24.8.26

EUA apertam cerco ao Irã e Brasil entra no radar de possíveis sanções secundárias

Trump pressiona líderes estrangeiros a romper relações econômicas com Teerã; Washington ainda não divulgou quais países poderão ser punidos, mas ameaça atingir empresas e governos que mantenham negócios com o Irã

EUA apertam cerco ao Irã e Brasil entra no radar de possíveis sanções secundárias

Os Estados Unidos ampliaram nesta segunda-feira (24) a ofensiva econômica contra o Irã e passaram a pressionar governos de outros países a cortar relações comerciais e financeiras com Teerã. A escalada abre um novo foco de atenção para o Brasil, que mantém um fluxo relevante de exportações para o mercado iraniano e integra o BRICS ao lado do país persa.

Durante coletiva em Washington, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que o presidente Donald Trump vem telefonando pessoalmente para líderes estrangeiros com pedidos específicos para que interrompam suas relações econômicas com o Irã. Segundo Bessent, a Casa Branca já estaria observando resultados dessa pressão.

Bessent, porém, não revelou quais países foram procurados nem quais governos ou empresas poderão ser atingidos pelas chamadas sanções secundárias. A Reuters informou que Washington anunciou a possibilidade de ampliar essas punições, mas, por enquanto, não aplicou penalidades secundárias diretamente contra países que fazem negócios com Teerã.

A nova estratégia foi apresentada pelo governo Trump como um “Dia D econômico” contra o Irã. O objetivo declarado é cortar as fontes de receita e as conexões financeiras internacionais que ainda permitem ao governo iraniano sustentar sua economia.

Cinco setores entram no foco dos EUA

Segundo Bessent, a ofensiva mira cinco áreas consideradas fundamentais para a geração de receitas e para as relações internacionais do Irã: ativos digitais, ouro, tecnologia, aviação e transporte marítimo. O Tesouro americano também anunciou sanções contra mais de 60 indivíduos, empresas e embarcações acusados de contribuir para a aquisição de tecnologia nuclear e de mísseis, operações cibernéticas e geração de receitas provenientes do petróleo.

O secretário afirmou ainda que governos e empresas terão um período para interromper as atividades consideradas incompatíveis com as exigências americanas. A mensagem de Washington é que novas medidas poderão ser adotadas rapidamente caso essas relações continuem.

A ofensiva amplia um regime de sanções que já atingiu mais de mil pessoas, embarcações e aeronaves ligadas ao Irã desde o início do segundo mandato de Trump, segundo dados do próprio Tesouro americano citados pela Reuters.

Brasil pode ser afetado?

O Brasil não foi citado como alvo específico nas medidas anunciadas nesta segunda-feira. Ainda assim, a pressão americana cria um risco potencial para empresas brasileiras que tenham negócios com o Irã, sobretudo se essas operações envolverem bancos, seguradoras, transporte marítimo, intermediários financeiros ou instituições com exposição ao sistema financeiro dos Estados Unidos.

O Ministério da Agricultura considera o Irã um dos principais parceiros comerciais do Brasil no Oriente Médio e informa que as exportações brasileiras ao país chegam a aproximadamente US$ 5 bilhões por ano, com predominância de milho, soja, óleo comestível, carne bovina e açúcar.

Os números oficiais de comércio exterior mostram, entretanto, uma fotografia mais recente e diferente desse valor anual: entre janeiro e julho de 2026, o Brasil exportou US$ 303,6 milhões para o Irã, segundo os dados consolidados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

A relação é especialmente relevante para o agronegócio. Em 2025, o Paraná, por exemplo, registrou forte crescimento das vendas ao mercado iraniano, que alcançaram US$ 823 milhões, segundo dados do governo estadual.

BRICS aumenta a sensibilidade diplomática

A situação ganha uma dimensão adicional porque Brasil e Irã são integrantes do BRICS. Uma eventual tentativa de Washington de ampliar a pressão para além das empresas diretamente ligadas ao governo iraniano poderia colocar países emergentes diante de uma escolha delicada entre preservar seus canais comerciais com Teerã ou reduzir a exposição a sanções americanas.

Por enquanto, contudo, não há indicação de que os Estados Unidos tenham decidido aplicar sanções secundárias contra o Brasil.

O movimento desta segunda-feira mostra, ainda assim, que Washington pretende aumentar o custo para terceiros países que continuem funcionando como canais comerciais, financeiros ou logísticos para o Irã.

A Reuters informa que China, Turquia e Emirados Árabes Unidos estão entre os principais parceiros comerciais de Teerã. A China, em particular, é um importante comprador do petróleo iraniano, mas o governo Trump evitou, nesta rodada, atingir grandes instituições financeiras chinesas, em meio à expectativa de uma reunião entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping.

Os Emirados Árabes Unidos, por sua vez, anunciaram recentemente a suspensão de comércio, intercâmbios comerciais e transações financeiras com o Irã. Bessent apresentou a decisão como um dos resultados da pressão exercida por Trump sobre governos estrangeiros.

Pressão sobre Teerã aumenta

A nova ofensiva ocorre enquanto a guerra entre Estados Unidos e Irã se aproxima de seis meses e as negociações diplomáticas para encerrar o conflito permanecem travadas. A pressão econômica se soma ao bloqueio naval americano e às medidas adotadas anteriormente contra o petróleo, a chamada frota clandestina de navios-tanque e redes financeiras utilizadas por Teerã.

O rial iraniano atingiu nesta segunda-feira uma nova mínima, chegando a cerca de 2,02 milhões de riais por dólar no mercado, segundo a Associated Press.

Para o Brasil, o ponto central agora é acompanhar como Washington transformará a ameaça de sanções secundárias em medidas concretas. Enquanto nenhum órgão americano incluir o país ou empresas brasileiras em uma lista de sanções, não é correto afirmar que o Brasil esteja sob sanção. Mas a manutenção de um comércio relevante com Teerã coloca empresas brasileiras diante de um novo risco regulatório e financeiro.

A tendência é que a pressão aumente nos próximos dias. Bessent afirmou que o Tesouro americano pretende anunciar ainda nesta semana novas medidas envolvendo pelo menos uma instituição financeira, ampliando o alcance da campanha para isolar economicamente o Irã.

30 de Agosto: educação do Paraná vai às ruas por valorização, direitos e escola pública

APP-Sindicato convoca educadores para ato em Curitiba, com pautas sobre valorização profissional, direitos, saúde e defesa da escola pública

 

Reprodução/Facebook/APP Sindicato

“Não existe luta sozinha(o); juntas(os), somos mais fortes!” Com essa convocação, a APP-Sindicato chama trabalhadoras e trabalhadores da educação para o Ato 30 de Agosto – Dia de Luto e Luta da Educação, que terá mobilização presencial no sábado, 29 de agosto, a partir das 9h, na Boca Maldita, no centro de Curitiba.

A atividade acontece no dia anterior ao 30 de agosto porque, em 2026, a data histórica cai em um domingo. Segundo a APP-Sindicato, o sábado será dedicado à panfletagem e ao diálogo com a população em locais de grande circulação, enquanto a mobilização nas redes sociais será realizada no dia 30.

As deliberações da categoria para o segundo semestre incluem, além do 30 de Agosto, reivindicações relacionadas à valorização profissional, ao Processo Seletivo Simplificado (PSS), à Gratificação de Tecnologia e Ensino (GTE) e ao Piso Nacional dos Funcionários da Educação.

Uma data marcada pela memória

O 30 de agosto é uma data histórica para os trabalhadores da educação do Paraná. Em 1988, professores e funcionários que participavam de uma mobilização por direitos e melhores condições de trabalho foram alvo de uma ação violenta do governo estadual na região do Centro Cívico, em Curitiba.

Desde então, a data passou a ser lembrada pela categoria como um Dia de Luto e Luta, unindo a memória daquele episódio às reivindicações do presente.

Em 2025, por exemplo, a APP-Sindicato levou às ruas pautas como combate ao assédio, enfrentamento do adoecimento, sobrecarga de trabalho, valorização salarial, oposição à privatização e terceirização das escolas e defesa da escola pública.

A CUT Paraná registrou a mobilização de 2025 e destacou que a categoria relacionou a memória do 30 de Agosto às condições atuais de trabalho dos profissionais da educação.

Valorização profissional e direitos

Entre as reivindicações apresentadas pela APP-Sindicato para este período estão a valorização dos profissionais da educação, mudanças no PSS, a defesa do Piso Nacional dos Funcionários da Educação e alterações nas regras da GTE.

A entidade também reivindica medidas relacionadas à carreira, às condições de trabalho e à garantia de direitos dos trabalhadores da rede pública estadual.

Saúde, condições de trabalho e combate ao assédio

Outro eixo da mobilização é o debate sobre as condições de trabalho nas escolas. A APP-Sindicato tem colocado entre suas pautas o combate ao assédio institucional, ao adoecimento dos trabalhadores e à sobrecarga de trabalho.

A entidade também questiona políticas que, segundo sua avaliação, aumentam a pressão sobre professores e funcionários e defende melhores condições para que os profissionais possam exercer suas funções com qualidade.

Defesa da escola pública

A defesa da escola pública aparece como um dos principais eixos da agenda da categoria. Entre as pautas apresentadas pela APP estão a oposição à terceirização e à privatização, a defesa do concurso público e o debate sobre políticas que afetam a organização pedagógica das escolas.

A categoria também reivindica mudanças em políticas educacionais, como o fim do Programa de Acompanhamento Pedagógico, a ampliação da carga horária das disciplinas da área de Humanas e o retorno da Língua Espanhola à matriz curricular e ao CELEM, com oferta presencial.

Essas reivindicações fazem parte de uma agenda mais ampla apresentada pela entidade para o segundo semestre de 2026, que também inclui a preparação para o período eleitoral e a apresentação de uma Carta Compromisso da Educação às candidaturas.

Memória que se transforma em mobilização

Mais do que recordar um episódio histórico, o 30 de Agosto se tornou, para os trabalhadores da educação do Paraná, um momento anual de debate sobre as condições da escola pública e sobre os direitos de quem trabalha nela.

Para a APP-Sindicato, a mobilização deste ano reúne memória e reivindicações atuais: valorização profissional, direitos, saúde dos trabalhadores, melhores condições de trabalho e defesa de uma educação pública, democrática e de qualidade.

O convite da entidade é para que educadores ocupem as ruas e dialoguem com a sociedade sobre os desafios enfrentados pela educação pública no Paraná.

Ato 30 de Agosto – Dia de Luto e Luta da Educação

Data: sábado, 29 de agosto de 2026

Horário: a partir das 9h

Local: Boca Maldita, centro de Curitiba

“Não existe luta sozinha(o); juntas(os), somos mais fortes!”


Como informações da APP-Sindicato; Portal Verdade e CUT Paraná.

Brincos de uma antiga deusa revelam uma história de fé, família e memória de 1.200 anos

Achados na Sibéria em 1985, os ornamentos podem representar Umay, entidade feminina dos antigos povos túrquicos ligada à fertilidade, à maternidade e à proteção das crianças. Nova pesquisa revela que as peças tiveram uma longa história antes de chegar ao túmulo

 
Achados na Sibéria em 1985, os ornamentos podem representar Umay, entidade feminina dos antigos povos túrquicos ligada à fertilidade, à maternidade e à proteção das crianças. Nova pesquisa revela que as peças tiveram uma longa história antes de chegar ao túmulo


Há objetos arqueológicos que impressionam pela beleza. Outros impressionam pelo que conseguem contar. Um par de brincos encontrado há mais de quatro décadas na Khakássia, no sul da Sibéria, pertence às duas categorias.

As peças, descobertas em 1985 no cemitério arqueológico de Koybaly, podem representar Umay, uma importante entidade feminina da tradição religiosa dos antigos povos túrquicos. Associada à fertilidade, à maternidade e à proteção das mulheres e das crianças, Umay ocupa um lugar especial na cosmologia das antigas sociedades da Eurásia.

Mas a história dos brincos é ainda mais surpreendente do que a possível identificação da personagem.

Uma mulher alada escondida em uma joia

As duas peças apresentam uma figura feminina vista de frente. Ela possui asas, elementos que lembram uma ave, um adorno sobre a cabeça e segura nas mãos um pequeno recipiente.

Foi justamente essa combinação de características que levou o arqueólogo russo Sergei Skobelev a propor, ainda em 1990, que a personagem pudesse ser uma representação de Umay.

A interpretação não é uma certeza absoluta. Não há uma inscrição dizendo o nome da entidade. Trata-se de uma identificação arqueológica baseada na iconografia e no contexto cultural em que os objetos foram encontrados.

A hipótese, porém, é particularmente interessante porque tradições antigas e posteriores associam Umay a uma figura feminina de natureza celeste e a motivos de pássaros ou asas.

Nova descoberta: não eram originalmente brincos

É aqui que a pesquisa mais recente muda completamente a maneira de olhar para as peças. Um estudo tecnológico, publicado agora, em 2026, por pesquisadores do Instituto de Arqueologia e Etnografia da Academia Russa de Ciências, em colaboração com a Universidade Estatal de Novosibirsk, mostrou que os objetos não foram fabricados originalmente como brincos.

As peças começaram sua existência como objetos ornamentais mais complexos, produzidos principalmente em prata e trabalhados com técnicas sofisticadas de ourivesaria.

O primeiro artesão utilizou filigrana, fios metálicos torcidos, soldagem e douramento. O resultado revela um domínio técnico impressionante. Em algum momento, porém, outro artesão modificou os objetos e acrescentou os elementos necessários para transformá-los em brincos.

Ou seja: aquilo que hoje vemos como um par de brincos nasceu com outra finalidade.

Uma joia que foi consertada

A história não termina aí. Uma das peças sofreu uma fratura, aparentemente na região de uma das asas. Em vez de abandonar o objeto, alguém decidiu repará-lo.

O conserto foi feito de maneira mais simples, utilizando um fio metálico para recompor a parte danificada. Para os arqueólogos, esse pequeno detalhe diz muito. O objeto não era simplesmente descartável. Alguém se importou o suficiente com ele para consertá-lo e continuar usando-o.

É possível imaginar, embora não seja possível provar, que os brincos tenham passado de uma pessoa para outra ou permanecido durante muito tempo dentro de uma mesma família. Talvez fossem valiosos não apenas pelo metal ou pelo trabalho artístico, mas pelo significado que carregavam.

Uma mulher foi enterrada com eles

Os brincos foram encontrados associados a um sepultamento interpretado pelos pesquisadores como pertencente a uma mulher adulta. O contexto funerário também incluía elementos relacionados a um cavalo, entre eles partes de pele, ossos e componentes de arreios.

Os brincos estavam escondidos em uma estrutura junto à parede da sepultura. Não sabemos quem era aquela mulher. Não sabemos seu nome, sua idade exata ou qual era sua posição dentro daquela sociedade. Também não podemos afirmar que ela fosse sacerdotisa de Umay ou que os brincos fossem necessariamente um amuleto religioso.

Mas sabemos que ela foi enterrada com um objeto extraordinariamente elaborado, que já havia passado por diferentes mãos e provavelmente carregava uma história anterior à sua própria morte.

Quem era Umay?

Umay é uma das figuras femininas mais importantes associadas à religiosidade dos antigos povos turcos.

Seu nome aparece em fontes relacionadas ao antigo mundo túrquico, incluindo as inscrições de Orkhon. Ao longo das tradições estudadas pelos pesquisadores, ela aparece ligada especialmente à fertilidade, à maternidade, às mulheres, à proteção das crianças e da família.

Por isso, quando os arqueólogos encontram uma figura feminina alada em um objeto turco antigo, a possibilidade de uma conexão com Umay ganha uma importância relevante.

É importante, entretanto, não confundir os antigos povos túrquicos com a moderna Turquia. Os brincos foram encontrados na atual Rússia, em uma região que fazia parte do amplo mundo cultural e político das sociedades túrquicas da Ásia Central e da Sibéria.

Mais do que uma joia

Talvez seja justamente isso que torne os brincos de Koybaly tão fascinantes. Eles não são apenas duas pequenas peças de metal preservadas por mais de mil anos. São testemunhos de uma rede humana que se estende através do séculos.

Um artesão os criou. Outro os transformou. Alguém os usou. Uma pessoa decidiu repará-los quando foram danificados. Eles continuaram circulando, possivelmente durante anos ou até gerações, antes de acompanhar uma mulher em sua jornada final. E, então, o par de brincos permaneceu silencioso, dentro da terra, até ser encontrado, em 1985.

Agora, mais de 40 anos depois, novas análises tecnológicas estão permitindo reconstruir uma parte dessa trajetória. Talvez a arqueologia seja justamente isso: encontrar pequenos vestígios do passado e devolver a eles uma história humana.

No caso dos brincos de Koybaly, essa história reúne uma antiga tradição religiosa, o trabalho extraordinário de artesãos, a vida de uma mulher e a possibilidade de que um objeto tenha sido preservado por seu significado muito depois de deixar de ser apenas uma joia.

Nota: a identificação da figura como Umay é uma interpretação arqueológica proposta por pesquisadores e não uma identificação comprovada por inscrição. As peças foram descobertas em 1985; o que ganhou novo destaque em 2026 foi a análise tecnológica de sua fabricação, transformação e reparos.

Fontes: Instituto de Arqueologia e Etnografia da Academia Russa de Ciências; Sergei G. Skobelev; estudos acadêmicos sobre iconografia e religião dos a povos turcos da antiguidade.

Rússia lança com sucesso mais um foguete espacial Soyuz-2.1b

Foguete decolou do cosmódromo de Plesetsk e colocou em órbita um satélite destinado aos interesses da Defesa russa

A Rússia realizou com sucesso, na madrugada desta segunda-feira (24), o lançamento de um foguete Soyuz-2.1b a partir do cosmódromo de Plesetsk, na região de Arkhangelsk. A missão colocou em órbita um satélite destinado a atender aos interesses do Ministério da Defesa russo.

De acordo com informações divulgadas pela Roscosmos e pelo Ministério da Defesa da Rússia, o lançamento ocorreu conforme o planejado. O foguete de médio porte foi lançado por uma equipe das Forças Espaciais das Forças Aeroespaciais russas.

Satélite foi colocado em órbita

Após a decolagem, o veículo realizou a missão conforme o planejado e o aparelho espacial foi colocado na órbita prevista. Segundo as autoridades russas, foi estabelecida comunicação de telemetria estável com o satélite e seus sistemas de bordo operavam normalmente após a entrada em órbita.

O governo russo não divulgou informações sobre o tipo ou a finalidade específica do satélite. As autoridades limitaram-se a informar que o equipamento foi lançado em benefício do Ministério da Defesa, mantendo em sigilo detalhes sobre sua missão.

Plesetsk é usado para missões militares

Localizado na região de Arkhangelsk, no norte da Rússia, o cosmódromo de Plesetsk é uma das principais bases russas para lançamentos de satélites militares e de uso dual. A instalação é operada pelo Ministério da Defesa e recebe regularmente lançamentos de foguetes da família Soyuz.

O lançamento desta segunda-feira ocorre em um contexto de forte atividade espacial militar russa. Nos últimos anos, Plesetsk tem sido utilizado para colocar em órbita diferentes tipos de satélites ligados às capacidades de comunicação, navegação, reconhecimento e outras funções estratégicas das Forças Armadas russas.

Mais um lançamento do Soyuz-2.1b

O Soyuz-2.1b é um dos principais foguetes russos de médio porte e pode ser empregado em missões civis, comerciais e militares. A partir de Plesetsk, a versão é utilizada principalmente em lançamentos de cargas destinadas às órbitas empregadas por satélites governamentais e de defesa.

O lançamento desta segunda-feira reforça a continuidade das operações espaciais russas e a utilização do setor orbital como parte da infraestrutura estratégica do país.

As informações sobre o lançamento e a colocação do satélite em órbita foram divulgadas por autoridades russas. Não foram informados publicamente detalhes sobre a identidade e a missão específica do aparelho.

23.8.26

Geadas ainda podem voltar ao Paraná e a Santa Catarina em 2026, mas El Niño muda o comportamento do frio

Massas de ar polar ainda podem provocar geadas no fim do inverno, principalmente nas áreas mais altas, mas a redução dos períodos prolongados de frio acende outro alerta: o que acontece com a agricultura e com a natureza quando o inverno começa a perder força?

Quem vive no campo sabe que uma madrugada de frio intenso pode mudar tudo. Uma noite com temperatura abaixo de zero pode representar apenas um registro no termômetro para quem acompanha o inverno de longe. Para o agricultor, porém, pode significar uma lavoura perdida, uma safra comprometida e um prejuízo que demora muito mais para desaparecer do que a própria geada.

Por isso, mesmo com o inverno de 2026 chegando à sua reta final, o risco ainda não desapareceu no Paraná e em Santa Catarina.

As próximas semanas ainda podem registrar incursões de massas de ar polar, principalmente nas regiões de maior altitude. No Paraná, o Alerta Geada continua sendo acompanhado pelo Simepar durante o período de maior risco. Em Santa Catarina, o Planalto Sul permanece como uma das áreas mais suscetíveis ao fenômeno.

Mas existe uma mudança importante acontecendo por trás dessa história. O frio continua chegando. Só que, em um cenário de aquecimento das temperaturas, ele tende a aparecer de maneira mais irregular, enquanto os períodos prolongados de frio intenso se tornam menos frequentes. E é aí que o assunto deixa de ser apenas uma questão de previsão do tempo.

Ainda pode gear em 2026

A resposta mais simples é: sim.

O inverno ainda não terminou climaticamente, e novas massas de ar frio podem avançar pelo Sul do Brasil. No Paraná, o risco é maior nas regiões Centro-Sul, Sudoeste, Sudeste e nas áreas de maior altitude. Em Santa Catarina, o Planalto Sul concentra historicamente algumas das condições mais favoráveis para a formação de geadas.

É importante lembrar que o frio não se distribui igualmente pelo território. Uma madrugada que produz temperaturas negativas em Palmas ou em áreas elevadas de Santa Catarina pode ter efeito muito diferente em cidades de menor altitude. É justamente por isso que os mapas de risco de geada são tão importantes para quem trabalha com agricultura.

No campo, algumas horas de antecedência podem fazer uma diferença enorme. Um alerta recebido antes da chegada do frio permite que o produtor organize medidas de proteção, avalie a necessidade de irrigação e tente preservar as plantas mais sensíveis.

O problema é que nem sempre é possível impedir o frio. O que se pode fazer é tentar chegar preparado quando ele vier.

O que o El Niño tem a ver com isso?

A história fica mais interessante quando olhamos para o Oceano Pacífico. O El Niño altera a circulação da atmosfera e interfere no comportamento do clima em diferentes partes do planeta. No Sul do Brasil, uma de suas características é favorecer um cenário mais quente e úmido, embora isso não signifique que o frio simplesmente desapareça.

Na prática, uma massa de ar polar ainda pode avançar pelo Paraná e por Santa Catarina e provocar geadas.

O que muda é o contexto. Em um cenário influenciado pelo El Niño, a tendência é de menor frequência de episódios prolongados de frio intenso. Isso ajuda a explicar por que podemos ter um inverno com temperaturas, em média, mais elevadas e, ainda assim, registrar algumas madrugadas extremamente frias.

É uma diferença importante: menos frio ao longo da estação não significa ausência de frio extremo em determinados momentos. É justamente essa combinação que torna a previsão tão importante.

O agricultor não precisa de um inverno sem geada. Precisa saber quando ela pode chegar

Para quem planta, uma geada quase nunca é uma boa notícia. Café, hortaliças, frutas, milho e outras culturas podem apresentar diferentes níveis de sensibilidade às baixas temperaturas. Em algumas situações, poucas horas de frio intenso são suficientes para provocar danos significativos. Por isso o Paraná desenvolveu um sistema específico de acompanhamento.

O Alerta Geada utiliza informações meteorológicas para antecipar situações de risco e dar ao produtor tempo para agir. Entre as estratégias disponíveis está a irrigação preventiva, que pode ser utilizada em determinadas culturas e condições para reduzir os danos provocados pelo congelamento.

A lógica é simples: quando a previsão chega antes, existe uma chance maior de proteger aquilo que levou meses para ser produzido. E isso tem um valor enorme em uma propriedade rural.

Mas existe um paradoxo nessa história

Uma geada a menos pode ser uma boa notícia para o agricultor. Ao mesmo tempo, menos frio não significa necessariamente que tudo esteja melhor para a agricultura.

Algumas plantas de clima temperado precisam passar por períodos determinados de frio para completar adequadamente seu ciclo. A quantidade de frio disponível durante o inverno influencia a dormência, a brotação e, posteriormente, a floração e a produção.

Isso significa que o agricultor pode deixar de enfrentar algumas perdas provocadas diretamente pela geada e, ao mesmo tempo, começar a lidar com outro problema: um inverno que não entrega o frio necessário no momento adequado.

A natureza também funciona assim. Ela não acompanha o calendário que colocamos na parede. Plantas, insetos, animais e microrganismos respondem às condições de temperatura, chuva, umidade e luminosidade. Quando essas condições mudam, os ciclos também podem mudar.

E quando a geada fica mais rara?

Essa talvez seja a parte menos percebida da discussão. Quando pensamos em geada, normalmente pensamos no prejuízo imediato: a folha que queima, a plantação que sofre e o produtor que calcula as perdas.

Mas o frio também exerce uma função dentro dos ecossistemas. Uma sequência de dias frios ajuda a determinar o momento em que determinadas plantas entram ou saem de dormência. A temperatura influencia a atividade dos insetos e também interfere na relação entre flores, polinizadores, predadores e outras espécies.

Se o inverno começa mais cedo ou mais tarde, se termina antes ou se apresenta menos períodos de frio intenso, todo esse relógio natural pode sofrer alterações. Uma planta pode florescer em um momento diferente. Um inseto pode aparecer antes. Um polinizador pode não encontrar a mesma quantidade de flores quando estiver em seu período de maior atividade.

E uma espécie que normalmente seria limitada pelo frio pode encontrar condições melhores para sobreviver durante o inverno. Nenhuma dessas mudanças acontece de maneira isolada. É como mexer em uma peça de uma engrenagem: outras peças acabam sentindo o movimento.

Mais calor também pode significar mais espaço para algumas pragas

A agricultura sente essas mudanças de outra maneira. Temperaturas mais elevadas podem favorecer a sobrevivência e a reprodução de determinados insetos e organismos que afetam as lavouras. Quando o inverno deixa de impor períodos suficientemente frios, algumas espécies podem encontrar condições mais favoráveis para permanecer ativas ou sobreviver.

Mas é preciso evitar uma conclusão simplista. Não é correto dizer que menos geadas automaticamente significam mais pragas. Cada espécie responde de uma maneira diferente, e chuva, umidade, alimento e outros fatores também interferem.

O que preocupa é a combinação. Temperaturas mais altas, mudanças no regime de chuvas e alterações no calendário das estações podem modificar as relações que existem dentro de uma lavoura e também dentro de um ecossistema natural.

As abelhas também sentem a mudança

Um bom exemplo está nas abelhas. A atividade desses insetos depende diretamente das condições meteorológicas e da disponibilidade de flores. Temperatura, chuva e períodos de frio interferem no voo, na coleta de néctar e de pólen e, consequentemente, na produção de mel e na polinização.

Se a florada muda de época, as abelhas precisam acompanhar essa mudança. Se chove demais, elas podem não conseguir sair. Se o frio aparece em um momento inesperado, a atividade também pode ser afetada. É mais uma demonstração de que uma mudança no clima nunca fica restrita ao termômetro.

O que os dados mostram sobre o Paraná?

É aqui que precisamos tomar cuidado com uma frase que parece intuitiva: "as geadas estão desaparecendo".

A realidade é um pouco mais complexa.

Estudos realizados a partir de séries históricas de temperatura no Paraná identificam tendências de aumento das temperaturas mínimas em diferentes regiões. Isso é compatível com um cenário de aquecimento.

Mas a ocorrência de geadas continua variando bastante de um ano para outro. O Paraná pode ter um inverno com poucos episódios de frio e, em outro ano, registrar várias ondas de ar polar.

A altitude continua sendo um dos principais fatores de diferença. Historicamente, regiões como Palmas e Guarapuava apresentam muito mais condições favoráveis à ocorrência de geadas do que áreas mais quentes do Norte do Estado.

Por isso, talvez seja mais correto dizer que o ambiente climático está ficando mais quente, e não simplesmente que as geadas estão acabando. A diferença parece pequena, mas muda completamente a interpretação.

Santa Catarina segue na mesma direção

Em Santa Catarina, o Planalto Sul continua sendo uma espécie de sentinela do frio no Estado. As temperaturas podem despencar rapidamente quando uma massa de ar polar forte chega, e episódios de geada continuam perfeitamente possíveis.

Ao mesmo tempo, as projeções climáticas apontam para temperaturas acima da média e menor frequência de períodos prolongados de frio intenso. Ou seja: o frio não desapareceu. Ele está ficando mais irregular.

E isso é especialmente importante para um Estado cuja agricultura, pecuária e biodiversidade estão fortemente ligadas às condições de altitude e ao comportamento das estações.

O verdadeiro alerta talvez esteja além da geada

No fim das contas, a discussão sobre geadas não deveria ficar restrita à pergunta "vai gear ou não vai?".

A pergunta mais importante talvez seja outra: o que acontece quando o clima muda o calendário ao qual a agricultura e a natureza estavam acostumadas?

Para o produtor, isso pode significar novas estratégias de manejo, mudança de cultivares, alteração das épocas de plantio e maior atenção aos sistemas de previsão.

Para os ecossistemas, pode significar mudanças nos ciclos de reprodução, floração, migração, alimentação e sobrevivência de diferentes espécies.

E para todos nós, existe uma consequência que muitas vezes passa despercebida. A agricultura depende de um equilíbrio climático muito maior do que simplesmente chuva e sol. Depende do frio também.

E o que esperar do restante de 2026?

Ainda há possibilidade de novas geadas no Paraná e em Santa Catarina, especialmente em áreas de maior altitude e durante eventuais incursões de massas de ar polar.

Mas o cenário climático aponta para um restante de inverno e uma entrada de primavera com temperaturas mais elevadas e menor frequência de episódios prolongados de frio intenso.

O El Niño ajuda a explicar parte desse comportamento. Ao mesmo tempo, a tendência de aquecimento observada nas temperaturas mínimas não permite concluir que as geadas deixarão de acontecer. Elas continuarão fazendo parte do clima do Sul do Brasil, mas podem ocorrer em um ambiente cada vez mais diferente daquele conhecido pelas gerações anteriores.

E talvez esse seja o ponto que merece mais atenção. A questão não é apenas saber se ainda vai gear este ano. É entender como a mudança na frequência, na intensidade e no momento em que o frio aparece pode transformar o campo, as florestas e toda a vida que depende do ritmo das estações.

Curtiu? Contribua com o blog - PIX



Nota à Imprensa da candidata ao Senado Gleisi Hoffmann

Nota à imprensa

Deltan mente e desinforma eleitores ao impulsionar conteúdo afirmando que está elegível

Curitiba, 22 de agosto de 2026
 
 
A candidata ao Senado Gleisi Hoffmann respondeu neste sábado (22) a um vídeo divulgado pelo candidato Deltan Dallagnol, com impulsionamento nas redes sociais, no qual afirma que o parecer do Ministério Público Eleitoral (MPE) atesta sua elegibilidade.

Segundo Gleisi, ao divulgar o vídeo, Dallagnol demonstrou “má-fé e desrespeito com os eleitores do Paraná”.

Deltan divulgou um vídeo afirmando que estamos ‘chorando’ quando dizemos que ele está inelegível. Como impulsionou o conteúdo, pagando para o vídeo circular, fazendo propaganda enganosa, a resposta é necessária. Lamentamos que, com sua falta de caráter, continue mentindo, tentando enganar o povo, dizendo que o MPE confirmou que está elegível. Trata-se de uma mentira. Uma dupla mentira.

Primeiro, o MPE não confirma, o órgão emite parecer, opina. O MPE opinou pela elegibilidade, emitiu um parecer como fez em 2022, e depois o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou seu mandato porque era ficha suja, estava inelegível, e não poderia ter sido candidato.

Segunda mentira: afirmar que parecer do MPE confirma a elegibilidade. Deltan sabe que isso não é verdade, justamente por ter sido do Ministério Público. Quantas vezes um parecer do Ministério Público foi desconsiderado pelos julgadores?

Ao divulgar uma notícia enganosa, Deltan demonstra falta de caráter, má fé e desrespeito com os eleitores do Paraná. Esperamos que o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná cumpra seu papel e julgue o mais rápido possível o caso da candidatura de Deltan Dallagnol. O processo está pronto para o julgamento. Retardar isso é comprometer o processo eleitoral.

Nota à imprensa

Curitiba, 22 de agosto de 2026


Comunicação à imprensa: GLEISI
REPRODUÇÃO: BLOG SULPOST

22.8.26

ACFF Sub-15 goleia Prodhae por 11 x 3 em Itaperuçu

Time de Campo Largo mostrou força no ataque, jogou bem e venceu fácil, de goleada, o Prodhae, em Itaperuçu 

 
Time de Campo Largo mostrou força no ataque, mas foi na defesa que surgiu o grande destaque da partida: o goleiro Ian
ACFF vence Prodhae por 11 X 3, em Itaperuçu - Imagens: Nelsão

A tarde deste sábado (22) foi de muita bola na rede e também de grandes defesas para a ACFF (Associação Campolarguense de Futebol e Futsal). Em Itaperuçu, na Região Metropolitana de Curitiba, a equipe Sub-15 venceu a Prodhae por 11 x 3, em uma partida que mostrou a força dos meninos de Campo Largo.

Se o placar chama a atenção pelo número de gols, quem acompanhou a partida também teve outro motivo para comemorar. O time jogou unido e buscou a vitória merecida pela atuação dos jogadores. Com um ataque incrível e defesas difíceis para a zaga e meta, a piazada jogou com segurança e a equipe venceu de goleada.

Os alas foram bem armados e aproveitaram bastante os contra-ataques, quando a Prodhae tentou reagir. A atuação rendeu elogios e fez da meta campo-larguense uma verdadeira máquina de fazer gols.

Equipe entrou concentrada

A ACFF contou com Kauan, Davi, Lucca, Chemin, Ian, Felipe, Richard, Gustavo, Leonardo e Arthur. A escalação reuniu jogadores de diferentes posições e mostrou a versatilidade do elenco.

Kauan, Davi, Lucca e Leonardo atuaram pelas alas; Chemin e Richard foram as opções para o pivô; Gustavo e Arthur ficaram na função de fixos; enquanto Ian e Felipe defenderam a meta da equipe.

Com a bola rolando, a equipe campo-larguense encontrou o caminho do gol e foi aumentando a vantagem. Ao mesmo tempo, quando precisou se defender, contou com a segurança dos goleiros para manter o controle da partida.

Um projeto que vem crescendo

A vitória também representa mais um capítulo do trabalho que vem sendo desenvolvido pela ACFF nas categorias de base. Criada há cerca de três anos, a associação surgiu com a proposta de trabalhar a formação de jovens atletas, oferecendo oportunidades no futebol e no futsal e aliando o desenvolvimento esportivo ao aspecto social.

Ao longo desse período, a ACFF vem ampliando sua participação em competições e conquistando espaço no futsal de base. O projeto já conta com equipes disputando competições oficiais e vem ajudando a revelar jogadores de Campo Largo e região.

Em 2025, a associação também recebeu o reconhecimento de utilidade pública municipal, reforçando a importância do trabalho desenvolvido com crianças e adolescentes por meio do esporte.

É dentro dessa proposta de formação que aparecem histórias como a de Ian. Enquanto a equipe cresce e busca resultados dentro das quadras, jovens atletas ganham experiência, confiança e a oportunidade de mostrar seu talento.

E, em Itaperuçu, Ian aproveitou muito bem a oportunidade. Com o ataque marcando 11 vezes e o goleiro fazendo a diferença quando foi exigido, a ACFF saiu de quadra com uma vitória expressiva e mais uma boa atuação para colocar na conta.

ACFF 11 x 3 Prodhae. Uma goleada construída com gols, organização, talento e confiança inabaláveis da garotada campolarguense, um time completo, entrosado e goleador.



Meta Glasses - Os Borgs estão chegando: resistir é inútil?

Dos “óculos da discórdia” à inteligência artificial, a tecnologia avança sobre a vida cotidiana. A questão já não é apenas o que as máquinas podem fazer, mas quais limites nós, como sociedade, estamos dispostos a impor a elas


“Resistir é inútil. Vocês serão assimilados.”

A frase dos Borgs, em Jornada nas Estrelas, foi criada para um universo de ficção científica. Mas, olhando para o mundo de hoje, ela começa a ganhar um sentido quase desconfortavelmente real.

Os chamados “óculos da discórdia”, como vêm sendo apelidados os Meta Ray-Ban, são um bom exemplo.

Por trás de uma aparência semelhante à de um simples par de óculos estão câmeras, microfones e recursos avançados de inteligência artificial. Um objeto cotidiano passa a enxergar, ouvir e interpretar o ambiente ao redor.

E aí surgem perguntas que não são de ficção científica.

Quem está sendo filmado sabe? Quem autorizou? O que a inteligência artificial está identificando? Onde essas informações são armazenadas? Quem poderá acessá-las?

Não é exatamente uma discussão nova. É apenas uma nova etapa de uma velha relação entre seres humanos e tecnologia.

A borg '7 de 9', de Star Trek, interpretada por Jeri Ryan - Reprodução

Toda novidade já foi um pouco assustadora

Quase toda tecnologia que hoje consideramos banal já provocou estranhamento, medo ou controvérsia quando chegou às ruas. A bicicleta, por exemplo, transformou-se em símbolo de liberdade e mobilidade no século XIX, mas também mexeu com costumes, comportamento, segurança e convenções sociais. A circulação de mulheres em bicicletas, inclusive, chegou a ser tratada como ameaça aos padrões morais da época.

Depois vieram o telefone, o rádio, a televisão, o automóvel, o computador, o celular, a internet e, finalmente, as redes sociais. Cada uma dessas tecnologias alterou hábitos. Algumas provocaram pânico. Outras foram tratadas como maravilhas capazes de transformar definitivamente a humanidade.

No fim, quase todas foram assimiladas. E talvez esteja aí a parte mais interessante da história.

Assimilar não significa aceitar tudo

O fato de uma tecnologia se popularizar não significa que ela seja necessariamente boa, segura ou socialmente desejável. É justamente no período em que uma inovação ainda provoca estranhamento que a sociedade deveria discutir seus limites.

Foi assim com o trânsito. Com as telecomunicações. Com a proteção de dados. Com a exposição de crianças na internet. E precisa ser assim também com a inteligência artificial. O problema dos óculos inteligentes talvez não esteja simplesmente na existência da tecnologia.

O problema é a fronteira cada vez mais tênue entre estar no mundo e estar sendo observado por ele. A câmera já estava no bolso de quase todo mundo. Agora ela pode estar diante dos nossos olhos.

E não apenas registrando. Pode ouvir. Reconhecer. Interpretar. Traduzir. Identificar pessoas e objetos. Produzir informações a partir daquilo que acontece diante de nós. A tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta que usamos. Ela começa a participar da maneira como percebemos o mundo.

Quem controla quem?

É aqui que a metáfora dos Borgs deixa de ser apenas uma brincadeira.

“Resistir é inútil. Vocês serão assimilados.”

Talvez sejam mesmo. A história mostra que sociedades dificilmente conseguem impedir indefinidamente o avanço tecnológico. Mas isso não significa que precisemos entregar às máquinas o comando sobre nossas escolhas, nossa privacidade ou nossos direitos.

Existe uma diferença fundamental entre ser assimilado pela tecnologia e assimilar a tecnologia à sociedade. No primeiro caso, nós nos adaptamos às máquinas.

No segundo, fazemos as máquinas se adaptarem aos nossos direitos, às nossas leis e aos limites que democraticamente decidimos estabelecer. Talvez essa seja a verdadeira batalha.

Não impedir o futuro.

Mas garantir que, quando ele chegar, ainda sejamos nós a decidir como queremos viver nele. Porque, afinal, talvez resistir não seja inútil.

Talvez resistir seja justamente participar da decisão sobre o que merece ser assimilado.

Clique aqui e conheça o Meta Ray-Ban

SULPOST
Jornalismo independente, plural e comprometido com a informação.

21.8.26

Mineradoras estrangeiras detém 42% das solicitações de exploração de terras raras no Brasil

Corrida por minerais estratégicos ganhou força nos últimos anos e coloca o Brasil no centro da disputa global por recursos que vão de celulares e carros elétricos a equipamentos militares

 

O subsolo brasileiro entrou definitivamente no radar da disputa mundial por minerais estratégicos. E, desta vez, o interesse não vem apenas de empresas nacionais. Um levantamento baseado em dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) mostra que empresas sediadas no exterior ou subsidiárias de grupos estrangeiros respondem por 42% dos pedidos de exploração de terras raras registrados no Brasil.

São 2.727 requerimentos contabilizados até junho de 2026, segundo levantamento da Repórter Brasil e da Associated Press. O dado chama ainda mais atenção quando se observa a velocidade desse movimento: 86% dos pedidos foram apresentados de 2023 para cá. Austrália, Estados Unidos e Canadá estão entre os países com maior presença nessa corrida.

Antes de tudo, é importante entender o que esses números significam. Um requerimento não é uma mina. O pedido representa uma etapa inicial da busca por uma área com potencial mineral e não garante que haverá extração. Muitos projetos podem não avançar depois das pesquisas, das análises técnicas e das exigências ambientais.

Mesmo assim, a quantidade de pedidos revela algo difícil de ignorar: as empresas estão se posicionando agora para disputar um mercado que tende a ganhar importância nos próximos anos.

E há uma razão bastante concreta para isso.

Por que todo mundo está de olho nas terras raras?

Apesar do nome, terras raras não são necessariamente raras na natureza. O problema está em encontrar concentrações economicamente aproveitáveis e, principalmente, em dominar as etapas necessárias para transformar esses minerais em produtos de alto valor.

O grupo reúne 17 elementos químicos usados em uma enorme variedade de tecnologias. Eles estão presentes, por exemplo, em ímãs permanentes utilizados em motores elétricos, equipamentos eletrônicos, turbinas eólicas e sistemas de defesa.

É aí que entra a geopolítica.

A China construiu, ao longo de décadas, uma posição dominante não apenas na extração, mas também no processamento das terras raras e na fabricação de produtos derivados. Para Estados Unidos e outras potências industriais, reduzir essa dependência passou a ser uma questão econômica e também estratégica.

O cenário ficou ainda mais tenso em 2025, quando a China restringiu exportações de terras raras para os Estados Unidos, em meio à escalada da disputa comercial entre os dois países. Desde então, cresceu a busca por fornecedores alternativos. E o Brasil, dono da segunda maior reserva estimada do mundo, passou a ocupar um lugar cada vez mais importante nesse tabuleiro.

O capital estrangeiro já aparece entre os principais projetos

Embora empresas ligadas ao capital estrangeiro representem cerca de 12% dos titulares dos requerimentos, elas concentram 42% dos pedidos. A diferença mostra que os grupos internacionais, apesar de serem minoria entre os titulares, controlam uma parcela expressiva das áreas em disputa.

A presença estrangeira também fica mais evidente quando se olha para os projetos que já avançaram. Dos 45 processos identificados como em operação ou em fase de pré-operação comercial, 31 estão sob controle estrangeiro.

Entre as empresas que aparecem com destaque está a Borborema Recursos Minerais, subsidiária da australiana Brazilian Rare Earths Pty, com 217 requerimentos. A Alpha Minerals Brazil, recentemente incorporada pela norte-americana Rare Earth Americas, aparece em seguida, com 181 pedidos.

Também estão no radar empresas como a Mineração Apollo, parcialmente controlada pela norte-americana Atlas Lithium, e a canadense Aclara Resources, que mantém projetos de terras raras no Brasil e no Chile.

Ou seja, não se trata apenas de uma corrida por jazidas. Há uma disputa empresarial acontecendo antes mesmo de muitas dessas áreas chegarem à fase de produção.

Serra Verde mostra onde essa disputa pode chegar

Um dos exemplos mais claros está em Goiás.

A Serra Verde, em Minaçu, é atualmente a única produtora comercial de terras raras do Brasil. Em abril de 2026, a empresa foi adquirida pela norte-americana USA Rare Earth, em uma operação que colocou ainda mais luz sobre o potencial brasileiro.

O projeto é especialmente importante porque possui terras raras pesadas, como disprósio e térbio, minerais empregados em ímãs de alto desempenho e em tecnologias consideradas estratégicas.

O caso Serra Verde ajuda a entender por que a discussão vai muito além de simplesmente abrir uma mina. Quem controla uma jazida, quem financia a exploração, quem domina o processamento e, principalmente, quem transforma o minério em componentes tecnológicos também disputa uma parcela muito maior do valor gerado.

É justamente nesse ponto que aparece uma das principais preocupações brasileiras.

O Brasil vai vender minério ou desenvolver uma cadeia própria?

Ter uma das maiores reservas de terras raras do planeta é uma vantagem. Mas a vantagem pode ser limitada se o país continuar exportando matéria-prima e comprando de fora os produtos de maior valor agregado.

A mineração é apenas uma parte da cadeia.

Entre a retirada do minério do solo e a fabricação de um ímã usado em um motor elétrico existe uma série de etapas industriais e tecnológicas. São justamente essas etapas que podem gerar mais empregos qualificados, conhecimento e receita.

Por isso, a chegada de empresas estrangeiras não precisa ser vista necessariamente como um problema. Capital, tecnologia e capacidade de investimento podem ajudar a transformar reservas conhecidas em projetos economicamente viáveis.

A questão é outra: quais serão as condições dessa participação?

Quanto do processamento ficará no Brasil? Quantos empregos qualificados serão criados? Haverá transferência de tecnologia? O país conseguirá desenvolver fornecedores nacionais? E quanto da riqueza produzida ficará nas regiões onde estão as minas?

São perguntas que começam a ganhar importância à medida que os projetos avançam.

A corrida também acende o alerta ambiental

O aumento do interesse pelas terras raras acontece em um território que não está vazio. Existem comunidades, unidades de conservação, terras indígenas e territórios quilombolas nas áreas ou nas proximidades dos locais que despertaram o interesse das mineradoras.

Segundo o levantamento, 25% dos requerimentos analisados se sobrepõem a unidades de conservação ou comunidades tradicionais, ou estão a até 10 quilômetros desses territórios. A análise aponta que os pedidos podem afetar até 283 áreas protegidas.

Isso não significa, automaticamente, que essas áreas serão mineradas. Um requerimento pode não avançar, e qualquer empreendimento que chegue às fases de instalação e operação estará sujeito às regras ambientais e aos processos de licenciamento aplicáveis.

Mas o número mostra que a expansão da mineração não será apenas uma discussão econômica.

Em regiões ambientalmente sensíveis, uma mina pode trazer mudanças no uso do território, pressão sobre recursos hídricos, abertura de estradas e outros impactos que precisam ser avaliados antes de qualquer decisão.

E a China?

Curiosamente, a China, que domina atualmente a cadeia mundial das terras raras, não aparece como protagonista dos requerimentos analisados até junho de 2026.

O país, porém, também acompanha de perto o potencial brasileiro. A Mineração Taboca, por exemplo, foi adquirida em 2025 pela estatal chinesa China Nonferrous Metal Mining Group e anunciou planos para estudar o potencial de terras raras na Amazônia. A chinesa Shenghe Resources Holding também firmou um memorando de entendimento com empresas brasileiras para avaliar oportunidades no setor.

Isso ajuda a dimensionar a importância estratégica que o Brasil ganhou.

De um lado, empresas norte-americanas e australianas aceleram investimentos para criar alternativas ao domínio chinês. De outro, empresas chinesas também buscam espaço em uma cadeia considerada fundamental para a indústria do futuro.

O Brasil está no meio dessa disputa.

Uma oportunidade que exige estratégia

O dado de que 42% dos pedidos estão ligados a empresas estrangeiras não significa que o Brasil esteja perdendo suas terras raras. Ainda há um longo caminho entre o requerimento de pesquisa e a abertura de uma mina.

Mas o número funciona como um sinal bastante claro de que o interesse internacional já chegou.

A oportunidade econômica é real. As terras raras podem ajudar o país a atrair investimentos, desenvolver novas tecnologias e participar de cadeias ligadas à eletrificação dos transportes, às energias renováveis, à indústria eletrônica e à defesa.

Ao mesmo tempo, existe o risco de o Brasil ficar restrito à etapa menos sofisticada dessa cadeia: retirar o minério do chão e enviá-lo para outros países, onde será processado e transformado em produtos de maior valor.

É justamente essa escolha que começa a se desenhar agora.

O Brasil tem a reserva, tem território e tem potencial geológico. O que ainda precisa construir é a capacidade de transformar essa riqueza subterrânea em desenvolvimento econômico e tecnológico dentro do próprio país.

A corrida pelas terras raras já começou. E os 2.727 requerimentos registrados até junho de 2026, com 42% ligados a empresas estrangeiras, mostram que os grupos internacionais não estão esperando a próxima década para entrar nessa disputa. Eles já estão ocupando espaço.

Fontes: Agência Nacional de Mineração (ANM), dados analisados pela Repórter Brasil e Associated Press. Levantamento publicado em 20 de agosto de 2026.

20.8.26

Visita, diálogo e compromisso: movimento sindical recebe candidatos e candidata que defendem os trabalhadores do Paraná

Ao longo da semana, o SMC (Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana), a Força Sindical do Paraná e os Amigos do Butka receberam candidatos de diferentes partidos para conversar sobre propostas e políticas públicas relacionadas ao emprego, à renda, ao desenvolvimento e à valorização da classe trabalhadora do Estado

Ao longo da semana, o SMC (Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana), a Força Sindical do Paraná e os Amigos do Butka receberam candidatos de diferentes partidos para conversar sobre propostas e políticas públicas relacionadas ao emprego, à renda, ao desenvolvimento e à valorização da classe trabalhadora do Estado
Gleisi, Butka, Arilson e Nelsão, em encontro recente na RMC - Reprodução

Foram encontros que colocaram frente a frente representantes do movimento sindical paranaense e nomes que disputam diferentes cargos nas eleições de 2026. A ideia é conhecer propostas, apresentar as reivindicações dos trabalhadores e discutir os caminhos que o Paraná e o Brasil podem seguir nos próximos anos.

Entre as lideranças que contam com o apoio do movimento sindical está o presidente Lula, do PT. Lula não esteve no SMC durante esta semana, mas sua trajetória tem uma relação histórica com o movimento sindical e, especialmente, com a classe metalúrgica. O presidente e o vice-presidente da Força Paraná e do SMC também tem uma história política junto ao Presidente da República.

Antes de chegar ao Planalto, Lula foi metalúrgico e construiu sua trajetória sindical no ABC Paulista. Sua própria história se mistura ao chão de fábrica. Lula passou pela liderança do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, tornando-se uma das principais referências do sindicalismo brasileiro.

Essa história é lembrada pelo movimento sindical como parte de um compromisso que ultrapassa períodos eleitorais: a defesa do emprego, dos salários, dos direitos trabalhistas e de melhores condições de vida para quem trabalha.

Gleisi e sua luta em defesa das trabalhadoras e trabalhadores do Brasil 

Outro nome que recebe o apoio do movimento sindical é Gleisi Hoffmann, do PT, candidata ao Senado pelo Paraná. Com uma longa trajetória política no Estado e no governo federal, Gleisi é reconhecida pela capacidade de articulação entre o Paraná, o Congresso Nacional e o governo federal.

A atuação de Gleise, na política tem sido marcada pela defesa de políticas públicas, dos direitos trabalhistas, da educação e da saúde públicas, além de programas voltados à redução das desigualdades. Gleisi já foi Senadora, e, é dela, o projeto de lei que acabou com os antigos 14º e 15º salário, que recebiam os parlamentares do Congresso Nacional.

Para o movimento sindical, essa capacidade de diálogo e articulação é importante em um momento em que decisões tomadas em Brasília têm impacto direto sobre a vida dos trabalhadores paranaenses, em especial para cuidar da trabalhadora, da mãe, da mulher paranaense. Hoje são muitos os lares paranaenses aonde o trabalho da mulher é que contribui com a maior parte da renda familiar. 

Gleisi não luta apenas pela igualdade de salários entre homens e mulheres, mas também por mais mulheres em cargos de chefia, na direção das empresas e também nas esferas da administração pública.

O candidato ao governo do estado Requião Filho, do PDT - Reprodução/Alep 

Requião Filho: serviços públicos e desenvolvimento

Na disputa pelo Governo do Paraná, Requião Filho, do PDT, também integra o grupo de candidatos que dialogam com o movimento sindical.

Deputado estadual, ele apresenta uma candidatura de oposição ao atual modelo de governo no estado e, entre suas principais bandeiras, está a defesa dos serviços públicos, das empresas estatais, da classe trabalhadora, da educação, saúde e valorização dos servidores públicos. Requião Filho promete zerar o ICMS de pequenas empresas e atrair novos negócios para o Paraná, promovendo um novo ciclo industrial no estado, aumentando a geração de empregos.

Ao passo que o candidato critica os atuais processos de privatização e terceirizações, ele também defende mudanças no modelo de pedágios, além de propostas voltadas ao desenvolvimento regional e ao fortalecimento de micro e pequenas empresas. O candidato ao governo do estado pelo PDT também promete abrir novos concursos públicos, trazendo mais empregos e renda para o povo paranaense.

Arilson Chiorato, na defesa dos direitos trabalhistas

Arilson Chiorato, do PT, é outro nome que vem mantendo diálogo próximo com o movimento sindical desde o início de sua jornada na política paranaense. Deputado estadual e presidente do PT do Paraná, Arilson tem sua atuação parlamentar marcada pela defesa da educação pública, dos servidores, da agricultura familiar, dos direitos trabalhistas e das empresas públicas.

Assim como o candidato a Governador Requião Filho e da candidata ao Senado Gleisi Hoffmann, ele quer cuidar das pessoas. Cuidar do povo paranaense. Entre as pautas que aproximam seu mandato do movimento sindical está a luta ferrenha pelo fim da escala 6x1. Tema que já foi levado a debates na Assembleia Legislativa do Paraná com participação de representantes dos metalúrgicos e da Força Sindical do Paraná.

Arilson também luta pela reestartização da Copel, e quer levar essa bandeira para Brasília. A população paranaense paga um custo muito alto pela energia elétrica. Hoje o Paraná tem o segundo maior custo de vida do Brasil, ficando atrás apenas do Distrito Federal.

Nelsão, Alexandre Guimarães e Fernanda do Nelson, no SMC - Reprodução

Alexandre Guimarães e o olhar para a Região Metropolitana

Também do PDT, Alexandre Guimarães coloca sua experiência municipalista na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa do Paraná.

Vereador e presidente da Câmara Municipal de Campo Largo, Guimarães tem sua trajetória política ligada às demandas dos municípios, com atenção especial a questões como infraestrutura, saúde, transporte, desenvolvimento regional e geração de oportunidades.

Para os trabalhadores da Região Metropolitana de Curitiba, esse olhar municipalista tem um significado especial. Afinal, emprego, transporte, saúde, moradia e qualidade de vida estão diretamente ligados às condições das cidades onde o trabalhador vive e trabalha. 

Alexandre Guimarães já foi deputado estadual, e sabe o caminho para para poder atender as demandas dos trabalhadores e da trabalhadoras paranaenses na ALEP.

Alexandre Curi também assumiu compromisso com a classe trabalhadora

Na quarta-feira (19), o SMC recebeu Alexandre Curi, presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Paraná e candidato ao Senado Federal pelo Paraná.

Curi se reuniu com Sérgio Butka e Nelsão da Força, respectivamente presidente e vice-presidente da Força Sindical do Paraná e do SMC. A conversa teve como tema principal as políticas públicas voltadas aos trabalhadores e trabalhadoras do Estado, com destaque para emprego, geração de renda, qualificação profissional e valorização dos trabalhadores.

Ao longo de sua trajetória política, Curi foi autor e participou de iniciativas relacionadas ao mundo do trabalho. Entre elas está uma proposta apresentada em 2009 para fortalecer a proteção dos empregos nas empresas beneficiadas por incentivos fiscais do Paraná.

Outra frente de atuação envolve o desenvolvimento econômico e a geração de oportunidades, com iniciativas de fomento à agroindústria, capacitação, empreendedorismo, acesso ao crédito e geração de renda.

Mas, para além dos projetos e números, encontros como esse também colocam frente a frente quem representa os trabalhadores e quem pretende ocupar um espaço de decisão política em Brasília.

Foi justamente esse o espírito da conversa no SMC, segundo Sérgio Butka:

“Hoje tivemos aí a visita do presidente da ALEP, Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi, que está hoje licenciado, para discutir políticas para os trabalhadores do Paraná. E eu, como presidente da Força, tive a honra de receber ele aqui no nosso Sindicato, onde tivemos uma conversa bastante produtiva, pensando já no futuro dos trabalhadores do Paraná. Foi uma boa visita, esperamos que em breve tenhamos bons resultados.”

Ouvir, dialogar e cobrar

Para Sérgio Butka e Nelsão da Força, receber os candidatos é também uma forma de colocar as reivindicações da classe trabalhadora no centro do debate eleitoral.

São diferentes partidos, diferentes trajetórias e diferentes projetos políticos. Mas existe um ponto em comum nos encontros: a necessidade de discutir o futuro do trabalho e a qualidade de vida de quem produz a riqueza do Paraná.

O trabalhador quer emprego, mas quer também emprego de qualidade. Quer salário digno, segurança, saúde, transporte, educação, tempo para a família e condições para viver com dignidade.

É por isso que o movimento sindical busca participar do debate eleitoral, ouvindo quem pretende ocupar espaços de decisão e apresentando as demandas de quem está todos os dias nas fábricas, nas empresas e nos mais diferentes setores da economia.

A eleição de 2026 coloca novamente em discussão os caminhos que o Paraná e o Brasil pretendem seguir. E, nesse processo, o trabalhador também precisa ter informação para conhecer os candidatos, suas trajetórias, suas propostas e, principalmente, seus compromissos com a classe trabalhadora e o movimento sindicalista paranaense.

Requião Filho dá largada na campanha entre propostas, pesquisas e uma disputa que começa a apertar

Candidato do PDT a governador segue firme em segundo lugar nas pesquisas, rumo ao segundo turno

 
O candidato Requião filho, do PDT - Foto: Orlando Kissner

A campanha eleitoral começou oficialmente e, no Paraná, o tabuleiro já começa a ganhar contornos mais nítidos. Para o candidato Requião Filho (PDT), os últimos dias trouxeram uma mistura de boas notícias eleitorais, exposição pública e um desafio que não pode ser ignorado: transformar uma candidatura que se mostra competitiva nas pesquisas, para buscar uma virada no segundo turno.

O cenário mais recente coloca o pedetista novamente no centro da disputa. Na pesquisa Real Time Big Data divulgada em 18 de agosto, Sergio Moro aparece na liderança, com 37% das intenções de voto. Sandro Alex tem 22% e Requião Filho, 20%. Os dois estão empatados tecnicamente dentro da margem de erro, que é de 2%. O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 13 e 17 de agosto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-09262/2026.

É um número que merece atenção. Não porque uma pesquisa determine o resultado de uma eleição — não determina —, mas porque mostra que a briga pela segunda vaga de passagem para o segundo turno ainda está em aberto.

A disputa pelo segundo lugar

Há poucos dias, outro levantamento havia colocado Requião Filho em posição ainda mais confortável. Na pesquisa Paraná Pesquisas, realizada entre 13 e 16 de agosto e registrada no TSE sob o número PR-09048/2026, Sergio Moro aparece com 46,1%, Requião Filho com 23,4% e Sandro Alex com 16,5%.

São fotografias diferentes de um mesmo momento eleitoral. E talvez seja justamente isso que retornando a disputa ainda mais interessante. Requião Filho não está isolado em segundo lugar. Sandro Alex se aproxima. Moro mantém uma vantagem larga. E ainda existe um contingente expressivo de eleitores que não decidiu o voto.

Na Real Time, por exemplo, 12% não souberam ou não quiseram responder, enquanto 6% declararam voto branco ou nulo. A eleição, portanto, ainda está longe de estar definida.

Rejeição

Há, porém, uma pedra no caminho. Requião Filho também aparece com rejeição elevada. Na mesma pesquisa Real Time, 41% dos entrevistados disseram que não votariam nele de jeito nenhum, percentual superior ao de Sergio Moro, com 38%, e Sandro Alex, com 29%. Na rejeição Requião Filho e Sérgio Moro também estão tecnicamente empatados, dentro da margem de erro.

É aí que a matemática eleitoral fica mais complicada. Ter 20% ou 23% das intenções de voto coloca o candidato na disputa. Mas uma rejeição alta pode limitar sua capacidade de crescer. Ainda mais em um momento em que a campanha está se tornando mais polarizada, os partidos começam a receber o fundo eleitoral e o eleitor começa, de fato, a escolher entre duas opções.

Requião Filho sabe que sua candidatura carrega um sobrenome conhecido no Paraná. Filho do ex-governador Roberto Requião, ele procura construir uma identidade própria. Ao mesmo tempo, recupera algumas bandeiras que marcaram os governos de seu pai, programas que continuam sendo sucesso até hoje, e, em especial, a defesa do patrimônio público e das empresas estatais, 

Copel, Sanepar e a ideia de devolver o Estado aos paranaenses

Uma das principais marcas da campanha é a crítica à privatização da Copel. Requião Filho defende que o Paraná volte a ter o controle da companhia. Em entrevistas, fala em recomprar ações e redirecionar a empresa para uma política de desenvolvimento estadual, com atenção especial aos custos da energia para famílias, indústria e agronegócio.

A defesa da Copel pública acompanha a trajetória política do candidato há anos e reaparece nesta eleição como uma das principais linhas de oposição ao governo Ratinho Junior. O mesmo raciocínio aparece quando ele fala da Sanepar e da Celepar.

Na sabatina recente, promovida pelo portal Bem Paraná, Requião Filho afirmou que pretende auditar a privatização da Copel, avaliar os valores envolvidos e buscar a retomada do controle estatal. Também se posicionou contra a continuidade da privatização da Celepar.

É uma proposta de forte conteúdo político. E também uma aposta eleitoral: falar diretamente sobre aquilo que o candidato entende como patrimônio dos paranaenses.

ICMS Zero para pequenos negócios

Na economia, Requião Filho tenta apresentar uma bandeira diferente. A proposta de zerar o ICMS para micro e pequenas empresas foi lançada pelo candidato ainda em março, por meio da plataforma ICMS Zero. A ideia voltou ao centro do discurso eleitoral nas últimas semanas.

O argumento é simples: aliviar a carga tributária de quem está na ponta, no comércio de bairro, na pequena empresa, no empreendimento familiar.

Requião Filho afirma que sete em cada dez empregos no Paraná são gerados por micro e pequenas empresas e sustenta que a renúncia representaria cerca de 2% da arrecadação estadual.

Seus adversários alegam que o ICMS não é apenas dinheiro do governo estadual. Pela Constituição, parte da arrecadação é repartida com os municípios. Portanto, uma eventual mudança significativa na cobrança precisará apresentar uma engenharia fiscal capaz de sustentar a promessa.

É justamente aí que uma bandeira de campanha começa a precisar transformar-se em plano de governo, mostrando de onde vai sair o dinheiro e qual será a compensação. Entretanto, parece ser óbvio que as pequenas empresas gerando mais empregos e renda, muito provavelmente também vão aumentar a arrecadação nos municípios.

Saúde: menos prédios, mais gente

Na área social, o candidato tem insistido em outro argumento: não basta inaugurar hospitais.

Na sabatina feita pelo Bem Paraná, Requião Filho criticou a terceirização de serviços de saúde e defendeu concursos públicos, valorização dos profissionais e o funcionamento pleno das estruturas que já existem. A lógica também apareceu na agenda de debates da campanha: o governo precisa cuidar das pessoas antes de contabilizar obras.

É uma narrativa que dialoga diretamente com o eleitor que enfrenta uma fila, espera por um exame ou procura atendimento médico.

Educação e escolas cívico-militares

Na educação, Requião Filho também se posiciona contra o atual modelo de escolas cívico-militares.

A crítica é acompanhada pela defesa de professores concursados, estrutura escolar e políticas de inclusão, em contraste com o modelo adotado pelo governo Ratinho Junior.

A relação com Lula

Existe ainda uma questão política delicada. O PDT confirmou apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. Requião Filho participou das articulações do partido e esteve ao lado de Lula no início da campanha. Mas, ao mesmo tempo, Requião Filho procura deixar claro que seu eventual governo não seria uma extensão do governo federal.

Na recente sabatina do Bem Paraná, o candidato enfatizou sua independência política em relação a Lula. É uma distinção importante para uma eleição estadual. Requião Filho precisa manter o vínculo com o campo progressista, que pode lhe garantir estrutura política e eleitoral, mas também tenta conversar com um eleitorado que não necessariamente votará em Lula.

Em outras palavras, a campanha parece procurar um equilíbrio: Lula no palanque nacional, Requião Filho como protagonista no Paraná. 

E se Moro não estiver no segundo turno?

Os números da Real Time, divulgados pelo portal UOL, trazem outro dado que chama a atenção. Num eventual segundo turno sem Sergio Moro, Sandro Alex aparece com 33% e Requião Filho com 30%. A diferença está dentro da margem de erro.

É um cenário hipotético, claro. Mas revela algo importante: a candidatura de Requião Filho tem musculatura suficiente para disputar uma eleição apertada contra o nome apoiado pelo grupo governista.

Quando Moro aparece na disputa, entretanto, o quadro muda bastante. No cenário testado pela Real Time, Moro venceria Requião Filho por 55% a 27% em segundo turno. 

Entretanto, em nossa análise, nessa hipótese apoios mudam, os candidatos derrotados em primeiro turno precisam escolher um campo político para apoiar no segundo turno que é praticamente uma nova eleição, que começa do zero.

Por isso, o desafio do pedetista é duplo: chegar ao segundo turno, ampliar seu eleitorado e diminuir os índices de rejeição.

A campanha começou — e agora vem a parte mais difícil

Há uma diferença entre uma pré-campanha e uma eleição de verdade. Antes, candidatos testam frases, propostas e alianças. Agora, cada declaração começa a ser medida pelo eleitor, pelo adversário e pelas pesquisas. Os grandes debates, que ainda vão ocorrer na televisão podem mudar a opinião dos eleitores.

Requião Filho chega a esse momento com algumas cartas importantes na mão: aparece competitivo nas pesquisas, ocupa o espaço de principal nome da oposição em parte dos levantamentos e tem propostas que já ganharam identidade própria, como o ICMS Zero e a retomada do controle público da Copel, para baixar o preço da conta de luz dos consumidores paranaense. Cuidar das pessoas, como diz o candidato.

Há uma longa estrada até outubro, mas o tempo passa rápido. De hoje, até as eleições, temos um mês e duas semanas. O Paraná ainda vai assistir a debates, sabatinas, confrontos, alianças, ataques, respostas e, principalmente, à entrada de milhões de eleitores que ainda não escolheram seu candidato.

Por enquanto, a fotografia mostra Sergio Moro na frente e uma disputa mais apertada atrás dele. Outro fator analisado é que mora não pode simplesmente deixar de comparecer a todos os debates, principalmente o da Rede Globo que encerra a rodada de debates do primeiro turno.

Requião Filho está dentro da disputa.

Agora começa a verdadeira campanha. E será nela que o candidato terá de descobrir se os 20% ou 23% que aparecem nas pesquisas são apenas um ponto de partida — ou o limite de seu eleitorado. Apoiadores da campanha de Requião Filho, ouvidos pelo blog, apontam que a expectativa da campanha é chegar ao segundo turno com cerca de 30% dos votos.

SULPOST
Jornalismo independente e cidadão
Contato/Pix: sulpost@outlook.com.br

Leia também: