25.8.26

Impossível acontece: míssil de cruzeiro ucraniano é abatido com metralhadora russa

Segundo fontes russas, voluntários da brigada BARS-Kursk atingiram com uma metralhadora PKT um míssil FP-5 Flamingo que voava a baixa altitude

Um episódio incomum foi registrado na região russa de Kursk: segundo autoridades e meios de comunicação russos, uma equipe de voluntários da brigada BARS-Kursk atingiu e derrubou com uma metralhadora um míssil de cruzeiro ucraniano FP-5 Flamingo.

O episódio teria ocorrido por volta das 3h da madrugada de 22 de agosto. De acordo com o governador de Kursk, Alexander Khinshtein, a equipe móvel de fogo detectou o míssil voando a menos de 50 metros de altitude e a uma velocidade de até 500 km/h.

Os voluntários abriram fogo e, podemos ver no vídeo que o míssil perdeu altitude após ser atingido e caiu em uma área florestal, onde posteriormente explodiu.

A Sputnik publicou nesta terça-feira novos detalhes sobre o episódio após entrevistar um dos integrantes da equipe, identificado pelo codinome “Platon”. Segundo seu relato, a arma utilizada foi uma PKT, versão de tanque da metralhadora Kalashnikov, de calibre 7,62×54 mm.

O combatente afirmou que foram utilizados projéteis perfurantes-incendiários e que os disparos atingiram a região do motor do míssil.

Segundo o relato, o local da queda foi localizado ao amanhecer com auxílio de um drone. O míssil teria caído entre dois e três quilômetros da posição ocupada pela equipe.

Nos fragmentos recuperados teriam sido observados numerosos furos de projéteis, especialmente na região do motor. Para os militares russos envolvidos na operação, os danos seriam compatíveis com os disparos realizados pela metralhadora.

Dados atribuídos ao equipamento de controle recuperado dos destroços indicariam ainda que o FP-5 havia sido lançado na região de Sumy e seguia em direção à região de Tula.

O episódio chama atenção pelas características atribuídas ao FP-5 Flamingo. Segundo informações divulgadas por autoridades russas, o míssil teria alcance declarado de até 3 mil quilômetros e uma ogiva com quase uma tonelada em equivalente TNT.

Em condições normais, interceptar um míssil de cruzeiro exige sistemas especializados de defesa antiaérea. Uma metralhadora convencional possui alcance, precisão e poder destrutivo muito inferiores aos de um sistema projetado especificamente para interceptação de mísseis.

Por isso, a alegação de que uma PKT teria provocado a queda do Flamingo é particularmente extraordinária. O cenário descrito pelas fontes russas envolve um alvo de grande porte, voando a centenas de quilômetros por hora e a baixa altitude, sendo atingido por uma arma originalmente destinada principalmente a combater tropas e veículos leves.

É importante, entretanto, distinguir as alegações russas de fatos comprovados de maneira independente. Os relatos disponíveis baseiam-se nos depoimentos dos integrantes da equipe, nas declarações de autoridades russas e na cobertura de veículos de comunicação russos. Não há, nas fontes consultadas, uma investigação independente que demonstre de forma conclusiva que os disparos da metralhadora foram a única causa da queda.

Caso a versão apresentada pelas fontes russas seja confirmada, o episódio representará um caso excepcional de interceptação de um míssil de cruzeiro por uma metralhadora. O fator decisivo pode ter sido a combinação de voo extremamente baixo, proximidade da equipe de fogo e impactos em uma área crítica do míssil, especialmente o motor.

Força Sindical toma café com os Requião

Na manhã desta terça (25) presidente e vice-presidente da Força Paraná e do SMC, tomaram café da manhã na casa da família Requião

Sérgio Butka e Nelsão da Força foram convidados na manhã desta terça-feira (25), pelo candidato ao Governo do Estado do Paraná, Requião Filho (PDT), para um café da manhã na casa do ex-governador e ex-senador Roberto Requião, que é candidato a deputado federal pelo mesmo partido do filho. 

O presidente e o vice-presidente da Força Sindical do Paraná e do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), aceitaram o convite para conhecer melhor as propostas, de Requião pai e de Requião Filho que beneficiem a classe trabalhadora paranaense. 

Requião Filho promete zerar o ICMS para pequenas empresas, com até 10 trabalhadores, incentivando assim o empreendedorismo no estado. Já Roberto Requião chamou atenção para o pedágio, que subiu novamente hoje em cinco praças importantes do Paraná. 

O projeto de ambos, tanto do candidato a Governador aqui no estado, quanto de seu pai que é candidato a uma cadeira na Câmara dos Deputados, em Brasília, é acabar com os pedágios. Que os paranaenses possam ir e vir sem ter que pagar a mais por isso. O projeto é cuidar dos paranaenses.

Butka e Nelsão conversaram com os Requião também as estratégias de campanha daqui para frente, sendo que os candidatos têm ainda um mês e uma semana de campanha e, de acordo com as pesquisas mais recentes, grande parte do eleitorado ainda está indecisa.

Eles não esquecem que Requião foi o primeiro a garantir o melhor salário do Brasil para classe metalúrgica paranaense. Todo trabalhador e trabalhadora, do setor metalúrgico do Paraná, conhece a história de Roberto Requião e de Maurício Thadeu Requião de Mello e Silva, o Requião Filho.

"São como parte da nossa família, parte da família dos metalúrgicos do Paraná", me disse o Nelsão. Sérgio Butka e o grupo Amigos do Butka, chegaram para somar forças. Para arregaçar as mangas e trabalhar, junto com Roberto Requião e Requião Filho. Para que as pessoas também prosperem, e não apenas os CNPJs.

Fungos entram na aposta para recuperar terras degradadas e combater a crise climática

Fungos microscópicos que vivem em associação com as raízes das plantas podem se tornar aliados na recuperação de áreas degradadas, no combate à desertificação e na adaptação à crise climática

 
Fungos em microscópio. Foto: Tomas Munita/SPUN

A proposta foi apresentada pelas pesquisadoras Toby Kiers e Burenjargal Otgonsuren durante a COP17 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia.

Chamados de fungos micorrízicos, esses organismos formam extensas redes subterrâneas. Em troca do carbono fornecido pelas plantas, ajudam na absorção de água e nutrientes, além de contribuir para a estabilidade do solo, reduzir a erosão e aumentar a resistência da vegetação à seca.

Na Mongólia, Otgonsuren instalou seis áreas cercadas para interromper temporariamente o pastoreio e permitir a recuperação do ecossistema. Os primeiros resultados, registrados em 2025, mostraram plantas mais altas dentro das áreas protegidas.

A ideia é que esses locais funcionem como uma espécie de “banco de fungos”, preservando organismos adaptados às condições locais que poderão, no futuro, ser utilizados em projetos de restauração.

O estudo também revelou uma biodiversidade subterrânea ainda pouco conhecida. Cerca de 90% das sequências de DNA fúngico analisadas nas amostras pertenciam a espécies desconhecidas pela ciência. Foram identificadas 541 unidades taxonômicas associadas a fungos micorrízicos na região do Gobi.

Para as pesquisadoras, os resultados reforçam que a recuperação de pastagens e solos degradados não depende apenas do replantio da vegetação: é necessário também preservar a biodiversidade existente no solo.

A pesquisa ocorre em um momento de intensos debates na COP17 sobre restauração de terras e financiamento para enfrentar a desertificação. Em 24 de agosto, a Agência Brasil informou que a conferência entrou em sua semana decisiva, com novos anúncios de US$ 1,3 bilhão para a agenda, ainda muito abaixo do déficit anual estimado em US$ 278 bilhões.

A programação oficial da COP17 segue até 28 de agosto, com debates sobre resiliência à seca, restauração de terras e financiamento.

Leia na integra: Fungos podem restaurar terras degradadas e combater crise climática, reportagem original da Agência Brasil.

Atualizada em 25 de agosto de 2026

Governo busca investimentos chineses para portos e aeroportos e negocia mais voos entre Brasil e China

Ministro Tomé Franca apresenta carteira de projetos em Pequim; COFCO demonstra interesse em terminal no Pará e governo discute ampliação da frequência aérea entre os dois países

 
Governo busca investimentos chineses para portos e aeroportos e negocia mais voos entre Brasil e China


O governo brasileiro busca ampliar a participação de investidores chineses em projetos de infraestrutura de transportes. Em missão oficial à China, o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, apresenta a empresas e autoridades chinesas oportunidades nos setores portuário, hidroviário e aeroportuário.

A agenda ganhou novos desdobramentos nesta terça-feira (25), em Pequim. Segundo informações divulgadas pelo Poder360, Franca se reuniu com representantes da Administração de Aviação Civil da China (CAAC) e discutiu a possibilidade de aumentar a frequência de voos entre Brasil e China. Atualmente, são quatro viagens semanais, todas operadas pela Air China. O ministro não informou qual seria o eventual aumento nem quando ele poderia ocorrer.

Na reunião com a COFCO, uma das maiores empresas estatais chinesas do setor de alimentos e agricultura e também com atuação em terminais portuários, Franca apresentou a carteira de projetos hidroviários e portuários do governo brasileiro.

De acordo com o ministro, a empresa demonstrou interesse especialmente no VDC29, projeto de um grande terminal para movimentação de grãos no Porto de Vila do Conde, no Pará. A concessão, prevista por 25 anos, ainda passa por análise da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Outro empreendimento que desperta atenção de investidores chineses é o Tecon 10, terminal de contêineres projetado para o Porto de Santos. A estimativa do governo é de investimentos de cerca de R$ 5,6 bilhões até 2034. A previsão atual é que o leilão ocorra em 2027, com a publicação do edital esperada para o fim deste ano.

Rodada de reuniões em Pequim

A missão brasileira começou no domingo (23) e tem compromissos em Pequim e Xangai. Na segunda-feira (24), Franca iniciou a agenda com uma reunião com Gao Bao, presidente da CSCEC International, braço internacional da Corporação Estatal de Engenharia de Construção da China.

Na ocasião, o ministro apresentou projetos e concessões nos setores portuário e hidroviário, além de oportunidades relacionadas aos aeroportos brasileiros.

A programação em Pequim também inclui encontros com representantes da China Communications Construction Company (CCCC), China Merchants Port Holdings, COFCO e da autoridade chinesa de aviação civil.

O ministro ainda deve se reunir com Dilma Rousseff, presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição ligada ao Brics. A intenção é prospectar financiamento para projetos de infraestrutura no Brasil.

Segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China citados pelo governo, os investimentos chineses no Brasil chegaram a US$ 6,1 bilhões em 2025, alta de 45% em relação ao ano anterior.

"Estamos aproximando investidores internacionais dessas oportunidades, ampliando investimentos, melhorando nossa infraestrutura e gerando desenvolvimento, emprego e renda para os brasileiros."

Agenda em Xangai e Singapura

Depois de Pequim, a comitiva seguirá para Xangai, onde estão previstos encontros com representantes da Hutchison Ports, Shanghai Dredging Company e COSCO Shipping.

A agenda também prevê a inauguração de um escritório de representação do Porto de Itapoá, de Santa Catarina, na cidade chinesa.

Após a passagem pela China, Franca seguirá para Singapura. No país asiático, está prevista a assinatura de um memorando de entendimento entre o Ministério de Portos e Aeroportos, a Antaq e o Ministério dos Transportes de Singapura.

O acordo deverá estabelecer bases para a criação de um Corredor Verde e Digital de Navegação entre Brasil e Singapura, com ações voltadas à descarbonização e à digitalização do transporte marítimo.

A programação inclui ainda reuniões com representantes da PSA International, visita técnica ao Porto de Tuas e encontros com integrantes do Ministério dos Transportes de Singapura.

A missão, organizada com apoio da Embaixada do Brasil na China e da ApexBrasil, segue até sábado (29).

Com informações do Ministério de Portos e Aeroportos e informações divulgadas em 25 de agosto de 2026 sobre a agenda do ministro Tomé Franca na China.

24.8.26

EUA apertam cerco ao Irã e Brasil entra no radar de possíveis sanções secundárias

Trump pressiona líderes estrangeiros a romper relações econômicas com Teerã; Washington ainda não divulgou quais países poderão ser punidos, mas ameaça atingir empresas e governos que mantenham negócios com o Irã

EUA apertam cerco ao Irã e Brasil entra no radar de possíveis sanções secundárias

Os Estados Unidos ampliaram nesta segunda-feira (24) a ofensiva econômica contra o Irã e passaram a pressionar governos de outros países a cortar relações comerciais e financeiras com Teerã. A escalada abre um novo foco de atenção para o Brasil, que mantém um fluxo relevante de exportações para o mercado iraniano e integra o BRICS ao lado do país persa.

Durante coletiva em Washington, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que o presidente Donald Trump vem telefonando pessoalmente para líderes estrangeiros com pedidos específicos para que interrompam suas relações econômicas com o Irã. Segundo Bessent, a Casa Branca já estaria observando resultados dessa pressão.

Bessent, porém, não revelou quais países foram procurados nem quais governos ou empresas poderão ser atingidos pelas chamadas sanções secundárias. A Reuters informou que Washington anunciou a possibilidade de ampliar essas punições, mas, por enquanto, não aplicou penalidades secundárias diretamente contra países que fazem negócios com Teerã.

A nova estratégia foi apresentada pelo governo Trump como um “Dia D econômico” contra o Irã. O objetivo declarado é cortar as fontes de receita e as conexões financeiras internacionais que ainda permitem ao governo iraniano sustentar sua economia.

Cinco setores entram no foco dos EUA

Segundo Bessent, a ofensiva mira cinco áreas consideradas fundamentais para a geração de receitas e para as relações internacionais do Irã: ativos digitais, ouro, tecnologia, aviação e transporte marítimo. O Tesouro americano também anunciou sanções contra mais de 60 indivíduos, empresas e embarcações acusados de contribuir para a aquisição de tecnologia nuclear e de mísseis, operações cibernéticas e geração de receitas provenientes do petróleo.

O secretário afirmou ainda que governos e empresas terão um período para interromper as atividades consideradas incompatíveis com as exigências americanas. A mensagem de Washington é que novas medidas poderão ser adotadas rapidamente caso essas relações continuem.

A ofensiva amplia um regime de sanções que já atingiu mais de mil pessoas, embarcações e aeronaves ligadas ao Irã desde o início do segundo mandato de Trump, segundo dados do próprio Tesouro americano citados pela Reuters.

Brasil pode ser afetado?

O Brasil não foi citado como alvo específico nas medidas anunciadas nesta segunda-feira. Ainda assim, a pressão americana cria um risco potencial para empresas brasileiras que tenham negócios com o Irã, sobretudo se essas operações envolverem bancos, seguradoras, transporte marítimo, intermediários financeiros ou instituições com exposição ao sistema financeiro dos Estados Unidos.

O Ministério da Agricultura considera o Irã um dos principais parceiros comerciais do Brasil no Oriente Médio e informa que as exportações brasileiras ao país chegam a aproximadamente US$ 5 bilhões por ano, com predominância de milho, soja, óleo comestível, carne bovina e açúcar.

Os números oficiais de comércio exterior mostram, entretanto, uma fotografia mais recente e diferente desse valor anual: entre janeiro e julho de 2026, o Brasil exportou US$ 303,6 milhões para o Irã, segundo os dados consolidados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

A relação é especialmente relevante para o agronegócio. Em 2025, o Paraná, por exemplo, registrou forte crescimento das vendas ao mercado iraniano, que alcançaram US$ 823 milhões, segundo dados do governo estadual.

BRICS aumenta a sensibilidade diplomática

A situação ganha uma dimensão adicional porque Brasil e Irã são integrantes do BRICS. Uma eventual tentativa de Washington de ampliar a pressão para além das empresas diretamente ligadas ao governo iraniano poderia colocar países emergentes diante de uma escolha delicada entre preservar seus canais comerciais com Teerã ou reduzir a exposição a sanções americanas.

Por enquanto, contudo, não há indicação de que os Estados Unidos tenham decidido aplicar sanções secundárias contra o Brasil.

O movimento desta segunda-feira mostra, ainda assim, que Washington pretende aumentar o custo para terceiros países que continuem funcionando como canais comerciais, financeiros ou logísticos para o Irã.

A Reuters informa que China, Turquia e Emirados Árabes Unidos estão entre os principais parceiros comerciais de Teerã. A China, em particular, é um importante comprador do petróleo iraniano, mas o governo Trump evitou, nesta rodada, atingir grandes instituições financeiras chinesas, em meio à expectativa de uma reunião entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping.

Os Emirados Árabes Unidos, por sua vez, anunciaram recentemente a suspensão de comércio, intercâmbios comerciais e transações financeiras com o Irã. Bessent apresentou a decisão como um dos resultados da pressão exercida por Trump sobre governos estrangeiros.

Pressão sobre Teerã aumenta

A nova ofensiva ocorre enquanto a guerra entre Estados Unidos e Irã se aproxima de seis meses e as negociações diplomáticas para encerrar o conflito permanecem travadas. A pressão econômica se soma ao bloqueio naval americano e às medidas adotadas anteriormente contra o petróleo, a chamada frota clandestina de navios-tanque e redes financeiras utilizadas por Teerã.

O rial iraniano atingiu nesta segunda-feira uma nova mínima, chegando a cerca de 2,02 milhões de riais por dólar no mercado, segundo a Associated Press.

Para o Brasil, o ponto central agora é acompanhar como Washington transformará a ameaça de sanções secundárias em medidas concretas. Enquanto nenhum órgão americano incluir o país ou empresas brasileiras em uma lista de sanções, não é correto afirmar que o Brasil esteja sob sanção. Mas a manutenção de um comércio relevante com Teerã coloca empresas brasileiras diante de um novo risco regulatório e financeiro.

A tendência é que a pressão aumente nos próximos dias. Bessent afirmou que o Tesouro americano pretende anunciar ainda nesta semana novas medidas envolvendo pelo menos uma instituição financeira, ampliando o alcance da campanha para isolar economicamente o Irã.

30 de Agosto: educação do Paraná vai às ruas por valorização, direitos e escola pública

APP-Sindicato convoca educadores para ato em Curitiba, com pautas sobre valorização profissional, direitos, saúde e defesa da escola pública

 

Reprodução/Facebook/APP Sindicato

“Não existe luta sozinha(o); juntas(os), somos mais fortes!” Com essa convocação, a APP-Sindicato chama trabalhadoras e trabalhadores da educação para o Ato 30 de Agosto – Dia de Luto e Luta da Educação, que terá mobilização presencial no sábado, 29 de agosto, a partir das 9h, na Boca Maldita, no centro de Curitiba.

A atividade acontece no dia anterior ao 30 de agosto porque, em 2026, a data histórica cai em um domingo. Segundo a APP-Sindicato, o sábado será dedicado à panfletagem e ao diálogo com a população em locais de grande circulação, enquanto a mobilização nas redes sociais será realizada no dia 30.

As deliberações da categoria para o segundo semestre incluem, além do 30 de Agosto, reivindicações relacionadas à valorização profissional, ao Processo Seletivo Simplificado (PSS), à Gratificação de Tecnologia e Ensino (GTE) e ao Piso Nacional dos Funcionários da Educação.

Uma data marcada pela memória

O 30 de agosto é uma data histórica para os trabalhadores da educação do Paraná. Em 1988, professores e funcionários que participavam de uma mobilização por direitos e melhores condições de trabalho foram alvo de uma ação violenta do governo estadual na região do Centro Cívico, em Curitiba.

Desde então, a data passou a ser lembrada pela categoria como um Dia de Luto e Luta, unindo a memória daquele episódio às reivindicações do presente.

Em 2025, por exemplo, a APP-Sindicato levou às ruas pautas como combate ao assédio, enfrentamento do adoecimento, sobrecarga de trabalho, valorização salarial, oposição à privatização e terceirização das escolas e defesa da escola pública.

A CUT Paraná registrou a mobilização de 2025 e destacou que a categoria relacionou a memória do 30 de Agosto às condições atuais de trabalho dos profissionais da educação.

Valorização profissional e direitos

Entre as reivindicações apresentadas pela APP-Sindicato para este período estão a valorização dos profissionais da educação, mudanças no PSS, a defesa do Piso Nacional dos Funcionários da Educação e alterações nas regras da GTE.

A entidade também reivindica medidas relacionadas à carreira, às condições de trabalho e à garantia de direitos dos trabalhadores da rede pública estadual.

Saúde, condições de trabalho e combate ao assédio

Outro eixo da mobilização é o debate sobre as condições de trabalho nas escolas. A APP-Sindicato tem colocado entre suas pautas o combate ao assédio institucional, ao adoecimento dos trabalhadores e à sobrecarga de trabalho.

A entidade também questiona políticas que, segundo sua avaliação, aumentam a pressão sobre professores e funcionários e defende melhores condições para que os profissionais possam exercer suas funções com qualidade.

Defesa da escola pública

A defesa da escola pública aparece como um dos principais eixos da agenda da categoria. Entre as pautas apresentadas pela APP estão a oposição à terceirização e à privatização, a defesa do concurso público e o debate sobre políticas que afetam a organização pedagógica das escolas.

A categoria também reivindica mudanças em políticas educacionais, como o fim do Programa de Acompanhamento Pedagógico, a ampliação da carga horária das disciplinas da área de Humanas e o retorno da Língua Espanhola à matriz curricular e ao CELEM, com oferta presencial.

Essas reivindicações fazem parte de uma agenda mais ampla apresentada pela entidade para o segundo semestre de 2026, que também inclui a preparação para o período eleitoral e a apresentação de uma Carta Compromisso da Educação às candidaturas.

Memória que se transforma em mobilização

Mais do que recordar um episódio histórico, o 30 de Agosto se tornou, para os trabalhadores da educação do Paraná, um momento anual de debate sobre as condições da escola pública e sobre os direitos de quem trabalha nela.

Para a APP-Sindicato, a mobilização deste ano reúne memória e reivindicações atuais: valorização profissional, direitos, saúde dos trabalhadores, melhores condições de trabalho e defesa de uma educação pública, democrática e de qualidade.

O convite da entidade é para que educadores ocupem as ruas e dialoguem com a sociedade sobre os desafios enfrentados pela educação pública no Paraná.

Ato 30 de Agosto – Dia de Luto e Luta da Educação

Data: sábado, 29 de agosto de 2026

Horário: a partir das 9h

Local: Boca Maldita, centro de Curitiba

“Não existe luta sozinha(o); juntas(os), somos mais fortes!”


Como informações da APP-Sindicato; Portal Verdade e CUT Paraná.

Brincos de uma antiga deusa revelam uma história de fé, família e memória de 1.200 anos

Achados na Sibéria em 1985, os ornamentos podem representar Umay, entidade feminina dos antigos povos túrquicos ligada à fertilidade, à maternidade e à proteção das crianças. Nova pesquisa revela que as peças tiveram uma longa história antes de chegar ao túmulo

 
Achados na Sibéria em 1985, os ornamentos podem representar Umay, entidade feminina dos antigos povos túrquicos ligada à fertilidade, à maternidade e à proteção das crianças. Nova pesquisa revela que as peças tiveram uma longa história antes de chegar ao túmulo


Há objetos arqueológicos que impressionam pela beleza. Outros impressionam pelo que conseguem contar. Um par de brincos encontrado há mais de quatro décadas na Khakássia, no sul da Sibéria, pertence às duas categorias.

As peças, descobertas em 1985 no cemitério arqueológico de Koybaly, podem representar Umay, uma importante entidade feminina da tradição religiosa dos antigos povos túrquicos. Associada à fertilidade, à maternidade e à proteção das mulheres e das crianças, Umay ocupa um lugar especial na cosmologia das antigas sociedades da Eurásia.

Mas a história dos brincos é ainda mais surpreendente do que a possível identificação da personagem.

Uma mulher alada escondida em uma joia

As duas peças apresentam uma figura feminina vista de frente. Ela possui asas, elementos que lembram uma ave, um adorno sobre a cabeça e segura nas mãos um pequeno recipiente.

Foi justamente essa combinação de características que levou o arqueólogo russo Sergei Skobelev a propor, ainda em 1990, que a personagem pudesse ser uma representação de Umay.

A interpretação não é uma certeza absoluta. Não há uma inscrição dizendo o nome da entidade. Trata-se de uma identificação arqueológica baseada na iconografia e no contexto cultural em que os objetos foram encontrados.

A hipótese, porém, é particularmente interessante porque tradições antigas e posteriores associam Umay a uma figura feminina de natureza celeste e a motivos de pássaros ou asas.

Nova descoberta: não eram originalmente brincos

É aqui que a pesquisa mais recente muda completamente a maneira de olhar para as peças. Um estudo tecnológico, publicado agora, em 2026, por pesquisadores do Instituto de Arqueologia e Etnografia da Academia Russa de Ciências, em colaboração com a Universidade Estatal de Novosibirsk, mostrou que os objetos não foram fabricados originalmente como brincos.

As peças começaram sua existência como objetos ornamentais mais complexos, produzidos principalmente em prata e trabalhados com técnicas sofisticadas de ourivesaria.

O primeiro artesão utilizou filigrana, fios metálicos torcidos, soldagem e douramento. O resultado revela um domínio técnico impressionante. Em algum momento, porém, outro artesão modificou os objetos e acrescentou os elementos necessários para transformá-los em brincos.

Ou seja: aquilo que hoje vemos como um par de brincos nasceu com outra finalidade.

Uma joia que foi consertada

A história não termina aí. Uma das peças sofreu uma fratura, aparentemente na região de uma das asas. Em vez de abandonar o objeto, alguém decidiu repará-lo.

O conserto foi feito de maneira mais simples, utilizando um fio metálico para recompor a parte danificada. Para os arqueólogos, esse pequeno detalhe diz muito. O objeto não era simplesmente descartável. Alguém se importou o suficiente com ele para consertá-lo e continuar usando-o.

É possível imaginar, embora não seja possível provar, que os brincos tenham passado de uma pessoa para outra ou permanecido durante muito tempo dentro de uma mesma família. Talvez fossem valiosos não apenas pelo metal ou pelo trabalho artístico, mas pelo significado que carregavam.

Uma mulher foi enterrada com eles

Os brincos foram encontrados associados a um sepultamento interpretado pelos pesquisadores como pertencente a uma mulher adulta. O contexto funerário também incluía elementos relacionados a um cavalo, entre eles partes de pele, ossos e componentes de arreios.

Os brincos estavam escondidos em uma estrutura junto à parede da sepultura. Não sabemos quem era aquela mulher. Não sabemos seu nome, sua idade exata ou qual era sua posição dentro daquela sociedade. Também não podemos afirmar que ela fosse sacerdotisa de Umay ou que os brincos fossem necessariamente um amuleto religioso.

Mas sabemos que ela foi enterrada com um objeto extraordinariamente elaborado, que já havia passado por diferentes mãos e provavelmente carregava uma história anterior à sua própria morte.

Quem era Umay?

Umay é uma das figuras femininas mais importantes associadas à religiosidade dos antigos povos turcos.

Seu nome aparece em fontes relacionadas ao antigo mundo túrquico, incluindo as inscrições de Orkhon. Ao longo das tradições estudadas pelos pesquisadores, ela aparece ligada especialmente à fertilidade, à maternidade, às mulheres, à proteção das crianças e da família.

Por isso, quando os arqueólogos encontram uma figura feminina alada em um objeto turco antigo, a possibilidade de uma conexão com Umay ganha uma importância relevante.

É importante, entretanto, não confundir os antigos povos túrquicos com a moderna Turquia. Os brincos foram encontrados na atual Rússia, em uma região que fazia parte do amplo mundo cultural e político das sociedades túrquicas da Ásia Central e da Sibéria.

Mais do que uma joia

Talvez seja justamente isso que torne os brincos de Koybaly tão fascinantes. Eles não são apenas duas pequenas peças de metal preservadas por mais de mil anos. São testemunhos de uma rede humana que se estende através do séculos.

Um artesão os criou. Outro os transformou. Alguém os usou. Uma pessoa decidiu repará-los quando foram danificados. Eles continuaram circulando, possivelmente durante anos ou até gerações, antes de acompanhar uma mulher em sua jornada final. E, então, o par de brincos permaneceu silencioso, dentro da terra, até ser encontrado, em 1985.

Agora, mais de 40 anos depois, novas análises tecnológicas estão permitindo reconstruir uma parte dessa trajetória. Talvez a arqueologia seja justamente isso: encontrar pequenos vestígios do passado e devolver a eles uma história humana.

No caso dos brincos de Koybaly, essa história reúne uma antiga tradição religiosa, o trabalho extraordinário de artesãos, a vida de uma mulher e a possibilidade de que um objeto tenha sido preservado por seu significado muito depois de deixar de ser apenas uma joia.

Nota: a identificação da figura como Umay é uma interpretação arqueológica proposta por pesquisadores e não uma identificação comprovada por inscrição. As peças foram descobertas em 1985; o que ganhou novo destaque em 2026 foi a análise tecnológica de sua fabricação, transformação e reparos.

Fontes: Instituto de Arqueologia e Etnografia da Academia Russa de Ciências; Sergei G. Skobelev; estudos acadêmicos sobre iconografia e religião dos a povos turcos da antiguidade.

Rússia lança com sucesso mais um foguete espacial Soyuz-2.1b

Foguete decolou do cosmódromo de Plesetsk e colocou em órbita um satélite destinado aos interesses da Defesa russa

A Rússia realizou com sucesso, na madrugada desta segunda-feira (24), o lançamento de um foguete Soyuz-2.1b a partir do cosmódromo de Plesetsk, na região de Arkhangelsk. A missão colocou em órbita um satélite destinado a atender aos interesses do Ministério da Defesa russo.

De acordo com informações divulgadas pela Roscosmos e pelo Ministério da Defesa da Rússia, o lançamento ocorreu conforme o planejado. O foguete de médio porte foi lançado por uma equipe das Forças Espaciais das Forças Aeroespaciais russas.

Satélite foi colocado em órbita

Após a decolagem, o veículo realizou a missão conforme o planejado e o aparelho espacial foi colocado na órbita prevista. Segundo as autoridades russas, foi estabelecida comunicação de telemetria estável com o satélite e seus sistemas de bordo operavam normalmente após a entrada em órbita.

O governo russo não divulgou informações sobre o tipo ou a finalidade específica do satélite. As autoridades limitaram-se a informar que o equipamento foi lançado em benefício do Ministério da Defesa, mantendo em sigilo detalhes sobre sua missão.

Plesetsk é usado para missões militares

Localizado na região de Arkhangelsk, no norte da Rússia, o cosmódromo de Plesetsk é uma das principais bases russas para lançamentos de satélites militares e de uso dual. A instalação é operada pelo Ministério da Defesa e recebe regularmente lançamentos de foguetes da família Soyuz.

O lançamento desta segunda-feira ocorre em um contexto de forte atividade espacial militar russa. Nos últimos anos, Plesetsk tem sido utilizado para colocar em órbita diferentes tipos de satélites ligados às capacidades de comunicação, navegação, reconhecimento e outras funções estratégicas das Forças Armadas russas.

Mais um lançamento do Soyuz-2.1b

O Soyuz-2.1b é um dos principais foguetes russos de médio porte e pode ser empregado em missões civis, comerciais e militares. A partir de Plesetsk, a versão é utilizada principalmente em lançamentos de cargas destinadas às órbitas empregadas por satélites governamentais e de defesa.

O lançamento desta segunda-feira reforça a continuidade das operações espaciais russas e a utilização do setor orbital como parte da infraestrutura estratégica do país.

As informações sobre o lançamento e a colocação do satélite em órbita foram divulgadas por autoridades russas. Não foram informados publicamente detalhes sobre a identidade e a missão específica do aparelho.

23.8.26

Geadas ainda podem voltar ao Paraná e a Santa Catarina em 2026, mas El Niño muda o comportamento do frio

Massas de ar polar ainda podem provocar geadas no fim do inverno, principalmente nas áreas mais altas, mas a redução dos períodos prolongados de frio acende outro alerta: o que acontece com a agricultura e com a natureza quando o inverno começa a perder força?

Quem vive no campo sabe que uma madrugada de frio intenso pode mudar tudo. Uma noite com temperatura abaixo de zero pode representar apenas um registro no termômetro para quem acompanha o inverno de longe. Para o agricultor, porém, pode significar uma lavoura perdida, uma safra comprometida e um prejuízo que demora muito mais para desaparecer do que a própria geada.

Por isso, mesmo com o inverno de 2026 chegando à sua reta final, o risco ainda não desapareceu no Paraná e em Santa Catarina.

As próximas semanas ainda podem registrar incursões de massas de ar polar, principalmente nas regiões de maior altitude. No Paraná, o Alerta Geada continua sendo acompanhado pelo Simepar durante o período de maior risco. Em Santa Catarina, o Planalto Sul permanece como uma das áreas mais suscetíveis ao fenômeno.

Mas existe uma mudança importante acontecendo por trás dessa história. O frio continua chegando. Só que, em um cenário de aquecimento das temperaturas, ele tende a aparecer de maneira mais irregular, enquanto os períodos prolongados de frio intenso se tornam menos frequentes. E é aí que o assunto deixa de ser apenas uma questão de previsão do tempo.

Ainda pode gear em 2026

A resposta mais simples é: sim.

O inverno ainda não terminou climaticamente, e novas massas de ar frio podem avançar pelo Sul do Brasil. No Paraná, o risco é maior nas regiões Centro-Sul, Sudoeste, Sudeste e nas áreas de maior altitude. Em Santa Catarina, o Planalto Sul concentra historicamente algumas das condições mais favoráveis para a formação de geadas.

É importante lembrar que o frio não se distribui igualmente pelo território. Uma madrugada que produz temperaturas negativas em Palmas ou em áreas elevadas de Santa Catarina pode ter efeito muito diferente em cidades de menor altitude. É justamente por isso que os mapas de risco de geada são tão importantes para quem trabalha com agricultura.

No campo, algumas horas de antecedência podem fazer uma diferença enorme. Um alerta recebido antes da chegada do frio permite que o produtor organize medidas de proteção, avalie a necessidade de irrigação e tente preservar as plantas mais sensíveis.

O problema é que nem sempre é possível impedir o frio. O que se pode fazer é tentar chegar preparado quando ele vier.

O que o El Niño tem a ver com isso?

A história fica mais interessante quando olhamos para o Oceano Pacífico. O El Niño altera a circulação da atmosfera e interfere no comportamento do clima em diferentes partes do planeta. No Sul do Brasil, uma de suas características é favorecer um cenário mais quente e úmido, embora isso não signifique que o frio simplesmente desapareça.

Na prática, uma massa de ar polar ainda pode avançar pelo Paraná e por Santa Catarina e provocar geadas.

O que muda é o contexto. Em um cenário influenciado pelo El Niño, a tendência é de menor frequência de episódios prolongados de frio intenso. Isso ajuda a explicar por que podemos ter um inverno com temperaturas, em média, mais elevadas e, ainda assim, registrar algumas madrugadas extremamente frias.

É uma diferença importante: menos frio ao longo da estação não significa ausência de frio extremo em determinados momentos. É justamente essa combinação que torna a previsão tão importante.

O agricultor não precisa de um inverno sem geada. Precisa saber quando ela pode chegar

Para quem planta, uma geada quase nunca é uma boa notícia. Café, hortaliças, frutas, milho e outras culturas podem apresentar diferentes níveis de sensibilidade às baixas temperaturas. Em algumas situações, poucas horas de frio intenso são suficientes para provocar danos significativos. Por isso o Paraná desenvolveu um sistema específico de acompanhamento.

O Alerta Geada utiliza informações meteorológicas para antecipar situações de risco e dar ao produtor tempo para agir. Entre as estratégias disponíveis está a irrigação preventiva, que pode ser utilizada em determinadas culturas e condições para reduzir os danos provocados pelo congelamento.

A lógica é simples: quando a previsão chega antes, existe uma chance maior de proteger aquilo que levou meses para ser produzido. E isso tem um valor enorme em uma propriedade rural.

Mas existe um paradoxo nessa história

Uma geada a menos pode ser uma boa notícia para o agricultor. Ao mesmo tempo, menos frio não significa necessariamente que tudo esteja melhor para a agricultura.

Algumas plantas de clima temperado precisam passar por períodos determinados de frio para completar adequadamente seu ciclo. A quantidade de frio disponível durante o inverno influencia a dormência, a brotação e, posteriormente, a floração e a produção.

Isso significa que o agricultor pode deixar de enfrentar algumas perdas provocadas diretamente pela geada e, ao mesmo tempo, começar a lidar com outro problema: um inverno que não entrega o frio necessário no momento adequado.

A natureza também funciona assim. Ela não acompanha o calendário que colocamos na parede. Plantas, insetos, animais e microrganismos respondem às condições de temperatura, chuva, umidade e luminosidade. Quando essas condições mudam, os ciclos também podem mudar.

E quando a geada fica mais rara?

Essa talvez seja a parte menos percebida da discussão. Quando pensamos em geada, normalmente pensamos no prejuízo imediato: a folha que queima, a plantação que sofre e o produtor que calcula as perdas.

Mas o frio também exerce uma função dentro dos ecossistemas. Uma sequência de dias frios ajuda a determinar o momento em que determinadas plantas entram ou saem de dormência. A temperatura influencia a atividade dos insetos e também interfere na relação entre flores, polinizadores, predadores e outras espécies.

Se o inverno começa mais cedo ou mais tarde, se termina antes ou se apresenta menos períodos de frio intenso, todo esse relógio natural pode sofrer alterações. Uma planta pode florescer em um momento diferente. Um inseto pode aparecer antes. Um polinizador pode não encontrar a mesma quantidade de flores quando estiver em seu período de maior atividade.

E uma espécie que normalmente seria limitada pelo frio pode encontrar condições melhores para sobreviver durante o inverno. Nenhuma dessas mudanças acontece de maneira isolada. É como mexer em uma peça de uma engrenagem: outras peças acabam sentindo o movimento.

Mais calor também pode significar mais espaço para algumas pragas

A agricultura sente essas mudanças de outra maneira. Temperaturas mais elevadas podem favorecer a sobrevivência e a reprodução de determinados insetos e organismos que afetam as lavouras. Quando o inverno deixa de impor períodos suficientemente frios, algumas espécies podem encontrar condições mais favoráveis para permanecer ativas ou sobreviver.

Mas é preciso evitar uma conclusão simplista. Não é correto dizer que menos geadas automaticamente significam mais pragas. Cada espécie responde de uma maneira diferente, e chuva, umidade, alimento e outros fatores também interferem.

O que preocupa é a combinação. Temperaturas mais altas, mudanças no regime de chuvas e alterações no calendário das estações podem modificar as relações que existem dentro de uma lavoura e também dentro de um ecossistema natural.

As abelhas também sentem a mudança

Um bom exemplo está nas abelhas. A atividade desses insetos depende diretamente das condições meteorológicas e da disponibilidade de flores. Temperatura, chuva e períodos de frio interferem no voo, na coleta de néctar e de pólen e, consequentemente, na produção de mel e na polinização.

Se a florada muda de época, as abelhas precisam acompanhar essa mudança. Se chove demais, elas podem não conseguir sair. Se o frio aparece em um momento inesperado, a atividade também pode ser afetada. É mais uma demonstração de que uma mudança no clima nunca fica restrita ao termômetro.

O que os dados mostram sobre o Paraná?

É aqui que precisamos tomar cuidado com uma frase que parece intuitiva: "as geadas estão desaparecendo".

A realidade é um pouco mais complexa.

Estudos realizados a partir de séries históricas de temperatura no Paraná identificam tendências de aumento das temperaturas mínimas em diferentes regiões. Isso é compatível com um cenário de aquecimento.

Mas a ocorrência de geadas continua variando bastante de um ano para outro. O Paraná pode ter um inverno com poucos episódios de frio e, em outro ano, registrar várias ondas de ar polar.

A altitude continua sendo um dos principais fatores de diferença. Historicamente, regiões como Palmas e Guarapuava apresentam muito mais condições favoráveis à ocorrência de geadas do que áreas mais quentes do Norte do Estado.

Por isso, talvez seja mais correto dizer que o ambiente climático está ficando mais quente, e não simplesmente que as geadas estão acabando. A diferença parece pequena, mas muda completamente a interpretação.

Santa Catarina segue na mesma direção

Em Santa Catarina, o Planalto Sul continua sendo uma espécie de sentinela do frio no Estado. As temperaturas podem despencar rapidamente quando uma massa de ar polar forte chega, e episódios de geada continuam perfeitamente possíveis.

Ao mesmo tempo, as projeções climáticas apontam para temperaturas acima da média e menor frequência de períodos prolongados de frio intenso. Ou seja: o frio não desapareceu. Ele está ficando mais irregular.

E isso é especialmente importante para um Estado cuja agricultura, pecuária e biodiversidade estão fortemente ligadas às condições de altitude e ao comportamento das estações.

O verdadeiro alerta talvez esteja além da geada

No fim das contas, a discussão sobre geadas não deveria ficar restrita à pergunta "vai gear ou não vai?".

A pergunta mais importante talvez seja outra: o que acontece quando o clima muda o calendário ao qual a agricultura e a natureza estavam acostumadas?

Para o produtor, isso pode significar novas estratégias de manejo, mudança de cultivares, alteração das épocas de plantio e maior atenção aos sistemas de previsão.

Para os ecossistemas, pode significar mudanças nos ciclos de reprodução, floração, migração, alimentação e sobrevivência de diferentes espécies.

E para todos nós, existe uma consequência que muitas vezes passa despercebida. A agricultura depende de um equilíbrio climático muito maior do que simplesmente chuva e sol. Depende do frio também.

E o que esperar do restante de 2026?

Ainda há possibilidade de novas geadas no Paraná e em Santa Catarina, especialmente em áreas de maior altitude e durante eventuais incursões de massas de ar polar.

Mas o cenário climático aponta para um restante de inverno e uma entrada de primavera com temperaturas mais elevadas e menor frequência de episódios prolongados de frio intenso.

O El Niño ajuda a explicar parte desse comportamento. Ao mesmo tempo, a tendência de aquecimento observada nas temperaturas mínimas não permite concluir que as geadas deixarão de acontecer. Elas continuarão fazendo parte do clima do Sul do Brasil, mas podem ocorrer em um ambiente cada vez mais diferente daquele conhecido pelas gerações anteriores.

E talvez esse seja o ponto que merece mais atenção. A questão não é apenas saber se ainda vai gear este ano. É entender como a mudança na frequência, na intensidade e no momento em que o frio aparece pode transformar o campo, as florestas e toda a vida que depende do ritmo das estações.

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Nota à Imprensa da candidata ao Senado Gleisi Hoffmann

Nota à imprensa

Deltan mente e desinforma eleitores ao impulsionar conteúdo afirmando que está elegível

Curitiba, 22 de agosto de 2026
 
 
A candidata ao Senado Gleisi Hoffmann respondeu neste sábado (22) a um vídeo divulgado pelo candidato Deltan Dallagnol, com impulsionamento nas redes sociais, no qual afirma que o parecer do Ministério Público Eleitoral (MPE) atesta sua elegibilidade.

Segundo Gleisi, ao divulgar o vídeo, Dallagnol demonstrou “má-fé e desrespeito com os eleitores do Paraná”.

Deltan divulgou um vídeo afirmando que estamos ‘chorando’ quando dizemos que ele está inelegível. Como impulsionou o conteúdo, pagando para o vídeo circular, fazendo propaganda enganosa, a resposta é necessária. Lamentamos que, com sua falta de caráter, continue mentindo, tentando enganar o povo, dizendo que o MPE confirmou que está elegível. Trata-se de uma mentira. Uma dupla mentira.

Primeiro, o MPE não confirma, o órgão emite parecer, opina. O MPE opinou pela elegibilidade, emitiu um parecer como fez em 2022, e depois o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou seu mandato porque era ficha suja, estava inelegível, e não poderia ter sido candidato.

Segunda mentira: afirmar que parecer do MPE confirma a elegibilidade. Deltan sabe que isso não é verdade, justamente por ter sido do Ministério Público. Quantas vezes um parecer do Ministério Público foi desconsiderado pelos julgadores?

Ao divulgar uma notícia enganosa, Deltan demonstra falta de caráter, má fé e desrespeito com os eleitores do Paraná. Esperamos que o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná cumpra seu papel e julgue o mais rápido possível o caso da candidatura de Deltan Dallagnol. O processo está pronto para o julgamento. Retardar isso é comprometer o processo eleitoral.

Nota à imprensa

Curitiba, 22 de agosto de 2026


Comunicação à imprensa: GLEISI
REPRODUÇÃO: BLOG SULPOST

22.8.26

ACFF Sub-15 goleia Prodhae por 11 x 3 em Itaperuçu

Time de Campo Largo mostrou força no ataque, jogou bem e venceu fácil, de goleada, o Prodhae, em Itaperuçu 

 
Time de Campo Largo mostrou força no ataque, mas foi na defesa que surgiu o grande destaque da partida: o goleiro Ian
ACFF vence Prodhae por 11 X 3, em Itaperuçu - Imagens: Nelsão

A tarde deste sábado (22) foi de muita bola na rede e também de grandes defesas para a ACFF (Associação Campolarguense de Futebol e Futsal). Em Itaperuçu, na Região Metropolitana de Curitiba, a equipe Sub-15 venceu a Prodhae por 11 x 3, em uma partida que mostrou a força dos meninos de Campo Largo.

Se o placar chama a atenção pelo número de gols, quem acompanhou a partida também teve outro motivo para comemorar. O time jogou unido e buscou a vitória merecida pela atuação dos jogadores. Com um ataque incrível e defesas difíceis para a zaga e meta, a piazada jogou com segurança e a equipe venceu de goleada.

Os alas foram bem armados e aproveitaram bastante os contra-ataques, quando a Prodhae tentou reagir. A atuação rendeu elogios e fez da meta campo-larguense uma verdadeira máquina de fazer gols.

Equipe entrou concentrada

A ACFF contou com Kauan, Davi, Lucca, Chemin, Ian, Felipe, Richard, Gustavo, Leonardo e Arthur. A escalação reuniu jogadores de diferentes posições e mostrou a versatilidade do elenco.

Kauan, Davi, Lucca e Leonardo atuaram pelas alas; Chemin e Richard foram as opções para o pivô; Gustavo e Arthur ficaram na função de fixos; enquanto Ian e Felipe defenderam a meta da equipe.

Com a bola rolando, a equipe campo-larguense encontrou o caminho do gol e foi aumentando a vantagem. Ao mesmo tempo, quando precisou se defender, contou com a segurança dos goleiros para manter o controle da partida.

Um projeto que vem crescendo

A vitória também representa mais um capítulo do trabalho que vem sendo desenvolvido pela ACFF nas categorias de base. Criada há cerca de três anos, a associação surgiu com a proposta de trabalhar a formação de jovens atletas, oferecendo oportunidades no futebol e no futsal e aliando o desenvolvimento esportivo ao aspecto social.

Ao longo desse período, a ACFF vem ampliando sua participação em competições e conquistando espaço no futsal de base. O projeto já conta com equipes disputando competições oficiais e vem ajudando a revelar jogadores de Campo Largo e região.

Em 2025, a associação também recebeu o reconhecimento de utilidade pública municipal, reforçando a importância do trabalho desenvolvido com crianças e adolescentes por meio do esporte.

É dentro dessa proposta de formação que aparecem histórias como a de Ian. Enquanto a equipe cresce e busca resultados dentro das quadras, jovens atletas ganham experiência, confiança e a oportunidade de mostrar seu talento.

E, em Itaperuçu, Ian aproveitou muito bem a oportunidade. Com o ataque marcando 11 vezes e o goleiro fazendo a diferença quando foi exigido, a ACFF saiu de quadra com uma vitória expressiva e mais uma boa atuação para colocar na conta.

ACFF 11 x 3 Prodhae. Uma goleada construída com gols, organização, talento e confiança inabaláveis da garotada campolarguense, um time completo, entrosado e goleador.



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