Novo espaço do SESI Lab reúne espécies de quatro biomas brasileiros, promove educação ambiental, pesquisa científica e deve produzir toneladas de alimentos destinadas a projetos sociais
| Sesi Lab, museu de arte, ciência e tecnologia em Brasília, implanta sistema agroecológico educativo em sua área externa - Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil |
Entre os prédios monumentais de Brasília, uma nova paisagem começa a chamar a atenção. Em meio ao concreto da Esplanada dos Ministérios, árvores nativas, plantas alimentícias e sistemas agroflorestais passam a ocupar uma área que foi transformada em um verdadeiro laboratório vivo de sustentabilidade, num pomar urbano.
Inaugurado nesta semana pelo SESI Lab, o Cultiva Lab reúne natureza, ciência, arte e tecnologia em um mesmo espaço. A proposta é aproximar o público da biodiversidade brasileira e demonstrar, na prática, como a regeneração ambiental pode caminhar ao lado da inovação, da pesquisa e da educação.
Quatro biomas em um único espaço
O projeto ocupa uma área externa do museu de arte, ciência e tecnologia SESI Lab e reúne cerca de 340 mudas de aproximadamente 90 espécies nativas distribuídas entre quatro importantes biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga.
O plantio foi planejado para reproduzir as relações naturais encontradas nos ecossistemas, incluindo zonas de transição entre os biomas. Entre as espécies escolhidas estão a sumaúma, o açaí, o guaraná, o ipê, o pequizeiro, o pau-brasil e diferentes espécies de cactos.
Ao lado das árvores também serão cultivados alimentos de ciclo curto, como milho, mandioca, abóbora, hortaliças e ervas medicinais, ampliando a função educativa e produtiva do espaço.
Produção de alimentos com impacto social
Além de servir como ambiente de aprendizado e pesquisa, o Cultiva Lab terá uma função social concreta. A expectativa é que os sistemas agroflorestais produzam entre três e cinco toneladas de alimentos nos dois primeiros anos de funcionamento.
Segundo o SESI Lab, a produção será destinada inicialmente a cerca de dez instituições sociais por ano, unindo sustentabilidade, segurança alimentar e responsabilidade social em uma mesma iniciativa.
Agricultura regenerativa no coração de Brasília
O projeto utiliza princípios da agricultura regenerativa, modelo que busca restaurar a saúde do solo e fortalecer os processos naturais dos ecossistemas.
Para isso, o terreno receberá constante enriquecimento com matéria orgânica, favorecendo a retenção de água, o aumento da biodiversidade subterrânea e o desenvolvimento de organismos essenciais para a fertilidade do solo, como fungos, microrganismos e minhocas.
As medições ambientais também farão parte das pesquisas realizadas no local. A estimativa é que o sistema seja capaz de capturar aproximadamente 10 toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) por ano, gerando dados para estudos sobre regeneração ambiental e agroflorestas urbanas.
| Sesi Lab, museu de arte, ciência e tecnologia em Brasília, implanta sistema agroecológico - Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil |
Educação, ciência e arte em contato direto com a natureza
O Cultiva Lab, segundo informa a Agência Brasil, foi concebido para funcionar como um espaço vivo de aprendizagem. Estudantes poderão participar de visitas guiadas, oficinas, atividades de observação e até colheitas educativas, acompanhando o desenvolvimento das espécies ao longo do tempo.
Como o sistema continuará crescendo e se transformando nos próximos anos, as atividades também serão constantemente renovadas. A proposta é que cada fase do desenvolvimento das plantas ofereça novas experiências para visitantes, pesquisadores e educadores.
O projeto prevê ainda programas de residência para artistas e pesquisadores, que poderão desenvolver trabalhos relacionados à biodiversidade, captura de carbono, recuperação de áreas degradadas e sistemas agroflorestais.
Um convite à convivência com a natureza
Mais do que uma exposição permanente, o Cultiva Lab pretende provocar reflexão sobre a relação entre cidade, tecnologia e meio ambiente. Em um dos espaços públicos mais simbólicos do país, o projeto aposta na experiência direta com a natureza como ferramenta de conscientização e transformação.
Ao caminhar entre espécies de diferentes regiões do Brasil, os visitantes poderão observar processos ecológicos acontecendo em tempo real — uma lembrança de que a regeneração ambiental não é apenas um conceito debatido em conferências e relatórios, mas algo que pode ser construído, cultivado e compartilhado no cotidiano.











