segunda-feira, 15 de junho de 2026

Ratinho pede para não depor no caso do Marroquino; Requião Filho confirma presença em audiência

Processo envolvendo o jornalista Esmael Morais volta a expor denúncias de suposto monitoramento ilegal no Paraná, tema que segue sem conclusão pública definitiva

 
Ratinho pede para não depor no caso do Marroquino; Requião Filho confirma presença em audiência. Processo envolvendo o jornalista Esmael Morais volta a expor denúncias de suposto monitoramento ilegal no Paraná, tema que segue sem conclusão pública definitiva.

Uma audiência marcada para esta terça-feira (16), em Curitiba, recoloca no centro do debate político paranaense um caso que mistura disputa judicial, denúncias de monitoramento ilegal, liberdade de imprensa e embates entre governo e oposição.

O governador Ratinho Junior (PSD) pediu à Justiça para não depor no chamado "caso do Marroquino", processo criminal envolvendo o jornalista Esmael Morais. O mesmo pedido foi apresentado pelo secretário-chefe da Casa Civil, João Carlos Ortega.

Segundo informações divulgadas pela defesa das autoridades, ambos sustentam que seus depoimentos não teriam relação direta com os fatos discutidos na ação. Como alternativa, solicitaram que, caso a magistrada mantenha a convocação, possam responder por escrito ou prestar informações sem comparecer presencialmente à audiência.

Do outro lado, o deputado estadual Requião Filho (PDT) confirmou que pretende comparecer para prestar depoimento. O parlamentar foi um dos primeiros a levar à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) questionamentos sobre denúncias envolvendo uma suposta estrutura de monitoramento instalada em órgãos do Estado.

O que está em discussão

Embora o processo em questão trate de suposta ofensa à honra, o caso acabou ganhando repercussão política por estar ligado a denúncias que vêm sendo discutidas há anos nos bastidores da política paranaense.

As suspeitas levantadas por setores da oposição envolvem a contratação, pelo Governo do Paraná, de tecnologia associada ao sistema FirstMile, ferramenta que também apareceu nas investigações da Polícia Federal sobre o escândalo conhecido nacionalmente como "Abin Paralela".

Na época, Requião Filho apresentou requerimentos e pedidos de esclarecimento sobre a aquisição do sistema e sobre a atuação da Diretoria de Inteligência da Controladoria-Geral do Estado (CGE), então comandada pelo marroquino naturalizado brasileiro Mehdi Mouazen.

As denúncias apontavam a necessidade de investigar se ferramentas de monitoramento poderiam ter sido utilizadas de forma indevida contra agentes públicos, jornalistas ou adversários políticos.

Importante: até o momento, não há conclusão pública definitiva que comprove a existência de uma estrutura ilegal de espionagem no Paraná. O que existe são denúncias políticas, questionamentos parlamentares, procedimentos de investigação e disputas judiciais envolvendo diferentes versões sobre os fatos. Investigações seguem em curso.

Governo nega irregularidades

Ao longo das discussões públicas sobre o tema, o Governo do Paraná e os envolvidos nas denúncias têm negado qualquer prática irregular relacionada ao uso de sistemas de inteligência ou monitoramento.

O debate, portanto, permanece aberto no campo político e judicial, sem uma conclusão definitiva que confirme as acusações apresentadas pela oposição.

Audiência pode ampliar repercussão

A expectativa em torno da audiência desta terça-feira vai além dos aspectos jurídicos do processo. Dependendo das decisões da Justiça sobre os depoimentos solicitados pela defesa, o caso poderá voltar a ocupar espaço relevante no debate político estadual.

Para a defesa de Esmael Morais, os depoimentos de autoridades públicas são importantes para o exercício do direito de defesa. Já os representantes de Ratinho Junior e João Carlos Ortega argumentam que a legislação prevê tratamento específico para autoridades convocadas como testemunhas.

O episódio também evidencia o contraste político entre os personagens envolvidos. Enquanto o governador busca ser dispensado do depoimento ou autorizado a responder por escrito, Requião Filho afirma que pretende comparecer pessoalmente para prestar esclarecimentos.

Independentemente do desfecho da audiência, o caso continua reunindo elementos sensíveis para a vida pública paranaense: liberdade de imprensa, transparência institucional, atividade de inteligência estatal e o papel das autoridades diante de questionamentos que seguem sob escrutínio político e judicial.

O caso segue, investigações continuam. A espionagem de cidadãos, jornalistas e autoridades por parte do Estado do Paraná não foi comprovada, ao menos por enquanto.

Certo é que a arapongagem, ou prática de espionar adversários políticos e ideológicos, é herança dos anos de chumbo da ditadura militar. Trata-se de uma prática inaceitável, por isso merece o acompanhamento não apenas da imprensa, mas de todos aqueles que vêem a privacidade do cidadão como direito inalienável e defendem a democracia.

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Justiça barra avanço da cassação de Renato Freitas e reforça debate sobre limites do decoro parlamentar

Decisão do Tribunal de Justiça do Paraná suspende tramitação do processo na Assembleia e destaca que episódio que originou o caso ocorreu fora do exercício do mandato

Arilson Chiorato, Renato Freitas e Gleisi Hoffman, no ato #RenatoFica, que reuniu milhares de apoiadores no centro de Curitiba - Reprodução/Instagram

Há momentos em que uma decisão judicial ultrapassa os limites de um processo específico e passa a levantar uma discussão maior sobre democracia, representação popular e os limites da atuação dos Poderes.

Foi exatamente isso que aconteceu na semana passada com o caso do deputado estadual Renato Freitas (PT), um dos parlamentares mais votados do Paraná e figura política identificada com pautas das periferias, da população negra e dos setores mais vulneráveis da sociedade.

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) determinou a suspensão do processo que poderia levar à cassação do mandato do deputado na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Com isso, a votação que estava prevista para ocorrer em plenário fica impedida até nova análise da Justiça.

O que motivou o processo

O procedimento disciplinar teve origem em uma briga registrada no Centro de Curitiba, em novembro de 2025. O episódio ocorreu fora das dependências da Assembleia e sem relação direta com atividades legislativas. Apesar disso, o caso foi levado ao Conselho de Ética da Alep, que concluiu pela recomendação de cassação do mandato por suposta quebra de decoro parlamentar.

Por maioria de votos, o colegiado entendeu que a conduta seria incompatível com o exercício da função pública. A defesa do deputado, por outro lado, sustentou desde o início que os fatos pertencem à esfera privada e não possuem vínculo com o exercício do mandato parlamentar.

O entendimento do Tribunal de Justiça

Ponto central da decisão: para o desembargador Rogério Luís Nielsen Kanayama, os fatos analisados não possuem relação direta com o exercício da atividade parlamentar, circunstância que se tornou um dos elementos relevantes para a suspensão do processo de cassação.

Ao conceder a liminar, o magistrado considerou ainda que uma eventual votação em plenário poderia produzir consequências imediatas e de difícil reversão, especialmente por envolver a perda do mandato e possíveis reflexos sobre os direitos políticos do parlamentar.

A decisão judicial não encerra definitivamente o caso, mas interrompe sua tramitação até que a discussão jurídica seja apreciada de forma mais ampla.

A divergência que marcou o processo

Um dos aspectos mais relevantes do caso é justamente a divergência entre os entendimentos adotados na esfera política e na esfera judicial.

Enquanto o Conselho de Ética entendeu que a ocorrência poderia caracterizar quebra de decoro parlamentar, manifestações registradas no âmbito do Judiciário apontaram que o episódio não decorreu do exercício do mandato nem de atividade legislativa.

Essa diferença de interpretação passou a ocupar o centro do debate jurídico e político em torno do futuro do mandato de Renato Freitas.

Mobilização popular

Eleito por dezenas de milhares de paranaenses, Renato Freitas construiu sua trajetória política associado à defesa de movimentos populares, comunidades periféricas e pautas ligadas ao combate ao racismo.

Por isso, a discussão em torno de uma eventual cassação ultrapassou os corredores da Assembleia e passou a mobilizar apoiadores, juristas e organizações da sociedade civil que acompanham o caso.

Com a decisão do Tribunal de Justiça do Paraná, o processo entra agora em uma nova etapa, na qual a discussão jurídica sobre a natureza dos fatos — e sua relação ou não com o exercício do mandato parlamentar — tende a ocupar papel decisivo.

Por enquanto, a consequência prática é clara: a cassação não poderá ser levada ao plenário da Assembleia Legislativa enquanto a liminar permanecer em vigor.

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“Isso cheira a maracutaia”: Requião Filho dispara contra governo, pedágio e Porto em entrevista à Band

Pré-candidato do PDT ao Governo do Paraná fez acusações contundentes, questionou obras da gestão Ratinho Jr. e prometeu uma mudança de rumo para o estado. Assista à entrevista completa e tire suas próprias conclusões

CURITIBA — Em uma entrevista marcada por críticas contundentes ao governo Ratinho Junior, ao novo modelo de pedágio e à condução de áreas estratégicas do Paraná, o deputado estadual e pré-candidato ao Governo do Estado, Requião Filho (PDT), apresentou na Band Paraná um discurso centrado na defesa do interior, da infraestrutura pública e do fortalecimento da presença do Estado na economia.

Ao longo da conversa, Requião Filho procurou se posicionar como uma alternativa ao atual grupo político que governa o Paraná há quase oito anos. O tom foi de oposição direta, especialmente quando abordou temas como saúde, educação, pedágio, Porto de Paranaguá e investimentos no interior do estado.

“Nós precisamos de um Estado com a mão forte que cuide de pessoas, não de grupos econômicos.”

Pedágio no centro das críticas

Um dos temas mais explorados pelo pré-candidato foi o novo modelo de concessões rodoviárias. Requião Filho afirmou que o sistema atualmente implantado repete problemas do antigo pedágio e acusou o governo estadual de não exercer a fiscalização necessária sobre as concessionárias.

“O modelo que temos hoje no Paraná é uma cópia do modelo antigo, com um pouquinho de purpurina e confete por cima.”

Segundo ele, obras previstas já estariam atrasadas e alguns contratos estariam sendo descumpridos. Também criticou o sistema de cobrança por fluxo livre (Free Flow), afirmando que a medida transfere responsabilidades para os usuários sem oferecer contrapartidas equivalentes.

“Já estão descumprindo o contrato, já estão recebendo mais do que deveriam e as obras já estão atrasadas.”

O interior como prioridade

Ao falar sobre suas viagens pelo Paraná, Requião Filho buscou desconstruir a imagem de prosperidade homogênea frequentemente associada ao estado. Para ele, há uma realidade distante dos grandes centros urbanos que não recebe a atenção necessária dos governos.

O deputado afirmou que muitos municípios continuam enfrentando dificuldades de acesso à educação, saúde, infraestrutura e oportunidades de emprego.

“Precisa de faculdade? Tem que ir embora do interior. Precisa de emprego? Tem que ir embora do interior. Precisa de hospital? Tem que pegar uma van e sair do interior.”

Segundo ele, a consequência é um processo contínuo de esvaziamento populacional das pequenas cidades, especialmente entre os jovens.

Saúde e educação

Na área da saúde, Requião Filho afirmou que o processo de regionalização perdeu força e que a população do interior continua sendo obrigada a percorrer grandes distâncias em busca de atendimento especializado.

Já sobre a educação, contestou os indicadores apresentados pelo governo estadual e disse que existem denúncias de manipulação de resultados para melhorar índices oficiais.

“Temos denúncias de professores que têm que alterar notas de alunos.”

Ele também criticou o avanço das plataformas digitais de ensino, argumentando que a tecnologia não pode substituir o papel dos educadores e nem ignorar as diferentes realidades regionais do Paraná.

“A plataformização da educação é bonita na propaganda. Na realidade, ela é dificultosa.”

Litoral e obras do governo

Apesar de elogiar intervenções como a revitalização da orla e a construção da Ponte de Guaratuba, o pré-candidato afirmou que as obras foram conduzidas com foco político e eleitoral.

Ao comentar a engorda da faixa de areia, afirmou que alertas técnicos teriam sido ignorados para garantir a entrega da obra antes do período eleitoral.

“Projeto mal feito. O mar levou mais de R$ 500 milhões embora.”

Sobre a Ponte de Guaratuba, disse que teria priorizado os acessos antes da execução da estrutura principal.

Porto de Paranaguá e acusações de falta de transparência

As declarações mais duras da entrevista surgiram quando o tema passou para o Porto de Paranaguá. Requião Filho afirmou que a administração portuária precisa ser mais transparente e defendeu investigações sobre denúncias envolvendo negócios realizados na área portuária.

“Hoje o Porto tem dono. Eu acho que o Porto tem que ser de todos os paranaenses.”

O deputado também mencionou denúncias relacionadas ao crime organizado e questionou negociações envolvendo terrenos públicos.

“Isso, para mim, cheira a maracutaia.”

Um discurso voltado para 2026

Ao encerrar a entrevista, Requião Filho reforçou a ideia de um governo voltado para a população, buscando contrastar sua proposta com o modelo que atribui ao atual grupo político no poder.

A entrevista faz parte da série promovida pela Band Paraná com os pré-candidatos ao Governo do Estado para as eleições de 2026 e oferece um primeiro retrato das linhas de discurso que deverão marcar a disputa eleitoral nos próximos meses.

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Operação do Gaeco mobiliza mil agentes e atinge organização criminosa em 34 cidades do Paraná

Megaoperação cumpre 559 mandados nesta segunda (15), o alvo é um grupo que atua de dentro dos presídios; Curitiba está entre as cidades com ações em andamento – operação ocorre após final de semana no qual PRF já havia apreendido mais de 3 toneladas de maconha ilegal nas estradas do Estado

 
Operação do Gaeco mobiliza mil agentes e atinge organização criminosa em 34 cidades do Paraná. Megaoperação cumpre 559 mandados nesta segunda (15), o alvo é um grupo que atua de dentro dos presídios; Curitiba está entre as cidades com ações em andamento – operação ocorre após final de semana no qual PRF já havia apreendido mais de 3 toneladas de maconha ilegal nas estradas do Estado
Reprodução Internet 

O dia amanheceu tenso para as forças de segurança no Paraná. Ainda antes do nascer do sol, viaturas começaram a circular por ruas, bairros e estradas de diversas regiões do estado. Em Curitiba e em outras 33 cidades paranaenses, agentes das forças de segurança saíram simultaneamente para cumprir uma das maiores operações contra o crime organizado já realizadas pelo Ministério Público do Paraná nos últimos anos.

Batizada de Operação Panóptico (Convergência Nacional PR-01), a ação foi deflagrada na manhã desta segunda-feira (15) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio integrado da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Polícia Científica. O objetivo é atingir uma organização criminosa com atuação dentro e fora do sistema prisional.

Mais de 500 mandados

Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público do Paraná, estão sendo cumpridos 559 mandados judiciais, dos quais 304 são de prisão e 255 de busca e apreensão.

A operação mobiliza aproximadamente 1.000 agentes de segurança, distribuídos em mais de 200 equipes, numa força-tarefa que se estende também para São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

Uma parcela significativa dos alvos já se encontra no sistema prisional. De acordo com os dados oficiais, 176 mandados de prisão e 92 mandados de busca foram executados dentro de unidades penais, resultado de investigações que apontam para a continuidade de atividades criminosas a partir do cárcere.

Curitiba entre os principais focos

No Paraná, os mandados são cumpridos em 34 municípios, incluindo Curitiba, São José dos Pinhais, Londrina, Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu, Ponta Grossa, Guarapuava, Paranavaí, Umuarama, Francisco Beltrão e Guaíra, entre outros.

As investigações foram conduzidas pelos dez núcleos regionais do Gaeco e vêm sendo desenvolvidas desde o final de 2025, envolvendo diferentes comarcas e órgãos do Poder Judiciário.

O que os investigadores procuram

De acordo com o Ministério Público, a meta não é apenas efetuar prisões.

Os investigadores buscam recolher documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos capazes de aprofundar as apurações sobre a estrutura da organização criminosa, seus integrantes e eventuais crimes ainda não esclarecidos.

A expectativa é que o material apreendido gere novos desdobramentos investigativos nos próximos meses.

O significado de "Panóptico"

O nome escolhido para a operação tem origem na palavra grega panóptico, que significa algo como "aquilo que tudo vê".

Segundo a explicação divulgada pelo próprio Ministério Público, o conceito remete à ideia de vigilância permanente e monitoramento constante, simbolizando a capacidade do Estado de acompanhar e identificar estruturas criminosas mesmo quando elas tentam atuar de forma oculta.

Atualização de última hora

Até a publicação desta reportagem, o Ministério Público ainda não havia divulgado um balanço consolidado das prisões efetivamente realizadas nem dos materiais apreendidos durante a operação.

Novas informações devem ser divulgadas ao longo do dia, incluindo números atualizados, possíveis flagrantes, apreensões e detalhes sobre a atuação da organização investigada.

O Sulpost acompanha os desdobramentos da Operação Panóptico e atualizará esta reportagem assim que novos dados oficiais forem divulgados pelas autoridades.

Cerco ao crime organizado se intensifica

A Operação Panóptico não acontece de forma isolada. Ela se soma a uma sequência de ações recentes das forças de segurança, estaduais e federais, que vêm ampliando a pressão sobre organizações criminosas e rotas de tráfico que cruzam o Paraná.

Na tarde de domingo (14), a Polícia Rodoviária Federal apreendeu quase 2,5 toneladas de maconha escondidas em meio a uma carga de aço durante uma fiscalização na BR-277, em Guarapuava, na região centro-sul do estado. Dois homens, de 39 e 42 anos, foram presos em flagrante. No dia anterior a PRF já havia apreendido um carregamento de cerca de 555 kg em Alto Paraíso, no Noroeste do Paraná.

Segundo a PRF, um dos suspeitos conduzia a carreta onde a droga estava escondida, enquanto o outro dirigia um automóvel utilizado como veículo batedor, responsável por monitorar o trajeto e alertar sobre eventual presença policial ao longo da rodovia. Ambos portavam pequenas porções de cocaína.

Durante a abordagem, os policiais encontraram vestígios de pó branco na cabine do caminhão. Questionado, o motorista admitiu ter feito uso de cocaína. Conforme as investigações iniciais, a carga teria saído de Foz do Iguaçu e teria como destino final a cidade de Curitiba.

Os dois presos deverão responder pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte de droga para consumo pessoal e condução de veículo sob efeito de substância psicoativa.

Somada à megaoperação deflagrada nesta segunda-feira pelo Gaeco, a apreensão reforça um cenário de endurecimento das ações de combate ao crime organizado no Paraná.

Enquanto a PRF atua para interromper corredores de tráfico nas rodovias federais, o MP e as forças estaduais avançam contra estruturas criminosas investigadas por manter atividades dentro e fora do sistema prisional. Os resultados das últimas 48 horas indicam que o cerco às organizações criminosas está cada vez mais apertado no estado.

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Em Guarapuava, trabalhador de 84 anos é resgatado após duas décadas em condições análogas à escravidão

Fiscalização do Ministério do Trabalho encontrou idoso vivendo em paiol deteriorado, sem direitos trabalhistas e exposto a riscos graves à saúde e à segurança

 
Em Guarapuava, trabalhador de 84 anos é resgatado após duas décadas em condições análogas à escravidão. Fiscalização do Ministério do Trabalho encontrou idoso vivendo em paiol deteriorado, sem direitos trabalhistas e exposto a riscos graves à saúde e à segurança.

O silêncio e a vastidão do campo escondiam uma realidade difícil de imaginar em pleno século XXI. Na semana passada, em uma propriedade rural de Guarapuava, na região Centro-Sul do Paraná, um trabalhador de 84 anos foi encontrado vivendo e trabalhando em condições que a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) classificou como análogas à escravidão.

O resgate ocorreu após uma ação da Inspeção do Trabalho. Segundo os auditores-fiscais, o trabalhador permanecia na propriedade havia mais de 20 anos ao lado da esposa, de 66 anos. Durante todo esse período, exerceu atividades rurais sem registro em carteira e sem acesso aos direitos mais básicos garantidos pela legislação trabalhista.

Moradia improvisada e riscos constantes

A situação encontrada pelos fiscais impressiona. O casal morava em um antigo paiol de madeira transformado improvisadamente em residência. O local apresentava piso deteriorado, frestas nas paredes, instalações elétricas precárias e risco de desabamento.

Os auditores identificaram ainda risco de incêndio, asfixia e intoxicação devido à forma inadequada de armazenamento de materiais inflamáveis e ao uso de botijão de gás dentro da residência. Diante da gravidade das condições, as estruturas utilizadas como moradia, banheiro e local de banho foram interditadas.

As condições sanitárias também eram alarmantes. O banheiro era improvisado e não possuía sistema adequado de esgotamento sanitário. O espaço destinado ao banho apresentava piso deteriorado e fiação elétrica exposta. A água consumida pelo casal era captada por meio de instalações improvisadas, sem garantia de potabilidade.

Direitos trabalhistas negados por décadas

Além das condições degradantes de moradia, a fiscalização constatou uma série de irregularidades trabalhistas. O trabalhador não possuía registro formal em carteira, não recebia férias nem décimo terceiro salário e recebia remuneração inferior ao piso regional da categoria.

Também foram identificados atrasos salariais, ausência de equipamentos de proteção individual e falta de condições adequadas para a realização segura das atividades rurais.

Com base no conjunto de violações constatadas, a Auditoria Fiscal do Trabalho caracterizou a submissão do trabalhador a condições análogas à escravidão e realizou seu resgate. O casal recebeu atendimento da assistência social do município e foi encaminhado para a residência de um dos filhos.

Importante: Pela legislação brasileira, o trabalho análogo à escravidão não se limita à privação de liberdade. Condições degradantes de trabalho e moradia, jornadas exaustivas, servidão por dívida e violações graves à dignidade humana também configuram esse crime.

Acordo prevê pagamento de R$ 70 mil

Após a operação, o proprietário da fazenda firmou acordo para o pagamento de aproximadamente R$ 70 mil ao casal. Segundo informações divulgadas após a fiscalização, cerca de R$ 50 mil correspondem a verbas trabalhistas devidas e outros R$ 20 mil referem-se à indenização por danos morais.

O caso poderá ainda ser analisado pelas autoridades competentes para eventual responsabilização criminal.

Uma realidade que ainda persiste

O caso registrado em Guarapuava chama atenção para uma realidade que ainda persiste em diversas regiões do Brasil. Embora muitas pessoas associem a escravidão apenas ao passado, operações de fiscalização continuam encontrando trabalhadores submetidos a situações degradantes e incompatíveis com a dignidade humana.

O combate a essas práticas depende tanto da atuação dos órgãos públicos quanto da participação da sociedade na identificação e denúncia de possíveis violações.

Como denunciar

Casos suspeitos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados de forma anônima por meio do Sistema Ipê, ferramenta criada pelo MTE em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A plataforma recebe informações sobre situações de exploração laboral e auxilia as autoridades na fiscalização e proteção dos trabalhadores em todo o país.

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domingo, 14 de junho de 2026

Pato Branco recebe reforço na saúde com carreta de cirurgias oftalmológicas e investimentos do Governo Federal

Município do Sudoeste do Paraná amplia atendimento especializado pelo SUS com apoio do programa Agora Tem Especialistas em ações acompanhadas pela deputada federal Gleisi Hoffmann

 
Pato Branco recebe reforço na saúde com carreta de cirurgias oftalmológicas e investimentos do Governo Federal. Município do Sudoeste do Paraná amplia atendimento especializado pelo SUS com apoio do programa Agora Tem Especialistas em ações acompanhadas pela deputada federal Gleisi Hoffmann.

Para quem aguardava há meses por uma consulta especializada ou por uma cirurgia oftalmológica, a chegada de uma carreta equipada para realizar procedimentos pelo SUS representa mais do que um investimento público. Representa a possibilidade de voltar a enxergar melhor, retomar atividades do dia a dia e recuperar qualidade de vida.

Pato Branco recebeu nesta semana novos investimentos destinados ao fortalecimento da saúde pública. As ações contam com recursos do Ministério da Saúde, mostrando que o governo do presidente Lula leva a questão à sério.

Entre os destaques está a presença de uma unidade móvel especializada em atendimentos oftalmológicos, capaz de realizar consultas, exames e cirurgias diretamente na região. A iniciativa faz parte do programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde, criado para ampliar o acesso da população a procedimentos de média e alta complexidade e ajudar a reduzir filas no Sistema Único de Saúde (SUS).

Atendimento mais próximo da população

Segundo informações divulgadas durante a agenda em Pato Branco, a estrutura já vem atendendo pacientes encaminhados pela rede pública e beneficiando moradores de diversos municípios do Sudoeste paranaense.

Além da unidade móvel, a agenda incluiu entregas e investimentos voltados ao fortalecimento da rede pública de saúde, ampliando a capacidade de atendimento especializado na região.

Durante a visita, a deputada Gleisi Hoffmann destacou o alcance da iniciativa:

“É a carreta que faz a cirurgia oftalmológica. Ela tá aqui desde o dia 1º, já fez mais de 300 cirurgias e vai atender vários municípios da região. São três carretas que estão no Paraná, do Ministério da Saúde, do programa Agora Tem Especialistas, do presidente Lula. A ideia é levar atendimento para mais perto das pessoas e acelerar procedimentos que muitas vezes demoravam meses para serem realizados.”

Mais consultas, exames e cirurgias

O programa Agora Tem Especialistas integra o esforço do governo federal para ampliar o acesso da população a consultas, exames diagnósticos e cirurgias especializadas. A estratégia busca reduzir a espera por procedimentos considerados essenciais e fortalecer a capacidade de resposta do SUS em diferentes regiões do país.

No Paraná, as carretas de atendimento itinerante permitem que serviços especializados cheguem a municípios que muitas vezes dependem de deslocamentos para centros maiores, reduzindo custos e facilitando o acesso dos pacientes.

Fortalecimento do SUS

A ampliação da oferta de serviços especializados reforça a importância dos investimentos públicos na saúde e do fortalecimento do Sistema Único de Saúde, responsável por atender milhões de brasileiros diariamente.

Para os moradores de Pato Branco e de cidades vizinhas, a expectativa é que a nova estrutura contribua para acelerar atendimentos, reduzir filas e garantir mais dignidade a quem depende da rede pública para cuidar da própria saúde.

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14 de Junho – Dia Mundial do Doador de Sangue

Uma gota de humanidade. Doe sangue. Salve vidas.

Tabela para doação de sangue  - Sulpost

Neste Dia Mundial do Doador de Sangue, o Sulpost se une à campanha internacional promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), apoiada por organismos das Nações Unidas, pelos Poderes da República e por instituições públicas e privadas de todo o mundo para conscientizar a população sobre a importância da doação regular de sangue.

Também participa desta mobilização o sindicalista Nelsão da Força, que está promovendo uma campanha permanente de conscientização para incentivar trabalhadores e trabalhadoras de Curitiba e Região Metropolitana a transformarem a doação de sangue em um hábito de cidadania, solidariedade e amor ao próximo.

Todos os dias, hospitais necessitam de sangue para atender vítimas de acidentes, pacientes em cirurgias, tratamentos contra o câncer, transplantes, complicações durante o parto e diversas outras situações de emergência. Apesar dos avanços da medicina, não existe substituto para o sangue humano. A única fonte continua sendo a generosidade de quem doa.

Milhares de pessoas recebem uma nova oportunidade de vida graças a doadores que muitas vezes jamais conhecerão aqueles que ajudaram. É um gesto silencioso, voluntário e anônimo, mas de enorme impacto social.

Segundo a campanha mundial deste ano, cada doação representa mais do que um procedimento médico: é uma demonstração concreta de humanidade, solidariedade e responsabilidade coletiva.

Compatibilidade dos tipos sanguíneos

Tipo sanguíneo Pode doar para Pode receber de
O− O−, O+, A−, A+, B−, B+, AB−, AB+ O−
O+ O+, A+, B+, AB+ O−, O+
A− A−, A+, AB−, AB+ O−, A−
A+ A+, AB+ O−, O+, A−, A+
B− B−, B+, AB−, AB+ O−, B−
B+ B+, AB+ O−, O+, B−, B+
AB− AB−, AB+ O−, A−, B−, AB−
AB+ AB+ Todos os tipos sanguíneos

Quem doa sangue não oferece apenas alguns minutos do seu tempo. Oferece esperança, tratamento, recuperação e vida.

Se você está apto a doar, procure o hemocentro mais próximo. Convide amigos, familiares e colegas de trabalho. Uma única doação pode beneficiar várias pessoas.

Doe sangue regularmente. Faça da solidariedade um hábito.

Campanha apoiada pela OMS, organismos internacionais de saúde, instituições públicas brasileiras, Sulpost e Papo Reto com o Nelsão.

Meia tonelada de maconha escondida em caminhão é apreendida no Noroeste do Paraná

Operação da PRF na BR-487 interceptou mais de 555 quilos da droga escondidos em compartimentos ocultos; motorista foi preso em flagrante

Policial Rodoviário Federal abre compartimento secreto em caminhão MB ano 79, no Paraná
Foto: PRF/Reprodução 

O silêncio da tarde de sábado no Noroeste do Paraná foi interrompido por mais uma ação que mostra como o tráfico tenta usar as rodovias brasileiras para movimentar cargas milionárias de drogas. Desta vez, a tentativa terminou antes de chegar ao destino.

Policiais Rodoviários Federais apreenderam 555,6 quilos de maconha escondidos em um caminhão Mercedes-Benz 1113, ano 1979, durante uma fiscalização na BR-487, em Alto Paraíso. A droga estava distribuída em compartimentos ocultos sob o assoalho da carroceria e também em uma caixa adaptada na lateral do veículo. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o motorista, de 43 anos, saiu de Tacuru, no Mato Grosso do Sul, e pretendia levar a carga ilícita até Cianorte, no Paraná.

Ao perceber a abordagem policial, o condutor tentou fugir, mas foi contido pelos agentes e preso em flagrante. A apreensão representa mais um duro golpe contra as organizações criminosas que utilizam as rodovias brasileiras para o transporte de entorpecentes.

O caso chama atenção não apenas pela quantidade de droga encontrada, mas também pela forma como ela era transportada. Os compartimentos ocultos indicam um planejamento cuidadoso para tentar escapar da fiscalização, prática frequentemente utilizada por quadrilhas ligadas ao tráfico interestadual.

Durante a vistoria, os policiais localizaram ainda uma antena de internet via satélite em pleno funcionamento, escondida no teto da cabine do caminhão. O equipamento pode ter sido utilizado para manter comunicação constante durante o trajeto ou monitorar informações sobre a rota percorrida.

A situação ganhou um desdobramento inesperado após a prisão. O motorista apresentou uma crise de hipertensão e precisou receber atendimento médico. Com apoio da Polícia Militar, ele foi encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Icaraíma, onde passou por exames e recebeu alta médica. Após o atendimento, o suspeito foi novamente colocado à disposição das autoridades responsáveis pela investigação. O caminhão e toda a carga apreendida foram encaminhados para os procedimentos legais.

Mais do que retirar meia tonelada de drogas de circulação, a operação reforça a importância da atuação permanente das forças de segurança nas rodovias federais. Em um estado que ocupa posição estratégica entre regiões produtoras e centros consumidores, o combate ao tráfico continua sendo um desafio diário.

O motorista responderá pelo crime de tráfico de drogas. Pela legislação brasileira, a pena prevista, caso condenado, pode variar de cinco a 15 anos de prisão, além do pagamento de multa.

Enquanto organizações criminosas buscam novas formas de esconder e transportar drogas ilícitas, ações como a realizada em Alto Paraíso mostram que a fiscalização do Governo Federal segue atenta. Cada apreensão representa menos drogas circulando e mais segurança para a população. Parabéns à PRF.


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MP investiga privatização da Celepar após denúncia de Requião Filho

Inquérito do Ministério Público do Paraná reforça preocupações sobre a segurança dos dados dos paranaenses e reacende debate sobre os limites da privatização de serviços estratégicos

MP investiga privatização da Celepar após denúncia de Requião Filho
Foto: Divulgação 

Há decisões de governo que passam quase despercebidas pela maioria das pessoas. Outras, porém, mexem diretamente com algo que pertence a todos. É o caso da Celepar, a Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná. Para muitos cidadãos, a empresa pode parecer apenas mais uma estatal. Na prática, porém, ela administra uma parte significativa da infraestrutura digital que sustenta o funcionamento do Estado e guarda informações que fazem parte da vida de milhões de paranaenses.

Foi justamente por causa dessa dimensão estratégica que a denúncia apresentada pelo deputado estadual Requião Filho (PDT) ganhou relevância e agora produz um efeito concreto: o Ministério Público do Paraná instaurou um inquérito civil para investigar medidas adotadas durante o processo de privatização da companhia.

O que está sendo investigado

Segundo as informações divulgadas pelo Ministério Público e pelo gabinete parlamentar, a investigação busca esclarecer procedimentos adotados pelo Governo do Estado antes da conclusão da venda da Celepar. Entre os pontos questionados estão orientações administrativas relacionadas à antecipação de contratos, renovações e outras medidas que poderiam impactar diretamente o valor e a operação da empresa durante o processo de privatização.

A apuração também procura entender quais efeitos essas decisões podem gerar para o patrimônio público e para a administração estadual.

A abertura do inquérito não representa uma condenação prévia nem comprova irregularidades. Significa, entretanto, que o Ministério Público identificou elementos suficientes para aprofundar a investigação e solicitar esclarecimentos oficiais.

Dados públicos não são mercadoria comum

O debate sobre a Celepar vai muito além da venda de uma empresa. O que está em discussão é o controle sobre informações estratégicas do Estado e dos cidadãos.

Na era digital, dados pessoais são ativos extremamente valiosos. Informações relacionadas à saúde, educação, segurança pública, tributação, programas sociais e inúmeros outros serviços passam diariamente pelos sistemas desenvolvidos e administrados pela companhia.

Por essa razão, especialistas em tecnologia, entidades sindicais, servidores públicos e parlamentares da oposição vêm alertando há meses para os riscos de transferir o controle de uma estrutura tão sensível para a iniciativa privada.

Em outra frente de investigação, o próprio Ministério Público também passou a analisar questões relacionadas à proteção de dados da área de segurança pública, ampliando as preocupações sobre os impactos da privatização.

O fantasma da Copel

Para muitos paranaenses, a discussão sobre a Celepar inevitavelmente remete à privatização da Copel.

Desde a venda do controle da companhia de energia, consumidores vêm relatando aumento das tarifas e dificuldades na prestação de serviços. O tema continua gerando debates políticos e questionamentos sobre os reais benefícios da privatização de empresas consideradas estratégicas.

Embora os setores sejam diferentes, a comparação surge naturalmente porque ambos envolvem estruturas fundamentais para a população.

Energia elétrica é um serviço essencial. Informação pública, na sociedade digital do século XXI, também é.

Sem energia, cidades param. Sem sistemas digitais confiáveis e seguros, o próprio funcionamento do Estado fica comprometido.

Uma discussão que ultrapassa a política partidária

Independentemente das posições ideológicas, a abertura do inquérito pelo Ministério Público confere peso institucional a uma preocupação que vinha sendo levantada por Requião Filho desde o início do processo.

O parlamentar, que é apontado como pré-candidato ao Governo do Paraná, sustenta que a Celepar não deve ser tratada como uma empresa comum. Para ele, a companhia representa um patrimônio tecnológico construído ao longo de décadas com recursos públicos e conhecimento desenvolvido por profissionais paranaenses.

Os acontecimentos recentes mostram que essa preocupação não pode ser descartada como mero discurso político.

Quando o órgão responsável pela fiscalização do patrimônio público decide abrir uma investigação formal, o debate deixa de ser apenas eleitoral e passa a integrar o campo institucional.

E é justamente aí que surge a pergunta que milhões de paranaenses talvez ainda não tenham feito:

Se os dados dos cidadãos são um dos ativos mais valiosos da sociedade contemporânea, faz sentido que o Paraná abra mão do controle da maior empresa pública de tecnologia do Estado?

A resposta a essa pergunta poderá influenciar não apenas o futuro da Celepar, mas também a forma como os paranaenses enxergarão o papel do Estado na proteção de informações que pertencem a toda a sociedade.

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sábado, 13 de junho de 2026

Justiça para Emily e Rebecca: decisão histórica reconhece falhas do Estado após morte de meninas em operação policial

Sentença inédita do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro garante indenização às famílias e reafirma o direito à verdade sobre um caso que comoveu o país

Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades / Reprodução
 

O barulho de crianças brincando na rua deveria ser uma das paisagens sonoras mais comuns de qualquer bairro brasileiro. Na tarde de 4 de dezembro de 2020, porém, o que deveria ser apenas mais um dia de brincadeiras na comunidade do Sapinho, em Duque de Caxias, terminou em uma tragédia que marcou para sempre duas famílias e expôs uma das faces mais dolorosas da violência armada no Rio de Janeiro.

Nesta semana, quase seis anos depois da morte das primas Emily Vitória, de 4 anos, e Rebecca dos Santos, de 7, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) proferiu uma decisão considerada histórica. Pela primeira vez, o Estado foi condenado não apenas a indenizar as famílias pelas mortes ocorridas durante uma operação policial. O Estado do Tio de Janeiro também foi condenado pelas falhas na investigação que, até hoje, não conseguiu apontar os responsáveis pelo disparo que matou as duas crianças.

A sentença, que ainda pode ser alvo de recurso, foi resultado de uma ação proposta pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro.

O direito à reparação e o direito à verdade

Para o defensor público André Castro, responsável pelo caso, a decisão vai além da compensação financeira.

Segundo ele declarou à EBC, a Justiça reconheceu que a investigação não cumpriu os critérios necessários para uma apuração adequada dos fatos, frustrando o direito das famílias de conhecer a verdade sobre o que aconteceu naquela tarde.

"O direito à verdade é o direito de saber quem foi o responsável ou quem foram os responsáveis pelas mortes das meninas Emily e Rebecca."

A juíza Cristiana Aparecida de Souza Donato determinou o pagamento de indenização por danos morais e pensão aos familiares das vítimas.

Na decisão, a magistrada também cita entendimento consolidado pelo STF segundo o qual o Estado responde civilmente por mortes e ferimentos decorrentes de operações de segurança pública. O entendimento estabelece ainda que uma perícia inconclusiva, por si só, não afasta a responsabilidade estatal.

O que aconteceu naquela tarde

Emily e Rebecca brincavam em frente de casa quando foram atingidas por um único disparo de fuzil. O tiro foi dado durante uma ação da Polícia Militar (PMRJ). De acordo com o processo, uma viatura passava pela rua no momento dos fatos com dois policiais armados.

Testemunhas relataram ter visto um clarão saindo de dentro do veículo policial. Já a investigação oficial concluiu que o disparo teria partido do lado oposto da rua, atribuindo a autoria a criminosos que jamais foram identificados, ou comprovada sua existência.

O caso ganhou contornos ainda mais complexos porque os exames de balística apontaram que os fuzis utilizados pelos policiais eram compatíveis com o projétil que atingiu as meninas. O laudo, contudo, não conseguiu afirmar de forma conclusiva qual arma efetuou o disparo que assassinou as meninas.

A investigação gerou um inquérito pífio, despido de provas conclusivas, os processos criminais acabaram arquivados e, passados quase seis anos daquele dia fatídico, nenhuma pessoa foi responsabilizada judicialmente pelas mortes.

A reconstrução que ajudou a mudar o rumo do caso

Um dos elementos que contribuíram para a decisão judicial foi o trabalho desenvolvido pelo Projeto Mirante, iniciativa de pesquisa sediada na Universidade Federal Fluminense (UFF).

Pesquisadores realizaram uma extensa reconstrução dos acontecimentos. O trabalho envolveu medições no local, entrevistas com moradores, análise de imagens, cruzamento de dados de GPS e até modelagem tridimensional da cena.

A pesquisadora Liliana Sanjurjo afirmou que a equipe identificou falhas importantes em laudos produzidos durante a investigação original.

Segundo ela, o cruzamento das evidências permitiu comprovar que uma viatura policial estava exatamente no local e no momento em que o disparo ocorreu, informação considerada relevante para a reavaliação do caso.

O posicionamento do governo

Em nota, o Governo do Estado do Rio de Janeiro informou que aguarda a análise de recursos apresentados pela Defensoria Pública antes de decidir se recorrerá da sentença.

O governo sustenta que as investigações da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense concluíram que os disparos não partiram dos policiais militares investigados.

Segundo a administração estadual, foram realizadas diversas diligências, perícias, oitivas de testemunhas e reprodução simulada dos fatos durante a apuração.

Um retrato da violência que atinge crianças

A história de Emily e Rebecca não é um episódio isolado.

Dados da plataforma Futuro Exterminado mostram que, entre 2016 e 2026, ao menos 778 crianças e adolescentes foram baleados no Rio de Janeiro e região metropolitana. Desses casos, 347 ocorreram durante operações policiais.

O número de mortes impressiona: 342 jovens perderam a vida nesse período.

Somente em 2020, ano em que Emily e Rebecca foram mortas, 62 crianças e adolescentes foram atingidos por disparos de arma de fogo no Estado do Rio. Vinte e seis delas perderam a vida, tiveram seus sonhos e seu futuro interrompidos por uma guerra sem sentido.

Por trás de cada estatística existe uma história interrompida, uma família marcada pela ausência e perguntas que muitas vezes permanecem sem resposta.

A decisão do TJRJ não devolve Emily e Rebecca aos seus familiares. Mas representa um reconhecimento oficial de que o Estado falhou não apenas em protegê-las, como também em oferecer respostas completas à sociedade.

E, talvez seja justamente esse reconhecimento que transforme a sentença em algo maior do que uma indenização: um passo importante na busca por memória, responsabilidade e justiça. Eu também a lição para o Estado, em planejar melhor suas ações nas comunidades e na promoção de investigações eficientes, que gerem conjuntos probatórios fortes e inquéritos robustos. O crime não compensa.

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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Gleisi, Dire Straits e o rock que pulsa no coração do Paraná

Ex-ministra e pré-candidata ao Senado pelo Paraná mostrou seu lado roqueiro durante participação no Podcast Três Irmãos e acabou conectando política, cultura e identidade paranaense

Brasília costuma apresentar Gleisi Hoffmann em meio a negociações intensas, votações decisivas e disputas que movimentam os bastidores do poder. Mas uma cena bem diferente chamou atenção dos paranaenses nos últimos dias.

Durante sua participação no Podcast Três Irmãos, a ex-ministra, deputada federal e pré-candidata ao Senado pelo Paraná apareceu em um momento descontraído, mostrando que também aprecia um dos gêneros musicais mais tradicionais do estado: o velho e bom rock and roll.

Ao som da clássica banda britânica Dire Straits, Gleisi deixou de lado por alguns instantes os temas pesados da política nacional e revelou um lado mais próximo do cotidiano de milhares de paranaenses que cresceram ouvindo guitarras, solos marcantes e canções que atravessaram gerações.

Mais do que um gosto musical

A identificação não acontece por acaso. Embora o sertanejo romântico continue liderando a preferência musical dos paranaenses, pesquisas culturais realizadas nos últimos anos mostram que o rock permanece entre os estilos mais ouvidos no estado, especialmente em Curitiba, cidade que construiu uma relação histórica com o gênero.

Dos bares do Largo da Ordem aos festivais independentes, passando pelas bandas autorais que surgiram nos bairros da capital, o rock ajudou a moldar parte da identidade cultural curitibana. É uma herança que atravessa gerações e continua presente mesmo diante das transformações do mercado musical. Não é à toa que Curitiba é conhecida como a Capital Nacional do Rock.

A ligação do PT Paraná com o ritmo não é novidade, o deputado Arilson Chiorato é responsável pela lei que tornou o patrimônio material do Estado a música Bicho do Paraná, do meu bom e saudoso amigo João Lopes.

O hit paranaense continua fazendo sucesso com a Carminha, esposa do João. Sim, João Lopes era roqueiro e moldou, na mesma época que bandas como Blindagem, A Chave, Arrigo Barnabé, Tetê e Carlos Careqa, o estilo único do rock paranaense. Não somos gatos de Ipanema, somos bicho do Paraná.

Talvez seja justamente por isso que o momento tenha repercutido nas redes sociais. Em um ambiente normalmente dominado por discursos técnicos e disputas ideológicas, apareceu algo simples e universal: a música escolhida para ilustrar a postagem no Instagram da deputada.

Uma conversa sobre o Brasil

A participação de Gleisi no Podcast Três Irmãos foi muito além do momento musical.

Ao longo da entrevista, a parlamentar falou sobre os desafios enfrentados pelo governo para construir maiorias no Congresso Nacional, analisou a correlação de forças políticas no país, comentou a influência do sistema financeiro sobre decisões econômicas e abordou temas ligados às relações internacionais.

Também houve espaço para reflexões sobre movimentos separatistas que periodicamente ressurgem no Sul do Brasil, tema que a deputada classificou como reflexo de interesses ligados a correntes neoliberais.

A conversa aconteceu poucos meses após Gleisi deixar a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), do governo Lula, e retornar à Câmara dos Deputados. Agora, ela se prepara para uma nova disputa eleitoral, buscando retornar ao Senado Federal, onde já exerceu mandato entre 2011 e 2019. Na época Gleisi foi eleita com votação bastante expressiva.

Antes da política, a trilha sonora

Num país marcado por divisões políticas cada vez mais profundas, talvez o trecho mais compartilhado da entrevista tenha sido justamente aquele que não envolvia debates, estatísticas ou embates partidários.

Foi apenas uma música.

Mas uma música capaz de lembrar que, antes de serem governantes, parlamentares, apoiadores ou adversários, as pessoas carregam histórias, memórias e trilhas sonoras que ajudam a explicar quem são.

E, pelo menos naquele momento, Gleisi mostrou sintonia com uma tradição que continua encontrando abrigo no Paraná: a paixão pelo rock and roll.

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Dalton Trevisan faria 101 anos neste domingo — e Curitiba continua habitando suas páginas

Das ruas do Centro à Polaquinha: a obra do Vampiro de Curitiba segue viva nas bibliotecas, nos palcos e na memória cultural da cidade


Dalton Trevisan faria 101 anos neste domingo — e Curitiba continua habitando suas páginas. Das ruas do Centro à Polaquinha: a obra do Vampiro de Curitiba segue viva nas bibliotecas, nos palcos e na memória cultural da cidade

Curitiba amanhece diferente quando o calendário se aproxima de 14 de junho. O inverno se aproxima, fazendo as noites mais longas e os dias mais curtos. Época do ano mais feliz para o "Vampiro de Curitiba".

Não há cerimônia oficial capaz de traduzir completamente o que representa a ausência — e ao mesmo tempo a permanência — de Dalton Trevisan. Neste domingo, o escritor curitibano completaria 101 anos. Dalton fez sua passagem para o além em 2024, aos 99 anos, deixando uma obra que ultrapassa os limites da cidade de Curitiba e da literatura brasileira.

Seus personagens continuam caminhando pelas ruas da cidade, entrando em bares, atravessando praças e carregando as contradições humanas que ele observava como poucos. O homem que evitava entrevistas, recusava a fama e tinha verdadeira aversão a fotografias acabou se tornando um dos autores mais reconhecidos da língua portuguesa.

Ao longo da carreira, publicou mais de 50 livros, recebeu os prêmios Jabuti, Machado de Assis e Camões, além de ser homenageado postumamente com a Ordem do Mérito Cultural, a mais alta condecoração brasileira na área da cultura.

Mas talvez nenhum apelido tenha definido tão bem sua relação com Curitiba quanto aquele que nasceu de uma de suas próprias obras: o Vampiro de Curitiba.

A única vez em que Dalton escreveu um romance

Entre dezenas de coletâneas de contos, existe uma obra singular na trajetória do escritor. Publicado em 1985, A Polaquinha é o único romance escrito por Dalton Trevisan e também a primeira vez em que uma mulher ocupa o papel central de uma narrativa sua.

A protagonista é uma jovem que decide se prostituir para pagar os estudos. Ao longo da história, ela atravessa relacionamentos marcados por desejo, violência, afeto, culpa, paixão e solidão. Homens de diferentes classes sociais entram e saem de sua vida enquanto ela constrói uma espécie de educação sentimental pelas ruas de Curitiba.

O escritor Otto Lara Resende definiu essa jornada como uma busca atravessada por culpa, castigo, perdição e amor.

Mais de quatro décadas após o lançamento, A Polaquinha permanece como uma das portas de entrada mais importantes para quem deseja conhecer o universo literário de Dalton.

Quando Dalton virou fenômeno nos palcos

Se os livros ajudaram a eternizar seus personagens, o teatro fez com que eles ganhassem corpo diante do público. Em 1993, ano da inauguração do Teatro Novelas Curitibanas, estreou o espetáculo O Vampiro e a Polaquinha, adaptação inspirada na obra de Dalton Trevisan.

O resultado foi um fenômeno raro na cena cultural paranaense. Dirigida por Ademar Guerra, a montagem permaneceu quatro anos consecutivos em cartaz, acumulando mais de 800 apresentações e atraindo aproximadamente 100 mil espectadores.

O elenco reunia nomes que mais tarde se tornariam referências da dramaturgia paranaense e nacional, entre eles Lala Schneider, Nena Inoue, Hugo Duarte, Paulo Friebe, Rogério Delê, Marísia Brünning, Silvia Contursi e uma jovem atriz em início de carreira chamada Guta Stresser.

Anos depois, Guta conquistaria o país interpretando Bebel no seriado A Grande Família, da TV Globo, onde permaneceu por 14 anos.

Curiosidade curitibana:

Pouca gente sabe, mas Guta Stresser é prima de Dalton Trevisan. O parentesco vem da bisavó da atriz, Joanna Trevisan Sanson, que era tia do escritor. Uma conexão familiar que une dois nomes marcantes da cultura curitibana.

Mais de três décadas depois da estreia histórica, a influência daquela montagem permanece viva. O diretor Luiz Fiani, integrante do elenco original, atualmente conduz a releitura Que fim levou o Vampiro de Curitiba?, reafirmando a permanência da obra no imaginário cultural da cidade.

Guta Stresser, interpretando a polaquinha em 1993, no então recém inaugurado teatro novelas curitibanas
Guta Stresser, em 1993, vivendo "A Plaquinha", de Dalton Trevisan - Foto: Gilson Camargo

Curitiba guarda 467 livros de Dalton à espera de leitores

Quem deseja começar a ler Dalton Trevisan não precisa procurar muito. As bibliotecas municipais e Casas da Leitura de Curitiba mantêm atualmente 467 exemplares de obras do escritor disponíveis ao público.

Há títulos clássicos como A Polaquinha, O Vampiro de Curitiba, Em Busca da Curitiba Perdida e A Guerra Conjugal, além de edições raras preservadas na Casa da Memória, no Largo da Ordem.

Entre as raridades estão traduções internacionais lançadas em cidades como Nova York e Buenos Aires, prova de que o escritor que retratava becos, pensões e personagens anônimos da capital paranaense conquistou leitores muito além das fronteiras brasileiras.

Por onde começar a ler Dalton?

Para quem nunca teve contato com sua obra, especialistas em literatura curitibana costumam recomendar duas antologias: Antologia Pessoal, organizada pelo próprio autor nos últimos anos de vida, e Educação Sentimental do Vampiro, organizada por Caetano W. Galindo e Felipe Hirsch.

Já para quem deseja conhecer o Dalton em sua forma mais madura, uma indicação frequente é Cemitério de Elefantes, publicado em 1964.

E para entender a relação inseparável entre o escritor e a cidade, talvez não exista obra mais emblemática do que O Vampiro de Curitiba.

Ali estão a Praça Tiradentes, a Ponte Preta, as ruas do Centro e muitos dos cenários que permanecem reconhecíveis até hoje. Mas estão também as sombras, os desejos, as obsessões e o humor ácido que transformaram Dalton Trevisan em um cronista implacável da condição humana.

O escritor que virou parte da cidade

Dalton costumava dizer pouco. Preferia que seus personagens falassem por ele.

Talvez por isso sua ausência pareça menos definitiva do que a de outros escritores. Curitiba continua encontrando Dalton em suas esquinas, nos bancos das praças, nos corredores das bibliotecas e nos palcos dos teatros.

Aos 101 anos de seu nascimento, o Vampiro de Curitiba permanece exatamente onde sempre esteve: observando a cidade e seus habitantes através das páginas de seus livros. E talvez seja essa a forma mais rara de imortalidade que um escritor pode alcançar. E, afinal, reza a lenda que os vampiros são mesmo imortais.

Dalton Trevisan faria 101 anos neste domingo — e Curitiba continua habitando suas páginas. Na foto a casa de Dalton Trevisan no Alto da glória, em Curitiba. Das ruas do Centro à Polaquinha: a obra do Vampiro de Curitiba segue viva nas bibliotecas, nos palcos e na memória cultural da cidade. Selfie de Ronald Stresser Jr
O "Castelo do Vampiro", casa aonde Dalton Trevisan viveu por mais de 68 anos, na Ubaldino do Amaral com a Rua Amintas de Barros, no Alto da Glória, em Curitiba - Selfie: Ronald Sanson Stresser Junior
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El Niño está de volta: fenômeno é confirmado e pode influenciar o clima do Brasil até 2027

Agência climática dos Estados Unidos confirma início oficial do El Niño. Especialistas alertam para risco maior de secas no Norte e Nordeste e chuvas intensas no Sul do país

El Niño está de volta: fenômeno é confirmado e pode influenciar o clima do Brasil até 2027. Agência climática dos Estados Unidos confirma início oficial do El Niño. Especialistas alertam para risco maior de secas no Norte e Nordeste e chuvas intensas no Sul do país

O Oceano Pacífico voltou a enviar sinais que o planeta aprendeu a observar com atenção. Depois de meses de monitoramento, a agência climática dos Estados Unidos confirmou nesta semana o início oficial do fenômeno El Niño, um dos eventos naturais mais influentes sobre o clima global.

A confirmação veio da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que identificou o aquecimento das águas superficiais na faixa equatorial do Pacífico acima dos limites que caracterizam o fenômeno. As medições mais recentes apontam temperaturas cerca de 0,7°C acima da média histórica, valor suficiente para decretar o retorno do El Niño.

Mas o que mais chama atenção não é apenas o retorno do fenômeno. Os modelos climáticos indicam que ele pode ganhar força nos próximos meses e permanecer ativo até o primeiro trimestre de 2027. Há uma probabilidade significativa de que o evento alcance intensidade forte ou muito forte entre o final deste ano e o início do próximo.

O que isso significa para o Brasil?

Embora o El Niño seja um fenômeno natural e recorrente, seus efeitos costumam ser sentidos em diferentes regiões do país de maneiras bastante distintas.

As projeções mais recentes do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), segundo informa a EBC, indicam aumento do risco de estiagens prolongadas no Norte e em parte do Nordeste, com impactos sobre rios, abastecimento de água, agricultura e ocorrência de incêndios florestais. Já no Sul do Brasil, a tendência é de maior frequência de episódios de chuva intensa, tempestades e enchentes.

A memória ainda está fresca. Em 2024, durante o último episódio significativo do fenômeno, o Rio Grande do Sul enfrentou uma das maiores tragédias climáticas de sua história, com enchentes que deixaram cidades inteiras submersas e milhares de famílias desalojadas.

Para Paraná e Santa Catarina, o cenário exige atenção redobrada dos órgãos de defesa civil e dos gestores públicos, especialmente durante a primavera e o verão, quando os efeitos do fenômeno costumam se tornar mais evidentes.

O planeta mais quente amplia os desafios

Os cientistas fazem questão de lembrar que o El Niño não é causado pelas mudanças climáticas. Ele faz parte da variabilidade natural do sistema climático terrestre.

Mas existe um detalhe importante: o fenômeno agora atua sobre um planeta mais quente do que décadas atrás. A Organização Meteorológica Mundial destaca que o aquecimento acumulado nos oceanos fornece mais energia e mais umidade para a atmosfera, aumentando o potencial de eventos extremos como ondas de calor, chuvas torrenciais e secas severas.

Em outras palavras, o El Niño continua sendo um fenômeno natural. O contexto em que ele acontece, porém, já não é o mesmo.

Brasil faz sua parte

O retorno do El Niño acontece justamente quando o Brasil vem registrando avanços importantes na redução do desmatamento e no fortalecimento das políticas de monitoramento ambiental.

Embora nenhum país consiga impedir a ocorrência de fenômenos climáticos globais, especialistas destacam que preservar florestas, recuperar áreas degradadas e reduzir emissões de gases de efeito estufa são medidas fundamentais para diminuir vulnerabilidades e aumentar a capacidade de adaptação diante dos extremos climáticos.

A boa notícia é que hoje o país possui sistemas de monitoramento muito mais avançados do que em décadas anteriores. Satélites, centros meteorológicos e redes de alerta permitem antecipar riscos e preparar respostas mais rápidas para proteger populações vulneráveis.

Hora de acompanhar e se preparar

A próxima atualização oficial da NOAA será divulgada em julho. Até lá, cientistas de diversos centros climáticos do mundo continuarão acompanhando a evolução das temperaturas do Pacífico.

O consenso internacional é claro: o El Niño já começou. Agora, o desafio é entender sua intensidade e, principalmente, preparar cidades, agricultores e comunidades para os impactos que podem surgir nos próximos meses.

Num planeta cada vez mais sujeito a extremos climáticos, informação de qualidade continua sendo uma das ferramentas mais importantes para proteger vidas.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Brasil reduz desmatamento e mostra ao mundo que preservação ambiental e desenvolvimento podem caminhar juntos

Com queda expressiva na devastação da Amazônia e do Cerrado, país reforça compromisso climático e demonstra que proteger as florestas é uma decisão estratégica para o futuro

Desmatamento na região oeste da Amazônia brasileira - Carl de Souza / AFP / Getty Images

O verde da floresta não aparece apenas nas imagens de satélite. Ele se reflete na qualidade do ar, no regime de chuvas que abastece cidades e plantações, na biodiversidade e, cada vez mais, no debate global sobre como enfrentar a crise climática.

Os números divulgados pelo governo federal nesta semana apontam uma redução significativa dos alertas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Na Amazônia Legal, a queda chegou a 35% entre agosto de 2025 e janeiro de 2026. No Cerrado, o recuo foi de 6% no mesmo período.

“Pela primeira vez, a gente está saindo na frente na luta para combater as possíveis queimadas que virão. Pela primeira vez, nós estamos preparados antecipadamente para enfrentar essa situação.”

— Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

A declaração foi feita durante cerimônia realizada no Palácio do Planalto em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente. Na mesma ocasião, Lula afirmou que o Brasil voltou a conquistar credibilidade internacional na área ambiental, resultado de uma série de ações voltadas à proteção dos biomas e ao enfrentamento das mudanças climáticas.

Fazer a lição de casa

Em um mundo cada vez mais impactado por secas prolongadas, enchentes, ondas de calor e eventos climáticos extremos, a preservação ambiental deixou de ser apenas uma bandeira de ambientalistas. Tornou-se uma necessidade prática para governos, produtores rurais, empresas e populações inteiras.

O Brasil abriga a maior floresta tropical do planeta e possui uma das maiores reservas de biodiversidade da Terra. Por isso, qualquer avanço na proteção desses ecossistemas tem repercussão global.

Os resultados divulgados mostram que o país está fazendo sua parte. A redução do desmatamento, associada ao fortalecimento da fiscalização ambiental, ao monitoramento por satélite e à retomada de políticas públicas de preservação, indica uma mudança de rumo importante.

Outro dado que chamou atenção foi a queda de 93% nos índices de degradação florestal na Amazônia, indicador que mede danos à vegetação mesmo quando não ocorre a derrubada completa da floresta.

Exemplo em tempos de crise climática

O desafio está longe de terminar. Ainda existem áreas ameaçadas pela exploração ilegal de recursos naturais e biomas que exigem atenção permanente. Mas os números recentes mostram que é possível reduzir a devastação sem comprometer o crescimento econômico.

Ao contrário do que muitas vezes se argumenta, preservar a natureza não significa frear o desenvolvimento. Significa garantir água, estabilidade climática, segurança alimentar e oportunidades econômicas para as próximas gerações.

Em um momento em que diversos países discutem metas climáticas e formas de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o Brasil apresenta resultados concretos e verificáveis. Não apenas por discursos, mas por indicadores acompanhados por sistemas de monitoramento independentes.

Mais do que uma conquista ambiental, a queda do desmatamento representa uma demonstração de responsabilidade com o futuro. Em tempos de crise climática global, o Brasil mostra que está disposto a fazer sua lição de casa — e, ao fazê-la, acaba oferecendo um exemplo que o mundo acompanha com atenção.

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Kombi falha na fuga e plano criminoso termina com um morto no Bacacheri

Furto a uma loja de roupas mobilizou a Polícia Militar durante a madrugada em Curitiba; dois suspeitos foram presos, um morreu em confronto e outro segue foragido

 
Furto a uma loja de roupas mobilizou a Polícia Militar durante a madrugada em Curitiba; dois suspeitos foram presos, um morreu em confronto e outro segue foragido

O dia sempre amanhece movimentado no Bacacheri, mas alguns sinais da madrugada ainda permaneceram visíveis, mesmo hoje sendo dia de abertura da Copa 2026. Equipes policiais continuam as buscas por um suspeito foragido e comerciantes tentam reorganizar o que restou depois de uma noite marcada por perseguição, tiros e uma fuga que acabou dando errado. O veículo da fuga não funcionou e deu ruim para o bando.

A ocorrência foi por volta das 3 horas da madrugada desta quinta-feira (11), quando um grupo de criminosos invadiu uma loja de roupas na região da Rua Flávio Dallegrave. O que parecia ser mais um furto planejado acabou se transformando em ocorrência policial e tiroteio, em ação que mobilizou equipes da Polícia Militar do Paraná (PMPR) e assustou moradores do bairro.

Entrada por uma casa vazia

Segundo informações da PM, os suspeitos utilizaram uma residência desocupada ao lado da loja para acessar o imóvel comercial. Depois de pular um muro baixo, eles abriram um buraco na parede que divide os dois terrenos e conseguiram entrar no estabelecimento sem passar pela entrada principal.

Já dentro da loja, os criminosos cortaram fios do sistema de monitoramento e começaram a recolher mercadorias. Cabides ficaram espalhados, manequins foram danificados e diversas peças de roupa foram retiradas das araras.

O crime parecia não ter como dar errado para os criminosos. O objetivo era carregar tudo rapidamente em uma Kombi usada para transportar os produtos furtados. Entretanto as coisas não saíram como planejado, numa série de desventuras para os meliantes.

Quando a fuga começou a dar errado

O plano criminoso, que parecia inspirado nas séries de streaming da TV, começou a dar ruim, ruim mesmo, quando uma testemunha percebeu a movimentação suspeita durante a madrugada e chamou a polícia.

De acordo com relatos obtidos no local, os criminosos chegaram a colocar a Kombi dentro do estacionamento da loja para facilitar o carregamento das mercadorias que seriam objeto de furto. Mas, ao perceberem que poderiam ser descobertos, tentaram fugir às pressas.

Foi então que surgiu um problema inesperado: a Kombi simplesmente não funcionou. Enquanto os bandidos trapalhões tentavam fazer o veículo pegar, acabaram perdendo um tempo que seria precioso para eles. Quando a polícia chegou foi aquele "pega pra capar", alguns correram, outros permaneceram próximos ao local.

Prisões, perseguição e confronto

Segundo a PM, dois suspeitos foram presos ainda nas proximidades da loja. Um terceiro correu em direção a uma área próxima à linha férrea, nos arredores do Bacacheri. Durante a abordagem, houve confronto com os policiais. Um homem foi baleado e chegou a receber atendimento dos socorristas, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

Moradores da região relataram momentos de tensão durante a perseguição. Alguns afirmaram ter sido acordados por uma sequência de disparos. Uma moradora contou que ouviu pelo menos seis tiros durante a madrugada, provocando preocupação entre os vizinhos.

Suspeito e Kombi continuam desaparecidos

Apesar das prisões e da recuperação de parte das mercadorias, a ocorrência ainda não está encerrada. De acordo com a Polícia Militar, um quarto integrante do grupo conseguiu fugir levando a Kombi utilizada na ação. As equipes seguem realizando buscas para localizar o suspeito e recuperar o restante dos produtos furtados.

Enquanto isso, trabalhadores já iniciaram os reparos no muro que foi destruído para permitir a invasão da loja. O buraco aberto pelos criminosos começou a ser fechado ainda pela manhã, numa tentativa de devolver a normalidade a uma região que acordou marcada pelos acontecimentos da madrugada.

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