9.8.26

Candidatura de Alexandre Curi pode ganhar apoio dos metalúrgicos da RMC

Reunião entre o presidente da Assembleia Legislativa e Nelsão da Força abriu diálogo sobre as eleições de 2026; eventual apoio à candidatura ao Senado ainda será discutido pelo movimento sindical paranaense

O presidente da Alep, dep. Alexandre Curi e Nelsão da Força - Divulgação

O movimento das peças no tabuleiro eleitoral do Paraná está evoluindo. E, entre uma conversa e outra, nos corredores da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) o movimento sindical também vai construindo seus caminhos de apoio para candidatos e candidatas às eleições de 2026.

Na terça-feira (4), o presidente da ALEP, Alexandre Curi, recebeu o dirigente sindical Nelsão da Força para uma conversa sobre o cenário eleitoral. O encontro abriu um canal de diálogo que pode resultar, mais adiante, no apoio dos metalúrgicos da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) à candidatura de Curi ao Senado. Mas é importante deixar claro: esse apoio ainda não está definido.

O próprio Nelsão explica que uma eventual participação na campanha de Curi será discutida junto ao movimento sindical paranaense. A reunião, portanto, representa o início de uma conversa, e não uma decisão já tomada. Mostrando que o movimento sindical é apartidário. Os trabalhadores a trabalhadoras, como fazem todas as outras classes, apenas escolhem aqueles que mais vêm ao encontro das demandas trabalhistas.

Uma conversa que aproxima projetos diferentes

A aproximação chama atenção porque Nelsão mantém diálogo com diferentes projetos políticos sem abrir mão da sua atuação histórica em defesa dos trabalhadores.

O dirigente sindical já definiu seu apoio à reeleição do presidente Lula e à ex-ministra Gleisi Hoffmann, além de manter seu apoio ao projeto de Requião Filho para o Governo do Paraná.

Agora, com a possível candidatura de Alexandre Curi ao Senado, uma nova conversa começa a ser construída. Segundo Nelsão, a reunião também ocorreu em representação do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka, reforçando o caráter institucional do encontro e a intenção de aproximar a categoria desse debate eleitoral.

“Nós já declaramos apoio ao Requião Filho para o Governo do Estado à Gleisi Hoffmann e reeleição de Lula. Agora vamos discutir também a possibilidade de participar da campanha do Alexandre Curi”, disse Nelsão.

A força política dos metalúrgicos

Mais do que uma declaração eleitoral, a possibilidade de aproximação tem um peso próprio. A categoria metalúrgica possui uma presença histórica na Região Metropolitana de Curitiba e reúne trabalhadores de importantes polos industriais do Paraná. Por isso, qualquer movimento de suas principais lideranças em uma eleição majoritária naturalmente desperta atenção.

Curi, por sua vez, ocupa a presidência da Assembleia Legislativa e está entre os nomes que concorrem a uma das duas vagas ao Senado que estarão em disputa no Paraná, nas eleições que se avizinham.

A conversa com Nelsão coloca sobre a mesa justamente um dos elementos que costumam ganhar importância em uma eleição majoritária: a capacidade de construir pontes para além das estruturas partidárias.

Apoio não significa abandonar posições

É nesse ponto que a trajetória de Nelsão ganha relevância. A aproximação com Curi não aparece, em sua fala, como uma mudança dos posicionamentos já assumidos pelo dirigente sindical. Ao contrário. Nelsão mantém definidos os apoios que já anunciou e, ao mesmo tempo, abre espaço para conversar com outras forças políticas.

A lógica é manter abertas as portas com quem poderá ocupar espaços de decisão no Paraná e em Brasília. Para o movimento sindical, uma eleição não termina na urna. O resultado se transforma, depois, em decisões que podem afetar emprego, indústria, investimentos, direitos trabalhistas e políticas públicas.

A decisão ainda será coletiva

Apesar da aproximação, Nelsão deixa claro que uma eventual participação na campanha de Curi ao Senado ainda precisa passar pelo debate dentro do movimento sindical.

Ou seja, não existe, neste momento, uma declaração formal de apoio dos metalúrgicos da RMC à candidatura de Alexandre Curi ao Senado. Existe uma conversa aberta pelo Nelsão da Força. E, na política, especialmente quando se trata de uma eleição majoritária, muitas vezes é justamente dessas conversas que começam a nascer as alianças que irão definir os caminhos das urnas.

Por enquanto, Curi tem uma porta aberta. O próximo passo será saber se os metalúrgicos da Grande Curitiba decidirão atravessá-la. Certo é que todas as decisões sindicais são sempre democráticas. No final quem vai dizer são os trabalhadores, lembrando que na democracia, o voto, além de sagrado é secreto.

8.8.26

Tecnologia brasileira pode acelerar desenvolvimento de implantes dentários e reduzir custos

Nova técnica desenvolvida pelo Cetene reduz de 72 horas para cerca de uma hora o preparo de amostras usadas em pesquisas com implantes de titânio e pode abrir caminho para processos mais rápidos e acessíveis na saúde bucal

Nova técnica desenvolvida pelo Cetene reduz de 72 horas para cerca de uma hora o preparo de amostras usadas em pesquisas com implantes de titânio e pode abrir caminho para processos mais rápidos e acessíveis na saúde bucal

Quando se fala em nanotecnologia, é comum imaginar algo distante da vida cotidiana, restrito aos grandes laboratórios e às pesquisas que parecem acontecer muito longe de nós. Mas, às vezes, é justamente nesse universo microscópico que começam a surgir soluções capazes de produzir efeitos bastante concretos na vida das pessoas.

É o que acontece com uma nova técnica desenvolvida pelo Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

A pesquisa pode ajudar a acelerar uma etapa importante dos estudos voltados ao desenvolvimento de implantes dentários de titânio. E o ganho de tempo chama atenção: o preparo de amostras utilizadas nas análises, que podia levar até 72 horas, passa a ser realizado em aproximadamente 60 minutos.

Uma hora no laboratório pode fazer diferença

O tempo é um dos fatores que pesam no desenvolvimento de novas tecnologias em saúde. Quanto mais rápidas e precisas forem as etapas de pesquisa, maior pode ser a capacidade dos laboratórios de testar materiais, comparar resultados e avançar na busca por soluções.

A técnica desenvolvida pela equipe do Cetene não apenas reduz esse intervalo. Segundo os pesquisadores, ela também preserva melhor a estrutura das células e permite uma visualização mais clara das amostras por meio da microscopia eletrônica de varredura.

O trabalho foi conduzido pela cientista Giovanna Machado, em parceria com pesquisadores do Laboratório de Bionanomateriais do Cetene.

Onde entra a nanotecnologia?

É justamente na superfície do implante que está uma das partes mais interessantes da pesquisa.

Os estudos utilizam implantes de titânio que recebem estruturas microscópicas conhecidas como nanotubos. Essa modificação aumenta a área de contato do material com as células e melhora uma propriedade chamada molhabilidade.

Em termos mais simples, a alteração pode favorecer a interação entre o implante, os fluidos presentes no organismo e o tecido ósseo.

É uma mudança que acontece em uma escala que os nossos olhos não conseguem enxergar, mas que pode fazer diferença na maneira como o material se comporta quando estudado em contato com células.

Da bancada do laboratório para o consultório ainda há um caminho

É importante, porém, não transformar uma pesquisa promissora em uma promessa que ela ainda não pode cumprir.

A tecnologia está atualmente nos níveis 4 e 5 de maturidade tecnológica. Isso significa que os protótipos já passaram por testes em ambiente de laboratório, mas ainda não estão prontos para utilização clínica ou comercial.

Antes de qualquer aplicação em pacientes, serão necessárias novas etapas de validação, estudos adicionais, adequação às exigências regulatórias e avaliações sobre a capacidade de produção em maior escala.

Também será preciso comprovar segurança, funcionamento e viabilidade antes que uma tecnologia como essa possa chegar efetivamente ao sistema de saúde ou ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Quando ciência vira acesso à saúde

É justamente nessa distância entre o laboratório e a vida real que está o verdadeiro desafio.

Uma técnica mais rápida e eficiente de pesquisa não significa, por si só, que um implante ficará imediatamente mais barato ou que chegará ao SUS. Mas pode contribuir para simplificar processos, reduzir custos de desenvolvimento e acelerar a construção de novas soluções.

E, em um país onde o acesso à saúde bucal ainda é marcado por desigualdades, qualquer avanço que possa ajudar a tornar tratamentos mais acessíveis merece ser acompanhado de perto.

O trabalho recebeu apoio do MCTI, por meio do Sistema Nacional de Laboratórios em Nanotecnologias, além do CNPq e da Finep.

No fim das contas, talvez essa seja uma das formas mais concretas de compreender o papel da ciência: uma descoberta feita em um laboratório, entre microscópios, células e materiais em escala nanométrica, pode um dia se transformar em algo que as pessoas sentem de maneira muito simples.

Um tratamento mais acessível. Uma tecnologia nacional. E, para muita gente, a possibilidade de voltar a sorrir com mais saúde e dignidade.

Sulpost — Jornalismo cidadão, informação e democracia

Petrobras no Paraná: soberania, emprego e transição energética podem caminhar juntas

Candidata ao Senado Federal pelo Paraná, deputada Gleisi Hoffmann faz visita ao Sindipetro-PR e assume compromisso com petroleiros paranaenses

Candidata ao Senado Federal pelo Paraná, deputada Gleisi Hoffmann faz visita ao Sindipetro-PR e assume compromisso com petroleiros paranaenses

A visita da deputada Gleisi Hoffmann ao Sindicato dos Petroleiros do Paraná (Sindipetro-PR), recoloca na mesa um debate que vai além da Petrobras. É uma discussão sobre soberania nacional, industrialização, segurança energética, fertilizantes e o futuro do trabalho no estado. E os números ajudam a entender por que essa agenda merece atenção.

A começar pela Araucária Nitrogenados (ANSA), a Fafen do Paraná. Depois de permanecer hibernada desde 2020, a fábrica voltou a produzir ureia em abril deste ano. A unidade tem capacidade para produzir 720 mil toneladas de ureia por ano, volume equivalente a cerca de 8% do mercado nacional, além de 475 mil toneladas anuais de amônia e 450 mil m³ de ARLA 32.

Não é pouca coisa. O Brasil está entre os maiores consumidores de fertilizantes do planeta — cerca de 8% do consumo mundial — e ainda depende fortemente do mercado externo. Segundo o Ministério da Agricultura, mais de 80% dos fertilizantes utilizados no país são importados. O Plano Nacional de Fertilizantes foi criado justamente para reduzir essa vulnerabilidade.

É nesse ponto que a defesa da incorporação da Fafen ao sistema Petrobras ganha uma dimensão estratégica: produzir aqui aquilo que o Brasil precisa importar significa reduzir vulnerabilidades, fortalecer a indústria nacional e dar mais segurança ao produtor rural.

E a própria Petrobras voltou a colocar os fertilizantes no seu planejamento. No Plano de Negócios 2026-2030, a companhia prevê investimentos no segmento de Refino, Transporte, Comercialização, Petroquímica e Fertilizantes, mantendo a ANSA, as fábricas da Bahia e de Sergipe e a UFN-III entre os ativos considerados para continuidade operacional.

Mas existe outro capítulo nessa história: a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar). A Petrobras prevê ampliar sua capacidade de processamento no conjunto do parque nacional de refino de 1,8 milhão para 2,1 milhões de barris por dia até 2030, enquanto avança em combustíveis de menor intensidade de carbono e em projetos de eficiência energética. O Paraná está inserido nessa estratégia.

É justamente aí que a fala da deputada sobre transição energética com participação dos trabalhadores ganha força. Transição energética não precisa significar desindustrialização. Não precisa significar simplesmente fechar uma unidade, demitir trabalhadores e importar tecnologia.

Pode significar o contrário: usar a capacidade industrial que o Brasil já construiu para produzir energia mais limpa, desenvolver novas tecnologias, qualificar trabalhadores e preparar a indústria para a economia de baixo carbono.

A Petrobras informa que já reduziu em 36% suas emissões absolutas de gases de efeito estufa em relação a 2015, chegando a 50 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2025. Para os próximos anos, a companhia mantém metas de redução de emissões e prevê investimentos em transição energética, biocombustíveis, descarbonização e novas tecnologias.

Há, portanto, uma equação possível: mais indústria + mais soberania + mais empregos qualificados + menos emissões. E há uma pauta paranaense que continua aberta: a SIX, em São Mateus do Sul.

A unidade, que durante décadas integrou o patrimônio da Petrobras, tem capacidade de processamento de 5.800 toneladas de xisto por dia. A Petrobras concluiu a venda do ativo, de modo que qualquer discussão sobre sua retomada pela estatal passa necessariamente por uma decisão política e empresarial complexa.

Ainda assim, a discussão é legítima: qual deve ser o papel de ativos estratégicos para o desenvolvimento regional e para a soberania energética brasileira? No fundo, é disso que trata a Carta Compromisso recebida pela deputada Gleisi Hoffmann.

Não se trata apenas de defender uma empresa. Trata-se de decidir se o Paraná quer continuar sendo apenas fornecedor de matéria-prima e consumidor de tecnologia produzida fora ou se quer participar da construção de uma indústria nacional forte, tecnológica, ambientalmente responsável e capaz de gerar emprego e renda.

A Petrobras é uma empresa de economia mista. Mas sua dimensão estratégica para o Brasil ultrapassa os números de um balanço. No petróleo, no refino, nos fertilizantes, na pesquisa e agora também na transição energética, existe uma pergunta que precisa continuar sendo feita: que país queremos construir com aquilo que produzimos?

Para a deputada, a resposta passa por soberania, indústria, trabalhadores e desenvolvimento. E os números mostram que o debate está longe de ser apenas ideológico. É economia real. É Paraná. É Brasil.


Amazônia registra menor área sob alerta de desmatamento da série histórica

Dados do Inpe mostram queda de 36% nos alertas na Amazônia e de 7,8% no Cerrado. Prodes também aponta para redução do desmatamento na Caatinga, Mata Atlântica e Pampa

Imagem: INPE/Reprodução

Há números que parecem frios quando colocados numa tabela, mas que ganham outro significado quando lembramos o que existe por trás deles. Uma árvore que permanece de pé. Uma área de floresta que não foi derrubada. Um rio que continua protegido pela vegetação que o cerca.

Os novos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) trazem justamente uma dessas notícias que precisam ser olhadas com atenção: os alertas de desmatamento caíram na Amazônia e no Cerrado no último ciclo de monitoramento.

Na Amazônia, a redução foi de 36% entre agosto de 2025 e julho de 2026. Foram identificados 2.874,38 km² sob alerta, o menor resultado da série histórica para esse período, iniciada em 2016.

O número também ficou 55,6% abaixo da média dos dez ciclos anteriores, entre 2015/2016 e 2024/2025. É um resultado importante para um bioma que há décadas está no centro das preocupações ambientais brasileiras e internacionais.

Cerrado também apresenta redução

No Cerrado, a queda foi menor, mas sua aferição também aparece nos dados que mostram a redução do desmatamento no país.

Os alertas de desmatamento recuaram 7,8%, chegando a 5.119,46 km² no período de agosto de 2025 a julho de 2026.

E aqui existe uma diferença importante em relação à Amazônia: os números nacionais escondem comportamentos bastante diferentes entre os estados. No Cerrado, por exemplo, o Maranhão concentrou a maior área sob alerta, com 1.276,92 km², seguido por Tocantins, com 1.189,9 km², Piauí, com 568,23 km², Mato Grosso, com 562,02 km², Bahia, com 534,94 km², e Minas Gerais, com 490,38 km². Alguns estados tiveram quedas expressivas. O Piauí apresentou redução de 51,2% e a Bahia, de 27%.

Mas nem todos caminharam na mesma direção. O Maranhão teve aumento de 2,1% nos alertas. No Mato Grosso, a alta foi de 40,5%, enquanto Minas Gerais registrou crescimento de 72,5%.

É justamente essa fotografia regional que mostra por que a luta contra o desmatamento não pode ser tratada como uma realidade única para toda extensão do território brasileiro. Na Amazônia, o estado do Pará continua na liderança dos alertas. Entre os estados amazônicos, o maior volume de alertas foi registrado no Pará: 987,27 km².

Na sequência aparecem Mato Grosso, com 834,41 km²; Amazonas, com 433,9 km²; Roraima, com 272,6 km²; Acre, com 153,8 km²; e Rondônia, com 114,3 km². O comportamento, entretanto, foi de redução na maioria desses estados.

O Mato Grosso apresentou queda de 49%. No Amazonas, a redução chegou a 46,7%. Rondônia teve queda de 41,2%, o Acre de 35,3% e o Pará de 25,5%. Roraima foi a exceção entre os estados destacados: os alertas cresceram 32,5%.

Os números, portanto, não autorizam uma sensação de que o problema desapareceu. Eles mostram algo diferente: o desmatamento detectado está recuando, mas permanece presente e exige fiscalização contínua.

Prodes confirma redução em outros biomas

Na mesma apresentação, realizada nesta sexta-feira (7), na sede do Inpe, em São José dos Campos (SP), também foram apresentados dados do Prodes para a Caatinga, a Mata Atlântica e o Pampa. E os três biomas registraram redução.

Na Caatinga, foram contabilizados 2.289,54 km² de área desmatada, uma queda de 34,3% em relação aos 3.484 km² registrados no período anterior. Na Mata Atlântica, a área suprimida caiu de 475 km² para 402,36 km², redução de 15,32%.

É um resultado especialmente significativo porque representa o menor índice da série histórica do bioma, iniciada em 2001. No Pampa, foram registrados 305,48 km² de supressão de vegetação, uma redução de 41,7%, dados que registram o menor resultado da série histórica para o bioma.

Dois sistemas, duas funções

Para entender corretamente esses números, é preciso fazer uma distinção. O Deter é um sistema de detecção de desmatamento em tempo quase real. Ele produz alertas que ajudam os órgãos de fiscalização a identificar rapidamente áreas onde pode estar ocorrendo supressão de vegetação.

Já o Prodes realiza o levantamento anual das taxas de desmatamento, utilizando metodologia de maior precisão. Por isso, é considerado a referência oficial para a formulação e avaliação das políticas públicas de controle do desmatamento.

Em outras palavras: o Deter ajuda a mostrar onde o problema está acontecendo e permite uma resposta mais rápida. O Prodes consolida, com maior precisão, quanto efetivamente foi desmatado no período de referência.

Os dois sistemas fazem parte do Programa de Monitoramento do Desmatamento (BiomasBR), coordenado pelo Inpe. Uma boa notícia que não permite baixar a guarda. A queda dos alertas na Amazônia e no Cerrado, somada aos resultados do Prodes na Caatinga, Mata Atlântica e Pampa, representa um avanço importante.

A principal mensagem, dos dados divulgados início desse segundo semestre, talvez esteja justamente na necessidade de não transformar uma boa notícia em acomodação. As matas e  florestas continua precisando de fiscalização.

O Cerrado continua sob pressão. A Mata Atlântica, apesar do melhor resultado da série histórica, ainda carrega uma história de séculos de perda de cobertura vegetal. Os números agora divulgados mostram que políticas públicas, monitoramento por satélite e fiscalização podem produzir resultados concretos.

Os levantamentos mostram também que, preservar não é apenas impedir que uma área apareça outra vez como mancha de desmatamento nas imagens de satélite. Precisamos lutar para manter em pé aquilo que já existe, em especial a mata nativa.

Preservar é proteger nascentes, rios, biodiversidade, solo e mitigar os efeitos no clima. É garantir que, daqui a alguns anos, os números continuem caindo — e que a paisagem que eles representam continue viva.

Dados e monitoramento

Os resultados foram apresentados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelos ministros João Paulo Capobianco (Meio Ambiente e Mudança do Clima) e Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação), durante coletiva realizada na sede do Inpe.

Também participaram representantes do Inpe, Ibama, ICMBio e do Ministério do Meio Ambiente. Os dados completos dos sistemas de monitoramento serão disponibilizados na plataforma TerraBrasilis, mantida pelo Inpe.

Carros chineses conquistam o Brasil — mas a grande oportunidade está em produzir aqui

Importações da China avançam, mercado de carros elétricos dispara e indústria brasileira precisa transformar essa nova tecnologia em empregos e novos investimentos

Importações da China avançam, mercado de carros elétricos dispara e indústria brasileira precisa transformar essa nova tecnologia em empregos e novos investimentos

Há números que simplesmente passam pela tela, numa rolagem totalmente desinteressante. E há números que chamam à atenção e pedem uma pausa. Os números mais recentes da indústria automobilística brasileira estão entre eles.

Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), os veículos chineses já representaram 52,4% dos carros importados pelo Brasil nos primeiros sete meses de 2026. As compras de veículos provenientes da China cresceram incríveis 105,4% em comparação com o mesmo período do ano passado (2025).

É uma mudança rápida. E não acontece isoladamente. O mercado brasileiro de veículos eletrificados também vem crescendo em ritmo impressionante. A produção nacional de autoveículos avançou, enquanto as exportações recuaram.

No primeiro semestre, a própria Anfavea registrou crescimento de 8,8% na produção, com 1,372 milhão de veículos fabricados no país. Ao tempo que os carros elétricos já respondiam por uma parcela recorde nas vendas de veículos leves.

Os números mostram uma indústria em transformação. E talvez seja justamente por isso que a discussão precise ir além da velha disputa entre carro nacional e carro importado.

Os carros chineses são bem-vindos

É importante deixar isso muito claro. O progresso é um dos lemas da nossa bandeira nacional, não podemos ser contra os carros chineses. Muito pelo contrário.

A chegada de novas marcas aumentou a concorrência, trouxe tecnologia, ampliou as opções para o consumidor brasileiro e pressionou o mercado a oferecer produtos melhores. A cada ano têm sido produzidos carros mais eficientes e mais competitivos.

Durante muito tempo, o consumidor brasileiro conviveu com automóveis caros, talvez devido à tecnologia que chegou sempre com atraso e à pouca concorrência em determinados segmentos da indústria automobilística.

A entrada dos chineses mudou essa conversa. E de uma maneira positiva. Mas ainda existe uma pergunta que precisamos fazer: quanto dessa riqueza que está sendo movimentada no Brasil poderia estar ficando aqui na forma de empregos, fábricas, fornecedores, tecnologia, engenharia e desenvolvimento industrial?

O alerta sobre os kits importados

É aqui que entra um estudo da Anfavea que merece ser conhecido. A entidade estima que, em um cenário de substituição da fabricação de veículos nacionais, apenas pela montagem, o Brasil poderia colocar em risco até 69 mil empregos diretos e outros 227 mil postos indiretos ao longo de toda cadeia produtiva.

O mesmo levantamento aponta uma possível perda de até R$ 103 bilhões para os fabricantes de autopeças, além de impactos sobre a arrecadação tributária e as exportações. Os números foram divulgados pela Agência Brasil, a partir do estudo da Anfavea.

Mas é preciso fazer uma ressalva importante. Isso não significa que 296 mil empregos já tenham sido perdidos. Não foram. Trata-se de uma estimativa para um cenário extremo, no qual a produção nacional seria progressivamente substituída por modelos de montagem com maior dependência de componentes importados.

Mesmo assim, o número revela o tamanho da discussão que está diante de nós. Porque uma fábrica de automóveis não é apenas uma linha de montagem, onde alguém coloca rodas, bancos e componentes importados na produção de veículos.

Por trás de um carro existe uma logística enorme, uma cadeia de produção gigantesca. São fabricantes de autopeças, siderurgia, química, eletrônica, logística, ferramentaria, engenharia, software, manutenção, serviços, pesquisa, universidades, centros tecnológicos e milhares de trabalhadores. E, tudo isso ainda precisa de transporte.

Quando essa cadeia se fortalece, o benefício econômico vai muito além do carro que sai da concessionária. É toda uma rede, que começa na mineração do aço e vai até a concessionária que vende os veículos ao consumidor final.

O que exigir das novas montadoras

Na visão de especialistas, as montadoras chinesas, que conquistam cada dia mais o mercado brasileiro, deveriam ampliar sua parceria com a indústria nacional.

O Brasil é um mercado tão importante para os chineses, se os consumidores brasileiros estão comprando seus carros e ajudando essas marcas a crescer ... parece lógico esperar que uma parcela cada vez maior dessa operação, incluindo a fabricação de autopeças, seja realizada pela indústria nacional.

Pois não se trata apenas de montar carros aqui. Temos que pensar em fábricas de verdade, não apenas em linhas de montagem, que hoje, grande parte, já são inclusive automatizadas. Devemos pensar em fornecedores brasileiros. Precisamos da produção de componentes automotivos, baterias. Desenvolvimento de pesquisas em novas tecnologias, realizadas dentro do Brasil.

A indústria tem que investir na engenharia, em capacitação profissional, treinamento para preencher vagas de empregos qualificados. Precisamos abrigar em nosso parque industrial uma rede capaz de fazer nosso povo apenas consumir tecnologia, precisamos também produzir.

Camaçari mostra um caminho possível

Neste exato momento há um exemplo que já não está mais diante de nós. A BYD instalou em Camaçari, na Bahia, um dos maiores complexos industriais de sua operação fora da Ásia.

A unidade começou com capacidade projetada de 150 mil veículos por ano, com expansão para 300 mil. Posteriormente a empresa anunciou planos de expansão e projeções que podem elevar a capacidade total para até estimados 600 mil veículos anuais.

Em março de 2026, o Governo da Bahia informou que o complexo já reunia cerca de 10 mil pessoas entre trabalhadores da operação e das obras. A própria BYD também já declarou que pretende ampliar a produção local, incorporando fornecedores brasileiros, ao passo que desenvolve um centro de pesquisa e desenvolvimento.

Em janeiro, a empresa informou que a fábrica de Camaçari havia encerrado 2025 com quase 20 mil veículos produzidos e mais de 2 mil trabalhadores, com previsão de expansão da produção e da contratação ao longo de 2026.

Este é o movimento que precisa ser observado. Uma coisa é vender carros chineses no Brasil. Outra, muito mais interessante, é produzir os carros chineses aqui no Brasil. O diferencial se torna ainda maior quando passamos a desenvolver parte da tecnologia e dos componentes necessários aqui.

Não precisamos escolher entre consumidor e trabalhador

Essa talvez seja a parte mais importante na discussão. Não precisamos escolher entre carros chineses e indústria brasileira. Podemos — e devemos — ter os dois. Os consumidores merecem carros melhores, mais tecnológicos, mais eficientes e, principalmente, a preços mais acessíveis.

O trabalhador brasileiro merece que este crescimento se transforme em mais emprego, renda, qualificação e novas oportunidades. Uma política industrial moderna não deveria ter como objetivo simplesmente taxar a entrada de produtos estrangeiros.

Deveria fazer algo muito mais inteligente: atrair o investimento estrangeiro e fazer com que ele gere cada vez mais valor dentro do país. Fazer com que todos venham produzir no Brasil, um dos países mais ricos do mundo em todo tipo de matéria-prima utilizada pela indústria.

É uma diferença enorme. Em vez de fechar o mercado, como estão fazendo os Estados Unidos, podemos abrir espaço para quem quiser construir sua fábrica aqui.

Em vez de simplesmente importar tecnologia, podemos criar condições para que ao menos parte dela seja desenvolvida e fabricada aqui. Em vez de sermos apenas consumidores, podemos voltar a ser também produtores. A industrialização é a chave do progresso.

O Brasil não pode ser apenas o destino final

O carro que chega pronto da China gera negócios no Brasil. É verdade.Mas o carro que é desenvolvido, produzido vendido no mercado interno e também exportado daqui, gera muito mais emprego e renda. Gera fornecedores, conhecimento, impostos. Gera formação profissional, engenharia e inovação.

O país precisa construir uma indústria menos dependente das decisões tomadas do outro lado do mundo. Essa é uma questão que também diz respeito à soberania econômica. Não significa rejeitar a China.

Muito pelo contrário. Significa aproveitar a presença chinesa no Brasil para construir uma relação que seja boa para os dois lados. A China ganha um mercado estratégico. As empresas brasileiras ganham consumidores e espaço para crescer. Assim o Brasil vai gerar muito mais investimento, tecnologia, empregos e capacidade produtiva.

A verdadeira oportunidade por trás dos carros chineses

O Brasil está diante de uma transformação importante no setor automotivo, com  o início da transição para carros com emissão zero de CO². Os carros elétricos e híbridos chegaram para ficar. As marcas chinesas ganharam espaço rapidamente. A concorrência aumentou. A tecnologia avançou.

Não há como voltar atrás. A questão agora é decidir o que o Brasil fará com essa transformação. Se simplesmente abrirmos espaço para que os carros sejam produzidos lá fora e apenas vendidos aqui, estaremos ampliando o mercado consumidor. Os financiamentos de automóveis 0 Km, mas estaremos gerando empregos apenas nos setores de manutenção e vendas.

Entretanto, se conseguirmos transformar esse movimento em investimentos produtivos, fornecedores de auto-peças e baterias nacionais, pesquisa, engenharia, baterias, componentes e qualificação profissional, estaremos fazendo algo muito maior. Estaremos ajudando a construir uma nova indústria brasileira.

Por isso, se países estrangeiros estão lucrando no Brasil, que também invistam no Brasil. Que tragam suas fábricas para cá. Que tragam e transfiram tecnologia. Que formem mão de obra qualificada. Que desenvolvam tecnologia para os fornecedores. Que produzam aqui e exportem daqui.

O Brasil não pode ser apenas destino final de carros produzidos do outro lado do mundo. Precisamos ser também o lugar onde esses carros são projetados, fabricados, desenvolvidos e, quem sabe, enviados de volta para o mundo.

Essa, na visão do blog Sulpost, é a verdadeira oportunidade escondida por trás da chegada dos carros chineses ao mercado brasileiro. Trazer junto com eles toda uma indústria e uma cadeia de produção.

Quer saber mais? Consulte também

ANFAVEA: dados estatísticos e acompanhamento da indústria automobilística brasileira — Carta da Anfavea.

ANFAVEA: dados estatísticos para download, incluindo produção, emplacamentos, importações, exportações e emprego — base estatística da entidade.

Agência Brasil: estudo da Anfavea sobre os impactos potenciais da utilização de kits importados na produção de veículos — leia a reportagem.

Governo da Bahia: informações sobre empregos e capacidade produtiva do complexo da BYD em Camaçari — Governo da Bahia.

BYD Brasil: informações sobre o complexo industrial de Camaçari, produção local, fornecedores e centro de pesquisa e desenvolvimento — BYD é do Brasil.

SULPOST | Jornalismo independente

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7.8.26

Exposição no Senado abre as portas para mostrar como funciona o sistema eletrônico de votação no Brasil

Mostra organizada pelo Tribunal Superior Eleitoral apresenta, de forma didática, todas as etapas das eleições brasileiras e busca aproximar a população do funcionamento das urnas eletrônicas

Davi Alcolumbre e Nunes Marques durante a inauguração da exposição 'O Caminho do Voto' - Jonas Pereira/Agência Senado

Quem andar pelos corredores do Senado Federal, nas próximas semanas, terá a oportunidade de conhecer, de perto, um dos processos mais importantes da democracia brasileira. Foi aberta está semana, na quarta-feira (5), a exposição "O Caminho do Voto". A iniciativa é do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que convida o público a percorrer todas as etapas do sistema eletrônico de votação — desde o desenvolvimento das urnas eletrônicas até a totalização dos resultados das eleições.

A mostra integra a programação da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação e transforma o espaço expositivo em um ambiente de informação e transparência, apresentando ao visitante os procedimentos técnicos, os testes de segurança e os mecanismos de auditoria que fazem parte do processo eleitoral brasileiro.

Congresso abre a programação nacional

Durante a cerimônia de inauguração, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, destacou o simbolismo de o Congresso Nacional ter sido escolhido para abrir a programação da semana dedicada ao sistema eletrônico de votação.

Segundo o presidente declarou à Agência Senado, a decisão reforça o compromisso das instituições democráticas com o fortalecimento da confiança pública nas eleições brasileiras.

"Quando Vossa Excelência apresenta e inicia esta caminhada na defesa das urnas e da capacidade de cada brasileiro de ter a liberdade de escolher os representantes em um sistema altamente respeitado, Vossa Excelência decide iniciar esta caminhada pelo Congresso Nacional Brasileiro, pelo Senado Federal, pela Casa da Federação.", disse Alcolumbre.

Na avaliação do presidente do Senado Federal, o sistema eleitoral brasileiro está entre os mais confiáveis do mundo. Em sua avaliação, ampliar o conhecimento da população sobre o funcionamento das eleições, das urnas eletrônicas, é uma forma de fortalecer ainda mais a democracia, a confiança nas instituições e no sistema eleitoral brasileiro.

Processo construído em diversas etapas

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Nunes Marques, afirmou que a exposição também presta homenagem às instituições que participaram da construção e da modernização do nosso sistema eletrônico de votação.

O ministro lembrou que a implantação da urna eletrônica foi resultado da atuação conjunta dos Poderes da República, respeitando as competências constitucionais de cada instituição. Nunes Marques ainda ressaltou que a segurança das eleições não depende de um único mecanismo de proteção.

"Cada uma das etapas ilustradas nesse espaço demonstra que a confiabilidade das eleições brasileiras não repousa em um momento singular ou em um único mecanismo de segurança. A exatidão da apuração do nosso pleito está ancorada na combinação de inúmeras etapas e procedimentos técnicos, que são auditados e testados incessantemente."

Segundo o ministro a exposição permite que qualquer cidadã e cidadão compreenda como são realizados testes, auditorias e procedimentos que garantem a integridade do nosso sistema eletrônico de votação. Desde antes da abertura das urnas até a divulgação oficial dos resultados.

Serviço

"A exposição "O Caminho do Voto" permanecerá aberta para visitação até o dia 21 de agosto, no Espaço Senador Ivandro Cunha Lima, localizado no Anexo I do Senado Federal, em Brasília. Veja o mapa.

A iniciativa integra a programação da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação e busca aproximar a sociedade do funcionamento das eleições brasileiras por meio de uma experiência educativa e acessível ao público.

6.8.26

STF julga ações sobre marco temporal, Moratória da Soja e licenciamento ambiental

Terras indígenas, Moratória da Soja e licenciamento ambiental: STF inicia decisões que vão trazer grande impacto às nações indígenas e para o pais 

 

O Supremo Tribunal Federal (STF) vai começar, a partir de 7 de agosto deste ano, o julgamento de ações que questionam a constitucionalidade de leis aprovadas pelo Congresso Nacional - Câmara e Senado - relacionadas ao marco temporal das terras indígenas, à Moratória da Soja e ao novo marco do licenciamento ambiental brasileiro. As decisões podem ter impactos sobre a proteção ambiental, os direitos dos povos indígenas e tradicionais e as regras para atividades econômicas no país.

No caso do marco temporal, o STF vai analisar ações que contestam a legislação que estabelece como referência a ocupação de terras indígenas em 5 de outubro de 1988. Entidades representativas dos povos e população indígena do Brasil,  possuem o entendimento que a norma bate de frente com garantias constitucionais destes povos e pode dificultar os processos de demarcação de terras. Uma questão urgente para para o país resolver de maneira definitiva.

O Supremo Tribunal Federal também julgará ações que questionam várias leis estaduais voltadas às empresas do agronegócio que participam da Moratória da Soja, acordo voluntário firmado pelo setor para restringir a comercialização de soja cultivada em áreas desmatadas da Amazônia - inclusive áreas de floresta que foram colocadas abaixo sem o devido licenciamento ambiental - após o ano de 2008. Organizações formadas por ambientalistas defendem que a iniciativa contribuiu para reduzir o desmatamento no bioma, mantendo o crescimento da produção agrícola. Entretanto na visão do blog isto não é fato. Pelo contrário, amazona é vem sido devastada de forma cruel e responsável para abertura de mais campos de plantio e colheita - principalmente de soja transgênica.

Outro tema em análise será o novo marco do licenciamento ambiental brasileiro. As ações sustentam que dispositivos de lei aprovados recentemente contribuem apenas para flexibilizar exigências, legais e ambientais, para o agronegócio, reduzindo, desta forma, mecanismos de controle ambiental. Estas mesmas leis limitam a atuação de órgãos responsáveis pela proteção dos povos indígenas brasileiro, comunidades quilombolas e demais povos tradicionais.

De acordo com organizações da sociedade civil organizada, os julgamentos vão trazer reflexo imediato sobre a preservação ambiental, a segurança jurídica e a garantia dos direitos assegurados pela Constituição. Caberá ao STF definir se as normas aprovadas pelo Congresso estão em conformidade com o texto constitucional. Se forem jogadas inconstitucionais, estas leis serão derrubadas pela corte suprema, pois não pode haver lei que contraria a Carta Magna do país.

Colômbia compra KC-390 ampliando presença internacional da Embraer

Colômbia confirma compra do KC-390 Millennium e amplia presença internacional da aeronave da Embraer - país da América do Sul passa a ser o 13º operador estrangeiro a escolher a aeronave brasileira

A Força Aérea Colombiana oficializou a aquisição de duas aeronaves KC-390 Millennium, fabricadas pela Embraer, em um movimento que marca uma nova etapa no processo de modernização de sua capacidade de transporte aéreo militar e de reabastecimento em voo.

Com a assinatura do contrato, a Colômbia torna-se o primeiro país da América Latina, além do Brasil, a incorporar o KC-390 à sua frota. No cenário internacional, passa a ser o 13º operador a selecionar a aeronave, reforçando a expansão do programa em diferentes regiões do mundo.

Desenvolvido para missões de transporte tático, lançamento de cargas e tropas, evacuação aeromédica, ajuda humanitária, combate a incêndios e reabastecimento em voo, o KC-390 tem se consolidado como uma das principais plataformas multimissão da atualidade. A aeronave também se destaca pela elevada disponibilidade operacional, velocidade superior à de cargueiros turboélice da mesma categoria e menor custo de operação quando comparada a modelos concorrentes.

A escolha colombiana representa mais um avanço para a Embraer no mercado internacional de defesa. Nos últimos anos, o KC-390 vem ampliando sua presença entre forças aéreas da Europa, Oriente Médio, Ásia e América Latina, sendo adotado por países que buscam substituir frotas mais antigas por uma plataforma moderna, versátil e interoperável com os padrões da OTAN.

Para a Colômbia, a incorporação do KC-390 deverá ampliar significativamente a capacidade de resposta em operações militares, missões de assistência humanitária e apoio à população em situações de emergência, além de fortalecer a integração com forças aéreas parceiras que já operam ou encomendaram o modelo.

A entrada da aeronave na frota colombiana também reforça a presença da indústria aeronáutica brasileira no segmento global de defesa e consolida o KC-390 Millennium como um dos programas de maior sucesso da Embraer no mercado internacional.

5.8.26

O Sulpost sofreu um ataque. Nós sofremos um ataque daquelas pessoas contrárias à livre circulação da informação

Jornalismo Cidadão e Democracia sobre ataque. A própria liberdade de imprensa está sob ataque no Brasil. A democratização da informação não é crime

Jornalismo Cidadão e Democracia sobre ataque. A própria liberdade de imprensa está sob ataque no Brasil. A democratização da informação não é crime   O blog Sulpost sofreu um ataque terrível neste dia 4 de agosto de 2016. Foi retirado do ar pelo próprio Google por denúncia de que o blog estaria violando as diretrizes da comunidade e a lei.  Foi pedido a revisão à comunidade Google, formada por especialistas no assunto, para ter a certeza de que o blog não viola as diretrizes do Blogger.  Foi um ataque direto ao jornalismo cidadão, livre e independente. Foi um ataque ao leitor, a cada homem e mulher que este blog. Foi um ataque à democracia da informação, um ataque direto ao Campo Progressista que luta pelo crescimento do Brasil livre de qualquer amarra imposta pelo fundamentalismo religioso e pelos extremos da polarização nojenta que o país atravessa, dividindo famílias e rasgando o tecido social.  Eu, jornalista Ronald Sanson Stresser Júnior, manifesto meu repudio aos que perseguem uma ferramenta tão simples e inclusive gratuita de informação, que visa democratizar e popularizar a respeito de temas polêmicos da política, das artes, da cultura, meio ambiente e folclore brasileiro, dentre tantas outras pautas editadas e publicadas por nós do Sulpost.  As ditaduras também podem surgir na mídia de massa, que quando fazem parte da imprensa marrom ou de chapa branca. Reafirmamos que combatemos fortemente, com o uso da inteligência: o protonazismo, os fascistas, racistas, bem como grupos extremistas da esquerda, geralmente ligados ao comunismo radical, que chega a idolatrar grupos terroristas, tanto no oriente médio quanto aqui no Brasil.  O Sulpost publica os mais diversos conteúdos, as mais diversas pautas, redigindo e editando conteúdos relevantes e de utilidade pública. Também publicamos conteúdo publicitário, de parceiros e parceiras, que ajudam na continuidade deste projeto. Agradecemos também aquelas pessoas que contribuem via PIX, com valores dos mais modestos até algumas quantias um pouco mais generosas.  Afinal o jornalista também come, tem conta de luz e internet, bem como impostos e demais taxas que tanta gente paga e sabe como está cada vez mais difícil manter as contas em dia e colocar comida dentro de casa para alimentar a família.  A liberação do conteúdo integral do blog, realizada através de pedido de revisão à comunidade do próprio Blogger, comprava que este modesto veículo, de jornalismo cidadão e Imprensa livre, não violou nenhuma diretriz da comunidade. Afinal não me canso de repetir que: jornalismo não é crime. E, o jornalismo cidadão, praticada de maneira idônea e responsável, é essencial para democratização da informação no Brasil. Nós somos o texto

O blog Sulpost sofreu um ataque terrível neste dia 4 de agosto de 2016. Foi retirado do ar pelo próprio Google por denúncia de que o blog estaria violando as diretrizes da comunidade e a lei.

Foi solicitada revisão à comunidade Google, formada por especialistas no assunto, para ter a certeza de que o blog não viola as diretrizes do Blogger. Agorinha perto do horário do almoço, o pedido de revisão concluiu que não violamos nenhuma diretriz da comunidade do Blogger.

Foi um ataque direto ao jornalismo cidadão, livre e independente. Foi um ataque ao leitor, a cada homem e mulher que este blog. Foi um ataque à democracia da informação, um ataque direto ao Campo Progressista que luta pelo crescimento do Brasil livre de qualquer amarra imposta pelo fundamentalismo religioso e pelos extremos da polarização nojenta que o país atravessa, dividindo famílias e rasgando o tecido social.

Eu, jornalista Ronald Sanson Stresser Júnior, fingidamente legalizado sob a DRT 12713/PR, manifesto publicamente meu repudio aos que perseguem uma ferramenta, um blog, tão simples e inclusive fonte gratuita de informação. Um espaço plural, que visa democratizar e popularizar o acesso a temas polêmicos da política, das artes, da cultura, meio ambiente e folclore brasileiro, dentre tantas outras pautas editadas e publicadas por nós do Sulpost.

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As ditaduras também podem surgir na mídia de massa, que quando fazem parte da imprensa marrom ou de chapa branca. Reafirmamos que combatemos fortemente, com o uso da inteligência: o protonazismo, os fascistas, racistas, bem como grupos extremistas da esquerda, geralmente ligados ao comunismo radical, que chega a idolatrar grupos terroristas, tanto no oriente médio quanto aqui no Brasil. Precisamos ficar atentos e fortes porque as eleições se a avizinham, e há governos estaduais estão literalmente sob o apagar das luzes.

O Sulpost publica os mais diversos conteúdos, as mais diversas pautas, redigindo e editando conteúdos relevantes e de utilidade pública. Também publicamos conteúdo publicitário, de parceiros e parceiras, que ajudam na continuidade deste projeto. Agradecemos também aquelas pessoas que contribuem via PIX, com valores dos mais modestos até algumas quantias um pouco mais generosas. Veja no rodapé desta postagem como contribuir.

Afinal o jornalista também come, tem conta de luz e internet, bem como impostos e demais taxas que tanta gente paga e sabe como está cada vez mais difícil manter as contas em dia e colocar comida dentro de casa para alimentar a família.

A liberação do conteúdo integral do blog, realizada através de pedido de revisão à comunidade do próprio Blogger, comprava que este modesto veículo, de jornalismo cidadão e Imprensa livre, não violou nenhuma diretriz da comunidade. Afinal não me canso de repetir que: jornalismo não é crime. E, o jornalismo cidadão, praticada de maneira idônea e responsável, é essencial para democratização da informação no Brasil. Nós somos o texto!

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3.8.26

Psicologia, espiritualidade e ciência da religião: Phillipe Bandeira de Mello compartilha cinco décadas de pesquisa

Discípulo de Nise da Silveira, psicólogo carioca integra Psicologia Junguiana, terapias integrativas, estudos da religião e pesquisas sobre estados ampliados de consciência

Rio de Janeiro - Há mais de 50 anos dedicado ao estudo da psique humana, da ciência da religião e dos estados ampliados de consciência, o psicólogo carioca Phillipe Bandeira de Mello consolidou uma trajetória singular ao integrar a Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung às terapias integrativas e às pesquisas sobre espiritualidade. Discípulo da psiquiatra Nise da Silveira, referência mundial na humanização do tratamento em saúde mental, ele continua desenvolvendo pesquisas, cursos e atividades voltadas à compreensão da consciência humana.

Em entrevista exclusiva ao Sulpost, Phillipe apresentou parte dos projetos que atualmente mobilizam sua atuação profissional. Entre eles estão pesquisas envolvendo terapias assistidas por psicodélicos, terapia regressiva e estudos sobre experiências de vida passada, além do trabalho desenvolvido em uma comunidade espiritual de caráter multirreligioso.

Pesquisa e novas abordagens terapêuticas

Segundo o psicólogo, uma das áreas que mais têm despertado interesse atualmente é o avanço das terapias assistidas por psicodélicos, tema que vem sendo objeto de pesquisas científicas em diversos países.

"Faço parte dos quatro grupos. Hoje tem a terapia assistida por psicodélicos, que é uma das coisas. Eu trabalho com terapia regressiva, terapia de vida passada. A gente tem uma casa de ayahuasca bem revolucionária, multirreligiosa, com uma parte de Umbanda, mas muitas outras dimensões de estudos."

De acordo com Phillipe Bandeira de Mello, sua proposta reúne conhecimentos da psicologia, da espiritualidade e da ciência da religião em um ambiente aberto ao diálogo entre diferentes tradições religiosas e terapêuticas.

Novo livro em preparação

Durante a entrevista, o pesquisador revelou ainda que participa de um novo livro organizado pela Associação de Psicodélicos do Brasil, reunindo terapeutas e pesquisadores brasileiros da área.

"Isso vai ser um livro, que vai ser publicado pela Associação de Psicodélicos do Brasil. Tem um artigo de vários terapeutas e pesquisadores, e tem um artigo meu nesse livro novo."

A publicação deverá apresentar diferentes perspectivas sobre o uso terapêutico de substâncias psicodélicas, tema que vem ganhando espaço no debate científico internacional.

Integração entre ciência e espiritualidade

Ao longo de sua carreira, Phillipe Bandeira de Mello desenvolveu uma abordagem interdisciplinar que aproxima Psicologia Junguiana, psicologia transpessoal, terapias integrativas e ciência da religião. Além da atuação clínica, ministra cursos, palestras e formações voltadas a profissionais da saúde, terapeutas e pesquisadores interessados nos processos simbólicos da consciência.

Seu trabalho procura estabelecer pontes entre conhecimento científico, experiências subjetivas e tradições espirituais, mantendo o foco na ampliação da compreensão sobre a mente humana e seus potenciais de transformação.

2.8.26

Capacitação técnica transforma vidas e gera oportunidades para jovens na África

Projeto da UNESCO fortalece o ensino profissional em quatro países africanos e mostra como a formação técnica pode abrir caminho para o empreendedorismo, a autonomia financeira e o desenvolvimento das comunidades

© UNESCO / Fredrik Lerneryd

A história de Mohamed Preecious Gbondo, em Serra Leoa, mostra como a educação profissional pode mudar completamente o rumo de uma vida. Depois de participar de um programa de ensino técnico e formação em empreendedorismo apoiado pela UNESCO, ele deixou de procurar emprego para criar o próprio negócio no setor de agroprocessamento.

Hoje, Mohamed administra sua atividade, garante o próprio sustento e ajuda a manter a família.

"Graças ao treinamento técnico que recebi, hoje consigo pagar o aluguel. Também posso sustentar minha família, tanto quem vive comigo quanto aqueles que continuam na aldeia."

A iniciativa faz parte de um modelo de formação que vai além da qualificação para o mercado de trabalho. O objetivo é preparar jovens para empreender, criar empregos e fortalecer as economias locais.

Em Serra Leoa, a mandioca tornou-se um dos motores dessa transformação. A raiz, amplamente cultivada no país, ganha valor depois de processada em farinha e outros alimentos. Em cada etapa da cadeia produtiva — do cultivo à comercialização — surgem oportunidades para geração de renda.

Esse processo tem beneficiado especialmente mulheres e jovens, que conquistam independência financeira e ajudam a impulsionar o desenvolvimento de suas comunidades.

Foi exatamente esse o caminho percorrido por Fatmata. Embora tenha concluído o ensino universitário, foi na formação técnica que encontrou uma oportunidade concreta de trabalho. Atualmente, ela produz e vende derivados de mandioca em um mercado local.

"Com os conhecimentos que adquiri na agricultura, hoje tenho renda. E mais do que isso: também me tornei empregadora."

Empreendedorismo feminino cresce na Costa do Marfim

A transformação também alcança a Costa do Marfim, onde centenas de mulheres passaram a abrir seus próprios negócios no setor da beleza. Cursos técnicos ensinaram desde manicure até cabeleireiro, permitindo que muitas empreendedoras conquistassem independência financeira.

Uma das participantes resume sua experiência:

"Continuei porque acreditei em mim e na minha visão. Isso foi importante, mas, acima de tudo, a formação fez toda a diferença. Sou muito grata por essa oportunidade."

Projeto beneficia quatro países africanos

Essas histórias fazem parte do projeto Better Education for Africa's Rise (BEAR), desenvolvido pela UNESCO com financiamento da República da Coreia desde 2011.

O programa atua em quatro países africanos — Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Serra Leoa — fortalecendo os sistemas nacionais de educação técnica e profissional (TVET).

Além de modernizar o ensino, a UNESCO coordena a cooperação entre governos, instituições de ensino e o setor privado para aproximar a formação das reais necessidades do mercado de trabalho e ampliar o acesso dos jovens ao emprego digno.

Educação que gera renda e desenvolvimento

Um dos diferenciais do projeto é adaptar os cursos às demandas econômicas de cada país. Os estudantes realizam experiências práticas em empresas, enquanto professores e gestores escolares recebem formação para oferecer um ensino mais atualizado e conectado com a realidade.

Para a UNESCO, o lema "Skills Move Us" ("As competências nos impulsionam") representa muito mais do que uma campanha institucional. Ele simboliza uma cadeia de transformação: educação gera qualificação; qualificação abre portas para o trabalho; trabalho cria renda; renda fortalece famílias e comunidades inteiras.

À medida que mais instituições de ensino adotam esse modelo em diferentes regiões da África, cresce também o número de jovens capazes de criar seus próprios negócios, gerar empregos e contribuir para um desenvolvimento econômico mais inclusivo e sustentável.

Com informações da UNESCO - Licença CC-0

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