quarta-feira, 18 de março de 2026

Caminhoneiros ameaçam greve após alta do diesel e acendem alerta no país

Mobilização cresce em diferentes regiões, mas paralisação nacional ainda não está oficialmente confirmada

 
Caminhoneiros ameaçam greve após alta do diesel e acendem alerta no país

O Brasil volta a respirar aquele ar conhecido — meio tenso, meio suspenso — de quando os caminhões ameaçam parar. Nas estradas, nos postos, nos grupos de mensagem, o assunto circula com força: o diesel subiu, e a conta não está fechando.

Nas últimas semanas, o aumento do combustível reacendeu uma inquietação antiga. Caminhoneiros autônomos, principalmente, relatam dificuldade crescente para manter o trabalho viável. O frete não acompanha os custos. O lucro encolhe. E, em muitos casos, desaparece.

Em diferentes pontos do país, lideranças da categoria já falam abertamente em paralisação. Reuniões vêm acontecendo, inclusive em polos estratégicos como o porto de Santos, onde parte importante da logística nacional pulsa diariamente.

Ainda assim, é preciso separar o barulho da estrada do fato concreto: até o momento, não há uma data oficial unificada para uma greve nacional. O que existe é um cenário de mobilização crescente, com possibilidade real de paralisações pontuais — e um clima que pode evoluir rapidamente.

O peso do diesel no volante

O diesel, principal combustível da cadeia logística brasileira, registrou aumentos expressivos recentemente — em alguns casos, ultrapassando a casa dos 18%. Para quem vive da estrada, isso não é apenas um número: é o custo direto da sobrevivência.

Caminhoneiros afirmam que medidas anunciadas pelo governo não têm sido suficientes para conter o impacto no dia a dia. Na prática, dizem, o valor continua alto na bomba, enquanto os contratos de frete permanecem defasados.

A sensação é de desequilíbrio. De um lado, custos que sobem rápido. Do outro, uma renda que não acompanha.

Entre a ameaça e a realidade

O histórico recente mostra que movimentos de caminhoneiros têm potencial de impacto imediato — não apenas econômico, mas também social. Basta lembrar o efeito dominó: abastecimento comprometido, preços pressionados, cidades sentindo o reflexo.

Por isso, mesmo sem confirmação oficial, o simples risco de paralisação já coloca autoridades e setores produtivos em alerta.

Ao mesmo tempo, há divisão dentro da própria categoria. Nem todos os grupos concordam com uma greve neste momento, o que torna o cenário ainda mais incerto — e imprevisível.

Um país que depende da estrada

No fundo, a discussão vai além do diesel. Ela toca num ponto estrutural do Brasil: a dependência quase total do transporte rodoviário.

Quando o caminhão para, o país sente. Não é metáfora — é logística pura. Alimentos, medicamentos, combustíveis, tudo passa pelas estradas.

E talvez seja justamente por isso que cada aumento no diesel carrega mais do que impacto econômico. Carrega um aviso. O de que, mais uma vez, o Brasil pode estar a poucos quilômetros de uma nova encruzilhada, entretanto o Governo Federal já anunciou o que iniciou estudos para subsidiar o diesel enquanto durar a guerra no Irã, medida que deve acalmar os ânimos dos motoristas.

Edição: Ronald Stresser, Jr.

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terça-feira, 17 de março de 2026

Artemis II avança: NASA mira 20 de março para levar foguete à plataforma e mantém janela de lançamento em abr

Missão histórica que levará astronautas de volta à órbita da Lua enfrenta ajustes técnicos finais, mas segue firme rumo ao lançamento

Missão histórica que levará astronautas de volta à órbita da Lua enfrenta ajustes técnicos finais, mas segue firme rumo ao lançamento

O gigante desperta devagar. No coração do Edifício de Montagem de Foguetes, na Flórida, o silêncio industrial é quebrado apenas pelo som grave de máquinas que carregam um dos projetos mais ambiciosos da humanidade neste século. Não é apenas um foguete. É um retorno. É a tentativa — concreta — de reatar o elo entre a Terra e a Lua.

A NASA atualizou oficialmente o cronograma da missão e agora trabalha com a data de 20 de março de 2026 como a mais próxima possível para o rollout do foguete SLS (Space Launch System) até a plataforma de lançamento 39B.

Se tudo ocorrer dentro do previsto, permanece aberta a possibilidade de lançamento em 1º de abril, dentro da janela planejada para este novo capítulo da exploração espacial. E não é mentira!

Ajuste pequeno, mas essencial

O atraso recente não veio de grandes falhas — mas de um detalhe técnico que, no espaço, faz toda a diferença.

Durante os preparativos finais, engenheiros identificaram a necessidade de substituir um chicote elétrico ligado ao sistema de segurança do foguete, conhecido como flight termination system.

Esse sistema é responsável por interromper o voo em caso de emergência. Em outras palavras: é a última linha de proteção.

O problema já foi corrigido, e as equipes seguem com os procedimentos de fechamento e checagem para liberar o deslocamento do foguete ainda nesta semana.

Antes disso, o desafio invisível: o hélio

Nos bastidores, outro ponto vinha sendo analisado: o fluxo de hélio no estágio superior do foguete, o chamado Interim Cryogenic Propulsion Stage (ICPS).

Embora discreto, o hélio desempenha um papel crítico na pressurização dos sistemas. Sem ele funcionando com precisão absoluta, não há margem para erro.

A verificação levou o foguete de volta ao edifício de montagem — um movimento estratégico que reforça a filosofia da missão: cautela total antes do histórico salto.

Uma jornada lenta… e simbólica

Quando o foguete finalmente deixar o edifício, o mundo poderá acompanhar um dos momentos mais emblemáticos da missão.

Transportado pelo gigantesco crawler-transporter, o deslocamento até a plataforma pode levar até 12 horas. Afinal não se trata de pressa. A NASA trabalha com precisão.

A agência especial dos EUA já confirmou que fará transmissão ao vivo desse trajeto — um ritual moderno que mistura engenharia, expectativa e história sendo escrita em tempo real. Particularmente gosto de ver as imagens aceleradas depois, mas certamente não faltarão YouTubers comentando a missão durante todo o trajeto. A rapaziada é muito antenada.

Artemis II: mais do que um voo

Esta será a primeira missão tripulada do programa Artemis. Ela vai levar quatro astronautas à bordo da cápsula Órion para orbitar a Lua e retornar à Terra.

Ela representa o elo entre o sucesso não tripulado da Artemis I e o ousado objetivo da Artemis Ii, que pretende colocar humanos novamente na superfície lunar.

Mais do que isso: é o ensaio geral para algo ainda maior — a presença humana contínua no espaço profundo e, no horizonte, missões rumo a Marte. A Space X, pretende de maneira ousada e a qualquer momento — nos próximos dois anos — levar a humanidade até o Planeta Vermelho.

O último obstáculo ainda é a Terra

Mesmo com os sistemas revisados e o cronograma ajustado, um fator segue fora do controle humano: o clima.

As condições meteorológicas na Flórida serão decisivas nos próximos dias. As intempéries, como: ventos, nuvens e umidade, podem determinar se o cronograma será mantido ou novamente ajustado.

No espaço, cada detalhe importa. Mas, ironicamente, é a própria Terra que ainda pode segurar o passo final.

Momento histórico que redefine gerações

Décadas depois das missões Apollo, a humanidade volta a olhar para a Lua não como um destino já conquistado — mas como um território a ser redescoberto.

A Artemis II não é apenas uma missão. É um símbolo de retomada espacial. Um lembrete de que, mesmo em tempos turbulentos aqui embaixo, ainda existe algo que nos une: o impulso de ir além.

Por hora, tudo depende de mais alguns dias, outra série de testes… de tempo bom e de um céu limpo.

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segunda-feira, 16 de março de 2026

Imposto de Renda 2026 começa dia 23 e Receita promete restituição automática

Projeto piloto chamado “Cashback IRPF” pode devolver valores a contribuintes que tiveram imposto retido na fonte, mesmo sem enviar declaração

Projeto piloto chamado “Cashback IRPF” pode devolver valores a contribuintes que tiveram imposto retido na fonte, mesmo sem enviar declaração

A rotina de milhões de brasileiros entra novamente em modo contábil na próxima semana. Planilhas, recibos, informes de rendimento e aquela pergunta que volta todo ano: “será que preciso declarar?”.

A partir da próxima segunda-feira (23) começa o prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026, referente aos rendimentos obtidos em 2025. O prazo final será 29 de maio.

Mas, desta vez, uma novidade anunciada pela Receita Federal promete mudar a dinâmica para parte da população: uma restituição automática para contribuintes que tiveram imposto retido na fonte e não entregarem a declaração.

A iniciativa, ainda em fase experimental, recebeu o nome de Lote Especial de Restituição Automática – Cashback IRPF.

Segundo o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas declarou à Agência Brasil, a medida busca corrigir uma distorção comum no sistema.

“Muita gente tem direito à restituição e nem sabe”, afirmou o secretário durante a apresentação das regras do IRPF deste ano.

Quem pode receber a restituição automática

O caso mais comum envolve trabalhadores de renda menor, que não são obrigados a declarar o imposto, mas que tiveram algum valor descontado na fonte em determinado mês.

Isso pode acontecer quando o trabalhador recebe:

  • horas extras
  • bônus
  • férias pagas em valor maior
  • algum rendimento eventual

Nesse cenário, pode ocorrer uma retenção momentânea de imposto — mesmo que a renda anual fique abaixo do limite de obrigatoriedade.

Sem declaração, muitas dessas pessoas simplesmente acabavam deixando o dinheiro na mão do Fisco sem saber.

Agora, a Receita pretende devolver automaticamente esses valores.

O pagamento desse lote especial piloto está previsto para 15 de julho de 2026.

Quem precisa declarar o IR 2026

Devem apresentar a declaração, entre outros critérios, os contribuintes residentes no Brasil que receberam rendimentos tributáveis superiores a R$ 35.584 em 2025.

Outros fatores também podem obrigar a declaração, como:

  • possuir patrimônio relevante
  • ter investimentos financeiros
  • realizar operações na bolsa
  • receber rendimentos isentos elevados

Ou seja: não pagar imposto não significa automaticamente estar dispensado de declarar.

Nova faixa de isenção ainda não aparece neste IR

Apesar de o governo federal ter ampliado a faixa de isenção para quem recebe até R$ 5 mil por mês, essa mudança não terá impacto na declaração entregue em 2026.

O motivo é simples: a declaração deste ano considera os rendimentos obtidos em 2025.

Na prática, a nova faixa só aparecerá na declaração entregue em 2027.

Calendário de restituições

A Receita Federal informou que as restituições do IRPF 2026 serão pagas em quatro lotes principais:

  • 1º lote: 29 de maio de 2026
  • 2º lote: 30 de junho de 2026
  • 3º lote: 31 de julho de 2026
  • 4º lote: 28 de agosto de 2026

Série tira-dúvidas no ar

Para ajudar contribuintes a navegar pelas regras do imposto, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) manterá em 2026 a série Tira-Dúvidas do IR, produzida pela Radioagência Nacional.

Serão 22 episódios, publicados até o fim do prazo de entrega da declaração, sempre às segundas e sextas-feiras, também com transmissão pela Rádio Nacional.

A ideia é responder, de forma simples, às dúvidas mais comuns — da declaração pré-preenchida aos erros que mais levam contribuintes à malha fina.

Enquanto isso, para milhões de brasileiros, o ritual anual recomeça: abrir pastas digitais, conferir rendimentos e tentar entender, mais uma vez, como equilibrar a matemática do imposto com a vida real.

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Gleisi Hoffmann convoca militância em Curitiba e sinaliza batalha política até às eleições 2026

Ministra da Articulação Política de Lula, Gleisi reúne militância, movimentos sociais e reforça mobilização popular em encontro no Sindiquímica, na Cidade Industrial de Curitiba

Ministra da Articulação Política de Lula reúne movimentos sociais e reforça mobilização popular em encontro no Sindiquítmica, na Cidade Industrial de Curitiba

A sede do Sindiquítmica, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), ainda estava enchendo quando começaram os primeiros aplausos. Gente chegando devagar, bandeiras dobradas nas mãos, conversas atravessadas entre antigos militantes e jovens que pareciam estar ali pela primeira vez.

Quando a ministra Gleisi Hoffmann, que chegou cedo para poder conversar com todo mundo, tomwou a palavra, o tom foi direto — menos institucional, mais político. Era uma fala dirigida à base, àqueles que estiveram nas ruas nos momentos mais tensos da recente história política brasileira.

Foram vocês, é esse time aqui que fez com que a gente chegasse novamente aonde nós estamos. Se não fossem vocês, nós não teríamos subido com o presidente Lula de novo à rampa do Palácio do Planalto”, afirmou a ministra, referindo-se à eleição que reconduziu Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República.

A fala ocorreu durante um encontro com movimentos sociais, lideranças políticas e militantes realizado na sede do Sindiquímica, sindicato dos trabalhadores das indústrias petroquímicas de Curitiba e região. O evento reuniu parlamentares, dirigentes partidários e representantes de organizações populares do Paraná.

Nos bastidores do encontro, a movimentação também foi interpretada como mais um passo na construção da possível candidatura de Gleisi ao Senado nas eleições de 2026.

Mas naquele momento o foco do discurso estava em outro ponto: o papel da militância na reconstrução política do país.

Vocês acreditaram, vocês deram a cara a tapa, vocês defenderam uma causa e em nenhum momento titubearam”, disse.

Segundo Gleisi, o objetivo central do atual governo é retomar um modelo de Estado voltado para as necessidades concretas da população.

O sentido de um governo é para ajudar as pessoas, é para cuidar das pessoas, é para cuidar de gente”, afirmou.

A ministra também destacou o legado social dos governos petistas e explicou por que, na avaliação dela, Lula permanece como uma figura central na memória política brasileira.

Por isso que Lula foi o único que ficou na memória do povo tanto tempo. Porque teve a coragem de tirar da paisagem a pobreza do país”, declarou.

O discurso fez referência direta a uma ideia que marcou os governos petistas: a de que o orçamento público deve refletir as necessidades da população mais vulnerável.

O povo tem que estar no orçamento. O povo tem que ter programa, o povo tem que ter projeto”, afirmou.

Para Gleisi, a disputa política no Brasil continua intensa e exige mobilização constante das bases sociais que apoiam o governo.

Mostra a importância política que tem o nosso campo e mostra como o povo confia em nós, mesmo com essa disputa acirrada”, disse Gleisi.

Ministra da Articulação Política de Lula reúne movimentos sociais e reforça mobilização popular em encontro no Sindiquítmica, na Cidade Industrial de Curitiba

Ao falar especificamente sobre o Paraná, a ministra afirmou que o governo federal tem realizado investimentos importantes no estado e defendeu que essas ações sejam mais divulgadas.

O governo do presidente Lula tem feito muito, e tem feito muito aqui no Paraná. Nós temos que divulgar”, afirmou.

Na parte final da fala, o discurso ganhou um tom mais eleitoral, antecipando o ambiente político que já começa a se formar para os próximos anos.

Nós temos uma campanha duríssima sendo enfrentada daqui para frente”, alertou.

Ela também fez comparações entre projetos políticos distintos no país, destacando pautas sociais historicamente defendidas pela esquerda.

Quem quer que o filho de todo trabalhador brasileiro tenha o direito de escolher o seu futuro através da educação, somos nós”, disse.

E completou:

Eles são tão a favor da família, mas quem luta por moradia popular digna, somos nós.”

O encontro terminou em clima de agradecimento à militância que mantém viva a estrutura política do partido nas cidades e bairros do Paraná.

Muito obrigada pela luta, pela firmeza que vocês têm”, disse a ministra ao encerrar o discurso.

Entre abraços, selfies e conversas rápidas após o evento, uma sensação parecia circular entre os presentes: a de que o encontro não foi apenas uma reunião política.

Foi também um sinal de que a disputa eleitoral de 2026 já começou a ser desenhada — e, como é da tradição na história do Partido dos Trabalhadores, ela começa primeiro na base.

Edição: Ronald Stresser Jr. - atualizada às 19h33

sexta-feira, 13 de março de 2026

Estudo revela que Cerrado pode armazenar mais carbono que a Amazônia

Pesquisa internacional aponta que áreas úmidas do Cerrado guardam estoques gigantescos de carbono e alerta para risco climático caso o bioma continue sendo degradado


Pesquisa internacional aponta que áreas úmidas do Cerrado guardam estoques gigantescos de carbono e alerta para risco climático caso o bioma continue sendo degradado

Sob o chão antigo e silencioso do Cerrado brasileiro existe uma história que levou milênios para ser escrita. Não é visível a olho nu, não aparece nas copas das árvores, mas está ali — guardada na terra úmida, camada sobre camada de matéria orgânica acumulada ao longo de milhares de anos.

Um estudo publicado nesta semana na revista científica New Phytologist revela algo surpreendente: áreas úmidas do Cerrado podem armazenar até 1.200 toneladas de carbono por hectare. Em alguns casos, isso representa uma densidade até seis vezes maior do que a média encontrada na Amazônia.

A pesquisa foi liderada pela cientista Larissa Verona, em parceria com especialistas da Unicamp, da UFMG, do Cary Institute of Ecosystem Studies (Estados Unidos), do Instituto Max Planck (Alemanha) e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Pela primeira vez, pesquisadores investigaram profundamente o solo de ambientes conhecidos como veredas e campos úmidos, coletando amostras a até quatro metros de profundidade. Estudos anteriores analisavam apenas as camadas superficiais — o que pode ter subestimado em até 95% o carbono presente nesses ambientes.

Os resultados impressionam ainda mais quando se olha para o tempo. Parte desse carbono tem cerca de 11 mil anos de idade — e alguns registros ultrapassam 20 mil anos.

“Esse carbono levou muito tempo para se acumular. Se ele for perdido, não podemos reconstruí-lo rapidamente”, alerta Verona. Diferentemente de uma floresta que pode ser replantada, esse estoque subterrâneo depende de processos naturais que levam milhares de anos.

Um bioma essencial — e subestimado

O Cerrado ocupa cerca de 26% do território brasileiro e é considerado a savana mais biodiversa do planeta. Além disso, funciona como uma espécie de “caixa d’água” do Brasil: dali nascem rios que alimentam duas das maiores bacias hidrográficas da América do Sul, incluindo sistemas que chegam até o Amazonas.

Segundo os cientistas, as condições encharcadas dessas áreas reduzem a presença de oxigênio no solo, o que desacelera a decomposição da matéria orgânica. Com isso, restos de plantas e outros materiais se acumulam lentamente ao longo dos séculos — criando gigantescos reservatórios naturais de carbono.

Apesar disso, o papel climático do Cerrado ainda é pouco considerado nas análises globais sobre mudanças climáticas.

O enorme estoque de carbono do Cerrado não costuma aparecer nos cálculos climáticos porque, até recentemente, simplesmente não sabíamos que ele estava ali”, explica a pesquisadora Amy Zanne, coautora do estudo.

O risco das “bombas de carbono”

O alerta dos pesquisadores é direto. Quando áreas úmidas do Cerrado são drenadas para agricultura ou irrigação, o solo seca e a matéria orgânica começa a se decompor rapidamente. O que estava guardado por milhares de anos é liberado na atmosfera em forma de dióxido de carbono e metano — dois gases que aceleram o aquecimento global.

“Se começarmos a drenar essas turfeiras, estaremos liberando verdadeiras bombas de carbono na atmosfera”, afirma o professor Rafael Oliveira, da Unicamp à Agência Brasil.

Medições feitas pelos cientistas indicam que cerca de 70% das emissões anuais de gases de efeito estufa desses ambientes acontecem durante a estação seca, quando o solo perde umidade e a decomposição se acelera.

Com o avanço das mudanças climáticas e períodos secos cada vez mais longos, a tendência é que uma parcela crescente desse carbono seja liberada nos próximos anos.

Um bioma sob pressão

De acordo com a Agência Brasil, as últimas décadas, grandes áreas do Cerrado vêm sendo convertidas em lavouras e pastagens. Muitas dessas transformações envolvem a drenagem de áreas úmidas — justamente onde estão concentrados os maiores estoques de carbono identificados pelo estudo.

Pesquisadores estimam que até metade dessas áreas já sofreu algum tipo de degradação.

Para Larissa Verona, a situação reflete uma contradição ambiental brasileira.

“Chamamos o Cerrado de bioma de sacrifício. O país busca proteger a Amazônia, mas continua expandindo a agricultura sobre o Cerrado”, afirma a cientista.

Ainda assim, os pesquisadores defendem que o reconhecimento científico desse gigantesco reservatório subterrâneo pode mudar o debate ambiental.

Porque proteger o Cerrado não é apenas preservar uma paisagem — é proteger um dos maiores cofres climáticos naturais do planeta.

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Greve na Brose pressiona governo e Justiça enquanto Nelsão percorre Curitiba em busca de solução para trabalhadores (vídeo)

Após protesto no Palácio Iguaçu, líder sindical vai ao Tribunal Regional do Trabalho cobrar julgamento do dissídio e convoca assembleia decisiva para segunda-feira às 5 da manhã na porta da fábrica

Após protesto no Palácio Iguaçu, líder sindical vai ao Tribunal Regional do Trabalho cobrar julgamento do dissídio e convoca assembleia decisiva para segunda-feira às 5 da manhã na porta da fábrica

Com sol entre nuvens o dia amanheceu friozinho nesta manhã de sexta-feira (13) em Curitiba, mas vai esquentando no decorrer do período — e, com 36 dias de paralisação a greve da Brose voltou a ecoar no centro do poder do Paraná. 

Depois de mais de um mês de paralisação em São José dos Pinhais, após já ter sido até preso de maneira agressiva e autoritária pela PMPR, o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), Nelson Silva, conhecido como Nelsão da Força, passou a manhã desta sexta-feira (13) circulando entre dois endereços simbólicos da política e da Justiça no Paraná.

Primeiro, no Centro Cívico, em frente ao Palácio Iguaçu, sede do governo estadual e à Assembleia do Paraná (ALEP). De lá ele partiu para o TRT-9, e gravou um vídeo de protesto diante do prédio do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT-PR), no centro de Curitiba.

Em ambos os lugares, a manifestação foi a mesma: os trabalhadores da Brose precisam de uma solução urgente.

Um apelo direto ao governo do Paraná

Na frente do Palácio Iguaçu, Nelsão gravou um vídeo dirigido ao governador Ratinho Junior.

O dirigente sindical pede que o governo estadual ajude a abrir um canal de negociação entre empresa e trabalhadores, após semanas de impasse.

“Hoje é dia 13 de março. Nós estamos pedindo para o governador nos ajudar a fazer uma reunião para resolver a greve da Brose, já que até hoje não resolveu.”

O apelo ocorre em meio a denúncias apresentadas pelo sindicato de que a empresa estaria pressionando trabalhadores durante a paralisação, além de realizar demissões e contratações em meio ao movimento grevista — situações que, segundo os grevistas, podem configurar tentativa de enfraquecer o direito constitucional de greve. 

Veja o vídeo, gravado hoje de manhã

Nas últimas semanas, também houve relatos de confrontos envolvendo a Polícia Militar do Paraná durante mobilizações de trabalhadores.

Do Palácio à Justiça

Sem resposta imediata do Executivo estadual, o dirigente sindical seguiu pela cidade.

Horas depois, já estava diante do prédio do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região, cobrando que a Justiça analise com urgência o dissídio coletivo da greve.

Ali, novamente diante de uma câmera de celular, fez um novo apelo — desta vez direcionado ao Judiciário trabalhista.

“Estou aqui na frente do Tribunal Regional do Trabalho pedindo para os juízes julgarem a greve da Brose. Os trabalhadores já estão quase 40 dias em greve e não têm mais o que comer, pagar água, luz e remédio.”

O dirigente também criticou a demora no andamento do processo.

“Parece que quando é para os empresários a audiência sai de um dia para o outro. Agora que é uma greve de trabalhadores, já está quase 40 dias e pode demorar meses.”

Um conflito que já pesa no bolso das famílias

Enquanto o processo judicial segue sem definição, a situação econômica dos trabalhadores se torna cada vez mais delicada.

Sem salário regular e sem acordo com a empresa, muitas famílias já enfrentam dificuldades para manter despesas básicas.

Esse cenário explica o tom crescente de urgência nas falas do sindicato.

“Estamos pedindo socorro para salvar os empregos e o salário dos trabalhadores da Brose.”

Assembleia pode definir os próximos passos

Em meio à pressão sobre governo e Justiça, o sindicato prepara agora um momento decisivo para a categoria.

Nelsão convocou uma assembleia geral para segunda-feira (16), dia 16/3 às das 5 horas da manhã, em primeira convocação, na porta da fábrica, em São José dos Pinhais, na RMC.

A reunião deverá reunir trabalhadores dos três turnos da empresa — inclusive aqueles que continuam em atividade.

“Estamos convocando todos os trabalhadores para uma assembleia geral na segunda-feira, na entrada do primeiro turno.”

No encontro, os metalúrgicos devem discutir diferentes cenários:

  • a continuidade da greve;
  • a forma de retorno ao trabalho;
  • ou a espera por uma decisão da Justiça do Trabalho.

Um impasse que ultrapassa os portões da fábrica

Com quase quarenta dias de duração, a greve da Brose já deixou de ser apenas um conflito interno entre trabalhadores e empresa.

O caso passou a envolver denúncias de repressão, questionamentos jurídicos e agora também pressões políticas sobre o governo estadual e o Judiciário. Os trabalhadores reclamam que não têm mais dinheiro nem para o básico, deixando de pagar contas e dependendo da ajuda do Sindicato, eles querem dignidade.

Enquanto isso, na porta da fábrica em São José dos Pinhais, os trabalhadores seguem esperando aquilo que, até agora, não veio: uma mesa de negociação.

A assembleia de segunda-feira, marcada para a porta da fábrica — em primeira chamada às 5:00 da manhã e segunda chamada 5:30 da manhã — pode indicar se a paralisação vai continuar ou se um novo capítulo dessa disputa está prestes a começar.

A Brose do Brasil Ltda., fica na Av. Max Brose, 171 - Campo Largo da Roseira, São José dos Pinhais - Clique aqui e veja no Google Maps.

O Sulpost tentou contato com a Brose para saber a versão da fábrica, entretanto não obtivemos sucesso. O PABX informado no painel do Google e site da empresa não atende e não houve resposta.

  • Confira as fotos e videos enviados hoje pelo Nelsão em nosso Drive,  clique aqui.


Por Ronald Stresser Jr., para o Sulpost.

Paraná anuncia R$ 33 milhões para modernizar autódromo de Londrina e recolocar cidade no mapa do automobilismo nacional

Investimento do governo estadual prevê novo asfalto, drenagem e modernização estrutural no Autódromo Ayrton Senna; obra busca atrair grandes competições e impulsionar o turismo esportivo no Norte do Paraná

Investimento do governo estadual prevê novo asfalto, drenagem e modernização estrutural no Autódromo Ayrton Senna; obra busca atrair grandes competições e impulsionar o turismo esportivo no Norte do Paraná.

O rugido dos motores pode voltar a ecoar mais forte no Norte do Paraná. Em Londrina, uma das pistas mais tradicionais do automobilismo brasileiro prepara-se para um novo tempo.

Nesta quinta-feira (12), o governador Ratinho Junior anunciou um investimento de R$ 33 milhões para a modernização do Autódromo Internacional Ayrton Senna. A reforma será a maior intervenção estrutural desde a construção do circuito, que foi inaugurado em 1992.

O alvo é claro: recuperar totalmente a infraestrutura do complexo e recolocar Londrina no calendário das grandes competições do automobilismo nacional.

“Sabemos que o autódromo é uma mola propulsora para o turismo. Os grandes eventos de automobilismo atraem muitos turistas e movimentam hotéis, restaurantes, transporte e serviços”, afirmou o governador durante o anúncio.

Um circuito histórico que perdeu espaço

Com 3.146 metros de extensão, dez curvas e sentido anti-horário, o autódromo londrinense já foi palco de competições importantes do automobilismo brasileiro, incluindo etapas da Stock Car.

Mas, ao longo dos anos, o desgaste natural do asfalto e a ausência de revitalizações profundas acabaram tirando a pista do calendário das principais categorias nacionais.

Outro fator pesou nesse cenário: o fechamento do Autódromo Internacional de Curitiba, em Pinhais, que por décadas recebeu grandes provas e ajudava a manter o Paraná no circuito do automobilismo profissional.

Segundo o secretário estadual do Esporte, Helio Wirbiski, a modernização em Londrina surge justamente para ajudar a recolocar o Estado no mapa das grandes corridas.

“É um investimento que deve induzir também o turismo e contribuir para trazer novamente eventos nacionais e internacionais para o Paraná”, disse.

O que muda com a reforma

A intervenção será ampla e envolve praticamente toda a infraestrutura do complexo esportivo.

  • Recuperação completa do pavimento asfáltico da pista
  • Melhoria do sistema de drenagem da água da chuva
  • Reformas nos boxes e arquibancadas
  • Modernização da torre de controle
  • Ampliação das áreas técnicas e do paddock
  • Construção de novos banheiros e vestiários acessíveis
  • Implantação de novas áreas de convivência para público e pilotos
  • Construção de um novo pódio oficial

O pavimento atual apresenta deterioração significativa, com fissuras que comprometem o escoamento da água e reduzem a segurança para a realização de competições de alto nível.

Por isso, a obra prevê a fresagem do asfalto antigo e aplicação de uma nova camada, além de adequações técnicas exigidas pelas federações esportivas.

Kartódromo também será ampliado

O projeto contempla ainda melhorias no Kartódromo Luigi Borghesi, anexo ao autódromo.

O espaço passará por intervenções estruturais, especialmente no sistema de drenagem e na ampliação da pista, permitindo que o local possa receber campeonatos sul-americanos de kart, algo que hoje não é possível.

De onde vêm os recursos

Do total de R$ 33 milhões anunciados:

  • R$ 29,4 milhões serão recursos do Governo do Paraná, por meio da Secretaria das Cidades;

  • cerca de R$ 4 milhões virão de emendas parlamentares.

A licitação será conduzida pela Prefeitura de Londrina, responsável também pelo projeto técnico da obra, enquanto o Governo do Estado fará o acompanhamento da execução.

A expectativa é que os trabalhos comecem em dezembro.

Impacto econômico para Londrina

Para a prefeitura, a revitalização do autódromo vai além do esporte.

Segundo o prefeito Tiago Amaral, o complexo já movimenta a economia local e pode ter um impacto ainda maior com a modernização.

Somente em 2025 foram realizados cerca de 170 eventos no espaço. Para 2026, a expectativa é de aproximadamente 80 provas esportivas, número que deve crescer com a reforma concluída.

“O esporte é fundamental, mas também gera turismo. Voltar a trazer grandes competições significa movimentar hotéis, restaurantes, comércio e serviços da cidade”, afirmou o prefeito de Londrina.

Pacote de investimentos no esporte

O anúncio faz parte de um pacote maior de investimentos esportivos em Londrina que soma aproximadamente R$ 84,5 milhões.

Além do autódromo, o Governo do Paraná confirmou:

  • R$ 48 milhões para construção de um Complexo de Ginástica Rítmica ao lado do Jardim Botânico;

  • R$ 3,5 milhões para um novo skatepark na região do Lago Igapó.

Se os planos se concretizarem, o circuito que leva o nome de Ayrton Senna poderá voltar a viver dias de arquibancadas cheias, com motores rugindo e a cidade pulsando ao ritmo das corridas.

Para Londrina, isso significa mais do que velocidade. Significa turismo, empregos e a recuperação de um símbolo esportivo que marcou gerações de fãs do automobilismo brasileiro.

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quinta-feira, 12 de março de 2026

Greve na Brose entra no 36º dia e trabalhadores decidem hoje rumos da mobilização em São José dos Pinhais

Líder sindical Nelson Silva, o Nelsão da Força, propõe vaquinha nacional para sustentar salários e manter luta dos trabalhadores da Brose

O dia amanheceu tenso na porta da fábrica. Em frente à unidade da Brose, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, trabalhadores voltam a se reunir nesta quinta-feira para decidir os próximos passos de uma greve que já atravessa mais de um mês.

São 36 dias de paralisação — tempo suficiente para transformar o que começou como um impasse trabalhista em um conflito que agora mobiliza sindicato, empresa, autoridades públicas e até a própria sociedade.

Logo cedo, o dirigente sindical Nelson Silva, o Nelsão da Força, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), divulgou vídeos em suas redes sociais fazendo um apelo direto aos trabalhadores.

A mensagem é clara: manter a mobilização e fortalecer a solidariedade para sustentar a greve.

“Se precisar, vamos fazer uma vaquinha no Brasil inteiro”

No vídeo divulgado pela manhã, Nelsão afirmou que recebeu diversas mensagens de trabalhadores preocupados com a possibilidade de descontos salariais ou empréstimos para compensar os dias parados.

Ele defende que a luta continue e sugere a criação de um fundo coletivo caso o sindicato não consiga cobrir integralmente os salários.

“Essa luta começou e já vai fazer 36 dias. Se tiver que aguentar 30, 60 ou 90 dias, vamos aguentar. Temos que discutir com o sindicato e com a categoria para garantir o salário de quem está em greve, sem desconto.”

O dirigente foi além: disse estar disposto a mobilizar solidariedade nacional.

“Se for o caso, eu me proponho a criar um link e fazer uma vaquinha no Brasil inteiro para ajudar essa greve. Nós não podemos perder para a direção da empresa.”

Segundo ele, a paralisação envolve atualmente cerca de 60 a 70 trabalhadores diretamente impactados.

Greve foi marcada por confronto com a Polícia Militar

O conflito trabalhista ganhou novos contornos no fim de fevereiro. No dia 26 de fevereiro, trabalhadores grevistas da Brose realizaram uma manifestação em frente à fábrica e denunciam ter sido alvo de um ataque da Polícia Militar do Paraná.

De acordo com relatos dos operários, a ação ocorreu durante uma tentativa de assembleia organizada pelo sindicato. Trabalhadores afirmam que houve repressão policial ao movimento, episódio que intensificou a tensão entre grevistas, empresa e autoridades estaduais.

Após o confronto, os operários organizaram uma marcha até a Praça 19 de Dezembro, no centro de Curitiba, onde fica parte da estrutura administrativa do governo estadual.

Denúncias à Superintendência do Trabalho

Depois da manifestação, representantes dos trabalhadores participaram de uma reunião com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Paraná (SRTE-PR).

Na ocasião, os grevistas denunciaram práticas que consideram ilegais durante o movimento, entre elas:

  • contratação de trabalhadores temporários durante a greve,
  • pressões internas dentro da empresa,
  • e ações da Polícia Militar contra os manifestantes.

A empresa foi convidada a participar da reunião, mas, segundo os trabalhadores, não enviou representantes. Ainda naquele dia, em assembleia, a categoria decidiu manter a greve e ingressar com dissídio coletivo na Justiça do Trabalho.

Decisão desta quinta pode ser adiada

Apesar da assembleia prevista para hoje, Nelsão também pediu cautela aos trabalhadores antes de qualquer decisão definitiva sobre o futuro da paralisação.

Em outro vídeo divulgado nesta manhã, o dirigente explicou que há movimentações jurídicas e institucionais em andamento, o que pode influenciar diretamente o destino da greve.

“Hoje também vai ter um julgamento do destino da greve. Qualquer decisão tomada agora pode ser precipitada. Pode ser favorável a nós ou não.”

Por isso, ele sugeriu que a categoria avalie adiar a decisão final para sexta-feira ou para o início da próxima semana, quando o cenário institucional deve estar mais claro.

Demissões e contratações aumentam tensão

O clima de conflito se intensificou nas últimas semanas. Segundo lideranças sindicais, a empresa não respondeu às demandas apresentadas pelos trabalhadores e estaria realizando demissões e contratações durante o movimento grevista — situação que aumenta a pressão dentro da fábrica.

A possibilidade de uma mobilização mais ampla, envolvendo políticos e a sociedade civil, também foi levantada pelo dirigente. “Vamos conversar com os políticos, com a Justiça e com o sindicato”, afirmou.

Uma luta que ultrapassa os portões da fábrica

A greve na Brose, multinacional do setor automotivo instalada em uma das maiores regiões industriais do Paraná, começa a ganhar contornos mais amplos. Um apelo por mobilização social que — com a possibilidade de financiamento coletivo — mostra que a disputa ultrapassou os limites da empresa e agora integra o debate público sobre direitos trabalhistas e sobre o próprio trabalhismo.

No centro dessa história estão trabalhadores que, há mais de um mês, permanecem em vigília diante da fábrica — esperando uma negociação que, até agora, não chegou.

Atualização — Nelsão da Força pede solidariedade nacional para metalúrgicos

Pouco após o fechamento dessa reportagem, a voltei a ser procurado pelo dirigente sindical Nelson Silva, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC). Ele pediu reforço, por parte do blog, num ponto que considera central neste momento da greve: a necessidade da solidariedade das pessoas diante da situação enfrentada pelos empregados da Brose.

Segundo o sindicalista, a indignação entre os operários cresce à medida que a paralisação se prolonga sem que haja sequer alguma proposta de negociação por parte da empresa. Nelsão também critica os episódios de violência contra trabalhadores relatados durante as mobilizações e afirma que eles não podem ser tratados com repressão enquanto lutam por direitos básicos, constitucionais.

O vice-presidente do SMC afirma que muitos grevistas já estão enfrentando severas dificuldades para manter até mesmo despesas essenciais — como alimentação, medicamentos, contas de água, luz e outras necessidades domésticas — e que a categoria não pretende “voltar de cabeça baixa” diante do impasse criado pela empresa.

Por isso, ele voltou a defender a criação de uma campanha pública de apoio aos trabalhadores em greve.

A proposta, segundo o dirigente, é mobilizar entidades sindicais, representantes políticos e a própria sociedade civil para dar suporte à luta dos metalúrgicos da Brose, por pelo menos três meses, caso a greve continue.

O trabalhador é o principal patrimônio de qualquer empresa. O que pedimos é respeito, negociação e dignidade para a categoria”, afirmou Nelsão.

A assembleia que acontece hoje pode indicar se a paralisação seguirá adiante ou se a categoria aguardará os próximos desdobramentos judiciais, para poder tomar uma decisão definitiva. Uma coisa, porém, parece clara: a greve da Brose entrou num momento decisivo.

-  Atualizada em 12/03/26 às 13h06.

Emergência climática avança sobre os oceanos e mobiliza cientistas no Rio de Janeiro

Especialistas discutem implementação do Tratado do Alto-Mar e alertam para riscos ambientais, sociais e geopolíticos ligados ao aquecimento dos mares

O oceano respira diferente. Em silêncio — longe da maioria dos olhos humanos — ele absorve calor, muda correntes, perde corais e reorganiza a vida que abriga há milhões de anos. O que antes parecia distante começa a ecoar nas costas, na pesca, na segurança alimentar e até na geopolítica mundial.

Foi com esse pano de fundo que cientistas, autoridades e representantes da sociedade civil se reuniram esta semana no Museu do Amanhã, no centro do Rio de Janeiro, para discutir um tema que ganhou urgência: como proteger os oceanos em meio à emergência climática global.

O encontro marca o 3º Simpósio BBNJ (Biodiversidade Além da Jurisdição Nacional) — o primeiro grande evento científico internacional após a entrada em vigor do Tratado do Alto-Mar, acordo global destinado a proteger a biodiversidade em águas internacionais.

E o alerta é claro: o oceano já está mudando.

O oceano como termômetro do planeta

Entre os sinais mais visíveis apontados pelos pesquisadores estão:

  • aquecimento anormal das águas
  • branqueamento massivo de corais
  • deslocamento de espécies polares
  • queda na reprodução de peixes
  • mudanças no padrão das correntes marítimas

Esses fenômenos revelam o papel central do oceano na regulação do clima global. Ao mesmo tempo em que ajuda a estabilizar o planeta ao absorver calor e carbono, ele também sofre as consequências diretas desse processo.

Segundo especialistas presentes no simpósio, os impactos se tornam ainda mais complexos quando observados nas águas internacionais, que correspondem a cerca de dois terços do oceano mundial e não pertencem à jurisdição de nenhum país.

É justamente esse espaço — vasto, essencial e historicamente pouco regulado — que o novo tratado internacional pretende proteger.

O Tratado do Alto-Mar e a nova governança dos oceanos

Ratificado até agora por 86 países, incluindo o Brasil, o Tratado do Alto-Mar estabelece as bases para uma nova governança global do oceano.

O acordo prevê:

  • proteção da biodiversidade em alto-mar
  • criação de áreas marinhas protegidas
  • troca de tecnologias e conhecimento científico
  • novos mecanismos de governança internacional
  • regulamentação do acesso a recursos genéticos marinhos

Além disso, o documento menciona explicitamente as mudanças climáticas e reconhece a necessidade de enfrentar problemas como:

  • aquecimento do oceano
  • perda de oxigênio
  • poluição marinha
  • acidificação das águas

O engenheiro e pesquisador Segen Farid Estefen, diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), disse à EBC que o acordo representa uma mudança importante no debate global.

“As Nações Unidas têm instituições que reúnem especialistas sobre o clima, como o IPCC. Mas os relatórios ainda abordam o oceano de forma muito tímida. O Tratado do Alto-Mar coloca o oceano no centro das discussões.”

Quando o clima muda, a sociedade sente

Os efeitos da transformação do oceano não são apenas ambientais — são profundamente humanos.

A oceanógrafa Regina Rodrigues, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), destacou durante o simpósio que o aquecimento global já ameaça diretamente populações costeiras e sistemas alimentares.

Segundo ela:

  • mais de 1 bilhão de pessoas vivem em zonas costeiras de baixa altitude, vulneráveis à elevação do nível do mar
  • cerca de 3 bilhões dependem de frutos do mar como principal fonte de proteína

Quando a reprodução de peixes diminui — como já ocorre em algumas regiões — o impacto se espalha da biologia para a economia e para a segurança alimentar global.

“A queda na reprodução de peixes ameaça a segurança alimentar”, explicou a pesquisadora.

Ela também chama atenção para possíveis deslocamentos populacionais e tensões internacionais.

“Os riscos de conflitos provocados pelo clima são altos em regiões dependentes do oceano, especialmente no Pacífico, na Baía de Bengala e na África Ocidental.”

Para enfrentar o problema, Regina defende maior integração entre o Tratado do Alto-Mar e os trabalhos da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). Hoje, segundo ela, os tratados ainda funcionam de forma paralela.

“Precisamos nos perguntar se nossos sistemas de governança correspondem à escala, à velocidade e à natureza transfronteiriça dos impactos climáticos.”

Pesca global em transformação

Outro ponto central do debate foi o impacto do aquecimento dos mares sobre a pesca mundial.

O pesquisador brasileiro Juliano Palacios Abrantes, do Instituto para os Oceanos e Pescas da Universidade da Colúmbia Britânica, explicou que os estoques de peixes estão migrando para novas regiões.

Em alguns casos, espécies tropicais estão deixando zonas econômicas exclusivas — áreas marítimas sob controle de países — e avançando para o alto-mar.

“Descobrimos que muitos estoques de peixes tropicais estão se movendo das zonas econômicas exclusivas em direção ao alto-mar. Isso pode gerar conflitos internacionais.”

O fenômeno já tem precedentes. Disputas pesqueiras na Europa envolvendo a pesca de cavala mostraram como mudanças na distribuição de espécies podem provocar tensões diplomáticas.

Há ainda outro risco: o aumento da desigualdade. Pescar em alto-mar exige tecnologia cara, navios especializados e grande capacidade logística — recursos disponíveis apenas para algumas nações.

“Isso pode aumentar as desigualdades, porque apenas um número limitado de países ricos tem capacidade para pescar em alto-mar.”

Um oceano que pede atenção

No fundo, a discussão no Rio de Janeiro não trata apenas de ciência ou diplomacia.

Trata-se de uma pergunta essencial para o século XXI: como proteger o maior ecossistema do planeta em um mundo em rápida transformação climática?

O oceano cobre mais de 70% da Terra. Regula o clima, alimenta bilhões de pessoas e sustenta economias inteiras.

E agora — como lembraram os pesquisadores reunidos no simpósio — ele também pede algo que durante muito tempo a humanidade demorou a oferecer: governança global, cooperação científica e responsabilidade compartilhada.

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quarta-feira, 11 de março de 2026

NASA reafirma: Artemis II segue mirando janelas de lançamento para abril de 2026

Após onda de boatos na internet — sugerindo adiamento para 2027 — agência espacial esclarece cronograma e confirma preparação da missão para possível lançamento já em abril

O interior do Vehicle Assembly Building, no histórico Kennedy Space Center, na Flórida, parece uma catedral da engenharia. No interior do prédio, cercado por plataformas metálicas e passarelas suspensas, repousa um dos projetos mais ambiciosos da história da humanidade: o gigantesco foguete Space Launch System, com a nave Orion acoplada no topo.

Enquanto técnicos e engenheiros seguem ajustando e checando sistemas com precisão milimétrica, do lado de fora — nas redes sociais e em alguns sites — um burburinho começou a crescer nos últimos dias. Postagens passaram a circular afirmando que a NASA teria desistido de lançar a missão Artemis II em 2026, empurrando o voo para 2027. A realidade, entretanto, segue outro rumo.

Em comunicado oficial publicado em seu site, a agência espacial norteamericana tratou de redimir qualquer dúvida: a missão continua em preparação e permanece atrelada à próxima janela de lançamento, prevista para abril de 2026. Isto dependendo apenas das etapas técnicas finais que fazem parte do processo normal de certificação de uma missão tripulada.

Atualização da missão 

No dia 9 de março, a NASA anunciou que realizará uma atualização pública sobre o andamento da missão logo após a conclusão de uma das etapas mais importantes de qualquer lançamento tripulado: a revisão de prontidão de voo, conhecida no jargão da agência como Flight Readiness Review.

A coletiva está marcada para amanhã, dia 12 de março, diretamente do Kennedy Space Center, e será transmitida ao vivo pelo canal oficial da NASA no YouTube.

Participarão da atualização algumas das principais lideranças técnicas do programa, entre elas Lori Glaze, administradora interina da diretoria de desenvolvimento de sistemas de exploração; John Honeycutt, responsável pela equipe de gerenciamento da missão Artemis II; Shawn Quinn, gerente do programa de sistemas de solo; e Norm Knight, diretor de operações de voo.

Na prática, essa revisão funciona como um grande check-up da missão. Cada sistema — do foguete à nave, passando pelos equipamentos de solo e pelos procedimentos da tripulação — é analisado em detalhe antes que a contagem regressiva final possa realmente começar.

Trabalho silencioso dentro do gigante

Enquanto rumores circulam na superfície da internet, o trabalho real segue acontecendo dentro do monumental prédio de montagem do centro espacial.

Foi para lá que o conjunto formado pelo Space Launch System e pela cápsula Orion retornou nas últimas semanas. O objetivo foi realizar verificações detalhadas em um sistema específico: o fluxo de hélio responsável por pressurizar o estágio superior do foguete, conhecido tecnicamente como Interim Cryogenic Propulsion Stage.

São ajustes discretos, quase invisíveis para quem acompanha a exploração espacial apenas pelas manchetes — mas absolutamente essenciais para garantir a segurança de uma missão tripulada.

Depois de concluídas essas verificações, o plano da agência é realizar novamente o lento deslocamento do foguete até a plataforma de lançamento. O transporte será feito pelo lendário veículo rastreador da NASA, que leva horas para percorrer poucos quilômetros entre o prédio de montagem e o complexo de lançamento.

A janela orbital de abril

Se tudo correr conforme o planejado, o Space Launch System voltará a ocupar sua posição no Complexo de Lançamento 39B ainda neste mês.

Ali, apontado para o céu da Flórida, o foguete aguardará o momento em que a mecânica celeste abre o caminho ideal para a missão. Esse momento — a chamada janela orbital — pode ocorrer em abril de 2026, dependendo da conclusão das etapas finais de preparação.

É nesse período que a missão Artemis II poderá finalmente partir.

O primeiro retorno humano ao espaço profundo

Assim que terminar a contagem regressiva, partindo do lançamento, a missão protagonizará um acontecimento histórico: ela será o primeiro voo tripulado a deixar a órbita baixa da Terra desde 1972, quando foi encerrado o programa Apollo.

A tripulação da nave Orion, constituída de quatro astronautas, viajará em uma trajetória ao redor da Lua, realizando duas órbitas completas antes de retornar ao nosso planeta.

O voo faz parte do programa Artemis, iniciativa que pretende estabelecer presença humana sustentável no ambiente lunar nas próximas décadas — abrindo caminho para futuras missões tripuladas rumo a Marte, partindo do satélite natural da Terra.

Em seu comunicado oficial, a NASA resume o espírito do projeto:

“Como parte de uma nova era de inovação e exploração, enviaremos astronautas Artemis em missões cada vez mais desafiadoras para explorar mais da Lua, promover descobertas científicas, gerar benefícios econômicos e construir a base para as primeiras missões tripuladas a Marte.”

Em meio aos ajustes técnicos, revisões de segurança e a ansiedade do público, uma resposta é certa: enquanto as notícias falsas correm rápido pela internet, a exploração espacial continua avançando no ritmo paciente — e rigoroso — da engenharia espacial.

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O átomo no centro da transição energética — Brasil entra no debate global sobre futuro da energia nuclear

Ao aderir à declaração internacional para triplicar a capacidade nuclear até 2050, país reforça papel estratégico da ciência, da estabilidade energética e da pesquisa

Ao aderir à declaração internacional para triplicar a capacidade nuclear até 2050, país reforça papel estratégico da ciência, da estabilidade energética e da pesquisa

O mundo está ficando mais elétrico — e também mais silencioso. E, não é paranóia, em algum lugar do planeta, neste exato momento, milhares de servidores processam dados em centros de computação. São os datacentes, que nunca dormem. Inteligências artificiais aprendem e ensinam, grandes redes de cabos de fibra ótica e satélites transmitem informações na velocidade da luz, hospitais operam equipamentos de alta precisão. Cidades inteiras dependem do fluxo constante de dados invisíveis correndo por cabos e antenas.

O mundo digital tem uma característica que ao mesmo tempo é simples e importante: não pode apagar, pois hoje absolutamente todo mundo depende dele. Talvez por isso o átomo tenha voltado, rapidamente, ao centro do debate energético global.

Ontem, terça-feira (10), durante a II Cúpula sobre Energia Nuclear, que aconte em Paris, com apoio da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Brasil anunciou oficialmente sua adesão à Declaração para Triplicar a Energia Nuclear até 2050.

A iniciativa internacional propõe mobilizar governos, indústria e instituições financeiras para ampliar a capacidade mundial de energia nuclear nas próximas décadas. Com a decisão brasileira — acompanhada também por China, Bélgica e Itália — o documento passou a reunir 38 países signatários do acordo.

O anúncio foi divulgado em nota conjunta do Ministério de Minas e Energia (MME) e do Ministério das Relações Exteriores (MTE).

Dependência constante de energia

Imagine o Brasil daqui a vinte anos. Carros elétricos circulando nas rodovias, Stones cruzando os céus das metrópoles. Indústrias movidas a eletricidade limpa. Agricultura de precisão conectada por satélites. Casas inteligentes monitorando consumo em tempo real. 

E, espalhados pelo território, grandes centros de dados — verdadeiras cidades digitais onde bilhões de informações são armazenadas e processadas. Esses data centers são o coração invisível da economia contemporânea. E eles têm uma exigência absoluta, um apetite enorme: fornecimento ininterrupto de energia. Não podem depender apenas do vento. Nem somente do sol.

É justamente nesse ponto que a energia nuclear volta a ser considerada estratégica em muitos países. Usinas nucleares funcionam como um relógio energético: geram eletricidade 24 horas por dia, sete dias por semana, independentemente do clima.

Enquanto turbinas eólicas giram quando o vento sopra e painéis solares produzem quando o sol aparece, os reatores nucleares seguem trabalhando silenciosamente, como motores estáveis dentro do sistema elétrico. São como baterias praticamente inesgotáveis, de alta potencia, que garantem um suprimento continuo para saciar parte da crescente demanda do setor de processamento de dados.

O caso particular do Brasil

O Brasil parte de uma posição muito diferente da maioria das grandes economias. Nossa matriz elétrica já é uma das mais limpas do mundo. A força das hidrelétricas, é a maior potência do sistema nacional de energia, ao longo de décadas.

Nos últimos anos, outra transformação silenciosa começou a acontecer: o avanço das energias renováveis modernas. Parques eólicos avançam pelo Nordeste. Fazendas solares surgem em regiões antes áridas e no lago de Itaipu. A geração distribuída cresce nos telhados das cidades, através de painéis que "devolvem" à rede elétrica a produção excedente.

Mas existe um desafio que qualquer engenheiro elétrico conhece bem: o clima não é totalmente previsível. Quando longos períodos de seca atingem os reservatórios das hidrelétricas, o país precisa recorrer às termelétricas, usinas movidas a combustíveis fósseis — caras e extremamente poluentes.

É nesse leque que entra a lógica do equilíbrio energético. Usinas nucleares podem funcionar como fonte firme de geração, ajudando a estabilizar o sistema quando as condições climáticas não ajudam. O equilíbrio é o segredo. Não se trata de substituir as renováveis, mas de complementá-las.

Quatro décadas de experiência nuclear

O Brasil não está entrando do nada nessa pauta. Há mais de quarenta anos o país opera usinas nucleares com histórico de segurança consolidado. Nas instalações brasileiras, engenheiros, físicos e técnicos trabalham diariamente com tecnologias de altíssima precisão.

O país domina o chamado ciclo do combustível nuclear — da mineração do urânio até a fabricação do combustível que alimenta os reatores. Essa capacidade tecnológica coloca o Brasil em um grupo relativamente pequeno de países que controlam toda a cadeia produtiva da energia nuclear.

Laboratórios do futuro

Uma usina nuclear não é apenas uma fábrica de eletricidade. Ela é também um laboratório vivo de ciência aplicada. Ali se estudam novos materiais, sistemas de segurança, engenharia térmica, física de reatores, radioisótopos médicos e tecnologias que depois se espalham para outras áreas da indústria.

Muitos avanços da medicina moderna dependem da produção de radioisótopos usados em diagnósticos e tratamentos de câncer.

A infraestrutura nuclear também dialoga com áreas emergentes da tecnologia, incluindo computação avançada e inteligência artificial aplicada à engenharia de sistemas complexos. Em outras palavras: manter o setor nuclear ativo significa também manter uma fronteira científica aberta.

Estabilidade geológica, uma vantagem

Outro fator que frequentemente passa despercebido nas discussões públicas é a geografia. O território brasileiro está localizado em uma das regiões tectônicas mais estáveis do planeta. Diferentemente de países situados em zonas de intensa atividade sísmica, o Brasil praticamente não registra terremotos significativos nem tsunamis.

Essa estabilidade natural reduz riscos geológicos associados à construção e operação de usinas nucleares. Não significa ausência total de desafios — mas oferece um ambiente estruturalmente favorável para esse tipo de instalação.

O desafio que não pode ser ignorado

Mesmo assim, a energia nuclear continua carregando uma questão delicada. Os reatores produzem resíduos radioativos que precisam ser armazenados com segurança por longos períodos — às vezes por séculos.

Esse lixo nuclear permanece potencialmente perigoso por muito tempo, exigindo estruturas geológicas seguras e gestão rigorosa. É um dos maiores debates ambientais associados ao setor eletronuclear.

A ciência continua desenvolvendo soluções para o armazenamento e a redução desses resíduos radioativos, mas o tema segue no centro das discussões internacionais.

O retorno do átomo

A adesão brasileira à declaração internacional que prevê triplicar a capacidade nuclear até 2050 também reflete um movimento mundial. Com o aumento da demanda do planeta por eletricidade — impulsionado pela digitalização da economia, pela mobilidade elétrica e pela própria inteligência artificial — muitos países estão reconsiderando o papel da energia nuclear.

O mundo está mudando. Cidades estão ficando mais inteligentes. Redes elétricas mais complexas. Sistemas digitais mais intensos. E, em meio a essa transformação silenciosa, o átomo volta a ocupar espaço na conversa sobre o futuro da energia.

O Brasil, com sua tradição científica e sua matriz energética singular, decidiu permanecer nessa mesa. Sem pressa. Sem euforia. Mas com os olhos voltados para um futuro onde energia, ciência e tecnologia caminham cada vez mais juntas.

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terça-feira, 10 de março de 2026

Na Assembleia do Paraná, trabalhadores levantam a voz contra a escala 6×1 — e contra a repressão à greve na Brose

Audiência pública convocada por Arilson Chiorato reúne sindicatos e parlamentares; debate liga redução da jornada à luta dos metalúrgicos da Brose em São José dos Pinhais

A tribuna da ALEP lotou de parlamentares, trabalhadores e sindicalistas, que pedem o fim da jornada 6x1 - Divulgação/SMC

O plenário da Assembleia Legislativa do Paraná amanheceu diferente nesta terça-feira (10). O tema que ecoava no salão não era apenas técnico, jurídico ou parlamentar. Era humano.

Falava-se de tempo — algo que milhões de trabalhadores brasileiros sentem escapar pelas mãos. Tempo para descansar. Tempo para viver. Tempo para estar com a família.

Convocada pelo deputado estadual Arilson Chiorato, líder da oposição na Casa, a audiência pública reuniu centrais sindicais, trabalhadores, movimentos sociais e parlamentares para discutir o fim da jornada 6×1, modelo que impõe seis dias de trabalho para apenas um dia de descanso.

Mas o debate ganhou ainda mais peso quando a discussão sobre jornada de trabalho se conectou a um conflito real que está acontecendo na Região Metropolitana de Curitiba: a greve dos trabalhadores da Brose do Brasil.

A greve que virou símbolo

A multinacional de autopeças Brose, instalada em São José dos Pinhais, vive uma paralisação de trabalhadores metalúrgicos que reivindicam melhores salários, benefícios e condições dignas de trabalho.

A mobilização começou após negociações frustradas entre sindicato e empresa. Segundo dirigentes sindicais, cerca de 300 trabalhadores participam da paralisação.

O conflito ganhou repercussão quando houve presença policial durante manifestações em frente à fábrica. Em um desses episódios, o dirigente sindical conhecido como Nelsão da Força chegou a ser detido durante o protesto.

Foi essa experiência — ainda viva na memória dos trabalhadores — que apareceu no microfone da audiência pública na Assembleia.

“Não é só sobre trabalho. É sobre dignidade.”

Ao tomar a palavra, o dirigente sindical Nelsão da Força denunciou o que classificou como tentativas de intimidação contra trabalhadores mobilizados.

“Colocam drone, polícia, batalhão de choque para pressionar e humilhar os trabalhadores.”

Em outro momento, o sindicalista lembrou que o tempo da burocracia muitas vezes ignora a urgência da vida real.

“O prazo que a Justiça tem para investigar não é o mesmo prazo que o pai e a mãe de família têm para colocar comida na mesa, pagar medicamento, pagar luz e água”, declarou Nelsão sobre a greve na Brose do Brasil, na RMC"24 milhões só em imposto ... uma empresa alemã. Cada três carros produzidos no Brasil, três usam componentes e eles não, não querem negociar...", completou o líder sindical.

A fala arrancou aplausos no plenário e conectou duas dimensões da mesma luta: a defesa do direito de greve e a defesa do tempo de vida dos trabalhadores.

Momento da fala do Nelsão da Força na ALEP - Divulgação

O debate sobre o tempo de viver

A audiência na Assembleia não discutia apenas um modelo de jornada. Discutia uma pergunta cada vez mais presente no mundo do trabalho: até que ponto a vida pode ser organizada apenas em função da produtividade?

Na escala 6×1, trabalhadores passam seis dias consecutivos trabalhando e têm apenas um dia de descanso semanal. Na prática, esse único dia costuma ser consumido por tarefas acumuladas da semana — resolver pendências, cuidar da casa, enfrentar filas, recuperar o corpo do desgaste.

Sobra pouco ou nenhum espaço para:

  • educação
  • cultura
  • lazer
  • convivência familiar
  • cuidado com a saúde

Requião Filho: qualidade de vida também é política pública

O deputado estadual Requião Filho, presente na audiência e citado como um dos nomes da frente progressista para a disputa do governo do Paraná, afirmou que o debate sobre jornada de trabalho precisa ser enfrentado com coragem política.

Segundo ele, trabalhar menos não significa produzir menos — significa permitir que as pessoas tenham mais qualidade de vida.

Para o parlamentar, garantir mais tempo livre significa também permitir que as pessoas estudem, participem da vida cultural e fortaleçam suas comunidades.

Arilson Chiorato: a vida não pode caber em um único dia

Ao abrir a audiência pública, o deputado Arilson Chiorato afirmou que o debate sobre jornada de trabalho precisa sair do plenário e chegar à sociedade.

Para ele, a discussão sobre o fim da escala 6×1 é parte de uma transformação maior nas relações de trabalho.

“A vida do trabalhador não pode caber em um único dia de descanso.”

Segundo o parlamentar, a audiência foi organizada justamente para ouvir trabalhadores e construir propostas a partir da realidade de quem enfrenta essa rotina todos os dias.

O tempo virou pauta política

Ao final da audiência, uma percepção parecia unir os diferentes discursos. A discussão sobre a escala 6×1 não é apenas sindical. Não é apenas econômica. É civilizatória.

Num país onde milhões de pessoas passam a maior parte da semana trabalhando, cresce a percepção de que a luta do século XXI talvez não seja apenas por salário.

Mas por algo ainda mais profundo: o tempo que temos de vida é o tempo que temos para cuidar da nossa própria vida e das pessoas que são importantes para nós.

 
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