sábado, 13 de junho de 2026

Justiça para Emily e Rebecca: decisão histórica reconhece falhas do Estado após morte de meninas em operação policial

Sentença inédita do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro garante indenização às famílias e reafirma o direito à verdade sobre um caso que comoveu o país

Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades / Reprodução
 

O barulho de crianças brincando na rua deveria ser uma das paisagens sonoras mais comuns de qualquer bairro brasileiro. Na tarde de 4 de dezembro de 2020, porém, o que deveria ser apenas mais um dia de brincadeiras na comunidade do Sapinho, em Duque de Caxias, terminou em uma tragédia que marcou para sempre duas famílias e expôs uma das faces mais dolorosas da violência armada no Rio de Janeiro.

Nesta semana, quase seis anos depois da morte das primas Emily Vitória, de 4 anos, e Rebecca dos Santos, de 7, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) proferiu uma decisão considerada histórica. Pela primeira vez, o Estado foi condenado não apenas a indenizar as famílias pelas mortes ocorridas durante uma operação policial. O Estado do Tio de Janeiro também foi condenado pelas falhas na investigação que, até hoje, não conseguiu apontar os responsáveis pelo disparo que matou as duas crianças.

A sentença, que ainda pode ser alvo de recurso, foi resultado de uma ação proposta pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro.

O direito à reparação e o direito à verdade

Para o defensor público André Castro, responsável pelo caso, a decisão vai além da compensação financeira.

Segundo ele declarou à EBC, a Justiça reconheceu que a investigação não cumpriu os critérios necessários para uma apuração adequada dos fatos, frustrando o direito das famílias de conhecer a verdade sobre o que aconteceu naquela tarde.

"O direito à verdade é o direito de saber quem foi o responsável ou quem foram os responsáveis pelas mortes das meninas Emily e Rebecca."

A juíza Cristiana Aparecida de Souza Donato determinou o pagamento de indenização por danos morais e pensão aos familiares das vítimas.

Na decisão, a magistrada também cita entendimento consolidado pelo STF segundo o qual o Estado responde civilmente por mortes e ferimentos decorrentes de operações de segurança pública. O entendimento estabelece ainda que uma perícia inconclusiva, por si só, não afasta a responsabilidade estatal.

O que aconteceu naquela tarde

Emily e Rebecca brincavam em frente de casa quando foram atingidas por um único disparo de fuzil. O tiro foi dado durante uma ação da Polícia Militar (PMRJ). De acordo com o processo, uma viatura passava pela rua no momento dos fatos com dois policiais armados.

Testemunhas relataram ter visto um clarão saindo de dentro do veículo policial. Já a investigação oficial concluiu que o disparo teria partido do lado oposto da rua, atribuindo a autoria a criminosos que jamais foram identificados, ou comprovada sua existência.

O caso ganhou contornos ainda mais complexos porque os exames de balística apontaram que os fuzis utilizados pelos policiais eram compatíveis com o projétil que atingiu as meninas. O laudo, contudo, não conseguiu afirmar de forma conclusiva qual arma efetuou o disparo que assassinou as meninas.

A investigação gerou um inquérito pífio, despido de provas conclusivas, os processos criminais acabaram arquivados e, passados quase seis anos daquele dia fatídico, nenhuma pessoa foi responsabilizada judicialmente pelas mortes.

A reconstrução que ajudou a mudar o rumo do caso

Um dos elementos que contribuíram para a decisão judicial foi o trabalho desenvolvido pelo Projeto Mirante, iniciativa de pesquisa sediada na Universidade Federal Fluminense (UFF).

Pesquisadores realizaram uma extensa reconstrução dos acontecimentos. O trabalho envolveu medições no local, entrevistas com moradores, análise de imagens, cruzamento de dados de GPS e até modelagem tridimensional da cena.

A pesquisadora Liliana Sanjurjo afirmou que a equipe identificou falhas importantes em laudos produzidos durante a investigação original.

Segundo ela, o cruzamento das evidências permitiu comprovar que uma viatura policial estava exatamente no local e no momento em que o disparo ocorreu, informação considerada relevante para a reavaliação do caso.

O posicionamento do governo

Em nota, o Governo do Estado do Rio de Janeiro informou que aguarda a análise de recursos apresentados pela Defensoria Pública antes de decidir se recorrerá da sentença.

O governo sustenta que as investigações da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense concluíram que os disparos não partiram dos policiais militares investigados.

Segundo a administração estadual, foram realizadas diversas diligências, perícias, oitivas de testemunhas e reprodução simulada dos fatos durante a apuração.

Um retrato da violência que atinge crianças

A história de Emily e Rebecca não é um episódio isolado.

Dados da plataforma Futuro Exterminado mostram que, entre 2016 e 2026, ao menos 778 crianças e adolescentes foram baleados no Rio de Janeiro e região metropolitana. Desses casos, 347 ocorreram durante operações policiais.

O número de mortes impressiona: 342 jovens perderam a vida nesse período.

Somente em 2020, ano em que Emily e Rebecca foram mortas, 62 crianças e adolescentes foram atingidos por disparos de arma de fogo no Estado do Rio. Vinte e seis delas perderam a vida, tiveram seus sonhos e seu futuro interrompidos por uma guerra sem sentido.

Por trás de cada estatística existe uma história interrompida, uma família marcada pela ausência e perguntas que muitas vezes permanecem sem resposta.

A decisão do TJRJ não devolve Emily e Rebecca aos seus familiares. Mas representa um reconhecimento oficial de que o Estado falhou não apenas em protegê-las, como também em oferecer respostas completas à sociedade.

E, talvez seja justamente esse reconhecimento que transforme a sentença em algo maior do que uma indenização: um passo importante na busca por memória, responsabilidade e justiça. Eu também a lição para o Estado, em planejar melhor suas ações nas comunidades e na promoção de investigações eficientes, que gerem conjuntos probatórios fortes e inquéritos robustos. O crime não compensa.

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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Gleisi, Dire Straits e o rock que pulsa no coração do Paraná

Ex-ministra e pré-candidata ao Senado pelo Paraná mostrou seu lado roqueiro durante participação no Podcast Três Irmãos e acabou conectando política, cultura e identidade paranaense

Brasília costuma apresentar Gleisi Hoffmann em meio a negociações intensas, votações decisivas e disputas que movimentam os bastidores do poder. Mas uma cena bem diferente chamou atenção dos paranaenses nos últimos dias.

Durante sua participação no Podcast Três Irmãos, a ex-ministra, deputada federal e pré-candidata ao Senado pelo Paraná apareceu em um momento descontraído, mostrando que também aprecia um dos gêneros musicais mais tradicionais do estado: o velho e bom rock and roll.

Ao som da clássica banda britânica Dire Straits, Gleisi deixou de lado por alguns instantes os temas pesados da política nacional e revelou um lado mais próximo do cotidiano de milhares de paranaenses que cresceram ouvindo guitarras, solos marcantes e canções que atravessaram gerações.

Mais do que um gosto musical

A identificação não acontece por acaso. Embora o sertanejo romântico continue liderando a preferência musical dos paranaenses, pesquisas culturais realizadas nos últimos anos mostram que o rock permanece entre os estilos mais ouvidos no estado, especialmente em Curitiba, cidade que construiu uma relação histórica com o gênero.

Dos bares do Largo da Ordem aos festivais independentes, passando pelas bandas autorais que surgiram nos bairros da capital, o rock ajudou a moldar parte da identidade cultural curitibana. É uma herança que atravessa gerações e continua presente mesmo diante das transformações do mercado musical. Não é à toa que Curitiba é conhecida como a Capital Nacional do Rock.

A ligação do PT Paraná com o ritmo não é novidade, o deputado Arilson Chiorato é responsável pela lei que tornou o patrimônio material do Estado a música Bicho do Paraná, do meu bom e saudoso amigo João Lopes.

O hit paranaense continua fazendo sucesso com a Carminha, esposa do João. Sim, João Lopes era roqueiro e moldou, na mesma época que bandas como Blindagem, A Chave, Arrigo Barnabé, Tetê e Carlos Careqa, o estilo único do rock paranaense. Não somos gatos de Ipanema, somos bicho do Paraná.

Talvez seja justamente por isso que o momento tenha repercutido nas redes sociais. Em um ambiente normalmente dominado por discursos técnicos e disputas ideológicas, apareceu algo simples e universal: a música escolhida para ilustrar a postagem no Instagram da deputada.

Uma conversa sobre o Brasil

A participação de Gleisi no Podcast Três Irmãos foi muito além do momento musical.

Ao longo da entrevista, a parlamentar falou sobre os desafios enfrentados pelo governo para construir maiorias no Congresso Nacional, analisou a correlação de forças políticas no país, comentou a influência do sistema financeiro sobre decisões econômicas e abordou temas ligados às relações internacionais.

Também houve espaço para reflexões sobre movimentos separatistas que periodicamente ressurgem no Sul do Brasil, tema que a deputada classificou como reflexo de interesses ligados a correntes neoliberais.

A conversa aconteceu poucos meses após Gleisi deixar a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), do governo Lula, e retornar à Câmara dos Deputados. Agora, ela se prepara para uma nova disputa eleitoral, buscando retornar ao Senado Federal, onde já exerceu mandato entre 2011 e 2019. Na época Gleisi foi eleita com votação bastante expressiva.

Antes da política, a trilha sonora

Num país marcado por divisões políticas cada vez mais profundas, talvez o trecho mais compartilhado da entrevista tenha sido justamente aquele que não envolvia debates, estatísticas ou embates partidários.

Foi apenas uma música.

Mas uma música capaz de lembrar que, antes de serem governantes, parlamentares, apoiadores ou adversários, as pessoas carregam histórias, memórias e trilhas sonoras que ajudam a explicar quem são.

E, pelo menos naquele momento, Gleisi mostrou sintonia com uma tradição que continua encontrando abrigo no Paraná: a paixão pelo rock and roll.

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Dalton Trevisan faria 101 anos neste domingo — e Curitiba continua habitando suas páginas

Das ruas do Centro à Polaquinha: a obra do Vampiro de Curitiba segue viva nas bibliotecas, nos palcos e na memória cultural da cidade


Dalton Trevisan faria 101 anos neste domingo — e Curitiba continua habitando suas páginas. Das ruas do Centro à Polaquinha: a obra do Vampiro de Curitiba segue viva nas bibliotecas, nos palcos e na memória cultural da cidade

Curitiba amanhece diferente quando o calendário se aproxima de 14 de junho. O inverno se aproxima, fazendo as noites mais longas e os dias mais curtos. Época do ano mais feliz para o "Vampiro de Curitiba".

Não há cerimônia oficial capaz de traduzir completamente o que representa a ausência — e ao mesmo tempo a permanência — de Dalton Trevisan. Neste domingo, o escritor curitibano completaria 101 anos. Dalton fez sua passagem para o além em 2024, aos 99 anos, deixando uma obra que ultrapassa os limites da cidade de Curitiba e da literatura brasileira.

Seus personagens continuam caminhando pelas ruas da cidade, entrando em bares, atravessando praças e carregando as contradições humanas que ele observava como poucos. O homem que evitava entrevistas, recusava a fama e tinha verdadeira aversão a fotografias acabou se tornando um dos autores mais reconhecidos da língua portuguesa.

Ao longo da carreira, publicou mais de 50 livros, recebeu os prêmios Jabuti, Machado de Assis e Camões, além de ser homenageado postumamente com a Ordem do Mérito Cultural, a mais alta condecoração brasileira na área da cultura.

Mas talvez nenhum apelido tenha definido tão bem sua relação com Curitiba quanto aquele que nasceu de uma de suas próprias obras: o Vampiro de Curitiba.

A única vez em que Dalton escreveu um romance

Entre dezenas de coletâneas de contos, existe uma obra singular na trajetória do escritor. Publicado em 1985, A Polaquinha é o único romance escrito por Dalton Trevisan e também a primeira vez em que uma mulher ocupa o papel central de uma narrativa sua.

A protagonista é uma jovem que decide se prostituir para pagar os estudos. Ao longo da história, ela atravessa relacionamentos marcados por desejo, violência, afeto, culpa, paixão e solidão. Homens de diferentes classes sociais entram e saem de sua vida enquanto ela constrói uma espécie de educação sentimental pelas ruas de Curitiba.

O escritor Otto Lara Resende definiu essa jornada como uma busca atravessada por culpa, castigo, perdição e amor.

Mais de quatro décadas após o lançamento, A Polaquinha permanece como uma das portas de entrada mais importantes para quem deseja conhecer o universo literário de Dalton.

Quando Dalton virou fenômeno nos palcos

Se os livros ajudaram a eternizar seus personagens, o teatro fez com que eles ganhassem corpo diante do público. Em 1993, ano da inauguração do Teatro Novelas Curitibanas, estreou o espetáculo O Vampiro e a Polaquinha, adaptação inspirada na obra de Dalton Trevisan.

O resultado foi um fenômeno raro na cena cultural paranaense. Dirigida por Ademar Guerra, a montagem permaneceu quatro anos consecutivos em cartaz, acumulando mais de 800 apresentações e atraindo aproximadamente 100 mil espectadores.

O elenco reunia nomes que mais tarde se tornariam referências da dramaturgia paranaense e nacional, entre eles Lala Schneider, Nena Inoue, Hugo Duarte, Paulo Friebe, Rogério Delê, Marísia Brünning, Silvia Contursi e uma jovem atriz em início de carreira chamada Guta Stresser.

Anos depois, Guta conquistaria o país interpretando Bebel no seriado A Grande Família, da TV Globo, onde permaneceu por 14 anos.

Curiosidade curitibana:

Pouca gente sabe, mas Guta Stresser é prima de Dalton Trevisan. O parentesco vem da bisavó da atriz, Joanna Trevisan Sanson, que era tia do escritor. Uma conexão familiar que une dois nomes marcantes da cultura curitibana.

Mais de três décadas depois da estreia histórica, a influência daquela montagem permanece viva. O diretor Luiz Fiani, integrante do elenco original, atualmente conduz a releitura Que fim levou o Vampiro de Curitiba?, reafirmando a permanência da obra no imaginário cultural da cidade.

Guta Stresser, interpretando a polaquinha em 1993, no então recém inaugurado teatro novelas curitibanas
Guta Stresser, em 1993, vivendo "A Plaquinha", de Dalton Trevisan - Foto: Gilson Camargo

Curitiba guarda 467 livros de Dalton à espera de leitores

Quem deseja começar a ler Dalton Trevisan não precisa procurar muito. As bibliotecas municipais e Casas da Leitura de Curitiba mantêm atualmente 467 exemplares de obras do escritor disponíveis ao público.

Há títulos clássicos como A Polaquinha, O Vampiro de Curitiba, Em Busca da Curitiba Perdida e A Guerra Conjugal, além de edições raras preservadas na Casa da Memória, no Largo da Ordem.

Entre as raridades estão traduções internacionais lançadas em cidades como Nova York e Buenos Aires, prova de que o escritor que retratava becos, pensões e personagens anônimos da capital paranaense conquistou leitores muito além das fronteiras brasileiras.

Por onde começar a ler Dalton?

Para quem nunca teve contato com sua obra, especialistas em literatura curitibana costumam recomendar duas antologias: Antologia Pessoal, organizada pelo próprio autor nos últimos anos de vida, e Educação Sentimental do Vampiro, organizada por Caetano W. Galindo e Felipe Hirsch.

Já para quem deseja conhecer o Dalton em sua forma mais madura, uma indicação frequente é Cemitério de Elefantes, publicado em 1964.

E para entender a relação inseparável entre o escritor e a cidade, talvez não exista obra mais emblemática do que O Vampiro de Curitiba.

Ali estão a Praça Tiradentes, a Ponte Preta, as ruas do Centro e muitos dos cenários que permanecem reconhecíveis até hoje. Mas estão também as sombras, os desejos, as obsessões e o humor ácido que transformaram Dalton Trevisan em um cronista implacável da condição humana.

O escritor que virou parte da cidade

Dalton costumava dizer pouco. Preferia que seus personagens falassem por ele.

Talvez por isso sua ausência pareça menos definitiva do que a de outros escritores. Curitiba continua encontrando Dalton em suas esquinas, nos bancos das praças, nos corredores das bibliotecas e nos palcos dos teatros.

Aos 101 anos de seu nascimento, o Vampiro de Curitiba permanece exatamente onde sempre esteve: observando a cidade e seus habitantes através das páginas de seus livros. E talvez seja essa a forma mais rara de imortalidade que um escritor pode alcançar. E, afinal, reza a lenda que os vampiros são mesmo imortais.

Dalton Trevisan faria 101 anos neste domingo — e Curitiba continua habitando suas páginas. Na foto a casa de Dalton Trevisan no Alto da glória, em Curitiba. Das ruas do Centro à Polaquinha: a obra do Vampiro de Curitiba segue viva nas bibliotecas, nos palcos e na memória cultural da cidade. Selfie de Ronald Stresser Jr
O "Castelo do Vampiro", casa aonde Dalton Trevisan viveu por mais de 68 anos, na Ubaldino do Amaral com a Rua Amintas de Barros, no Alto da Glória, em Curitiba - Selfie: Ronald Sanson Stresser Junior
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El Niño está de volta: fenômeno é confirmado e pode influenciar o clima do Brasil até 2027

Agência climática dos Estados Unidos confirma início oficial do El Niño. Especialistas alertam para risco maior de secas no Norte e Nordeste e chuvas intensas no Sul do país

El Niño está de volta: fenômeno é confirmado e pode influenciar o clima do Brasil até 2027. Agência climática dos Estados Unidos confirma início oficial do El Niño. Especialistas alertam para risco maior de secas no Norte e Nordeste e chuvas intensas no Sul do país

O Oceano Pacífico voltou a enviar sinais que o planeta aprendeu a observar com atenção. Depois de meses de monitoramento, a agência climática dos Estados Unidos confirmou nesta semana o início oficial do fenômeno El Niño, um dos eventos naturais mais influentes sobre o clima global.

A confirmação veio da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que identificou o aquecimento das águas superficiais na faixa equatorial do Pacífico acima dos limites que caracterizam o fenômeno. As medições mais recentes apontam temperaturas cerca de 0,7°C acima da média histórica, valor suficiente para decretar o retorno do El Niño.

Mas o que mais chama atenção não é apenas o retorno do fenômeno. Os modelos climáticos indicam que ele pode ganhar força nos próximos meses e permanecer ativo até o primeiro trimestre de 2027. Há uma probabilidade significativa de que o evento alcance intensidade forte ou muito forte entre o final deste ano e o início do próximo.

O que isso significa para o Brasil?

Embora o El Niño seja um fenômeno natural e recorrente, seus efeitos costumam ser sentidos em diferentes regiões do país de maneiras bastante distintas.

As projeções mais recentes do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), segundo informa a EBC, indicam aumento do risco de estiagens prolongadas no Norte e em parte do Nordeste, com impactos sobre rios, abastecimento de água, agricultura e ocorrência de incêndios florestais. Já no Sul do Brasil, a tendência é de maior frequência de episódios de chuva intensa, tempestades e enchentes.

A memória ainda está fresca. Em 2024, durante o último episódio significativo do fenômeno, o Rio Grande do Sul enfrentou uma das maiores tragédias climáticas de sua história, com enchentes que deixaram cidades inteiras submersas e milhares de famílias desalojadas.

Para Paraná e Santa Catarina, o cenário exige atenção redobrada dos órgãos de defesa civil e dos gestores públicos, especialmente durante a primavera e o verão, quando os efeitos do fenômeno costumam se tornar mais evidentes.

O planeta mais quente amplia os desafios

Os cientistas fazem questão de lembrar que o El Niño não é causado pelas mudanças climáticas. Ele faz parte da variabilidade natural do sistema climático terrestre.

Mas existe um detalhe importante: o fenômeno agora atua sobre um planeta mais quente do que décadas atrás. A Organização Meteorológica Mundial destaca que o aquecimento acumulado nos oceanos fornece mais energia e mais umidade para a atmosfera, aumentando o potencial de eventos extremos como ondas de calor, chuvas torrenciais e secas severas.

Em outras palavras, o El Niño continua sendo um fenômeno natural. O contexto em que ele acontece, porém, já não é o mesmo.

Brasil faz sua parte

O retorno do El Niño acontece justamente quando o Brasil vem registrando avanços importantes na redução do desmatamento e no fortalecimento das políticas de monitoramento ambiental.

Embora nenhum país consiga impedir a ocorrência de fenômenos climáticos globais, especialistas destacam que preservar florestas, recuperar áreas degradadas e reduzir emissões de gases de efeito estufa são medidas fundamentais para diminuir vulnerabilidades e aumentar a capacidade de adaptação diante dos extremos climáticos.

A boa notícia é que hoje o país possui sistemas de monitoramento muito mais avançados do que em décadas anteriores. Satélites, centros meteorológicos e redes de alerta permitem antecipar riscos e preparar respostas mais rápidas para proteger populações vulneráveis.

Hora de acompanhar e se preparar

A próxima atualização oficial da NOAA será divulgada em julho. Até lá, cientistas de diversos centros climáticos do mundo continuarão acompanhando a evolução das temperaturas do Pacífico.

O consenso internacional é claro: o El Niño já começou. Agora, o desafio é entender sua intensidade e, principalmente, preparar cidades, agricultores e comunidades para os impactos que podem surgir nos próximos meses.

Num planeta cada vez mais sujeito a extremos climáticos, informação de qualidade continua sendo uma das ferramentas mais importantes para proteger vidas.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Brasil reduz desmatamento e mostra ao mundo que preservação ambiental e desenvolvimento podem caminhar juntos

Com queda expressiva na devastação da Amazônia e do Cerrado, país reforça compromisso climático e demonstra que proteger as florestas é uma decisão estratégica para o futuro

Desmatamento na região oeste da Amazônia brasileira - Carl de Souza / AFP / Getty Images

O verde da floresta não aparece apenas nas imagens de satélite. Ele se reflete na qualidade do ar, no regime de chuvas que abastece cidades e plantações, na biodiversidade e, cada vez mais, no debate global sobre como enfrentar a crise climática.

Os números divulgados pelo governo federal nesta semana apontam uma redução significativa dos alertas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Na Amazônia Legal, a queda chegou a 35% entre agosto de 2025 e janeiro de 2026. No Cerrado, o recuo foi de 6% no mesmo período.

“Pela primeira vez, a gente está saindo na frente na luta para combater as possíveis queimadas que virão. Pela primeira vez, nós estamos preparados antecipadamente para enfrentar essa situação.”

— Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

A declaração foi feita durante cerimônia realizada no Palácio do Planalto em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente. Na mesma ocasião, Lula afirmou que o Brasil voltou a conquistar credibilidade internacional na área ambiental, resultado de uma série de ações voltadas à proteção dos biomas e ao enfrentamento das mudanças climáticas.

Fazer a lição de casa

Em um mundo cada vez mais impactado por secas prolongadas, enchentes, ondas de calor e eventos climáticos extremos, a preservação ambiental deixou de ser apenas uma bandeira de ambientalistas. Tornou-se uma necessidade prática para governos, produtores rurais, empresas e populações inteiras.

O Brasil abriga a maior floresta tropical do planeta e possui uma das maiores reservas de biodiversidade da Terra. Por isso, qualquer avanço na proteção desses ecossistemas tem repercussão global.

Os resultados divulgados mostram que o país está fazendo sua parte. A redução do desmatamento, associada ao fortalecimento da fiscalização ambiental, ao monitoramento por satélite e à retomada de políticas públicas de preservação, indica uma mudança de rumo importante.

Outro dado que chamou atenção foi a queda de 93% nos índices de degradação florestal na Amazônia, indicador que mede danos à vegetação mesmo quando não ocorre a derrubada completa da floresta.

Exemplo em tempos de crise climática

O desafio está longe de terminar. Ainda existem áreas ameaçadas pela exploração ilegal de recursos naturais e biomas que exigem atenção permanente. Mas os números recentes mostram que é possível reduzir a devastação sem comprometer o crescimento econômico.

Ao contrário do que muitas vezes se argumenta, preservar a natureza não significa frear o desenvolvimento. Significa garantir água, estabilidade climática, segurança alimentar e oportunidades econômicas para as próximas gerações.

Em um momento em que diversos países discutem metas climáticas e formas de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o Brasil apresenta resultados concretos e verificáveis. Não apenas por discursos, mas por indicadores acompanhados por sistemas de monitoramento independentes.

Mais do que uma conquista ambiental, a queda do desmatamento representa uma demonstração de responsabilidade com o futuro. Em tempos de crise climática global, o Brasil mostra que está disposto a fazer sua lição de casa — e, ao fazê-la, acaba oferecendo um exemplo que o mundo acompanha com atenção.

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Kombi falha na fuga e plano criminoso termina com um morto no Bacacheri

Furto a uma loja de roupas mobilizou a Polícia Militar durante a madrugada em Curitiba; dois suspeitos foram presos, um morreu em confronto e outro segue foragido

 
Furto a uma loja de roupas mobilizou a Polícia Militar durante a madrugada em Curitiba; dois suspeitos foram presos, um morreu em confronto e outro segue foragido

O dia sempre amanhece movimentado no Bacacheri, mas alguns sinais da madrugada ainda permaneceram visíveis, mesmo hoje sendo dia de abertura da Copa 2026. Equipes policiais continuam as buscas por um suspeito foragido e comerciantes tentam reorganizar o que restou depois de uma noite marcada por perseguição, tiros e uma fuga que acabou dando errado. O veículo da fuga não funcionou e deu ruim para o bando.

A ocorrência foi por volta das 3 horas da madrugada desta quinta-feira (11), quando um grupo de criminosos invadiu uma loja de roupas na região da Rua Flávio Dallegrave. O que parecia ser mais um furto planejado acabou se transformando em ocorrência policial e tiroteio, em ação que mobilizou equipes da Polícia Militar do Paraná (PMPR) e assustou moradores do bairro.

Entrada por uma casa vazia

Segundo informações da PM, os suspeitos utilizaram uma residência desocupada ao lado da loja para acessar o imóvel comercial. Depois de pular um muro baixo, eles abriram um buraco na parede que divide os dois terrenos e conseguiram entrar no estabelecimento sem passar pela entrada principal.

Já dentro da loja, os criminosos cortaram fios do sistema de monitoramento e começaram a recolher mercadorias. Cabides ficaram espalhados, manequins foram danificados e diversas peças de roupa foram retiradas das araras.

O crime parecia não ter como dar errado para os criminosos. O objetivo era carregar tudo rapidamente em uma Kombi usada para transportar os produtos furtados. Entretanto as coisas não saíram como planejado, numa série de desventuras para os meliantes.

Quando a fuga começou a dar errado

O plano criminoso, que parecia inspirado nas séries de streaming da TV, começou a dar ruim, ruim mesmo, quando uma testemunha percebeu a movimentação suspeita durante a madrugada e chamou a polícia.

De acordo com relatos obtidos no local, os criminosos chegaram a colocar a Kombi dentro do estacionamento da loja para facilitar o carregamento das mercadorias que seriam objeto de furto. Mas, ao perceberem que poderiam ser descobertos, tentaram fugir às pressas.

Foi então que surgiu um problema inesperado: a Kombi simplesmente não funcionou. Enquanto os bandidos trapalhões tentavam fazer o veículo pegar, acabaram perdendo um tempo que seria precioso para eles. Quando a polícia chegou foi aquele "pega pra capar", alguns correram, outros permaneceram próximos ao local.

Prisões, perseguição e confronto

Segundo a PM, dois suspeitos foram presos ainda nas proximidades da loja. Um terceiro correu em direção a uma área próxima à linha férrea, nos arredores do Bacacheri. Durante a abordagem, houve confronto com os policiais. Um homem foi baleado e chegou a receber atendimento dos socorristas, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

Moradores da região relataram momentos de tensão durante a perseguição. Alguns afirmaram ter sido acordados por uma sequência de disparos. Uma moradora contou que ouviu pelo menos seis tiros durante a madrugada, provocando preocupação entre os vizinhos.

Suspeito e Kombi continuam desaparecidos

Apesar das prisões e da recuperação de parte das mercadorias, a ocorrência ainda não está encerrada. De acordo com a Polícia Militar, um quarto integrante do grupo conseguiu fugir levando a Kombi utilizada na ação. As equipes seguem realizando buscas para localizar o suspeito e recuperar o restante dos produtos furtados.

Enquanto isso, trabalhadores já iniciaram os reparos no muro que foi destruído para permitir a invasão da loja. O buraco aberto pelos criminosos começou a ser fechado ainda pela manhã, numa tentativa de devolver a normalidade a uma região que acordou marcada pelos acontecimentos da madrugada.

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Abertura da Copa do Mundo reacende sonho do hexa; Seleção Brasileira treina hoje antes da estreia

Maior evento esportivo do planeta começa nesta quinta-feira, no México, com recorde de participantes e o Brasil inicia a contagem regressiva para buscar o sexto título mundial

 
Maior evento esportivo do planeta começa nesta quinta-feira, no México, com recorde de participantes e o Brasil inicia a contagem regressiva para buscar o sexto título mundial

O relógio marca a contagem final. Nas ruas, nos bares, nas conversas de trabalho e nos grupos de família, um assunto volta a ocupar espaço privilegiado: a Copa do Mundo. Nesta quinta-feira (11), começa oficialmente o maior espetáculo esportivo do planeta, e o Brasil já vive a expectativa de mais uma campanha em busca do tão sonhado hexacampeonato.

Enquanto a bola ainda não rola para a Seleção Brasileira, o elenco comandado por Carlo Ancelotti entra em campo às 11 horas da manhã (horário de Brasília) para mais um treinamento no CT Columbia Park, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Os primeiros minutos da atividade serão abertos à imprensa. A movimentação integra os preparativos finais para a estreia brasileira na competição.

A Copa do Mundo de 2026 entra para a história antes mesmo do apito inicial. Pela primeira vez, três países dividem a organização do torneio: México, Estados Unidos e Canadá. Também será a primeira edição com 48 seleções participantes, ampliando o alcance global da competição e abrindo espaço para países que jamais haviam disputado o Mundial.

"O futebol tem a magia de unir o mundo."
— Gianni Infantino, presidente da Fifa.

Segundo a Fifa, cerca de 5 bilhões de pessoas acompanharam a Copa do Mundo do Catar, em 2022. Apenas a final entre Argentina e França foi assistida por mais de 1,5 bilhão de espectadores, tornando-se a partida esportiva de maior audiência da história.

No ambiente digital, o alcance acumulado chegou a aproximadamente 262 bilhões de visualizações e quase 6 bilhões de interações nas plataformas oficiais da entidade.

Uma Copa para unir culturas

A edição de 2026 pretende ampliar ainda mais uma das características mais marcantes dos Mundiais: o encontro entre povos e culturas. Com sedes espalhadas por três países e milhares de quilômetros de distância entre algumas cidades anfitriãs, a competição promete uma experiência multicultural sem precedentes.

Quem viveu a Copa de 2014 no Brasil testemunhou de perto essa mistura. Torcedores de dezenas de nacionalidades ocuparam ruas, praças e estádios, transformando o país em um grande ponto de encontro mundial. Agora, o cenário será ainda mais amplo.

Azteca faz história novamente

O jogo de abertura será realizado no lendário Estádio Azteca, na Cidade do México. O palco histórico se tornará o primeiro estádio do planeta a sediar três partidas inaugurais de Copas do Mundo, repetindo os feitos de 1970 e 1986.

Outra curiosidade chama atenção: o confronto inaugural entre México e África do Sul repete exatamente o duelo que abriu a Copa de 2010, algo inédito desde que o torneio passou a ter uma única partida de abertura.

Música e espetáculo continental

Para celebrar o início do torneio, a Fifa organizou uma série de apresentações simultâneas em Cidade do México, Toronto e Los Angeles. Os chamados "Countdown Concerts" reuniram artistas internacionais e talentos locais em uma experiência integrada entre os três países-sede.

Entre os nomes confirmados para as celebrações estão Shakira, Burna Boy, Alejandro Fernández, Belinda, Danny Ocean, J Balvin, Lila Downs, Los Ángeles Azules, Maná, Tyla, Katy Perry, Future, Lisa, Rema, Michael Bublé e a brasileira Anitta.

Polêmicas antes da bola rolar

Nem tudo, porém, é festa. Antes mesmo da abertura, a Copa de 2026 já foi marcada por controvérsias envolvendo políticas migratórias dos Estados Unidos. Casos de retenção de atletas, dificuldades para emissão de vistos, restrições a delegações e problemas enfrentados por torcedores geraram críticas de organizações esportivas e de direitos humanos.

Entre os episódios relatados estão dificuldades enfrentadas por integrantes das delegações do Iraque, da Somália e do Irã, além de denúncias envolvendo cancelamentos de ingressos adquiridos por torcedores iranianos.

O sonho do hexa continua

O Brasil chega à sua 23ª participação em Copas do Mundo como o único país presente em todas as edições do torneio. Também permanece como a seleção mais vitoriosa da história, com cinco títulos mundiais conquistados.

Depois de mais de duas décadas sem levantar a taça, a esperança renasce. Sob o comando de Carlo Ancelotti, a Seleção Brasileira inicia uma nova caminhada carregando o mesmo objetivo que mobiliza gerações de torcedores: trazer o hexacampeonato para casa.

A partir de hoje, a maior festa do futebol mundial está oficialmente aberta. E, como acontece a cada quatro anos, milhões de brasileiros voltam a acreditar que o próximo capítulo da história pode terminar em verde, amarelo e ouro.

Ronald Sanson Stresser Junior - Copa 2026
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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba define nomes e entra no jogo eleitoral de 2026

Após meses de especulações, bastidores sindicais apontam Sérgio Butka para a Câmara Federal e Nelsão da Força para a Assembleia Legislativa do Paraná

 
Após meses de especulações, bastidores sindicais apontam Sérgio Butka para a Câmara Federal e Nelsão da Força para a Assembleia Legislativa do Paraná

Segundo apuração do Sulpost, lideranças ligadas ao Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) e à Força Sindical do Paraná trabalham na construção de um projeto eleitoral próprio para as eleições de 2026.

Nos bastidores, o nome do presidente do SMC e da Força Sindical Paraná, Sérgio Butka (PT), aparece como principal aposta para uma candidatura à Câmara dos Deputados. Já o primeiro vice-presidente do SMC e também da Força Sindical, Nelsão da Força (PT), estaria colocando seu nome à disposição para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Paraná.

A movimentação reforça uma tendência antecipada pelo Sulpost ainda em 31 de março, quando o blog revelou que o sindicalismo buscava alternativas. A ideia é ampliar sua representação institucional diante da redução do número de parlamentares diretamente identificados com as pautas dos trabalhadores.

Uma construção que não começou agora

Na reportagem publicada no início do ano, Butka já demonstrava preocupação com o que considera um vazio de representação da classe trabalhadora nos espaços de poder.

Na ocasião, o dirigente afirmou que cada vez menos deputados estaduais e federais assumem a defesa das bandeiras históricas dos trabalhadores, dificultando a tramitação de pautas relacionadas ao emprego, à renda, à valorização salarial e aos direitos sociais.

O diagnóstico permanece atual. E é justamente a partir dele que surge a possibilidade de o próprio movimento sindical ocupar os espaços que considera abandonados pela política tradicional.

O currículo recente do SMC

Caso a dobradinha seja confirmada, ela chegará à disputa eleitoral respaldada por uma das estruturas sindicais mais organizadas do Sul do Brasil.

Nos últimos anos, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) esteve à frente de negociações consideradas referência nacional envolvendo montadoras, autopeças e grandes indústrias instaladas na Região Metropolitana de Curitiba.

Sob a liderança de Sérgio Butka, o sindicato participou de acordos coletivos que garantiram reajustes salariais acima da inflação em diversos segmentos, negociações de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), manutenção de postos de trabalho durante períodos de instabilidade econômica e defesa de investimentos produtivos no setor industrial paranaense.

O SMC também teve papel relevante em debates sobre reindustrialização, qualificação profissional, proteção do emprego e fortalecimento da cadeia automotiva instalada no Paraná, uma das mais importantes do país.

Butka: experiência e articulação

Com décadas de atuação sindical, Sérgio Butka se consolidou como uma das principais lideranças trabalhistas do Paraná. Além de presidir o SMC, ocupa a presidência da Força Sindical Paraná e da Federação dos Metalúrgicos do estado.

Ao longo dos anos, construiu reputação de negociador habilidoso em campanhas salariais e acordos coletivos complexos, participando diretamente de algumas das maiores negociações envolvendo a indústria automotiva brasileira.

Sua atuação também ultrapassou os limites do movimento sindical, alcançando espaços de formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico, à indústria e ao trabalho.

Nelsão: presença constante na base

Ao lado de Butka surge Nelsão da Força, atual primeiro vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba e dirigente reconhecido pela forte presença junto à base da categoria.

Nos últimos anos, Nelsão participou ativamente de assembleias, campanhas salariais, negociações coletivas, mobilizações trabalhistas e articulações políticas voltadas à defesa dos trabalhadores da indústria.

Seu nome também ganhou visibilidade por manter diálogo permanente com diferentes segmentos do movimento sindical e social. Ele também denunciou tentativa de cerceamento do direito de greve e violência policial no Paraná, que sofreu durante a greve na Brose do Brasil, tornando-se uma das lideranças mais conhecidas da estrutura da Força Sindical na Grande Curitiba.

Entre trabalhadores e dirigentes, é visto como uma liderança de perfil agregador, com trânsito tanto nas fábricas quanto nos espaços de articulação política. O Nelsão está sempre em todas as mobilizações e ao lado de todos os trabalhadores.

Uma dobradinha considerada fortíssima

Nos bastidores do sindicalismo e da política paranaense, a avaliação é praticamente consensual: caso as pré-candidaturas sejam confirmadas, Sérgio Butka e Nelsão da Força formarão uma das dobradinhas mais fortes já organizadas pelo movimento sindical do Paraná.

A combinação une experiência, estrutura, reconhecimento junto à categoria e presença territorial construída ao longo de décadas de atuação sindical.

Enquanto Butka reúne prestígio estadual e projeção nacional dentro do movimento dos trabalhadores, Nelsão mantém forte inserção na base operária e nos municípios da Região Metropolitana de Curitiba.

Mais do que dois nomes, a eventual chapa simbolizaria a entrada formal do SMC na disputa eleitoral de 2026, levando para as urnas uma estrutura que representa milhares de trabalhadores da indústria paranaense.

As definições oficiais ainda dependem das articulações partidárias e do calendário eleitoral. Por enquanto o que estamos relatando ocorre nos bastidores. Mas entre dirigentes, sindicalistas e trabalhadores, cresce a percepção de que o SMC encontrou seus principais representantes para disputar espaço nas casas legislativas.

Se a força construída nas fábricas será transformada em votos, somente as urnas poderão responder. O fato é que o sindicalismo paranaense parece cada vez mais disposto a trocar a condição de espectador pela de protagonista na política estadual e nacional.

Brasil e China avançam para lançar novo satélite capaz de monitorar a Amazônia mesmo sob nuvens

Novo satélite sino-brasileiro usará radar de última geração para monitorar desmatamento, queimadas, enchentes e mudanças ambientais mesmo sob nuvens ou durante a noite

Brasil e China avançam para lançar novo satélite capaz de monitorar a Amazônia mesmo sob nuvens. Novo satélite sino-brasileiro usará radar de última geração para monitorar desmatamento, queimadas, enchentes e mudanças ambientais mesmo sob nuvens ou durante a noite

O céu do Brasil está prestes a ganhar mais um aliado silencioso. Enquanto a maior parte da população sequer percebe o trabalho realizado por satélites em órbita, um novo equipamento desenvolvido em parceria entre Brasil e China promete ampliar significativamente a capacidade do país de vigiar o território nacional e acompanhar as transformações ambientais em tempo real.

O projeto atende pelo nome de CBERS-6, a próxima missão do Programa Sino-Brasileiro de Satélites de Recursos Terrestres. O diferencial desta nova geração está na tecnologia embarcada: pela primeira vez, um satélite da parceria será equipado com um radar de abertura sintética (SAR), capaz de produzir imagens da superfície terrestre mesmo durante a noite ou sob intensa cobertura de nuvens.

Para um país como o Brasil, onde vastas regiões da Amazônia permanecem encobertas por nuvens durante boa parte do ano, a novidade representa um salto importante na capacidade de monitoramento ambiental.

Na prática, o CBERS-6 permitirá identificar áreas de desmatamento, queimadas, invasões de terras, mudanças no uso do solo, enchentes e outros eventos ambientais com maior frequência e precisão. As informações também poderão ser utilizadas por órgãos públicos, pesquisadores e instituições responsáveis pelo planejamento territorial.

Nova fase do projeto

Os preparativos para a missão avançaram nas últimas semanas após uma série de reuniões entre especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da agência chinesa CRESDA, responsável pela operação e distribuição de dados de satélites de observação da Terra na China.

Os encontros resultaram na definição dos principais procedimentos que serão utilizados durante a operação do satélite, incluindo estratégias de aquisição, processamento e distribuição das imagens produzidas pelo radar.

Também foram formalizados novos compromissos de cooperação entre os dois países, consolidando a fase de preparação para o futuro lançamento da missão.

Parceria que atravessa décadas

A cooperação espacial entre Brasil e China começou ainda nos anos 1980 e se transformou em uma das mais duradouras iniciativas científicas entre países em desenvolvimento.

Desde então, diversos satélites do programa CBERS foram colocados em órbita, fornecendo gratuitamente imagens utilizadas em estudos ambientais, planejamento agrícola, monitoramento de recursos naturais e pesquisas científicas.

O CBERS-6 será o mais avançado dessa família de satélites e deverá ampliar consideravelmente a qualidade das informações disponíveis para os sistemas brasileiros de monitoramento ambiental.

Mais dados para proteger as florestas

Além do novo satélite, a cooperação entre os dois países pode ganhar um reforço adicional. Durante as reuniões recentes, representantes chineses manifestaram interesse em disponibilizar ao Brasil dados produzidos pelos satélites Gaofen-1 e Gaofen-6.

As imagens poderão auxiliar sistemas como o Deter e o Prodes, utilizados pelo governo brasileiro para acompanhar o avanço do desmatamento e outras alterações ambientais, especialmente na Amazônia.

Em um cenário marcado por eventos climáticos extremos, incêndios florestais e crescente pressão internacional por preservação ambiental, o investimento em monitoramento por satélite tornou-se uma ferramenta estratégica para a gestão do território.

Mais do que um novo equipamento em órbita, o CBERS-6 representa o fortalecimento de uma parceria tecnológica que há décadas aproxima Brasil e China e ajuda a ampliar o conhecimento sobre um dos patrimônios ambientais mais importantes do planeta.

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Moro lidera, mas Requião Filho consolida segunda colocação e disputa pelo segundo turno ganha forma no Paraná

Nova pesquisa Paraná Pesquisas mostra estabilidade de Sergio Moro na liderança, avanço de Requião Filho e o crescimento de Sandro Alex, com o apoio do governador Ratinho Junior

Moro lidera, mas Requião Filho consolida segunda colocação e disputa pelo segundo turno ganha forma no Paraná. Nova pesquisa Paraná Pesquisas mostra estabilidade de Sergio Moro na liderança, avanço de Requião Filho e o crescimento de Sandro Alex, com o apoio do governador Ratinho Junior

O tabuleiro político paranaense para 2026 começa a ganhar contornos mais definidos. A nova pesquisa do instituto Paraná Pesquisas, divulgada nesta quarta-feira (10), mantém o senador Sergio Moro (PL) na liderança da corrida pelo Palácio Iguaçu, mas também revela um movimento importante na disputa pelo segundo lugar: Requião Filho (PDT) segue consolidado como principal adversário da direita paranaense e amplia sua condição de nome competitivo para um eventual segundo turno.

No principal cenário estimulado, Moro aparece com 42,3% das intenções de voto. Requião Filho registra 19,9%, seguido por Rafael Greca (MDB), com 13,9%, e Sandro Alex (PSD), que alcança 10,7%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PR-06978/2026.

A comparação com a pesquisa anterior mostra um cenário relativamente estável para os dois primeiros colocados. Moro oscilou de 42,6% para 42,3%, enquanto Requião Filho passou de 19,7% para 19,9%. A principal mudança ocorreu no campo governista: Rafael Greca perdeu 2,4 pontos percentuais e Sandro Alex cresceu 2,1 pontos.

O movimento chama atenção porque Sandro Alex foi escolhido pelo governador Ratinho Junior para representar seu grupo político na sucessão estadual. O crescimento sugere que parte da estrutura governista começa a migrar para o candidato oficial do Palácio Iguaçu. Ainda assim, os números indicam que essa transferência de capital político ocorre de forma lenta.

Outro dado relevante aparece no cenário sem Rafael Greca. Nessa hipótese, Moro sobe para 47,3% e Requião Filho alcança 23,5%, ampliando sua vantagem sobre Sandro Alex, que chega a 12,8%. O resultado indica que a saída de Greca da disputa beneficiaria principalmente os dois primeiros colocados.

Na prática, a fotografia do cenário de junho reforça uma tendência observada por diferentes levantamentos realizados ao longo do ano: Moro permanece favorito para chegar ao segundo turno, enquanto Requião Filho se mantém como principal candidato de oposição ao bloco conservador que domina a política estadual desde a eleição de Ratinho Junior.

Há ainda um aspecto político importante. Embora apareça atrás de Moro, Requião Filho mantém sua posição mesmo enfrentando uma das maiores taxas de rejeição da pesquisa, o que indica a existência de um eleitorado consolidado e fiel em torno de sua candidatura. Ao mesmo tempo, Sandro Alex ainda precisaria transformar o apoio institucional do governo em presença eleitoral efetiva para disputar uma vaga no segundo turno.

Se a eleição fosse hoje, o cenário mais provável apontado pelos números seria uma disputa de segundo turno entre Sergio Moro e Requião Filho. Ainda faltam mais de quatro meses para a votação, mas a corrida eleitoral no Paraná começa a mostrar sinais de polarização entre os dois campos políticos que deverão protagonizar o debate estadual em 2026. É a polarização, que ocorre nas eleições à Presidência da República se refletindo nos Estados.

Quaest mostra reação de Lula e sinaliza mudança no humor do eleitorado

Nova pesquisa divulgada nesta quarta (10) aponta ampliação da vantagem do presidente sobre Flávio Bolsonaro e sugere que medidas econômicas recentes começam a produzir efeitos na percepção dos brasileiros

Quaest mostra reação de Lula e sinaliza mudança no humor do eleitorado. Nova pesquisa divulgada nesta quarta (10) aponta ampliação da vantagem do presidente sobre Flávio Bolsonaro e sugere que medidas econômicas recentes começam a produzir efeitos na percepção dos brasileiros.

O cenário político brasileiro amanheceu diferente nesta quarta-feira (10). A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada no Bom Dia Brasil, da TV Globo, indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a liderança na corrida presidencial e amplia sua vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), em um momento particularmente delicado para o campo bolsonarista.

Segundo o levantamento, Lula aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro registra 29%. A diferença de dez pontos chama atenção porque, nas pesquisas anteriores, a disputa vinha se mostrando mais apertada.

Mais do que os números em si, o resultado parece revelar uma mudança de percepção entre os eleitores. Nos últimos meses, o governo federal acelerou programas de crédito, ampliou investimentos públicos, fortaleceu políticas de habitação e adotou medidas voltadas ao consumo e à geração de emprego.

Embora muitos desses indicadores já apresentassem sinais positivos na economia real, seus efeitos ainda não apareciam com clareza nas pesquisas eleitorais. Agora, os números sugerem que parte da população começa a reconhecer essas mudanças no cotidiano. É um movimento que analistas vinham aguardando desde o início do ano e que pode representar uma inflexão importante no debate político nacional.

Escândalos atingem oposição

O levantamento também é o primeiro realizado após a repercussão das denúncias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, o banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse, produção inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro.

As revelações publicadas pela imprensa trouxeram à tona diálogos, pedidos de apoio financeiro e documentos que passaram a ser explorados politicamente por adversários do bolsonarismo. Embora Flávio Bolsonaro negue qualquer irregularidade, o episódio ampliou o desgaste do grupo político justamente no momento em que buscava consolidar sua candidatura nacional.

Nos bastidores de Brasília, a avaliação é que a combinação entre melhora dos indicadores econômicos e desgaste da oposição pode ter contribuído para o reposicionamento observado pela Quaest na divulgação de hoje.

Diferença aparece também no segundo turno

A pesquisa mostra ainda que Lula mantém vantagem em uma eventual disputa de segundo turno. O resultado reforça a percepção de que o presidente continua reunindo uma base eleitoral sólida, mesmo após anos de intensa polarização política.

Enquanto isso, nomes apresentados como alternativas à polarização seguem encontrando dificuldades para romper a barreira da baixa visibilidade nacional. No levantamento divulgado hoje, outros pré-candidatos aparecem com percentuais modestos, sem alterar significativamente o quadro principal da disputa. A última colocação na pesquisa apresenta o empate técnico de diversos candidatos.

Uma fotografia do momento

Pesquisas eleitorais não antecipam resultados definitivos, mas ajudam a compreender tendências e mudanças de humor da sociedade. E a fotografia captada pela Quaest nesta quarta-feira parece mostrar um eleitorado menos receptivo ao discurso de confronto permanente e mais atento aos efeitos concretos da economia no dia a dia.

Para o governo Lula, os números representam um sinal animador. Para a oposição, especialmente o núcleo bolsonarista, funcionam como alerta de que escândalos políticos e disputas narrativas podem produzir impactos reais quando encontram um ambiente econômico em recuperação.

Faltam muitos capítulos até a eleição de 2026. Ainda são praticamente cinco meses. Mas a pesquisa divulgada hoje sugere que a maré política, ao menos neste momento, sopra em direção diferente daquela observada há poucos meses. 

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China quer incorporar o PIX ao seu sistema financeiro

Enquanto Estados Unidos intensificam críticas ao sistema brasileiro, o interesse de empresas chinesas no PIX reforça o alcance internacional da tecnologia criada pelo BC e amplia a aproximação econômica entre Brasília e Pequim

Enquanto Estados Unidos intensificam críticas ao sistema brasileiro, o interesse de empresas chinesas no PIX reforça o alcance internacional da tecnologia criada pelo BC e amplia a aproximação econômica entre Brasília e Pequim

O mundo financeiro atravessa uma transformação silenciosa. Em poucos anos, o PIX deixou de ser apenas uma inovação brasileira para se tornar objeto de atenção internacional. E, nesta terça-feira (9), um novo capítulo dessa história começou a ganhar forma: enquanto os Estados Unidos ampliam críticas ao sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central, a China demonstra interesse em incorporá-lo às plataformas digitais utilizadas por milhões de consumidores.

A sinalização veio de Hsia Hua Sheng, vice-presidente do Bank of China e professor de Finanças Internacionais da FGV, durante entrevista ao portal Brazil Economy. Segundo ele, empresas chinesas que atuam no mercado brasileiro enxergam no PIX uma oportunidade de crescimento e integração econômica.

"Enquanto os EUA criticam o PIX, os chineses querem incorporá-lo às suas plataformas", afirmou o executivo.

O interesse chinês pelo sistema brasileiro foi revelado na entrevista “Enquanto os EUA criticam o Pix, os chineses querem incorporá-lo”, diz VP do Bank of China, publicada pelo portal Brazil Economy. Na conversa, Sheng destacou as oportunidades de aproximação entre Brasil e China em meio às tensões geopolíticas e comerciais envolvendo os Estados Unidos.

A declaração surge em um momento de debate internacional sobre o modelo brasileiro de pagamentos. Nas últimas semanas, autoridades norte-americanas voltaram a questionar o PIX, alegando que o sistema público administrado pelo Banco Central poderia representar uma concorrência desfavorável a empresas privadas de pagamentos eletrônicos dos Estados Unidos.

Na direção oposta, empresas chinesas já instaladas no Brasil vêm adaptando seus serviços para a realidade financeira local. Sheng citou exemplos como o AliExpress, o aplicativo de mobilidade 99 e a plataforma de entregas Keeta, que têm ampliado sua integração com métodos de pagamento utilizados pelos consumidores brasileiros.

O interesse não surpreende. O PIX já se consolidou como o principal meio de pagamento do país, superando cartões e transferências tradicionais em volume de operações. Sua velocidade, baixo custo e facilidade de uso transformaram hábitos de consumo e chamaram a atenção de empresas globais interessadas em operar no mercado brasileiro.

Uma ponte financeira entre Brasil e China

Para o vice-presidente do Bank of China, as atuais tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos podem abrir espaço para um aprofundamento das relações econômicas sino-brasileiras.

Segundo Sheng, setores como tecnologia, inovação, logística digital e serviços financeiros oferecem oportunidades crescentes de cooperação. A avaliação ocorre em um momento em que os governos dos dois países reforçam compromissos de ampliar a colaboração econômica e financeira.

Além disso, o avanço do PIX desperta interesse porque se diferencia dos modelos predominantes em outras economias. Enquanto a China construiu um sistema concentrado em grandes superaplicativos privados, como Alipay e WeChat Pay, o Brasil desenvolveu uma infraestrutura pública e aberta, operada pelo Banco Central e acessível a diferentes instituições financeiras.

BRICS e o avanço do Sul Global

Ao analisar o cenário internacional, Hsia Hua Sheng destacou também o papel crescente do BRICS diante das mudanças na economia global.

Segundo ele, a ampliação das relações comerciais entre países emergentes fortalece a multipolaridade econômica e reduz a dependência excessiva de um único centro financeiro internacional.

"O BRICS desempenha um papel fundamental na multipolaridade econômica, pois amplia as possibilidades de transações comerciais e reduz a dependência de um único país", afirmou.

A declaração dialoga com discussões cada vez mais frequentes sobre novas formas de integração financeira entre os países do Sul Global, incluindo sistemas de pagamentos mais eficientes e menos dependentes das estruturas tradicionais dominadas pelos grandes conglomerados financeiros internacionais.

Se o futuro confirmará ou não uma expansão internacional do PIX ainda é uma incógnita. Mas um fato já parece evidente: aquilo que nasceu como uma ferramenta doméstica para simplificar transferências bancárias passou a ocupar espaço no centro das disputas tecnológicas, comerciais e financeiras do século XXI. E, ao que tudo indica, Pequim está observando essa inovação brasileira com bastante interesse.

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Recibos, planilhas e investigação ampliam pressão sobre financiamento de filme sobre Bolsonaro

Documentos revelados pelo Intercept apontam remessas milionárias ligadas à produção de “Dark Horse”, enquanto PF, STF e órgãos internacionais são acionados para apurar o destino dos recursos

Documentos revelados pelo Intercept apontam remessas milionárias ligadas à produção de “Dark Horse”, enquanto PF, STF e órgãos internacionais são acionados para apurar o destino dos recursos
The Intercept Brasil - Reprodução 

Há histórias que começam nas telas de cinema e terminam nos gabinetes de investigação. O caso envolvendo o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), parece caminhar justamente por essa fronteira cada vez mais nebulosa entre entretenimento, política e finanças.

Uma nova reportagem do Intercept Brasil — Planilhas e comprovantes mostram envio de dinheiro aos EUA para produção de Dark Horse — revelou documentos que apontam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria comprometido US$ 24 milhões (R$ 134 milhões na cotação da época) para financiar a produção do filme.

Planilhas, comprovantes bancários, contratos e recibos obtidos pela publicação detalham remessas feitas aos Estados Unidos entre 2025 e 2026, além de valores já pagos e outros previstos.

Segundo a reportagem, parte dos recursos foi destinada ao Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas e controlado por Paulo Calixto, advogado ligado ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro. A documentação também sugere a existência de negociações para novos aportes além dos registros já identificados.

Leia a reportagem completa do Intercept Brasil

As revelações ampliaram a repercussão de um caso que já vinha chamando atenção das autoridades brasileiras. A Polícia Federal investiga se parte dos recursos relacionados ao filme pode ter sido utilizada para custear atividades políticas e despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A suspeita foi mencionada em representações encaminhadas ao STF.

Na última semana, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) informou ter solicitado cooperação internacional para aprofundar a apuração sobre a origem e a movimentação dos recursos. O parlamentar também acionou organismos internacionais para auxiliar no rastreamento das operações financeiras relacionadas ao projeto.

O caso chegou ao STF após pedido encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, que determinou o envio da solicitação à Procuradoria-Geral da República para manifestação sobre a eventual abertura de investigação específica envolvendo os recursos e sua destinação.

Enquanto isso, novas mensagens divulgadas pela imprensa indicam que Vorcaro teria tratado os pagamentos para o projeto cinematográfico como prioridade após cobranças feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os diálogos reforçam a existência de um acordo financeiro de grandes proporções para viabilizar a produção.

Do outro lado, Eduardo Bolsonaro nega qualquer participação na gestão dos recursos e afirma não possuir controle sobre o fundo utilizado para receber investimentos nos Estados Unidos. Segundo sua versão, sua atuação limitou-se ao apoio institucional e à aproximação entre investidores e produtores do filme.

Também os responsáveis por Dark Horse sustentam que a produção possui diversos financiadores e afirmam não ter recebido recursos diretamente de Daniel Vorcaro ou de empresas sob seu controle.

Estrelado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, conhecido mundialmente por interpretar Jesus Cristo em A Paixão de Cristo, o longa tornou-se um dos projetos cinematográficos politicamente mais controversos dos últimos anos. Além das disputas ideológicas, o caso agora envolve questionamentos sobre a origem, o destino e a finalidade de milhões de dólares movimentados entre Brasil e Estados Unidos.

À medida que novos documentos continuam surgindo e as investigações avançam, permanece a pergunta que mobiliza autoridades, parlamentares e observadores da cena política: os recursos destinados à produção de Dark Horse financiaram apenas um filme ou tiveram outros destinos?

Por enquanto, a resposta definitiva segue nas mãos de quem está investigando. Quando o inquérito for finalizado, a verdade aparecerá.

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terça-feira, 9 de junho de 2026

O ouro azul da nova economia climática mira o litoral paranaense

Com algumas das áreas costeiras mais preservadas do país, o litoral paranaense pode se beneficiar do avanço do mercado de carbono azul e da busca global por investimentos sustentáveis

Com algumas das áreas costeiras mais preservadas do país, o litoral paranaense pode se beneficiar do avanço do mercado de carbono azul e da busca global por investimentos sustentáveis

O amanhecer na Baía de Paranaguá costuma revelar uma paisagem que parece imutável. As águas calmas avançam entre ilhas, canais naturais e extensos manguezais que há séculos fazem parte da vida do litoral paranaense. Pescadores saem para mais uma jornada, aves percorrem o céu e o mangue segue silenciosamente cumprindo uma função que o mundo só agora começa a enxergar em toda a sua dimensão.

Essa riqueza natural está no centro de uma discussão que ganha força nos principais fóruns internacionais sobre clima, sustentabilidade e investimentos: o chamado carbono azul.

O conceito se refere ao carbono capturado e armazenado por ecossistemas costeiros como manguezais, marismas e pradarias marinhas. Ao absorver grandes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera, esses ambientes ajudam a reduzir os impactos das mudanças climáticas e passaram a despertar o interesse de governos, empresas e investidores em diferentes partes do planeta.

No Dia Mundial dos Oceanos, celebrado nesta semana, especialistas voltaram a destacar o papel estratégico dessas áreas. Segundo dados citados por organizações internacionais de conservação marinha, os oceanos absorvem cerca de 30% das emissões globais de CO₂ e produzem mais da metade do oxigênio disponível na Terra.

Uma oportunidade para o litoral do Paraná

Embora a maior concentração contínua de manguezais do Brasil esteja na costa amazônica, o litoral paranaense possui uma das áreas mais preservadas do país. A Baía de Paranaguá integra um complexo estuarino reconhecido pela sua biodiversidade e pela importância ambiental para toda a região Sul.

Os manguezais presentes na baía funcionam como verdadeiros reservatórios naturais de carbono. Além de capturar gases de efeito estufa, protegem a linha costeira contra erosão, servem de abrigo para inúmeras espécies e sustentam atividades econômicas ligadas à pesca, ao turismo e à navegação.

É justamente essa combinação entre preservação ambiental e potencial econômico que começa a chamar a atenção do mercado.

À medida que os mercados de carbono se desenvolvem em diversos países, cresce o interesse por projetos capazes de medir, conservar e ampliar a capacidade de captura de carbono desses ecossistemas. Em outras palavras, aquilo que durante décadas foi visto apenas como área de preservação pode se transformar também em um ativo ambiental com valor econômico reconhecido internacionalmente.

Economia azul e novos investimentos

O avanço do carbono azul está ligado ao conceito de economia azul, modelo que busca gerar riqueza a partir do uso sustentável dos recursos marinhos e costeiros.

Nesse cenário, projetos de restauração de manguezais, monitoramento ambiental, pesquisa científica, inovação tecnológica e certificação de créditos de carbono podem atrair recursos públicos e privados nos próximos anos.

Para regiões como o litoral do Paraná, isso representa uma oportunidade de diversificar a economia sem abrir mão da conservação ambiental.

Além do potencial ligado aos créditos de carbono, a preservação dos manguezais contribui diretamente para a manutenção dos estoques pesqueiros, para a proteção de comunidades costeiras contra eventos climáticos extremos e para a valorização do patrimônio natural da região.

Não por acaso, organizações ambientais e especialistas defendem que a proteção desses ecossistemas seja vista não apenas como uma questão ecológica, mas também como uma estratégia de desenvolvimento econômico de longo prazo.

Paranaguá no centro da discussão

A Baía de Paranaguá reúne características que a colocam em posição privilegiada nesse debate. Ao mesmo tempo em que abriga um dos mais importantes complexos portuários da América Latina, conserva áreas de manguezal, ilhas, comunidades tradicionais e unidades de conservação que formam um dos ecossistemas costeiros mais relevantes do país.

Essa convivência entre atividade econômica e patrimônio natural poderá ser um dos fatores decisivos para atrair futuras iniciativas ligadas ao carbono azul.

O desafio, segundo especialistas, será construir modelos que conciliem preservação ambiental, segurança jurídica, participação das comunidades locais e viabilidade econômica.

O tema ainda está em fase inicial no Brasil, mas a tendência é clara. À medida que o mundo procura soluções para reduzir emissões e financiar a transição para uma economia de baixo carbono, áreas como a Baía de Paranaguá passam a ser observadas não apenas pelo que representam para a natureza, mas também pelo valor estratégico que podem gerar para o futuro.

O mangue continua silencioso. Mas, pela primeira vez em muito tempo, o mercado internacional parece estar ouvindo o que ele tem a dizer.

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El Niño volta ao radar global e pode influenciar o clima do Brasil até 2027

INMET confirma condições favoráveis para a formação do fenômeno, enquanto projeções da NOAA apontam mais de 80% de probabilidade de consolidação ainda neste inverno

INMET confirma condições favoráveis para a formação do fenômeno, enquanto projeções da NOAA apontam mais de 80% de probabilidade de consolidação ainda neste inverno
Formação do fenômeno El Niño - Imagem: NOAA

O Pacífico está aquecendo novamente. E quando isso acontece, o mundo inteiro presta atenção. Nesta terça-feira (9), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) confirmou que as condições observadas no Oceano Pacífico Equatorial são favoráveis ao desenvolvimento de um novo episódio de El Niño, fenômeno climático capaz de alterar regimes de chuva, elevar temperaturas e intensificar eventos extremos em diversas partes do planeta.

O alerta brasileiro acompanha previsões divulgadas por centros meteorológicos internacionais, especialmente pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), que vem registrando uma rápida elevação das temperaturas da superfície do mar na região central e leste do Pacífico.

Segundo o boletim divulgado pelo INMET, um episódio de El Niño é oficialmente caracterizado quando o Índice Oceânico Niño Relativo (RONI) permanece igual ou superior a 0,5°C durante pelo menos cinco trimestres consecutivos. Com base nos dados observados em maio e nas projeções mais recentes, o instituto avalia que o primeiro período a atingir esse limiar poderá ser o trimestre abril-maio-junho.

O oceano está enviando sinais claros

Os números mais recentes divulgados pelos centros de monitoramento climático reforçam a tendência observada pelo INMET. O Centro de Previsão Climática da NOAA calcula atualmente uma probabilidade superior a 80% de o El Niño se consolidar nos próximos meses, com chances ainda maiores de permanência durante o verão do Hemisfério Sul e o início de 2027.

Os modelos meteorológicos mostram um aquecimento acelerado das águas do Pacífico Equatorial. Embora a interação completa entre oceano e atmosfera ainda esteja em fase de consolidação, especialistas observam atentamente a evolução do fenômeno, já que algumas projeções indicam anomalias superiores a 2°C acima da média histórica — patamar associado aos eventos mais intensos já registrados.

Por enquanto, os cientistas evitam cravar a intensidade final do episódio. Ainda assim, o cenário atual já é considerado suficientemente consistente para manter órgãos meteorológicos em estado de monitoramento permanente.

O que pode mudar no clima do Brasil

Embora cada episódio de El Niño tenha características próprias, existe um padrão histórico bastante conhecido pelos meteorologistas.

Na Região Sul, normalmente aumentam as chances de chuvas acima da média, temporais severos, alagamentos e enchentes. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul costumam ser os estados mais afetados pelos volumes excessivos de precipitação.

No Norte e em parte do Nordeste, a tendência costuma ser oposta. As chuvas podem ficar abaixo da média, favorecendo períodos de estiagem, redução dos níveis dos rios e aumento das temperaturas.

Já no Sudeste, o fenômeno frequentemente contribui para ondas de calor mais persistentes e intervalos mais longos sem chuva, especialmente durante o segundo semestre.

Os impactos, entretanto, dependem da intensidade que o evento alcançará nos próximos meses e também da resposta da atmosfera ao aquecimento das águas do Pacífico.

Uma preocupação que vai além da previsão do tempo

Quando o El Niño se fortalece, seus efeitos vão muito além das nuvens e dos termômetros. Agricultura, abastecimento de água, geração de energia, navegação fluvial e até os preços dos alimentos podem ser influenciados pelas mudanças provocadas pelo fenômeno.

Por isso, governos, produtores rurais, empresas do setor energético e equipes de defesa civil acompanham atentamente cada atualização dos modelos climáticos.

O próprio INMET informou que deverá divulgar nos próximos dias uma nova nota técnica detalhando a evolução das condições oceânicas e atmosféricas observadas no Pacífico Equatorial.

Enquanto isso, uma constatação já parece cada vez mais evidente: o oceano voltou a aquecer de forma consistente. E quando o Pacífico muda de comportamento, os reflexos costumam atravessar continentes inteiros.

Os próximos meses serão decisivos para confirmar a intensidade do fenômeno. Mas os sinais emitidos pelas águas do Pacífico já são suficientes para colocar meteorologistas de todo o planeta em alerta.

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