quinta-feira, 9 de abril de 2026

PM do Paraná sob pressão: denúncias se acumulam, prisão de “Sancho Loko” amplia crise e Assembleia debate violência policial

Casos recentes, relatos internos e audiência pública expõem tensão crescente entre atuação policial, controle institucional e confiança da população

PM do Paraná sob pressão: denúncias se acumulam, prisão de “Sancho Loko” amplia crise e Assembleia debate violência policial. Casos recentes, relatos internos e audiência pública expõem tensão crescente entre atuação policial, controle institucional e confiança da população.
Ilustração: IA/Sulpost

O que começa como uma suspeita isolada, às vezes, cresce em silêncio — até se tornar impossível ignorar. No Paraná, uma sequência recente de denúncias envolvendo policiais militares passou a formar um quadro mais amplo, mais sensível — e cada vez mais difícil de tratar como episódios desconectados.

Drogas que desaparecem. Operações suspeitas. Violência fora do protocolo. Prisões de agentes. E, no meio disso tudo, vozes que começam a emergir — de dentro e de fora das instituições. O cenário já não é apenas policial. É político, social e institucional.

300 quilos de crack e uma diferença que não fecha

O ponto de partida dessa sequência remonta a uma apreensão realizada em outubro do ano passado, em Campo Largo. Cerca de 300 quilos de crack teriam sido recolhidos — mas apenas 30 quilos foram oficialmente apresentados.

A diferença — aproximadamente 270 quilos, avaliados em até R$ 45 milhões — acendeu um alerta dentro da própria Polícia Militar. Nove policiais passaram a ser investigados. Parte deles foi afastada e perdeu o porte de arma.

Mas o caso rapidamente deixou de ser apenas sobre números.

Violência, sequestro e conexões com o tráfico

Com o avanço das investigações, surgiram conexões com episódios mais graves. No bairro Sítio Cercado, um homem foi retirado de casa por indivíduos que se apresentavam como agentes do Gaeco. Horas depois, foi encontrado morto.

Relatos apontam que vítimas foram levadas a locais isolados e pressionadas a revelar o paradeiro de uma carga de drogas desaparecida.

A principal linha investigativa considera que o sumiço da droga pode ter alimentado disputas no tráfico — com reflexos diretos em crimes violentos na Região Metropolitana de Curitiba.

PMs investigados e operações sob suspeita

Uma abordagem na BR-369 ampliou ainda mais o alcance das suspeitas. Entre os envolvidos em uma ação ligada à busca por drogas, estavam policiais militares — hoje também investigados.

Os elementos começaram a se sobrepor:

  • drogas desaparecidas
  • operações com aparência oficial
  • violência associada a disputas criminosas
  • e agentes públicos sob investigação

Prisão de “Sancho Loko” aprofunda crise

Na terça-feira (7), a crise ganhou um novo capítulo — desta vez com prisão. O policial militar Júnior Sancho Cambuhy, conhecido como “Sancho Loko”, foi preso em Curitiba durante operação do Gaeco.

Outros dois policiais também foram alvos da ação. A investigação apura suspeitas de:

  • tortura
  • fraude processual
  • lesão corporal
  • falsidade ideológica

Foram apreendidos celulares, munições, dinheiro e materiais encontrados inclusive dentro de uma unidade policial, além de porções de drogas.

Com mais de 260 mil seguidores, Sancho havia se tornado uma figura pública nas redes sociais, exibindo bastidores da rotina policial.

A defesa afirma que ele é inocente e que os materiais apreendidos são compatíveis com sua atuação como instrutor de tiro.

O debate chega à Assembleia

No mesmo dia em que a operação ganhava repercussão, o tema já ocupava outro espaço — o político.

A Assembleia Legislativa do Paraná realizou uma audiência pública para debater a violência policial no estado e lançar a campanha “É seguro pra você, e é seguro pra mim”. O encontro reuniu parlamentares, especialistas, entidades e familiares de vítimas.

Entre os pontos levantados:

  • preocupação com o aumento de casos envolvendo uso excessivo da força
  • internações compulsórias 
  • defesa do uso de câmeras corporais
  • necessidade de maior controle externo das ações policiais

Especialistas destacaram que há questionamentos sobre a forma como mortes em supostos confrontos vêm sendo registradas e investigadas.

“Eu agradeço por estar vivo”

Entre os depoimentos, um dos mais marcantes foi o de Nelson da Força Sindical, metalúrgico da Grande Curitiba. Em tom emocionado, ele relatou uma experiência direta com abordagem policial.

“Eu quero primeiro agradecer por estar vivo”, disse.

O relato conecta o debate institucional a experiências concretas vividas fora dos gabinetes. Nelson afirmou que precisou reunir provas por conta própria e criticou a ausência de registros oficiais por parte da polícia.

“A polícia até agora não apresentou nada na câmera. Nós temos tudo filmado”, afirmou.

Ele também fez denúncias sobre atuação policial em áreas industriais e periféricas:

“A polícia vai na porta de fábrica… e na favela vai de madrugada. Quem me agrediu não foi soldado. Foram oficiais”.

O depoimento foi recebido em um ambiente marcado por relatos semelhantes de familiares e representantes da sociedade civil.

Entre o confronto e o controle

Em meio às investigações, denúncias e debates públicos, a Polícia Militar afirma que irá apurar os casos e reforça compromisso com a legalidade. Mas o momento é de pressão crescente.

De um lado, a necessidade de garantir segurança em um cenário complexo. Do outro, a exigência de controle, transparência e confiança.

Entre esses dois polos, o que se desenha no Paraná é mais do que uma crise pontual — é uma discussão aberta sobre os limites, os métodos e o futuro da segurança pública no estado.

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Curi e Greca 2026: o jogo já começou antes do anúncio

Entre apoios, articulações silenciosas e a espera pela decisão de Ratinho Junior, Alexandre Curi se move no tabuleiro da política paranaense como quem já está em campanha

 
Curi e Greca 2026: o jogo começa antes do anúncio. Entre apoios, articulações silenciosas e a espera pela decisão de Ratinho Junior, Alexandre Curi se move no tabuleiro da política paranaense como quem já está em campanha.

O movimento não começou agora — mas, entre indas e vindas, ganhou corpo. Nos bastidores da política paranaense, entre agendas discretas, conversas com prefeitos e entrevistas cuidadosamente calculadas, o deputado estadual Alexandre Curi (Republicanos) já não fala como quem considera uma possibilidade. Fala como quem atravessou a linha.

Não tenho plano B”, disse recentemente. Sem margem. Sem ambiguidade. A frase, curta, cumpre um papel claro: posiciona. E, mais do que isso, pressiona o ambiente político ao redor.

Curi se coloca como pré-candidato ao Governo do Paraná não apenas por intenção — mas por construção. Uma construção que, segundo ele, vem sendo feita ao longo de anos, com presença constante nos municípios, articulação política e acúmulo de capital dentro da Assembleia Legislativa.

O apoio de 212 prefeitos, citado como espontâneo, entra nesse enredo como evidência de capilaridade. Não é só número. É estrutura. É rede. É base real. Na política estadual, isso pesa.

Quando os bastidores falam mais alto

Mas é longe do microfone que o cenário ganha densidade. Nos bastidores, uma composição começa a ser desenhada — ainda sem anúncio, mas cada vez menos tratada como hipótese: a formação de uma chapa com o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca (MDB), como vice.

A leitura é estratégica. Greca agrega recall eleitoral, trânsito político e simbolismo urbano. Curi, por sua vez, carrega a musculatura institucional e o vínculo com o interior. Juntos, ampliariam o alcance do projeto.

Ao mesmo tempo, ambos mantêm diálogo ativo com o governador Ratinho Junior (PSD). E é justamente aí que o jogo trava — ou se define.

A peça que ainda não se moveu

O governador Ratinho Junior segue em silêncio calculado. Dentro do PSD, há pressão para que o nome de Guto Silva avance como pré-candidato. O apoio público de lideranças como o deputado Luiz Claudio Romanelli não deixa dúvida: existe uma corrente organizada nesse sentido.

O cenário, portanto, não é de definição — é de disputa contida. Ninguém rompe. Mas também ninguém garante unidade.

Unidade, no discurso. Disputa, na prática

Curi insiste na palavra “unidade”. Reforça que sua pré-candidatura nasceu dentro do grupo governista e que dividir forças seria um erro político. O argumento é legítimo. Mas carrega, nas entrelinhas, um objetivo evidente: ser o nome de consenso.

Enquanto esse consenso não se materializa, o que existe é uma movimentação constante — silenciosa em alguns momentos, explícita em outros. É o tipo de disputa que não se faz em palanque. Se faz em articulação política.

O tempo corre — e define

Nos bastidores, a avaliação é de que a decisão está próxima. O calendário eleitoral não permite indefinições prolongadas. Até lá, Curi segue ocupando espaço. Conversa, costura, consolida apoios e se posiciona como quem já está em campo.

Porque, em política, há momentos em que esperar não é uma opção. É preciso agir como candidato — antes mesmo de ser oficializado como um. As pesquisas mais recentes mostram uma polarização entre Sérgio Moro (PL) e Requião Filho (PDT), mas a entrada de Curi, com um grupo político unido e coeso na disputa, certamente irá alterar novos cenários, ainda mais se contarem com o apoio do governador Ratinho Junior, um dos mais populares do Brasil.

A sorte está lançada!

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Morre aos 99 anos o muralista mexicano Melchor Peredo, um dos últimos herdeiros do século XX

Artista deixa legado marcado por crítica social, identidade latino-americana e fidelidade à tradição do muralismo

Morre aos 99 anos o muralista mexicano Melchor Peredo, um dos últimos herdeiros do século XX. Artista deixa legado marcado por crítica social, identidade latino-americana e fidelidade à tradição do muralismo
Melchor Peredo García - Sputnik/Reprodução 

O silêncio tomou conta de Xalapa, neste dia 8 de abril de 2026. A cidade, no leste do México, amanheceu como se uma parede do tamanho da América Latina toda tivesse deixado de contar sua história, a nossa história.

Morreu aos 99 anos o muralista Melchor Peredo García, um dos últimos representantes vivos de uma geração que transformou muros em manifestos e arte em consciência coletiva. Com sua partida, encerra-se mais um capítulo direto do muralismo mexicano — um dos movimentos culturais mais potentes da América Latina.

Nascido na Cidade do México, em 6 de janeiro de 1927, foi discípulo indireto de gigantes como Diego Rivera, José Clemente Orozco e David Alfaro Siqueiros, Peredo construiu uma trajetória própria, profundamente marcada por temas sociais, humanistas e pela identidade nacional mexicana. Sua obra nunca foi neutra — dialogava com o povo, com a história e com as tensões do seu tempo.

Ao longo da vida, produziu pelo menos 25 murais, espalhados não apenas pelo México, mas também por países como Estados Unidos, Canadá e França. Em cada parede, uma narrativa: conflitos, resistências, memórias.

Mesmo nas fases mais recentes, já nonagenário, o artista seguiu ativo. Revisitou episódios como a chegada dos espanhóis à América, propondo leituras críticas e contemporâneas — uma prova de que sua arte nunca se acomodou ao passado.

A morte de Peredo não apaga seus traços. Eles permanecem — firmes — nas superfícies que escolheu como palco, onde a história ainda respira em cores e formas.

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quarta-feira, 8 de abril de 2026

PM do Paraná sob pressão: denúncias se acumulam e prisão de “Sancho Loko” aprofunda crise

Investigações sobre desvio milionário de drogas, violência e fraudes se cruzam e expõem fissuras dentro da corporação

PM do Paraná sob pressão: denúncias se acumulam e prisão de “Sancho Loko” aprofunda crise. Investigações sobre desvio milionário de drogas, violência e fraudes se cruzam e expõem fissuras dentro da corporação
O PM e influencer Junior Sancho Cambuhy, conhecido como “Sancho Loko” - Reprodução/Redes sociais

O que começa como uma suspeita isolada, às vezes, cresce em silêncio — até se tornar impossível ignorar. No Paraná, uma sequência recente de denúncias envolvendo policiais militares passou a formar um quadro mais amplo, mais sensível — e mais difícil de explicar como episódios desconectados. Ontem mesmo (7) a Oposição na ALEP promoveu uma audiência pública sobre denúncias de desvios graves na Polícia Militar do Paraná (PMPR), inclusive com assassinatos durante abordagens policiais.

De acordo com denúncias, há apreensão de drogas que desaparecem. Operações suspeitas. Violência fora do protocolo. E agora, a prisão de um policial conhecido do grande público. As peças ainda estão sendo organizadas pelas investigações. Mas o desenho que começa a surgir já pressiona a corporação por respostas.

300 quilos de crack e uma diferença que não fecha a conta

O ponto de partida dessa sequência remonta a uma apreensão realizada em outubro do ano passado, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. Segundo as investigações, cerca de 300 quilos de crack teriam sido recolhidos. No entanto, apenas 30 quilos foram oficialmente apresentados.

A diferença — aproximadamente 270 quilos, avaliados em até R$ 45 milhões — levantou suspeitas dentro da própria Polícia Militar. Nove policiais passaram a ser investigados. Parte deles foi afastada das funções e perdeu o porte de arma. Mas o caso rapidamente deixou de ser apenas contábil.

Quando a droga some, a violência aparece

Com o avanço das apurações, surgiram conexões com episódios mais graves. Em novembro, no bairro Sítio Cercado, um homem foi retirado de casa por indivíduos armados que se apresentavam como agentes do Gaeco. Horas depois, ele foi encontrado morto na Cidade Industrial de Curitiba.

Relatos indicam que vítimas foram levadas a áreas isoladas e pressionadas a revelar o paradeiro de uma carga de drogas desaparecida. A principal linha investigativa considera que o sumiço da droga pode ter alimentado disputas no tráfico — com reflexos diretos em crimes violentos na Grande Curitiba.

Policiais entre os investigados

Outro episódio ampliou ainda mais o alcance das suspeitas. Uma abordagem na BR-369, envolvendo um caminhão-cegonha, levou à identificação de um grupo que buscava cocaína na carga. Entre os ocupantes do veículo interceptado posteriormente, estavam policiais militares.

Todos passaram a integrar a lista de investigados. Aos poucos, os elementos começaram a se conectar:

  • drogas desaparecidas
  • ações com aparência de operações oficiais
  • violência associada a disputas do crime
  • e agentes públicos sob suspeita

Como todos sabem o pelotão é reflexo do comandante, então é no mínimo um desatino afirmar que o ponto forte do governo Ratinho Júnior foi, ou é a Segurança Pública. Este blog de maneira alguma tentar associar os crimes relatados no passado com as prisões de ontem, entretanto quando padrões começam a se  repetir é preciso atenção. A corporação pode estar doente.

Prisão de “Sancho Loko” muda o cenário

Na terça-feira (7), a crise ganhou um novo capítulo — desta vez, com prisão. O policial militar Júnior Sancho Cambuhy, conhecido como “Sancho Loko”, foi preso em Curitiba durante uma operação do Gaeco (MP-PR).

Outros dois policiais também foram alvos da ação, que cumpriu mandados expedidos pela Justiça Militar. A investigação apura a suspeita de prática reiterada de crimes como:

  • tortura
  • fraude processual
  • lesão corporal
  • falsidade ideológica

Durante a operação, foram apreendidos celulares e dispositivos eletrônicos que devem ser periciados.

Nas residências de dois investigados, foram encontradas munições irregulares e dinheiro em espécie. Já em armários sem identificação dentro de uma unidade da Polícia Militar, foram localizados simulacros de armas, munições e porções de drogas, incluindo maconha, crack e cocaína. Veja nas fotos a seguir, divulgadas pelo Gaeco.

 
 

Entre a farda e as redes sociais

“Sancho Loko” não é um policial desconhecido. Com mais de 260 mil seguidores, ele construiu presença nas redes sociais mostrando bastidores da rotina policial, vídeos de abordagens e participações em conteúdos informais — muitas vezes marcados por linguagem agressiva e posições polêmicas.

Dois dias antes da operação, publicou um vídeo após uma abordagem, relatando uma situação cotidiana de serviço. A repercussão da prisão rapidamente ultrapassou o ambiente institucional e chegou ao campo pessoal.

A filha do policial, em publicação nas redes sociais, saiu em defesa do pai, afirmando que ele estaria sendo perseguido e destacando valores como honra e caráter.

Defesa fala em inocência

O advogado do policial, Claudio Dalledone afirmou que irá comprovar a inocência de seu cliente. Segundo ele, os itens apreendidos são compatíveis com a atuação de Sancho como instrutor de tiro e não há irregularidades comprovadas até o momento.

A defesa também afirmou que a expectativa é de que, após audiência de custódia, a Justiça determine a liberdade do policial.

“É como descobrir um criminoso dentro da própria casa”

Dentro da corporação, o impacto desses episódios é silencioso — mas profundo. O Sulpost conversou com uma fonte da Polícia Militar, que preferiu não se identificar, e o relato revela um sentimento que raramente aparece nas versões oficiais.

Segundo ela, casos como esses provocam vergonha e repulsa entre policiais.

“A maioria é de gente honesta, que sai de casa todos os dias sem saber se vai voltar. A gente arrisca a vida. Quando aparece alguém envolvido em crime, isso atinge todo mundo”, afirmou.

A comparação é direta — e carregada de significado:

“É como descobrir um familiar dentro da sua própria casa fazendo coisa errada. Roubando, desviando, cometendo crime. É uma sensação de vergonha.”

Uma instituição sob pressão

Em nota, a Polícia Militar do Paraná (PMPR) afirmou que irá instaurar procedimentos administrativos e reforçou que não compactua com desvios de conduta. As investigações seguem em andamento, tanto na Corregedoria quanto no Ministério Público.

Mas o impacto já é visível. Do lado de fora, cresce a desconfiança. Do lado de dentro, o desgaste se acumula em silêncio.

Entre denúncias, afastamentos e agora prisões, o que está em jogo deixa de ser apenas a responsabilização individual — e passa a tocar na confiança em uma instituição que opera diariamente no limite entre o risco e o dever. Inclusive levantando outro debate, a desmilitarização das polícias no Brasil.

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Moro conduz sessão sobre lei penal e acende embate direto com Requião Filho no Paraná

Proposta que amplia poder dos estados sobre crimes e penas expõe tensão constitucional e vira combustível eleitoral

 
Eles se encaram, frente a frente, na disputa pelo governo do Estado do Paraná em 2026 na foto editorial que você vai gerar, no formato paisagem, para ilustrar a matéria
Ilustração: Sulpost/IA

O plenário segue o rito — mas o que está em jogo ali não é rotina. É estrutura. É poder. Na presidência da sessão, o senador Sergio Moro conduz a aprovação de uma proposta que toca num dos pontos mais sensíveis da Constituição: quem decide o que é crime no Brasil.

O texto, de autoria do senador Wilder Morais (PL-GO), avança com relativa tranquilidade na comissão. Na superfície, parece mais um passo legislativo. Mas o conteúdo carrega peso: abre caminho para que estados e o Distrito Federal passem a legislar sobre direito penal, processual penal e execução penal.

Na prática, significa permitir que governos estaduais tipifiquem condutas e estabeleçam punições — algo que, hoje, pertence exclusivamente à União.

Uma linha fina da Constituição

A Constituição até admite delegação. Existe uma brecha técnica. Mas ela nunca foi pensada para uma transferência ampla como essa. É aí que o debate começa a sair do papel e entrar no campo da incerteza.

Se cada estado puder definir crimes e penas, o país passa a conviver com múltiplos códigos penais na prática. O que é crime em um lugar pode não ser em outro. A mesma conduta pode gerar punições diferentes, dependendo da fronteira estadual.

E há um ponto ainda mais sensível: a possibilidade de a lei estadual prevalecer sobre a federal em determinados casos. Isso tensiona diretamente o modelo federativo e deve, inevitavelmente, parar no Supremo Tribunal Federal se avançar como está.

A política entra em cena

Não demorou. Fora do Senado, a reação veio rápida — e com tom elevado.

Pré-candidato ao governo do Paraná, Requião Filho transformou o episódio em crítica direta ao adversário. Sem rodeios:

“Sérgio Moro acabou de presidir uma sessão [...] que deixa que os estados do Brasil façam a sua própria legislação penal, o que é incondicional. E Moro, como juiz, deveria saber disso. Mas ele quer fazer campanha, quer enganar vocês.”

A fala carrega imprecisão técnica — o projeto não é exatamente “incondicional”. Mas o alerta sobre o impacto constitucional não é trivial. E o discurso não para aí.

O confronto explícito

Ao avançar na crítica, Requião Filho desloca o debate do jurídico para o simbólico. Constrói um cenário hipotético, direto, quase provocativo:

“Se eu pudesse fazer a legislação penal [...] não teriam mais acordos secretos entre políticos e Ministério Público.”

E completa, elevando o tom:

“Eu ia botar juiz na cadeia, em especial aqueles que se aproveitaram do cargo para se autopromover e entrar na política.”

A crítica é aberta. Direta. Personalizada. Não há, no conteúdo apresentado, comprovação dessas acusações mais amplas — mas o efeito político é evidente: tensionar a imagem de Moro e reposicionar o debate sob a lente da desconfiança institucional.

Entre o jurídico e o eleitoral

O projeto segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). É lá que a proposta deve ser dissecada — artigo por artigo — e confrontada com os limites reais da Constituição. Mas, fora do papel, o cenário já mudou.

No Paraná, o episódio deixa de ser apenas um debate técnico e se transforma em peça de campanha. De um lado, Moro associado a uma agenda de endurecimento e reorganização do sistema penal. Do outro, Requião Filho apostando no confronto direto e na crítica à legitimidade desse movimento.

O que começou como tramitação legislativa agora respira como disputa política. E não parece que vai desacelerar.

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TCE-PR suspende licitação de R$ 580 milhões do programa Olho Vivo após denúncia da oposição

Tribunal aponta falhas graves no edital, incluindo possível sobrepreço, riscos à privacidade e falta de planejamento no projeto do Governo Ratinho Jr.

Sulpost — 07 de abril de 2026

TCE-PR suspende licitação de R$ 580 milhões do programa Olho Vivo após denúncia da oposição
Deputado Arilson Chiorato, Líder da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná e presidente do PT-PR (Foto: Valdir Amaral/Alep)

A movimentação começou semanas atrás — quase em silêncio — dentro dos gabinetes e documentos técnicos. Agora, ganhou forma oficial.

O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) determinou a suspensão da licitação de até R$ 580,9 milhões do programa de videomonitoramento “Olho Vivo”, iniciativa do Governo Ratinho Jr. (PSD). A decisão ocorre após análise técnica que identificou uma série de inconsistências no edital — muitas delas já apontadas anteriormente pelo deputado estadual Arilson Chiorato (PT), líder da oposição na Assembleia Legislativa.

A denúncia havia sido protocolada em março e questionava desde a modelagem da contratação até a atuação da empresa Paladium Corp no projeto.

“Eu denunciei porque o edital tinha problemas. Agora o Tribunal confirma que a licitação não poderia seguir como estava”, afirmou o parlamentar.

O que o Tribunal encontrou

A decisão cautelar foi baseada em relatório técnico que identificou ao menos seis grupos de irregularidades no processo licitatório. Entre os pontos mais sensíveis estão falhas na formação de preços, ausência de detalhamento técnico e inconsistências no modelo de contratação.

Um dos dados que mais chamou atenção foi o valor estimado: o custo mensal do sistema no Paraná poderia chegar a R$ 8,7 milhões — cerca de 925% acima de um projeto semelhante implantado em São Paulo. 0

Além disso, o TCE apontou que o orçamento foi baseado em apenas três cotações informais, sem estudo técnico aprofundado que justificasse os valores.

Também foram identificados:

  • uso de modalidade de licitação considerada inadequada para a complexidade do serviço;
  • risco de sobreposição com sistemas já utilizados pelo próprio Estado;
  • falta de participação da Secretaria da Segurança Pública no planejamento;
  • contradições internas no edital e nas regras de execução do contrato.

Risco com dados e vigilância

Outro ponto sensível envolve o uso de dados da população. O sistema prevê tecnologias como reconhecimento facial, leitura de placas e análise automatizada de imagens em larga escala.

Segundo o Tribunal, não há garantias claras sobre como essas informações seriam protegidas — nem limites definidos para o uso das imagens pelas empresas contratadas, inclusive para treinamento de sistemas de inteligência artificial.

Esse tipo de lacuna levanta questionamentos sobre conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e reforça críticas já feitas na denúncia apresentada ao TCE.

Denúncia anterior já apontava irregularidades

Antes da suspensão, o deputado Arilson Chiorato já havia acionado o Tribunal de Contas pedindo a paralisação do programa. Entre os pontos levantados estavam a ausência de licitação em contratos iniciais, falta de transparência e possível favorecimento à empresa Paladium Corp. 3

A denúncia também questiona a atuação da empresa no desenvolvimento do projeto, sugerindo que ela teria participado da modelagem do sistema antes mesmo de um processo competitivo formal — o que poderia comprometer a concorrência. 4

Outro ponto crítico é a dúvida sobre a real necessidade de uma nova plataforma, já que o Estado utiliza soluções tecnológicas semelhantes por meio de infraestrutura existente.

O que é o programa Olho Vivo

O “Olho Vivo” é um programa de segurança pública baseado em videomonitoramento inteligente. Ele integra câmeras instaladas em vias públicas, leitura automática de placas e cruzamento de dados em tempo real.

Atualmente, o sistema já opera em dezenas de municípios paranaenses e faz parte da estratégia de expansão tecnológica da segurança pública no estado. 5

A licitação suspensa previa justamente a contratação de uma nova plataforma digital para ampliar essa estrutura em todo o Paraná, com contrato de cinco anos.

O Tribunal deixou claro que a decisão não afeta o funcionamento atual do programa — apenas interrompe o andamento do edital.

Próximos passos

O processo segue em análise no TCE-PR. Os responsáveis pela licitação terão prazo para apresentar justificativas e eventuais correções.

Paralelamente, ainda está pendente a decisão sobre a legalidade da atuação da plataforma Paladium Corp, ponto central da denúncia apresentada pela oposição.

O deputado Arilson também anunciou que pretende recorrer de decisões relacionadas à operação atual do sistema, incorporando os novos elementos identificados pelo Tribunal.

“Não dá pra mexer com quase R$ 581 milhões sem planejamento claro. Vamos continuar fiscalizando cada contrato”, afirmou.

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terça-feira, 7 de abril de 2026

Itaipu direciona R$ 5,7 bilhões para segurar tarifa de energia até 2026

A medida busca reduzir o impacto nas contas de luz e reforça o papel da usina como reguladora do equilíbrio energético no país

O relógio da conta de luz continua girando nas casas brasileiras — discreto, constante, quase invisível no dia a dia. Mas, nos bastidores do setor elétrico, decisões bilionárias vêm sendo tomadas para tentar desacelerar esse avanço que pesa no bolso.
Foto: William Brisida/Itaipu Binacional

Entre 2023 e 2026, a Usina Hidrelétrica de Itaipu vai destinar R$ 5,7 bilhões com um objetivo claro: suavizar o impacto da energia elétrica para milhões de consumidores brasileiros. O movimento acontece em um momento de transição importante — o chamado cenário pós-dívida da binacional — e já começa a se traduzir em números concretos.

Segundo informe da hidrelétrica, a energia produzida por Itaipu está sendo comercializada a cerca de R$ 217 por megawatt-hora (MWh). É um valor que chama atenção quando comparado com outras referências do setor. Nas usinas enquadradas na Lei 12.783/2013, por exemplo, o custo médio gira em torno de R$ 236,73/MWh. Já no mercado regulado, onde as distribuidoras compram energia para abastecer residências e comércios, a projeção da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para 2026 aponta um preço médio bem mais elevado: R$ 342,71/MWh.

Na prática, essa diferença ajuda a conter reajustes mais agressivos nas tarifas finais — especialmente para consumidores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que concentram grande parte da energia distribuída a partir de Itaipu.

O movimento também segue uma diretriz mais ampla do governo federal: manter a energia em patamares acessíveis, mesmo diante das pressões naturais do setor, como custos de geração, transmissão e encargos.

Com a dívida histórica da usina praticamente equacionada, abre-se uma nova fase. E é justamente nesse ponto que Itaipu reposiciona seu papel — deixando de ser apenas uma gigante da geração para atuar também como instrumento direto de moderação tarifária.

Não se trata apenas de números. Para muitas famílias, qualquer variação na conta de luz pode significar ajustes imediatos no orçamento doméstico. É nesse intervalo — entre o técnico e o cotidiano — que decisões como essa ganham peso real.

Ao direcionar recursos para a chamada “modicidade tarifária”, Itaipu reforça uma função silenciosa, mas essencial: a de equilibrar um sistema complexo sem deixar que o custo recaia de forma desproporcional sobre quem está na ponta.

E, embora o consumidor talvez não veja essa movimentação de perto, ela já começa a aparecer — mês a mês — no valor final que chega impresso na fatura.

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Após reunião com Arilson, Gleisi e Romanelli, cobranças indevidas do free flow serão canceladas

Decisão da ANTT ocorre após pressão de parlamentares e denúncias de falhas no sistema de pedágio eletrônico no Paraná

 
Após reunião com Arilson, Gleisi e Romanelli, cobranças indevidas do free flow serão canceladas. Decisão da ANTT ocorre após pressão de parlamentares e denúncias de falhas no sistema de pedágio eletrônico no Paraná
Cláudio Romanelli (PSD), Gleisi Hoffman (PT), Guilherme Sampaio (ANTT) e Arilson Chiorato (PT) - Divulgação

O que começou como um incômodo isolado virou um problema coletivo — e agora, ao menos no papel, começa a ter resposta. As cobranças indevidas feitas pelo sistema de pedágio eletrônico free flow nas rodovias do Paraná deverão ser canceladas.

A decisão foi anunciada pelo diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio, após reunião realizada em Brasília, na última segunda-feira (06), com a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) e os deputados estaduais Arilson Chiorato (PT) e Luiz Cláudio Romanelli (PSD).

O encontro, articulado por Gleisi, expôs uma série de falhas no modelo implantado no estado — algumas delas consideradas graves pelos parlamentares. Entre os principais problemas apontados estão a mudança estratégica na localização de pórticos para ampliar a arrecadação, cobranças integrais em trajetos que deveriam ser proporcionais e a ausência de pontos físicos de atendimento ao usuário.

Um dos exemplos citados foi o da praça de Rolândia, originalmente prevista para Arapongas, o que teria alterado diretamente o impacto sobre os motoristas que utilizam o trecho.

A reunião também abriu caminho para um novo passo: a realização de uma audiência pública no Paraná, com participação da ANTT. O objetivo é entender, em campo, o que vem acontecendo nas concessões rodoviárias.

“As cobranças indevidas por pórticos eletrônicos, desconectadas da realidade, viraram uma preocupação e até um trauma para o povo paranaense, ainda mais quando vêm acompanhadas de multas”, afirmou o deputado Arilson Chiorato, que lidera a oposição na Assembleia Legislativa.

Para ele, o encontro trouxe avanços concretos. “Saímos com a perspectiva de diálogo no Paraná e com medidas para resolver os problemas nesses trechos”, disse.

Gleisi Hoffmann também avaliou positivamente o resultado. Segundo a deputada, há sinalização clara de encaminhamentos para os lotes 4 e 6, onde se concentram as principais falhas do sistema.

Já Romanelli destacou o caráter técnico das críticas apresentadas. “Da forma como estão instalados, os pórticos eletrônicos estão causando prejuízo aos usuários”, afirmou. Ele acrescentou que a ANTT reconheceu inconsistências e deve iniciar ajustes, começando pelo lote 6, além de apurar a situação do lote 4, onde, segundo ele, não haveria autorização para implantação do modelo.

Na prática, a promessa agora é corrigir distorções que, para muitos motoristas, deixaram de ser exceção e passaram a fazer parte da rotina nas estradas do estado.

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Primeiro navio de cruzeiro movido a hidrogênio já é realidade

Projeto “Viking Libra” inaugura uma nova fase na navegação e coloca a indústria de cruzeiros diante de um futuro com emissão zero

Projeto “Viking Libra” inaugura uma nova fase na navegação e coloca a indústria de cruzeiros diante de um futuro com emissão zero

O horizonte ainda é o mesmo — azul, vasto, silencioso. Mas algo começa a mudar na forma como os navios atravessam esse cenário. No fim de março, a indústria naval deu um passo que, até pouco tempo atrás, parecia distante: foi anunciado o primeiro navio de cruzeiro com propulsão baseada em hidrogênio.

Batizado de “Viking Libra”, o projeto nasce da parceria entre a operadora Viking e o estaleiro italiano Fincantieri. Mais do que um novo navio, ele representa uma virada de chave tecnológica — e simbólica — em um dos setores mais pressionados por seu impacto ambiental.

Com cerca de 54 mil toneladas de arqueação bruta e 239 metros de comprimento, a embarcação foi projetada para receber até 998 passageiros, distribuídos em 499 cabines. A entrega está prevista para o final de 2026, no estaleiro de Ancona, na Itália — uma unidade que vem sendo posicionada como polo estratégico de inovação, com uso crescente de automação, robótica e inteligência artificial.

O diferencial, no entanto, está no coração do navio. O “Viking Libra” será parcialmente movido por hidrogênio liquefeito, combinado a um sistema de células de combustível (fuel cells). Na prática, isso permite gerar energia a bordo sem combustão direta, reduzindo drasticamente as emissões.

Em determinadas condições operacionais, a embarcação poderá navegar com emissão zero, o que abre portas para acessar regiões ambientalmente sensíveis — áreas que, hoje, já impõem restrições cada vez mais rígidas à presença de grandes cruzeiros.

O anúncio não acontece isoladamente. A Viking mantém uma relação consolidada com a Fincantieri, e o projeto integra um portfólio que já soma 26 embarcações, entre unidades entregues, encomendadas e em fase de negociação. Há, portanto, uma estratégia industrial em curso — não apenas um experimento pontual.

A mudança, ainda assim, não é simples. O uso de hidrogênio em larga escala enfrenta desafios técnicos e logísticos relevantes. O combustível precisa ser armazenado em temperaturas extremamente baixas, próximas de −253 °C, e a infraestrutura global de abastecimento ainda é limitada. Além disso, os custos permanecem elevados quando comparados aos combustíveis fósseis tradicionais.

Mesmo com essas barreiras, o movimento é claro. Pressionada por regulações ambientais mais rígidas e por uma demanda crescente por práticas sustentáveis, a indústria de cruzeiros começa a redesenhar seus próprios limites.

O “Viking Libra” não resolve o problema sozinho. Mas indica, com precisão, a direção que o setor pretende seguir. E, desta vez, o avanço não está apenas na rota — está no combustível que move a viagem.

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Artemis II rompe limites históricos e leva humanidade ao ponto mais distante já alcançado por humanos no espaço

Em meio ao silêncio do lado oculto da Lua, astronautas registram imagens inéditas e inauguram uma nova fase da exploração humana do espaço

Em meio ao silêncio do lado oculto da Lua, astronautas registram imagens inéditas e inauguram uma nova fase da exploração humana do espaço

O espaço profundo tem um tipo de silêncio que não cabe em metáforas fáceis. Ele não ecoa — ele absorve. E é justamente nesse vazio absoluto, longe de qualquer sinal familiar da Terra, que a missão Artemis II acaba de redesenhar os limites da presença humana no universo.

A bordo da cápsula Orion, quatro astronautas atravessaram uma fronteira que, até então, pertencia apenas à memória das missões Apollo. Mas desta vez, foram além. Mais longe do que qualquer outro ser humano já esteve. E fizeram isso em movimento.

O ponto mais distante da história humana

A confirmação veio em meio à rotina técnica da missão: a Artemis II estabeleceu um novo recorde de distância da Terra em voos tripulados. Não é apenas um número — é um marco simbólico.

Significa que, pela primeira vez, humanos ultrapassaram o limite histórico da Apollo 13, avançando ainda mais fundo no espaço cislunar. Um território onde a comunicação já não é imediata, onde cada segundo de atraso nas transmissões lembra que a Terra ficou para trás.

Durante a passagem pelo lado oculto da Lua, esse afastamento se torna literal. O contato com a nave é interrompido. Nenhum sinal entra, nenhum sinal sai. Por alguns minutos, a Orion esteve completamente sozinha.

Quando a nave desaparece — e o controle fica com quem está dentro

Esse apagão de comunicação não é falha. É teste. Enquanto a cápsula mergulha atrás da Lua, as comunicações com a Terra são interrompidas, e a tripulação assume total autonomia. Do outro lado, em Houston, o silêncio é monitorado com precisão pela Deep Space Network.

Quando a Orion reaparece, a expectativa é de reconexão rápida com o Centro de Controle de Missão, no Johnson Space Center, restabelecendo o fluxo de dados e comunicação com a Terra. Mas até esse momento, o comando está — integralmente — nas mãos dos astronautas.

Olhos humanos como instrumento científico

Durante o sobrevoo lunar, não são apenas sensores que trabalham. Há algo mais simples — e mais poderoso — em ação: a observação humana.

Uma rede de câmeras registra imagens da Lua, incluindo áreas que nunca foram vistas diretamente por olhos humanos. Ao mesmo tempo, os astronautas utilizam câmeras digitais manuais, inclusive dos próprios smartphones, para capturar fotografias em alta resolução da superfície lunar.

Crateras, sombras, relevos. Texturas que mudam conforme a luz se desloca. São quatro pares de olhos interpretando o que máquinas ainda não conseguem captar por completo: nuances, contrastes, padrões inesperados. Nesse contexto, a presença humana não é apenas simbólica. É científica.

Dados que vão moldar o futuro da Lua — e além

Tudo o que acontece na Artemis II está sendo registrado. Fotos, vídeos, telemetria e dados de comunicação formam um conjunto robusto de informações que será usado para orientar as próximas missões do programa Artemis.

A missão não termina na volta à Terra. Ela continua nos centros de análise, alimentando projetos que sustentam a construção de uma futura base lunar.

A chamada Moon Base deixa de ser conceito distante e começa a ganhar base concreta, sustentada por dados reais de voo tripulado no espaço profundo.

Metade da jornada — e retorno traçado

A tripulação já ultrapassou a metade da missão. O cronograma segue com precisão. O retorno à Terra está previsto para o dia 10 de abril, com pouso no oceano Pacífico, próximo à costa de San Diego, por volta das 21h07 (horário de Brasília).

Após o splashdown, helicópteros farão a retirada dos astronautas, que serão levados ao navio USS John P. Murtha. A bordo, passam por avaliações médicas iniciais antes de seguirem de volta ao continente e, posteriormente, ao Johnson Space Center.

Mais que missão — transição

A Artemis II não é apenas um voo de teste. É uma mudança de era. O programa Artemis avança com um objetivo claro: levar humanos de volta à Lua de forma sustentável — e, a partir daí, dar o próximo salto em direção a Marte.

Missões futuras serão mais longas, mais complexas, mais ambiciosas. Mas todas elas começam aqui. No momento em que a humanidade decide, mais uma vez, se afastar da Terra — não por necessidade, mas por escolha de seguir em frente.

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segunda-feira, 6 de abril de 2026

Pacote tenta segurar o preço dos combustíveis enquanto guerra pressiona custos globais

Governo aposta em subsídios, cortes de impostos e punições mais duras para conter abusos nos postos

Governo aposta em subsídios, cortes de impostos e punições mais duras para conter abusos nos postos. Pacote tenta segurar o preço dos combustíveis enquanto guerra pressiona custos globais

O impacto chega silencioso — primeiro no bolso, depois na rotina. O valor que sobe na bomba de combustível não fica ali: ele se espalha pelo frete, pela comida, pela passagem aérea. E, nas últimas semanas, esse efeito dominó ganhou força com a escalada da guerra no Oriente Médio, pressionando os preços do petróleo no mundo inteiro.

Diante desse cenário, o governo federal anunciou nesta segunda-feira (6) um pacote amplo para tentar conter a alta dos combustíveis no Brasil. A estratégia mistura alívio imediato — com subsídios e isenções — e um recado direto ao mercado: aumentos considerados abusivos poderão levar até à prisão.

Alívio emergencial na bomba

No centro das medidas está a tentativa de segurar o preço do diesel, peça-chave da economia brasileira.

O governo criou uma subvenção de R$ 1,20 por litro para o diesel importado, com custo dividido entre União e estados. A medida, inicialmente válida por dois meses, pode alcançar até R$ 4 bilhões. Paralelamente, haverá um incentivo adicional de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido no país, com impacto estimado de R$ 3 bilhões por mês.

A exigência é clara: as empresas beneficiadas terão de repassar essa redução ao consumidor.

Também entram no pacote a isenção de impostos federais sobre o biodiesel — que compõe o diesel vendido nos postos — e sobre o querosene de aviação, numa tentativa de reduzir efeitos em cadeia, inclusive no preço das passagens.

Gás de cozinha entra na conta

Outro ponto sensível é o gás de cozinha, item essencial no orçamento das famílias, especialmente as de baixa renda.

Para tentar segurar o preço do botijão, o governo anunciou um subsídio de R$ 850 por tonelada para o GLP importado. A ideia é equilibrar os preços com o produto nacional e evitar disparadas que atinjam diretamente o consumo doméstico.

De onde vem o dinheiro

O pacote não vem sem custo — e o governo já indicou como pretende compensar a conta.

  • Imposto de exportação de 12% sobre o petróleo;
  • Aumento de tributos (IRPJ e CSLL) para empresas do setor;
  • Crescimento da arrecadação com leilões de petróleo;
  • Alta nas receitas de royalties, impulsionadas pela valorização internacional.

Para cobrir a isenção do querosene e do biodiesel, uma medida chamou atenção: o aumento do IPI sobre cigarros, que deve gerar cerca de R$ 1,2 bilhão em 2026.

Socorro ao setor aéreo

O pacote também abre uma frente para a aviação, um dos setores mais sensíveis à variação dos combustíveis.

Serão disponibilizados até R$ 9 bilhões em crédito para companhias aéreas, com recursos operados pelo BNDES e pelo Fundo Nacional de Aviação Civil. Além disso, haverá:

  • Isenção de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação;
  • Adiamento de tarifas de navegação aérea.

A expectativa é evitar repasses imediatos ao consumidor e preservar os passageiros da malha aérea brasileira dos aumentos internacionais.

Punição mais dura para abusos

Se por um lado o governo tenta aliviar os preços, por outro endurece o discurso contra práticas consideradas abusivas.

Um projeto de lei, que será enviado ao Congresso com urgência, prevê pena de 2 a 5 anos de prisão para aumentos injustificados em situações de crise — como guerras ou calamidades.

A responsabilização não se limita às empresas: sócios e pessoas físicas também poderão ser punidos.

  • Postos poderão ser interditados (e não apenas multados);
  • Multas serão agravadas conforme o lucro indevido;
  • O Cade será acionado obrigatoriamente em casos suspeitos.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) terá fiscalização reforçada, e qualquer cliente que notar aumento abusivo do preço das bombas de combustíveis poderá fazer a denúncia.

Tentativa de reduzir a volatilidade

Outro ponto técnico, mas relevante: empresas que receberem subsídios deverão adotar mecanismos para suavizar as oscilações de preços internacionais.

Na prática, o governo tenta reduzir o efeito “montanha-russa” que chega ao consumidor sempre que há turbulência no mercado global de energia.

Entre a urgência e o risco

O pacote surge como resposta direta a um cenário externo instável — e difícil de controlar. Ao mesmo tempo, levanta debates sobre impacto fiscal, eficácia dos subsídios e interferência no mercado.

Por enquanto, o objetivo é claro: ganhar tempo, reduzir o impacto imediato e evitar que a alta dos combustíveis se transforme em mais um gatilho inflacionário no país.

Se vai funcionar, dependerá não só das medidas anunciadas, mas da intensidade — e da duração — da crise lá fora.

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Violência policial no Paraná expõe crise de transparência e pressiona por uso de câmeras

Bancada de Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) realiza audiência pública contra letalidade policial e lança campanha por controle e segurança para todos

Sulpost — 06/04/2026

Violência policial no Paraná expõe crise de transparência e pressiona por uso de câmeras. Bancada de Oposição na Alep realiza audiência pública e lança campanha por controle e segurança para todos

O debate sobre segurança pública no Paraná volta a ganhar corpo — e tensão — nesta semana. Em meio a denúncias recorrentes de abuso de autoridade, aumento da letalidade policial e dificuldades de acesso a informações oficiais, a Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) abre espaço para um tema que insiste em não desaparecer: quem vigia a força do Estado?

A Bancada de Oposição na Alep, liderada pelo deputado estadual Arilson Chiorato (PT), promove nesta terça-feira (7), às 18h30, uma audiência pública para discutir a violência policial no estado. A proposta é reunir parlamentares, especialistas, instituições públicas e, sobretudo, familiares de vítimas — aqueles que vivem, na prática, as consequências de uma política de segurança ainda marcada por opacidade.

O encontro pretende enfrentar questões estruturais: a letalidade policial, a fragilidade nos mecanismos de investigação e a dificuldade de acesso a dados confiáveis sobre operações e mortes classificadas como “confronto”.

Desde 2019, mais de 2.300 pessoas morreram em ações das forças de segurança no Paraná — número que coloca o estado entre os mais letais do país. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que a transparência sobre esses casos ainda é limitada, o que dificulta o controle social e a responsabilização de eventuais excessos.

“Não é possível falar em segurança pública enquanto ela não for garantida para todos. Precisamos enfrentar a violência, garantir transparência e construir políticas que respeitem a vida e os direitos da população”, afirma Arilson, que também preside o PT no Paraná.

Silêncio no interior

Mas há uma camada ainda menos visível nesse cenário. No interior do estado, onde a presença institucional é mais rarefeita e as relações de poder costumam ser mais fechadas, jornalistas e radialistas enfrentam riscos que raramente chegam ao debate público.

Levantamentos de entidades da categoria apontam dezenas de casos de ameaças, agressões e homicídios contra comunicadores nos últimos anos no Paraná. Muitos desses episódios permanecem sem solução clara — um padrão que se repete em nível nacional, onde apenas parte dos assassinatos de jornalistas tem autoria identificada e denunciada.

Quando a violência atinge quem narra os fatos, o impacto vai além do indivíduo. Afeta o direito à informação, amplia zonas de silêncio e fragiliza a própria democracia local.

Em um estado onde a força muitas vezes antecede a explicação, o silêncio também passa a operar como política — nas periferias e nas pequenas redações.

Câmeras corporais e pressão política

Durante a audiência, será lançada a campanha estadual “É seguro pra você, e é seguro pra mim”, que defende a retomada do Projeto de Lei nº 449/2019. A proposta estabelece a obrigatoriedade do uso de câmeras corporais por policiais militares no Paraná.

Já aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a matéria segue sem avanço no plenário. Para a oposição, o uso de câmeras é um instrumento duplo: amplia a transparência das ações policiais e protege tanto a população quanto os próprios agentes, ao registrar o que de fato ocorre nas abordagens.

A audiência marca o início de uma agenda mais ampla de mobilização, que deve incluir ações regionais e campanhas de comunicação para pressionar por mudanças na política de segurança pública do estado.

Participação e vozes confirmadas

Estão convidados representantes da Defensoria Pública do Paraná e do Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP).

Entre os participantes confirmados estão o professor de Direito Penal da USP, Maurício Dieter; o procurador e professor Jacson Zillio; a ativista Hayde, do Coletivo Justiça por Almas; o representante social Davi Utashina; e o defensor público Marcel Jeronymo Lima Oliveira, da Ouvidoria-Geral.

A programação inclui depoimentos de familiares de vítimas e intervenções culturais, combinando denúncia, escuta e construção de encaminhamentos.

📍 Serviço

Audiência Pública: Violência Policial no Paraná

📅 07 de abril de 2026 (terça-feira)

⏰ 18h30

📌 Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP)

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Fim da escala 6x1 avança em Brasília — e pressão agora precisa vir das ruas

Governo prepara envio urgente de projeto que institui jornada 5x2, enquanto PEC segue tramitando na Câmara

Fim da escala 6x1 avança em Brasília — e pressão agora precisa vir das ruas. Governo prepara envio urgente de projeto que institui jornada 5x2, enquanto PEC segue tramitando na Câmara.

O cansaço virou pauta política — e não dá mais para fingir que não é com todo mundo. Enquanto milhões de brasileiros atravessam semanas exaustivas na escala 6x1, o debate finalmente ganha tração real em Brasília. O governo federal deve enviar ao Congresso, já na próxima semana, um projeto de lei com urgência constitucional propondo o fim desse modelo de trabalho.

A proposta é direta: substituir a lógica de seis dias de trabalho por um de descanso pela escala 5x2, reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas — sem cortar salários.

Não é pouco. É uma mudança estrutural. E ela chega pressionando o próprio Congresso, que já vinha tratando do tema por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Mesmo com a movimentação do Executivo, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), deputado Leur Lomanto Júnior (União-BA), avisou que o rito da PEC será mantido. Duas frentes abertas, ao mesmo tempo.

Na prática, isso acelera o debate — e expõe quem está disposto a travar ou empurrar o tema.

Uma audiência pública com representantes do setor produtivo está prevista para esta semana na Câmara. É o momento em que argumentos econômicos tradicionais devem entrar em choque com uma realidade que já não se sustenta: a de trabalhadores esgotados, tentando equilibrar vida, saúde e renda em um modelo que já não acompanha o tempo presente.

Do lado do governo, a estratégia vai além do plenário. Nas redes sociais, a comunicação aposta em linguagem leve para mobilizar — principalmente os mais jovens. Vídeos e referências populares mostram, sem rodeios, o que muita gente sente no corpo: exaustão. Uma rotina que cobra demais e devolve de menos.

Mas há um ponto que começa a ganhar força — e não pode ser ignorado. Está na hora do eleitor olhar para o próprio voto.

A jornada 5x2, que agora volta ao centro do debate, não é apenas uma proposta técnica. Ela dialoga com valores sociais mais amplos, inclusive com a Campanha da Fraternidade 2026, da CNBB, que reforça a dignidade do trabalho e o equilíbrio da vida humana.

O Congresso não se move sozinho. Ele reage.E essa pode ser uma das raras pautas em que a pressão popular não só ajuda — como define o resultado.

A pergunta que fica é simples: os parlamentares vão acompanhar a mudança que o país já começou… ou tentar segurá-la até onde der? O trabalhador brasileiro, além do diade descanso — sagrado — precisa ter um dia para cuidar da saúde, da cultura, da família, de seus assuntos particulares. O trabalhador e a trabalhadora brasileiros precisam de vida, de tempo para viver.

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