Levantamentos oficiais mostram que, embora haja redução em alguns índices, o consumo de bebidas alcoólicas ainda aparece como fator central nos acidentes durante o feriado mais festivo do país
Carnaval é celebração da alegria, do encontro e da cultura brasileira, numa verdadeira catarse coletiva. É quando o Brasil dança nas ruas, abraça desconhecidos e transforma o cotidiano em fantasia. Mas, quando o confete cai e o trio elétrico silencia, um outro balanço também vem à tona — o das rodovias.
Todos os anos, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulga o relatório da Operação Carnaval. São números frios, técnicos, mas que carregam histórias interrompidas. No Carnaval de 2025, foram registrados 1.150 acidentes nas rodovias federais, com 83 mortes e 1.315 pessoas feridas. Houve redução em relação ao ano anterior, quando 88 pessoas perderam a vida, mas ainda assim o dado é um lembrete incômodo: a festa não pode custar vidas.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), responsável pelas rodovias concedidas à iniciativa privada, também apresentou números do mesmo período: redução de cerca de 13% nos acidentes em comparação com 2024. Ainda assim, 24 mortes foram registradas nesses trechos concedidos.
Os dados mostram avanços pontuais, fruto de fiscalização mais intensa, campanhas educativas e maior consciência social. Mas há um fator que insiste em atravessar os relatórios como uma sombra persistente: a mistura de álcool e direção.
A velha combinação que nunca envelhece — e nunca funciona
Durante o Carnaval, a PRF intensifica o uso do bafômetro. Milhares de motoristas são autuados por alcoolemia ao volante ou por se recusarem a fazer o teste. Centenas acabam detidos por embriaguez ao volante. Não é coincidência que as campanhas oficiais reforcem ano após ano o mesmo recado: “não misture álcool e direção”.
Especialistas em segurança viária apontam que feriados prolongados, especialmente os associados a festas, registram aumento significativo de infrações ligadas ao consumo de bebidas alcoólicas. Estudos epidemiológicos indicam que o álcool está relacionado a uma parcela relevante dos acidentes graves em períodos festivos — um dado que dialoga diretamente com o cenário observado no Carnaval.
Não, amigo leitor. Não é o samba que causa acidente. Não é o glitter, o confete e a serpentina. Não é o bloco das 9h da manhã. É a decisão equivocada de assumir o volante depois de tomar uns goles.
Um brinde à responsabilidade
Vamos falar com franqueza — mas também de forma suave. Se você passou o ano inteiro reclamando do preço da gasolina, da manutenção do carro e dos impostos, talvez não seja uma boa ideia arriscar tudo isso (e a própria vida) por causa de um “tomar uma”.
E você, amiga leitora, que organiza a fantasia, combina o encontro, reúne a turma e cuida de todo mundo — talvez já saiba que o melhor acessório do Carnaval é a consciência tranquila.
Beber faz parte da cultura festiva brasileira. O problema nunca foi o brinde. O problema é transformar o volante em extensão do copo.
A conta é simples:
Se for dirigir, não beba.
Se for beber, não dirija.
Não é moralismo. É estatística. E, acima de tudo, é cuidado.
O que os números não mostram
Os relatórios falam em 83 mortes. Mas não falam do pai que não voltou para casa. Não falam da mãe que aguardava na janela. Não falam do amigo que ficou esperando mensagem no grupo do WhatsApp que nunca chegou.
Os números são oficiais. As ausências são permanentes.
O Carnaval pode — e deve — continuar sendo a maior celebração popular do país. Mas a verdadeira festa é chegar em casa. É acordar na quarta-feira de cinzas com ressaca leve e histórias engraçadas, não com arrependimentos irreversíveis.
Portanto, amigo e amiga do Sulpost: aproveitem. Dancem. Cantem. Celebrem. Beijem na boca. Bebam, se quiserem — com moderação. Mas deixem o carro em casa, chamem um aplicativo, elejam o motorista da vez, peguem carona com a responsabilidade.
A resenha é simples: o melhor bloco é aquele que termina com todos vivos e de consciência tranquila para contar a história.
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