30.7.26

Metalúrgicos da Volvo: chegou a hora da decisão. Assembleia desta sexta-feira (31) define os rumos da campanha salarial 2026/2027

Trabalhadores e trabalhadoras da Volvo do Brasil estão convocados para participar da Assembleia Geral que será realizada na porta da fábrica, durante a troca de turnos. A decisão será tomada coletivamente e a presença de cada companheiro e companheira faz toda a diferença


Reprodução: blog Papo reto com o Nelsão 

Companheiros e companheiras,

Depois de semanas de negociações entre o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), a Comissão de Fábrica e a direção da Volvo do Brasil, chegou o momento mais importante da Campanha Salarial. Agora, quem decide são os trabalhadores.

Nesta sexta-feira, 31 de julho de 2026, será realizada a Assembleia Geral, na porta da fábrica da Volvo, em Curitiba, durante a troca dos turnos. Na ocasião será apresentado o Protocolo de Entendimento referente às datas-base de 2026 e 2027, construído na mesa de negociação e que será colocado em votação pela categoria.

A assembleia é soberana. É neste momento que cada trabalhador poderá conhecer todos os detalhes da proposta, esclarecer dúvidas, debater e votar conscientemente pela aprovação ou rejeição do acordo.

Confira os principais pontos da proposta

  • Reajuste salarial correspondente a 100% do INPC nas datas-base de 2026 e 2027;
  • Abono salarial de R$ 2.700,00, pago em setembro de 2026;
  • Em setembro de 2027, manutenção do abono com correção pelo INPC acumulado;
  • Vale-alimentação de R$ 1.700,00 a partir de setembro de 2026;
  • Vale-alimentação de R$ 1.800,00 a partir de setembro de 2027;
  • Renovação das cláusulas sociais do Acordo Coletivo.

Também serão apresentados os estudos sobre o impacto financeiro da proposta, demonstrando como os reajustes influenciam a remuneração dos trabalhadores nas diferentes faixas salariais.

A força da categoria está na participação

Nenhuma conquista da categoria metalúrgica surgiu por acaso. Todos os direitos acumulados ao longo da história foram resultado da organização dos trabalhadores, da mobilização e da participação nas assembleias.

É justamente por isso que o Sindicato reforça o chamado para que todos compareçam. Independentemente da opinião de cada trabalhador sobre a proposta, é fundamental participar da assembleia, ouvir as informações oficiais e exercer o direito ao voto.

Quem não participa acaba permitindo que outros decidam por ele.

📢 CONVOCAÇÃO

Assembleia Geral dos Trabalhadores da Volvo do Brasil

📅 Sexta-feira — 31 de julho de 2026

📍 Porta da fábrica da Volvo do Brasil — Curitiba

🕒 Durante a troca dos turnos

Sua presença fortalece a luta.

Seu voto fortalece a democracia sindical.

O Papo Reto com o Nelsão conclama todos os trabalhadores e trabalhadoras da Volvo do Brasil a participarem desta importante Assembleia. É o momento de decidir coletivamente sobre salários, benefícios, valorização profissional e o futuro do Acordo Coletivo.

Participe. Sua voz tem peso. Sua presença faz diferença.

Papo Reto com o Nelsão
Informação, mobilização e defesa dos direitos dos trabalhadores.

Fale com o Nelsão: (41) 98411-6970

Divulgação: Nelsão da Força

29.7.26

Senado volta debater fim da escala 6 x 1 em agosto

O fim da chamada escala 6x1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.

Além de acabar coma escala 6x1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.

O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.

O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.

Agosto

Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6x1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.

—  Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6x1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.

As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).

— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.

Defesa

Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não "pertence" ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.

— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.

Para Paim, o fim da escala 6x1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.

Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.

— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6x1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6x1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.

Eleições

Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral. 

— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.

No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.

— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.

Outras propostas

Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia.  Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.

— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.

A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.

Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.

Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado) - Fonte: Agência Senado

Quando a vulnerabilidade vira alvo: o alerta para proteger pessoas contra manipulação e exploração

Famílias e autoridades precisam estar atentas aos riscos de violência psicológica, abuso de confiança e exploração de pessoas em condições de vulnerabilidade



Existe uma forma de violência que muitas vezes não deixa marcas visíveis, mas pode destruir vidas silenciosamente: a manipulação psicológica. Ela acontece quando alguém identifica uma fragilidade, uma dificuldade emocional, cognitiva ou social de outra pessoa e utiliza essa condição para controlar decisões, obter vantagens ou induzir comportamentos contra a vontade da vítima.

Em uma sociedade cada vez mais conectada, onde relações humanas também passam por ambientes digitais, cresce a necessidade de atenção sobre como criminosos podem tentar explorar a confiança, a boa-fé e as dificuldades específicas de pessoas que apresentam algum tipo de vulnerabilidade.

O alerta não significa retirar a autonomia de ninguém. Pessoas com transtornos, deficiências ou condições específicas possuem direitos, capacidade de decisão e devem ser respeitadas em sua individualidade. A proteção deve existir justamente para impedir que terceiros explorem situações de fragilidade.

Vulnerabilidade não é incapacidade: é uma condição que exige proteção

Transtornos do neurodesenvolvimento, deficiências intelectuais, determinados transtornos psiquiátricos, alterações cognitivas e situações relacionadas ao uso problemático de substâncias podem, em alguns casos, aumentar a exposição de uma pessoa a determinados riscos.

Estudos científicos apontam que algumas pessoas podem apresentar dificuldades específicas relacionadas à interpretação de intenções sociais, avaliação de riscos, identificação de manipulações ou resistência a pressões psicológicas.

Essa realidade exige uma rede de proteção formada por família, sociedade e Estado, sem preconceito e sem transformar essas pessoas em objetos de tutela permanente.

A manipulação psicológica também pode ser uma forma de violência

A exploração da confiança de uma pessoa vulnerável pode ocorrer de diversas maneiras:

  • pressão emocional constante;
  • ameaças ou intimidação;
  • isolamento da família e dos amigos;
  • chantagens psicológicas;
  • fraudes financeiras;
  • obtenção indevida de informações pessoais;
  • indução a decisões prejudiciais.
  • assédio moral, stalking e gaslightning.

Quando essas práticas ultrapassam os limites legais, podem configurar crimes previstos no ordenamento jurídico brasileiro, como ameaça, constrangimento ilegal, perseguição, estelionato, extorsão ou outras condutas criminosas, dependendo das circunstâncias analisadas pelas autoridades.

O ambiente digital trouxe novos desafios

A internet ampliou possibilidades de comunicação, aprendizado e relacionamento. Ao mesmo tempo, criou novos espaços onde criminosos podem tentar explorar a confiança das pessoas.

Por isso, famílias e instituições precisam fortalecer a educação digital, o diálogo e a orientação, especialmente com pessoas que possam apresentar maior dificuldade em reconhecer situações de risco.

A prevenção não significa vigilância abusiva ou retirada de liberdade. Significa criar ferramentas para que todos possam utilizar a tecnologia com segurança e autonomia.

O dever constitucional de proteção

A Constituição Federal brasileira estabelece como fundamento da República a dignidade da pessoa humana e garante a proteção dos direitos fundamentais.

O artigo 227 determina proteção integral às crianças e adolescentes, bem como pessoas portadoras de deficiência, neurodivergentes, usuários de substâncias psicotrópicas e demais vulnerabilidades previstas em lei, colocando-os a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) também determina que a pessoa com deficiência deve ser protegida contra toda forma de violência, negligência, exploração e tratamento desumano ou degradante.

O Estado brasileiro possui o dever de criar mecanismos de prevenção, investigação e responsabilização quando houver indícios de violações de direitos.

Autoridades precisam estar preparadas

O combate a crimes contra pessoas vulneráveis exige capacitação permanente dos profissionais responsáveis pela proteção da sociedade.

Polícias, Ministério Público, Judiciário, assistência social e órgãos de proteção precisam estar preparados para identificar sinais de exploração, violência psicológica e abuso de confiança dessas pessoas, inclusive com provável o uso de ameaças, chantagem e extorsão. 

Uma investigação qualificada deve observar não apenas a existência de uma possível infração penal, mas também o contexto de vulnerabilidade das vítimas e a eventual exploração dessa condição pelo agressor ou agressores. 

Proteger é garantir autonomia e dignidade

Uma sociedade justa não é aquela que controla pessoas consideradas vulneráveis, ou 'diferentes'. É aquela que cria condições para que elas possam viver com segurança, respeito, dignidade e liberdade, com todas as garantias previstas na Constituição Federal de 1988.

O combate à manipulação criminosa passa pela informação, pelo acolhimento das famílias, pela atuação responsável das autoridades e pelo compromisso coletivo de não permitir que a fragilidade humana seja transformada em oportunidade para quem pretende causar sofrimento ou obter vantagens ilícitas.

A vulnerabilidade de uma pessoa jamais pode ser vista como uma porta aberta para abusos. Ao contrário: deve ser um chamado para mais proteção, mais responsabilidade e mais humanidade. Fica aqui o alerta. Direitos humanos são para ser respeitados. E quando essa espécie de crime é praticado por um ou mais agentes públicos existe aí um agravante. 

Existem também relatos de abusos, inclusive por parte de autoridades, contra usuários de drogas, pessoas em situação de rua, pessoas portadoras de transtorno bipolar, deficientes físicos e sensoriais. Ser diferente não é crime, mas essa diferença pode ser usada porque criminosos e pessoas de má fé. Importante é que os poderes da República estejam sempre vigilantes. 

  • Constituição Federal de 1988 — direitos fundamentais e dignidade da pessoa humana.
  • Estatuto da Criança e do Adolescente — Lei nº 8.069/1990.
  • Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência — Lei nº 13.146/2015.
  • Código Penal Brasileiro — crimes contra liberdade individual, patrimônio e integridade psicológica.
- Edição e pesquisa realizadas com auxílio de IA. Projeto Sulpost.

28.7.26

Brasil lidera exportações mundiais de tabaco e setor movimenta bilhões de dólares na economia

Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná concentram cerca de 96% da produção nacional; Bélgica, China e Estados Unidos estão entre os principais compradores do produto brasileiro

Antes de qualquer debate sobre o consumo de tabaco, existe um fato econômico que costuma passar despercebido: o Brasil continua sendo o maior exportador mundial do produto e uma das principais referências globais na produção de fumo de alta qualidade. A atividade movimenta bilhões de dólares todos os anos, gera milhares de empregos diretos e indiretos e sustenta a renda de famílias agricultoras, especialmente na Região Sul.

Embora o tabagismo seja reconhecido como um importante problema de saúde pública, a cadeia produtiva do tabaco possui enorme relevância para a economia nacional. O país abastece mais de uma centena de mercados internacionais e mantém a liderança mundial nas exportações desde 1993.

Produção concentrada na Região Sul

Cerca de 96% de todo o tabaco produzido no Brasil é cultivado na Região Sul. O Rio Grande do Sul lidera a produção nacional, seguido por Santa Catarina e Paraná, estados onde predominam pequenas propriedades familiares que cultivam principalmente as variedades Virgínia, Burley e Comum.

Segundo dados da Epagri/Cepa e do setor produtivo, dezenas de milhares de famílias dependem diretamente da fumicultura como principal fonte de renda, movimentando também cooperativas, transportadoras, agroindústrias e o comércio regional.

Exportações atingem novo recorde

Os números mais recentes confirmam a força do setor. Em 2025, o Brasil exportou aproximadamente 561 mil toneladas de tabaco para 121 países, alcançando uma receita recorde de US$ 3,389 bilhões, um crescimento de 13,85% em relação ao ano anterior.

O resultado superou inclusive o recorde histórico anterior e reforçou a posição brasileira como principal fornecedor mundial de tabaco.

Em 2024, as exportações já haviam somado cerca de US$ 2,977 bilhões, demonstrando uma trajetória consistente de crescimento da cadeia produtiva.

Quem compra o tabaco brasileiro?

A Bélgica aparece como o principal destino das exportações brasileiras, respondendo por aproximadamente 24% das vendas externas. Na sequência aparecem:

  •  Bélgica
  • China
  • Estados Unidos
  • Egito
  • Indonésia

Apesar da liderança belga nas estatísticas, especialistas explicam que o país funciona como um grande centro logístico internacional. Boa parte do tabaco brasileiro desembarca no Porto de Antuérpia e posteriormente é redistribuída para outros mercados europeus ou transformada em produtos manufaturados.

Entre os principais destinos finais estão Reino Unido, França, Alemanha, Polônia, Suíça e Turquia. Já considerando o consumo efetivo, a China figura entre os maiores mercados mundiais para o tabaco brasileiro.

Tarifas norte-americanas

Os Estados Unidos permanecem entre os principais compradores do tabaco brasileiro, mesmo após a adoção de novas medidas tarifárias sobre produtos importados do Brasil. Ainda assim, o amplo número de mercados consumidores reduz a dependência de um único país e mantém a competitividade internacional da produção brasileira.

Uma atividade que movimenta milhares de famílias

Mais do que uma commodity agrícola, o tabaco representa uma importante fonte de renda para milhares de pequenos produtores rurais do Sul do país. A atividade impulsiona economias locais, gera empregos na indústria, no transporte, na logística e no comércio exterior.

Ao mesmo tempo em que o debate sobre os impactos do tabagismo permanece fundamental sob a perspectiva da saúde pública, os números mostram que a cadeia produtiva do tabaco continua desempenhando papel estratégico na balança comercial brasileira e na geração de divisas para o país.

Postagem editada pelo projeto Sulpost com base em dados oficiais do comércio exterior brasileiro e informações de entidades representativas da cadeia produtiva do tabaco. Atualizada em 29 de julho.

27.7.26

Curitiba recebe lançamento do livro de Marina Ganzarolli com debate inédito sobre os direitos das mulheres no Congresso

Pesquisa analisa mais de 1.400 projetos de lei apresentados desde a Constituição de 1988 e inspira encontro que reunirá lideranças da política, da academia, da imprensa e da sociedade civil na capital paranaense

Pesquisa analisa mais de 1.400 projetos de lei apresentados desde a Constituição de 1988 e inspira encontro que reunirá lideranças da política, da academia, da imprensa e da sociedade civil na capital paranaense

Na próxima quinta-feira (30), Curitiba será o cenário de um debate sobre a participação das mulheres na política e a construção de políticas públicas voltadas à igualdade de direitos. O encontro marca o lançamento do livro O que o Congresso pensa sobre as mulheres? Diálogos sobre Produção Legislativa e Gênero no Brasil, da advogada e pesquisadora Marina Ganzarolli (foto), fundadora e presidente da organização Me Too Brasil.

A publicação é resultado da pesquisa de mestrado desenvolvida por Marina na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e apresenta uma análise inédita de mais de 1.400 projetos de lei apresentados ao Congresso Nacional desde a promulgação da Constituição Federal de 1988. O estudo busca compreender como o Parlamento brasileiro tem tratado as questões relacionadas aos direitos das mulheres e à igualdade de gênero ao longo das últimas décadas.

Além de apresentar os resultados da pesquisa, o lançamento pretende ampliar o diálogo sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na política institucional, os avanços obtidos pela legislação brasileira e os caminhos ainda necessários para fortalecer a democracia e garantir maior igualdade de direitos.

Debate reúne representantes da política, da academia e da sociedade civil

Após o lançamento da obra, será realizado um debate que reunirá lideranças políticas, pesquisadoras, jornalistas e representantes de movimentos sociais para discutir a produção legislativa voltada às mulheres e os desafios para a construção de políticas públicas mais inclusivas.

Participam da mesa:

  • Victoria Gallo, pré-candidata à Assembleia Legislativa do Paraná;
  • Lais Leão (PDT), vereadora de Curitiba;
  • Caroline Sardrá (PSOL), deputada estadual de Santa Catarina;
  • Carol Silva, representante da FONATRANS (Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros).

A mediação ficará a cargo de quatro profissionais com atuação destacada em direitos humanos, gênero e democracia:

  • Aline Reis, jornalista do Plural e especialista na cobertura de direitos humanos e questões sociais;
  • Mariana Martins, defensora pública com atuação na promoção dos direitos humanos e no acesso à Justiça;
  • Dayana Brunetto, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), referência nos estudos sobre gênero e diversidade;
  • Desiree Salgado, professora de Direito Constitucional da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Evento busca ampliar o debate sobre igualdade de direitos

Promovido pela Me Too Brasil, o encontro pretende estimular reflexões sobre a representação feminina na política brasileira, a elaboração de leis sob a perspectiva de gênero e os desafios para ampliar a participação das mulheres nos espaços de decisão.

Segundo os organizadores, a iniciativa também busca aproximar a produção acadêmica do debate público, incentivando o diálogo entre universidades, instituições públicas, movimentos sociais e a sociedade civil.

O evento é aberto ao público e direcionado a estudantes, docentes, pesquisadoras e pesquisadores, integrantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, servidoras e servidores públicos, representantes de organizações da sociedade civil e todas as pessoas interessadas na promoção dos direitos das mulheres.

Após o encerramento do debate, os participantes serão convidados para um coquetel de lançamento do livro.

Sobre a autora

Marina Ganzarolli é advogada, pesquisadora e fundadora da Me Too Brasil. Sua atuação concentra-se na defesa dos direitos das mulheres, no enfrentamento à violência sexual e na produção de conhecimento sobre igualdade de gênero e democracia. A pesquisa que originou o livro foi desenvolvida no Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

Sobre a Me Too Brasil

Inspirada no movimento internacional #MeToo, a Me Too Brasil é uma organização da sociedade civil dedicada ao enfrentamento da violência sexual e à promoção dos direitos das mulheres.

A instituição desenvolve ações de acolhimento a vítimas, advocacy, produção de conhecimento e articulação com universidades, órgãos públicos e organizações da sociedade civil, buscando fortalecer políticas públicas voltadas à prevenção da violência e à garantia dos direitos das mulheres.


Serviço

Evento: Lançamento do livro O que o Congresso pensa sobre as mulheres? Diálogos sobre Produção Legislativa e Gênero no Brasil e debate sobre os direitos das mulheres no Congresso.

Data: 30 de julho de 2026 (quinta-feira)

Horário: 19h

Local: Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná

Endereço: Rua José Loureiro, Curitiba – PR

Entrada: Gratuita

Realização: Me Too Brasil

Assessoria de imprensa: Martha Toledo

Telefone: (41) 98474-4095

26.7.26

Parada do Orgulho LGBT+ colore Brasília e reforça mobilização por direitos e participação nas eleições

Evento reuniu milhares de pessoas na Esplanada dos Ministérios, unindo celebração, cidadania, serviços públicos e o incentivo ao voto consciente

Evento reuniu milhares de pessoas na Esplanada dos Ministérios, unindo celebração, cidadania, serviços públicos e o incentivo ao voto consciente

BRASÍLIA (DF) — O calor intenso da tarde de domingo (26) não foi suficiente para desanimar quem tomou conta da Esplanada dos Ministérios. Muito pelo contrário. Sob um céu limpo e um sol forte, milhares de pessoas transformaram o centro político do país em um grande mosaico de cores, bandeiras e manifestações de orgulho durante a 27ª Parada Brasília Orgulho.

Entre fantasias, maquiagens, leques e bandeiras do movimento LGBT+, a mensagem era visível em cada detalhe: afirmar a existência, a diversidade e o direito de viver com dignidade. A celebração, realizada desde 1998, voltou a reunir famílias, militantes, artistas e apoiadores em defesa da igualdade de direitos.

Mais que uma celebração

Com o tema "LGBT, levante e vote", a edição de 2026 colocou em evidência a importância da participação política da comunidade. A proposta foi incentivar o eleitorado a apoiar candidaturas comprometidas com a defesa dos direitos humanos, o combate à discriminação e a ampliação das políticas públicas voltadas à população LGBT+.

Ao longo da programação, o evento também ofereceu diversos serviços gratuitos. Equipes de enfermagem realizaram atendimentos de saúde, a Polícia Civil disponibilizou um espaço para receber denúncias de LGBTfobia e a Defensoria Pública orientou cidadãos sobre a inclusão do nome social em documentos oficiais.

Conquistas e desafios

Além do caráter festivo, a parada reafirmou seu papel como espaço de mobilização social. Organizadores destacaram que, desde a primeira edição, a comunidade conquistou avanços importantes em representatividade política e reconhecimento de direitos. Ao mesmo tempo, lembraram que ainda persistem desafios relacionados ao preconceito, à violência e à necessidade de ampliar a proteção legal para pessoas LGBT+.

Ao ocupar um dos espaços mais simbólicos da política brasileira, a Parada Brasília Orgulho voltou a reforçar que diversidade, respeito e cidadania caminham juntos. Para os participantes, celebrar a própria identidade também é um ato de resistência e de esperança na construção de um país mais inclusivo, onde todas as pessoas possam viver e amar com liberdade.

Apoie o jornalismo independente

O Sulpost é um veículo de comunicação independente, comprometido com o jornalismo de qualidade, a democracia e o interesse público.

Se você valoriza nosso trabalho, considere fazer uma contribuição via PIX. Sua colaboração ajuda a manter este projeto editorial livre e acessível.

PIX: (41)99281-4340 - WhatsApp

25.7.26

Crianças brasileiras enfrentam riscos crescentes diante da crise climática, aponta estudo do Unicef

Painel identifica 333 municípios em situação de alta vulnerabilidade socioambiental e revela que os impactos das mudanças climáticas atingem de forma desigual a infância e a adolescência no Brasil

Reprodução/Flicker 

O futuro costuma ser associado à infância. Mas, em um país cada vez mais afetado por secas prolongadas, enchentes, queimadas e ondas de calor, são justamente as crianças que aparecem entre as mais vulneráveis aos efeitos da crise climática.

Um estudo divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em parceria com a organização internacional Vital Strategies, traça um retrato preocupante da realidade brasileira. O levantamento mostra que 333 municípios — cerca de 6% das cidades do país — apresentam um quadro de alta vulnerabilidade socioambiental e climática para crianças e adolescentes, exigindo atenção imediata do poder público.

As informações fazem parte do Painel Crianças e Meio Ambiente, plataforma que reúne indicadores dos 5.571 municípios brasileiros e permite identificar os principais desafios enfrentados por cada território entre 2021 e 2025.

Um mapa da infância diante da emergência climática

O painel avalia 14 indicadores distribuídos em quatro grandes áreas: qualidade do ar, infraestrutura ambiental e urbana, eventos climáticos extremos e ambiente escolar.

Entre os fatores analisados estão a ocorrência de chuvas intensas, secas e ondas de calor, o acesso à água tratada e ao saneamento básico, além da poluição atmosférica causada por queimadas, transporte e atividades industriais.

Cada município recebe uma classificação de prioridade. As cidades enquadradas no nível 3 concentram os maiores riscos e demandam ações urgentes. Segundo o levantamento, os 333 municípios dessa categoria apresentam alta prioridade em mais de dez dos 14 indicadores avaliados, configurando uma situação de vulnerabilidade severa e multidimensional.

Na outra ponta, apenas 108 municípios brasileiros (1,9%) não registraram alta prioridade em nenhum dos indicadores analisados.

Região Norte concentra os cenários mais críticos

O estudo revela forte concentração das áreas mais vulneráveis na Região Norte. Pará, Amazonas, Acre e Maranhão aparecem entre os estados com maior número de municípios em situação crítica. Mato Grosso também integra esse grupo.

Entre os 30 municípios com pior desempenho agregado, 24 estão na Região Norte, quatro pertencem ao Maranhão e outros quatro localizam-se em Mato Grosso.

Segundo a nota técnica, muitos desses municípios possuem pequena população, dependem de atividades econômicas primárias e enfrentam limitações estruturais que reduzem a capacidade de prevenir e responder aos impactos das mudanças climáticas.

Queimadas, enchentes e falta de saneamento ampliam os desafios

A qualidade do ar aparece como um dos principais problemas. Na Região Norte, 94% dos municípios foram classificados em situação prioritária devido à elevada concentração de partículas finas acima dos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), cenário associado principalmente às queimadas.

No Sudeste, embora apenas 39% das cidades estejam na faixa de maior prioridade, elas concentram cerca de 72% da população infantil da região, onde a poluição está mais relacionada ao intenso fluxo de veículos e às atividades industriais.

Os eventos climáticos extremos também chamam atenção. A Região Norte concentra 91% dos municípios prioritários, enquanto a Região Sul reúne 68%, sobretudo em razão da frequência de chuvas intensas.

Nos indicadores de infraestrutura ambiental e urbana, Norte e Nordeste apresentam os cenários mais preocupantes, refletindo dificuldades históricas relacionadas ao acesso ao saneamento básico, abastecimento de água e investimentos em infraestrutura.

Já no ambiente escolar, Nordeste e Sudeste lideram os índices de escolas sem áreas verdes, condição que reduz o conforto térmico e amplia os impactos das altas temperaturas sobre estudantes.

Ferramenta orienta políticas públicas

Além de apresentar um diagnóstico detalhado de cada município brasileiro, o Painel Crianças e Meio Ambiente reúne cerca de 50 recomendações para apoiar gestores públicos na elaboração de políticas de prevenção, adaptação e enfrentamento dos impactos climáticos.

A proposta é transformar informações técnicas em instrumentos capazes de direcionar investimentos, fortalecer o planejamento local e reduzir desigualdades que atingem milhões de crianças e adolescentes.

Em um cenário de mudanças climáticas cada vez mais intensas, o levantamento reforça que proteger a infância significa investir em cidades mais resilientes, ampliar o acesso ao saneamento, melhorar a qualidade do ar, preservar áreas verdes e preparar os municípios para enfrentar eventos extremos que já fazem parte da realidade brasileira.

O Sulpost precisa do seu apoio

Produzir jornalismo independente, baseado em informação qualificada e de interesse público, exige tempo, dedicação e recursos.

Se você acredita na importância de uma imprensa livre e comprometida com os fatos, contribua com qualquer valor via PIX. Copie e cola a chave abaixo (e-mail)

PIX:   ronaldstresser@uol.com.br

Sua colaboração fortalece o jornalismo independente e ajuda o Sulpost a continuar produzindo conteúdo gratuito e de qualidade.

Obrigado por apoiar este projeto.

Compartilhe esta reportagem

Facebook | X (Twitter)

24.7.26

IA já está em seis de cada dez órgãos públicos brasileiros e transforma também o jornalismo

Levantamento do CGI.br mostra que o Poder Judiciário lidera a adoção da Inteligência Artificial no setor público. Redações de jornais, emissoras de rádio e televisão também aceleram a incorporação da tecnologia, redefinindo a forma como a informação é produzida e distribuída

 

Há poucos anos, a Inteligência Artificial parecia um assunto restrito aos laboratórios de pesquisa e às gigantes da tecnologia. Hoje, ela está presente no cotidiano de servidores públicos, magistrados, jornalistas, apresentadores de televisão e profissionais de rádio. O avanço é silencioso, mas profundo. A IA passou a assumir tarefas repetitivas, organizar milhões de informações em segundos e oferecer respostas que, até pouco tempo atrás, dependiam exclusivamente do trabalho humano.

Essa transformação aparece de forma clara na nova edição da pesquisa TIC Governo 2025, divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). O levantamento revela que 59% dos órgãos públicos federais e estaduais brasileiros já utilizam alguma aplicação de Inteligência Artificial, consolidando uma mudança estrutural na administração pública do país.

Os números impressionam principalmente no Poder Judiciário, onde a tecnologia já está presente em 94% dos órgãos. Em seguida aparecem o Ministério Público (92%), o Poder Legislativo (83%) e o Poder Executivo (55%). O estudo demonstra que a digitalização do Estado brasileiro entrou em uma nova etapa: não basta mais informatizar processos. Agora, a tendência é utilizar sistemas capazes de aprender padrões, interpretar documentos e auxiliar na tomada de decisões.

A tecnologia que deixou de ser promessa

O levantamento mostra que a adoção da IA é mais intensa na esfera federal, onde 70% dos órgãos utilizam a tecnologia. Nos governos estaduais, o índice chega a 58%.

Entre as aplicações mais frequentes está a automatização de fluxos de trabalho, presente em 39% das instituições. Em seguida aparecem as ferramentas de mineração de texto e análise de linguagem (35%) e os sistemas de aprendizagem de máquina voltados à análise e predição de dados (31%).

Na prática, isso significa que tarefas antes realizadas manualmente passaram a ser executadas em poucos segundos. Documentos podem ser classificados automaticamente, contratos analisados em grande escala e bancos de dados cruzados para identificar inconsistências, fraudes ou padrões administrativos.

Ao mesmo tempo, tecnologias como Internet das Coisas (IoT) e Blockchain ainda aparecem com participação bem menor na administração pública, demonstrando que a Inteligência Artificial assumiu protagonismo entre as ferramentas digitais mais avançadas utilizadas pelo Estado brasileiro.

Prefeituras também entram na era da IA

Pela primeira vez, a pesquisa TIC Governo incluiu as administrações municipais em seu levantamento sobre Inteligência Artificial. O resultado mostra que 27% das prefeituras brasileiras utilizaram alguma aplicação de IA nos doze meses anteriores à pesquisa.

O percentual, entretanto, esconde uma desigualdade significativa entre os municípios. Nas cidades com mais de 500 mil habitantes, a adoção alcança 85%. Entre as capitais, chega a 81%. Já nos municípios com até 10 mil habitantes, apenas 22% utilizam a tecnologia.

A diferença evidencia um velho desafio brasileiro: enquanto grandes centros conseguem investir em infraestrutura tecnológica e qualificação profissional, pequenos municípios ainda enfrentam limitações orçamentárias, escassez de pessoal especializado e dificuldades para implantar soluções digitais mais sofisticadas.

Mesmo assim, onde a IA já foi incorporada, ela vem sendo utilizada principalmente para automatizar processos administrativos, analisar documentos e melhorar o atendimento prestado à população.

Capacitação tornou-se o principal desafio

Se a tecnologia avança rapidamente, a formação dos profissionais ainda caminha em ritmo mais lento.

Segundo a pesquisa do CGI.br, a falta de capacitação aparece hoje como o maior obstáculo para ampliar o uso da Inteligência Artificial no setor público. O problema foi apontado por 19% dos órgãos federais, 21% dos estaduais e impressionantes 40% das prefeituras.

O gerente do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), Alexandre Barbosa, avalia que os resultados demonstram que a IA já faz parte da realidade do Estado brasileiro, mas ressalta que investir na qualificação dos servidores será decisivo para garantir que essas ferramentas realmente melhorem os serviços públicos.

Essa preocupação ganha ainda mais relevância diante da expansão da chamada Inteligência Artificial generativa, capaz de produzir textos, imagens, códigos de programação, relatórios e diversos outros conteúdos de maneira automática.

IA generativa já entrou na rotina do governo

Pela primeira vez, o estudo também investigou especificamente o uso da Inteligência Artificial generativa na administração pública.

Os resultados mostram que 65% dos órgãos federais já utilizam esse tipo de tecnologia em processos internos, enquanto 29% a empregam diretamente em serviços destinados ao cidadão.

Mais da metade das instituições federais (59%) já oferece cursos ou treinamentos sobre IA aos servidores. Além disso, 46% contrataram ferramentas específicas para uso profissional e 43% elaboraram diretrizes ou manuais internos para orientar o uso responsável da tecnologia.

Esses dados revelam que a preocupação deixou de ser apenas tecnológica. Agora, envolve também governança, transparência, segurança da informação e uso ético da Inteligência Artificial.

A revolução também chegou às redações

Enquanto governos modernizam sua estrutura administrativa, outro setor passa por uma revolução silenciosa: o jornalismo.

As grandes redações brasileiras e internacionais vêm incorporando ferramentas de Inteligência Artificial para acelerar processos que antes consumiam horas — ou até dias — de trabalho.

Hoje, softwares conseguem transcrever entrevistas automaticamente, resumir documentos extensos, identificar tendências em grandes bases de dados, traduzir conteúdos para diferentes idiomas e até sugerir pautas baseadas em assuntos que estão mobilizando o interesse do público.

Segundo o Digital News Report 2026, produzido pelo Reuters Institute da Universidade de Oxford, a IA deixou de ser apenas um recurso experimental e passou a integrar o cotidiano de diversas empresas jornalísticas ao redor do mundo, inclusive no Brasil. O objetivo não é substituir jornalistas, mas aumentar produtividade, ampliar a capacidade de análise de dados e liberar profissionais para atividades de maior valor editorial.

Da apuração à publicação: como a IA está mudando o jornalismo

O impacto da Inteligência Artificial vai muito além da redação de textos. Nas empresas de comunicação, ela já participa de praticamente todas as etapas da produção jornalística. Ferramentas especializadas ajudam a organizar grandes volumes de documentos, localizar informações em segundos, identificar padrões em bases de dados públicas e transformar planilhas complexas em gráficos e visualizações que facilitam a compreensão do leitor.

Uma das experiências mais conhecidas no Brasil foi desenvolvida pelo O Globo, que utilizou Inteligência Artificial para analisar cerca de 600 mil discursos proferidos por deputados federais e senadores entre 2001 e 2024. O projeto permitiu examinar aproximadamente 255 milhões de palavras, revelando padrões de comportamento parlamentar que dificilmente poderiam ser identificados apenas por análise humana.

Esse tipo de jornalismo baseado em dados mostra que a IA funciona como uma ferramenta de apoio à investigação. Ela amplia a capacidade de processamento das redações, mas continua dependente da interpretação, da checagem e do olhar crítico dos jornalistas para transformar informações em notícias confiáveis.

Rádio e TG também aceleram transformação digital

No rádio, a Inteligência Artificial já faz parte da rotina de muitas emissoras. Sistemas de reconhecimento de voz produzem transcrições automáticas de entrevistas, facilitam a indexação dos programas e permitem localizar rapidamente trechos específicos de horas de gravação. Emissoras também utilizam algoritmos para gerar legendas em tempo real, converter textos em áudio e adaptar conteúdos para diferentes plataformas digitais.

Na televisão, o avanço segue a mesma direção. Ferramentas inteligentes auxiliam na edição de vídeos, na catalogação de imagens de arquivo, na criação automática de legendas e na produção de versões adaptadas para redes sociais. Em poucos minutos, uma reportagem exibida em um telejornal pode ser convertida em vídeos curtos para plataformas digitais, acompanhados de títulos, descrições e legendas geradas automaticamente.

Também cresce o uso de sistemas capazes de monitorar tendências nas redes sociais em tempo real. Eles ajudam as equipes de reportagem a identificar assuntos de maior repercussão, detectar mudanças no comportamento do público e acompanhar acontecimentos que podem dar origem a novas pautas.

O fator humano continua indispensável

Apesar do avanço acelerado da tecnologia, especialistas em comunicação são praticamente unânimes em afirmar que a Inteligência Artificial não substitui o trabalho jornalístico. Ela pode organizar informações, sugerir caminhos, resumir documentos e acelerar processos, mas ainda não possui discernimento editorial, responsabilidade ética nem capacidade de contextualização comparáveis às de um profissional experiente.

Esse cuidado tornou-se ainda mais importante diante da proliferação das chamadas deepfakes, imagens sintéticas e conteúdos produzidos artificialmente que podem ser utilizados para disseminar desinformação. Quanto mais sofisticadas se tornam as ferramentas de IA, maior também é a necessidade de fortalecer processos de verificação, checagem e validação das informações.

Por essa razão, cresce em todo o mundo o debate sobre transparência no uso da Inteligência Artificial pelas empresas jornalísticas. Diversos veículos já publicaram diretrizes estabelecendo em quais situações essas ferramentas podem ser utilizadas e quais etapas da produção continuam sob responsabilidade exclusiva de jornalistas e editores.

Entre eficiência e responsabilidade

O cenário desenhado pela pesquisa TIC Governo 2025 revela que o Brasil entrou definitivamente na era da Inteligência Artificial. O setor público amplia sua capacidade de atender cidadãos, reduzir burocracias e tornar processos mais eficientes. Ao mesmo tempo, empresas de comunicação utilizam a tecnologia para ampliar sua capacidade de investigação, acelerar rotinas produtivas e alcançar novos públicos.

Entretanto, o próprio estudo mostra que tecnologia, sozinha, não resolve problemas estruturais. A falta de profissionais qualificados continua sendo a principal barreira para uma adoção mais ampla da IA, especialmente nos pequenos municípios brasileiros.

Da mesma forma, no jornalismo, a inovação tecnológica não elimina a necessidade da apuração rigorosa, do contraditório, da análise crítica e do compromisso permanente com a verdade dos fatos. A Inteligência Artificial pode acelerar processos e ampliar possibilidades, mas a credibilidade continua sendo uma construção essencialmente humana.

Talvez essa seja a principal lição deixada pelos dados divulgados pelo CGI.br. A revolução provocada pela Inteligência Artificial não está apenas na capacidade das máquinas de aprender. Ela está, sobretudo, no desafio lançado às pessoas: aprender a utilizar essas ferramentas de forma ética, transparente e responsável, colocando a tecnologia a serviço da sociedade — e nunca o contrário.

Sulpost — Jornalismo independente, contextualizado e comprometido com o interesse público. Se você curtiu essa postagem, considere nos apoiar via pix: sulpost@outlook.com.br

Com informações da Agência Brasil; Pesquisa TIC Governo 2025 (CGI.br/Cetic.br/NIC.br); Reuters Institute for the Study of Journalism – Digital News Report 2025 e 2026; WAN-IFRA (World Association of News Publishers). 

Brasil é o país que menos consome álcool entre Brasil, Estados Unidos e Alemanha

Levantamentos internacionais mostram que mais da metade dos brasileiros não bebe regularmente, enquanto o consumo é parte do cotidiano da maioria dos alemães

Levantamentos internacionais mostram que mais da metade dos brasileiros não bebe regularmente, enquanto o consumo é parte do cotidiano da maioria dos alemães

Sentar-se à mesa, brindar com amigos ou reunir a família em uma comemoração. Em muitos países, a bebida alcoólica faz parte desses momentos, mas a intensidade desse hábito varia bastante ao redor do mundo. Uma comparação entre Brasil, Estados Unidos e Alemanha revela diferenças culturais que ajudam a explicar por que os brasileiros, apesar da fama de apreciadores da cerveja, estão longe de figurar entre os maiores consumidores de álcool.

Dados de organismos internacionais e de levantamentos nacionais indicam que o Brasil é, entre os três países analisados, aquele onde há a maior proporção de pessoas que não consomem bebidas alcoólicas regularmente.

Mais da metade dos brasileiros diz não beber

No Brasil, cerca de 44% dos adultos consumiram bebidas alcoólicas ao menos uma vez nos últimos 12 meses. Isso significa que aproximadamente 56% da população adulta permaneceu sem consumir álcool nesse período, seja por opção, motivos religiosos, questões de saúde ou estilo de vida.

Nos Estados Unidos, o cenário é bastante diferente. Estima-se que 72% dos adultos consumam bebidas alcoólicas ao longo do ano, enquanto cerca de 28% permanecem abstêmios.

Já na Alemanha, o álcool faz parte da cultura cotidiana. Aproximadamente 89% dos adultos beberam nos últimos 12 meses, restando apenas 11% da população adulta sem consumir bebidas alcoólicas nesse período.

Comparativo entre os três países

Indicador Brasil Estados Unidos Alemanha
Consumiram álcool no último ano 44% 72% 89%
Não consumiram álcool no último ano 56% 28% 11%
Consumo anual de álcool puro por habitante (15+) 7,7 litros 9,8 litros 10,6 litros

O Sul lidera o consumo no Brasil

Mesmo sendo o país que menos consome álcool entre os três comparados, existem diferenças importantes dentro do território brasileiro. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, a Região Sul apresenta a maior frequência de consumo de bebidas alcoólicas do país. Cerca de 35,6% dos adultos afirmam beber pelo menos uma vez por mês.

Na outra ponta está a Região Norte, onde aproximadamente 20,5% dos adultos relatam consumir bebidas alcoólicas mensalmente.

Especialistas apontam que fatores históricos, culturais, climáticos e econômicos ajudam a explicar essas diferenças regionais.

Muito além dos estereótipos

A imagem do brasileiro como um dos povos que mais bebe no mundo não encontra respaldo nas estatísticas internacionais. Embora o país seja um dos maiores mercados consumidores de cerveja em números absolutos, isso ocorre principalmente por causa do tamanho da população. Quando o consumo é analisado por habitante, Brasil aparece atrás de diversos países europeus e também dos Estados Unidos.

Na Alemanha, por exemplo, o consumo de cerveja e vinho está profundamente ligado às tradições locais e ao convívio social. Nos Estados Unidos, o hábito é igualmente difundido, embora marcado por diferenças culturais entre os estados e por campanhas permanentes de combate ao consumo excessivo.

O consumo responsável é o desafio

Independentemente do volume consumido, autoridades de saúde alertam que o uso abusivo do álcool continua sendo um importante fator de risco para doenças cardiovasculares, cirrose hepática, diversos tipos de câncer, acidentes de trânsito e episódios de violência.

Mais do que estabelecer um ranking entre países, a comparação revela como o álcool ocupa espaços diferentes em cada sociedade. Enquanto na Alemanha ele faz parte do cotidiano da ampla maioria da população, no Brasil mais da metade dos adultos opta por não consumir bebidas alcoólicas regularmente.

Os números ajudam a desfazer um mito bastante difundido: proporcionalmente, o brasileiro bebe menos do que os alemães e os norte-americanos.

Ajude o Sulpost a continuar fazendo jornalismo independente

O Sulpost é um projeto de jornalismo cidadão, independente e comprometido com a informação de qualidade. Se você valoriza esse trabalho, considere fazer uma contribuição de qualquer valor.

PIX: sulpost@outlook.com.br

Sua colaboração ajuda a manter este espaço livre, plural e acessível para todos.

Compartilhe:

Facebook | X (Twitter)

Fontes: Pesquisa Nacional de Saúde (IBGE), LENAD/Unifesp, Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Centro Federal de Educação para a Saúde da Alemanha.

O Senado e a arte de sobreviver

Casa criada para representar a experiência e o equilíbrio da República também enfrenta críticas sobre carreiras políticas longevas e baixa renovação institucional

O Senado Federal nasceu para ser a Casa da maturidade. A Constituição brasileira herdou a tradição bicameral segundo a qual uma segunda câmara serviria como freio às paixões momentâneas da política, oferecendo estabilidade institucional e uma visão de longo prazo. A inspiração remonta ao senatus romano, conselho de anciãos encarregado de orientar os rumos da República.

Na teoria, seria o espaço da reflexão. Na prática brasileira, porém, muitas vezes tornou-se também o espaço da permanência.

Não da permanência das ideias, mas da permanência dos homens. A experiência acumulada por alguns parlamentares nem sempre se traduz em produção legislativa expressiva ou em grandes reformas nacionais.

Em diversos casos, transforma-se em algo muito mais valioso dentro da lógica de Brasília: capital político, influência sobre as comissões, domínio do regimento interno, relações consolidadas com diferentes governos e capacidade de atravessar sucessivas mudanças de poder sem perder protagonismo.

É uma especialização rara.

A especialização da sobrevivência.

O poder que não aparece

Ao longo das últimas décadas, diversos senadores permaneceram no Congresso durante quatro, cinco e até seis mandatos consecutivos, atravessando governos de diferentes partidos e orientações ideológicas.

Nesse ambiente, o prestígio nem sempre decorre da quantidade de leis aprovadas.

Em muitos casos, nasce da capacidade de controlar a pauta, negociar votações, construir maiorias, indicar cargos estratégicos e exercer influência nos bastidores. O poder legislativo formal divide espaço com um poder invisível, exercido por quem domina os mecanismos internos da Casa.

O Senado, afinal, não funciona apenas por discursos no plenário.

Grande parte das decisões ocorre nas reuniões de líderes, nas presidências das comissões permanentes e temporárias e nas negociações políticas que antecedem cada votação. Quem conhece essas engrenagens dificilmente se torna irrelevante.

Renovação: promessa antiga

É justamente nesse cenário que reaparece, a cada eleição, o discurso da renovação.

O argumento parece irresistível.

Se o Senado envelheceu junto com seus personagens, seria natural imaginar que novas lideranças representariam automaticamente novos métodos.

Mas a política raramente é tão simples.

O Brasil já testemunhou ondas de renovação parlamentar em diferentes momentos. Algumas produziram mudanças importantes. Outras apenas substituíram sobrenomes antigos por novos rostos que rapidamente aprenderam a operar segundo as mesmas regras do sistema político.

Renovar pessoas não significa, necessariamente, renovar práticas. O sistema político possui enorme capacidade de absorver seus próprios críticos.

O mandato mais longo da República

O mandato de senador é de oito anos, o mais longo entre todos os cargos eletivos brasileiros.

A justificativa constitucional sempre foi oferecer estabilidade e independência em relação às pressões eleitorais imediatas.

Há lógica nessa escolha. Projetos estruturantes, reformas constitucionais e decisões de Estado exigem continuidade.

Mas existe um efeito colateral. Quanto maior o tempo no cargo, maiores também tendem a ser as redes de influência política, administrativa e econômica construídas ao longo do mandato.

Com sucessivas reeleições, essas redes frequentemente se tornam patrimônio político difícil de ser enfrentado por candidatos iniciantes.

Representação ou carreira?

O Senado representa os estados da Federação.

Cada unidade federativa possui três senadores, independentemente do tamanho da população. Esse desenho busca equilibrar o pacto federativo, garantindo que estados menores tenham peso semelhante ao dos maiores.

Ainda assim, cresce entre cientistas políticos e parte da sociedade o debate sobre a profissionalização da política.

Quando um parlamentar permanece por 30 ou 40 anos na mesma instituição, continua representando o eleitorado ou passa a representar principalmente a própria estrutura que ajudou a construir?

Não existe resposta única. Há senadores cuja longevidade está associada à reconhecida capacidade técnica e liderança institucional. Há outros cuja principal virtude parece ser compreender, melhor do que ninguém, o momento exato de mudar de posição para continuar ocupando espaço.

Experiência e renovação precisam caminhar juntas

Toda democracia madura convive com uma tensão permanente. De um lado, precisa preservar a memória institucional, acumulada por parlamentares experientes. De outro, necessita abrir espaço para novas lideranças, novas ideias e diferentes formas de representar a sociedade.

Sem experiência, a política corre o risco da improvisação. Sem renovação, aproxima-se da estagnação. O verdadeiro desafio talvez não esteja em escolher entre juventude e experiência.

Está em impedir que a permanência se transforme em um fim em si mesma. Porque o Senado foi concebido para proteger a República. Nunca para proteger carreiras.

E quando sobreviver se torna mais importante do que representar, a política deixa de servir ao país para servir à própria sobrevivência de quem ocupa o poder.

23.7.26

Esgoto sem tratamento ainda ameaça rios e o futuro da água; ONU cobra aceleração das ações até 2030

Novo relatório da ONU revela que o tratamento de águas residuais não acompanhou o crescimento da demanda por água. No Brasil, os avanços convivem com um déficit histórico de saneamento

Novo relatório da ONU revela que o tratamento de águas residuais não acompanhou o crescimento da demanda por água. No Brasil, os avanços convivem com um déficit histórico de saneamento. Esgoto sem tratamento ainda ameaça rios e o futuro da água; ONU cobra aceleração das ações até 2030

A água que desaparece pelo ralo das casas não some. Ela segue um caminho que, quando interrompido pela falta de coleta e tratamento, acaba desembocando em rios, lagos, represas e, muitas vezes, na própria torneira de milhões de pessoas. É um ciclo silencioso que ajuda a explicar por que a crise da água não é apenas um problema de escassez, mas também de poluição.

Esse é um dos principais alertas do novo Relatório Síntese do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 (ODS 6), divulgado pela UN-Water, programa das Nações Unidas responsável pela coordenação das políticas globais sobre água e saneamento. O documento faz um balanço de dez anos de implementação da Agenda 2030 e conclui que, embora o mundo tenha avançado, o ritmo continua insuficiente para garantir água limpa e saneamento para todos até o fim da década.

O esgoto continua sendo um dos maiores inimigos da água

Segundo a ONU, o tratamento das águas residuais melhorou nos últimos anos, mas esse avanço ficou atrás do aumento da geração de esgoto provocado pelo crescimento populacional, pela urbanização e pelo desenvolvimento econômico.

Hoje, apenas 56% das águas residuais domésticas do planeta recebem tratamento seguro, percentual praticamente estagnado desde 2020. Isso significa que quase metade do esgoto produzido no mundo ainda é lançada no meio ambiente sem tratamento adequado, contaminando cursos d'água, degradando ecossistemas e aumentando riscos à saúde pública.

Para a ONU, investir em saneamento deixou de ser apenas uma política de saúde. Tornou-se uma estratégia de adaptação às mudanças climáticas, de proteção da biodiversidade, de segurança alimentar e de desenvolvimento econômico.

O desafio brasileiro

O cenário brasileiro ilustra bem esse contraste entre avanços e desafios. Dados do monitoramento global do ODS 6 mostram que 89% da população brasileira já tem acesso à água potável gerida de forma segura, mas apenas 55% dispõe de serviços de saneamento considerados seguros. No caso do tratamento das águas residuais domésticas, o índice nacional chega a apenas 43%, abaixo da média mundial.

Na prática, isso significa que milhões de brasileiros ainda convivem diariamente com rios transformados em canais de esgoto, contaminação de mananciais, proliferação de doenças e desperdício de um recurso cada vez mais valioso.

Mesmo estados que ampliaram a coleta de esgoto ainda enfrentam dificuldades para universalizar o tratamento, etapa essencial para impedir que a poluição retorne aos rios.

Água e clima caminham juntos

O relatório destaca que a crise climática amplia ainda mais a urgência desses investimentos.

Secas prolongadas reduzem a disponibilidade de água doce, enquanto chuvas extremas sobrecarregam sistemas de drenagem e estações de tratamento. Em muitos casos, a combinação desses fatores aumenta a contaminação dos mananciais justamente quando a população mais precisa deles.

Para a ONU, proteger rios, lagos, aquíferos e áreas úmidas será tão importante quanto ampliar redes de abastecimento e coleta de esgoto nos próximos anos. E, essa preocupação e trabalho das Nações Unidas deve ser também de cada um de nós, não lançando dejetos contaminantes em mananciais e cobrando do poder público o devido o tratamento das águas de esgoto. 

Infelizmente no Brasil ainda existem muitos emissários submarinos, em cidades costeiras do país, que lançam toneladas de esgoto nos, oceanos sem nenhuma espécie de tratamento.

O que a ONU propõe

O documento servirá de base para as discussões do Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e também começa a desenhar a agenda internacional que sucederá os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável após 2030.

Entre as prioridades apontadas pela ONU estão:

  • Ampliar os investimentos em água e saneamento;
  • Acelerar reformas nas políticas públicas;
  • Fortalecer a gestão integrada dos recursos hídricos;
  • Estimular a reutilização segura da água;
  • Promover inovação tecnológica e cooperação internacional.

Segundo a UN-Water, a experiência acumulada ao longo da última década demonstra que metas globais claras ajudam governos a reformar políticas públicas, integrar diferentes setores e acelerar resultados concretos. O desafio agora é transformar esse aprendizado em ações capazes de garantir segurança hídrica para as próximas gerações.

Um recurso finito

Embora o Brasil concentre cerca de 12% da água doce superficial do planeta, essa riqueza está distribuída de forma desigual. Regiões densamente povoadas convivem com pressão crescente sobre os mananciais, agravada pela poluição, pelo desmatamento, pela ocupação irregular e pelas mudanças climáticas.

A mensagem da ONU é direta: não basta captar mais água. É preciso impedir que ela seja contaminada antes de completar seu ciclo. Cada litro de esgoto tratado representa menos doenças, rios mais vivos, maior disponibilidade de água para consumo humano, agricultura e indústria e cidades mais resilientes diante das mudanças do clima.

A próxima década será decisiva. Sem acelerar o saneamento básico e o tratamento das águas residuais, o planeta corre o risco de transformar um recurso essencial à vida em um dos seus maiores desafios ambientais.

Apoie o jornalismo independente

Se você valoriza o trabalho do Sulpost, considere fazer uma contribuição de qualquer valor via Pix. Sua colaboração ajuda a manter um jornalismo independente, crítico e comprometido com o interesse público.

Pix (e-mail):
sulpost@outlook.com.br

Obrigado por fazer parte desta comunidade de leitores.

22.7.26

Discord: quando o crime entra em casa pela tela do computador

Não é a tecnologia que comete crimes. São pessoas. Mas nenhuma plataforma pode fechar os olhos quando sua estrutura é utilizada por organizações criminosas ou quem quer que seja para aliciar crianças, pessoas neurodivergentes incentivando a violência e destruindo famílias

Por Ronald Sanson Stresser Junior | Sulpost | Artigo editado com auxílio de pesquisa realizada por I.A.

Não é a tecnologia que comete crimes. São pessoas. Mas nenhuma plataforma pode fechar os olhos quando sua estrutura é utilizada por organizações criminosas ou quem quer que seja para aliciar crianças, pessoas neurodivergentes incentivando a violência e destruindo famílias

Durante muito tempo, imaginamos que o perigo estivesse do lado de fora de casa. Trancamos os portões, instalamos câmeras, reforçamos fechaduras e procuramos proteger quem amamos. Enquanto isso, uma nova porta foi aberta silenciosamente. Ela cabe na palma da mão. Está no celular, no computador, no videogame conectado à internet e nos aplicativos que milhões de pessoas utilizam todos os dias.

É justamente por essa porta que organizações criminosas vêm encontrando acesso ao bem mais precioso de qualquer família: a mente de crianças, adolescentes e pessoas em situação de vulnerabilidade emocional.

É importante deixar isso absolutamente claro desde o início.

O Discord não pratica crimes. Assim como uma rodovia não atropela ninguém e um telefone não comete estelionato, quem pratica crimes são pessoas que utilizam essas ferramentas com intenção criminosa.

Mas reconhecer isso não elimina outra discussão igualmente importante: qual é o dever de uma plataforma digital quando sua infraestrutura passa a ser utilizada, de forma reiterada, para o aliciamento de menores, incentivo à automutilação, maus-tratos contra animais, extorsão, pornografia infantil e outras formas de violência?

Os casos deixaram de ser exceção

Nos últimos anos, operações da Polícia Federal, das polícias civis brasileiras e de autoridades internacionais revelaram comunidades fechadas utilizadas para manipular psicologicamente adolescentes, compartilhar material criminoso, incentivar ataques contra pessoas vulneráveis e organizar desafios que envolvem crueldade extrema.

O tema deixou de ser restrito às delegacias especializadas e ganhou repercussão nacional em reportagens exibidas pelo programa Fantástico, da TV Globo, além de investigações conduzidas pelo Ministério Público e por órgãos de segurança pública.

Os relatos são perturbadores.

Há investigações envolvendo indução à automutilação, chantagem emocional, exploração sexual de crianças e adolescentes, maus-tratos contra animais, incentivo à violência doméstica e ataques contra pessoas em situação de rua. Em diversos casos, os participantes eram estimulados a registrar tudo em vídeo para obter reconhecimento dentro dessas comunidades.

Não se trata de uma teoria conspiratória.

São fatos investigados pelas autoridades brasileiras e estrangeiras.

Quando a violência se transforma em desafio

Especialistas em segurança digital e psicologia explicam que muitos desses grupos funcionam como verdadeiras redes de manipulação emocional.

A vítima é acolhida, ganha atenção, cria vínculos e, aos poucos, passa a ser pressionada a cumprir tarefas cada vez mais violentas. Quem obedece recebe aprovação. Quem resiste sofre ameaças, chantagens e exposição pública.

Esse mecanismo pode atingir qualquer jovem, mas costuma encontrar terreno ainda mais fértil entre adolescentes socialmente isolados, pessoas com sofrimento psíquico, vítimas de depressão e indivíduos neurodivergentes que enfrentam dificuldades de interação social.

A internet, criada para aproximar pessoas, acaba sendo transformada por criminosos e pessoas que agem de má fé como instrumento de manipulação psicológica, numa espécie de robotização do ser humano.

A responsabilidade das plataformas precisa ser debatida

Nenhuma plataforma consegue impedir todos os crimes praticados por seus usuários. Mas também não parece razoável aceitar que empresas de tecnologia permaneçam apenas reagindo depois que tragédias acontecem.

Quando investigações revelam servidores utilizados reiteradamente para práticas criminosas, a sociedade tem o direito de exigir respostas. As plataformas também precisam investigar e denunciar as autoridades competentes essas atividades que violam os princípios constitucionais brasileiros.

Espera-se que plataformas digitais aperfeiçoem seus mecanismos de detecção, ampliem a cooperação com as autoridades brasileiras, preservem provas quando houver determinação judicial e adotem políticas mais rigorosas contra organizações criminosas que utilizam seus serviços.

Quem utiliza essas plataformas para estudar, trabalhar, jogar ou conversar com amigos não pode ser confundido com criminosos. A imensa maioria dos usuários faz uso legítimo dessas ferramentas. É justamente para proteger esses milhões de usuários honestos que o combate aos grupos criminosos precisa ser firme. Inclusive mais firme ainda em ano eleitoral, pois pode estar sendo usada como ferramenta de ódio político.

É hora de uma grande investigação

O Brasil não pode tratar cada operação policial como um caso isolado. Os indícios apontam para um fenômeno nacional e internacional que merece investigação aprofundada.

Polícia Federal, Ministérios Públicos, polícias civis, Poder Judiciário, Congresso Nacional e as próprias plataformas digitais precisam atuar de forma coordenada para identificar organizações criminosas, administradores de comunidades ilegais, financiadores, recrutadores e todos aqueles que utilizam a internet para destruir vidas, separando famílias e acirrando a polarização política ao ponto de violência psíquica e física. Afinal nossa constituição garante a inviolabilidade do lar e do pensamento.

Também é legítimo discutir o aperfeiçoamento da legislação e dos mecanismos de responsabilização previstos no ordenamento jurídico brasileiro, sempre respeitando a Constituição Federal, o devido processo legal e as garantias individuais. Os dispositivos telemáticos e computadores pessoais são janelas para dentro das nossas próprias casas e nós mesmos às vezes sem saber podemos estar sendo vítimas dessa nova espécie de crime.

A Constituição protege a liberdade. Também protege as famílias.

O artigo 5º da Constituição Federal assegura direitos fundamentais como a dignidade da pessoa humana, a proteção da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem. Essas garantias não podem ser relativizadas porque a violência passou a utilizar cabos de fibra óptica, aplicativos de mensagens e plataformas digitais.

Quando organizações criminosas conseguem invadir psicologicamente lares brasileiros por meio de computadores e celulares, o Estado tem não apenas o direito, mas o dever de agir.

Isso não significa censura. Não significa criminalizar a tecnologia. Muito menos perseguir usuários inocentes. Significa investigar com profundidade, responsabilizar criminosos, exigir cooperação efetiva das plataformas e proteger crianças, adolescentes e famílias brasileiras.

Chegou o momento de o Brasil enfrentar essa realidade com coragem. Porque a liberdade na internet jamais poderá servir de escudo para a barbárie, seja qual for a sua origem. Inclusive ao meu ver quando se viola um artigos, princípios constitucionais se trata de crime Federal. Os dados da internet circulam em pacotes por todo o país e às vezes até chegam a dar a volta ao mundo para trazer a informação até o dispositivo em sua casa ou que você carrega no bolso.

Combater o ódio desde a raiz

O debate também ganhou reforço no meio político. O deputado estadual Carlos Minc, do MDB do Rio de Janeiro, defendeu neste dia 22 de julho que o enfrentamento desse fenômeno precisa ir além da responsabilização dos autores diretos dos crimes.

Ao comentar o crescimento de investigações envolvendo incentivo à automutilação de adolescentes e à crueldade contra animais em comunidades virtuais, Minc afirmou que plataformas digitais precisam cumprir rigorosamente a legislação brasileira e colaborar efetivamente com as autoridades na identificação de usuários que utilizam esses ambientes para a prática de crimes.

Ao mesmo tempo, o parlamentar sustenta que o combate à violência não pode ficar restrito à esfera policial ou judicial. Segundo ele, famílias, escolas, educadores, profissionais da saúde e toda a sociedade precisam participar desse enfrentamento, fortalecendo vínculos afetivos e identificando precocemente sinais de manipulação psicológica entre crianças e adolescentes.

"Quem pratica violência contra animais pode reproduzir esse comportamento contra pessoas. Precisamos enfrentar as raízes do ódio e construir uma sociedade menos violenta e mais solidária." — Deputado Carlos Minc

A afirmação dialoga com estudos da criminologia e da psicologia forense que identificam a crueldade contra animais como um possível indicador de escalada da violência em parte dos agressores, embora cada caso deva ser analisado individualmente. Também coincide com o alerta de investigadores brasileiros de que grupos dedicados ao chamado "zoosadismo" frequentemente compartilham espaços com comunidades voltadas ao aliciamento de menores, à automutilação e a outras formas de violência extrema.


Este é um artigo de opinião do Sulpost. As posições expressas refletem a análise editorial do autor, jornalista responsável por este espaço, fundamentada em fatos públicos, investigações policiais, decisões judiciais e reportagens divulgadas por órgãos de imprensa e autoridades nacionais e internacionais. É jornalismo cidadão. E também denúncia pois tenho certeza que muita gente ao ler essa postagem poderá perceber que o crime está entrando dentro da sua casa através dessa rede, inclusive com desafios para que jovens cometam agressões e cumpram desafios propostos pelos praticantes dessa espécie de crime contra os mais velhos. Está na hora das autoridades federais, como Polícia Federal, STF e STE. Essas autoridades precisam agir com presteza e rapidez, pois faltam poucos meses para as eleições e essa ferramenta pode estar supostamente sendo usada inclusive por políticos de má-fé.

Leia também: