Agremiação venceu o Carnaval de Curitiba em seu desfile de estreia e reforça atuação nas periferias da região metropolitana
![]() |
| A escola homenageada no Plenário da ALEP - Assessoria |
O som do tamborim ecoa diferente quando atravessa o plenário de um parlamento. Entre discursos formais e protocolos rígidos, foi o ritmo do samba que abriu espaço — e sentido — para uma homenagem incomum na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
A escola de samba Rosa do Povo, criada há menos de um ano, foi celebrada em sessão solene proposta pelo deputado estadual Arilson Chiorato (PT). A agremiação conquistou o título do Grupo de Acesso do Carnaval de Curitiba 2026 logo em sua estreia — um feito raro, ainda mais considerando os recursos limitados.
“A Rosa do Povo representa a cultura popular dos bairros, da periferia e da resistência formada por pessoas normalmente invisíveis na sociedade”, afirmou o parlamentar durante a homenagem, aprovada por unanimidade.
Fundada em agosto de 2025, a escola atua em comunidades de Curitiba, Araucária e Campo Magro. Seu barracão fica na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), território onde a cultura pulsa fora dos holofotes oficiais.
No lugar do tradicional hino nacional, a sessão começou com o samba-enredo “Nasce uma Rosa na Curitiba de Todos os Povos”, apresentado pela bateria Bruta Flor. Foi esse mesmo samba que levou cerca de 350 componentes à Avenida Marechal Deodoro, no desfile de fevereiro, garantindo o título.
A letra mistura referências e identidade — inclusive com ecos dos Racionais MC’s — e constrói uma metáfora direta: a beleza que nasce no asfalto duro, no cotidiano das lutas periféricas.
“Nossa proposta é ser uma escola progressista, ligada aos movimentos sociais e populares, com gestão democrática”, explicou o presidente da agremiação, Paulo Bearzorti.
Nos bastidores, o desafio foi grande. Foram apenas quatro meses de preparação e pouco mais de R$ 30 mil para colocar o desfile na rua — cerca de metade do orçamento de escolas do Grupo Especial.
“Estar aqui também é uma forma de pleitear apoio à cultura. Cultura é direito humano”, destacou Sueli Fernandes, diretora de Alas e Comunidades, responsável por manter o vínculo da escola com sua base.
Durante a sessão, o vereador Angelo Vanhoni (PT) relembrou a história do Carnaval curitibano e criticou tentativas de apagar essa tradição em nome de uma identidade mais europeizada da cidade.
“O samba não é só Carnaval. É modo de vida, especialmente para a comunidade negra”, afirmou.
Para 2027, a Rosa do Povo já prepara seu próximo desfile — agora no Grupo Especial. O enredo será uma homenagem a Maria da Conceição Bueno, figura popular em Curitiba, considerada por muitos como santa milagreira, ainda que não reconhecida oficialmente pela Igreja Católica.
A expectativa é de continuidade. E crescimento.
“Que essa conquista seja só o começo de um caminho ainda maior”, disse Arilson.
Fonte: ALEP
Reportagem: Felipe Bottamedi













