quarta-feira, 20 de maio de 2026

Sindicato dos Metalúrgicos convida secretária de Saúde de Campo Largo para debate sobre segurança no trabalho

Evento do SMC vai discutir a nova NR-1, riscos psicossociais e estratégias de prevenção no ambiente laboral

 
Sindicato dos Metalúrgicos convida secretária de Saúde de Campo Largo para debate sobre segurança no trabalho. Evento do SMC vai discutir a nova NR-1, riscos psicossociais e estratégias de prevenção no ambiente laboral

A rotina de quem trabalha em chão de fábrica, escritório, hospital ou repartição pública passa, silenciosamente, por uma transformação importante. E ela começa justamente onde muita gente não vê: na saúde mental, nos riscos ergonômicos e na responsabilidade das empresas diante do adoecimento no ambiente de trabalho.

Foi nesse contexto que a representante do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), Fernanda Queiroz, entregou nesta quarta-feira (20) à secretária municipal de Saúde de Campo Largo, Luiza Marochi Almeida, um convite oficial para participação em um seminário sobre segurança e saúde no trabalho promovido pela entidade sindical.

O documento, assinado pelo presidente do SMC, Sérgio Butka, convida a secretária para a abertura do evento “NR-1 — Norma Regulamentadora nº 1: Diretrizes Gerais de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) — Riscos Psicossociais”, marcado para o próximo dia 26 de maio, às 8h30, na sede administrativa do sindicato, em Curitiba.

Qualidade de vida no debate

A proposta do encontro vai além das discussões técnicas tradicionais. O seminário pretende reunir gestores públicos, dirigentes sindicais, integrantes de CIPA e profissionais da área de saúde e segurança do trabalho para discutir os impactos das novas exigências da NR-1 e os desafios atuais relacionados ao adoecimento físico e emocional dos trabalhadores.

Entre os pontos centrais da programação está a ampliação do olhar sobre os chamados “riscos ocupacionais”. A nova NR-1 passa a reforçar não apenas os riscos físicos, químicos e biológicos, mas também os riscos ergonômicos e psicossociais — tema que ganhou força nos últimos anos diante do aumento de casos de ansiedade, burnout, assédio e adoecimento emocional ligados ao trabalho.

O que será debatido no seminário

  • Transição do antigo PPRA para o PGR;
  • Integração entre CIPA e Programa de Gerenciamento de Riscos;
  • Prevenção ao assédio no ambiente laboral;
  • Direito de recusa em situações de risco grave;
  • Negociação coletiva voltada à saúde do trabalhador;
  • Fiscalização sindical sobre documentos de SST.

A programação inclui ainda um painel prático com estudo de caso sobre riscos ergonômicos em linhas de produção e encaminhamentos voltados à atuação sindical e institucional.

Aproximação entre sindicato e gestão pública

A entrega do convite à Secretaria de Saúde de Campo Largo simboliza também uma aproximação entre o movimento sindical e o poder público municipal em torno das discussões sobre prevenção, saúde ocupacional e qualidade de vida no trabalho.

Na imagem registrada nesta quarta-feira (20), Fernanda Queiroz (SMC) e a secretária Luiza Marochi Almeida aparecem juntas segurando o convite oficial do evento, em um gesto de articulação institucional para fortalecer o debate regional sobre segurança e saúde laboral.

Fernanda Queiroz entrega convite do SMC à Sra. Luiza, Secretária Municipal de Saúde de Campo Largo

Adversários políticos, Requião Filho e Bakri fazem apelo conjunto contra radicalização na ALEP

Vídeo gravado no plenário da Assembleia Legislativa do Paraná viraliza após deputados defenderem redução das ofensas pessoais e do clima de hostilidade entre parlamentares

 
Adversários políticos, Requião Filho e Bakri fazem apelo conjunto contra radicalização na ALEP. Vídeo gravado no plenário da Assembleia Legislativa do Paraná viraliza após deputados defenderem redução das ofensas pessoais e do clima de hostilidade entre parlamentares.

O plenário da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) viveu hoje um daqueles momentos raros em que adversários políticos resolveram apertar o freio — pelo menos por alguns minutos — na escalada de hostilidade que vem dominando o debate público brasileiro.

O gesto partiu de dois parlamentares que ocupam lados opostos do tabuleiro político estadual, mas decidiram gravar juntos um vídeo com um recado direto aos colegas: a temperatura da política paranaense chegou perto demais do limite.

De um lado, o deputado estadual e pré-candidato ao Governo do Paraná, Requião Filho (PDT). Do outro, o líder do governo Ratinho Junior na Assembleia, Hussein Bakri (PSD). O encontro aconteceu dentro do próprio plenário da Casa e rapidamente começou a circular entre grupos políticos, assessorias e bastidores de Curitiba.

“É isso que está virando a Assembleia”

A cena chamou atenção justamente pelo contraste. Em Brasília e também nas assembleias estaduais, a política brasileira atravessa um período de radicalização verbal crescente, marcado por ataques pessoais, provocações e discursos cada vez mais agressivos.

No vídeo, Requião Filho faz um exercício hipotético para demonstrar o clima que, segundo ele, começou a dominar as sessões plenárias:

“Queridos parlamentares, o governador de vocês é um vagabundo, é um lixo, bandido, assim não dá, tinha que estar preso esse canalha. Qual seria a resposta da liderança?”

A resposta de Bakri vem imediatamente — e no mesmo tom, justamente para ilustrar o desgaste do debate político:

“A minha resposta seria assim: o presidente de vocês é um lixo, canalha, ladrão, devia estar preso. É isso que está virando a Assembleia.”

Na sequência, os dois deixam o embate de lado e fazem um apelo conjunto por contenção e respeito institucional.

“Estamos chegando a um limite”

Bakri afirma que parlamentares vêm tentando “segurar um pouco o nível” das discussões. Já Requião Filho relata incômodo com o ambiente diário das sessões da ALEP.

“Nós estamos chegando a um nível que está ficando insuportável.”

O deputado relembra ainda o período em que liderou a oposição na Casa ao lado do deputado Arilson Chiorato, defendendo que era possível manter debates duros sem transformar adversários em inimigos pessoais.

“Eu sou um dos deputados com discursos mais ácidos da Casa e nunca precisei ofender pessoalmente ninguém.”

O pedido também foi direcionado ao atual presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi, citado durante a gravação.

Clima político em ebulição

Nos bastidores da ALEP, a avaliação é de que o vídeo expôs uma preocupação crescente entre parlamentares de diferentes correntes ideológicas. Nos últimos meses, temas ligados ao presidente Lula, ao ex-presidente Bolsonaro e às disputas nacionais passaram a contaminar cada vez mais o ambiente das sessões estaduais. Mas hoje pelo visto a coisa chegou a níveis insuportáveis, com a revelação do escândalo BolsoMaster.

Embora não exista, até o momento, qualquer medida formal ou mudança regimental relacionada ao episódio, deputados admitem reservadamente que a escalada de ataques pessoais começou a afetar a própria imagem institucional da Assembleia perante a população.

O episódio também ocorre num momento em que a ALEP tenta reforçar publicamente pautas administrativas, econômicas e sociais do Paraná, além de projetos voltados à transparência e políticas públicas estaduais.

Mesmo sem encerrar a polarização política, o gesto conjunto de Requião Filho e Bakri acabou produzindo uma imagem cada vez mais rara na política brasileira atual: dois adversários dividindo o mesmo vídeo para pedir menos gritaria e mais debate, mas trabalho em prol da população paranaense. Isso é que importa.

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Parlamentares do Paraná entram no centro do debate sobre o fim da escala 6x1

Deputados paranaenses assinaram emenda que desacelera proposta de redução imediata da jornada de trabalho; enquanto pesquisas recentes mostram amplo apoio popular ao fim da escala considerada exaustiva

Deputados paranaenses assinaram emenda que desacelera proposta de redução imediata da jornada de trabalho; enquanto pesquisas recentes mostram amplo apoio popular ao fim da escala considerada exaustiva. Parlamentares do Paraná entram no centro do debate sobre o fim da escala 6x1.

O debate sobre o fim da escala 6x1 deixou de ser apenas uma pauta sindical e passou a ocupar o centro da política brasileira. Em Curitiba, nas cidades da Região Metropolitana e nos corredores do comércio, das fábricas, dos supermercados e dos aplicativos, a discussão já virou conversa diária entre trabalhadores cansados de jornadas que consomem praticamente toda a semana.

A proposta em discussão no Congresso prevê redução da jornada semanal para 40 horas, sem redução salarial, ampliando o descanso dos trabalhadores brasileiros. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, já declarou apoio ao avanço do tema, enquanto o governo federal também sinaliza favoravelmente ao debate.

Mas parte da bancada do Paraná assinou uma emenda alternativa que prevê transição gradual e flexibilizações criticadas por movimentos trabalhistas, sindicatos e entidades ligadas aos direitos dos trabalhadores.

Veja quais parlamentares paranaenses aderiram à proposta alternativa:

Tião Medeiros — PP

Assinou proposta que prevê transição gradual para o fim da escala 6x1, em vez da implementação imediata defendida por movimentos trabalhistas.

Toninho Wandscheer — PP

Apoiou a emenda que flexibiliza o cronograma de redução da jornada semanal.

Padovani — PP

Está entre os deputados que aderiram ao texto alternativo apresentado na Câmara.

Dilceu Sperafico — PP

Assinou a proposta que altera o formato original da PEC do fim da 6x1.

Luisa Canziani — União Brasil

Integra o grupo de parlamentares favoráveis à transição gradual da mudança trabalhista.

Geraldo Mendes — União Brasil

Apoiou a emenda que prevê implementação mais lenta da redução da jornada.

Paulo Litro — União Brasil

Também assinou o texto alternativo discutido no Congresso.

Vermelho — PL

Está entre os deputados que apoiaram flexibilizações consideradas favoráveis ao setor patronal.

Sargento Fahur — PL

Assinou proposta que modifica o cronograma de implantação do fim da escala 6x1.

Luiz Carlos Hauly — Podemos

Apoiou a emenda alternativa apresentada durante o debate da PEC.

Felipe Francischini — Podemos

Integra a lista de deputados paranaenses que aderiram à proposta de flexibilização.

Luiz Nishimori — PSD

Assinou o texto que prevê mudanças graduais na redução da jornada.

Beto Richa — PSDB

Também aparece entre os apoiadores da proposta alternativa ao texto original.

Pedro Lupion — Republicanos

Apoiou emenda que amplia o período de transição para mudanças na jornada semanal.

Sergio Souza — MDB

Integra o grupo de deputados que assinaram o texto alternativo à PEC do fim da 6x1.

Pesquisas mostram amplo apoio popular ao fim da jornada 6x1

Os números mais recentes indicam que a maioria da população brasileira apoia mudanças imediatas na jornada de trabalho.

Pesquisa Datafolha divulgada recentemente apontou que 71% dos brasileiros defendem a redução da jornada semanal.

Outro levantamento, realizado pela Nexus, mostrou que 73% da população apoia o fim da escala 6x1 desde que não haja redução salarial.

Já pesquisa da Real Time Big Data revelou apoio próximo de três quartos dos brasileiros à mudança da jornada semanal.

Outro dado chamou atenção no meio político: levantamento da Nexus mostrou que 44% dos brasileiros afirmam que têm menos chance de votar em candidatos que se posicionem contra o fim da escala 6x1.

Na prática, o tema começa a ganhar forte peso eleitoral. Com o apoio popular crescendo mês após mês, parlamentares que se colocam contra a redução imediata da jornada passam a enfrentar desgaste político crescente, especialmente entre trabalhadores urbanos, jovens e categorias submetidas às rotinas mais exaustivas do mercado brasileiro.

Em Brasília, nos bastidores do Congresso, já há quem considere que enfrentar o avanço do movimento pelo fim da escala 6x1 pode se transformar, politicamente, em um risco alto demais — quase um suicídio eleitoral diante de uma pauta que ganha apoio popular de forma cada vez mais acelerada.

Desde já o Sulpost abre espaço para que os parlamentares acima citados se manifestem, se assim o desejarem. Somos um veículo apartidário, independe e progressista, franqueamos nosso espaço a todos que quiserem se manifestar de forma democrática e cidadã. 

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STF reativa publicação de Zeca Dirceu e Gilmar Mendes reforça inelegibilidade de Deltan Dallagnol

Ministro do Supremo entendeu que deputado do PT divulgou informações de interesse público e afastou acusação de desinformação feita pelo partido Novo

 
Deputado Zeca Dirceu (PT) - Assessoria/Divulgação

O embate político e jurídico envolvendo o deputado federal licenciado Deltan Dallagnol (Novo) voltou ao centro do debate nacional nesta terça-feira (19), após uma nova decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). O magistrado determinou a reativação de uma publicação feita nas redes sociais pelo deputado federal Zeca Dirceu (PT), na qual o parlamentar afirmava que Dallagnol permanece inelegível.

Para Zeca Dirceu, a decisão do Supremo representa uma confirmação clara da situação eleitoral do ex-procurador da Lava Jato. “Dallagnol está inelegível para a eleição de outubro e tenta censurar jornalistas ou quem divulga sua condição de inelegibilidade”, afirmou o deputado. Segundo ele, o ex-parlamentar deveria “se recolher em casa e não atrapalhar ou confundir os paranaenses na escolha dos seus representantes no Congresso Nacional”.

Gilmar Mendes rejeita acusação de desinformação

O caso chegou ao STF depois que o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) determinou a retirada da postagem publicada por Zeca Dirceu, atendendo a um pedido do partido Novo, legenda de Dallagnol. Na avaliação do TRE, o conteúdo poderia configurar desinformação e propaganda eleitoral negativa antecipada.

Gilmar Mendes, porém, teve entendimento oposto. Na decisão, o ministro destacou que o parlamentar petista se manifestou com base em informações públicas e decisões já consolidadas pela Justiça Eleitoral.

“Não houve a veiculação de qualquer informação falsa ou duvidosa”, escreveu o ministro do STF.

Segundo Gilmar Mendes, o Tribunal Superior Eleitoral já reconheceu a inelegibilidade de Deltan Dallagnol pelo prazo de oito anos, contados a partir do pedido de exoneração apresentado pelo ex-procurador antes de deixar o Ministério Público Federal.

O ministro ainda observou que o fato de Dallagnol discordar da interpretação não transforma a publicação em desinformação. Para ele, a manifestação de Zeca Dirceu está diretamente amparada em decisão transitada em julgado do próprio TSE.

Referência ao caso dos R$ 2 bilhões

Outro trecho analisado pelo STF envolveu a afirmação de Zeca Dirceu de que Dallagnol teria sido “pego tentando desviar R$ 2 bilhões de recursos públicos”. A declaração faz referência ao episódio envolvendo a tentativa de criação de uma fundação privada abastecida com recursos oriundos de acordos firmados pela força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

Na decisão, Gilmar Mendes relembrou críticas já feitas à atuação da operação Lava Jato e citou a existência de um “conúbio” entre investigadores, procuradores e o então juiz Sergio Moro. O ministro também mencionou a correição extraordinária realizada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na 13ª Vara Federal de Curitiba.

Segundo ele, a fala de Zeca Dirceu se baseia em documentos públicos e relatórios oficiais produzidos durante as investigações administrativas relacionadas à atuação da força-tarefa.

“Também aqui não há qualquer espécie de desinformação. Pelo contrário, trata-se de manifestação legítima baseada em documentos públicos”, afirmou Gilmar Mendes.

Liberdade de debate político

Ao final da decisão, o ministro do STF reforçou que temas ligados à elegibilidade de candidatos e à atuação de figuras públicas fazem parte do debate democrático e não podem ser alvo de censura prévia.

Para Gilmar Mendes, o caminho adequado em uma democracia é o contraponto público de ideias, não a retirada compulsória de conteúdos políticos das redes sociais.

“Em uma sociedade democrática, a verdade e a razão só podem ser obtidas se a todos for atribuído o direito de demonstrar e debater, racionalmente, o seu ponto de vista sem interferências estatais indevidas”, concluiu o ministro.
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Hantavirus, ebola ... a Terra aquece — e os microrganismos respondem

Cientistas alertam que mudanças climáticas não estão apenas intensificando secas, enchentes e ondas de calor: elas também estão favorecendo a mutação, expansão e fortalecimento de vírus, bactérias e fungos perigosos à saúde humana

 
Hantavirus, ebola ... a Terra aquece — e os microrganismos respondem. Cientistas alertam que mudanças climáticas não estão apenas intensificando secas, enchentes e ondas de calor: elas também estão favorecendo a mutação, expansão e fortalecimento de vírus, bactérias e fungos perigosos à saúde humana
Imagem meramente ilustrativa

Enquanto o mundo acompanha incêndios florestais fora de controle, enchentes históricas, deslizamentos traiçoeiros e ondas de calor cada vez mais sufocantes, uma ameaça menos visível avança silenciosamente pelos ecossistemas da Terra.

A ameaça não aparece no horizonte como fumaça. Não derruba pontes nem arrasta carros pelas ruas. Mas tem preocupado profundamente cientistas, infectologistas e organismos internacionais de saúde. O aquecimento global está alterando diretamente o comportamento de microrganismos nocivos — incluindo vírus, bactérias, fungos e parasitas capazes de provocar epidemias cada vez mais difíceis de controlar.

A relação entre clima e doenças infecciosas deixou de ser uma hipótese distante da ciência. Hoje, ela aparece em relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS), do CDC dos Estados Unidos, do Ministério da Saúde do Brasil e em estudos publicados por revistas científicas como NatureBritish Medical Journal (BMJ) e plataformas acadêmicas internacionais ligadas ao National Center for Biotechnology Information (NCBI).

Não se trata de sensacionalismo, o alerta é claro: o planeta não está apenas ficando mais quente. Está ficando biologicamente mais instável.

O calor favorece superbactérias e acelera resistência

Pesquisadores vêm observando que temperaturas mais elevadas aceleram o crescimento bacteriano e facilitam a troca de genes ligados à resistência antimicrobiana. Na prática, isso significa que superbactérias podem evoluir e se espalhar mais rapidamente em um planeta aquecido.

Estudos científicos indicam que ambientes submetidos a calor extremo, enchentes, alterações no uso da terra e degradação ambiental criam condições ideais para a proliferação de microrganismos patogênicos.

A preocupação é global. A resistência bacteriana já é considerada por especialistas uma das maiores ameaças sanitárias do século XXI. E as mudanças climáticas passaram a ser vistas como um acelerador desse processo.

Vírus encontram novas rotas de transmissão

O clima também interfere diretamente na circulação de vírus entre espécies. Secas severas, queimadas e desmatamento estão empurrando animais silvestres para mais perto das cidades e áreas agrícolas. Morcegos, roedores e insetos transmissores acabam dividindo território com humanos de maneira cada vez mais intensa.

É justamente nesse contato ampliado que surgem os chamados eventos de spillover — quando um vírus consegue “saltar” de um animal para uma pessoa.

Pesquisas publicadas na revista Nature Communications demonstraram que o aquecimento global aumenta a probabilidade de transmissão viral entre espécies diferentes, ampliando o risco de futuras zoonoses. Em outras palavras: o desequilíbrio ambiental cria atalhos biológicos para novas epidemias.

Hantavírus entra no radar internacional

Em 2026, uma das doenças que mais preocupa autoridades sanitárias nas Américas é o hantavírus. Transmitida principalmente por roedores silvestres, a doença pode causar uma síndrome pulmonar grave e altamente letal.

Especialistas relacionam diretamente o avanço recente dos casos às alterações climáticas e ambientais. Secas prolongadas e degradação de habitats naturais vêm deslocando populações de ratos silvestres para áreas agrícolas e centros urbanos, aumentando o contato humano com fezes e urina contaminadas.

Na Argentina, os casos praticamente dobraram em relação ao período anterior, chegando a mais de 100 registros na temporada iniciada em 2025. O alerta internacional aumentou após um raro surto da variante Andes ocorrer a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, situação monitorada pela OMS e pelo CDC norte-americano. A cepa preocupa especialmente porque possui capacidade de transmissão entre humanos — algo incomum em hantavírus.

No Brasil, o Ministério da Saúde e secretarias estaduais confirmaram casos isolados e mortes por hantavirose em estados como Minas Gerais. Até o momento, autoridades sanitárias afirmam que a variante andina ainda não apresenta disseminação comunitária em território brasileiro.

Ebola volta ao centro das preocupações globais

Na África Central, outro sinal de alerta voltou a soar com força em 2026. O atual surto de Ebola na República Democrática do Congo e em Uganda recolocou a doença entre as maiores emergências sanitárias do mundo.

A OMS acompanha com preocupação a circulação da cepa Bundibugyo, considerada rara e altamente letal. Especialistas afirmam que eventos climáticos extremos e o avanço do desmatamento vêm alterando o comportamento de morcegos frugívoros — hospedeiros naturais do vírus Ebola.

Sem alimento suficiente em áreas degradadas, esses animais passam a buscar frutas e abrigo próximos de vilarejos e plantações humanas, aumentando drasticamente o risco de transmissão. Relatórios internacionais apontam que as mudanças climáticas estão reduzindo a capacidade global de resposta a epidemias, tornando surtos mais frequentes, rápidos e difíceis de conter.

O gelo derrete — e antigos microrganismos despertam

Outra preocupação crescente vem das regiões congeladas do planeta. O degelo acelerado do Ártico e de áreas permanentemente congeladas da Sibéria está expondo microrganismos preservados há milhares de anos no permafrost — a camada profunda de solo congelado.

Embora muitos desses organismos sejam inofensivos, cientistas alertam que alguns vírus e bactérias antigos podem permanecer viáveis mesmo após longos períodos congelados. O tema ainda está sob investigação, mas já entrou definitivamente no radar da comunidade científica internacional.

Dengue, malária e doenças tropicais avançam

As mudanças climáticas também ampliam áreas favoráveis à proliferação de mosquitos transmissores. Com temperaturas mais altas e chuvas irregulares, doenças como dengue, chikungunya, febre amarela e malária encontram condições ideais para expansão geográfica.

Regiões antes frias demais para determinados vetores começam a registrar presença crescente de mosquitos, inclusive em áreas urbanas. No Brasil, pesquisadores da Fiocruz já observam alterações no comportamento sazonal da dengue, com períodos de transmissão mais longos e intensos.

O Brasil tenta se antecipar ao próximo grande risco sanitário

Depois da pandemia de Covid-19, o governo federal passou a tratar emergências climáticas e riscos epidemiológicos com muito mais atenção. Dentro do Ministério da Saúde, a percepção é clara: a Covid deixou cicatrizes profundas, mas também ensinou lições duras sobre preparação, vigilância e resposta rápida.

Hoje, o país mantém estruturas específicas voltadas ao monitoramento de crises climáticas com impacto direto na saúde pública. Entre elas está a Sala Nacional de Emergências Climáticas em Saúde, criada para acompanhar secas extremas, enchentes, queimadas, ondas de calor e possíveis consequências epidemiológicas associadas ao avanço das mudanças climáticas.

A estrutura atua integrada ao SUS, à Fiocruz, à Defesa Civil e a sistemas estaduais de vigilância sanitária. Na prática, funciona como uma central permanente de prevenção, monitoramento e resposta rápida.

O próprio Ministério da Saúde reconhece oficialmente que mudanças climáticas, urbanização desordenada e degradação ambiental aumentam o risco de surtos e emergências sanitárias em todo o mundo.

Também ganhou força nos últimos anos a estratégia AdaptaSUS, integrada ao Plano Clima federal, que busca preparar o sistema público de saúde para cenários envolvendo calor extremo, doenças infecciosas emergentes, poluição atmosférica e desastres ambientais.

Um planeta biologicamente desequilibrado

Durante décadas, o debate climático foi tratado principalmente como um problema ambiental. Hoje, ele também passou a ser uma questão de segurança sanitária global. O que está em jogo não é apenas o aumento da temperatura média da Terra. É o desequilíbrio profundo das relações entre seres humanos, animais, ecossistemas e microrganismos.

Em um mundo superaquecido, vírus encontram novas rotas. Bactérias evoluem mais rápido. Vetores se expandem. Doenças reaparecem onde antes estavam controladas. E talvez a parte mais inquietante seja justamente essa: muitas das ameaças que podem definir as próximas décadas ainda são invisíveis para a maior parte da população. Mas elas já estão se movendo.

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terça-feira, 19 de maio de 2026

Governo anuncia financiamento com juros reduzidos para taxistas e motoristas de aplicativo

Programa divulgado aos paranaenses por Gleisi Hoffmann prevê crédito de até R$ 150 mil, prazo de 72 meses e carência de seis meses para começar a pagar

 
Governo anuncia financiamento com juros reduzidos para taxistas e motoristas de aplicativo. Programa divulgado aos paranaenses por Gleisi Hoffmann prevê crédito de até R$ 150 mil, prazo de 72 meses e carência de seis meses para começar a pagar.

O motorista olha o marcador de combustível cair enquanto o celular toca com mais uma corrida. Entre parcelas, manutenção e o preço alto dos carros, muita gente que vive dos aplicativos acabou presa ao aluguel de veículos ou trabalhando no limite das contas. Foi mirando essa realidade que o governo federal anunciou um novo pacote voltado a taxistas e motoristas de aplicativo.

Crédito para renovar a frota

A ex-ministra das Relações Institucionais e Deputada Federal, Gleisi Hoffmann (PT-PR), divulgou nas redes sociais detalhes do programa lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para facilitar a renovação da frota desses trabalhadores.

“O programa oferece financiamento de até 150 mil reais com juros de 0,99% ao mês, prazo de até 72 meses para pagar e carência de seis meses para começar”, afirmou Gleisi no vídeo publicado nesta terça-feira.

Segundo ela, mulheres motoristas terão condições ainda mais vantajosas, com juros reduzidos. A proposta prevê crédito subsidiado para compra de veículos novos ou troca do carro utilizado no trabalho. O governo quer reduzir a dependência de carros alugados, uma realidade comum entre motoristas de aplicativo nas grandes cidades brasileiras.

Rotina pesada nas ruas

Na prática, as condições anunciadas chamaram atenção por ficarem abaixo das taxas normalmente cobradas em financiamentos convencionais. Hoje, muitos motoristas enfrentam juros elevados justamente por dependerem do carro como ferramenta principal de renda.

Gleisi também procurou aproximar o discurso da rotina diária da categoria.

“Quem passa o dia inteiro nas ruas, trabalhando duro para garantir o sustento da família, merece dirigir com mais conforto, segurança e dignidade.”

Taxistas também foram contemplados

No vídeo, a ministra lembrou ainda outra medida sancionada recentemente pelo governo federal: o direito de transferência hereditária das licenças de táxi, uma reivindicação antiga da categoria.

Está tudo certo, mas ainda faltam detalhes importantes sobre o funcionamento do programa, como critérios de aprovação, bancos participantes, exigência de entrada e data oficial para início dos financiamentos. Mais informações devem ser divulgadas nos próximos dias pelos canais oficiais do governo federal.

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PF investiga perito da própria corporação por vazamento no caso Banco Master

Operação autorizada pelo STF expõe tensão interna na Polícia Federal enquanto investigação sobre o Banco Master avança sobre figuras do alto escalão

 
PF investiga perito da própria corporação por vazamento no caso Banco Master. Operação autorizada pelo STF expõe tensão interna na Polícia Federal enquanto investigação sobre o Banco Master avança sobre figuras do alto escalão.
Imagem meramente ilustrativa - Sulpost 

Brasília tem amanhecido sob o clima de grandes operações federais: corredores silenciosos, movimentações discretas e um peso institucional difícil de esconder. Mas, desta vez, o escopo da operação não estava do lado de fora.

Na manhã desta terça-feira (19), a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero tendo como alvo um perito criminal da própria corporação, suspeito de vazar informações sigilosas relacionadas às investigações sobre o Banco Master.

O caso rapidamente ganhou repercussão nos bastidores políticos e jurídicos porque envolve algo extremamente sensível dentro de qualquer investigação: o vazamento de dados protegidos por sigilo funcional.

Operação autorizada pelo STF

A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, além do afastamento imediato do servidor de suas funções. O investigado também ficará submetido a medidas cautelares, como a proibição de manter contato com outros envolvidos e de deixar a comarca onde reside.

Segundo informações divulgadas pelo STF, o perito teria repassado a jornalistas materiais sigilosos produzidos a partir da análise de apreensões feitas nas primeiras fases da Operação Compliance Zero. A decisão judicial segue sob sigilo.

Os bastidores da Compliance Zero

O que começou como uma investigação sobre possíveis fraudes financeiras ligadas ao Banco Master acabou se transformando numa operação de grandes proporções, atravessando o sistema financeiro, setores políticos e até estruturas internas do próprio Estado.

Ao longo dos últimos meses, a Compliance Zero passou a investigar suspeitas de lavagem de dinheiro, relações consideradas impróprias entre empresários e agentes públicos, além de possíveis acessos indevidos a informações sensíveis. Nos bastidores de Brasília, o episódio desta terça-feira é visto como especialmente delicado porque expõe um cenário raro: investigadores investigando integrantes da própria Polícia Federal.

Segundo reportagens publicadas pela imprensa nacional, os vazamentos investigados teriam relação com documentos e informações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, além de possíveis conexões com autoridades de alto escalão.

Liberdade de imprensa preservada

Diante da repercussão do caso, o Supremo Tribunal Federal fez questão de enfatizar que a investigação não tem como alvo jornalistas nem veículos de comunicação.

Em nota, a Corte afirmou que as medidas adotadas “não implicam qualquer direcionamento investigativo contra jornalistas ou veículos de imprensa”, reforçando a proteção constitucional ao sigilo da fonte e à liberdade de atuação jornalística.

O tema é considerado sensível porque envolve uma linha delicada entre o dever de sigilo de agentes públicos e o direito da imprensa de divulgar informações de interesse público.

R$ 27 bilhões bloqueados

A Operação Compliance Zero completou seis meses nesta semana acumulando números impressionantes. Até agora, segundo dados oficiais, já foram realizadas 21 prisões, cumpridos 116 mandados de busca e apreensão e bloqueados mais de R$ 27 bilhões em bens e valores.

As investigações seguem em andamento e ainda podem atingir novos nomes ligados ao sistema financeiro, ao setor público e aos bastidores políticos de Brasília.

Dentro da própria Polícia Federal, o episódio também produz um desgaste institucional inevitável. Quando uma corporação especializada em investigar corrupção e crime organizado precisa voltar seus olhos para dentro de casa, o impacto deixa de ser apenas jurídico. Ele passa a ser também político, simbólico e profundamente institucional.

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Saneamento avança no Paraná com quase R$ 800 milhões em investimentos federais

Obras de água e esgoto anunciadas pelo governo Lula devem alcançar 24 municípios paranaenses, incluindo regiões onde a infraestrutura básica ainda chega lentamente

Saneamento avança no Paraná com quase R$ 800 milhões em investimentos federais. Obras de água e esgoto anunciadas pelo governo Lula devem alcançar 24 municípios paranaenses, incluindo regiões onde a infraestrutura básica ainda chega lentamente

Debaixo das ruas, longe das câmeras e quase sempre sem cerimônia de inauguração, existe um tipo de obra que muda a vida das pessoas em silêncio. Tubulações de água. Redes de esgoto. Reservatórios. Sistemas que raramente aparecem no horário eleitoral ou viram cartão-postal de gestão pública — justamente porque ficam enterrados.

Mas é ali, sob o concreto das cidades, que uma parte importante da dignidade humana começa. Enquanto grandes obras viárias costumam dominar o debate político, bairros periféricos e municípios menores ainda convivem com problemas antigos de saneamento básico. Em algumas regiões, a expansão urbana chegou muito antes da infraestrutura. Em outras, o esgoto tratado ainda avança em ritmo lento, apesar dos bons indicadores médios do Paraná.

Agora, o governo federal anunciou uma nova rodada de investimentos que pretende acelerar esse cenário.

R$ 800 milhões para água e esgoto

O Ministério das Cidades, do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, confirmou quase R$ 800 milhões em obras de abastecimento de água e saneamento para 24 municípios paranaenses. Entre as cidades contempladas estão Londrina, Foz do Iguaçu e Curitiba, além de municípios menores que normalmente aparecem menos nas grandes agendas estaduais de infraestrutura.

Os recursos serão destinados à ampliação de redes de esgoto, sistemas de abastecimento de água e projetos ligados à chamada segurança hídrica — estratégia voltada à garantia de fornecimento regular de água para a população.

A deputada federal e ex-ministra Gleisi Hoffmann acompanhou parte das agendas ao lado do secretário nacional de abastecimento de água do Ministério das Cidades, Márcio Galvão. Em vídeo publicado nas redes sociais, Gleisi afirmou que os contratos assinados beneficiam diretamente o Paraná:

“Ele veio aqui para fechar contratos importantes que envolvem 24 municípios e quase 800 milhões de reais, beneficiando o Paraná.”

Ao lado da parlamentar, o secretário destacou que os investimentos buscam ampliar a segurança hídrica e cumprir metas nacionais de universalização do saneamento.

“Vamos trazer segurança hídrica para a população do Paraná. Alguns investimentos também em saneamento. Estamos trabalhando para cumprir a meta da universalização.”

Obras invisíveis — mas essenciais

Existe uma razão pela qual obras de saneamento costumam atravessar mandatos inteiros quase sem repercussão popular: elas dificilmente aparecem prontas aos olhos da população. Não há grandes estruturas elevadas, iluminação cênica ou impacto visual imediato. O trabalho acontece embaixo da terra, muitas vezes em regiões afastadas do centro político e econômico das cidades. Ainda assim, especialistas apontam que poucas áreas têm efeito tão direto sobre a qualidade de vida.

Saneamento significa menos doenças, menos contaminação de rios, redução de internações, melhoria da saúde pública e mais dignidade para comunidades historicamente esquecidas pelos ciclos tradicionais de investimento.

No Paraná, embora os índices estaduais estejam entre os melhores do país, o avanço da infraestrutura não ocorreu da mesma forma em todas as regiões. Há municípios onde a coleta e o tratamento de esgoto seguem avançando lentamente, especialmente em áreas periféricas e cidades menores que cresceram sem o mesmo ritmo de investimentos observado nos grandes centros.

Disputa política e investimentos federais

Os novos anúncios também reforçam a presença do governo Lula em uma área considerada estratégica para os próximos anos. Durante a agenda no Paraná, Gleisi Hoffmann agradeceu ao governo federal e afirmou que a ampliação dos recursos do FGTS tem permitido novos investimentos em habitação e saneamento.

“O presidente Lula tem proporcionado esses investimentos e destinado mais recursos do FGTS para esse tipo de aporte.”

No fim, são obras que talvez nunca ganhem o destaque de uma ponte ou de uma rodovia recém-inaugurada. Mas aparecem no cotidiano.

Surgem na água que chega à torneira. No rio que deixa de receber esgoto. Na criança que adoece menos. Na diferença silenciosa entre viver com infraestrutura básica — ou sem ela.

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Elon Musk perdeu o timing e batalha contra a OpenAI termina em derrota bilionária — o caminho para um dos maiores IPOs da história foi aberto

Júri nos EUA rejeita ação de US$ 150 bilhões movida por Musk contra a empresa que ele ajudou a criar. Nos bastidores do Vale do Silício, disputa é vista como mistura de guerra ideológica, rivalidade empresarial e marketing de alto impacto

 
Elon Musk perdeu o timing e batalha contra a OpenAI termina em derrota bilionária — o caminho para um dos maiores IPOs da história foi aberto. Júri nos EUA rejeita ação de US$ 150 bilhões movida por Musk contra a empresa que ele ajudou a criar. Nos bastidores do Vale do Silício, disputa é vista como mistura de guerra ideológica, rivalidade empresarial e marketingElon Musk perdeu o timing e batalha contra a OpenAI termina em derrota bilionária — o caminho para um dos maiores IPOs da história foi aberto  de alto impacto
Elon Musk e Sam Altman - Imagem gerada por IA

O tribunal ouviu durante semanas uma das disputas mais explosivas da história recente da tecnologia. De um lado, Elon Musk — o homem mais rico do planeta, fundador da Tesla, SpaceX e dono da rede X. Do outro, Sam Altman e a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT e hoje uma das organizações mais poderosas do mundo da inteligência artificial.

Mas no fim das contas, o julgamento terminou de forma quase anticlimática: Musk perdeu não porque o júri tenha concluído que ele estava completamente errado, mas porque demorou demais para entrar com a ação.

A decisão saiu nesta segunda-feira (18), na Califórnia. Em menos de duas horas de deliberação, os jurados rejeitaram o processo bilionário movido pelo empresário contra a OpenAI, Sam Altman, Greg Brockman e até a Microsoft.

A alegação de Musk era pesada: segundo ele, a OpenAI teria “roubado uma instituição beneficente”, abandonando sua missão original de desenvolver inteligência artificial para o bem da humanidade e se transformando numa máquina privada de bilhões de dólares. Só que havia um problema jurídico difícil de contornar: o relógio.

O homem mais rico do mundo perdeu o prazo

O júri concluiu que Musk deixou passar o tempo legal necessário para apresentar a ação. Em termos simples: a Justiça entendeu que ele já sabia — ou deveria saber — há anos sobre as mudanças na OpenAI.

Especialistas lembraram durante o julgamento que Musk começou a criticar publicamente a empresa ainda em 2020, mas só formalizou o processo em 2024, quando a OpenAI já havia se tornado uma gigante global avaliada em centenas de bilhões de dólares.

Na prática, o mérito da acusação nem chegou a ser julgado profundamente. O tribunal basicamente decidiu que a discussão chegou tarde demais à Justiça. Mesmo assim, Musk reagiu com fúria.

Horas após a derrota, ele publicou uma sequência de mensagens na rede X afirmando que o tribunal não avaliou “o coração do caso”, apenas uma “questão técnica de calendário”.

Segundo Musk, Sam Altman e Greg Brockman enriqueceram usando uma estrutura criada originalmente como organização sem fins lucrativos.

“Eles roubaram uma caridade”, escreveu o bilionário.

O empresário também atacou a juíza responsável pelo caso, Yvonne Gonzalez Rogers, chamando-a de “juíza ativista de Oakland”.

Como a OpenAI virou um império

Para entender por que a disputa ficou tão gigantesca, é preciso voltar ao começo. A OpenAI nasceu em 2015 como um laboratório de pesquisa em inteligência artificial sem fins lucrativos. Elon Musk estava entre os fundadores e primeiros financiadores do projeto.

A proposta parecia quase idealista para os padrões do Vale do Silício: desenvolver IA avançada sem concentrar poder econômico em poucas empresas.

Mas o cenário mudou rapidamente. Depois da saída de Musk, em 2018, Sam Altman iniciou uma transformação estrutural que permitiu à OpenAI captar investimentos privados gigantescos — especialmente da Microsoft. Foi essa guinada que Musk passou a chamar de “traição da missão original”.

Nos anos seguintes, o ChatGPT explodiu mundialmente. A OpenAI virou peça central da corrida global da inteligência artificial, levantando bilhões para construir data centers, desenvolver chips e disputar espaço com Google, Meta e Anthropic.

Agora, com a derrota judicial de Musk, o caminho ficou praticamente livre para um possível IPO — a abertura de capital na Bolsa — que pode entrar para a história como uma das maiores já registradas no setor de tecnologia.

Contradição difícil de ignorar

Durante o julgamento, os advogados da OpenAI apresentaram documentos mostrando que o próprio Musk defendia mudanças parecidas anos atrás. Segundo os registros revelados no tribunal, o bilionário tentou transformar a OpenAI numa empresa com fins lucrativos ainda em 2017. Em determinado momento, chegou até a cogitar incorporar a organização à Tesla.

Isso enfraqueceu parte do discurso apresentado pela defesa do empresário. A OpenAI argumentou que Musk só passou a atacar o modelo empresarial depois que perdeu espaço dentro da companhia — e depois que o ChatGPT virou um fenômeno mundial sem ele.

Nos bastidores, a suspeita de uma guerra de mercado

Embora Musk continue insistindo que sua motivação é ética, muita gente no Vale do Silício acredita que o processo também teve um componente estratégico. Hoje o empresário controla a xAI, dona do chatbot Grok, concorrente direto do ChatGPT.

Nos bastidores da indústria, executivos e analistas enxergam a ação judicial como uma tentativa de desacelerar a OpenAI justamente no momento em que ela se preparava para abrir capital e consolidar domínio sobre o mercado de inteligência artificial.

O investidor Ross Gerber, que acompanha empresas ligadas a Musk há anos, classificou o processo como um “ataque movido pelo ego” e uma tentativa de “distrair e assediar” Sam Altman.

Outros observadores foram mais cautelosos. Alguns afirmam que, apesar da derrota, Musk conseguiu levantar uma discussão legítima: até que ponto uma organização criada sob discurso humanitário pode virar uma superpotência privada bilionária? Essa pergunta continuou ecoando, nos corredores do tribunal e nas ruas, mesmo após o veredito.

A guerra continua

A derrota judicial não significa que a disputa acabou. Os advogados de Musk confirmaram imediatamente que irão recorrer. E o próprio empresário deixou claro que não pretende abandonar o confronto.

Nos bastidores do julgamento, mensagens reveladas em tribunal mostraram o nível da deterioração pessoal entre Musk, Altman e Greg Brockman. Em uma delas, Musk chegou a escrever que os dois poderiam se tornar “os homens mais odiados da América”.

Ao mesmo tempo, ao que tudo indica, fato é que a OpenAI saiu fortalecida. A empresa preservou sua estrutura atual, manteve o apoio da Microsoft e ganhou tempo para continuar crescendo numa corrida tecnológica que movimenta trilhões de dólares.

No fim, a batalha judicial acabou deixando uma imagem quase simbólica do novo Vale do Silício: antigos aliados transformados em rivais bilionários, discutindo ética enquanto disputam o controle da tecnologia mais poderosa do século.

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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Ateliês de Nise da Silveira completam 80 anos e seguem transformando vidas pela arte e pelo cuidado

Experiência criada em 1946 revolucionou a saúde mental no Brasil ao substituir práticas violentas por acolhimento, expressão artística e dignidade humana

Experiência criada em 1946, por Nise da Silveira, revolucionou saúde mental no Brasil, trocando práticas violentas por expressão artística e dignidade
Ateliê do Museu de Imagens do Inconsciente - Divulgação - Museu de Imagens do Inconsciente

Há lugares onde a arte não nasce apenas da inspiração. Ela brota da sobrevivência. Vive e se atualiza na resistência.

Em uma sala silenciosa no bairro Engenho de Dentro, na zona norte do Rio de Janeiro, pincéis continuam deslizando sobre telas enquanto mãos moldam barro, bordam memórias e reinventam existências. O espaço parece simples à primeira vista, mas carrega uma das experiências mais revolucionárias da história da psiquiatria brasileira.

Neste 18 de maio, os ateliês terapêuticos criados pela médica psiquiatra Nise da Silveira completam 80 anos.

O aniversário marca não apenas a longevidade de um projeto pioneiro, mas a permanência de uma ideia que atravessou décadas enfrentando preconceitos, manicômios e tratamentos violentos: a noção de que pessoas em sofrimento psíquico precisam, antes de tudo, de escuta, dignidade e afeto.

A arte contra o silêncio dos manicômios

Criados em 1946, os ateliês surgiram como alternativa aos métodos considerados padrão na época — eletrochoques, isolamento e lobotomia. Enquanto boa parte da psiquiatria apostava na repressão da subjetividade, Nise fazia o caminho oposto: oferecia liberdade criativa.

Hoje, os espaços integram o Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro, considerado referência internacional em arteterapia e saúde mental. Ali está guardado o maior acervo do mundo do gênero: mais de 400 mil obras produzidas por pacientes ao longo de décadas. Desse total, 128 mil foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Quando a arte fala o que a dor não consegue dizer

Os ateliês seguem funcionando diariamente e atualmente atendem dezenas de pessoas encaminhadas pelo SUS, pelos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e por clínicas da família.

Dentro do método criado por Nise, ninguém é tratado apenas como paciente. Ela preferia chamá-los de “clientes”, numa tentativa de romper com a lógica manicomial tradicional que colocava pessoas em sofrimento psíquico em posição passiva diante do tratamento.

Hoje, sete atividades seguem ativas: pintura, cerâmica, teatro, ritmologia, corpo e movimento, atividades plásticas e rodas voltadas às questões femininas.

Segundo disse a psicóloga Adriana Lemos, coordenadora dos ateliês, à Agência Brasil, a arte muitas vezes alcança aquilo que a linguagem verbal não consegue expressar.

“O sofrimento não é apenas psíquico. Existe também toda uma vulnerabilidade social.”

Ela relata que alguns frequentadores conseguiram retomar vínculos familiares, ampliar autonomia e até ingressar no ensino superior. Neste ano, três participantes iniciaram cursos em instituições públicas do Rio de Janeiro.

A médica que revolucionou a psiquiatria brasileira

Nascida em Maceió, em 1905, Nise da Silveira enfrentou forte resistência dentro da própria medicina ao rejeitar tratamentos agressivos que dominavam a psiquiatria da época.

Inspirada também pelas ideias do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, ela passou a enxergar a arte como um caminho legítimo de reorganização emocional e reconstrução subjetiva.

Ao longo das décadas, seus ateliês deixaram de ser vistos apenas como “terapia ocupacional” e passaram a despertar interesse científico, artístico e acadêmico em diversos países.

Dragões, bordados e reconstruções silenciosas

No Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro, que também replica o modelo criado por Nise da Silveira, histórias de transformação seguem acontecendo diariamente.

Uma delas é a de Israel Alves Correia, conhecido pelos dragões que cria a partir de materiais reaproveitados como PVC, embalagens e peças plásticas.

Durante quase duas décadas ele produziu esculturas de bois e berrantes, até encontrar nos dragões sua principal forma de expressão artística.

Ele não vende as obras.

“Quem quiser ver meus trabalhos venha aqui.”

Para terapeutas e profissionais da saúde mental, os ateliês funcionam como espaços de ancoragem emocional, acolhimento e reconstrução de vínculos.

Um legado que segue vivo

As comemorações pelos 80 anos dos ateliês acontecem justamente no Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio.

Ao longo de todo o ano, o Museu de Imagens do Inconsciente abrirá os ateliês ao público em atividades gratuitas de criação livre e expressão artística.

A programação inclui fóruns científicos, exposições, cursos, debates e o lançamento do documentário Um Caminho para o Infinito: Emygdio de Barros, dedicado a um dos artistas revelados pelos ateliês de Nise.

O museu também trabalha na publicação internacional de livros da psiquiatra em inglês, francês e espanhol, além de ampliar intercâmbios com instituições estrangeiras interessadas em adaptar sua metodologia.

O objetivo é fazer com que as ideias de Nise da Silveira continuem atravessando universidades, políticas públicas e serviços de saúde mental no Brasil e no exterior.

Oito décadas depois, seus ateliês seguem lembrando algo que ainda parece urgente no mundo contemporâneo: cuidar de alguém também pode ser um ato de escuta, liberdade e criação.

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Um vídeo vindo da África chegou hoje à redação do Sulpost — e é impossível assistir sem sentir o coração apertar

Crianças de uma aldeia em Moçambique aparecem descalças, com fome e pedindo ajuda humanitária em gravação enviada hoje ao Sulpost pelo Bruxo Chik Jeitoso

 
Um vídeo vindo da África chegou hoje à redação do Sulpost — e é impossível assistir sem sentir o coração apertar. Crianças de uma aldeia em Moçambique aparecem descalças, com fome e pedindo ajuda humanitária em gravação enviada hoje ao Sulpost pelo Bruxo Chik Jeitoso.
Divulgação

Às vezes a internet para. Não pelas notícias políticas, pelas brigas ou pelo barulho diário das redes sociais. Mas por algo muito mais simples — e muito mais forte.

Hoje, um vídeo vindo de uma aldeia em Moçambique chegou até a redação do Sulpost através do parceiro Bruxo Chik Jeitoso. E por alguns minutos tudo pareceu pequeno diante das imagens.

No vídeo, crianças africanas aparecem reunidas em um campo de terra batida. Algumas estão sem chinelo. Outras vestem roupas já gastas pelo tempo. Muitas delas olham para a câmera com aquele tipo de olhar que não precisa de tradução.

Na aldeia, que fica na localidade de Mafambisse, próxima à Igreja de São Mateus, a imagem é de fome e abandono. Mas o pedido é de esperança de gente muito humilde tentando sobreviver. Com dificuldades para falar e emocionadas, as crianças fazem um pedido simples: ajuda para comer.

“Estamos pedindo ajuda. Não temos roupa, nem chinelo, não temos comida”, diz uma das crianças na gravação enviada ao blog.

Em outro momento, elas rezam juntas e pedem que Deus abençoe as pessoas que puderem estender a mão do outro lado do oceano.

“Abençoe a sua vida, a sua família e o seu trabalho”, repetem em coro.

 

Uma realidade dura em um dos países mais pobres do planeta

Moçambique, no sudeste da África, está entre os países com menor Índice de Desenvolvimento Humano do mundo. Mais da metade da população vive em situação de pobreza extrema e milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar diariamente.

A realidade em muitas aldeias é brutal. Falta comida, saneamento, acesso à saúde, educação e até água potável em diversas comunidades afastadas dos grandes centros.

O país também sofre constantemente com enchentes, ciclones e conflitos internos que acabam aprofundando ainda mais a crise humanitária.

E no meio disso tudo estão as crianças. Crianças que continuam sorrindo mesmo sem quase nada. Crianças que ainda acreditam que alguém pode ouvir.

Um pedido que atravessa continentes

Segundo o Bruxo Chik Jeitoso, o vídeo foi enviado diretamente por pessoas da comunidade africana com quem ele mantém contato solidário há algum tempo. A mobilização agora busca arrecadar ajuda humanitária para alimentação, roupas, chinelos e itens básicos para as crianças da aldeia.

Num mundo acostumado a ignorar a dor distante, talvez o mais importante neste momento seja justamente não virar o rosto. Porque para quem tem pouco, qualquer ajuda muda o dia. E para quem não tem nada, às vezes muda a vida.

Como ajudar

Quem desejar colaborar com a ação humanitária pode contribuir através da chave PIX divulgada pelos responsáveis pela campanha.

Chave PIX - CPF: 719.497.751-60 - em nome de Afonso João Joaquim (segundo informado no vídeo) - fizemos uma transferência simbólica, de pequeno valo, para conferir os dados.

O Sulpost reforça a importância de sempre verificar a autenticidade das campanhas solidárias antes de realizar contribuições financeiras.

Divulgação

Cientistas usam DNA da água do mar para mapear espécies na Bahia — e lembrar por que a vida na Terra é tão rara

Projeto brasileiro transforma amostras ambientais em pistas sobre biodiversidade, mudanças climáticas e preservação dos oceanos

Pesquisadores recolhem amostras marinhas - Robert Sforza/Divulgação

O mar parece silencioso quando visto da superfície. Mas, sob a água, existe uma biblioteca viva — antiga, delicada e cada vez mais ameaçada. Cada peixe que cruza um recife, cada tartaruga que mergulha no litoral brasileiro, cada camarão escondido nos manguezais deixa algo para trás: fragmentos invisíveis da própria existência.

Agora, cientistas brasileiros estão aprendendo a ouvir esses rastros.

No sul da Bahia, pesquisadores iniciaram uma nova etapa de um dos mais ambiciosos projetos de biodiversidade já realizados no país. A iniciativa utiliza uma técnica moderna chamada DNA Ambiental metabarcoding para identificar espécies marinhas sem precisar capturá-las. Basta coletar água do mar. Dentro dela, está registrada parte da história da vida naquele ecossistema.

O oceano fala através da genética

O trabalho integra o projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB), desenvolvido pelo Instituto Tecnológico Vale (ITV) em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Centro Tamar e reservas extrativistas do sul baiano.

Mais do que uma pesquisa científica, o estudo ajuda a lembrar algo que a humanidade frequentemente esquece: a vida na Terra é rara. Talvez raríssima.

Em um universo praticamente infinito, ainda não encontramos outro planeta com oceanos pulsando vida, florestas respirando, pássaros migrando ou recifes funcionando como cidades submarinas. Tudo o que conhecemos sobre existência biológica está concentrado aqui — numa fina camada azul ao redor de um pequeno planeta.

E mesmo assim, essa vida vem sendo pressionada diariamente. Os oceanos aquecem. Espécies desaparecem antes mesmo de serem totalmente estudadas. Corais sofrem branqueamento. Manguezais recuam. A pesca predatória altera cadeias inteiras de sobrevivência. Em muitos lugares, a destruição acontece em silêncio, sem manchetes.

Como funciona o DNA ambiental

Segundo disse à Agência Brasil a coordenadora do GBB pelo ICMBio, Amely Branquinho Martins, todo organismo deixa pequenas marcas biológicas nos ambientes por onde passa — escamas, pelos, urina, fezes ou partículas microscópicas contendo DNA.

Quando os pesquisadores coletam amostras da água, conseguem sequenciar esse material genético e compará-lo com bancos de dados científicos. Na prática, isso significa que um simples tubo de água pode revelar quais espécies vivem ali, inclusive animais raros, ameaçados ou difíceis de observar. É como se o oceano nos contasse uma história através da genética.

Nas reservas extrativistas de Corumbau e Cassurubá, os pesquisadores coletaram amostras em dezenas de pontos estratégicos. O objetivo é mapear espécies importantes para o equilíbrio ambiental e também para as comunidades tradicionais que dependem da pesca e do extrativismo.

Entre os organismos monitorados estão peixes recifais, camarões, moluscos, caranguejos e espécies ameaçadas de extinção, como os budiões — fundamentais para a saúde dos corais brasileiros. Também entram no radar espécies invasoras, como o peixe-leão e o coral-sol, capazes de desequilibrar ecossistemas inteiros.

Ciência sem destruir a natureza

O método tem outra vantagem importante: ele reduz impactos sobre os próprios animais.

Sem necessidade de captura, armadilhas ou perseguição, a técnica é considerada não invasiva. Em muitos casos, ela consegue inclusive superar limitações dos métodos tradicionais de monitoramento da biodiversidade.

O pesquisador Alexandre Aleixo, coordenador do GBB pelo ITV, explica que praticamente qualquer ambiente guarda vestígios genéticos: água, solo, folhas, troncos e até o ar. A ideia pode soar futurista, mas já é realidade em vários países.

Uma cápsula do tempo para entender o clima

Há um detalhe fascinante nisso tudo: o DNA funciona como uma cápsula do tempo. Através dele, cientistas conseguem compreender como espécies sobreviveram a mudanças climáticas do passado, incluindo períodos extremos como a Era do Gelo. Essas informações podem ajudar a prever quais organismos têm maior capacidade de adaptação diante das mudanças climáticas atuais — talvez o maior desafio ambiental deste século.

A pesquisa brasileira também se conecta a uma questão econômica e social. Preservar biodiversidade não significa congelar a natureza distante da vida humana. Significa proteger fontes de alimento, renda, equilíbrio climático, medicamentos, água limpa e estabilidade ecológica.

Quando uma espécie desaparece, não some apenas um animal. Some uma peça inteira de um sistema que levou milhões de anos para se formar.

O Brasil tentando ouvir a própria biodiversidade

Desde 2023, o projeto GBB já sequenciou centenas de espécies e dezenas de genomas de referência, incluindo animais emblemáticos da fauna brasileira, como onças, antas, araras e espécies amazônicas de importância ecológica e econômica. No futuro, o projeto pretende expandir o monitoramento para outros biomas brasileiros, incluindo Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampa.

Há algo simbólico no fato de cientistas brasileiros estarem recolhendo pequenas amostras de água para compreender a imensidão da vida. Porque preservar o planeta talvez comece exatamente assim: aprendendo primeiro a enxergar valor no que quase ninguém vê.

Os oceanos não são apenas paisagem. As florestas não são obstáculos ao progresso. E os animais não são figurantes da existência humana. Todos fazem parte de um equilíbrio extremamente raro no cosmos conhecido. E essa raridade impõe uma responsabilidade coletiva.

Cuidar da biodiversidade deixou de ser apenas uma pauta ambiental. Hoje, é uma questão de sobrevivência civilizatória.

O resultado do projeto pode ser acessado por meio da plataforma GenRefBR

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