sexta-feira, 10 de abril de 2026

Indígenas cobram demarcação e denunciam avanço da violência nos territórios

Carta entregue ao governo pede proteção efetiva e o fim da exploração de recursos naturais em terras tradicionais

O chão de Brasília volta a vibrar sob passos antigos — firmes, ritmados, carregados de memória. Entre cantos, faixas e corpos pintados, mais de seis mil indígenas ocupam a Esplanada dos Ministérios não apenas com presença, mas com urgência. Não é só uma marcha. É um aviso.
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Ontem, quinta-feira (9), lideranças indígenas entregaram ao governo federal uma carta que é, ao mesmo tempo, reconhecimento e denúncia. O documento admite avanços recentes, mas aponta um cenário que segue crítico: invasões em territórios tradicionais aumentaram, assim como a violência e a criminalização contra esses povos.

A mensagem é direta — e incômoda para quem insiste em adiar soluções históricas. Os povos originários exigem a demarcação de suas terras e o fim da exploração de bens naturais dentro desses territórios. Não como concessão, mas como direito constitucional.

A mobilização ocorre no contexto do Acampamento Terra Livre, a maior assembleia indígena do país, que transforma Brasília em território de resistência viva. O tema deste ano não deixa margem para ambiguidades: “Nosso futuro não está à venda, a resposta somos nós.”

Kleber Karipuna, coordenador-executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), reforça o peso político do momento. Em meio à multidão, em entrevista à EBC, ele resume o que está em jogo:

“Um Brasil soberano é um Brasil com nossos territórios garantidos e protegidos.”

A frase não é retórica. É diagnóstico.

Territórios indígenas: linha de frente contra a crise climática

Na carta, os povos indígenas reafirmam algo que a ciência já reconhece há anos: seus territórios são barreiras reais contra o avanço das mudanças climáticas. Onde há terra demarcada, há floresta em pé. Onde há floresta, há equilíbrio.

Ainda assim, essas áreas seguem sob pressão constante — seja por garimpo ilegal, avanço do agronegócio ou projetos de exploração energética.

Durante a marcha, essa preocupação ganhou escala global. No Palácio do Itamaraty, lideranças indígenas apresentaram uma proposta que ultrapassa fronteiras: a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis.

O documento defende o fim da expansão de petróleo e gás, a criação de zonas livres de exploração e, sobretudo, o reconhecimento dos territórios indígenas como eixo central de qualquer estratégia climática séria.

É uma inversão de lógica. Em vez de tratar esses povos como obstáculo ao desenvolvimento, o movimento os coloca como protagonistas de uma solução possível — e urgente.

O tempo da política e o tempo da floresta

Há um descompasso evidente. Enquanto decisões sobre demarcação seguem lentas nos gabinetes, o avanço sobre terras indígenas acontece em ritmo acelerado no campo. A conta chega primeiro para quem está na linha de frente — e ela vem em forma de conflito, perda e silêncio imposto.

A carta entregue ao governo tenta corrigir esse desencaixe. Pressiona por medidas concretas, proteção efetiva e compromisso contínuo. Não se trata apenas de território físico, mas de existência cultural, espiritual e histórica.

O Acampamento Terra Livre segue nesta sexta-feira (10), mantendo Brasília sob o eco de vozes que, há séculos, resistem. Não há novidade nisso. A novidade — talvez — seja a impossibilidade crescente de ignorá-las.

No centro da capital política do país, a mensagem permanece: sem demarcação, não há justiça. Sem justiça, não há futuro.

Apoie o Sulpost via PIX: (41) 99281-4340 • WhatsApp

Artemis II continua em seu retorno à Terra após correção de trajetória no espaço

Manobra curta, falha momentânea de comunicação e contagem regressiva para reentrada marcam fase final da missão

Nasa

O silêncio do espaço foi quebrado por um breve impulso — preciso, calculado — que agora traz a tripulação da Artemis II de volta para casa.

Na noite desta quinta-feira (10), às 23h53 no horário de Brasília (22h53 EDT), de acordo com a NASA, a nave Orion acionou seus propulsores por apenas 9 segundos. Foi o suficiente. O empurrão adicionou cerca de 1,6 metro por segundo à velocidade da cápsula, ajustando sua trajetória em direção à Terra. A missão já ultrapassou a metade do caminho de retorno.

Horas antes da manobra, porém, houve um momento de tensão. Um problema inesperado interrompeu temporariamente o sinal entre a nave e a Terra durante uma mudança na taxa de transmissão de dados. Por alguns instantes, comunicações e telemetria ficaram comprometidas. O contato foi restabelecido pouco depois, permitindo que os controladores de voo retomassem os preparativos com a tripulação.

Mais cedo, a NASA também detalhou os procedimentos finais da missão, incluindo as etapas de reentrada na atmosfera e o pouso no oceano — uma fase crítica, onde cada segundo conta.

A próxima correção de trajetória está prevista para esta sexta-feira (10), por volta das 14h53 (horário de Brasília), já como parte da sequência final antes da reentrada.

O retorno está marcado: a cápsula Orion deve amerissar às 21h07 (horário de Brasília), no Oceano Pacífico, ao largo da costa de San Diego, nos Estados Unidos.

Se tudo seguir como planejado, será mais um passo firme no caminho que pode levar humanos de volta à Lua — e além.

Apoie o Sulpost via PIX: (41) 99281-4340 • WhatsApp

Paraná lidera solidariedade no Brasil e registra menor recusa familiar para doação de órgãos

Estado tem índice de 30% de recusa, bem abaixo da média nacional, e consolida modelo baseado em acolhimento humano e eficiência técnica

Paraná lidera solidariedade no Brasil e registra menor recusa familiar para doação de órgãos. Estado tem índice de 30% de recusa, bem abaixo da média nacional, e consolida modelo baseado em acolhimento humano e eficiência técnica.
Foto: Albari Rosa - Arquivo SESA/AEN

Há algo silencioso, mas importante, acontecendo nos corredores e centros cirúrgicos dos hospitais do Paraná. Não aparece nos boletins diários, não vira manchete imediata — mas salva vidas todos os dias. É o momento em que uma família, mesmo atravessada pela dor, diz “sim”.

Esse gesto, quase sempre íntimo e difícil, tem colocado o Estado em uma posição singular no país. Segundo dados da Agência Estadual de Notícias e do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), o Paraná possui hoje a menor taxa de recusa familiar para doação de órgãos do Brasil: 30%. Um número que, ao lado de Santa Catarina, contrasta com a média nacional, que ainda gira em torno de 45%.

Por trás dessa estatística existe uma engrenagem complexa — e profundamente humana. Existe também uma história.

Mariana Chuch tem apenas 17 anos e fala sobre o futuro com uma naturalidade que impressiona. Planeja prestar vestibular para Psicologia, inspirada pela mãe. Quer estudar, trabalhar, viver. Parece simples — mas não é.

Transplantada de coração há quase um ano, ela carrega no peito mais do que um órgão novo. Carrega a possibilidade.

“Estou pronta para viver plenamente todas as oportunidades que vierem pela frente”, disse a jovem à reportagem da AEN.

A trajetória até aqui não foi leve. O diagnóstico veio cedo — cedo demais. Com apenas sete dias de vida, Mariana já enfrentava uma miocardiopatia dilatada no ventrículo esquerdo. Cresceu entre consultas, exames, adaptações. Seguiu. Resistiu. É uma sobrevivente. Mas o corpo cobrou seu preço.

No ano passado, um AVC mudou o rumo da história da moça. Em seguida, uma trombose. O coração, já fragilizado, não sustentou. A indicação para transplante veio imediata. Era urgente. Após um mês depois da internação, surgiu um órgão compatível. Entre o medo e a esperança, ela entrou na sala de cirurgia.

“Eu acreditava na vida, mesmo com todos os riscos”, relembra.

A recuperação exigiu tempo. Um mês internada, adaptação a medicamentos, um novo ritmo. Um novo corpo, de certa forma. Hoje, recuperada, Mariana olha para frente — e não para trás. E a história dela não é isolada.

Na casa da família Chuch, a doença tem origem genética. O irmão, Henrique, de 11 anos, e a mãe, Sibele, compartilham o diagnóstico. Ainda assim, a palavra que define o ambiente não é fragilidade — é força, é resistência.

“Nunca deixamos que eles se sentissem limitados”, conta Sibele. “A vida não pode ser definida pela doença, mas pelos momentos.”

Há também fé. E uma espécie de disciplina emocional que sustenta o cotidiano.

“Mariana nunca reclamou. Nunca desistiu”, diz a mãe.

A experiência transformou todos ali. Hoje, a família inteira se declara doadora de órgãos. Não como discurso — mas como decisão. Porque entenderam, na prática, o que isso significa.

Sistema eficiente, decisão humana

No Paraná, esse entendimento vem sendo construído com método. Não é apenas uma questão cultural, embora a solidariedade pese. Existe estrutura. Existe estratégia. Há um trabalho dentro dos hospitais para conscientizar familiares de pessoas recém falecidas pela doação de órgãos.

O Sistema Estadual de Transplantes opera com padronização de protocolos, monitoramento rigoroso e integração entre equipes hospitalares, Organizações de Procura de Órgãos (OPOs) e a Central Estadual de Transplantes.

Mas o ponto mais delicado — e decisivo — continua sendo a conversa com a família. É nela que tudo se resolve.

Segundo o novo secretário estadual da Saúde, César Neves, que assumiu o lugar do ex-secretário Beto Preto, a qualificação dessas equipes tem impacto direto nos resultados. A abordagem precisa ser técnica, mas também sensível. Clara, mas respeitosa.

“Priorizamos um acolhimento familiar humanizado e multiprofissional”, afirma o secretário.

E funciona. Um único doador pode salvar até oito vidas. Em 2025, o Paraná realizou 773 transplantes — incluindo 31 de coração. Só nos dois primeiros meses de 2026, já foram 123 órgãos doados, com três transplantes cardíacos realizados.

Os números acompanham uma tendência nacional: rins e córneas lideram. No Brasil, foram quase 5 mil transplantes renais e mais de 13 mil de córnea em 2025. No Paraná, 445 transplantes de rins e 1.066 de córneas foram viabilizados no mesmo período. Em 2024, o Estado atingiu um recorde: 896 órgãos doados e 1.247 córneas.

A decisão começa em vida

Mas há um ponto essencial — e ainda pouco compreendido. No Brasil, ninguém é doador sozinho. A decisão final é sempre da família.

Por isso, declarar esse desejo em vida faz toda a diferença. É o que orienta a coordenadora do Sistema Estadual de Transplantes, Juliana Ribeiro Giugni. Sem essa conversa prévia, o processo pode simplesmente não acontecer. E tempo, nesse contexto, é tudo.

Os órgãos seguem critérios rigorosos de distribuição, com base em uma lista única nacional. Gravidade do paciente, compatibilidade, tempo de espera — tudo é considerado. O sistema é fiscalizado pelo Ministério da Saúde.

Mas nada disso começa sem um “sim”. É um detalhe pequeno, aparentemente. Mas que muda destinos inteiros. Sem o consentimento da família não existe a doação.

Mariana sabe disso melhor do que ninguém. Para ela, o novo coração não é apenas uma continuidade. É um recomeço, pelo qual ela será sempre grata.

Mariana Chuch tem apenas 17 anos e fala sobre o futuro com uma naturalidade que impressiona. Planeja prestar vestibular para Psicologia, inspirada pela mãe. Quer estudar, trabalhar, viver. Parece simples — mas não é.  Transplantada de coração há quase um ano, ela carrega no peito mais do que um órgão novo. Carrega a possibilidade.  “Estou pronta para viver plenamente todas as oportunidades que vierem pela frente”, disse a jovem à reportagem da AEN.
Mariana Chuch - Reprodução/Redes Sociais

“É uma segunda chance. Para mim e para todos que me amam.”


Apoie o Sulpost via PIX: (41) 99281-4340 • WhatsApp

quinta-feira, 9 de abril de 2026

PM do Paraná sob pressão: denúncias se acumulam, prisão de “Sancho Loko” amplia crise e Assembleia debate violência policial

Casos recentes, relatos internos e audiência pública expõem tensão crescente entre atuação policial, controle institucional e confiança da população

PM do Paraná sob pressão: denúncias se acumulam, prisão de “Sancho Loko” amplia crise e Assembleia debate violência policial. Casos recentes, relatos internos e audiência pública expõem tensão crescente entre atuação policial, controle institucional e confiança da população.
Ilustração: IA/Sulpost

O que começa como uma suspeita isolada, às vezes, cresce em silêncio — até se tornar impossível ignorar. No Paraná, uma sequência recente de denúncias envolvendo policiais militares passou a formar um quadro mais amplo, mais sensível — e cada vez mais difícil de tratar como episódios desconectados.

Drogas que desaparecem. Operações suspeitas. Violência fora do protocolo. Prisões de agentes. E, no meio disso tudo, vozes que começam a emergir — de dentro e de fora das instituições. O cenário já não é apenas policial. É político, social e institucional.

300 quilos de crack e uma diferença que não fecha

O ponto de partida dessa sequência remonta a uma apreensão realizada em outubro do ano passado, em Campo Largo. Cerca de 300 quilos de crack teriam sido recolhidos — mas apenas 30 quilos foram oficialmente apresentados.

A diferença — aproximadamente 270 quilos, avaliados em até R$ 45 milhões — acendeu um alerta dentro da própria Polícia Militar. Nove policiais passaram a ser investigados. Parte deles foi afastada e perdeu o porte de arma.

Mas o caso rapidamente deixou de ser apenas sobre números.

Violência, sequestro e conexões com o tráfico

Com o avanço das investigações, surgiram conexões com episódios mais graves. No bairro Sítio Cercado, um homem foi retirado de casa por indivíduos que se apresentavam como agentes do Gaeco. Horas depois, foi encontrado morto.

Relatos apontam que vítimas foram levadas a locais isolados e pressionadas a revelar o paradeiro de uma carga de drogas desaparecida.

A principal linha investigativa considera que o sumiço da droga pode ter alimentado disputas no tráfico — com reflexos diretos em crimes violentos na Região Metropolitana de Curitiba.

PMs investigados e operações sob suspeita

Uma abordagem na BR-369 ampliou ainda mais o alcance das suspeitas. Entre os envolvidos em uma ação ligada à busca por drogas, estavam policiais militares — hoje também investigados.

Os elementos começaram a se sobrepor:

  • drogas desaparecidas
  • operações com aparência oficial
  • violência associada a disputas criminosas
  • e agentes públicos sob investigação

Prisão de “Sancho Loko” aprofunda crise

Na terça-feira (7), a crise ganhou um novo capítulo — desta vez com prisão. O policial militar Júnior Sancho Cambuhy, conhecido como “Sancho Loko”, foi preso em Curitiba durante operação do Gaeco.

Outros dois policiais também foram alvos da ação. A investigação apura suspeitas de:

  • tortura
  • fraude processual
  • lesão corporal
  • falsidade ideológica

Foram apreendidos celulares, munições, dinheiro e materiais encontrados inclusive dentro de uma unidade policial, além de porções de drogas.

Com mais de 260 mil seguidores, Sancho havia se tornado uma figura pública nas redes sociais, exibindo bastidores da rotina policial.

A defesa afirma que ele é inocente e que os materiais apreendidos são compatíveis com sua atuação como instrutor de tiro.

O debate chega à Assembleia

No mesmo dia em que a operação ganhava repercussão, o tema já ocupava outro espaço — o político.

A Assembleia Legislativa do Paraná realizou uma audiência pública para debater a violência policial no estado e lançar a campanha “É seguro pra você, e é seguro pra mim”. O encontro reuniu parlamentares, especialistas, entidades e familiares de vítimas.

Entre os pontos levantados:

  • preocupação com o aumento de casos envolvendo uso excessivo da força
  • internações compulsórias 
  • defesa do uso de câmeras corporais
  • necessidade de maior controle externo das ações policiais

Especialistas destacaram que há questionamentos sobre a forma como mortes em supostos confrontos vêm sendo registradas e investigadas.

“Eu agradeço por estar vivo”

Entre os depoimentos, um dos mais marcantes foi o de Nelson da Força Sindical, metalúrgico da Grande Curitiba. Em tom emocionado, ele relatou uma experiência direta com abordagem policial.

“Eu quero primeiro agradecer por estar vivo”, disse.

O relato conecta o debate institucional a experiências concretas vividas fora dos gabinetes. Nelson afirmou que precisou reunir provas por conta própria e criticou a ausência de registros oficiais por parte da polícia.

“A polícia até agora não apresentou nada na câmera. Nós temos tudo filmado”, afirmou.

Ele também fez denúncias sobre atuação policial em áreas industriais e periféricas:

“A polícia vai na porta de fábrica… e na favela vai de madrugada. Quem me agrediu não foi soldado. Foram oficiais”.

O depoimento foi recebido em um ambiente marcado por relatos semelhantes de familiares e representantes da sociedade civil.

Entre o confronto e o controle

Em meio às investigações, denúncias e debates públicos, a Polícia Militar afirma que irá apurar os casos e reforça compromisso com a legalidade. Mas o momento é de pressão crescente.

De um lado, a necessidade de garantir segurança em um cenário complexo. Do outro, a exigência de controle, transparência e confiança.

Entre esses dois polos, o que se desenha no Paraná é mais do que uma crise pontual — é uma discussão aberta sobre os limites, os métodos e o futuro da segurança pública no estado.

Apoie o Sulpost via PIX: (41) 99281-4340 • WhatsApp

Curi e Greca 2026: o jogo já começou antes do anúncio

Entre apoios, articulações silenciosas e a espera pela decisão de Ratinho Junior, Alexandre Curi se move no tabuleiro da política paranaense como quem já está em campanha

 
Curi e Greca 2026: o jogo começa antes do anúncio. Entre apoios, articulações silenciosas e a espera pela decisão de Ratinho Junior, Alexandre Curi se move no tabuleiro da política paranaense como quem já está em campanha.

O movimento não começou agora — mas, entre indas e vindas, ganhou corpo. Nos bastidores da política paranaense, entre agendas discretas, conversas com prefeitos e entrevistas cuidadosamente calculadas, o deputado estadual Alexandre Curi (Republicanos) já não fala como quem considera uma possibilidade. Fala como quem atravessou a linha.

Não tenho plano B”, disse recentemente. Sem margem. Sem ambiguidade. A frase, curta, cumpre um papel claro: posiciona. E, mais do que isso, pressiona o ambiente político ao redor.

Curi se coloca como pré-candidato ao Governo do Paraná não apenas por intenção — mas por construção. Uma construção que, segundo ele, vem sendo feita ao longo de anos, com presença constante nos municípios, articulação política e acúmulo de capital dentro da Assembleia Legislativa.

O apoio de 212 prefeitos, citado como espontâneo, entra nesse enredo como evidência de capilaridade. Não é só número. É estrutura. É rede. É base real. Na política estadual, isso pesa.

Quando os bastidores falam mais alto

Mas é longe do microfone que o cenário ganha densidade. Nos bastidores, uma composição começa a ser desenhada — ainda sem anúncio, mas cada vez menos tratada como hipótese: a formação de uma chapa com o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca (MDB), como vice.

A leitura é estratégica. Greca agrega recall eleitoral, trânsito político e simbolismo urbano. Curi, por sua vez, carrega a musculatura institucional e o vínculo com o interior. Juntos, ampliariam o alcance do projeto.

Ao mesmo tempo, ambos mantêm diálogo ativo com o governador Ratinho Junior (PSD). E é justamente aí que o jogo trava — ou se define.

A peça que ainda não se moveu

O governador Ratinho Junior segue em silêncio calculado. Dentro do PSD, há pressão para que o nome de Guto Silva avance como pré-candidato. O apoio público de lideranças como o deputado Luiz Claudio Romanelli não deixa dúvida: existe uma corrente organizada nesse sentido.

O cenário, portanto, não é de definição — é de disputa contida. Ninguém rompe. Mas também ninguém garante unidade.

Unidade, no discurso. Disputa, na prática

Curi insiste na palavra “unidade”. Reforça que sua pré-candidatura nasceu dentro do grupo governista e que dividir forças seria um erro político. O argumento é legítimo. Mas carrega, nas entrelinhas, um objetivo evidente: ser o nome de consenso.

Enquanto esse consenso não se materializa, o que existe é uma movimentação constante — silenciosa em alguns momentos, explícita em outros. É o tipo de disputa que não se faz em palanque. Se faz em articulação política.

O tempo corre — e define

Nos bastidores, a avaliação é de que a decisão está próxima. O calendário eleitoral não permite indefinições prolongadas. Até lá, Curi segue ocupando espaço. Conversa, costura, consolida apoios e se posiciona como quem já está em campo.

Porque, em política, há momentos em que esperar não é uma opção. É preciso agir como candidato — antes mesmo de ser oficializado como um. As pesquisas mais recentes mostram uma polarização entre Sérgio Moro (PL) e Requião Filho (PDT), mas a entrada de Curi, com um grupo político unido e coeso na disputa, certamente irá alterar novos cenários, ainda mais se contarem com o apoio do governador Ratinho Junior, um dos mais populares do Brasil.

A sorte está lançada!

Apoie o Sulpost via PIX: (41) 99281-4340 • WhatsApp

Morre aos 99 anos o muralista mexicano Melchor Peredo, um dos últimos herdeiros do século XX

Artista deixa legado marcado por crítica social, identidade latino-americana e fidelidade à tradição do muralismo

Morre aos 99 anos o muralista mexicano Melchor Peredo, um dos últimos herdeiros do século XX. Artista deixa legado marcado por crítica social, identidade latino-americana e fidelidade à tradição do muralismo
Melchor Peredo García - Sputnik/Reprodução 

O silêncio tomou conta de Xalapa, neste dia 8 de abril de 2026. A cidade, no leste do México, amanheceu como se uma parede do tamanho da América Latina toda tivesse deixado de contar sua história, a nossa história.

Morreu aos 99 anos o muralista Melchor Peredo García, um dos últimos representantes vivos de uma geração que transformou muros em manifestos e arte em consciência coletiva. Com sua partida, encerra-se mais um capítulo direto do muralismo mexicano — um dos movimentos culturais mais potentes da América Latina.

Nascido na Cidade do México, em 6 de janeiro de 1927, foi discípulo indireto de gigantes como Diego Rivera, José Clemente Orozco e David Alfaro Siqueiros, Peredo construiu uma trajetória própria, profundamente marcada por temas sociais, humanistas e pela identidade nacional mexicana. Sua obra nunca foi neutra — dialogava com o povo, com a história e com as tensões do seu tempo.

Ao longo da vida, produziu pelo menos 25 murais, espalhados não apenas pelo México, mas também por países como Estados Unidos, Canadá e França. Em cada parede, uma narrativa: conflitos, resistências, memórias.

Mesmo nas fases mais recentes, já nonagenário, o artista seguiu ativo. Revisitou episódios como a chegada dos espanhóis à América, propondo leituras críticas e contemporâneas — uma prova de que sua arte nunca se acomodou ao passado.

A morte de Peredo não apaga seus traços. Eles permanecem — firmes — nas superfícies que escolheu como palco, onde a história ainda respira em cores e formas.

Apoie o Sulpost via PIX: (41) 99281-4340 • WhatsApp

quarta-feira, 8 de abril de 2026

PM do Paraná sob pressão: denúncias se acumulam e prisão de “Sancho Loko” aprofunda crise

Investigações sobre desvio milionário de drogas, violência e fraudes se cruzam e expõem fissuras dentro da corporação

PM do Paraná sob pressão: denúncias se acumulam e prisão de “Sancho Loko” aprofunda crise. Investigações sobre desvio milionário de drogas, violência e fraudes se cruzam e expõem fissuras dentro da corporação
O PM e influencer Junior Sancho Cambuhy, conhecido como “Sancho Loko” - Reprodução/Redes sociais

O que começa como uma suspeita isolada, às vezes, cresce em silêncio — até se tornar impossível ignorar. No Paraná, uma sequência recente de denúncias envolvendo policiais militares passou a formar um quadro mais amplo, mais sensível — e mais difícil de explicar como episódios desconectados. Ontem mesmo (7) a Oposição na ALEP promoveu uma audiência pública sobre denúncias de desvios graves na Polícia Militar do Paraná (PMPR), inclusive com assassinatos durante abordagens policiais.

De acordo com denúncias, há apreensão de drogas que desaparecem. Operações suspeitas. Violência fora do protocolo. E agora, a prisão de um policial conhecido do grande público. As peças ainda estão sendo organizadas pelas investigações. Mas o desenho que começa a surgir já pressiona a corporação por respostas.

300 quilos de crack e uma diferença que não fecha a conta

O ponto de partida dessa sequência remonta a uma apreensão realizada em outubro do ano passado, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. Segundo as investigações, cerca de 300 quilos de crack teriam sido recolhidos. No entanto, apenas 30 quilos foram oficialmente apresentados.

A diferença — aproximadamente 270 quilos, avaliados em até R$ 45 milhões — levantou suspeitas dentro da própria Polícia Militar. Nove policiais passaram a ser investigados. Parte deles foi afastada das funções e perdeu o porte de arma. Mas o caso rapidamente deixou de ser apenas contábil.

Quando a droga some, a violência aparece

Com o avanço das apurações, surgiram conexões com episódios mais graves. Em novembro, no bairro Sítio Cercado, um homem foi retirado de casa por indivíduos armados que se apresentavam como agentes do Gaeco. Horas depois, ele foi encontrado morto na Cidade Industrial de Curitiba.

Relatos indicam que vítimas foram levadas a áreas isoladas e pressionadas a revelar o paradeiro de uma carga de drogas desaparecida. A principal linha investigativa considera que o sumiço da droga pode ter alimentado disputas no tráfico — com reflexos diretos em crimes violentos na Grande Curitiba.

Policiais entre os investigados

Outro episódio ampliou ainda mais o alcance das suspeitas. Uma abordagem na BR-369, envolvendo um caminhão-cegonha, levou à identificação de um grupo que buscava cocaína na carga. Entre os ocupantes do veículo interceptado posteriormente, estavam policiais militares.

Todos passaram a integrar a lista de investigados. Aos poucos, os elementos começaram a se conectar:

  • drogas desaparecidas
  • ações com aparência de operações oficiais
  • violência associada a disputas do crime
  • e agentes públicos sob suspeita

Como todos sabem o pelotão é reflexo do comandante, então é no mínimo um desatino afirmar que o ponto forte do governo Ratinho Júnior foi, ou é a Segurança Pública. Este blog de maneira alguma tentar associar os crimes relatados no passado com as prisões de ontem, entretanto quando padrões começam a se  repetir é preciso atenção. A corporação pode estar doente.

Prisão de “Sancho Loko” muda o cenário

Na terça-feira (7), a crise ganhou um novo capítulo — desta vez, com prisão. O policial militar Júnior Sancho Cambuhy, conhecido como “Sancho Loko”, foi preso em Curitiba durante uma operação do Gaeco (MP-PR).

Outros dois policiais também foram alvos da ação, que cumpriu mandados expedidos pela Justiça Militar. A investigação apura a suspeita de prática reiterada de crimes como:

  • tortura
  • fraude processual
  • lesão corporal
  • falsidade ideológica

Durante a operação, foram apreendidos celulares e dispositivos eletrônicos que devem ser periciados.

Nas residências de dois investigados, foram encontradas munições irregulares e dinheiro em espécie. Já em armários sem identificação dentro de uma unidade da Polícia Militar, foram localizados simulacros de armas, munições e porções de drogas, incluindo maconha, crack e cocaína. Veja nas fotos a seguir, divulgadas pelo Gaeco.

 
 

Entre a farda e as redes sociais

“Sancho Loko” não é um policial desconhecido. Com mais de 260 mil seguidores, ele construiu presença nas redes sociais mostrando bastidores da rotina policial, vídeos de abordagens e participações em conteúdos informais — muitas vezes marcados por linguagem agressiva e posições polêmicas.

Dois dias antes da operação, publicou um vídeo após uma abordagem, relatando uma situação cotidiana de serviço. A repercussão da prisão rapidamente ultrapassou o ambiente institucional e chegou ao campo pessoal.

A filha do policial, em publicação nas redes sociais, saiu em defesa do pai, afirmando que ele estaria sendo perseguido e destacando valores como honra e caráter.

Defesa fala em inocência

O advogado do policial, Claudio Dalledone afirmou que irá comprovar a inocência de seu cliente. Segundo ele, os itens apreendidos são compatíveis com a atuação de Sancho como instrutor de tiro e não há irregularidades comprovadas até o momento.

A defesa também afirmou que a expectativa é de que, após audiência de custódia, a Justiça determine a liberdade do policial.

“É como descobrir um criminoso dentro da própria casa”

Dentro da corporação, o impacto desses episódios é silencioso — mas profundo. O Sulpost conversou com uma fonte da Polícia Militar, que preferiu não se identificar, e o relato revela um sentimento que raramente aparece nas versões oficiais.

Segundo ela, casos como esses provocam vergonha e repulsa entre policiais.

“A maioria é de gente honesta, que sai de casa todos os dias sem saber se vai voltar. A gente arrisca a vida. Quando aparece alguém envolvido em crime, isso atinge todo mundo”, afirmou.

A comparação é direta — e carregada de significado:

“É como descobrir um familiar dentro da sua própria casa fazendo coisa errada. Roubando, desviando, cometendo crime. É uma sensação de vergonha.”

Uma instituição sob pressão

Em nota, a Polícia Militar do Paraná (PMPR) afirmou que irá instaurar procedimentos administrativos e reforçou que não compactua com desvios de conduta. As investigações seguem em andamento, tanto na Corregedoria quanto no Ministério Público.

Mas o impacto já é visível. Do lado de fora, cresce a desconfiança. Do lado de dentro, o desgaste se acumula em silêncio.

Entre denúncias, afastamentos e agora prisões, o que está em jogo deixa de ser apenas a responsabilização individual — e passa a tocar na confiança em uma instituição que opera diariamente no limite entre o risco e o dever. Inclusive levantando outro debate, a desmilitarização das polícias no Brasil.

Apoie o Sulpost via PIX: (41) 99281-4340 • WhatsApp

Moro conduz sessão sobre lei penal e acende embate direto com Requião Filho no Paraná

Proposta que amplia poder dos estados sobre crimes e penas expõe tensão constitucional e vira combustível eleitoral

 
Eles se encaram, frente a frente, na disputa pelo governo do Estado do Paraná em 2026 na foto editorial que você vai gerar, no formato paisagem, para ilustrar a matéria
Ilustração: Sulpost/IA

O plenário segue o rito — mas o que está em jogo ali não é rotina. É estrutura. É poder. Na presidência da sessão, o senador Sergio Moro conduz a aprovação de uma proposta que toca num dos pontos mais sensíveis da Constituição: quem decide o que é crime no Brasil.

O texto, de autoria do senador Wilder Morais (PL-GO), avança com relativa tranquilidade na comissão. Na superfície, parece mais um passo legislativo. Mas o conteúdo carrega peso: abre caminho para que estados e o Distrito Federal passem a legislar sobre direito penal, processual penal e execução penal.

Na prática, significa permitir que governos estaduais tipifiquem condutas e estabeleçam punições — algo que, hoje, pertence exclusivamente à União.

Uma linha fina da Constituição

A Constituição até admite delegação. Existe uma brecha técnica. Mas ela nunca foi pensada para uma transferência ampla como essa. É aí que o debate começa a sair do papel e entrar no campo da incerteza.

Se cada estado puder definir crimes e penas, o país passa a conviver com múltiplos códigos penais na prática. O que é crime em um lugar pode não ser em outro. A mesma conduta pode gerar punições diferentes, dependendo da fronteira estadual.

E há um ponto ainda mais sensível: a possibilidade de a lei estadual prevalecer sobre a federal em determinados casos. Isso tensiona diretamente o modelo federativo e deve, inevitavelmente, parar no Supremo Tribunal Federal se avançar como está.

A política entra em cena

Não demorou. Fora do Senado, a reação veio rápida — e com tom elevado.

Pré-candidato ao governo do Paraná, Requião Filho transformou o episódio em crítica direta ao adversário. Sem rodeios:

“Sérgio Moro acabou de presidir uma sessão [...] que deixa que os estados do Brasil façam a sua própria legislação penal, o que é incondicional. E Moro, como juiz, deveria saber disso. Mas ele quer fazer campanha, quer enganar vocês.”

A fala carrega imprecisão técnica — o projeto não é exatamente “incondicional”. Mas o alerta sobre o impacto constitucional não é trivial. E o discurso não para aí.

O confronto explícito

Ao avançar na crítica, Requião Filho desloca o debate do jurídico para o simbólico. Constrói um cenário hipotético, direto, quase provocativo:

“Se eu pudesse fazer a legislação penal [...] não teriam mais acordos secretos entre políticos e Ministério Público.”

E completa, elevando o tom:

“Eu ia botar juiz na cadeia, em especial aqueles que se aproveitaram do cargo para se autopromover e entrar na política.”

A crítica é aberta. Direta. Personalizada. Não há, no conteúdo apresentado, comprovação dessas acusações mais amplas — mas o efeito político é evidente: tensionar a imagem de Moro e reposicionar o debate sob a lente da desconfiança institucional.

Entre o jurídico e o eleitoral

O projeto segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). É lá que a proposta deve ser dissecada — artigo por artigo — e confrontada com os limites reais da Constituição. Mas, fora do papel, o cenário já mudou.

No Paraná, o episódio deixa de ser apenas um debate técnico e se transforma em peça de campanha. De um lado, Moro associado a uma agenda de endurecimento e reorganização do sistema penal. Do outro, Requião Filho apostando no confronto direto e na crítica à legitimidade desse movimento.

O que começou como tramitação legislativa agora respira como disputa política. E não parece que vai desacelerar.

Apoie o Sulpost via PIX: (41) 99281-4340 • WhatsApp

TCE-PR suspende licitação de R$ 580 milhões do programa Olho Vivo após denúncia da oposição

Tribunal aponta falhas graves no edital, incluindo possível sobrepreço, riscos à privacidade e falta de planejamento no projeto do Governo Ratinho Jr.

Sulpost — 07 de abril de 2026

TCE-PR suspende licitação de R$ 580 milhões do programa Olho Vivo após denúncia da oposição
Deputado Arilson Chiorato, Líder da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná e presidente do PT-PR (Foto: Valdir Amaral/Alep)

A movimentação começou semanas atrás — quase em silêncio — dentro dos gabinetes e documentos técnicos. Agora, ganhou forma oficial.

O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) determinou a suspensão da licitação de até R$ 580,9 milhões do programa de videomonitoramento “Olho Vivo”, iniciativa do Governo Ratinho Jr. (PSD). A decisão ocorre após análise técnica que identificou uma série de inconsistências no edital — muitas delas já apontadas anteriormente pelo deputado estadual Arilson Chiorato (PT), líder da oposição na Assembleia Legislativa.

A denúncia havia sido protocolada em março e questionava desde a modelagem da contratação até a atuação da empresa Paladium Corp no projeto.

“Eu denunciei porque o edital tinha problemas. Agora o Tribunal confirma que a licitação não poderia seguir como estava”, afirmou o parlamentar.

O que o Tribunal encontrou

A decisão cautelar foi baseada em relatório técnico que identificou ao menos seis grupos de irregularidades no processo licitatório. Entre os pontos mais sensíveis estão falhas na formação de preços, ausência de detalhamento técnico e inconsistências no modelo de contratação.

Um dos dados que mais chamou atenção foi o valor estimado: o custo mensal do sistema no Paraná poderia chegar a R$ 8,7 milhões — cerca de 925% acima de um projeto semelhante implantado em São Paulo. 0

Além disso, o TCE apontou que o orçamento foi baseado em apenas três cotações informais, sem estudo técnico aprofundado que justificasse os valores.

Também foram identificados:

  • uso de modalidade de licitação considerada inadequada para a complexidade do serviço;
  • risco de sobreposição com sistemas já utilizados pelo próprio Estado;
  • falta de participação da Secretaria da Segurança Pública no planejamento;
  • contradições internas no edital e nas regras de execução do contrato.

Risco com dados e vigilância

Outro ponto sensível envolve o uso de dados da população. O sistema prevê tecnologias como reconhecimento facial, leitura de placas e análise automatizada de imagens em larga escala.

Segundo o Tribunal, não há garantias claras sobre como essas informações seriam protegidas — nem limites definidos para o uso das imagens pelas empresas contratadas, inclusive para treinamento de sistemas de inteligência artificial.

Esse tipo de lacuna levanta questionamentos sobre conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e reforça críticas já feitas na denúncia apresentada ao TCE.

Denúncia anterior já apontava irregularidades

Antes da suspensão, o deputado Arilson Chiorato já havia acionado o Tribunal de Contas pedindo a paralisação do programa. Entre os pontos levantados estavam a ausência de licitação em contratos iniciais, falta de transparência e possível favorecimento à empresa Paladium Corp. 3

A denúncia também questiona a atuação da empresa no desenvolvimento do projeto, sugerindo que ela teria participado da modelagem do sistema antes mesmo de um processo competitivo formal — o que poderia comprometer a concorrência. 4

Outro ponto crítico é a dúvida sobre a real necessidade de uma nova plataforma, já que o Estado utiliza soluções tecnológicas semelhantes por meio de infraestrutura existente.

O que é o programa Olho Vivo

O “Olho Vivo” é um programa de segurança pública baseado em videomonitoramento inteligente. Ele integra câmeras instaladas em vias públicas, leitura automática de placas e cruzamento de dados em tempo real.

Atualmente, o sistema já opera em dezenas de municípios paranaenses e faz parte da estratégia de expansão tecnológica da segurança pública no estado. 5

A licitação suspensa previa justamente a contratação de uma nova plataforma digital para ampliar essa estrutura em todo o Paraná, com contrato de cinco anos.

O Tribunal deixou claro que a decisão não afeta o funcionamento atual do programa — apenas interrompe o andamento do edital.

Próximos passos

O processo segue em análise no TCE-PR. Os responsáveis pela licitação terão prazo para apresentar justificativas e eventuais correções.

Paralelamente, ainda está pendente a decisão sobre a legalidade da atuação da plataforma Paladium Corp, ponto central da denúncia apresentada pela oposição.

O deputado Arilson também anunciou que pretende recorrer de decisões relacionadas à operação atual do sistema, incorporando os novos elementos identificados pelo Tribunal.

“Não dá pra mexer com quase R$ 581 milhões sem planejamento claro. Vamos continuar fiscalizando cada contrato”, afirmou.

Apoie o Sulpost via PIX: (41) 99281-4340 • WhatsApp

terça-feira, 7 de abril de 2026

Itaipu direciona R$ 5,7 bilhões para segurar tarifa de energia até 2026

A medida busca reduzir o impacto nas contas de luz e reforça o papel da usina como reguladora do equilíbrio energético no país

O relógio da conta de luz continua girando nas casas brasileiras — discreto, constante, quase invisível no dia a dia. Mas, nos bastidores do setor elétrico, decisões bilionárias vêm sendo tomadas para tentar desacelerar esse avanço que pesa no bolso.
Foto: William Brisida/Itaipu Binacional

Entre 2023 e 2026, a Usina Hidrelétrica de Itaipu vai destinar R$ 5,7 bilhões com um objetivo claro: suavizar o impacto da energia elétrica para milhões de consumidores brasileiros. O movimento acontece em um momento de transição importante — o chamado cenário pós-dívida da binacional — e já começa a se traduzir em números concretos.

Segundo informe da hidrelétrica, a energia produzida por Itaipu está sendo comercializada a cerca de R$ 217 por megawatt-hora (MWh). É um valor que chama atenção quando comparado com outras referências do setor. Nas usinas enquadradas na Lei 12.783/2013, por exemplo, o custo médio gira em torno de R$ 236,73/MWh. Já no mercado regulado, onde as distribuidoras compram energia para abastecer residências e comércios, a projeção da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para 2026 aponta um preço médio bem mais elevado: R$ 342,71/MWh.

Na prática, essa diferença ajuda a conter reajustes mais agressivos nas tarifas finais — especialmente para consumidores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que concentram grande parte da energia distribuída a partir de Itaipu.

O movimento também segue uma diretriz mais ampla do governo federal: manter a energia em patamares acessíveis, mesmo diante das pressões naturais do setor, como custos de geração, transmissão e encargos.

Com a dívida histórica da usina praticamente equacionada, abre-se uma nova fase. E é justamente nesse ponto que Itaipu reposiciona seu papel — deixando de ser apenas uma gigante da geração para atuar também como instrumento direto de moderação tarifária.

Não se trata apenas de números. Para muitas famílias, qualquer variação na conta de luz pode significar ajustes imediatos no orçamento doméstico. É nesse intervalo — entre o técnico e o cotidiano — que decisões como essa ganham peso real.

Ao direcionar recursos para a chamada “modicidade tarifária”, Itaipu reforça uma função silenciosa, mas essencial: a de equilibrar um sistema complexo sem deixar que o custo recaia de forma desproporcional sobre quem está na ponta.

E, embora o consumidor talvez não veja essa movimentação de perto, ela já começa a aparecer — mês a mês — no valor final que chega impresso na fatura.

Apoie o Sulpost via PIX: (41) 99281-4340 • WhatsApp

Após reunião com Arilson, Gleisi e Romanelli, cobranças indevidas do free flow serão canceladas

Decisão da ANTT ocorre após pressão de parlamentares e denúncias de falhas no sistema de pedágio eletrônico no Paraná

 
Após reunião com Arilson, Gleisi e Romanelli, cobranças indevidas do free flow serão canceladas. Decisão da ANTT ocorre após pressão de parlamentares e denúncias de falhas no sistema de pedágio eletrônico no Paraná
Cláudio Romanelli (PSD), Gleisi Hoffman (PT), Guilherme Sampaio (ANTT) e Arilson Chiorato (PT) - Divulgação

O que começou como um incômodo isolado virou um problema coletivo — e agora, ao menos no papel, começa a ter resposta. As cobranças indevidas feitas pelo sistema de pedágio eletrônico free flow nas rodovias do Paraná deverão ser canceladas.

A decisão foi anunciada pelo diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio, após reunião realizada em Brasília, na última segunda-feira (06), com a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) e os deputados estaduais Arilson Chiorato (PT) e Luiz Cláudio Romanelli (PSD).

O encontro, articulado por Gleisi, expôs uma série de falhas no modelo implantado no estado — algumas delas consideradas graves pelos parlamentares. Entre os principais problemas apontados estão a mudança estratégica na localização de pórticos para ampliar a arrecadação, cobranças integrais em trajetos que deveriam ser proporcionais e a ausência de pontos físicos de atendimento ao usuário.

Um dos exemplos citados foi o da praça de Rolândia, originalmente prevista para Arapongas, o que teria alterado diretamente o impacto sobre os motoristas que utilizam o trecho.

A reunião também abriu caminho para um novo passo: a realização de uma audiência pública no Paraná, com participação da ANTT. O objetivo é entender, em campo, o que vem acontecendo nas concessões rodoviárias.

“As cobranças indevidas por pórticos eletrônicos, desconectadas da realidade, viraram uma preocupação e até um trauma para o povo paranaense, ainda mais quando vêm acompanhadas de multas”, afirmou o deputado Arilson Chiorato, que lidera a oposição na Assembleia Legislativa.

Para ele, o encontro trouxe avanços concretos. “Saímos com a perspectiva de diálogo no Paraná e com medidas para resolver os problemas nesses trechos”, disse.

Gleisi Hoffmann também avaliou positivamente o resultado. Segundo a deputada, há sinalização clara de encaminhamentos para os lotes 4 e 6, onde se concentram as principais falhas do sistema.

Já Romanelli destacou o caráter técnico das críticas apresentadas. “Da forma como estão instalados, os pórticos eletrônicos estão causando prejuízo aos usuários”, afirmou. Ele acrescentou que a ANTT reconheceu inconsistências e deve iniciar ajustes, começando pelo lote 6, além de apurar a situação do lote 4, onde, segundo ele, não haveria autorização para implantação do modelo.

Na prática, a promessa agora é corrigir distorções que, para muitos motoristas, deixaram de ser exceção e passaram a fazer parte da rotina nas estradas do estado.

Apoie o Sulpost via PIX: (41) 99281-4340 • WhatsApp

Primeiro navio de cruzeiro movido a hidrogênio já é realidade

Projeto “Viking Libra” inaugura uma nova fase na navegação e coloca a indústria de cruzeiros diante de um futuro com emissão zero

Projeto “Viking Libra” inaugura uma nova fase na navegação e coloca a indústria de cruzeiros diante de um futuro com emissão zero

O horizonte ainda é o mesmo — azul, vasto, silencioso. Mas algo começa a mudar na forma como os navios atravessam esse cenário. No fim de março, a indústria naval deu um passo que, até pouco tempo atrás, parecia distante: foi anunciado o primeiro navio de cruzeiro com propulsão baseada em hidrogênio.

Batizado de “Viking Libra”, o projeto nasce da parceria entre a operadora Viking e o estaleiro italiano Fincantieri. Mais do que um novo navio, ele representa uma virada de chave tecnológica — e simbólica — em um dos setores mais pressionados por seu impacto ambiental.

Com cerca de 54 mil toneladas de arqueação bruta e 239 metros de comprimento, a embarcação foi projetada para receber até 998 passageiros, distribuídos em 499 cabines. A entrega está prevista para o final de 2026, no estaleiro de Ancona, na Itália — uma unidade que vem sendo posicionada como polo estratégico de inovação, com uso crescente de automação, robótica e inteligência artificial.

O diferencial, no entanto, está no coração do navio. O “Viking Libra” será parcialmente movido por hidrogênio liquefeito, combinado a um sistema de células de combustível (fuel cells). Na prática, isso permite gerar energia a bordo sem combustão direta, reduzindo drasticamente as emissões.

Em determinadas condições operacionais, a embarcação poderá navegar com emissão zero, o que abre portas para acessar regiões ambientalmente sensíveis — áreas que, hoje, já impõem restrições cada vez mais rígidas à presença de grandes cruzeiros.

O anúncio não acontece isoladamente. A Viking mantém uma relação consolidada com a Fincantieri, e o projeto integra um portfólio que já soma 26 embarcações, entre unidades entregues, encomendadas e em fase de negociação. Há, portanto, uma estratégia industrial em curso — não apenas um experimento pontual.

A mudança, ainda assim, não é simples. O uso de hidrogênio em larga escala enfrenta desafios técnicos e logísticos relevantes. O combustível precisa ser armazenado em temperaturas extremamente baixas, próximas de −253 °C, e a infraestrutura global de abastecimento ainda é limitada. Além disso, os custos permanecem elevados quando comparados aos combustíveis fósseis tradicionais.

Mesmo com essas barreiras, o movimento é claro. Pressionada por regulações ambientais mais rígidas e por uma demanda crescente por práticas sustentáveis, a indústria de cruzeiros começa a redesenhar seus próprios limites.

O “Viking Libra” não resolve o problema sozinho. Mas indica, com precisão, a direção que o setor pretende seguir. E, desta vez, o avanço não está apenas na rota — está no combustível que move a viagem.

Apoie o Sulpost via PIX: (41) 99281-4340 • WhatsApp
Gostou?
Então contribua com qualquer valor
Use a chave PIX ou o QR Code abaixo
(Stresser Mídias Digitais - CNPJ: 49.755.235/0001-82)

Sulpost é um veículo de mídia independente e nossas publicações podem ser reproduzidas desde que citando a fonte com o link do site: https://sulpost.blogspot.com/. Sua contribuição é essencial para a continuidade do nosso trabalho.