sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Greve na Brose expõe denúncia de violação do direito de greve e prisão de dirigente sindical na Grande Curitiba

Paralisação iniciada em janeiro segue em fevereiro na multinacional alemã em São José dos Pinhais; sindicato denuncia práticas antissindicais e repressão, enquanto PM afirma ter garantido direito ao trabalho e à manifestação

Na porta da fábrica, barracas, faixas e trabalhadores que insistem em permanecer. A greve na Brose do Brasil, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), entrou na terceira semana e transformou um conflito trabalhista em debate sobre direitos constitucionais.

Organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), o movimento começou em 28 de janeiro de 2026 e segue mobilizado em fevereiro, com trabalhadores reivindicando um Acordo Coletivo de Trabalho (ACT-2026) que contemple reajuste salarial com aumento real, melhoria no vale-mercado e implantação de plano de carreira.

O envio de um relato por liderança sindical no dia 19 de fevereiro reforça que a paralisação continua, com trabalhadores acampados e cobrança por negociação direta com a empresa.

Multinacional estratégica, conflito local

A unidade brasileira integra a cadeia global da multinacional alemã Brose Group, fornecedora de sistemas mecatrônicos para a indústria automotiva mundial.

Segundo dados institucionais, a empresa está presente em dezenas de países, emprega cerca de 31 mil trabalhadores e possui produtos em aproximadamente um terço dos veículos novos no mundo, com faturamento anual na casa dos bilhões de euros - em 2024 a Brose faturou 7,7 bilhões.

No Paraná, a operação funciona como fornecedora direta de montadoras, o que torna qualquer paralisação sensível para a cadeia produtiva regional.

Reivindicações e impasse

O sindicato afirma que a greve foi deflagrada após impasse nas negociações do ACT. Entre as reivindicações estão reajuste salarial com ganho real, melhoria do vale-mercado — citado anteriormente em torno de R$ 500 —, implantação de plano de carreira e denúncias de assédio moral.

Também há críticas à escolta de ônibus e ao clima de pressão interna. De acordo com a entidade, outras empresas da região firmaram acordos recentes, enquanto a Brose teria resistido a negociar pontos específicos.

Relatos sindicais sustentam ainda que, durante a paralisação, a empresa teria mantido contratações, o que é apontado como possível prática antissindical — interpretação que pode ser objeto de análise judicial.

Prisão de dirigente e versão do sindicato

O episódio mais sensível ocorreu em 4 de fevereiro, quando um protesto em frente à fábrica terminou com a detenção do vice-presidente do sindicato, Nelson Silva de Souza, conhecido como “Nelsão da Força”.

A entidade classificou a ação como truculenta e denunciou repressão ao movimento, afirmando que a prisão ocorreu no contexto de uma mobilização legítima.

O relato enviado à reportagem indica que trabalhadores permanecem mobilizados, cobrando diálogo e denunciando recusa da empresa em participar de mediações institucionais. Segundo denuncia dos trabalhadores a empresa está demitindo e voltou a contratar durante o periodo greve, numa ameaça clara ao direito de greve - artigo 9º da Constituição Federal de 1988.

A versão da Polícia Militar

Em nota, a Polícia Militar do Paraná informou que foi acionada para atender ocorrência relacionada à manifestação sindical em frente à empresa.

Segundo a corporação, havia concentração de manifestantes na entrada da unidade, o que teria restringido o acesso de trabalhadores às dependências da fábrica. A PM afirma que buscou garantir simultaneamente o direito constitucional ao trabalho e o direito de greve, oferecendo inclusive escolta para quem desejasse entrar.

A polícia declarou que o dirigente detido teria desacatado a equipe e desobedecido orientação para liberação da entrada, sendo preso por suspeita de desacato, atentado contra a liberdade de trabalho e resistência. A corporação afirma que o uso da força ocorreu de forma seletiva e proporcional para encaminhamento à delegacia.

Por sua vez Nelsão está denunciando abuso de autoridade, violência, coação, cerceamento do direito de greve e possível aparelhamento do Estado em proteção de uma empresa privada.

Direito de greve e disputa jurídica

O direito de greve é garantido pela Constituição Federal e estabelece que cabe aos trabalhadores decidir quando exercê-lo e quais interesses defender.

Especialistas apontam que conflitos como este costumam girar em torno de dois eixos: possível prática antissindical por parte da empresa e limites da atuação estatal em manifestações trabalhistas.

Quando há alegação de violação, o caso pode envolver atuação do Ministério Público do Trabalho e da Justiça do Trabalho, com possibilidade de liminares, multas ou reparações. Também há limites legais: a greve não pode envolver violência, e a Justiça pode declarar abusividade em determinadas circunstâncias, o que não parece ser o caso.

Até onde nos consta, a greve que ocorre na Boese do Brasil é perfeitamente legítima, bem como as demandas dos trabalhadores e a atuação sindical.

Greve prolongada e impacto regional

Greves em empresas sistemistas — fornecedoras diretas de montadoras — tendem a ganhar relevância econômica rapidamente, pois afetam o ritmo de produção da cadeia automotiva.

Na RMC, polo industrial estratégico, conflitos desse tipo costumam ter repercussão política, sindical e econômica. Mais de três semanas após o início da paralisação, o cenário descrito é de impasse. A empresa mantém um silêncio ensurdecedor por conta de seu grande poder econômico, industrial e político.

O que diz a empresa

Até o momento, a Brose do Brasil não publicou nota oficial detalhando sua posição sobre a greve iniciada em 28 de janeiro de 2026 na unidade de São José dos Pinhais.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, a empresa tem se recusado a negociar pontos centrais do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT-2026), que incluem reajuste salarial, melhoria no vale-mercado — citado em cerca de R$ 500 — e implantação de plano de carreira.

Relatos sindicais e cobertura local indicam que, durante a paralisação, a empresa teria solicitado apoio policial para garantir o acesso de trabalhadores e ônibus à unidade, cenário que antecedeu o episódio que resultou na detenção a força do vice-presidente do SMC, no último dia 4.

Entidades sindicais também acusam a empresa de adotar práticas consideradas antissindicais, como escolta de ônibus, pressão interna e dificuldades para realização de assembleias na porta da fábrica — alegações que podem ser objeto de análise na esfera trabalhista.

A paralisação ocorre em meio à reivindicação pelo fechamento do ACT 2026. Trabalhadores apontam defasagem salarial — com remunerações mencionadas em torno de R$ 2,5 mil — e ausência de plano de carreira como fatores centrais do impasse.

A reportagem permanece aberta para manifestação da empresa.

Entre o portão e a negociação

Na prática, a cena ainda é a mesma: trabalhadores mobilizados, direção sindical pressionando por diálogo e uma multinacional inserida numa disputa que ultrapassa salários e entra no campo dos direitos.

O desfecho da greve — e a interpretação jurídica dos episódios — deve definir não apenas o ACT da empresa, mas também o tom das relações de trabalho em um dos principais polos automotivos do país.

Artemis II avança após teste decisivo e reacende expectativa por nova viagem humana à Lua

Ensaio completo de abastecimento do foguete SLS confere aval técnico à missão Artemis e marca início da fase final antes do lançamento da cápsula espacial rumo à Lua

De pé na plataforma, o foguete não é apenas tecnologia. É promessa. É memória. É futuro.

O ensaio geral de abastecimento da missão Artemis II — etapa conhecida como wet dress rehearsal — foi concluído com sucesso no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, e coloca a humanidade mais perto de retomar voos tripulados rumo à Lua.

Mais de 700 mil galões de propelente criogênico foram carregados no SLS (Space Launch System), enquanto equipes simularam as etapas finais da contagem regressiva. O procedimento incluiu o fechamento das escotilhas da cápsula Orion e duas execuções completas da fase terminal da contagem, momento crítico que antecede qualquer lançamento real.

Na prática, não foi apenas um teste técnico. Foi a confirmação de que a missão está madura — e pronta para dar o próximo passo.

O teste mais sensível

Um dos pontos de maior atenção era o abastecimento com hidrogênio líquido, que havia provocado desafios em campanhas anteriores. Desta vez, os níveis de concentração de gás permaneceram dentro dos limites de segurança, reforçando a confiança nos novos selos instalados no sistema de abastecimento.

Durante a operação, houve uma perda temporária de comunicação no Centro de Controle de Lançamento. Equipes migraram para sistemas de backup e mantiveram o carregamento com segurança até a normalização dos canais. O equipamento responsável já foi identificado e isolado.

Na exploração espacial, pequenos eventos são tratados com seriedade absoluta. Cada teste bem-sucedido reduz incertezas — e aproxima o momento do lançamento.

Quatro astronautas e um significado maior

A Artemis II levará quatro astronautas para uma viagem ao redor da Lua e de volta à Terra — a primeira missão tripulada do programa.

  • Reid Wiseman (comandante)
  • Victor Glover (piloto)
  • Christina Koch (especialista de missão)
  • Jeremy Hansen (especialista de missão da Agência Espacial Canadense)

Eles acompanharam parte do ensaio diretamente do Centro de Controle da Missão. É um detalhe simbólico: quem irá voar começa a ver, em tempo real, a missão deixar o papel e ganhar forma.

Não é apenas uma tripulação. É uma narrativa de cooperação internacional, diversidade e continuidade histórica.

O silêncio antes do lançamento

Enquanto engenheiros analisam os dados do teste, a tripulação inicia outro ritual clássico da exploração espacial: a quarentena pré-lançamento, em Houston.

A agência espacial ainda não definiu uma data oficial, mas o início do isolamento — cerca de 14 dias — preserva a flexibilidade da janela de lançamento prevista para março.

Esse período costuma ser silencioso para o público, mas é intenso para as equipes. Ajustes finais, revisões e decisões estratégicas acontecem longe das câmeras.

Lições que encurtam caminhos

Nos próximos dias, técnicos instalarão plataformas de acesso temporárias para alcançar partes superiores do foguete e realizar testes no sistema de segurança de terminação de voo.

A novidade é resultado direto das lições aprendidas na Artemis I: agora é possível realizar testes completos na própria plataforma, sem necessidade de retornar o foguete ao prédio de montagem.

Menos deslocamento. Menos tempo. Mais eficiência.

Na exploração espacial, avanços muitas vezes acontecem assim — discretos, técnicos e profundamente estratégicos.

Mais que uma missão lunar

O programa Artemis representa um ciclo mais amplo: o retorno sustentável à Lua e a preparação para missões humanas a Marte.

O ensaio concluído não é o lançamento, mas é o momento em que a expectativa se torna concreta. Quando a engenharia confirma o que a imaginação já vinha desenhando.

Se tudo seguir como planejado, a Artemis II marcará um novo capítulo da presença humana no espaço profundo — não como repetição do passado, mas como continuação.

Porque toda grande viagem começa antes da decolagem. Começa quando a humanidade decide que ainda vale a pena ir mais longe.

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Lula defende governança global da IA sob liderança da ONU em cúpula na Índia

Em Nova Délhi, presidente alerta para riscos democráticos, disputa geopolítica e necessidade de regras multilaterais para a inteligência artificial

Em Nova Délhi, presidente Lula alerta para riscos democráticos, disputa geopolítica e necessidade de regras multilaterais para a inteligência artificial
Foto: Ricardo Stuckert/PR - Legendas: Sulpost

Na capital da Índia, Nova Délhi, o debate sobre o futuro da inteligência artificial deixou de ser apenas tecnológico — tornou-se político, econômico e civilizatório. Foi nesse cenário que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quinta-feira (19), um modelo de governança global da inteligência artificial liderado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O posicionamento foi apresentado durante a Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial — encontro internacional que reúne chefes de Estado, executivos do setor tecnológico e organismos multilaterais para discutir segurança, regulação e desenvolvimento da IA.

A Agência Brasil, informou hoje pela manhã que ao discursar, Lula situou a tecnologia no centro de uma transformação histórica.

“A Quarta Revolução Industrial avança rapidamente enquanto o multilateralismo recua perigosamente. É nesse contexto que a governança global da inteligência artificial assume um papel estratégico.”

Para o presidente, toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual — capaz de gerar benefícios coletivos, mas também riscos éticos, políticos e sociais.

ONU no centro das regras globais

Durante a fala, Lula citou iniciativas internacionais já em curso, como a proposta chinesa de uma organização internacional de cooperação em IA voltada a países em desenvolvimento e a Parceria Global em Inteligência Artificial criada no âmbito do G7.

Mas reforçou que nenhum desses fóruns substitui a legitimidade universal da ONU.

“Nenhum desses foros substitui a universalidade das Nações Unidas para uma governança internacional da inteligência artificial que seja multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento.”

A posição brasileira acompanha uma linha crescente no Sul Global: evitar que a arquitetura da IA seja definida apenas por grandes empresas ou por um pequeno grupo de países.

Benefícios, riscos e democracia

O presidente reconheceu que a revolução digital e a inteligência artificial já ampliam produtividade industrial, serviços públicos, medicina e segurança alimentar e energética. Ao mesmo tempo, alertou para impactos sociais sensíveis.

Entre eles, a amplificação de discursos de ódio, desinformação e violência de gênero, além do risco direto aos processos eleitorais.

“Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia. Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital.”

Segundo Lula, a governança global precisa reconhecer diferentes trajetórias nacionais e garantir que a tecnologia fortaleça democracia, soberania e coesão social.

O peso geopolítico do debate

A cúpula realizada na Índia integra o chamado Processo de Bletchley — série de reuniões intergovernamentais iniciada em 2023 no Reino Unido para discutir segurança e governança da inteligência artificial.

Mais do que um encontro técnico, trata-se de uma disputa sobre quem define as regras do futuro digital.

A participação brasileira ocorre em um momento de expansão da cooperação tecnológica entre países emergentes e de busca por uma arquitetura internacional menos concentrada nas big techs e nas potências tradicionais.

O que está em jogo para o Brasil

Nos bastidores, a agenda da visita inclui cooperação digital, minerais críticos, ampliação de comércio e parcerias tecnológicas entre Brasil e Índia — sinalizando que a governança da IA não é apenas regulação, mas também economia e desenvolvimento.

Para o Brasil, o debate conecta soberania tecnológica, infraestrutura digital e o papel estratégico da energia limpa na nova economia dos dados.

Datacenters, computação em nuvem e modelos de inteligência artificial demandam enorme consumo energético — o que coloca o país em posição potencialmente relevante no cenário global.

Uma disputa sobre o futuro

O discurso brasileiro parte de uma premissa clara: a inteligência artificial definirá não apenas mercados, mas relações de poder.

Quem controla dados, algoritmos e infraestrutura tecnológica influencia economia, informação e democracia.

Ao defender regras multilaterais sob liderança da ONU, o Brasil tenta posicionar o debate fora de uma lógica exclusivamente corporativa e dentro de uma governança global.

Em outras palavras, a discussão sobre inteligência artificial já não é sobre tecnologia — é sobre projeto de mundo.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Marinha mobiliza o Navio Oceanográfico Antares na costa norte e reforça soberania científica na Amazônia Azul

Em 75 estações distribuídas entre Maranhão, Pará e Amapá, embarcação coleta dados estratégicos do mar que impactam a segurança energética, a ciência e o futuro do Brasil

Em 75 estações distribuídas entre Maranhão, Pará e Amapá, embarcação coleta dados estratégicos do mar que impactam a segurança energética, a ciência e o futuro do Brasil

Enquanto o Brasil acorda, trabalha e segue sua rotina em terra firme, há um movimento silencioso acontecendo no mar. Longe das câmeras e do barulho político, o Navio Oceanográfico Antares, da Marinha do Brasil, cumpre uma missão estratégica na costa norte do país — uma missão que não produz manchetes sensacionalistas, mas produz futuro.

A embarcação está posicionada na margem equatorial brasileira coletando dados físicos do oceano em 75 estações distribuídas ao longo do litoral do Maranhão, Pará e Amapá. Não é apenas uma operação técnica. É ciência aplicada à soberania nacional.

São medições de temperatura, salinidade, correntes marítimas e variáveis ambientais que, analisadas em conjunto, ajudam o Brasil a compreender melhor o comportamento do Atlântico sob sua jurisdição. E compreender. É proteger. É decidir com responsabilidade. É tomar decisões e aplicar recursos com sabedoria.

Ciência que antecipa riscos e constrói segurança

A missão integra o projeto Rede de Modelagem e Observação Oceanográfica (REMO), fruto de uma parceria entre a Marinha, a Petrobras e a Fundação Nacional de Pesquisa. A iniciativa fortalece a capacidade nacional de produzir modelos oceanográficos cada vez mais precisos.

Esses dados serão assimilados por sistemas de modelagem que permitem prever dinâmicas do mar com maior confiabilidade. Isso impacta diretamente:

  • A segurança das operações de exploração de petróleo e gás;
  • O planejamento logístico marítimo;
  • A prevenção de acidentes ambientais;
  • O avanço das pesquisas científicas sobre o litoral brasileiro.

Num país que depende do mar para energia, comércio e biodiversidade, informação qualificada não é luxo. É necessidade estratégica.

A Amazônia Azul como horizonte

Quando a Marinha fala em Amazônia Azul, fala de uma imensidão marítima que guarda riquezas naturais, biodiversidade única e reservas energéticas decisivas para o desenvolvimento nacional. A margem equatorial, onde o Antares atua neste momento, é uma das regiões mais sensíveis e debatidas do país.

Antes de qualquer decisão de grande impacto econômico ou ambiental, é preciso conhecer profundamente o ambiente marinho. E conhecer exige método, paciência e presença constante.

Cada estação de coleta é um ponto no mapa da soberania brasileira. E com isso não se brinca.

Presença que afirma o país

O projeto REMO demonstra que a pesquisa oceanográfica brasileira não é improviso — é política de Estado. É planejamento de longo prazo. Sai do discurso e parte para a ação.

Em tempos de polarização acelerada e discursos superficiais, há algo profundamente simbólico no trabalho do Antares: ele opera sem ruído, mas com impacto duradouro. O oceano não responde a pressões ideológicas. Ele responde a dados, ciência e responsabilidade. Fatores imprescindíveis para o desenvolvimento saudável da nação.

Hoje, enquanto muitos discutem o Brasil nas redes, o Brasil está sendo medido, estudado e compreendido em nossa faixa costeira e mar territorial do Atlântico Norte. O mundo inteiro está nos observando e está interessado em vir fazer negócios com o Brasil. E entender o mar é entender o nosso próprio país.

Cada dado coletado na margem equatorial é um gesto silencioso de construção nacional — um passo firme rumo à segurança energética, ao avanço científico e à afirmação da nossa soberania. Podemos mostrar ao mundo que exploramos as nossas reservas energéticas com segurança, sem ameaçar a biodiversidade maninha e o futuro da vida no planeta Terra.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Energia que flutua: tubos “insubmersíveis” podem transformar o oceano em usina limpa

Tecnologia desenvolvida nos Estados Unidos reacende debate sobre o potencial das ondas e marés, enquanto pesquisas brasileiras avançam na geração elétrica a partir do mar

Tecnologia desenvolvida nos Estados Unidos reacende debate sobre o potencial das ondas e marés, enquanto pesquisas brasileiras avançam na geração elétrica a partir do mar

O oceano sempre esteve ali — vasto, misterioso, vivo e fascinante. Durante milenios foi rota de comércio, fonte de alimento, fronteira de descobertas. Agora, volta ao centro das atenções como promessa energética. Em um mundo pressionado pela emergência climática e pela necessidade urgente de transição para fontes limpas, o mar pode deixar de ser apenas paisagem para se tornar potência energética.

Pesquisadores da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, desenvolveram tubos de alumínio capazes de flutuar indefinidamente, mesmo sob condições extremas. A ideia é simples na aparência, mas sofisticada na essência: estruturas microscópicas gravadas na superfície do metal impedem que a água penetre, aprisionando bolhas de ar no interior. O resultado é um material praticamente “insubmersível”.

De acordo com o The New York Times, os tubos permanecem flutuando mesmo quando perfurados ou submetidos à água salgada e ambientes com algas. A técnica explora a chamada superhidrofobicidade — a extrema repelência à água — fenômeno inspirado na natureza, como nos pelos das aranhas mergulhadoras e nos exoesqueletos de formigas capazes de sobreviver a enchentes, formando verdadeiras jangadas vivas.

O oceano como usina do futuro

A proposta dos cientistas é emparelhar esses tubos sobre a superfície marinha, criando plataformas resistentes e capazes de capturar a energia das ondulações. Diferentemente dos painéis solares ou das turbinas eólicas, que dependem da incidência dos raios do sol ou da constância dos ventos, o mar oferece um movimento com ritmo permanente e previsível.

O Brasil, com mais de 7.400 quilômetros de litoral, não está fora dessa equação. Pesquisadores da COPPE/UFRJ desenvolvem há anos estudos sobre conversão de energia das ondas em eletricidade. Um dos projetos pioneiros foi instalado no Porto do Pecém, no Ceará, com tecnologia nacional voltada a testar a viabilidade da geração a partir da movimentação marítima.

Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), pesquisadores investigam o potencial das correntes oceânicas e marés como fontes energéticas complementares à matriz brasileira. Já grupos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mantêm estudos de hidrodinâmica aplicada à geração elétrica offshore.

Segundo estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o potencial técnico brasileiro para energia das ondas pode alcançar dezenas de gigawatts, especialmente ao longo das regiões Nordeste e Sul.

Resistência em alto-mar: o desafio estrutural

Um dos maiores obstáculos para a energia oceânica sempre foi a durabilidade dos equipamentos. O ambiente marinho é implacável: salinidade elevada, corrosão constante, impacto das ondas e acúmulo de organismos marinhos (cracas) nas estruturas.

É justamente nesse ponto que a inovação desenvolvida nos EUA chama atenção. Os tubos resistem à corrosão porque a água não permanece na superfície interna. Mesmo com perfurações, a estrutura mantém sua flutuabilidade. Se a tecnologia se provar escalável, poderá reduzir custos de manutenção e ampliar a vida útil de plataformas marítimas — fator decisivo para tornar a energia das ondas economicamente competitiva.

Brasil: potência renovável ainda subexplorada

A matriz elétrica brasileira já é majoritariamente renovável, sustentada principalmente por hidrelétricas, além do crescimento consistente da energia eólica e solar. No entanto, eventos climáticos extremos e períodos de estiagem reforçam a necessidade de diversificação.

A energia das ondas e das marés não substituiria outras fontes, mas poderia atuar como complemento estável e previsível. Para o trabalhador brasileiro que acorda cedo e depende de energia confiável — seja na indústria, no comércio ou no campo — investir em inovação é também investir em segurança energética e desenvolvimento econômico.

O desafio, como sempre e infelizmente acontece no Brasil, é transformar pesquisa em política pública. O Brasil possui conhecimento técnico, universidades capacitadas e litoral estratégico, a polarização política tem destruído as chances de progresso do país. Além de boa vontade política, falta continuidade institucional e prioridade orçamentária para consolidar o mar como vetor energético.

Entre ciência e futuro

A história desses tubos de alumínio pode parecer um detalhe técnico — microestruturas invisíveis que repelem água. Mas simbolicamente representa algo maior: a capacidade humana de aprender com a natureza para enfrentar a emergência climática.

Os oceanos da Terra não são apenas cenário de cartão-postal. São reservatórios energéticos ainda pouco explorados. Se a tecnologia internacional avançar e dialogar com a pesquisa brasileira, poderemos assistir a uma nova etapa da transição energética global.

O mar, que já foi caminho, pode se tornar solução. E talvez o futuro da eletricidade esteja justamente ali, nas ondas que insistem em nunca parar.

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Milícias: entre fantasmas do passado e riscos do presente

Curitiba não pode repetir o caminho que transformou as milícias em poder paralelo como aconteceu no Rio, no Espírito Santo e em Minas Gerais

Curitiba não pode repetir o caminho que transformou as milícias em poder paralelo como aconteceu no Rio, no Espírito Santo e em Minas Gerais

Houve um tempo em que bastava pensar diferente para ser perseguido. Na Europa medieval, mulheres eram queimadas sob acusação de bruxaria. No século XX, regimes fascistas transformaram divergência política em crime. Em comum, o mesmo mecanismo: o medo organizado e a crença de que alguém precisava agir “em nome da ordem”, acima das instituições.

A história ensina que os maiores retrocessos começam quando grupos passam a se sentir autorizados a agir por conta própria — movidos por convicções morais, religiosas ou ideológicas — e colocam sua própria noção de justiça acima da lei.

É com serenidade, mas também com responsabilidade, que fazemos este alerta. Não estamos acusando ninguém, apenas relatando o que está registrado na história para que não se repita jamais.

No Brasil, as milícias paramilitares surgiram principalmente a partir da atuação de agentes e ex-agentes de segurança pública que passaram a controlar territórios e impor regras próprias. O discurso inicial era o da proteção. O resultado, em muitos casos, foi extorsão, violência e poder paralelo — especialmente no Rio de Janeiro, com registros também no Espírito Santo e em Minas Gerais.

A pergunta que Curitiba precisa se fazer é simples: e se grupos organizados, formados por pessoas com treinamento militar ou experiência em segurança, começarem a atuar politicamente ou “em nome da ordem” fora do comando legal?

A Constituição estabelece que as Forças Armadas se organizam com base na hierarquia e na disciplina. Militares da ativa não podem se organizar politicamente nem atuar coletivamente fora das missões autorizadas. Fora de operações oficiais — como Garantia da Lei e da Ordem ou ações humanitárias determinadas pelo comando — não existe atuação institucional legítima.

Quando surgem articulações paralelas, quando a autoridade simbólica da farda passa a ser utilizada para pressionar instituições ou influenciar a sociedade, o risco deixa de ser abstrato. Por exemplo: um policial em serviço ser pressionado por um policial aposentado a obedecer uma ordem que não é legítima, ou alguém das forças armadas, fora dos quartéis, tentar usar suas credenciais, o histórico de serviços prestados a nação, para pressionar o poder público.

Começa assim, e depois que se estabelecem geralmente exploram serviços ilegais como internet, entrega de gás, segurança privada e até tráfico de drogas.

Curitiba é uma cidade plural, politicamente ativa e com forte presença de forças de segurança. Ainda é uma cidade relativa ou aparentemente segura, e isso, por si só, não é problema. O problema nasce quando discursos de “defesa da ordem” começam a justificar organização paralela, pressão institucional ou atuação coletiva armada fora do controle legal. 

Quando ao invés de de desmilitarizar, é aplicada a militarização que transforma cidadãos e cidadãs em subordinados do poder público, organizações paralelas ao estado ou grupos de justiceiros e justiceiros paramilitares. Fazer justiça com as próprias mãos é justiça nenhuma e ainda, ao nosso ver, pode até ser qualificado como crime.

Não se trata de ideologia. Trata-se de Estado Democrático de Direito!

O que não queremos é ver acontecer em Curitiba o que já ocorreu em outras regiões do Brasil: grupos organizados assumindo funções típicas do Estado, controle informal de territórios, influência política sustentada por intimidação e a naturalização de uma “ordem” paralela.

Democracias sólidas exigem instituições fortes, forças de segurança treinadas, profissionais e apartidárias, obedientes à Constituição Federal do Brasil. A força pertence ao Estado — e o Estado pertence à Constituição. Esta é a única garantia da lei da ordem com a qual podemos contar de forma legítima em tempos de paz. 

Se cada grupo decidir agir “em nome da lei” por conta própria, quem definirá o que é a lei? Quem controlará a força? Quem garantirá a liberdade de quem pensa diferente? A liberdade de consciência ou seja de pensamento é uma garantia constitucional, violar ou tentar violar esta liberdade individual de cada cidadão e cidadã é crime.

A história mostra que as rupturas começam pequenas, muitas vezes toleradas ou romantizadas, como aconteceu com o fascismo na Itália e o nazismo na Alemanha.

Curitiba precisa permanecer atenta. A vigilância democrática não é hostilidade às instituições; é a defesa delas contra qualquer tentativa de instrumentalização política ou corporativa. Não existe religião e ideologia, conceitos e preceitos de que ordem for, superiores à Constituição Federal do Brasil, promulgada em 1988.

Como cidadão, se você perceber a atuação de algum agente do Estado ou o cidadão tentando praticar justiça ou fazer justiça com as próprias mãos, através de grupos de pressão, organizações paramilitares, ou milícias, denuncie. 

Serviço

Justiça Militar da União (JMU)
Reclamações podem ser feitas à Ouvidoria do Superior Tribunal Militar (STM) por:
• Formulário eletrônico no site oficial;
• E-mail: ouvidoria@stm.jus.br;
• Aplicativo “Ouvidoria-STM”;
• Telefones: (61) 3313-9445 / 9460.

Ministério Público Militar (MPM)
Denúncias podem ser encaminhadas por e-mail ou pelo sistema Fala.BR, com garantia de sigilo, se necessário.

Denúncias gerais no Paraná
Atividades criminosas, inclusive envolvendo Polícia Militar ou Polícia Civil, podem ser denunciadas pelo:
• Disque Denúncia 181 (anônimo, das 8h às 23h);
• Site: www.denuncia181.pr.gov.br.

Ouvidoria Geral do Estado do Paraná
Reclamações, sugestões ou elogios:
• Telefone: 0800 041 1111 ou acesse o site.

Consulte também, e salve o atalho em seu dispositivo móvel, a Constituição Federal do Brasil.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Lula: entre narrativas de impopularidade e realidade nas ruas

Do frevo ao samba: Lula percorre Recife, Salvador e Rio e expõe distância entre narrativas de impopularidade criadas pela extrema direita e a realidade nas ruas

Após ser aplaudido por cerca de 2 milhões de foliões no Galo da Madrugada, presidente acompanha o Carnaval de Salvador e já está no Rio para os desfiles na Sapucaí.

Após ser aplaudido por cerca de 2 milhões de foliões no Galo da Madrugada, presidente acompanha o Carnaval de Salvador e já está no Rio para os desfiles na Sapucaí.

Recife / Salvador / Rio de Janeiro — A política brasileira é feita de narrativas. Algumas ganham força nas redes sociais, outras ecoam em discursos de adversários. Nos últimos anos, uma delas foi repetida à exaustão: a de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poderia sair às ruas sem ser vaiado ou hostilizado.

Neste fim de semana de Carnaval, porém, a realidade respondeu com imagens — e com multidões.

Na manhã de sábado (14), Lula participou do tradicional Galo da Madrugada, no Recife, considerado o maior bloco carnavalesco do mundo, que reúne cerca de 2 milhões de pessoas. Ao lado da primeira-dama Janja da Silva, o presidente foi recebido com aplausos, acenos e palavras de incentivo. Não houve registro de vaias generalizadas. O que se viu foi celebração.

Mais cedo, o próprio presidente compartilhou em seu perfil oficial na rede X um vídeo ao lado de Janja, celebrando a presença na capital pernambucana:

A postagem viralizou rapidamente. Mas o roteiro do dia estava longe de terminar.

De Recife a Salvador: segunda parada da folia

Na tarde do mesmo sábado, Lula seguiu para Salvador, onde acompanhou o Carnaval no circuito Campo Grande. Segundo reportagem do Jornal Grande Bahia (JGB), o presidente chegou por volta das 14h30 e foi recepcionado pelo governador Jerônimo Rodrigues e pela primeira-dama do Estado, Tatiana Velloso.

No camarote do governo baiano, Lula esteve ao lado de Janja, da ministra da Cultura Margareth Menezes e do ministro da Casa Civil, Rui Costa. Durante a passagem pelo circuito, assistiu aos trios elétricos e interagiu com atrações como a banda BaianaSystem, em meio à multidão que ocupava as ruas da capital baiana 0.

Era a segunda capital em menos de 24 horas. Dois dos maiores carnavais do planeta. E novamente, o que se viu foi presença, integração e registros festivos compartilhados nas redes sociais.

Destino final: a Marquês de Sapucaí

Da Bahia, Lula seguiu para o Rio de Janeiro, onde já se encontra para acompanhar o primeiro dia de desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí. Na capital fluminense, o presidente participa da agenda cultural do Carnaval e será homenageado pela escola Acadêmicos de Niterói, cujo samba-enredo faz referência à sua trajetória política.

Em três capitais, três multidões, três palcos simbólicos da cultura popular brasileira — Recife, Salvador e Rio.

Entre o discurso e o asfalto

A tese de que Lula estaria impedido de circular em público por conta de impopularidade sempre foi mais performática do que comprovada. Repetida por adversários como estratégia de desgaste político, ela encontra pouco respaldo quando confrontada com registros amplamente documentados.

O que este Carnaval expõe é um contraste difícil de ignorar: enquanto a retórica fala em isolamento, a prática mostra presença; enquanto a narrativa sugere rejeição massiva, as imagens revelam acolhimento em eventos que reúnem milhões de pessoas.

Isso não significa ausência de críticas ou polarização — o Brasil continua dividido politicamente. Mas a presença contínua do presidente em grandes eventos populares, em diferentes regiões do país, enfraquece a ideia de que ele estaria apartado das ruas.

No frevo pernambucano, no trio elétrico baiano e agora sob as luzes da Sapucaí, Lula percorre o país em plena temporada pré-eleitoral. E, até aqui, a resposta das ruas tem sido menos hostil do que previam seus opositores.

Às vezes, a política se mede em pesquisas. Outras vezes, em aplausos que ecoam entre pontes, avenidas e sambódromos.

- Ampliada com tuíte do presidente Lula em 16 de fevereiro as 08h48.
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sábado, 14 de fevereiro de 2026

“Foi minha terra, não foi só água”

Estado brasileiro e Itaipu reconhecem violações contra o povo Avá-Guarani e anunciam medidas de reparação histórica no oeste do Paraná

Indios Avá-Guarani - IHU/Reprodução

Quando as águas do Rio Paraná começaram a subir no início da década de 1980, não foi apenas a paisagem que desapareceu sob o reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Junto com as árvores, trilhas e roçados, foram submersas memórias, cemitérios ancestrais, espaços sagrados e parte da própria identidade do povo Avá-Guarani.

Mais de quatro décadas depois, o Estado brasileiro, representado pela União, pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), ao lado da Itaipu Binacional (margem esquerda), reconheceu publicamente as violações cometidas contra as comunidades indígenas durante a construção da hidrelétrica, nas décadas de 1970 e 1980, e formalizou um pedido de desculpas.

O documento oficial admite que, naquele período, foram adotadas medidas que desconsideraram os direitos territoriais, culturais e espirituais dos Avá-Guarani. O processo de colonização agrícola no oeste do Paraná já havia reduzido drasticamente seus territórios desde o início do século XX. A construção de Itaipu aprofundou essa ruptura.

Com a formação do reservatório, comunidades foram deslocadas, áreas sagradas foram inundadas — incluindo referências espirituais históricas da região — e modos tradicionais de subsistência, como a pesca, a caça e o cultivo, foram desestruturados.

“Reconhecemos os impactos ocasionados às comunidades indígenas Avá-Guarani antes e durante o processo de idealização e construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu”, afirma o texto oficial divulgado pela Itaipu. “Expressamos publicamente tudo que foi suportado pelas comunidades indígenas, submetidas a deslocamentos, perda de territórios sagrados e impactos em suas formas de vida e expressões culturais.”

O reconhecimento foi homologado judicialmente no âmbito da Ação Cível Originária nº 3.555, no Supremo Tribunal Federal (STF), resultado de um acordo construído com participação do Ministério Público Federal e das próprias comunidades indígenas.

O texto reconhece que a formação do lago e a expropriação territorial contribuíram para desestruturar formas tradicionais de vida e subsistência, provocando impactos sociais, econômicos e culturais significativos. Em linguagem direta, admite que houve violação de direitos humanos.

“Divulgamos esses fatos à sociedade no intuito de honrar a memória das vítimas que tiveram sua dignidade, identidade cultural e existência sistematicamente negadas”, registra o documento.

Reparação concreta

Além do pedido público de desculpas, o acordo prevê medidas de reparação. Entre elas, a aquisição emergencial de aproximadamente 3 mil hectares de terras para reassentamento de comunidades Avá-Guarani no oeste do Paraná. O investimento pode alcançar até R$ 240 milhões com recursos da Itaipu Binacional.

Duas áreas já foram adquiridas no município de Terra Roxa (PR), onde famílias indígenas iniciam um processo de reconstrução territorial. O acordo também prevê ações de infraestrutura, acesso à água potável, energia elétrica, saneamento, saúde, educação e fortalecimento cultural.

Para lideranças indígenas, o gesto é histórico — mas não encerra a luta. As comunidades seguem reivindicando demarcação plena de seus territórios tradicionais e políticas permanentes de proteção.

“Palavras são importantes. Mas nossa vida está na terra”, resume uma liderança Avá-Guarani da região. “A terra é nossa memória, nossa escola, nossa espiritualidade.”

Memória e não repetição

O Estado brasileiro e a Itaipu Binacional afirmaram ainda o compromisso de preservar a memória histórica dos acontecimentos como mecanismo de não repetição, fortalecendo o Estado Democrático de Direito.

Para os Avá-Guarani, a memória nunca deixou de existir. Ela resistiu nas histórias contadas ao redor do fogo, nas cantigas transmitidas às crianças e na luta constante pelo reconhecimento. O pedido de desculpas não devolve o passado — mas inaugura uma possibilidade de futuro em que o desenvolvimento não se construa mais sobre o silenciamento dos povos originários.

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Carnaval, estrada e responsabilidade: o que os números revelam sobre acidentes e álcool no Brasil

Levantamentos oficiais mostram que, embora haja redução em alguns índices, o consumo de bebidas alcoólicas ainda aparece como fator central nos acidentes durante o feriado mais festivo do país

Levantamentos oficiais mostram que, embora haja redução em alguns índices, o consumo de bebidas alcoólicas ainda aparece como fator central nos acidentes durante o feriado mais festivo do país

Carnaval é celebração da alegria, do encontro e da cultura brasileira, numa verdadeira catarse coletiva. É quando o Brasil dança nas ruas, abraça desconhecidos e transforma o cotidiano em fantasia. Mas, quando o confete cai e o trio elétrico silencia, um outro balanço também vem à tona — o das rodovias.

Todos os anos, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulga o relatório da Operação Carnaval. São números frios, técnicos, mas que carregam histórias interrompidas. No Carnaval de 2025, foram registrados 1.150 acidentes nas rodovias federais, com 83 mortes e 1.315 pessoas feridas. Houve redução em relação ao ano anterior, quando 88 pessoas perderam a vida, mas ainda assim o dado é um lembrete incômodo: a festa não pode custar vidas.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), responsável pelas rodovias concedidas à iniciativa privada, também apresentou números do mesmo período: redução de cerca de 13% nos acidentes em comparação com 2024. Ainda assim, 24 mortes foram registradas nesses trechos concedidos.

Os dados mostram avanços pontuais, fruto de fiscalização mais intensa, campanhas educativas e maior consciência social. Mas há um fator que insiste em atravessar os relatórios como uma sombra persistente: a mistura de álcool e direção.

A velha combinação que nunca envelhece — e nunca funciona

Durante o Carnaval, a PRF intensifica o uso do bafômetro. Milhares de motoristas são autuados por alcoolemia ao volante ou por se recusarem a fazer o teste. Centenas acabam detidos por embriaguez ao volante. Não é coincidência que as campanhas oficiais reforcem ano após ano o mesmo recado: “não misture álcool e direção”.

Especialistas em segurança viária apontam que feriados prolongados, especialmente os associados a festas, registram aumento significativo de infrações ligadas ao consumo de bebidas alcoólicas. Estudos epidemiológicos indicam que o álcool está relacionado a uma parcela relevante dos acidentes graves em períodos festivos — um dado que dialoga diretamente com o cenário observado no Carnaval.

Não, amigo leitor. Não é o samba que causa acidente. Não é o glitter, o confete e a serpentina. Não é o bloco das 9h da manhã. É a decisão equivocada de assumir o volante depois de tomar uns goles.

Um brinde à responsabilidade

Vamos falar com franqueza — mas também de forma suave. Se você passou o ano inteiro reclamando do preço da gasolina, da manutenção do carro e dos impostos, talvez não seja uma boa ideia arriscar tudo isso (e a própria vida) por causa de um “tomar uma”.

E você, amiga leitora, que organiza a fantasia, combina o encontro, reúne a turma e cuida de todo mundo — talvez já saiba que o melhor acessório do Carnaval é a consciência tranquila.

Beber faz parte da cultura festiva brasileira. O problema nunca foi o brinde. O problema é transformar o volante em extensão do copo.

A conta é simples:
Se for dirigir, não beba.
Se for beber, não dirija.

Não é moralismo. É estatística. E, acima de tudo, é cuidado.

O que os números não mostram

Os relatórios falam em 83 mortes. Mas não falam do pai que não voltou para casa. Não falam da mãe que aguardava na janela. Não falam do amigo que ficou esperando mensagem no grupo do WhatsApp que nunca chegou.

Os números são oficiais. As ausências são permanentes.

O Carnaval pode — e deve — continuar sendo a maior celebração popular do país. Mas a verdadeira festa é chegar em casa. É acordar na quarta-feira de cinzas com ressaca leve e histórias engraçadas, não com arrependimentos irreversíveis.

Portanto, amigo e amiga do Sulpost: aproveitem. Dancem. Cantem. Celebrem. Beijem na boca. Bebam, se quiserem — com moderação. Mas deixem o carro em casa, chamem um aplicativo, elejam o motorista da vez, peguem carona com a responsabilidade.

A resenha é simples: o melhor bloco é aquele que termina com todos vivos e de consciência tranquila para contar a história.

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Toffoli deixa relatoria do caso Banco Master após pressão pública e reunião no STF

Ministro afirma não haver impedimento, recebe apoio unânime dos colegas, mas decide sair “em nome dos interesses institucionais” - André Mendonça é o novo relator

Ministro afirma não haver impedimento, recebe apoio unânime dos colegas, mas decide sair “em nome dos interesses institucionais” - André Mendonça é o novo relator

Em um gesto que mistura prudência institucional e desgaste público, o ministro Dias Toffoli decidiu deixar a relatoria do inquérito que apura suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master. A decisão foi comunicada após uma reunião convocada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin, que reuniu os integrantes da Corte por cerca de três horas nesta quarta-feira (12).

O pano de fundo é delicado: relatório da Polícia Federal apontou a existência de menções ao nome de Toffoli em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo informa a Agência Brasil o aparelho foi apreendido em operação de busca e apreensão. O teor das citações permanece sob segredo de Justiça.

Embora os dez ministros tenham declarado, de forma unânime, que não há elementos para suspeição ou impedimento, Toffoli optou por sair do caso. A redistribuição do processo caberá agora a Fachin, que fará o sorteio para um novo relator.

Apoio formal, desgaste real

A nota oficial divulgada ao fim da reunião foi clara: não há base legal para afastamento compulsório. Os ministros afirmaram que Toffoli atendeu a todos os pedidos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República e reconheceram a validade de todos os atos praticados por ele até aqui.

Ainda assim, nos bastidores e fora deles, a pressão crescia.

Desde o mês passado, reportagens trouxeram à tona a informação de que a PF identificou possíveis irregularidades em um fundo de investimento ligado ao Banco Master. Esse fundo adquiriu participação no resort Tayayá, no Paraná — empreendimento do qual familiares de Toffoli eram proprietários. Mais cedo, o ministro confirmou ser um dos sócios do resort, mas declarou não ter recebido qualquer valor de Daniel Vorcaro.

O desgaste, portanto, não era apenas jurídico — era político e simbólico. Em tempos de polarização e vigilância permanente sobre as instituições, qualquer ruído se transforma em crise.

O peso da imagem institucional

Durante a reunião, segundo relatos, Toffoli chegou a defender sua permanência na relatoria. Mas, diante da repercussão pública e do debate sobre a imagem da Corte, decidiu recuar.

Na prática, o gesto busca preservar o tribunal de questionamentos que poderiam contaminar o andamento do processo. O próprio texto assinado pelos ministros registra que a decisão ocorreu “considerados os altos interesses institucionais” e a prerrogativa do ministro de submeter questões à Presidência para o bom andamento dos processos.

Assinaram a nota, além de Fachin e Toffoli, os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Luiz Fux, André Mendonça, Nunes Marques, Cristiano Zanin e Flávio Dino.

Entre a lei e a percepção pública

Do ponto de vista formal, o STF sustentou que não há hipótese legal de suspeição. Mas, no Brasil de hoje, a legitimidade institucional não se constrói apenas nos códigos — ela também passa pela confiança social.

Ao deixar a relatoria, Toffoli tenta encerrar uma narrativa que poderia comprometer o julgamento antes mesmo da análise dos fatos. A investigação segue, agora sob novo relator, enquanto a Corte tenta blindar-se de ruídos que extrapolam os autos.

O episódio revela mais uma vez como o Supremo vive sob tensão constante: qualquer sombra vira manchete, qualquer menção vira suspeita. E, nesse cenário, a preservação da instituição passa, muitas vezes, por decisões que vão além do texto frio da lei.

No fim das contas, não se trata apenas de um processo redistribuído. Trata-se da disputa permanente pela credibilidade das instituições — e do equilíbrio delicado entre legalidade, transparência e confiança pública.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi escolhido nesta mesma noite de quinta-feira (12), o novo relator do inquérito que trata das fraudes do Banco Master na Corte. A notícia foi divulgada pela Agência Brasil no fechamento da matéria.

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Embraer amplia presença na Índia e reforça ponte estratégica entre Brasil e Ásia

Gigante brasileira da aviação avança na cadeia de suprimentos indiana e consolida cooperação industrial em defesa, tecnologia e inovação

Divulgação/Embraer

Nova Delhi está a mais de 14 mil quilômetros de São José dos Campos. Mas, quando se fala de indústria aeroespacial, distância geográfica não significa distanciamento estratégico. Pelo contrário: é no encontro entre Brasil e Índia que começa a se desenhar uma nova etapa da soberania tecnológica brasileira.

A Embraer concluiu mais uma visita de alto nível ao país asiático com um objetivo claro: expandir e estruturar uma cadeia de suprimentos local robusta, integrando fornecedores indianos ao ecossistema global da fabricante brasileira. Mais do que uma agenda corporativa, trata-se de um movimento que dialoga com geopolítica, defesa, inovação e posicionamento internacional.

“A Índia é um parceiro estratégico para o desenvolvimento futuro da indústria aeroespacial”, afirmou Roberto Chaves, Vice-Presidente Executivo de Compras e Suprimentos Globais da Embraer, em publicação divulgada  em comunicado oficial divulgado no último dia 8: a intenção é aprofundar iniciativas conjuntas tanto na aviação civil quanto na área de defesa, com foco em inovação tecnológica, excelência operacional e parcerias de longo prazo.

Divulgação/Embraer

Muito além de fornecedores

Durante a visita, a Embraer avaliou potenciais parceiros em segmentos como montagem de aeroestruturas, usinagem, forja, fundição, materiais compostos, cablagem e desenvolvimento de hardware e software. Na prática, isso significa integrar a Índia a uma cadeia de produção que envolve tecnologia de ponta e alto valor agregado — exatamente o tipo de indústria que sustenta economias que pensam no futuro.

A empresa também inaugurou recentemente um escritório em Nova Delhi e criou uma equipe local dedicada à área de compras, sinalizando que a movimentação não é pontual, mas estrutural. O plano é implementar um programa extenso de cadeia de suprimentos no país.

Para o Brasil, isso representa algo maior: a consolidação de uma empresa nacional como protagonista global, capaz de construir pontes industriais fora do eixo tradicional Estados Unidos–Europa e ampliar sua presença na região da Ásia-Pacífico.

Defesa, presença consolidada e geopolítica

A Índia já é um mercado relevante para a Embraer. Atualmente, mais de 44 aeronaves da fabricante operam no país, distribuídas entre aviação comercial, executiva e defesa. Entre elas estão cinco jatos VIP utilizados pelo governo indiano e três aeronaves militares EMB-145 AEW “Netra”, operadas pela Força Aérea Indiana para vigilância aérea e controle antecipado.

Em um mundo onde o espaço aéreo também é território de soberania, cada contrato de defesa carrega peso diplomático e estratégico.

Uma gigante brasileira no tabuleiro global

Fundada em 1969, a Embraer já entregou mais de 9 mil aeronaves. Em média, a cada 10 segundos, um avião fabricado pela empresa decola em algum lugar do mundo, transportando mais de 150 milhões de passageiros por ano.

Líder global na fabricação de jatos comerciais de até 150 assentos, a Embraer permanece como a principal exportadora brasileira de bens de alto valor agregado — uma raridade em um país ainda fortemente dependente da exportação de commodities.

Ao ampliar sua presença na Índia, a companhia também fortalece o posicionamento do Brasil no eixo dos BRICS e na Ásia-Pacífico, região que concentra parte significativa do crescimento econômico mundial nas próximas décadas.

Para o trabalhador brasileiro que acompanha os movimentos da economia global, pode parecer distante falar de cadeias aeroespaciais na Ásia. Mas não é. Cada contrato fechado, cada parceria internacional e cada fornecedor integrado à engrenagem global representam empregos qualificados, inovação tecnológica e fortalecimento da indústria nacional.

O céu pode não ter fronteiras. Mas a soberania industrial tem endereço — e, neste caso, ele continua sendo brasileiro.

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Paraná lança plataforma inédita para certificar sustentabilidade e fortalecer o agronegócio

Aplicativo gratuito vai integrar dados ambientais, produtivos e territoriais, emitindo certidão agroambiental digital para mais de 300 mil propriedades rurais

Em um momento em que o mundo exige cada vez mais rastreabilidade, transparência e responsabilidade ambiental, o Paraná decidiu transformar dados em estratégia de Estado.

Segundo a Agência Estadual de Notícias (AEN-PR), o Governo do Paraná lançou nesta terça-feira (10), durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel, o Projeto Plataforma Paraná + Sustentável — uma iniciativa que consolida inteligência territorial como base para políticas públicas ambientais, agropecuárias e de desenvolvimento sustentável.

O anúncio foi feito pelo governador em exercício, Darci Piana, em um dos maiores eventos do agronegócio da América Latina. Mais do que um aplicativo, o projeto nasce como uma infraestrutura digital permanente. Nos próximos 15 dias, a plataforma estará disponível gratuitamente para download em sistemas iOS e Android.

Na prática, o produtor rural poderá acessar, pelo celular, um retrato técnico completo de sua propriedade — reunindo dados ambientais, produtivos e sanitários hoje espalhados em diferentes bases públicas.

Inteligência territorial e segurança jurídica

A plataforma integra informações autodeclaradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR) com dados oficiais estaduais e federais. O objetivo é segundo informa a AEN: transformar dados dispersos em evidência técnica auditável.

O resultado será a emissão de uma espécie de certidão agroambiental digital, reunindo licenciamento ambiental, situação do CAR, cadastros sanitários e outros registros essenciais para financiamento, exportação e certificações nacionais e internacionais.

“Estamos criando uma ferramenta moderna, transparente e permanente, que fortalece a sustentabilidade, dá segurança jurídica e amplia a competitividade do Paraná, especialmente para quem produz no campo”, afirmou Darci Piana.

De acordo com o superintendente-geral de Ordenamento Territorial, Benno Doetzer, a proposta é gerar um extrato consolidado da propriedade rural, tanto sob o ponto de vista ambiental quanto produtivo — algo que pode simplificar processos e reduzir entraves burocráticos.

Monitoramento por satélite e alertas climáticos

A Plataforma Paraná + Sustentável também permitirá o monitoramento contínuo do território por meio de imagens de satélite, análise de uso e ocupação do solo, acompanhamento da produção agrícola e identificação de eventos climáticos extremos.

Com isso, será possível emitir alertas preventivos, gerar indicadores estratégicos e apoiar decisões tanto do poder público quanto dos produtores rurais.

Para o secretário do Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca, o lançamento consolida o compromisso do Estado com a rastreabilidade ambiental.

“É um lançamento que conjuga inovação com rastreabilidade ambiental e eficiência no respeito às leis florestais do Brasil”, afirmou.

Greca definiu o sistema como um “hipervisor agrário”, concentrando informações sobre uso do solo, produção e preservação ambiental em todo o Paraná.

Resposta rápida na defesa sanitária

O diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, destacou que a ferramenta terá impacto direto na área de defesa sanitária animal.

Em situações de emergência, o sistema permitirá localização precisa das propriedades, indicação de rotas e respostas mais ágeis — um fator decisivo quando o tempo é determinante.

Já o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes, representante do Agronegócio no Governo do Paraná, diz que a plataforma integra outras ações recentes, como o CEP Rural, código oficial de endereçamento das propriedades rurais no estado.

CEP Rural, selo agroambiental e competitividade internacional

Entre as entregas previstas estão:

  • Certificação do CEP Rural para mais de 300 mil propriedades;
  • Consolidação oficial das Rotas Rurais;
  • Criação de um Selo Agroambiental baseado em dados públicos;
  • Mapas anuais de uso e ocupação do solo;
  • Certificados digitais por imóvel, município e Estado;
  • Painéis públicos com indicadores de sustentabilidade.

A expectativa do governo Ratinho Junior é ampliar a competitividade do agronegócio paranaense, especialmente em mercados externos que exigem comprovação técnica de boas práticas socioambientais.

Capacitação técnica do CAR

Durante o evento também foi anunciado um Programa de Capacitação para Técnicos do Sistema Estadual do Cadastro Ambiental Rural (CAR), em parceria com o CREA-PR. Os cursos serão oferecidos na modalidade EAD e buscam qualificar profissionais responsáveis pela análise e validação do cadastro ambiental.

Em um cenário global cada vez mais atento à sustentabilidade, o Paraná aposta na tecnologia como instrumento de governança e no dado como ativo estratégico. A Plataforma Paraná + Sustentável é, ao mesmo tempo, ferramenta administrativa e sinal político: quem comprova, compete melhor.


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