domingo, 15 de fevereiro de 2026

Lula: entre narrativas de impopularidade e realidade nas ruas

Do frevo ao samba: Lula percorre Recife, Salvador e Rio e expõe distância entre narrativas de impopularidade criadas pela extrema direita e a realidade nas ruas

Após ser aplaudido por cerca de 2 milhões de foliões no Galo da Madrugada, presidente acompanha o Carnaval de Salvador e já está no Rio para os desfiles na Sapucaí.

Após ser aplaudido por cerca de 2 milhões de foliões no Galo da Madrugada, presidente acompanha o Carnaval de Salvador e já está no Rio para os desfiles na Sapucaí.

Recife / Salvador / Rio de Janeiro — A política brasileira é feita de narrativas. Algumas ganham força nas redes sociais, outras ecoam em discursos de adversários. Nos últimos anos, uma delas foi repetida à exaustão: a de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poderia sair às ruas sem ser vaiado ou hostilizado.

Neste fim de semana de Carnaval, porém, a realidade respondeu com imagens — e com multidões.

Na manhã de sábado (14), Lula participou do tradicional Galo da Madrugada, no Recife, considerado o maior bloco carnavalesco do mundo, que reúne cerca de 2 milhões de pessoas. Ao lado da primeira-dama Janja da Silva, o presidente foi recebido com aplausos, acenos e palavras de incentivo. Não houve registro de vaias generalizadas. O que se viu foi celebração.

Mais cedo, o próprio presidente compartilhou em seu perfil oficial na rede X um vídeo ao lado de Janja, celebrando a presença na capital pernambucana:

A postagem viralizou rapidamente. Mas o roteiro do dia estava longe de terminar.

De Recife a Salvador: segunda parada da folia

Na tarde do mesmo sábado, Lula seguiu para Salvador, onde acompanhou o Carnaval no circuito Campo Grande. Segundo reportagem do Jornal Grande Bahia (JGB), o presidente chegou por volta das 14h30 e foi recepcionado pelo governador Jerônimo Rodrigues e pela primeira-dama do Estado, Tatiana Velloso.

No camarote do governo baiano, Lula esteve ao lado de Janja, da ministra da Cultura Margareth Menezes e do ministro da Casa Civil, Rui Costa. Durante a passagem pelo circuito, assistiu aos trios elétricos e interagiu com atrações como a banda BaianaSystem, em meio à multidão que ocupava as ruas da capital baiana 0.

Era a segunda capital em menos de 24 horas. Dois dos maiores carnavais do planeta. E novamente, o que se viu foi presença, integração e registros festivos compartilhados nas redes sociais.

Destino final: a Marquês de Sapucaí

Da Bahia, Lula seguiu para o Rio de Janeiro, onde já se encontra para acompanhar o primeiro dia de desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí. Na capital fluminense, o presidente participa da agenda cultural do Carnaval e será homenageado pela escola Acadêmicos de Niterói, cujo samba-enredo faz referência à sua trajetória política.

Em três capitais, três multidões, três palcos simbólicos da cultura popular brasileira — Recife, Salvador e Rio.

Entre o discurso e o asfalto

A tese de que Lula estaria impedido de circular em público por conta de impopularidade sempre foi mais performática do que comprovada. Repetida por adversários como estratégia de desgaste político, ela encontra pouco respaldo quando confrontada com registros amplamente documentados.

O que este Carnaval expõe é um contraste difícil de ignorar: enquanto a retórica fala em isolamento, a prática mostra presença; enquanto a narrativa sugere rejeição massiva, as imagens revelam acolhimento em eventos que reúnem milhões de pessoas.

Isso não significa ausência de críticas ou polarização — o Brasil continua dividido politicamente. Mas a presença contínua do presidente em grandes eventos populares, em diferentes regiões do país, enfraquece a ideia de que ele estaria apartado das ruas.

No frevo pernambucano, no trio elétrico baiano e agora sob as luzes da Sapucaí, Lula percorre o país em plena temporada pré-eleitoral. E, até aqui, a resposta das ruas tem sido menos hostil do que previam seus opositores.

Às vezes, a política se mede em pesquisas. Outras vezes, em aplausos que ecoam entre pontes, avenidas e sambódromos.

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sábado, 14 de fevereiro de 2026

“Foi minha terra, não foi só água”

Estado brasileiro e Itaipu reconhecem violações contra o povo Avá-Guarani e anunciam medidas de reparação histórica no oeste do Paraná

Indios Avá-Guarani - IHU/Reprodução

Quando as águas do Rio Paraná começaram a subir no início da década de 1980, não foi apenas a paisagem que desapareceu sob o reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Junto com as árvores, trilhas e roçados, foram submersas memórias, cemitérios ancestrais, espaços sagrados e parte da própria identidade do povo Avá-Guarani.

Mais de quatro décadas depois, o Estado brasileiro, representado pela União, pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), ao lado da Itaipu Binacional (margem esquerda), reconheceu publicamente as violações cometidas contra as comunidades indígenas durante a construção da hidrelétrica, nas décadas de 1970 e 1980, e formalizou um pedido de desculpas.

O documento oficial admite que, naquele período, foram adotadas medidas que desconsideraram os direitos territoriais, culturais e espirituais dos Avá-Guarani. O processo de colonização agrícola no oeste do Paraná já havia reduzido drasticamente seus territórios desde o início do século XX. A construção de Itaipu aprofundou essa ruptura.

Com a formação do reservatório, comunidades foram deslocadas, áreas sagradas foram inundadas — incluindo referências espirituais históricas da região — e modos tradicionais de subsistência, como a pesca, a caça e o cultivo, foram desestruturados.

“Reconhecemos os impactos ocasionados às comunidades indígenas Avá-Guarani antes e durante o processo de idealização e construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu”, afirma o texto oficial divulgado pela Itaipu. “Expressamos publicamente tudo que foi suportado pelas comunidades indígenas, submetidas a deslocamentos, perda de territórios sagrados e impactos em suas formas de vida e expressões culturais.”

O reconhecimento foi homologado judicialmente no âmbito da Ação Cível Originária nº 3.555, no Supremo Tribunal Federal (STF), resultado de um acordo construído com participação do Ministério Público Federal e das próprias comunidades indígenas.

O texto reconhece que a formação do lago e a expropriação territorial contribuíram para desestruturar formas tradicionais de vida e subsistência, provocando impactos sociais, econômicos e culturais significativos. Em linguagem direta, admite que houve violação de direitos humanos.

“Divulgamos esses fatos à sociedade no intuito de honrar a memória das vítimas que tiveram sua dignidade, identidade cultural e existência sistematicamente negadas”, registra o documento.

Reparação concreta

Além do pedido público de desculpas, o acordo prevê medidas de reparação. Entre elas, a aquisição emergencial de aproximadamente 3 mil hectares de terras para reassentamento de comunidades Avá-Guarani no oeste do Paraná. O investimento pode alcançar até R$ 240 milhões com recursos da Itaipu Binacional.

Duas áreas já foram adquiridas no município de Terra Roxa (PR), onde famílias indígenas iniciam um processo de reconstrução territorial. O acordo também prevê ações de infraestrutura, acesso à água potável, energia elétrica, saneamento, saúde, educação e fortalecimento cultural.

Para lideranças indígenas, o gesto é histórico — mas não encerra a luta. As comunidades seguem reivindicando demarcação plena de seus territórios tradicionais e políticas permanentes de proteção.

“Palavras são importantes. Mas nossa vida está na terra”, resume uma liderança Avá-Guarani da região. “A terra é nossa memória, nossa escola, nossa espiritualidade.”

Memória e não repetição

O Estado brasileiro e a Itaipu Binacional afirmaram ainda o compromisso de preservar a memória histórica dos acontecimentos como mecanismo de não repetição, fortalecendo o Estado Democrático de Direito.

Para os Avá-Guarani, a memória nunca deixou de existir. Ela resistiu nas histórias contadas ao redor do fogo, nas cantigas transmitidas às crianças e na luta constante pelo reconhecimento. O pedido de desculpas não devolve o passado — mas inaugura uma possibilidade de futuro em que o desenvolvimento não se construa mais sobre o silenciamento dos povos originários.

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Carnaval, estrada e responsabilidade: o que os números revelam sobre acidentes e álcool no Brasil

Levantamentos oficiais mostram que, embora haja redução em alguns índices, o consumo de bebidas alcoólicas ainda aparece como fator central nos acidentes durante o feriado mais festivo do país

Levantamentos oficiais mostram que, embora haja redução em alguns índices, o consumo de bebidas alcoólicas ainda aparece como fator central nos acidentes durante o feriado mais festivo do país

Carnaval é celebração da alegria, do encontro e da cultura brasileira, numa verdadeira catarse coletiva. É quando o Brasil dança nas ruas, abraça desconhecidos e transforma o cotidiano em fantasia. Mas, quando o confete cai e o trio elétrico silencia, um outro balanço também vem à tona — o das rodovias.

Todos os anos, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulga o relatório da Operação Carnaval. São números frios, técnicos, mas que carregam histórias interrompidas. No Carnaval de 2025, foram registrados 1.150 acidentes nas rodovias federais, com 83 mortes e 1.315 pessoas feridas. Houve redução em relação ao ano anterior, quando 88 pessoas perderam a vida, mas ainda assim o dado é um lembrete incômodo: a festa não pode custar vidas.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), responsável pelas rodovias concedidas à iniciativa privada, também apresentou números do mesmo período: redução de cerca de 13% nos acidentes em comparação com 2024. Ainda assim, 24 mortes foram registradas nesses trechos concedidos.

Os dados mostram avanços pontuais, fruto de fiscalização mais intensa, campanhas educativas e maior consciência social. Mas há um fator que insiste em atravessar os relatórios como uma sombra persistente: a mistura de álcool e direção.

A velha combinação que nunca envelhece — e nunca funciona

Durante o Carnaval, a PRF intensifica o uso do bafômetro. Milhares de motoristas são autuados por alcoolemia ao volante ou por se recusarem a fazer o teste. Centenas acabam detidos por embriaguez ao volante. Não é coincidência que as campanhas oficiais reforcem ano após ano o mesmo recado: “não misture álcool e direção”.

Especialistas em segurança viária apontam que feriados prolongados, especialmente os associados a festas, registram aumento significativo de infrações ligadas ao consumo de bebidas alcoólicas. Estudos epidemiológicos indicam que o álcool está relacionado a uma parcela relevante dos acidentes graves em períodos festivos — um dado que dialoga diretamente com o cenário observado no Carnaval.

Não, amigo leitor. Não é o samba que causa acidente. Não é o glitter, o confete e a serpentina. Não é o bloco das 9h da manhã. É a decisão equivocada de assumir o volante depois de tomar uns goles.

Um brinde à responsabilidade

Vamos falar com franqueza — mas também de forma suave. Se você passou o ano inteiro reclamando do preço da gasolina, da manutenção do carro e dos impostos, talvez não seja uma boa ideia arriscar tudo isso (e a própria vida) por causa de um “tomar uma”.

E você, amiga leitora, que organiza a fantasia, combina o encontro, reúne a turma e cuida de todo mundo — talvez já saiba que o melhor acessório do Carnaval é a consciência tranquila.

Beber faz parte da cultura festiva brasileira. O problema nunca foi o brinde. O problema é transformar o volante em extensão do copo.

A conta é simples:
Se for dirigir, não beba.
Se for beber, não dirija.

Não é moralismo. É estatística. E, acima de tudo, é cuidado.

O que os números não mostram

Os relatórios falam em 83 mortes. Mas não falam do pai que não voltou para casa. Não falam da mãe que aguardava na janela. Não falam do amigo que ficou esperando mensagem no grupo do WhatsApp que nunca chegou.

Os números são oficiais. As ausências são permanentes.

O Carnaval pode — e deve — continuar sendo a maior celebração popular do país. Mas a verdadeira festa é chegar em casa. É acordar na quarta-feira de cinzas com ressaca leve e histórias engraçadas, não com arrependimentos irreversíveis.

Portanto, amigo e amiga do Sulpost: aproveitem. Dancem. Cantem. Celebrem. Beijem na boca. Bebam, se quiserem — com moderação. Mas deixem o carro em casa, chamem um aplicativo, elejam o motorista da vez, peguem carona com a responsabilidade.

A resenha é simples: o melhor bloco é aquele que termina com todos vivos e de consciência tranquila para contar a história.

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Toffoli deixa relatoria do caso Banco Master após pressão pública e reunião no STF

Ministro afirma não haver impedimento, recebe apoio unânime dos colegas, mas decide sair “em nome dos interesses institucionais” - André Mendonça é o novo relator

Ministro afirma não haver impedimento, recebe apoio unânime dos colegas, mas decide sair “em nome dos interesses institucionais” - André Mendonça é o novo relator

Em um gesto que mistura prudência institucional e desgaste público, o ministro Dias Toffoli decidiu deixar a relatoria do inquérito que apura suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master. A decisão foi comunicada após uma reunião convocada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin, que reuniu os integrantes da Corte por cerca de três horas nesta quarta-feira (12).

O pano de fundo é delicado: relatório da Polícia Federal apontou a existência de menções ao nome de Toffoli em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo informa a Agência Brasil o aparelho foi apreendido em operação de busca e apreensão. O teor das citações permanece sob segredo de Justiça.

Embora os dez ministros tenham declarado, de forma unânime, que não há elementos para suspeição ou impedimento, Toffoli optou por sair do caso. A redistribuição do processo caberá agora a Fachin, que fará o sorteio para um novo relator.

Apoio formal, desgaste real

A nota oficial divulgada ao fim da reunião foi clara: não há base legal para afastamento compulsório. Os ministros afirmaram que Toffoli atendeu a todos os pedidos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República e reconheceram a validade de todos os atos praticados por ele até aqui.

Ainda assim, nos bastidores e fora deles, a pressão crescia.

Desde o mês passado, reportagens trouxeram à tona a informação de que a PF identificou possíveis irregularidades em um fundo de investimento ligado ao Banco Master. Esse fundo adquiriu participação no resort Tayayá, no Paraná — empreendimento do qual familiares de Toffoli eram proprietários. Mais cedo, o ministro confirmou ser um dos sócios do resort, mas declarou não ter recebido qualquer valor de Daniel Vorcaro.

O desgaste, portanto, não era apenas jurídico — era político e simbólico. Em tempos de polarização e vigilância permanente sobre as instituições, qualquer ruído se transforma em crise.

O peso da imagem institucional

Durante a reunião, segundo relatos, Toffoli chegou a defender sua permanência na relatoria. Mas, diante da repercussão pública e do debate sobre a imagem da Corte, decidiu recuar.

Na prática, o gesto busca preservar o tribunal de questionamentos que poderiam contaminar o andamento do processo. O próprio texto assinado pelos ministros registra que a decisão ocorreu “considerados os altos interesses institucionais” e a prerrogativa do ministro de submeter questões à Presidência para o bom andamento dos processos.

Assinaram a nota, além de Fachin e Toffoli, os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Luiz Fux, André Mendonça, Nunes Marques, Cristiano Zanin e Flávio Dino.

Entre a lei e a percepção pública

Do ponto de vista formal, o STF sustentou que não há hipótese legal de suspeição. Mas, no Brasil de hoje, a legitimidade institucional não se constrói apenas nos códigos — ela também passa pela confiança social.

Ao deixar a relatoria, Toffoli tenta encerrar uma narrativa que poderia comprometer o julgamento antes mesmo da análise dos fatos. A investigação segue, agora sob novo relator, enquanto a Corte tenta blindar-se de ruídos que extrapolam os autos.

O episódio revela mais uma vez como o Supremo vive sob tensão constante: qualquer sombra vira manchete, qualquer menção vira suspeita. E, nesse cenário, a preservação da instituição passa, muitas vezes, por decisões que vão além do texto frio da lei.

No fim das contas, não se trata apenas de um processo redistribuído. Trata-se da disputa permanente pela credibilidade das instituições — e do equilíbrio delicado entre legalidade, transparência e confiança pública.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi escolhido nesta mesma noite de quinta-feira (12), o novo relator do inquérito que trata das fraudes do Banco Master na Corte. A notícia foi divulgada pela Agência Brasil no fechamento da matéria.

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Embraer amplia presença na Índia e reforça ponte estratégica entre Brasil e Ásia

Gigante brasileira da aviação avança na cadeia de suprimentos indiana e consolida cooperação industrial em defesa, tecnologia e inovação

Divulgação/Embraer

Nova Delhi está a mais de 14 mil quilômetros de São José dos Campos. Mas, quando se fala de indústria aeroespacial, distância geográfica não significa distanciamento estratégico. Pelo contrário: é no encontro entre Brasil e Índia que começa a se desenhar uma nova etapa da soberania tecnológica brasileira.

A Embraer concluiu mais uma visita de alto nível ao país asiático com um objetivo claro: expandir e estruturar uma cadeia de suprimentos local robusta, integrando fornecedores indianos ao ecossistema global da fabricante brasileira. Mais do que uma agenda corporativa, trata-se de um movimento que dialoga com geopolítica, defesa, inovação e posicionamento internacional.

“A Índia é um parceiro estratégico para o desenvolvimento futuro da indústria aeroespacial”, afirmou Roberto Chaves, Vice-Presidente Executivo de Compras e Suprimentos Globais da Embraer, em publicação divulgada  em comunicado oficial divulgado no último dia 8: a intenção é aprofundar iniciativas conjuntas tanto na aviação civil quanto na área de defesa, com foco em inovação tecnológica, excelência operacional e parcerias de longo prazo.

Divulgação/Embraer

Muito além de fornecedores

Durante a visita, a Embraer avaliou potenciais parceiros em segmentos como montagem de aeroestruturas, usinagem, forja, fundição, materiais compostos, cablagem e desenvolvimento de hardware e software. Na prática, isso significa integrar a Índia a uma cadeia de produção que envolve tecnologia de ponta e alto valor agregado — exatamente o tipo de indústria que sustenta economias que pensam no futuro.

A empresa também inaugurou recentemente um escritório em Nova Delhi e criou uma equipe local dedicada à área de compras, sinalizando que a movimentação não é pontual, mas estrutural. O plano é implementar um programa extenso de cadeia de suprimentos no país.

Para o Brasil, isso representa algo maior: a consolidação de uma empresa nacional como protagonista global, capaz de construir pontes industriais fora do eixo tradicional Estados Unidos–Europa e ampliar sua presença na região da Ásia-Pacífico.

Defesa, presença consolidada e geopolítica

A Índia já é um mercado relevante para a Embraer. Atualmente, mais de 44 aeronaves da fabricante operam no país, distribuídas entre aviação comercial, executiva e defesa. Entre elas estão cinco jatos VIP utilizados pelo governo indiano e três aeronaves militares EMB-145 AEW “Netra”, operadas pela Força Aérea Indiana para vigilância aérea e controle antecipado.

Em um mundo onde o espaço aéreo também é território de soberania, cada contrato de defesa carrega peso diplomático e estratégico.

Uma gigante brasileira no tabuleiro global

Fundada em 1969, a Embraer já entregou mais de 9 mil aeronaves. Em média, a cada 10 segundos, um avião fabricado pela empresa decola em algum lugar do mundo, transportando mais de 150 milhões de passageiros por ano.

Líder global na fabricação de jatos comerciais de até 150 assentos, a Embraer permanece como a principal exportadora brasileira de bens de alto valor agregado — uma raridade em um país ainda fortemente dependente da exportação de commodities.

Ao ampliar sua presença na Índia, a companhia também fortalece o posicionamento do Brasil no eixo dos BRICS e na Ásia-Pacífico, região que concentra parte significativa do crescimento econômico mundial nas próximas décadas.

Para o trabalhador brasileiro que acompanha os movimentos da economia global, pode parecer distante falar de cadeias aeroespaciais na Ásia. Mas não é. Cada contrato fechado, cada parceria internacional e cada fornecedor integrado à engrenagem global representam empregos qualificados, inovação tecnológica e fortalecimento da indústria nacional.

O céu pode não ter fronteiras. Mas a soberania industrial tem endereço — e, neste caso, ele continua sendo brasileiro.

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Paraná lança plataforma inédita para certificar sustentabilidade e fortalecer o agronegócio

Aplicativo gratuito vai integrar dados ambientais, produtivos e territoriais, emitindo certidão agroambiental digital para mais de 300 mil propriedades rurais

Em um momento em que o mundo exige cada vez mais rastreabilidade, transparência e responsabilidade ambiental, o Paraná decidiu transformar dados em estratégia de Estado.

Segundo a Agência Estadual de Notícias (AEN-PR), o Governo do Paraná lançou nesta terça-feira (10), durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel, o Projeto Plataforma Paraná + Sustentável — uma iniciativa que consolida inteligência territorial como base para políticas públicas ambientais, agropecuárias e de desenvolvimento sustentável.

O anúncio foi feito pelo governador em exercício, Darci Piana, em um dos maiores eventos do agronegócio da América Latina. Mais do que um aplicativo, o projeto nasce como uma infraestrutura digital permanente. Nos próximos 15 dias, a plataforma estará disponível gratuitamente para download em sistemas iOS e Android.

Na prática, o produtor rural poderá acessar, pelo celular, um retrato técnico completo de sua propriedade — reunindo dados ambientais, produtivos e sanitários hoje espalhados em diferentes bases públicas.

Inteligência territorial e segurança jurídica

A plataforma integra informações autodeclaradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR) com dados oficiais estaduais e federais. O objetivo é segundo informa a AEN: transformar dados dispersos em evidência técnica auditável.

O resultado será a emissão de uma espécie de certidão agroambiental digital, reunindo licenciamento ambiental, situação do CAR, cadastros sanitários e outros registros essenciais para financiamento, exportação e certificações nacionais e internacionais.

“Estamos criando uma ferramenta moderna, transparente e permanente, que fortalece a sustentabilidade, dá segurança jurídica e amplia a competitividade do Paraná, especialmente para quem produz no campo”, afirmou Darci Piana.

De acordo com o superintendente-geral de Ordenamento Territorial, Benno Doetzer, a proposta é gerar um extrato consolidado da propriedade rural, tanto sob o ponto de vista ambiental quanto produtivo — algo que pode simplificar processos e reduzir entraves burocráticos.

Monitoramento por satélite e alertas climáticos

A Plataforma Paraná + Sustentável também permitirá o monitoramento contínuo do território por meio de imagens de satélite, análise de uso e ocupação do solo, acompanhamento da produção agrícola e identificação de eventos climáticos extremos.

Com isso, será possível emitir alertas preventivos, gerar indicadores estratégicos e apoiar decisões tanto do poder público quanto dos produtores rurais.

Para o secretário do Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca, o lançamento consolida o compromisso do Estado com a rastreabilidade ambiental.

“É um lançamento que conjuga inovação com rastreabilidade ambiental e eficiência no respeito às leis florestais do Brasil”, afirmou.

Greca definiu o sistema como um “hipervisor agrário”, concentrando informações sobre uso do solo, produção e preservação ambiental em todo o Paraná.

Resposta rápida na defesa sanitária

O diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, destacou que a ferramenta terá impacto direto na área de defesa sanitária animal.

Em situações de emergência, o sistema permitirá localização precisa das propriedades, indicação de rotas e respostas mais ágeis — um fator decisivo quando o tempo é determinante.

Já o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes, representante do Agronegócio no Governo do Paraná, diz que a plataforma integra outras ações recentes, como o CEP Rural, código oficial de endereçamento das propriedades rurais no estado.

CEP Rural, selo agroambiental e competitividade internacional

Entre as entregas previstas estão:

  • Certificação do CEP Rural para mais de 300 mil propriedades;
  • Consolidação oficial das Rotas Rurais;
  • Criação de um Selo Agroambiental baseado em dados públicos;
  • Mapas anuais de uso e ocupação do solo;
  • Certificados digitais por imóvel, município e Estado;
  • Painéis públicos com indicadores de sustentabilidade.

A expectativa do governo Ratinho Junior é ampliar a competitividade do agronegócio paranaense, especialmente em mercados externos que exigem comprovação técnica de boas práticas socioambientais.

Capacitação técnica do CAR

Durante o evento também foi anunciado um Programa de Capacitação para Técnicos do Sistema Estadual do Cadastro Ambiental Rural (CAR), em parceria com o CREA-PR. Os cursos serão oferecidos na modalidade EAD e buscam qualificar profissionais responsáveis pela análise e validação do cadastro ambiental.

Em um cenário global cada vez mais atento à sustentabilidade, o Paraná aposta na tecnologia como instrumento de governança e no dado como ativo estratégico. A Plataforma Paraná + Sustentável é, ao mesmo tempo, ferramenta administrativa e sinal político: quem comprova, compete melhor.


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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Governo abre edital para enfrentar o desmatamento com apoio direto às famílias da Amazônia

Com R$ 131,9 milhões do Fundo Amazônia, programa aposta na regularização fundiária e na agricultura familiar como caminho para manter a floresta em pé

Enquanto os satélites registram grandes descampados no mapa da Amazônia, no chão da floresta a realidade tem nome, sobrenome e história. São famílias que plantam, criam filhos, enfrentam incertezas jurídicas e vivem sob a tensão permanente entre produzir e preservar. É nesse território complexo — onde a ausência do Estado muitas vezes abriu espaço para conflitos e devastação — que o governo federal decidiu agir com uma nova etapa do programa União com Municípios.

Começou no último dia 7 o processo de inscrições para selecionar organizações que irão executar ações de controle do desmatamento em 48 municípios prioritários da Amazônia Legal. O edital, lançado no dia 2, integra o programa União com Municípios pela Redução do Desmatamento e Incêndios Florestais na Amazônia (UcM), criado em 2023 para fortalecer o protagonismo dos gestores locais no enfrentamento da crise ambiental.

O projeto contará com R$ 131,9 milhões do 0 e deve beneficiar cerca de 7,3 mil famílias. Mais do que uma ação administrativa, trata-se de uma estratégia que busca atacar uma das raízes históricas do problema: a insegurança fundiária e a falta de assistência técnica adequada.

Floresta em pé, renda no campo

A proposta combina regularização ambiental e fundiária com Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater). Na prática, isso significa identificar agricultores familiares, iniciar processos de regularização de suas áreas e oferecer apoio técnico para adoção de práticas agroecológicas e sistemas agroflorestais.

O foco está nas pequenas propriedades — imóveis de até quatro módulos fiscais — localizadas em assentamentos ou em glebas públicas federais ainda sem destinação. São áreas onde a falta de documentação e de orientação técnica frequentemente alimenta conflitos pelo uso do solo e vulnerabilidade social.

O edital reconhece a diversidade da região amazônica: comunidades tradicionais, povos indígenas, agricultores familiares, assentamentos da reforma agrária, médios e grandes empreendimentos agropecuários e unidades de conservação convivem em um mesmo território, nem sempre de forma harmoniosa. Qualquer política pública eficaz precisa considerar essas especificidades.

As entidades interessadas devem estar credenciadas na e apresentar propostas até 2 de março por meio do Sistema de Gestão de Ater (SGA). Dúvidas podem ser encaminhadas ao e-mail duvidas001.2026@anater.org.

Seis estados, um desafio comum

Nesta primeira etapa, o projeto será dividido em 16 lotes distribuídos entre os 48 municípios que aderiram ao programa até abril de 2024. A expectativa é alcançar agricultores familiares em seis estados: Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima.

Um pacto federativo pela Amazônia

O União com Municípios é o primeiro de três projetos previstos com recursos do Fundo Amazônia para os próximos cinco anos. A meta é ambiciosa: regularizar completamente cerca de 30 mil famílias, com investimento estimado em R$ 600 milhões.

De acordo com a Agência Brasil, fonte da matéria, hoje, 70 municípios em sete estados já participam da iniciativa. Mais de 1.800 equipamentos — entre veículos, embarcações e instrumentos de monitoramento — foram entregues, além de ações de formação técnica e pagamento por serviços ambientais a agricultores familiares. O programa conta com aproximadamente R$ 800 milhões oriundos do Fundo Amazônia e do Projeto Floresta+ Amazônia, parceria entre o Ministério do Meio Ambiente, o PNUD e o Fundo Verde do Clima (GCF).

Mais do que fiscalização

O combate ao desmatamento não se faz apenas com multas e operações de repressão. Ele exige presença do Estado, segurança jurídica, crédito, assistência técnica e diálogo permanente com quem vive da terra. Sem isso, a floresta vira estatística — e a política pública, discurso vazio.

Ao apostar na regularização fundiária e na agricultura familiar como aliadas da preservação, o governo sinaliza uma mudança de lógica: transformar o pequeno produtor em protagonista da proteção ambiental. Manter a floresta em pé não é apenas uma meta climática global — é uma questão de soberania, justiça social e futuro.

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O pequeno exorcismo de Santo Antônio e o obelisco de Assuã e as orações de proteção espiritual

Entre o deserto, o império, Santo Antônio e a cruz: o obelisco de Assuã e as orações de proteção espiritual

Há monumentos que não pertencem a uma única religião, nem a um único tempo. Eles atravessam civilizações como testemunhas silenciosas da busca humana pelo sagrado. O obelisco que hoje se ergue no centro da Praça de São Pedro, no Vaticano, é um desses símbolos.

Talhado há quase dois mil anos em granito vermelho de Assuã, no sul do Egito, ele nasceu longe do cristianismo, sob o sol do deserto africano, carregando em sua matéria a memória de povos que já contemplavam o céu em busca de sentido, ordem e transcendência.

O granito de Assuã: a pedra que atravessa o tempo

Assuã foi, na Antiguidade, a principal fonte do granito utilizado em obeliscos, templos e esculturas monumentais. Esse tipo de pedra era associado à permanência, à força e à eternidade. Para os egípcios, o obelisco simbolizava um eixo entre o céu e a terra — um ponto de encontro entre o mundo humano e o divino.

O obelisco do Vaticano é singular: diferente de muitos outros, ele não possui hieróglifos. Isso reforça seu caráter de ponte histórica — uma pedra que não fala uma língua específica, mas atravessa culturas e crenças.

Do Egito a Roma: a pedra peregrina

No século I d.C., durante o Império Romano, o obelisco foi transportado do Egito para Roma por ordem do imperador Calígula. Ele foi instalado no antigo Circo de Nero, local que, mais tarde, seria associado ao martírio de cristãos, entre eles o apóstolo Pedro.

Assim, antes mesmo de ser cristianizado, o obelisco já estava presente em um espaço marcado por sofrimento, fé e resistência espiritual.

O orbe romano e a mudança de eixo espiritual

No topo do obelisco, durante o período romano, existia um orbe de bronze, símbolo do cosmos, do mundo ordenado, da ideia de domínio universal.

Com a cristianização de Roma, esse orbe foi removido. Seu destino histórico não é plenamente documentado. No lugar, no século XVI, a Igreja ergueu uma cruz, acompanhada de relíquias, como sinal de um novo eixo espiritual: não mais o poder imperial, mas a fé que nasce da vulnerabilidade humana.

Ecce Crux Domini: a proclamação gravada na história

Ao ser erguido no centro da Praça de São Pedro, o obelisco foi consagrado com uma inscrição cristã e associado à antiga proclamação espiritual: Ecce Crux Domini — Eis a Cruz do Senhor.

Essa frase, tradicionalmente usada como oração de proteção, não foi gravada como exorcismo formal, mas como um ato simbólico: a afirmação de que a luz, quando reconhecida, tem força para ordenar o caos.

Ecce Crucem Domini,
fugite partes adversae.
Vicit Leo de tribu Iuda,
radix David. Alleluia.

Tradução espiritual:
Eis a Cruz do Senhor.
Afastai-vos, forças contrárias à vida.
Venceu o Leão da tribo de Judá,
a Raiz de Davi.
Aleluia.

O Pequeno Exorcismo de São Miguel Arcanjo

Inspirada por esse mesmo espírito de proteção interior, a tradição cristã preservou a oração conhecida como Pequeno Exorcismo de São Miguel Arcanjo, composta pelo Papa Leão XIII no século XIX.

Não se trata de um ritual reservado ao medo, mas de uma oração acessível, voltada ao fortalecimento da consciência, à coragem espiritual e à escolha da luz diante das sombras humanas.

São Miguel Arcanjo,
defendei-nos no combate;
sede o nosso refúgio contra as ciladas do mal.
Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos;
e vós, Príncipe da milícia celeste,
pela virtude divina,
afastai de nós toda força espiritual
que nos desvie da vida, da verdade e do amor.
Amém.

Quando a pedra floresce em consciência

O obelisco permanece ali, imóvel, mas nunca mudo. Ele já apontou para deuses solares, para imperadores, e hoje aponta para uma cruz — não como imposição, mas como convite.

Convite para que cada ser humano, independentemente de fé ou tradição, reconheça que a verdadeira proteção espiritual nasce do alinhamento interior, do respeito à vida e da escolha consciente pela luz.

Assim, até a pedra floresce.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Ibama multa Petrobras em R$ 2,5 milhões por vazamento na Foz do Amazonas

Órgão ambiental aponta risco médio ao ecossistema; estatal diz que fluido é biodegradável e sem danos

Órgão ambiental aponta risco médio ao ecossistema; estatal diz que fluido é biodegradável e sem danos

Por trás dos dados e números frios de um auto de infração, muitas vezes existe uma disputa de narrativas — e, no caso da Margem Equatorial brasileira, também há um mar inteiro em jogo.

De acordo com a Agência Brasil, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou a Petrobras em R$ 2,5 milhões por um vazamento ocorrido no último 4 de janeiro, durante perfuração marítima na Bacia da Foz do Amazonas. O derramamento aconteceu a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma das regiões mais sensíveis e debatidas do litoral brasileiro.

Segundo o órgão ambiental, houve a descarga de 18,44 metros cúbicos de Fluido de Perfuração de Base Não Aquosa — uma mistura oleosa utilizada na exploração de petróleo e gás. O material teria sido liberado a partir da instalação denominada Navio Sonda 42 (NS-42), que operava no local.

O que está em disputa

Para o Ibama, o fluido representa “risco médio tanto para a saúde humana quanto para o ecossistema aquático”, classificação baseada na Instrução Normativa nº 14, de 28 de julho de 2025. A avaliação considera potenciais impactos à biodiversidade marinha, especialmente em uma área próxima à foz de um dos maiores sistemas fluviais do planeta.

Já a Petrobras sustenta outra versão. Em nota, a empresa afirmou que o produto é biodegradável, não persistente, não bioacumulável e não tóxico, conforme sua Ficha de Dados de Segurança. Segundo a estatal, o fluido atende aos parâmetros ambientais exigidos e não gera qualquer dano ao meio ambiente.

O contraste entre as duas posições revela o centro da controvérsia: enquanto o órgão fiscalizador adota o princípio da precaução em uma área estratégica e ambientalmente sensível, a petroleira defende a segurança técnica do material utilizado.

Como ocorreu o vazamento

De acordo com a Petrobras, o incidente foi causado pela perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares que conectam a sonda ao poço exploratório Morpho. O poço está localizado na Bacia da Foz do Amazonas, área considerada estratégica para a expansão da fronteira exploratória brasileira.

Desde o dia 6 de janeiro — dois dias após o vazamento — a perfuração está paralisada.

Na última quarta-feira (4), a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) impôs novas condições para que a Petrobras possa retomar as atividades. Entre as exigências está a substituição de todos os selos das juntas do riser de perfuração — tubo de grande diâmetro que conecta o poço submarino à sonda.

A empresa deverá apresentar, em até cinco dias após a instalação da última junta, evidências da troca dos selos e uma análise técnica comprovando a adequação do procedimento.

Mais que uma multa, um sinal

A multa de R$ 2,5 milhões é, do ponto de vista financeiro, pequena diante do porte da Petrobras. Mas o gesto institucional é significativo. Ele ocorre em meio a um debate nacional sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial brasileira do Oceano Atlântico — região que desperta interesses econômicos e, ao mesmo tempo, preocupa ambientalistas, comunidades costeiras e pesquisadores.

A Foz do Amazonas não é apenas uma coordenada no mapa energético brasileiro. É território de biodiversidade única, corredor migratório de espécies marinhas, fonte de subsistência para pescadores e comunidades tradicionais. Cada decisão ali tomada ecoa muito além das planilhas de produção.

A partir da notificação, a Petrobras tem 20 dias para pagar a multa ou apresentar defesa administrativa. Até lá, o caso seguirá como mais um capítulo da tensão permanente entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

No horizonte, permanece a pergunta que atravessa o debate energético do país: qual é o custo real de avançar sobre novas fronteiras do petróleo — e quem vai pagar a conta dos custos ambientais?

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sábado, 7 de fevereiro de 2026

Da Ilha de Maré ao Capibaribe: soluções brasileiras mostram que o desenvolvimento sustentável nasce do território e das pessoas

Projetos urbanos e comunitários do Brasil ganham reconhecimento internacional ao provar que planejamento participativo, justiça social e respeito à natureza podem caminhar juntos

Capela de Nsa Sra das Neves - Nilton Sousa/Prefeitura de Salvador

Por onde o Brasil insiste em ser esquecido, brotam soluções. Na Ilha de Maré, um bairro-ilha de Salvador cravado na Baía de Todos-os-Santos, o futuro começou a ser desenhado a partir da escuta. Ali, onde vivem cerca de 4 mil pessoas distribuídas em 12 comunidades — seis delas reconhecidas como quilombolas —, um projeto de desenvolvimento sustentável mostrou que planejamento urbano não se faz apenas com pranchetas de desenho e mapas, mas também com histórias, vínculos e pertencimento.

Liderado pela Prefeitura de Salvador, o Planos de Bairro reuniu líderes comunitários, poder público, universidades e organizações locais em um processo coletivo de diagnóstico e construção de propostas. O objetivo era claro: enfrentar desigualdades históricas, fortalecer o território e pensar soluções que respeitassem a vida como ela é vivida ali, entre o mar, o mangue e a memória ancestral.

Segundo a Agência Brasil quem traduz isso em palavras simples é a pescadora quilombola Marizélia Lopes, moradora da Ilha de Maré. Para ela, não existe separação entre natureza e sobrevivência.

“A gente não enxerga a natureza só como um espaço de exploração. A gente tem uma relação. Não consegue desassociar o que é natureza da gente, da vida da gente. Então a gente é a natureza”, afirma.

Essa visão — que desafia modelos predatórios e tecnocráticos de desenvolvimento — é justamente o que colocou a experiência baiana no radar internacional.

Da Bahia para todo o Sul Global

O projeto da Ilha de Maré integra uma seleção de 16 iniciativas brasileiras escolhidas em uma parceria entre o governo brasileiro e o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat). A proposta é que essas experiências sirvam de inspiração para outros países do chamado Sul Global, que compartilham desafios semelhantes: desigualdade, urbanização acelerada, crise climática e exclusão social.

A seleção faz parte do Programa Simetria Urbana, lançado em 2023, no qual o Brasil é representado pela Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE). A chamada pública reuniu projetos de governos locais, instituições públicas, organizações da sociedade civil e comunidades, todos alinhados ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 11, da ONU — que trata de cidades e comunidades sustentáveis.

Natureza como aliada, não como obstáculo

Entre os projetos selecionados está também uma iniciativa do Recife que mostra como a natureza pode ser solução — e não problema — para os centros urbanos. No Parque do Caiara, na zona norte da capital pernambucana, foram implantados Jardins Filtrantes na foz do Riacho do Cavouco.

Executado pela Agência Recife para Inovação e Estratégia (Aries), o projeto ocupa uma área de cerca de 7 mil metros quadrados e utiliza 7,5 mil plantas aquáticas nativas para formar um sistema natural de filtragem da água antes que ela chegue ao Rio Capibaribe.

Além do impacto ambiental positivo, a intervenção devolveu o espaço à população. Para a moradora Gabriela Machado, o parque ganhou novo significado.

“O Jardim do Caiara, inaugurado e renovado, é um espaço que posso curtir do lado da minha casa. Um lugar da minha região, que traz valor para minha região”, relata.

Cidades sustentáveis também se constroem com igualdade

Outro eixo central das iniciativas selecionadas é a igualdade de gênero. Em Salvador, o programa Marias na Construção mostra como políticas públicas podem romper ciclos de violência e exclusão por meio da qualificação profissional e da geração de renda.

Voltado a mulheres em situação de violência doméstica, familiar ou outras vulnerabilidades sociais, o programa já formou mais de 600 mulheres em dois anos, oferecendo cursos na área da construção civil.

Uma dessas mulheres é Janaína dos Santos, que vê na formação uma porta aberta para o futuro.

“Já terminei um curso agora e vou começar outros dois. Aprendi muita coisa. Quero crescer na área. Futuramente, quero fazer um curso técnico, se Deus permitir, fazer uma faculdade e ser uma grande mulher na construção”, planeja ela com os pés firmes no chão.

Boas práticas que atravessam fronteiras

Para a arquiteta urbanista Laura Lacastagneratte de Figueiredo, analista de programas do ONU-Habitat, a publicação Simetria Urbana tem um papel estratégico: transformar experiências bem-sucedidas em ferramentas concretas de cooperação internacional.

“Ao sistematizar soluções que já apresentaram resultados, amplia o potencial dessas experiências como referências para a cooperação e como modelos adaptáveis e inspiradores de políticas públicas, capazes de dialogar com realidades semelhantes”, explica ela.

Para Laura, a meta é estimular intercâmbios, projetos conjuntos e o fortalecimento de capacidades locais, acelerando a implementação de ações efetivas de desenvolvimento urbano sustentável em diferentes contextos.

Um Brasil que aponta caminhos

Além da Ilha de Maré, do Recife e de Salvador, o conjunto de soluções mapeadas inclui iniciativas como a formação de jovens cearenses para projetos socioambientais; centros comunitários em territórios vulneráveis no Recife; design de interiores para habitação social em Niterói (RJ); e até o desenvolvimento de ônibus híbrido elétrico-hidrogênio, em Maricá (RJ).

Em comum, todas essas experiências revelam um Brasil que pensa a cidade a partir das pessoas, do cuidado com o território e da justiça social. Um Brasil que, longe dos holofotes, constrói respostas reais para problemas globais — e mostra que o futuro sustentável não se importa em começar pequeno, desde que comece junto, justo no tempo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Centrais sindicais repudiam violência da PMPR contra metalúrgicos e reforçam denúncia de agressão a Nelsão da Força

Carta conjunta amplia pressão nacional após prisão, agressões e impedimento do direito de greve na fábrica da Brose, em São José dos Pinhais

Clique aqui para versão.pdf 

As centrais sindicais brasileiras divulgaram nesta semana uma carta pública conjunta de repúdio à ação da Polícia Militar do Paraná (PMPR) contra trabalhadores, trabalhadoras e dirigentes sindicais durante a greve dos metalúrgicos da Brose, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O documento denuncia agressões físicas, prisões arbitrárias e o impedimento, à força, do exercício do direito constitucional de greve.

A manifestação das centrais ocorre após a repercussão nacional da prisão e das agressões sofridas por Nelsão, histórico dirigente sindical e uma das principais lideranças do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), durante mobilização pacífica da categoria por melhores salários, benefícios e condições dignas de trabalho.

Depoimento exclusivo revela violência, detenção e tentativa de silenciamento

Em depoimento exclusivo ao Sulpost, Nelsão relatou os momentos de violência vividos durante a ação policial. Segundo ele, permaneceu detido das 8h às 15h, e teve seu telefone celular apreendido. Mesmo após a soltura, teve que andar uma grande distância mesmo tendo segundo relata dois pinos de seu joelho deslocados. A falta de assistência o líder sindical após a liberação dificultou sua comunicação com a categoria, com sua família e com a própria defesa.

O dirigente também denunciou obstáculos impostos pelas autoridades para a realização do exame de corpo de delito. “Não quiseram me dar a requisição. Passei a noite inteira rodando delegacias. Só depois de muita discussão, no dia seguinte, conseguimos a autorização”, relatou.

Nelsão afirma estar com dores intensas, hematomas e lesões no joelho, inclusive com deslocamento de pinos cirúrgicos que possuí, consequência direta da ação policial. Ainda assim, reforça que a violência não irá calar o movimento sindical.

“Não vai ser isso que vai calar a boca da organização ou da luta dos trabalhadores. A luta continua.”

Carta das centrais denuncia repressão e ataque ao direito de greve

Na carta pública, as centrais sindicais afirmam que a ação da PMPR extrapolou qualquer protocolo de segurança e se configurou como repressão política e antissindical, voltada a proteger interesses privados em detrimento dos direitos fundamentais dos trabalhadores.

O documento destaca que a greve na Brose ocorre diante da recusa sistemática da empresa em negociar um acordo coletivo justo, enquanto outras empresas do mesmo setor já garantiram reajustes salariais, participação nos lucros e benefícios superiores. Para as centrais, o uso da força policial para intimidar grevistas representa um grave retrocesso democrático.

Requião reforça denúncia e cobra afastamento de comandantes

A nova escalada de violência também motivou uma nova manifestação pública do ex-governador e ex-senador Roberto Requião, que voltou a prestar solidariedade a Nelsão e aos metalúrgicos. Requião responsabilizou diretamente o comando da corporação e o governo estadual.

“A polícia militar não existe para agredir trabalhadores que se manifestam. Ela existe para proteger a manifestação.”

Requião relembrou que, quando governador, afastou imediatamente comandantes envolvidos em episódios semelhantes e questionou: “O que está acontecendo com a Polícia Militar do Paraná?”. Para ele, os responsáveis diretos e os comandantes deveriam ser afastados, pois, como todos sabem o pelotão é reflexo do comandante.

Campo progressista reage e rejeita retrocessos autoritários

A reação das centrais e de lideranças políticas ocorre em um momento de crescente mobilização do campo progressista paranaense, que denuncia o avanço de práticas autoritárias, a criminalização dos movimentos sociais e a tentativa de intimidação de lideranças sindicais.

Entidades e militantes lembram que o movimento sindical, no Brasil e no mundo, é parte fundamental da democracia e da conquista de direitos históricos. “Não aceitaremos a volta de modelos de polícia truculenta, típicos dos anos de chumbo da ditadura militar”, afirmam.

Trabalhadores seguem mobilizados

Apesar da repressão, os metalúrgicos da Brose seguem firmes na greve, exigindo respeito, negociação e dignidade. A carta das centrais amplia o alcance da denúncia e coloca o Paraná novamente sob os holofotes nacionais no debate sobre direitos trabalhistas, democracia e o uso político da força do Estado.

O Sulpost seguirá acompanhando os desdobramentos e amplificando as vozes dos trabalhadores.

Entenda: 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Confusão e truculência em SJP durante ação sindical

Algemado durante mobilização legítima, Nelsão da Força, histórico dirigente sindical se torna símbolo da repressão policial contra o direito de greve no Paraná


Há imagens que dispensam legenda. Os punhos marcados por algemas de Nelsão da Força, um senhor, dirigente sindical histórico, respeitado pela classe trabalhadora e pelo próprio presidente Lula, falam por si. Não se trata de um episódio isolado, tampouco de um excesso pontual: o que se vê é mais um capítulo de uma escalada preocupante de repressão contra trabalhadores organizados no Paraná.

O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) denunciou que, durante a mobilização dos trabalhadores da Brose, em São José dos Pinhais, Nelsão foi agredido e detido junto com outros companheiros e companheiras do sindicato. Segundo a denúncia, uma funcionária da empresa também precisou de atendimento médico após a ação da Polícia Militar.

As cenas registradas no local mostram o uso de força, gás de pimenta e prisões arbitrárias. Não estávamos presentes no momento da ação e, por responsabilidade jornalística, não descrevemos a dinâmica dos fatos. O Sulpost cumpre aqui seu papel histórico: amplificar a denúncia, dar voz aos trabalhadores e registrar aquilo que o Estado insiste em normalizar.

Greve justa, repressão injustificável

Os metalúrgicos da Brose entraram nesta quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, no 8º dia consecutivo de greve pelo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT-2026). A paralisação começou em 28 de janeiro e se mantém diante da falta de diálogo da empresa com o SMC para negociar uma proposta minimamente compatível com o praticado no setor.

Além do impasse nas negociações, trabalhadores e dirigentes sindicais passaram a enfrentar repressão direta da Polícia Militar, que, conforme imagens registradas na frente da fábrica, agiu de forma truculenta, com prisões e uso de gás de pimenta. Uma ambulância precisou ser acionada para atender pessoas atingidas pelo agente inflamatório, que provoca cegueira temporária, dor intensa, tosse e falta de ar.

Assembleia impedida

A ação policial também foi marcada — segundo informa o SMC em seu site — pelo impedimento da realização da assembleia sindical na porta da fábrica — um direito constitucional e pilar básico da organização dos trabalhadores. Impedir assembleia é tentar silenciar, pelo medo, aquilo que deveria ser resolvido pelo diálogo.

O que os trabalhadores reivindicam

Atualmente, os trabalhadores da Brose recebem cerca de R$ 2.500,00 de salário, vale-mercado de R$ 500,00 e não possuem PLR. A pauta apresentada pelo sindicato é clara e objetiva:

  • Correção salarial pelo INPC + 2,5% de aumento real;
  • Equiparação do vale-mercado aos valores praticados no setor;
  • Discussão da jornada de trabalho;
  • Implantação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

A comparação com outras empresas do setor escancara a distorção:

Pirelli
Reajuste salarial: 6%
Vale-mercado: de R$ 700,00 para R$ 1.080,00 (VM adicional de R$ 1.000,00)
PLR: R$ 22.100,00 (100% das metas)

J-Tekt
Reajuste salarial: 6%
Vale-mercado: R$ 1.170,00
PLR: R$ 17.000,00 (100% das metas) + R$ 10.000,00 de primeira parcela fixa

Adient
Reajuste salarial: INPC + 1% de aumento real
Vale-mercado: R$ 1.080,00
PLR: R$ 17.100,00 (100% das metas)
Abono: R$ 5.000,00

O diretor executivo do SMC, Ezequiel Romão, resume o cenário:

“As autopeças da região estão pagando perto de R$ 3.400,00 para funcionários iniciais, enquanto a Brose só reajustou o salário para aproximadamente R$ 2.500,00. É um absurdo! As outras empresas pagam mil reais a mais.”

Campo progressista reage, atos antissindicais se acumulam

O campo progressista paranaense não aceita voto de cabresto e jamais aceitará a volta de modelos de polícia truculenta, típicos dos anos de chumbo da ditadura militar. O movimento sindical luta, no Brasil e no mundo inteiro, para melhorar salários, garantir direitos e assegurar benefícios aos trabalhadores — e por isso é respeitado internacionalmente.

O que se vê no caso da Brose é o oposto desse princípio civilizatório: um aparelhamento da força policial para proteger interesses privados, em detrimento de direitos coletivos. A truculência registrada é chocante, mas torna-se ainda mais ameaçadora quando direcionada a pessoas sabidamente identificadas com a esquerda e com a organização popular.

Prisões, algemas e um alerta nacional

A denúncia ganhou ainda mais repercussão após manifestação pública do ex-senador Roberto Requião, que utilizou as redes sociais para denunciar as agressões sofridas por Nelsão da Força e demais sindicalistas. 

Algemar um dirigente sindical idoso, durante uma greve legítima, não é apenas um ato policial: é um recado político. Quando algemas substituem a negociação, a democracia no chão da fábrica está em risco.




Atos antissindicais e ilegalidades

Com a greve em curso, a Brose passou a adotar, segundo relatos, práticas antissindicais: assédio, pressão psicológica e tentativa de desmobilização com apoio policial. Agora, a empresa avança ainda mais, passando a contratar trabalhadores temporários por R$ 1.900,00.

O SMC já acionou seu jurídico para denunciar a empresa à Justiça.

Os trabalhadores seguem firmes na luta por respeito, dignidade e justiça social. E o Sulpost seguirá ao lado de quem não se curva à repressão. Só quem já sofreu pressão da PM do governador Ratinho Junior, sendo aparelhada por patrões e segunda denúncias até por condomínios para cobrar taxas condominiais vencidas e pressionar militantes do Campo Progressista, sabe o dano psíquico que isso causa e que chega até a ser maior que a dor física, pois se as feridas do corpo saem aos da mente às vezes são mais delicadas. 

Jamais este blog ou eu, seu editor, vamos nos calar perante atos truculentos como os praticados pelas milícias cariocas — já morei no Rio e sei o terror que é territórios dominados pela milícia e pelo narcotráfico fortemente armado — sendo replicados por esfera de poder, público, privado ou civil, qualquer que seja. E quando essas práticas começam a ser percebidas em ações que violam a Constituição Federal, mesmo que por parte do Estado, a sociedade certamente cobrará uma resposta. 

A PM do Paraná que conheço não é essa que aparecem nas imagens recentes mostradas nessa reportagem e que estão em minha mente ainda gravadas. Não é mais a PM do batalhão Coronel Dulcídio onde aprendi a montar a cavalo, parece coisa de distopia de ficção científica mas não, infelizmente é verdade.

Ampliada com nova imagem obtida às 08h48, me mostra Nelsão - a imagem está borrada - deitado de bruços no chão deixando algemado pela Polícia Militar do Paraná.

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Artemis II avança, mas NASA adia lançamento para março após teste crítico com combustível

Ensaio geral revelou desafios técnicos em meio ao frio na Flórida, reforçando a prioridade absoluta da agência: segurança da tripulação

NASA/Divulgação

Em silêncio concentrado, sob o frio atípico da Flórida e a vigilância constante de centenas de engenheiros, a NASA deu mais um passo decisivo rumo ao retorno da humanidade à exploração profunda do espaço. Na madrugada de terça-feira (3), a agência concluiu o chamado wet dress rehearsal da missão Artemis II — um ensaio geral que testa, em condições reais, o abastecimento completo do foguete que levará astronautas novamente além da órbita terrestre.

O teste, embora bem-sucedido em seus objetivos centrais, expôs desafios técnicos que levaram a NASA a rever o cronograma. O lançamento, antes cogitado para fevereiro, agora tem março como a janela mais cedo possível.

Mais do que um simples adiamento, a decisão carrega um recado claro: quando vidas humanas estão em jogo, não há espaço para atalhos. Tudo tem que estar 100% ok para o lançamento, pois segundo a lei de Murphy, nascida na própria NASA, se alguma coisa tiver que dar errado vai dar. 

Durante cerca de 49 horas, iniciadas às 20h13 do dia 31 de janeiro, equipes acompanharam cada etapa do abastecimento criogênico do Space Launch System (SLS), o foguete mais poderoso já construído pela humanidade. Hidrogênio e oxigênio líquido foram carregados nos tanques do estágio central e do estágio criogênico intermediário, enquanto sensores  realizaram o monitoramento e análise do impacto das baixas temperaturas sobre sistemas e equipamentos.

O frio, aliás, foi um personagem central desse ensaio. Algumas interfaces precisaram ser aquecidas antes do início do abastecimento, atrasando o cronograma. Durante o processo, engenheiros enfrentaram um vazamento de hidrogênio líquido em uma conexão crítica do estágio central — um problema sensível, recorrente e que exige extrema cautela.

Para contê-lo, foi necessário interromper o fluxo do combustível, permitir o reaquecimento da interface, reajustar vedações e recalibrar o sistema. O trabalho consumiu horas preciosas, mas permitiu que o teste seguisse adiante.

Mesmo assim, ao se aproximar da contagem regressiva final — faltando cerca de cinco minutos — o sistema automático interrompeu o processo ao detectar um novo aumento na taxa de vazamento. O ensaio foi encerrado ali, exatamente como previsto em um teste cujo objetivo é identificar falhas antes que elas se tornem riscos reais.

Além do vazamento, outros pontos exigiram atenção: uma válvula recém-substituída do módulo de tripulação da cápsula Orion precisou ser reapertada; operações de fechamento levaram mais tempo que o esperado; câmeras e equipamentos foram afetados pelo frio; e falhas intermitentes de comunicação por áudio voltaram a ocorrer entre equipes de solo.

Ainda assim, a NASA destacou avanços importantes. Todos os tanques foram abastecidos com sucesso e uma equipe de cinco pessoas chegou à plataforma de lançamento para concluir os procedimentos finais da Orion. Também foram testados novos protocolos de segurança, incluindo o uso de ar respirável — em vez de nitrogênio gasoso — nas cavidades do módulo de serviço, garantindo condições seguras para os técnicos que auxiliarão os astronautas no dia do lançamento.

Com a mudança no calendário, os quatro tripulantes da Artemis II — Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e o astronauta canadense Jeremy Hansen — foram liberados da quarentena iniciada em 21 de janeiro, no Texas. Eles retornarão ao isolamento cerca de duas semanas antes da nova data de lançamento.

Em nota oficial, a agência reforçou que os próximos dias serão dedicados à análise minuciosa de dados, correção de cada falha identificada e novos testes, antes da definição de uma data oficial.

“A segurança da tripulação continua sendo nossa prioridade máxima”, reiterou a NASA, lembrando que a missão Artemis II será o primeiro voo tripulado do programa que pretende levar humanos de volta à Lua — e, mais adiante, a Marte.

Os resultados iniciais do ensaio também foram tema de uma coletiva de imprensa, transmitida ao vivo pelo canal oficial da NASA no YouTube, com a participação de lideranças da agência e uma declaração do administrador Jared Isaacman.

O caminho até a Lua, mais uma vez, mostra que não é feito de pressa, mas de responsabilidade, ciência e respeito absoluto à vida. Cada atraso, nesse contexto, é também garantia de um lançamento, voo e retorno seguro à Terra.

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Polícia Federal vai às ruas de São Paulo contra fraudes milionárias na Caixa Econômica Federal

Operação Non Olet desarticula esquema que usava contas em nome de terceiros para obter empréstimos; quadrilha movimentou mais de R$ 3 milhões em dois anos

Por trás das fachadas aparentemente comuns de contas bancárias e empréstimos rotineiros, a Polícia Federal (PF) identificou um esquema sofisticado de fraude que drenava recursos da Caixa Econômica Federal (CEF), banco público responsável por políticas sociais, penhor de jóias, loterias e crédito popular em todo o país.

De acordo com a Agência Brasil, na manhã desta terça-feira (3), agentes federais sairam às ruas da capital paulista para deflagrar a Operação Non Olet, cujo foco é desmontar uma associação criminosa especializada em fraudes bancárias praticadas contra a Caixa.

Segundo informações da PF, estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, com autorização da Justiça Federal. A ação tem como objetivo interromper a atuação do grupo criminoso e preservar provas que detalham o funcionamento do esquema.

Contas falsas, empréstimos reais

De acordo com as investigações, os suspeitos abriam contas bancárias em nome de outras pessoas para, a partir delas, contratar empréstimos junto à Caixa. Os valores obtidos não permaneciam nessas contas: eram rapidamente transferidos para outros integrantes da organização criminosa.

A Polícia Federal estima que, nos últimos dois anos, a quadrilha tenha movimentado mais de R$ 3 milhões por meio dessas operações fraudulentas — um prejuízo significativo não apenas para o banco estatal, mas para toda a sociedade.

Como parte da operação, a Justiça Federal determinou o bloqueio das contas bancárias investigadas, com a retenção dos valores existentes, buscando impedir novos desvios e garantir eventual ressarcimento.

Fraudes que atingem o interesse público

Mais do que um crime financeiro, a fraude contra um banco público tem impacto coletivo. A Caixa Econômica Federal é responsável pela gestão de programas sociais, recursos do FGTS, financiamento habitacional e linhas de crédito voltadas à população de baixa renda.

A Operação Non Olet se soma a outras ações recentes da Polícia Federal envolvendo a instituição. Em 15 de janeiro deste ano, a PF deflagrou uma operação para reprimir furto e receptação de computadores de agências da Caixa, crime que, segundo a corporação, causou prejuízo de R$ 1,5 milhão ao banco.

Em seu site a PF informou que as investigações seguem em andamento e que o material apreendido será analisado para identificar outros envolvidos e a extensão total do esquema criminoso. Seguimos acompanhando.

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Requião Filho e a chance de romper ciclos no Paraná

Pré-candidato do PDT simboliza a possibilidade real de iniciar um novo ciclo político no Estado, com denúncias consistentes, oposição ativa e diálogo direto com um eleitorado cansado de polarização 

Por Ronald Stresser — editorial para o Sulpost — 02 de fevereiro de 2026

Reprodução/Redes Sociais

Há eleições que apenas alternam nomes. E há aquelas, mais raras, que colocam em disputa modelos de Estado, prioridades e valores. No Paraná, a corrida ao Palácio Iguaçu em 2026 começa a se desenhar como essa segunda hipótese. E, nesse cenário, a pré-candidatura do deputado estadual Requião Filho (PDT) surge como chance real de romper um ciclo político que vem se mantendo quase intacto, apesar das mudanças de discurso e de personagens, desde a eleição de Beto Richa em 2010, num ciclo que já dura 15 anos.

Não se trata de ruptura fora das regras. Pelo contrário. O que está em jogo é a possibilidade de uma transição legítima, democrática e eleitoralmente construída, lembrando que é sempre melhor para o estado quando o governador trabalha em parceria com o governo federal e não na oposição, como tem acontecido de forma quase que debochada em nosso estado.

Este ano as eleitoras e eleitores vão ter uma chance real de fazer o Paraná humano outra vez, através da soberania do voto construído com a inteligência do eleitor paranaense — cada vez mais atento e crítico às consequências de políticas neoliberais adotadas pelo atual governo estadual.

Falta de sincronia com o modelo vigente

Nos bastidores e nas ruas, cresce a percepção de que parte significativa da população já não se reconhece nas decisões tomadas pelo governo Ratinho Junior. Privatizações, terceirizações, flexibilização de serviços públicos, militarização das escolas públicas e uma lógica de gestão que trata o Estado como empresa passaram a gerar ruídos sociais difíceis de ignorar.

É nesse espaço que Requião Filho vem construindo sua identidade política: não como outsider improvisado, mas como oposição orgânica, institucional e combativa, capaz de dialogar com servidores públicos, trabalhadores urbanos, juventude, ambientalistas e setores produtivos que acreditam que desenvolvimento não pode andar separado de justiça social.

Segundo um especialista ouvindo pelo Sulpost, o deputado é um homem versátil e atualizado, preparadíssimo para elevar o Paraná a outro patamar de desenvolvimento humano, pois não trabalha as políticas sociais do governo Lula, entretanto tem criticado os possíveis desacertos. Dessa forma já conquistou a atenção do presidente Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin — inclusive Alceni Guerra (PSB), estaria sendo sondado para vice na chapa de Requião Filho.

Denúncias que incomodam os palacianos

A atuação de Requião Filho na Assembleia Legislativa tem sido marcada por denúncias consistentes, formalizadas e documentadas, que vão além do discurso retórico. Entre elas, três casos simbolizam o desgaste do atual modelo de gestão estadual, que ao ver de alguns é ao melhor estilo Paulo Guedes, com a granada já sem pino no bolso do servidor.

Sanepar e suspeitas de desvios — O deputado está entre os parlamentares que acionaram o Ministério Público e a Polícia Federal para apurar indícios graves envolvendo a Companhia de Saneamento do Paraná. As denúncias citam possíveis esquemas de corrupção, caixa dois e uso político da estatal. Não é um debate abstrato: saneamento básico impacta diretamente saúde pública, meio ambiente e qualidade de vida.

Vazamento de dados de pais e alunos da rede estadual — Outro ponto sensível levantado por Requião Filho diz respeito ao possível uso indevido de dados pessoais de estudantes e responsáveis, em aparente violação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A denúncia escancara o risco de confundir gestão pública com interesses políticos, miscuindo o corporativo com a coisa pública.

A engorda falhada da praia de Matinhos — Talvez um dos símbolos mais visíveis de gestão mal planejada. O projeto milionário de engorda da orla, vendido como solução definitiva para a erosão marítima, possibilidade de impactos ambientais, questionamentos técnicos e frustração da população local. Requião Filho foi um dos parlamentares que denunciaram irregularidades, falta de transparência e ausência de estudos conclusivos. O mar levou a areia — e com ela a confiança em soluções improvisadas e caras.

As denúncias não são isoladas. Elas fazem parte de um quadro mais amplo, quicá gerado por vícios de gestão, prováveis falhas onde decisões centralizadas e pouco dialogadas acabam cobrando seu preço no dia a dia da família paranaense. Como disse dona Marta: têm muito chefe pra pouco índio.

Quando o problema aparece na rua

Enquanto grandes projetos — ao melhor estilo mini-Dubai — falham no litoral, problemas básicos seguem aparecendo nos centros urbanos. Em Curitiba, episódios recentes de vazamento de esgoto em vias comerciais, próximos a restaurantes e áreas de circulação intensa, voltaram a expor fragilidades na gestão do saneamento.

Situações assim ajudam a traduzir, para o cidadão comum, aquilo que muitas vezes parece distante no debate político: quando a gestão falha, o impacto chega na calçada, no cheiro, na saúde. É como diz o velho ditado Shakespeariano: há algo de podre no reino da Dinamarca.

PDT, tradição e presente

A filiação de Requião Filho ao PDT não é apenas um movimento eleitoral. O partido carrega histórico de protagonismo no Paraná. Já governou o Estado com Jaime Lerner e Curitiba com Rafael Greca e Gustavo Fruet, deixando marcas profundas no urbanismo, na mobilidade e na gestão pública.

Hoje, o PDT mantém uma atuação respeitada na Assembleia Legislativa, com destaque para o deputado Goura (PDT-PR), cujo trabalho é reconhecido pela coerência ambiental, diálogo social, políticas de saúde mais avançada e fiscalização permanente do Executivo.

Oposição que propõe

A construção dessa alternativa passa também pela frente de oposição ao governo Ratinho Junior, articulada na Assembleia Legislativa. Sob a liderança de Arilson Chiorato, presidente do PT Paraná, a bancada oposicionista tem exercido um papel que vai além da denúncia: aponta falhas, expõe vícios e apresenta caminhos possíveis para corrigir rumos.

A mensagem central é clara e poderosa: o Paraná não é o problema — é a solução. Os recursos, a capacidade técnica e o capital humano estão aqui. O que falta é vontade política  indo ao encontro do interesse público e não de encontro, batendo de frente, porque os recursos e os talentos necessários nós temos.

Novo ciclo virtuoso possível

Requião Filho representa, hoje, mais do que uma pré-candidatura. Ele encarna a possibilidade de reconstruir a relação entre Estado e sociedade, resgatando a política como instrumento de mediação, escuta e solução — não como ferramenta de imposição.

Se o eleitorado decidir romper com o continuísmo, a oportunidade está posta. Não para aventuras, mas para um novo ciclo democrático, legítimo e paranaense, feito com diálogo, transparência, coragem de enfrentar interesses consolidados — sobretudo pelos próprios paranaenses, sem o cabresto das bolsas de valores mandando em nossas outrora companhias públicas.

A eleição de 2026 pode ser apenas mais uma. Ou pode ser o começo de outra história. O PDT é especialista em ganhar a eleição de virada e seu pré-candidato, Requião Filho realmente parece ser o mais preparado, dentro do Campo Progressista, para assumir essa missão.

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