sexta-feira, 24 de abril de 2026

Petróleo sobe lá fora — e governo tenta segurar o impacto nas bombas aqui

Projeto enviado ao Congresso cria gatilho para reduzir tributos sobre combustíveis com base em receitas extras do petróleo

Petróleo sobe lá fora — e governo tenta segurar o impacto nas bombas aqui. Projeto enviado ao Congresso cria gatilho para reduzir tributos sobre combustíveis com base em receitas extras do petróleo.

O preço do combustível não faz barulho quando sobe — mas todo mundo sente. No caixa do posto, no frete, no ônibus, na rotina. E é justamente esse efeito em cadeia que o governo tenta conter agora, em meio à pressão internacional causada pela guerra no Oriente Médio.

Nesta quinta-feira (23), foi enviado ao Congresso o Projeto de Lei Complementar 114/2026. A proposta cria um mecanismo para reduzir tributos sobre combustíveis sempre que houver aumento de arrecadação com receitas do petróleo — uma tentativa de transformar o ganho do Estado em alívio temporário para o consumidor.

A iniciativa foi apresentada pelo líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta, e já chega cercada de expectativa — e também de ajustes de discurso.

Um freio de emergência, não um corte permanente

Horas antes do envio do projeto, segundo informou a Agência Brasil, o Ministério da Fazenda indicou que haveria novos cortes diretos de impostos. A leitura durou pouco.

O ministro Dario Durigan veio a público para corrigir a interpretação e ajustar o tom:

“Não estamos fazendo anúncio de redução tributária de nenhum tributo, e, sim, de um mecanismo discutido com o Congresso para minorar o impacto da guerra.”

A diferença é central. Não se trata de uma redução permanente, mas de um dispositivo que pode ser acionado em momentos específicos — quando houver arrecadação acima do esperado com o petróleo.

Como a engrenagem funciona

A lógica é direta, quase automática: se entra mais dinheiro com petróleo, abre-se espaço para aliviar impostos. Entram nessa conta receitas como royalties e a venda de petróleo do pré-sal. Do outro lado, podem ser reduzidos tributos que incidem sobre combustíveis, como PIS, Cofins e Cide.

O alcance inclui gasolina, diesel, etanol e biodiesel. Mas há regras claras para evitar desequilíbrio:

  • a redução só acontece se houver arrecadação extra comprovada;
  • o valor desonerado não pode ultrapassar esse excedente;
  • cada rodada de redução vale por até dois meses.

Passado esse período, o cenário é reavaliado — e o mecanismo pode ser renovado ou suspenso.

Uma medida com prazo político

O próprio desenho da proposta indica seu caráter emergencial. O regime está vinculado à duração dos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços da energia.

Na prática, é uma resposta a um momento específico — não uma mudança estrutural na política de combustíveis.

Equilíbrio fiscal como linha de contenção

Dentro da equipe econômica, o esforço é evitar qualquer leitura de perda de controle nas contas públicas. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, resumiu a lógica:

“Se houver aumento extraordinário da receita, esse aumento servirá de compensação para redução de tributos aplicáveis a esses combustíveis.”

Ou seja, o governo só abre mão de arrecadação se tiver ganho equivalente. A ideia é neutralidade — nem rombo, nem expansão fiscal.

Quanto custa aliviar o preço

Os números ajudam a entender o tamanho da engrenagem. De acordo com estimativas do governo, uma redução de R$ 0,10 nos tributos sobre a gasolina, por dois meses, representa cerca de R$ 800 milhões.

Hoje, os tributos federais respondem por aproximadamente R$ 0,68 no preço final ao consumidor, considerando um valor médio de R$ 6,77 por litro. É nesse espaço que o governo tenta atuar.

Negociação no Congresso será decisiva

O projeto ainda precisa atravessar o terreno político. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o tema será discutido com líderes da Câmara já na próxima semana.

Há sinalização inicial de apoio por parte dos presidentes das duas Casas, Hugo Motta e Davi Alcolumbre. Mas, como sempre, o ritmo da tramitação vai depender da costura entre governo e Congresso.

Um histórico recente de intervenção

Nos últimos meses, o governo já vinha tentando conter a alta dos combustíveis por outros caminhos. Entre as medidas adotadas estão:

  • desoneração do PIS/Cofins sobre o diesel;
  • subsídios que chegaram a R$ 1,52 por litro para o diesel importado;
  • incentivos de até R$ 1,12 por litro para o diesel nacional.

Atualmente, diesel e biodiesel seguem com tributos federais zerados. Já gasolina e etanol continuam com a mesma carga tributária aplicada antes da escalada do conflito.

No limite, uma tentativa de ganhar tempo

O projeto que chega ao Congresso não resolve o problema estrutural dos combustíveis no Brasil. Mas tenta amortecer o impacto — ao menos enquanto o cenário internacional permanece instável.

Funciona como um ajuste fino: quando o petróleo pressiona de um lado, o governo tenta aliviar do outro. Resta saber se esse mecanismo será rápido o suficiente para acompanhar a volatilidade global — ou se, mais uma vez, o consumidor continuará sentindo primeiro.

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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Entre o bolo, a fé e os atabaques: Curitiba vive o dia de São Jorge com devoção e comunidade

Da tradição católica no Portão às giras dedicadas a Ogum no Santa Cândida, 23 de abril revela um sincretismo vivo e cotidiano na capital paranaense

Entre o bolo, a fé e os atabaques: Curitiba vive o dia de São Jorge com devoção e comunidade. Da tradição católica no Portão às giras dedicadas a Ogum no Santa Cândida, 23 de abril revela um sincretismo vivo e cotidiano na capital paranaense.

O movimento começa cedo, mas em Curitiba ele não se impõe — ele se espalha. Entra pelas portas das igrejas, pelas cozinhas, pelos terreiros. E, quando se percebe, já tomou o dia inteiro.

No bairro Portão, a Paróquia São Jorge se transforma em ponto de encontro ao longo deste 23 de abril. A cena é simples, quase doméstica: filas se formam, conversas cruzam o pátio, crianças observam curiosas.

O bolo que carrega promessas

No centro de tudo, o bolo de São Jorge. São cerca de 5 mil pedaços, com recheios que vão do doce de leite ao creme de abacaxi com coco, vendidos a R$ 10. Mas o que move a fila não é exatamente o sabor.

Dentro da massa, medalhinhas de São Jorge foram escondidas. Quem encontra, guarda. Não é prêmio — é sinal.

Proteção, sorte, caminho aberto. Cada fiel interpreta à sua maneira, numa fé que se manifesta em pequenos gestos, quase silenciosos.

A programação segue até o fim de semana. No dia 25, a tradicional Tarde do Pastel amplia o encontro: pastéis também a R$ 10, bebidas, famílias reunidas. Um ambiente em que a devoção se mistura com pertencimento — fé que também é convivência.

No domingo, 26, o encerramento ganha movimento. Após a missa das 10h, a carreata percorre as ruas da região. Carros, motos, famílias. Ao retornar, todos recebem a bênção.

É um ritual profundamente cotidiano. Um pedido silencioso de proteção para quem enfrenta, todos os dias, seus próprios caminhos.

Ogum: a força que abre caminhos

Mas Curitiba também celebra fora das estruturas católicas — e é aí que o dia revela outra camada.

No Terreiro Pai Maneco, no bairro Santa Cândida, o 23 de abril é dedicado a Ogum — o orixá da guerra, da luta e da abertura de caminhos. A casa, fundada por Pai Fernando de Ogum, mantém suas giras ao longo da semana voltadas a essa energia.

Em mensagem publicada nas redes, o terreiro resume a essência do orixá:

“Hoje é dia de Ogum.

O Orixá da guerra, da demanda e da luta. O guerreiro que não recua, o protetor que não negocia a justiça e o líder que abre o caminho quando tudo parece fechado.

Seus filhos carregam essa energia: francos, decididos, insaciáveis nas conquistas e leais até o fim com quem é seu. Não fazem rodeio. Não admitem injustiça. E quando encontram equilíbrio, são, por qualquer caminho, vencedores.

Aqui no Terreiro Pai Maneco, a casa é de Ogum desde sempre.”

Serviço: feijoada encerra as celebrações

As comemorações seguem até domingo (26), quando o terreiro realiza um dos momentos mais aguardados do calendário:

Feijoada de Ogum — Terreiro Pai Maneco

📅 26 de abril (domingo)

🕛 A partir das 12h

💲 R$ 60,00

🎶 Samba ao vivo com Curitiba Samba Clube

📍 Terreiro Pai Maneco (veja no Maps)

Mais do que um evento gastronômico, a feijoada é encontro. Gente que chega, que volta, que se reconhece. Um outro jeito de fazer a casa acontecer.

Entre o bolo compartilhado no Portão e o tambor que ressoa no Santa Cândida, Curitiba desenha seu próprio jeito de viver o dia.

De um lado, São Jorge. Do outro, Ogum. No fundo, a mesma força: a de quem não recua diante das batalhas da vida. Salve Jorge!

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Ameaças contra estudantes da UFPR acendem alerta e mobilizam comunidade acadêmica

Denúncia sobre grupo com mensagens de violência sexual gera reação política e reforça debate sobre segurança nas universidades

Ameaças contra estudantes da UFPR acendem alerta e mobilizam comunidade acadêmica. Denúncia sobre grupo com mensagens de violência sexual gera reação política e reforça debate sobre segurança nas universidades.

O ambiente que deveria ser de aprendizado e convivência segura ganhou contornos de tensão nos últimos dias em Curitiba. Entre corredores, grupos de mensagens e relatos compartilhados com cautela, uma denúncia grave começou a circular entre estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Segundo informações divulgadas pelo Diretório Acadêmico Nilo Cairo (DANC), do curso de Medicina, uma estudante teria sido alvo de ameaças de violência sexual em um suposto grupo de WhatsApp. O conteúdo denunciado inclui a possível existência de uma lista com nomes de alunas, acompanhados da oferta de recompensas em dinheiro — um cenário que, se confirmado, revela uma organização perturbadora e criminosa.

A gravidade do caso provocou reação imediata no campo político. O deputado estadual Arilson Chiorato (PT) manifestou preocupação pública e afirmou que acompanhará o desenrolar da situação.

Recebo essa notícia com muita preocupação. É inadmissível que mulheres sejam ameaçadas dessa forma, ainda mais em um ambiente que deveria ser seguro como a universidade. Também coloco à disposição o meu mandato para acompanhar o caso. É papel de todos nós, em especial dos homens, serem aliados nesta luta por nada mais que respeito às mulheres”, declarou.

Para o parlamentar, o episódio não pode ser tratado como um fato isolado. Ele aponta para um problema estrutural mais amplo, que atravessa a sociedade brasileira e se manifesta também dentro dos espaços acadêmicos.

Além da investigação rigorosa e da identificação dos responsáveis, é fundamental garantir acolhimento às vítimas e medidas efetivas de proteção dentro e fora do ambiente universitário”, reforçou Arilson.

Enquanto não há confirmação oficial por parte das autoridades ou da própria universidade, o caso segue sendo tratado como denúncia em apuração e investigação. Ainda assim, o impacto já é visível no cotidiano universitário.

Entre os alunos, surgem movimentos espontâneos de proteção coletiva. Grupos se organizam para evitar que estudantes circulem sozinhas, especialmente em horários de menor movimento — um reflexo direto do clima de insegurança que se instala mesmo diante de informações ainda não plenamente verificadas.

O episódio também reacende um debate recorrente e urgente: a escalada da violência contra mulheres no Brasil, potencializada, muitas vezes, por ambientes digitais onde discursos de ódio encontram espaço para se expandir.

Não dá para não associar o aumento de casos de violência com o discurso crescente de ódio às mulheres nas redes sociais. Precisamos tomar medidas urgentes”, concluiu Chiorato.

Até o momento, não há posicionamento oficial público da UFPR nem da Polícia Civil do Paraná sobre o caso. A expectativa é que as investigações avancem e esclareçam a veracidade e a dimensão das ameaças denunciadas.

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Câmara aprova multa para quem joga lixo na rua — medida tenta frear danos invisíveis nas cidades

Projeto endurece punições e avança sobre problema que vai do entupimento de bueiros à poluição de rios e riscos à saúde

Câmara aprova multa para quem joga lixo na rua — medida tenta frear danos invisíveis nas cidades. Projeto endurece punições e avança sobre problema que vai do entupimento de bueiros à poluição de rios e riscos à saúde.

O gesto é rápido. Quase automático. Um papel amassado, uma garrafa vazia, a sacola que já não serve mais. Cai no chão — e desaparece da responsabilidade de quem descartou. Mas não some da cidade.

Nesta quinta-feira (23), a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei (PL) 580/2022, que prevê multa para quem descartar lixo em vias públicas ou em outros locais inadequados. O texto segue agora para análise do Senado.

A proposta estabelece penalidades proporcionais tanto à quantidade de resíduos quanto ao porte econômico do infrator. Para pessoas físicas, a multa varia de um a dez salários mínimos. Já para pessoas jurídicas — incluindo empresas e ações realizadas por seus funcionários — os valores vão de cinco a 100 salários mínimos. Atualmente, o salário mínimo está em R$ 1.621.

O projeto também delimita exceções: não haverá sanção em locais destinados à gestão de resíduos sólidos, nem em situações de armazenamento ou manutenção adequada, sem risco à população.

O caminho do lixo que ninguém vê

O problema que o projeto tenta enfrentar não está apenas na superfície. O lixo jogado na rua raramente permanece ali. Com a primeira chuva, ele segue para bueiros e galerias pluviais, bloqueando o escoamento da água.

O efeito é imediato — ruas alagam, o trânsito trava, a cidade perde ritmo. E o que parecia um descarte isolado começa a mostrar seu impacto coletivo.

Mais adiante, esse mesmo material alcança rios e córregos, contribuindo para o assoreamento e para a queda na qualidade da água. É um ciclo silencioso, mas constante.

Da calçada ao rio — e de volta para a população

Há ainda uma camada menos visível. Resíduos acumulados liberam substâncias que contaminam o solo ao longo do tempo. Plásticos, sob sol e chuva, se fragmentam em partículas minúsculas — os microplásticos — que entram na cadeia alimentar.

Animais urbanos e aquáticos pagam um preço alto. Muitos ingerem esses materiais ou ficam presos neles, comprometendo a sobrevivência em ambientes já pressionados.

O impacto retorna à população também pela saúde pública. O acúmulo de lixo cria ambiente ideal para ratos, baratas e mosquitos, ampliando o risco de doenças como dengue e leptospirose.

Em paralelo, a decomposição de matéria orgânica em condições inadequadas libera gases como o metano — um dos mais potentes no efeito estufa — adicionando pressão sobre o clima urbano.

Uma mudança de cultura — ou de multa

Ao alterar a Lei nº 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, e a Lei de Crimes Ambientais, o projeto aprovado na Câmara tenta deslocar o problema do campo da negligência cotidiana para o da responsabilidade legal.

A lógica é direta: transformar um hábito banal em infração com impacto financeiro real. Mas, no fundo, o desafio é mais profundo — cultural.

Porque, nas cidades, o lixo nunca é só de quem joga fora. Ele percorre caminhos, entope sistemas, contamina espaços e, inevitavelmente, retorna.

O texto ainda será analisado pelo Senado. Até lá, segue aberta uma pergunta que não depende da lei: o que cada um faz com o que descarta todos os dias?

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Fim da escala 6x1 avança no Congresso e reacende debate sobre tempo para viver

CCJ aprova admissibilidade de PECs que reduzem jornada de trabalho; governo aposta em projeto com urgência para acelerar mudanças

Fim da escala 6x1 avança no Congresso e reacende debate sobre tempo para viver. CCJ aprova admissibilidade de PECs que reduzem jornada de trabalho; governo aposta em projeto com urgência para acelerar mudanças.

O relógio da rotina brasileira — aquele que marca seis dias de trabalho para apenas um de descanso — começa a dar sinais de mudança. Em Brasília, a engrenagem política avançou mais um passo nesta semana, abrindo caminho para uma transformação que toca diretamente a vida de milhões de trabalhadores.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade de duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que, na prática, colocam fim à escala 6x1. A decisão, tomada em votação simbólica e unânime, não entra ainda no mérito das propostas — mas permite que elas avancem no Congresso.

Agora, os textos seguem para uma comissão especial e, depois, para o plenário da Câmara, onde precisarão de pelo menos 308 votos favoráveis em dois turnos para serem aprovados.

A principal proposta, a PEC 221/19, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), prevê uma redução gradual da jornada semanal de trabalho, das atuais 44 horas para 36 horas ao longo de dez anos. Já a PEC 8/25, apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP), propõe uma mudança mais direta: quatro dias de trabalho por semana, também com limite de 36 horas.

Ambas ganharam força com o movimento “Vida Além do Trabalho”, que vem mobilizando trabalhadores em todo o país em torno de uma ideia simples — mas profunda: trabalhar menos para viver mais.

Hoje, a Constituição brasileira estabelece apenas limites máximos: até oito horas diárias e 44 horas semanais. A forma como esse tempo se distribui — incluindo a tradicional escala 6x1 — acaba sendo definida por acordos e práticas do mercado.

Enquanto a tramitação das PECs segue um caminho mais longo e exigente, o governo federal decidiu agir em paralelo. Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso um projeto de lei com urgência constitucional que reduz a jornada semanal para 40 horas e também enfrenta a lógica da escala 6x1.

Na prática, isso significa que o texto precisa ser analisado em até 45 dias — caso contrário, passa a travar a pauta de votações da Câmara.

O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou que o envio do projeto é legítimo, mas reforçou que a tramitação das PECs seguirá seu próprio curso.

Para o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, as duas frentes não competem — se complementam. A leitura dentro do governo é pragmática: o projeto de lei pode acelerar mudanças imediatas, enquanto a PEC garantiria uma proteção mais duradoura na Constituição.

“O PL pode fazer a redução avançar mais rapidamente. Depois, a PEC consolida esse direito, evitando retrocessos no futuro”, resumiu o ministro.

Nos bastidores, a discussão enfrenta resistências, sobretudo de setores que temem impactos econômicos. Ainda assim, o tema ganhou densidade política e social — impulsionado por um cansaço coletivo que já não cabe apenas nas estatísticas.

O debate, no fundo, vai além de números e jornadas. Ele toca em algo mais difícil de medir: o equilíbrio entre trabalho, saúde e vida.

E é justamente aí que a pauta ganha força — não só no Congresso, mas fora dele.

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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Itaipu amplia território indígena no Paraná em passo de reparação histórica

Nova área dez vezes maior deve garantir dignidade a famílias Avá-Guarani expulsas de suas terras desde a construção da usina

Às terras destinadas aos índios - Anderson Gibathe/Itaipu Binacional

O chão ainda é o mesmo Oeste do Paraná — terra vermelha, horizonte aberto, silêncio cortado pelo vento. Mas, para dezenas de famílias Avá-Guarani, algo muda de forma concreta: o espaço para existir começa, enfim, a se ampliar.

Com recursos da Itaipu Binacional, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) adquiriram uma nova área para reassentar a comunidade indígena na região Oeste do Paraná — um passo que carrega mais do que hectares: carrega décadas de atraso histórico.

Novo território, outro começo

A área, com 107 hectares, fica entre os municípios de São José das Palmeiras e Santa Helena, a cerca de 120 quilômetros de Foz do Iguaçu, na região da Tríplice Fronteira.

A antiga Fazenda América será rebatizada como Tekoha Pyahu — expressão que, na língua guarani, aponta para algo mais profundo do que um endereço: um lugar de vida.

O território é dez vezes maior do que o atual. Hoje, cerca de 27 famílias — aproximadamente 90 pessoas — vivem comprimidas em apenas 9 hectares, em uma área de proteção do reservatório da usina, com estrutura precária. A mudança deve ocorrer em até dois meses.

“A mudança será importante para nossa comunidade, especialmente para as crianças. Teremos um local adequado para viver, com escola, posto de saúde e outros direitos que vamos conquistar lá”, afirmou o cacique Dioner à EBC.

Reparação que chega tarde

O movimento faz parte de um acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em março de 2025, envolvendo, além da Itaipu, o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), a Funai, o Incra e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O objetivo é direto: reparação histórica. Na década de 1970, durante a ditadura militar, a construção da usina e o represamento do rio Paraná alagaram territórios tradicionais dos Avá-Guarani. Comunidades inteiras foram deslocadas, sem garantia de direitos básicos.

“Trata-se de respeito, de reparação histórica e de promoção de condições de vida digna”, destacou o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri.

Meta ambiciosa, avanço gradual

O acordo prevê a aquisição de pelo menos 3 mil hectares, com investimento estimado em R$ 240 milhões. Até agora, mais de 700 hectares já foram adquiridos, com investimento de R$ 84,7 milhões. A área recém-comprada custou R$ 17,6 milhões.

Além da terra, o compromisso inclui restauração ambiental, acesso à água, energia e saneamento, além de serviços de saúde e educação. Também estão em andamento iniciativas de fortalecimento cultural, linguístico e produtivo das comunidades.

O que muda, de fato

Para quem olha de fora, são números — hectares, milhões, cronogramas. Para quem vive ali, é outra escala. É a possibilidade de plantar sem medo de remoção. De ver as crianças crescerem em espaço suficiente. De reconstruir, ainda que lentamente, uma relação interrompida com a terra.

O cacique Dioner resume com precisão desconfortável: o que está sendo feito agora é “o mínimo”. E talvez seja exatamente isso que torna a notícia relevante — não por grandiosa, mas por necessária.

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Sítios da UNESCO resistem à crise climática e revelam o valor da natureza protegida

Relatório global aponta que áreas reconhecidas pela UNESCO somam mais de 13 milhões de km² e concentram biodiversidade essencial — com o Parque Nacional do Iguaçu entre os destaques

Sítios da UNESCO resistem à crise climática e revelam o valor da natureza protegida. Relatório global aponta que áreas reconhecidas pela UNESCO somam mais de 13 milhões de km² e concentram biodiversidade essencial — com o Parque Nacional do Iguaçu entre os destaques.

O som das quedas d’água ecoa antes mesmo de aparecer no horizonte. Em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, a força das cataratas não é apenas espetáculo — é também símbolo de resistência ambiental em escala global.

No Parque Nacional do Iguaçu, a paisagem impressiona e sustenta. São cerca de 275 quedas d’água, distribuídas em quase três quilômetros, despencando de até 80 metros de altura. Ao redor, uma floresta subtropical densa abriga mais de 2 mil espécies de plantas, cerca de 400 espécies de aves e dezenas de mamíferos — entre eles, a onça-pintada, o tamanduá-bandeira e o jacaré.

Esse patrimônio natural, reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1986, integra uma rede global que, segundo relatório divulgado nesta terça-feira (21), vem ganhando importância estratégica diante da crise ambiental.

O estudo People and Nature in UNESCO Sites: Global and Local Contributions analisa pela primeira vez, de forma integrada, todos os territórios reconhecidos pela organização — incluindo Patrimônio Mundial, Reservas da Biosfera e Geoparques.

O resultado revela uma escala expressiva: mais de 2.260 sítios espalhados pelo planeta, cobrindo uma área superior a 13 milhões de quilômetros quadrados — maior do que a soma territorial de países como China e Índia.

Refúgios de biodiversidade

Os dados mostram um contraste importante. Enquanto as populações de animais selvagens despencaram cerca de 73% no mundo desde 1970, nas áreas protegidas pela UNESCO elas permanecem relativamente estáveis.

No Brasil, além de Iguaçu, um exemplo recente é o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, incluído na lista em 2024. A região abriga espécies ameaçadas como o guará, a lontra-neotropical, o gato-do-mato e o peixe-boi-marinho — reforçando o papel dessas áreas como refúgios ecológicos.

Regulação climática

Mais do que preservar espécies, esses territórios desempenham funções ambientais críticas. Segundo o relatório:

  • abrigam mais de 60% das espécies mapeadas no planeta;
  • concentram cerca de 40% de espécies exclusivas;
  • armazenam aproximadamente 240 gigatoneladas de carbono;
  • respondem por cerca de 15% da absorção anual de carbono pelas florestas globais.

Na prática, funcionam como reguladores naturais do clima, ajudando a conter o avanço do aquecimento global.

Pressão crescente

Apesar da relevância, o alerta é direto. Quase 90% desses sítios enfrentam níveis elevados de estresse ambiental, e os riscos ligados às mudanças climáticas aumentaram cerca de 40% na última década.

O cenário futuro preocupa: mais de um em cada quatro sítios pode atingir pontos críticos de degradação até 2050, com impactos potencialmente irreversíveis — como colapso de ecossistemas, escassez hídrica e perda de biodiversidade.

Pessoas e território

Esses espaços também são territórios vivos. Cerca de 900 milhões de pessoas vivem dentro ou no entorno dos sítios da UNESCO — o equivalente a 10% da população mundial.

Mais de mil línguas são faladas nessas regiões, e ao menos um quarto delas inclui terras de povos indígenas. Em áreas como América Latina e África, essa proporção é ainda maior.

O relatório destaca que onde há participação das comunidades locais, os resultados de conservação tendem a ser mais consistentes e duradouros.

Um chamado à ação

Para a UNESCO, esses territórios devem ser vistos como ativos estratégicos no enfrentamento da crise climática e da perda de biodiversidade.

No entanto, ainda há um descompasso: enquanto a maioria dos planos globais de biodiversidade considera esses sítios, apenas uma pequena parcela das políticas climáticas os incorpora de forma efetiva.

A recomendação é clara: ampliar investimentos, restaurar ecossistemas, fortalecer a cooperação internacional — especialmente em áreas de fronteira, como Iguaçu — e integrar essas regiões às estratégias climáticas globais.

No fundo, a mensagem é direta. Proteger esses territórios não é apenas preservar paisagens — é garantir que os sistemas naturais que sustentam a vida continuem funcionando.

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Cidades contra a água: renaturalizar rios vira estratégia urgente contra enchentes no Brasil

Especialistas defendem soluções baseadas na natureza para reduzir impactos das chuvas geradas pelo clima extremo e assim reequilibrar o ambiente urbano

Cidades contra a água: renaturalizar rios vira estratégia urgente contra enchentes no Brasil. Especialistas defendem soluções baseadas na natureza para reduzir impactos das chuvas geradas pelo clima extremo e assim reequilibrar o ambiente urbano.
© Agência Brasil

O som da chuva já não é apenas um convite ao descanso — em muitas cidades brasileiras, ele chega carregado de tensão. Vivemos tempos de clima extremo. Ruas alagam, córregos transbordam, o cotidiano se interrompe. E, cada vez mais, especialistas apontam que o problema não está só no céu, mas no chão que deixamos de ouvir.

As chuvas extremas se tornaram mais frequentes e intensas, e com elas cresce também a vulnerabilidade urbana. Nesse cenário, uma proposta ganha força: renaturalizar rios — ou seja, devolver aos cursos d’água parte de suas características originais, hoje sufocadas por assoreamento, concreto, canalizações e asfalto.

A paisagista urbana Cecília Herzog, integrante da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), é direta ao diagnóstico. Segundo ela conta ao repórter Rafael Cardoso, da EBC, o modelo de desenvolvimento adotado ao longo das últimas décadas agravou os efeitos das chuvas ao impermeabilizar o solo e esconder rios sob a cidade.

“A água não desaparece. Ela sempre vai buscar os pontos mais baixos e, em algum momento, pode inundar essas áreas — especialmente regiões planas”, explica.

Com menos áreas permeáveis, a água escoa com mais velocidade, aumentando o risco de alagamentos. A saída, segundo especialistas, passa por reequilibrar esse fluxo. Isso inclui não apenas reabrir rios, mas repensar toda a paisagem urbana: ampliar áreas verdes, recuperar vegetação ciliar e criar sistemas naturais de drenagem.

Quando o solo respira, a dinâmica muda. A água infiltra, é retida por mais tempo e segue seu curso de forma menos agressiva. Em rios abertos, com mata ciliar, ou seja, vegetação ao redor, o impacto das chuvas tende a ser significativamente menor.

Rovena Rosa/Agência Brasil

Projetos começam a sair do papel

Esse entendimento começa, ainda que lentamente, a se transformar em ação. Em São Paulo, o futuro Parque Municipal do Bixiga prevê a reabertura de trechos do córrego Bixiga, além da preservação de nascentes e ampliação de áreas verdes. O projeto é resultado de mais de 40 anos de mobilização da sociedade civil.

Já no Rio de Janeiro, um grupo coordenado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima estuda a requalificação do Rio Maracanã com base em soluções naturais. A proposta inclui devolver ao rio parte de suas características originais e ampliar a capacidade de drenagem da região.

Em março, foi firmada uma parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ) para a realização de um concurso público nacional voltado à renaturalização. A expectativa é que o edital seja lançado ainda este ano.

Um novo padrão urbano

Para a arquiteta e urbanista Juliana Baladelli Ribeiro, da Fundação Grupo Boticário, a renaturalização não é uma ação isolada — é parte de um novo paradigma de urbanismo.

Entre as soluções defendidas estão telhados verdes, jardins de chuva, valas vegetadas, bacias de retenção e arborização intensiva. Estruturas que, juntas, ajudam a reter temporariamente a água, facilitam sua infiltração no solo e contribuem para a evapotranspiração.

Os efeitos vão além das enchentes. Essas intervenções também ajudam a reduzir ilhas de calor, outro fenômeno cada vez mais presente nas cidades brasileiras.

Mas há um consenso entre especialistas: medidas pontuais não serão suficientes. A adaptação climática exige planejamento integrado, levando em conta as características específicas de cada território.

“É preciso reconstruir o sistema urbano com solo vivo e vegetação nativa, capazes de desempenhar funções ecológicas que hoje estão comprometidas”, afirma Juliana.

No fim das contas, a equação parece simples — embora a execução seja complexa. A cidade que impermeabiliza tudo perde a capacidade de absorver o que vem do céu. E, cedo ou tarde, a água cobra seu caminho.

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terça-feira, 21 de abril de 2026

Paranavaí amplia aviação regional com inauguração de terminal

Inauguração do novo terminal do Aeroporto de Paranavaí amplia aviação regional, avalia deputado Arilson

Paranavaí amplia aviação regional com inauguração de terminal. Inauguração do novo terminal do Aeroporto de Paranavaí amplia aviação regional, avalia deputado Arilson.

Um ano após o anúncio feito pelo Governo Federal, o novo terminal de passageiros do Aeroporto Regional de Paranavaí (SSPI) – Edu Chaves foi inaugurado nesta quinta-feira (16) e marca um avanço na infraestrutura aérea do noroeste do Paraná. “É importante dizer que essa obra integra o plano de desenvolvimento da aviação regional do Governo Lula, que aportou cerca de R$ 30 milhões”, frisou o deputado Arilson Chiorato (PT) durante a inauguração. 

As obras tiveram como foco a ampliação da capacidade de atendimento e a melhoria dos serviços aos passageiros. O novo terminal possui 713 metros quadrados e capacidade para atender até 200 mil passageiros por ano. A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) assumiu a gestão do aeroporto de Paranavaí em 2024. 

“Esse é um exemplo que, quando tem vontade política, as coisas saem do papel. Esse aeroporto vai facilitar demais a vida das pessoas da Região do Arenito Caiuá, que é formada por 19 municípios e por uma população aproximada de 270 mil habitantes”, pontua o deputado Arilson, que também preside o PT-PR.

Além das obras, o projeto contempla um conjunto de melhorias operacionais e de segurança, como a implantação de sistema de balizamento noturno, nova sinalização de pista, instalação de farol de aeródromo e biruta iluminada, além da adequação da área de segurança e do pátio de aeronaves. A previsão é que todas as intervenções sejam finalizadas até o final de 2026. 

Durante o evento dessa quinta-feira foi assinada a ordem de serviço para as obras de balizamento noturno e de sinalização vertical da pista. Já o Indicador de Trajetória de Aproximação (PAPI) está em execução. 

Na avaliação do deputado Arilson, que é líder da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), a modernização do aeroporto de Paranavaí, assim como os demais, é fundamental para impulsionar o desenvolvimento econômico, facilitar a mobilidade e fortalecer a integração regional. No Paraná, o Governo Federal investiu também nos aeroportos de Cascavel, Toledo e Guarapuava.

Durante a solenidade, o deputado esteve acompanhado de lideranças políticas locais, como Beto Vizzotto, pré-candidato a deputado estadual, e Cezar Alexandre. Também estiveram presentes o prefeito de Paranavaí, Maurício Gehlen, o superintendente de Engenharia da Infraero, Diego Pupo Natale, além de autoridades locais.

Na oportunidade, o deputado Arilson também ressaltou sua pré-candidatura a deputado federal e sua intenção em ampliar sua atuação política em busca de novos recursos para o estado. “Agora, como pré-candidato a deputado federal, a missão é garantir em Brasília ainda mais investimentos ao Paraná”, declarou.

Fonte: Assessoria de Imprensa do Deputado/ Reprodução 

Crise diplomática: EUA expulsam delegado da PF e Lula fala em reciprocidade

Governo brasileiro avalia reação após Washington alegar uso indevido do sistema migratório no caso Ramagem — delegado Marcelo Ivo é convidado a se retirar dos Estados Unidos 

Crise diplomática: EUA expulsam delegado da PF e Lula fala em reciprocidade. Governo brasileiro avalia reação após Washington alegar uso indevido do sistema migratório no caso Ramagem — delegado Marcelo Ivo é convidado a se retirar dos Estados Unidos.

O episódio começou de forma silenciosa, quase burocrática — mas, em poucos dias, ganhou contornos de crise entre dois países que, historicamente, operam lado a lado na área de segurança. A prisão, soltura e agora o desdobramento diplomático envolvendo o ex-deputado Alexandre Ramagem abriram uma fissura inesperada na cooperação entre Brasil e Estados Unidos.

Ramagem, condenado no Brasil e considerado foragido da Justiça, foi detido em meados de abril por autoridades de imigração americanas, na Flórida. A detenção durou cerca de dois dias. Não havia, naquele momento, um processo formal de extradição concluído — o que fez com que o caso fosse tratado inicialmente como uma questão migratória.

Nos bastidores, porém, a engrenagem era mais complexa. O Dr. Marcelo Ivo, delegado da Polícia Federal brasileira, que atuava como oficial de ligação nos Estados Unidos, teria fornecido informações que contribuíram para a abordagem. A cooperação, comum em investigações transnacionais, acabou se tornando o centro da controvérsia.

Nas últimas 24 horas, o governo americano deu um passo incomum: decidiu convidar o delegado brasileiro a se retirar do país. A justificativa, segundo autoridades dos EUA, foi a suspeita de tentativa de contornar os canais formais de extradição, utilizando o sistema migratório como atalho para viabilizar a detenção.

A leitura, em Washington, é sensível. A atuação teria ultrapassado limites operacionais e tocado em um ponto delicado: o uso de mecanismos administrativos para fins que deveriam seguir trâmite judicial completo.

Do lado brasileiro, a reação veio com cautela — mas também com sinalização clara. O presidente Lula afirmou que o Brasil pode adotar o princípio da reciprocidade, caso seja confirmado abuso na retirada do delegado.

Na prática, isso significa que o país pode responder na mesma moeda, com medidas que vão desde restrições a agentes estrangeiros até revisão de acordos de cooperação policial. Ainda não há decisão tomada, mas o recado foi dado.

O Itamaraty acompanha o caso e deve conduzir a avaliação formal. Internamente, a Polícia Federal sustenta que a atuação seguiu padrões de cooperação internacional e que o objetivo era colaborar com a localização de um condenado pela Justiça brasileira.

O impasse expõe um ponto de tensão recorrente nas relações internacionais: onde termina a cooperação legítima e começa a interferência indevida.

Para além da disputa diplomática, o caso também complica o futuro de Ramagem nos Estados Unidos. Sem um processo de extradição robusto e diante do desgaste político gerado, o caminho para trazê-lo de volta ao Brasil tende a se tornar mais longo — e mais incerto.

No curto prazo, o episódio deixa um alerta: mesmo entre aliados, a confiança institucional pode se abalar rapidamente quando regras tácitas são questionadas. Deixar de lado protocolos diplomáticos como a equanimidade — ou no mínimo a reciprocidade, exigida por relações internacionais saudáveis — causa um desgaste enorme nas relações entre os dois países.

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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Ponte de Guaratuba entra na semana final e já mobiliza olhares e reconhecimento no litoral

Obra aguardada há décadas se aproxima da entrega enquanto visita de Chik Jeitoso traduz sentimento de gratidão de quem acompanha essa espera histórica — bruxo diz que quem passar na ponte vai ter sorte

 
Chik Jeitoso - Divulgação 

O céu aberto sobre a Baía de Guaratuba já não é o mesmo cenário de antes. Há algo novo atravessando o horizonte — não apenas concreto e aço, mas a sensação de que uma espera antiga está chegando ao fim.

A Ponte de Guaratuba entra em sua última semana de obras com ritmo contínuo, inclusive durante o feriado de Tiradentes. No local, o movimento é de conclusão: menos máquinas pesadas, mais ajustes finos. É o tipo de etapa que não chama atenção à distância, mas define o momento da entrega.

Reta final com foco técnico

As equipes concentram esforços nos acabamentos e na preparação da estrutura para inauguração, prevista para o dia 29 de abril. Entre os serviços em andamento estão:

  • execução de meio-fio
  • implantação de juntas de dilatação
  • finalização da capa asfáltica
  • limpeza e organização do canteiro

No lado de Matinhos, a ligação com a rodovia avança com terraplanagem, pavimentação e instalação de dispositivos de segurança. Já em Guaratuba, na região de Caieiras, as alças de acesso entram na fase final, redesenhando o fluxo que por décadas dependeu exclusivamente do ferryboat.

Ao mesmo tempo, o espaço começa a ser preparado para a cerimônia de inauguração — um indicativo claro de que a obra sai do campo técnico e entra no calendário oficial.

Uma espera de décadas prestes a terminar

Com 1.240 metros de extensão e investimento superior a R$ 400 milhões, a ponte representa uma das maiores intervenções de infraestrutura do Paraná nos últimos anos.

Serão quatro faixas de tráfego, além de ciclovia e passagem para pedestres. A travessia entre Guaratuba e Matinhos, hoje sujeita a filas e horários, deve passar a durar cerca de dois minutos.

Mais do que encurtar distâncias, a estrutura altera o ritmo do litoral — impactando turismo, economia e a própria dinâmica da região.

Um olhar que traduz o sentimento coletivo

Foi nesse cenário, já marcado pela expectativa da entrega, que o influenciador espiritualista Chik Jeitoso passou pelo local e registrou um vídeo simples, direto, sem produção elaborada — mas carregado de significado.

Tem que dar parabéns ao governador Ratinho Júnior. Quantos anos esperando essa ponte… é real, existe… olha que maravilha”, diz, enquanto observa a estrutura à bordo do antigo ferryboat .

A fala, espontânea, ecoa algo que vai além de uma opinião individual. Ela condensa o sentimento de quem acompanhou por anos - o bruxo tem casa no litoral paranaense - a promessa da ponte e agora vê a obra concretizada.

Há ainda um elemento que chama atenção entre seguidores: Chik Jeitoso já havia mencionado, anteriormente, que a construção da ponte aconteceria durante o governo de Ratinho Júnior — algo que seus admiradores passaram a destacar com a proximidade da inauguração.

Da obra à paisagem

Durante o vídeo, ele observa um detalhe curioso:

Os iates, os barcos vêm aqui para fazer foto e vídeo…", e bruxo Jeitoso diz que: "a ponte não é Fake News, ela é real, é a sétima maravilha do Paraná, do Brasil e do mundo.

A frase revela um movimento silencioso. Antes mesmo da inauguração, a ponte já se tornou ponto de observação, cenário, referência visual no litoral.

É o momento em que uma obra pública deixa de ser apenas infraestrutura e passa a integrar o cotidiano — e o imaginário — das pessoas. Ela veio para definitivamente fazer parte da paisagem na Bahia de Guaratuba.

Ponte da Sorte 

Consultado pelo Sulpost, Chik afirmou mais uma vez — como já vêm dizendo há algum tempo — que a Ponte de Guaratuba vai atrair muita sorte. Ele inclusive nos ensinou uma simpatia, para quem atravesse a ponte:

"Vou te contar um segredo ... pra quem passar a primeira vez na ponte, faz um pedido na ida e um pedido na volta, porque quem passar a primeira vez por essa ponte que vai ter muita sorte", e completa que "e quem alcançar a graça, para que ela seja abençoada, doar três cestas básicas assim que alcançar a benção."

A obra está sendo inaugurada no mês de São Jorge, sincretizado com o orixá Ogum, que além de proteger as construções e edificações contra as forças da natureza, também é a deidade do panteão afro-brasileiro responsável por abrir os caminhos.

Entre entrega e reconhecimento

Na reta final, a Ponte de Guaratuba já não representa apenas uma solução logística. Ela carrega o peso de uma espera longa e o alívio de uma entrega concreta.

Entre máquinas que finalizam os últimos detalhes e visitantes que param para olhar, fotografar ou simplesmente contemplar, forma-se um consenso silencioso: a travessia, agora, não é mais uma promessa. É realidade — e começa a ser reconhecida como tal.

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Brasil leva agenda ambiental à Europa e aposta em florestas em pé como ativo econômico

Em Hanôver, Lula defende biocombustíveis, critica regras da União Europeia e firma acordo com a Alemanha para financiar a preservação das florestas tropicais

Brasil leva agenda ambiental à Europa e aposta em florestas em pé como ativo econômico. Em Hanôver, Lula defende biocombustíveis, critica regras da União Europeia e firma acordo com a Alemanha para financiar a preservação das florestas tropicais.

Em meio a discursos técnicos, metas climáticas e acordos que muitas vezes parecem distantes da vida real, o Brasil chegou à Hanôver com um recado que tenta aproximar esse debate do cotidiano: preservar o meio ambiente também pode significar gerar renda, atrair investimento e baratear energia.

Foi nesse tom que o presidente Lula se posicionou durante o Encontro Econômico Brasil-Alemanha, nesta segunda-feira (20), colocando o país no centro de duas frentes estratégicas — energia limpa e financiamento ambiental.

Energia limpa como resposta imediata

A defesa dos biocombustíveis veio como um dos pilares do discurso brasileiro. Ao citar o etanol de cana-de-açúcar, Lula destacou um modelo que já funciona — e que, segundo ele, pode ajudar o mundo a enfrentar a emergência climática sem esperar décadas. O combustível brasileiro, além de produzir mais energia por hectare, reduz em até 90% as emissões em comparação com a gasolina.

Na prática, isso não é só uma discussão ambiental. É também econômica. Menos emissão significa menos pressão climática, mas também abre espaço para uma energia mais barata — algo que, no fim do mês, pesa diretamente no bolso de famílias e empresas. E há um contraste que chama atenção: enquanto a União Europeia projeta alcançar 50% de fontes renováveis até 2050, o Brasil já atingiu esse patamar em 2025.

Regras ambientais e o risco de barreiras

Apesar do discurso alinhado à transição energética, o encontro também expôs divergências. O presidente brasileiro criticou propostas em debate na Europa que, segundo ele, desconsideram práticas sustentáveis adotadas no Brasil, principalmente no uso do solo. Também mencionou um novo mecanismo europeu de cálculo de carbono que ignora o perfil renovável da produção brasileira.

Na avaliação do governo, esse tipo de medida pode acabar criando obstáculos para a entrada de biocombustíveis no mercado europeu — justamente num momento em que a demanda por energia limpa cresce.

Florestas em pé entram na conta global

Mas o ponto mais estratégico da agenda ambiental brasileira em Hanôver foi além dos combustíveis. Durante encontro bilateral com o chanceler alemão, Brasil e Alemanha firmaram uma declaração conjunta de apoio ao chamado Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). A proposta parte de uma lógica simples, mas que tenta mudar o jogo: pagar para preservar.

O fundo foi concebido para garantir financiamento de longo prazo a países com florestas tropicais, com base em resultados comprovados de conservação e restauração. A ideia é transformar a floresta em pé em um ativo econômico real — algo que gere retorno financeiro e não apenas custo. Na prática, isso envolve critérios técnicos, transparência e participação de povos indígenas e comunidades tradicionais, conectando proteção ambiental com desenvolvimento e combate à pobreza.

Dinheiro na mesa: compromissos e interesses

O movimento não ficou só no discurso. A Alemanha já sinalizou apoio político e financeiro ao mecanismo, com aportes iniciais e a previsão de investir até 1 bilhão de euros a partir de 2027, por meio de fundos ligados à transição climática. Do lado brasileiro, o país saiu na frente ao anunciar um investimento de 1 bilhão de dólares, com recursos do Fundo Clima e apoio de bancos públicos.

A leitura por trás desses números é clara: a preservação ambiental entrou de vez na lógica do mercado global. Criar valor econômico para manter a floresta em pé passa a ser, ao mesmo tempo, uma estratégia ambiental e uma oportunidade de negócio.

O que está em jogo

O que se discutiu em Hanôver vai além de acordos diplomáticos. A combinação entre biocombustíveis e financiamento florestal aponta para um reposicionamento do Brasil na agenda climática — não apenas como país que precisa preservar, mas como fornecedor de soluções. No fim das contas, o debate deixa de ser apenas ambiental. Passa a ser sobre desenvolvimento, competitividade e futuro.

E, como quase tudo nesse campo, as decisões tomadas agora devem chegar — mais cedo ou mais tarde — ao cotidiano das pessoas, seja no preço da energia, na geração de empregos ou na forma como o país ocupa seu espaço no mundo.


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Fronteira em movimento: exportações disparam no Oeste do Paraná e redesenham logística do Estado

Com quase 2 milhões de toneladas desde 2018, Foz do Iguaçu e Guaíra ganham protagonismo no escoamento de cargas e apontam novo eixo econômico na região

Fronteira em movimento: exportações disparam no Oeste do Paraná e redesenham logística do Estado. Com quase 2 milhões de toneladas desde 2018, Foz do Iguaçu e Guaíra ganham protagonismo no escoamento de cargas e apontam novo eixo econômico na região
Exportações de empresas paranaenses por Foz e Guaíra crescem até 21% desde 2018 - Ari Dias/AEN

O ronco grave do motor dos caminhões nunca para completamente na fronteira Oeste do Paraná. Ele atravessa a madrugada, corta o amanhecer e, quando o sol já está alto, continua ali — constante — empurrando toneladas de produção rumo a outros países. É um fluxo silencioso, mas decisivo.

Desde 2018, quase 2 milhões de toneladas de mercadorias produzidas por empresas paranaenses cruzaram as aduanas de Foz do Iguaçu e Guaíra. Um volume que ajuda a redesenhar o mapa logístico do Estado — e que revela uma engrenagem funcionando além dos grandes portos.

Fronteiras que cresceram junto com a economia

Levantamento do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) - divulgado pela AEN PR - mostra que as exportações por essas duas estruturas tiveram crescimento consistente nos últimos anos.

Em Foz do Iguaçu, a movimentação saltou de 1,66 milhão de toneladas em 2018 para cerca de 2 milhões em 2025 — alta de 21,2%. Já em Guaíra, o avanço foi de 15,8% no mesmo período, chegando a 128,5 mil toneladas.

Somadas, as duas estruturas já ultrapassam 2,1 milhões de toneladas movimentadas, consolidando os chamados portos secos como peças-chave no escoamento da produção.

Rota direta para o Paraguai

O destino dessas cargas tem endereço quase certo: o Paraguai. Pela fronteira de Foz, seguem principalmente fertilizantes, cimento e placas para pavimentação. Em Guaíra, entram na rota produtos como cebola, amidos e féculas modificadas.

A proximidade geográfica reduz custos, encurta distâncias e transforma a fronteira em uma extensão natural do mercado externo.

Muito além do litoral

Embora o Porto de Paranaguá siga como principal corredor de exportação — com 42,8 milhões de toneladas embarcadas em 2025 — o crescimento das aduanas terrestres revela uma diversificação logística importante.

Além das empresas paranaenses, mercadorias de estados como São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais também utilizam essas rotas, reforçando o papel estratégico do Oeste como eixo nacional de circulação.

Segundo o Ipardes, esse avanço está diretamente ligado à qualidade da infraestrutura. Rodovias operantes e integração logística sustentam o aumento da movimentação.

O próximo salto já está em construção

A engrenagem deve girar ainda mais rápido. Um novo porto seco em Foz do Iguaçu está previsto para entrar em operação ainda este ano, com investimento da Multilog e apoio do Governo do Estado e da Receita Federal.

A expectativa é dobrar a capacidade de cargas na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, além de reduzir o impacto do trânsito de caminhões na área urbana.

O projeto inclui pátio logístico, áreas cobertas para armazenagem, estruturas de vistoria e câmaras frias com docas específicas para produtos que exigem controle de temperatura.

Em 2025, o terminal atual já havia processado mais de 5,15 milhões de toneladas de cargas e recebido cerca de 215 mil caminhões.

No fim das contas, o que se vê não é apenas estatística. É movimento real — concreto — de uma economia que atravessa pontes, cruza fronteiras e segue em frente.

E ali, entre buzinas, motores e filas que nunca param totalmente, o Paraná continua exportando mais do que produtos: exporta ritmo, escala e presença.

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domingo, 19 de abril de 2026

Debaixo da terra, um risco que a ciência ainda não enxerga totalmente

Estudo internacional revela lacunas críticas sobre espécies do solo e alerta para perdas invisíveis que podem afetar alimentos e clima

© Valter Campanato/Agência Brasil

O que sustenta a vida na superfície do planeta começa, silenciosamente, debaixo dos nossos pés.

Num punhado de terra, quase invisível a olho nu, existe uma rede complexa — viva, ativa, essencial. E é justamente essa dimensão subterrânea que agora acende um alerta global: sabemos menos do que deveríamos sobre ela. Muito menos.

Um estudo que levanta mais dúvidas do que certezas

No Dia da Conservação do Solo e da Água, um estudo de alcance global trouxe mais perguntas do que respostas — e isso, por si só, já é motivo de preocupação.

Intitulada Avaliação Global do Risco de Extinção de Espécies Dependentes do Solo: avanços recentes e recomendações, a pesquisa aponta um problema estrutural: a ciência ainda não consegue medir com precisão o risco de extinção das espécies que vivem no solo.

E não é por falta de importância.

Cerca de 95% dos alimentos consumidos no mundo dependem diretamente da saúde do solo. É ali também que está armazenado 27% do carbono essencial para conter o aquecimento global abaixo de 2°C. Ainda assim, o que acontece nesse ambiente segue, em grande parte, fora do radar.

Os números que já preocupam — e os que faltam

O levantamento, liderado pela organização Conservation International, analisou dados da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) — principal referência global sobre risco de extinção.

Entre 8.653 espécies avaliadas, o cenário já é delicado:

  • 20% (1.758 espécies) estão ameaçadas de extinção
  • 1.722 espécies não puderam sequer ser avaliadas por falta de dados

Mas o dado mais inquietante está fora das estatísticas: a maior parte da biodiversidade do solo simplesmente não aparece nas análises globais.

O invisível domina — e é o menos estudado

Segundo o pesquisador Neil Cox, responsável pelo estudo, existe um desequilíbrio claro no conhecimento disponível.

Hoje, as informações se concentram principalmente em vertebrados — que representam apenas uma fração da vida subterrânea.

Enquanto isso, invertebrados e fungos, fundamentais para a fertilidade do solo, seguem amplamente sub-representados.

Na prática, isso significa que estamos avaliando o estado de conservação de um ecossistema inteiro com base em uma amostra limitada — quase superficial.

O risco mais grave: perder o que nunca foi descoberto

Há um trecho do estudo que soa como um aviso direto: espécies podem desaparecer antes mesmo de serem conhecidas.

Esse não é um cenário distante. É uma possibilidade concreta, especialmente quando se trata de organismos que vivem em ambientes pouco estudados, como a interface entre solo e matéria orgânica.

E o impacto disso é difícil de medir — justamente porque essas espécies desempenham funções essenciais:

  • decomposição da matéria orgânica
  • ciclagem de nutrientes
  • manutenção da fertilidade do solo

Uma crise silenciosa, com efeitos visíveis

A biodiversidade do solo é uma engrenagem invisível que mantém os ecossistemas funcionando. Quando ela perde diversidade, os efeitos emergem na superfície:

  • queda na produtividade agrícola
  • degradação ambiental
  • impacto nos ciclos climáticos

Ainda que nem todos os efeitos possam ser previstos com precisão, há um consenso entre os pesquisadores: a perda tende a ser negativa — e ampla.

O que precisa mudar agora

Diante desse cenário, o estudo propõe ações diretas:

  • criação de um grupo específico para estudar a biota do solo dentro da IUCN
  • maior integração entre instituições científicas e governos
  • ampliação do acesso à informação sobre conservação do solo
  • inclusão mais efetiva da biodiversidade subterrânea nas políticas ambientais

Mais do que produzir dados, o desafio agora é tornar visível o que sustenta a vida invisivelmente.

O chão que a gente pisa — e pouco conhece

Existe uma espécie de ironia difícil de ignorar: dependemos profundamente de um sistema que ainda não compreendemos por completo.

O solo, tantas vezes tratado como recurso inerte, é, na verdade, um organismo coletivo — pulsante, complexo, indispensável.

E talvez o maior alerta desse estudo não seja apenas sobre o risco de extinção.

Mas sobre o quanto ainda estamos olhando para o lugar errado.

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sábado, 18 de abril de 2026

Barcelona vira palco da articulação global em defesa da democracia — e Lula assume protagonismo no novo eixo progressista

Encontro internacional reúne milhares de lideranças, reforça aliança contra a extrema-direita e reposiciona Brasil como ator central no debate global

Barcelona vira palco da articulação global em defesa da democracia — e Lula assume protagonismo no novo eixo progressista. Encontro internacional reúne milhares de lideranças, reforça aliança contra a extrema-direita e reposiciona Brasil como ator central no debate global.

... das agências internacionais —— Barcelona amanheceu sob o peso de um encontro que tenta redesenhar o mapa político global. Entre bandeiras, discursos e articulações de bastidores, a cidade espanhola se transformou, nas últimas 48 horas, em um centro nervoso da esquerda internacional.

A chamada mobilização progressista global, realizada na, reuniu milhares de lideranças políticas, intelectuais e ativistas de diferentes continentes, em uma tentativa clara de reorganizar o campo progressista diante do avanço de forças conservadoras e da crescente polarização mundial.

No epicentro desse movimento está, que sediou também a quarta reunião internacional “Em Defesa da Democracia”, ampliando o peso institucional do encontro e atraindo chefes de Estado, ministros e representantes de organismos multilaterais.

O discurso dominante foi direto: é preciso reconstruir pontes, conter a desinformação, enfrentar a desigualdade e reposicionar a democracia como eixo central das políticas públicas. A crítica ao avanço da extrema-direita foi constante — e, em alguns momentos, frontal. O mundo precisa de mais pontes e menos muros.

O primeiro-ministro espanhol assumiu o papel de anfitrião e articulador europeu, defendendo a unidade entre forças progressistas. Em tom de alerta, ele foi enfático ao dizer que “não se pode dar a democracia como garantida”, em referência direta ao cenário internacional e à influência de lideranças como.

Sánchez também elevou o tom no campo institucional: propôs a renovação da para torná-la mais representativa do mundo atual e defendeu, de forma simbólica e política, que uma mulher assuma o comando da entidade — um gesto que dialoga com a pauta global de equidade de gênero.

Mas foi a presença do presidente que deu ao encontro uma dimensão ainda mais ampla.

Lula não apenas participou — ele operou como peça central da engrenagem política que sustenta essa articulação. Ao lado de Sánchez, ajudou a alinhar discursos, conectar agendas e consolidar uma frente internacional que busca ir além do simbolismo.

Em sua intervenção, o presidente brasileiro adotou um tom direto e crítico. Falou sobre desigualdade, atacou a concentração de renda e fez um alerta interno ao próprio campo progressista: cobrou coerência de governos que se dizem de esquerda, mas enfrentam dificuldades para traduzir discurso em política concreta.

Também reforçou a defesa do multilateralismo e voltou a criticar o modelo econômico que, segundo ele, amplia distorções sociais e fragiliza democracias.

Nos bastidores, Lula ainda participou de reuniões bilaterais com autoridades espanholas, avançando em acordos nas áreas de comércio, tecnologia e inovação — um movimento que indica que o encontro não ficou restrito ao campo simbólico.

O que se desenha, ao fim dessas últimas horas, é mais do que um evento pontual. A Espanha tenta se consolidar como um polo de articulação política internacional, enquanto o Brasil se reposiciona como liderança estratégica do chamado Sul Global.

Há, no ar, uma tentativa clara de reorganização. Não apenas de discursos, mas de poder.

Se essa engrenagem vai se sustentar ao longo do tempo, ainda é cedo para dizer. Mas Barcelona, ao menos por agora, conseguiu o que poucos encontros recentes alcançaram: reunir, alinhar e projetar uma narrativa global com ambição de influência real.

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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Cabelo humano vira escudo contra óleo na Baía de Guanabara

Projeto transforma descarte cotidiano em tecnologia ambiental de baixo custo para proteger manguezais no Rio

Cabelo humano vira escudo contra óleo na Baía de Guanabara
Foto: Edgar Costa/Fundação Grupo Boticário

O mar não fala — mas entrega sinais. Na superfície turva da Baía de Guanabara, entre garrafas à deriva e manchas invisíveis de óleo, surge agora uma resposta improvável, quase poética: cabelo humano.

Na enseada de Bom Jesus, na Ilha do Fundão, zona norte do Rio de Janeiro, uma tecnologia simples — e surpreendente — começou a operar onde soluções caras muitas vezes falham. Barreiras formadas por mechas de cabelo humano, envoltas em malha de algodão, passaram a reforçar uma estrutura flutuante de cerca de 300 metros que já atuava na retenção de resíduos sólidos, segundo noticiado pela Agência Brasil.

Agora, além do lixo visível, essas barreiras também capturam o que escapa aos olhos: o óleo.

A lógica é direta. Estudos mostram que um único grama de cabelo é capaz de absorver, em média, até cinco gramas de óleo. Um material abundante, descartado diariamente em salões e barbearias, passa a cumprir um papel ambiental estratégico — com baixo custo e alto impacto.

A iniciativa é conduzida pelas organizações Orla Sem Lixo Transforma (OSLT) e Fiotrar, com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. É a primeira vez que esse tipo de tecnologia é aplicado em um ecossistema natural no Brasil.

Há também uma dimensão social no projeto. A Fiotrar já trabalha com a coleta de cabelos para a produção de perucas destinadas a pacientes com câncer. Agora, amplia seu alcance: o que antes seria descartado passa a integrar uma cadeia de reaproveitamento com impacto ambiental direto.

Depois de um ano de testes e adaptações às condições específicas da baía, o sistema começa a mostrar resultados. A preocupação central está nos manguezais — áreas sensíveis e essenciais para o equilíbrio costeiro. Funcionam como barreiras naturais contra erosão, ajudam a conter a força das marés e desempenham papel crucial no sequestro de carbono.

Proteger esses territórios é, na prática, proteger a própria cidade.

A nova barreira não resolve tudo. Mas aponta um caminho. Um desses raros momentos em que ciência, sustentabilidade e engenho cotidiano se encontram — e funcionam.

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