terça-feira, 16 de junho de 2026

Presidente do SMC e Força Sindical Paraná lança pré-candidatura à ALEP pelo PT e propõe mandato coletivo

Sérgio Butka quer levar representação sindical e participação direta dos trabalhadores para a Assembleia Legislativa do Paraná

 

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) e da Força Sindical Paraná, Sérgio Butka, oficializou nesta terça-feira (16) sua pré-candidatura a deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT). O lançamento ocorreu com o apoio de lideranças sindicais, representantes de categorias organizadas e dirigentes ligados ao movimento sindical paranaense.

A proposta apresentada por Butka vai além da disputa eleitoral. Caso seja eleito para a Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), o dirigente pretende implementar um modelo de mandato coletivo, com participação efetiva de trabalhadores e lideranças sindicais na definição das ações parlamentares.

Segundo o projeto divulgado, a estrutura será formada por comitês regionais distribuídos em diferentes regiões do Estado, incluindo Curitiba e Região Metropolitana, Litoral, Norte, Oeste e Campos Gerais. A ideia é que representantes dessas regiões participem da construção das pautas legislativas, da definição de prioridades e do acompanhamento do mandato.

“Essa candidatura nasce da organização dos trabalhadores. O objetivo é construir um mandato que represente coletivamente quem produz a riqueza do Paraná e que historicamente teve pouca participação nos espaços de decisão política”, afirmou Butka.

Com trajetória consolidada no movimento sindical, Butka está à frente do SMC, uma das maiores entidades sindicais do Paraná, e também preside a Força Sindical no estado. Ao longo dos últimos anos, participou de negociações salariais, campanhas pela manutenção de empregos e debates sobre desenvolvimento industrial.

O modelo de mandato coletivo apresentado prevê que as principais decisões políticas sejam discutidas por um conselho formado por lideranças sindicais e representantes regionais. A proposta também inclui mecanismos de prestação de contas periódica e participação das bases na definição de prioridades para investimentos públicos e destinação de recursos parlamentares.

Aliança política para 2026

O lançamento também marcou o alinhamento político do grupo para as eleições de 2026. As lideranças sindicais que apoiam a pré-candidatura defendem a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a candidatura da ministra Gleisi Hoffmann ao Senado Federal e a construção de uma aliança política no Paraná em torno do deputado estadual Requião Filho (PDT) para o Governo do Estado.

Segundo os apoiadores, a proposta busca fortalecer um projeto político voltado ao fortalecimento do movimento sindical, à valorização do trabalho, à geração de empregos, ao desenvolvimento industrial e à ampliação da participação popular nas decisões públicas.

Dirigentes sindicais e lideranças políticas ouvidas pelo Sulpost destacaram que o Paraná vive um momento de reorganização das forças progressistas para as eleições de 2026 e defenderam a construção de uma frente política capaz de reunir sindicatos, movimentos sociais e partidos comprometidos com a defesa dos trabalhadores. Uma frente Progressista ampla, em defesa da democracia.

A pré-candidatura de Butka integra as articulações que começam a ganhar forma para a disputa eleitoral de 2026, quando os paranaenses escolherão governador, senadores, deputados federais e deputados estaduais.

Quem é Sérgio Butka

Metalúrgico e dirigente sindical, Sérgio Butka preside o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) e da Força Sindical Paraná. É reconhecido há décadas por sua atuação em varias negociações coletivas e pela defesa de pautas relacionadas ao emprego, valorização salarial, melhores condições de trabalho, qualidade de de vida, desenvolvimento econômico, fortalecimento da indústria e principalmente do trabalhador paranaense.

A crise climática já bate à porta da infância: 1,1 bilhão de crianças vivem sob múltiplas ameaças ambientais

Novo relatório do Unicef revela que quase metade das crianças e adolescentes do planeta está exposta simultaneamente a secas, ondas de calor, enchentes e outros eventos extremos. No Brasil, 16 milhões enfrentam três ou mais riscos climáticos

 
Novo relatório do Unicef revela que quase metade das crianças e adolescentes do planeta está exposta simultaneamente a secas, ondas de calor, enchentes e outros eventos extremos. No Brasil, 16 milhões enfrentam três ou mais riscos climáticos

O calor chega mais cedo. A chuva, quando vem, muitas vezes vem demais. Em algumas regiões, a seca se prolonga por meses. Em outras, enchentes transformam ruas em rios da noite para o dia. Para milhões de crianças ao redor do planeta, essas cenas deixaram de ser exceção e passaram a fazer parte da rotina.

Um novo alerta divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostra a dimensão desse fenômeno. Segundo o Relatório de Risco Climático das Crianças 2026, lançado nesta semana, quase metade das crianças e adolescentes do mundo — cerca de 1,1 bilhão de pessoas — está exposta simultaneamente a pelo menos três ameaças climáticas capazes de comprometer sua saúde, educação, segurança alimentar e até mesmo sua sobrevivência.

O levantamento revela uma realidade preocupante: praticamente todas as crianças do planeta convivem hoje com ao menos um risco relacionado às mudanças climáticas. Em casos mais extremos, mais de 4 milhões de meninos e meninas enfrentam até seis ameaças diferentes ao mesmo tempo.

No Brasil, os números também chamam atenção. Segundo o estudo, aproximadamente 16 milhões de crianças e adolescentes brasileiros vivem em áreas sujeitas a três ou mais riscos climáticos, como secas prolongadas, calor extremo e ondas de calor. O número representa cerca de três em cada dez crianças do país.

Quando o critério considera a exposição a dois ou mais riscos climáticos, o contingente sobe para mais de 30 milhões de crianças e adolescentes — o equivalente a seis em cada dez brasileiros nessa faixa etária.

Onde a infância encontra a emergência climática

O relatório utilizou os dados mais recentes disponíveis para mapear oito ameaças climáticas consideradas recorrentes em diferentes regiões do planeta: enchentes costeiras, secas, calor extremo, queimadas, ondas de calor, enchentes fluviais, tempestades de areia e poeira e tempestades tropicais.

Pela primeira vez, o estudo consegue mostrar com precisão onde essas ameaças se sobrepõem e de que forma afetam os serviços públicos essenciais dos quais as crianças dependem diariamente, como escolas, hospitais, abastecimento de água e sistemas de proteção social.

A diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, destaca que os efeitos das mudanças climáticas já interferem diretamente na vida de milhões de crianças.

Ondas de calor cada vez mais intensas, incêndios florestais, enchentes e secas prolongadas não representam apenas eventos meteorológicos. Eles interrompem aulas, aumentam doenças, afetam a produção de alimentos e ampliam situações de vulnerabilidade social.

A combinação mais comum: seca e calor

Entre todos os cenários analisados, a combinação mais frequente é formada por seca, calor extremo e ondas de calor.

Mais de 296 milhões de crianças vivem sob essa tripla ameaça.

Já a segunda combinação mais comum — seca, calor extremo e tempestades tropicais — afeta mais de 115 milhões de crianças e adolescentes em diversas partes do mundo.

Na região africana do Sahel, uma das mais vulneráveis aos impactos climáticos, mais de 4 milhões de crianças enfrentam simultaneamente ondas de calor, temperaturas extremas e tempestades de areia.

Na Ásia, países como Bangladesh, Mianmar e Paquistão concentram algumas das situações mais críticas identificadas pelo levantamento, reunindo alta intensidade e grande número de ameaças climáticas sobrepostas.

Mas os impactos não se restringem aos países mais pobres. Na Itália, por exemplo, mais de 6 milhões de crianças e adolescentes estão expostos simultaneamente a secas e ondas de calor prolongadas.

Um risco invisível que atinge quase todas as crianças

Além dos eventos climáticos extremos, o estudo também analisou dois fatores fortemente influenciados pelas mudanças do clima: a poluição do ar e a malária. Os resultados mostram que a poluição atmosférica afeta praticamente todas as crianças do planeta.

No Brasil, cerca de 47 milhões de crianças e adolescentes — aproximadamente 95% da população infantil — vivem expostos à poluição do ar. Já a malária continua sendo uma ameaça relevante. Segundo o relatório, cerca de 5,6 milhões de crianças brasileiras estão em áreas vulneráveis à doença.

Quando esses fatores se somam aos eventos climáticos extremos, criam uma camada adicional de risco para uma população que já se encontra entre as mais vulneráveis.

O futuro ainda pode ser alterado

O relatório faz um alerta direto: sem uma redução urgente das emissões de gases de efeito estufa, os eventos climáticos extremos tendem a se tornar mais frequentes, mais severos e mais caros para governos e sociedades. O resultado pode ser uma pressão crescente sobre sistemas de saúde, educação, saneamento e assistência social, comprometendo o desenvolvimento de toda uma geração.

Para enfrentar esse cenário, o Unicef defende uma combinação de medidas que inclui a redução gradual do uso de combustíveis fósseis, investimentos em energias renováveis, fortalecimento de escolas e unidades de saúde resilientes ao clima, ampliação dos sistemas de alerta antecipado, segurança alimentar e acesso à água potável.

O organismo também destaca a importância de incluir crianças e adolescentes nas decisões relacionadas ao enfrentamento da crise climática. Mais do que vítimas de um problema global, eles serão os adultos que herdarão seus efeitos. E, segundo o alerta do Unicef, o tempo para agir já começou a correr.

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Carne sem abate: o Brasil avança numa tecnologia que pode mudar a forma como o mundo produz alimentos

Pesquisas da Embrapa colocam o país na corrida global da carne cultivada em laboratório, uma inovação que promete reduzir impactos ambientais, mas ainda enfrenta desafios técnicos, econômicos e culturais

Carne sem abate: o Brasil avança numa tecnologia que pode mudar a forma como o mundo produz alimentos. Pesquisas da Embrapa colocam o país na corrida global da carne cultivada em laboratório, uma inovação que promete reduzir impactos ambientais, mas ainda enfrenta desafios técnicos, econômicos e culturais

Imagine entrar em um supermercado daqui a alguns anos e encontrar na prateleira um filé de frango que nunca veio de um abatedouro. Nenhum animal foi criado para aquele produto. Nenhum pasto foi aberto para produzi-lo. Ainda assim, trata-se de carne de verdade.

O que parece roteiro de ficção científica já está sendo desenvolvido em laboratórios brasileiros. E não por uma startup do Vale do Silício, mas pela Embrapa, uma das instituições mais respeitadas da pesquisa agropecuária mundial.

O anúncio recente dos avanços brasileiros em carne cultivada colocou o país em uma disputa tecnológica que reúne cientistas, empresas e governos de diferentes continentes. A questão não é apenas produzir um novo alimento. O que está em jogo é a possibilidade de transformar profundamente a forma como a humanidade produz proteína animal.

O que é a carne cultivada?

A técnica começa com uma pequena coleta de células de um animal vivo, procedimento semelhante a uma biópsia. Essas células então são levadas para um ambiente controlado, onde recebem oxigênio, nutrientes, aminoácidos, sais minerais e glicose, tudo o que elas precisam para crescer. Ali elas se multiplicam até formar tecido muscular, o mesmo encontrado na carne tradicional.

Em vez de criar milhares de animais durante meses ou anos, a proposta é produzir carne diretamente a partir das células. Segundo a veterinária Naiara Milagres Augusto da Silva, analista da Embrapa, disse à EBC, os pesquisadores conseguem selecionar os tipos celulares desejados e multiplicá-los em grande escala para formar o produto final.

"Conseguimos isolar as diferentes células que compõem o tecido muscular vivo e multiplicar em grande quantidade aquelas que interessam para a produção da carne", explica a pesquisadora.

Não basta criar células. É preciso criar carne.

Um dos desafios mais complexos não é fazer as células crescerem. É fazer com que elas se organizem de forma semelhante à encontrada na natureza. Para isso, os cientistas utilizam estruturas microscópicas chamadas scaffolds, que funcionam como uma espécie de suporte para o crescimento celular.

Essas estruturas ajudam a determinar características fundamentais do produto final, como textura, firmeza, retenção de água e até mesmo a sensação durante a mastigação.

Em outras palavras: produzir células é relativamente simples. Produzir algo que realmente lembre um filé ou uma linguiça continua sendo um dos grandes desafios científicos da área.

O papel das proteínas vegetais

Outra frente importante da pesquisa brasileira acontece no Laboratório de Nanobiotecnologia da Embrapa, em Brasília. Lá, os pesquisadores desenvolvem biomateriais feitos a partir de proteínas vegetais que servem de base para o crescimento das células animais.

As estruturas são tão pequenas que parecem folhas de papel quando vistas a olho nu. No microscópio, revelam uma superfície cheia de poros que imita a matriz natural existente dentro dos organismos vivos.

O mesmo laboratório também produz, em caráter experimental, alimentos impressos em 3D com base vegetal, incluindo versões de carne vermelha, salmão, caviar e lula.

A estratégia é clara: reduzir ao máximo a dependência de insumos de origem animal durante o processo produtivo.

Por que o mundo está investindo bilhões nessa tecnologia?

A principal resposta está no meio ambiente. A pecuária tradicional ocupa grandes áreas de terra, demanda enormes volumes de recursos naturais e contribui para a emissão de gases de efeito estufa, especialmente o metano liberado pelos animais ruminantes.

Se a carne cultivada conseguir atingir escala industrial, os benefícios podem ser significativos.

  • Redução das emissões de metano;
  • Menor pressão sobre áreas de floresta;
  • Menor necessidade de expansão de pastagens;
  • Redução do uso de recursos naturais;
  • Produção de proteína animal em ambientes controlados.

Para muitos pesquisadores, trata-se de uma ferramenta potencialmente importante no enfrentamento das mudanças climáticas.

Mas existem dúvidas e limitações

O entusiasmo em torno da carne cultivada não elimina os desafios. O primeiro deles é econômico. Produzir alguns quilos em laboratório já é realidade. Produzir milhares de toneladas a preços acessíveis ainda está longe de ser uma tarefa simples.

Há também a questão energética. Os biorreatores utilizados no processo precisam funcionar continuamente. Se a energia utilizada vier de fontes fósseis, parte dos benefícios ambientais pode ser reduzida.

Outro obstáculo é cultural. Muitas pessoas demonstram curiosidade sobre a novidade. Outras enxergam a ideia com desconfiança. A aceitação do consumidor será tão importante quanto os avanços científicos.

E a fome no mundo?

Embora a tecnologia seja frequentemente associada ao combate à fome, especialistas fazem uma ressalva importante. O planeta já produz alimentos suficientes para alimentar a população mundial. O problema está principalmente na desigualdade, na pobreza, nos conflitos e nas dificuldades de distribuição.

A carne cultivada poderá ampliar a oferta de proteínas e tornar a produção mais eficiente. Mas dificilmente resolverá sozinha um problema que é também econômico, político e social.

Brasil entra na corrida global

Países como Singapura, Estados Unidos, Israel, Austrália e Países Baixos já possuem projetos avançados e estruturas regulatórias para a carne cultivada. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou em 2023 as regras para avaliação desses produtos, criando as bases para futuras aplicações comerciais.

Enquanto isso, a Embrapa trabalha para transformar pesquisas em tecnologias capazes de chegar ao setor produtivo. Entre os projetos mais próximos da aplicação prática está uma película comestível destinada ao revestimento de embutidos produzidos por meio da técnica de carne cultivada. A expectativa é que o produto esteja pronto para transferência tecnológica em 2027.

Revolução silenciosa

Por enquanto, a carne cultivada continua longe das gôndolas brasileiras. Ainda há barreiras técnicas, econômicas e regulatórias a superar. 

Mas algo importante já está acontecendo dentro dos laboratórios. Pela primeira vez na história, cientistas trabalham seriamente para produzir carne sem depender da criação em larga escala de animais. É uma mudança de paradigma que parecia impossível há apenas duas décadas.

Talvez a tecnologia nunca substitua completamente a pecuária tradicional. Talvez venha apenas para complementar a produção de alimentos. Mas uma coisa já parece evidente: o futuro da comida começou a ser desenhado muito antes de chegar ao prato. E o Brasil não pretende assistir essa transformação da arquibancada.

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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Lula e Macron reforçam parceria estratégica entre Brasil e França durante encontro no G7

Encontro, na França, abordou defesa, soberania digital, cooperação na Amazônia e os 20 anos da UNITAID

Presidentes Lula e Macron se encontram durante cúpula do G7, na França - Ricardo Stuckert/PR

ÉVIAN-LES-BAINS (FRANÇA) — Em meio à programação da Cúpula do G7, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta segunda-feira (15) com o presidente francês Emmanuel Macron em um encontro que reforçou a parceria estratégica entre os dois países e abriu espaço para discussões sobre defesa, tecnologia, integração regional e saúde global.

Ao comentar a reunião em suas redes sociais, Lula agradeceu o convite para participar da cúpula e lembrou um momento simbólico de sua trajetória internacional.

"Recordei que foi aqui em Évian, em 2003, que participei pela primeira vez de uma cúpula do grupo."

A referência remete ao início da participação brasileira em encontros ampliados das maiores economias do mundo. Mais de duas décadas depois, Lula retorna ao mesmo local em um cenário internacional marcado por disputas tecnológicas, desafios climáticos e transformações geopolíticas.

Defesa e cooperação estratégica

Entre os temas centrais da conversa esteve a cooperação bilateral na área de defesa. Lula destacou os avanços obtidos por meio do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), considerado um dos projetos estratégicos mais importantes das Forças Armadas brasileiras.

Desenvolvido em parceria com a França, o programa envolve transferência de tecnologia, construção de submarinos convencionais e o desenvolvimento do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear.

Fala de Lula

"Na esfera bilateral, reiteramos os avanços positivos da cooperação em defesa, em especial o sucesso do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB)."

Amazônia e integração regional

Os dois presidentes também discutiram o aprofundamento da cooperação transfronteiriça entre o Amapá e a Guiana Francesa, território ultramarino da França localizado na América do Sul.

A região é considerada estratégica tanto para a integração regional quanto para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, compartilhada pelos dois países por meio da fronteira entre o estado brasileiro e o território francês.

Soberania digital entra na pauta

Um dos pontos que mais chamaram atenção na declaração divulgada após o encontro foi a discussão sobre tecnologia e soberania digital.

Segundo Lula, Emmanuel Macron manifestou interesse em participar dos esforços brasileiros voltados à aquisição de supercomputadores, infraestrutura considerada essencial para pesquisa científica, inteligência artificial, processamento de grandes volumes de dados e desenvolvimento tecnológico nacional.

Fala de Lula

"O presidente Macron reiterou o interesse da França em participar dos esforços brasileiros para a aquisição de supercomputadores, em reforço à soberania digital do Brasil."

A menção ao tema ocorre em um momento em que diversas nações buscam ampliar sua autonomia tecnológica diante da crescente importância da inteligência artificial e da infraestrutura digital estratégica.

20 anos da UNITAID

Outro assunto destacado por Lula foi o aniversário de 20 anos da UNITAID, organização internacional criada em 2006 com o objetivo de ampliar o acesso a medicamentos nos países em desenvolvimento.

O presidente brasileiro recordou que a iniciativa nasceu durante seu governo, em parceria com o então presidente francês Jacques Chirac.

Fala de Lula

"Um exemplo concreto de combate às desigualdades e de reafirmação da solidariedade internacional."

Parceria ampliada

O encontro entre Lula e Macron sinaliza a continuidade da aproximação entre Brasil e França em áreas consideradas estratégicas para os dois países. A agenda bilateral vem incorporando temas como defesa, tecnologia, desenvolvimento sustentável, integração regional e cooperação internacional.

Em um momento marcado pela corrida tecnológica global e pelas discussões sobre soberania digital, a sinalização francesa de colaborar com projetos brasileiros de supercomputação pode abrir um novo capítulo na relação entre os dois países.


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Ratinho pede para não depor no caso do Marroquino; Requião Filho confirma presença em audiência

Processo envolvendo o jornalista Esmael Morais volta a expor denúncias de suposto monitoramento ilegal no Paraná, tema que segue sem conclusão pública definitiva

 
Ratinho pede para não depor no caso do Marroquino; Requião Filho confirma presença em audiência. Processo envolvendo o jornalista Esmael Morais volta a expor denúncias de suposto monitoramento ilegal no Paraná, tema que segue sem conclusão pública definitiva.

Uma audiência marcada para esta terça-feira (16), em Curitiba, recoloca no centro do debate político paranaense um caso que mistura disputa judicial, denúncias de monitoramento ilegal, liberdade de imprensa e embates entre governo e oposição.

O governador Ratinho Junior (PSD) pediu à Justiça para não depor no chamado "caso do Marroquino", processo criminal envolvendo o jornalista Esmael Morais. O mesmo pedido foi apresentado pelo secretário-chefe da Casa Civil, João Carlos Ortega.

Segundo informações divulgadas pela defesa das autoridades, ambos sustentam que seus depoimentos não teriam relação direta com os fatos discutidos na ação. Como alternativa, solicitaram que, caso a magistrada mantenha a convocação, possam responder por escrito ou prestar informações sem comparecer presencialmente à audiência.

Do outro lado, o deputado estadual Requião Filho (PDT) confirmou que pretende comparecer para prestar depoimento. O parlamentar foi um dos primeiros a levar à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) questionamentos sobre denúncias envolvendo uma suposta estrutura de monitoramento instalada em órgãos do Estado.

O que está em discussão

Embora o processo em questão trate de suposta ofensa à honra, o caso acabou ganhando repercussão política por estar ligado a denúncias que vêm sendo discutidas há anos nos bastidores da política paranaense.

As suspeitas levantadas por setores da oposição envolvem a contratação, pelo Governo do Paraná, de tecnologia associada ao sistema FirstMile, ferramenta que também apareceu nas investigações da Polícia Federal sobre o escândalo conhecido nacionalmente como "Abin Paralela".

Na época, Requião Filho apresentou requerimentos e pedidos de esclarecimento sobre a aquisição do sistema e sobre a atuação da Diretoria de Inteligência da Controladoria-Geral do Estado (CGE), então comandada pelo marroquino naturalizado brasileiro Mehdi Mouazen.

As denúncias apontavam a necessidade de investigar se ferramentas de monitoramento poderiam ter sido utilizadas de forma indevida contra agentes públicos, jornalistas ou adversários políticos.

Importante: até o momento, não há conclusão pública definitiva que comprove a existência de uma estrutura ilegal de espionagem no Paraná. O que existe são denúncias políticas, questionamentos parlamentares, procedimentos de investigação e disputas judiciais envolvendo diferentes versões sobre os fatos. Investigações seguem em curso.

Governo nega irregularidades

Ao longo das discussões públicas sobre o tema, o Governo do Paraná e os envolvidos nas denúncias têm negado qualquer prática irregular relacionada ao uso de sistemas de inteligência ou monitoramento.

O debate, portanto, permanece aberto no campo político e judicial, sem uma conclusão definitiva que confirme as acusações apresentadas pela oposição.

Audiência pode ampliar repercussão

A expectativa em torno da audiência desta terça-feira vai além dos aspectos jurídicos do processo. Dependendo das decisões da Justiça sobre os depoimentos solicitados pela defesa, o caso poderá voltar a ocupar espaço relevante no debate político estadual.

Para a defesa de Esmael Morais, os depoimentos de autoridades públicas são importantes para o exercício do direito de defesa. Já os representantes de Ratinho Junior e João Carlos Ortega argumentam que a legislação prevê tratamento específico para autoridades convocadas como testemunhas.

O episódio também evidencia o contraste político entre os personagens envolvidos. Enquanto o governador busca ser dispensado do depoimento ou autorizado a responder por escrito, Requião Filho afirma que pretende comparecer pessoalmente para prestar esclarecimentos.

Independentemente do desfecho da audiência, o caso continua reunindo elementos sensíveis para a vida pública paranaense: liberdade de imprensa, transparência institucional, atividade de inteligência estatal e o papel das autoridades diante de questionamentos que seguem sob escrutínio político e judicial.

O caso segue, investigações continuam. A espionagem de cidadãos, jornalistas e autoridades por parte do Estado do Paraná não foi comprovada, ao menos por enquanto.

Certo é que a arapongagem, ou prática de espionar adversários políticos e ideológicos, é herança dos anos de chumbo da ditadura militar. Trata-se de uma prática inaceitável, por isso merece o acompanhamento não apenas da imprensa, mas de todos aqueles que vêem a privacidade do cidadão como direito inalienável e defendem a democracia.

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Justiça barra avanço da cassação de Renato Freitas e reforça debate sobre limites do decoro parlamentar

Decisão do Tribunal de Justiça do Paraná suspende tramitação do processo na Assembleia e destaca que episódio que originou o caso ocorreu fora do exercício do mandato

Arilson Chiorato, Renato Freitas e Gleisi Hoffman, no ato #RenatoFica, que reuniu milhares de apoiadores no centro de Curitiba - Reprodução/Instagram

Há momentos em que uma decisão judicial ultrapassa os limites de um processo específico e passa a levantar uma discussão maior sobre democracia, representação popular e os limites da atuação dos Poderes.

Foi exatamente isso que aconteceu na semana passada com o caso do deputado estadual Renato Freitas (PT), um dos parlamentares mais votados do Paraná e figura política identificada com pautas das periferias, da população negra e dos setores mais vulneráveis da sociedade.

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) determinou a suspensão do processo que poderia levar à cassação do mandato do deputado na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Com isso, a votação que estava prevista para ocorrer em plenário fica impedida até nova análise da Justiça.

O que motivou o processo

O procedimento disciplinar teve origem em uma briga registrada no Centro de Curitiba, em novembro de 2025. O episódio ocorreu fora das dependências da Assembleia e sem relação direta com atividades legislativas. Apesar disso, o caso foi levado ao Conselho de Ética da Alep, que concluiu pela recomendação de cassação do mandato por suposta quebra de decoro parlamentar.

Por maioria de votos, o colegiado entendeu que a conduta seria incompatível com o exercício da função pública. A defesa do deputado, por outro lado, sustentou desde o início que os fatos pertencem à esfera privada e não possuem vínculo com o exercício do mandato parlamentar.

O entendimento do Tribunal de Justiça

Ponto central da decisão: para o desembargador Rogério Luís Nielsen Kanayama, os fatos analisados não possuem relação direta com o exercício da atividade parlamentar, circunstância que se tornou um dos elementos relevantes para a suspensão do processo de cassação.

Ao conceder a liminar, o magistrado considerou ainda que uma eventual votação em plenário poderia produzir consequências imediatas e de difícil reversão, especialmente por envolver a perda do mandato e possíveis reflexos sobre os direitos políticos do parlamentar.

A decisão judicial não encerra definitivamente o caso, mas interrompe sua tramitação até que a discussão jurídica seja apreciada de forma mais ampla.

A divergência que marcou o processo

Um dos aspectos mais relevantes do caso é justamente a divergência entre os entendimentos adotados na esfera política e na esfera judicial.

Enquanto o Conselho de Ética entendeu que a ocorrência poderia caracterizar quebra de decoro parlamentar, manifestações registradas no âmbito do Judiciário apontaram que o episódio não decorreu do exercício do mandato nem de atividade legislativa.

Essa diferença de interpretação passou a ocupar o centro do debate jurídico e político em torno do futuro do mandato de Renato Freitas.

Mobilização popular

Eleito por dezenas de milhares de paranaenses, Renato Freitas construiu sua trajetória política associado à defesa de movimentos populares, comunidades periféricas e pautas ligadas ao combate ao racismo.

Por isso, a discussão em torno de uma eventual cassação ultrapassou os corredores da Assembleia e passou a mobilizar apoiadores, juristas e organizações da sociedade civil que acompanham o caso.

Com a decisão do Tribunal de Justiça do Paraná, o processo entra agora em uma nova etapa, na qual a discussão jurídica sobre a natureza dos fatos — e sua relação ou não com o exercício do mandato parlamentar — tende a ocupar papel decisivo.

Por enquanto, a consequência prática é clara: a cassação não poderá ser levada ao plenário da Assembleia Legislativa enquanto a liminar permanecer em vigor.

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“Isso cheira a maracutaia”: Requião Filho dispara contra governo, pedágio e Porto em entrevista à Band

Pré-candidato do PDT ao Governo do Paraná fez acusações contundentes, questionou obras da gestão Ratinho Jr. e prometeu uma mudança de rumo para o estado. Assista à entrevista completa e tire suas próprias conclusões

CURITIBA — Em uma entrevista marcada por críticas contundentes ao governo Ratinho Junior, ao novo modelo de pedágio e à condução de áreas estratégicas do Paraná, o deputado estadual e pré-candidato ao Governo do Estado, Requião Filho (PDT), apresentou na Band Paraná um discurso centrado na defesa do interior, da infraestrutura pública e do fortalecimento da presença do Estado na economia.

Ao longo da conversa, Requião Filho procurou se posicionar como uma alternativa ao atual grupo político que governa o Paraná há quase oito anos. O tom foi de oposição direta, especialmente quando abordou temas como saúde, educação, pedágio, Porto de Paranaguá e investimentos no interior do estado.

“Nós precisamos de um Estado com a mão forte que cuide de pessoas, não de grupos econômicos.”

Pedágio no centro das críticas

Um dos temas mais explorados pelo pré-candidato foi o novo modelo de concessões rodoviárias. Requião Filho afirmou que o sistema atualmente implantado repete problemas do antigo pedágio e acusou o governo estadual de não exercer a fiscalização necessária sobre as concessionárias.

“O modelo que temos hoje no Paraná é uma cópia do modelo antigo, com um pouquinho de purpurina e confete por cima.”

Segundo ele, obras previstas já estariam atrasadas e alguns contratos estariam sendo descumpridos. Também criticou o sistema de cobrança por fluxo livre (Free Flow), afirmando que a medida transfere responsabilidades para os usuários sem oferecer contrapartidas equivalentes.

“Já estão descumprindo o contrato, já estão recebendo mais do que deveriam e as obras já estão atrasadas.”

O interior como prioridade

Ao falar sobre suas viagens pelo Paraná, Requião Filho buscou desconstruir a imagem de prosperidade homogênea frequentemente associada ao estado. Para ele, há uma realidade distante dos grandes centros urbanos que não recebe a atenção necessária dos governos.

O deputado afirmou que muitos municípios continuam enfrentando dificuldades de acesso à educação, saúde, infraestrutura e oportunidades de emprego.

“Precisa de faculdade? Tem que ir embora do interior. Precisa de emprego? Tem que ir embora do interior. Precisa de hospital? Tem que pegar uma van e sair do interior.”

Segundo ele, a consequência é um processo contínuo de esvaziamento populacional das pequenas cidades, especialmente entre os jovens.

Saúde e educação

Na área da saúde, Requião Filho afirmou que o processo de regionalização perdeu força e que a população do interior continua sendo obrigada a percorrer grandes distâncias em busca de atendimento especializado.

Já sobre a educação, contestou os indicadores apresentados pelo governo estadual e disse que existem denúncias de manipulação de resultados para melhorar índices oficiais.

“Temos denúncias de professores que têm que alterar notas de alunos.”

Ele também criticou o avanço das plataformas digitais de ensino, argumentando que a tecnologia não pode substituir o papel dos educadores e nem ignorar as diferentes realidades regionais do Paraná.

“A plataformização da educação é bonita na propaganda. Na realidade, ela é dificultosa.”

Litoral e obras do governo

Apesar de elogiar intervenções como a revitalização da orla e a construção da Ponte de Guaratuba, o pré-candidato afirmou que as obras foram conduzidas com foco político e eleitoral.

Ao comentar a engorda da faixa de areia, afirmou que alertas técnicos teriam sido ignorados para garantir a entrega da obra antes do período eleitoral.

“Projeto mal feito. O mar levou mais de R$ 500 milhões embora.”

Sobre a Ponte de Guaratuba, disse que teria priorizado os acessos antes da execução da estrutura principal.

Porto de Paranaguá e acusações de falta de transparência

As declarações mais duras da entrevista surgiram quando o tema passou para o Porto de Paranaguá. Requião Filho afirmou que a administração portuária precisa ser mais transparente e defendeu investigações sobre denúncias envolvendo negócios realizados na área portuária.

“Hoje o Porto tem dono. Eu acho que o Porto tem que ser de todos os paranaenses.”

O deputado também mencionou denúncias relacionadas ao crime organizado e questionou negociações envolvendo terrenos públicos.

“Isso, para mim, cheira a maracutaia.”

Um discurso voltado para 2026

Ao encerrar a entrevista, Requião Filho reforçou a ideia de um governo voltado para a população, buscando contrastar sua proposta com o modelo que atribui ao atual grupo político no poder.

A entrevista faz parte da série promovida pela Band Paraná com os pré-candidatos ao Governo do Estado para as eleições de 2026 e oferece um primeiro retrato das linhas de discurso que deverão marcar a disputa eleitoral nos próximos meses.

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Operação do Gaeco mobiliza mil agentes e atinge organização criminosa em 34 cidades do Paraná

Megaoperação cumpre 559 mandados nesta segunda (15), o alvo é um grupo que atua de dentro dos presídios; Curitiba está entre as cidades com ações em andamento – operação ocorre após final de semana no qual PRF já havia apreendido mais de 3 toneladas de maconha ilegal nas estradas do Estado

 
Operação do Gaeco mobiliza mil agentes e atinge organização criminosa em 34 cidades do Paraná. Megaoperação cumpre 559 mandados nesta segunda (15), o alvo é um grupo que atua de dentro dos presídios; Curitiba está entre as cidades com ações em andamento – operação ocorre após final de semana no qual PRF já havia apreendido mais de 3 toneladas de maconha ilegal nas estradas do Estado
Reprodução Internet 

O dia amanheceu tenso para as forças de segurança no Paraná. Ainda antes do nascer do sol, viaturas começaram a circular por ruas, bairros e estradas de diversas regiões do estado. Em Curitiba e em outras 33 cidades paranaenses, agentes das forças de segurança saíram simultaneamente para cumprir uma das maiores operações contra o crime organizado já realizadas pelo Ministério Público do Paraná nos últimos anos.

Batizada de Operação Panóptico (Convergência Nacional PR-01), a ação foi deflagrada na manhã desta segunda-feira (15) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio integrado da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Polícia Científica. O objetivo é atingir uma organização criminosa com atuação dentro e fora do sistema prisional.

Mais de 500 mandados

Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público do Paraná, estão sendo cumpridos 559 mandados judiciais, dos quais 304 são de prisão e 255 de busca e apreensão.

A operação mobiliza aproximadamente 1.000 agentes de segurança, distribuídos em mais de 200 equipes, numa força-tarefa que se estende também para São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

Uma parcela significativa dos alvos já se encontra no sistema prisional. De acordo com os dados oficiais, 176 mandados de prisão e 92 mandados de busca foram executados dentro de unidades penais, resultado de investigações que apontam para a continuidade de atividades criminosas a partir do cárcere.

Curitiba entre os principais focos

No Paraná, os mandados são cumpridos em 34 municípios, incluindo Curitiba, São José dos Pinhais, Londrina, Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu, Ponta Grossa, Guarapuava, Paranavaí, Umuarama, Francisco Beltrão e Guaíra, entre outros.

As investigações foram conduzidas pelos dez núcleos regionais do Gaeco e vêm sendo desenvolvidas desde o final de 2025, envolvendo diferentes comarcas e órgãos do Poder Judiciário.

O que os investigadores procuram

De acordo com o Ministério Público, a meta não é apenas efetuar prisões.

Os investigadores buscam recolher documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos capazes de aprofundar as apurações sobre a estrutura da organização criminosa, seus integrantes e eventuais crimes ainda não esclarecidos.

A expectativa é que o material apreendido gere novos desdobramentos investigativos nos próximos meses.

O significado de "Panóptico"

O nome escolhido para a operação tem origem na palavra grega panóptico, que significa algo como "aquilo que tudo vê".

Segundo a explicação divulgada pelo próprio Ministério Público, o conceito remete à ideia de vigilância permanente e monitoramento constante, simbolizando a capacidade do Estado de acompanhar e identificar estruturas criminosas mesmo quando elas tentam atuar de forma oculta.

Atualização de última hora

Até a publicação desta reportagem, o Ministério Público ainda não havia divulgado um balanço consolidado das prisões efetivamente realizadas nem dos materiais apreendidos durante a operação.

Novas informações devem ser divulgadas ao longo do dia, incluindo números atualizados, possíveis flagrantes, apreensões e detalhes sobre a atuação da organização investigada.

O Sulpost acompanha os desdobramentos da Operação Panóptico e atualizará esta reportagem assim que novos dados oficiais forem divulgados pelas autoridades.

Cerco ao crime organizado se intensifica

A Operação Panóptico não acontece de forma isolada. Ela se soma a uma sequência de ações recentes das forças de segurança, estaduais e federais, que vêm ampliando a pressão sobre organizações criminosas e rotas de tráfico que cruzam o Paraná.

Na tarde de domingo (14), a Polícia Rodoviária Federal apreendeu quase 2,5 toneladas de maconha escondidas em meio a uma carga de aço durante uma fiscalização na BR-277, em Guarapuava, na região centro-sul do estado. Dois homens, de 39 e 42 anos, foram presos em flagrante. No dia anterior a PRF já havia apreendido um carregamento de cerca de 555 kg em Alto Paraíso, no Noroeste do Paraná.

Segundo a PRF, um dos suspeitos conduzia a carreta onde a droga estava escondida, enquanto o outro dirigia um automóvel utilizado como veículo batedor, responsável por monitorar o trajeto e alertar sobre eventual presença policial ao longo da rodovia. Ambos portavam pequenas porções de cocaína.

Durante a abordagem, os policiais encontraram vestígios de pó branco na cabine do caminhão. Questionado, o motorista admitiu ter feito uso de cocaína. Conforme as investigações iniciais, a carga teria saído de Foz do Iguaçu e teria como destino final a cidade de Curitiba.

Os dois presos deverão responder pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte de droga para consumo pessoal e condução de veículo sob efeito de substância psicoativa.

Somada à megaoperação deflagrada nesta segunda-feira pelo Gaeco, a apreensão reforça um cenário de endurecimento das ações de combate ao crime organizado no Paraná.

Enquanto a PRF atua para interromper corredores de tráfico nas rodovias federais, o MP e as forças estaduais avançam contra estruturas criminosas investigadas por manter atividades dentro e fora do sistema prisional. Os resultados das últimas 48 horas indicam que o cerco às organizações criminosas está cada vez mais apertado no estado.

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Em Guarapuava, trabalhador de 84 anos é resgatado após duas décadas em condições análogas à escravidão

Fiscalização do Ministério do Trabalho encontrou idoso vivendo em paiol deteriorado, sem direitos trabalhistas e exposto a riscos graves à saúde e à segurança

 
Em Guarapuava, trabalhador de 84 anos é resgatado após duas décadas em condições análogas à escravidão. Fiscalização do Ministério do Trabalho encontrou idoso vivendo em paiol deteriorado, sem direitos trabalhistas e exposto a riscos graves à saúde e à segurança.

O silêncio e a vastidão do campo escondiam uma realidade difícil de imaginar em pleno século XXI. Na semana passada, em uma propriedade rural de Guarapuava, na região Centro-Sul do Paraná, um trabalhador de 84 anos foi encontrado vivendo e trabalhando em condições que a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) classificou como análogas à escravidão.

O resgate ocorreu após uma ação da Inspeção do Trabalho. Segundo os auditores-fiscais, o trabalhador permanecia na propriedade havia mais de 20 anos ao lado da esposa, de 66 anos. Durante todo esse período, exerceu atividades rurais sem registro em carteira e sem acesso aos direitos mais básicos garantidos pela legislação trabalhista.

Moradia improvisada e riscos constantes

A situação encontrada pelos fiscais impressiona. O casal morava em um antigo paiol de madeira transformado improvisadamente em residência. O local apresentava piso deteriorado, frestas nas paredes, instalações elétricas precárias e risco de desabamento.

Os auditores identificaram ainda risco de incêndio, asfixia e intoxicação devido à forma inadequada de armazenamento de materiais inflamáveis e ao uso de botijão de gás dentro da residência. Diante da gravidade das condições, as estruturas utilizadas como moradia, banheiro e local de banho foram interditadas.

As condições sanitárias também eram alarmantes. O banheiro era improvisado e não possuía sistema adequado de esgotamento sanitário. O espaço destinado ao banho apresentava piso deteriorado e fiação elétrica exposta. A água consumida pelo casal era captada por meio de instalações improvisadas, sem garantia de potabilidade.

Direitos trabalhistas negados por décadas

Além das condições degradantes de moradia, a fiscalização constatou uma série de irregularidades trabalhistas. O trabalhador não possuía registro formal em carteira, não recebia férias nem décimo terceiro salário e recebia remuneração inferior ao piso regional da categoria.

Também foram identificados atrasos salariais, ausência de equipamentos de proteção individual e falta de condições adequadas para a realização segura das atividades rurais.

Com base no conjunto de violações constatadas, a Auditoria Fiscal do Trabalho caracterizou a submissão do trabalhador a condições análogas à escravidão e realizou seu resgate. O casal recebeu atendimento da assistência social do município e foi encaminhado para a residência de um dos filhos.

Importante: Pela legislação brasileira, o trabalho análogo à escravidão não se limita à privação de liberdade. Condições degradantes de trabalho e moradia, jornadas exaustivas, servidão por dívida e violações graves à dignidade humana também configuram esse crime.

Acordo prevê pagamento de R$ 70 mil

Após a operação, o proprietário da fazenda firmou acordo para o pagamento de aproximadamente R$ 70 mil ao casal. Segundo informações divulgadas após a fiscalização, cerca de R$ 50 mil correspondem a verbas trabalhistas devidas e outros R$ 20 mil referem-se à indenização por danos morais.

O caso poderá ainda ser analisado pelas autoridades competentes para eventual responsabilização criminal.

Uma realidade que ainda persiste

O caso registrado em Guarapuava chama atenção para uma realidade que ainda persiste em diversas regiões do Brasil. Embora muitas pessoas associem a escravidão apenas ao passado, operações de fiscalização continuam encontrando trabalhadores submetidos a situações degradantes e incompatíveis com a dignidade humana.

O combate a essas práticas depende tanto da atuação dos órgãos públicos quanto da participação da sociedade na identificação e denúncia de possíveis violações.

Como denunciar

Casos suspeitos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados de forma anônima por meio do Sistema Ipê, ferramenta criada pelo MTE em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A plataforma recebe informações sobre situações de exploração laboral e auxilia as autoridades na fiscalização e proteção dos trabalhadores em todo o país.

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domingo, 14 de junho de 2026

Pato Branco recebe reforço na saúde com carreta de cirurgias oftalmológicas e investimentos do Governo Federal

Município do Sudoeste do Paraná amplia atendimento especializado pelo SUS com apoio do programa Agora Tem Especialistas em ações acompanhadas pela deputada federal Gleisi Hoffmann

 
Pato Branco recebe reforço na saúde com carreta de cirurgias oftalmológicas e investimentos do Governo Federal. Município do Sudoeste do Paraná amplia atendimento especializado pelo SUS com apoio do programa Agora Tem Especialistas em ações acompanhadas pela deputada federal Gleisi Hoffmann.

Para quem aguardava há meses por uma consulta especializada ou por uma cirurgia oftalmológica, a chegada de uma carreta equipada para realizar procedimentos pelo SUS representa mais do que um investimento público. Representa a possibilidade de voltar a enxergar melhor, retomar atividades do dia a dia e recuperar qualidade de vida.

Pato Branco recebeu nesta semana novos investimentos destinados ao fortalecimento da saúde pública. As ações contam com recursos do Ministério da Saúde, mostrando que o governo do presidente Lula leva a questão à sério.

Entre os destaques está a presença de uma unidade móvel especializada em atendimentos oftalmológicos, capaz de realizar consultas, exames e cirurgias diretamente na região. A iniciativa faz parte do programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde, criado para ampliar o acesso da população a procedimentos de média e alta complexidade e ajudar a reduzir filas no Sistema Único de Saúde (SUS).

Atendimento mais próximo da população

Segundo informações divulgadas durante a agenda em Pato Branco, a estrutura já vem atendendo pacientes encaminhados pela rede pública e beneficiando moradores de diversos municípios do Sudoeste paranaense.

Além da unidade móvel, a agenda incluiu entregas e investimentos voltados ao fortalecimento da rede pública de saúde, ampliando a capacidade de atendimento especializado na região.

Durante a visita, a deputada Gleisi Hoffmann destacou o alcance da iniciativa:

“É a carreta que faz a cirurgia oftalmológica. Ela tá aqui desde o dia 1º, já fez mais de 300 cirurgias e vai atender vários municípios da região. São três carretas que estão no Paraná, do Ministério da Saúde, do programa Agora Tem Especialistas, do presidente Lula. A ideia é levar atendimento para mais perto das pessoas e acelerar procedimentos que muitas vezes demoravam meses para serem realizados.”

Mais consultas, exames e cirurgias

O programa Agora Tem Especialistas integra o esforço do governo federal para ampliar o acesso da população a consultas, exames diagnósticos e cirurgias especializadas. A estratégia busca reduzir a espera por procedimentos considerados essenciais e fortalecer a capacidade de resposta do SUS em diferentes regiões do país.

No Paraná, as carretas de atendimento itinerante permitem que serviços especializados cheguem a municípios que muitas vezes dependem de deslocamentos para centros maiores, reduzindo custos e facilitando o acesso dos pacientes.

Fortalecimento do SUS

A ampliação da oferta de serviços especializados reforça a importância dos investimentos públicos na saúde e do fortalecimento do Sistema Único de Saúde, responsável por atender milhões de brasileiros diariamente.

Para os moradores de Pato Branco e de cidades vizinhas, a expectativa é que a nova estrutura contribua para acelerar atendimentos, reduzir filas e garantir mais dignidade a quem depende da rede pública para cuidar da própria saúde.

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14 de Junho – Dia Mundial do Doador de Sangue

Uma gota de humanidade. Doe sangue. Salve vidas.

Tabela para doação de sangue  - Sulpost

Neste Dia Mundial do Doador de Sangue, o Sulpost se une à campanha internacional promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), apoiada por organismos das Nações Unidas, pelos Poderes da República e por instituições públicas e privadas de todo o mundo para conscientizar a população sobre a importância da doação regular de sangue.

Também participa desta mobilização o sindicalista Nelsão da Força, que está promovendo uma campanha permanente de conscientização para incentivar trabalhadores e trabalhadoras de Curitiba e Região Metropolitana a transformarem a doação de sangue em um hábito de cidadania, solidariedade e amor ao próximo.

Todos os dias, hospitais necessitam de sangue para atender vítimas de acidentes, pacientes em cirurgias, tratamentos contra o câncer, transplantes, complicações durante o parto e diversas outras situações de emergência. Apesar dos avanços da medicina, não existe substituto para o sangue humano. A única fonte continua sendo a generosidade de quem doa.

Milhares de pessoas recebem uma nova oportunidade de vida graças a doadores que muitas vezes jamais conhecerão aqueles que ajudaram. É um gesto silencioso, voluntário e anônimo, mas de enorme impacto social.

Segundo a campanha mundial deste ano, cada doação representa mais do que um procedimento médico: é uma demonstração concreta de humanidade, solidariedade e responsabilidade coletiva.

Compatibilidade dos tipos sanguíneos

Tipo sanguíneo Pode doar para Pode receber de
O− O−, O+, A−, A+, B−, B+, AB−, AB+ O−
O+ O+, A+, B+, AB+ O−, O+
A− A−, A+, AB−, AB+ O−, A−
A+ A+, AB+ O−, O+, A−, A+
B− B−, B+, AB−, AB+ O−, B−
B+ B+, AB+ O−, O+, B−, B+
AB− AB−, AB+ O−, A−, B−, AB−
AB+ AB+ Todos os tipos sanguíneos

Quem doa sangue não oferece apenas alguns minutos do seu tempo. Oferece esperança, tratamento, recuperação e vida.

Se você está apto a doar, procure o hemocentro mais próximo. Convide amigos, familiares e colegas de trabalho. Uma única doação pode beneficiar várias pessoas.

Doe sangue regularmente. Faça da solidariedade um hábito.

Campanha apoiada pela OMS, organismos internacionais de saúde, instituições públicas brasileiras, Sulpost e Papo Reto com o Nelsão.

Meia tonelada de maconha escondida em caminhão é apreendida no Noroeste do Paraná

Operação da PRF na BR-487 interceptou mais de 555 quilos da droga escondidos em compartimentos ocultos; motorista foi preso em flagrante

Policial Rodoviário Federal abre compartimento secreto em caminhão MB ano 79, no Paraná
Foto: PRF/Reprodução 

O silêncio da tarde de sábado no Noroeste do Paraná foi interrompido por mais uma ação que mostra como o tráfico tenta usar as rodovias brasileiras para movimentar cargas milionárias de drogas. Desta vez, a tentativa terminou antes de chegar ao destino.

Policiais Rodoviários Federais apreenderam 555,6 quilos de maconha escondidos em um caminhão Mercedes-Benz 1113, ano 1979, durante uma fiscalização na BR-487, em Alto Paraíso. A droga estava distribuída em compartimentos ocultos sob o assoalho da carroceria e também em uma caixa adaptada na lateral do veículo. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o motorista, de 43 anos, saiu de Tacuru, no Mato Grosso do Sul, e pretendia levar a carga ilícita até Cianorte, no Paraná.

Ao perceber a abordagem policial, o condutor tentou fugir, mas foi contido pelos agentes e preso em flagrante. A apreensão representa mais um duro golpe contra as organizações criminosas que utilizam as rodovias brasileiras para o transporte de entorpecentes.

O caso chama atenção não apenas pela quantidade de droga encontrada, mas também pela forma como ela era transportada. Os compartimentos ocultos indicam um planejamento cuidadoso para tentar escapar da fiscalização, prática frequentemente utilizada por quadrilhas ligadas ao tráfico interestadual.

Durante a vistoria, os policiais localizaram ainda uma antena de internet via satélite em pleno funcionamento, escondida no teto da cabine do caminhão. O equipamento pode ter sido utilizado para manter comunicação constante durante o trajeto ou monitorar informações sobre a rota percorrida.

A situação ganhou um desdobramento inesperado após a prisão. O motorista apresentou uma crise de hipertensão e precisou receber atendimento médico. Com apoio da Polícia Militar, ele foi encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Icaraíma, onde passou por exames e recebeu alta médica. Após o atendimento, o suspeito foi novamente colocado à disposição das autoridades responsáveis pela investigação. O caminhão e toda a carga apreendida foram encaminhados para os procedimentos legais.

Mais do que retirar meia tonelada de drogas de circulação, a operação reforça a importância da atuação permanente das forças de segurança nas rodovias federais. Em um estado que ocupa posição estratégica entre regiões produtoras e centros consumidores, o combate ao tráfico continua sendo um desafio diário.

O motorista responderá pelo crime de tráfico de drogas. Pela legislação brasileira, a pena prevista, caso condenado, pode variar de cinco a 15 anos de prisão, além do pagamento de multa.

Enquanto organizações criminosas buscam novas formas de esconder e transportar drogas ilícitas, ações como a realizada em Alto Paraíso mostram que a fiscalização do Governo Federal segue atenta. Cada apreensão representa menos drogas circulando e mais segurança para a população. Parabéns à PRF.


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MP investiga privatização da Celepar após denúncia de Requião Filho

Inquérito do Ministério Público do Paraná reforça preocupações sobre a segurança dos dados dos paranaenses e reacende debate sobre os limites da privatização de serviços estratégicos

MP investiga privatização da Celepar após denúncia de Requião Filho
Foto: Divulgação 

Há decisões de governo que passam quase despercebidas pela maioria das pessoas. Outras, porém, mexem diretamente com algo que pertence a todos. É o caso da Celepar, a Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná. Para muitos cidadãos, a empresa pode parecer apenas mais uma estatal. Na prática, porém, ela administra uma parte significativa da infraestrutura digital que sustenta o funcionamento do Estado e guarda informações que fazem parte da vida de milhões de paranaenses.

Foi justamente por causa dessa dimensão estratégica que a denúncia apresentada pelo deputado estadual Requião Filho (PDT) ganhou relevância e agora produz um efeito concreto: o Ministério Público do Paraná instaurou um inquérito civil para investigar medidas adotadas durante o processo de privatização da companhia.

O que está sendo investigado

Segundo as informações divulgadas pelo Ministério Público e pelo gabinete parlamentar, a investigação busca esclarecer procedimentos adotados pelo Governo do Estado antes da conclusão da venda da Celepar. Entre os pontos questionados estão orientações administrativas relacionadas à antecipação de contratos, renovações e outras medidas que poderiam impactar diretamente o valor e a operação da empresa durante o processo de privatização.

A apuração também procura entender quais efeitos essas decisões podem gerar para o patrimônio público e para a administração estadual.

A abertura do inquérito não representa uma condenação prévia nem comprova irregularidades. Significa, entretanto, que o Ministério Público identificou elementos suficientes para aprofundar a investigação e solicitar esclarecimentos oficiais.

Dados públicos não são mercadoria comum

O debate sobre a Celepar vai muito além da venda de uma empresa. O que está em discussão é o controle sobre informações estratégicas do Estado e dos cidadãos.

Na era digital, dados pessoais são ativos extremamente valiosos. Informações relacionadas à saúde, educação, segurança pública, tributação, programas sociais e inúmeros outros serviços passam diariamente pelos sistemas desenvolvidos e administrados pela companhia.

Por essa razão, especialistas em tecnologia, entidades sindicais, servidores públicos e parlamentares da oposição vêm alertando há meses para os riscos de transferir o controle de uma estrutura tão sensível para a iniciativa privada.

Em outra frente de investigação, o próprio Ministério Público também passou a analisar questões relacionadas à proteção de dados da área de segurança pública, ampliando as preocupações sobre os impactos da privatização.

O fantasma da Copel

Para muitos paranaenses, a discussão sobre a Celepar inevitavelmente remete à privatização da Copel.

Desde a venda do controle da companhia de energia, consumidores vêm relatando aumento das tarifas e dificuldades na prestação de serviços. O tema continua gerando debates políticos e questionamentos sobre os reais benefícios da privatização de empresas consideradas estratégicas.

Embora os setores sejam diferentes, a comparação surge naturalmente porque ambos envolvem estruturas fundamentais para a população.

Energia elétrica é um serviço essencial. Informação pública, na sociedade digital do século XXI, também é.

Sem energia, cidades param. Sem sistemas digitais confiáveis e seguros, o próprio funcionamento do Estado fica comprometido.

Uma discussão que ultrapassa a política partidária

Independentemente das posições ideológicas, a abertura do inquérito pelo Ministério Público confere peso institucional a uma preocupação que vinha sendo levantada por Requião Filho desde o início do processo.

O parlamentar, que é apontado como pré-candidato ao Governo do Paraná, sustenta que a Celepar não deve ser tratada como uma empresa comum. Para ele, a companhia representa um patrimônio tecnológico construído ao longo de décadas com recursos públicos e conhecimento desenvolvido por profissionais paranaenses.

Os acontecimentos recentes mostram que essa preocupação não pode ser descartada como mero discurso político.

Quando o órgão responsável pela fiscalização do patrimônio público decide abrir uma investigação formal, o debate deixa de ser apenas eleitoral e passa a integrar o campo institucional.

E é justamente aí que surge a pergunta que milhões de paranaenses talvez ainda não tenham feito:

Se os dados dos cidadãos são um dos ativos mais valiosos da sociedade contemporânea, faz sentido que o Paraná abra mão do controle da maior empresa pública de tecnologia do Estado?

A resposta a essa pergunta poderá influenciar não apenas o futuro da Celepar, mas também a forma como os paranaenses enxergarão o papel do Estado na proteção de informações que pertencem a toda a sociedade.

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sábado, 13 de junho de 2026

Justiça para Emily e Rebecca: decisão histórica reconhece falhas do Estado após morte de meninas em operação policial

Sentença inédita do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro garante indenização às famílias e reafirma o direito à verdade sobre um caso que comoveu o país

Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades / Reprodução
 

O barulho de crianças brincando na rua deveria ser uma das paisagens sonoras mais comuns de qualquer bairro brasileiro. Na tarde de 4 de dezembro de 2020, porém, o que deveria ser apenas mais um dia de brincadeiras na comunidade do Sapinho, em Duque de Caxias, terminou em uma tragédia que marcou para sempre duas famílias e expôs uma das faces mais dolorosas da violência armada no Rio de Janeiro.

Nesta semana, quase seis anos depois da morte das primas Emily Vitória, de 4 anos, e Rebecca dos Santos, de 7, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) proferiu uma decisão considerada histórica. Pela primeira vez, o Estado foi condenado não apenas a indenizar as famílias pelas mortes ocorridas durante uma operação policial. O Estado do Tio de Janeiro também foi condenado pelas falhas na investigação que, até hoje, não conseguiu apontar os responsáveis pelo disparo que matou as duas crianças.

A sentença, que ainda pode ser alvo de recurso, foi resultado de uma ação proposta pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro.

O direito à reparação e o direito à verdade

Para o defensor público André Castro, responsável pelo caso, a decisão vai além da compensação financeira.

Segundo ele declarou à EBC, a Justiça reconheceu que a investigação não cumpriu os critérios necessários para uma apuração adequada dos fatos, frustrando o direito das famílias de conhecer a verdade sobre o que aconteceu naquela tarde.

"O direito à verdade é o direito de saber quem foi o responsável ou quem foram os responsáveis pelas mortes das meninas Emily e Rebecca."

A juíza Cristiana Aparecida de Souza Donato determinou o pagamento de indenização por danos morais e pensão aos familiares das vítimas.

Na decisão, a magistrada também cita entendimento consolidado pelo STF segundo o qual o Estado responde civilmente por mortes e ferimentos decorrentes de operações de segurança pública. O entendimento estabelece ainda que uma perícia inconclusiva, por si só, não afasta a responsabilidade estatal.

O que aconteceu naquela tarde

Emily e Rebecca brincavam em frente de casa quando foram atingidas por um único disparo de fuzil. O tiro foi dado durante uma ação da Polícia Militar (PMRJ). De acordo com o processo, uma viatura passava pela rua no momento dos fatos com dois policiais armados.

Testemunhas relataram ter visto um clarão saindo de dentro do veículo policial. Já a investigação oficial concluiu que o disparo teria partido do lado oposto da rua, atribuindo a autoria a criminosos que jamais foram identificados, ou comprovada sua existência.

O caso ganhou contornos ainda mais complexos porque os exames de balística apontaram que os fuzis utilizados pelos policiais eram compatíveis com o projétil que atingiu as meninas. O laudo, contudo, não conseguiu afirmar de forma conclusiva qual arma efetuou o disparo que assassinou as meninas.

A investigação gerou um inquérito pífio, despido de provas conclusivas, os processos criminais acabaram arquivados e, passados quase seis anos daquele dia fatídico, nenhuma pessoa foi responsabilizada judicialmente pelas mortes.

A reconstrução que ajudou a mudar o rumo do caso

Um dos elementos que contribuíram para a decisão judicial foi o trabalho desenvolvido pelo Projeto Mirante, iniciativa de pesquisa sediada na Universidade Federal Fluminense (UFF).

Pesquisadores realizaram uma extensa reconstrução dos acontecimentos. O trabalho envolveu medições no local, entrevistas com moradores, análise de imagens, cruzamento de dados de GPS e até modelagem tridimensional da cena.

A pesquisadora Liliana Sanjurjo afirmou que a equipe identificou falhas importantes em laudos produzidos durante a investigação original.

Segundo ela, o cruzamento das evidências permitiu comprovar que uma viatura policial estava exatamente no local e no momento em que o disparo ocorreu, informação considerada relevante para a reavaliação do caso.

O posicionamento do governo

Em nota, o Governo do Estado do Rio de Janeiro informou que aguarda a análise de recursos apresentados pela Defensoria Pública antes de decidir se recorrerá da sentença.

O governo sustenta que as investigações da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense concluíram que os disparos não partiram dos policiais militares investigados.

Segundo a administração estadual, foram realizadas diversas diligências, perícias, oitivas de testemunhas e reprodução simulada dos fatos durante a apuração.

Um retrato da violência que atinge crianças

A história de Emily e Rebecca não é um episódio isolado.

Dados da plataforma Futuro Exterminado mostram que, entre 2016 e 2026, ao menos 778 crianças e adolescentes foram baleados no Rio de Janeiro e região metropolitana. Desses casos, 347 ocorreram durante operações policiais.

O número de mortes impressiona: 342 jovens perderam a vida nesse período.

Somente em 2020, ano em que Emily e Rebecca foram mortas, 62 crianças e adolescentes foram atingidos por disparos de arma de fogo no Estado do Rio. Vinte e seis delas perderam a vida, tiveram seus sonhos e seu futuro interrompidos por uma guerra sem sentido.

Por trás de cada estatística existe uma história interrompida, uma família marcada pela ausência e perguntas que muitas vezes permanecem sem resposta.

A decisão do TJRJ não devolve Emily e Rebecca aos seus familiares. Mas representa um reconhecimento oficial de que o Estado falhou não apenas em protegê-las, como também em oferecer respostas completas à sociedade.

E, talvez seja justamente esse reconhecimento que transforme a sentença em algo maior do que uma indenização: um passo importante na busca por memória, responsabilidade e justiça. Eu também a lição para o Estado, em planejar melhor suas ações nas comunidades e na promoção de investigações eficientes, que gerem conjuntos probatórios fortes e inquéritos robustos. O crime não compensa.

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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Gleisi, Dire Straits e o rock que pulsa no coração do Paraná

Ex-ministra e pré-candidata ao Senado pelo Paraná mostrou seu lado roqueiro durante participação no Podcast Três Irmãos e acabou conectando política, cultura e identidade paranaense

Brasília costuma apresentar Gleisi Hoffmann em meio a negociações intensas, votações decisivas e disputas que movimentam os bastidores do poder. Mas uma cena bem diferente chamou atenção dos paranaenses nos últimos dias.

Durante sua participação no Podcast Três Irmãos, a ex-ministra, deputada federal e pré-candidata ao Senado pelo Paraná apareceu em um momento descontraído, mostrando que também aprecia um dos gêneros musicais mais tradicionais do estado: o velho e bom rock and roll.

Ao som da clássica banda britânica Dire Straits, Gleisi deixou de lado por alguns instantes os temas pesados da política nacional e revelou um lado mais próximo do cotidiano de milhares de paranaenses que cresceram ouvindo guitarras, solos marcantes e canções que atravessaram gerações.

Mais do que um gosto musical

A identificação não acontece por acaso. Embora o sertanejo romântico continue liderando a preferência musical dos paranaenses, pesquisas culturais realizadas nos últimos anos mostram que o rock permanece entre os estilos mais ouvidos no estado, especialmente em Curitiba, cidade que construiu uma relação histórica com o gênero.

Dos bares do Largo da Ordem aos festivais independentes, passando pelas bandas autorais que surgiram nos bairros da capital, o rock ajudou a moldar parte da identidade cultural curitibana. É uma herança que atravessa gerações e continua presente mesmo diante das transformações do mercado musical. Não é à toa que Curitiba é conhecida como a Capital Nacional do Rock.

A ligação do PT Paraná com o ritmo não é novidade, o deputado Arilson Chiorato é responsável pela lei que tornou o patrimônio material do Estado a música Bicho do Paraná, do meu bom e saudoso amigo João Lopes.

O hit paranaense continua fazendo sucesso com a Carminha, esposa do João. Sim, João Lopes era roqueiro e moldou, na mesma época que bandas como Blindagem, A Chave, Arrigo Barnabé, Tetê e Carlos Careqa, o estilo único do rock paranaense. Não somos gatos de Ipanema, somos bicho do Paraná.

Talvez seja justamente por isso que o momento tenha repercutido nas redes sociais. Em um ambiente normalmente dominado por discursos técnicos e disputas ideológicas, apareceu algo simples e universal: a música escolhida para ilustrar a postagem no Instagram da deputada.

Uma conversa sobre o Brasil

A participação de Gleisi no Podcast Três Irmãos foi muito além do momento musical.

Ao longo da entrevista, a parlamentar falou sobre os desafios enfrentados pelo governo para construir maiorias no Congresso Nacional, analisou a correlação de forças políticas no país, comentou a influência do sistema financeiro sobre decisões econômicas e abordou temas ligados às relações internacionais.

Também houve espaço para reflexões sobre movimentos separatistas que periodicamente ressurgem no Sul do Brasil, tema que a deputada classificou como reflexo de interesses ligados a correntes neoliberais.

A conversa aconteceu poucos meses após Gleisi deixar a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), do governo Lula, e retornar à Câmara dos Deputados. Agora, ela se prepara para uma nova disputa eleitoral, buscando retornar ao Senado Federal, onde já exerceu mandato entre 2011 e 2019. Na época Gleisi foi eleita com votação bastante expressiva.

Antes da política, a trilha sonora

Num país marcado por divisões políticas cada vez mais profundas, talvez o trecho mais compartilhado da entrevista tenha sido justamente aquele que não envolvia debates, estatísticas ou embates partidários.

Foi apenas uma música.

Mas uma música capaz de lembrar que, antes de serem governantes, parlamentares, apoiadores ou adversários, as pessoas carregam histórias, memórias e trilhas sonoras que ajudam a explicar quem são.

E, pelo menos naquele momento, Gleisi mostrou sintonia com uma tradição que continua encontrando abrigo no Paraná: a paixão pelo rock and roll.

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