terça-feira, 19 de maio de 2026

Governo anuncia financiamento com juros reduzidos para taxistas e motoristas de aplicativo

Programa divulgado aos paranaenses por Gleisi Hoffmann prevê crédito de até R$ 150 mil, prazo de 72 meses e carência de seis meses para começar a pagar

 
Governo anuncia financiamento com juros reduzidos para taxistas e motoristas de aplicativo. Programa divulgado aos paranaenses por Gleisi Hoffmann prevê crédito de até R$ 150 mil, prazo de 72 meses e carência de seis meses para começar a pagar.

O motorista olha o marcador de combustível cair enquanto o celular toca com mais uma corrida. Entre parcelas, manutenção e o preço alto dos carros, muita gente que vive dos aplicativos acabou presa ao aluguel de veículos ou trabalhando no limite das contas. Foi mirando essa realidade que o governo federal anunciou um novo pacote voltado a taxistas e motoristas de aplicativo.

Crédito para renovar a frota

A ex-ministra das Relações Institucionais e Deputada Federal, Gleisi Hoffmann (PT-PR), divulgou nas redes sociais detalhes do programa lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para facilitar a renovação da frota desses trabalhadores.

“O programa oferece financiamento de até 150 mil reais com juros de 0,99% ao mês, prazo de até 72 meses para pagar e carência de seis meses para começar”, afirmou Gleisi no vídeo publicado nesta terça-feira.

Segundo ela, mulheres motoristas terão condições ainda mais vantajosas, com juros reduzidos. A proposta prevê crédito subsidiado para compra de veículos novos ou troca do carro utilizado no trabalho. O governo quer reduzir a dependência de carros alugados, uma realidade comum entre motoristas de aplicativo nas grandes cidades brasileiras.

Rotina pesada nas ruas

Na prática, as condições anunciadas chamaram atenção por ficarem abaixo das taxas normalmente cobradas em financiamentos convencionais. Hoje, muitos motoristas enfrentam juros elevados justamente por dependerem do carro como ferramenta principal de renda.

Gleisi também procurou aproximar o discurso da rotina diária da categoria.

“Quem passa o dia inteiro nas ruas, trabalhando duro para garantir o sustento da família, merece dirigir com mais conforto, segurança e dignidade.”

Taxistas também foram contemplados

No vídeo, a ministra lembrou ainda outra medida sancionada recentemente pelo governo federal: o direito de transferência hereditária das licenças de táxi, uma reivindicação antiga da categoria.

Está tudo certo, mas ainda faltam detalhes importantes sobre o funcionamento do programa, como critérios de aprovação, bancos participantes, exigência de entrada e data oficial para início dos financiamentos. Mais informações devem ser divulgadas nos próximos dias pelos canais oficiais do governo federal.

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PF investiga perito da própria corporação por vazamento no caso Banco Master

Operação autorizada pelo STF expõe tensão interna na Polícia Federal enquanto investigação sobre o Banco Master avança sobre figuras do alto escalão

 
PF investiga perito da própria corporação por vazamento no caso Banco Master. Operação autorizada pelo STF expõe tensão interna na Polícia Federal enquanto investigação sobre o Banco Master avança sobre figuras do alto escalão.
Imagem meramente ilustrativa - Sulpost 

Brasília tem amanhecido sob o clima de grandes operações federais: corredores silenciosos, movimentações discretas e um peso institucional difícil de esconder. Mas, desta vez, o escopo da operação não estava do lado de fora.

Na manhã desta terça-feira (19), a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero tendo como alvo um perito criminal da própria corporação, suspeito de vazar informações sigilosas relacionadas às investigações sobre o Banco Master.

O caso rapidamente ganhou repercussão nos bastidores políticos e jurídicos porque envolve algo extremamente sensível dentro de qualquer investigação: o vazamento de dados protegidos por sigilo funcional.

Operação autorizada pelo STF

A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, além do afastamento imediato do servidor de suas funções. O investigado também ficará submetido a medidas cautelares, como a proibição de manter contato com outros envolvidos e de deixar a comarca onde reside.

Segundo informações divulgadas pelo STF, o perito teria repassado a jornalistas materiais sigilosos produzidos a partir da análise de apreensões feitas nas primeiras fases da Operação Compliance Zero. A decisão judicial segue sob sigilo.

Os bastidores da Compliance Zero

O que começou como uma investigação sobre possíveis fraudes financeiras ligadas ao Banco Master acabou se transformando numa operação de grandes proporções, atravessando o sistema financeiro, setores políticos e até estruturas internas do próprio Estado.

Ao longo dos últimos meses, a Compliance Zero passou a investigar suspeitas de lavagem de dinheiro, relações consideradas impróprias entre empresários e agentes públicos, além de possíveis acessos indevidos a informações sensíveis. Nos bastidores de Brasília, o episódio desta terça-feira é visto como especialmente delicado porque expõe um cenário raro: investigadores investigando integrantes da própria Polícia Federal.

Segundo reportagens publicadas pela imprensa nacional, os vazamentos investigados teriam relação com documentos e informações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, além de possíveis conexões com autoridades de alto escalão.

Liberdade de imprensa preservada

Diante da repercussão do caso, o Supremo Tribunal Federal fez questão de enfatizar que a investigação não tem como alvo jornalistas nem veículos de comunicação.

Em nota, a Corte afirmou que as medidas adotadas “não implicam qualquer direcionamento investigativo contra jornalistas ou veículos de imprensa”, reforçando a proteção constitucional ao sigilo da fonte e à liberdade de atuação jornalística.

O tema é considerado sensível porque envolve uma linha delicada entre o dever de sigilo de agentes públicos e o direito da imprensa de divulgar informações de interesse público.

R$ 27 bilhões bloqueados

A Operação Compliance Zero completou seis meses nesta semana acumulando números impressionantes. Até agora, segundo dados oficiais, já foram realizadas 21 prisões, cumpridos 116 mandados de busca e apreensão e bloqueados mais de R$ 27 bilhões em bens e valores.

As investigações seguem em andamento e ainda podem atingir novos nomes ligados ao sistema financeiro, ao setor público e aos bastidores políticos de Brasília.

Dentro da própria Polícia Federal, o episódio também produz um desgaste institucional inevitável. Quando uma corporação especializada em investigar corrupção e crime organizado precisa voltar seus olhos para dentro de casa, o impacto deixa de ser apenas jurídico. Ele passa a ser também político, simbólico e profundamente institucional.

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Saneamento avança no Paraná com quase R$ 800 milhões em investimentos federais

Obras de água e esgoto anunciadas pelo governo Lula devem alcançar 24 municípios paranaenses, incluindo regiões onde a infraestrutura básica ainda chega lentamente

Saneamento avança no Paraná com quase R$ 800 milhões em investimentos federais. Obras de água e esgoto anunciadas pelo governo Lula devem alcançar 24 municípios paranaenses, incluindo regiões onde a infraestrutura básica ainda chega lentamente

Debaixo das ruas, longe das câmeras e quase sempre sem cerimônia de inauguração, existe um tipo de obra que muda a vida das pessoas em silêncio. Tubulações de água. Redes de esgoto. Reservatórios. Sistemas que raramente aparecem no horário eleitoral ou viram cartão-postal de gestão pública — justamente porque ficam enterrados.

Mas é ali, sob o concreto das cidades, que uma parte importante da dignidade humana começa. Enquanto grandes obras viárias costumam dominar o debate político, bairros periféricos e municípios menores ainda convivem com problemas antigos de saneamento básico. Em algumas regiões, a expansão urbana chegou muito antes da infraestrutura. Em outras, o esgoto tratado ainda avança em ritmo lento, apesar dos bons indicadores médios do Paraná.

Agora, o governo federal anunciou uma nova rodada de investimentos que pretende acelerar esse cenário.

R$ 800 milhões para água e esgoto

O Ministério das Cidades, do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, confirmou quase R$ 800 milhões em obras de abastecimento de água e saneamento para 24 municípios paranaenses. Entre as cidades contempladas estão Londrina, Foz do Iguaçu e Curitiba, além de municípios menores que normalmente aparecem menos nas grandes agendas estaduais de infraestrutura.

Os recursos serão destinados à ampliação de redes de esgoto, sistemas de abastecimento de água e projetos ligados à chamada segurança hídrica — estratégia voltada à garantia de fornecimento regular de água para a população.

A deputada federal e ex-ministra Gleisi Hoffmann acompanhou parte das agendas ao lado do secretário nacional de abastecimento de água do Ministério das Cidades, Márcio Galvão. Em vídeo publicado nas redes sociais, Gleisi afirmou que os contratos assinados beneficiam diretamente o Paraná:

“Ele veio aqui para fechar contratos importantes que envolvem 24 municípios e quase 800 milhões de reais, beneficiando o Paraná.”

Ao lado da parlamentar, o secretário destacou que os investimentos buscam ampliar a segurança hídrica e cumprir metas nacionais de universalização do saneamento.

“Vamos trazer segurança hídrica para a população do Paraná. Alguns investimentos também em saneamento. Estamos trabalhando para cumprir a meta da universalização.”

Obras invisíveis — mas essenciais

Existe uma razão pela qual obras de saneamento costumam atravessar mandatos inteiros quase sem repercussão popular: elas dificilmente aparecem prontas aos olhos da população. Não há grandes estruturas elevadas, iluminação cênica ou impacto visual imediato. O trabalho acontece embaixo da terra, muitas vezes em regiões afastadas do centro político e econômico das cidades. Ainda assim, especialistas apontam que poucas áreas têm efeito tão direto sobre a qualidade de vida.

Saneamento significa menos doenças, menos contaminação de rios, redução de internações, melhoria da saúde pública e mais dignidade para comunidades historicamente esquecidas pelos ciclos tradicionais de investimento.

No Paraná, embora os índices estaduais estejam entre os melhores do país, o avanço da infraestrutura não ocorreu da mesma forma em todas as regiões. Há municípios onde a coleta e o tratamento de esgoto seguem avançando lentamente, especialmente em áreas periféricas e cidades menores que cresceram sem o mesmo ritmo de investimentos observado nos grandes centros.

Disputa política e investimentos federais

Os novos anúncios também reforçam a presença do governo Lula em uma área considerada estratégica para os próximos anos. Durante a agenda no Paraná, Gleisi Hoffmann agradeceu ao governo federal e afirmou que a ampliação dos recursos do FGTS tem permitido novos investimentos em habitação e saneamento.

“O presidente Lula tem proporcionado esses investimentos e destinado mais recursos do FGTS para esse tipo de aporte.”

No fim, são obras que talvez nunca ganhem o destaque de uma ponte ou de uma rodovia recém-inaugurada. Mas aparecem no cotidiano.

Surgem na água que chega à torneira. No rio que deixa de receber esgoto. Na criança que adoece menos. Na diferença silenciosa entre viver com infraestrutura básica — ou sem ela.

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Elon Musk perdeu o timing e batalha contra a OpenAI termina em derrota bilionária — o caminho para um dos maiores IPOs da história foi aberto

Júri nos EUA rejeita ação de US$ 150 bilhões movida por Musk contra a empresa que ele ajudou a criar. Nos bastidores do Vale do Silício, disputa é vista como mistura de guerra ideológica, rivalidade empresarial e marketing de alto impacto

 
Elon Musk perdeu o timing e batalha contra a OpenAI termina em derrota bilionária — o caminho para um dos maiores IPOs da história foi aberto. Júri nos EUA rejeita ação de US$ 150 bilhões movida por Musk contra a empresa que ele ajudou a criar. Nos bastidores do Vale do Silício, disputa é vista como mistura de guerra ideológica, rivalidade empresarial e marketingElon Musk perdeu o timing e batalha contra a OpenAI termina em derrota bilionária — o caminho para um dos maiores IPOs da história foi aberto  de alto impacto
Elon Musk e Sam Altman - Imagem gerada por IA

O tribunal ouviu durante semanas uma das disputas mais explosivas da história recente da tecnologia. De um lado, Elon Musk — o homem mais rico do planeta, fundador da Tesla, SpaceX e dono da rede X. Do outro, Sam Altman e a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT e hoje uma das organizações mais poderosas do mundo da inteligência artificial.

Mas no fim das contas, o julgamento terminou de forma quase anticlimática: Musk perdeu não porque o júri tenha concluído que ele estava completamente errado, mas porque demorou demais para entrar com a ação.

A decisão saiu nesta segunda-feira (18), na Califórnia. Em menos de duas horas de deliberação, os jurados rejeitaram o processo bilionário movido pelo empresário contra a OpenAI, Sam Altman, Greg Brockman e até a Microsoft.

A alegação de Musk era pesada: segundo ele, a OpenAI teria “roubado uma instituição beneficente”, abandonando sua missão original de desenvolver inteligência artificial para o bem da humanidade e se transformando numa máquina privada de bilhões de dólares. Só que havia um problema jurídico difícil de contornar: o relógio.

O homem mais rico do mundo perdeu o prazo

O júri concluiu que Musk deixou passar o tempo legal necessário para apresentar a ação. Em termos simples: a Justiça entendeu que ele já sabia — ou deveria saber — há anos sobre as mudanças na OpenAI.

Especialistas lembraram durante o julgamento que Musk começou a criticar publicamente a empresa ainda em 2020, mas só formalizou o processo em 2024, quando a OpenAI já havia se tornado uma gigante global avaliada em centenas de bilhões de dólares.

Na prática, o mérito da acusação nem chegou a ser julgado profundamente. O tribunal basicamente decidiu que a discussão chegou tarde demais à Justiça. Mesmo assim, Musk reagiu com fúria.

Horas após a derrota, ele publicou uma sequência de mensagens na rede X afirmando que o tribunal não avaliou “o coração do caso”, apenas uma “questão técnica de calendário”.

Segundo Musk, Sam Altman e Greg Brockman enriqueceram usando uma estrutura criada originalmente como organização sem fins lucrativos.

“Eles roubaram uma caridade”, escreveu o bilionário.

O empresário também atacou a juíza responsável pelo caso, Yvonne Gonzalez Rogers, chamando-a de “juíza ativista de Oakland”.

Como a OpenAI virou um império

Para entender por que a disputa ficou tão gigantesca, é preciso voltar ao começo. A OpenAI nasceu em 2015 como um laboratório de pesquisa em inteligência artificial sem fins lucrativos. Elon Musk estava entre os fundadores e primeiros financiadores do projeto.

A proposta parecia quase idealista para os padrões do Vale do Silício: desenvolver IA avançada sem concentrar poder econômico em poucas empresas.

Mas o cenário mudou rapidamente. Depois da saída de Musk, em 2018, Sam Altman iniciou uma transformação estrutural que permitiu à OpenAI captar investimentos privados gigantescos — especialmente da Microsoft. Foi essa guinada que Musk passou a chamar de “traição da missão original”.

Nos anos seguintes, o ChatGPT explodiu mundialmente. A OpenAI virou peça central da corrida global da inteligência artificial, levantando bilhões para construir data centers, desenvolver chips e disputar espaço com Google, Meta e Anthropic.

Agora, com a derrota judicial de Musk, o caminho ficou praticamente livre para um possível IPO — a abertura de capital na Bolsa — que pode entrar para a história como uma das maiores já registradas no setor de tecnologia.

Contradição difícil de ignorar

Durante o julgamento, os advogados da OpenAI apresentaram documentos mostrando que o próprio Musk defendia mudanças parecidas anos atrás. Segundo os registros revelados no tribunal, o bilionário tentou transformar a OpenAI numa empresa com fins lucrativos ainda em 2017. Em determinado momento, chegou até a cogitar incorporar a organização à Tesla.

Isso enfraqueceu parte do discurso apresentado pela defesa do empresário. A OpenAI argumentou que Musk só passou a atacar o modelo empresarial depois que perdeu espaço dentro da companhia — e depois que o ChatGPT virou um fenômeno mundial sem ele.

Nos bastidores, a suspeita de uma guerra de mercado

Embora Musk continue insistindo que sua motivação é ética, muita gente no Vale do Silício acredita que o processo também teve um componente estratégico. Hoje o empresário controla a xAI, dona do chatbot Grok, concorrente direto do ChatGPT.

Nos bastidores da indústria, executivos e analistas enxergam a ação judicial como uma tentativa de desacelerar a OpenAI justamente no momento em que ela se preparava para abrir capital e consolidar domínio sobre o mercado de inteligência artificial.

O investidor Ross Gerber, que acompanha empresas ligadas a Musk há anos, classificou o processo como um “ataque movido pelo ego” e uma tentativa de “distrair e assediar” Sam Altman.

Outros observadores foram mais cautelosos. Alguns afirmam que, apesar da derrota, Musk conseguiu levantar uma discussão legítima: até que ponto uma organização criada sob discurso humanitário pode virar uma superpotência privada bilionária? Essa pergunta continuou ecoando, nos corredores do tribunal e nas ruas, mesmo após o veredito.

A guerra continua

A derrota judicial não significa que a disputa acabou. Os advogados de Musk confirmaram imediatamente que irão recorrer. E o próprio empresário deixou claro que não pretende abandonar o confronto.

Nos bastidores do julgamento, mensagens reveladas em tribunal mostraram o nível da deterioração pessoal entre Musk, Altman e Greg Brockman. Em uma delas, Musk chegou a escrever que os dois poderiam se tornar “os homens mais odiados da América”.

Ao mesmo tempo, ao que tudo indica, fato é que a OpenAI saiu fortalecida. A empresa preservou sua estrutura atual, manteve o apoio da Microsoft e ganhou tempo para continuar crescendo numa corrida tecnológica que movimenta trilhões de dólares.

No fim, a batalha judicial acabou deixando uma imagem quase simbólica do novo Vale do Silício: antigos aliados transformados em rivais bilionários, discutindo ética enquanto disputam o controle da tecnologia mais poderosa do século.

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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Ateliês de Nise da Silveira completam 80 anos e seguem transformando vidas pela arte e pelo cuidado

Experiência criada em 1946 revolucionou a saúde mental no Brasil ao substituir práticas violentas por acolhimento, expressão artística e dignidade humana

Experiência criada em 1946, por Nise da Silveira, revolucionou saúde mental no Brasil, trocando práticas violentas por expressão artística e dignidade
Ateliê do Museu de Imagens do Inconsciente - Divulgação - Museu de Imagens do Inconsciente

Há lugares onde a arte não nasce apenas da inspiração. Ela brota da sobrevivência. Vive e se atualiza na resistência.

Em uma sala silenciosa no bairro Engenho de Dentro, na zona norte do Rio de Janeiro, pincéis continuam deslizando sobre telas enquanto mãos moldam barro, bordam memórias e reinventam existências. O espaço parece simples à primeira vista, mas carrega uma das experiências mais revolucionárias da história da psiquiatria brasileira.

Neste 18 de maio, os ateliês terapêuticos criados pela médica psiquiatra Nise da Silveira completam 80 anos.

O aniversário marca não apenas a longevidade de um projeto pioneiro, mas a permanência de uma ideia que atravessou décadas enfrentando preconceitos, manicômios e tratamentos violentos: a noção de que pessoas em sofrimento psíquico precisam, antes de tudo, de escuta, dignidade e afeto.

A arte contra o silêncio dos manicômios

Criados em 1946, os ateliês surgiram como alternativa aos métodos considerados padrão na época — eletrochoques, isolamento e lobotomia. Enquanto boa parte da psiquiatria apostava na repressão da subjetividade, Nise fazia o caminho oposto: oferecia liberdade criativa.

Hoje, os espaços integram o Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro, considerado referência internacional em arteterapia e saúde mental. Ali está guardado o maior acervo do mundo do gênero: mais de 400 mil obras produzidas por pacientes ao longo de décadas. Desse total, 128 mil foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Quando a arte fala o que a dor não consegue dizer

Os ateliês seguem funcionando diariamente e atualmente atendem dezenas de pessoas encaminhadas pelo SUS, pelos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e por clínicas da família.

Dentro do método criado por Nise, ninguém é tratado apenas como paciente. Ela preferia chamá-los de “clientes”, numa tentativa de romper com a lógica manicomial tradicional que colocava pessoas em sofrimento psíquico em posição passiva diante do tratamento.

Hoje, sete atividades seguem ativas: pintura, cerâmica, teatro, ritmologia, corpo e movimento, atividades plásticas e rodas voltadas às questões femininas.

Segundo disse a psicóloga Adriana Lemos, coordenadora dos ateliês, à Agência Brasil, a arte muitas vezes alcança aquilo que a linguagem verbal não consegue expressar.

“O sofrimento não é apenas psíquico. Existe também toda uma vulnerabilidade social.”

Ela relata que alguns frequentadores conseguiram retomar vínculos familiares, ampliar autonomia e até ingressar no ensino superior. Neste ano, três participantes iniciaram cursos em instituições públicas do Rio de Janeiro.

A médica que revolucionou a psiquiatria brasileira

Nascida em Maceió, em 1905, Nise da Silveira enfrentou forte resistência dentro da própria medicina ao rejeitar tratamentos agressivos que dominavam a psiquiatria da época.

Inspirada também pelas ideias do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, ela passou a enxergar a arte como um caminho legítimo de reorganização emocional e reconstrução subjetiva.

Ao longo das décadas, seus ateliês deixaram de ser vistos apenas como “terapia ocupacional” e passaram a despertar interesse científico, artístico e acadêmico em diversos países.

Dragões, bordados e reconstruções silenciosas

No Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro, que também replica o modelo criado por Nise da Silveira, histórias de transformação seguem acontecendo diariamente.

Uma delas é a de Israel Alves Correia, conhecido pelos dragões que cria a partir de materiais reaproveitados como PVC, embalagens e peças plásticas.

Durante quase duas décadas ele produziu esculturas de bois e berrantes, até encontrar nos dragões sua principal forma de expressão artística.

Ele não vende as obras.

“Quem quiser ver meus trabalhos venha aqui.”

Para terapeutas e profissionais da saúde mental, os ateliês funcionam como espaços de ancoragem emocional, acolhimento e reconstrução de vínculos.

Um legado que segue vivo

As comemorações pelos 80 anos dos ateliês acontecem justamente no Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio.

Ao longo de todo o ano, o Museu de Imagens do Inconsciente abrirá os ateliês ao público em atividades gratuitas de criação livre e expressão artística.

A programação inclui fóruns científicos, exposições, cursos, debates e o lançamento do documentário Um Caminho para o Infinito: Emygdio de Barros, dedicado a um dos artistas revelados pelos ateliês de Nise.

O museu também trabalha na publicação internacional de livros da psiquiatra em inglês, francês e espanhol, além de ampliar intercâmbios com instituições estrangeiras interessadas em adaptar sua metodologia.

O objetivo é fazer com que as ideias de Nise da Silveira continuem atravessando universidades, políticas públicas e serviços de saúde mental no Brasil e no exterior.

Oito décadas depois, seus ateliês seguem lembrando algo que ainda parece urgente no mundo contemporâneo: cuidar de alguém também pode ser um ato de escuta, liberdade e criação.

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Um vídeo vindo da África chegou hoje à redação do Sulpost — e é impossível assistir sem sentir o coração apertar

Crianças de uma aldeia em Moçambique aparecem descalças, com fome e pedindo ajuda humanitária em gravação enviada hoje ao Sulpost pelo Bruxo Chik Jeitoso

 
Um vídeo vindo da África chegou hoje à redação do Sulpost — e é impossível assistir sem sentir o coração apertar. Crianças de uma aldeia em Moçambique aparecem descalças, com fome e pedindo ajuda humanitária em gravação enviada hoje ao Sulpost pelo Bruxo Chik Jeitoso.
Divulgação

Às vezes a internet para. Não pelas notícias políticas, pelas brigas ou pelo barulho diário das redes sociais. Mas por algo muito mais simples — e muito mais forte.

Hoje, um vídeo vindo de uma aldeia em Moçambique chegou até a redação do Sulpost através do parceiro Bruxo Chik Jeitoso. E por alguns minutos tudo pareceu pequeno diante das imagens.

No vídeo, crianças africanas aparecem reunidas em um campo de terra batida. Algumas estão sem chinelo. Outras vestem roupas já gastas pelo tempo. Muitas delas olham para a câmera com aquele tipo de olhar que não precisa de tradução.

Na aldeia, que fica na localidade de Mafambisse, próxima à Igreja de São Mateus, a imagem é de fome e abandono. Mas o pedido é de esperança de gente muito humilde tentando sobreviver. Com dificuldades para falar e emocionadas, as crianças fazem um pedido simples: ajuda para comer.

“Estamos pedindo ajuda. Não temos roupa, nem chinelo, não temos comida”, diz uma das crianças na gravação enviada ao blog.

Em outro momento, elas rezam juntas e pedem que Deus abençoe as pessoas que puderem estender a mão do outro lado do oceano.

“Abençoe a sua vida, a sua família e o seu trabalho”, repetem em coro.

 

Uma realidade dura em um dos países mais pobres do planeta

Moçambique, no sudeste da África, está entre os países com menor Índice de Desenvolvimento Humano do mundo. Mais da metade da população vive em situação de pobreza extrema e milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar diariamente.

A realidade em muitas aldeias é brutal. Falta comida, saneamento, acesso à saúde, educação e até água potável em diversas comunidades afastadas dos grandes centros.

O país também sofre constantemente com enchentes, ciclones e conflitos internos que acabam aprofundando ainda mais a crise humanitária.

E no meio disso tudo estão as crianças. Crianças que continuam sorrindo mesmo sem quase nada. Crianças que ainda acreditam que alguém pode ouvir.

Um pedido que atravessa continentes

Segundo o Bruxo Chik Jeitoso, o vídeo foi enviado diretamente por pessoas da comunidade africana com quem ele mantém contato solidário há algum tempo. A mobilização agora busca arrecadar ajuda humanitária para alimentação, roupas, chinelos e itens básicos para as crianças da aldeia.

Num mundo acostumado a ignorar a dor distante, talvez o mais importante neste momento seja justamente não virar o rosto. Porque para quem tem pouco, qualquer ajuda muda o dia. E para quem não tem nada, às vezes muda a vida.

Como ajudar

Quem desejar colaborar com a ação humanitária pode contribuir através da chave PIX divulgada pelos responsáveis pela campanha.

Chave PIX - CPF: 719.497.751-60 - em nome de Afonso João Joaquim (segundo informado no vídeo) - fizemos uma transferência simbólica, de pequeno valo, para conferir os dados.

O Sulpost reforça a importância de sempre verificar a autenticidade das campanhas solidárias antes de realizar contribuições financeiras.

Divulgação

Cientistas usam DNA da água do mar para mapear espécies na Bahia — e lembrar por que a vida na Terra é tão rara

Projeto brasileiro transforma amostras ambientais em pistas sobre biodiversidade, mudanças climáticas e preservação dos oceanos

Pesquisadores recolhem amostras marinhas - Robert Sforza/Divulgação

O mar parece silencioso quando visto da superfície. Mas, sob a água, existe uma biblioteca viva — antiga, delicada e cada vez mais ameaçada. Cada peixe que cruza um recife, cada tartaruga que mergulha no litoral brasileiro, cada camarão escondido nos manguezais deixa algo para trás: fragmentos invisíveis da própria existência.

Agora, cientistas brasileiros estão aprendendo a ouvir esses rastros.

No sul da Bahia, pesquisadores iniciaram uma nova etapa de um dos mais ambiciosos projetos de biodiversidade já realizados no país. A iniciativa utiliza uma técnica moderna chamada DNA Ambiental metabarcoding para identificar espécies marinhas sem precisar capturá-las. Basta coletar água do mar. Dentro dela, está registrada parte da história da vida naquele ecossistema.

O oceano fala através da genética

O trabalho integra o projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB), desenvolvido pelo Instituto Tecnológico Vale (ITV) em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Centro Tamar e reservas extrativistas do sul baiano.

Mais do que uma pesquisa científica, o estudo ajuda a lembrar algo que a humanidade frequentemente esquece: a vida na Terra é rara. Talvez raríssima.

Em um universo praticamente infinito, ainda não encontramos outro planeta com oceanos pulsando vida, florestas respirando, pássaros migrando ou recifes funcionando como cidades submarinas. Tudo o que conhecemos sobre existência biológica está concentrado aqui — numa fina camada azul ao redor de um pequeno planeta.

E mesmo assim, essa vida vem sendo pressionada diariamente. Os oceanos aquecem. Espécies desaparecem antes mesmo de serem totalmente estudadas. Corais sofrem branqueamento. Manguezais recuam. A pesca predatória altera cadeias inteiras de sobrevivência. Em muitos lugares, a destruição acontece em silêncio, sem manchetes.

Como funciona o DNA ambiental

Segundo disse à Agência Brasil a coordenadora do GBB pelo ICMBio, Amely Branquinho Martins, todo organismo deixa pequenas marcas biológicas nos ambientes por onde passa — escamas, pelos, urina, fezes ou partículas microscópicas contendo DNA.

Quando os pesquisadores coletam amostras da água, conseguem sequenciar esse material genético e compará-lo com bancos de dados científicos. Na prática, isso significa que um simples tubo de água pode revelar quais espécies vivem ali, inclusive animais raros, ameaçados ou difíceis de observar. É como se o oceano nos contasse uma história através da genética.

Nas reservas extrativistas de Corumbau e Cassurubá, os pesquisadores coletaram amostras em dezenas de pontos estratégicos. O objetivo é mapear espécies importantes para o equilíbrio ambiental e também para as comunidades tradicionais que dependem da pesca e do extrativismo.

Entre os organismos monitorados estão peixes recifais, camarões, moluscos, caranguejos e espécies ameaçadas de extinção, como os budiões — fundamentais para a saúde dos corais brasileiros. Também entram no radar espécies invasoras, como o peixe-leão e o coral-sol, capazes de desequilibrar ecossistemas inteiros.

Ciência sem destruir a natureza

O método tem outra vantagem importante: ele reduz impactos sobre os próprios animais.

Sem necessidade de captura, armadilhas ou perseguição, a técnica é considerada não invasiva. Em muitos casos, ela consegue inclusive superar limitações dos métodos tradicionais de monitoramento da biodiversidade.

O pesquisador Alexandre Aleixo, coordenador do GBB pelo ITV, explica que praticamente qualquer ambiente guarda vestígios genéticos: água, solo, folhas, troncos e até o ar. A ideia pode soar futurista, mas já é realidade em vários países.

Uma cápsula do tempo para entender o clima

Há um detalhe fascinante nisso tudo: o DNA funciona como uma cápsula do tempo. Através dele, cientistas conseguem compreender como espécies sobreviveram a mudanças climáticas do passado, incluindo períodos extremos como a Era do Gelo. Essas informações podem ajudar a prever quais organismos têm maior capacidade de adaptação diante das mudanças climáticas atuais — talvez o maior desafio ambiental deste século.

A pesquisa brasileira também se conecta a uma questão econômica e social. Preservar biodiversidade não significa congelar a natureza distante da vida humana. Significa proteger fontes de alimento, renda, equilíbrio climático, medicamentos, água limpa e estabilidade ecológica.

Quando uma espécie desaparece, não some apenas um animal. Some uma peça inteira de um sistema que levou milhões de anos para se formar.

O Brasil tentando ouvir a própria biodiversidade

Desde 2023, o projeto GBB já sequenciou centenas de espécies e dezenas de genomas de referência, incluindo animais emblemáticos da fauna brasileira, como onças, antas, araras e espécies amazônicas de importância ecológica e econômica. No futuro, o projeto pretende expandir o monitoramento para outros biomas brasileiros, incluindo Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampa.

Há algo simbólico no fato de cientistas brasileiros estarem recolhendo pequenas amostras de água para compreender a imensidão da vida. Porque preservar o planeta talvez comece exatamente assim: aprendendo primeiro a enxergar valor no que quase ninguém vê.

Os oceanos não são apenas paisagem. As florestas não são obstáculos ao progresso. E os animais não são figurantes da existência humana. Todos fazem parte de um equilíbrio extremamente raro no cosmos conhecido. E essa raridade impõe uma responsabilidade coletiva.

Cuidar da biodiversidade deixou de ser apenas uma pauta ambiental. Hoje, é uma questão de sobrevivência civilizatória.

O resultado do projeto pode ser acessado por meio da plataforma GenRefBR

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domingo, 17 de maio de 2026

Trabalhador por conta própria já enfrenta jornadas maiores que as previstas na CLT no Brasil

Dados do IBGE revelam rotina puxada de motoristas, entregadores e autônomos em meio ao debate nacional sobre redução da carga semanal de trabalho

Dados do IBGE revelam rotina puxada de motoristas, entregadores e autônomos em meio ao debate nacional sobre redução da carga semanal de trabalho
Motoboy está entre os trabalhadores por conta própria com a maior jornada diária de trabalho
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O despertador toca cedo. Em muitos casos, antes do sol nascer. Para milhões de brasileiros que vivem do próprio trabalho, o expediente não termina quando o relógio marca o fim da tarde. Ele continua na corrida seguinte, na entrega extra, no último passageiro da noite ou na tentativa de fechar mais uma venda antes de voltar para casa.

Os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ajudam a dimensionar essa realidade. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, referente ao primeiro trimestre de 2026, os trabalhadores por conta própria registraram a maior jornada média do país: 45 horas semanais.

O tempo supera em mais de cinco horas a carga média enfrentada pelos empregados do setor público e da iniciativa privada. Enquanto a média geral dos ocupados ficou em 39,2 horas semanais, os empregados registraram 39,6 horas. Já os empregadores apresentaram média de 37,6 horas trabalhadas por semana.

O levantamento considera pessoas com 14 anos ou mais e inclui diferentes formas de ocupação, com ou sem carteira assinada, temporários, informais e trabalhadores autônomos.

A realidade dos autônomos

Hoje, o Brasil possui cerca de 25,9 milhões de trabalhadores por conta própria. O grupo representa 25,5% de toda a população ocupada no país. Entre os exemplos mais comuns estão motoristas e entregadores por aplicativo, vendedores ambulantes, pequenos comerciantes e prestadores de serviço que dependem diretamente do próprio esforço diário para garantir renda.

Na definição do IBGE, trabalhador por conta própria é aquele que atua explorando o próprio empreendimento, sozinho ou com sócio, sem manter empregados fixos. Em muitos casos, a sobrevivência financeira depende diretamente do número de horas trabalhadas.

E existe um detalhe importante nesse cenário: diferente de empresas maiores ou empregadores tradicionais, o trabalhador autônomo quase nunca consegue delegar funções. Quando ele para, a renda também para.

O analista da pesquisa, William Kratochwill, explicou à Agência Brasil que os trabalhadores classificados como empregados acabam ficando mais próximos dos limites previstos pela legislação trabalhista brasileira.

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece jornada máxima semanal de 44 horas, normalmente distribuídas em oito horas por dia, além da possibilidade de até duas horas extras diárias. Existem exceções, como a escala 12x36, comum em áreas como saúde e segurança.

“Mesmo que o trabalhador não seja formalizado, há uma tendência do mercado de seguir o padrão da lei”, observou o pesquisador do IBGE.

Para quem trabalha por conta própria, no entanto, esse limite praticamente desaparece.

“Se quiser trabalhar 24 horas por dia, ele pode, não tem nada que o impeça, a não ser a sua própria limitação”, destacou Kratochwill ao comentar os dados.

Já no caso dos empregadores, o cenário costuma ser diferente justamente pela possibilidade de distribuir tarefas entre funcionários e equipes.

Auxílio familiar e informalidade

A pesquisa também analisou os chamados trabalhadores auxiliares familiares — pessoas que ajudam parentes em negócios, atividades agrícolas ou pequenos comércios sem receber pagamento direto em dinheiro.

Nesse grupo, a jornada média registrada foi de 28,8 horas semanais no primeiro trimestre de 2026.

O dado revela outra camada silenciosa do mercado de trabalho brasileiro: milhões de pessoas que contribuem para sustentar atividades familiares sem vínculo formal e muitas vezes sem qualquer proteção previdenciária.

Debate sobre jornada ganha força

A divulgação dos dados acontece justamente em um momento em que o país acompanha o avanço das discussões sobre mudanças na jornada de trabalho.

No Congresso Nacional, tramitam propostas que defendem a redução da carga semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial, além do fim da escala 6x1 — modelo em que o trabalhador tem apenas um dia de folga por semana. As propostas incluem duas PECs e um projeto de lei apresentado pelo governo federal.

Na última quarta-feira (13), representantes do governo e da Câmara dos Deputados chegaram a um acordo político para avançar na tramitação das propostas que estabelecem a adoção da escala 5x2.

Enquanto o debate segue nos corredores de Brasília, a realidade das ruas continua sendo marcada por jornadas longas, aplicativos ligados até tarde da noite e trabalhadores que, muitas vezes, ultrapassam os próprios limites físicos para conseguir fechar as contas no fim do mês.

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18 de Maio mobiliza fábricas e trabalhadores da Grande Curitiba em campanha do SMC contra violência infantil

Sindicato intensifica ações de conscientização nas portas das fábricas e reforça importância da denúncia e da proteção coletiva de crianças e adolescentes

18 de Maio mobiliza fábricas e trabalhadores da Grande Curitiba em campanha do SMC contra violência infantil. Sindicato intensifica ações de conscientização nas portas das fábricas e reforça importância da denúncia e da proteção coletiva de crianças e adolescentes.

O som da fábrica, o movimento apressado das trocas de turno e a rotina pesada da indústria na Região Metropolitana de Curitiba, nesta semana ganharam outro tipo de alerta. Entre boletins sindicais, conversas rápidas no café e materiais distribuídos nas entradas das empresas, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) intensificou a mobilização do 18 de Maio — Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

A campanha, realizada em meio ao chamado Maio Laranja, leva para dentro do ambiente de trabalho uma discussão que normalmente permanece oculta na intimidade do lar, no sentimento de vergonha, muitas vezes, do medo e do silêncio das vítimas. A proposta do Sindicato é ampliar a conscientização entre trabalhadores, famílias e comunidades sobre sinais de abuso, prevenção e canais de denúncia.

Instituída pela Lei Federal nº 9.970/2000, a data nacional relembra o caso da menina Araceli Cabrera Sánchez, assassinada em 1973, em um crime que se tornou símbolo da luta contra a violência sexual infantojuvenil no Brasil.

Nas ações realizadas pelo SMC, o discurso é direto: proteger crianças e adolescentes não é responsabilidade apenas das famílias ou das autoridades. É uma tarefa comunitária, coletiva.

Durante a mobilização, o Sindicato distribui materiais informativos nas fábricas e reforça mensagens de acolhimento e orientação nos canais oficiais da entidade. O foco está principalmente na identificação precoce de sinais de violência, na importância da denúncia e acompanhamento dessas crianças e jovens.

18 de Maio mobiliza fábricas e trabalhadores da Grande Curitiba em campanha do SMC contra violência infantil
SMC/Reprodução

Sinais que merecem atenção

Entre os sinais que podem indicar situações de abuso estão:

  • Medo excessivo ou tristeza constante;
  • Isolamento social;
  • Mudanças bruscas de comportamento;
  • Agressividade ou ansiedade;
  • Queda no rendimento escolar;
  • Conhecimento sexual incompatível com a idade;
  • Marcas físicas sem explicação.

A campanha também chama atenção para o crescimento dos casos de exploração sexual no ambiente digital. O aumento do acesso de crianças e adolescentes às redes sociais e plataformas online ampliou os riscos de aliciamento, exposição e circulação criminosa de imagens de abuso e violência sexual infantil.

O alerta do SMC acompanha uma preocupação nacional. Neste mês, o governo federal promove ações integradas de enfrentamento à violência sexual infantil, incluindo campanhas educativas, reforço das redes de proteção e debates sobre segurança digital envolvendo crianças e adolescentes.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania realiza neste mês, em Brasília, o III Congresso Brasileiro de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, reunindo especialistas, conselhos tutelares, movimentos sociais e representantes da rede pública de proteção.

Silêncio protege o agressor

Enquanto isso, no chão das fábricas da Grande Curitiba, a campanha do SMC tenta transformar informação em prevenção. Para dirigentes sindicais, falar sobre o tema ainda é um desafio porque a violência sexual infantil frequentemente acontece dentro de círculos próximos da vítima.

Por isso, a orientação é clara: observar mudanças de comportamento, escutar sem julgamento, acolher com cuidado e denunciar.

Casos suspeitos podem ser denunciados de forma anônima pelo Disque 100, canal nacional de proteção aos direitos humanos, disponível 24 horas por dia. Em situações envolvendo imagens ou vídeos de abuso sexual infantil na internet, as denúncias também podem ser feitas pela plataforma denuncie.org.br.

A campanha nacional “Faça Bonito”, símbolo do 18 de Maio, reforça exatamente essa mensagem: o silêncio protege o agressor. Denunciar é um ato de proteção.

No entendimento do Sindicato, defender a infância e a adolescência parte da luta por dignidade social. Afinal, quem protege crianças e adolescentes protege também o futuro das famílias, que são a base da sociedade.

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sábado, 16 de maio de 2026

Datafolha mostra Lula à frente no 1º turno e empate técnico com Flávio Bolsonaro no 2º

Pesquisa divulgada neste sábado (16) foi realizada antes da crise envolvendo Daniel Vorcaro ganhar força nacional; entretanto novos levantamentos já apontam desgaste do senador do PL — tracking Atlas já mostra Lula abrindo 7 pontos no 2º turno 

 
Segundo os números do tracking, Lula teria 49,1% contra 42,6% de Flávio Bolsonaro. Nos votos válidos, o cenário projetado seria de 54% a 46% para o atual presidente. Pesquisa divulgada neste sábado (16) foi realizada antes da crise envolvendo Daniel Vorcaro ganhar força nacional; entretanto novos levantamentos já apontam desgaste do senador do PL — tracking Atlas já mostra Lula abrindo 7 pontos no 2º turno
Site "O Cafezinho" - Reprodução 

O cenário da corrida presidencial de 2026 ganhou novos contornos neste sábado (16), com a divulgação da nova pesquisa Datafolha, que mostra o presidente Lula (PT) liderando o primeiro turno e empatado tecnicamente com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma eventual disputa de segundo turno.

O levantamento ouviu 2.004 eleitores em 139 municípios entre os dias 12 e 13 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00290/2026.

No principal cenário de primeiro turno, Lula aparece com 38% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro soma 35%. Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) marcaram 3% cada. Renan Santos aparece com 2%, e Cabo Daciolo, com 1%. Brancos e nulos somam 9%, enquanto 3% disseram não saber em quem vão votar.

Já na simulação de segundo turno, Lula e Flávio aparecem numericamente empatados, ambos com 45% das intenções de voto. Outros 9% afirmaram votar em branco, nulo ou em nenhum dos dois candidatos.

A pesquisa vem atrelada a um detalhe considerado decisivo nos bastidores políticos: a maior parte das entrevistas ocorreu antes da repercussão nacional do caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O episódio passou a ser chamado informalmente de “caso Dark Horse” ou “BolsoMaster” após a divulgação de áudios e mensagens relacionados ao financiamento de um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante a tarde de ontem (15), o tracking diário realizado por veículos de imprensa começaram a indicar reflexos políticos da crise. Dados do Instituto Atlas, divulgados e publicados pela CNN Brasil, nesta sexta-feira, apontam Lula abrindo sete pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro em um cenário de segundo — a sondagem foi realizada após o vazamento dos áudios pelo site The Intercept Brasil.

Segundo os números do tracking, Lula teria 49,1% contra 42,6% de Flávio Bolsonaro. Nos votos válidos, o cenário projetado seria de 54% a 46% para o atual presidente.

A leitura predominante entre analistas políticos em Brasília é que o desgaste teria atingido principalmente eleitores moderados e indecisos, segmento considerado estratégico numa disputa polarizada.

A nova pesquisa Datafolha também mediu rejeição. Lula aparece com 47% de rejeição, enquanto Flávio Bolsonaro registra 43%. Os índices permanecem relativamente estáveis em relação ao levantamento anterior.

Na pesquisa espontânea — quando os nomes não são apresentados aos entrevistados — Lula lidera com 27% das citações, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 18%. Jair Bolsonaro, inelegível, ainda foi citado por parte dos entrevistados.

Outro dado observado nos bastidores é a dificuldade dos nomes alternativos da direita em romper a polarização nacional. Zema e Caiado mantêm rejeição menor, mas ainda enfrentam alto índice de desconhecimento entre os eleitores.

Enquanto isso, o ambiente político em Brasília permanece em estado de atenção. Integrantes do PL tentam conter os danos da crise envolvendo Vorcaro, enquanto setores da direita já discutem, reservadamente, possíveis rearranjos caso a turbulência continue avançando sobre a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. O nome da ex primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a circular fortemente entre a ala mais conservadora do partido.

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Dino abre investigação sigilosa sobre emendas ligadas ao filme de Bolsonaro

Supremo quer rastrear destino de recursos enviados por parlamentares do PL para ONGs associadas à produtora do longa “Dark Horse”, cinebiografia ainda inédita do ex-presidente

Dino abre investigação sigilosa sobre emendas ligadas ao filme de Bolsonaro. Supremo quer rastrear destino de recursos enviados por parlamentares do PL para ONGs associadas à produtora do longa “Dark Horse”, cinebiografia ainda inédita do ex-presidente
Ministro Flávio Dino - Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Brasília amanheceu mais uma vez atravessada por uma pergunta que insiste em voltar ao centro da política brasileira: afinal, para onde está indo o dinheiro das emendas parlamentares?

Na sexta-feira (15), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de uma investigação preliminar — e sob sigilo — para apurar o envio de recursos públicos a organizações ligadas à produtora responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A decisão amplia uma ofensiva que já vinha sendo construída discretamente dentro do STF desde março, quando começaram a surgir suspeitas sobre o destino de verbas parlamentares destinadas a entidades culturais conectadas ao mesmo grupo empresarial responsável pela produção do longa.

No centro da apuração estão o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura, duas ONGs associadas à produtora audiovisual Go Up Entertainment. Segundo as representações apresentadas pelos deputados Tabata Amaral e Pastor Henrique Vieira, parlamentares do PL teriam direcionado emendas para essas entidades enquanto elas mantinham vínculos com a produção do filme sobre Bolsonaro.

Entre os nomes citados aparecem os deputados Mário Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon. Frias, ex-secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro e um dos entusiastas do projeto cinematográfico, teria destinado cerca de R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil entre 2024 e 2025.

O caso ganhou dimensão ainda maior depois que o site The Intercept revelou diálogos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a reportagem, Flávio teria buscado apoio financeiro privado para concluir o filme, com negociações que chegariam a R$ 134 milhões.

Parte desse valor, segundo os relatos publicados, teria começado a circular antes da interrupção das tratativas. O senador nega irregularidades. Disse que não houve promessa de vantagem indevida e afirmou que os recursos discutidos eram privados.

Já a produtora Go Up Entertainment divulgou nota negando ter recebido dinheiro diretamente de Vorcaro ou do Banco Master.

Nos bastidores de Brasília, o episódio passou a ser tratado como mais um teste para a política de rastreabilidade das emendas parlamentares defendida por Dino no Supremo. Desde o auge das discussões sobre o chamado “orçamento secreto”, o ministro vem endurecendo exigências de transparência e cobrando identificação detalhada sobre a destinação de recursos públicos.

A representação apresentada ao STF sustenta que existiria um “ecossistema de pessoas jurídicas interconectadas”, expressão usada nos autos para descrever a relação entre ONGs, produtoras e empresas culturais associadas à mesma direção administrativa.

O receio apontado pelos parlamentares autores da denúncia é de que a estrutura tenha dificultado a rastreabilidade dos recursos.

Outro elemento que chamou atenção do Supremo foi a dificuldade para localizar Mário Frias. Oficiais de Justiça tentam, há semanas, intimar o deputado para prestar esclarecimentos. Diante da ausência, Dino solicitou à Câmara dos Deputados informações sobre os endereços residenciais do parlamentar em Brasília e São Paulo.

Enquanto isso, o filme Dark Horse — ainda não lançado — continua cercado por turbulência política antes mesmo de chegar às telas. O projeto, pensado para narrar a trajetória de Bolsonaro como fenômeno político nacional, acabou empurrado para o centro de uma investigação que mistura dinheiro público, financiamento privado, guerra ideológica e disputa de narrativa às vésperas do ciclo eleitoral de 2026.

E em Brasília, quando cinema, emenda parlamentar e campanha política começam a aparecer na mesma frase, dificilmente a história termina nos créditos finais. Agora é estourar pipoca e aguardar as cenas dos próximos capítulos.

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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Mata Atlântica respira: desmatamento cai 28% e atinge menor nível da série histórica

Redução chegou a 40% nas florestas maduras e especialistas afirmam que fiscalização ambiental começa a produzir resultados concretos no bioma mais devastado do Brasil

Mata Atlântica respira: desmatamento cai 28% e atinge menor nível da série histórica. Redução chegou a 40% nas florestas maduras e especialistas afirmam que fiscalização ambiental começa a produzir resultados concretos no bioma mais devastado do Brasil.

O verde ainda resiste. E, desta vez, com um raro sinal de alívio vindo das matas brasileiras. Depois de décadas acumulando cicatrizes silenciosas, a Mata Atlântica registrou em 2025 a menor taxa de desmatamento desde o início do monitoramento histórico.

A queda foi de 28% em relação ao ano anterior — um dado que, sozinho, já seria expressivo. Mas existe um detalhe ainda mais simbólico: nas áreas de florestas maduras, aquelas mais antigas e biodiversas, a redução chegou a 40%.

Os números divulgados nesta quarta-feira (13) pela Fundação SOS Mata Atlântica mostram que a devastação caiu de 53.303 hectares em 2024 para 38.385 hectares em 2025. Já no levantamento realizado pelo Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, o desmate das florestas maduras despencou de 14.366 hectares para 8.668 hectares — a primeira vez, em quatro décadas, que o índice anual fica abaixo da marca dos 10 mil hectares.

Um respiro raro para um bioma ameaçado

É uma notícia importante. Talvez uma das mais relevantes do ano na área ambiental. A Mata Atlântica é o bioma mais devastado do Brasil. Restam apenas fragmentos espalhados entre cidades, rodovias, áreas agrícolas e regiões urbanizadas. Mesmo assim, ela continua sendo essencial para o abastecimento de água, para a estabilidade climática e para a sobrevivência de milhares de espécies da fauna e da flora brasileiras.

Os dados fazem parte do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica, desenvolvido pela SOS Mata Atlântica em parceria com a MapBiomas e a Arcplan. O levantamento aponta redução do desmatamento em 11 dos 17 estados abrangidos pelo bioma.

Bahia e Minas ainda lideram perdas florestais

Apesar da desaceleração, alguns estados continuam concentrando a maior parte da devastação registrada no país.

A Bahia lidera o ranking com 17.635 hectares desmatados em 2025. Em seguida aparecem Minas Gerais, com 10.228 hectares, Piauí, com 4.389 hectares, e Mato Grosso do Sul, com 1.962 hectares.

Juntos, esses quatro estados responderam por 89% de toda a área devastada identificada no período.

Segundo a SOS Mata Atlântica, cerca de 96% das áreas destruídas foram convertidas para uso agropecuário, muitas delas com indícios de ilegalidade.

Fiscalização e pressão social ajudaram na queda

Os pesquisadores avaliam que a redução do desmatamento está diretamente ligada ao fortalecimento da fiscalização ambiental e ao aumento da pressão pública sobre crimes ambientais.

Entre as ações citadas estão a Operação Mata Atlântica em Pé, os embargos remotos aplicados em áreas ilegais e a restrição de crédito rural para propriedades desmatadas irregularmente.

A própria Lei da Mata Atlântica aparece no relatório como um dos principais instrumentos de proteção do bioma.

Especialistas alertam para risco de retrocessos

Apesar dos números positivos, ambientalistas afirmam que o cenário ainda exige vigilância permanente.

“O desmatamento continua acontecendo e, na Mata Atlântica, cada fragmento perdido faz diferença”, alertou Luis Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da SOS Mata Atlântica. “O desafio é manter essa trajetória até zerarmos o desmatamento.”

A entidade também demonstrou preocupação com recentes mudanças aprovadas pelo Congresso Nacional, como a Lei Geral do Licenciamento Ambiental e a chamada Lei da Licença Ambiental Especial.

Na avaliação da fundação, as novas regras podem enfraquecer mecanismos de controle justamente no momento em que os dados mostram que a fiscalização vem funcionando.

“Os números apontam que o desmatamento cai quando a lei é aplicada com rigor e critérios técnicos. Enfraquecer os instrumentos de proteção agora é arriscar o que levamos anos construindo”, afirmou Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica à Agência Brasil.

Quando preservar deixa de ser discurso

Num país acostumado a acompanhar recordes negativos na área ambiental, os números de 2025 carregam um significado raro: o de que preservar ainda é possível quando existe fiscalização, pressão social e vontade política.

A Mata Atlântica ainda está ameaçada. Ainda perde árvores todos os dias. Ainda enfrenta interesses econômicos poderosos. Mas, pela primeira vez em muito tempo, ela parece respirar um pouco melhor.

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Escândalo BolsoMaster abala 2026

Tracking diário da Atlas divulgado pela CNN mostra Lula abrindo sete pontos sobre Flávio Bolsonaro após crise envolvendo Daniel Vorcaro; operação da PF contra aliado do PL no Rio amplia desgaste da direita — pré-candidatura de Flávio Bolsonaro parece estar derretendo

 
Escândalo BolsoMaster abala 2026 — Tracking diário da Atlas divulgado pela CNN mostra Lula abrindo sete pontos sobre Flávio Bolsonaro após crise envolvendo Daniel Vorcaro; operação da PF contra aliado do PL no Rio amplia desgaste da direita — pré-candidatura de Flávio Bolsonaro parece estar derretendo

O clima mudou rápido no tabuleiro de 2026. Em poucos dias, a direita brasileira saiu da expectativa de consolidação em torno da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para uma sequência de crises que começou nos bastidores financeiros e desembarcou no centro da disputa presidencial.

Trackings diários do Instituto Atlas, divulgados pela CNN Brasil nesta sexta-feira (15), indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu vantagem de sete pontos percentuais sobre o senador Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno.

Segundo os dados atualizados às 11h, Lula aparece com 49,1% das intenções de voto, contra 42,6% de Flávio. Nos votos válidos, o cenário projetado pelo instituto aponta 54% para o petista e 46% para o senador.

A virada acontece logo após o vazamento de áudios em que Flávio menciona negociações milionárias com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. O episódio atingiu em cheio um dos pilares do discurso bolsonarista: o combate às velhas estruturas de poder e ao sistema financeiro tradicional.

Nos bastidores políticos, a leitura predominante é de que o desgaste não veio apenas da revelação do contato com Vorcaro, mas da sensação de contradição entre o discurso público da direita radical e as relações expostas nos áudios.

O impacto parece ter atingido principalmente o eleitor moderado e indeciso — justamente a faixa do eleitorado considerada decisiva em um eventual segundo turno.

Enquanto isso, os demais nomes da direita, como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, registraram apenas oscilações discretas nas simulações monitoradas pelo Atlas.

Mas o desgaste não parou nos áudios. Na manhã desta sexta-feira, uma operação da Polícia Federal envolvendo suspeitas ligadas à refinaria Refit colocou o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro — aliado histórico do bolsonarismo e filiado ao PL — no centro de uma nova crise política.

A sucessão de episódios em menos de uma semana ampliou a sensação de turbulência dentro da direita, especialmente no Rio de Janeiro, estado que já carrega um histórico recente de escândalos políticos envolvendo governadores e grupos de influência.

Dentro do campo conservador, o ambiente já não é de unanimidade. Parte da base bolsonarista mantém o discurso de perseguição política. Outra ala, porém, passou a demonstrar preocupação com os efeitos acumulados das crises sobre a imagem moral construída pela direita desde 2018.

Nos corredores de Brasília, aliados de outros presidenciáveis conservadores começaram a enxergar espaço para reposicionamento. O cálculo é simples: se o desgaste continuar crescendo, a disputa pela liderança da direita em 2026 pode deixar de ser automática para o clã Bolsonaro. E isso já começa a aparecer nas pesquisas.

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