quarta-feira, 10 de junho de 2026

China quer incorporar o PIX ao seu sistema financeiro

Enquanto Estados Unidos intensificam críticas ao sistema brasileiro, o interesse de empresas chinesas no PIX reforça o alcance internacional da tecnologia criada pelo BC e amplia a aproximação econômica entre Brasília e Pequim

Enquanto Estados Unidos intensificam críticas ao sistema brasileiro, o interesse de empresas chinesas no PIX reforça o alcance internacional da tecnologia criada pelo BC e amplia a aproximação econômica entre Brasília e Pequim

O mundo financeiro atravessa uma transformação silenciosa. Em poucos anos, o PIX deixou de ser apenas uma inovação brasileira para se tornar objeto de atenção internacional. E, nesta terça-feira (9), um novo capítulo dessa história começou a ganhar forma: enquanto os Estados Unidos ampliam críticas ao sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central, a China demonstra interesse em incorporá-lo às plataformas digitais utilizadas por milhões de consumidores.

A sinalização veio de Hsia Hua Sheng, vice-presidente do Bank of China e professor de Finanças Internacionais da FGV, durante entrevista ao portal Brazil Economy. Segundo ele, empresas chinesas que atuam no mercado brasileiro enxergam no PIX uma oportunidade de crescimento e integração econômica.

"Enquanto os EUA criticam o PIX, os chineses querem incorporá-lo às suas plataformas", afirmou o executivo.

O interesse chinês pelo sistema brasileiro foi revelado na entrevista “Enquanto os EUA criticam o Pix, os chineses querem incorporá-lo”, diz VP do Bank of China, publicada pelo portal Brazil Economy. Na conversa, Sheng destacou as oportunidades de aproximação entre Brasil e China em meio às tensões geopolíticas e comerciais envolvendo os Estados Unidos.

A declaração surge em um momento de debate internacional sobre o modelo brasileiro de pagamentos. Nas últimas semanas, autoridades norte-americanas voltaram a questionar o PIX, alegando que o sistema público administrado pelo Banco Central poderia representar uma concorrência desfavorável a empresas privadas de pagamentos eletrônicos dos Estados Unidos.

Na direção oposta, empresas chinesas já instaladas no Brasil vêm adaptando seus serviços para a realidade financeira local. Sheng citou exemplos como o AliExpress, o aplicativo de mobilidade 99 e a plataforma de entregas Keeta, que têm ampliado sua integração com métodos de pagamento utilizados pelos consumidores brasileiros.

O interesse não surpreende. O PIX já se consolidou como o principal meio de pagamento do país, superando cartões e transferências tradicionais em volume de operações. Sua velocidade, baixo custo e facilidade de uso transformaram hábitos de consumo e chamaram a atenção de empresas globais interessadas em operar no mercado brasileiro.

Uma ponte financeira entre Brasil e China

Para o vice-presidente do Bank of China, as atuais tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos podem abrir espaço para um aprofundamento das relações econômicas sino-brasileiras.

Segundo Sheng, setores como tecnologia, inovação, logística digital e serviços financeiros oferecem oportunidades crescentes de cooperação. A avaliação ocorre em um momento em que os governos dos dois países reforçam compromissos de ampliar a colaboração econômica e financeira.

Além disso, o avanço do PIX desperta interesse porque se diferencia dos modelos predominantes em outras economias. Enquanto a China construiu um sistema concentrado em grandes superaplicativos privados, como Alipay e WeChat Pay, o Brasil desenvolveu uma infraestrutura pública e aberta, operada pelo Banco Central e acessível a diferentes instituições financeiras.

BRICS e o avanço do Sul Global

Ao analisar o cenário internacional, Hsia Hua Sheng destacou também o papel crescente do BRICS diante das mudanças na economia global.

Segundo ele, a ampliação das relações comerciais entre países emergentes fortalece a multipolaridade econômica e reduz a dependência excessiva de um único centro financeiro internacional.

"O BRICS desempenha um papel fundamental na multipolaridade econômica, pois amplia as possibilidades de transações comerciais e reduz a dependência de um único país", afirmou.

A declaração dialoga com discussões cada vez mais frequentes sobre novas formas de integração financeira entre os países do Sul Global, incluindo sistemas de pagamentos mais eficientes e menos dependentes das estruturas tradicionais dominadas pelos grandes conglomerados financeiros internacionais.

Se o futuro confirmará ou não uma expansão internacional do PIX ainda é uma incógnita. Mas um fato já parece evidente: aquilo que nasceu como uma ferramenta doméstica para simplificar transferências bancárias passou a ocupar espaço no centro das disputas tecnológicas, comerciais e financeiras do século XXI. E, ao que tudo indica, Pequim está observando essa inovação brasileira com bastante interesse.

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Recibos, planilhas e investigação ampliam pressão sobre financiamento de filme sobre Bolsonaro

Documentos revelados pelo Intercept apontam remessas milionárias ligadas à produção de “Dark Horse”, enquanto PF, STF e órgãos internacionais são acionados para apurar o destino dos recursos

Documentos revelados pelo Intercept apontam remessas milionárias ligadas à produção de “Dark Horse”, enquanto PF, STF e órgãos internacionais são acionados para apurar o destino dos recursos
The Intercept Brasil - Reprodução 

Há histórias que começam nas telas de cinema e terminam nos gabinetes de investigação. O caso envolvendo o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), parece caminhar justamente por essa fronteira cada vez mais nebulosa entre entretenimento, política e finanças.

Uma nova reportagem do Intercept Brasil — Planilhas e comprovantes mostram envio de dinheiro aos EUA para produção de Dark Horse — revelou documentos que apontam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria comprometido US$ 24 milhões (R$ 134 milhões na cotação da época) para financiar a produção do filme.

Planilhas, comprovantes bancários, contratos e recibos obtidos pela publicação detalham remessas feitas aos Estados Unidos entre 2025 e 2026, além de valores já pagos e outros previstos.

Segundo a reportagem, parte dos recursos foi destinada ao Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas e controlado por Paulo Calixto, advogado ligado ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro. A documentação também sugere a existência de negociações para novos aportes além dos registros já identificados.

Leia a reportagem completa do Intercept Brasil

As revelações ampliaram a repercussão de um caso que já vinha chamando atenção das autoridades brasileiras. A Polícia Federal investiga se parte dos recursos relacionados ao filme pode ter sido utilizada para custear atividades políticas e despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A suspeita foi mencionada em representações encaminhadas ao STF.

Na última semana, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) informou ter solicitado cooperação internacional para aprofundar a apuração sobre a origem e a movimentação dos recursos. O parlamentar também acionou organismos internacionais para auxiliar no rastreamento das operações financeiras relacionadas ao projeto.

O caso chegou ao STF após pedido encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, que determinou o envio da solicitação à Procuradoria-Geral da República para manifestação sobre a eventual abertura de investigação específica envolvendo os recursos e sua destinação.

Enquanto isso, novas mensagens divulgadas pela imprensa indicam que Vorcaro teria tratado os pagamentos para o projeto cinematográfico como prioridade após cobranças feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os diálogos reforçam a existência de um acordo financeiro de grandes proporções para viabilizar a produção.

Do outro lado, Eduardo Bolsonaro nega qualquer participação na gestão dos recursos e afirma não possuir controle sobre o fundo utilizado para receber investimentos nos Estados Unidos. Segundo sua versão, sua atuação limitou-se ao apoio institucional e à aproximação entre investidores e produtores do filme.

Também os responsáveis por Dark Horse sustentam que a produção possui diversos financiadores e afirmam não ter recebido recursos diretamente de Daniel Vorcaro ou de empresas sob seu controle.

Estrelado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, conhecido mundialmente por interpretar Jesus Cristo em A Paixão de Cristo, o longa tornou-se um dos projetos cinematográficos politicamente mais controversos dos últimos anos. Além das disputas ideológicas, o caso agora envolve questionamentos sobre a origem, o destino e a finalidade de milhões de dólares movimentados entre Brasil e Estados Unidos.

À medida que novos documentos continuam surgindo e as investigações avançam, permanece a pergunta que mobiliza autoridades, parlamentares e observadores da cena política: os recursos destinados à produção de Dark Horse financiaram apenas um filme ou tiveram outros destinos?

Por enquanto, a resposta definitiva segue nas mãos de quem está investigando. Quando o inquérito for finalizado, a verdade aparecerá.

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terça-feira, 9 de junho de 2026

O ouro azul da nova economia climática mira o litoral paranaense

Com algumas das áreas costeiras mais preservadas do país, o litoral paranaense pode se beneficiar do avanço do mercado de carbono azul e da busca global por investimentos sustentáveis

Com algumas das áreas costeiras mais preservadas do país, o litoral paranaense pode se beneficiar do avanço do mercado de carbono azul e da busca global por investimentos sustentáveis

O amanhecer na Baía de Paranaguá costuma revelar uma paisagem que parece imutável. As águas calmas avançam entre ilhas, canais naturais e extensos manguezais que há séculos fazem parte da vida do litoral paranaense. Pescadores saem para mais uma jornada, aves percorrem o céu e o mangue segue silenciosamente cumprindo uma função que o mundo só agora começa a enxergar em toda a sua dimensão.

Essa riqueza natural está no centro de uma discussão que ganha força nos principais fóruns internacionais sobre clima, sustentabilidade e investimentos: o chamado carbono azul.

O conceito se refere ao carbono capturado e armazenado por ecossistemas costeiros como manguezais, marismas e pradarias marinhas. Ao absorver grandes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera, esses ambientes ajudam a reduzir os impactos das mudanças climáticas e passaram a despertar o interesse de governos, empresas e investidores em diferentes partes do planeta.

No Dia Mundial dos Oceanos, celebrado nesta semana, especialistas voltaram a destacar o papel estratégico dessas áreas. Segundo dados citados por organizações internacionais de conservação marinha, os oceanos absorvem cerca de 30% das emissões globais de CO₂ e produzem mais da metade do oxigênio disponível na Terra.

Uma oportunidade para o litoral do Paraná

Embora a maior concentração contínua de manguezais do Brasil esteja na costa amazônica, o litoral paranaense possui uma das áreas mais preservadas do país. A Baía de Paranaguá integra um complexo estuarino reconhecido pela sua biodiversidade e pela importância ambiental para toda a região Sul.

Os manguezais presentes na baía funcionam como verdadeiros reservatórios naturais de carbono. Além de capturar gases de efeito estufa, protegem a linha costeira contra erosão, servem de abrigo para inúmeras espécies e sustentam atividades econômicas ligadas à pesca, ao turismo e à navegação.

É justamente essa combinação entre preservação ambiental e potencial econômico que começa a chamar a atenção do mercado.

À medida que os mercados de carbono se desenvolvem em diversos países, cresce o interesse por projetos capazes de medir, conservar e ampliar a capacidade de captura de carbono desses ecossistemas. Em outras palavras, aquilo que durante décadas foi visto apenas como área de preservação pode se transformar também em um ativo ambiental com valor econômico reconhecido internacionalmente.

Economia azul e novos investimentos

O avanço do carbono azul está ligado ao conceito de economia azul, modelo que busca gerar riqueza a partir do uso sustentável dos recursos marinhos e costeiros.

Nesse cenário, projetos de restauração de manguezais, monitoramento ambiental, pesquisa científica, inovação tecnológica e certificação de créditos de carbono podem atrair recursos públicos e privados nos próximos anos.

Para regiões como o litoral do Paraná, isso representa uma oportunidade de diversificar a economia sem abrir mão da conservação ambiental.

Além do potencial ligado aos créditos de carbono, a preservação dos manguezais contribui diretamente para a manutenção dos estoques pesqueiros, para a proteção de comunidades costeiras contra eventos climáticos extremos e para a valorização do patrimônio natural da região.

Não por acaso, organizações ambientais e especialistas defendem que a proteção desses ecossistemas seja vista não apenas como uma questão ecológica, mas também como uma estratégia de desenvolvimento econômico de longo prazo.

Paranaguá no centro da discussão

A Baía de Paranaguá reúne características que a colocam em posição privilegiada nesse debate. Ao mesmo tempo em que abriga um dos mais importantes complexos portuários da América Latina, conserva áreas de manguezal, ilhas, comunidades tradicionais e unidades de conservação que formam um dos ecossistemas costeiros mais relevantes do país.

Essa convivência entre atividade econômica e patrimônio natural poderá ser um dos fatores decisivos para atrair futuras iniciativas ligadas ao carbono azul.

O desafio, segundo especialistas, será construir modelos que conciliem preservação ambiental, segurança jurídica, participação das comunidades locais e viabilidade econômica.

O tema ainda está em fase inicial no Brasil, mas a tendência é clara. À medida que o mundo procura soluções para reduzir emissões e financiar a transição para uma economia de baixo carbono, áreas como a Baía de Paranaguá passam a ser observadas não apenas pelo que representam para a natureza, mas também pelo valor estratégico que podem gerar para o futuro.

O mangue continua silencioso. Mas, pela primeira vez em muito tempo, o mercado internacional parece estar ouvindo o que ele tem a dizer.

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El Niño volta ao radar global e pode influenciar o clima do Brasil até 2027

INMET confirma condições favoráveis para a formação do fenômeno, enquanto projeções da NOAA apontam mais de 80% de probabilidade de consolidação ainda neste inverno

INMET confirma condições favoráveis para a formação do fenômeno, enquanto projeções da NOAA apontam mais de 80% de probabilidade de consolidação ainda neste inverno
Formação do fenômeno El Niño - Imagem: NOAA

O Pacífico está aquecendo novamente. E quando isso acontece, o mundo inteiro presta atenção. Nesta terça-feira (9), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) confirmou que as condições observadas no Oceano Pacífico Equatorial são favoráveis ao desenvolvimento de um novo episódio de El Niño, fenômeno climático capaz de alterar regimes de chuva, elevar temperaturas e intensificar eventos extremos em diversas partes do planeta.

O alerta brasileiro acompanha previsões divulgadas por centros meteorológicos internacionais, especialmente pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), que vem registrando uma rápida elevação das temperaturas da superfície do mar na região central e leste do Pacífico.

Segundo o boletim divulgado pelo INMET, um episódio de El Niño é oficialmente caracterizado quando o Índice Oceânico Niño Relativo (RONI) permanece igual ou superior a 0,5°C durante pelo menos cinco trimestres consecutivos. Com base nos dados observados em maio e nas projeções mais recentes, o instituto avalia que o primeiro período a atingir esse limiar poderá ser o trimestre abril-maio-junho.

O oceano está enviando sinais claros

Os números mais recentes divulgados pelos centros de monitoramento climático reforçam a tendência observada pelo INMET. O Centro de Previsão Climática da NOAA calcula atualmente uma probabilidade superior a 80% de o El Niño se consolidar nos próximos meses, com chances ainda maiores de permanência durante o verão do Hemisfério Sul e o início de 2027.

Os modelos meteorológicos mostram um aquecimento acelerado das águas do Pacífico Equatorial. Embora a interação completa entre oceano e atmosfera ainda esteja em fase de consolidação, especialistas observam atentamente a evolução do fenômeno, já que algumas projeções indicam anomalias superiores a 2°C acima da média histórica — patamar associado aos eventos mais intensos já registrados.

Por enquanto, os cientistas evitam cravar a intensidade final do episódio. Ainda assim, o cenário atual já é considerado suficientemente consistente para manter órgãos meteorológicos em estado de monitoramento permanente.

O que pode mudar no clima do Brasil

Embora cada episódio de El Niño tenha características próprias, existe um padrão histórico bastante conhecido pelos meteorologistas.

Na Região Sul, normalmente aumentam as chances de chuvas acima da média, temporais severos, alagamentos e enchentes. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul costumam ser os estados mais afetados pelos volumes excessivos de precipitação.

No Norte e em parte do Nordeste, a tendência costuma ser oposta. As chuvas podem ficar abaixo da média, favorecendo períodos de estiagem, redução dos níveis dos rios e aumento das temperaturas.

Já no Sudeste, o fenômeno frequentemente contribui para ondas de calor mais persistentes e intervalos mais longos sem chuva, especialmente durante o segundo semestre.

Os impactos, entretanto, dependem da intensidade que o evento alcançará nos próximos meses e também da resposta da atmosfera ao aquecimento das águas do Pacífico.

Uma preocupação que vai além da previsão do tempo

Quando o El Niño se fortalece, seus efeitos vão muito além das nuvens e dos termômetros. Agricultura, abastecimento de água, geração de energia, navegação fluvial e até os preços dos alimentos podem ser influenciados pelas mudanças provocadas pelo fenômeno.

Por isso, governos, produtores rurais, empresas do setor energético e equipes de defesa civil acompanham atentamente cada atualização dos modelos climáticos.

O próprio INMET informou que deverá divulgar nos próximos dias uma nova nota técnica detalhando a evolução das condições oceânicas e atmosféricas observadas no Pacífico Equatorial.

Enquanto isso, uma constatação já parece cada vez mais evidente: o oceano voltou a aquecer de forma consistente. E quando o Pacífico muda de comportamento, os reflexos costumam atravessar continentes inteiros.

Os próximos meses serão decisivos para confirmar a intensidade do fenômeno. Mas os sinais emitidos pelas águas do Pacífico já são suficientes para colocar meteorologistas de todo o planeta em alerta.

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Quando o crime se infiltra na administração pública

Operação do Ministério Público investiga suspeita de infiltração do PCC na Polícia Civil e até no próprio sistema de Justiça paulista

© PCSP/Divulgação

O dia amanheceu com um alerta que vai muito além de mais uma operação policial. O que está sendo investigado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) toca em uma das maiores preocupações de qualquer sociedade: o que acontece quando o crime organizado começa a ocupar espaços dentro das instituições criadas justamente para combatê-lo.

A Operação Infiltrados, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apura suspeitas de corrupção de agentes públicos, vazamento de informações sigilosas, extorsões e possíveis ligações entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e servidores que atuavam em áreas estratégicas da segurança pública e do sistema de Justiça paulista.

Foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão e três prisões temporárias nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior de São Paulo. Entre os alvos estão um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil expulso da corporação e um ex-estagiário do próprio Ministério Público.

As investigações são um desdobramento das operações Pronta Resposta e Off White, realizadas em 2025, quando autoridades descobriram indícios de um plano atribuído ao PCC para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, integrante do Gaeco e conhecido por atuar em investigações contra organizações criminosas.

Segundo o Ministério Público, um dos criminosos apontados como participante da trama teria se encontrado com o então chefe de investigadores da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas apenas uma semana antes da operação que desarticulou o plano. Vídeos apreendidos pelos investigadores registrariam esses encontros.

Mas o aspecto mais inquietante da investigação talvez esteja em outro ponto.

Os promotores afirmam ter identificado que um estagiário do próprio Ministério Público teria utilizado o acesso a sistemas internos para localizar integrantes da facção com elevado poder econômico. A partir dessas informações, ele teria passado a exigir dinheiro em troca de suposta proteção contra investigações. O esquema, segundo as apurações, contaria ainda com apoio de outros envolvidos, incluindo um policial penal e um ex-policial civil.

O caso expõe um temor antigo das autoridades: a capacidade de adaptação do PCC. Nascida dentro do sistema prisional paulista na década de 1990, a organização criminosa deixou há muito tempo de atuar apenas no tráfico de drogas. Ao longo dos anos, ampliou sua presença para atividades ligadas à lavagem de dinheiro, logística internacional do narcotráfico e infiltração em setores econômicos estratégicos.

A preocupação ganhou dimensão internacional na última semana, quando os Estados Unidos classificaram o PCC como organização terrorista estrangeira. A medida amplia mecanismos de cooperação internacional, rastreamento financeiro e compartilhamento de informações para combater a atuação transnacional da facção.

Embora a Operação Infiltrados investigue condutas individuais e não coloque sob suspeita as instituições como um todo, o episódio revela um desafio crescente para o Estado brasileiro: impedir que organizações criminosas utilizem dinheiro, intimidação e corrupção para criar pontes dentro da máquina pública. No caso, dentro do Governo de São Paulo.

Quando um grupo criminoso consegue acessar informações sigilosas, influenciar agentes públicos ou monitorar autoridades responsáveis por investigá-lo, o problema deixa de ser apenas policial. Passa a representar uma ameaça direta à credibilidade das instituições democráticas e ao funcionamento do próprio Estado.

Por isso, a operação realizada nesta terça-feira tem um significado que vai além das prisões e mandados cumpridos. Ela busca responder uma pergunta, um temor que preocupa autoridades e cidadãos: até onde os tentáculos do crime organizado conseguiram avançar dentro das estruturas que deveriam combatê-lo?

E talvez essa seja uma das questões mais importantes para o Brasil contemporâneo. Afinal, combater o crime nas ruas é uma tarefa complexa. Mas impedir que ele encontre espaço dentro da administração pública é um desafio ainda maior.

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Requião Filho assina carta de compromisso com metalúrgicos da Grande Curitiba

Documento assinado pelo pré-candidato ao Governo do Estado, pelo PDT, reúne propostas para geração de empregos, fortalecimento da indústria e valorização dos trabalhadores paranaenses

Documento assinado pelo pré-candidato ao Governo do Estado, pelo PDT, reúne propostas para geração de empregos, fortalecimento da indústria e valorização dos trabalhadores paranaenses
Requião Filho (PDT) assinou carta de compromisso com os Metalúrgicos da Grande Curitiba, nesta segunda-feira (8) - SMC/Divulgação

A manhã desta segunda-feira (8) foi marcada por um gesto político voltado ao setor industrial e ao movimento sindical do Paraná. Durante reunião com a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), o deputado estadual e pré-candidato ao Governo do Estado, Requião Filho, assinou a Carta de Compromisso com os Trabalhadores Metalúrgicos da Grande Curitiba.

O encontro foi presidido pelo presidente do SMC, Sérgio Butka, e contou também com a participação do 1º vice-presidente da entidade, Nelsão da Força, além de diversos dirigentes sindicais, funcionários do sindicato e trabalhadores metalúrgicos da base da Grande Curitiba.

O documento reúne uma série de propostas voltadas à valorização do trabalho, ao fortalecimento da indústria paranaense e à ampliação da geração de empregos de qualidade. Entre os pontos defendidos estão a promoção da saúde e da segurança dos trabalhadores, a proteção dos direitos trabalhistas e a adoção de critérios mais transparentes na concessão de incentivos e benefícios públicos às empresas.

Durante o encontro, Requião Filho afirmou que o desenvolvimento econômico do Paraná precisa caminhar ao lado da justiça social. Segundo ele, os incentivos oferecidos pelo Estado devem estar vinculados à criação de empregos, ao respeito às leis trabalhistas e à manutenção de relações de trabalho equilibradas.

A assinatura da carta reforça a aproximação entre o pré-candidato e o movimento sindical em um momento em que temas como reindustrialização, valorização da mão de obra, qualificação profissional e geração de oportunidades voltam ao centro das discussões sobre o futuro econômico do Paraná.

Para os dirigentes presentes, o documento representa um compromisso público com pautas consideradas estratégicas para os trabalhadores da indústria, setor que historicamente tem papel relevante na economia paranaense e na geração de emprego e renda em diversas regiões do estado.

Artemis III: NASA revela nesta terça os astronautas da missão que prepara o retorno humano à Lua - atualizada

NASA anuncia a tripulação da Artemis III, missão que testará tecnologias essenciais para futuras viagens humanas à Lua e a Marte

NASA anuncia a tripulação da Artemis III, missão que testará tecnologias essenciais para futuras viagens humanas à Lua e a Marte

Há momentos em que a exploração espacial avança em passos pequenos, quase silenciosos. E há momentos em que ela se prepara para um salto capaz de redefinir o futuro da presença humana além da Terra. A missão Artemis III pertence à segunda categoria.

Nesta terça-feira (9), a NASA anunciará os astronautas que integrarão a tripulação da Artemis III, uma das missões mais complexas já planejadas pela agência espacial norte-americana. O evento será transmitido ao vivo e marcará mais um capítulo da nova era da exploração lunar.

Diferentemente do que muitos imaginam ao ouvir falar do programa Artemis, a missão não levará astronautas à superfície da Lua. Seu papel será funcionar como um grande ensaio geral para as futuras operações lunares, testando tecnologias e procedimentos considerados essenciais para o retorno humano ao satélite natural.

Uma missão de testes para reduzir riscos

A bordo da nave Orion, lançada pelo poderoso foguete Space Launch System (SLS), quatro astronautas participarão de operações de encontro e acoplamento com pousadores lunares comerciais desenvolvidos por empresas privadas. Esses veículos serão responsáveis, nas próximas etapas do programa, por transportar tripulações entre a órbita lunar e a superfície da Lua.

O desafio técnico é enorme. A missão reunirá sistemas construídos por diferentes organizações e precisará demonstrar que todos conseguem operar de forma integrada e segura. Para os engenheiros da NASA, essa etapa é indispensável antes das futuras tentativas de pouso tripulado.

Na prática, a Artemis III servirá como um laboratório espacial para validar procedimentos de navegação, aproximação, acoplamento e transferência de tripulação entre espaçonaves — operações que serão rotina quando os seres humanos voltarem a caminhar na Lua.

O caminho até o polo sul lunar

O objetivo final do programa Artemis é estabelecer uma presença humana sustentável na Lua. E o local escolhido para isso não foi por acaso.

As futuras missões pretendem explorar o polo sul lunar, região que abriga crateras permanentemente sombreadas onde cientistas acreditam existir grandes depósitos de gelo de água. Esse recurso poderá ser utilizado para produzir água potável, oxigênio para respiração e até combustível para foguetes.

A descoberta e o aproveitamento desses recursos são considerados fundamentais para transformar a Lua em uma espécie de base avançada para a exploração do Sistema Solar.

Uma ponte para Marte

Embora a Lua seja o destino imediato, os planos da NASA vão muito além dela. O programa Artemis é visto como uma preparação para futuras missões tripuladas a Marte.

Os conhecimentos obtidos com permanências prolongadas na superfície lunar, operações em ambientes hostis e utilização de recursos locais deverão fornecer informações valiosas para viagens muito mais longas, como uma expedição ao planeta vermelho.

Por isso, mesmo sem pousar na Lua, a Artemis III é considerada uma das etapas mais importantes de todo o programa. Seu sucesso ajudará a definir os próximos passos da exploração espacial humana nas próximas décadas.

Mais do que uma missão de testes, a Artemis III representa a construção das bases para uma nova fase da presença humana fora da Terra. Se tudo correr como planejado, os procedimentos validados nessa missão abrirão caminho para que astronautas retornem à superfície lunar pela primeira vez desde a histórica Apollo 17, em 1972.

Transmissão ao vivo: a apresentação dos astronautas da Artemis III será realizada pela NASA nesta terça-feira, 9 de junho, às 15h (horário de Brasília).

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segunda-feira, 8 de junho de 2026

PM do Paraná vai revisar protocolos de atuação em terreiros após denúncias de abordagens consideradas abusivas

Diálogo entre comando da PMPR e lideranças de Umbanda e Candomblé busca criar novas diretrizes para garantir respeito à liberdade religiosa e evitar excessos em operações policiais

PM do Paraná vai revisar protocolos de atuação em terreiros após denúncias de abordagens consideradas abusivas. Diálogo entre comando da PMPR e lideranças de Umbanda e Candomblé busca criar novas diretrizes para garantir respeito à liberdade religiosa e evitar excessos em operações policiais.

O assunto circula há anos entre lideranças religiosas, defensores dos direitos humanos e integrantes das próprias forças de segurança. Agora, uma iniciativa inédita promete abrir um novo capítulo nessa relação. Nesta segunda-feira (8), representantes da Polícia Militar do Paraná (PMPR), lideranças de terreiros de Umbanda e Candomblé e o deputado estadual Goura (PDT) se reuniram em Curitiba para iniciar a construção de novos protocolos de atendimento a ocorrências envolvendo espaços religiosos de matriz africana em todo o estado.

A decisão foi tomada após a repercussão de casos recentes que levantaram questionamentos sobre a forma como algumas abordagens policiais vêm sendo realizadas nesses locais. O objetivo é atualizar procedimentos considerados defasados e criar orientações específicas para garantir o respeito às características religiosas, culturais e comunitárias dos terreiros.

Segundo a Polícia Militar, aproximadamente 70% das ocorrências envolvendo terreiros estão relacionadas a denúncias de perturbação do sossego. A proposta é construir regras mais claras para que essas situações sejam tratadas com diálogo, proporcionalidade e respeito à liberdade religiosa.

Revisão de procedimentos

O deputado estadual Goura, responsável pela articulação do encontro, afirmou que a iniciativa busca assegurar que os direitos constitucionais sejam respeitados sem abrir mão da atuação institucional da polícia.

Queremos que seja garantido o respeito à sacralidade dos templos e eliminados os excessos operacionais”, declarou o parlamentar durante a reunião.

Entre as mudanças já anunciadas está a revisão dos procedimentos de interlocução com os terreiros, a reavaliação dos critérios de atuação em fiscalizações e a ampliação da capacitação dos policiais para atuação em espaços religiosos.

O coronel Rogério Gomes Pitz, comandante do Comando de Policiamento Especializado (CPE), reconheceu que os protocolos atualmente utilizados precisam ser atualizados.

Segundo ele, a corporação pretende eliminar procedimentos que acabam criando conflitos desnecessários, como a exigência de contato exclusivo com o responsável legal do terreiro e a apreensão automática de instrumentos utilizados nas cerimônias religiosas.

O policial precisa compreender que está diante de um espaço sagrado. A abordagem deve ser feita com diálogo e respeito às especificidades daquele ambiente”, afirmou o Coronel.

Treinamento e qualificação

A Polícia Militar informou que a revisão será construída em conjunto com lideranças religiosas, órgãos públicos e policiais que também pertencem às religiões de matriz africana.

Além da elaboração de novas diretrizes, a corporação pretende ampliar programas de instrução e treinamento para padronizar a atuação das equipes em todo o Paraná.

O coronel Marcelo Roke Fávero, comandante do 1º Comando Regional da PM, explicou que a revisão envolverá ainda representantes das áreas de urbanismo, meio ambiente, saúde e fiscalização municipal.

Nós vamos construir isso a várias mãos. Depois, caberá à Polícia Militar qualificar toda a tropa para que as regras sejam cumpridas corretamente”, disse o Comandante.

Combate à intolerância religiosa

Para representantes das comunidades de terreiro, a discussão vai além dos procedimentos operacionais. Ela também toca em uma questão histórica relacionada à intolerância religiosa e ao racismo institucional enfrentado pelas religiões de matriz africana.

Pai Caetano de Oxóssi, representante do Movimento Interreligioso do Brasil, destacou que a abertura de um canal permanente de diálogo entre o poder público e as lideranças religiosas representa um avanço importante.

Segundo ele, Curitiba possui uma das maiores concentrações de terreiros do país. Dados apresentados durante a reunião apontam a existência de aproximadamente 4.380 casas de Umbanda, Candomblé e tradições similares na capital paranaense.

Já Babá Flávio Maciel, coordenador-geral do Fórum Paranaense das Religiões de Matriz Africana, afirmou que há registros de situações envolvendo abuso de autoridade e violência contra terreiros no estado, o que reforça a necessidade de protocolos específicos para orientar a atuação policial.

Caso recente acelerou o debate

A discussão ganhou força após a operação realizada no dia 8 de maio deste ano no Terreiro Guerreiros do Vento, no bairro Santa Cândida, em Curitiba. A ação mobilizou 14 viaturas e equipes de diferentes órgãos públicos, gerando críticas pela dimensão da operação.

A dirigente espiritual Talissa Carvalho Huebner afirmou na época que o espaço possui toda a documentação exigida e que as reclamações são recorrentes por parte de uma vizinha que frequentemente aciona os órgãos de fiscalização durante as cerimônias religiosas.

Para ela, a revisão dos protocolos representa uma oportunidade de evitar novos conflitos e garantir que as particularidades dos terreiros sejam compreendidas pelas equipes responsáveis pelo atendimento das ocorrências.

Se implementadas conforme anunciado, as novas diretrizes poderão marcar uma mudança significativa na relação entre as forças de segurança e as religiões de matriz africana no Paraná, fortalecendo princípios constitucionais como a liberdade de culto, a diversidade religiosa e o respeito aos direitos humanos.

De acordo com a assessoria de imprensa do deputado Goura, participaram da reunião representantes das comunidades de terreiro, entre eles Priscila, Ricardo, Mãe Juliana de Iemanjá e Jean Dex, do Terreiro Pai Maneco; Pai Caetano de Oxóssi; Mãe Marcelle Benites; Mãe Talissa Huebner, dirigente do Terreiro Guerreiros do Vento; Babá Flávio Maciel, coordenador-geral do Fórum Paranaense das Religiões de Matriz Africana; e Pollyanna Schiavon, assessora parlamentar da vereadora Giorgia Prates.

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Receita criada por merendeiro paranaense conquista prêmio nacional e vira exemplo de alimentação saudável nas escolas

Prato desenvolvido em Francisco Beltrão transformou ingredientes pouco aceitos pelos estudantes em uma refeição nutritiva e premiada em concurso que reuniu quase 3 mil participantes de todo o país


Evandro dos Santos, de Francisco Beltrão, prepara o Yaki do Chefe

Uma ideia simples, nascida da rotina de uma cozinha escolar no Sudoeste do Paraná, acabou ganhando destaque nacional. O merendeiro Evandro dos Santos, do Colégio Estadual Professor Vicente de Carli,  de Francisco Beltrão, está entre os vencedores da 3ª edição do Concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar, promovido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

A receita premiada, chamada Yaki do Chefe, surgiu a partir de um desafio comum enfrentado por profissionais da alimentação escolar: aumentar a aceitação de alimentos saudáveis entre os estudantes. Ao perceber que muitos alunos rejeitavam vegetais e a proteína texturizada de soja, Evandro decidiu apostar em uma combinação mais atrativa.

O resultado foi um prato inspirado nas receitas orientais, mas adaptado à realidade das escolas públicas. A preparação reúne espaguete, proteína texturizada de soja, couve, brócolis, cenoura, repolho, açafrão-da-terra e pimentões, formando uma refeição colorida, nutritiva e rica em fibras, vitaminas e proteínas vegetais.

A estratégia deu certo. Além de conquistar a aprovação dos estudantes, o prato chamou a atenção dos avaliadores do concurso, que recebeu 2.983 inscrições de profissionais da alimentação escolar de todo o Brasil. Após várias etapas de seleção e votação popular, o Yaki do Chefe ficou entre as 55 receitas vencedoras da edição.

Como reconhecimento, Evandro receberá um prêmio de R$ 5 mil. A escola onde trabalha também será contemplada com R$ 8 mil destinados à compra de equipamentos e melhorias na estrutura da cozinha escolar.

Mais do que um prêmio, a conquista mostra que criatividade, dedicação e conhecimento sobre alimentação podem fazer diferença no dia a dia das escolas. Em Francisco Beltrão, uma receita criada para incentivar hábitos mais saudáveis acabou se transformando em referência nacional.

A pátria de chuteiras está de volta: Brasil estreia na Copa dia 13 e sonha com o hexacampeonato

Com Neymar, Vinicius Júnior e uma geração talentosa sob o comando de Carlo Ancelotti, Seleção inicia caminhada rumo ao sexto título mundial

A pátria de chuteiras está de volta: Brasil estreia na Copa dia 13 e sonha com o hexacampeonato. Com Neymar, Vinicius Júnior e uma geração talentosa sob o comando de Carlo Ancelotti, Seleção inicia caminhada rumo ao sexto título mundial

O calendário reserva algumas coincidências curiosas. O dia 13 de junho é Dia de Santo Antônio. Também é celebrado como Dia Mundial do Rock. Mas, para milhões de brasileiros, a data tem tudo para ganhar um significado ainda mais especial: será o dia da estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo FIFA de 2026.

Depois de quatro anos de espera, a maior festa do futebol está de volta. E, como acontece a cada Mundial, o país inteiro começa a entrar naquele clima que atravessa gerações.

A televisão ligada mais cedo. Os grupos de WhatsApp discutindo escalações. A camisa amarela saindo do armário. O churrasco sendo planejado. A cerveja indo para o congelador. As bets e os bolões bombando. A Copa está chegando.

E o Brasil entra em campo carregando um sonho que acompanha mais de 200 milhões de torcedores: conquistar o tão esperado hexacampeonato mundial.

A estreia contra o Marrocos

O primeiro desafio da Seleção será diante do Marrocos, no dia 13 de junho, às 19 horas (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos.

A partida marca o início da campanha brasileira no Grupo C, que também reúne Haiti e Escócia.

Em tempos de futebol globalizado, não existem adversários fáceis. Mas existe algo que continua intacto: o peso da camisa amarela. O Brasil segue sendo a única seleção presente em todas as Copas do Mundo e a maior campeã da história do torneio, com cinco estrelas no peito.

Os jogos do Brasil na primeira fase

  • Brasil x Marrocos
    13 de junho – 19h
  • MetLife Stadium – Nova Jersey

  • Brasil x Haiti
    19 de junho – 21h30
  • Lincoln Financial Field – Filadélfia

  • Brasil x Escócia
    24 de junho – 19h
    Hard Rock Stadium – Miami

A era Ancelotti na Seleção Brasileira

A Copa de 2026 marca o início de um novo ciclo para a Seleção. Depois de conquistar praticamente tudo o que era possível no futebol europeu, Carlo Ancelotti assumiu o desafio de devolver o Brasil ao topo do mundo.

O treinador italiano chega cercado de expectativa. Dono de uma carreira vitoriosa em gigantes do futebol internacional, ele terá a missão de transformar uma geração talentosa em uma equipe capaz de levantar a taça mais cobiçada do esporte.

Na convocação para o Mundial, Ancelotti apostou em uma combinação de experiência, juventude e qualidade técnica.

Neymar lidera o sonho do hexa

A principal novidade da lista foi a presença de Neymar.

Maior artilheiro da história da Seleção Brasileira, o camisa 10 disputará mais uma Copa do Mundo carregando a esperança de milhões de torcedores. Ao seu lado estarão nomes que brilham nas principais ligas do planeta e representam o presente e o futuro do futebol brasileiro.

Vinicius Júnior, Raphinha, Bruno Guimarães, Gabriel Martinelli, Endrick e Matheus Cunha formam uma geração capaz de enfrentar qualquer adversário.

Se o talento individual ganhar sintonia coletiva, o Brasil pode voltar a disputar o título em igualdade com qualquer potência do futebol mundial.

Os 26 convocados para a Copa do Mundo de 2026

Goleiros

  • Alisson (Liverpool)
  • Ederson (Fenerbahçe)
  • Weverton (Grêmio)

Defensores

  • Alex Sandro (Flamengo)
  • Bremer (Juventus)
  • Danilo (Flamengo)
  • Douglas Santos (Zenit)
  • Gabriel Magalhães (Arsenal)
  • Ibañez (Al-Ahli)
  • Léo Pereira (Flamengo)
  • Marquinhos (PSG)
  • Wesley (Roma)

Meio-campistas

  • Bruno Guimarães (Newcastle)
  • Casemiro (Manchester United)
  • Danilo Santos (Botafogo)
  • Fabinho (Al-Ittihad)
  • Lucas Paquetá (Flamengo)

Atacantes

  • Endrick (Lyon)
  • Gabriel Martinelli (Arsenal)
  • Igor Thiago (Brentford)
  • Luiz Henrique (Zenit)
  • Matheus Cunha (Manchester United)
  • Neymar (Santos)
  • Raphinha (Barcelona)
  • Rayan (Bournemouth)
  • Vinicius Júnior (Real Madrid)

Hora de vestir a amarelinha

Toda Copa do Mundo começa com um sentimento que nenhum outro torneio consegue reproduzir: esperança. É hora de vestir a camisa oficial da Seleção Brasileira.

Foi assim em 1958, quando um jovem Pelé encantou o planeta. Foi assim em 1970, com o time que muitos consideram o maior da história. Foi assim em 1994, em 2002 e em cada campanha que ajudou a construir a identidade futebolística do Brasil.

Daqui para frente, ninguém sabe o que acontecerá dentro das quatro linhas. Herança cresce a cada dia, e o coração do brasileiro segue pulsando, por mais uma estrela na camisa canarinho.

E uma coisa já está garantida. Nas próximas semanas, milhões de brasileiros voltarão a viver aquela emoção única de acompanhar a Seleção em uma Copa do Mundo. Afinal, como definiu Nelson Rodrigues, a Seleção Brasileira continua sendo a nossa eterna pátria de chuteiras.

E o sonho do hexa está mais vivo do que nunca.

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BR-319: governo anuncia pacote bilionário para proteger a Amazônia e garantir desenvolvimento sustentável

Plano prevê corredor de áreas protegidas, regularização fundiária, combate ao desmatamento, incentivo à bioeconomia e parceria de R$ 9 bilhões para monitoramento ambiental e manutenção da rodovia

Medidas socioambientais para a BR-319 são anunciadas em Manaus por Lula - Rogério Cassimiro
 

Entre a floresta densa e os longos trechos de estrada que atravessam o coração da Amazônia, o governo federal quer construir um novo modelo de ocupação territorial. A proposta foi apresentada nesta semana em Manaus e promete transformar a BR-319 — rodovia que liga Porto Velho (RO) a Manaus (AM) — em um laboratório de infraestrutura com governança ambiental, conciliando mobilidade, preservação da floresta e desenvolvimento econômico sustentável.

O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lado de ministros e autoridades federais. O pacote reúne ações ambientais, fundiárias, econômicas e de segurança pública que serão implementadas progressivamente até 2028, com foco na área de influência da rodovia, considerada uma das regiões de maior integridade ambiental da Amazônia brasileira.

Segundo o governo, a estratégia busca evitar que a recuperação e a pavimentação da BR-319 repitam problemas observados em outras fronteiras de expansão econômica da Amazônia, onde o avanço da infraestrutura foi acompanhado por aumento do desmatamento, grilagem de terras e conflitos fundiários.

Corredor de proteção ambiental

Uma das principais medidas anunciadas é a criação de um amplo corredor de proteção socioambiental ao longo da rodovia. Atualmente, a região possui cerca de 85 mil quilômetros quadrados de áreas protegidas. Com a implantação de novas Unidades de Conservação e Terras Indígenas, esse total deverá chegar a aproximadamente 121 mil quilômetros quadrados.

Também estão previstos estudos para reconhecimento de novas Terras Indígenas e a implantação de estruturas permanentes de fiscalização ambiental. Até 2027, serão instalados portais integrados de controle em municípios estratégicos do Amazonas, reunindo a atuação de órgãos como Ibama, ICMBio, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal.

A proposta inclui ainda uma sede multiagências em Humaitá para fortalecer a presença do Estado na região e ampliar o combate ao desmatamento, à exploração ilegal de recursos naturais e aos crimes ambientais.

Regularização fundiária e ordenamento territorial

Outro eixo considerado essencial pelo governo é a regularização fundiária. Um mutirão coordenado pelo Incra analisará processos de assentamentos rurais localizados na área de influência da BR-319, enquanto governos federal e estaduais trabalham na revisão de aproximadamente 26 mil registros do Cadastro Ambiental Rural (CAR) incidentes sobre terras públicas federais.

A expectativa é que o processo traga maior segurança jurídica para produtores rurais e reduza disputas por ocupação de terras, um dos fatores historicamente associados ao avanço do desmatamento na Amazônia. Quatro escritórios de apoio à regularização fundiária deverão entrar em funcionamento ainda em 2026.

Parceria inédita de R$ 9 bilhões

O ponto mais inovador do projeto é a criação de uma Parceria Público-Privada (PPP) estimada em R$ 9 bilhões ao longo de 20 anos.

Pela primeira vez no país, um contrato de infraestrutura rodoviária reunirá serviços de manutenção da estrada e monitoramento ambiental permanente. O modelo prevê instalação de torres de observação, estações meteorológicas, sistemas de alerta, centros de monitoramento e suporte operacional para órgãos públicos responsáveis pela proteção da floresta.

A parceria deverá ser formalizada até 2028 e terá vigência até 2048. Antes disso, o projeto ainda passará por estudos técnicos, consultas públicas e análise do Tribunal de Contas da União (TCU).

Durante o anúncio, Lula afirmou que a BR-319 poderá se tornar uma referência internacional em infraestrutura ambientalmente monitorada. Para o governo, a combinação entre mobilidade e preservação pode servir de modelo para outras regiões do país.

Bioeconomia e geração de empregos

Além da fiscalização e do ordenamento territorial, o plano aposta na chamada sociobioeconomia como alternativa de desenvolvimento para as populações locais.

Entre as medidas previstas estão a criação de uma plataforma de cadastro para empreendimentos comunitários, capacitação de agentes de crédito rural e lançamento de editais voltados ao fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis.

O governo também pretende ampliar concessões florestais destinadas ao manejo sustentável da floresta. Entre os projetos anunciados está a concessão da Floresta Nacional de Balata-Tufari, no Amazonas, e da Gleba Castanho, considerada a primeira área de manejo fora de uma unidade de conservação federal.

A expectativa oficial é que essas iniciativas gerem milhares de empregos diretos e indiretos, além de criar novas fontes de renda para comunidades amazônicas sem necessidade de derrubada da floresta.

Desmatamento em queda

O pacote foi apresentado em um momento em que os indicadores ambientais apontam redução do desmatamento na região. Dados do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que o Amazonas registrou queda de 62% na área desmatada entre 2022 e 2025.

Nas faixas de até 50 quilômetros de cada lado da BR-319, a redução foi ainda mais expressiva, chegando a 75% em comparação com o pico registrado em 2022.

A área de influência da rodovia ocupa cerca de 270 mil quilômetros quadrados nos estados do Amazonas e Rondônia, abrangendo 18 municípios. O território reúne um mosaico complexo de áreas protegidas, terras indígenas, assentamentos rurais, glebas públicas e propriedades privadas, tornando a região um dos maiores desafios de governança territorial e ambiental do país.

As informações são do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

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domingo, 7 de junho de 2026

MST amplia ações ambientais e promove reflorestamento em vários estados durante a Semana do Meio Ambiente

Movimento mobilizou cerca de 10 mil pessoas, plantado mais de 5 mil mudas e distribuído 30 toneladas de sementes em iniciativas de recuperação ambiental

Enquanto parte do país discute os impactos das mudanças climáticas e a necessidade de preservar os biomas brasileiros, milhares de trabalhadores rurais participaram de uma série de ações ambientais promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) durante a Semana Mundial do Meio Ambiente.
MST promove ações ambientais na Semana do Meio Ambiente - MST/Divulgação

Enquanto parte do país discute os impactos das mudanças climáticas e a necessidade de preservar os biomas brasileiros, milhares de trabalhadores rurais participaram de uma série de ações ambientais promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) durante a Semana Mundial do Meio Ambiente.

Segundo informações divulgadas pelo movimento e repercutidas pela Agência Brasil, cerca de 10 mil pessoas participaram de atividades realizadas em 15 estados brasileiros. Ao longo da mobilização, foram plantadas mais de 5 mil mudas de árvores e semeadas aproximadamente 30 toneladas de sementes nativas em diferentes regiões do país.

As ações ocorreram em Alagoas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo e Sergipe.

Paraná se torna um dos centros da mobilização ambiental

Nos últimos dois meses, o Paraná ganhou destaque dentro das iniciativas ambientais do MST. Em maio, o movimento anunciou a realização da 4ª Jornada da Natureza, uma mobilização voltada à recuperação da Mata Atlântica e ao fortalecimento de práticas agroecológicas. 

Entre as ações previstas estavam a semeadura aérea e a distribuição de 30 toneladas de sementes da palmeira juçara, espécie nativa da Mata Atlântica considerada ameaçada de extinção em diversas regiões. Parte dessas sementes foi lançada por helicóptero sobre áreas de reflorestamento, assentamentos da reforma agrária, comunidades tradicionais e territórios indígenas. 

A programação também incluiu atividades de educação ambiental, recuperação de áreas degradadas, distribuição de sementes, implantação de sistemas agroflorestais e reflorestamento de regiões atingidas por eventos climáticos extremos, como áreas afetadas pelo tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu em 2025. 

Jornada Nacional em Defesa da Natureza

As atividades integram a Jornada Nacional em Defesa da Natureza e seus Povos, realizada entre os dias 1º e 7 de junho. Neste ano, a mobilização adotou o lema “Combater o agronegócio é cuidar da natureza”, defendendo a reforma agrária e a agroecologia como alternativas para enfrentar a crise ambiental e climática.

Além dos mutirões de plantio e reflorestamento, a programação incluiu debates sobre preservação ambiental, atividades educativas, recuperação de áreas degradadas, proteção de nascentes e ações de conscientização em assentamentos, acampamentos e comunidades rurais.

Segundo o movimento, essas iniciativas fazem parte do Plano Nacional Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis, estratégia criada para ampliar ações de recuperação ambiental em áreas da reforma agrária e incentivar modelos produtivos de base agroecológica. 

Segundo uma fonte ligada à área de saúde, consultada pelo blog, as pessoas estão adoecendo, por causa do excesso de agrotóxicos na alimentação. Principalmente nos hortifrútis que chegam até a mesa, principalmente dos residentes de grandes áreas urbanas. As grandes aglomerações de pessoas demandam uma produção maior e para suprir a demanda acaba se utilizando vários métodos artificiais. 

Ao que parece, o maior problema não está no uso de fertilizantes e agrotóxicos, mas sim no abuso. O MST é conhecido mundialmente por ser um dos maiores produtores de alimentos orgânicos do Brasil. O maior produtor de arroz orgânico do mundo.

Protesto contra incinerador em São Paulo

Entre as atividades realizadas durante a jornada, uma das mais visíveis ocorreu no bairro de Perus, na zona noroeste da cidade de São Paulo. Integrantes do MST, moradores, ambientalistas e representantes de organizações sociais protestaram contra a instalação de um incinerador previsto no projeto do chamado EcoParque Bandeirantes.

O empreendimento deverá ser instalado na área do antigo Aterro Sanitário Bandeirantes, desativado desde 2007. A prefeitura argumenta que o projeto pretende ampliar a reciclagem, reduzir o envio de resíduos para aterros e gerar energia com menor emissão de gases de efeito estufa.

Já os manifestantes afirmam que a iniciativa pode provocar impactos ambientais e sociais para moradores da região, incluindo comunidades indígenas localizadas nas proximidades do Pico do Jaraguá.

Ao final da Semana do Meio Ambiente, o conjunto das ações reforçou uma das frentes menos conhecidas do MST: a atuação em projetos de reflorestamento, recuperação de áreas degradadas e preservação de espécies nativas, especialmente na Mata Atlântica paranaense.

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Matinhos: almoço no Pilequinho com o Nelsão

Depois de cumprir compromissos políticos e aproveitar o feriado para um breve descanso, Nelsão almoçou neste fim de semana no tradicional Restaurante Pilequinho, em Matinhos, no litoral paranaense.  Ao lado de Fernanda e do pré-candidato a deputado Alexandre, o encontro também contou com a presença do empresário José Lucas, proprietário do restaurante e figura bastante conhecida na cidade.  Durante a visita, Nelsão destacou a parceria e o apoio recebido na região. "Olha aí meu companheiro e nosso deputado Alexandre. Este é o proprietário do Restaurante Pilequinho, o José Lucas, em Matinhos, e vai nos ajudar aqui", comentou.  O almoço reuniu boa conversa, articulação política e fortalecimento de laços com lideranças e apoiadores do litoral.

Depois de cumprir compromissos políticos e aproveitar o feriado para um breve descanso, Nelsão almoçou neste fim de semana no tradicional Restaurante Pilequinho, em Matinhos, no litoral paranaense.

Ao lado de sua esposa, Fernanda e do filho, o encontro também contou com a presença do empresário José Lucas, proprietário do restaurante e figura bastante conhecida na cidade. Durante a visita, Nelsão destacou a parceria e o apoio recebido na região.

"Olha aí meu companheiro, eu e minha esposa e filho fomos almoçar no Restaurante Pilequinho, junto com o nosso amigo e companheiro Vantuire, com sua esposa Nara. Lá entramos o proprietário do restaurante o José Lucas, em Matinhos e vai nos ajudar aqui.", comentou na foto acima, que nos enviou há pouco.

O almoço reuniu boa conversa, articulação política e fortalecimento de laços com lideranças e apoiadores do litoral. O tempo sagrado junto à família, e as energias recarregadas para mais uma semana de luta.

Tadeu Veneri reúne lideranças políticas e sindicais em plenária no litoral do Paraná

Encontro em Matinhos debateu educação, organização popular e os desafios das eleições de 2026, reunindo dirigentes sindicais, militantes e lideranças do PT do leste paranaense

Encontro em Matinhos debateu educação, organização popular e os desafios das eleições de 2026, reunindo dirigentes sindicais, militantes e lideranças do PT do leste paranaense

Matinhos - O movimento começou cedo. Aos poucos, os carros foram chegando ao Centro de Lazer dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, em Matinhos, na última sexta (6). No salão, abraços, reencontros e conversas que misturam política, sindicalismo e os desafios do país. Foi nesse ambiente que lideranças petistas e representantes dos trabalhadores se reuniram para a plenária promovida pelo deputado federal Tadeu Veneri (PT).

O encontro reuniu militantes do litoral e de outras regiões do Paraná, além de dirigentes sindicais, vereadores e lideranças partidárias. Entre os presentes estava o vereador de Curitiba Angelo Vanhoni, presidente municipal do PT e pré-candidato a deputado estadual.

Casa dos trabalhadores

A abertura contou com a participação do dirigente sindical Nelsão da Força, que representou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), Sérgio Butka. Ao dar as boas-vindas aos participantes, Nelsão destacou a importância do espaço construído pelos trabalhadores e lembrou a relação histórica entre o movimento sindical e Tadeu Veneri.

"Nas lutas mais difíceis, quando os trabalhadores precisaram de apoio, o Tadeu esteve ao nosso lado", afirmou.

O dirigente também destacou a trajetória de Angelo Vanhoni e defendeu o fortalecimento da representação popular nos parlamentos estadual e federal.

Educação e consciência política

Durante sua intervenção, Tadeu Veneri fez uma reflexão sobre o papel da política na transformação social e defendeu a ampliação do acesso à educação pública.

Segundo o deputado, a disputa política não acontece apenas nas eleições, mas também no debate de ideias e na formação crítica da população.

"Nosso papel é politizar a sociedade do ponto de vista da esquerda", afirmou.

Para ele, setores privilegiados da sociedade historicamente enxergam os trabalhadores apenas como força de trabalho barata e resistem à ampliação de direitos e oportunidades.

O parlamentar citou a expansão das universidades públicas e dos institutos federais como exemplos de políticas que permitiram a milhares de brasileiros acessar educação de qualidade, destacando ainda a importância do Plano Nacional de Educação para o desenvolvimento do país.

Olhar para 2026

Além dos debates sobre educação, direitos sociais e organização popular, a plenária também serviu para alinhar estratégias políticas para as eleições de 2026.

Participantes defenderam o fortalecimento das pré-candidaturas de Requião Filho ao Governo do Paraná e de Gleisi Hoffmann ao Senado Federal. O clima entre os presentes era de confiança, impulsionado pelos levantamentos eleitorais mais recentes que vêm sendo acompanhados pelas lideranças petistas.

Nos bastidores, a avaliação predominante era de que o próximo período exigirá intensa mobilização de base, especialmente nos municípios do interior e da Região Metropolitana de Curitiba.

Vídeo publicado por Tadeu Veneri

O vídeo divulgado por Tadeu Veneri nas redes sociais registra parte do encontro realizado em Matinhos e traz trechos das discussões promovidas durante a plenária.

Ao final da atividade, a percepção compartilhada entre participantes era de que o processo eleitoral já começou. Não oficialmente nas urnas, mas na construção de alianças, na organização dos movimentos sociais e no diálogo com a população sobre os rumos que o Paraná pretende seguir nos próximos anos.

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Taxação, soberania e silêncio sobre as milícias: a crise que nasceu em Washington

Parlamentares governistas foram aos EUA defender nossa soberania, enquanto cresce a polêmica sobre a atuação internacional de aliados da família Bolsonaro junto ao governo Trump

 
Taxação, soberania e silêncio sobre as milícias: a crise que nasceu em Washington
Os jardins da Casa Branca, sede do poder nos EUA - MattWade/Wikimidia

O debate sobre soberania nacional ganhou novos contornos nesta semana. Enquanto entrou em vigor a decisão do governo de Donald Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, uma delegação de parlamentares brasileiros desembarcou em Washington para apresentar às autoridades americanas uma visão diferente daquela defendida por setores da direita brasileira.

Formada pelos deputados Pedro Uczai (PT-SC), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Pedro Campos (PSB-PE) e André Janones (Rede-MG), a missão ocorreu entre os dias 3 e 5 de junho e teve como objetivo reafirmar a soberania brasileira, contestar tarifas impostas pelos Estados Unidos e defender a cooperação internacional no combate ao crime organizado sem interferências nos assuntos internos do Brasil.

O movimento ocorreu em meio à repercussão da decisão da Casa Branca de enquadrar duas das maiores facções criminosas do país como organizações terroristas, medida que passou a valer oficialmente nesta sexta-feira (5).

O efeito político e econômico

A classificação das facções brasileiras não ficou restrita ao campo da segurança pública. Poucos dias após o anúncio, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos recomendou novas tarifas sobre produtos brasileiros, alegando supostas práticas comerciais desleais.

O documento também atacou o PIX, sistema de pagamentos criado pelo Banco Central do Brasil e amplamente utilizado por todos e todas nós, brasileiros e brasileiras. Segundo o governo americano, a ferramenta estaria reduzindo o espaço de empresas privadas de pagamentos internacionais, como Visa, Mastercard e WhatsApp Pay.

Na sequência, Washington anunciou a intenção de ampliar tarifas sobre importações de dezenas de países, incluindo o Brasil. O governo brasileiro rebateu as justificativas e classificou as medidas como protecionistas.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil alertam que o enquadramento das facções como organizações terroristas pode gerar impactos econômicos, afetar investimentos, dificultar operações financeiras e criar precedentes para pressões diplomáticas sobre o país.

A pergunta que ficou sem resposta

Além dos efeitos econômicos, a decisão americana abriu uma discussão que vem crescendo entre especialistas, jornalistas e observadores da política nacional.

Se o critério utilizado para classificar organizações criminosas como terroristas envolve o uso sistemático da violência, da intimidação e do controle territorial sobre populações civis, por que as milícias que atuam em diversas regiões do Rio de Janeiro ficaram fora da lista?

Investigações conduzidas ao longo dos últimos anos mostram que grupos milicianos exercem controle sobre bairros inteiros, explorando serviços de internet, transporte, gás, abastecimento de água e outras atividades econômicas. Em muitos casos, moradores relatam viver sob constante pressão e ameaça.

Apesar disso, o enquadramento promovido pelo governo Trump atingiu exclusivamente o PCC e o Comando Vermelho. A ausência das milícias na lista levantou questionamentos sobre os critérios adotados por Washington e alimentou um debate que está longe de terminar.

Deputada Jandira Feghali - Lula Marques/ Agência Brasil
 

Parlamentares defendem cooperação, não intervenção

Durante a visita aos Estados Unidos, os parlamentares brasileiros entregaram documentos a congressistas e instituições americanas defendendo o respeito à soberania nacional.

Segundo a deputada Jandira Feghali, um dos textos apresentados solicita cooperação internacional no combate ao tráfico de armas, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outras formas de crime organizado, mas rejeita qualquer tipo de intervenção externa em assuntos internos brasileiros.

Outro documento contesta as tarifas impostas ao Brasil e argumenta que as medidas possuem motivação política e carecem de fundamentação técnica.

Na Organização dos Estados Americanos (OEA), a missão também solicitou acompanhamento internacional das eleições brasileiras de 2026, incluindo monitoramento de crimes digitais, violência política e ataques à democracia.

De acordo com os integrantes da delegação, parlamentares americanos demonstraram receptividade às preocupações apresentadas pelo grupo.

A visão do Sulpost

A sequência dos acontecimentos chama atenção. Primeiro veio a articulação internacional de aliados da família Bolsonaro junto a setores próximos ao governo Trump. Depois, a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas. Em seguida, surgiram novas pressões econômicas, críticas ao PIX e propostas de taxação de produtos brasileiros.

É legítimo que cidadãos e lideranças políticas mantenham relações internacionais. Também é legítimo que defendam suas posições ideológicas. O que provoca questionamentos é quando iniciativas políticas realizadas no exterior passam a produzir consequências econômicas e diplomáticas que atingem diretamente o Brasil.

Na avaliação editorial do Sulpost, a defesa dos interesses nacionais deve estar acima da polarização política e das disputas partidárias. Por isso, causa estranheza que medidas potencialmente prejudiciais à economia brasileira sejam comemoradas ou justificadas por setores políticos internos.

Também chama atenção o silêncio em relação às milícias cariocas, que seguem ausentes da narrativa construída por Washington, apesar do histórico de controle territorial e extorsão denunciado há anos por autoridades e pesquisadores.

À medida que o país se aproxima das eleições de 2026, o debate sobre soberania, segurança pública e influência estrangeira tende a ganhar ainda mais relevância. E uma pergunta permanece aberta: quem realmente se beneficia quando decisões tomadas fora do Brasil passam a influenciar diretamente a vida dos brasileiros?

É legítimo apoiar um pré-candidato a presidente que tem um irmão que abandonou a atividade parlamentar para morar nos Estados Unidos? É certo apoiar pessoas brasileiras que produzem um filme com o nome em inglês, e filmam no estrangeiro, para contar a história de um ex-presidente brasileiro, hoje presidiário? E as ligações das milícias e com as milícias, qual a dinâmica, quais os pesos e medidas adotados pela Casa Branca?

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