sexta-feira, 10 de julho de 2026

Inflação perde força, alimentos ficam mais baratos e dão alívio ao bolso dos brasileiros

Queda nos preços da alimentação faz IPCA desacelerar para 0,16% em junho, menor índice desde outubro de 2025. Energia elétrica continua sendo a principal pressão sobre o custo de vida

Inflação perde força, alimentos ficam mais baratos e dão alívio ao bolso dos brasileiros. Queda nos preços da alimentação faz IPCA desacelerar para 0,16% em junho, menor índice desde outubro de 2025. Energia elétrica continua sendo a principal pressão sobre o custo de vida.

Os brasileiros receberam uma notícia positiva para o orçamento doméstico nesta sexta-feira (10). Depois de meses de alta, os preços dos alimentos finalmente recuaram, ajudando a inflação oficial do país a desacelerar de forma significativa.

Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou junho em 0,16%, bem abaixo dos 0,58% registrados em maio. É o menor resultado mensal desde outubro de 2025 e confirma uma tendência de perda de força da inflação pelo quarto mês consecutivo.

No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação ficou em 4,64%, ainda acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5%, mas abaixo dos 4,72% registrados até maio, indicando uma melhora gradual do cenário.

Alimentos finalmente dão um respiro

A principal notícia para as famílias brasileiras veio da mesa. Pela primeira vez desde novembro de 2025, o grupo Alimentação e Bebidas registrou deflação, ou seja, os preços caíram. A alimentação consumida dentro de casa ficou, em média, 0,39% mais barata, refletindo maior oferta de alguns produtos agrícolas e a acomodação de preços que haviam disparado nos meses anteriores.

Entre os alimentos que mais contribuíram para reduzir a inflação estão:

  • Café moído: -3,72%
  • Frutas: -1,58%
  • Carnes: -0,64%
  • Açaí: -14,41%
  • Óleo de soja: -2,78%
  • Tomate: -2,02%

Segundo o analista do IBGE Fernando Gonçalves, a redução reflete tanto a normalização da oferta quanto uma devolução das fortes altas observadas nos meses anteriores.

Para milhões de brasileiros, especialmente as famílias de menor renda, esse movimento representa um alívio importante, já que os alimentos continuam sendo um dos itens que mais pesam no orçamento doméstico.

Energia elétrica continua pressionando

Se a comida ficou mais barata, a conta de luz seguiu na direção oposta. O grupo Habitação foi o principal responsável pelas pressões inflacionárias em junho. A energia elétrica residencial subiu 1,53%, impulsionada pela manutenção da bandeira tarifária amarela e pelos reajustes autorizados em cidades como Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

Como o IPCA mede a inflação nacional, esses reajustes regionais acabam influenciando a média do país.

Combustíveis ajudam, passagens aéreas pesam

No grupo Transportes, os combustíveis também contribuíram para conter a inflação.

  • Etanol: -3,09%
  • Óleo diesel: -1,19%
  • Gasolina: -0,12%
  • Gás veicular: -0,19%

Em contrapartida, as passagens aéreas registraram alta de 7,12%, reduzindo parte do efeito positivo provocado pela queda dos combustíveis.

Inflação está menos espalhada

Outro indicador importante também trouxe boas notícias. O índice de difusão, que mede quantos produtos e serviços pesquisados tiveram aumento de preços, caiu para 54%, o menor patamar desde outubro de 2025.

Na prática, isso significa que a inflação está menos disseminada pela economia, atingindo um número menor de produtos ao mesmo tempo.

Mercado foi surpreendido

O resultado divulgado pelo IBGE ficou abaixo da expectativa do mercado financeiro. O boletim Focus, do Banco Central, projetava inflação de 0,32% para junho, exatamente o dobro do índice efetivamente registrado.

Apesar da desaceleração, a projeção dos analistas ainda aponta inflação próxima de 5,3% para o encerramento de 2026.

INPC também desacelera e influencia reajustes salariais

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), utilizado como referência para diversos reajustes salariais, fechou junho em 0,14% e acumula 4,33% nos últimos 12 meses.

O indicador mede a inflação das famílias com renda entre um e cinco salários mínimos e influencia diretamente negociações coletivas, benefícios previdenciários e o cálculo do salário mínimo.

Como os alimentos têm peso maior na composição do INPC, a redução observada em junho representa um alívio ainda mais importante para os trabalhadores de menor renda.

Governo adia decisão sobre subsídio da gasolina

Embora os combustíveis tenham ajudado a conter a inflação em junho, o governo federal decidiu adiar para a próxima semana a decisão sobre o eventual encerramento do subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina.

Segundo o Ministério da Fazenda, a nova escalada do preço internacional do petróleo, provocada pelo aumento das tensões militares entre Estados Unidos e Irã, recomenda cautela para evitar novos aumentos nos combustíveis e impactos sobre a inflação.

Ao mesmo tempo, o governo reafirmou que mantém os planos previstos na Lei do Combustível do Futuro, ampliando gradualmente a participação do etanol na gasolina e do biodiesel no diesel, reduzindo a dependência do mercado internacional.

Perspectivas para o segundo semestre

Os números de junho indicam um cenário mais favorável para a economia brasileira. A queda dos preços dos alimentos devolve parte do poder de compra das famílias, enquanto a desaceleração da inflação pode abrir espaço para maior estabilidade econômica nos próximos meses.

Apesar disso, especialistas alertam que fatores externos, como a cotação internacional do petróleo, o comportamento da energia elétrica e o cenário geopolítico mundial, continuam sendo variáveis importantes para a trajetória da inflação ao longo do segundo semestre.

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Banco Máfia: PF amplia investigação sobre o Banco Master e mira empresário acusado de monitorar jornalistas e autoridades

Décima fase da Operação Compliance Zero reforça suspeitas de que o grupo comandado por Daniel Vorcaro utilizava campanhas de influência, monitoramento de adversários e estruturas paralelas para proteger interesses do banco. Defesa nega irregularidades

  

Banco Máfia: PF amplia investigação sobre o Banco Master e mira empresário acusado de monitorar jornalistas e autoridades. Décima fase da Operação Compliance Zero reforça suspeitas de que o grupo comandado por Daniel Vorcaro utilizava campanhas de influência, monitoramento de adversários e estruturas paralelas para proteger interesses do banco. Defesa nega irregularidades.

As investigações envolvendo o Banco Master ganharam mais um capítulo nesta semana. A PF deflagrou a 10ª fase da Operação Compliance Zero e colocou no centro das apurações o empresário Thiago Miranda, apontado pelos investigadores como um dos responsáveis por monitorar jornalistas, executivos do sistema financeiro e servidores públicos considerados obstáculos aos interesses do grupo liderado pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que conduz os processos envolvendo autoridades com foro privilegiado. Segundo a decisão judicial, as provas reunidas pela Polícia Federal indicam que Miranda teria desempenhado papel estratégico em levantamentos sobre a vida privada e profissional de pessoas que produziam reportagens ou tomavam decisões capazes de afetar os negócios do Banco Master.

Entre os casos citados está o da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, autora de diversas reportagens que revelaram detalhes das investigações envolvendo o banco.

Os investigadores também identificaram mensagens nas quais Daniel Vorcaro solicita informações sobre Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú. Em um dos diálogos reproduzidos na investigação, o banqueiro escreve que o executivo "está me causando muito problema". A resposta atribuída a Thiago Miranda é direta: "Deixa comigo".

Estrutura paralela

Na avaliação da PF, o monitoramento de jornalistas e executivos seria apenas uma das frentes de atuação de um grupo que teria sido estruturado para proteger Daniel Vorcaro e blindar o Banco Master diante do avanço das investigações.

Os investigadores sustentam que recursos financeiros ligados ao esquema investigado também teriam sido utilizados para financiar campanhas de desinformação, ataques coordenados em redes sociais e produção de conteúdo favorável ao banco, utilizando influenciadores digitais e operadores contratados.

As suspeitas fazem parte de um conjunto de investigações que apuram, entre outros crimes, organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro, corrupção e utilização de operações financeiras sem lastro suficiente.

Operação já acumula dez fases

A Compliance Zero tornou-se uma das maiores investigações financeiras já conduzidas pela Polícia Federal. Desde sua primeira fase, em novembro de 2025, dezenas de pessoas foram presas ou se tornaram alvo de medidas cautelares.

Ao longo da investigação, a Justiça determinou bloqueios bilionários de bens, afastamento de dirigentes, apreensão de documentos e aparelhos eletrônicos, além de diversas ordens de busca e apreensão em vários estados brasileiros.

O caso também passou a envolver empresários, operadores financeiros, executivos do mercado, agentes públicos e políticos investigados por suposta atuação em favor dos interesses do Banco Master.

Defesa nega acusações

Por meio de nota enviada à Agência Brasil, o advogado Rafael Martins afirmou que Thiago Miranda nunca praticou qualquer ato criminoso.

Segundo a defesa, o empresário sempre atuou dentro da legalidade, respeitando as instituições democráticas, e permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.

Sem novidades nesta sexta-feira

Até a publicação desta reportagem, na manhã desta sexta-feira (10), não havia registro oficial de novas prisões, novas buscas ou novas decisões judiciais relacionadas à décima fase da Operação Compliance Zero além das medidas anunciadas na quinta-feira.

As investigações continuam sob supervisão do STF e novas fases da operação não estão descartadas, diante do volume de provas ainda em análise pela Polícia Federal.

Nas redes sociais e em parte dos bastidores políticos e policiais, o Banco Master passou a ser informalmente chamado por alguns comentaristas de "Banco Máfia". No entanto, essa expressão não é utilizada oficialmente pela Polícia Federal, pelo Ministério Público ou pelo Supremo Tribunal Federal.

Nos documentos judiciais, o termo empregado é "organização criminosa", hipótese investigativa que ainda depende de julgamento definitivo e do pleno exercício do contraditório pelos investigados. Banco Máfia é apelido de bastidores, que a organização financeira envolvida com o crime acabou adquirindo, no meio policial, financeiro, jurídico e jornalístico brasileiro.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Bolas de titânio caem do céu, interditam praia na Austrália e acendem alerta mundial sobre lixo espacial

Seis esferas metálicas encontradas em uma praia de Queensland levaram ao isolamento da área e mobilizaram especialistas. Autoridades australianas afirmam que os objetos são, muito provavelmente, partes de um foguete estrangeiro que reentrou na atmosfera — episódio reacende o debate sobre o crescimento do lixo espacial e seus riscos para a população

 
Bolas de titânio caem do céu, interditam praia na Austrália e acendem alerta mundial sobre lixo espacial

O que parecia uma cena de ficção científica transformou-se em uma operação de emergência no litoral da Austrália. A tranquila Forrest Beach, no estado de Queensland, foi parcialmente interditada após moradores encontrarem seis grandes esferas metálicas espalhadas pela areia ao longo de três dias consecutivos.

Num primeiro momento, ninguém sabia exatamente do que se tratava. As equipes da Polícia de Queensland, do Corpo de Bombeiros e especialistas em materiais perigosos foram acionadas às pressas. Por precaução, foi estabelecido um raio de isolamento de 50 metros ao redor de cada objeto.

As suspeitas iniciais eram preocupantes: as esferas poderiam conter resíduos de combustíveis altamente tóxicos utilizados em lançamentos espaciais, como hidrazina ou outros propelentes. Após os primeiros exames, entretanto, esse risco foi descartado.

Agência Espacial confirma hipótese mais provável

Depois de dias de análises, a Agência Espacial Australiana (Australian Space Agency) divulgou a atualização mais importante do caso.

Segundo o órgão, as peças aparentam ser vasos de pressão (pressure vessels) utilizados em veículos lançadores de foguetes. As características físicas e o local onde foram encontradas são compatíveis com destroços de um foguete estrangeiro que reentrou recentemente na atmosfera terrestre.

A investigação continua em parceria com autoridades internacionais para identificar oficialmente qual veículo espacial originou os fragmentos e qual país realizou o lançamento.

O que são essas "bolas espaciais"?

Especialistas em engenharia aeroespacial explicam que essas esferas funcionam como reservatórios pressurizados destinados ao armazenamento de gases ou combustíveis empregados durante o lançamento de foguetes.

Fabricadas com ligas extremamente resistentes — frequentemente de titânio ou materiais compostos de alta resistência — conseguem suportar temperaturas elevadíssimas durante a reentrada atmosférica, sobrevivendo onde praticamente toda a estrutura do foguete é destruída.

Após atingirem o oceano, muitas dessas esferas permanecem flutuando por dias ou semanas, sendo transportadas pelas correntes marítimas até praias, como ocorreu em Forrest Beach.

As bolas de titânio que caíram do espaço - Bombeiros de Queensland

Operação mobilizou equipes de emergência

As seis esferas foram encontradas entre sexta-feira e domingo por moradores que caminhavam pela praia.

Especialistas utilizaram equipamentos de proteção química para recolher os objetos, que foram armazenados em recipientes de segurança antes de seguirem para análise laboratorial.

As autoridades australianas afirmam que não há risco imediato para a população, mas alertam que novos fragmentos podem surgir na região caso outros destroços tenham caído no mar.

A recomendação é simples: qualquer objeto metálico incomum encontrado na praia deve permanecer onde está até a chegada das equipes de emergência.

Um problema que cresce acima das nossas cabeças

O episódio evidencia um desafio cada vez maior para a exploração espacial moderna.

Com o crescimento acelerado do número de lançamentos de satélites e foguetes em todo o mundo, aumenta também a quantidade de equipamentos que retornam à Terra após o fim de sua vida útil.

Embora a maior parte desses materiais seja destruída durante a reentrada na atmosfera, componentes extremamente resistentes podem sobreviver ao intenso calor e atingir oceanos ou até áreas habitadas.

Pesquisadores alertam que episódios semelhantes tendem a se tornar mais frequentes ao longo da próxima década, exigindo protocolos internacionais mais rigorosos para o monitoramento e descarte seguro de equipamentos espaciais.

Muito além da curiosidade

As misteriosas esferas rapidamente despertaram curiosidade entre moradores e turistas, gerando milhares de comentários nas redes sociais e até brincadeiras na imprensa australiana.

Mas, por trás do inusitado, permanece uma discussão importante: quem responde quando fragmentos de foguetes atravessam o céu e caem sobre territórios habitados?

Enquanto a Agência Espacial Australiana continua investigando a origem dos objetos em conjunto com parceiros internacionais, o caso de Forrest Beach torna-se mais um lembrete de que a nova corrida espacial também produz consequências que acabam retornando — literalmente — à Terra.

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Inclusão digital no Brasil ainda para na metade do caminho: maioria dos lares segue sem computador, revela pesquisa do IBGE

Enquanto mais de 90% dos brasileiros já utilizam a internet, milhões de estudantes e trabalhadores continuam limitados ao celular. Histórias de quem vive essa realidade mostram que a exclusão digital ainda é uma das faces mais silenciosas da desigualdade social

Foto: Eliane Gonçalves/Divulgação 

O Brasil comemora um marco importante: pela primeira vez, mais de 90% da população utilizou a internet. O dado, divulgado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios sobre Tecnologia da Informação e Comunicação (PNAD-TIC 2026), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), poderia sugerir que a inclusão digital finalmente alcançou a maioria dos brasileiros.

Mas basta olhar um pouco além dos números para perceber que a realidade é bem diferente.

Ter acesso à internet não significa, necessariamente, estar incluído no mundo digital. Para milhões de brasileiros, navegar depende exclusivamente de um telefone celular, quase sempre conectado por planos com franquias limitadas de dados. Quando esses dados acabam, interrompem-se também os estudos, o trabalho, o acesso aos serviços públicos e, muitas vezes, o exercício da própria cidadania.

Os números ajudam a dimensionar esse desafio. Embora 90,5% da população tenha utilizado a internet em 2025, 59,2% dos domicílios brasileiros ainda não possuem computador ou tablet. Além disso, 10,7% das residências dependem exclusivamente da internet móvel para permanecer conectadas.

Um muro invisível separa dois mundos

Poucos lugares simbolizam tão bem essa contradição quanto o Recife Antigo.

De um lado da Rua do Moinho está o Porto Digital, considerado um dos maiores polos de inovação tecnológica da América Latina, reunindo mais de 500 empresas que movimentaram cerca de R$ 7,4 bilhões em 2025.

Do outro lado da mesma rua está a Comunidade do Pilar.

Ali, centenas de famílias convivem diariamente com dificuldades que parecem incompatíveis com a vizinhança de um dos maiores centros tecnológicos do país.

A líder comunitária Ana Cláudia Miguel resume essa realidade em uma frase que talvez seja a melhor tradução da exclusão digital brasileira:

"O muro de pedra caiu faz muito tempo. Mas hoje existe um muro de bytes."

Ela lembra que, apesar da proximidade física com empresas de tecnologia, muitos moradores sequer possuem equipamentos para estudar ou desenvolver habilidades digitais.

"A gente mora ao lado do polo tecnológico, mas vive um enorme déficit de tecnologia", resume.

O contraste impressiona justamente porque evidencia que a desigualdade não depende apenas da distância geográfica. Às vezes, basta atravessar uma rua.

Quando estudar depende de ter um notebook

Os dados da pesquisa ganham rosto na história da jovem Eurídize Lima de Santana, de 23 anos.

Moradora da Comunidade do Pilar, ela conquistou uma bolsa integral para cursar Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Parecia o início de uma mudança de vida.

No entanto, quando as disciplinas passaram a exigir programação, surgiu um obstáculo aparentemente simples, mas intransponível para quem vive com orçamento apertado: ela não tinha computador.

Sem um notebook, tornou-se impossível acompanhar os exercícios, desenvolver códigos e entregar os trabalhos exigidos pela graduação.

Depois de um ano e meio de esforço, Eurídize precisou trancar o curso.

"Como uma pessoa que ganha um salário mínimo consegue comprar um notebook de R$ 3,5 mil? A gente pensa primeiro em pagar as contas e colocar comida dentro de casa."

Hoje ela continua estudando, mas em um curso de Gestão Financeira na modalidade de ensino a distância. Todas as aulas, pesquisas e atividades são realizadas exclusivamente pelo celular.

É uma realidade compartilhada por milhões de brasileiros que transformaram o telefone em sala de aula, escritório, banco, agência dos Correios, repartição pública e biblioteca ao mesmo tempo.

Internet virou condição para exercer direitos

Nos últimos anos, praticamente todos os serviços públicos passaram a depender da internet.

Inscrições no Enem, Bolsa Família, declaração do Imposto de Renda, boletins de ocorrência, consultas médicas, cadastros governamentais e inúmeros atendimentos migraram para plataformas digitais.

Na prática, estar desconectado significa perder oportunidades, atrasar processos e enfrentar dificuldades até mesmo para exercer direitos básicos.

Segundo a advogada e especialista em telecomunicações e direitos digitais Flávia Lefrève, muitos brasileiros acabam abrindo mão da internet fixa porque ela pesa no orçamento familiar.

Como consequência, passam a depender exclusivamente dos pacotes de dados da telefonia móvel, normalmente limitados.

Quando a franquia termina, explica a especialista, muitos usuários ficam praticamente isolados da internet aberta.

Sequência de operações amplia pressão sobre aliados de Flávio Bolsonaro e políticos da direita

Operações policiais aumentam foco sobre aliados de Flávio Bolsonaro, embora as investigações tenham objetos distintos, mostram o outro lado da direita brasileira

 
Sequência de operações amplia pressão sobre aliados de Flávio Bolsonaro e lideranças do PL. Operações policiais aumentam foco sobre aliados de Flávio Bolsonaro, embora as investigações tenham objetos distintos, mostram o outro lado da direita brasileira.

Uma sucessão de operações policiais e investigações envolvendo políticos ligados ao PL ou integrantes do entorno político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a movimentar os bastidores de Brasília e de diferentes estados brasileiros. Embora os casos sejam conduzidos por órgãos distintos e tratem de fatos específicos, a concentração desses episódios em um curto intervalo de tempo ampliou o debate sobre o momento vivido pelo grupo político bolsonarista.

O caso de maior repercussão nesta quinta-feira (9) envolve o ex-prefeito de Belford Roxo (RJ), Márcio Canella (União Brasil), aliado de Flávio Bolsonaro e apontado como um dos nomes apoiados pelo senador para disputar uma vaga ao Senado Federal nas eleições deste ano.

Operação no Rio de Janeiro

A Polícia Federal deflagrou a sexta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro, contratos irregulares e movimentações financeiras suspeitas envolvendo uma rede de postos de combustíveis. Segundo a investigação, os valores analisados ultrapassam R$ 7,6 bilhões ao longo de vários anos.

Durante o cumprimento dos mandados, Canella também foi preso em flagrante por porte irregular de um fuzil calibre .556, conforme informou a Polícia Federal. A defesa do ex-prefeito ainda deverá se manifestar no decorrer das investigações.

Embora não seja filiado ao PL, Canella mantém proximidade política com Flávio Bolsonaro. Seu nome vinha sendo tratado como um dos principais candidatos ao Senado no grupo político liderado pelo parlamentar no estado do Rio de Janeiro.

Outros casos recentes

A operação no Rio ocorre em meio a outros episódios recentes envolvendo políticos identificados com o campo bolsonarista ou filiados ao PL em diferentes estados, incluindo investigações que alcançaram agentes públicos em Governador Celso Ramos (SC) e Fazenda Rio Grande (PR).

Embora esses casos tenham despertado atenção por ocorrerem praticamente no mesmo período, até o momento as autoridades não indicaram que façam parte de uma única investigação ou que possuam conexão operacional entre si. Cada procedimento possui objeto próprio e tramita de forma independente.

O contexto político

A sequência de operações acontece enquanto seguem produzindo repercussão nacional as investigações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master. O avanço dessas apurações ampliou o interesse da opinião pública sobre relações políticas e empresariais que cercam importantes lideranças nacionais.

Até o momento, porém, não há informação oficial da Polícia Federal, do Ministério Público ou do Poder Judiciário indicando que exista relação direta entre essas investigações e as operações realizadas contra políticos ligados ao PL ou aliados de Flávio Bolsonaro.

Entre fatos e interpretações

No ambiente político, a sucessão de operações naturalmente alimenta interpretações e especulações. Do ponto de vista jornalístico, entretanto, é fundamental distinguir os fatos das hipóteses.

É fato que diferentes lideranças políticas identificadas com o campo bolsonarista passaram a ser alvo de investigações em um curto espaço de tempo. Também é fato que alguns desses investigados mantêm relações políticas com Flávio Bolsonaro.

O que ainda não está demonstrado oficialmente é que exista uma investigação única conectando todos esses episódios ou que eles representem um desdobramento direto das apurações envolvendo Daniel Vorcaro. Mas o filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Bolsonaro, está sob investigação.

Enquanto novos elementos não forem apresentados pelas autoridades, permanece o cenário de forte escrutínio sobre parte da classe política brasileira, em um momento de intensa movimentação no campo jurídico e eleitoral. Por anos a direita vem acusando à esquerda brasileira de corrupção, entretanto os acontecimentos recentes vêm mostrando justamente o contrário.

Fato é que o estrago está feito e as pesquisas eleitorais têm refletido essas operações policiais e vazamentos de conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. Flávio tem sido alvo de críticas e ataques inclusive de ex-aliados, como Michelle Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado.

Nota editorial do Sulpost

Esta reportagem foi produzida com base em informações públicas disponíveis até a publicação desta matéria. O Sulpost acompanha os desdobramentos das investigações e atualizará o conteúdo sempre que houver novos fatos oficialmente confirmados pelas autoridades competentes ou manifestações das partes citadas.

Barragens em alerta: Brasil ainda convive com riscos que Mariana e Brumadinho ensinaram da pior forma

Relatório da ANA aponta 213 barragens em situação crítica e revela déficit de fiscalização, reacendendo o debate sobre a segurança dessas estruturas no país

Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

Os rompimentos das barragens de Fundão, em Mariana (2015), e da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (2019), transformaram para sempre a história da mineração brasileira e da segurança de barragens. As duas tragédias somaram 291 mortes, destruíram comunidades inteiras, contaminaram importantes bacias hidrográficas e deixaram impactos ambientais, sociais e econômicos que ainda persistem.

Mais de uma década após Mariana e sete anos depois de Brumadinho, um novo levantamento mostra que o país continua convivendo com centenas de estruturas consideradas preocupantes.

O Relatório de Segurança de Barragens 2026 (RSB 2026), divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), identifica 213 barragens em situação prioritária de segurança. São estruturas que apresentam problemas de conservação ou cujos responsáveis ainda não cumprem integralmente as exigências previstas pela Política Nacional de Segurança de Barragens.

Espalhadas por 19 estados e o Distrito Federal, essas barragens podem representar riscos à população e a infraestruturas essenciais, como rodovias, pontes e sistemas de abastecimento.

Mineração concentra maior número de barragens críticas

O levantamento, divulgado também pela Agência Brasil, mostra que a mineração continua sendo a atividade com maior número de estruturas classificadas como prioritárias para fiscalização.

Ao todo, são 55 barragens de mineração, correspondendo a 26% das estruturas consideradas críticas pela ANA. Em seguida aparecem barragens destinadas ao abastecimento público de água (51), irrigação (29), regularização de vazão (20), paisagismo (17), dessedentação de animais (16) e outras finalidades (25).

Embora a classificação não signifique risco iminente de rompimento, ela indica que essas barragens necessitam de acompanhamento permanente e correção de pendências relacionadas à segurança.

Quase metade das barragens ainda não foi totalmente classificada

Outro dado que chama a atenção é o volume de informações ainda incompletas sobre as barragens brasileiras.

O Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB) reúne atualmente 29.761 estruturas cadastradas. Entretanto, 14.355 delas — cerca de 48% — permanecem com situação indefinida, porque os órgãos responsáveis ainda não informaram todos os dados necessários para classificá-las conforme determina a legislação.

Entre as barragens já enquadradas na Política Nacional de Segurança de Barragens, aproximadamente 8.797 atendem aos requisitos de segurança, enquanto 6.609 possuem dano potencial associado médio ou alto ou apresentam categoria elevada de risco operacional.

Acidentes continuam acontecendo

Mesmo após as mudanças promovidas nos últimos anos, acidentes envolvendo barragens continuam sendo registrados no Brasil.

Durante 2025, ocorreram 18 acidentes e 23 incidentes, segundo o relatório da ANA. Nenhum deles provocou mortes, mas houve evacuações preventivas, além de danos em estradas, pontes e outras estruturas públicas.

Nos acidentes ocorre o rompimento ou colapso da estrutura. Já os incidentes representam falhas que aumentam o risco de um rompimento caso não sejam corrigidas.

Fiscalização enfrenta déficit de profissionais

O relatório também revela uma preocupação adicional: a redução das equipes responsáveis pela fiscalização.

Pela primeira vez desde a tragédia de Brumadinho, diminuiu o número de servidores dedicados à segurança de barragens. Atualmente, os 33 órgãos fiscalizadores contam com 333 profissionais, sendo apenas 161 exclusivos para essa atividade.

Segundo a ANA, seriam necessários pelo menos 221 profissionais adicionais para que as equipes alcançassem o tamanho considerado adequado para uma fiscalização eficiente.

Apesar da limitação de pessoal, as inspeções aumentaram em relação ao ano anterior, demonstrando o esforço técnico das equipes responsáveis pelo monitoramento dessas estruturas.

As lições de Mariana e Brumadinho ainda ecoam

As tragédias de Mariana e Brumadinho mudaram definitivamente o debate sobre segurança de barragens no Brasil. Além das centenas de vidas perdidas, milhares de pessoas ficaram sem moradia, perderam suas fontes de renda e convivem até hoje com os impactos ambientais provocados pela contaminação dos rios Doce e Paraopeba.

O novo relatório da ANA demonstra que houve avanços importantes na legislação, no cadastramento das estruturas e nas ações de fiscalização. No entanto, também evidencia que ainda existem desafios relevantes para garantir o monitoramento adequado de milhares de barragens espalhadas pelo país.

Enquanto centenas de estruturas permanecerem classificadas como prioritárias e quase metade das barragens brasileiras ainda não possuir informações completas sobre seu nível de risco, a lembrança de Mariana e Brumadinho continuará servindo como um alerta permanente de que prevenção, fiscalização e transparência precisam estar acima de qualquer interesse econômico.


quarta-feira, 8 de julho de 2026

Requião Filho defende respeito entre as religiões e lembra que o Paraná é feito de muitas vozes

Em vídeo publicado nas redes sociais, deputado Requião Filho reforça a importância da tolerância religiosa, do respeito às famílias e da convivência entre diferentes crenças, em sintonia com os princípios da Constituição brasileira

Por Sulpost | 8 de julho de 2026

Requião Filho defende respeito entre as religiões e lembra que o Paraná é feito de muitas vozes. Em vídeo publicado nas redes sociais, deputado Requião Filho reforça a importância da tolerância religiosa, do respeito às famílias e da convivência entre diferentes crenças, em sintonia com os princípios da Constituição brasileira.

Em um tempo em que o debate público frequentemente é dominado por confrontos e divisões, uma mensagem que convida ao respeito merece ser ouvida com atenção. Foi esse o tom adotado pelo deputado estadual Requião Filho (PDT) ao publicar, nesta quarta-feira (8), um vídeo em defesa da liberdade religiosa e da convivência pacífica entre pessoas de diferentes crenças.

Longe de transformar a religião em instrumento de disputa, o parlamentar procurou enfatizar um princípio simples, mas fundamental para qualquer sociedade democrática: ninguém precisa abrir mão da própria fé para reconhecer a dignidade da fé do outro.

Respeito começa dentro de casa

Ao responder críticas recebidas após mencionar entidades cultuadas em religiões de matriz africana, Requião Filho afirmou que o respeito depende também da capacidade de compreender o ambiente em que se está e as pessoas com quem se dialoga.

Para ilustrar esse raciocínio, citou exemplos de diferentes tradições religiosas — do cristianismo ao judaísmo, do islamismo ao hinduísmo, passando pelo budismo e pela mitologia grega — defendendo que cada espaço de fé merece consideração e reconhecimento.

Mais do que uma discussão sobre símbolos religiosos, a fala remete a um valor que atravessa gerações dentro das famílias brasileiras: aprender desde cedo que o respeito ao próximo começa dentro de casa. É ali que crianças observam os primeiros exemplos de convivência, aprendendo que pessoas diferentes podem compartilhar os mesmos espaços sem abrir mão de suas convicções.

A Constituição protege todas as religiões

Essa ideia dialoga diretamente com a Constituição Federal de 1988. O Brasil é um Estado laico, o que significa que não adota uma religião oficial, mas garante a todas elas igual proteção perante a lei. A liberdade de consciência, de crença e de culto está assegurada pelo artigo 5º da Constituição, assim como a proteção aos locais de culto e às suas liturgias.

Também por isso, a intolerância religiosa constitui crime quando se manifesta por meio de discriminação, preconceito, violência ou impedimento do exercício da fé. A legislação brasileira protege igualmente quem professa uma religião e quem opta por não seguir nenhuma.

"Governar para todos"

No vídeo, Requião Filho resume esse entendimento ao afirmar que respeita "o que você aprendeu na sua casa, com a sua família, os seus valores e a sua fé, independentemente de qual seja". Em seguida, conclui que governar significa "governar para todos" e que "o Paraná é a terra de todos nós".

A mensagem também dialoga com a postura que o deputado vem adotando como pré-candidato ao Governo do Paraná. Em vez de acentuar diferenças ideológicas, procura destacar valores capazes de aproximar pessoas de origens, culturas e religiões distintas. Afinal, em verdade, todos nós, paranaenses, temos mais semelhanças que diferenças.

Não por acaso, a frente progressista liderada pelo PDT no Paraná escolheu como lema "Somos vozes do Paraná", uma síntese da ideia de que um estado com quase 12 milhões de habitantes não pode ser reduzido a uma única forma de pensar, acreditar ou viver.

Requião Filho (PDT) é o segundo colocado, na intenção de voto dos paranaenses, de acordo com as pesquisas eleitorais mais recentes — 24,7%, segundo o Paraná Pesquisas — atrás de Sérgio Moro (PL) e seguido por Rafael Greca (MDB).

Um estado construído pela diversidade

A diversidade religiosa faz parte da identidade paranaense. Igrejas católicas, comunidades evangélicas, centros espíritas, terreiros de Umbanda e Candomblé, sinagogas, mesquitas, templos budistas e tantas outras manifestações convivem diariamente em cidades grandes e pequenas.

Essa pluralidade não enfraquece a sociedade; ao contrário, fortalece a democracia, amplia o diálogo e reafirma que o respeito às diferenças é um patrimônio coletivo. É uma diversidade riquíssima, que fortalece o folclore e a cultura do estado e da nação.

Em um momento de tantas divergências no cenário político nacional, talvez valha a pena resgatar uma reflexão simples: antes de sermos eleitores, somos vizinhos, colegas de trabalho, amigos e famílias. A democracia se fortalece quando cada pessoa pode professar sua fé — ou optar por não ter religião — sem medo de ofensas, discriminação ou violência.

Porque, no fim das contas, um povo realmente é feito de muitas vozes. E todas elas têm o direito de ser ouvidas com respeito.


Los Hermanos seguem vivos: do Paraná, uma torcida especial pela Argentina

Rivais em campo, vizinhos na vida: a rivalidade permanece, mas o respeito entre brasileiros e argentinos sempre falou mais alto fora das quatro linhas

 
A foto Neymar Júnior e Lionel Messi se abraçam em campo. Rivais em campo, vizinhos na vida: a rivalidade permanece, mas o respeito entre brasileiros e argentinos sempre falou mais alto fora das quatro linhas

A classificação dramática da Argentina para as quartas de final da Copa do Mundo de 2026 não emocionou apenas os torcedores albicelestes. Aqui no Sul do Brasil, especialmente no Paraná, existe um motivo a mais para acompanhar a caminhada dos nossos vizinhos. Afinal, antes de sermos adversários dentro de campo, somos povos que compartilham uma longa história, uma fronteira comum e uma convivência construída ao longo de décadas.

Mais do que vizinhos, parceiros de estrada

Quem vive no Paraná sabe bem disso. Os argentinos fazem parte da paisagem do Estado há muitos anos. Estão entre os visitantes mais frequentes das Cataratas do Iguaçu, movimentam hotéis, restaurantes e o comércio da região trinacional, cruzam as estradas rumo às praias catarinenses e também descobriram, há muito tempo, os encantos da Ilha do Mel.

É comum encontrar famílias argentinas circulando pelas ruas de Foz do Iguaçu, aproveitando o litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul ou retornando ano após ano aos mesmos destinos. São turistas que ajudam a movimentar a economia regional e que, ao longo do tempo, deixaram de ser apenas visitantes para se tornarem parte da identidade turística do Sul do Brasil.

Por isso, quando a Argentina entra em campo diante de seleções de outros continentes, muitos paranaenses deixam de lado a rivalidade histórica para enxergar apenas um velho conhecido defendendo as cores da América do Sul.

Uma reação digna dos campeões

Foi exatamente esse espírito que tomou conta da partida disputada em Atlanta. Atual campeã do mundo, a Argentina viu o Egito abrir dois gols de vantagem e colocar em risco o sonho do bicampeonato consecutivo e do quarto título mundial.

Nem mesmo o pênalti desperdiçado por Lionel Messi no primeiro tempo foi suficiente para abalar a equipe de Lionel Scaloni.

No momento em que muitos imaginavam uma eliminação precoce, os argentinos mostraram a personalidade que marcou a conquista do Mundial de 2022. Cristian Romero iniciou a reação de cabeça, Messi empatou a partida poucos minutos depois e, já nos acréscimos, Enzo Fernández apareceu para marcar o gol da virada por 3 a 2, garantindo a classificação para as quartas de final.

Foi uma daquelas partidas que lembram por que a Copa do Mundo é considerada o maior espetáculo do futebol. Quando tudo parecia perdido, bastaram alguns minutos para transformar frustração em euforia.

Messi segue escrevendo sua história

Mesmo desperdiçando mais uma cobrança de pênalti nesta Copa, Lionel Messi voltou a provar por que é um dos maiores jogadores de todos os tempos.

Além da assistência para o primeiro gol argentino, o camisa 10 marcou o gol de empate e participou diretamente da construção da classificação, ampliando seus números históricos em Copas do Mundo e mantendo uma sequência impressionante de partidas balançando as redes.

São estatísticas importantes, mas que acabam ficando em segundo plano diante da capacidade que Messi continua demonstrando de decidir partidas nos momentos mais difíceis.

Uma imagem que despertou lembranças

Entre os inúmeros registros da partida, um detalhe chamou a atenção dos apaixonados pela história do futebol. Na comemoração do gol de empate, Messi ergueu os braços de uma forma que remeteu, para muitos torcedores, à icônica celebração de Pelé durante a campanha brasileira na Copa de 1970.

Não se trata de afirmar que houve uma homenagem declarada ou uma reprodução intencional daquele gesto histórico. É apenas uma leitura que muitos fizeram ao observar as imagens: duas gerações de craques eternizados por comemorações carregadas de emoção, separadas por mais de meio século, mas unidas pelo simbolismo do maior palco do futebol mundial.

Quando o futebol aproxima os povos

Durante muitos anos aprendemos que Brasil e Argentina deveriam torcer um contra o outro em qualquer circunstância. Mas o futebol também tem a capacidade de construir pontes.

No Paraná, onde a presença dos nossos vizinhos argentinos faz parte da rotina, essa aproximação é ainda mais evidente. Compartilhamos fronteiras, comércio, turismo, cultura e amizades que ultrapassam qualquer resultado dentro das quatro linhas.

É claro que, quando Brasil e Argentina se enfrentam, a rivalidade permanece intacta. Ela faz parte da história do futebol e dificilmente desaparecerá. Mas, enquanto a Seleção Brasileira já se despediu da competição, muitos brasileiros voltam seus olhos para aquele que continua sendo um dos maiores representantes do futebol sul-americano.

Torcida do Sulpost

O Sulpost nasceu para contar histórias da nossa região e valorizar aquilo que aproxima os povos. Neste momento, a classificação da Argentina representa mais do que a sobrevivência de uma seleção favorita. Ela simboliza a força do futebol sul-americano em um torneio cada vez mais competitivo.

Daqui do Paraná, fica a nossa torcida para que los hermanos continuem fazendo bonito. Que Lionel Messi e seus companheiros sigam levando adiante o talento, a paixão e a tradição do futebol deste lado do mundo.

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Aonde está o arsenal de Bolsonaro?

Busca da PF na casa do ex-presidente não encontrou novas armas, mas a divergência sobre o paradeiro de parte do arsenal registrado por ele mantém uma questão que o STF quer esclarecer: afinal, onde estão todos os armamentos?

Busca da PF na casa do ex-presidente não encontrou novas armas, mas a divergência sobre o paradeiro de parte do arsenal registrado por ele mantém uma questão que o STF quer esclarecer: afinal, onde estão todos os armamentos?

Uma operação realizada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (8), na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, terminou sem a apreensão de armas, munições ou documentos. Ainda assim, a diligência dificilmente poderá ser considerada inconclusiva. Pelo contrário: reforça o principal elemento do caso — a existência de informações divergentes sobre a localização de parte do arsenal registrado em nome do ex-presidente.

A busca foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a defesa não conseguir comprovar documentalmente o destino de todas as armas cuja entrega havia sido determinada pela Justiça.

A ordem judicial teve como objetivo eliminar qualquer dúvida sobre a eventual permanência de armamentos sob posse direta ou indireta de Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar em razão de condenação por tentativa de golpe contra o Estado Democrático de Direito e outros crimes relacionados aos atos antidemocráticos.

O desencontro começou com a entrega das armas

Na semana passada, Alexandre de Moraes determinou que todas as armas registradas em nome de Jair Bolsonaro fossem entregues à Polícia Federal.

A defesa informou inicialmente que oito delas estavam sob custódia da Polícia do Exército. Quando os militares foram acionados para efetuar a entrega, porém, comunicaram possuir apenas seis armamentos.

Foi justamente essa divergência que levou o ministro Alexandre de Moraes a autorizar uma busca e apreensão na residência do ex-presidente.

Segundo os advogados de Bolsonaro, uma pistola calibre 9 mm já havia sido apreendida anteriormente quando estava com um de seus seguranças, abordado durante uma blitz de trânsito. Já a outra arma, uma carabina de calibre restrito, estaria armazenada em uma empresa importadora de material bélico em Caxias do Sul (RS), onde teria permanecido desde que foi recebida como presente, sem nunca ter sido retirada.

Para Moraes, entretanto, a versão apresentada pela defesa não veio acompanhada de documentação considerada suficiente para comprovar a efetiva localização da arma, tornando necessária a diligência da Polícia Federal.

Alto poder de fogo

A lista de armas registradas em nome do ex-presidente revela um arsenal composto por dez armamentos, incluindo pistolas de calibres .380, .40 e 9 mm, além de espingardas calibre 12 e carabinas/fuzis nos calibres 5,56 mm e 7,62 mm, considerados de uso restrito.

Entre as fabricantes aparecem marcas conhecidas internacionalmente, como Taurus, Glock, SIG Sauer, Springfield Armory, Caracal, Arex, Typhoon e Maestro Arms Company.

Ainda que boa parte dessas armas tenha localização conhecida, o caso evidencia falhas na rastreabilidade documental de parte do acervo, situação que motivou a atuação do STF.

Busca termina sem apreensões

A Polícia Federal concluiu a diligência sem localizar novas armas, munições ou documentos relacionados aos registros.

Após a operação, o advogado João Henrique de Freitas afirmou, em publicação na rede social X, que "nada foi encontrado na casa do ex-presidente" e classificou a ação como desnecessária.

Para a defesa, todas as informações sobre o paradeiro dos armamentos já haviam sido fornecidas às autoridades.

Mais importante do que encontrar armas é comprovar onde elas estão

Até o momento, não existe confirmação oficial de que as armas estejam desaparecidas.

O que motivou a decisão do STF foi a incompatibilidade entre os registros oficiais, as informações prestadas pela Polícia do Exército e as explicações apresentadas pela defesa de Bolsonaro, especialmente pela ausência de documentos capazes de comprovar a localização de todos os armamentos.

Na avaliação do Supremo, essa inconsistência justificava a realização da busca domiciliar para afastar qualquer dúvida sobre eventual posse direta ou indireta das armas.

Uma pergunta que permanece sem resposta

Embora a operação desta quarta-feira não tenha resultado em apreensões, ela também não encerra a controvérsia.

Enquanto não houver comprovação documental da localização de todos os armamentos registrados em nome do ex-presidente, permanece aberta uma questão que vai além do aspecto criminal: a capacidade do Estado de controlar e fiscalizar armas de uso restrito pertencentes a autoridades públicas.

Ao final da diligência, a principal pergunta continua sem uma resposta definitiva:

Afinal, onde está o arsenal de Bolsonaro?

Atualização 09/07/26. Armamento encontrado

terça-feira, 7 de julho de 2026

Paraná pode ser um grande polo tecnológico? Está é a aposta de Gleisi para recolocar o estado no caminho para o futuro

Gleisi Hoffmann, pré-candidata ao Senado, defende que devemos discutir o futuro do Paraná apostando em universidades, ciência e inovação como motores de uma nova era de desenvolvimento tecnológico

Paraná pode ser um grande polo tecnológico? Está é a aposta de Gleisi para recolocar o estado no caminho para o futuro. Gleisi Hoffmann, pré-candidata ao Senado, defende que devemos discutir o futuro do Paraná apostando em universidades, ciência e inovação como motores de uma nova era de desenvolvimento tecnológico.

O Paraná amanhece todos os dias movimentando colheitadeiras, caminhões, cooperativas e portos. A força do campo faz parte da identidade do estado e ajuda a explicar sua relevância econômica no Brasil.

Para a deputada federal e pré-candidata ao Senado Gleisi Hoffmann, o futuro paranaense não pode estar limitado apenas ao agronegócio ou à indústria tradicional. O Paraná precisa continuar fortalecendo sua agricultura mas também precisa evoluir para poder gerar empregos nas áreas ligadas à tecnologia.

Hoje formamos talentos incríveis em áreas tecnológicas estratégicas e importantes, mas por falta de mercado de trabalho acabamos perdendo esses talentos para outros estados e até para o exterior.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Gleisi apresentou uma reflexão que vai além das disputas ideológicas que costumam dominar o debate político. Segundo ela, a eleição para o Senado deveria ser encarada como uma escolha sobre qual projeto de futuro o Paraná deseja construir para as próximas décadas.

A fala chama atenção porque desloca o foco da polarização entre direita e esquerda para uma discussão mais estratégica, e realmente importante, principalmente para o eleitorado mais jovem: qual papel o estado pretende ocupar dentro da economia brasileira do século XXI.

A questão da representatividade

Um dos principais argumentos apresentados por Gleisi é que o Paraná perdeu protagonismo político em Brasília. Ao lembrar sua atuação ao lado do ex-senador Roberto Requião, ela sustenta que, independentemente das divergências políticas que existiam em torno dos dois, havia uma interlocução forte junto ao governo federal e uma defesa mais incisiva dos interesses paranaenses no Congresso Nacional.

Vivemos na era da informação, do conhecimento. A avaliação da deputada é que um estado com o peso econômico do Paraná precisa ter maior capacidade de influência nos debates nacionais, especialmente em temas relacionados a infraestrutura, inovação, educação e desenvolvimento regional.

Um Paraná além do agronegócio

Talvez o trecho mais interessante da fala seja quando Gleisi propõe discutir uma visão de futuro para o estado.

“Eu não quero ficar discutindo esquerda ou direita, eu quero discutir o seguinte: qual é a visão de futuro que nós temos para o Paraná. O Paraná é um Estado rico, Estado pujante, um Estado que tem uma boa agricultura, tem indústria, tem uma boa agricultura familiar, mas o Paraná pode ser um pólo tecnológico. A gente tem que começar a discutir isso. Nós temos muitas universidades públicas aí, tanto estaduais, mas principalmente federais. Temos gente capacitada, grandes professores, doutores e cientistas. Esse conjunto tem que fazer com que o Paraná possa se transformar num pólo tecnológico nacional.”

Ninguém questiona a importância do agronegócio paranaense. O Paraná está entre os maiores produtores de alimentos do país e possui algumas das cooperativas mais eficientes do mundo. Também mantém um parque industrial relevante, concentrado principalmente na Região Metropolitana de Curitiba e em polos regionais como Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Cascavel.

Mas a provocação feita pela pré-candidata é outra: por que o Paraná não pode se tornar também uma potência tecnológica?

A pergunta parece simples, mas toca em uma discussão estratégica. Estados e países que hoje lideram os indicadores de renda, produtividade e inovação investiram durante décadas em universidades, pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico.

É justamente nesse ponto que Gleisi concentra sua argumentação.

O patrimônio invisível do Paraná

Ao citar a expansão da educação superior federal ocorrida nos governos Lula e Dilma Rousseff, a deputada lembra que o Paraná passou a contar com uma estrutura universitária muito mais robusta do que possuía há vinte anos.

A transformação do antigo CEFET em Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), a interiorização da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a ampliação dos institutos federais e a presença de dezenas de campi espalhados pelo estado criaram uma base científica que poucos estados brasileiros possuem.

São milhares de pesquisadores, mestres, doutores e estudantes produzindo conhecimento em áreas como inteligência artificial, engenharia, biotecnologia, agricultura de precisão, energias renováveis e desenvolvimento de software.

A questão levantada por Gleisi é se o Paraná está conseguindo transformar esse conhecimento em riqueza, empregos qualificados e empresas inovadoras.

O debate sobre a Celepar

A discussão ganha uma dimensão ainda mais relevante quando observamos o futuro da Celepar, empresa pública responsável por boa parte da infraestrutura digital do governo estadual.

Criada há mais de seis décadas, a companhia tornou-se uma das maiores empresas públicas de tecnologia do país e desempenha papel central na digitalização dos serviços públicos paranaenses.

Nos últimos anos, entretanto, a possibilidade de privatização da empresa passou a integrar o debate político estadual, gerando divergências entre defensores e críticos da medida.

Para os setores que defendem a manutenção da companhia sob controle público, a Celepar representa um ativo estratégico justamente num momento em que tecnologia, dados e inteligência artificial ganham importância crescente na economia global.

Independentemente da posição adotada, o debate revela uma questão maior: qual estratégia o Paraná pretende seguir para ocupar espaço na economia digital?

A eleição que pode discutir o futuro

Ao final do vídeo, Gleisi resume sua visão sobre o papel de um senador: articular diferentes forças políticas em favor do estado.

É uma proposta que tenta deslocar o foco do embate ideológico para uma agenda de desenvolvimento. Na prática, significa discutir como universidades, institutos federais, centros de pesquisa, empresas e governos podem atuar de forma integrada para criar um ambiente favorável à inovação.

O Paraná já é reconhecido nacionalmente pela força do seu campo, pela organização de suas cooperativas e pela qualidade de suas universidades. A pergunta lançada pela pré-candidata ao Senado é se chegou a hora de dar um passo além.

Transformar-se em um dos grandes polos tecnológicos do Brasil não é um objetivo que se alcança apenas com discursos ou campanhas eleitorais. Exige planejamento de longo prazo, investimentos consistentes e articulação política permanente.

Mas a provocação está feita. E talvez seja justamente esse tipo de debate que o Paraná precise aprofundar nos próximos meses: não apenas quem vai representá-lo em Brasília, mas qual futuro pretende construir para as próximas gerações.

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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Embraer amplia presença na Europa com manutenção inédita de cargueiro militar da Hungria

Serviço realizado pela OGMA, empresa do grupo Embraer em Portugal, reforça a capacidade brasileira de oferecer suporte global a uma das aeronaves militares mais modernas da atualidade

  

Embraer amplia presença na Europa com manutenção inédita de cargueiro militar da Hungria. Serviço realizado pela OGMA, empresa do grupo Embraer em Portugal, reforça a capacidade brasileira de oferecer suporte global a uma das aeronaves militares mais modernas da atualidade

Nem todo avanço da indústria brasileira acontece diante dos holofotes. Alguns deles ocorrem dentro de hangares, longe das câmeras, mas têm impacto direto na posição do Brasil no cenário tecnológico e estratégico internacional.

Foi o que aconteceu com a conclusão da primeira manutenção programada de uma aeronave KC-390 Millennium da Força Aérea Húngara (HAF), realizada pelas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA), empresa portuguesa que integra o grupo Embraer. O serviço marca um passo importante na consolidação da rede internacional de suporte da fabricante brasileira na Europa.

À primeira vista, pode parecer apenas mais uma revisão técnica. Mas, no competitivo mercado global de defesa, a capacidade de manter aeronaves operando com eficiência é tão importante quanto a venda do equipamento em si. Afinal, nenhum país investe bilhões em tecnologia militar sem exigir garantia de suporte, peças, treinamento e manutenção ao longo de décadas.

Mais do que vender aviões

A Embraer já demonstrou que o KC-390 Millennium é uma plataforma capaz de disputar espaço com gigantes tradicionais da indústria aeronáutica mundial. O cargueiro militar brasileiro vem acumulando contratos internacionais e conquistando a confiança de forças aéreas europeias, algo que há alguns anos parecia improvável para muitos observadores do setor.

A manutenção realizada para a Força Aérea da Hungria reforça justamente esse ponto. Não se trata apenas de exportar uma aeronave de alto desempenho, mas de oferecer um ecossistema completo de suporte operacional.

Na prática, isso significa que países clientes passam a contar com uma estrutura regional capaz de manter suas frotas em elevado estado de prontidão, reduzindo custos logísticos e aumentando a disponibilidade das aeronaves para missões de múltiplas finalidades.

Tecnologia brasileira ganhando espaço

O caso também, mais uma vez, coloca em evidência uma característica frequentemente pouco valorizada no debate público brasileiro: a capacidade nacional de produzir tecnologia de ponta em setores altamente complexos.

Enquanto grande parte da economia mundial disputa mercados de commodities e joga no cassino global das bolsas de valores, a Embraer continua demonstrando que o Brasil possui competência para competir em segmentos de alto valor agregado, que exigem engenharia avançada, inovação constante e mão de obra altamente qualificada. Quando as ações da Embraer sobem no mercado, é por mérito, e não por influência de relatórios muitas vezes artificialmente inflados.

O KC-390 é resultado dessa combinação. Projetado para missões de transporte militar, ajuda humanitária, evacuação médica, lançamento de cargas e reabastecimento em voo, o modelo vem conquistando espaço justamente por reunir versatilidade operacional e custos competitivos. É uma jóia da tecnologia nacional.

Um ativo estratégico para o Brasil

A expansão da rede de manutenção da Embraer na Europa mostra que a presença internacional da empresa não depende apenas da venda de aeronaves. Ela se fortalece por meio da construção de relações duradouras com governos e forças armadas que passam a integrar uma rede global de suporte técnico.

Em um mundo cada vez mais marcado por corridas tecnológicas e disputas estratégicas, cada contrato de manutenção, cada centro de suporte e cada novo operador do KC-390 ajudam a consolidar a imagem do Brasil como fornecedor confiável de tecnologia avançada.

É um trabalho silencioso, realizado longe das manchetes diárias da grande mídia, mas que ajuda a explicar porque a Embraer continua sendo uma das maiores vitrines da capacidade industrial e tecnológica brasileira no cenário internacional.

Vídeo: A Embraer divulgou em duas redes sociais imagens e detalhes da conclusão da primeira manutenção da aeronave KC-390 Millennium da Força Aérea Húngara, realizada pela indústria aeronáutica de Portugal (OGMA), reforçando a capacidade global de suporte da empresa para seus cada vez mais numerosos clientes internacionais.

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A camisa que pesou na Copa e pode pesar nas urnas

Entre o futebol e a política, a tradicional amarelinha segue em campo. A dúvida agora é se o peso que não evitou o fracasso esportivo terá influência nas próximas eleições

A camisa que pesou na Copa e pode pesar nas urnas. Entre o futebol e a política, a tradicional amarelinha segue em campo. A dúvida agora é se o peso que não evitou o fracasso esportivo terá influência nas próximas eleições.

Bom dia.

E todos os feiticeiros, pais e mães de santo, benzedeiras e sortistas de qualquer parte, localidade e espécie já estavam alertando:

"Na próxima Copa a camisa canarinho vai dar azar."

Brincadeiras à parte, a frase ajuda a ilustrar um fenômeno real. Nos últimos anos, a camisa da Seleção Brasileira deixou de ser apenas um símbolo esportivo para ocupar também espaço na disputa política tupiniquim. O manto que durante décadas serviu para unir torcedores de diferentes origens passou a carregar significados que extrapolam o futebol.

E a Seleção, já no início desta semana, está voltando para casa. O jogo agora é outro. As partidas que agora estão no escopo, e também no imaginário, dos brasileiros são as disputas políticas. E é um jogo bruto.

Falando em jogo, sorte daqueles que apostaram tudo na Noruega. Ganharam uma bolada. E ainda me pergunto quanto rendeu nas bolsas de apostas espalhadas pelo mundo o pênalti desperdiçado por Neymar. Pergunta que provavelmente ficará sem resposta definitiva, perdida entre estatísticas, especulações e milhões movimentados em plataformas digitais.

Mas voltemos à camisa.

Nesta Copa muito se falou sobre o peso da camisa da Seleção Brasileira. A velha teoria de que algumas equipes entram em campo carregando uma história capaz de intimidar adversários antes mesmo do apito inicial. O Brasil conhece bem essa narrativa. Cinco estrelas no peito não são pouca coisa.

Mas desta vez o peso não bastou.

A camisa naufragou nos Estados Unidos.

E talvez esteja aí a grande ironia do momento.

Porque, se dentro das quatro linhas ela não conseguiu evitar a eliminação, fora delas continua sendo disputada como um dos símbolos mais valiosos da política brasileira. Há quem a veja como representação de patriotismo. Há quem a enxergue como um uniforme partidário informal. Há quem simplesmente queira recuperá-la como patrimônio de todos os brasileiros.

A Copa passa.

As eleições ficam.

E agora resta observar quanto peso essa camisa ainda tem.

Se não foi capaz de carregar a Seleção mais longe no Mundial, veremos qual será sua influência na próxima disputa eleitoral. Veremos quem continuará vestindo o manto, quem tentará reivindicá-lo e quantos outros times políticos embarcarão nessa mesma travessia.

Porque símbolos também têm seus ciclos.

E talvez a pergunta mais interessante não seja sobre o que aconteceu nesta Copa.

Talvez seja sobre o que acontecerá nas urnas.

Vamos descobrir quanto pesa a camisa da Seleção Brasileira na política. E quantos times ainda poderão naufragar carregando esse mesmo uniforme.

Ronald Stresser Júnior, para o Sulpost.

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domingo, 5 de julho de 2026

Michelle, Flávio, Zema, Caiado e o racha na direita

Em meio a disputas familiares, críticas de aliados e movimentos de pré-candidatos presidenciais, o campo conservador brasileiro vive um momento de exposição pública de divergências que pode influenciar a disputa de 2026

Michelle, Flávio, Zema, Caiado e o racha na direita. Em meio a disputas familiares, críticas de aliados e movimentos de pré-candidatos presidenciais, o campo conservador brasileiro vive um momento de exposição pública de divergências que pode influenciar a disputa de 2026.

A política brasileira costuma guardar seus conflitos para os bastidores, mas nem sempre consegue sucesso. Nos últimos dias, uma sequência de episódios colocou sob os holofotes uma situação que, até pouco tempo atrás, parecia improvável: divergências públicas envolvendo a família Bolsonaro, dirigentes partidários e lideranças da própria direita nacional.

O episódio mais comentado surgiu quando Michelle Bolsonaro elogiou uma política de educação bilíngue para surdos implementada pelo governo Lula. O gesto, embora relacionado a uma pauta que ela acompanha há anos e não represente apoio político ao governo, ganhou enorme repercussão por ocorrer justamente em meio ao desgaste de sua relação com o senador Flávio Bolsonaro e a movimentações internas do PL.

Na superfície, trata-se apenas de uma manifestação sobre uma política pública específica. Mas, na política, contexto costuma valer tanto quanto palavras.

O desgaste que saiu dos bastidores

A tensão entre Michelle e Flávio deixou de ser assunto restrito aos corredores partidários. Declarações públicas, relatos de desentendimentos e especulações sobre disputas de espaço ajudaram a alimentar uma narrativa de fragmentação dentro de um grupo que, historicamente, sempre buscou transmitir imagem de unidade.

Para qualquer projeto presidencial, especialmente em sua fase inicial, a percepção de coesão costuma ser um ativo importante. Quando surgem ruídos internos, adversários encontram espaço para questionar lideranças, estratégias e capacidade de articulação.

Não significa, necessariamente, perda de apoio eleitoral. Mas certamente cria um ambiente mais complexo para quem busca consolidar uma candidatura nacional.

Caiado e Zema ampliam a disputa

Ao mesmo tempo, outros nomes da direita seguem construindo seus próprios caminhos. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, tem adotado um discurso cada vez mais independente em relação ao bolsonarismo. Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, também procura ocupar espaço próprio no debate nacional, dialogando com setores liberais e conservadores sem depender exclusivamente da influência da família Bolsonaro.

A consequência é uma disputa crescente pelo mesmSe em eleições anteriores o campo conservador orbitava quase integralmente em torno de uma única liderança, o cenário atual parece mais fragmentado. Há governadores, parlamentares e dirigentes partidários tentando construir protagonismo próprio, muitas vezes com estratégias diferentes e prioridades distintas.

A força e os limites do sobrenome

O sobrenome Bolsonaro continua sendo um dos mais conhecidos da política brasileira. Isso garante visibilidade imediata e uma base de apoio consolidada. Por outro lado, a mesma exposição transforma conflitos internos em notícias nacionais de maneira quase instantanea.

O episódio envolvendo Michelle e Flávio demonstra justamente esse fenômeno. O que poderia ser apenas uma divergência familiar ou partidária tornou-se tema de debate político em todo o país.

Para os adversários, a situação oferece argumentos sobre desgaste e divisão. Para os apoiadores, surge o desafio de demonstrar que divergências pontuais não comprometem o projeto político mais amplo.

O que observar daqui para frente

Ainda é cedo para afirmar qualquer impacto concreto nas intenções de voto ou em futuras pesquisas eleitorais. Por outro ângulo analista já prevêem que o racha entre Flávio e Michelle provavelmente trará impactos negativos nas próximas sondagens.

A política brasileira já mostrou inúmeras vezes que crises aparentemente graves podem desaparecer rapidamente, enquanto episódios considerados menores podem produzir efeitos duradouros.

Mas um elemento parece evidente: a corrida presidencial de 2026 está deixando de ser uma disputa apenas entre governo e oposição. Cada vez mais, ela também se transforma em uma disputa interna dentro da própria direita brasileira.

E, quando as divergências passam a ser públicas, o eleitor começa a observar não apenas quem critica o adversário, mas também quem consegue manter unido o próprio campo político.

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sábado, 4 de julho de 2026

Cooperativismo: quando a união das pessoas vale mais do que o capital

Neste Dia Internacional do Cooperativismo, o mundo celebra um modelo econômico baseado na solidariedade, na participação democrática e no desenvolvimento das comunidades

Neste 4 de julho, o mundo celebra o Dia Internacional do Cooperativismo. A data, reconhecida pelas Nações Unidas, chega em 2026 com um tema que parece cada vez mais necessário: "Cooperativas por um mundo pacífico".

Pode parecer um assunto distante da vida cotidiana, mas não é. Basta olhar para o Paraná, para Curitiba e para o interior do Brasil para perceber o peso que as cooperativas têm na produção de alimentos, no crédito rural, na geração de empregos e no desenvolvimento regional.

No Paraná, algumas das maiores cooperativas do país movimentam bilhões de reais por ano e ajudam a colocar comida na mesa de milhões de brasileiros. São organizações que nasceram da união de produtores, trabalhadores e comunidades que compreenderam uma verdade simples: juntos é possível alcançar o que individualmente seria muito mais difícil.

Cooperação e sindicalismo caminham lado a lado

Quem acompanha a história do movimento dos trabalhadores sabe que cooperativas e sindicatos nasceram de valores muito parecidos. Ambos surgem da organização coletiva, da defesa de interesses comuns e da ideia de que a união fortalece as pessoas diante das dificuldades econômicas e sociais.

Enquanto os sindicatos lutam pela proteção dos direitos dos trabalhadores, as cooperativas mostram que também é possível organizar atividades econômicas de forma democrática e participativa.

Não por acaso, muitas experiências de economia solidária no Brasil tiveram apoio de entidades sindicais, especialmente em momentos de crise econômica, fechamento de empresas ou necessidade de geração de renda para famílias trabalhadoras.

Um modelo baseado na participação

Segundo a Aliança Cooperativa Internacional, o cooperativismo se sustenta em princípios como adesão voluntária, gestão democrática, participação econômica dos associados, autonomia, educação cooperativista, cooperação entre cooperativas e compromisso com a comunidade.

Na prática, isso significa que as decisões não ficam concentradas nas mãos de poucos investidores. Os associados participam da gestão, ajudam a definir os rumos da organização e compartilham os resultados produzidos coletivamente. É um modelo que busca equilibrar eficiência econômica com responsabilidade social.

Números que impressionam

Os dados globais ajudam a entender a dimensão do cooperativismo.

  • Mais de 12% da população mundial participa de uma das cerca de 3 milhões de cooperativas existentes no planeta;
  • As 300 maiores cooperativas e organizações mutualistas do mundo movimentam juntas mais de 2,4 trilhões de dólares em receitas;
  • O setor gera trabalho ou oportunidades de renda para aproximadamente 280 milhões de pessoas — o equivalente a cerca de 10% da população empregada do planeta.

Democracia, companheirismo e cooperação entre os povos

Existe também uma dimensão política e até geopolítica no cooperativismo que merece atenção. O cooperativismo nasceu da compreensão de que ninguém prospera sozinho. A própria democracia funciona da mesma maneira. Não é obra de um indivíduo, de um grupo isolado ou de uma única força econômica. É uma construção coletiva, feita pela participação de todos e todas.

O cooperativismo, acima de tudo, é uma forma prática de democracia e de companheirismo. É a ideia de que as pessoas podem se organizar, compartilhar responsabilidades, dividir resultados e construir soluções comuns para problemas que afetam a coletividade.

Por isso, os princípios cooperativistas dialogam diretamente com o multilateralismo nas relações entre povos e nações. Cooperar significa sentar à mesa, ouvir diferentes interesses, buscar consensos e construir caminhos compartilhados.

Quando governos ou grandes potências optam por políticas mais unilaterais, priorizando exclusivamente seus próprios interesses estratégicos, acabam se afastando do espírito cooperativista que orienta a construção de soluções globais. O cooperativismo aponta justamente para a direção contrária: a do diálogo, da parceria e da prosperidade compartilhada.

Não por acaso, a ONU escolheu para 2026 o tema "Cooperativas por um mundo pacífico". A mensagem é clara. A paz duradoura não nasce apenas da ausência de conflitos. Ela depende de inclusão social, oportunidades econômicas, justiça, confiança entre as pessoas e capacidade de cooperação entre comunidades e países.

O Brasil tem muito a ensinar

O Brasil tem muito a dizer sobre esse assunto. Da agricultura familiar às grandes cooperativas agroindustriais, passando pelo crédito cooperativo, pela economia solidária e pelas experiências comunitárias espalhadas pelo país, o cooperativismo brasileiro tornou-se uma referência internacional.

O Paraná é um dos maiores exemplos dessa força. Cooperativas ajudam a alimentar o Brasil e diversos mercados internacionais, geram empregos, fortalecem municípios inteiros e mostram diariamente que é possível combinar eficiência econômica com compromisso social.

Se o cooperativismo prospera no Brasil, o país tem muito a ensinar ao mundo sobre como construir desenvolvimento sem abandonar a solidariedade. Talvez a principal lição seja esta: crescimento econômico e inclusão social não precisam caminhar separados.

Em tempos de polarização, desconfiança e individualismo crescente, o cooperativismo continua lembrando uma verdade simples, mas poderosa: ninguém constrói um futuro melhor sozinho.

"Cooperar é reconhecer que a democracia não é feita por um só lado. Ela é construída por todos e todas. E o cooperativismo prova, todos os dias, que prosperidade compartilhada gera comunidades mais fortes, economias mais justas e sociedades mais humanas."

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