22.7.26

Queimadas recuam 31% no Brasil em 2025; Amazônia tem menor área atingida em 41 anos

Relatório do MapBiomas mostra queda expressiva das áreas queimadas, mas alerta para a recorrência do fogo e os riscos à vegetação nativa

Fernando Frazão/Agência Brasil

Depois de um ano recorde de incêndios florestais, o Brasil respirou um pouco em 2025. O país registrou 12,7 milhões de hectares queimados, uma redução de 31% em relação à média histórica e quase metade da área devastada em 2024, segundo a segunda edição do Relatório Anual do Fogo no Brasil, divulgado pelo MapBiomas.

Amazônia registra a menor área queimada em 41 anos

O principal destaque do levantamento foi a Amazônia, que contabilizou 3,1 milhões de hectares queimados, a menor área atingida pelo fogo desde o início da série histórica, em 1985. O resultado interrompe uma sequência de crescimento das queimadas observada nos últimos anos.

Apesar da queda, Amazônia e Cerrado continuam concentrando a maior parte das áreas queimadas no país. Juntos, os dois biomas respondem por cerca de 86% de toda a área atingida pelo fogo desde 1985. Em 2025, o Cerrado permaneceu como o bioma mais afetado, com 8,7 milhões de hectares queimados.

Fogo continua voltando às mesmas áreas

O relatório, divulgado pela Agência Brasil, traz ainda um dado preocupante: 64% das áreas queimadas no Brasil desde 1985 foram atingidas pelo fogo mais de uma vez. Em mais da metade desses casos, um novo incêndio ocorreu em até quatro anos, reduzindo a capacidade de recuperação da vegetação.

Segundo os pesquisadores do MapBiomas, a recorrência das queimadas aumenta a degradação dos ecossistemas, ameaça a biodiversidade e torna biomas como a Amazônia ainda mais vulneráveis a incêndios de maior intensidade.

Maior impacto sobre a vegetação nativa

O estudo mostra que 71,5% de toda a área queimada nas últimas quatro décadas corresponde à vegetação nativa, enquanto 28,5% atingiram áreas utilizadas para atividades humanas, como pastagens e agricultura.

Mato Grosso, Pará e Maranhão concentram quase metade de toda a área queimada registrada no Brasil desde 1985, reforçando a necessidade de políticas permanentes de prevenção, monitoramento e manejo integrado do fogo.

  • Com informações do Relatório Anual do Fogo no Brasil 2025 (MapBiomas)

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Caminhão fica preso na Ponte Preta mais uma vez

Ocorrência desta terça (21) reacende debate sobre soluções para um problema que Curitiba enfrenta há décadas

Bastaram alguns centímetros para que uma cena conhecida voltasse a se repetir no Centro de Curitiba. Um caminhão ficou preso sob a histórica Ponte Preta, na Rua João Negrão, ao lado do Shopping Estação, na tarde desta terça-feira (21), provocando lentidão no trânsito e reacendendo uma pergunta que acompanha gerações de curitibanos: até quando?

Motoristas reduziram a velocidade para observar o veículo encaixado sob a antiga ponte ferroviária. Pedestres registraram a cena com celulares. Agentes de trânsito precisaram organizar o fluxo até que fosse possível retirar o caminhão. Para quem passava pelo local, parecia mais um capítulo de uma história que insiste em se repetir. Infelizmente, era exatamente isso.

Um problema que atravessa décadas

A Ponte Preta faz parte da memória afetiva de Curitiba. Construída para integrar a antiga ferrovia Curitiba–Paranaguá, a estrutura metálica sobreviveu ao tempo, ao crescimento da cidade e à transformação do antigo complexo ferroviário, hoje ocupado pelo Shopping Estação e pelo Museu Ferroviário.

O que também atravessou as décadas foi outro personagem: os caminhões que ignoram ou não percebem a limitação de altura e acabam presos sob o viaduto.

Nos últimos anos, a cena tornou-se recorrente. Há registros semelhantes em 2022, 2023, 2024, 2025 e também em diversas ocasiões de 2026, mostrando que o episódio desta terça-feira está longe de ser um fato isolado.

Cada nova ocorrência produz praticamente o mesmo roteiro: caminhão preso, congestionamento, agentes de trânsito acionados, retirada do veículo e, dias depois, tudo volta ao normal... até o próximo caminhão.

Soluções existem

Curiosamente, as possíveis soluções são discutidas há muitos anos, inclusive pelos próprios moradores de Curitiba.

A alternativa mais lembrada é a instalação de um pórtico limitador de altura alguns metros antes da Ponte Preta. Se um caminhão atingir essa estrutura metálica, o motorista percebe imediatamente que não conseguirá passar sob o viaduto e pode desviar antes de bloquear a via.

Outra proposta recorrente é reforçar a sinalização com placas maiores, iluminação específica e painéis eletrônicos informando a restrição de altura.

Também há quem defenda o rebaixamento da pista sob a ponte. A solução exigiria estudos de engenharia, especialmente por causa da drenagem da região e da preservação do patrimônio histórico, mas é considerada tecnicamente possível por especialistas.

Uma quarta alternativa seria implantar sensores eletrônicos capazes de identificar veículos acima da altura permitida e acionar painéis luminosos ou semáforos antes que o caminhão alcance a ponte. Já a solução mais radical implica em proibir a passagem de caminhões por baixo da ponte que fica a poucas quadros da Câmara de Curitiba.

É possível levantar a Ponte Preta?

À primeira vista, elevar a estrutura parece a solução definitiva. Na prática, porém, trata-se da alternativa mais complexa.

A Ponte Preta integra o patrimônio ferroviário de Curitiba. Qualquer alteração estrutural exigiria projetos específicos de engenharia, licenciamento dos órgãos responsáveis pela preservação histórica e investimentos elevados.

Por isso, especialistas costumam apontar que impedir a chegada dos caminhões ao local é uma medida muito mais rápida, barata e eficiente.

Patrimônio histórico, desafio moderno

A Ponte Preta é muito mais do que um obstáculo para caminhões. Ela representa um período decisivo da história paranaense, quando a ferrovia impulsionou o desenvolvimento econômico do Estado e consolidou Curitiba como importante centro logístico.

Preservar esse patrimônio é essencial. Mas preservar também significa adaptar a cidade para que estruturas históricas convivam de forma segura com a mobilidade urbana do século XXI.

Enquanto isso não acontece, Curitiba continua convivendo com um problema conhecido, previsível e repetitivo.

O caminhão retirado nesta terça-feira certamente não será o último. A questão que permanece é outra: quantos ainda precisarão ficar presos para que uma solução definitiva saia do papel?

O Sulpost acompanha os principais temas da mobilidade urbana, patrimônio histórico e cidadania em Curitiba e no Paraná, valorizando o jornalismo independente e o debate sobre soluções para os desafios da cidade.

21.7.26

Lula mantém liderança, mas polarização continua dando o tom da eleição, mostra Real Time Big Data

Levantamento divulgado nesta terça-feira (21) indica vantagem do presidente no primeiro turno, enquanto o segundo turno permanece aberto por disputas dentro da margem de erro

 
Levantamento divulgado nesta terça-feira (21) indica vantagem do presidente no primeiro turno, enquanto o segundo turno permanece aberto e marcado por disputas dentro da margem de erro
Imagem gerada por inteligência artificial - Sulpost

A fotografia capturada pela mais recente pesquisa Real Time Big Data confirma um cenário que vem se desenhando há meses. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua na dianteira da corrida ao Palácio do Planalto, mas a eleição de 2026 ainda está longe de ter um desfecho definido.

No primeiro turno, Lula aparece com 40% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro (PL) vem em seguida, com 33%. Renan Santos soma 9%, Ronaldo Caiado registra 7% e Romeu Zema aparece com 4%. Os demais pré-candidatos ficam abaixo desses percentuais.

Uma liderança consistente, mas sem clima de "já ganhou"

Os números mostram que Lula permanece ocupando um espaço eleitoral bastante sólido. Não se trata apenas de aparecer na frente. O presidente tem conseguido preservar uma base de apoio que resiste ao desgaste natural de quem ocupa o governo e continua suficiente para mantê-lo na liderança nacional.

Ao mesmo tempo, a pesquisa não autoriza qualquer leitura triunfalista. Os levantamentos eleitorais medem o humor do eleitor naquele momento, e não antecipam o resultado das urnas. Ainda há campanha, debates, propaganda eleitoral e uma série de acontecimentos capazes de alterar o comportamento do eleitorado.

Mesmo assim, há um dado que chama atenção: Lula continua liderando sucessivas pesquisas de diferentes institutos. Quando levantamentos independentes começam a apontar uma mesma direção, deixa de ser apenas uma oscilação estatística e passa a indicar uma tendência do momento.

Segundo turno continua completamente aberto

O instituto também simulou quatro cenários de segundo turno.

  • Lula 45% x 42% Flávio Bolsonaro;
  • Lula 43% x 42% Ronaldo Caiado;
  • Lula 44% x 41% Romeu Zema;
  • Lula 46% x 37% Renan Santos.

Em três desses confrontos, a diferença permanece dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Na prática, isso significa que, embora Lula apareça numericamente à frente, ainda existe uma disputa competitiva.

O único cenário em que a vantagem ultrapassa a margem estatística é contra Renan Santos.

A rejeição mostra o tamanho da polarização

Outro indicador importante ajuda a explicar por que a eleição continua aberta.

  • Flávio Bolsonaro: 50% de rejeição;
  • Lula: 48%;
  • Ronaldo Caiado: 33%;
  • Renan Santos: 28%;
  • Romeu Zema: 27%.

Mais do que um simples número, a rejeição revela o tamanho da divisão política que o Brasil atravessa. Lula e Flávio concentram, ao mesmo tempo, os maiores índices de intenção de voto e também as maiores resistências.

Isso significa que ambos já convenceram praticamente seus eleitores mais fiéis, mas encontram dificuldades para ampliar suas fronteiras eleitorais. Em uma eleição tão polarizada, conquistar votos costuma ser mais difícil do que impedir que o adversário avance.

O que a pesquisa sugere

O levantamento reforça a impressão de que Lula chega à campanha oficial em posição confortável, mas não definitiva. A liderança permanece consistente, porém ainda insuficiente para transformar a eleição em uma disputa protocolar.

Também chama atenção o desempenho de Flávio Bolsonaro. Mesmo enfrentando a maior rejeição da pesquisa, ele continua competitivo e mantém vivo o bloco conservador, especialmente em um eventual segundo turno.

Em outras palavras, a pesquisa desenha um país que continua profundamente dividido. A vantagem hoje pertence a Lula, mas o resultado final dependerá da capacidade dos candidatos de dialogar justamente com aquele eleitor que ainda observa a campanha com alguma distância e pode decidir seu voto apenas nas semanas finais.

Metodologia: A pesquisa Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores entre os dias 18 e 20 de julho de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%Registro no TSE: BR-05864/2026.

Eleições 2026: Brasil terá 158,7 milhões de eleitores aptos a votar; prazo para voto em trânsito já está aberto

Cadastro eleitoral cresce em relação a 2022, participação de idosos aumenta e brasileiros que vivem no exterior registram forte expansão no eleitorado. Pedido de voto em trânsito pode ser feito até 20 de agosto

Eleições 2026: Brasil terá 158,7 milhões de eleitores aptos a votar; prazo para voto em trânsito já está aberto. Cadastro eleitoral cresce em relação a 2022, participação de idosos aumenta e brasileiros que vivem no exterior registram forte expansão no eleitorado. Pedido de voto em trânsito pode ser feito até 20 de agosto.

As urnas ainda estão a algumas semanas de distância, mas o retrato do eleitorado brasileiro para as eleições de 2026 já está definido. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que 158.745.463 brasileiros estão aptos a votar no primeiro turno, marcado para 4 de outubro. O número representa um crescimento de 2.291.452 eleitores em comparação com a eleição presidencial de 2022, avanço de 1,46%.

Mais do que uma estatística, esses números revelam um país em constante transformação. A fotografia do novo eleitorado mostra mudanças demográficas importantes, maior participação dos idosos, crescimento expressivo dos brasileiros residentes no exterior e uma expansão significativa do cadastro eleitoral na Região Norte.

Quando os brasileiros irão às urnas

O primeiro turno das eleições acontece no dia 4 de outubro, quando serão escolhidos presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais.

Se nenhum candidato à Presidência da República ou ao governo estadual alcançar mais de 50% dos votos válidos — excluídos os votos brancos e nulos — haverá segundo turno em 25 de outubro.

Região Norte lidera crescimento do eleitorado

Entre todas as regiões brasileiras, o Norte registrou o maior crescimento proporcional do eleitorado.

Foram 548.944 novos eleitores, elevando o total regional de 12,56 milhões para 13,1 milhões de pessoas aptas a votar, crescimento de 4,37% em apenas quatro anos.

O dado reforça a dinâmica populacional da região e amplia seu peso político nas decisões nacionais.

Brasileiros no exterior batem novo recorde

Também chamou atenção o aumento do número de brasileiros aptos a votar fora do país.

O eleitorado no exterior passou de 697.078 para 918.876 eleitores, alta de 31,82%. Quem mora fora do Brasil poderá votar exclusivamente para o cargo de presidente da República.

Mulheres continuam maioria nas urnas

As mulheres seguem representando a maioria do eleitorado brasileiro.

Em 2026 são 83.877.126 eleitoras, correspondendo a 52,84% do total de votantes. Em 2022 elas representavam 52,65% do cadastro eleitoral.

Cadastro revela uma fotografia mais completa da diversidade brasileira

Após as eleições de 2022, a Justiça Eleitoral passou a exigir o preenchimento das informações sobre raça e cor no cadastro eleitoral. Com isso, todas as categorias registraram crescimento significativo.

  • Pessoas autodeclaradas pardas: de 8,5 milhões para 16,9 milhões;
  • Pessoas pretas: de 1,8 milhão para 3,58 milhões;
  • Povos indígenas: crescimento de 84,47%, chegando a 287.157 eleitores;
  • Pessoas autodeclaradas brancas: 11,69 milhões de eleitores cadastrados.

Segundo o TSE, o aumento decorre principalmente da atualização cadastral realizada nos últimos anos.

Eleitorado está mais envelhecido

A maior concentração de eleitores está na faixa entre 40 e 44 anos, com quase 16 milhões de brasileiros.

Também houve crescimento expressivo da população com mais de 60 anos. São 4,56 milhões de idosos a mais em relação ao último pleito, fazendo com que essa faixa etária passasse de 21,02% para 23,60% do eleitorado nacional.

Na direção oposta, houve redução entre os eleitores de 21 a 34 anos, que passaram de 43,8 milhões para 41 milhões de pessoas.

Também caiu o número de jovens com até 18 anos aptos a votar, passando de 4,17 milhões para 3,57 milhões.

Prazo para solicitar voto em trânsito vai até 20 de agosto

Os eleitores que estiverem fora do município onde votam no dia da eleição já podem solicitar o voto em trânsito.

O pedido pode ser feito até 20 de agosto, pela internet, no portal da Justiça Eleitoral, ou presencialmente em qualquer cartório eleitoral.

O benefício está disponível nas capitais e nos municípios com mais de 100 mil eleitores.

Quem permanecer dentro do mesmo estado poderá votar para todos os cargos em disputa. Já quem estiver em outro estado poderá votar apenas para presidente da República.

Também será possível escolher cidades diferentes para votar no primeiro e no segundo turno.

Quem solicitar o voto em trânsito e não comparecer ao local escolhido deverá justificar a ausência posteriormente, inclusive por meio do aplicativo e-Título.

Democracia em movimento

Os números divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral mostram um país que continua mudando. Cresce o eleitorado, aumenta a participação dos idosos, brasileiros espalhados pelo mundo reforçam sua presença nas urnas e a Justiça Eleitoral amplia os mecanismos para facilitar o exercício do voto.

Até outubro, o calendário eleitoral entra em sua fase decisiva. E, mais uma vez, milhões de brasileiros terão nas mãos a responsabilidade de escolher os rumos do país pelos próximos quatro anos.

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20.7.26

Consumo das famílias mantém economia em movimento, mas FGV vê sinais de desaceleração

Monitor do PIB mostra alta de 0,7% em maio, impulsionada principalmente pelos brasileiros que continuam consumindo, enquanto indústria e exportações começam a perder força

Foto: Rafa Nepomuceno/Agência 


Contrariando o discurso de narrativas falsas geradas pela polinização política da extrema direita, a economia brasileira voltou a ganhar ritmo em maio. Depois de um abril marcado por uma leve retração, a atividade econômica acelerou novamente e registrou crescimento de 0,7%. O dado, divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), confirma que o mercado interno continua sustentando boa parte da expansão do país.

Mais do que um simples indicador estatístico, o resultado ajuda a contar uma história conhecida por milhões de brasileiros. Mesmo diante de juros elevados, crédito caro e um cenário internacional ainda incerto, as famílias continuam movimentando o comércio, contratando serviços e mantendo a economia em funcionamento.

Mas a fotografia completa mostra nuances importantes. Se, por um lado, o consumo segue forte, por outro começam a aparecer sinais de perda de fôlego em setores estratégicos da atividade econômica.

O brasileiro continua movimentando a economia

Segundo o Monitor do PIB, o consumo das famílias cresceu 3,3% no trimestre móvel encerrado em maio, alcançando o melhor desempenho desde o último trimestre de 2024.

Mais de 60% desse avanço veio dos setores de serviços e de bens duráveis, indicando que a demanda interna permanece aquecida. É o consumidor que continua mantendo lojas abertas, restaurantes cheios, viagens acontecendo e diversos segmentos da economia em atividade.

De acordo com entrevista da economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, à EBC, esse foi o principal fator responsável pelo crescimento observado em maio.

Nem todos os motores estão funcionando

Apesar do resultado positivo, a FGV faz um alerta importante.

A agropecuária voltou a crescer depois de uma sequência de retrações, mas a indústria praticamente ficou estagnada, mostrando perda de dinamismo. O setor de serviços foi o único que apresentou desempenho mais consistente.

Na avaliação da instituição, essa concentração do crescimento em apenas um componente — o consumo das famílias — revela uma economia menos equilibrada do que aparenta à primeira vista.

Quando investimentos, indústria e exportações deixam de acompanhar esse movimento, o crescimento tende a perder intensidade ao longo do tempo.

Exportações desaceleram

As vendas brasileiras para o exterior continuaram crescendo, mas em velocidade menor.

O avanço foi de 4,3%, o menor desde o segundo trimestre de 2025. Segundo a FGV, essa desaceleração foi influenciada principalmente pela redução do ritmo das exportações da indústria extrativa mineral, um dos segmentos que mais vinha contribuindo para o desempenho externo do país.

Enquanto isso, as importações aumentaram 8,9%, registrando o terceiro trimestre móvel consecutivo de expansão.

Investimentos dão sinais de recuperação

Nem tudo, porém, inspira preocupação.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede os investimentos realizados em máquinas, equipamentos, construção e infraestrutura, apresentou crescimento de 2% no trimestre móvel. Foi a segunda alta consecutiva após quatro períodos seguidos de retração.

A taxa de investimento chegou a 18,6% do PIB em maio, a segunda maior registrada em 2026, atrás apenas de fevereiro.

Embora ainda distante do nível considerado ideal para acelerar o crescimento econômico de longo prazo, o resultado indica que empresas começam, lentamente, a recuperar parte da confiança para investir.

Um ano de crescimento moderado

O comportamento da economia ao longo de 2026 mostra um avanço gradual, ainda que sem grandes acelerações.

  • Janeiro: 0,7%
  • Fevereiro: 0,5%
  • Março: 0%
  • Abril: -0,1%
  • Maio: 0,7%

No trimestre móvel encerrado em maio, a economia cresceu 1,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

Já no acumulado de 12 meses, a expansão ficou em 1,7%. Embora positiva, ela mostra perda de intensidade. Em março, esse indicador era de 3%. Um ano antes, alcançava 3,8%.

É justamente essa desaceleração gradual que desperta a atenção dos economistas.

PIB oficial sai em setembro

O Monitor do PIB da FGV funciona como um importante termômetro da atividade econômica brasileira, antecipando tendências antes da divulgação oficial.

O resultado definitivo será apresentado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgará o PIB do segundo trimestre de 2026 no próximo dia 1º de setembro.

Enquanto isso, as expectativas continuam relativamente otimistas. O mercado financeiro, segundo o Boletim Focus do Banco Central, projeta crescimento de 1,99% para a economia brasileira neste ano. Já o Ministério da Fazenda trabalha com uma estimativa mais elevada, de 2,3%.

Entre o otimismo e a cautela

Os números divulgados pela FGV reforçam uma percepção que vem se consolidando ao longo de 2026: a economia brasileira continua crescendo, mas em velocidade moderada.

O consumo das famílias segue sendo o grande sustentáculo dessa expansão, demonstrando resiliência mesmo em um ambiente de juros elevados. Ao mesmo tempo, indústria, exportações e parte dos investimentos ainda caminham em ritmo mais lento, limitando uma recuperação mais robusta.

O desafio dos próximos meses será justamente ampliar os motores desse crescimento. Se mais setores voltarem a ganhar força, a economia poderá entrar em uma trajetória mais consistente. Caso contrário, os sinais de desaceleração apontados pela FGV tendem a se tornar cada vez mais visíveis.


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Mercado vê inflação em queda, mas juros altos ainda desafiam recuperação da economia

Nova edição do Boletim Focus mostra leve melhora na expectativa para o IPCA de 2026, enquanto projeções para crescimento econômico, dólar e taxa Selic permanecem praticamente inalteradas

Nova edição do Boletim Focus mostra leve melhora na expectativa para o IPCA de 2026, enquanto projeções para crescimento econômico, dólar e taxa Selic permanecem praticamente inalteradas. Mercado vê inflação em queda, mas juros altos ainda desafiam recuperação da economia.

A inflação continua dando sinais de desaceleração nas projeções do mercado financeiro. Aos poucos, sem alarde, as expectativas começam a se mover na direção de um cenário mais favorável para o bolso dos brasileiros, embora o caminho até o centro da meta ainda esteja longe de ser concluído.

O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Banco Central, reduziu novamente a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026. A previsão passou de 5,16% para 5,15%, mantendo uma sequência de revisões para baixo observada nas últimas semanas. Há apenas um mês, o mercado projetava inflação de 5,33% para o próximo ano.

Apesar da melhora gradual, a expectativa ainda permanece acima da meta perseguida pelo Banco Central, indicando que o processo de controle da inflação continua exigindo cautela da política monetária.

Economia cresce, mas em ritmo moderado

As previsões para o desempenho da economia brasileira praticamente não mudaram.

Segundo o Focus, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 1,99% em 2026, estimativa que permanece estável pela terceira semana consecutiva. Para 2027, a projeção é de expansão de 1,65%, enquanto para 2028 o mercado espera crescimento de 2%.

O cenário revela uma economia que continua avançando, mas ainda distante de um ciclo de crescimento mais acelerado.

Dólar permanece estável

No câmbio, as expectativas seguem praticamente congeladas.

O mercado prevê que o dólar encerre 2026 cotado em R$ 5,20, projeção mantida há cinco semanas consecutivas. Para os anos seguintes, as estimativas permanecem em R$ 5,28 em 2027 e R$ 5,30 em 2028.

A estabilidade cambial ajuda a reduzir parte das pressões sobre os preços, principalmente dos produtos importados e de insumos industriais.

Selic continua elevada

O principal freio para uma recuperação mais vigorosa da economia continua sendo o custo do dinheiro.

Os analistas mantiveram pela quarta semana seguida a previsão de que a taxa básica de juros (Selic) termine 2026 em 14% ao ano.

Atualmente, a Selic está em 14,25%, nível definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião de junho. Com isso, o mercado espera pelo menos um corte até o fim deste ano, embora os juros devam permanecer elevados por um período prolongado.

Para 2027, a expectativa segue em 12%, enquanto para 2028 a projeção permanece em 10,5%.

Vale lembrar que, entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006.

O equilíbrio entre inflação e crescimento

A política de juros continua sendo um dos principais instrumentos utilizados pelo Banco Central para controlar a inflação.

Quando a Selic cai, o crédito tende a ficar mais barato. Empresas encontram melhores condições para investir e as famílias conseguem financiar consumo com menor custo, impulsionando a atividade econômica.

Por outro lado, juros menores também podem aumentar a circulação de dinheiro na economia e pressionar os preços.

Já quando a Selic permanece elevada, acontece o movimento inverso: financiamentos ficam mais caros, o consumo desacelera e a inflação tende a perder força. O efeito colateral, porém, costuma aparecer no ritmo da economia, que cresce de forma mais lenta.

Além da taxa básica, os juros cobrados pelos bancos também refletem fatores como risco de inadimplência, custos operacionais e margem de lucro.

Sinais positivos, mas ainda com cautela

A nova edição do Boletim Focus reforça um cenário de estabilidade. A inflação segue em trajetória de queda, ainda que lenta, enquanto o crescimento econômico permanece moderado e os juros continuam elevados como principal ferramenta de combate à alta dos preços.

Para consumidores, empresários e investidores, o momento inspira um misto de otimismo e prudência. Os indicadores apontam para uma economia mais previsível, mas deixam claro que a retomada do crescimento sustentado ainda dependerá do equilíbrio delicado entre inflação sob controle, redução gradual dos juros e manutenção da confiança nos rumos da política econômica.

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Obras do Novo Inter 2 avançam no Hauer e alteram trânsito a partir desta segunda-feira

Intervenção na Rua Professor João Soares Barcelos integra o maior projeto de modernização do transporte coletivo de Curitiba e prepara a cidade para uma nova geração de corredores de ônibus

Intervenção na Rua Professor João Soares Barcelos integra o maior projeto de modernização do transporte coletivo de Curitiba e prepara a cidade para uma nova geração de corredores de ônibus

O trânsito vai mudar no bairro Hauer a partir desta segunda-feira (20). Quem passa diariamente pela Rua Professor João Soares Barcelos precisará redobrar a atenção: o trecho entre as ruas Hipólito da Costa e Cleto da Silva será totalmente bloqueado para a continuidade das obras do Novo Inter 2, um dos maiores projetos de mobilidade urbana em andamento na capital paranaense.

A intervenção, de acordo com a PMC, começa às 8h e faz parte da requalificação do corredor viário que dará origem a um novo binário com a Rua Oliveira Viana. A previsão da Prefeitura é que os trabalhos durem cerca de dez dias, desde que as condições climáticas sejam favoráveis.

Mais do que uma mudança temporária no trânsito, a obra representa um novo passo na modernização do sistema de transporte coletivo que transformou Curitiba em referência mundial no uso de corredores exclusivos de ônibus.

Mudanças no trânsito

Durante o bloqueio, agentes estarão orientando os motoristas na região. O desvio recomendado é permanecer na faixa da direita da Rua Professor João Soares Barcelos, converter à direita na Rua Hipólito da Costa, seguir pela Rua Isaías Régis de Miranda, acessar a Rua Cleto da Silva e retornar à Rua Professor João Soares Barcelos.

A orientação é que os condutores programem seus deslocamentos com antecedência para evitar congestionamentos nos horários de maior movimento.

Um corredor preparado para o futuro

As obras incluem drenagem, pavimentação e adequações que permitirão a implantação do novo binário entre as ruas Professor João Soares Barcelos e Oliveira Viana.

Na mesma região, outros binários já estão sendo implantados, como Francisco Derosso/Innocente Rebellato e Gabriel Frecceiro de Miranda/Leoncio Derosso. O projeto também prevê o alargamento do viaduto da Francisco Derosso sobre a Linha Verde, onde futuramente será construída uma estação de integração do Inter 2.

O Novo Inter 2 vai muito além da recuperação do asfalto. O programa contempla pavimento de concreto de alta durabilidade, melhorias no sistema de drenagem, calçadas acessíveis, iluminação em LED, modernização das estações e infraestrutura preparada para a futura operação de ônibus elétricos.

O maior investimento em mobilidade da história recente

Financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com contrapartida da Prefeitura de Curitiba, o Novo Inter 2 integra o programa PRO Curitiba, que reúne cerca de R$ 6 bilhões em investimentos estruturantes espalhados pelos bairros da cidade.

Ao todo, o projeto moderniza aproximadamente 38 quilômetros do corredor Inter 2, beneficiando 28 bairros e ampliando a capacidade de atendimento de cerca de 155 mil para até 181 mil passageiros por dia.

A expectativa é reduzir o tempo de viagem, aumentar a segurança viária, melhorar a acessibilidade e preparar o sistema para as próximas décadas.

Referência nacional em transporte coletivo

Curitiba continua sendo reconhecida nacional e internacionalmente como a cidade que desenvolveu o modelo de transporte coletivo de superfície mais avançado do país.

Criado na década de 1970, o sistema de corredores exclusivos de ônibus — que inspirou redes de BRT em diversas cidades do mundo — passa agora por sua maior atualização em décadas. O Novo Inter 2 busca justamente preservar esse legado, incorporando novas tecnologias, infraestrutura mais resiliente e soluções voltadas à mobilidade sustentável.

Para quem enfrenta os transtornos temporários das obras, a promessa é de um sistema mais moderno, seguro e eficiente quando todas as intervenções forem concluídas.


19.7.26

Menos mortes nas rodovias do Paraná, mas uma vida ainda se perde a cada 15 horas

Balanço da Polícia Rodoviária Federal revela redução nos acidentes fatais e recordes históricos de apreensões de armas, drogas e medicamentos ilegais no primeiro semestre de 2026

 
Foto: André Filgueira / PRF

Por alguns segundos, o trânsito parece apenas um fluxo constante de veículos. Caminhões carregados de produção agrícola, famílias seguindo para as férias, trabalhadores voltando para casa. Mas basta um erro, um instante de distração ou uma ultrapassagem mal calculada para que uma viagem comum termine em tragédia.

Foi com esse contraste entre avanços e desafios que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apresentou, nesta semana, o balanço das ocorrências registradas nas rodovias federais do Paraná durante o primeiro semestre de 2026. Os números mostram uma notícia positiva: as mortes diminuíram. Mas também lembram que ainda há muito a fazer para tornar as estradas mais seguras.

Segundo o superintendente da PRF no Paraná, Fernando César Oliveira, entre janeiro e junho foram registradas 285 mortes nas rodovias federais que cruzam o estado. No mesmo período do ano passado haviam sido contabilizados 302 óbitos. A redução foi de 5,6%.

Mesmo assim, o dado continua duro de aceitar: em média, uma pessoa perdeu a vida a cada 15 horas nas BRs paranaenses.

Os acidentes mais graves continuam sendo evitáveis

As colisões frontais permanecem como as maiores responsáveis pelas mortes no trânsito. Foram 90 vítimas fatais nesse tipo de acidente apenas no primeiro semestre.

Logo atrás aparecem os atropelamentos, com 56 mortes, seguidos pelas colisões traseiras.

Na maior parte dos casos, as causas se repetem ano após ano: ultrapassagens em locais proibidos, velocidade acima do permitido, desatenção ao volante e direção sob efeito de álcool.

Os números da fiscalização ajudam a explicar esse cenário. Nos primeiros seis meses do ano, a PRF registrou mais de 310 mil infrações por excesso de velocidade, quase 6,9 mil ultrapassagens proibidas e mais de 2,1 mil motoristas flagrados dirigindo sob o efeito de bebidas alcoólicas.

Crime organizado encontra forte resistência nas rodovias

Enquanto combate os acidentes, a PRF também enfrenta outro desafio permanente: impedir que as rodovias federais sejam utilizadas pelas organizações criminosas.

E os resultados impressionam.

O Paraná registrou, em 2026, as maiores apreensões de fuzis e de medicamentos para emagrecimento já realizadas pela Polícia Rodoviária Federal em toda a sua história no Brasil.

O número de armas apreendidas saltou de 23 para 93, mais que quadruplicando em relação ao mesmo período de 2025.

Também foram retirados de circulação:

  • 90,5 toneladas de drogas;
  • 5.308 munições;
  • 132.932 medicamentos importados ilegalmente do Paraguai.

Grande parte dessas apreensões foi possível graças ao fortalecimento do trabalho de inteligência, ao uso crescente de tecnologia e à integração da PRF com outras forças de segurança pública.

Segurança é responsabilidade compartilhada

Durante a apresentação do balanço, Fernando César Oliveira destacou que os resultados refletem o comprometimento dos policiais rodoviários federais e os investimentos feitos na área de inteligência policial.

Mas lembrou que a população também desempenha um papel importante.

Quem presenciar qualquer situação suspeita ou tiver informações sobre crimes em andamento nas rodovias federais pode acionar a PRF pelo telefone 191. A denúncia pode ser feita de forma anônima.

Ao mesmo tempo em que as estatísticas mostram uma redução nas mortes, elas também revelam que centenas de famílias ainda foram marcadas pela perda de alguém que saiu de casa e não voltou.

Cada número divulgado pela PRF representa muito mais do que um indicador de desempenho. Representa vidas interrompidas, histórias que ficaram pelo caminho e um lembrete permanente de que prudência, fiscalização e investimento em segurança continuam sendo indispensáveis para quem percorre as rodovias brasileiras.

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18.7.26

O tarifaço de Trump e a contradição do livre comércio

Ao transformar tarifas em arma política, os EUA colocam em xeque um dos princípios que sempre defenderam: o livre mercado entre as nações


O tarifaço de Trump e a contradição do livre comércio

Há uma contradição difícil de ignorar na política comercial adotada por Donald Trump. Ao aplicar tarifas impraticáveis como instrumento de pressão política sobre o Brasil, os EUA enfraquecem justamente um dos princípios que eles mesmos trabalharam para consolidar. Desde o pós-guerra, o livre comércio foi colocado como caminho para a prosperidade e paz entre as nações.

Tarifas de importação são legítimas, quando usadas para corrigir desequilíbrios ou proteger setores estratégicos. O problema começa quando as tarifações deixam de cumprir o papel de salvaguarda econômica para se tornarem ferramenta de pressão política. 

O jogo de pôquer da geopolítica

Trump parece negociar como um jogador de pôquer: aposta alto, blefa e tenta concentrar a maior pilha de fichas sobre a mesa. É uma estratégia que pode produzir ganhos de curto prazo, mas também incentiva outros países a reduzirem sua dependência dos Estados Unidos.

Nesse contexto, o Brasil faz o que qualquer nação soberana deveria fazer: busca diversificar mercados, fortalecer o BRICS e ampliar relações comerciais com diferentes parceiros. Não se trata de romper com os EUA, mas sim de evitar depender exclusivamente deles.

O dólar e a nova ordem econômica

A maior força norte-americana talvez nem seja seu poderio militar, mas sim a hegemonia do dólar nas relações internacionais. É natural, portanto, que iniciativas capazes de ampliar o uso de moedas locais e fortalecer instituições como o Novo Banco de Desenvolvimento, presidido pela brasileira Dilma Rousseff, despertem atenção em Washington.

Como resposta ao tarifaço, o Brasil deve agir com diplomacia, mas também com firmeza. Antes de utilizar os instrumentos de reciprocidade previstos em lei, dentro das regras do comércio internacional, precisamos negociar.

Nosso país possuí exemplos de sucesso, como, por exemplo, a Embraer, que construiu competitividade disputando mercados em todos os continentes. Essa é uma estratégia que pode inspirar vários setores da economia brasileira.

O multilateralismo é o caminho

Governos passam. O que permanece é a necessidade de os povos dialogarem de igual para igual. O comércio deveria aproximar as nações, como fizeram durante séculos os grandes mercadores que conectaram povos e culturas, e não servir de instrumento para dividir o mundo.

Buscar prosperidade é legítimo. Transformá-la em um jogo de soma zero, no qual um só vence e todos os demais perdem, nunca foi uma fórmula duradoura para o progresso. O sonho de um mundo livre, com mais pontes e menos muros, permanece, e, certamente irá sobreviver a era Trump.


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Embraer vai a Farnborough para reforçar crescente protagonismo brasileiro na indústria aeronáutica

Com recorde de pedidos, aumento nas entregas e aposta em aviação comercial, defesa e mobilidade aérea urbana, Embraer vai marcar presença numa das maiores feiras da aviação mundial

 

Há momentos em que uma feira internacional vai muito além da exposição de aeronaves. Ela se transforma em um termômetro da indústria aeroespacial global. É exatamente esse o cenário do Farnborough International Airshow 2026, no Reino Unido, onde a Embraer desembarca em um dos períodos mais sólidos de sua história recente.

Entre os dias 20 e 24 de julho, a fabricante brasileira apresentará ao mercado internacional não apenas dois de seus programas mais estratégicos — o E195-E2 e o KC-390 Millennium —, mas também uma visão de longo prazo para a mobilidade aérea urbana por meio da Eve Air Mobility, subsidiária responsável pelo desenvolvimento do eVTOL, a futura aeronave elétrica de pouso e decolagem vertical.

Crescimento sustentado fortalece posição global

A participação da Embraer em Farnborough acontece em um momento de expansão consistente.

No primeiro semestre de 2026, a companhia entregou 109 aeronaves, crescimento de aproximadamente 20% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram entregues 91 unidades. O desempenho acompanha uma carteira recorde de pedidos e evidencia os ganhos obtidos com a ampliação da capacidade produtiva e dos programas de eficiência operacional.

Segundo o presidente e CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, a empresa vive um ciclo sustentado de crescimento impulsionado pela demanda em praticamente todos os segmentos em que atua. Para a companhia, Farnborough representa uma oportunidade estratégica para fortalecer relações com operadores, governos, fornecedores e potenciais clientes de diversos continentes.

E195-E2: eficiência e sustentabilidade em destaque

Na exposição estática, um dos grandes protagonistas será o E195-E2, maior integrante da família E-Jets E2.

Considerado pela fabricante o narrowbody de pequeno porte mais eficiente do mundo, o modelo reúne melhorias aerodinâmicas, motores de nova geração e redução significativa no consumo de combustível e nas emissões de carbono.

Além dos ganhos ambientais, o avião vem consolidando sua presença internacional por oferecer elevada eficiência operacional em rotas de média densidade, segmento que ganha importância à medida que companhias aéreas buscam reduzir custos sem abrir mão da capacidade de transporte. Hoje, a família E2 já opera nos seis continentes.

KC-390 amplia presença internacional

Outro destaque brasileiro em Farnborough será o KC-390 Millennium, aeronave multimissão desenvolvida para transporte militar, reabastecimento em voo e operações humanitárias.

Capaz de transportar tropas, veículos, equipamentos e cargas pesadas, o KC-390 vem ampliando sua presença internacional e conquistando novos operadores, inclusive países integrantes da OTAN.

Entre seus diferenciais estão a elevada velocidade de cruzeiro, grande capacidade de carga, flexibilidade operacional e menores custos de ciclo de vida quando comparado a aeronaves da mesma categoria.

Durante o evento, o KC-390 realizará demonstração aérea e também será palco da cerimônia oficial de batismo da aeronave destinada à Força Aérea da República Tcheca.

Mobilidade aérea urbana entra em cena

A Embraer também utilizará Farnborough para apresentar sua estratégia de longo prazo para o transporte urbano.

A Eve Air Mobility exibirá um mock-up em tamanho real de seu eVTOL, além de oferecer uma experiência de voo simulada aos visitantes.

O projeto faz parte da aposta da empresa brasileira na mobilidade aérea urbana sustentável, mercado que deverá ganhar espaço ao longo da próxima década com aeronaves elétricas voltadas ao transporte de passageiros em grandes centros urbanos.

Mais do que desenvolver um novo veículo, a Eve trabalha em um ecossistema completo que inclui infraestrutura, serviços, suporte operacional e gerenciamento do tráfego aéreo urbano.

Brasil reafirma liderança tecnológica

Com mais de 9 mil aeronaves entregues desde 1969, a Embraer permanece entre as principais empresas aeroespaciais do planeta e segue como uma das maiores exportadoras brasileiras de produtos de alto valor agregado.

Sua atuação integrada nos segmentos de aviação comercial, executiva, defesa, serviços e mobilidade aérea urbana demonstra uma estratégia de diversificação que reduz riscos de mercado e amplia oportunidades de crescimento.

Em Farnborough 2026, a fabricante brasileira chega não apenas para apresentar aeronaves, mas para reafirmar seu papel como uma das protagonistas da inovação na indústria aeronáutica mundial.

Para mais informações visite o site da Embraer.

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17.7.26

Guta Stresser volta aos palcos de Curitiba em espetáculo que convida o público a refletir sobre o analfabetismo emocional

Atriz curitibana retorna à cidade natal em nova temporada gratuita de Os Analfabetos, com apresentações no Espaço Excêntrico e no Centro Cultural Boqueirão, ambas com tradução em Libras

 
Guta Stresser volta aos palcos de Curitiba em espetáculo que convida o público a refletir sobre o analfabetismo emocional. Atriz curitibana retorna à cidade natal em nova temporada gratuita de Os Analfabetos, com apresentações no Espaço Excêntrico e no Centro Cultural Boqueirão, ambas com tradução em Libras.

Há espetáculos que entretêm. Outros provocam. E existem aqueles que permanecem conosco muito depois que as cortinas se fecham. É justamente esse o convite de Os Analfabetos, montagem que marca o retorno da atriz curitibana Guta Stresser aos palcos de sua cidade natal em uma temporada gratuita que promete emocionar o público.

Conhecida nacionalmente pela personagem Bebel, da série A Grande Família, Guta reencontra Curitiba em um momento especial da carreira. Depois de anos dedicados à televisão, ao cinema e ao teatro, ela volta às origens para interpretar Mariana, protagonista de um drama psicológico que coloca o espectador diante de uma pergunta desconfortável: será que realmente sabemos ler nossos próprios sentimentos?

Um espelho para o público

Inspirado nas obras do cineasta sueco Ingmar Bergman e do dramaturgo Nelson Rodrigues, o texto de Paula Goja mergulha nas contradições humanas para discutir aquilo que o diretor Adriano Petermann define como "analfabetismo emocional".

O espetáculo convida o público a olhar pelo buraco da fechadura da vida como ela é e a fazer um questionamento profundamente pessoal:

"Diante da nossa incapacidade de ler a nós mesmos, como podemos verdadeiramente compreender o outro? Ou somos capazes de nos ver além das aparências que criamos?"

A peça acompanha personagens presos às convenções sociais, às máscaras que constroem para sobreviver e às dificuldades de expressar aquilo que realmente sentem. Drama e humor caminham lado a lado em uma encenação que provoca o espectador a refletir sobre as relações humanas, a solidão e a falta de diálogo que marcam a vida contemporânea.

O retorno de Guta à cidade onde tudo começou

Mariana, personagem vivida por Guta Stresser, é uma atriz consagrada que sofre uma ruptura emocional durante uma apresentação de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues. No auge da carreira, ela simplesmente para de falar diante do público. A partir desse silêncio nasce toda a narrativa.

Em entrevistas, Guta revelou identificar-se justamente com a crise vivida pela personagem, lembrando que todo artista, em algum momento, questiona sua própria profissão e o sentido do que faz.

O retorno aos palcos curitibanos também tem um significado afetivo. Foi em Curitiba que a atriz iniciou sua trajetória artística ainda adolescente, no teatro amador e no Teatro Guaíra. Voltar à cidade agora representa, nas palavras da própria atriz, "quase um recomeço".

Temporada em dois teatros

Nesta nova temporada, Os Analfabetos será apresentado em dois espaços culturais de Curitiba, ampliando o acesso do público ao espetáculo.

Serviço

Espetáculo: Os Analfabetos

18 a 26 de julho
Espaço Excêntrico
Rua Lamenha Lins, 1429 – Rebouças – Curitiba

Horários
Sábados: 18h e 21h (duas apresentações)
Domingos: 19h

30 de julho a 2 de agosto
Centro Cultural Boqueirão
Rua José Guercherski, 281 – Boqueirão – Curitiba

Horários
Quinta e sexta-feira: 15h e 20h (duas apresentações)
Sábado e domingo: 20h

Entrada: gratuita, com distribuição de ingressos a partir de uma hora antes de cada sessão, no próprio teatro.

Acessibilidade: todas as apresentações contam com tradução e interpretação em Libras.

Ficha técnica

Direção: Adriano Petermann
Texto: Paula Goja
Elenco: Guta Stresser, Guenia Lemos, Stella Mariss, Gabriel Gorosito, Elisan Correia e Anderson Fregolente.

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Tarifaço dos EUA vira munição política no Paraná, enquanto preocupação maior recai sobre empregos e indústria

Deputada Gleisi Hoffmann responsabiliza Eduardo e Flávio Bolsonaro pela crise comercial com os EUA

Crédito: reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro

O tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras ganhou novos contornos políticos no Paraná. Nesta quinta-feira (16), a deputada federal e pré-candidata ao Senado, Gleisi Hoffmann (PT-PR), responsabilizou integrantes da família Bolsonaro pela escalada da crise comercial, afirmando que a atuação de Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos colocou em risco a soberania nacional e milhares de empregos brasileiros, especialmente no Paraná.

Segundo Gleisi, a decisão de Washington ameaça diretamente a economia paranaense, cuja relação comercial com o mercado norte-americano movimenta cerca de US$ 1,5 bilhão por ano. O estado possui aproximadamente 700 empresas com parte significativa de seu faturamento vinculada às exportações para os EUA, sendo que 16 delas dependem desse mercado para mais de 90% da receita.

"A decisão anunciada em Washington pode atingir parte da economia do país e muito da economia do nosso estado", afirmou a deputada federal.

Madeira é o setor mais vulnerável

Entre todos os segmentos econômicos, a indústria madeireira aparece como a mais exposta aos efeitos da tarifa. Produtos como compensados, molduras, madeira serrada, pisos, portas e móveis representam aproximadamente 40% das exportações paranaenses destinadas ao mercado estadunidense.

A cadeia produtiva da madeira está presente em 266 municípios do Paraná e emprega mais de 38 mil trabalhadores, especialmente nas regiões dos Campos Gerais, Centro-Sul e Norte Pioneiro.

Empresas que fabricam produtos sob medida para compradores norte-americanos podem enfrentar maior dificuldade para redirecionar rapidamente suas vendas a outros mercados, o que pode resultar em cancelamento de contratos, redução da produção e até fechamento de turnos.

Acusações e contrapontos

Gleisi afirmou que Eduardo Bolsonaro teria incentivado medidas econômicas contra o Brasil ao defender, ainda em 2025, o uso de tarifas como instrumento de pressão política sobre decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

A deputada também acusou Flávio Bolsonaro de colocar interesses nacionais em segundo plano durante articulações políticas com Donald Trump e Marcos Rúbio, na Casa Branca.

As declarações representam a visão do cenário pela ótica da parlamentar, e o blog concorda com ela. Entretanto, o ato oficial do governo norte-americano, que instituiu a tarifa, não atribui sua decisão à atuação da família Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro até se manifestou publicamente contra a cobrança de 25% durante audiência realizada em Washington, no último dia 7 de julho. Na ocasião, o senador defendeu que a entrada em vigor da medida fosse adiada por 180 dias para permitir novas negociações. Ou seja, não foi contrário ao tarifaço, apenas pediu mais prazo, o que acabou não acontecendo.

Governo brasileiro contesta justificativas

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) justificou a tarifa alegando práticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano, citando temas como serviços digitais, meios de pagamento, propriedade intelectual, mercado de etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal. O departamento estadunidense não fala sobre o Irã, segundo especialistas parece óbvio que o Irã fazer parte do BRICs incomoda os trumpistas, que desprezam o multilateralismo.

O governo brasileiro rejeita essas justificativas e argumenta que, ao longo dos últimos quinze anos, os EUA acumularam superávit de aproximadamente US$ 410 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil, contestando a narrativa de prejuízo comercial.

Enquanto isso, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua negociando para ampliar a lista de produtos brasileiros isentos da nova tarifa, incluindo madeira serrada, móveis e outros itens relevantes para a economia paranaense.

O Paraná no centro da disputa política

O tarifaço também entrou definitivamente na disputa eleitoral de 2026. Gleisi Hoffmann sustenta que Eduardo e Flávio Bolsonaro colocaram interesses políticos acima dos interesses nacionais e afirma que essa postura ameaça diretamente empregos e empresas do Paraná.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, é um dos principais apoiadores da pré-candidatura do senador Sérgio Moro (PL) ao Governo do Paraná. Diante desse cenário, a crise comercial também alimenta o debate sobre o modelo de liderança que os paranaenses desejam para conduzir o estado nos próximos anos.

Independentemente da disputa política, a preocupação mais imediata permanece econômica. Caso a tarifa entre em vigor em 22 de julho, trabalhadores e empresas poderão sentir rapidamente seus efeitos, especialmente nas regiões cuja economia depende da indústria madeireira e das exportações para o mercado norte-americano.

Ao mesmo tempo, cresce a expectativa para que os governos federal e estadual ampliem as negociações internacionais, garantam linhas de crédito às empresas afetadas e apresentem um diagnóstico detalhado dos municípios e setores mais vulneráveis ao impacto da medida.

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Tony Garcia perde apoio do DC às vésperas das convenções no Paraná

Inativação da direção estadual do partido enfraquece o projeto eleitoral do empresário, mas não encerra sua pré-candidatura ao governo

 

Faltando poucos dias para o início das convenções partidárias, a pré-candidatura de Tony Garcia ao Governo do Paraná sofreu um revés. A direção estadual da Democracia Cristã (DC), presidida por Ricardo Gomyde, foi oficialmente inativada por decisão do partido, conforme registro validado pela Justiça Eleitoral em 15 de julho.

A mudança retira de Tony a estrutura partidária que sustentava seu projeto político, mas não significa, por si só, o fim de sua pré-candidatura. A definição dos candidatos ocorrerá durante as convenções, entre 20 de julho e 5 de agosto, e a legenda ainda poderá formar uma nova direção estadual.

Nos bastidores, aliados do senador Sergio Moro (PL) comemoram a mudança por considerarem que ela enfraquece um adversário que prometia levar ao debate eleitoral críticas à atuação da Lava Jato. No entanto, não há documento da Justiça Eleitoral que atribua a decisão ao senador ou a seu grupo político.

Tony Garcia, que se apresenta como ex-colaborador da força-tarefa da Lava Jato, afirma ter atuado como informante a pedido de Moro. O senador nega as acusações, e as alegações do empresário seguem sem decisão definitiva da Justiça.

Agora, a atenção se volta para os próximos registros da Justiça Eleitoral, que indicarão quem assumirá o comando da DC no Paraná e qual será o futuro da legenda nas eleições de 2026.


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