terça-feira, 2 de junho de 2026

Governo lança guia para aproximar startups e novas tecnologias do SUS

Material do Ministério da Saúde orienta empresas e pesquisadores sobre como transformar inovação em atendimento para a população

Governo lança guia para aproximar startups e novas tecnologias do SUS. Material do Ministério da Saúde orienta empresas e pesquisadores sobre como transformar inovação em atendimento para a população

A inovação em saúde ganhou um novo incentivo do governo federal. O Ministério da Saúde lançou um guia voltado a startups, pesquisadores e empresas que desenvolvem tecnologias médicas e querem levar suas soluções para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Apresentado durante a Hospitalar 2026, um dos principais eventos do setor na América Latina, o documento reúne informações sobre regulação, financiamento e os caminhos necessários para que novos equipamentos e tecnologias possam ser incorporados à rede pública.

Do laboratório para o atendimento

A proposta é simplificar um processo que costuma ser complexo para pequenas empresas e empreendedores da área da saúde. Em um único material, o Ministério da Saúde reúne orientações sobre desenvolvimento tecnológico, avaliação e incorporação de dispositivos médicos no SUS.

Entre esses dispositivos, estão desde curativos e próteses até equipamentos de alta tecnologia, sistemas de cirurgia robótica e ferramentas baseadas em inteligência artificial.

Fortalecimento da produção nacional

O lançamento também faz parte da estratégia do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fortalecer a indústria nacional da saúde, reduzir a dependência de produtos importados e ampliar o acesso da população a tecnologias modernas.

Segundo o ministério, o setor de dispositivos médicos segue em expansão no Brasil e já gera mais de 85 mil empregos diretos. A expectativa é que a nova publicação ajude a acelerar a chegada de soluções inovadoras aos hospitais, clínicas e unidades de saúde que atendem pelo SUS.

Na prática, o guia funciona como um mapa para quem deseja transformar pesquisa e inovação em benefícios concretos para milhões de brasileiros que dependem do sistema público de saúde.

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Senado sente pressão das ruas enquanto PEC do fim da escala 6x1 entra em fase decisiva

Após mobilização nas redes sociais e aprovação histórica na Câmara, proposta da jornada 5x2 chega ao Senado cercada por expectativa popular, articulações políticas e disputas de bastidores.

Senado sente pressão das ruas enquanto PEC do fim da escala 6x1 entra em fase decisiva. Após mobilização nas redes sociais e aprovação histórica na Câmara, proposta da jornada 5x2 chega ao Senado cercada por expectativa popular, articulações políticas e disputas de bastidores.

O assunto dominou as redes sociais, as conversas nos locais de trabalho e os corredores de Brasília. No domingo (1º), a expressão "Senado inimigo do povo" chegou duas vezes ao topo dos assuntos mais comentados do X, antigo Twitter. O motivo é simples: milhões de brasileiros acompanham com atenção os próximos passos da PEC que acaba com a escala 6x1 e estabelece a jornada 5x2 como modelo predominante no país.

Depois de uma aprovação considerada histórica na Câmara dos Deputados, a proposta desembarca agora no Senado, onde cada movimento será observado de perto por trabalhadores, empresários, sindicatos e lideranças políticas.

A pressão popular é crescente. E poucos senadores parecem dispostos a ignorá-la.

Uma votação que surpreendeu Brasília

Mesmo parlamentares experientes admitem que o tamanho da aprovação na Câmara chamou atenção. A PEC recebeu 472 votos favoráveis no primeiro turno e 461 no segundo, números raramente vistos em matérias de grande impacto social.

O resultado fortaleceu a percepção de que o tema deixou de ser apenas uma reivindicação sindical para se transformar em uma pauta de alcance nacional.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nos últimos dias que acredita numa tramitação prioritária da proposta no Senado.

Para ele, a redução da jornada representa uma correção de uma dívida histórica com os trabalhadores brasileiros.

"Estamos falando de mais tempo para a família, para os estudos, para o cuidado com a saúde e para a qualidade de vida", resumiu durante entrevista à CNN Brasil.

O texto aprovado prevê uma transição gradual. Dois meses após a promulgação, os trabalhadores passariam a ter dois dias de descanso semanal remunerado e uma jornada máxima de 42 horas. Depois de um ano, a carga semanal seria reduzida para 40 horas.

Agora todas as atenções estão voltadas para o Senado

Se a votação na Câmara foi ampla, o caminho no Senado promete ser mais complexo.

Nos bastidores, parlamentares reconhecem que existe resistência de setores empresariais preocupados com os custos da mudança. Ao mesmo tempo, há a percepção de que votar contra uma pauta apoiada por milhões de trabalhadores pode ter consequências eleitorais importantes.

É nesse cenário que ganha protagonismo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Nas próximas semanas, ele terá em mãos algumas das decisões mais importantes da tramitação.

O primeiro teste será a definição do rito da proposta. O texto seguirá apenas para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ou também passará pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), onde a resistência é considerada maior?

Depois virá a escolha do relator, cargo que pode influenciar diretamente a velocidade da tramitação e até o conteúdo final da PEC.

Por fim, caberá à presidência do Senado decidir quando a matéria será levada ao plenário e se será votada da mesma forma que saiu da Câmara ou com alterações que obriguem um novo retorno aos deputados.

Lula observa os movimentos e aguarda sinais

Ao mesmo tempo em que a pressão popular aumenta, a política segue seu curso nos bastidores.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanha de perto os próximos passos da proposta e também a relação com as lideranças do Senado.

Nos últimos dias, relatos vindos de Brasília apontaram um esfriamento na aproximação entre o governo e o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), nome que chegou a ser cogitado para disputar o governo de Minas Gerais com apoio do Palácio do Planalto.

Segundo informações que circulam na capital federal, Lula teria desistido de um encontro que vinha sendo articulado após perceber que não haveria avanço político imediato na conversa.

O detalhe é que Rodrigo Pacheco aparece entre os nomes mais citados para assumir a relatoria da PEC da jornada 5x2 no Senado.

Caso isso aconteça, o governo poderá voltar a depender diretamente de sua interlocução para garantir uma tramitação favorável.

Por isso, observadores da cena política acreditam que a relação entre Lula, Alcolumbre e Pacheco ainda terá novos capítulos nas próximas semanas.

Mais do que uma pauta trabalhista

Para os defensores da proposta, o debate ultrapassa os limites de uma simples mudança na legislação.

A discussão sobre a redução da jornada acompanha o movimento sindical brasileiro há décadas. A reivindicação das 40 horas semanais já aparecia nas mobilizações que antecederam a Constituição de 1988 e voltou a ganhar força nos últimos anos, especialmente entre trabalhadores do comércio, serviços e logística.

Os apoiadores argumentam que jornadas menores significam mais tempo para estudar, cuidar da saúde, conviver com a família e participar da vida comunitária.

Já os críticos alertam para possíveis impactos econômicos, principalmente em setores que dependem de mão de obra intensiva.

Independentemente da posição adotada, há um consenso em Brasília: o tema se tornou grande demais para ser ignorado.

A semana pode definir o rumo da proposta

As próximas reuniões entre líderes partidários devem indicar qual será a velocidade da tramitação da PEC no Senado.

Cada decisão tomada por Davi Alcolumbre será interpretada como um sinal político. Cada declaração de Lula será observada com atenção. E cada movimentação dos senadores terá repercussão imediata nas redes sociais.

O que parecia uma pauta distante há poucos meses transformou-se em uma das discussões mais importantes do país.

E, diante da mobilização popular que vem se formando, cresce a percepção de que o Senado terá dificuldade para escapar do tema.

O debate sobre trabalho, qualidade de vida e tempo livre chegou ao centro da política brasileira — e dificilmente deixará esse espaço tão cedo.

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Governo Lula amplia sinal de TV digital e vai beneficiar mais de 700 mil brasileiros

Programa do Ministério das Comunicações levará acesso gratuito à TV aberta para moradores de cidades de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Norte, ampliando o acesso à informação, educação e cultura.

Governo Lula amplia sinal de TV digital e vai beneficiar mais de 700 mil brasileiros. Programa do Ministério das Comunicações levará acesso gratuito à TV aberta para moradores de cidades de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Norte, ampliando o acesso à informação, educação e cultura.

O sinal chega limpo, em alta definição e sem mensalidade. Em um momento em que o país se prepara para acompanhar grandes eventos esportivos internacionais e busca ampliar o acesso à informação de qualidade, o Governo Federal anunciou mais uma etapa do programa Brasil Digital, que levará TV aberta digital para mais de 700 mil pessoas em diferentes regiões do país.

A iniciativa do Ministério das Comunicações foi oficializada por meio de medidas publicadas no Diário Oficial da União e contempla os municípios de Araxá, Ipatinga e Poços de Caldas, em Minas Gerais; Guarapuava, no Paraná; e Santa Cruz, no Rio Grande do Norte.

Mais acesso à informação e serviços públicos

Com a implantação das novas estações de transmissão, moradores dessas cidades poderão acompanhar gratuitamente a programação da TV Brasil, além de canais educativos, culturais, de saúde e legislativos.

Segundo o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, a medida busca reduzir desigualdades de acesso à informação e ao conteúdo audiovisual em regiões onde muitas famílias ainda não possuem condições de arcar com serviços pagos.

“Essa é uma política pública de inclusão, voltada para as pessoas que muitas vezes não podem ter gastos extras com assinaturas de TV a cabo, plataformas de streaming ou internet banda larga de alta qualidade. O sinal digital de TV aberta garante imagem em alta definição e som limpo de forma totalmente gratuita”, afirmou o ministro.

Guarapuava entre as cidades contempladas

No Paraná, Guarapuava passa a integrar o grupo de municípios beneficiados pela expansão do programa. A cidade receberá infraestrutura para transmissão digital por meio de parceria entre o Ministério das Comunicações e instituições locais.

Os acordos firmados garantem que câmaras municipais, fundações e prefeituras disponibilizem os espaços necessários para instalação das antenas e equipamentos, enquanto o governo federal realiza a aquisição e a implantação da estrutura técnica.

Como funciona o Brasil Digital

O programa Brasil Digital foi criado para ampliar a presença da radiodifusão pública em municípios que ainda não contam com estações da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) ou da Câmara dos Deputados.

A estratégia prevê parcerias com universidades, fundações, órgãos públicos e câmaras municipais, que oferecem a infraestrutura básica necessária para a instalação dos sistemas de transmissão.

Expansão continua em 2026

A expectativa do Ministério das Comunicações é acelerar ainda mais a expansão do programa ao longo deste ano. A meta é instalar novas estações em cerca de 50 municípios brasileiros ainda no primeiro semestre de 2026.

Atualmente, aproximadamente 150 cidades já se encontram em fase de implantação, com prioridade para regiões que ainda possuem cobertura limitada de canais públicos e legislativos.

A iniciativa reforça o papel da comunicação pública como instrumento de cidadania, permitindo que mais brasileiros tenham acesso gratuito à informação, à educação, à cultura e aos serviços de interesse coletivo.

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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Curitiba Art Week transforma a cidade em uma grande galeria a céu aberto

Semana de arte reúne exposições, visitas guiadas, performances e eventos culturais em diversos espaços da capital paranaense, abrindo caminho para a 16ª Bienal Internacional de Curitiba

 
Curitiba Art Week transforma a cidade em uma grande galeria a céu aberto. Semana de arte reúne exposições, visitas guiadas, performances e eventos culturais em diversos espaços da capital paranaense, abrindo caminho para a 16ª Bienal Internacional de Curitiba.

O movimento começa de forma discreta, mas logo toma conta da cidade. Galerias, museus, centros culturais, ateliês e espaços públicos passam a conversar entre si por meio da arte. A partir desta terça-feira (2), Curitiba abre oficialmente a programação da Curitiba Art Week 2026, iniciativa que antecede a 16ª Bienal Internacional de Curitiba e promete espalhar cultura por diferentes regiões da capital.

Inspirada nas tradicionais semanas de arte realizadas em grandes centros culturais ao redor do mundo, a Curitiba Art Week busca aproximar artistas, curadores, estudantes, colecionadores e o público em geral, criando um amplo circuito cultural aberto à população.

Prefeitura abre a programação com exposição inédita

A abertura oficial da Curitiba Art Week acontece nesta terça-feira (2), a partir das 14h, no Palácio 29 de Março, sede da Prefeitura de Curitiba.

Na ocasião será lançada a programação da Curitiba Art Week e da 16ª Bienal Internacional de Curitiba. Em seguida, às 14h30, será aberta ao público a exposição coletiva Mapa Aberto, reunindo artistas da cidade em uma mostra que propõe reflexões sobre território, memória, identidade e os diferentes olhares sobre Curitiba.

A participação da Prefeitura reforça o caráter democrático da iniciativa, levando a arte para espaços públicos e ampliando o acesso da população às manifestações culturais contemporâneas.

Uma cidade inteira conectada pela arte

Ao longo de duas semanas, Curitiba receberá exposições, visitas guiadas, performances, instalações, mostras de videoarte e encontros culturais em dezenas de espaços espalhados pela cidade.

Entre os locais participantes estão museus, galerias independentes, centros culturais, universidades e espaços históricos que passarão a integrar um dos maiores circuitos de arte contemporânea do país.

A programação também dialoga diretamente com a Bienal de Curitiba, consolidando a capital paranaense como um dos principais polos culturais da América Latina.

Arte que movimenta a cidade

Além de fortalecer a produção artística local, a Curitiba Art Week também impulsiona setores como turismo, hotelaria, gastronomia e economia criativa.

A expectativa dos organizadores é que milhares de visitantes circulem pelos espaços culturais durante o período, ampliando o alcance da Bienal e fortalecendo a imagem de Curitiba como uma cidade que investe em cultura, inovação e ocupação criativa dos espaços urbanos.

Para quem aprecia arte, junho promete ser um dos meses mais vibrantes do calendário cultural curitibano.

Programação completa

A agenda reúne dezenas de exposições, visitas guiadas, aberturas de mostras e atividades culturais distribuídas por toda a cidade.

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Flávio Bolsonaro é cobrado sobre Banco Master em Curitiba e responde com o velho “E o Lulinha?”

Ao lado de Moro e Dallagnol, senador enfrentou questionamentos sobre Daniel Vorcaro, mas desviou o foco para ataques ao presidente Lula; episódio ocorre em meio às movimentações da corrida eleitoral de 2026 no Paraná

O sábado político em Curitiba teve duas cenas bem diferentes. Enquanto milhares de pessoas se reuniam no Tarumã para acompanhar o lançamento das pré-candidaturas de Requião Filho ao Governo do Paraná e de Gleisi Hoffmann ao Senado, outro evento, horas antes, reuniu figuras conhecidas da direita paranaense. Entre elas, Flávio Bolsonaro, Sérgio Moro e Deltan Dallagnol.

Mas foi um momento fora do roteiro que acabou chamando atenção. Durante uma entrevista concedida pelo senador Flávio Bolsonaro, manifestantes passaram a fazer perguntas sobre o empresário Daniel Vorcaro e sobre as controvérsias envolvendo o Banco Master. As cobranças eram diretas. A resposta veio por outro caminho.

Quando a pergunta é uma e a resposta é outra

Em vez de responder objetivamente aos questionamentos apresentados, Flávio Bolsonaro optou por atacar adversários políticos e ressuscitar uma estratégia bastante conhecida do debate público brasileiro.

"E o Lulinha?"

A partir dali, o senador passou a citar acusações e críticas direcionadas ao presidente Lula, ao governo federal e a pessoas ligadas ao PT, sem abordar diretamente o tema que motivava os protestos naquele momento.

O vídeo rapidamente começou a circular pelas redes sociais e grupos de mensagens, gerando comentários sobre a forma como a situação foi conduzida.

O silêncio que também falou

Outro detalhe não passou despercebido. Enquanto os questionamentos eram feitos, Sérgio Moro e Deltan Dallagnol permaneceram ao lado de Flávio Bolsonaro observando a cena. Nas redes sociais, muitos usuários destacaram as expressões dos dois ex-integrantes da Operação Lava Jato, que acabaram se tornando tema de comentários e memes.

Em política, às vezes uma fotografia diz tanto quanto um discurso inteiro. Ao final Moro, e ainda não apresentou nenhum projeto, ao menos que tenha ganhado repercussão, para o estado do Paraná, embarco na narrativa.

"Nós estamos juntos combatendo o governo mais corrupto da história do país. O que fez ao Brasil o mensalão, onde o petrolão é o responsável pelos escândalos do Banco Master e da roubalheira do INSS...", disse Moro, seguindo a mesma narrativa da extrema-direita brasileira.

Perguntas que continuam no ar

Independentemente das preferências partidárias de cada eleitor, algumas perguntas seguem sem resposta pública. Os manifestantes queriam esclarecimentos sobre Daniel Vorcaro, sobre relações políticas e sobre temas que vêm sendo debatidos por adversários do bolsonarismo nas últimas semanas.

Em vez disso, o debate acabou migrando para uma troca de acusações entre grupos políticos, algo que já se tornou rotina no ambiente polarizado da política nacional. Como se tivesse que haver, em plena Era da Informação, forças opostas lutando dentro de um mesmo país para que ele seja grande.

O impacto na disputa pelo Paraná

A visita de Flávio Bolsonaro ocorre justamente quando começam a ganhar forma as articulações para a eleição estadual de 2026. A aproximação entre Flávio e Sérgio Moro certamente entrará na conta dos eleitores quando a campanha esquentar. Soma-se a isso o desgaste enfrentado por setores da direita após a votação da proposta que busca acabar com a escala 6x1.

No caso da deputada federal Rosângela Moro (PL-SP), esposa do pré-candidato ao Governo do Paraná, o voto contrário à medida continua sendo lembrado por sindicatos, movimentos sociais e trabalhadores que defendem mudanças na jornada de trabalho brasileira.

Se tudo isso terá reflexo nas urnas, ainda é cedo para afirmar. Mas as próximas pesquisas de opinião poderão mostrar se a associação entre Moro, Flávio Bolsonaro e pautas rejeitadas por parte significativa dos trabalhadores terá  na percepção do eleitorado paranaense.

A dúvida permanece

No fim das contas, ficou uma sensação difícil de ignorar. Quando alguém pergunta sobre Banco Master, Daniel Vorcaro e prestação de contas, mas a resposta é "E o Lulinha?", a pergunta inicial foi realmente respondida?

Por enquanto, essa continua sendo a principal questão deixada por mais este infame episódio.

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Diesel mais barato: Petrobras reduz preço e tenta neutralizar alta de impostos a partir desta segunda-feira

Desconto de R$ 0,3515 por litro entra em vigor em todo o país e reduz preço de venda às distribuidoras

Desconto de R$ 0,3515 por litro entra em vigor em todo o país e reduz preço de venda às distribuidoras

O mês de junho começa com uma notícia que pode aliviar os custos do transporte de cargas e, indiretamente, pressionar menos o preço de produtos e serviços. A partir desta segunda-feira (1º), a Petrobras aplicará uma redução de R$ 0,3515 por litro no preço de venda do óleo diesel A para as distribuidoras.

Com a mudança, o valor médio cobrado pela estatal cairá de R$ 3,65 para R$ 3,30 por litro. Segundo a empresa, o desconto acompanha a subvenção econômica criada pelo governo federal para o setor de combustíveis e busca compensar a reoneração dos tributos PIS e Cofins, que também passa a valer neste início de junho.

Medida busca evitar impacto ao consumidor

De acordo com a Petrobras, o desconto foi calculado para neutralizar os efeitos da volta da cobrança dos impostos federais sobre o diesel. Na prática, a expectativa é evitar um aumento imediato do combustível para transportadoras, caminhoneiros e consumidores finais.

A estatal informou ainda que o preço atual do diesel vendido às distribuidoras está 37,4% abaixo do valor praticado em dezembro de 2022, quando considerada a inflação acumulada do período.

Governo amplia programa de estabilização

A redução ocorre após a publicação da Medida Provisória nº 1.363/2026, que autorizou uma subvenção de R$ 1,12 por litro para produtores e importadores de diesel rodoviário. O objetivo do governo federal é garantir o abastecimento e reduzir a volatilidade dos preços em um cenário internacional ainda marcado por instabilidades no mercado de energia.

Em nota, a Petrobras afirmou que continua avaliando os termos da nova política de subsídios e informou que eventuais decisões adicionais serão comunicadas ao mercado.

Confira o anúncio oficial

A íntegra da comunicação da Petrobras pode ser consultada no portal oficial da companhia:

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Embrapa desenvolve calcário mais nutritivo e resistente que pode aumentar a produtividade no campo

Nova tecnologia criada por pesquisadores brasileiros corrige a acidez do solo, reduz perdas no armazenamento e ainda adiciona nutrientes essenciais às lavouras

Embrapa desenvolve calcário mais nutritivo e resistente que pode aumentar a produtividade no campo.
Calcário nanoestruturado, desenvolvido pela Embrapa -  Valter Campanato/Agência Brasil

O agronegócio brasileiro acaba de ganhar uma novo aliado, desenvolvido dentro da ciência pública nacional. Pesquisadores da Embrapa criaram um calcário agrícola nanoestruturado capaz de corrigir a acidez do solo com mais eficiência, reduzir desperdícios e ainda fornecer nutrientes importantes para diferentes culturas.

A inovação foi desenvolvida pelo Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, e representa mais um avanço da pesquisa agrícola brasileira voltada para o aumento da produtividade no campo.

Menos perdas e mais eficiência

Tradicionalmente aplicado em forma de pó, o calcário agrícola convencional pode sofrer perdas durante o transporte e a aplicação devido à ação do vento. Além disso, a umidade frequentemente provoca o empedramento do produto, dificultando seu uso em máquinas agrícolas.

A nova tecnologia desenvolvida pela Embrapa, com tecnologia totalmente nacional, transforma o calcário em grânulos mais resistentes e uniformes. O resultado é um produto menos vulnerável à umidade e que pode ser distribuído no campo com maior precisão, reduzindo desperdícios e custos para os produtores rurais.

Calcário que também alimenta a planta

Além de corrigir a acidez do solo, a nova formulação foi desenvolvida para atuar também como fertilizante.

Os pesquisadores conseguiram incorporar nutrientes essenciais ao produto, como nitrogênio, fósforo, potássio, boro, cobre e zinco, criando versões específicas para diferentes culturas agrícolas.

Segundo disse o pesquisador Luciano Paulino da Silva, da Embrapa, em entrevista à Agência Brasil, foram desenvolvidos diversos protótipos para atender necessidades nutricionais específicas de lavouras como soja, milho, café, algodão, cana-de-açúcar e pastagens.

Mais produtividade e plantas mais saudáveis

A expectativa dos cientistas é que o novo insumo contribua para aumentar a produtividade das lavouras brasileiras.

Ao reunir correção de solo e suplementação nutricional em uma única aplicação, o produto pode melhorar o desenvolvimento das plantas, fortalecer sua resistência natural e reduzir a necessidade de operações agrícolas adicionais.

Pesquisadores também avaliam o potencial da tecnologia para diminuir, no futuro, a dependência de alguns defensivos agrícolas, já que plantas mais nutridas tendem a apresentar maior capacidade de enfrentar fatores que comprometem seu crescimento.

Testes já indicam resultados promissores

O calcário nanoestruturado já foi produzido em diferentes escalas, desde experimentos laboratoriais até lotes industriais de toneladas. Testes realizados em cultivos de soja e trigo demonstraram que os protótipos mantêm capacidade adequada de neutralização da acidez do solo e apresentam potencial para ganhos de produtividade, segundo nota técnica da própria Embrapa.

As avaliações em campo estão sendo realizadas em parceria com a empresa brasileira Pirecal, especializada na mineração de calcário agrícola e que mantém acordo de cooperação técnica com a instituição há mais de três anos.

Ciência pública a serviço da produção nacional

Vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, a Embrapa é uma das principais referências mundiais em pesquisa agropecuária. Desde sua criação, em 1973, a estatal desenvolve tecnologias que ajudaram a transformar o Brasil em uma das maiores potências agrícolas do planeta.

O novo calcário nanoestruturado reforça o papel estratégico da pesquisa científica brasileira para o aumento da competitividade do agronegócio, agregando inovação, sustentabilidade e ganhos de produtividade para produtores de diferentes portes.

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domingo, 31 de maio de 2026

Requião Filho e Gleisi lançam pré-candidaturas em Curitiba e mobilizam milhares de apoiadores no Paraná

Evento reuniu lideranças políticas, sindicatos, movimentos sociais e representantes de seis partidos em demonstração de força do campo progressista para as eleições de 2026

 
Eleições 2026: Requião Filho e Gleisi lançam pré-candidaturas em Curitiba e mobilizam milhares de apoiadores no Paraná. Evento reuniu lideranças políticas, sindicatos, movimentos sociais e representantes de seis partidos em demonstração de força do campo progressista para as eleições de 2026.
Requião Filho (PDT) e Gleisi Hoffman (PT) lançam pré-candidaturas e selam aliança - Foto: Nelson Silva

O ultimo sábado de maio, véspera de Lua Azul, amanheceu político em Curitiba. Bandeiras, camisetas, abraços demorados e conversas sobre o futuro do Paraná ocupam os corredores do Igloo Super Hall, no Tarumã. De diferentes regiões do estado, caravanas chegam trazendo militantes, lideranças comunitárias, sindicalistas e apoiadores para um dos maiores atos políticos realizados no Paraná neste início de pré-campanha eleitoral.

O evento "Somos Vozes do Paraná" marcou o lançamento das pré-candidaturas de Requião Filho (PDT) ao Governo do Estado e de Gleisi Hoffmann (PT) ao Senado Federal. Segundo informações divulgadas pela imprensa paranaense, mais de 6 mil pessoas participaram da atividade.

O ex-governador Roberto Requião também estava presente ao comício, ao lado de dona Maristela, sua esposa. Os pais de Requião Filho estão juntos há 56 anos. Roberto Requião é pré-candidato a deputado federal, também pelo PDT partido ao qual está filiado.

Frente ampla mira 2026

O encontro reuniu representantes do PDT, PT, PCdoB, PV, Rede e PSOL, consolidando uma frente política que pretende disputar os rumos do Paraná nas eleições do próximo ano. É o Paraná da Esperança que renasce.

Entre os presentes estavam o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, o deputado federal Lindbergh Farias, líder do PT na Câmara dos Deputados, deputada Ana Júlia, deputados Arilson, Goura, Renato Freitas, Tadeu Veneri e Dr. Antenor, parlamentares estaduais e federais, prefeitos, vereadores e lideranças de movimentos populares de várias regiões do estado.

A mobilização ocorreu apenas um dia após outro grande ato político realizado em Curitiba por lideranças da direita paranaense, transformando a capital em palco antecipado da disputa eleitoral de 2026.

Força sindical marca presença

Os trabalhadores tiveram participação expressiva no encontro. Delegações da Força Sindical e do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) ocuparam espaço de destaque no evento, reforçando o papel histórico do movimento sindical nas discussões sobre desenvolvimento econômico, emprego e direitos trabalhistas.

Entre as lideranças presentes estava Nelsão da Força, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, que acompanhou o ato ao lado de representantes sindicais de diversas categorias.

Também participaram o presidente do PDT de Campo Largo e presidente da Câmara Municipal, Alexandre Guimarães, além do Delegado Simião, ex-presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná. Foi realmente um evento de peso. Gente de todo o estado, aquecendo o paranismo no coração, através de suas vozes. As vozes do Paraná.

Requião Filho aposta em crescimento nas pesquisas

Durante o evento, Requião Filho voltou a defender um projeto de desenvolvimento para o Paraná com foco na geração de empregos, fortalecimento dos serviços públicos e redução das desigualdades regionais. Candidato tem que ter projeto.

O lançamento da pré-candidatura acontece em um momento favorável ao pedetista nas pesquisas eleitorais. Levantamentos divulgados ao longo de 2026 apontam Requião Filho de forma consistente na segunda colocação para o Governo do Paraná, atrás apenas do senador Sergio Moro, consolidando-se como o principal nome da oposição no estado.

Gleisi reforça unidade e apoio a Lula

Gleisi Hoffmann destacou a necessidade de união das forças progressistas e a defesa de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades, à proteção das mulheres, ao fortalecimento da democracia é melhor as oportunidades para os jovens, que estão começando no mercado de trabalho.

A ex-ministra também chega ao processo eleitoral em posição competitiva. Em levantamentos recentes, aparece liderando cenários específicos de primeiro voto para o Senado, demonstrando força eleitoral e elevada lembrança entre os eleitores paranaenses.

Ao longo dos discursos, o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi uma das mensagens mais repetidas pelas lideranças presentes. O entendimento predominante entre os participantes é que a disputa estadual estará diretamente conectada ao debate nacional sobre os rumos do país. Nas pesquisas mais recentes Lula vence Flavio Bolsonaro (PL) tanto em primeiro, quanto em segundo turno.

O Paraná entra em campanha

Faltam meses para as convenções partidárias e ainda mais tempo para a abertura oficial da campanha eleitoral. Ainda assim, o ato deste sábado deixou uma mensagem clara: a disputa pelo Governo do Paraná já começou.

Com forte presença popular, mobilização sindical, participação de lideranças nacionais e respaldo crescente nas pesquisas, Requião Filho e Gleisi Hoffmann deram o primeiro grande passo de uma caminhada que promete influenciar o debate político paranaense até outubro de 2026.

A cobertura do evento foi destacada por veículos da imprensa e ganhou repercussão nacional. Entre eles o Bem Paraná, principal portal do estado, que registrou a participação de mais de 6 mil pessoas no lançamento das pré-candidaturas. Clique aqui para ler a reportagem.

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Colômbia decide seu futuro nas urnas e eleição pode redefinir rumos políticos da América do Sul

Disputa presidencial coloca frente a frente esquerda, direita tradicional e extrema-direita em um dos países mais estratégicos do continente

Colômbia decide seu futuro nas urnas e eleição pode redefinir rumos políticos da América do Sul. Disputa presidencial coloca frente a frente esquerda, direita tradicional e extrema-direita em um dos países mais estratégicos do continente

O domingo amanheceu movimentado em Bogotá, Medellín, Cali e dezenas de outras cidades colombianas. Milhões de eleitores começaram a comparecer às urnas para escolher quem comandará a Colômbia entre 2026 e 2030, em uma eleição considerada decisiva não apenas para o país, mas para todo o cenário político sul-americano.

Com mais de 40 milhões de eleitores aptos a votar, a expectativa é de uma disputa sem definição já no primeiro turno. As pesquisas indicam que nenhum dos principais candidatos deverá alcançar os votos necessários para vencer de forma direta, tornando praticamente inevitável a realização de um segundo turno em 21 de junho.

Uma disputa que vai além das fronteiras colombianas

A eleição é vista como um referendo sobre o governo de Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da história colombiana, eleito em 2022 e impedido constitucionalmente de buscar a reeleição.

De acordo com os periódicos colombianos, o que está em jogo é a continuidade das reformas sociais iniciadas por Petro ou uma mudança de rumo em direção a propostas mais conservadoras e alinhadas aos Estados Unidos. A posição geográfica da Colômbia — com acesso ao Caribe e ao Oceano Pacífico — faz do país uma peça estratégica para a integração regional e para a política externa do continente. 

Iván Cepeda chega como favorito

Liderando a maioria das pesquisas aparece Iván Cepeda, senador de esquerda e aliado do atual governo. Filósofo e defensor dos direitos humanos, Cepeda promete ampliar programas sociais, fortalecer o sistema público de saúde e dar continuidade às negociações de paz iniciadas durante a gestão Petro.

Apesar de aparecer à frente nas intenções de voto, os levantamentos indicam que ele dificilmente alcançará os mais de 50% necessários para vencer já neste domingo. O cenário mais provável é que dispute o segundo turno contra um dos candidatos da direita. 

Direita tradicional tenta retomar o poder

A senadora Paloma Valencia, do Centro Democrático, representa o chamado uribismo, corrente política ligada ao ex-presidente Álvaro Uribe. Ela defende uma política de segurança mais rígida, incentivos ao setor produtivo e ampliação da exploração energética para financiar programas sociais.

Paloma também pode entrar para a história como a primeira mulher eleita presidente da Colômbia, embora tenha aparecido nas últimas pesquisas atrás de Cepeda e de Abelardo de La Espriella. 

O avanço do discurso outsider

Quem mais cresceu na reta final da campanha foi o advogado e empresário Abelardo de La Espriella. Sem experiência em cargos eletivos, ele construiu sua candidatura com um discurso de combate duro ao crime organizado e de ruptura com a política tradicional.

Inspirado por lideranças como Javier Milei, Nayib Bukele e Donald Trump, Abelardo promete endurecer o enfrentamento aos grupos armados e à criminalidade, tema que ganhou força entre os eleitores diante da persistência da violência em várias regiões do país.

Segurança domina o debate eleitoral

Toda a imprensa internacional concorda que o principal tema desta eleição continua sendo a segurança pública. Dez anos após o histórico acordo de paz firmado com as Farc, a Colômbia ainda enfrenta confrontos envolvendo guerrilhas, dissidências armadas e organizações criminosas. A estratégia de "paz total" defendida por Gustavo Petro continua dividindo opiniões.

Enquanto Cepeda propõe manter negociações combinadas com ações do Estado, Paloma Valencia e Abelardo de La Espriella defendem respostas predominantemente militares para enfrentar os grupos armados. A discussão sobre paz ou endurecimento do combate à criminalidade tornou-se o eixo central da campanha.

Tensão diplomática às vésperas da votação

De acordo com a CNN, nas últimas horas antes da abertura das urnas, um episódio elevou a temperatura política na região. O governo colombiano acusou oficialmente o Equador de interferência eleitoral após declarações e medidas comerciais envolvendo um dos candidatos presidenciais.

A controvérsia adicionou um componente internacional à disputa e reforçou a percepção de que a eleição colombiana está sendo observada atentamente por governos de toda a América Latina.

O que está em jogo

Nossa percepção é que ao longo deste domingo, os colombianos decidirão muito mais do que o nome do próximo presidente. O resultado poderá definir o posicionamento do país em temas como integração regional, relações com os Estados Unidos, combate ao crime organizado, políticas ambientais e estratégias para a pacificação de um conflito armado que atravessa gerações.

Se as projeções dos institutos de pesquisa colombianos, se confirmarem, a corrida presidencial seguirá para um segundo turno em junho, prolongando uma disputa que já se tornou uma das mais importantes da América Latina em 2026, e que inclusive pode influenciar parte do eleitorado, principalmente na fronteira entre os dois países. A fronteira entre Brasil e Colômbia, mesmo que em maior parte dentro da floresta amazônica, possui uma extensão de 1.644,2 km.

Atualização – 31 de maio, 20h30

A eleição presidencial da Colômbia será decidida em segundo turno. Com 99,80% das urnas apuradas, nenhum candidato alcançou a maioria necessária para vencer em primeiro turno. O candidato de direita Abelardo de la Espriella terminou na liderança com 43,7% dos votos, seguido por Iván Cepeda, da esquerda, que obteve 40,9%. Os dois voltarão a se enfrentar nas urnas em 21 de junho, em uma disputa que definirá os rumos políticos do país para os próximos quatro anos.

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sábado, 30 de maio de 2026

Renato Freitas e o risco de uma punição injusta e desproporcional

Deputado do PT pode ter o mandato decidido nos próximos dias, mas caso levanta dúvidas sobre proporcionalidade, direito de defesa e o uso político da pena máxima na Assembleia Legislativa do Paraná

Editorial - Ronald Stresser Jr. - Blog Sulpost 

Renato Freitas e o risco de uma punição injusta e desproporcional. Deputado do PT pode ter o mandato decidido nos próximos dias, mas caso levanta dúvidas sobre proporcionalidade, direito de defesa e o uso político da pena máxima na Assembleia Legislativa do Paraná.

Os corredores da Assembleia Legislativa do Paraná voltam a respirar tensão política. Enquanto deputados articulam votos e bastidores fervem em Curitiba, o mandato de Renato Freitas (PT) pode entrar na reta final de um processo que divide opiniões dentro e fora do Parlamento.

Na próxima terça-feira (2), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deverá votar o parecer favorável à cassação do deputado. Caso seja aprovado, o processo poderá seguir rapidamente para votação em plenário.

Mas por trás das manchetes, existe uma pergunta que merece ser feita: a punição proposta é compatível com os fatos que deram origem ao caso?

Uma briga fora do mandato

O processo nasceu após uma luta corporal ocorrida no centro de Curitiba no fim de 2025. O episódio envolveu Renato Freitas e o manobrista Weslley de Souza Silva, sendo registrado por câmeras de segurança e celulares.

Ninguém discute que houve confronto físico. As imagens existem e são públicas.

O debate está em outro ponto: Renato Freitas não estava exercendo atividade parlamentar quando os fatos ocorreram. Não estava em sessão, não estava em missão oficial e não utilizava qualquer prerrogativa do cargo.

A própria defesa sustenta que a Justiça reconheceu essa condição ao encaminhar o caso para a primeira instância, entendimento utilizado para argumentar que a situação não guarda relação direta com o exercício do mandato parlamentar.

Direito de defesa questionado

Durante a tramitação do processo, os advogados do deputado levantaram questionamentos relevantes. Segundo a defesa, houve cerceamento do direito de defesa, ausência da apresentação integral de vídeos considerados importantes para a análise dos fatos e suspeição do relator do Conselho de Ética, deputado Márcio Pacheco, devido a manifestações públicas anteriores sobre Renato Freitas.

O deputado Doutor Antenor (PT) também apresentou voto em separado apontando possíveis irregularidades e defendendo sanções mais brandas, como a suspensão temporária das prerrogativas parlamentares. Sua posição, porém, acabou derrotada.

Cassação ou  execução sumária?

No entendimento editorial do Sulpost, é precisamente neste ponto que a discussão se torna mais delicada. A cassação é a pena máxima prevista para um parlamentar. Trata-se de uma medida extrema, capaz de anular a decisão tomada por milhares de eleitores nas urnas.

É um fato que se for levado à cabo, da forma como está sendo feito, ficará para a história, assim como histórias que hoje lemos nos livros do Samuel Guimarães da Costa sobre a história da Assembleia Legislativa do Paraná. Seria um capítulo triste, controverso num episódio totalmente desnecessário, que pode acabar manchando a história de toda essa legislatura.

É legítimo que um deputado responda por seus atos. É legítimo que a Assembleia apure condutas e aplique punições quando entender necessário. O que parece difícil de justificar é a aplicação da pena mais severa possível em um episódio ocorrido fora do exercício do mandato, cercado de controvérsias processuais e marcado por forte polarização política.

Adversários não são inimigos

Renato Freitas se transformou, nos últimos anos, em uma das figuras mais conhecidas da política paranaense. Sua atuação firme, frequentemente confrontando setores conservadores, conquistou apoiadores e adversários na mesma intensidade. Mas, devido à polarização extrema e insana que o Brasil vive, há algo preocupante no ambiente político atual: a incapacidade de se distinguir adversários de inimigos.

O deputado enfrenta há anos uma sequência de ataques políticos, campanhas de desgaste e episódios de exposição pública promovidos por grupos que defendem sua saída da vida política muito antes deste processo existir. Discordar de Renato Freitas é parte natural da democracia. Tentar eliminar politicamente quem pensa diferente é outra história.

O que pode acontecer

Nos bastidores da Assembleia, fontes ouvidas por diferentes atores políticos avaliam que ainda existe espaço para uma solução intermediária. Entre as possibilidades discutidas está a substituição da cassação por uma punição administrativa ou por um afastamento temporário das atividades parlamentares.

Nada está definido. A decisão continua nas mãos dos deputados. Ainda assim, a percepção de muitos observadores é que a pena máxima poderá encontrar resistência quando o tema chegar ao plenário.

Mais do que um julgamento individual

Independentemente da posição de cada leitor sobre Renato Freitas, o que está em jogo nos próximos dias vai além do destino de um único parlamentar. A Assembleia terá de decidir se uma briga ocorrida fora do exercício do mandato justifica a cassação de um representante eleito pelo voto popular.

O Sulpost entende que não. Reconhecer erros não significa defender punições desproporcionais. Democracias maduras são construídas com equilíbrio, garantias de defesa e respeito à vontade das urnas. E talvez seja justamente isso, que o Paraná precise demonstrar para todo o Brasil agora.

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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Entre o combate ao crime e a soberania: a perigosa porta que Flávio Bolsonaro ajudou a abrir

Decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e CV como organizações terroristas reacende debate sobre ingerência estrangeira, interesses econômicos e os limites da cooperação internacional em território brasileiro

Entre o combate ao crime e a soberania: a perigosa porta que Flávio Bolsonaro ajudou a abrir. Decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e CV como organizações terroristas reacende debate sobre ingerência estrangeira, interesses econômicos e os limites da cooperação internacional em território brasileiro.
Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo, Marcos Rubio, e Flávio Bolsonaro - Reprodução/@pfigueiredo08/X

O anúncio veio de Washington, mas o impacto político atravessou imediatamente Brasília. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, confirmou que os Estados Unidos passarão a designar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras a partir de 5 de junho. A medida foi comemorada publicamente pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que esteve recentemente nos EUA em reuniões com aliados do governo Donald Trump.

O problema não está em combater facções criminosas — nisso há consenso nacional. PCC e CV são responsáveis por assassinatos, tráfico internacional, lavagem de dinheiro, corrupção e terror cotidiano nas periferias brasileiras. O ponto sensível é outro: até onde um parlamentar brasileiro pode incentivar uma potência estrangeira a ampliar mecanismos de intervenção sobre assuntos internos do Brasil?

Nos bastidores diplomáticos, o temor é evidente. Ao enquadrar facções brasileiras na legislação antiterrorismo dos EUA, Washington amplia ferramentas jurídicas, financeiras e operacionais que historicamente já foram utilizadas em outras regiões do mundo para justificar sanções, operações internacionais e pressões econômicas. O debate sobre soberania, portanto, não é paranoia ideológica — é um tema real de Estado.

O que significa a classificação de terrorismo

Pela legislação norte-americana, o terrorismo é definido como atos violentos ou perigosos à vida humana praticados com intenção de intimidar populações civis, influenciar governos ou alterar condutas políticas por meio de assassinatos, destruição em massa ou sequestros. A estrutura legal dos EUA divide o terrorismo em categorias doméstica e internacional.

O Departamento de Estado mantém uma lista oficial de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), usada para impor sanções financeiras, restrições de visto e mecanismos ampliados de cooperação internacional. O FBI, por sua vez, utiliza o enquadramento para expandir capacidades investigativas e operações conjuntas.

Oficialmente, o discurso americano é o combate ao narcotráfico e às redes internacionais do crime organizado. O próprio comunicado de Rubio afirma que PCC e CV estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil” e possuem influência além das fronteiras brasileiras. A decisão entra em vigor em 5 de junho.

O governo Lula reagiu com cautela. Auxiliares do Planalto e setores diplomáticos brasileiros enxergam risco de abertura para pressões externas futuras e rejeitam qualquer possibilidade de uso do tema como justificativa para interferência estrangeira em território nacional.

Combate ao crime já existe — e é internacional

Existe também uma distorção política no discurso bolsonarista: o Brasil nunca esteve isolado no enfrentamento ao crime organizado. Há décadas a Polícia Federal atua em cooperação com o FBI, DEA e organismos internacionais de inteligência financeira. Operações contra tráfico, armas, lavagem de dinheiro e rotas internacionais já acontecem regularmente.

Nos últimos anos, operações integradas resultaram em bloqueios bilionários, apreensões históricas de drogas e redução do poder financeiro de facções criminosas em diversos estados brasileiros. Especialistas em segurança pública apontam que o combate ao crime organizado depende principalmente de inteligência financeira, cooperação internacional e controle de rotas logísticas — não de espetáculos políticos.

Durante o governo Bolsonaro, inclusive, investigações apontaram o crescimento econômico de organizações criminosas em setores estratégicos, incluindo o mercado de combustíveis. Hoje, forças de segurança brasileiras vêm ampliando operações patrimoniais justamente para desmontar essas estruturas financeiras.

A sombra dos interesses americanos

O histórico internacional dos Estados Unidos naturalmente alimenta desconfianças. O Brasil possui algumas das maiores reservas de biodiversidade do planeta, além de petróleo em áreas estratégicas, água doce, minerais críticos e terras raras cada vez mais cobiçadas pela indústria tecnológica global.

Em diferentes momentos históricos, governos norte-americanos justificaram intervenções externas sob discursos de segurança, combate ao terrorismo ou defesa da estabilidade regional. É justamente esse histórico que leva parte da diplomacia brasileira a tratar o tema com extrema cautela.

Críticos da articulação conduzida por Flávio Bolsonaro afirmam que o senador ultrapassou os limites da oposição política ao buscar apoio externo para pressionar o próprio país em um tema sensível de soberania nacional. Para esses setores, trata-se de uma postura entreguista, subordinada aos interesses geopolíticos de Washington.

A comparação feita por comentaristas políticos é dura: em vez de fortalecer institucionalmente o Estado brasileiro, parte da extrema direita prefere recorrer ao poder estrangeiro para tentar fragilizar o governo eleito internamente. Em um país que conhece o peso histórico das interferências internacionais na América Latina, o tema inevitavelmente desperta memórias incômodas.

O combate ao crime não pode virar pretexto

Ninguém sério defende PCC ou CV. As facções são responsáveis por violência brutal, expansão do narcotráfico e ataques diretos à sociedade brasileira. Mas combater o crime organizado não exige abrir mão da autonomia nacional.

O desafio do Brasil continua sendo fortalecer inteligência, integração policial, controle financeiro, presença social do Estado e cooperação internacional equilibrada — sem terceirizar decisões estratégicas sobre segurança pública para interesses estrangeiros.

A pergunta que permanece no ar é inevitável: ao buscar apoio internacional para transformar facções brasileiras em alvo formal da política antiterrorismo dos EUA, Flávio Bolsonaro ajuda o combate ao crime — ou apenas abre uma porta perigosa para pressões externas futuras sobre o Brasil?


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Lago artificial na CIC ajuda Curitiba a respirar melhor em meio às chuvas e completa dez anos preservando o Rio Barigui

Reservatório na Cidade Industrial de Curitiba virou exemplo silencioso de urbanismo sustentável, ajudando a reduzir alagamentos, proteger a biodiversidade e devolver vida às margens do Barigui

 
Foto: Hedeson Alves/Tecpar

A água desce pesada sobre Curitiba nos dias de chuva forte. Em poucos minutos, ruas mudam de cor, córregos aceleram e o velho temor dos alagamentos reaparece em vários pontos da cidade. No coração da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), porém, existe um espaço que há uma década trabalha quase em silêncio para aliviar parte dessa pressão sobre o Rio Barigui

A água desce pesada sobre Curitiba nos dias de chuva forte. Em poucos minutos, ruas mudam de cor, córregos aceleram e o velho temor dos alagamentos reaparece em vários pontos da cidade. No coração da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), porém, existe um espaço que há uma década trabalha quase em silêncio para aliviar parte dessa pressão sobre o Rio Barigui
Foto: Hedeson Alves/Tecpar

O lago do campus CIC do Tecpar completa dez anos desde sua revitalização, realizada em 2016, e continua exercendo um papel estratégico no controle das águas pluviais da região. Mais do que um cartão-postal discreto no bairro, o reservatório se transformou em uma peça importante da drenagem urbana de Curitiba.

Uma solução que veio antes da tendência

Hoje o mundo fala em “Cidades-Esponja”, conceito criado pelo arquiteto chinês Kongjian Yu para defender cidades capazes de absorver e administrar a água da chuva usando a própria natureza. Mas, antes mesmo de o termo ganhar espaço nos debates ambientais, o lago do Tecpar já colocava essa lógica em prática dentro da capital paranaense.

Na prática, o reservatório funciona como uma grande área de retenção: segura o excesso de água durante as chuvas intensas e libera esse volume gradualmente para o sistema hídrico, reduzindo sobrecargas e diminuindo os impactos sobre a bacia do Rio Barigui.

Em tempos de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, estruturas como essa deixam de ser apenas obras de engenharia e passam a integrar uma estratégia de sobrevivência urbana.

Do abandono à recuperação ambiental

O lago já existia desde a instalação do Tecpar na CIC, ainda na década de 1980. Mas a área enfrentava problemas ambientais sérios, como assoreamento e até o recebimento irregular de esgoto, o que comprometia completamente o equilíbrio ecológico do espaço.

A revitalização iniciada em 2016 mudou esse cenário. Após obras de canalização e recuperação da área, o reservatório teve sua capacidade ampliada, a qualidade da água melhorou e o entorno ganhou paisagismo, pista de caminhada e dezenas de árvores nativas.

Ipê-amarelo, ipê-roxo, araçá, guabiroba e jabuticaba passaram a dividir espaço com aves, anfíbios, peixes e répteis que voltaram a ocupar a região. Garças, socós, marrecas e biguás hoje fazem parte da paisagem cotidiana do lago.

Barigui segue como eixo ambiental de Curitiba

Com aproximadamente 67 quilômetros de extensão, o Rio Barigui corta 18 bairros de Curitiba até encontrar o Rio Iguaçu, no bairro Caximba. Nascido em Almirante Tamandaré, o rio carrega no próprio nome uma herança indígena: “rio do fruto espinhoso”, referência às pinhas das araucárias.

Apesar da importância histórica e ambiental, o Barigui convive há décadas com os efeitos da urbanização acelerada. Por isso, iniciativas de recuperação ambiental e controle hídrico ganham peso cada vez maior dentro da cidade.

Para a bióloga Leila Teresinha Maranho, doutora em Engenharia Florestal e integrante da Divisão de Planejamento e Controle Estratégico do Tecpar, os reflexos positivos da revitalização aparecem diretamente nas margens do rio.

“A criação do lago trouxe redução dos picos de vazão das chuvas e diminuição de processos erosivos que prejudicavam a mata ciliar”, explica.

Infraestrutura que também cuida das pessoas

O diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, afirma que o projeto vai além da infraestrutura urbana e representa uma devolutiva ambiental para quem vive e circula pela região da CIC.

“É uma iniciativa que une responsabilidade ambiental, planejamento urbano e cuidado com as pessoas”, destacou.

Num tempo em que Curitiba discute drenagem urbana, enchentes e adaptação climática, o lago do Tecpar acaba mostrando que soluções ambientais eficientes nem sempre precisam ser grandiosas para fazer diferença. Às vezes, basta permitir que a própria natureza volte a respirar.

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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Lua Azul ilumina o céu no fim de maio e promete espetáculo raro para observadores

Fenômeno acontece no domingo, 31 de maio, e poderá ser visto a olho nu em todo o Brasil se o céu estiver limpo

Lua Azul ilumina o céu no fim de maio e promete espetáculo raro para observadores. Fenômeno acontece no domingo, 31 de maio, e poderá ser visto a olho nu em todo o Brasil se o céu estiver limpo
Lua Cheia em Curitiba - Chede Photo/Facebook 

O céu da noite vai ganhar um brilho especial no próximo domingo, 31 de maio. A última lua cheia do mês será também uma chamada “Lua Azul”, nome dado ao fenômeno que acontece quando duas luas cheias ocorrem dentro do mesmo mês no calendário.

Apesar do nome, a Lua não ficará literalmente azul. O fenômeno é raro justamente pela coincidência entre o calendário lunar e os meses do ano — algo que costuma chamar a atenção de fotógrafos, astrônomos amadores e apaixonados pela observação do céu.

Imagem da Lua Cheia do astrofotógrafo Alexandre Trentini - Astrobin

Se o tempo colaborar em Curitiba e em outras regiões do Paraná, o domingo pode render imagens impressionantes logo após o anoitecer. Mesmo sem equipamentos profissionais, celulares atuais conseguem registrar bons cliques da Lua com alguns cuidados simples.

Uma dica prática é usar o temporizador do smartphone para evitar tremores no momento da foto. Também ajuda procurar locais com pouca iluminação artificial e apoiar o celular em uma superfície firme.

Fenômenos como a Lua Azul ajudam a lembrar que, às vezes, basta olhar para cima para encontrar um espetáculo silencioso acontecendo sobre nossas cabeças.

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Brasil reacende sonho espacial com teste inédito de motor de foguete na UnB

Depois de décadas de avanços interrompidos, País dá passo estratégico rumo à autonomia espacial com tecnologia desenvolvida por empresa brasileira

Propulsor líquido da DeltaV em nova bancada instalada na UnB
AEB/Divulgação

O céu de Brasília ganhou, discretamente, um daqueles acontecimentos que quase passam despercebidos fora dos círculos da engenharia — mas que podem marcar uma virada importante para o futuro tecnológico do Brasil.

Enquanto grande parte do debate público segue consumida pelas crises do cotidiano, pesquisadores, engenheiros e técnicos acompanharam, na Universidade de Brasília (UnB), o primeiro teste nacional de um motor-foguete líquido de 8 kilonewtons movido a etanol e oxigênio líquido.

Parece um detalhe técnico. E é. Mas também é um símbolo. O Brasil passou décadas vendo seu programa espacial avançar lentamente, entre cortes orçamentários, projetos interrompidos e dependência externa. Mesmo tendo uma das bases de lançamento mais estratégicas do planeta, em Alcântara, no Maranhão, o País nunca conseguiu consolidar plenamente uma indústria espacial própria.

Agora, algo começa a mudar. O motor testado foi desenvolvido pela DeltaV Engenharia Espacial, empresa brasileira do setor aeroespacial, com acompanhamento da Agência Espacial Brasileira (AEB) e apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Finep e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

Mais importante do que o teste em si é o que ele representa: o Brasil volta a investir na construção de conhecimento nacional em propulsão líquida — justamente uma das áreas mais sofisticadas e estratégicas da engenharia aeroespacial moderna.

Até hoje, boa parte da experiência brasileira esteve concentrada em foguetes de combustível sólido, mais simples e limitados. Motores líquidos exigem outro nível de domínio técnico. Envolvem controle preciso de combustão, sistemas criogênicos, segurança operacional e integração extremamente complexa.

É exatamente esse tipo de competência que diferencia os países que apenas sediam lançamentos daqueles que realmente possuem um programa espacial independente.

O ensaio ocorreu na nova bancada de propulsão instalada na Faculdade de Ciências e Tecnologias em Engenharia da UnB, no campus Gama. A estrutura permite testar motores em solo antes de voos reais — etapa fundamental para validar sistemas, reduzir riscos e formar profissionais especializados.

Na prática, trata-se da construção de uma infraestrutura que o Brasil demorou décadas para começar a consolidar.

O detalhe talvez mais importante esteja justamente fora dos holofotes: formação de pessoas.

Programas espaciais não nascem apenas de foguetes. Eles nascem de engenheiros treinados, operadores experientes, técnicos capacitados e continuidade institucional. Foi assim nos Estados Unidos, na China, na Índia e em praticamente todas as potências espaciais modernas.

O Brasil ainda está distante desse nível. Mas programas espaciais não surgem de um único salto gigantesco. Eles avançam em etapas silenciosas — um laboratório, uma bancada de testes, um motor funcionando por alguns segundos, uma equipe aprendendo.

E, pela primeira vez em muito tempo, o País parece voltar a caminhar nessa direção.

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Gleisi transforma vitória histórica da PEC do fim da escala 6x1 em trunfo político para o Senado

Deputada paranaense esteve entre as principais articuladoras da pauta no governo Lula e agora colhe capital político após aprovação histórica da Câmara

 
Gleisi transforma vitória histórica da PEC da escala 6x1 em trunfo político para o Senado. Deputada paranaense esteve entre as principais articuladoras da pauta no governo Lula e agora colhe capital político após aprovação histórica da Câmara.

A madrugada ainda nem havia esfriado em Brasília quando a comemoração começou a ganhar outro significado político no Paraná. A aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1, uma das pautas trabalhistas mais populares das últimas décadas, virou também um combustível poderoso para a pré-campanha ao Senado da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR).

Não foi apenas uma vitória parlamentar. Para aliados da petista, foi a consolidação de uma imagem construída ao longo dos últimos meses dentro do próprio governo Lula: a de uma das principais defensoras da redução da jornada de trabalho no país.

A Câmara dos Deputados aprovou a proposta em dois turnos na noite desta quarta-feira (27). O placar foi amplo: 472 votos favoráveis no primeiro turno e 461 no segundo. Apenas 19 deputados votaram contra.

O texto reduz gradualmente a jornada semanal de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso remunerado por semana e praticamente enterra a escala 6x1, há anos criticada por trabalhadores do comércio, supermercados, farmácias, restaurantes, telemarketing, vigilância e transporte.

Mas nos bastidores de Brasília, muita gente atribui a digital política da proposta à atuação de Gleisi ainda no período em que comandava a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.

Foi ela quem, ainda no começo do ano, colocou publicamente o tema entre as prioridades do governo Lula para 2026. Na época, afirmou que caberia ao governo “batalhar pela aprovação” da medida e destacou especialmente o impacto da escala 6x1 sobre as mulheres trabalhadoras.

Quatro meses depois, a proposta saiu do discurso e atravessou a Câmara com margem histórica — inclusive recebendo votos favoráveis de setores conservadores que vinham evitando confronto direto com uma pauta apoiada por cerca de 75% da população brasileira.

No Paraná, o resultado ganhou peso simbólico. Nenhum deputado federal do estado apareceu oficialmente votando contra no painel analisado após a sessão. Dos 30 parlamentares paranaenses, 25 registraram voto favorável.

Entre os nomes que votaram “sim” está até mesmo o deputado Filipe Barros (PL-PR), adversário político de Gleisi na corrida ao Senado. O gesto mostrou o tamanho do desgaste que um voto contrário poderia causar diante da pressão popular.

Cinco deputados paranaenses não registraram voto no painel final: Dilceu Sperafico (PP-PR), Padovani (PP-PR), Pedro Lupion (Republicanos-PR), Sergio Souza (MDB-PR) e Tião Medeiros (PP-PR).

Nas redes sociais, Gleisi classificou a aprovação como uma “vitória histórica” dos trabalhadores brasileiros e comparou o avanço da PEC a conquistas como férias remuneradas, 13º salário, descanso semanal e valorização do salário mínimo.

O discurso também buscou associar diretamente a conquista ao campo político do presidente Lula, lembrando a trajetória sindical do petista desde as greves do ABC paulista no fim da década de 1970.

Na prática, a deputada passa a carregar para a disputa do Senado um argumento forte junto ao eleitorado popular: quando a pauta deixou de ser promessa e chegou ao plenário, ela estava entre os nomes que mais pressionaram pela aprovação.

Para o trabalhador comum, a mudança representa mais tempo em casa, mais convivência familiar e menos desgaste físico e mental. Para empresas, começa agora um período de adaptação de contratos, escalas e negociações coletivas.

A PEC ainda precisa passar pelo Senado Federal em dois turnos. Mas a votação na Câmara já entrou para a história política e trabalhista do país — e também pode redefinir parte da disputa eleitoral de 2026 no Paraná.

Como fica a transição da nova jornada

  • Após 60 dias: jornada máxima cai de 44h para 42h semanais;
  • Escala obrigatória passa a ser de 5 dias de trabalho e 2 de descanso;
  • Após 14 meses: jornada máxima será de 40 horas semanais;
  • Salários permanecem integrais;
  • Acordos coletivos poderão definir ajustes específicos.

Deputados federais do Paraná — como votaram

Votaram a favor:

  • Aliel Machado (PV-PR)
  • Beto Preto (PSD-PR)
  • Carol Dartora (PT-PR)
  • Delegado Matheus Laiola (União-PR)
  • Diego Garcia (Republicanos-PR)
  • Filipe Barros (PL-PR)
  • Giacobo (PL-PR)
  • Gleisi Hoffmann (PT-PR)
  • Luciano Ducci (PSB-PR)
  • Luisa Canziani (PSD-PR)
  • Ricardo Barros (PP-PR)
  • Tadeu Veneri (PT-PR)
  • Toninho Wandscheer (PP-PR)
  • Vermelho (PL-PR)
  • Zeca Dirceu (PT-PR)
  • e outros parlamentares da bancada paranaense

Sem voto registrado no painel final:

  • Dilceu Sperafico (PP-PR)
  • Padovani (PP-PR)
  • Pedro Lupion (Republicanos-PR)
  • Sergio Souza (MDB-PR)
  • Tião Medeiros (PP-PR)

Deputados que votaram contra a PEC

  • Adriana Ventura (Novo-SP)
  • Bibo Nunes (PL-RS)
  • Carlos Chiodini (MDB-SC)
  • Caroline de Toni (PL-SC)
  • Daniel Freitas (PL-SC)
  • Daniela Reinehr (PL-SC)
  • Fabio Schiochet (União-SC)
  • Gilson Marques (Novo-SC)
  • Julia Zanatta (PL-SC)
  • Kim Kataguiri (Missão-SP)
  • Lucas Redecker (PSD-RS)
  • Marcel van Hattem (Novo-RS)
  • Mauricio Marcon (PL-RS)
  • Nicoletti (PL-RR)
  • Pezenti (MDB-SC)
  • Ricardo Guidi (PL-SC)
  • Ricardo Salles (Novo-SP)
  • Rosângela Moro (PL-SP)
  • Sérgio Turra (PP-RS)
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