorre.

Mesmo com avanços tecnológicos, a atividade continua sendo altamente invasiva. Isso impõe ao país uma escolha delicada: como transformar riqueza mineral em desenvolvimento sem ampliar desigualdades ou comprometer recursos naturais.

O momento de decisão

Em Brasília, o debate ainda está em construção. O governo discute um marco legal mais robusto para o setor, que deve abranger desde a exploração até operações societárias envolvendo empresas mineradoras.

A ideia é reduzir inseguranças jurídicas e, ao mesmo tempo, garantir que parte relevante dessa riqueza permaneça no país.

O sinal mais claro, até aqui, é político: o Brasil tenta deixar de ser apenas fornecedor de insumos para assumir um papel mais ativo na cadeia global. Se vai conseguir, ainda é uma incógnita.

E uma coisa já mudou: o interesse internacional nas terras raras brasileiras não é mais apenas econômico. É estratégico. E crescente. Um mercado sustentado por toda uma cadeia de extração, transporte, beneficiamento e refino gera divisas, gera emprego. E isso é pra já.

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Campanha Salarial 2026, dos metalúrgicos, avança na grande Curitiba

Mobilizações de abril expõe força da base e a presença constante de lideranças como Nelsão da Força nas portas de fábrica — o Paraná assiste ao renascimento do movimento sindical brasileiro

Campanha Salarial 2026, dos metalúrgicos, avança na grande Curitiba. Mobilizações de abril expõe força da base e a presença constante de lideranças como Nelsão da Força nas portas de fábrica — o Paraná assiste ao renascimento do movimento sindical brasileiro

Antes do sol firmar no céu da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), já tem gente parada em frente ao portão. Não é atraso, nem espera qualquer. É assembleia.

O café circula em copo plástico, alguém comenta a proposta que chegou — ou a que ainda não chegou — e, pouco a pouco, o que era conversa vira decisão. Abril foi assim. Um mês inteiro acontecendo nesse intervalo curto entre chegar e bater o ponto.

A Campanha Salarial 2026 dos metalúrgicos da Grande Curitiba não começou de repente. Ela foi se armando. Dia após dia. Empresa por empresa. Sem palco, sem anúncio grande. Só presença.

Mobilizações de abril expõe força da base e a presença constante de lideranças como Nelsão da Força nas portas de fábrica — o Paraná assiste ao renascimento do movimento sindical brasileiro

Campanha construída nos detalhes

Nas primeiras semanas, o movimento foi quase silencioso para quem olha de fora. Mas, por dentro, havia método.

Multivac, KYB, Omeco, Nelson do Brasil, Giben. Em cada uma delas, o mesmo gesto repetido com pequenas diferenças: reunir, apresentar, votar. Autorizar ou não autorizar. Seguir ou travar. É um processo simples — na aparência. Mas é ali que tudo se decide.

Porque, antes de qualquer negociação avançar, alguém precisa dizer: pode ir em frente. E esse alguém, no caso, são centenas.

O líder sindical Nelsão da Força

Quem aparece — e permanece

No meio desse vai e vem de portões, há rostos que começam a se repetir. Não por acaso. Nelsão da Força é um deles. Vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), ele não surge só quando a coisa aperta. Está no começo. No meio. E, principalmente, quando a conversa fica mais dura.

Não há muita formalidade no jeito de conduzir. Às vezes é direto até demais. Mas funciona porque é olho no olho. Pergunta, resposta, réplica. Sem rodeio. Em abril, foi assim praticamente todos os dias, desde antes do nascer do sol e noite adentro.

Nelsão da Força em reunião na Superintendência do Ministério do Trabalho em Curitiba

Quando a base puxa o freio

Nem tudo avançou liso. Em algum momento — era esperado — a engrenagem travou. Na Renault, por exemplo, a proposta não passou. Não teve margem. Foi rejeitada ali, na frente de todo mundo. Esse tipo de cena muda o clima.

O que antes era construção vira pressão. Surge prazo. Surge cobrança. E, mais importante, surge um recado que não precisa ser gritado: desse jeito, não.

Nesses momentos, não adianta discurso pronto. É preciso segurar a linha sem perder a base. E isso passa por quem está ali, conduzindo, mas sem tomar a decisão no lugar de ninguém.

Sem centralização, sem roteiro fechado

Uma coisa fica clara olhando o mês inteiro: não existe uma campanha única acontecendo ao mesmo tempo. Existem várias. Cada fábrica com seu tempo. Cada negociação com seu grau de tensão. Algumas avançam rápido. Outras emperram.

O sindicato costura. Organiza. Dá direção. Mas quem dita o ritmo — no fim — é o chão da fábrica. E é por isso que a presença física ainda pesa tanto. Não dá para substituir isso por comunicado.

Sérgio Butka, presidente, e Nelsão da Força, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba

A força que não aparece nos números

Ainda não é abril que fecha acordo, que gera manchete com índice definido. Não é esse o papel do mês. A função, aqui, foi outra. Testar até onde vai a disposição. Ver onde aperta mais. Ajustar o passo.

É um trabalho menos visível, mas decisivo. Porque, quando a negociação de fato encosta no limite, não dá mais tempo de organizar o que não foi construído antes.

E, nesse sentido, abril entregou o que precisava: base mobilizada, decisões tomadas coletivamente e um recado que começa a ganhar forma — devagar, mas firme.

No fim das contas, a campanha não está nas falas mais fortes, nem nos vídeos que circulam depois. Ela está nesse instante breve, quase invisível, antes do turno começar.É ali que tudo começa. E, pelo que se viu até agora, é dali que vai continuar vindo a pressão.

Pelo fim da escala 6x1, melhores condições de trabalho, melhor remuneração, melhor ticket alimentação e negociação de participação dos trabalhadores no lucro das empresas. Essa é a luta e a labuta diária do SMC em todas as indústrias do setor metalúrgico de Curitiba e região metropolitana.


Guitarrista do Iron Maiden faz show surpresa em cervejaria de Curitiba

Adrian Smith aparece sem aviso na Bodebrown, no Hauer, e transforma lançamento de cerveja em momento raro para fãs de heavy metal

Guitarrista do Iron Maiden faz show surpresa em cervejaria de Curitiba. Adrian Smith aparece sem aviso na Bodebrown, no Hauer, e transforma lançamento de cerveja em momento raro para fãs de heavy metal.

O barulho era de copos, conversa solta, risadas e a banda afinando ao fundo. Nada fora do comum para uma quinta-feira num bar curitibano — até deixar de ser. De repente, do nada, sem anúncio prévio, quem subiu ao palco da Bodebrown foi Adrian Smith, guitarrista do Iron Maiden.

E o que seria apenas um evento de lançamento de cerveja virou uma cena improvável: um dos nomes mais respeitados do heavy metal tocando de perto, sem barreiras, quase como quem resolve esticar a noite entre amigos.

Quando a surpresa toma o palco

A apresentação não estava no roteiro. Smith apareceu na fábrica da cervejaria, no Hauer, participou do evento e, em um movimento simples — mas carregado de significado para os fãs — pegou a guitarra.

O público, ainda tentando entender o que acontecia, reagiu no impulso. Vieram os primeiros acordes. “Wasted Years”. E ali já não era mais só um evento promocional.

Ao lado dele, músicos que também circulam pela cena internacional: Richie Kotzen, a baixista Julia Lage e o baterista Bruno Valverde. A “canja” ganhou corpo, peso e volume.

Uma relação que já vem de longe

A conexão entre o Iron Maiden e Curitiba não nasceu ali. A Bodebrown mantém uma parceria consolidada com a banda, responsável por uma linha de cervejas inspiradas no universo do grupo — já são seis rótulos desenvolvidos ao longo dos anos.

O mais recente, “Run For Your Lives”, chega embalado pela turnê atual e foi justamente o ponto de partida para o encontro na fábrica.

Não é a primeira vez que integrantes da banda passam pelo espaço. Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, já esteve na cervejaria em outras ocasiões — visitas que ajudaram a consolidar essa ponte curiosa entre o metal britânico e a produção artesanal curitibana.

O que era evento virou memória

A apresentação surpresa aconteceu durante o pré-lançamento da cerveja. O evento principal, com programação mais ampla, estava previsto para o dia seguinte, com entrada gratuita e shows completos. Mas, na prática, para quem estava ali naquela noite, pouco importava o calendário oficial.

O que ficou foi o instante — breve, intenso e inesperado — de ver um guitarrista de uma das maiores bandas do mundo tocando a poucos metros de distância, em um palco improvisado de cervejaria. Curitiba, mais uma vez, entrou nesse mapa afetivo do bom e velho heavy metal curitibano. Este 23 de abril, mostrou que em Curitiba, São Jorge — na Umbanda, Ogum — também é o protetor dos metaleiros.

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El Niño volta ao radar e pode alterar o clima do Brasil já a partir de maio

Com aquecimento consistente no Pacífico, OMM e NOAA convergem para alta probabilidade do fenômeno; Sul do país deve enfrentar mais chuva e risco de eventos extremos

El Niño volta ao radar e pode alterar o clima do Brasil já a partir de maio. Com aquecimento consistente no Pacífico, OMM e NOAA convergem para alta probabilidade do fenômeno; Sul do país deve enfrentar mais chuva e risco de eventos extremos.

O Pacífico voltou a dar sinais — discretos, mas contínuos. Nas últimas semanas, a temperatura da superfície do mar na faixa equatorial começou a subir de forma mais organizada. Não é um movimento brusco, nem evidente à primeira vista. Mas, para quem acompanha o clima, é o tipo de mudança que acende alerta.

Desta vez, não se trata de uma leitura isolada. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) caminham na mesma direção: há alta probabilidade de retorno do El Niño entre maio e julho de 2026.

O fenômeno — caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico central e oriental — costuma durar de nove a doze meses. Quando se instala, dificilmente passa despercebido.

Sinais técnicos mais consistentes

A OMM aponta que já se observa uma mudança clara no Pacífico Equatorial, com aquecimento acelerado da superfície do mar. Segundo o chefe de previsão climática da entidade, Wilfran Moufouma Okia, os modelos numéricos estão hoje “fortemente alinhados” para o início do fenômeno, com tendência de intensificação ao longo do ano.

O diagnóstico é reforçado pelo NOAA, que mantém o sistema climático ainda em condição neutra, mas sob vigilância. Há um alerta ativo — o chamado El Niño Watch — indicando que as condições atmosféricas e oceânicas estão se tornando favoráveis à formação do evento.

Na prática, isso se traduz em uma probabilidade próxima de 60% para o desenvolvimento do El Niño já no trimestre que começa em maio.

Ainda assim, há cautela. Esse período do ano é conhecido entre meteorologistas como uma zona de menor previsibilidade. Projeções mais firmes costumam surgir a partir do fim do outono.

Fenômeno reorganizador do clima

O El Niño atua como um reorganizador do sistema climático. Ao aquecer o Pacífico, ele altera a circulação atmosférica em larga escala e desloca os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.

Entre os efeitos mais recorrentes:

  • aumento da temperatura média global
  • mudanças nos regimes de precipitação
  • maior frequência de extremos climáticos

Não é um evento isolado, tampouco localizado. Seus efeitos se espalham.

América do Sul no eixo das mudanças

  • mais chuva no sul da América do Sul

  • menos chuva nas áreas mais ao norte

Esse padrão, observado em episódios anteriores e reforçado pelos modelos atuais, coloca o Cone Sul em posição de maior vulnerabilidade a eventos hidrológicos.

Brasil: impactos desiguais

Sul do Brasil (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná)

A tendência é de aumento das chuvas ao longo do inverno e da primavera.

    • enchentes
    • cheias de rios
    • deslizamentos de terra

Também se espera maior frequência de episódios de instabilidade, com tempestades mais intensas.

No Paraná, o histórico indica períodos prolongados de solo saturado e variações rápidas nas condições do tempo.

Sudeste

    • chuvas irregulares
    • episódios de calor mais persistente
    • oscilações no nível de reservatórios

Norte e Nordeste

    • redução das chuvas
    • risco de seca
    • pressão sobre abastecimento e produção agrícola

Temperatura global sob pressão

Além das mudanças regionais, o El Niño costuma contribuir para a elevação da temperatura média do planeta. Funciona como um fator adicional em um sistema climático já aquecido.

O que ainda não se sabe

Apesar da convergência entre os principais centros meteorológicos, há uma variável decisiva em aberto: a intensidade do fenômeno.

Não se sabe ainda se o evento será fraco, moderado ou forte. Essa definição costuma se consolidar apenas ao longo do inverno no hemisfério sul. Até lá, o cenário é de monitoramento constante.

O Pacífico já deu o primeiro sinal. Agora, o restante do sistema climático começa a responder — e o Brasil, especialmente o Sul, entra novamente no mapa de atenção.

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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Deputado Arilson e Gleisi garantem SUS forte no Paraná

“Investir no SUS é garantir atendimento a quem mais precisa”, defende deputado Arilson

Assessoria do Deputado Arilson Chiorato - Reprodução

Maringá: Deputado Arilson e Gleisi garantem SUS forte no Paraná. “Investir no SUS é garantir atendimento a quem mais precisa”, defende deputado Arilson
Foto do evento em Maringá - Assessoria do Deputado 

O deputado estadual Arilson Chiorato (PT) participou de uma série de atividades nesta sexta-feira (24) ao lado da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) e do secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, voltadas à ampliação e qualificação do atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) no Paraná. O ato principal foi a assinatura da ordem de serviço para a construção de 22 novas unidades básicas de saúde no estado. 

O valor do investimento anunciado para o Paraná supera R$ 57 milhões, com recursos federais já garantidos e repasse direto a 20 municípios, o que assegura o início imediato das obras. A iniciativa, assinada na manhã de hoje, inclui quatro Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e 18 Unidades Básicas de Saúde (UBS), integrando o maior pacote de liberação imediata de recursos do Novo PAC Saúde já realizado de uma só vez no país. 

O evento, que marcou a assinatura da ordem de serviço, ocorreu no Auditório do Hospital da Criança de Maringá. “Estamos falando de investimentos concretos, que chegam na ponta e melhoram a vida das pessoas. O SUS precisa ser valorizado com estrutura, profissionais e acesso mais rápido aos serviços. Essas ações mostram que é possível avançar com responsabilidade e garantir atendimento digno à população”, afirma o deputado Arilson, que também preside o PT-PR.

Rolândia: Deputado Arilson e Gleisi garantem SUS forte no Paraná

Na avaliação do deputado Arilson, a atuação do Governo Federal é fundamental para consolidar políticas públicas eficazes. “O Paraná está sendo contemplado com investimentos importantes, que ampliam a rede e qualificam o atendimento. Investir no SUS é garantir atendimento a quem mais precisa. Nesse sentido, o Governo Lula tem nos orgulhado muito, porque tem investido em todos os cantos do Brasil, inclusive no interior”, ressalta.

Outras ações, como a de Maringá, ocorreram simultaneamente em outros 24 estados e contemplam a construção de 541 unidades em todo o Brasil, o que ampliará a capacidade de atendimento em mais de 500 municípios. 

MAIS ESPECIALISTAS - Ainda em Maringá foi firmado um acordo com uma entidade privada para a oferta de serviços especializados, como exames e cirurgias, por meio do programa Agora Tem Especialistas, garantindo atendimento gratuito a pacientes do SUS.

No período da tarde, a agenda aconteceu em Rolândia, onde foi oficializada a inclusão do Hospital São Rafael no programa federal. A medida deve acelerar o acesso da população a consultas, exames e procedimentos cirúrgicos, reduzindo o tempo de espera na rede pública.

Ponte de Guaratuba entra na contagem regressiva — e já começa a medir quem vai cruzá-la

A cinco dias da inauguração, obra histórica acelera acabamentos, instala contador de ciclistas e prepara iluminação que deve redesenhar a rotina no Litoral Paranaense

O vento que atravessa a Baía de Guaratuba já não encontra mais apenas o vai e vem do ferry. Agora, ele corre livre por uma estrutura que, por décadas, existiu mais no imaginário do que no concreto. Falta pouco. Muito pouco. Cinco dias, para ser exato.

Com inauguração marcada para a próxima quarta-feira, 29 de abril, a Ponte de Guaratuba entra na sua fase mais simbólica: aquela em que o barulho pesado das máquinas começa a dar lugar aos ajustes finos — e à expectativa, como a registrada pelo bruxo Chik Jeitoso durante o feriado de Tiradentes.

Reta final, ritmo de entrega

Nos acessos mais próximos de Matinhos, equipes avançam na aplicação das últimas camadas de asfalto. É aquele acabamento que, à primeira vista, parece simples, mas define conforto, durabilidade e segurança.

A rampa que conecta a ponte à rodovia também ganha forma definitiva. Em Guaratuba, a rotatória começa a se vestir de verde com a aplicação de grama, enquanto a sinalização horizontal e as placas surgem como linguagem silenciosa para organizar o fluxo que ainda nem começou.

Há também um detalhe curioso — e revelador do que vem pela frente.

A ponte que vai contar histórias em números

Um painel de contagem de ciclistas está sendo instalado em uma das entradas, no lado de Guaratuba. Não é só tecnologia. É um gesto de leitura da cidade.

Ao registrar quantas pessoas cruzam a ponte de bicicleta, o equipamento vai alimentar decisões futuras sobre mobilidade no Litoral. É dado bruto que vira política pública — ou, no mínimo, argumento.

Enquanto isso, o último trecho de guarda-rodas, que separa a pista de veículos do espaço de pedestres e ciclistas, segue em execução. A ideia é clara: integrar, sem misturar.

Luz, segurança e presença

Outro avanço visível está na instalação do sistema de iluminação led nos estágios e mastros. À noite, a ponte não será apenas funcional — será também um marco visual.

A iluminação garante visibilidade e segurança, mas também dá contorno arquitetônico à estrutura. Em outras palavras: a ponte não vai só ligar cidades, vai marcar o horizonte.

Nos bastidores, seguem serviços menos visíveis, mas igualmente decisivos — limpeza da pista, organização do canteiro e ajustes finais espalhados ao longo de toda a obra.

Mais que concreto, uma mudança de ritmo

Com 1.240 metros de extensão e investimento superior a R$ 400 milhões do Governo do Estado, a nova ligação fixa sobre a baía chega para encerrar uma espera de mais de 40 anos.

Serão quatro faixas de tráfego, além de ciclovia e espaço para pedestres. A travessia, hoje dependente do ferry boat, deve cair para cerca de dois minutos. É uma mudança objetiva. Mas o impacto vai além do tempo. As longas filas na bilheteria e o tpi perdido na travessia de Ferry Boat estão para acabar definitivamente. Praticamente já fazem parte do passado.

Guaratuba começa a se reorganizar. Projetos como um novo binário para o trânsito urbano e a criação de um complexo náutico na área do antigo ferry já estão no radar — sinais de que a ponte não termina em si mesma. Ela puxa outras transformações. Ela traz o progresso.

E talvez seja isso que mais chama atenção neste momento final: a sensação de que, quando for inaugurada, a Ponte de Guaratuba não estará apenas pronta. Ela estará apenas começando.

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Conta de luz no Paraná pode disparar até 19% — e ultrapassar 50% para grandes indústrias

Audiência pública da ANEEL em Curitiba abre espaço para reação da sociedade; Requião Filho convoca participação popular

 
Conta de luz no Paraná pode disparar até 19% — e ultrapassar 50% para grandes indústrias. Audiência pública da ANEEL em Curitiba abre espaço para reação da sociedade; Requião Filho convoca participação popular.

O impacto ainda nem chegou na fatura — mas já pesa no bolso imaginado de milhões de paranaenses. A proposta de revisão tarifária da Copel, divulgada oficialmente nesta sexta-feira (24), acende um alerta que atravessa casas, comércios e o setor produtivo inteiro.

O reajuste médio para consumidores residenciais pode alcançar 19,2%, um dos mais altos do país neste ciclo. Para parte da indústria, o cenário é ainda mais severo — com aumentos que ultrapassam a marca de 50%.

Não é apenas um número técnico. É o tipo de mudança que se infiltra no cotidiano: no preço do pão, na conta do mercado, na margem das empresas. Estão cogitando aumentar o preço de uma tarifa que já custa caro.

O tamanho do impacto

Os índices propostos escancaram diferenças profundas entre os perfis de consumo:

  • Residencial: aumento estimado de até 19,2%
  • Médias indústrias e grandes comércios (A3): cerca de 45,24%
  • Grandes indústrias (A2): até 51,21%

E há mais no horizonte. Projeções indicam novo reajuste em 2027, na casa dos 14%. É uma escalada que preocupa — e que começa a mobilizar reação política e social.

Privatização no centro do debate

Nas redes sociais, o deputado estadual Requião Filho associou diretamente os aumentos à privatização da Copel.

“A fatura da privatização está chegando”, escreveu. Para ele, o modelo atual desloca o foco da empresa — do serviço público para a lógica de retorno ao acionista.

A crítica não é isolada. Ela ecoa um debate maior, que vem ganhando corpo desde a venda do controle da companhia: quem paga — e quem se beneficia — quando a energia deixa de ser majoritariamente pública?

Audiência abre espaço para pressão

Diante do cenário, a ANEEL convocou uma audiência pública presencial para discutir a revisão tarifária.

📅 Data: 29 de abril (quarta-feira)

📍 Local: Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) — Sede Centro (veja no MAPS)

🕘 Horário: início às 9h (credenciamento a partir das 8h30)

A consulta pública segue aberta até 22 de maio, permitindo envio de contribuições formais. Na prática, é um dos poucos momentos em que consumidores, empresários e entidades podem interferir diretamente no processo — ainda que de forma consultiva.

O que está na mesa

A chamada Revisão Tarifária Periódica (RTP) vai além de um simples reajuste anual. É nesse processo que se recalculam:

  • os custos operacionais da distribuidora
  • metas de qualidade e eficiência
  • índices que influenciam tarifas pelos próximos anos

Ou seja, não se trata apenas de um aumento imediato — mas de um redesenho estrutural da conta de luz no Paraná, encarecendo o já alto custo de vida de toda a população paranaense.

Entre números e realidade

No papel, a justificativa envolve inflação, custos de energia e encargos do setor. Na vida real, o resultado chega de forma direta: contas mais caras e efeito cascata na economia.

A audiência da próxima semana, em Curitiba, tende a ser mais do que um rito técnico. Deve funcionar como termômetro social de um tema que raramente mobiliza multidões — até que pesa demais no orçamento. E, desta vez, tudo indica que o peso será sentido.

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Santa Marta, na Colômbia, vira centro da transição energética global

Conferência internacional na Colômbia reúne cerca de 60 países para acelerar o afastamento dos combustíveis fósseis e construir um plano global liderado também pelo Brasil

Santa Marta vira epicentro da transição energética global. Conferência internacional na Colômbia reúne cerca de 60 países para acelerar o afastamento dos combustíveis fósseis e construir um plano global liderado também pelo Brasil.

O mar do Caribe bate manso nas pedras de Santa Marta, enquanto delegações do mundo inteiro começam a ocupar a cidade com um tema que já não cabe mais no futuro — ele exige resposta agora.

Santa Marta vira palco da transição energética

A 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis começa nesta sexta-feira (24), na cidade colombiana, reunindo representantes de cerca de 60 países, além de governos locais, povos indígenas, comunidades tradicionais, cientistas, organizações sociais e diplomatas.

O encontro, promovido pelos governos da Colômbia e da Holanda, nasce com um objetivo direto: alimentar a construção de um “Mapa do Caminho” capaz de reduzir, de forma concreta, a dependência global de combustíveis fósseis.

Não se trata de uma nova rodada de negociações formais. A proposta é abrir espaço para um debate mais horizontal, menos travado por protocolos e mais próximo da realidade — sem substituir instâncias oficiais como a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC).

Três eixos, um impasse global

A programação se organiza em torno de três frentes centrais:

  • superação da dependência econômica dos fósseis
  • transformação da oferta e da demanda de energia
  • promoção da cooperação internacional e da diplomacia climática

São temas que parecem técnicos, mas carregam decisões políticas profundas. Reduzir o uso de petróleo e gás implica mexer em cadeias produtivas inteiras — e, inevitavelmente, em interesses econômicos consolidados.

Além dos debates, está prevista a criação de uma coalizão de países dispostos a avançar com medidas concretas — financeiras, fiscais e regulatórias — e compartilhar experiências.

O “Mapa do Caminho” e o papel do Brasil

No centro das discussões está o chamado Mapa do Caminho, proposta lançada pelo Brasil durante a COP30, realizada em Belém (PA), em 2025.

Apesar de não ter sido incorporada ao documento final por falta de consenso, a iniciativa recebeu apoio de cerca de 80 países e segue em construção.

A entrega está prevista para a COP31, em Antália, na Turquia. Atualmente, a presidência brasileira analisa contribuições recebidas em uma chamada pública internacional encerrada em abril.

Chamam atenção os países que mantêm interesse no debate — como Austrália, Canadá, México, Noruega e União Europeia — todos com peso relevante no mercado energético. Por outro lado, Estados Unidos, China e Índia ficaram de fora dessa construção específica.

Pressão social e protagonismo da Amazônia

Fora das salas de negociação, o debate ganha densidade política e social. No Brasil, organizações da sociedade civil — de povos indígenas a redes com centenas de instituições — apresentaram contribuições e pressionam por uma transição que também seja justa.

Especialistas avaliam que o país chega à conferência com potencial para exercer papel estratégico na construção de consensos e na articulação internacional.

A escolha da Colômbia como sede também carrega simbolismo. País amazônico, o território conecta o debate energético às disputas ambientais mais sensíveis da atualidade.

Organizações ambientais alertam para riscos de expansão da exploração de petróleo em áreas como a Foz do Amazonas, destacando impactos que podem ultrapassar fronteiras e afetar o equilíbrio climático global.

Entre o discurso e a urgência

A conferência de Santa Marta não promete soluções imediatas — mas escancara uma mudança de fase no debate climático.

A discussão já não gira em torno de reconhecer o problema. O foco agora está no ritmo da transição, na divisão de responsabilidades e no custo das mudanças.

O que está em jogo não é apenas a matriz energética, mas o redesenho de um modelo econômico global ainda profundamente dependente dos combustíveis fósseis.

Enquanto isso, do lado de fora, o mar segue batendo nas pedras — indiferente às negociações, mas diretamente afetado por elas.

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Petróleo sobe lá fora — e governo tenta segurar o impacto nas bombas aqui

Projeto enviado ao Congresso cria gatilho para reduzir tributos sobre combustíveis com base em receitas extras do petróleo

Petróleo sobe lá fora — e governo tenta segurar o impacto nas bombas aqui. Projeto enviado ao Congresso cria gatilho para reduzir tributos sobre combustíveis com base em receitas extras do petróleo.

O preço do combustível não faz barulho quando sobe — mas todo mundo sente. No caixa do posto, no frete, no ônibus, na rotina. E é justamente esse efeito em cadeia que o governo tenta conter agora, em meio à pressão internacional causada pela guerra no Oriente Médio.

Nesta quinta-feira (23), foi enviado ao Congresso o Projeto de Lei Complementar 114/2026. A proposta cria um mecanismo para reduzir tributos sobre combustíveis sempre que houver aumento de arrecadação com receitas do petróleo — uma tentativa de transformar o ganho do Estado em alívio temporário para o consumidor.

A iniciativa foi apresentada pelo líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta, e já chega cercada de expectativa — e também de ajustes de discurso.

Um freio de emergência, não um corte permanente

Horas antes do envio do projeto, segundo informou a Agência Brasil, o Ministério da Fazenda indicou que haveria novos cortes diretos de impostos. A leitura durou pouco.

O ministro Dario Durigan veio a público para corrigir a interpretação e ajustar o tom:

“Não estamos fazendo anúncio de redução tributária de nenhum tributo, e, sim, de um mecanismo discutido com o Congresso para minorar o impacto da guerra.”

A diferença é central. Não se trata de uma redução permanente, mas de um dispositivo que pode ser acionado em momentos específicos — quando houver arrecadação acima do esperado com o petróleo.

Como a engrenagem funciona

A lógica é direta, quase automática: se entra mais dinheiro com petróleo, abre-se espaço para aliviar impostos. Entram nessa conta receitas como royalties e a venda de petróleo do pré-sal. Do outro lado, podem ser reduzidos tributos que incidem sobre combustíveis, como PIS, Cofins e Cide.

O alcance inclui gasolina, diesel, etanol e biodiesel. Mas há regras claras para evitar desequilíbrio:

  • a redução só acontece se houver arrecadação extra comprovada;
  • o valor desonerado não pode ultrapassar esse excedente;
  • cada rodada de redução vale por até dois meses.

Passado esse período, o cenário é reavaliado — e o mecanismo pode ser renovado ou suspenso.

Uma medida com prazo político

O próprio desenho da proposta indica seu caráter emergencial. O regime está vinculado à duração dos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços da energia.

Na prática, é uma resposta a um momento específico — não uma mudança estrutural na política de combustíveis.

Equilíbrio fiscal como linha de contenção

Dentro da equipe econômica, o esforço é evitar qualquer leitura de perda de controle nas contas públicas. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, resumiu a lógica:

“Se houver aumento extraordinário da receita, esse aumento servirá de compensação para redução de tributos aplicáveis a esses combustíveis.”

Ou seja, o governo só abre mão de arrecadação se tiver ganho equivalente. A ideia é neutralidade — nem rombo, nem expansão fiscal.

Quanto custa aliviar o preço

Os números ajudam a entender o tamanho da engrenagem. De acordo com estimativas do governo, uma redução de R$ 0,10 nos tributos sobre a gasolina, por dois meses, representa cerca de R$ 800 milhões.

Hoje, os tributos federais respondem por aproximadamente R$ 0,68 no preço final ao consumidor, considerando um valor médio de R$ 6,77 por litro. É nesse espaço que o governo tenta atuar.

Negociação no Congresso será decisiva

O projeto ainda precisa atravessar o terreno político. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o tema será discutido com líderes da Câmara já na próxima semana.

Há sinalização inicial de apoio por parte dos presidentes das duas Casas, Hugo Motta e Davi Alcolumbre. Mas, como sempre, o ritmo da tramitação vai depender da costura entre governo e Congresso.

Um histórico recente de intervenção

Nos últimos meses, o governo já vinha tentando conter a alta dos combustíveis por outros caminhos. Entre as medidas adotadas estão:

  • desoneração do PIS/Cofins sobre o diesel;
  • subsídios que chegaram a R$ 1,52 por litro para o diesel importado;
  • incentivos de até R$ 1,12 por litro para o diesel nacional.

Atualmente, diesel e biodiesel seguem com tributos federais zerados. Já gasolina e etanol continuam com a mesma carga tributária aplicada antes da escalada do conflito.

No limite, uma tentativa de ganhar tempo

O projeto que chega ao Congresso não resolve o problema estrutural dos combustíveis no Brasil. Mas tenta amortecer o impacto — ao menos enquanto o cenário internacional permanece instável.

Funciona como um ajuste fino: quando o petróleo pressiona de um lado, o governo tenta aliviar do outro. Resta saber se esse mecanismo será rápido o suficiente para acompanhar a volatilidade global — ou se, mais uma vez, o consumidor continuará sentindo primeiro.

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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Entre o bolo, a fé e os atabaques: Curitiba vive o dia de São Jorge com devoção e comunidade

Da tradição católica no Portão às giras dedicadas a Ogum no Santa Cândida, 23 de abril revela um sincretismo vivo e cotidiano na capital paranaense

Entre o bolo, a fé e os atabaques: Curitiba vive o dia de São Jorge com devoção e comunidade. Da tradição católica no Portão às giras dedicadas a Ogum no Santa Cândida, 23 de abril revela um sincretismo vivo e cotidiano na capital paranaense.

O movimento começa cedo, mas em Curitiba ele não se impõe — ele se espalha. Entra pelas portas das igrejas, pelas cozinhas, pelos terreiros. E, quando se percebe, já tomou o dia inteiro.

No bairro Portão, a Paróquia São Jorge se transforma em ponto de encontro ao longo deste 23 de abril. A cena é simples, quase doméstica: filas se formam, conversas cruzam o pátio, crianças observam curiosas.

O bolo que carrega promessas

No centro de tudo, o bolo de São Jorge. São cerca de 5 mil pedaços, com recheios que vão do doce de leite ao creme de abacaxi com coco, vendidos a R$ 10. Mas o que move a fila não é exatamente o sabor.

Dentro da massa, medalhinhas de São Jorge foram escondidas. Quem encontra, guarda. Não é prêmio — é sinal.

Proteção, sorte, caminho aberto. Cada fiel interpreta à sua maneira, numa fé que se manifesta em pequenos gestos, quase silenciosos.

A programação segue até o fim de semana. No dia 25, a tradicional Tarde do Pastel amplia o encontro: pastéis também a R$ 10, bebidas, famílias reunidas. Um ambiente em que a devoção se mistura com pertencimento — fé que também é convivência.

No domingo, 26, o encerramento ganha movimento. Após a missa das 10h, a carreata percorre as ruas da região. Carros, motos, famílias. Ao retornar, todos recebem a bênção.

É um ritual profundamente cotidiano. Um pedido silencioso de proteção para quem enfrenta, todos os dias, seus próprios caminhos.

Ogum: a força que abre caminhos

Mas Curitiba também celebra fora das estruturas católicas — e é aí que o dia revela outra camada.

No Terreiro Pai Maneco, no bairro Santa Cândida, o 23 de abril é dedicado a Ogum — o orixá da guerra, da luta e da abertura de caminhos. A casa, fundada por Pai Fernando de Ogum, mantém suas giras ao longo da semana voltadas a essa energia.

Em mensagem publicada nas redes, o terreiro resume a essência do orixá:

“Hoje é dia de Ogum.

O Orixá da guerra, da demanda e da luta. O guerreiro que não recua, o protetor que não negocia a justiça e o líder que abre o caminho quando tudo parece fechado.

Seus filhos carregam essa energia: francos, decididos, insaciáveis nas conquistas e leais até o fim com quem é seu. Não fazem rodeio. Não admitem injustiça. E quando encontram equilíbrio, são, por qualquer caminho, vencedores.

Aqui no Terreiro Pai Maneco, a casa é de Ogum desde sempre.”

Serviço: feijoada encerra as celebrações

As comemorações seguem até domingo (26), quando o terreiro realiza um dos momentos mais aguardados do calendário:

Feijoada de Ogum — Terreiro Pai Maneco

📅 26 de abril (domingo)

🕛 A partir das 12h

💲 R$ 60,00

🎶 Samba ao vivo com Curitiba Samba Clube

📍 Terreiro Pai Maneco (veja no Maps)

Mais do que um evento gastronômico, a feijoada é encontro. Gente que chega, que volta, que se reconhece. Um outro jeito de fazer a casa acontecer.

Entre o bolo compartilhado no Portão e o tambor que ressoa no Santa Cândida, Curitiba desenha seu próprio jeito de viver o dia.

De um lado, São Jorge. Do outro, Ogum. No fundo, a mesma força: a de quem não recua diante das batalhas da vida. Salve Jorge!

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