sábado, 2 de maio de 2026

Nelsão da Força leva denúncia de violência policial ao MPT em Brasília

Vice-presidente do SMC participará de encontro da Conalis durante o Maio Lilás — ele vai dar um depoimento sobre o episódio em frente à Brose, no Paraná

Nelsão da Força leva denúncia de violência policial ao MPT em Brasília.Vice-presidente do SMC participará de encontro da Conalis durante o Maio Lilás — ele vai dar um depoimento sobre o episódio em frente à Brose, no Paraná.
Nelsão em Frente à Superintendência do MPT PR - Reprodução

Convidado diretamente pelo procurador do trabalho Alberto Emiliano de Oliveira Neto, o dirigente sindical Nelson Silva, o da Nelsão Força, confirmou presença em uma audiência pública do Ministério Público do Trabalho (MPT), marcada para o próximo dia 4 de maio, em Brasília. Ao Sulpost, ele foi direto: já está com as passagens compradas.

O encontro integra a agenda da campanha Maio Lilás, que neste ano coloca no centro do debate o papel dos sindicatos na defesa da democracia e no enfrentamento ao assédio eleitoral nas relações de trabalho.

O convite, feito de forma pessoal, carrega o tom de quem entende o peso do momento:

“Acho muito importante a tua presença pra fortalecer esse diálogo com as entidades sindicais.”

A audiência acontece das 14h às 17h, na Procuradoria Regional do Trabalho da 10ª Região, e faz parte da série nacional “Diálogos com o MPT: Sindicatos, Democracia e Assédio Eleitoral”, que percorre o país ao longo de maio.

Um caso que ultrapassa os portões da fábrica

A ida de Nelsão à capital federal não é protocolar. É consequência direta de um episódio que ainda reverbera entre trabalhadores do Paraná.

No dia 4 de fevereiro, durante uma mobilização legítima de trabalhadores da fábrica Brose, em São José dos Pinhais, o dirigente foi agredido e preso pela Polícia Militar do Paraná. Não havia confronto armado, não havia vandalismo — havia greve.

Testemunhas relatam uso de gás de pimenta contra manifestantes pacíficos, incluindo mulheres, e uma abordagem considerada truculenta contra lideranças sindicais.

A cena, descrita por quem estava ali, rompe uma linha delicada: quando o Estado, que deveria garantir direitos, passa a agir como barreira à sua própria existência.

A denúncia que chega a Brasília é grave: a suspeita de utilização da força pública para conter atividade sindical — algo que, se comprovado, configura prática antissindical e afronta direta ao direito constitucional de greve. E, pior, a suposta possibilidade de aparelhamento, pela Brose do Brasil, da PM do Paraná.

Maio Lilás: democracia também se constrói no trabalho

A audiência do próximo dia 4 não surge isolada. Ela integra uma mobilização nacional do MPT que busca recolocar o trabalho no centro da democracia.

A campanha Maio Lilás, organizada pela Coordenadoria Nacional de Promoção da Liberdade Sindical (Conalis), tem como eixo a valorização da organização coletiva e da liberdade sindical como pilares democráticos.

Neste ano, o foco está sobre o combate ao assédio eleitoral — práticas que tentam constranger ou influenciar o voto de trabalhadores dentro do ambiente de trabalho.

Mas há algo mais profundo em jogo.

Ao reunir sindicalistas, procuradores e sociedade civil, o MPT tenta reconstruir uma ponte que, em muitos momentos recentes, foi tensionada: a do diálogo entre capital, trabalho e Estado.

Quem conduz o chamado

O convite a Nelsão parte de uma figura conhecida nesse campo.

Alberto Emiliano de Oliveira Neto é procurador do trabalho, doutor em Direito pela UFPR e ex-procurador-chefe do MPT no Paraná. Sua atuação é marcada pelo enfrentamento a fraudes trabalhistas e práticas antissindicais, especialmente à frente da Conalis.

Não é um convite casual. É um gesto institucional — e político, no sentido mais amplo da palavra.

Quando um caso individual vira coletivo

O que aconteceu na porta da Brose não ficou restrito a um dirigente. Ele ecoa em outras fábricas, em outras categorias, em trabalhadores que reconhecem, naquele episódio, um sinal de alerta.

A prisão do Nelsão — pela PM do Paraná —, na porta da Brose do Brasil, repercutiu em todo país, e, inclusive, foi divulgada carta publica de apoio ao vice-presidente do SMC assinada por todas as centrais sindicais. A carta condena a maneira truculenta de agir da polícia paranaense, a violação do direito de greve ao impedir a atividade sindical.

Criminalizar a organização coletiva não é apenas um excesso pontual. É uma mensagem que infelizmente tem se repetido no Paraná há quase uma década. E mensagens assim, quando não são confrontadas, tendem a se repetir.

Brasília como palco — e teste

Na segunda-feira, o que estará em discussão não é apenas o relato de um episódio de violência.

É o limite entre ordem pública e repressão. Entre mediação de conflitos e silenciamento. Entre o direito de reivindicar e o risco de ser punido por isso.

Nelsão chega com sua história recente ainda em aberto. E Brasília, desta vez, será mais do que cenário. Será campo de resposta.

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Spirit sucumbe ao combustível caro e encerra operações após guerra no Irã

Alta abrupta do querosene inviabiliza recuperação judicial e derruba pioneira das passagens populares nos EUA

Spirit sucumbe ao combustível caro e encerra operações após guerra no Irã. Alta abrupta do querosene inviabiliza recuperação judicial e derruba pioneira das passagens populares nos EUA.

O dia ainda nem tinha clareado quando milhares de passageiros descobriram — alguns já dentro dos aeroportos — que não havia mais voo, nem plano B. Apenas silêncio e telas atualizadas com uma mensagem seca: todos os voos cancelados, com efeito imediato.

Assim terminou a trajetória da Spirit Airlines, companhia que por mais de três décadas redefiniu o acesso ao transporte aéreo nos Estados Unidos. Desta vez, porém, não foi a concorrência nem o gosto do consumidor que falou mais alto — foi o combustível.

A empresa confirmou neste sábado (2) o encerramento total de suas operações após não conseguir sustentar o plano de recuperação judicial. O gatilho final veio de fora: a escalada da guerra no Irã, que fez o preço do querosene de aviação disparar em nível global, pressionando um modelo de negócios que já operava no limite.

Combustível dobrou de preço e sufocou a operação

Segundo informam as agências internacionais de notícias, nos bastidores, o colapso já vinha sendo desenhado. O custo do combustível — variável crítica para qualquer companhia aérea — chegou a dobrar em poucos meses, ultrapassando projeções básicas do plano de reestruturação da empresa.

Com margens apertadas por natureza, a Spirit dependia de custos baixos para sustentar tarifas mínimas. Quando o querosene subiu, não havia gordura para queimar. O resultado foi imediato: o caixa não suportou.

A própria companhia reconheceu que a “alta súbita e sustentada” dos preços tornou inviável continuar operando sem um aporte bilionário — recurso que não veio.

Plano de resgate fracassou e selou o destino

Houve tentativas de última hora. O governo dos Estados Unidos chegou a discutir um pacote de cerca de US$ 500 milhões, mas a proposta esbarrou na resistência de credores e divergências políticas.

Sem acordo, a empresa optou por um encerramento ordenado — cancelando todos os voos e orientando passageiros a não comparecer aos aeroportos.

O impacto é imediato e profundo: cerca de 15 mil a 17 mil empregos diretos e indiretos afetados, além de milhares de passageiros surpreendidos no meio de suas viagens. 4

O fim de uma era das passagens baratas

A queda da Spirit não é apenas empresarial — é simbólica. A companhia foi pioneira no modelo “ultra low cost” nos Estados Unidos, oferecendo passagens extremamente baratas e cobrando por serviços adicionais.

Durante anos, ajudou a pressionar concorrentes e democratizou o acesso ao transporte aéreo. Em seu auge, chegou a representar cerca de 5% dos voos domésticos no país.

Agora, sua saída tende a reorganizar o mercado — com expectativa de aumento de tarifas em algumas rotas e maior concentração nas mãos de grandes companhias.

Uma crise que vai além de uma empresa

Especialistas já tratam o caso como o primeiro grande efeito colateral da guerra no Irã sobre a aviação global. O conflito elevou o preço do petróleo e afetou rotas estratégicas, criando um efeito dominó em um setor altamente sensível a custos operacionais.

No caso da Spirit, esse impacto encontrou uma empresa já fragilizada: perdas acumuladas desde a pandemia, tentativas frustradas de fusão e mudanças no perfil dos passageiros — que passaram a buscar mais conforto e menos “tarifa básica”.

O resultado foi inevitável. O céu continua o mesmo, mas ficou um pouco mais caro — e, para muitos, mais distante. Também veremos menos aviões amarelos nos céus, a empresa havia escolhido essa cor para às aeronaves em analogia aos táxis de Nova York, os Yellow Cabs.

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1º de Maio leva multidões às ruas contra a escala 6x1 no Brasil

De Brasília a Curitiba, trabalhadores transformam o feriado em dia de luta — pelo fim da escala 6x1, pela dignidade do tempo e por nenhum direito a menos

 
1º de Maio leva multidões às ruas contra a escala 6x1 no Brasil. De Brasília a São Paulo, trabalhadores transformam o feriado em dia de luta — pelo fim da escala 6x1, pela dignidade do tempo e por nenhum direito a menos. Haddad participou do ato no ABC Paulista.
Haddad participou do ato do 1º de maio no ABC Paulista - Instagram/Reprodução

O Brasil amanheceu diferente no 1º de Maio. Não foi apenas o feriado. Foi o corpo coletivo nas ruas — gente comum, de rotina apertada, que decidiu interromper o ciclo para dizer que não dá mais. Já que a aposentadoria no Brasil se tornou uma verdadeira odisseia, nada mais justo que o trabalhador tenha uma compensação: um dia a mais de folga durante a semana.

De norte a sul, trabalhadores, aposentados, estudantes e ativistas ocuparam avenidas, praças e centros urbanos. Em Brasília, o Eixão do Lazer virou espaço de reivindicação. Em São Paulo, a Praça Roosevelt pulsou como um coração inquieto. No ABC paulista, o som dos palcos se misturava ao eco das palavras de ordem.

A pauta tinha um eixo claro, quase unânime: o fim da escala 6x1 — seis dias de trabalho para um de descanso. Uma lógica que, para muitos, já não cabe mais na vida real. É antiquada, desumana e rouba o que as pessoas têm de mais preciso: tempo de vida.

Entre gerações, a mesma cobrança

No meio da multidão em Brasília, a cena parecia simples — mas dizia muito. De acordo com a Agência Brasil, a empregada doméstica Cleide Gomes, 59 anos, caminhava ao lado do neto de 5, da nora e da mãe de 80. Quatro gerações juntas, atravessadas pela mesma pergunta: até quando?

Cleide conhece bem o peso da informalidade. Já trabalhou sem carteira assinada, já viu direitos escorrerem pelos dedos. Hoje, formalizada, carrega outra preocupação: a desinformação.

“Tem gente trabalhando hoje porque o patrão diz que não é feriado. E elas nem sabem que têm direito.”

Não é só sobre carga horária. É sobre consciência. Sobre saber que existe um limite — e que ele precisa ser respeitado.

O tempo como direito

A discussão sobre a jornada de trabalho ganhou densidade nos atos. Lideranças sindicais insistiram: reduzir a jornada não é prejuízo econômico — é reorganização social.

Para o professor Rodrigo Rodrigues, da CUT no Distrito Federal, a lógica é direta: descanso não é luxo.

“Um único dia de descanso é insuficiente. É desgaste físico, mental. Reduzir a jornada é justiça social — e também inteligência produtiva.”

A frase encontra eco em histórias como a de Ana Beatriz Oliveira, 21 anos, estagiária de psicopedagogia. Ela já viveu a rotina de centros logísticos: madrugadas, turnos dobrados, corpo exausto.

Quando conseguiu migrar para uma escala 5x2, percebeu a diferença de imediato — no sono, na alimentação, na disposição.

“Você trabalha melhor quando está inteiro.”

O argumento, repetido em cartazes e discursos, atravessa o país: produtividade não nasce do esgotamento.

Trabalho, gênero e desigualdade

Entre as pautas, uma camada se sobrepôs às demais: a jornada invisível das mulheres.

O sindicalista Geraldo Coan trouxe o ponto com clareza incômoda — não basta reduzir a jornada formal se o trabalho doméstico continuar sendo unilateral.

“O fim da escala 6x1 precisa beneficiar ainda mais as mulheres. E os homens precisam assumir sua parte.”

A discussão ganha ainda mais peso em meio ao aumento dos casos de violência de gênero. Em São Paulo, manifestantes também cobraram políticas mais efetivas de combate ao feminicídio.

Para muitas, a luta pelo tempo livre não é apenas por descanso — é por sobrevivência.

O trabalho que desaparece — e o que se precariza

Outro tema recorrente foi a transformação das relações de trabalho. A chamada “pejotização” apareceu como preocupação constante.

O professor Marco Antônio Ferreira, da rede pública, resumiu o desafio: convencer as novas gerações de que direitos trabalhistas não são obstáculos — são proteção.

Contratos como pessoa jurídica, muitas vezes, eliminam garantias básicas: férias, 13º, segurança em caso de doença. E, no discurso, acabam sendo vendidos como autonomia.

Dados recentes reforçam a contradição: grande parte dos trabalhadores sem carteira assinada já teve vínculo formal — e voltaria a ele. Há, portanto, uma memória de direitos. E uma disputa em curso sobre o futuro deles.

Entre festa e tensão

Nem todos os atos foram marcados apenas por discursos e música. Em Brasília, houve confronto após provocações envolvendo apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. A situação foi rapidamente controlada pela Polícia Militar, sem registro de ocorrências graves.

O episódio expõe outra camada das manifestações: o ambiente político tensionado que atravessa o debate sobre trabalho. Por razões que muitos não conseguem entender, hoje existe trabalhador que acha que trabalhador não pode ter nenhum direito a mais. Existe trabalhador contra o fim da jornada 6x1, enganado por narrativas e notícias falsas.

Ainda assim, a tônica predominante foi outra — a da mobilização organizada. A balbúrdia bolsonarista não chegou a comprometer a celebração popular, que foi pacífico, ordeiro e cumpriu com seu papel.

Curitiba

Em Curitiba o líder sindical Nelsão da Força, você presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), lembrou que: 

"O trabalho move o mundo. E quem move o trabalho somos nós. Neste 1º de Maio, não é só sobre comemorar. É sobre lembrar cada direito conquistado com luta, cada voz que se levantou e cada trabalhador que não aceitou ficar calado. Seguimos firmes. Porque nada vem fácil e nada será tirado sem resistência!"

Congresso no centro da disputa

Enquanto as ruas pressionam, o tema avança institucionalmente. Um projeto do governo federal propõe a redução da jornada para 40 horas semanais, sem corte salarial.

A tramitação ocorre em regime de urgência.

Para lideranças políticas e sindicais, o calendário é decisivo. A meta é aprovar mudanças ainda antes das eleições. Fernando Haddad, em discurso no ABC, sintetizou o momento: o 1º de Maio segue sendo celebração — mas, sobretudo, consciência.

O dia seguinte

Hoje é 2 de maio. As ruas já não estão tão cheias. O trânsito voltou. Os relógios retomaram seu ritmo. Mas algo permanece. A ideia de que o tempo — esse recurso invisível e cada vez mais escasso — também é um direito. E que, para muita gente, ele ainda precisa ser conquistado. Independente de ideologias ou narrativas políticas, o que se está falando e sobre mais tempo para viver, e isto é indispensável.

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sexta-feira, 1 de maio de 2026

1º de Maio reacende a luta pelo tempo de viver no Brasil

Da greve histórica de Chicago às pautas de 2026, o Dia do Trabalhador volta a ter propósito, a pulsar como um chamado por dignidade, descanso e futuro, por mais tempo para viver

1º de Maio reacende a luta pelo tempo de viver no Brasil. Da greve histórica de Chicago às pautas de 2026, o Dia do Trabalhador volta a ter propósito, a pulsar como um chamado por dignidade, descanso e futuro, por mais tempo para viver.

O dia amanhece diferente em 1º de maio, como sempre, na maior parte do país, o sol brilha. Não é só um feriado. Há uma pausa no ritmo — e, dentro dela, uma memória que insiste em não se acomodar. Um lembrete de que o trabalho, do jeito que existe hoje, já foi muito mais duro. E que só mudou porque alguém, um dia, decidiu que não dava mais.

Em 1886, trabalhadores foram às ruas exigir o básico: reduzir jornadas que ultrapassavam 16 horas diárias. Queriam viver além do trabalho. A resposta veio em forma de repressão. Mas a semente ficou. Três anos depois, o 1º de maio se tornaria um símbolo internacional — não de celebração, mas de luta.

No Brasil, a data ganhou contornos próprios. Surgiu ainda no início da República, cresceu com o movimento operário, enfrentou períodos de mobilização intensa e, com o tempo, foi institucionalizada. Virou feriado. Virou cerimônia. Em muitos momentos, perdeu parte da sua força original.

Mas 2026 parece recolocar essa história no eixo.

O debate sobre o fim da escala 6x1 — seis dias de trabalho para apenas um de descanso — reacende uma pergunta essencial: quanto tempo da vida pode ser consumido pelo trabalho?

A discussão não é teórica. Está no cotidiano de milhões de brasileiros. Na exaustão que se acumula. Na folga que vira obrigação. Na sensação constante de que viver ficou para depois.

E ela não vem sozinha.

Neste 1º de Maio, as prioridades da classe trabalhadora ganham forma em uma agenda clara, que revela o tamanho da disputa em curso:

  • Redução da jornada de trabalho sem redução salarial, com o fim da escala 6x1
  • Fortalecimento das negociações e acordos coletivos
  • Redução da taxa básica de juros
  • Regulamentação do trabalho por plataformas digitais, com garantia de direitos
  • Combate à pejotização e às fraudes trabalhistas
  • Enfrentamento à violência contra a mulher e ao feminicídio

Há uma linha que conecta todas essas pautas: o direito de viver com dignidade. E, entre a história e o presente, existe um elo fundamental — a organização coletiva.

Em Curitiba, essa trajetória pode ser vista na história do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC). Uma entidade que atravessa décadas defendendo direitos, negociando avanços e organizando trabalhadores em um cenário que muda o tempo todo.

Mas o movimento sindical não é feito apenas de instituições. Ele é feito de pessoas. Gente que vive o trabalho na pele antes de representá-lo.

É o caso de Nelson Silva de Souza, o Nelsão da Força. A história dele começa cedo — cedo demais. Aos três anos de idade, já ajudava os pais na roça, no norte do Paraná. Limpava pé de café, carpia a terra, empilhava madeira. O trabalho não era escolha. Era condição.

Na década de 1970, já em Curitiba, a rotina seguiu intensa. Vendeu picolé, trabalhou com flores, colheu verduras. Fez o que era possível — e o que era necessário.

O primeiro registro em carteira veio em 1980, em uma empresa terceirizada dentro da Volvo. Depois vieram outras funções, outras experiências, até a passagem pelo Exército como paraquedista. Treze saltos. Disciplina, risco, aprendizado.

Em 1985, de volta à vida civil, retornou à Volvo — onde segue até hoje.

Mas foi em 1996 que a trajetória ganhou outro sentido. Eleito vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, passou a transformar a própria história em instrumento de luta coletiva.

De lá para cá, sua atuação acompanha aquilo que o 1º de Maio representa em essência: organização, resistência e defesa permanente de direitos.

Histórias como a de Nelsão ajudam a entender por que o debate sobre a jornada de trabalho não é apenas técnico.

Ele é humano.

O mundo do trabalho mudou. A tecnologia avançou. Novas formas de contratação surgiram. A estabilidade diminuiu. O tempo, no entanto, segue sendo o centro da disputa.

Tempo para viver fora do trabalho. Tempo para a família, para o descanso, para a própria vida. Por isso, o 1º de Maio de 2026 não é apenas simbólico. Ele volta a incomodar. Volta a provocar. Volta a lembrar que trabalhar menos não significa produzir menos.

Significa, acima de tudo, ter mais tempo para viver.


"O trabalho move o mundo. E quem move o trabalho somos nós. Neste 1º de Maio, não é só sobre comemorar. É sobre lembrar cada direito conquistado com luta, cada voz que se levantou e cada trabalhador que não aceitou ficar calado. Seguimos firmes. Porque nada vem fácil e nada será tirado sem resistência!"

Maio Amarelo começa no Paraná com um alerta simples — e urgente —: enxergar o outro pode salvar vidas

Campanha de 2026 lançada pela Assembleia Legislativa volta o olhar para motociclistas, os mais vulneráveis no trânsito, em um cenário de números que ainda preocupam

Maio Amarelo começa no Paraná com um alerta simples — e urgente —: enxergar o outro pode salvar vidas. Campanha de 2026 lançada pela Assembleia Legislativa volta o olhar para motociclistas, os mais vulneráveis no trânsito, em um cenário de números que ainda preocupam.

O trânsito não começa quando o motor liga. Ele começa antes — no olhar, na pressa contida, na escolha de parar ou avançar. Nesta segunda-feira (4), às 14h, no Plenário da Assembleia Legislativa do Paraná, o Maio Amarelo de 2026 será oficialmente lançado com um convite que parece simples, mas carrega peso de urgência: enxergar o outro.

Um gesto cotidiano que pode evitar tragédias

Com o tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, definido pela Secretaria Nacional de Trânsito, a campanha deste ano se ancora em algo que escapa entre buzinas e notificações no celular: a atenção. A proposta, respaldada pela lei estadual 18.624/2015, é transformar comportamento — tarefa lenta, muitas vezes ingrata, mas decisiva.

O deputado Hussein Bakri, autor da legislação, resume o ponto central: investir em infraestrutura é essencial, mas não substitui educação. Respeitar limites, evitar o uso do celular ao volante, manter distância segura e usar cinto de segurança continuam sendo atitudes básicas — e ainda assim negligenciadas.

Uma mobilização que atravessa o estado

Ao longo de maio, o Paraná se transforma em um grande espaço de conscientização. Escolas, ruas, eventos públicos, terminais de transporte e até festas populares passam a integrar a campanha. A linguagem é múltipla: vai de busdoors a simuladores, de blitze educativas a atividades lúdicas como contação de histórias.

A lógica é clara — o trânsito não é feito apenas de carros. Ele envolve pedestres, ciclistas, motociclistas, entregadores, famílias inteiras. E todos compartilham o mesmo espaço, ainda que nem sempre compartilhem o mesmo nível de proteção.

Motociclistas no centro da discussão

Em 2026, o foco recai sobre quem mais se expõe: os motociclistas. Hoje, eles representam cerca de 40% das mortes no trânsito no Brasil. Não é um dado abstrato — são histórias interrompidas, muitas vezes de jovens entre 15 e 39 anos.

As peças da campanha apostam em humanizar esses números. Mostram motociclistas com seus filhos, em jornadas de trabalho, nas entregas que sustentam rotinas urbanas. A intenção é direta: lembrar que por trás do capacete existe alguém.

Há também um fator técnico importante: motociclistas frequentemente ficam fora do campo de visão dos demais condutores, seja por pontos cegos, seja pela dinâmica acelerada do trânsito. A campanha insiste em conceitos-chave como visibilidade, previsibilidade e distância segura — elementos que, na prática, fazem a diferença entre um susto e uma tragédia.

Crescimento da frota, aumento do risco

Os dados ajudam a entender o tamanho do desafio. Entre 2010 e 2024, a frota de motocicletas no Paraná cresceu quase 60%. No mesmo período, as mortes envolvendo esses condutores aumentaram 14,6%. Em 2025, foram cerca de 825 vidas perdidas.

O impacto também aparece nos hospitais: motociclistas representam mais de 60% das internações por lesões no trânsito no estado. Em 2023, isso gerou um custo superior a R$ 10,8 milhões ao sistema de saúde.

Há ainda mudanças no perfil das vítimas. O número de mortes entre mulheres motociclistas cresceu mais de 70% em menos de duas décadas, indicando que o fenômeno acompanha transformações sociais e econômicas, como o aumento do uso da moto para trabalho.

Um retrato que vai além do Paraná

O cenário local dialoga com uma realidade nacional preocupante. Em 2024, o Brasil registrou mais de 37 mil mortes no trânsito — uma a cada 15 minutos. São mais de 124 milhões de veículos circulando no país, em uma convivência que nem sempre é equilibrada.

No Paraná, foram 131,2 mil sinistros apenas em 2025. O estado soma cerca de 2,2 milhões de condutores, com uma média anual de 81 mil novas habilitações. A pressão sobre o sistema viário cresce — e com ela, a necessidade de responsabilidade coletiva.

Uma campanha que evolui com o tempo

Ao completar 11 anos, a lei que institui o Maio Amarelo no Paraná mostra capacidade de adaptação. Nos últimos anos, novas iniciativas foram incorporadas, como a semana “Moto Vida”, dedicada exclusivamente aos motociclistas, e a ampliação do foco para incluir ciclomotores, bicicletas elétricas e outros meios de mobilidade individual.

A mensagem, no entanto, permanece essencialmente a mesma — e talvez mais necessária do que nunca: o trânsito é um espaço compartilhado. E enxergar o outro, em meio à rotina acelerada, pode ser o detalhe que separa a vida da estatística.

No fim, não se trata apenas de regras. Trata-se de percepção. E, sobretudo, de escolha.

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O gigante no horizonte: o que significa a chegada do USS Nimitz ao Brasil

Entre cooperação militar e sinalização estratégica, presença norte-americana reacende debate — mas longe de ser novidade

O casco surge primeiro como uma linha escura no horizonte. Depois, cresce — até virar cidade flutuante. Quando um porta-aviões como o USS Nimitz se aproxima da costa de qualquer país, não há como passar despercebido. Nem pelas lentes das câmeras. Nem pelos filtros da geopolítica internacional.

A chegada da embarcação ao litoral do Rio de Janeiro, prevista para o dia 7 de maio, dentro da operação Southern Seas 2026, programada para ocorrer entre os dias 11 e 14 de maio, reacende um debate recorrente: afinal, o que representa — na prática — a presença de um dos maiores ativos militares dos Estados Unidos em águas brasileiras?

A resposta não cabe em uma única leitura.

Entre rotina e simbolismo

Operações conjuntas entre a Marinha do Brasil e a dos Estados Unidos não são novidade. Elas se repetem há décadas, com objetivos que vão de treinamento técnico à padronização de protocolos em cenários de crise.

O professor aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF), Eduardo Brick, que integra o núcleo de estudos estratégicos da instituição, relativiza qualquer leitura imediata de ameaça.

Em entrevista à Sputnik Brasil, ele diz que a presença de um porta-aviões desse porte carrega, inevitavelmente, uma dimensão simbólica — mas isso não a torna excepcional.

“Existe, sim, uma demonstração de capacidade envolvida. Um navio como esse é, por definição, uma expressão de poder. Mas isso faz parte do repertório normal das relações militares internacionais”, observa.

Ou seja: há mensagem — mas também há rotina.

Cooperação que atravessa décadas

O histórico ajuda a colocar o momento em perspectiva.

De acordo com especialistas em estudos marítimos, como Allan Antunes, a cooperação militar entre países das Américas é extensa e estruturada. Desde a criação do Ministério da Defesa, em 1999, centenas de ações conjuntas foram realizadas — dezenas delas com participação direta dos Estados Unidos.

Esses exercícios seguem planejamento prévio, protocolos rígidos e objetivos claros:

  • aprimorar interoperabilidade
  • treinar respostas conjuntas
  • fortalecer canais institucionais

Na prática, funcionam menos como improviso geopolítico e mais como rotina operacional de longo prazo.

A camada geopolítica — sem exageros

Ainda assim, ignorar o contexto internacional seria ingenuidade.

A presença do Nimitz também dialoga com o cenário mais amplo: disputas de influência, reposicionamentos estratégicos e a tentativa contínua de manter zonas de cooperação ativa no hemisfério.

Isso não significa, necessariamente, tensão direta com o Brasil — mas evidencia que o país segue sendo um ator relevante no tabuleiro regional.

Para Brick, a resposta brasileira mais consistente passa longe de reações automáticas.

“A melhor postura é o pragmatismo. Manter relações, participar quando for do interesse nacional e preservar autonomia decisória”, resume.

Um gigante que diz mais pelo contexto do que pelo aço

No fim das contas, a imagem do porta-aviões cruzando a entrada da Baía de Guanabara impressiona — e é natural que impressione. São mais de 300 metros de aço, tecnologia e capacidade militar condensados em movimento.

Mas o significado desse movimento depende menos do tamanho do navio e mais da lente de quem observa.

Entre alarmismo e normalidade, há um espaço mais preciso — e mais útil — para entender o que está, de fato, acontecendo.

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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Brasil mira protagonismo global e pode virar potência dos biocombustíveis, diz Lula

Presidente aponta vantagem ambiental do biodiesel nacional e defende exportação de tecnologia como estratégia geopolítica

Brasil mira protagonismo global e pode virar potência dos biocombustíveis, diz Lula. Presidente aponta vantagem ambiental do biodiesel nacional e defende exportação de tecnologia como estratégia geopolítica.

O discurso vem com tom de ambição — e de reposicionamento. Em meio a um cenário internacional pressionado pela transição energética, o Brasil volta a se enxergar como protagonista. Nesta quinta-feira (30), em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país tem potencial para se tornar a “Arábia Saudita do biocombustível”, ao destacar a eficiência e a competitividade do setor energético brasileiro.

A comparação não é casual. Ao evocar a potência petrolífera do Oriente Médio, Lula sinaliza uma estratégia: ocupar, no mercado global de energia limpa, um espaço equivalente ao que o petróleo representa hoje — mas com menor impacto ambiental.

Vantagem ambiental como ativo estratégico

Segundo o presidente, testes realizados na Alemanha indicam que o biodiesel brasileiro apresenta desempenho ambiental significativamente superior ao europeu. No recorte mais amplo — do processo de produção ao uso final — o combustível nacional pode emitir até 90% menos CO₂. Na média, a redução gira em torno de 67%.

A fala reforça uma narrativa já conhecida, mas agora reposicionada com mais ênfase internacional: o Brasil não apenas produz energia renovável em larga escala, como também pode liderar soluções tecnológicas nesse campo.

Transferência de tecnologia como moeda global

Mais do que exportar combustível, Lula defendeu a exportação de conhecimento. Em tom direto, sugeriu que países interessados em desenvolver alternativas sustentáveis poderiam recorrer ao Brasil em vez de investir pesadamente em pesquisa própria.

“Se alguém quiser inventar combustível renovável, não precisa gastar em pesquisa. Vem no Brasil, que nós fazemos transferência de tecnologia.”

A declaração aponta para um movimento diplomático e econômico: transformar o domínio técnico em biocombustíveis em ferramenta de influência global — algo que vai além do mercado e entra no campo da geopolítica energética.

Crítica ao modelo europeu

O presidente também fez críticas às exigências tecnológicas da Europa, especialmente no setor de transporte. Segundo ele, a adoção de padrões mais rígidos tem encarecido caminhões e equipamentos, o que nem sempre se traduz em ganhos proporcionais de sustentabilidade.

A avaliação sugere uma tentativa de diferenciar o modelo brasileiro: mais acessível, adaptável e, segundo o governo, igualmente — ou mais — eficiente do ponto de vista ambiental.

Jogo maior em curso

A fala ocorre em um momento em que o Brasil busca reposicionar sua imagem no cenário internacional, especialmente após mudanças recentes no mercado global de energia.

Nesse contexto, os biocombustíveis deixam de ser apenas uma pauta ambiental e passam a integrar uma agenda mais ampla — que envolve soberania energética, competitividade industrial e influência internacional.

O recado é claro: se o mundo está em transição, o Brasil quer estar no centro dessa mudança. E, ao que tudo indica, com combustível nacional.

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Rejeição inédita no Senado tensiona Brasília na véspera do 1º de Maio

Derrota de Lula na indicação de Jorge Messias em votação no Senado dá sinais de crise institucional — presidente faz hoje pronunciamento em rede nacional

Derrota de Lula na indicação de Jorge Messias em votação no Senado dá sinais de crise institucional — presidente faz hoje pronunciamento em rede nacional
O advogado-geral da União, Jorge Messias, que teve indicação ao STF rejeitada no Plenário do Senado / Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado

Brasília amanheceu diferente. O silêncio institucional que costuma anteceder o Dia do Trabalhador ganhou um peso extra — quase denso — depois de uma decisão que não se via há mais de um século.

Na noite de ontem, quarta-feira (29), o Senado Federal rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), num movimento que colocou em ebulição o clima político de Brasília, às vésperas do tradicional pronunciamento do 1º de maio.

Hoje, véspera do Dia do Trabalhador, às 20h30, o presidente Lula irá falar em rede nacional de rádio e televisão. O rito é antigo, faz parte do cerimonial da República. Mas o contexto, agora, é outro. Tenso, imprevisível — e carregado de simbolismo. Será que Lula irá se manifestar, em rede nacional, sobre a votação no Senado?

Rejeição histórica ou manobra política? 

A votação no plenário do Senado terminou com 42 votos contrários e 34 favoráveis à indicação de Messias. Para aprovação, eram necessários ao menos 41 votos. O resultado arquivou a indicação e marcou um episódio raro: é a primeira vez, em mais de 130 anos, que um nome indicado ao STF é rejeitado.

Indicado pelo governo Lula para ocupar a vaga aberta com a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, Messias enfrentou cinco meses de articulação política, exposição pública e resistência no Congresso.

Após a derrota, adotou um tom de resignação:

“Me submeti a uma sabatina de coração aberto. A vida é assim, tem dias de vitórias e dias de derrotas. O Senado é soberano, o plenário falou. Faz parte do processo democrático saber ganhar, saber perder.”

Em outro momento, acrescentou:

“Não é simples alguém com a minha trajetória passar por uma reprovação. Mas eu aprendi que minha vida está nas mãos de Deus. Lutei o bom combate.”

Reações e leitura política

A decisão provocou reações imediatas em diferentes esferas. Entre integrantes do Judiciário, o tom foi de surpresa e, em alguns casos, de lamento.

O ministro do STF André Mendonça, indicado no governo anterior, manifestou-se publicamente, reconhecendo o direito do Senado, mas lamentando o desfecho:

“Respeito a decisão do Senado, mas não posso deixar de externar minha opinião. O Brasil perde a oportunidade de ter um grande ministro do Supremo. Messias é um homem de caráter, íntegro e que preenche os requisitos constitucionais.”

Rejeição de Messias e o debate sobre os rumos da democracia

Entre lideranças sindicais, a leitura do episódio vai além da votação em si e conecta o resultado a disputas mais amplas em curso no país. Na véspera do Dia do Trabalhador, o tom adotado por representantes da categoria aponta para preocupação com os desdobramentos políticos da decisão.

O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Nelson Silva de Souza, o Nelsão da Força, reagiu duramente ao episódio e ao que classifica como articulação política no Congresso:

“Há 132 anos não se via tamanha afronta aos poderes constituídos, numa barganha que envolve a diminuição das penas dos condenados por tentativa de golpe de Estado.”

Para o dirigente, a decisão do Senado precisa ser interpretada dentro de um cenário mais amplo de disputa institucional e de pressão sobre o sistema democrático.

“A redução de penas para golpistas servirá como um livre conduto para novas tentativas de solapar a democracia no país.”

Na avaliação de Nelsão, a conjuntura atual exige atenção e mobilização dos trabalhadores:

“Devemos resistir, se preciso for, nas ruas, em defesa do governo democrático.”

Clima de tensão às vésperas do pronunciamento

O episódio ocorre em um momento importante para o governo federal. O pronunciamento presidencial desta noite, tradicionalmente voltado a temas trabalhistas, renda e políticas sociais, deve agora incorporar — direta ou indiretamente — o novo cenário político.

O governo tem pela frente a votação do fim da jornada 6x1 e é preciso paz. Só num ambiente pacífico é possível aprovar as pautas de interesse maior da nação. O trabalhador quer um dia a mais para viver.

Nos corredores de Brasília, o sentimento é de que não foi apenas uma derrota pontual. A rejeição de Messias reabre disputas institucionais, tensiona relações entre os Poderes e projeta seus efeitos para além do Supremo — alcançando o debate político que se intensifica com a aproximação do próximo ciclo eleitoral e as importantes votações em pauta no Congresso Nacional.

Enquanto isso, o país observa. E, entre discursos, votações e articulações políticas, o 1º de Maio chega carregado de significado, de pertencimento e simbolismo — mais político do que protocolar. Havendo entendimento e boa vontade política, 2026 promete ser o marco de uma nova era para o trabalhador brasileiro.

Deputado Arilson apresenta novos fatos e pede suspensão imediata do pedágio eletrônico no Paraná

Ação popular é assinada por 30 deputados estaduais e foi protocolada na tarde da última quarta-feira (29) na Justiça Federal 

Assessoria do Deputado / Reprodução 
 
Deputado Arilson apresenta novos fatos e pede suspensão imediata do pedágio eletrônico no Paraná. Ação popular é assinada por 30 deputados estaduais e foi protocolada na tarde da última quarta-feira (29) na Justiça Federal.

Uma nova manifestação protocolada nesta quarta-feira (29) na Justiça Federal reforça a ação popular que questiona a implantação do sistema de pedágio eletrônico (free flow) em rodovias do Paraná. O documento traz fatos inéditos e sustenta que decisões recentes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e alterações contratuais promovidas pela Concessionária EPR Participações SA. agravaram as irregularidades já apontadas no processo.

Essa é mais uma ação liderada pelo deputado estadual Arilson Chiorato (PT), líder da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e presidente do PT-PR, em parceria com o deputado Luiz Cláudio Romanelli (PSD), na tentativa de conter as irregularidades envolvendo o pedágio no estado. No início do mês, mais precisamente dia 7 de abril, os deputados participaram de uma reunião na sede da ANTT, em Brasília, para apresentar as irregularidades cometidas pelas concessionárias no estado.

A agenda, que contou com a articulação e participação da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), contou com a presença do diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio. Na ocasião, ele garantiu que a agência iria suspender as cobranças indevidas de pedágio pelo sistema free flow nas rodovias paranaenses. Também se comprometeu em participar de audiência pública sobre o tema no estado.

A ação popular, protocolada na 6ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal (SJDF), sustenta que o processo entrou em uma fase diferente porque surgiram fatos concretos que não existiam quando a Justiça analisou os primeiros pedidos. Antes, o entendimento era de que o sistema de pedágio eletrônico ainda estava em fase preparatória, sem autorização para cobrança.

O documento aponta dois atos que mudaram essa fase. O primeiro o Termo Aditivo ao contrato de concessão, assinado em 15 de abril de 2026, que formaliza a substituição das praças físicas por pórticos eletrônicos. E o outro, a Deliberação nº 113/2026 da ANTT, publicada em 24 de abril, que autoriza oficialmente a cobrança e fixa a data de início em 4 de maio.

Na prática, esses atos significam que o modelo deixou de ser uma previsão futura e passou a ter regras definidas, valores estabelecidos e início imediato de operação. Segundo os autores, essa mudança derruba o principal argumento usado anteriormente para negar a liminar, que era a inexistência de cobrança efetiva. Agora, com a cobrança autorizada e iminente, o documento sustenta que o risco deixa de ser hipotético e passa a ser imediato e concreto, afetando diretamente os motoristas que utilizam os trechos concedidos.

Alteração Contratual 

O documento também aponta que o novo aditivo contratual alterou de forma significativa o modelo originalmente previsto. Na prática, o texto afirma que houve substituição das praças físicas de pedágio por pórticos eletrônicos, inclusive com previsão de demolição das estruturas existentes, mudança que, segundo a ação, contraria cláusulas do contrato original e foi implementada sem os estudos técnicos exigidos.

Outro ponto levantado é a instalação prévia dos equipamentos antes mesmo da formalização contratual, o que, para os deputados, indicaria tentativa posterior de “regularizar” uma situação já consumada.

Tarifa fixa não é “free flow”

A manifestação ainda apresenta um argumento adicional: o modelo tarifário aprovado pela ANTT. De acordo com o documento, embora o sistema seja apresentado como “free flow”, a cobrança definida é fixa por ponto de passagem, sem considerar a distância percorrida pelo motorista. Essa denúncia foi apresentada na reunião no início de abril e, agora, inserida formalmente na ação popular.

Essa forma de cobrança, na avaliação do deputado Arilson, contraria a Lei nº 14.157/2021, que estabelece que o sistema deve garantir maior proporcionalidade ao trecho utilizado. “O modelo adotado reproduz, na prática, a lógica das praças tradicionais, apenas sem as cancelas físicas”, comenta.

A ação destaca ainda o risco de dano direto sobre os usuários a partir do início da cobrança. Caso o pagamento não seja feito no prazo, motoristas podem ser multados e ter pontos registrados na carteira de habilitação, o que, segundo o documento, configura dano de difícil reversão.

Além disso, há preocupação com a possibilidade de demolição das praças físicas, o que poderia tornar irreversível qualquer decisão futura da Justiça que suspenda o modelo eletrônico. Diante dos novos apontados, os parlamentares pedem a suspensão do aditivo contratual que instituiu o free flow nas praças P5 (Presidente Castelo Branco), P6 (Mandaguari), P7 (Arapongas) e P8 (Jataizinho), sob responsabilidade da Concessionária EPR 5 Participações S.A.. A ação pede ainda a derrubada da deliberação da ANTT que autorizou a cobrança, a proibição da demolição das estruturas físicas até o julgamento final.

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Brasil sobe no ranking de liberdade de imprensa e ultrapassa os EUA pela primeira vez

Relatório da Repórteres Sem Fronteiras aponta avanço de 58 posições desde 2022, mas alerta: cenário global é de deterioração e pressões persistem

Brasil sobe no ranking de liberdade de imprensa e ultrapassa os EUA pela primeira vez. Relatório da Repórteres Sem Fronteiras aponta avanço de 58 posições desde 2022, mas alerta: cenário global é de deterioração e pressões persistem

O movimento é silencioso, mas significativo. Em meio a um mundo onde a informação enfrenta cercos cada vez mais sofisticados, o Brasil aparece — quase como exceção — subindo degraus onde muitos países escorregam.

Pela primeira vez desde que o levantamento é realizado, o país ultrapassou os Estados Unidos no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa, divulgado nesta quinta-feira (30) pela organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF). O Brasil agora ocupa a 52ª posição. Os norte-americanos caíram para o 64º lugar.

O dado, isolado, chama atenção. Mas o percurso até ele explica melhor o que está em jogo: desde 2022, o Brasil avançou 58 posições. Só no último ano, subiu 11.

É um salto raro — e, segundo a própria RSF, contra a corrente global.

Um avanço fora da curva

A leitura do relatório não deixa dúvidas: o Brasil melhorou, mas o mundo piorou.

Mais da metade dos países avaliados vive hoje em situação considerada “difícil” ou “grave” para o exercício do jornalismo. Em 25 anos de ranking, nunca a média global esteve tão baixa.

Nesse cenário, o caso brasileiro aparece como ponto fora da curva.

Segundo disse o diretor da RSF na América Latina, Artur Romeu, em entrevista à Agência Brasil, o avanço tem relação direta com a recomposição de um ambiente institucional mais estável entre governo e imprensa. Depois de anos marcados por ataques frequentes a jornalistas, há hoje um retorno a padrões democráticos mais previsíveis — ainda que longe de ideais.

Também pesa o fato de o país não registrar assassinatos de jornalistas desde 2022, quando o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips foram mortos na Amazônia. Entre 2010 e 2022, foram 35 casos.

Além disso, o Brasil passou a estruturar mecanismos de proteção ao trabalho jornalístico. Entre eles:

  • criação de um Observatório Nacional de Violência contra Jornalistas
  • protocolos específicos para investigação de crimes contra a imprensa
  • debates regulatórios envolvendo plataformas digitais e inteligência artificial
  • ações voltadas ao combate à desinformação

A outra face: confiança em queda e pressões persistentes

Nem tudo sobe.

Dos cinco indicadores avaliados pela RSF, apenas um piorou — justamente o que mede a percepção social sobre a imprensa. Entram nesse índice fatores como confiança do público nos veículos, intensidade de campanhas de ódio, pluralidade de vozes na cobertura e nível de autocensura entre jornalistas.

Em outras palavras: o ambiente institucional melhora, mas o terreno social segue instável.

Além disso, continuam presentes formas mais sutis — e eficazes — de pressão, como a judicialização abusiva contra jornalistas, o uso estratégico de legislações para intimidar reportagens e campanhas coordenadas de desinformação.

É o que a RSF chama de “criminalização do jornalismo”.

Estados Unidos em queda — e influência regional

Se o Brasil sobe, os Estados Unidos ajudam a explicar por quê.

A queda americana não é apenas numérica. O relatório aponta um ambiente de hostilidade sistemática à imprensa, com ataques recorrentes vindos do próprio campo político. Essa postura, segundo a RSF, acaba reverberando em outros países.

Um exemplo citado é a Argentina, sob o governo de Javier Milei, que já perdeu 69 posições desde 2022 e ocupa agora a 98ª colocação.

A lógica se repete: retórica agressiva contra jornalistas, restrições indiretas ao acesso à informação e uso político de mecanismos institucionais.

Nos Estados Unidos, o relatório menciona ainda cortes em emissoras públicas, interferências na propriedade de meios de comunicação, investigações com motivação política contra jornalistas e ataques a profissionais durante manifestações.

O resultado é descrito como uma das crises mais graves da liberdade de imprensa na história recente do país.

América Latina sob pressão

O cenário regional é heterogêneo — e, em muitos casos, preocupante.

  • Uruguai aparece como melhor colocado da América do Sul (48º)
  • Peru caiu para a 144ª posição após assassinatos de jornalistas
  • Equador teve a maior queda recente, impactado pelo avanço do crime organizado
  • El Salvador acumula perda de 74 posições desde 2019
  • México segue entre os países mais perigosos para jornalistas
  • Nicarágua, Cuba e Venezuela permanecem entre os piores desempenhos

No topo global, o padrão se mantém: países europeus dominam as primeiras posições, com liderança da Noruega, seguida por Holanda e Estônia.

O que esse ranking realmente mostra

O avanço brasileiro não significa um cenário resolvido. Ele indica, sobretudo, uma mudança de direção.

Há menos ruptura institucional, mais previsibilidade e alguma estrutura de proteção. Mas persistem desafios profundos — especialmente na relação entre sociedade, política e imprensa.

No fundo, o ranking mede algo maior do que posições: ele revela o estado da democracia em cada país.

E, nesse ponto, o Brasil respira um pouco melhor. Ainda que, como o próprio relatório sugere, o ar no resto do mundo esteja cada vez mais rarefeito.

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O xadrez do Senado: diálogo, poder e a realidade dos dois por cento

A política brasileira não é feita de absolutos, mas de correlação de forças. A rejeição do nome de Jorge Messias para o STF pelo Senado Federal do Brasil não foi um episódio isolado. Foi um sinal claro de como o poder se organiza no Brasil real - artigo de Toni Reis

A política brasileira não é feita de absolutos, mas de correlação de forças. A rejeição do nome de Jorge Messias para o STF pelo Senado Federal do Brasil não foi um episódio isolado. Foi um sinal claro de como o poder se organiza no Brasil real. 

O Executivo indica, mas o Senado decide.

Quando a articulação falha, a conta simplesmente não fecha.

Vivemos um momento em que a divisão do país não é abstrata, é matemática. Diferenças de 1% ou 2% nas urnas definem quem governa, e isso muda o jogo. Não há mais espaço para projetos que ignorem metade do eleitorado. Vai governar quem tiver capacidade de diálogo.

Isso não é uma escolha moral, é sobrevivência política. A regra é simples. Quando não se tem voto suficiente, negocia-se com quem tem. Isso vale para o movimento estudantil, para organismos internacionais e, principalmente, para o plenário do Senado.

É preciso reconhecer que a política é movida por interesses, emoções e causas. Spinoza já nos alertava que somos atravessados por afetos e desejos. Ignorar o fator humano e os interesses legítimos dos parlamentares é um erro estratégico. Ao mesmo tempo, esse jogo precisa ser orientado pela ética e pelo compromisso público.

A votação de Messias foi um marco histórico que nos convida à reflexão. É hora de deixar o orgulho de lado e assumir o pragmatismo necessário.

Platão idealizava um Estado conduzido por homens virtuosos, mas a prática política exige construção de maioria. Nicolau Maquiavel continua atual. O poder não aceita vazio. Onde falta articulação, sobra resistência.

Messias demonstrou preparo na Comissão de Constituição e Justiça, mas Brasília não decide apenas por currículo. Decide por voto. E, como ensinava Charles Sanders Peirce, o valor de uma ideia está em seus efeitos práticos. 


Sem 41 votos, nenhuma proposta se sustenta, e causas urgentes, como a proteção dos povos indígenas e os direitos sociais, correm o risco de permanecer paralisadas.


É preciso dizer com clareza. Orgulho não governa país.


O Brasil de hoje exige sentar à mesa com quem pensa diferente, inclusive com quem representa o oposto do que defendemos. Dialogar com a direita democrática e com o centro não é sinal de fraqueza. É condição de governabilidade.

O próximo movimento do governo precisa ser orientado pela viabilidade. Os critérios constitucionais, saber jurídico e reputação ilibada, são o ponto de partida, mas não suficientes. Diversidade e pragmatismo precisam caminhar juntos.

Há uma eleição no horizonte, e o governo não pode se dar ao luxo de se perder em disputas simbólicas sem resultado. A busca por representatividade é legítima, mas o indicado precisa ter os 41 votos.

No Brasil dos dois por cento, vence quem constrói pontes. Não quem se fecha nas próprias certezas.

Toni Reis

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Curitiba qualifica quem cuida da cidade — do turista ao meio ambiente

Capacitações integram Guarda Municipal e Polícia Militar em ações que combinam acolhimento, técnica e preservação da vida

Curitiba qualifica quem cuida da cidade — do turista ao meio ambiente. Capacitações integram Guarda Municipal e Polícia Militar em ações que combinam acolhimento, técnica e preservação da vida.

O centro de Curitiba respira movimento — e, agora, também um novo tipo de preparo. Entre o fluxo de visitantes e a rotina dos moradores, a cidade começa a moldar uma segurança pública mais próxima, mais técnica e mais humana. Não é apenas sobre presença nas ruas, mas sobre saber orientar, acolher e agir com precisão.

Atendimento que orienta e acolhe

A Prefeitura de Curitiba informou que na tarde desta quarta-feira (29), o Palacete Wolf virou sala de aula para agentes da Guarda Municipal. A capacitação, promovida pelo Instituto Municipal de Turismo (IMT), teve como foco qualificar o atendimento a turistas que circulam pela região central da cidade.

Mais do que informações básicas, os guardas receberam uma leitura técnica e territorial dos atrativos de Curitiba — entendendo fluxos, rotas e dinâmicas urbanas. A formação incluiu ainda uma vivência prática na Linha Turismo, permitindo que os agentes experimentassem o olhar do visitante em deslocamento pela cidade.

A proposta é direta: transformar o atendimento em uma experiência mais eficiente e acolhedora. Os guardas capacitados passam a atuar também em espaços dedicados ao turismo e integram o Grupo de Emprego Operacional, reforçando a organização urbana e o suporte cotidiano à população.

Uma nova turma já está prevista para esta quinta-feira (30), ampliando o alcance da iniciativa.

Treinamento técnico para salvar vidas

Em outra frente, a qualificação ganha contornos ainda mais técnicos. No Museu de História Natural do Capão da Imbuia, policiais militares do Batalhão de Polícia Ambiental – Força Verde participaram de uma etapa da Capacitação em Policiamento Ambiental.

De acordo com a prefeitura, o treinamento reuniu agentes de diversas regiões do Paraná, além de policiais dos estados do Acre, Amazonas e Piauí, guardas municipais de Curitiba e Araucária e equipes da Patrulha Rural.

O conteúdo vai direto ao ponto: manejo de animais peçonhentos, protocolos de contenção e prevenção de acidentes. Um tipo de conhecimento que exige precisão — e que pode evitar tragédias silenciosas, tanto para pessoas quanto para animais.

Segundo os técnicos do museu, o intercâmbio de experiências com os policiais também fortalece o trabalho científico. Situações reais vividas em campo ajudam a aprimorar os procedimentos, enquanto o conhecimento técnico garante mais segurança nas operações.

Segurança com inteligência e sensibilidade

As duas iniciativas, embora distintas, caminham na mesma direção. Curitiba investe em uma segurança pública que vai além da vigilância: aposta na qualificação contínua, na integração entre instituições e na capacidade de resposta diante de diferentes cenários.

Do turista que precisa de orientação ao morador que se depara com um animal silvestre, a cidade constrói respostas mais preparadas — e, sobretudo, mais humanas.

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MPF denuncia à CIDH mineração ilegal — com uso de mercúrio — na Amazônia

Mercúrio usado em garimpos contamina rios, ameaça comunidades e expõe falhas na proteção ambiental

MPF denuncia à CIDH mineração ilegal — com uso de mercúrio — na Amazônia. Mercúrio usado em garimpos contamina rios, ameaça comunidades e expõe falhas na proteção ambiental.

O rio corre — mas já não tão cheio de vida, ele está doente. Em muitos pontos da Amazônia, a água perdeu a transparência antiga. O que antes era alimento, sustento e caminho virou também risco. Invisível, o mercúrio segue correnteza abaixo, silencioso — e persistente.

É nesse cenário que o Ministério Público Federal (MPF) levou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) uma denúncia formal contra os impactos da mineração ilegal. O documento, apresentado na semana passada, expõe prejuízos à saúde e ao meio ambiente causados pelo uso sistemático do metal pesado nos garimpos clandestinos.

A comissão internacional é vinculada à Organização dos Estados Americanos (OEA), o que amplia o alcance político da denúncia e coloca o tema sob observação internacional.

Um problema reiterado — e agravado

De acordo com reportagem da Agência Brasil, o estudo apresentado agora não surge isolado. Ele complementa uma exposição anterior feita pelo MPF, em março, à Relatoria Especial sobre Direitos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (Redesca), indicando que o problema já vinha sendo acompanhado em nível internacional.

O uso do mercúrio no garimpo ilegal segue um método simples — e devastador. A substância líquida se liga facilmente ao ouro, formando a chamada “amálgama”. Depois, essa mistura é aquecida: o mercúrio evapora, o ouro fica.

O que desaparece da vista não desaparece do ambiente.

O ciclo da contaminação

Ao evaporar, o mercúrio se dispersa no ar e retorna ao solo e aos rios. A contaminação se espalha pelos cursos d’água, atinge os peixes — base alimentar de indígenas e ribeirinhos — e entra diretamente na cadeia alimentar.

Os efeitos são conhecidos: danos neurológicos, prejuízos ao desenvolvimento infantil, comprometimento motor e cognitivo. Em áreas mais críticas, há registros de contaminação acima do recomendado por organismos internacionais de saúde.

Mas o impacto não se limita à toxicidade. O garimpo ilegal também provoca desmatamento acelerado, remoção intensa de solo e alteração dos leitos dos rios — uma transformação física da paisagem que permanece mesmo após a atividade cessar.

Um alerta que atravessa fronteiras

A própria Redesca já havia emitido alerta recente sobre o direito humano à água nas Américas, com foco especial no chamado Escudo das Guianas — região que inclui partes do Brasil e países vizinhos.

Isso reforça um ponto central: a contaminação não respeita fronteiras. Os rios amazônicos conectam territórios e espalham o problema para além do país.

Entre normas e limites

Em resposta à Agência Brasil, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) afirma que tem endurecido o controle sobre o mercúrio.

Uma das medidas foi a criação da Instrução Normativa nº 26/2024, que exige cadastro e rastreabilidade para quem opera com o metal. O objetivo é restringir o acesso ao produto importado legalmente e coibir seu desvio para atividades ilegais.

Ainda assim, há um limite evidente: a norma não tem força de lei.

Já os decretos federais nº 97.507/1989 e nº 97.634/1989 continuam em vigor e proíbem o uso de mercúrio na extração de ouro — salvo em atividades devidamente licenciadas.

O que está em jogo

A denúncia do MPF à CIDH não trata apenas de crime ambiental. Trata de um sistema que, segundo o próprio órgão, já se estrutura como economia paralela, com impactos diretos sobre direitos fundamentais.

No centro da questão, permanece algo essencial: água contaminada, alimento comprometido, comunidades expostas.

E uma floresta que, mesmo em silêncio, continua dando sinais de esgotamento. Porque na Amazônia, hoje, o ouro ainda brilha — mas o alto custo, humano e ambiental de sua exploração, já não pode mais ser ignorado.

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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Sexta é o novo sábado — e talvez o início de outra economia possível

Experiência com 41 empresas em Portugal reforça viabilidade da semana 4x3 e reforça ainda mais o debate no Brasil sobre o fim da escala 6x1

Sexta é o novo sábado — e talvez o início de outra economia possível. Experiência com 41 empresas em Portugal reforça viabilidade da semana 4x3 e reforça ainda mais o debate no Brasil sobre o fim da escala 6x1.


O tempo, às vezes, muda de lugar sem fazer barulho. Em Lisboa, entre vitrines abertas e cafés cheios numa sexta-feira que já não parece sexta, uma nova lógica começa a ganhar corpo — mais silenciosa que revolucionária, mas com potencial de mexer em tudo.

A ideia vem ganhando forma com o lançamento do livro Sexta-Feira é o Novo Sábado, do economista português Pedro Gomes, professor da Universidade de Londres. A obra reúne dados concretos de 41 empresas em Portugal que, por decisão própria, adotaram a jornada de quatro dias de trabalho e três de descanso — a chamada escala 4x3.

Não se trata de experimento marginal. São mais de mil trabalhadores envolvidos, em setores diversos, testando na prática algo que, até pouco tempo, parecia inviável.

E os números chamam atenção.

Mais da metade das empresas (52%) decidiu manter o novo modelo. Outras 23% optaram por uma versão adaptada da jornada reduzida. Apenas 19% voltaram ao padrão tradicional. Para mais de 90%, não houve aumento de custos — e 86% registraram crescimento de receita.

Há algo acontecendo aqui — e não é apenas uma reorganização de agenda.

Produtividade: menos tempo, mais entrega

Segundo disse à Agência Brasil, o argumento central de Gomes é direto: reduzir horas não significa produzir menos. Pelo contrário.

Historicamente, cada redução de jornada veio acompanhada de aumento na produtividade por hora. Empresas ajustam processos, eliminam desperdícios — reuniões mais curtas, fluxos mais eficientes — e conseguem manter ou até ampliar resultados.

É uma lógica que desafia o senso comum empresarial.

“Há muito alarmismo econômico. Em qualquer país, o discurso inicial é sempre o mesmo: não vai funcionar. Mas os dados mostram outra coisa.”

O efeito invisível: tempo livre também é economia

Talvez o ponto mais interessante não esteja dentro das empresas — mas fora delas.

Quando o trabalhador ganha tempo, ele não apenas descansa. Ele consome, circula, participa.

Gomes resgata um exemplo clássico: em 1926, o industrial Henry Ford reduziu a jornada para 40 horas semanais e ajudou a consolidar o fim de semana moderno. O resultado foi imediato: mais gente indo ao cinema, viajando, consumindo cultura. A indústria do entretenimento floresceu e se consolidou como potência econômica.

O mesmo fenômeno apareceu na China, nos anos 1990, quando a adoção do fim de semana de dois dias impulsionou o turismo interno.

A lógica é simples — e poderosa: trabalhadores também são consumidores.

E o Brasil?

O debate chega ao Brasil em um momento sensível. A jornada 6x1 ainda é realidade para milhões de trabalhadores, enquanto propostas de redução para 40 horas semanais avançam lentamente no Congresso.

Para Gomes, o país reúne condições claras para essa transição.

Há um fator adicional: o tempo perdido no deslocamento urbano. Em grandes cidades brasileiras, horas diárias são consumidas apenas no trajeto casa-trabalho. Reduzir a jornada, nesse contexto, não é só questão econômica — é também qualidade de vida.

  • Menos faltas ao trabalho
  • Menor rotatividade de funcionários
  • Maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal
  • Impacto positivo especialmente para mulheres
  • Mais tempo para viver

Todos esses fatores reduzem custos invisíveis para as empresas — aqueles que raramente entram na planilha, mas pesam no dia a dia.

O medo da mudança — e o atraso

Mesmo com evidências, a resistência persiste.

Empresas tendem a reagir apenas após mudanças legais. Antes disso, prevalece a cautela — ou a inércia.

É um padrão histórico. A jornada de 40 horas, hoje considerada padrão, também foi vista como radical no passado.

PIB: o argumento que perde força

Um dos principais temores no Brasil é o impacto no crescimento econômico. Mas os dados analisados por Gomes — 250 casos de redução de jornada desde 1910 — indicam o contrário.

Nos cinco anos anteriores às mudanças, o crescimento médio do PIB foi de 3,2%. Após a redução, subiu para 3,9%. Ou seja: trabalhar menos horas não travou a economia. Em muitos casos, ajudou a impulsioná-la.

Sexta-feira mudou — e isso talvez seja só o começo. Leia o livro de Pedro Gomes.

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Metalúrgicos da Grande Curitiba se preparam para a 27ª Metalfest, com sorteio de carro e clima de reencontro

Evento tradicional do SMC acontece no dia 3 de maio, em São José dos Pinhais, e reúne famílias, lazer e organização coletiva em um só espaço

Metalúrgicos da Grande Curitiba se preparam para a 27ª Metalfest, com sorteio de carro e clima de reencontro. Evento tradicional do SMC acontece no dia 3 de maio, em São José dos Pinhais, e reúne famílias, lazer e organização coletiva em um só espaço.

O som de risadas misturado ao cheiro de comida boa no ar. Crianças correndo, reencontros acontecendo sem pressa e aquele sentimento raro de pausa no meio da rotina pesada. É nesse clima que a família metalúrgica da Região Metropolitana de Curitiba se prepara para mais um capítulo de uma tradição que atravessa gerações.

No próximo domingo, 3 de maio, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) realiza a 27ª edição da Metalfest, no Metal Clube de Campo, em São José dos Pinhais. Um evento que vai além da festa — é, na prática, um espaço de convivência, identidade e fortalecimento coletivo.

O vice-presidente do sindicato, Nelsão da Força, reforça o convite às famílias, ao lado da companheira Fernanda Queiroz e de toda a família: a ideia é simples, mas potente — reunir trabalhadores e seus familiares para um dia de descanso, alegria e conexão.

A programação mantém o que já virou marca registrada. Música ao longo do dia, praça de alimentação com food trucks, atividades para as crianças — incluindo pipoca, algodão doce e cachorro-quente gratuitos — e, claro, o momento mais aguardado: o sorteio de um carro zero quilômetro.

Mas há regras. Cada associado titular tem direito a um cupom, liberado mediante inscrição prévia e check-in no evento. E, como manda a tradição, é preciso estar presente na hora do sorteio, com documento em mãos. Caso contrário, o prêmio volta para a urna.

O presidente do SMC, Sérgio Butka, resume o espírito da festa com uma frase que carrega memória e propósito: desde 1994, a Metalfest funciona como um ponto de respiro. Um momento em que o trabalhador não apenas descansa, mas se reconhece no coletivo, encontra colegas de outras fábricas e recarrega as energias para as lutas do cotidiano.

Neste ano, a organização adiciona um incentivo extra. Os primeiros dois mil associados titulares que fizerem inscrição e check-in até o meio-dia recebem crédito alimentação no SMC Card. Na prática, isso significa autonomia para circular pelos espaços da festa escolhendo o que consumir — de refeições completas a bebidas e doces.

O uso é simples: pode ser feito tanto com o cartão físico quanto pelo celular, via sistema SMC Pay. Tudo pensado para reduzir filas e facilitar a experiência.

As inscrições seguem abertas até o dia 2 de maio, pelo portal oficial da Metalfest. A recomendação é não deixar para a última hora.

No fim das contas, a Metalfest não é só sobre o carro sorteado ou a estrutura montada. É sobre algo menos visível — e talvez mais essencial: o direito ao encontro. Um domingo em que o trabalho dá lugar à convivência. E onde, por algumas horas, o coletivo fala mais alto que a rotina.

SERVIÇO

27ª METALFEST

📅 Data: 3 de maio de 2026 (domingo)

🕙 Horário: a partir das 10h

📍 Local: Metal Clube de Campo do SMC

Rua Antônio Singer, nº 2304 — São José dos Pinhais (PR)

Inscrições 1° de maio: www.forcapr.com.br

Inscrições METALFESTsimec.com.br/metalfest

📍📍Convide a família e os amigos e participe! 

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