quinta-feira, 18 de junho de 2026

Brasil entra em campo e supermercados do Paraná fecham mais cedo nesta sexta-feira

Grandes redes varejistas vão encerrar o atendimento entre 21h e 21h30 para liberar funcionários antes da partida da Seleção Brasileira; consumidores devem antecipar as compras

Grandes redes varejistas vão encerrar o atendimento entre 21h e 21h30 para liberar funcionários antes da partida da Seleção Brasileira; consumidores devem antecipar as compras

O carrinho de compras corre um pouco mais rápido nesta sexta-feira (19). Em bairros de Curitiba, Londrina, Cascavel, Ponta Grossa e tantas outras cidades do Paraná, muita gente vai antecipar a compra da carne, das bebidas e dos petiscos. Quando a bola começar a rolar pela Copa do Mundo FIFA 2026, às 21h30, boa parte dos supermercados do estado já terá fechado as portas.

O motivo é simples: permitir que milhares de trabalhadores acompanhem a partida da Seleção Brasileira contra o Haiti, válida pela segunda rodada da fase de grupos do Mundial. Em um país onde o futebol ainda tem o poder de reunir famílias, amigos e vizinhos diante da televisão, o comércio também se adapta ao calendário da bola.

ATENÇÃO: Quem deixar para comprar carne, carvão, bebidas ou petiscos na última hora pode encontrar as portas fechadas. As principais redes supermercadistas do Paraná vão encerrar o expediente antes do início da partida. Zé Delivery segue normal.

Brasil precisa vencer

A expectativa da torcida é grande. Depois do empate suado, por 1 a 1 com o Marrocos, logo na estreia, a Seleção entra em campo pressionada pela necessidade de conquistar os três pontos para ganhar tranquilidade no Grupo C e se aproximar da classificação para a próxima fase. Se o Brasil não ganhar, o risco de fazer as malas e voltar mais cedo para casa é grande.

Sob o comando do técnico Carlo Ancelotti, a Seleção busca apresentar um futebol mais consistente e eficiente diante dos haitianos. A equipe mostrou momentos de qualidade na estreia, mas também deixou escapar oportunidades importantes que poderiam ter garantido a vitória.

Outro ingrediente que aumenta a atenção dos torcedores é a situação de Neymar. O camisa 10 segue em processo de recuperação física e continua sendo assunto entre os brasileiros, que aguardam a possibilidade de vê-lo novamente em campo durante a competição. Mesmo sem a presença do craque, a expectativa é de um grande apoio da torcida para empurrar a equipe rumo à vitória.

Em tempos de redes sociais, transmissões em múltiplas telas e uma rotina cada vez mais acelerada, a Copa do Mundo continua sendo um dos raros eventos capazes de mobilizar o país inteiro ao mesmo tempo. E nesta sexta-feira não será diferente.

Veja como ficam os horários dos supermercados

As principais redes de supermercados do Paraná adotaram fechamento antecipado para liberar seus funcionários antes do início da partida.

  • Condor: todas as lojas fecham às 21h.
  • Muffato e Max Atacadista: encerramento das atividades às 21h.
  • Festval: atendimento até 21h30.
  • Jacomar: fechamento às 21h.
  • Companhia Beal / Super Festval: unidades operam até 21h.

As redes também recomendam que os consumidores façam suas compras ao longo da tarde ou no início da noite. Nenhuma das lojas que adotará o fechamento antecipado voltará a abrir após o término da partida, que deve se encerrar próximo das 23h30.

Torcida também entra em campo

Além da disputa por uma vaga na próxima fase, o confronto desta sexta-feira carrega um componente emocional que faz parte da história do futebol brasileiro. É o momento em que bares lotam, churrasqueiras são acesas, bandeiras reaparecem nas janelas e milhões de pessoas compartilham a mesma expectativa.

Com Neymar ou sem Neymar, com nervosismo ou confiança, a verdade é que a torcida brasileira também entra em campo. E, nesta sexta-feira, até os supermercados do Paraná vão parar um pouco mais cedo para acompanhar o sonho do hexacampeonato. Você também pode optar em fazer suas compras adiantado, pela Amazon.

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UFSC receberá supercomputador para impulsionar pesquisas em inteligência artificial

Equipamento de alto desempenho doado pela Intel amplia a capacidade científica da universidade em áreas estratégicas como IA generativa, bioinformática, ciência de dados e saúde digital

 
Equipamento de alto desempenho doado pela Intel amplia a capacidade científica da universidade em áreas estratégicas como IA generativa, bioinformática, ciência de dados e saúde digital

Enquanto a inteligência artificial avança rapidamente e redefine setores inteiros da economia, universidades brasileiras buscam fortalecer sua capacidade de pesquisa para acompanhar essa transformação. Em Florianópolis, um novo passo foi anunciado nesta semana: a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) receberá um supercomputador de alto desempenho que deverá ampliar significativamente o desenvolvimento de estudos e aplicações em inteligência artificial.

O anúncio foi feito nesta quarta-feira (17) pela ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, durante um encontro que reuniu representantes de universidades, centros de pesquisa, empresas, instituições de fomento e organizações ligadas ao ecossistema de inovação catarinense.

O equipamento, um Intel Habana Gaudi2 doado pela Intel, passa a integrar a infraestrutura científica da UFSC e será utilizado em pesquisas avançadas envolvendo inteligência artificial generativa, grandes modelos de linguagem, ciência de dados, visão computacional, bioinformática e processamento de imagens médicas.

“A entrega deste supercomputador representa mais um passo na construção da soberania tecnológica brasileira. Estamos ampliando a capacidade das nossas universidades de desenvolver conhecimento, formar talentos e criar soluções inovadoras para os desafios do país”, afirmou a ministra Luciana Santos.

Para a comunidade acadêmica, o novo equipamento representa mais do que um avanço tecnológico. A expectativa é que ele permita acelerar pesquisas complexas, reduzir o tempo de processamento de grandes volumes de dados e ampliar a colaboração entre diferentes áreas do conhecimento.

O reitor da UFSC, Irineu de Souza, destacou o caráter multidisciplinar da iniciativa. Segundo ele, a nova estrutura deverá beneficiar pesquisas em ciência, saúde, tecnologia e inteligência artificial, gerando impactos positivos tanto para a universidade quanto para a sociedade.

O reitor da UFSC, Irineu de Souza, destacou o caráter multidisciplinar da iniciativa. Segundo ele, a nova estrutura deverá beneficiar pesquisas em ciência, saúde, tecnologia e inteligência artificial, gerando impactos positivos tanto para a universidade quanto para a sociedade.
Foto: Luara Baggi (Ascom/MCTI)

Formação de profissionais para a era da IA

Durante o evento, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação também lançou o programa Residência em TICs – Trilhas IA, coordenado pelo Instituto Eldorado. A iniciativa contará com investimento de R$ 129 milhões e tem como meta formar 1.800 desenvolvedores e capacitar outros 4 mil usuários de ferramentas de inteligência artificial até 2028.

O programa busca atender à crescente demanda por profissionais qualificados em tecnologia da informação e inteligência artificial, áreas consideradas estratégicas para a competitividade do país nos próximos anos.

Investimentos bilionários em Santa Catarina

Além dos anúncios voltados à inteligência artificial, o MCTI apresentou um panorama dos investimentos federais destinados ao estado. Entre 2023 e 2025, Santa Catarina recebeu R$ 5,6 bilhões em recursos para ciência, tecnologia e inovação, valor superior ao triplo do registrado nos quatro anos anteriores.

Desse total, R$ 5,1 bilhões foram aplicados por meio da Finep em 706 projetos distribuídos por 148 municípios catarinenses, contemplando universidades, institutos de pesquisa, parques tecnológicos e empresas inovadoras.

Segundo o diretor regional Sul da Finep, Bruno Camargo, os recursos ajudam a fortalecer todo o ambiente de inovação. O apoio contempla desde Instituições de Ciência e Tecnologia até empreendimentos de base tecnológica, contribuindo para ampliar a pesquisa científica e transformar conhecimento em desenvolvimento econômico e social.

Com a chegada do novo supercomputador da Intel à UFSC e a ampliação dos investimentos em formação e pesquisa, Santa Catarina reforça sua posição como um dos principais polos de ciência, tecnologia e inovação do país, em um momento em que a inteligência artificial se torna cada vez mais estratégica para o futuro da economia e da produção de conhecimento.

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Dia do Orgulho Autista: quando compreender a diversidade muda vidas

Primeira celebração oficial da data no Brasil reforça a importância da inclusão, do respeito e da valorização da neurodiversidade

Primeira celebração oficial da data no Brasil reforça a importância da inclusão, do respeito e da valorização da neurodiversidade

Há diferenças que passam despercebidas para quem está de fora, mas acompanham uma pessoa durante toda a vida. Estão nas dificuldades de participar de uma conversa em grupo, no desconforto diante de ambientes cheios, na necessidade de seguir uma rotina bem definida ou na sensação constante de não se encaixar.

Para muitas pessoas autistas, a infância e a adolescência são marcadas justamente por esse sentimento silencioso de estar um passo fora do ritmo dos demais.

Neste 18 de junho, o Brasil celebra pela primeira vez oficialmente o Dia Nacional do Orgulho Autista. Mais do que uma data simbólica, o momento convida a sociedade a enxergar o transtorno do espectro autista (TEA) para além dos estereótipos e dos preconceitos que ainda cercam o tema.

A história do juiz paranaense Ricardo Fulgoni ajuda a ilustrar essa realidade. Durante anos, ele conviveu com dificuldades de interação social sem saber exatamente o motivo. Era chamado de antissocial, chato ou distante. O diagnóstico só veio na vida adulta, após um período de intensa sobrecarga emocional durante a pandemia.

Quando finalmente compreendeu que era autista, encontrou respostas para situações que o acompanharam desde a infância.

"Quando eu comecei a ler sobre o que era o autismo, os sintomas e as características, estava ali um manual de instruções da minha vida", relatou em entrevista à Agência Brasil.

A descoberta não mudou quem ele era. Mas trouxe algo que durante muito tempo parecia impossível: compreensão.

“Não existe uma única forma de ser autista. O espectro reúne experiências, habilidades e desafios diferentes, reforçando a importância do respeito à neurodiversidade e da inclusão.”

Um espectro de muitas realidades

Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas pessoas autistas continua sendo o desconhecimento da sociedade sobre o que realmente significa o espectro autista.

Durante décadas, prevaleceu a ideia equivocada de que todas as pessoas autistas seriam iguais ou apresentariam as mesmas características. Hoje, especialistas sabem que a realidade é muito mais complexa.

Segundo o neuropsicólogo Mayck Hartwig, o autismo se manifesta de maneiras bastante diferentes em cada indivíduo.

"O autismo hoje é compreendido como um espectro de manifestação fenotípica bastante heterogênea, ou seja, existem várias manifestações diferentes do autismo. E essas manifestações ocorrem também com sinais mais ou menos evidentes em algumas pessoas."

Em outras palavras, não existe um único perfil de pessoa autista. Há pessoas que precisam de apoio constante ao longo da vida. Outras estudam, trabalham, formam famílias e constroem carreiras de destaque. Algumas possuem grande sensibilidade a sons, luzes ou ambientes movimentados. Outras apresentam interesses muito específicos e intensa capacidade de concentração em determinadas áreas.

O que une essas diferentes experiências são características relacionadas à comunicação social, à interação com outras pessoas e à forma como o cérebro percebe e organiza informações do mundo ao redor.

Entre desafios e potencialidades

O transtorno do espectro autista é uma condição do neurodesenvolvimento que normalmente se manifesta nos primeiros anos de vida. Os primeiros sinais podem surgir ainda na infância, embora muitos diagnósticos continuem acontecendo apenas na adolescência ou na fase adulta.

Nos últimos anos, o avanço do conhecimento científico e o aumento da conscientização têm permitido que milhares de pessoas finalmente encontrem explicações para situações que carregaram por décadas. Esse entendimento também ajuda a combater uma visão limitada que reduz o autismo apenas às dificuldades.

Embora os desafios existam e não devam ser ignorados, pessoas autistas também possuem talentos, habilidades, formas criativas de pensar e contribuições importantes para a sociedade. O reconhecimento dessas potencialidades faz parte da proposta do movimento do orgulho autista.

Mais respeito, menos preconceito

Diferentemente do Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, o Dia do Orgulho Autista nasceu de movimentos liderados pelas próprias pessoas autistas. A ideia não é negar as dificuldades que podem acompanhar a condição, mas defender que essas diferenças sejam compreendidas sem estigmas e sem discriminação.

Em um mundo que frequentemente pressiona todos a agir, sentir e se comunicar da mesma forma, o orgulho autista surge como um convite à escuta. Escutar quem vive essa realidade. Escutar as famílias. Escutar os profissionais que trabalham com inclusão. E, principalmente, reconhecer que diversidade também significa aceitar diferentes maneiras de perceber e interagir com o mundo.

Neste primeiro Dia Nacional do Orgulho Autista celebrado oficialmente no Brasil, a mensagem é simples, mas poderosa: compreender as diferenças continua sendo um dos caminhos mais importantes para construir uma sociedade verdadeiramente inclusiva.


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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Margareth Menezes lança em Colombo, na RMC, programa que une cultura, clima e desenvolvimento social

Ministra da Cultura reuniu lideranças políticas, movimentos culturais e representantes da sociedade civil na Região Metropolitana de Curitiba para apresentar os Territórios Verdes da Cultura, iniciativa voltada à sustentabilidade, inclusão e fortalecimento das periferias

Ministra Margareth Menezes, hoje (17), no CEU das Artes de Colombo
Nelsão da Força

O fim da tarde desta quarta-feira (17) trouxe um encontro pouco comum ao CEU das Artes de Colombo. Em um mesmo espaço, artistas, agentes culturais, lideranças comunitárias, sindicalistas, parlamentares e representantes do Governo Federal se reuniram para discutir um tema que até pouco tempo atrás parecia distante do universo cultural: as mudanças climáticas.

Foi nesse cenário que a ministra da Cultura, Margareth Menezes, lançou oficialmente o programa Territórios Verdes da Cultura, uma nova política pública federal que pretende transformar equipamentos culturais em espaços de resiliência climática, sustentabilidade e desenvolvimento comunitário.

"A cultura deixa de ser apenas espaço de expressão artística e passa a ocupar também um papel estratégico na adaptação das comunidades aos desafios climáticos."

A agenda mobilizou diferentes setores da sociedade e reuniu autoridades como as deputadas federais Gleisi Hoffmann e Carol Dartora, a deputada estadual Ana Júlia Ribeiro, o deputado estadual, presidente do PT Paraná e líder da oposição na Assembleia Legislativa do Paraná, Arilson Chiorato, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba e da Força Sindical Paraná, Sérgio Butka e seu vice-presidente Nelsão da Força, o vereador e presidente do PT Curitiba, Angelo Vanhoni, entre outros representantes de movimentos sociais, coletivos culturais, organizações da Região Metropolitana de Curitiba e populares.

A presença da ministra também evidenciou a crescente aproximação entre as políticas culturais e as pautas ambientais. O Territórios Verdes da Cultura nasce com a proposta de transformar CEUs das Artes, CEUs da Cultura e unidades do programa MovCEU em polos comunitários capazes de desenvolver soluções locais para os desafios climáticos enfrentados pelas cidades brasileiras.

A iniciativa está estruturada sobre três pilares principais: Soluções Baseadas na Natureza, com implantação de áreas verdes e infraestrutura sustentável; educação ambiental e criativa, voltada à formação de crianças, jovens e comunidades; e ações comunitárias que buscam estimular a construção coletiva de respostas para problemas urbanos e ambientais.

Na prática, o programa prevê ações como hortas comunitárias, sistemas de captação de água da chuva, projetos de economia circular, arborização urbana e atividades educativas integradas à produção cultural.

Cultura que nasce do território

Ao longo do evento, uma das ideias mais presentes foi a de que as periferias não devem ser vistas apenas como destinatárias de políticas públicas, mas como protagonistas na construção de soluções para seus próprios desafios.

Essa visão também apareceu nas manifestações da deputada estadual Ana Júlia Ribeiro, que destacou a importância da juventude e das comunidades periféricas na construção de alternativas para enfrentar os impactos da crise climática e ampliar o acesso à cultura.

A deputada federal Gleisi Hoffmann, uma das principais lideranças políticas do Paraná e pré-candidata ao Senado em 2026, acompanhou o lançamento ao lado da ministra e reforçou a importância dos investimentos federais voltados ao fortalecimento dos territórios populares.

Mais do que um lançamento institucional, o encontro buscou demonstrar como diferentes políticas públicas podem atuar de forma integrada. Em Colombo, o Territórios Verdes da Cultura passa a dialogar com programas já existentes, como o Periferias Verdes Resilientes e o Periferia Viva, ampliando a conexão entre cultura, desenvolvimento social e adaptação aos eventos climáticos extremos.

Projetos locais ganham espaço

A cerimônia também contou com a participação de iniciativas que já atuam diretamente nas comunidades da Região Metropolitana.

Entre elas estavam o Comitê de Cultura do Paraná, responsável por facilitar o acesso de artistas e agentes culturais a políticas públicas e mecanismos de financiamento; o Laboratório de Cultura Digital da Universidade Federal do Paraná (LabCD-UFPR), dedicado à construção de soluções ligadas à cultura digital; e o Projeto Arvoredo, que desenvolve ações de infraestrutura verde no Jardim das Graças II, em Colombo.

Para João Paulo Mehl, diretor do Coletivo Soylocoporti, uma das organizações envolvidas nas atividades, a presença da ministra representa o fortalecimento da atuação federal nos territórios periféricos e reafirma a importância da integração entre cultura e meio ambiente.

Do litoral à Região Metropolitana

Antes de chegar a Colombo, Margareth Menezes cumpriu agenda em Paranaguá, no litoral paranaense. A ministra visitou o Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR e acompanhou apresentações ligadas ao fandango caiçara, uma das manifestações culturais mais tradicionais do Paraná.

A passagem pelo litoral e pela Região Metropolitana de Curitiba revelou duas faces complementares da política cultural brasileira: a preservação da memória e do patrimônio histórico, de um lado, e a construção de novos caminhos para o futuro das comunidades, de outro.

Em Colombo, a mensagem deixada pelo evento foi clara. Diante dos desafios ambientais que se tornam cada vez mais visíveis nas cidades brasileiras, a cultura deixa de ocupar apenas os palcos e centros culturais. Ela passa a fazer parte das estratégias de transformação social, educação ambiental e fortalecimento da vida comunitária. Meio ambiente também é cultura.

Gleisi Hoffmann, Sérgio Butka e Arilson Chiorato, pré-candidatos, respectivamente, a Senadora, Deputado Estadual e Deputado Federal, com o companheiro Nelsão da Força, no CEU das Artes de Colombo

James Webb revela exoplaneta extremo que chega a ser “assado” por sua estrela

Observações do telescópio espacial da NASA mostram mudanças radicais de temperatura e química em um gigante gasoso localizado fora do Sistema Solar

Em algum ponto distante da Via Láctea, um planeta gigante mergulha em direção à sua estrela como se estivesse em uma trajetória de autodestruição. A cada aproximação, sua atmosfera é submetida a um calor brutal. Nuvens podem desaparecer, moléculas se reorganizam e a temperatura dispara em poucas horas. Agora, graças ao Telescópio Espacial James Webb, os cientistas conseguiram observar esse fenômeno com um nível de detalhe sem precedentes.

Observações do telescópio espacial da NASA mostram mudanças radicais de temperatura e química em um gigante gasoso localizado fora do Sistema Solar Em algum ponto distante da Via Láctea, um planeta gigante mergulha em direção à sua estrela como se estivesse em uma trajetória de autodestruição. A cada aproximação, sua atmosfera é submetida a um calor brutal. Nuvens podem desaparecer, moléculas se reorganizam e a temperatura dispara em poucas horas. Agora, graças ao Telescópio Espacial James Webb, os cientistas conseguiram observar esse fenômeno com um nível de detalhe sem precedentes.
Concepção artística do exoplaneta HD 80606 b - NASA WEBB
O exoplaneta HD 80606 b apresentou um aumento de temperatura superior a 600°C durante sua passagem mais próxima da estrela, tornando-se um dos mundos mais extremos já estudados pelo James Webb.

O protagonista dessa descoberta é o exoplaneta HD 80606 b, um gigante gasoso com aproximadamente quatro vezes a massa de Júpiter. Diferentemente da maioria dos chamados "Júpiteres quentes", que orbitam muito próximos de suas estrelas, ele segue uma trajetória extremamente alongada, semelhante a um estilingue cósmico.

Essa órbita incomum faz com que o planeta passe longos períodos relativamente distante da estrela e, depois, mergulhe rapidamente em sua direção. Durante essa aproximação, conhecida pelos astrônomos como periastron, o calor aumenta de forma dramática.

Os dados obtidos pelo James Webb revelaram que a temperatura do planeta sobe cerca de 1.100 graus Fahrenheit — aproximadamente 610 graus Celsius — durante esse processo. O resultado é uma transformação atmosférica intensa, capaz de alterar a composição química e a formação de nuvens praticamente em tempo real.

Segundo a pesquisadora Tiffany Kataria, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, HD 80606 b já era considerado um dos exoplanetas mais extremos conhecidos, mas as novas observações mostraram que o comportamento do planeta é ainda mais impressionante do que se imaginava.

Para estudar o fenômeno, a equipe utilizou o instrumento MIRI (Mid-Infrared Instrument), especializado em observações no infravermelho. A técnica empregada foi a espectroscopia, que permite decompor a luz em diferentes comprimentos de onda para identificar substâncias químicas, medir temperaturas e compreender propriedades físicas dos corpos celestes.

Os cientistas acompanharam o planeta antes, durante e depois da passagem mais próxima da estrela. A operação exigiu anos de planejamento, já que HD 80606 b completa uma órbita a cada 111 dias e o James Webb possui janelas específicas para observação, determinadas pela posição da Terra ao redor do Sol.

Embora a análise dos dados esteja apenas começando, os pesquisadores já identificaram sinais químicos importantes, incluindo moléculas como metano e dióxido de carbono. Essas informações poderão ajudar a compreender não apenas esse planeta específico, mas também dezenas de outros gigantes gasosos espalhados pela galáxia.

Os resultados foram apresentados durante a 248ª reunião da Sociedade Astronômica Americana, realizada em Pasadena, na Califórnia. Para os astrônomos, o conjunto de dados obtido pelo James Webb é tão rico que deverá gerar novos estudos por muitos anos.

O telescópio espacial, considerado atualmente o observatório científico mais avançado do mundo, continua ampliando o conhecimento humano sobre planetas distantes, sistemas estelares e as origens do próprio Universo. E, desta vez, mostrou que existem mundos onde o clima não muda apenas entre estações — ele pode se transformar radicalmente em questão de horas.

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Brasil amplia verba ambiental e registra maior investimento da série histórica no combate às queimadas

Com crédito extraordinário de R$ 337,5 milhões, governo federal reforça fiscalização, contratação de brigadistas e estrutura de combate aos incêndios florestais em todo o país

Reforço aumenta capacidade de prevenção e resposta aos incêndios florestais e eventos climáticos extremos
Foto: Vinícius Mendonça/Ibama

Com a liberação de R$ 337,5 milhões em crédito extraordinário, o governo federal afirma ter alcançado em 2026 o maior volume de recursos da série histórica para combate ao desmatamento, fiscalização ambiental e prevenção de incêndios florestais.

Quando a fumaça avança sobre o horizonte, ela costuma chegar antes das manchetes. Em muitos pontos do Brasil, especialmente durante os meses mais secos do ano, o fogo transforma paisagens inteiras, ameaça comunidades, afeta a fauna e coloca equipes de emergência diante de uma corrida contra o tempo.

Foi nesse cenário que o governo federal anunciou nesta segunda-feira (15) um novo reforço orçamentário para ações ambientais. Com a publicação da Medida Provisória nº 1.367/2026, foram liberados R$ 337,5 milhões em crédito extraordinário para fortalecer o combate ao desmatamento, a fiscalização ambiental e a prevenção de incêndios florestais.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o aporte faz com que o orçamento destinado a essas ações alcance o maior volume da série histórica. De acordo com os dados oficiais, o montante disponível em 2026 supera em 24% os recursos registrados em 2025, que até então representavam o maior patamar de investimento na área.

Os recursos serão executados pelo Ibama e pelo ICMBio, órgãos responsáveis por grande parte das operações de fiscalização ambiental e proteção das unidades de conservação federais.

Do total anunciado, R$ 194,4 milhões serão destinados ao Ibama. O valor deverá financiar operações de campo, contratação de brigadistas temporários, aquisição de equipamentos de proteção individual, deslocamento de equipes e locação de aeronaves utilizadas no combate ao fogo e em ações de fiscalização.

Já o ICMBio receberá R$ 143,1 milhões para ampliar o monitoramento ambiental, reforçar equipes, adquirir equipamentos e fortalecer a estrutura operacional nas unidades de conservação espalhadas pelo país.

A medida ocorre em um momento de preocupação crescente com os efeitos das mudanças climáticas. Ondas de calor mais intensas, períodos prolongados de estiagem e eventos climáticos extremos vêm aumentando o risco de incêndios florestais em diferentes regiões brasileiras.

Nos últimos anos, o governo federal também ampliou o número de brigadistas. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o contingente mobilizado para 2026 soma 4.410 profissionais, o maior já contratado pela União para esse tipo de operação. A estrutura inclui ainda 19 helicópteros, 18 aviões para lançamento de água, uma aeronave para transporte de brigadistas, veículos especiais e bases operacionais de apoio.

Outro eixo da estratégia envolve recursos do Fundo Amazônia. Desde 2023, foram aprovados R$ 405 milhões para apoiar os Corpos de Bombeiros dos estados da Amazônia Legal. A partir de 2025, o financiamento também passou a contemplar ações de prevenção e combate a incêndios no Cerrado e no Pantanal.

A nova liberação de recursos também atende determinações do Supremo Tribunal Federal relacionadas ao fortalecimento das políticas públicas de prevenção e enfrentamento dos incêndios florestais na Amazônia e no Pantanal.

Além dos investimentos operacionais, o governo destaca a implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, sancionada em 2024, que busca coordenar ações entre União, estados, municípios, produtores rurais, pesquisadores e organizações da sociedade civil.

Dados divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente apontam que, em 2025, a área queimada no Brasil ficou 39% abaixo da média registrada entre 2017 e 2024. No mesmo período, a redução teria alcançado 91% no Pantanal e 75% na Amazônia, segundo levantamento citado pelo governo com base em estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Com a aproximação do período mais crítico para queimadas em diversas regiões do país, a expectativa é que o reforço financeiro amplie a capacidade de resposta das equipes em campo. O desafio, entretanto, continua proporcional às dimensões continentais do território brasileiro e aos impactos cada vez mais visíveis das mudanças climáticas sobre os biomas nacionais.

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Eduardo Bolsonaro é condenado pelo STF e fica inelegível por oito anos

Decisão unânime da Primeira Turma impõe pena de prisão, perda do cargo na Polícia Federal e amplia os impactos políticos sobre o futuro do bolsonarismo

Decisão unânime da Primeira Turma impõe pena de prisão, perda do cargo na Polícia Federal e amplia os impactos políticos sobre o futuro do bolsonarismo
Flávio e Eduardo Bolsonaro, ambos do PL, em frente à Casa Branca, nos EUA - Reprodução/Instagram

A história da política brasileira ganha mais um capítulo de forte repercussão. Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto, além de decretar sua inelegibilidade por oito anos e a perda do cargo de escrivão da Polícia Federal.

A decisão foi tomada por quatro votos a zero, acompanhando o entendimento do relator, ministro Alexandre de Moraes. Também votaram pela condenação os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.

Segundo a acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo Bolsonaro teria atuado junto ao governo dos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e tentar influenciar o andamento dos processos envolvendo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado anteriormente pelo STF no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.

Para os ministros da Corte, houve elementos suficientes para caracterizar o crime de coação no curso do processo. O julgamento considerou, entre outros pontos, a articulação de medidas adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil, incluindo tarifas sobre produtos brasileiros, restrições de vistos e sanções econômicas aplicadas com base na chamada Lei Magnitsky.

A condenação de Eduardo Bolsonaro reacende o debate sobre os limites da atuação política internacional de agentes públicos brasileiros e adiciona um novo elemento de incerteza ao futuro eleitoral do bolsonarismo.

Durante o julgamento, o subprocurador-geral da República, Antônio Edilio Magalhães Teixeira, sustentou que as ações atribuídas a Eduardo Bolsonaro tinham o objetivo de constranger instituições brasileiras e interferir no andamento dos processos judiciais em curso.

A defesa, realizada pela Defensoria Pública da União (DPU), apresentou uma tese oposta. O defensor público federal Esdras dos Santos Carvalho argumentou que Eduardo não possuía qualquer poder de decisão sobre a política externa dos Estados Unidos e que sua atuação se limitou a interlocuções políticas e manifestações públicas de opinião.

Atualmente vivendo nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro já havia perdido o mandato parlamentar após sucessivas ausências às sessões da Câmara dos Deputados. Na prática, a execução da pena enfrenta obstáculos enquanto ele permanecer fora do Brasil.

Impactos políticos

Além dos efeitos jurídicos, a condenação abre uma nova frente de discussão sobre o futuro político do grupo liderado pela família Bolsonaro, que no Paraná tem o senador Sérgio Moro como candidato ao Governo do Estado.

Analistas observam que a decisão pode aumentar as dificuldades de expansão eleitoral do bolsonarismo para além de sua base mais fiel. Ao mesmo tempo, apoiadores do ex-presidente tendem a interpretar o julgamento como mais um episódio de perseguição política, reforçando a mobilização do núcleo duro do movimento conservador.

A situação também produz reflexos sobre os projetos eleitorais da família para 2026. Eduardo era visto como um dos principais articuladores internacionais do bolsonarismo e um aliado estratégico de eventuais candidaturas ligadas ao grupo. Sua condenação e inelegibilidade reduzem seu espaço de atuação política institucional e transferem ainda mais atenção para as disputas judiciais envolvendo o entorno do ex-presidente.

Entre os desdobramentos observados por analistas está o possível impacto sobre a pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro. A avaliação predominante é que novos episódios judiciais envolvendo integrantes da família podem dificultar a conquista de eleitores moderados e indecisos, embora também tenham potencial para fortalecer a identificação da base bolsonarista mais fiel.

Enquanto apoiadores e críticos travam uma nova batalha de narrativas nas redes sociais, a decisão da Suprema Corte marca mais um capítulo da longa crise política iniciada após as eleições de 2022 — uma disputa altamente polarizada, que continua produzindo desdobramentos capazes de influenciar diretamente o cenário eleitoral brasileiro nos próximos anos.

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terça-feira, 16 de junho de 2026

Sérgio Butka é indicado pré-candidato à deputado estadual

Sindicalistas ligados à Força Sindical do Paraná e Metalúrgicos da Grande Curitiba aprovam regimento de candidatura coletiva e indicam seu principal líder, Sérgio Butka pré-candidato a Deputado Estadual para defender os direitos dos trabalhadores, questões sociais e atendimento aos mais necessitados

Sindicatos ligados à Força Sindical do Paraná e Metalúrgicos da Grande Curitiba aprovam regimento de candidatura coletiva e indicam seu principal líder, Sérgio Butka pré-candidato a Deputado Estadual para defender os direitos dos trabalhadores, questões sociais e atendimento aos mais necessitados

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) e da Força Sindical Paraná, Sérgio Butka (PT), teve nesta terça-feira (16) seu nome indicado como pré-candidatura a deputado estadual. A indicação partiu de lideranças sindicais, representantes de categorias organizadas dos metalúrgicos da RMC e dirigentes ligados ao movimento sindical paranaense.

O regimento de candidatura coletiva apresentado por Butka vai além da disputa eleitoral. Caso seja eleito para a Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), o dirigente pretende implementar um modelo de mandato coletivo, com participação efetiva das lideranças sindicais do Paraná na definição das ações parlamentares. 

Segundo o regimento divulgado, a estrutura será formada por comitês regionais distribuídos em diferentes regiões do Estado, incluindo Curitiba e Região Metropolitana, Litoral, Norte, Oeste e Campos Gerais. A ideia é que representantes dessas regiões participem da construção das pautas legislativas, da definição de prioridades e do acompanhamento do mandato.

“Essa candidatura nasce da organização dos trabalhadores. O objetivo é construir um mandato que represente coletivamente quem produz a riqueza do Paraná e que historicamente teve pouca participação nos espaços de decisão política”, afirmou Butka.

Com trajetória consolidada no movimento sindical, Butka está à frente do SMC, uma das maiores entidades sindicais do Paraná, e também preside a Força Sindical no estado. Ao longo dos últimos anos, participou de grandes vitórias para a classe trabalhadora paranaense. Foram várias negociações salariais, campanhas pela manutenção de empregos e debates sobre desenvolvimento industrial ligado à empregabilidade.

O modelo de mandato coletivo apresentado prevê que as principais decisões políticas sejam discutidas por um conselho formado por lideranças sindicais e representantes regionais. A proposta também inclui mecanismos de prestação de contas periódica e participação das bases na definição de prioridades para investimentos públicos e destinação de recursos parlamentares.

Aliança política para 2026

De acordo com o dirigente Nelson Silva, o Nelsão da Força, as lideranças resolveram indicar Sérgio Butka como pré-candidato a Deputado Estadual, por ele ser a principal liderança do movimento sindical no Paraná. O foco do coletivo é a defesa dos direitos dos trabalhadores, atenção às causas e questões sociais, bem como promover o atendimento aos mais necessitados e nenhum direito a menos.

O coletivo nasce em alinhamento político com o projeto da reeleição do presidente Lula, o apoio à pré-candidatura da ministra Gleisi Hoffmann ao Senado Federal, com a participação efetiva na construção da aliança política no Paraná, em torno do nome do deputado estadual Requião Filho (PDT) para o Governo do Estado.

Segundo Nelsão da Força, a proposta busca fortalecer um projeto político voltado ao fortalecimento do movimento sindical, à valorização do trabalho e principalmente do trabalhador, à geração de mais empregos através do desenvolvimento industrial do estado. Um coletivo que vai ampliar a participação popular nas decisões públicas.

Dirigentes sindicais e lideranças políticas ouvidas pelo Sulpost destacaram que o Paraná vive um momento de reorganização das forças progressistas para as eleições que se avizinham. As lideranças defendem a construção de uma frente política capaz de reunir os sindicalistas, movimentos sociais e partidos comprometidos com a defesa dos trabalhadores. Uma frente Progressista ampla, em defesa das trabalhadores e trabalhadores.

O coletivo de Butka integra as articulações políticas que começam a ganhar forma, e que certamente tem a força e o fôlego necessários para vencer a disputa eleitoral de 2026, quando as brasileiras e brasileiros, escolherão governador, senadores, deputados federais e deputados estaduais.

Quem é Sérgio Butka

Metalúrgico e dirigente sindical, Sérgio Butka preside o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) e da Força Sindical Paraná. É reconhecido há décadas por sua atuação em varias negociações coletivas. 

Butka foi protagonista de inúmeras vitórias para a classe metalúrgica paranaense e é reconhecido pela defesa firme das pautas relacionadas ao emprego, à valorização salarial, melhores condições de trabalho, desenvolvimento industrial, econômico e principalmente pela qualidade de de vida da trabalhadora e do trabalhador paranaense.

A crise climática já bate à porta da infância: 1,1 bilhão de crianças vivem sob múltiplas ameaças ambientais

Novo relatório do Unicef revela que quase metade das crianças e adolescentes do planeta está exposta simultaneamente a secas, ondas de calor, enchentes e outros eventos extremos. No Brasil, 16 milhões enfrentam três ou mais riscos climáticos

 
Novo relatório do Unicef revela que quase metade das crianças e adolescentes do planeta está exposta simultaneamente a secas, ondas de calor, enchentes e outros eventos extremos. No Brasil, 16 milhões enfrentam três ou mais riscos climáticos

O calor chega mais cedo. A chuva, quando vem, muitas vezes vem demais. Em algumas regiões, a seca se prolonga por meses. Em outras, enchentes transformam ruas em rios da noite para o dia. Para milhões de crianças ao redor do planeta, essas cenas deixaram de ser exceção e passaram a fazer parte da rotina.

Um novo alerta divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostra a dimensão desse fenômeno. Segundo o Relatório de Risco Climático das Crianças 2026, lançado nesta semana, quase metade das crianças e adolescentes do mundo — cerca de 1,1 bilhão de pessoas — está exposta simultaneamente a pelo menos três ameaças climáticas capazes de comprometer sua saúde, educação, segurança alimentar e até mesmo sua sobrevivência.

O levantamento revela uma realidade preocupante: praticamente todas as crianças do planeta convivem hoje com ao menos um risco relacionado às mudanças climáticas. Em casos mais extremos, mais de 4 milhões de meninos e meninas enfrentam até seis ameaças diferentes ao mesmo tempo.

No Brasil, os números também chamam atenção. Segundo o estudo, aproximadamente 16 milhões de crianças e adolescentes brasileiros vivem em áreas sujeitas a três ou mais riscos climáticos, como secas prolongadas, calor extremo e ondas de calor. O número representa cerca de três em cada dez crianças do país.

Quando o critério considera a exposição a dois ou mais riscos climáticos, o contingente sobe para mais de 30 milhões de crianças e adolescentes — o equivalente a seis em cada dez brasileiros nessa faixa etária.

Onde a infância encontra a emergência climática

O relatório utilizou os dados mais recentes disponíveis para mapear oito ameaças climáticas consideradas recorrentes em diferentes regiões do planeta: enchentes costeiras, secas, calor extremo, queimadas, ondas de calor, enchentes fluviais, tempestades de areia e poeira e tempestades tropicais.

Pela primeira vez, o estudo consegue mostrar com precisão onde essas ameaças se sobrepõem e de que forma afetam os serviços públicos essenciais dos quais as crianças dependem diariamente, como escolas, hospitais, abastecimento de água e sistemas de proteção social.

A diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, destaca que os efeitos das mudanças climáticas já interferem diretamente na vida de milhões de crianças.

Ondas de calor cada vez mais intensas, incêndios florestais, enchentes e secas prolongadas não representam apenas eventos meteorológicos. Eles interrompem aulas, aumentam doenças, afetam a produção de alimentos e ampliam situações de vulnerabilidade social.

A combinação mais comum: seca e calor

Entre todos os cenários analisados, a combinação mais frequente é formada por seca, calor extremo e ondas de calor.

Mais de 296 milhões de crianças vivem sob essa tripla ameaça.

Já a segunda combinação mais comum — seca, calor extremo e tempestades tropicais — afeta mais de 115 milhões de crianças e adolescentes em diversas partes do mundo.

Na região africana do Sahel, uma das mais vulneráveis aos impactos climáticos, mais de 4 milhões de crianças enfrentam simultaneamente ondas de calor, temperaturas extremas e tempestades de areia.

Na Ásia, países como Bangladesh, Mianmar e Paquistão concentram algumas das situações mais críticas identificadas pelo levantamento, reunindo alta intensidade e grande número de ameaças climáticas sobrepostas.

Mas os impactos não se restringem aos países mais pobres. Na Itália, por exemplo, mais de 6 milhões de crianças e adolescentes estão expostos simultaneamente a secas e ondas de calor prolongadas.

Um risco invisível que atinge quase todas as crianças

Além dos eventos climáticos extremos, o estudo também analisou dois fatores fortemente influenciados pelas mudanças do clima: a poluição do ar e a malária. Os resultados mostram que a poluição atmosférica afeta praticamente todas as crianças do planeta.

No Brasil, cerca de 47 milhões de crianças e adolescentes — aproximadamente 95% da população infantil — vivem expostos à poluição do ar. Já a malária continua sendo uma ameaça relevante. Segundo o relatório, cerca de 5,6 milhões de crianças brasileiras estão em áreas vulneráveis à doença.

Quando esses fatores se somam aos eventos climáticos extremos, criam uma camada adicional de risco para uma população que já se encontra entre as mais vulneráveis.

O futuro ainda pode ser alterado

O relatório faz um alerta direto: sem uma redução urgente das emissões de gases de efeito estufa, os eventos climáticos extremos tendem a se tornar mais frequentes, mais severos e mais caros para governos e sociedades. O resultado pode ser uma pressão crescente sobre sistemas de saúde, educação, saneamento e assistência social, comprometendo o desenvolvimento de toda uma geração.

Para enfrentar esse cenário, o Unicef defende uma combinação de medidas que inclui a redução gradual do uso de combustíveis fósseis, investimentos em energias renováveis, fortalecimento de escolas e unidades de saúde resilientes ao clima, ampliação dos sistemas de alerta antecipado, segurança alimentar e acesso à água potável.

O organismo também destaca a importância de incluir crianças e adolescentes nas decisões relacionadas ao enfrentamento da crise climática. Mais do que vítimas de um problema global, eles serão os adultos que herdarão seus efeitos. E, segundo o alerta do Unicef, o tempo para agir já começou a correr.

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Carne sem abate: o Brasil avança numa tecnologia que pode mudar a forma como o mundo produz alimentos

Pesquisas da Embrapa colocam o país na corrida global da carne cultivada em laboratório, uma inovação que promete reduzir impactos ambientais, mas ainda enfrenta desafios técnicos, econômicos e culturais

Carne sem abate: o Brasil avança numa tecnologia que pode mudar a forma como o mundo produz alimentos. Pesquisas da Embrapa colocam o país na corrida global da carne cultivada em laboratório, uma inovação que promete reduzir impactos ambientais, mas ainda enfrenta desafios técnicos, econômicos e culturais

Imagine entrar em um supermercado daqui a alguns anos e encontrar na prateleira um filé de frango que nunca veio de um abatedouro. Nenhum animal foi criado para aquele produto. Nenhum pasto foi aberto para produzi-lo. Ainda assim, trata-se de carne de verdade.

O que parece roteiro de ficção científica já está sendo desenvolvido em laboratórios brasileiros. E não por uma startup do Vale do Silício, mas pela Embrapa, uma das instituições mais respeitadas da pesquisa agropecuária mundial.

O anúncio recente dos avanços brasileiros em carne cultivada colocou o país em uma disputa tecnológica que reúne cientistas, empresas e governos de diferentes continentes. A questão não é apenas produzir um novo alimento. O que está em jogo é a possibilidade de transformar profundamente a forma como a humanidade produz proteína animal.

O que é a carne cultivada?

A técnica começa com uma pequena coleta de células de um animal vivo, procedimento semelhante a uma biópsia. Essas células então são levadas para um ambiente controlado, onde recebem oxigênio, nutrientes, aminoácidos, sais minerais e glicose, tudo o que elas precisam para crescer. Ali elas se multiplicam até formar tecido muscular, o mesmo encontrado na carne tradicional.

Em vez de criar milhares de animais durante meses ou anos, a proposta é produzir carne diretamente a partir das células. Segundo a veterinária Naiara Milagres Augusto da Silva, analista da Embrapa, disse à EBC, os pesquisadores conseguem selecionar os tipos celulares desejados e multiplicá-los em grande escala para formar o produto final.

"Conseguimos isolar as diferentes células que compõem o tecido muscular vivo e multiplicar em grande quantidade aquelas que interessam para a produção da carne", explica a pesquisadora.

Não basta criar células. É preciso criar carne.

Um dos desafios mais complexos não é fazer as células crescerem. É fazer com que elas se organizem de forma semelhante à encontrada na natureza. Para isso, os cientistas utilizam estruturas microscópicas chamadas scaffolds, que funcionam como uma espécie de suporte para o crescimento celular.

Essas estruturas ajudam a determinar características fundamentais do produto final, como textura, firmeza, retenção de água e até mesmo a sensação durante a mastigação.

Em outras palavras: produzir células é relativamente simples. Produzir algo que realmente lembre um filé ou uma linguiça continua sendo um dos grandes desafios científicos da área.

O papel das proteínas vegetais

Outra frente importante da pesquisa brasileira acontece no Laboratório de Nanobiotecnologia da Embrapa, em Brasília. Lá, os pesquisadores desenvolvem biomateriais feitos a partir de proteínas vegetais que servem de base para o crescimento das células animais.

As estruturas são tão pequenas que parecem folhas de papel quando vistas a olho nu. No microscópio, revelam uma superfície cheia de poros que imita a matriz natural existente dentro dos organismos vivos.

O mesmo laboratório também produz, em caráter experimental, alimentos impressos em 3D com base vegetal, incluindo versões de carne vermelha, salmão, caviar e lula.

A estratégia é clara: reduzir ao máximo a dependência de insumos de origem animal durante o processo produtivo.

Por que o mundo está investindo bilhões nessa tecnologia?

A principal resposta está no meio ambiente. A pecuária tradicional ocupa grandes áreas de terra, demanda enormes volumes de recursos naturais e contribui para a emissão de gases de efeito estufa, especialmente o metano liberado pelos animais ruminantes.

Se a carne cultivada conseguir atingir escala industrial, os benefícios podem ser significativos.

  • Redução das emissões de metano;
  • Menor pressão sobre áreas de floresta;
  • Menor necessidade de expansão de pastagens;
  • Redução do uso de recursos naturais;
  • Produção de proteína animal em ambientes controlados.

Para muitos pesquisadores, trata-se de uma ferramenta potencialmente importante no enfrentamento das mudanças climáticas.

Mas existem dúvidas e limitações

O entusiasmo em torno da carne cultivada não elimina os desafios. O primeiro deles é econômico. Produzir alguns quilos em laboratório já é realidade. Produzir milhares de toneladas a preços acessíveis ainda está longe de ser uma tarefa simples.

Há também a questão energética. Os biorreatores utilizados no processo precisam funcionar continuamente. Se a energia utilizada vier de fontes fósseis, parte dos benefícios ambientais pode ser reduzida.

Outro obstáculo é cultural. Muitas pessoas demonstram curiosidade sobre a novidade. Outras enxergam a ideia com desconfiança. A aceitação do consumidor será tão importante quanto os avanços científicos.

E a fome no mundo?

Embora a tecnologia seja frequentemente associada ao combate à fome, especialistas fazem uma ressalva importante. O planeta já produz alimentos suficientes para alimentar a população mundial. O problema está principalmente na desigualdade, na pobreza, nos conflitos e nas dificuldades de distribuição.

A carne cultivada poderá ampliar a oferta de proteínas e tornar a produção mais eficiente. Mas dificilmente resolverá sozinha um problema que é também econômico, político e social.

Brasil entra na corrida global

Países como Singapura, Estados Unidos, Israel, Austrália e Países Baixos já possuem projetos avançados e estruturas regulatórias para a carne cultivada. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou em 2023 as regras para avaliação desses produtos, criando as bases para futuras aplicações comerciais.

Enquanto isso, a Embrapa trabalha para transformar pesquisas em tecnologias capazes de chegar ao setor produtivo. Entre os projetos mais próximos da aplicação prática está uma película comestível destinada ao revestimento de embutidos produzidos por meio da técnica de carne cultivada. A expectativa é que o produto esteja pronto para transferência tecnológica em 2027.

Revolução silenciosa

Por enquanto, a carne cultivada continua longe das gôndolas brasileiras. Ainda há barreiras técnicas, econômicas e regulatórias a superar. 

Mas algo importante já está acontecendo dentro dos laboratórios. Pela primeira vez na história, cientistas trabalham seriamente para produzir carne sem depender da criação em larga escala de animais. É uma mudança de paradigma que parecia impossível há apenas duas décadas.

Talvez a tecnologia nunca substitua completamente a pecuária tradicional. Talvez venha apenas para complementar a produção de alimentos. Mas uma coisa já parece evidente: o futuro da comida começou a ser desenhado muito antes de chegar ao prato. E o Brasil não pretende assistir essa transformação da arquibancada.

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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Lula e Macron reforçam parceria estratégica entre Brasil e França durante encontro no G7

Encontro, na França, abordou defesa, soberania digital, cooperação na Amazônia e os 20 anos da UNITAID

Presidentes Lula e Macron se encontram durante cúpula do G7, na França - Ricardo Stuckert/PR

ÉVIAN-LES-BAINS (FRANÇA) — Em meio à programação da Cúpula do G7, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta segunda-feira (15) com o presidente francês Emmanuel Macron em um encontro que reforçou a parceria estratégica entre os dois países e abriu espaço para discussões sobre defesa, tecnologia, integração regional e saúde global.

Ao comentar a reunião em suas redes sociais, Lula agradeceu o convite para participar da cúpula e lembrou um momento simbólico de sua trajetória internacional.

"Recordei que foi aqui em Évian, em 2003, que participei pela primeira vez de uma cúpula do grupo."

A referência remete ao início da participação brasileira em encontros ampliados das maiores economias do mundo. Mais de duas décadas depois, Lula retorna ao mesmo local em um cenário internacional marcado por disputas tecnológicas, desafios climáticos e transformações geopolíticas.

Defesa e cooperação estratégica

Entre os temas centrais da conversa esteve a cooperação bilateral na área de defesa. Lula destacou os avanços obtidos por meio do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), considerado um dos projetos estratégicos mais importantes das Forças Armadas brasileiras.

Desenvolvido em parceria com a França, o programa envolve transferência de tecnologia, construção de submarinos convencionais e o desenvolvimento do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear.

Fala de Lula

"Na esfera bilateral, reiteramos os avanços positivos da cooperação em defesa, em especial o sucesso do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB)."

Amazônia e integração regional

Os dois presidentes também discutiram o aprofundamento da cooperação transfronteiriça entre o Amapá e a Guiana Francesa, território ultramarino da França localizado na América do Sul.

A região é considerada estratégica tanto para a integração regional quanto para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, compartilhada pelos dois países por meio da fronteira entre o estado brasileiro e o território francês.

Soberania digital entra na pauta

Um dos pontos que mais chamaram atenção na declaração divulgada após o encontro foi a discussão sobre tecnologia e soberania digital.

Segundo Lula, Emmanuel Macron manifestou interesse em participar dos esforços brasileiros voltados à aquisição de supercomputadores, infraestrutura considerada essencial para pesquisa científica, inteligência artificial, processamento de grandes volumes de dados e desenvolvimento tecnológico nacional.

Fala de Lula

"O presidente Macron reiterou o interesse da França em participar dos esforços brasileiros para a aquisição de supercomputadores, em reforço à soberania digital do Brasil."

A menção ao tema ocorre em um momento em que diversas nações buscam ampliar sua autonomia tecnológica diante da crescente importância da inteligência artificial e da infraestrutura digital estratégica.

20 anos da UNITAID

Outro assunto destacado por Lula foi o aniversário de 20 anos da UNITAID, organização internacional criada em 2006 com o objetivo de ampliar o acesso a medicamentos nos países em desenvolvimento.

O presidente brasileiro recordou que a iniciativa nasceu durante seu governo, em parceria com o então presidente francês Jacques Chirac.

Fala de Lula

"Um exemplo concreto de combate às desigualdades e de reafirmação da solidariedade internacional."

Parceria ampliada

O encontro entre Lula e Macron sinaliza a continuidade da aproximação entre Brasil e França em áreas consideradas estratégicas para os dois países. A agenda bilateral vem incorporando temas como defesa, tecnologia, desenvolvimento sustentável, integração regional e cooperação internacional.

Em um momento marcado pela corrida tecnológica global e pelas discussões sobre soberania digital, a sinalização francesa de colaborar com projetos brasileiros de supercomputação pode abrir um novo capítulo na relação entre os dois países.


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Ratinho pede para não depor no caso do Marroquino; Requião Filho confirma presença em audiência

Processo envolvendo o jornalista Esmael Morais volta a expor denúncias de suposto monitoramento ilegal no Paraná, tema que segue sem conclusão pública definitiva

 
Ratinho pede para não depor no caso do Marroquino; Requião Filho confirma presença em audiência. Processo envolvendo o jornalista Esmael Morais volta a expor denúncias de suposto monitoramento ilegal no Paraná, tema que segue sem conclusão pública definitiva.

Uma audiência marcada para esta terça-feira (16), em Curitiba, recoloca no centro do debate político paranaense um caso que mistura disputa judicial, denúncias de monitoramento ilegal, liberdade de imprensa e embates entre governo e oposição.

O governador Ratinho Junior (PSD) pediu à Justiça para não depor no chamado "caso do Marroquino", processo criminal envolvendo o jornalista Esmael Morais. O mesmo pedido foi apresentado pelo secretário-chefe da Casa Civil, João Carlos Ortega.

Segundo informações divulgadas pela defesa das autoridades, ambos sustentam que seus depoimentos não teriam relação direta com os fatos discutidos na ação. Como alternativa, solicitaram que, caso a magistrada mantenha a convocação, possam responder por escrito ou prestar informações sem comparecer presencialmente à audiência.

Do outro lado, o deputado estadual Requião Filho (PDT) confirmou que pretende comparecer para prestar depoimento. O parlamentar foi um dos primeiros a levar à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) questionamentos sobre denúncias envolvendo uma suposta estrutura de monitoramento instalada em órgãos do Estado.

O que está em discussão

Embora o processo em questão trate de suposta ofensa à honra, o caso acabou ganhando repercussão política por estar ligado a denúncias que vêm sendo discutidas há anos nos bastidores da política paranaense.

As suspeitas levantadas por setores da oposição envolvem a contratação, pelo Governo do Paraná, de tecnologia associada ao sistema FirstMile, ferramenta que também apareceu nas investigações da Polícia Federal sobre o escândalo conhecido nacionalmente como "Abin Paralela".

Na época, Requião Filho apresentou requerimentos e pedidos de esclarecimento sobre a aquisição do sistema e sobre a atuação da Diretoria de Inteligência da Controladoria-Geral do Estado (CGE), então comandada pelo marroquino naturalizado brasileiro Mehdi Mouazen.

As denúncias apontavam a necessidade de investigar se ferramentas de monitoramento poderiam ter sido utilizadas de forma indevida contra agentes públicos, jornalistas ou adversários políticos.

Importante: até o momento, não há conclusão pública definitiva que comprove a existência de uma estrutura ilegal de espionagem no Paraná. O que existe são denúncias políticas, questionamentos parlamentares, procedimentos de investigação e disputas judiciais envolvendo diferentes versões sobre os fatos. Investigações seguem em curso.

Governo nega irregularidades

Ao longo das discussões públicas sobre o tema, o Governo do Paraná e os envolvidos nas denúncias têm negado qualquer prática irregular relacionada ao uso de sistemas de inteligência ou monitoramento.

O debate, portanto, permanece aberto no campo político e judicial, sem uma conclusão definitiva que confirme as acusações apresentadas pela oposição.

Audiência pode ampliar repercussão

A expectativa em torno da audiência desta terça-feira vai além dos aspectos jurídicos do processo. Dependendo das decisões da Justiça sobre os depoimentos solicitados pela defesa, o caso poderá voltar a ocupar espaço relevante no debate político estadual.

Para a defesa de Esmael Morais, os depoimentos de autoridades públicas são importantes para o exercício do direito de defesa. Já os representantes de Ratinho Junior e João Carlos Ortega argumentam que a legislação prevê tratamento específico para autoridades convocadas como testemunhas.

O episódio também evidencia o contraste político entre os personagens envolvidos. Enquanto o governador busca ser dispensado do depoimento ou autorizado a responder por escrito, Requião Filho afirma que pretende comparecer pessoalmente para prestar esclarecimentos.

Independentemente do desfecho da audiência, o caso continua reunindo elementos sensíveis para a vida pública paranaense: liberdade de imprensa, transparência institucional, atividade de inteligência estatal e o papel das autoridades diante de questionamentos que seguem sob escrutínio político e judicial.

O caso segue, investigações continuam. A espionagem de cidadãos, jornalistas e autoridades por parte do Estado do Paraná não foi comprovada, ao menos por enquanto.

Certo é que a arapongagem, ou prática de espionar adversários políticos e ideológicos, é herança dos anos de chumbo da ditadura militar. Trata-se de uma prática inaceitável, por isso merece o acompanhamento não apenas da imprensa, mas de todos aqueles que vêem a privacidade do cidadão como direito inalienável e defendem a democracia.

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Justiça barra avanço da cassação de Renato Freitas e reforça debate sobre limites do decoro parlamentar

Decisão do Tribunal de Justiça do Paraná suspende tramitação do processo na Assembleia e destaca que episódio que originou o caso ocorreu fora do exercício do mandato

Arilson Chiorato, Renato Freitas e Gleisi Hoffman, no ato #RenatoFica, que reuniu milhares de apoiadores no centro de Curitiba - Reprodução/Instagram

Há momentos em que uma decisão judicial ultrapassa os limites de um processo específico e passa a levantar uma discussão maior sobre democracia, representação popular e os limites da atuação dos Poderes.

Foi exatamente isso que aconteceu na semana passada com o caso do deputado estadual Renato Freitas (PT), um dos parlamentares mais votados do Paraná e figura política identificada com pautas das periferias, da população negra e dos setores mais vulneráveis da sociedade.

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) determinou a suspensão do processo que poderia levar à cassação do mandato do deputado na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Com isso, a votação que estava prevista para ocorrer em plenário fica impedida até nova análise da Justiça.

O que motivou o processo

O procedimento disciplinar teve origem em uma briga registrada no Centro de Curitiba, em novembro de 2025. O episódio ocorreu fora das dependências da Assembleia e sem relação direta com atividades legislativas. Apesar disso, o caso foi levado ao Conselho de Ética da Alep, que concluiu pela recomendação de cassação do mandato por suposta quebra de decoro parlamentar.

Por maioria de votos, o colegiado entendeu que a conduta seria incompatível com o exercício da função pública. A defesa do deputado, por outro lado, sustentou desde o início que os fatos pertencem à esfera privada e não possuem vínculo com o exercício do mandato parlamentar.

O entendimento do Tribunal de Justiça

Ponto central da decisão: para o desembargador Rogério Luís Nielsen Kanayama, os fatos analisados não possuem relação direta com o exercício da atividade parlamentar, circunstância que se tornou um dos elementos relevantes para a suspensão do processo de cassação.

Ao conceder a liminar, o magistrado considerou ainda que uma eventual votação em plenário poderia produzir consequências imediatas e de difícil reversão, especialmente por envolver a perda do mandato e possíveis reflexos sobre os direitos políticos do parlamentar.

A decisão judicial não encerra definitivamente o caso, mas interrompe sua tramitação até que a discussão jurídica seja apreciada de forma mais ampla.

A divergência que marcou o processo

Um dos aspectos mais relevantes do caso é justamente a divergência entre os entendimentos adotados na esfera política e na esfera judicial.

Enquanto o Conselho de Ética entendeu que a ocorrência poderia caracterizar quebra de decoro parlamentar, manifestações registradas no âmbito do Judiciário apontaram que o episódio não decorreu do exercício do mandato nem de atividade legislativa.

Essa diferença de interpretação passou a ocupar o centro do debate jurídico e político em torno do futuro do mandato de Renato Freitas.

Mobilização popular

Eleito por dezenas de milhares de paranaenses, Renato Freitas construiu sua trajetória política associado à defesa de movimentos populares, comunidades periféricas e pautas ligadas ao combate ao racismo.

Por isso, a discussão em torno de uma eventual cassação ultrapassou os corredores da Assembleia e passou a mobilizar apoiadores, juristas e organizações da sociedade civil que acompanham o caso.

Com a decisão do Tribunal de Justiça do Paraná, o processo entra agora em uma nova etapa, na qual a discussão jurídica sobre a natureza dos fatos — e sua relação ou não com o exercício do mandato parlamentar — tende a ocupar papel decisivo.

Por enquanto, a consequência prática é clara: a cassação não poderá ser levada ao plenário da Assembleia Legislativa enquanto a liminar permanecer em vigor.

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“Isso cheira a maracutaia”: Requião Filho dispara contra governo, pedágio e Porto em entrevista à Band

Pré-candidato do PDT ao Governo do Paraná fez acusações contundentes, questionou obras da gestão Ratinho Jr. e prometeu uma mudança de rumo para o estado. Assista à entrevista completa e tire suas próprias conclusões

CURITIBA — Em uma entrevista marcada por críticas contundentes ao governo Ratinho Junior, ao novo modelo de pedágio e à condução de áreas estratégicas do Paraná, o deputado estadual e pré-candidato ao Governo do Estado, Requião Filho (PDT), apresentou na Band Paraná um discurso centrado na defesa do interior, da infraestrutura pública e do fortalecimento da presença do Estado na economia.

Ao longo da conversa, Requião Filho procurou se posicionar como uma alternativa ao atual grupo político que governa o Paraná há quase oito anos. O tom foi de oposição direta, especialmente quando abordou temas como saúde, educação, pedágio, Porto de Paranaguá e investimentos no interior do estado.

“Nós precisamos de um Estado com a mão forte que cuide de pessoas, não de grupos econômicos.”

Pedágio no centro das críticas

Um dos temas mais explorados pelo pré-candidato foi o novo modelo de concessões rodoviárias. Requião Filho afirmou que o sistema atualmente implantado repete problemas do antigo pedágio e acusou o governo estadual de não exercer a fiscalização necessária sobre as concessionárias.

“O modelo que temos hoje no Paraná é uma cópia do modelo antigo, com um pouquinho de purpurina e confete por cima.”

Segundo ele, obras previstas já estariam atrasadas e alguns contratos estariam sendo descumpridos. Também criticou o sistema de cobrança por fluxo livre (Free Flow), afirmando que a medida transfere responsabilidades para os usuários sem oferecer contrapartidas equivalentes.

“Já estão descumprindo o contrato, já estão recebendo mais do que deveriam e as obras já estão atrasadas.”

O interior como prioridade

Ao falar sobre suas viagens pelo Paraná, Requião Filho buscou desconstruir a imagem de prosperidade homogênea frequentemente associada ao estado. Para ele, há uma realidade distante dos grandes centros urbanos que não recebe a atenção necessária dos governos.

O deputado afirmou que muitos municípios continuam enfrentando dificuldades de acesso à educação, saúde, infraestrutura e oportunidades de emprego.

“Precisa de faculdade? Tem que ir embora do interior. Precisa de emprego? Tem que ir embora do interior. Precisa de hospital? Tem que pegar uma van e sair do interior.”

Segundo ele, a consequência é um processo contínuo de esvaziamento populacional das pequenas cidades, especialmente entre os jovens.

Saúde e educação

Na área da saúde, Requião Filho afirmou que o processo de regionalização perdeu força e que a população do interior continua sendo obrigada a percorrer grandes distâncias em busca de atendimento especializado.

Já sobre a educação, contestou os indicadores apresentados pelo governo estadual e disse que existem denúncias de manipulação de resultados para melhorar índices oficiais.

“Temos denúncias de professores que têm que alterar notas de alunos.”

Ele também criticou o avanço das plataformas digitais de ensino, argumentando que a tecnologia não pode substituir o papel dos educadores e nem ignorar as diferentes realidades regionais do Paraná.

“A plataformização da educação é bonita na propaganda. Na realidade, ela é dificultosa.”

Litoral e obras do governo

Apesar de elogiar intervenções como a revitalização da orla e a construção da Ponte de Guaratuba, o pré-candidato afirmou que as obras foram conduzidas com foco político e eleitoral.

Ao comentar a engorda da faixa de areia, afirmou que alertas técnicos teriam sido ignorados para garantir a entrega da obra antes do período eleitoral.

“Projeto mal feito. O mar levou mais de R$ 500 milhões embora.”

Sobre a Ponte de Guaratuba, disse que teria priorizado os acessos antes da execução da estrutura principal.

Porto de Paranaguá e acusações de falta de transparência

As declarações mais duras da entrevista surgiram quando o tema passou para o Porto de Paranaguá. Requião Filho afirmou que a administração portuária precisa ser mais transparente e defendeu investigações sobre denúncias envolvendo negócios realizados na área portuária.

“Hoje o Porto tem dono. Eu acho que o Porto tem que ser de todos os paranaenses.”

O deputado também mencionou denúncias relacionadas ao crime organizado e questionou negociações envolvendo terrenos públicos.

“Isso, para mim, cheira a maracutaia.”

Um discurso voltado para 2026

Ao encerrar a entrevista, Requião Filho reforçou a ideia de um governo voltado para a população, buscando contrastar sua proposta com o modelo que atribui ao atual grupo político no poder.

A entrevista faz parte da série promovida pela Band Paraná com os pré-candidatos ao Governo do Estado para as eleições de 2026 e oferece um primeiro retrato das linhas de discurso que deverão marcar a disputa eleitoral nos próximos meses.

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Operação do Gaeco mobiliza mil agentes e atinge organização criminosa em 34 cidades do Paraná

Megaoperação cumpre 559 mandados nesta segunda (15), o alvo é um grupo que atua de dentro dos presídios; Curitiba está entre as cidades com ações em andamento – operação ocorre após final de semana no qual PRF já havia apreendido mais de 3 toneladas de maconha ilegal nas estradas do Estado

 
Operação do Gaeco mobiliza mil agentes e atinge organização criminosa em 34 cidades do Paraná. Megaoperação cumpre 559 mandados nesta segunda (15), o alvo é um grupo que atua de dentro dos presídios; Curitiba está entre as cidades com ações em andamento – operação ocorre após final de semana no qual PRF já havia apreendido mais de 3 toneladas de maconha ilegal nas estradas do Estado
Reprodução Internet 

O dia amanheceu tenso para as forças de segurança no Paraná. Ainda antes do nascer do sol, viaturas começaram a circular por ruas, bairros e estradas de diversas regiões do estado. Em Curitiba e em outras 33 cidades paranaenses, agentes das forças de segurança saíram simultaneamente para cumprir uma das maiores operações contra o crime organizado já realizadas pelo Ministério Público do Paraná nos últimos anos.

Batizada de Operação Panóptico (Convergência Nacional PR-01), a ação foi deflagrada na manhã desta segunda-feira (15) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio integrado da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Polícia Científica. O objetivo é atingir uma organização criminosa com atuação dentro e fora do sistema prisional.

Mais de 500 mandados

Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público do Paraná, estão sendo cumpridos 559 mandados judiciais, dos quais 304 são de prisão e 255 de busca e apreensão.

A operação mobiliza aproximadamente 1.000 agentes de segurança, distribuídos em mais de 200 equipes, numa força-tarefa que se estende também para São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

Uma parcela significativa dos alvos já se encontra no sistema prisional. De acordo com os dados oficiais, 176 mandados de prisão e 92 mandados de busca foram executados dentro de unidades penais, resultado de investigações que apontam para a continuidade de atividades criminosas a partir do cárcere.

Curitiba entre os principais focos

No Paraná, os mandados são cumpridos em 34 municípios, incluindo Curitiba, São José dos Pinhais, Londrina, Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu, Ponta Grossa, Guarapuava, Paranavaí, Umuarama, Francisco Beltrão e Guaíra, entre outros.

As investigações foram conduzidas pelos dez núcleos regionais do Gaeco e vêm sendo desenvolvidas desde o final de 2025, envolvendo diferentes comarcas e órgãos do Poder Judiciário.

O que os investigadores procuram

De acordo com o Ministério Público, a meta não é apenas efetuar prisões.

Os investigadores buscam recolher documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos capazes de aprofundar as apurações sobre a estrutura da organização criminosa, seus integrantes e eventuais crimes ainda não esclarecidos.

A expectativa é que o material apreendido gere novos desdobramentos investigativos nos próximos meses.

O significado de "Panóptico"

O nome escolhido para a operação tem origem na palavra grega panóptico, que significa algo como "aquilo que tudo vê".

Segundo a explicação divulgada pelo próprio Ministério Público, o conceito remete à ideia de vigilância permanente e monitoramento constante, simbolizando a capacidade do Estado de acompanhar e identificar estruturas criminosas mesmo quando elas tentam atuar de forma oculta.

Atualização de última hora

Até a publicação desta reportagem, o Ministério Público ainda não havia divulgado um balanço consolidado das prisões efetivamente realizadas nem dos materiais apreendidos durante a operação.

Novas informações devem ser divulgadas ao longo do dia, incluindo números atualizados, possíveis flagrantes, apreensões e detalhes sobre a atuação da organização investigada.

O Sulpost acompanha os desdobramentos da Operação Panóptico e atualizará esta reportagem assim que novos dados oficiais forem divulgados pelas autoridades.

Cerco ao crime organizado se intensifica

A Operação Panóptico não acontece de forma isolada. Ela se soma a uma sequência de ações recentes das forças de segurança, estaduais e federais, que vêm ampliando a pressão sobre organizações criminosas e rotas de tráfico que cruzam o Paraná.

Na tarde de domingo (14), a Polícia Rodoviária Federal apreendeu quase 2,5 toneladas de maconha escondidas em meio a uma carga de aço durante uma fiscalização na BR-277, em Guarapuava, na região centro-sul do estado. Dois homens, de 39 e 42 anos, foram presos em flagrante. No dia anterior a PRF já havia apreendido um carregamento de cerca de 555 kg em Alto Paraíso, no Noroeste do Paraná.

Segundo a PRF, um dos suspeitos conduzia a carreta onde a droga estava escondida, enquanto o outro dirigia um automóvel utilizado como veículo batedor, responsável por monitorar o trajeto e alertar sobre eventual presença policial ao longo da rodovia. Ambos portavam pequenas porções de cocaína.

Durante a abordagem, os policiais encontraram vestígios de pó branco na cabine do caminhão. Questionado, o motorista admitiu ter feito uso de cocaína. Conforme as investigações iniciais, a carga teria saído de Foz do Iguaçu e teria como destino final a cidade de Curitiba.

Os dois presos deverão responder pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte de droga para consumo pessoal e condução de veículo sob efeito de substância psicoativa.

Somada à megaoperação deflagrada nesta segunda-feira pelo Gaeco, a apreensão reforça um cenário de endurecimento das ações de combate ao crime organizado no Paraná.

Enquanto a PRF atua para interromper corredores de tráfico nas rodovias federais, o MP e as forças estaduais avançam contra estruturas criminosas investigadas por manter atividades dentro e fora do sistema prisional. Os resultados das últimas 48 horas indicam que o cerco às organizações criminosas está cada vez mais apertado no estado.

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