sexta-feira, 22 de maio de 2026

Justiça dissolve Conselho Municipal de Saúde de São José dos Pinhais após ação do MP

Decisão aponta “graves irregularidades estruturais”, suspende conferências e afasta presidente do colegiado. Nos bastidores, fontes relatam que o caso também estaria sob análise do GAECO

Decisão aponta “graves irregularidades estruturais”, suspende conferências e afasta presidente do colegiado. Nos bastidores, fontes relatam que o caso também estaria sob análise do GAECO. Justiça desmonta Conselho Municipal de Saúde de São José dos Pinhais após ação do MP.
Posse do Conselho Municipal de Saúde de São José dos Pinhais em 07/05/24, juntamente com a mesa diretora que deveria ocupar o biênio 2024-2026 - Divulgação/Internet

O clima nos corredores da saúde pública de São José dos Pinhais amanheceu diferente nesta quinta-feira. A decisão saiu com peso de intervenção institucional: a Justiça do Paraná determinou a desconstituição provisória de toda a atual composição do Conselho Municipal de Saúde do município, após uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público.

A medida, assinada pelo juiz Siderlei Ostrufka Cordeiro, da Vara da Fazenda Pública de São José dos Pinhais, fala em “graves irregularidades estruturais” no funcionamento do órgão responsável pelo controle social do SUS no município.

Entre os problemas apontados estão denúncias de perseguição política, falhas em processos eleitorais, ausência de transparência, exclusão arbitrária de entidades e possível conflito de interesses envolvendo a presidência do conselho.

“Os elementos probatórios até então produzidos indicam possível afronta às disposições da Lei Federal nº 8.142/1990, da Resolução nº 453/2012 do Conselho Nacional de Saúde, da Lei Municipal nº 1.435/2009 e do próprio Regimento Interno do Conselho Municipal de Saúde.”

Segundo a decisão judicial, o Ministério Público acompanha a situação desde 2023 e reuniu atas, relatórios técnicos, oitivas, registros audiovisuais e documentos administrativos que indicariam violações à legislação federal e às normas do Conselho Nacional de Saúde.

O magistrado considerou haver elementos suficientes para reconhecer, em caráter liminar, risco de comprometimento da legitimidade do conselho e do próprio sistema de participação popular na saúde pública municipal.

Entre os trechos mais duros da decisão está o reconhecimento de “indícios consistentes” de irregularidades na composição do colegiado, ocupação indevida de cadeiras representativas, ausência de alternância entre segmentos e supressão de registros públicos.

O que a Justiça determinou

  • Desconstituição provisória da atual composição do Conselho Municipal de Saúde;
  • Suspensão imediata das pré-conferências e da Conferência Municipal de Saúde;
  • Reorganização do processo eleitoral do conselho;
  • Transferência provisória da condução administrativa ao Conselho Estadual de Saúde;
  • Afastamento cautelar do então presidente do colegiado, Fabrício Alves Tambolo.

Outro ponto sensível envolve um suposto conflito de interesses atribuído ao presidente afastado. A ação menciona vínculos familiares com empresa contratada pelo município para prestação de serviços na área da saúde, situação que, segundo o Ministério Público, poderia afrontar princípios da moralidade e impessoalidade administrativa.

A decisão também alerta para o risco de prejuízo ao repasse de recursos públicos da saúde devido à ausência de deliberação sobre o Relatório Anual de Gestão e à inexistência de um Plano Municipal de Saúde em vigência.

Nos bastidores, fontes ouvidas pelo Sulpost afirmam que o caso também estaria sendo acompanhado pelo GAECO, braço do Ministério Público especializado no combate ao crime organizado e na investigação de estruturas ilícitas envolvendo agentes públicos. Até o momento, porém, não houve confirmação oficial sobre eventual investigação criminal paralela à decisão.

A crise explode justamente num momento delicado da saúde pública em São José dos Pinhais, município que recentemente ampliou estruturas de atendimento do SUS, com aportes consideráveis de dinheiro público,  e vem concentrando debates sobre contratos, terceirizações e gestão da saúde municipal.

A liminar agora fixa prazo de 10 dias para cumprimento das determinações judiciais, sob pena de multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 60 mil. Até o momento do fechamento desta postagem, as partes citadas não se manifestaram. O espaço permanece aberto para manifestação das pessoas e entidades citadas na matéria.

Veja também: Processo nº 0000237-81.2026.8.16.0202 — Vara da Fazenda Pública de São José dos Pinhais (TJPR).

Dinossauros roubados, ciência saqueada: o Brasil tenta trazer sua memória de volta para casa

Fósseis retirados ilegalmente do país revelam uma velha ferida colonial ainda aberta — e mostram como o patrimônio científico brasileiro virou troféu em museus estrangeiros

Fóssil Ubirajara Jubatus repatriado da Alemanha para o Brasil - Joédson Alves/Agência Brasil
Fóssil Ubirajara Jubatus repatriado da Alemanha para o Brasil - Joédson Alves/Agência Brasil

O sertão do Araripe é como um túnel do tempo, ele guarda histórias de um mundo antigo que se revela em grandes quantidades de fósseis. Debaixo da terra seca do Ceará, Pernambuco e Piauí repousam criaturas que viveram em nosso planeta há mais de 100 milhões de anos. Dinossauros, peixes primitivos, insetos fossilizados, marcas de um mundo pré-histórico, perdido no passado.

Durante décadas, parte dessa memória brasileira atravessou oceanos escondida em caixas, coleções privadas e corredores de museus europeus. Agora, o Brasil tenta trazer de volta aquilo que nunca deveria ter saído daqui. Aquilo que foi roubado do Brasil.

O debate ganhou força com a repatriação do fóssil do dinossauro Ubirajara jubatus, devolvido pela Alemanha em 2023 após intensa pressão diplomática, científica e popular. O animal viveu há cerca de 110 milhões de anos na região da Bacia do Araripe e havia sido levado para a Europa nos anos 1990. Hoje, finalmente, integra o acervo do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri, no Ceará.

Mas o Ubirajara é apenas um caso entre muitos. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o Brasil mantém atualmente ao menos 20 negociações internacionais para recuperar fósseis, peças arqueológicas e patrimônios históricos espalhados por pelo menos 14 países. Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Suíça e Japão aparecem entre os destinos mais recorrentes dessas relíquias brasileiras.

O nome dado a esse fenômeno é pesado — e preciso: colonialismo científico. Prática desigual em que pesquisadores de países desenvolvidos exploram os recursos e populações do Brasil, se apoderando de materiais, dados e resultados, sem o devido reconhecimento, participação ativa ou benefício para a comunidade científica local.

Quando a ciência vira extração

A paleontóloga Aline Ghilard, coordenadora do DinoLab da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em entrevista à Agência Brasil, define o problema de maneira direta: países ricos continuam tratando territórios do Sul Global como áreas de coleta.

Museus europeus e universidades estrangeiras acumulam, há décadas, materiais retirados da América Latina, África e Ásia sob relações profundamente desiguais de poder. Não raro, pesquisadores estrangeiros chegam, coletam fósseis, levam para fora e publicam estudos sem participação significativa de cientistas brasileiros.

Um levantamento publicado na revista Palaeontologia Electronica identificou que quase metade das publicações científicas analisadas sobre fósseis da Bacia do Araripe entre 1955 e 2025 foi produzida exclusivamente por pesquisadores estrangeiros, sem coautoria brasileira. Outro estudo mostrou que 88% dos fósseis descritos em pesquisas internacionais entre 1990 e 2020 foram retirados do Brasil e permanecem no exterior.

A consequência disso não é apenas simbólica. Quando os fósseis deixam o país, vão junto oportunidades científicas, investimentos, turismo cultural, formação acadêmica e reconhecimento internacional. Descobertas feitas com patrimônio brasileiro acabam gerando prestígio, recursos e protagonismo para instituições estrangeiras — enquanto museus nacionais lutam com orçamento escasso.

A lei brasileira é clara

No Brasil, fósseis pertencem à União desde 1942, protegidos pelo Decreto-Lei nº 4.146. A venda privada é proibida e a exportação só pode ocorrer mediante autorização oficial do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, normalmente vinculada a cooperação científica formal.

Ainda assim, o tráfico continua.

Em abril de 2025, o Ministério Público Federal passou a investigar o contrabando de ao menos 70 fósseis brasileiros anunciados ilegalmente em sites estrangeiros especializados em rochas e peças paleontológicas. Parte do material, retirada da Chapada do Araripe, era vendida online no Reino Unido por dezenas ou centenas de dólares.

No mesmo período, o Brasil conseguiu recuperar 25 fósseis de insetos levados clandestinamente para o exterior. As peças retornaram ao país após atuação do MPF e devem integrar o acervo do museu de Santana do Cariri.

Outro caso recente envolveu um fóssil de peixe pré-histórico da espécie Rhacolepis buccalis, apreendido na Itália após ser comprado em um antiquário. O exemplar, originário da Bacia do Araripe, voltou ao Brasil em 2025.

O patrimônio que fortalece identidade

O retorno desses fósseis produz impacto imediato nas cidades que os recebem.  Segundo o professor Allysson Pinheiro, a chegada do Ubirajara aumentou o número de visitantes no museu do Cariri e fortaleceu o sentimento de pertencimento da população local — o professor trabalha no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Araripe (CE).

Não é apenas um osso petrificado numa vitrine. É uma criança do sertão descobrindo que sua terra guarda uma das histórias geológicas mais importantes do planeta. É um território pobre percebendo que possui riqueza científica mundial. É uma comunidade entendendo que sua memória não precisa ficar trancada em outro continente para ter valor.

A Bacia do Araripe, reconhecida pela UNESCO como geoparque mundial desde 2006, concentra alguns dos fósseis mais importantes do período Cretáceo em todo o planeta. Em 2024, a região entrou como candidata à lista oficial de Patrimônio Mundial da Humanidade da ONU.

O saque continua — agora pela internet

Se antes o contrabando acontecia em expedições discretas e acordos obscuros, hoje parte dele ocorre diante dos olhos do mundo. Sites especializados em fósseis exibem peças brasileiras como itens colecionáveis. Redes internacionais de comércio digital facilitaram o trânsito clandestino de materiais retirados ilegalmente do país. Pesquisadores brasileiros frequentemente identificam fósseis nacionais em anúncios online.

Em muitos casos, as próprias instituições estrangeiras alegam desconhecer a origem ilegal das peças. Outras resistem. O caso do Ubirajara mostrou isso com clareza. O museu alemão que mantinha o fóssil negou irregularidades por anos. A virada aconteceu quando brasileiros passaram a pressionar publicamente a instituição nas redes sociais, transformando o tema em constrangimento internacional.

A pressão popular funcionou.

Mais do que fósseis

A discussão vai além da paleontologia. O Brasil também vem tentando recuperar mantos indígenas, arte sacra, documentos históricos e objetos arqueológicos espalhados pelo exterior. Em 2024, um manto Tupinambá do século XVII retornou ao país após permanecer por séculos na Dinamarca.

O debate sobre repatriação ganhou força em todo o mundo nos últimos anos, especialmente diante das críticas aos grandes museus europeus construídos durante o período colonial.

A pergunta deixada no ar é desconfortável:

quantas partes da história brasileira ainda estão guardadas — ou vendidas — longe do Brasil?

E talvez exista outra pergunta ainda mais profunda:

quantas descobertas científicas deixamos de fazer porque nossos próprios fósseis passaram décadas inacessíveis aos pesquisadores brasileiros?

No fundo, recuperar esses patrimônios não é apenas trazer objetos de volta.

É recuperar narrativa. Soberania. Memória. E o direito de um país contar a própria história com as próprias mãos.

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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Natureza vira linha de defesa contra eventos climáticos extremos nas cidades brasileiras

Parceria entre OIM e Fundação Grupo Boticário reúne recomendações para ajudar prefeituras a enfrentar enchentes, secas, ondas de calor e deslocamentos forçados

Natureza vira linha de defesa contra eventos climáticos extremos nas cidades brasileiras. Parceria entre OIM e Fundação Grupo Boticário reúne recomendações para ajudar prefeituras a enfrentar enchentes, secas, ondas de calor e deslocamentos forçados.
Parque Barigui, em Curitiba - PMC/Divulgação - Imagem meramente ilustrativa 

As cidades brasileiras estão cada vez mais expostas aos efeitos das mudanças climáticas — e a resposta pode estar justamente na recuperação da própria natureza. Uma parceria anunciada entre a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza pretende fortalecer políticas públicas municipais voltadas à adaptação climática usando as chamadas Soluções Baseadas na Natureza (SBN).

A proposta parte de um cenário que já deixou de ser projeção distante. Enchentes, deslizamentos, secas severas, incêndios florestais e ondas de calor passaram a fazer parte da rotina de milhares de municípios brasileiros — provocando perdas humanas, danos econômicos e deslocamentos forçados de populações inteiras.

O documento elaborado pelas instituições reúne orientações práticas para auxiliar prefeituras na implementação dessas soluções ambientais como forma de prevenção e mitigação dos impactos climáticos.

“Conservar a natureza é investir na proteção das pessoas”, afirmou Débora Castiglione, representante da OIM.

A lógica é simples, embora o desafio seja enorme: restaurar ecossistemas naturais ajuda a conter os efeitos extremos do clima antes que eles se transformem em tragédias urbanas.

Entre as medidas sugeridas estão:

  • recuperação de matas ciliares;
  • conservação e restauração de manguezais;
  • ampliação de áreas verdes urbanas;
  • revegetação de encostas vulneráveis;
  • proteção de nascentes e cursos d’água.

Além de reduzir riscos ambientais, essas ações também podem evitar deslocamentos populacionais causados por desastres naturais.

Municípios têm baixa capacidade de adaptação

Dados da plataforma AdaptaBrasil , divulgados em 2024, mostram que 66% dos municípios brasileiros apresentam capacidade baixa ou muito baixa de adaptação frente aos eventos climáticos extremos.

A gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário, Juliana Baladelli Ribeiro, afirma que muitas cidades ainda enfrentam barreiras técnicas e institucionais para colocar esse tipo de política em prática.

“O conhecimento é o primeiro passo para superar barreiras técnicas, institucionais e culturais”, disse ela à Agência Brasil.

O tema também ganhou dimensão econômica global. O Relatório de Riscos Globais 2026, do Fórum Econômico Mundial, incluiu os deslocamentos forçados entre os dez maiores riscos para a economia mundial nos próximos dois anos.

Capacitação de gestores e tecnologia para mapear riscos

A Fundação Grupo Boticário mantém atualmente iniciativas de suporte técnico voltadas a gestores públicos. Uma delas é a Incubadora de Projetos Solução Natureza, desenvolvida em parceria com a C40 Cities Climate Leadership Group, o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos e a Aliança Bioconexão Urbana. Hoje, o programa acompanha projetos em 29 municípios brasileiros.

Outra frente é o curso gratuito “Adaptação baseada em Ecossistemas em Instrumentos de Política Pública Municipal”, desenvolvido em parceria com a Fundação Getulio Vargas, a agência alemã GIZ e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. O treinamento é oferecido virtualmente pela Escola Nacional de Administração Pública.

A iniciativa também aposta em tecnologia para antecipar riscos climáticos. A plataforma Natureza ON , criada pela Fundação Grupo Boticário em parceria com o MapBiomas e a Google Cloud , cruza dados urbanos e ambientais para identificar áreas vulneráveis e sugerir quais soluções naturais podem ser aplicadas em cada território.

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Requião Filho e Gleisi Hoffmann marcam lançamento oficial de pré-candidaturas no Paraná

Evento em Curitiba deve reunir lideranças políticas, movimentos sociais e apoiadores do PDT e do PT no próximo dia 30 de maio

 
Requião Filho e Gleisi Hoffmann marcam lançamento oficial de pré-candidaturas no Paraná. Evento em Curitiba deve reunir lideranças políticas, movimentos sociais e apoiadores do PDT e do PT no próximo dia 30 de maio.

O cenário político paranaense começa a ganhar contornos mais definidos para 2026. O deputado estadual Requião Filho (PDT) e a deputada federal e ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT) anunciaram o lançamento oficial de suas pré-candidaturas ao Governo do Paraná e ao Senado Federal, respectivamente.

O evento está marcado para o próximo dia 30 de maio, em Curitiba, e deve reunir lideranças políticas, representantes de movimentos sociais, sindicalistas, militantes e apoiadores das duas siglas.

Segundo o convite divulgado pelas equipes políticas, o encontro pretende simbolizar “a política que constrói o Paraná dos paranaenses”, em um movimento de aproximação entre setores progressistas no estado.

Serviço

📅 Data: 30 de maio de 2026 (sábado)

🕙 Horário: 10h

📍 Local: Igloo Super Hall

Rua Dino Bertoldi, 740 – Tarumã, Curitiba

Confirmação de presença

Os organizadores disponibilizaram um formulário online para confirmação de presença:

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Brasil começa a desenhar mercado regulado de carbono e define primeiros setores que terão de informar emissões

Governo quer colocar grandes emissores na rota da descarbonização sem travar a economia; obrigação de reportar gases começa gradualmente a partir de 2027

Brasil começa a desenhar mercado regulado de carbono e define primeiros setores que terão de informar emissões. Governo quer colocar grandes emissores na rota da descarbonização sem travar a economia; obrigação de reportar gases começa gradualmente a partir de 2027.
© Paulo Pinto/Agencia Brasil

O Brasil deu mais um passo na construção do seu mercado regulado de carbono. Em uma medida que pode mudar a forma como grandes empresas lidam com poluição e emissões industriais nas próximas décadas, o Ministério da Fazenda apresentou nesta terça-feira (19) a proposta preliminar que define quais setores da economia serão os primeiros obrigados a relatar emissões de gases de efeito estufa no país.

A iniciativa integra o futuro Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), mecanismo que pretende monitorar, limitar e, futuramente, permitir a negociação de créditos de carbono entre empresas brasileiras.

Na prática, o governo começa agora a montar a engrenagem que deve colocar preço na emissão de carbono no Brasil — algo já adotado em diferentes modelos por países da Europa, Ásia e América do Norte.

A implementação será gradual. No primeiro momento, não haverá cobrança financeira nem obrigação imediata de cortar emissões. As empresas terão apenas de medir, monitorar e informar quanto poluem.

Quem entra primeiro

A primeira etapa começa em 2027 e atinge setores considerados altamente intensivos em carbono:

  • papel e celulose;
  • ferro e aço;
  • cimento;
  • alumínio primário;
  • petróleo e gás;
  • refino;
  • transporte aéreo.

Esses segmentos terão de iniciar processos formais de monitoramento e reporte das emissões de gases de efeito estufa.

Segundo o Ministério da Fazenda, a escolha levou em conta fatores técnicos como intensidade energética, volume de emissões, exposição ao mercado internacional e capacidade operacional das empresas para adaptação ao novo sistema.

Expansão até 2031

O plano prevê ampliação gradual do sistema.

A segunda fase, prevista para 2029, incluirá:

  • mineração;
  • alumínio reciclado;
  • setor elétrico;
  • vidro;
  • alimentos e bebidas;
  • química;
  • cerâmica;
  • resíduos.

Já a terceira etapa, programada para 2031, alcançará os setores de transporte:

  • transporte rodoviário;
  • transporte aquaviário;
  • transporte ferroviário.

Cada fase terá duração de quatro anos.

Como vai funcionar

O modelo desenhado pelo governo tenta evitar choque imediato sobre a indústria brasileira.

No primeiro ano de cada etapa, as empresas terão de apresentar planos de monitoramento das emissões. Nos dois anos seguintes ocorrerá a coleta efetiva dos dados. Só no quarto ano serão definidas as regras de distribuição das cotas de emissão dentro do mercado regulado.

Ou seja: o país ainda está entrando na fase de preparação técnica e construção da base de dados.

A ideia é que, no futuro, empresas que emitirem mais de 10 mil toneladas anuais de dióxido de carbono equivalente sejam obrigadas a reportar emissões.

Já companhias que ultrapassarem 25 mil toneladas poderão ficar sujeitas a limites de emissão e necessidade de compensação via compra de créditos de carbono.

O que muda para as empresas

O novo sistema pode alterar profundamente estratégias industriais, investimentos e até competitividade internacional de empresas brasileiras.

Em mercados globais, especialmente na Europa, cresce a pressão para que produtos industrializados tenham rastreabilidade ambiental e menor pegada de carbono.

Empresas que emitirem menos poderão negociar créditos de carbono. Já aquelas que ultrapassarem os limites definidos futuramente precisarão comprar créditos para compensar a poluição adicional.

A secretária extraordinária do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda, Cristina Reis, afirmou que a proposta foi construída levando em conta a realidade produtiva brasileira.

“A proposta de cobertura setorial é um passo essencial para a implementação do mercado regulado de carbono no Brasil.”

Segundo a secretária, a intenção é garantir “uma transição gradual, previsível e baseada em evidências”, permitindo avanço da descarbonização sem perda de competitividade econômica.

Próximos passos

A proposta ainda será analisada pelo Comitê Técnico Consultivo Permanente do SBCE, grupo formado por representantes do governo, setor produtivo, universidades e sociedade civil.

Depois disso, o texto deverá passar por consulta pública em julho.

A expectativa do governo federal é publicar a regulamentação definitiva ainda em 2026, para início da implementação em 2027.

O que é o mercado regulado de carbono

O Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões funcionará como uma espécie de mercado de permissões para poluir.

Empresas que conseguirem reduzir emissões abaixo dos limites poderão vender créditos de carbono. Já companhias que excederem as metas precisarão comprar créditos para compensar o excesso.

Segundo o governo, o sistema atingirá principalmente grandes emissores e deve alcançar menos de 0,1% das empresas brasileiras.

A legislação também prevê que 75% dos recursos arrecadados futuramente sejam destinados à adaptação tecnológica e à transição ambiental das próprias empresas participantes.

Fonte: Agência Brasil

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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Sindicato dos Metalúrgicos convida secretária de Saúde de Campo Largo para debate sobre segurança no trabalho

Evento do SMC vai discutir a nova NR-1, riscos psicossociais e estratégias de prevenção no ambiente laboral

 
Sindicato dos Metalúrgicos convida secretária de Saúde de Campo Largo para debate sobre segurança no trabalho. Evento do SMC vai discutir a nova NR-1, riscos psicossociais e estratégias de prevenção no ambiente laboral

A rotina de quem trabalha em chão de fábrica, escritório, hospital ou repartição pública passa, silenciosamente, por uma transformação importante. E ela começa justamente onde muita gente não vê: na saúde mental, nos riscos ergonômicos e na responsabilidade das empresas diante do adoecimento no ambiente de trabalho.

Foi nesse contexto que a representante do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), Fernanda Queiroz, entregou nesta quarta-feira (20) à secretária municipal de Saúde de Campo Largo, Luiza Marochi Almeida, um convite oficial para participação em um seminário sobre segurança e saúde no trabalho promovido pela entidade sindical.

O documento, assinado pelo presidente do SMC, Sérgio Butka, convida a secretária para a abertura do evento “NR-1 — Norma Regulamentadora nº 1: Diretrizes Gerais de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) — Riscos Psicossociais”, marcado para o próximo dia 26 de maio, às 8h30, na sede administrativa do sindicato, em Curitiba.

Qualidade de vida no debate

A proposta do encontro vai além das discussões técnicas tradicionais. O seminário pretende reunir gestores públicos, dirigentes sindicais, integrantes de CIPA e profissionais da área de saúde e segurança do trabalho para discutir os impactos das novas exigências da NR-1 e os desafios atuais relacionados ao adoecimento físico e emocional dos trabalhadores.

Entre os pontos centrais da programação está a ampliação do olhar sobre os chamados “riscos ocupacionais”. A nova NR-1 passa a reforçar não apenas os riscos físicos, químicos e biológicos, mas também os riscos ergonômicos e psicossociais — tema que ganhou força nos últimos anos diante do aumento de casos de ansiedade, burnout, assédio e adoecimento emocional ligados ao trabalho.

O que será debatido no seminário

  • Transição do antigo PPRA para o PGR;
  • Integração entre CIPA e Programa de Gerenciamento de Riscos;
  • Prevenção ao assédio no ambiente laboral;
  • Direito de recusa em situações de risco grave;
  • Negociação coletiva voltada à saúde do trabalhador;
  • Fiscalização sindical sobre documentos de SST.

A programação inclui ainda um painel prático com estudo de caso sobre riscos ergonômicos em linhas de produção e encaminhamentos voltados à atuação sindical e institucional.

Aproximação entre sindicato e gestão pública

A entrega do convite à Secretaria de Saúde de Campo Largo simboliza também uma aproximação entre o movimento sindical e o poder público municipal em torno das discussões sobre prevenção, saúde ocupacional e qualidade de vida no trabalho.

Na imagem registrada nesta quarta-feira (20), Fernanda Queiroz (SMC) e a secretária Luiza Marochi Almeida aparecem juntas segurando o convite oficial do evento, em um gesto de articulação institucional para fortalecer o debate regional sobre segurança e saúde laboral.

Fernanda Queiroz entrega convite do SMC à Sra. Luiza, Secretária Municipal de Saúde de Campo Largo

Adversários políticos, Requião Filho e Bakri fazem apelo conjunto contra radicalização na ALEP

Vídeo gravado no plenário da Assembleia Legislativa do Paraná viraliza após deputados defenderem redução das ofensas pessoais e do clima de hostilidade entre parlamentares

 
Adversários políticos, Requião Filho e Bakri fazem apelo conjunto contra radicalização na ALEP. Vídeo gravado no plenário da Assembleia Legislativa do Paraná viraliza após deputados defenderem redução das ofensas pessoais e do clima de hostilidade entre parlamentares.

O plenário da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) viveu hoje um daqueles momentos raros em que adversários políticos resolveram apertar o freio — pelo menos por alguns minutos — na escalada de hostilidade que vem dominando o debate público brasileiro.

O gesto partiu de dois parlamentares que ocupam lados opostos do tabuleiro político estadual, mas decidiram gravar juntos um vídeo com um recado direto aos colegas: a temperatura da política paranaense chegou perto demais do limite.

De um lado, o deputado estadual e pré-candidato ao Governo do Paraná, Requião Filho (PDT). Do outro, o líder do governo Ratinho Junior na Assembleia, Hussein Bakri (PSD). O encontro aconteceu dentro do próprio plenário da Casa e rapidamente começou a circular entre grupos políticos, assessorias e bastidores de Curitiba.

“É isso que está virando a Assembleia”

A cena chamou atenção justamente pelo contraste. Em Brasília e também nas assembleias estaduais, a política brasileira atravessa um período de radicalização verbal crescente, marcado por ataques pessoais, provocações e discursos cada vez mais agressivos.

No vídeo, Requião Filho faz um exercício hipotético para demonstrar o clima que, segundo ele, começou a dominar as sessões plenárias:

“Queridos parlamentares, o governador de vocês é um vagabundo, é um lixo, bandido, assim não dá, tinha que estar preso esse canalha. Qual seria a resposta da liderança?”

A resposta de Bakri vem imediatamente — e no mesmo tom, justamente para ilustrar o desgaste do debate político:

“A minha resposta seria assim: o presidente de vocês é um lixo, canalha, ladrão, devia estar preso. É isso que está virando a Assembleia.”

Na sequência, os dois deixam o embate de lado e fazem um apelo conjunto por contenção e respeito institucional.

“Estamos chegando a um limite”

Bakri afirma que parlamentares vêm tentando “segurar um pouco o nível” das discussões. Já Requião Filho relata incômodo com o ambiente diário das sessões da ALEP.

“Nós estamos chegando a um nível que está ficando insuportável.”

O deputado relembra ainda o período em que liderou a oposição na Casa ao lado do deputado Arilson Chiorato, defendendo que era possível manter debates duros sem transformar adversários em inimigos pessoais.

“Eu sou um dos deputados com discursos mais ácidos da Casa e nunca precisei ofender pessoalmente ninguém.”

O pedido também foi direcionado ao atual presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi, citado durante a gravação.

Clima político em ebulição

Nos bastidores da ALEP, a avaliação é de que o vídeo expôs uma preocupação crescente entre parlamentares de diferentes correntes ideológicas. Nos últimos meses, temas ligados ao presidente Lula, ao ex-presidente Bolsonaro e às disputas nacionais passaram a contaminar cada vez mais o ambiente das sessões estaduais. Mas hoje pelo visto a coisa chegou a níveis insuportáveis, com a revelação do escândalo BolsoMaster.

Embora não exista, até o momento, qualquer medida formal ou mudança regimental relacionada ao episódio, deputados admitem reservadamente que a escalada de ataques pessoais começou a afetar a própria imagem institucional da Assembleia perante a população.

O episódio também ocorre num momento em que a ALEP tenta reforçar publicamente pautas administrativas, econômicas e sociais do Paraná, além de projetos voltados à transparência e políticas públicas estaduais.

Mesmo sem encerrar a polarização política, o gesto conjunto de Requião Filho e Bakri acabou produzindo uma imagem cada vez mais rara na política brasileira atual: dois adversários dividindo o mesmo vídeo para pedir menos gritaria e mais debate, mas trabalho em prol da população paranaense. Isso é que importa.

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Parlamentares do Paraná entram no centro do debate sobre o fim da escala 6x1

Deputados paranaenses assinaram emenda que desacelera proposta de redução imediata da jornada de trabalho; enquanto pesquisas recentes mostram amplo apoio popular ao fim da escala considerada exaustiva

Deputados paranaenses assinaram emenda que desacelera proposta de redução imediata da jornada de trabalho; enquanto pesquisas recentes mostram amplo apoio popular ao fim da escala considerada exaustiva. Parlamentares do Paraná entram no centro do debate sobre o fim da escala 6x1.

O debate sobre o fim da escala 6x1 deixou de ser apenas uma pauta sindical e passou a ocupar o centro da política brasileira. Em Curitiba, nas cidades da Região Metropolitana e nos corredores do comércio, das fábricas, dos supermercados e dos aplicativos, a discussão já virou conversa diária entre trabalhadores cansados de jornadas que consomem praticamente toda a semana.

A proposta em discussão no Congresso prevê redução da jornada semanal para 40 horas, sem redução salarial, ampliando o descanso dos trabalhadores brasileiros. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, já declarou apoio ao avanço do tema, enquanto o governo federal também sinaliza favoravelmente ao debate.

Mas parte da bancada do Paraná assinou uma emenda alternativa que prevê transição gradual e flexibilizações criticadas por movimentos trabalhistas, sindicatos e entidades ligadas aos direitos dos trabalhadores.

Veja quais parlamentares paranaenses aderiram à proposta alternativa:

Tião Medeiros — PP

Assinou proposta que prevê transição gradual para o fim da escala 6x1, em vez da implementação imediata defendida por movimentos trabalhistas.

Toninho Wandscheer — PP

Apoiou a emenda que flexibiliza o cronograma de redução da jornada semanal.

Padovani — PP

Está entre os deputados que aderiram ao texto alternativo apresentado na Câmara.

Dilceu Sperafico — PP

Assinou a proposta que altera o formato original da PEC do fim da 6x1.

Luisa Canziani — União Brasil

Integra o grupo de parlamentares favoráveis à transição gradual da mudança trabalhista.

Geraldo Mendes — União Brasil

Apoiou a emenda que prevê implementação mais lenta da redução da jornada.

Paulo Litro — União Brasil

Também assinou o texto alternativo discutido no Congresso.

Vermelho — PL

Está entre os deputados que apoiaram flexibilizações consideradas favoráveis ao setor patronal.

Sargento Fahur — PL

Assinou proposta que modifica o cronograma de implantação do fim da escala 6x1.

Luiz Carlos Hauly — Podemos

Apoiou a emenda alternativa apresentada durante o debate da PEC.

Felipe Francischini — Podemos

Integra a lista de deputados paranaenses que aderiram à proposta de flexibilização.

Luiz Nishimori — PSD

Assinou o texto que prevê mudanças graduais na redução da jornada.

Beto Richa — PSDB

Também aparece entre os apoiadores da proposta alternativa ao texto original.

Pedro Lupion — Republicanos

Apoiou emenda que amplia o período de transição para mudanças na jornada semanal.

Sergio Souza — MDB

Integra o grupo de deputados que assinaram o texto alternativo à PEC do fim da 6x1.

Pesquisas mostram amplo apoio popular ao fim da jornada 6x1

Os números mais recentes indicam que a maioria da população brasileira apoia mudanças imediatas na jornada de trabalho.

Pesquisa Datafolha divulgada recentemente apontou que 71% dos brasileiros defendem a redução da jornada semanal.

Outro levantamento, realizado pela Nexus, mostrou que 73% da população apoia o fim da escala 6x1 desde que não haja redução salarial.

Já pesquisa da Real Time Big Data revelou apoio próximo de três quartos dos brasileiros à mudança da jornada semanal.

Outro dado chamou atenção no meio político: levantamento da Nexus mostrou que 44% dos brasileiros afirmam que têm menos chance de votar em candidatos que se posicionem contra o fim da escala 6x1.

Na prática, o tema começa a ganhar forte peso eleitoral. Com o apoio popular crescendo mês após mês, parlamentares que se colocam contra a redução imediata da jornada passam a enfrentar desgaste político crescente, especialmente entre trabalhadores urbanos, jovens e categorias submetidas às rotinas mais exaustivas do mercado brasileiro.

Em Brasília, nos bastidores do Congresso, já há quem considere que enfrentar o avanço do movimento pelo fim da escala 6x1 pode se transformar, politicamente, em um risco alto demais — quase um suicídio eleitoral diante de uma pauta que ganha apoio popular de forma cada vez mais acelerada.

Desde já o Sulpost abre espaço para que os parlamentares acima citados se manifestem, se assim o desejarem. Somos um veículo apartidário, independe e progressista, franqueamos nosso espaço a todos que quiserem se manifestar de forma democrática e cidadã. 

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STF reativa publicação de Zeca Dirceu e Gilmar Mendes reforça inelegibilidade de Deltan Dallagnol

Ministro do Supremo entendeu que deputado do PT divulgou informações de interesse público e afastou acusação de desinformação feita pelo partido Novo

 
Deputado Zeca Dirceu (PT) - Assessoria/Divulgação

O embate político e jurídico envolvendo o deputado federal licenciado Deltan Dallagnol (Novo) voltou ao centro do debate nacional nesta terça-feira (19), após uma nova decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). O magistrado determinou a reativação de uma publicação feita nas redes sociais pelo deputado federal Zeca Dirceu (PT), na qual o parlamentar afirmava que Dallagnol permanece inelegível.

Para Zeca Dirceu, a decisão do Supremo representa uma confirmação clara da situação eleitoral do ex-procurador da Lava Jato. “Dallagnol está inelegível para a eleição de outubro e tenta censurar jornalistas ou quem divulga sua condição de inelegibilidade”, afirmou o deputado. Segundo ele, o ex-parlamentar deveria “se recolher em casa e não atrapalhar ou confundir os paranaenses na escolha dos seus representantes no Congresso Nacional”.

Gilmar Mendes rejeita acusação de desinformação

O caso chegou ao STF depois que o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) determinou a retirada da postagem publicada por Zeca Dirceu, atendendo a um pedido do partido Novo, legenda de Dallagnol. Na avaliação do TRE, o conteúdo poderia configurar desinformação e propaganda eleitoral negativa antecipada.

Gilmar Mendes, porém, teve entendimento oposto. Na decisão, o ministro destacou que o parlamentar petista se manifestou com base em informações públicas e decisões já consolidadas pela Justiça Eleitoral.

“Não houve a veiculação de qualquer informação falsa ou duvidosa”, escreveu o ministro do STF.

Segundo Gilmar Mendes, o Tribunal Superior Eleitoral já reconheceu a inelegibilidade de Deltan Dallagnol pelo prazo de oito anos, contados a partir do pedido de exoneração apresentado pelo ex-procurador antes de deixar o Ministério Público Federal.

O ministro ainda observou que o fato de Dallagnol discordar da interpretação não transforma a publicação em desinformação. Para ele, a manifestação de Zeca Dirceu está diretamente amparada em decisão transitada em julgado do próprio TSE.

Referência ao caso dos R$ 2 bilhões

Outro trecho analisado pelo STF envolveu a afirmação de Zeca Dirceu de que Dallagnol teria sido “pego tentando desviar R$ 2 bilhões de recursos públicos”. A declaração faz referência ao episódio envolvendo a tentativa de criação de uma fundação privada abastecida com recursos oriundos de acordos firmados pela força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

Na decisão, Gilmar Mendes relembrou críticas já feitas à atuação da operação Lava Jato e citou a existência de um “conúbio” entre investigadores, procuradores e o então juiz Sergio Moro. O ministro também mencionou a correição extraordinária realizada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na 13ª Vara Federal de Curitiba.

Segundo ele, a fala de Zeca Dirceu se baseia em documentos públicos e relatórios oficiais produzidos durante as investigações administrativas relacionadas à atuação da força-tarefa.

“Também aqui não há qualquer espécie de desinformação. Pelo contrário, trata-se de manifestação legítima baseada em documentos públicos”, afirmou Gilmar Mendes.

Liberdade de debate político

Ao final da decisão, o ministro do STF reforçou que temas ligados à elegibilidade de candidatos e à atuação de figuras públicas fazem parte do debate democrático e não podem ser alvo de censura prévia.

Para Gilmar Mendes, o caminho adequado em uma democracia é o contraponto público de ideias, não a retirada compulsória de conteúdos políticos das redes sociais.

“Em uma sociedade democrática, a verdade e a razão só podem ser obtidas se a todos for atribuído o direito de demonstrar e debater, racionalmente, o seu ponto de vista sem interferências estatais indevidas”, concluiu o ministro.
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Hantavirus, ebola ... a Terra aquece — e os microrganismos respondem

Cientistas alertam que mudanças climáticas não estão apenas intensificando secas, enchentes e ondas de calor: elas também estão favorecendo a mutação, expansão e fortalecimento de vírus, bactérias e fungos perigosos à saúde humana

 
Hantavirus, ebola ... a Terra aquece — e os microrganismos respondem. Cientistas alertam que mudanças climáticas não estão apenas intensificando secas, enchentes e ondas de calor: elas também estão favorecendo a mutação, expansão e fortalecimento de vírus, bactérias e fungos perigosos à saúde humana
Imagem meramente ilustrativa

Enquanto o mundo acompanha incêndios florestais fora de controle, enchentes históricas, deslizamentos traiçoeiros e ondas de calor cada vez mais sufocantes, uma ameaça menos visível avança silenciosamente pelos ecossistemas da Terra.

A ameaça não aparece no horizonte como fumaça. Não derruba pontes nem arrasta carros pelas ruas. Mas tem preocupado profundamente cientistas, infectologistas e organismos internacionais de saúde. O aquecimento global está alterando diretamente o comportamento de microrganismos nocivos — incluindo vírus, bactérias, fungos e parasitas capazes de provocar epidemias cada vez mais difíceis de controlar.

A relação entre clima e doenças infecciosas deixou de ser uma hipótese distante da ciência. Hoje, ela aparece em relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS), do CDC dos Estados Unidos, do Ministério da Saúde do Brasil e em estudos publicados por revistas científicas como NatureBritish Medical Journal (BMJ) e plataformas acadêmicas internacionais ligadas ao National Center for Biotechnology Information (NCBI).

Não se trata de sensacionalismo, o alerta é claro: o planeta não está apenas ficando mais quente. Está ficando biologicamente mais instável.

O calor favorece superbactérias e acelera resistência

Pesquisadores vêm observando que temperaturas mais elevadas aceleram o crescimento bacteriano e facilitam a troca de genes ligados à resistência antimicrobiana. Na prática, isso significa que superbactérias podem evoluir e se espalhar mais rapidamente em um planeta aquecido.

Estudos científicos indicam que ambientes submetidos a calor extremo, enchentes, alterações no uso da terra e degradação ambiental criam condições ideais para a proliferação de microrganismos patogênicos.

A preocupação é global. A resistência bacteriana já é considerada por especialistas uma das maiores ameaças sanitárias do século XXI. E as mudanças climáticas passaram a ser vistas como um acelerador desse processo.

Vírus encontram novas rotas de transmissão

O clima também interfere diretamente na circulação de vírus entre espécies. Secas severas, queimadas e desmatamento estão empurrando animais silvestres para mais perto das cidades e áreas agrícolas. Morcegos, roedores e insetos transmissores acabam dividindo território com humanos de maneira cada vez mais intensa.

É justamente nesse contato ampliado que surgem os chamados eventos de spillover — quando um vírus consegue “saltar” de um animal para uma pessoa.

Pesquisas publicadas na revista Nature Communications demonstraram que o aquecimento global aumenta a probabilidade de transmissão viral entre espécies diferentes, ampliando o risco de futuras zoonoses. Em outras palavras: o desequilíbrio ambiental cria atalhos biológicos para novas epidemias.

Hantavírus entra no radar internacional

Em 2026, uma das doenças que mais preocupa autoridades sanitárias nas Américas é o hantavírus. Transmitida principalmente por roedores silvestres, a doença pode causar uma síndrome pulmonar grave e altamente letal.

Especialistas relacionam diretamente o avanço recente dos casos às alterações climáticas e ambientais. Secas prolongadas e degradação de habitats naturais vêm deslocando populações de ratos silvestres para áreas agrícolas e centros urbanos, aumentando o contato humano com fezes e urina contaminadas.

Na Argentina, os casos praticamente dobraram em relação ao período anterior, chegando a mais de 100 registros na temporada iniciada em 2025. O alerta internacional aumentou após um raro surto da variante Andes ocorrer a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, situação monitorada pela OMS e pelo CDC norte-americano. A cepa preocupa especialmente porque possui capacidade de transmissão entre humanos — algo incomum em hantavírus.

No Brasil, o Ministério da Saúde e secretarias estaduais confirmaram casos isolados e mortes por hantavirose em estados como Minas Gerais. Até o momento, autoridades sanitárias afirmam que a variante andina ainda não apresenta disseminação comunitária em território brasileiro.

Ebola volta ao centro das preocupações globais

Na África Central, outro sinal de alerta voltou a soar com força em 2026. O atual surto de Ebola na República Democrática do Congo e em Uganda recolocou a doença entre as maiores emergências sanitárias do mundo.

A OMS acompanha com preocupação a circulação da cepa Bundibugyo, considerada rara e altamente letal. Especialistas afirmam que eventos climáticos extremos e o avanço do desmatamento vêm alterando o comportamento de morcegos frugívoros — hospedeiros naturais do vírus Ebola.

Sem alimento suficiente em áreas degradadas, esses animais passam a buscar frutas e abrigo próximos de vilarejos e plantações humanas, aumentando drasticamente o risco de transmissão. Relatórios internacionais apontam que as mudanças climáticas estão reduzindo a capacidade global de resposta a epidemias, tornando surtos mais frequentes, rápidos e difíceis de conter.

O gelo derrete — e antigos microrganismos despertam

Outra preocupação crescente vem das regiões congeladas do planeta. O degelo acelerado do Ártico e de áreas permanentemente congeladas da Sibéria está expondo microrganismos preservados há milhares de anos no permafrost — a camada profunda de solo congelado.

Embora muitos desses organismos sejam inofensivos, cientistas alertam que alguns vírus e bactérias antigos podem permanecer viáveis mesmo após longos períodos congelados. O tema ainda está sob investigação, mas já entrou definitivamente no radar da comunidade científica internacional.

Dengue, malária e doenças tropicais avançam

As mudanças climáticas também ampliam áreas favoráveis à proliferação de mosquitos transmissores. Com temperaturas mais altas e chuvas irregulares, doenças como dengue, chikungunya, febre amarela e malária encontram condições ideais para expansão geográfica.

Regiões antes frias demais para determinados vetores começam a registrar presença crescente de mosquitos, inclusive em áreas urbanas. No Brasil, pesquisadores da Fiocruz já observam alterações no comportamento sazonal da dengue, com períodos de transmissão mais longos e intensos.

O Brasil tenta se antecipar ao próximo grande risco sanitário

Depois da pandemia de Covid-19, o governo federal passou a tratar emergências climáticas e riscos epidemiológicos com muito mais atenção. Dentro do Ministério da Saúde, a percepção é clara: a Covid deixou cicatrizes profundas, mas também ensinou lições duras sobre preparação, vigilância e resposta rápida.

Hoje, o país mantém estruturas específicas voltadas ao monitoramento de crises climáticas com impacto direto na saúde pública. Entre elas está a Sala Nacional de Emergências Climáticas em Saúde, criada para acompanhar secas extremas, enchentes, queimadas, ondas de calor e possíveis consequências epidemiológicas associadas ao avanço das mudanças climáticas.

A estrutura atua integrada ao SUS, à Fiocruz, à Defesa Civil e a sistemas estaduais de vigilância sanitária. Na prática, funciona como uma central permanente de prevenção, monitoramento e resposta rápida.

O próprio Ministério da Saúde reconhece oficialmente que mudanças climáticas, urbanização desordenada e degradação ambiental aumentam o risco de surtos e emergências sanitárias em todo o mundo.

Também ganhou força nos últimos anos a estratégia AdaptaSUS, integrada ao Plano Clima federal, que busca preparar o sistema público de saúde para cenários envolvendo calor extremo, doenças infecciosas emergentes, poluição atmosférica e desastres ambientais.

Um planeta biologicamente desequilibrado

Durante décadas, o debate climático foi tratado principalmente como um problema ambiental. Hoje, ele também passou a ser uma questão de segurança sanitária global. O que está em jogo não é apenas o aumento da temperatura média da Terra. É o desequilíbrio profundo das relações entre seres humanos, animais, ecossistemas e microrganismos.

Em um mundo superaquecido, vírus encontram novas rotas. Bactérias evoluem mais rápido. Vetores se expandem. Doenças reaparecem onde antes estavam controladas. E talvez a parte mais inquietante seja justamente essa: muitas das ameaças que podem definir as próximas décadas ainda são invisíveis para a maior parte da população. Mas elas já estão se movendo.

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terça-feira, 19 de maio de 2026

Governo anuncia financiamento com juros reduzidos para taxistas e motoristas de aplicativo

Programa divulgado aos paranaenses por Gleisi Hoffmann prevê crédito de até R$ 150 mil, prazo de 72 meses e carência de seis meses para começar a pagar

 
Governo anuncia financiamento com juros reduzidos para taxistas e motoristas de aplicativo. Programa divulgado aos paranaenses por Gleisi Hoffmann prevê crédito de até R$ 150 mil, prazo de 72 meses e carência de seis meses para começar a pagar.

O motorista olha o marcador de combustível cair enquanto o celular toca com mais uma corrida. Entre parcelas, manutenção e o preço alto dos carros, muita gente que vive dos aplicativos acabou presa ao aluguel de veículos ou trabalhando no limite das contas. Foi mirando essa realidade que o governo federal anunciou um novo pacote voltado a taxistas e motoristas de aplicativo.

Crédito para renovar a frota

A ex-ministra das Relações Institucionais e Deputada Federal, Gleisi Hoffmann (PT-PR), divulgou nas redes sociais detalhes do programa lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para facilitar a renovação da frota desses trabalhadores.

“O programa oferece financiamento de até 150 mil reais com juros de 0,99% ao mês, prazo de até 72 meses para pagar e carência de seis meses para começar”, afirmou Gleisi no vídeo publicado nesta terça-feira.

Segundo ela, mulheres motoristas terão condições ainda mais vantajosas, com juros reduzidos. A proposta prevê crédito subsidiado para compra de veículos novos ou troca do carro utilizado no trabalho. O governo quer reduzir a dependência de carros alugados, uma realidade comum entre motoristas de aplicativo nas grandes cidades brasileiras.

Rotina pesada nas ruas

Na prática, as condições anunciadas chamaram atenção por ficarem abaixo das taxas normalmente cobradas em financiamentos convencionais. Hoje, muitos motoristas enfrentam juros elevados justamente por dependerem do carro como ferramenta principal de renda.

Gleisi também procurou aproximar o discurso da rotina diária da categoria.

“Quem passa o dia inteiro nas ruas, trabalhando duro para garantir o sustento da família, merece dirigir com mais conforto, segurança e dignidade.”

Taxistas também foram contemplados

No vídeo, a ministra lembrou ainda outra medida sancionada recentemente pelo governo federal: o direito de transferência hereditária das licenças de táxi, uma reivindicação antiga da categoria.

Está tudo certo, mas ainda faltam detalhes importantes sobre o funcionamento do programa, como critérios de aprovação, bancos participantes, exigência de entrada e data oficial para início dos financiamentos. Mais informações devem ser divulgadas nos próximos dias pelos canais oficiais do governo federal.

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PF investiga perito da própria corporação por vazamento no caso Banco Master

Operação autorizada pelo STF expõe tensão interna na Polícia Federal enquanto investigação sobre o Banco Master avança sobre figuras do alto escalão

 
PF investiga perito da própria corporação por vazamento no caso Banco Master. Operação autorizada pelo STF expõe tensão interna na Polícia Federal enquanto investigação sobre o Banco Master avança sobre figuras do alto escalão.
Imagem meramente ilustrativa - Sulpost 

Brasília tem amanhecido sob o clima de grandes operações federais: corredores silenciosos, movimentações discretas e um peso institucional difícil de esconder. Mas, desta vez, o escopo da operação não estava do lado de fora.

Na manhã desta terça-feira (19), a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero tendo como alvo um perito criminal da própria corporação, suspeito de vazar informações sigilosas relacionadas às investigações sobre o Banco Master.

O caso rapidamente ganhou repercussão nos bastidores políticos e jurídicos porque envolve algo extremamente sensível dentro de qualquer investigação: o vazamento de dados protegidos por sigilo funcional.

Operação autorizada pelo STF

A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, além do afastamento imediato do servidor de suas funções. O investigado também ficará submetido a medidas cautelares, como a proibição de manter contato com outros envolvidos e de deixar a comarca onde reside.

Segundo informações divulgadas pelo STF, o perito teria repassado a jornalistas materiais sigilosos produzidos a partir da análise de apreensões feitas nas primeiras fases da Operação Compliance Zero. A decisão judicial segue sob sigilo.

Os bastidores da Compliance Zero

O que começou como uma investigação sobre possíveis fraudes financeiras ligadas ao Banco Master acabou se transformando numa operação de grandes proporções, atravessando o sistema financeiro, setores políticos e até estruturas internas do próprio Estado.

Ao longo dos últimos meses, a Compliance Zero passou a investigar suspeitas de lavagem de dinheiro, relações consideradas impróprias entre empresários e agentes públicos, além de possíveis acessos indevidos a informações sensíveis. Nos bastidores de Brasília, o episódio desta terça-feira é visto como especialmente delicado porque expõe um cenário raro: investigadores investigando integrantes da própria Polícia Federal.

Segundo reportagens publicadas pela imprensa nacional, os vazamentos investigados teriam relação com documentos e informações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, além de possíveis conexões com autoridades de alto escalão.

Liberdade de imprensa preservada

Diante da repercussão do caso, o Supremo Tribunal Federal fez questão de enfatizar que a investigação não tem como alvo jornalistas nem veículos de comunicação.

Em nota, a Corte afirmou que as medidas adotadas “não implicam qualquer direcionamento investigativo contra jornalistas ou veículos de imprensa”, reforçando a proteção constitucional ao sigilo da fonte e à liberdade de atuação jornalística.

O tema é considerado sensível porque envolve uma linha delicada entre o dever de sigilo de agentes públicos e o direito da imprensa de divulgar informações de interesse público.

R$ 27 bilhões bloqueados

A Operação Compliance Zero completou seis meses nesta semana acumulando números impressionantes. Até agora, segundo dados oficiais, já foram realizadas 21 prisões, cumpridos 116 mandados de busca e apreensão e bloqueados mais de R$ 27 bilhões em bens e valores.

As investigações seguem em andamento e ainda podem atingir novos nomes ligados ao sistema financeiro, ao setor público e aos bastidores políticos de Brasília.

Dentro da própria Polícia Federal, o episódio também produz um desgaste institucional inevitável. Quando uma corporação especializada em investigar corrupção e crime organizado precisa voltar seus olhos para dentro de casa, o impacto deixa de ser apenas jurídico. Ele passa a ser também político, simbólico e profundamente institucional.

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