27.7.26

Curitiba recebe lançamento do livro de Marina Ganzarolli com debate inédito sobre os direitos das mulheres no Congresso

Pesquisa analisa mais de 1.400 projetos de lei apresentados desde a Constituição de 1988 e inspira encontro que reunirá lideranças da política, da academia, da imprensa e da sociedade civil na capital paranaense

Pesquisa analisa mais de 1.400 projetos de lei apresentados desde a Constituição de 1988 e inspira encontro que reunirá lideranças da política, da academia, da imprensa e da sociedade civil na capital paranaense

Na próxima quinta-feira (30), Curitiba será o cenário de um debate sobre a participação das mulheres na política e a construção de políticas públicas voltadas à igualdade de direitos. O encontro marca o lançamento do livro O que o Congresso pensa sobre as mulheres? Diálogos sobre Produção Legislativa e Gênero no Brasil, da advogada e pesquisadora Marina Ganzarolli (foto), fundadora e presidente da organização Me Too Brasil.

A publicação é resultado da pesquisa de mestrado desenvolvida por Marina na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e apresenta uma análise inédita de mais de 1.400 projetos de lei apresentados ao Congresso Nacional desde a promulgação da Constituição Federal de 1988. O estudo busca compreender como o Parlamento brasileiro tem tratado as questões relacionadas aos direitos das mulheres e à igualdade de gênero ao longo das últimas décadas.

Além de apresentar os resultados da pesquisa, o lançamento pretende ampliar o diálogo sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na política institucional, os avanços obtidos pela legislação brasileira e os caminhos ainda necessários para fortalecer a democracia e garantir maior igualdade de direitos.

Debate reúne representantes da política, da academia e da sociedade civil

Após o lançamento da obra, será realizado um debate que reunirá lideranças políticas, pesquisadoras, jornalistas e representantes de movimentos sociais para discutir a produção legislativa voltada às mulheres e os desafios para a construção de políticas públicas mais inclusivas.

Participam da mesa:

  • Victoria Gallo, pré-candidata à Assembleia Legislativa do Paraná;
  • Lais Leão (PDT), vereadora de Curitiba;
  • Caroline Sardrá (PSOL), deputada estadual de Santa Catarina;
  • Carol Silva, representante da FONATRANS (Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros).

A mediação ficará a cargo de quatro profissionais com atuação destacada em direitos humanos, gênero e democracia:

  • Aline Reis, jornalista do Plural e especialista na cobertura de direitos humanos e questões sociais;
  • Mariana Martins, defensora pública com atuação na promoção dos direitos humanos e no acesso à Justiça;
  • Dayana Brunetto, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), referência nos estudos sobre gênero e diversidade;
  • Desiree Salgado, professora de Direito Constitucional da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Evento busca ampliar o debate sobre igualdade de direitos

Promovido pela Me Too Brasil, o encontro pretende estimular reflexões sobre a representação feminina na política brasileira, a elaboração de leis sob a perspectiva de gênero e os desafios para ampliar a participação das mulheres nos espaços de decisão.

Segundo os organizadores, a iniciativa também busca aproximar a produção acadêmica do debate público, incentivando o diálogo entre universidades, instituições públicas, movimentos sociais e a sociedade civil.

O evento é aberto ao público e direcionado a estudantes, docentes, pesquisadoras e pesquisadores, integrantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, servidoras e servidores públicos, representantes de organizações da sociedade civil e todas as pessoas interessadas na promoção dos direitos das mulheres.

Após o encerramento do debate, os participantes serão convidados para um coquetel de lançamento do livro.

Sobre a autora

Marina Ganzarolli é advogada, pesquisadora e fundadora da Me Too Brasil. Sua atuação concentra-se na defesa dos direitos das mulheres, no enfrentamento à violência sexual e na produção de conhecimento sobre igualdade de gênero e democracia. A pesquisa que originou o livro foi desenvolvida no Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

Sobre a Me Too Brasil

Inspirada no movimento internacional #MeToo, a Me Too Brasil é uma organização da sociedade civil dedicada ao enfrentamento da violência sexual e à promoção dos direitos das mulheres.

A instituição desenvolve ações de acolhimento a vítimas, advocacy, produção de conhecimento e articulação com universidades, órgãos públicos e organizações da sociedade civil, buscando fortalecer políticas públicas voltadas à prevenção da violência e à garantia dos direitos das mulheres.


Serviço

Evento: Lançamento do livro O que o Congresso pensa sobre as mulheres? Diálogos sobre Produção Legislativa e Gênero no Brasil e debate sobre os direitos das mulheres no Congresso.

Data: 30 de julho de 2026 (quinta-feira)

Horário: 19h

Local: Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná

Endereço: Rua José Loureiro, Curitiba – PR

Entrada: Gratuita

Realização: Me Too Brasil

Assessoria de imprensa: Martha Toledo

Telefone: (41) 98474-4095

26.7.26

Parada do Orgulho LGBT+ colore Brasília e reforça mobilização por direitos e participação nas eleições

Evento reuniu milhares de pessoas na Esplanada dos Ministérios, unindo celebração, cidadania, serviços públicos e o incentivo ao voto consciente

Evento reuniu milhares de pessoas na Esplanada dos Ministérios, unindo celebração, cidadania, serviços públicos e o incentivo ao voto consciente

BRASÍLIA (DF) — O calor intenso da tarde de domingo (26) não foi suficiente para desanimar quem tomou conta da Esplanada dos Ministérios. Muito pelo contrário. Sob um céu limpo e um sol forte, milhares de pessoas transformaram o centro político do país em um grande mosaico de cores, bandeiras e manifestações de orgulho durante a 27ª Parada Brasília Orgulho.

Entre fantasias, maquiagens, leques e bandeiras do movimento LGBT+, a mensagem era visível em cada detalhe: afirmar a existência, a diversidade e o direito de viver com dignidade. A celebração, realizada desde 1998, voltou a reunir famílias, militantes, artistas e apoiadores em defesa da igualdade de direitos.

Mais que uma celebração

Com o tema "LGBT, levante e vote", a edição de 2026 colocou em evidência a importância da participação política da comunidade. A proposta foi incentivar o eleitorado a apoiar candidaturas comprometidas com a defesa dos direitos humanos, o combate à discriminação e a ampliação das políticas públicas voltadas à população LGBT+.

Ao longo da programação, o evento também ofereceu diversos serviços gratuitos. Equipes de enfermagem realizaram atendimentos de saúde, a Polícia Civil disponibilizou um espaço para receber denúncias de LGBTfobia e a Defensoria Pública orientou cidadãos sobre a inclusão do nome social em documentos oficiais.

Conquistas e desafios

Além do caráter festivo, a parada reafirmou seu papel como espaço de mobilização social. Organizadores destacaram que, desde a primeira edição, a comunidade conquistou avanços importantes em representatividade política e reconhecimento de direitos. Ao mesmo tempo, lembraram que ainda persistem desafios relacionados ao preconceito, à violência e à necessidade de ampliar a proteção legal para pessoas LGBT+.

Ao ocupar um dos espaços mais simbólicos da política brasileira, a Parada Brasília Orgulho voltou a reforçar que diversidade, respeito e cidadania caminham juntos. Para os participantes, celebrar a própria identidade também é um ato de resistência e de esperança na construção de um país mais inclusivo, onde todas as pessoas possam viver e amar com liberdade.

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25.7.26

Crianças brasileiras enfrentam riscos crescentes diante da crise climática, aponta estudo do Unicef

Painel identifica 333 municípios em situação de alta vulnerabilidade socioambiental e revela que os impactos das mudanças climáticas atingem de forma desigual a infância e a adolescência no Brasil

Reprodução/Flicker 

O futuro costuma ser associado à infância. Mas, em um país cada vez mais afetado por secas prolongadas, enchentes, queimadas e ondas de calor, são justamente as crianças que aparecem entre as mais vulneráveis aos efeitos da crise climática.

Um estudo divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em parceria com a organização internacional Vital Strategies, traça um retrato preocupante da realidade brasileira. O levantamento mostra que 333 municípios — cerca de 6% das cidades do país — apresentam um quadro de alta vulnerabilidade socioambiental e climática para crianças e adolescentes, exigindo atenção imediata do poder público.

As informações fazem parte do Painel Crianças e Meio Ambiente, plataforma que reúne indicadores dos 5.571 municípios brasileiros e permite identificar os principais desafios enfrentados por cada território entre 2021 e 2025.

Um mapa da infância diante da emergência climática

O painel avalia 14 indicadores distribuídos em quatro grandes áreas: qualidade do ar, infraestrutura ambiental e urbana, eventos climáticos extremos e ambiente escolar.

Entre os fatores analisados estão a ocorrência de chuvas intensas, secas e ondas de calor, o acesso à água tratada e ao saneamento básico, além da poluição atmosférica causada por queimadas, transporte e atividades industriais.

Cada município recebe uma classificação de prioridade. As cidades enquadradas no nível 3 concentram os maiores riscos e demandam ações urgentes. Segundo o levantamento, os 333 municípios dessa categoria apresentam alta prioridade em mais de dez dos 14 indicadores avaliados, configurando uma situação de vulnerabilidade severa e multidimensional.

Na outra ponta, apenas 108 municípios brasileiros (1,9%) não registraram alta prioridade em nenhum dos indicadores analisados.

Região Norte concentra os cenários mais críticos

O estudo revela forte concentração das áreas mais vulneráveis na Região Norte. Pará, Amazonas, Acre e Maranhão aparecem entre os estados com maior número de municípios em situação crítica. Mato Grosso também integra esse grupo.

Entre os 30 municípios com pior desempenho agregado, 24 estão na Região Norte, quatro pertencem ao Maranhão e outros quatro localizam-se em Mato Grosso.

Segundo a nota técnica, muitos desses municípios possuem pequena população, dependem de atividades econômicas primárias e enfrentam limitações estruturais que reduzem a capacidade de prevenir e responder aos impactos das mudanças climáticas.

Queimadas, enchentes e falta de saneamento ampliam os desafios

A qualidade do ar aparece como um dos principais problemas. Na Região Norte, 94% dos municípios foram classificados em situação prioritária devido à elevada concentração de partículas finas acima dos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), cenário associado principalmente às queimadas.

No Sudeste, embora apenas 39% das cidades estejam na faixa de maior prioridade, elas concentram cerca de 72% da população infantil da região, onde a poluição está mais relacionada ao intenso fluxo de veículos e às atividades industriais.

Os eventos climáticos extremos também chamam atenção. A Região Norte concentra 91% dos municípios prioritários, enquanto a Região Sul reúne 68%, sobretudo em razão da frequência de chuvas intensas.

Nos indicadores de infraestrutura ambiental e urbana, Norte e Nordeste apresentam os cenários mais preocupantes, refletindo dificuldades históricas relacionadas ao acesso ao saneamento básico, abastecimento de água e investimentos em infraestrutura.

Já no ambiente escolar, Nordeste e Sudeste lideram os índices de escolas sem áreas verdes, condição que reduz o conforto térmico e amplia os impactos das altas temperaturas sobre estudantes.

Ferramenta orienta políticas públicas

Além de apresentar um diagnóstico detalhado de cada município brasileiro, o Painel Crianças e Meio Ambiente reúne cerca de 50 recomendações para apoiar gestores públicos na elaboração de políticas de prevenção, adaptação e enfrentamento dos impactos climáticos.

A proposta é transformar informações técnicas em instrumentos capazes de direcionar investimentos, fortalecer o planejamento local e reduzir desigualdades que atingem milhões de crianças e adolescentes.

Em um cenário de mudanças climáticas cada vez mais intensas, o levantamento reforça que proteger a infância significa investir em cidades mais resilientes, ampliar o acesso ao saneamento, melhorar a qualidade do ar, preservar áreas verdes e preparar os municípios para enfrentar eventos extremos que já fazem parte da realidade brasileira.

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24.7.26

IA já está em seis de cada dez órgãos públicos brasileiros e transforma também o jornalismo

Levantamento do CGI.br mostra que o Poder Judiciário lidera a adoção da Inteligência Artificial no setor público. Redações de jornais, emissoras de rádio e televisão também aceleram a incorporação da tecnologia, redefinindo a forma como a informação é produzida e distribuída

 

Há poucos anos, a Inteligência Artificial parecia um assunto restrito aos laboratórios de pesquisa e às gigantes da tecnologia. Hoje, ela está presente no cotidiano de servidores públicos, magistrados, jornalistas, apresentadores de televisão e profissionais de rádio. O avanço é silencioso, mas profundo. A IA passou a assumir tarefas repetitivas, organizar milhões de informações em segundos e oferecer respostas que, até pouco tempo atrás, dependiam exclusivamente do trabalho humano.

Essa transformação aparece de forma clara na nova edição da pesquisa TIC Governo 2025, divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). O levantamento revela que 59% dos órgãos públicos federais e estaduais brasileiros já utilizam alguma aplicação de Inteligência Artificial, consolidando uma mudança estrutural na administração pública do país.

Os números impressionam principalmente no Poder Judiciário, onde a tecnologia já está presente em 94% dos órgãos. Em seguida aparecem o Ministério Público (92%), o Poder Legislativo (83%) e o Poder Executivo (55%). O estudo demonstra que a digitalização do Estado brasileiro entrou em uma nova etapa: não basta mais informatizar processos. Agora, a tendência é utilizar sistemas capazes de aprender padrões, interpretar documentos e auxiliar na tomada de decisões.

A tecnologia que deixou de ser promessa

O levantamento mostra que a adoção da IA é mais intensa na esfera federal, onde 70% dos órgãos utilizam a tecnologia. Nos governos estaduais, o índice chega a 58%.

Entre as aplicações mais frequentes está a automatização de fluxos de trabalho, presente em 39% das instituições. Em seguida aparecem as ferramentas de mineração de texto e análise de linguagem (35%) e os sistemas de aprendizagem de máquina voltados à análise e predição de dados (31%).

Na prática, isso significa que tarefas antes realizadas manualmente passaram a ser executadas em poucos segundos. Documentos podem ser classificados automaticamente, contratos analisados em grande escala e bancos de dados cruzados para identificar inconsistências, fraudes ou padrões administrativos.

Ao mesmo tempo, tecnologias como Internet das Coisas (IoT) e Blockchain ainda aparecem com participação bem menor na administração pública, demonstrando que a Inteligência Artificial assumiu protagonismo entre as ferramentas digitais mais avançadas utilizadas pelo Estado brasileiro.

Prefeituras também entram na era da IA

Pela primeira vez, a pesquisa TIC Governo incluiu as administrações municipais em seu levantamento sobre Inteligência Artificial. O resultado mostra que 27% das prefeituras brasileiras utilizaram alguma aplicação de IA nos doze meses anteriores à pesquisa.

O percentual, entretanto, esconde uma desigualdade significativa entre os municípios. Nas cidades com mais de 500 mil habitantes, a adoção alcança 85%. Entre as capitais, chega a 81%. Já nos municípios com até 10 mil habitantes, apenas 22% utilizam a tecnologia.

A diferença evidencia um velho desafio brasileiro: enquanto grandes centros conseguem investir em infraestrutura tecnológica e qualificação profissional, pequenos municípios ainda enfrentam limitações orçamentárias, escassez de pessoal especializado e dificuldades para implantar soluções digitais mais sofisticadas.

Mesmo assim, onde a IA já foi incorporada, ela vem sendo utilizada principalmente para automatizar processos administrativos, analisar documentos e melhorar o atendimento prestado à população.

Capacitação tornou-se o principal desafio

Se a tecnologia avança rapidamente, a formação dos profissionais ainda caminha em ritmo mais lento.

Segundo a pesquisa do CGI.br, a falta de capacitação aparece hoje como o maior obstáculo para ampliar o uso da Inteligência Artificial no setor público. O problema foi apontado por 19% dos órgãos federais, 21% dos estaduais e impressionantes 40% das prefeituras.

O gerente do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), Alexandre Barbosa, avalia que os resultados demonstram que a IA já faz parte da realidade do Estado brasileiro, mas ressalta que investir na qualificação dos servidores será decisivo para garantir que essas ferramentas realmente melhorem os serviços públicos.

Essa preocupação ganha ainda mais relevância diante da expansão da chamada Inteligência Artificial generativa, capaz de produzir textos, imagens, códigos de programação, relatórios e diversos outros conteúdos de maneira automática.

IA generativa já entrou na rotina do governo

Pela primeira vez, o estudo também investigou especificamente o uso da Inteligência Artificial generativa na administração pública.

Os resultados mostram que 65% dos órgãos federais já utilizam esse tipo de tecnologia em processos internos, enquanto 29% a empregam diretamente em serviços destinados ao cidadão.

Mais da metade das instituições federais (59%) já oferece cursos ou treinamentos sobre IA aos servidores. Além disso, 46% contrataram ferramentas específicas para uso profissional e 43% elaboraram diretrizes ou manuais internos para orientar o uso responsável da tecnologia.

Esses dados revelam que a preocupação deixou de ser apenas tecnológica. Agora, envolve também governança, transparência, segurança da informação e uso ético da Inteligência Artificial.

A revolução também chegou às redações

Enquanto governos modernizam sua estrutura administrativa, outro setor passa por uma revolução silenciosa: o jornalismo.

As grandes redações brasileiras e internacionais vêm incorporando ferramentas de Inteligência Artificial para acelerar processos que antes consumiam horas — ou até dias — de trabalho.

Hoje, softwares conseguem transcrever entrevistas automaticamente, resumir documentos extensos, identificar tendências em grandes bases de dados, traduzir conteúdos para diferentes idiomas e até sugerir pautas baseadas em assuntos que estão mobilizando o interesse do público.

Segundo o Digital News Report 2026, produzido pelo Reuters Institute da Universidade de Oxford, a IA deixou de ser apenas um recurso experimental e passou a integrar o cotidiano de diversas empresas jornalísticas ao redor do mundo, inclusive no Brasil. O objetivo não é substituir jornalistas, mas aumentar produtividade, ampliar a capacidade de análise de dados e liberar profissionais para atividades de maior valor editorial.

Da apuração à publicação: como a IA está mudando o jornalismo

O impacto da Inteligência Artificial vai muito além da redação de textos. Nas empresas de comunicação, ela já participa de praticamente todas as etapas da produção jornalística. Ferramentas especializadas ajudam a organizar grandes volumes de documentos, localizar informações em segundos, identificar padrões em bases de dados públicas e transformar planilhas complexas em gráficos e visualizações que facilitam a compreensão do leitor.

Uma das experiências mais conhecidas no Brasil foi desenvolvida pelo O Globo, que utilizou Inteligência Artificial para analisar cerca de 600 mil discursos proferidos por deputados federais e senadores entre 2001 e 2024. O projeto permitiu examinar aproximadamente 255 milhões de palavras, revelando padrões de comportamento parlamentar que dificilmente poderiam ser identificados apenas por análise humana.

Esse tipo de jornalismo baseado em dados mostra que a IA funciona como uma ferramenta de apoio à investigação. Ela amplia a capacidade de processamento das redações, mas continua dependente da interpretação, da checagem e do olhar crítico dos jornalistas para transformar informações em notícias confiáveis.

Rádio e TG também aceleram transformação digital

No rádio, a Inteligência Artificial já faz parte da rotina de muitas emissoras. Sistemas de reconhecimento de voz produzem transcrições automáticas de entrevistas, facilitam a indexação dos programas e permitem localizar rapidamente trechos específicos de horas de gravação. Emissoras também utilizam algoritmos para gerar legendas em tempo real, converter textos em áudio e adaptar conteúdos para diferentes plataformas digitais.

Na televisão, o avanço segue a mesma direção. Ferramentas inteligentes auxiliam na edição de vídeos, na catalogação de imagens de arquivo, na criação automática de legendas e na produção de versões adaptadas para redes sociais. Em poucos minutos, uma reportagem exibida em um telejornal pode ser convertida em vídeos curtos para plataformas digitais, acompanhados de títulos, descrições e legendas geradas automaticamente.

Também cresce o uso de sistemas capazes de monitorar tendências nas redes sociais em tempo real. Eles ajudam as equipes de reportagem a identificar assuntos de maior repercussão, detectar mudanças no comportamento do público e acompanhar acontecimentos que podem dar origem a novas pautas.

O fator humano continua indispensável

Apesar do avanço acelerado da tecnologia, especialistas em comunicação são praticamente unânimes em afirmar que a Inteligência Artificial não substitui o trabalho jornalístico. Ela pode organizar informações, sugerir caminhos, resumir documentos e acelerar processos, mas ainda não possui discernimento editorial, responsabilidade ética nem capacidade de contextualização comparáveis às de um profissional experiente.

Esse cuidado tornou-se ainda mais importante diante da proliferação das chamadas deepfakes, imagens sintéticas e conteúdos produzidos artificialmente que podem ser utilizados para disseminar desinformação. Quanto mais sofisticadas se tornam as ferramentas de IA, maior também é a necessidade de fortalecer processos de verificação, checagem e validação das informações.

Por essa razão, cresce em todo o mundo o debate sobre transparência no uso da Inteligência Artificial pelas empresas jornalísticas. Diversos veículos já publicaram diretrizes estabelecendo em quais situações essas ferramentas podem ser utilizadas e quais etapas da produção continuam sob responsabilidade exclusiva de jornalistas e editores.

Entre eficiência e responsabilidade

O cenário desenhado pela pesquisa TIC Governo 2025 revela que o Brasil entrou definitivamente na era da Inteligência Artificial. O setor público amplia sua capacidade de atender cidadãos, reduzir burocracias e tornar processos mais eficientes. Ao mesmo tempo, empresas de comunicação utilizam a tecnologia para ampliar sua capacidade de investigação, acelerar rotinas produtivas e alcançar novos públicos.

Entretanto, o próprio estudo mostra que tecnologia, sozinha, não resolve problemas estruturais. A falta de profissionais qualificados continua sendo a principal barreira para uma adoção mais ampla da IA, especialmente nos pequenos municípios brasileiros.

Da mesma forma, no jornalismo, a inovação tecnológica não elimina a necessidade da apuração rigorosa, do contraditório, da análise crítica e do compromisso permanente com a verdade dos fatos. A Inteligência Artificial pode acelerar processos e ampliar possibilidades, mas a credibilidade continua sendo uma construção essencialmente humana.

Talvez essa seja a principal lição deixada pelos dados divulgados pelo CGI.br. A revolução provocada pela Inteligência Artificial não está apenas na capacidade das máquinas de aprender. Ela está, sobretudo, no desafio lançado às pessoas: aprender a utilizar essas ferramentas de forma ética, transparente e responsável, colocando a tecnologia a serviço da sociedade — e nunca o contrário.

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Com informações da Agência Brasil; Pesquisa TIC Governo 2025 (CGI.br/Cetic.br/NIC.br); Reuters Institute for the Study of Journalism – Digital News Report 2025 e 2026; WAN-IFRA (World Association of News Publishers). 

Brasil é o país que menos consome álcool entre Brasil, Estados Unidos e Alemanha

Levantamentos internacionais mostram que mais da metade dos brasileiros não bebe regularmente, enquanto o consumo é parte do cotidiano da maioria dos alemães

Levantamentos internacionais mostram que mais da metade dos brasileiros não bebe regularmente, enquanto o consumo é parte do cotidiano da maioria dos alemães

Sentar-se à mesa, brindar com amigos ou reunir a família em uma comemoração. Em muitos países, a bebida alcoólica faz parte desses momentos, mas a intensidade desse hábito varia bastante ao redor do mundo. Uma comparação entre Brasil, Estados Unidos e Alemanha revela diferenças culturais que ajudam a explicar por que os brasileiros, apesar da fama de apreciadores da cerveja, estão longe de figurar entre os maiores consumidores de álcool.

Dados de organismos internacionais e de levantamentos nacionais indicam que o Brasil é, entre os três países analisados, aquele onde há a maior proporção de pessoas que não consomem bebidas alcoólicas regularmente.

Mais da metade dos brasileiros diz não beber

No Brasil, cerca de 44% dos adultos consumiram bebidas alcoólicas ao menos uma vez nos últimos 12 meses. Isso significa que aproximadamente 56% da população adulta permaneceu sem consumir álcool nesse período, seja por opção, motivos religiosos, questões de saúde ou estilo de vida.

Nos Estados Unidos, o cenário é bastante diferente. Estima-se que 72% dos adultos consumam bebidas alcoólicas ao longo do ano, enquanto cerca de 28% permanecem abstêmios.

Já na Alemanha, o álcool faz parte da cultura cotidiana. Aproximadamente 89% dos adultos beberam nos últimos 12 meses, restando apenas 11% da população adulta sem consumir bebidas alcoólicas nesse período.

Comparativo entre os três países

Indicador Brasil Estados Unidos Alemanha
Consumiram álcool no último ano 44% 72% 89%
Não consumiram álcool no último ano 56% 28% 11%
Consumo anual de álcool puro por habitante (15+) 7,7 litros 9,8 litros 10,6 litros

O Sul lidera o consumo no Brasil

Mesmo sendo o país que menos consome álcool entre os três comparados, existem diferenças importantes dentro do território brasileiro. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, a Região Sul apresenta a maior frequência de consumo de bebidas alcoólicas do país. Cerca de 35,6% dos adultos afirmam beber pelo menos uma vez por mês.

Na outra ponta está a Região Norte, onde aproximadamente 20,5% dos adultos relatam consumir bebidas alcoólicas mensalmente.

Especialistas apontam que fatores históricos, culturais, climáticos e econômicos ajudam a explicar essas diferenças regionais.

Muito além dos estereótipos

A imagem do brasileiro como um dos povos que mais bebe no mundo não encontra respaldo nas estatísticas internacionais. Embora o país seja um dos maiores mercados consumidores de cerveja em números absolutos, isso ocorre principalmente por causa do tamanho da população. Quando o consumo é analisado por habitante, Brasil aparece atrás de diversos países europeus e também dos Estados Unidos.

Na Alemanha, por exemplo, o consumo de cerveja e vinho está profundamente ligado às tradições locais e ao convívio social. Nos Estados Unidos, o hábito é igualmente difundido, embora marcado por diferenças culturais entre os estados e por campanhas permanentes de combate ao consumo excessivo.

O consumo responsável é o desafio

Independentemente do volume consumido, autoridades de saúde alertam que o uso abusivo do álcool continua sendo um importante fator de risco para doenças cardiovasculares, cirrose hepática, diversos tipos de câncer, acidentes de trânsito e episódios de violência.

Mais do que estabelecer um ranking entre países, a comparação revela como o álcool ocupa espaços diferentes em cada sociedade. Enquanto na Alemanha ele faz parte do cotidiano da ampla maioria da população, no Brasil mais da metade dos adultos opta por não consumir bebidas alcoólicas regularmente.

Os números ajudam a desfazer um mito bastante difundido: proporcionalmente, o brasileiro bebe menos do que os alemães e os norte-americanos.

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Fontes: Pesquisa Nacional de Saúde (IBGE), LENAD/Unifesp, Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Centro Federal de Educação para a Saúde da Alemanha.

O Senado e a arte de sobreviver

Casa criada para representar a experiência e o equilíbrio da República também enfrenta críticas sobre carreiras políticas longevas e baixa renovação institucional

O Senado Federal nasceu para ser a Casa da maturidade. A Constituição brasileira herdou a tradição bicameral segundo a qual uma segunda câmara serviria como freio às paixões momentâneas da política, oferecendo estabilidade institucional e uma visão de longo prazo. A inspiração remonta ao senatus romano, conselho de anciãos encarregado de orientar os rumos da República.

Na teoria, seria o espaço da reflexão. Na prática brasileira, porém, muitas vezes tornou-se também o espaço da permanência.

Não da permanência das ideias, mas da permanência dos homens. A experiência acumulada por alguns parlamentares nem sempre se traduz em produção legislativa expressiva ou em grandes reformas nacionais.

Em diversos casos, transforma-se em algo muito mais valioso dentro da lógica de Brasília: capital político, influência sobre as comissões, domínio do regimento interno, relações consolidadas com diferentes governos e capacidade de atravessar sucessivas mudanças de poder sem perder protagonismo.

É uma especialização rara.

A especialização da sobrevivência.

O poder que não aparece

Ao longo das últimas décadas, diversos senadores permaneceram no Congresso durante quatro, cinco e até seis mandatos consecutivos, atravessando governos de diferentes partidos e orientações ideológicas.

Nesse ambiente, o prestígio nem sempre decorre da quantidade de leis aprovadas.

Em muitos casos, nasce da capacidade de controlar a pauta, negociar votações, construir maiorias, indicar cargos estratégicos e exercer influência nos bastidores. O poder legislativo formal divide espaço com um poder invisível, exercido por quem domina os mecanismos internos da Casa.

O Senado, afinal, não funciona apenas por discursos no plenário.

Grande parte das decisões ocorre nas reuniões de líderes, nas presidências das comissões permanentes e temporárias e nas negociações políticas que antecedem cada votação. Quem conhece essas engrenagens dificilmente se torna irrelevante.

Renovação: promessa antiga

É justamente nesse cenário que reaparece, a cada eleição, o discurso da renovação.

O argumento parece irresistível.

Se o Senado envelheceu junto com seus personagens, seria natural imaginar que novas lideranças representariam automaticamente novos métodos.

Mas a política raramente é tão simples.

O Brasil já testemunhou ondas de renovação parlamentar em diferentes momentos. Algumas produziram mudanças importantes. Outras apenas substituíram sobrenomes antigos por novos rostos que rapidamente aprenderam a operar segundo as mesmas regras do sistema político.

Renovar pessoas não significa, necessariamente, renovar práticas. O sistema político possui enorme capacidade de absorver seus próprios críticos.

O mandato mais longo da República

O mandato de senador é de oito anos, o mais longo entre todos os cargos eletivos brasileiros.

A justificativa constitucional sempre foi oferecer estabilidade e independência em relação às pressões eleitorais imediatas.

Há lógica nessa escolha. Projetos estruturantes, reformas constitucionais e decisões de Estado exigem continuidade.

Mas existe um efeito colateral. Quanto maior o tempo no cargo, maiores também tendem a ser as redes de influência política, administrativa e econômica construídas ao longo do mandato.

Com sucessivas reeleições, essas redes frequentemente se tornam patrimônio político difícil de ser enfrentado por candidatos iniciantes.

Representação ou carreira?

O Senado representa os estados da Federação.

Cada unidade federativa possui três senadores, independentemente do tamanho da população. Esse desenho busca equilibrar o pacto federativo, garantindo que estados menores tenham peso semelhante ao dos maiores.

Ainda assim, cresce entre cientistas políticos e parte da sociedade o debate sobre a profissionalização da política.

Quando um parlamentar permanece por 30 ou 40 anos na mesma instituição, continua representando o eleitorado ou passa a representar principalmente a própria estrutura que ajudou a construir?

Não existe resposta única. Há senadores cuja longevidade está associada à reconhecida capacidade técnica e liderança institucional. Há outros cuja principal virtude parece ser compreender, melhor do que ninguém, o momento exato de mudar de posição para continuar ocupando espaço.

Experiência e renovação precisam caminhar juntas

Toda democracia madura convive com uma tensão permanente. De um lado, precisa preservar a memória institucional, acumulada por parlamentares experientes. De outro, necessita abrir espaço para novas lideranças, novas ideias e diferentes formas de representar a sociedade.

Sem experiência, a política corre o risco da improvisação. Sem renovação, aproxima-se da estagnação. O verdadeiro desafio talvez não esteja em escolher entre juventude e experiência.

Está em impedir que a permanência se transforme em um fim em si mesma. Porque o Senado foi concebido para proteger a República. Nunca para proteger carreiras.

E quando sobreviver se torna mais importante do que representar, a política deixa de servir ao país para servir à própria sobrevivência de quem ocupa o poder.

23.7.26

Esgoto sem tratamento ainda ameaça rios e o futuro da água; ONU cobra aceleração das ações até 2030

Novo relatório da ONU revela que o tratamento de águas residuais não acompanhou o crescimento da demanda por água. No Brasil, os avanços convivem com um déficit histórico de saneamento

Novo relatório da ONU revela que o tratamento de águas residuais não acompanhou o crescimento da demanda por água. No Brasil, os avanços convivem com um déficit histórico de saneamento. Esgoto sem tratamento ainda ameaça rios e o futuro da água; ONU cobra aceleração das ações até 2030

A água que desaparece pelo ralo das casas não some. Ela segue um caminho que, quando interrompido pela falta de coleta e tratamento, acaba desembocando em rios, lagos, represas e, muitas vezes, na própria torneira de milhões de pessoas. É um ciclo silencioso que ajuda a explicar por que a crise da água não é apenas um problema de escassez, mas também de poluição.

Esse é um dos principais alertas do novo Relatório Síntese do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 (ODS 6), divulgado pela UN-Water, programa das Nações Unidas responsável pela coordenação das políticas globais sobre água e saneamento. O documento faz um balanço de dez anos de implementação da Agenda 2030 e conclui que, embora o mundo tenha avançado, o ritmo continua insuficiente para garantir água limpa e saneamento para todos até o fim da década.

O esgoto continua sendo um dos maiores inimigos da água

Segundo a ONU, o tratamento das águas residuais melhorou nos últimos anos, mas esse avanço ficou atrás do aumento da geração de esgoto provocado pelo crescimento populacional, pela urbanização e pelo desenvolvimento econômico.

Hoje, apenas 56% das águas residuais domésticas do planeta recebem tratamento seguro, percentual praticamente estagnado desde 2020. Isso significa que quase metade do esgoto produzido no mundo ainda é lançada no meio ambiente sem tratamento adequado, contaminando cursos d'água, degradando ecossistemas e aumentando riscos à saúde pública.

Para a ONU, investir em saneamento deixou de ser apenas uma política de saúde. Tornou-se uma estratégia de adaptação às mudanças climáticas, de proteção da biodiversidade, de segurança alimentar e de desenvolvimento econômico.

O desafio brasileiro

O cenário brasileiro ilustra bem esse contraste entre avanços e desafios. Dados do monitoramento global do ODS 6 mostram que 89% da população brasileira já tem acesso à água potável gerida de forma segura, mas apenas 55% dispõe de serviços de saneamento considerados seguros. No caso do tratamento das águas residuais domésticas, o índice nacional chega a apenas 43%, abaixo da média mundial.

Na prática, isso significa que milhões de brasileiros ainda convivem diariamente com rios transformados em canais de esgoto, contaminação de mananciais, proliferação de doenças e desperdício de um recurso cada vez mais valioso.

Mesmo estados que ampliaram a coleta de esgoto ainda enfrentam dificuldades para universalizar o tratamento, etapa essencial para impedir que a poluição retorne aos rios.

Água e clima caminham juntos

O relatório destaca que a crise climática amplia ainda mais a urgência desses investimentos.

Secas prolongadas reduzem a disponibilidade de água doce, enquanto chuvas extremas sobrecarregam sistemas de drenagem e estações de tratamento. Em muitos casos, a combinação desses fatores aumenta a contaminação dos mananciais justamente quando a população mais precisa deles.

Para a ONU, proteger rios, lagos, aquíferos e áreas úmidas será tão importante quanto ampliar redes de abastecimento e coleta de esgoto nos próximos anos. E, essa preocupação e trabalho das Nações Unidas deve ser também de cada um de nós, não lançando dejetos contaminantes em mananciais e cobrando do poder público o devido o tratamento das águas de esgoto. 

Infelizmente no Brasil ainda existem muitos emissários submarinos, em cidades costeiras do país, que lançam toneladas de esgoto nos, oceanos sem nenhuma espécie de tratamento.

O que a ONU propõe

O documento servirá de base para as discussões do Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e também começa a desenhar a agenda internacional que sucederá os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável após 2030.

Entre as prioridades apontadas pela ONU estão:

  • Ampliar os investimentos em água e saneamento;
  • Acelerar reformas nas políticas públicas;
  • Fortalecer a gestão integrada dos recursos hídricos;
  • Estimular a reutilização segura da água;
  • Promover inovação tecnológica e cooperação internacional.

Segundo a UN-Water, a experiência acumulada ao longo da última década demonstra que metas globais claras ajudam governos a reformar políticas públicas, integrar diferentes setores e acelerar resultados concretos. O desafio agora é transformar esse aprendizado em ações capazes de garantir segurança hídrica para as próximas gerações.

Um recurso finito

Embora o Brasil concentre cerca de 12% da água doce superficial do planeta, essa riqueza está distribuída de forma desigual. Regiões densamente povoadas convivem com pressão crescente sobre os mananciais, agravada pela poluição, pelo desmatamento, pela ocupação irregular e pelas mudanças climáticas.

A mensagem da ONU é direta: não basta captar mais água. É preciso impedir que ela seja contaminada antes de completar seu ciclo. Cada litro de esgoto tratado representa menos doenças, rios mais vivos, maior disponibilidade de água para consumo humano, agricultura e indústria e cidades mais resilientes diante das mudanças do clima.

A próxima década será decisiva. Sem acelerar o saneamento básico e o tratamento das águas residuais, o planeta corre o risco de transformar um recurso essencial à vida em um dos seus maiores desafios ambientais.

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22.7.26

Discord: quando o crime entra em casa pela tela do computador

Não é a tecnologia que comete crimes. São pessoas. Mas nenhuma plataforma pode fechar os olhos quando sua estrutura é utilizada por organizações criminosas ou quem quer que seja para aliciar crianças, pessoas neurodivergentes incentivando a violência e destruindo famílias

Por Ronald Sanson Stresser Junior | Sulpost | Artigo editado com auxílio de pesquisa realizada por I.A.

Não é a tecnologia que comete crimes. São pessoas. Mas nenhuma plataforma pode fechar os olhos quando sua estrutura é utilizada por organizações criminosas ou quem quer que seja para aliciar crianças, pessoas neurodivergentes incentivando a violência e destruindo famílias

Durante muito tempo, imaginamos que o perigo estivesse do lado de fora de casa. Trancamos os portões, instalamos câmeras, reforçamos fechaduras e procuramos proteger quem amamos. Enquanto isso, uma nova porta foi aberta silenciosamente. Ela cabe na palma da mão. Está no celular, no computador, no videogame conectado à internet e nos aplicativos que milhões de pessoas utilizam todos os dias.

É justamente por essa porta que organizações criminosas vêm encontrando acesso ao bem mais precioso de qualquer família: a mente de crianças, adolescentes e pessoas em situação de vulnerabilidade emocional.

É importante deixar isso absolutamente claro desde o início.

O Discord não pratica crimes. Assim como uma rodovia não atropela ninguém e um telefone não comete estelionato, quem pratica crimes são pessoas que utilizam essas ferramentas com intenção criminosa.

Mas reconhecer isso não elimina outra discussão igualmente importante: qual é o dever de uma plataforma digital quando sua infraestrutura passa a ser utilizada, de forma reiterada, para o aliciamento de menores, incentivo à automutilação, maus-tratos contra animais, extorsão, pornografia infantil e outras formas de violência?

Os casos deixaram de ser exceção

Nos últimos anos, operações da Polícia Federal, das polícias civis brasileiras e de autoridades internacionais revelaram comunidades fechadas utilizadas para manipular psicologicamente adolescentes, compartilhar material criminoso, incentivar ataques contra pessoas vulneráveis e organizar desafios que envolvem crueldade extrema.

O tema deixou de ser restrito às delegacias especializadas e ganhou repercussão nacional em reportagens exibidas pelo programa Fantástico, da TV Globo, além de investigações conduzidas pelo Ministério Público e por órgãos de segurança pública.

Os relatos são perturbadores.

Há investigações envolvendo indução à automutilação, chantagem emocional, exploração sexual de crianças e adolescentes, maus-tratos contra animais, incentivo à violência doméstica e ataques contra pessoas em situação de rua. Em diversos casos, os participantes eram estimulados a registrar tudo em vídeo para obter reconhecimento dentro dessas comunidades.

Não se trata de uma teoria conspiratória.

São fatos investigados pelas autoridades brasileiras e estrangeiras.

Quando a violência se transforma em desafio

Especialistas em segurança digital e psicologia explicam que muitos desses grupos funcionam como verdadeiras redes de manipulação emocional.

A vítima é acolhida, ganha atenção, cria vínculos e, aos poucos, passa a ser pressionada a cumprir tarefas cada vez mais violentas. Quem obedece recebe aprovação. Quem resiste sofre ameaças, chantagens e exposição pública.

Esse mecanismo pode atingir qualquer jovem, mas costuma encontrar terreno ainda mais fértil entre adolescentes socialmente isolados, pessoas com sofrimento psíquico, vítimas de depressão e indivíduos neurodivergentes que enfrentam dificuldades de interação social.

A internet, criada para aproximar pessoas, acaba sendo transformada por criminosos e pessoas que agem de má fé como instrumento de manipulação psicológica, numa espécie de robotização do ser humano.

A responsabilidade das plataformas precisa ser debatida

Nenhuma plataforma consegue impedir todos os crimes praticados por seus usuários. Mas também não parece razoável aceitar que empresas de tecnologia permaneçam apenas reagindo depois que tragédias acontecem.

Quando investigações revelam servidores utilizados reiteradamente para práticas criminosas, a sociedade tem o direito de exigir respostas. As plataformas também precisam investigar e denunciar as autoridades competentes essas atividades que violam os princípios constitucionais brasileiros.

Espera-se que plataformas digitais aperfeiçoem seus mecanismos de detecção, ampliem a cooperação com as autoridades brasileiras, preservem provas quando houver determinação judicial e adotem políticas mais rigorosas contra organizações criminosas que utilizam seus serviços.

Quem utiliza essas plataformas para estudar, trabalhar, jogar ou conversar com amigos não pode ser confundido com criminosos. A imensa maioria dos usuários faz uso legítimo dessas ferramentas. É justamente para proteger esses milhões de usuários honestos que o combate aos grupos criminosos precisa ser firme. Inclusive mais firme ainda em ano eleitoral, pois pode estar sendo usada como ferramenta de ódio político.

É hora de uma grande investigação

O Brasil não pode tratar cada operação policial como um caso isolado. Os indícios apontam para um fenômeno nacional e internacional que merece investigação aprofundada.

Polícia Federal, Ministérios Públicos, polícias civis, Poder Judiciário, Congresso Nacional e as próprias plataformas digitais precisam atuar de forma coordenada para identificar organizações criminosas, administradores de comunidades ilegais, financiadores, recrutadores e todos aqueles que utilizam a internet para destruir vidas, separando famílias e acirrando a polarização política ao ponto de violência psíquica e física. Afinal nossa constituição garante a inviolabilidade do lar e do pensamento.

Também é legítimo discutir o aperfeiçoamento da legislação e dos mecanismos de responsabilização previstos no ordenamento jurídico brasileiro, sempre respeitando a Constituição Federal, o devido processo legal e as garantias individuais. Os dispositivos telemáticos e computadores pessoais são janelas para dentro das nossas próprias casas e nós mesmos às vezes sem saber podemos estar sendo vítimas dessa nova espécie de crime.

A Constituição protege a liberdade. Também protege as famílias.

O artigo 5º da Constituição Federal assegura direitos fundamentais como a dignidade da pessoa humana, a proteção da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem. Essas garantias não podem ser relativizadas porque a violência passou a utilizar cabos de fibra óptica, aplicativos de mensagens e plataformas digitais.

Quando organizações criminosas conseguem invadir psicologicamente lares brasileiros por meio de computadores e celulares, o Estado tem não apenas o direito, mas o dever de agir.

Isso não significa censura. Não significa criminalizar a tecnologia. Muito menos perseguir usuários inocentes. Significa investigar com profundidade, responsabilizar criminosos, exigir cooperação efetiva das plataformas e proteger crianças, adolescentes e famílias brasileiras.

Chegou o momento de o Brasil enfrentar essa realidade com coragem. Porque a liberdade na internet jamais poderá servir de escudo para a barbárie, seja qual for a sua origem. Inclusive ao meu ver quando se viola um artigos, princípios constitucionais se trata de crime Federal. Os dados da internet circulam em pacotes por todo o país e às vezes até chegam a dar a volta ao mundo para trazer a informação até o dispositivo em sua casa ou que você carrega no bolso.

Combater o ódio desde a raiz

O debate também ganhou reforço no meio político. O deputado estadual Carlos Minc, do MDB do Rio de Janeiro, defendeu neste dia 22 de julho que o enfrentamento desse fenômeno precisa ir além da responsabilização dos autores diretos dos crimes.

Ao comentar o crescimento de investigações envolvendo incentivo à automutilação de adolescentes e à crueldade contra animais em comunidades virtuais, Minc afirmou que plataformas digitais precisam cumprir rigorosamente a legislação brasileira e colaborar efetivamente com as autoridades na identificação de usuários que utilizam esses ambientes para a prática de crimes.

Ao mesmo tempo, o parlamentar sustenta que o combate à violência não pode ficar restrito à esfera policial ou judicial. Segundo ele, famílias, escolas, educadores, profissionais da saúde e toda a sociedade precisam participar desse enfrentamento, fortalecendo vínculos afetivos e identificando precocemente sinais de manipulação psicológica entre crianças e adolescentes.

"Quem pratica violência contra animais pode reproduzir esse comportamento contra pessoas. Precisamos enfrentar as raízes do ódio e construir uma sociedade menos violenta e mais solidária." — Deputado Carlos Minc

A afirmação dialoga com estudos da criminologia e da psicologia forense que identificam a crueldade contra animais como um possível indicador de escalada da violência em parte dos agressores, embora cada caso deva ser analisado individualmente. Também coincide com o alerta de investigadores brasileiros de que grupos dedicados ao chamado "zoosadismo" frequentemente compartilham espaços com comunidades voltadas ao aliciamento de menores, à automutilação e a outras formas de violência extrema.


Este é um artigo de opinião do Sulpost. As posições expressas refletem a análise editorial do autor, jornalista responsável por este espaço, fundamentada em fatos públicos, investigações policiais, decisões judiciais e reportagens divulgadas por órgãos de imprensa e autoridades nacionais e internacionais. É jornalismo cidadão. E também denúncia pois tenho certeza que muita gente ao ler essa postagem poderá perceber que o crime está entrando dentro da sua casa através dessa rede, inclusive com desafios para que jovens cometam agressões e cumpram desafios propostos pelos praticantes dessa espécie de crime contra os mais velhos. Está na hora das autoridades federais, como Polícia Federal, STF e STE. Essas autoridades precisam agir com presteza e rapidez, pois faltam poucos meses para as eleições e essa ferramenta pode estar supostamente sendo usada inclusive por políticos de má-fé.

Queimadas recuam 31% no Brasil em 2025; Amazônia tem menor área atingida em 41 anos

Relatório do MapBiomas mostra queda expressiva das áreas queimadas, mas alerta para a recorrência do fogo e os riscos à vegetação nativa

Fernando Frazão/Agência Brasil

Depois de um ano recorde de incêndios florestais, o Brasil respirou um pouco em 2025. O país registrou 12,7 milhões de hectares queimados, uma redução de 31% em relação à média histórica e quase metade da área devastada em 2024, segundo a segunda edição do Relatório Anual do Fogo no Brasil, divulgado pelo MapBiomas.

Amazônia registra a menor área queimada em 41 anos

O principal destaque do levantamento foi a Amazônia, que contabilizou 3,1 milhões de hectares queimados, a menor área atingida pelo fogo desde o início da série histórica, em 1985. O resultado interrompe uma sequência de crescimento das queimadas observada nos últimos anos.

Apesar da queda, Amazônia e Cerrado continuam concentrando a maior parte das áreas queimadas no país. Juntos, os dois biomas respondem por cerca de 86% de toda a área atingida pelo fogo desde 1985. Em 2025, o Cerrado permaneceu como o bioma mais afetado, com 8,7 milhões de hectares queimados.

Fogo continua voltando às mesmas áreas

O relatório, divulgado pela Agência Brasil, traz ainda um dado preocupante: 64% das áreas queimadas no Brasil desde 1985 foram atingidas pelo fogo mais de uma vez. Em mais da metade desses casos, um novo incêndio ocorreu em até quatro anos, reduzindo a capacidade de recuperação da vegetação.

Segundo os pesquisadores do MapBiomas, a recorrência das queimadas aumenta a degradação dos ecossistemas, ameaça a biodiversidade e torna biomas como a Amazônia ainda mais vulneráveis a incêndios de maior intensidade.

Maior impacto sobre a vegetação nativa

O estudo mostra que 71,5% de toda a área queimada nas últimas quatro décadas corresponde à vegetação nativa, enquanto 28,5% atingiram áreas utilizadas para atividades humanas, como pastagens e agricultura.

Mato Grosso, Pará e Maranhão concentram quase metade de toda a área queimada registrada no Brasil desde 1985, reforçando a necessidade de políticas permanentes de prevenção, monitoramento e manejo integrado do fogo.

  • Com informações do Relatório Anual do Fogo no Brasil 2025 (MapBiomas)

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Caminhão fica preso na Ponte Preta mais uma vez

Ocorrência desta terça (21) reacende debate sobre soluções para um problema que Curitiba enfrenta há décadas

Bastaram alguns centímetros para que uma cena conhecida voltasse a se repetir no Centro de Curitiba. Um caminhão ficou preso sob a histórica Ponte Preta, na Rua João Negrão, ao lado do Shopping Estação, na tarde desta terça-feira (21), provocando lentidão no trânsito e reacendendo uma pergunta que acompanha gerações de curitibanos: até quando?

Motoristas reduziram a velocidade para observar o veículo encaixado sob a antiga ponte ferroviária. Pedestres registraram a cena com celulares. Agentes de trânsito precisaram organizar o fluxo até que fosse possível retirar o caminhão. Para quem passava pelo local, parecia mais um capítulo de uma história que insiste em se repetir. Infelizmente, era exatamente isso.

Um problema que atravessa décadas

A Ponte Preta faz parte da memória afetiva de Curitiba. Construída para integrar a antiga ferrovia Curitiba–Paranaguá, a estrutura metálica sobreviveu ao tempo, ao crescimento da cidade e à transformação do antigo complexo ferroviário, hoje ocupado pelo Shopping Estação e pelo Museu Ferroviário.

O que também atravessou as décadas foi outro personagem: os caminhões que ignoram ou não percebem a limitação de altura e acabam presos sob o viaduto.

Nos últimos anos, a cena tornou-se recorrente. Há registros semelhantes em 2022, 2023, 2024, 2025 e também em diversas ocasiões de 2026, mostrando que o episódio desta terça-feira está longe de ser um fato isolado.

Cada nova ocorrência produz praticamente o mesmo roteiro: caminhão preso, congestionamento, agentes de trânsito acionados, retirada do veículo e, dias depois, tudo volta ao normal... até o próximo caminhão.

Soluções existem

Curiosamente, as possíveis soluções são discutidas há muitos anos, inclusive pelos próprios moradores de Curitiba.

A alternativa mais lembrada é a instalação de um pórtico limitador de altura alguns metros antes da Ponte Preta. Se um caminhão atingir essa estrutura metálica, o motorista percebe imediatamente que não conseguirá passar sob o viaduto e pode desviar antes de bloquear a via.

Outra proposta recorrente é reforçar a sinalização com placas maiores, iluminação específica e painéis eletrônicos informando a restrição de altura.

Também há quem defenda o rebaixamento da pista sob a ponte. A solução exigiria estudos de engenharia, especialmente por causa da drenagem da região e da preservação do patrimônio histórico, mas é considerada tecnicamente possível por especialistas.

Uma quarta alternativa seria implantar sensores eletrônicos capazes de identificar veículos acima da altura permitida e acionar painéis luminosos ou semáforos antes que o caminhão alcance a ponte. Já a solução mais radical implica em proibir a passagem de caminhões por baixo da ponte que fica a poucas quadros da Câmara de Curitiba.

É possível levantar a Ponte Preta?

À primeira vista, elevar a estrutura parece a solução definitiva. Na prática, porém, trata-se da alternativa mais complexa.

A Ponte Preta integra o patrimônio ferroviário de Curitiba. Qualquer alteração estrutural exigiria projetos específicos de engenharia, licenciamento dos órgãos responsáveis pela preservação histórica e investimentos elevados.

Por isso, especialistas costumam apontar que impedir a chegada dos caminhões ao local é uma medida muito mais rápida, barata e eficiente.

Patrimônio histórico, desafio moderno

A Ponte Preta é muito mais do que um obstáculo para caminhões. Ela representa um período decisivo da história paranaense, quando a ferrovia impulsionou o desenvolvimento econômico do Estado e consolidou Curitiba como importante centro logístico.

Preservar esse patrimônio é essencial. Mas preservar também significa adaptar a cidade para que estruturas históricas convivam de forma segura com a mobilidade urbana do século XXI.

Enquanto isso não acontece, Curitiba continua convivendo com um problema conhecido, previsível e repetitivo.

O caminhão retirado nesta terça-feira certamente não será o último. A questão que permanece é outra: quantos ainda precisarão ficar presos para que uma solução definitiva saia do papel?

O Sulpost acompanha os principais temas da mobilidade urbana, patrimônio histórico e cidadania em Curitiba e no Paraná, valorizando o jornalismo independente e o debate sobre soluções para os desafios da cidade.

21.7.26

Lula mantém liderança, mas polarização continua dando o tom da eleição, mostra Real Time Big Data

Levantamento divulgado nesta terça-feira (21) indica vantagem do presidente no primeiro turno, enquanto o segundo turno permanece aberto por disputas dentro da margem de erro

 
Levantamento divulgado nesta terça-feira (21) indica vantagem do presidente no primeiro turno, enquanto o segundo turno permanece aberto e marcado por disputas dentro da margem de erro
Imagem gerada por inteligência artificial - Sulpost

A fotografia capturada pela mais recente pesquisa Real Time Big Data confirma um cenário que vem se desenhando há meses. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua na dianteira da corrida ao Palácio do Planalto, mas a eleição de 2026 ainda está longe de ter um desfecho definido.

No primeiro turno, Lula aparece com 40% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro (PL) vem em seguida, com 33%. Renan Santos soma 9%, Ronaldo Caiado registra 7% e Romeu Zema aparece com 4%. Os demais pré-candidatos ficam abaixo desses percentuais.

Uma liderança consistente, mas sem clima de "já ganhou"

Os números mostram que Lula permanece ocupando um espaço eleitoral bastante sólido. Não se trata apenas de aparecer na frente. O presidente tem conseguido preservar uma base de apoio que resiste ao desgaste natural de quem ocupa o governo e continua suficiente para mantê-lo na liderança nacional.

Ao mesmo tempo, a pesquisa não autoriza qualquer leitura triunfalista. Os levantamentos eleitorais medem o humor do eleitor naquele momento, e não antecipam o resultado das urnas. Ainda há campanha, debates, propaganda eleitoral e uma série de acontecimentos capazes de alterar o comportamento do eleitorado.

Mesmo assim, há um dado que chama atenção: Lula continua liderando sucessivas pesquisas de diferentes institutos. Quando levantamentos independentes começam a apontar uma mesma direção, deixa de ser apenas uma oscilação estatística e passa a indicar uma tendência do momento.

Segundo turno continua completamente aberto

O instituto também simulou quatro cenários de segundo turno.

  • Lula 45% x 42% Flávio Bolsonaro;
  • Lula 43% x 42% Ronaldo Caiado;
  • Lula 44% x 41% Romeu Zema;
  • Lula 46% x 37% Renan Santos.

Em três desses confrontos, a diferença permanece dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Na prática, isso significa que, embora Lula apareça numericamente à frente, ainda existe uma disputa competitiva.

O único cenário em que a vantagem ultrapassa a margem estatística é contra Renan Santos.

A rejeição mostra o tamanho da polarização

Outro indicador importante ajuda a explicar por que a eleição continua aberta.

  • Flávio Bolsonaro: 50% de rejeição;
  • Lula: 48%;
  • Ronaldo Caiado: 33%;
  • Renan Santos: 28%;
  • Romeu Zema: 27%.

Mais do que um simples número, a rejeição revela o tamanho da divisão política que o Brasil atravessa. Lula e Flávio concentram, ao mesmo tempo, os maiores índices de intenção de voto e também as maiores resistências.

Isso significa que ambos já convenceram praticamente seus eleitores mais fiéis, mas encontram dificuldades para ampliar suas fronteiras eleitorais. Em uma eleição tão polarizada, conquistar votos costuma ser mais difícil do que impedir que o adversário avance.

O que a pesquisa sugere

O levantamento reforça a impressão de que Lula chega à campanha oficial em posição confortável, mas não definitiva. A liderança permanece consistente, porém ainda insuficiente para transformar a eleição em uma disputa protocolar.

Também chama atenção o desempenho de Flávio Bolsonaro. Mesmo enfrentando a maior rejeição da pesquisa, ele continua competitivo e mantém vivo o bloco conservador, especialmente em um eventual segundo turno.

Em outras palavras, a pesquisa desenha um país que continua profundamente dividido. A vantagem hoje pertence a Lula, mas o resultado final dependerá da capacidade dos candidatos de dialogar justamente com aquele eleitor que ainda observa a campanha com alguma distância e pode decidir seu voto apenas nas semanas finais.

Metodologia: A pesquisa Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores entre os dias 18 e 20 de julho de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%Registro no TSE: BR-05864/2026.

Eleições 2026: Brasil terá 158,7 milhões de eleitores aptos a votar; prazo para voto em trânsito já está aberto

Cadastro eleitoral cresce em relação a 2022, participação de idosos aumenta e brasileiros que vivem no exterior registram forte expansão no eleitorado. Pedido de voto em trânsito pode ser feito até 20 de agosto

Eleições 2026: Brasil terá 158,7 milhões de eleitores aptos a votar; prazo para voto em trânsito já está aberto. Cadastro eleitoral cresce em relação a 2022, participação de idosos aumenta e brasileiros que vivem no exterior registram forte expansão no eleitorado. Pedido de voto em trânsito pode ser feito até 20 de agosto.

As urnas ainda estão a algumas semanas de distância, mas o retrato do eleitorado brasileiro para as eleições de 2026 já está definido. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que 158.745.463 brasileiros estão aptos a votar no primeiro turno, marcado para 4 de outubro. O número representa um crescimento de 2.291.452 eleitores em comparação com a eleição presidencial de 2022, avanço de 1,46%.

Mais do que uma estatística, esses números revelam um país em constante transformação. A fotografia do novo eleitorado mostra mudanças demográficas importantes, maior participação dos idosos, crescimento expressivo dos brasileiros residentes no exterior e uma expansão significativa do cadastro eleitoral na Região Norte.

Quando os brasileiros irão às urnas

O primeiro turno das eleições acontece no dia 4 de outubro, quando serão escolhidos presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais.

Se nenhum candidato à Presidência da República ou ao governo estadual alcançar mais de 50% dos votos válidos — excluídos os votos brancos e nulos — haverá segundo turno em 25 de outubro.

Região Norte lidera crescimento do eleitorado

Entre todas as regiões brasileiras, o Norte registrou o maior crescimento proporcional do eleitorado.

Foram 548.944 novos eleitores, elevando o total regional de 12,56 milhões para 13,1 milhões de pessoas aptas a votar, crescimento de 4,37% em apenas quatro anos.

O dado reforça a dinâmica populacional da região e amplia seu peso político nas decisões nacionais.

Brasileiros no exterior batem novo recorde

Também chamou atenção o aumento do número de brasileiros aptos a votar fora do país.

O eleitorado no exterior passou de 697.078 para 918.876 eleitores, alta de 31,82%. Quem mora fora do Brasil poderá votar exclusivamente para o cargo de presidente da República.

Mulheres continuam maioria nas urnas

As mulheres seguem representando a maioria do eleitorado brasileiro.

Em 2026 são 83.877.126 eleitoras, correspondendo a 52,84% do total de votantes. Em 2022 elas representavam 52,65% do cadastro eleitoral.

Cadastro revela uma fotografia mais completa da diversidade brasileira

Após as eleições de 2022, a Justiça Eleitoral passou a exigir o preenchimento das informações sobre raça e cor no cadastro eleitoral. Com isso, todas as categorias registraram crescimento significativo.

  • Pessoas autodeclaradas pardas: de 8,5 milhões para 16,9 milhões;
  • Pessoas pretas: de 1,8 milhão para 3,58 milhões;
  • Povos indígenas: crescimento de 84,47%, chegando a 287.157 eleitores;
  • Pessoas autodeclaradas brancas: 11,69 milhões de eleitores cadastrados.

Segundo o TSE, o aumento decorre principalmente da atualização cadastral realizada nos últimos anos.

Eleitorado está mais envelhecido

A maior concentração de eleitores está na faixa entre 40 e 44 anos, com quase 16 milhões de brasileiros.

Também houve crescimento expressivo da população com mais de 60 anos. São 4,56 milhões de idosos a mais em relação ao último pleito, fazendo com que essa faixa etária passasse de 21,02% para 23,60% do eleitorado nacional.

Na direção oposta, houve redução entre os eleitores de 21 a 34 anos, que passaram de 43,8 milhões para 41 milhões de pessoas.

Também caiu o número de jovens com até 18 anos aptos a votar, passando de 4,17 milhões para 3,57 milhões.

Prazo para solicitar voto em trânsito vai até 20 de agosto

Os eleitores que estiverem fora do município onde votam no dia da eleição já podem solicitar o voto em trânsito.

O pedido pode ser feito até 20 de agosto, pela internet, no portal da Justiça Eleitoral, ou presencialmente em qualquer cartório eleitoral.

O benefício está disponível nas capitais e nos municípios com mais de 100 mil eleitores.

Quem permanecer dentro do mesmo estado poderá votar para todos os cargos em disputa. Já quem estiver em outro estado poderá votar apenas para presidente da República.

Também será possível escolher cidades diferentes para votar no primeiro e no segundo turno.

Quem solicitar o voto em trânsito e não comparecer ao local escolhido deverá justificar a ausência posteriormente, inclusive por meio do aplicativo e-Título.

Democracia em movimento

Os números divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral mostram um país que continua mudando. Cresce o eleitorado, aumenta a participação dos idosos, brasileiros espalhados pelo mundo reforçam sua presença nas urnas e a Justiça Eleitoral amplia os mecanismos para facilitar o exercício do voto.

Até outubro, o calendário eleitoral entra em sua fase decisiva. E, mais uma vez, milhões de brasileiros terão nas mãos a responsabilidade de escolher os rumos do país pelos próximos quatro anos.

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