Nova operação da Polícia Federal aprofunda suspeitas sobre aportes bilionários do Rioprevidência no Banco Master e reacende debate sobre a proximidade entre Daniel Vorcaro, aliados do PL e o núcleo político bolsonarista no Rio de Janeiro
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| Ato "Pró anistia", no Rio: Tarcísio, Flávio, Castro (alvo da investigação) e Bolsonaro (hoje preso em Brasília) Redes Sociais/Reprodução |
O caso Banco Master começa a ganhar contornos cada vez mais políticos — e cariocas — de deixar de boca aberta até os criadores do seriado "House of Cards", da Netflix.
A nova operação da Polícia Federal (PF) autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), colocou novamente no centro da investigação o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), além de dirigentes do Rioprevidência e operadores financeiros ligados ao Banco Master e à corretora Planner.
Segundo a investigação, a Planner teria sido usada como uma espécie de “ponte” dentro do esquema envolvendo aplicações bilionárias do fundo previdenciário estadual em produtos financeiros ligados ao Banco Master.
A PF afirma que o credenciamento do banco e da corretora teria sido feito com base em documentação fraudulenta e que a corretora funcionaria como intermediária para ampliar taxas de corretagem e operacionalizar pagamentos aos operadores do esquema.
A investigação também aponta que a primeira operação intermediada pela Planner, em fevereiro de 2024, ocorreu sem justificativa técnica registrada, apesar de o Rioprevidência já possuir relação direta com o Banco Master.
Na prática, o que a Polícia Federal parece tentar entender agora é se houve uso político da máquina pública, para direcionar bilhões de reais da previdência estadual às operações financeiras privadas, cercadas de favorecimento, influência política e possíveis vantagens indevidas.
Mas o caso começa a chamar atenção também por outro detalhe: as conexões pessoais e políticas entre os personagens envolvidos.
Cláudio Castro não é apenas um governador do PL. É um aliado histórico da família Bolsonaro. No Rio político, a proximidade entre Castro e o bolsonarismo vem desde muito antes do Palácio Guanabara — desde os tempos em que, segundo relatos conhecidos nos bastidores cariocas, Castro tocava violão em ambientes frequentados pelo grupo político ligado aos Bolsonaro, incluindo a tradicional churrascaria Porcão.
Hoje, décadas depois, os nomes voltam a aparecer orbitando um mesmo escândalo financeiro. Uma mesma bodega. De um lado, o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, já citado em reportagens recentes sobre relações próximas com figuras do bolsonarismo e do PL.
Vieram à tona recentemente mensagens, divulgadas pelo site The Intercept Brasil, envolvendo negociações milionárias com Flávio Bolsonaro, com pedidos de cifras elevadas, que ultrapassa os 100 milhões de reais, para projetos político/midiáticos ligados ao grupo. No caso o longa-metragem "Dark Horse", uma produção de Mário Frias, que fala da vida do ex-presidente Bolsonaro, hoje detido no presídio da Papuda, em Brasília.
Do outro lado da mesma investigação, surge justamente Cláudio Castro, governador do mesmo partido, aliado político próximo do núcleo bolsonarista no Rio e agora alvo de nova ofensiva da Polícia Federal. O crime parece rondar o Partido Liberal (PL), aonde até o presidente do partido já usou tornozeleira eletrônica.
As pontas começam a se ligar. No imaginário popular e nas conversas políticas do Rio, o caso já começa a ganhar um apelido informal: “BolsoMaster”. Um nome que não aparece oficialmente na investigação, mas que traduz a percepção crescente de que existe uma rede de relações políticas, financeiras e pessoais muito mais integrada do que parecia inicialmente.
A sensação é a de que o escândalo deixou de ser apenas um caso de mercado financeiro. Cada um ali se supõe que sabia o que o outro fez no verão passado e inclusive parece que muitas vezes fizeram juntos.
Uma turma, que passa pela geografia clássica do poder carioca: Barra da Tijuca, praia do Pepê, encontros de sábado na pizzaria mais badalada do Leblon, mesas de feijoada no Porcão e círculos onde banqueiros, operadores, empresários e políticos convivem há décadas em uma mistura permanente entre amizade, negócios e poder.
A pergunta inevitável começa a ecoar:
“Seria tudo uma turma só?”
O avanço da investigação da PF sugere que talvez essa hipótese esteja deixando o terreno das especulações políticas para entrar definitivamente no campo das apurações criminais.
E há uma ironia política impossível de ignorar. Os grupos que durante anos construíram discurso público de combate radical à corrupção agora começam a aparecer ligados, por múltiplas conexões, a um dos casos financeiros mais explosivos surgidos no país nos últimos tempos.
A Policia Federal ainda investiga o alcance total do esquema, mas uma coisa já parece evidente: o caso Banco Master deixou de ser apenas um problema bancário. Ele se transformou numa investigação sobre relações de poder baseadas na suposta promiscuidade, e nas possíveis ligações ilícitas de seus integrantes.









