Vice-presidente do SMC participará de encontro da Conalis durante o Maio Lilás — ele vai dar um depoimento sobre o episódio em frente à Brose, no Paraná
| Nelsão em Frente à Superintendência do MPT PR - Reprodução |
Convidado diretamente pelo procurador do trabalho Alberto Emiliano de Oliveira Neto, o dirigente sindical Nelson Silva, o da Nelsão Força, confirmou presença em uma audiência pública do Ministério Público do Trabalho (MPT), marcada para o próximo dia 4 de maio, em Brasília. Ao Sulpost, ele foi direto: já está com as passagens compradas.
O encontro integra a agenda da campanha Maio Lilás, que neste ano coloca no centro do debate o papel dos sindicatos na defesa da democracia e no enfrentamento ao assédio eleitoral nas relações de trabalho.
O convite, feito de forma pessoal, carrega o tom de quem entende o peso do momento:
“Acho muito importante a tua presença pra fortalecer esse diálogo com as entidades sindicais.”
A audiência acontece das 14h às 17h, na Procuradoria Regional do Trabalho da 10ª Região, e faz parte da série nacional “Diálogos com o MPT: Sindicatos, Democracia e Assédio Eleitoral”, que percorre o país ao longo de maio.
Um caso que ultrapassa os portões da fábrica
A ida de Nelsão à capital federal não é protocolar. É consequência direta de um episódio que ainda reverbera entre trabalhadores do Paraná.
No dia 4 de fevereiro, durante uma mobilização legítima de trabalhadores da fábrica Brose, em São José dos Pinhais, o dirigente foi agredido e preso pela Polícia Militar do Paraná. Não havia confronto armado, não havia vandalismo — havia greve.
Testemunhas relatam uso de gás de pimenta contra manifestantes pacíficos, incluindo mulheres, e uma abordagem considerada truculenta contra lideranças sindicais.
A cena, descrita por quem estava ali, rompe uma linha delicada: quando o Estado, que deveria garantir direitos, passa a agir como barreira à sua própria existência.
A denúncia que chega a Brasília é grave: a suspeita de utilização da força pública para conter atividade sindical — algo que, se comprovado, configura prática antissindical e afronta direta ao direito constitucional de greve. E, pior, a suposta possibilidade de aparelhamento, pela Brose do Brasil, da PM do Paraná.
Maio Lilás: democracia também se constrói no trabalho
A audiência do próximo dia 4 não surge isolada. Ela integra uma mobilização nacional do MPT que busca recolocar o trabalho no centro da democracia.
A campanha Maio Lilás, organizada pela Coordenadoria Nacional de Promoção da Liberdade Sindical (Conalis), tem como eixo a valorização da organização coletiva e da liberdade sindical como pilares democráticos.
Neste ano, o foco está sobre o combate ao assédio eleitoral — práticas que tentam constranger ou influenciar o voto de trabalhadores dentro do ambiente de trabalho.
Mas há algo mais profundo em jogo.
Ao reunir sindicalistas, procuradores e sociedade civil, o MPT tenta reconstruir uma ponte que, em muitos momentos recentes, foi tensionada: a do diálogo entre capital, trabalho e Estado.
Quem conduz o chamado
O convite a Nelsão parte de uma figura conhecida nesse campo.
Alberto Emiliano de Oliveira Neto é procurador do trabalho, doutor em Direito pela UFPR e ex-procurador-chefe do MPT no Paraná. Sua atuação é marcada pelo enfrentamento a fraudes trabalhistas e práticas antissindicais, especialmente à frente da Conalis.
Não é um convite casual. É um gesto institucional — e político, no sentido mais amplo da palavra.
Quando um caso individual vira coletivo
O que aconteceu na porta da Brose não ficou restrito a um dirigente. Ele ecoa em outras fábricas, em outras categorias, em trabalhadores que reconhecem, naquele episódio, um sinal de alerta.
A prisão do Nelsão — pela PM do Paraná —, na porta da Brose do Brasil, repercutiu em todo país, e, inclusive, foi divulgada carta publica de apoio ao vice-presidente do SMC assinada por todas as centrais sindicais. A carta condena a maneira truculenta de agir da polícia paranaense, a violação do direito de greve ao impedir a atividade sindical.
Criminalizar a organização coletiva não é apenas um excesso pontual. É uma mensagem que infelizmente tem se repetido no Paraná há quase uma década. E mensagens assim, quando não são confrontadas, tendem a se repetir.
Brasília como palco — e teste
Na segunda-feira, o que estará em discussão não é apenas o relato de um episódio de violência.
É o limite entre ordem pública e repressão. Entre mediação de conflitos e silenciamento. Entre o direito de reivindicar e o risco de ser punido por isso.
Nelsão chega com sua história recente ainda em aberto. E Brasília, desta vez, será mais do que cenário. Será campo de resposta.














