16.8.26

Pedras preciosas: o brilho e o lado oculto da riqueza brasileira

Do garimpo à joalheria, gemas brasileiras movimentam uma rede legal, mas também aparecem em investigações sobre extração e comércio clandestinos

Do garimpo à joalheria, gemas brasileiras movimentam uma rede legal, mas também aparecem em investigações sobre extração e comércio clandestinos

Além dos milhões de anos que que as pedras preciosas precisam para se formar sob altas pressões, elas também parecem guardar histórias recentes dentro delas.

Antes de chegar a uma joalheria, fazer parte de uma coleção particular ou estar numa feira especializada, uma esmeralda, uma água-marinha, uma turmalina, um topázio ou um diamante pode ter passado por muitas mãos. Primeiro, pela terra, pela rocha de onde é extraída. Depois, pelo trabalho de quem encontrou, ou minerou o mineral, depois vem a seleção, o corte, a lapidação e, finalmente, ela chega ao mercado.

É uma cadeia produtiva que gera emprego, renda, conhecimento, exportações e desenvolvimento regional. Mas existe também o outro lado dessa história. Há anos, as pedras preciosas também são objeto de investigações da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e das polícias estaduais. As investigações envolvem extração sem autorização, transporte sem comprovação de origem, comércio irregular, e, em determinados casos, organizações suspeitas de contrabando.

O Brasil tem riquezas minerais extraordinárias. E justamente por isso existe uma pergunta que merece ser feita: quanto dessa riqueza percorre os caminhos legais e quanto acaba nas mãos de redes clandestinas?

Um país de pedras raras

O território brasileiro reúne uma das maiores diversidades de gemas do mundo. Entre as pedras encontradas no país estão ametista, ágata, água-marinha, esmeralda, turmalina, topázio, opala, granada, rubi, safira e diamante, além de outras variedades utilizadas tanto na joalheria quanto em coleções mineralógicas.

Minas Gerais ocupa um lugar especial nesse mapa. O estado é conhecido por ocorrências de esmeralda, água-marinha, turmalinas e pelo topázio imperial, tradicionalmente associado à região de Ouro Preto.

A Bahia também possui importantes ocorrências de esmeralda e outras gemas. A Paraíba tornou-se mundialmente conhecida pela turmalina Paraíba, de coloração azul ou azul-esverdeada extremamente característica.

O Espírito Santo aparece entre as regiões produtoras de água-marinha. O Rio Grande do Sul é uma referência internacional em ametista e ágata. O Piauí possui tradição na produção de opala.

Goiás, Rio Grande do Norte, Ceará, Pará, Tocantins e outros estados também integram o mapa brasileiro das pedras preciosas e minerais de interesse gemológico. Não existe, portanto, uma única “capital das pedras preciosas” no Brasil. Há uma geografia inteira de minerais, cada qual com características próprias e mercados diferentes.

Da pedra bruta à joia

Uma gema retirada do solo está muito longe de ser aquilo que o consumidor encontra na vitrine. A pedra bruta pode ser cortada, serrada, desbastada e lapidada. Dependendo do mineral, podem ser aplicadas técnicas destinadas a valorizar cor, transparência, brilho, simetria e aproveitamento do material. É nessa transformação que o valor pode mudar radicalmente.

Uma pedra excepcionalmente rara, com boa cor, transparência, tamanho e qualidade de lapidação, pode alcançar valores muito superiores aos de um exemplar comum da mesma espécie mineral.

Por isso, não é tecnicamente correto afirmar simplesmente que existe “a pedra mais cara do Brasil”. O preço depende das características específicas de cada gema, de sua procedência, de seu tratamento, de sua qualidade e do mercado em determinado momento.

Turmalina Paraíba, esmeralda e topázio imperial

Algumas gemas brasileiras alcançaram reconhecimento internacional justamente por sua raridade. A turmalina Paraíba é um dos exemplos mais conhecidos. Sua coloração intensa e a composição química associada ao cobre fizeram com que determinados exemplares alcançassem preços extraordinários no mercado internacional.

A esmeralda também ocupa posição de destaque. Minas Gerais, Bahia e Goiás aparecem entre as áreas produtoras brasileiras. Já o topázio imperial possui uma ligação histórica particularmente forte com Minas Gerais, especialmente com Ouro Preto. O Serviço Geológico do Brasil registra a região como produtora dessa variedade, considerada a mais valiosa entre os topázios.

E há ainda a água-marinha, uma variedade do berilo que encontrou no Brasil alguns de seus exemplares mais conhecidos. A pedra se tornou objeto de desejo na Europa quando um conjunto de joias, de ouro branco com água-marinha, foi presenteado à rainha Elizabeth II, da Inglaterra, pelo também embaixador Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, do Brasil. 

A rainha da Inglaterra inclusive usou essas joias em seu primeiro encontro com o presidente Lula, em 7 de março de 2006, Na ocasião, Lula e a primeira-dama Marisa Letícia foram hospedados no Palácio de Buckingham em Londres.

São riquezas que não aparecem apenas em números de produção. Elas também fazem parte da identidade geológica e cultural de diferentes regiões brasileiras. E A Coroa Inglesa fez questão de mostrar isso, o respeito pelas pedras preciosas brasileiras, na ocasião mencionada.

Existe um mercado legal — e ele é importante

É importante não colocar toda a atividade de pedras preciosas sob suspeita. Existe uma cadeia formal formada por empresas de mineração, cooperativas, garimpeiros legalizados, lapidadores, laboratórios, comerciantes, joalheiros, exportadores e trabalhadores especializados.

O comércio exterior brasileiro também registra oficialmente essa atividade. O Comex Stat, sistema oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), permite consultar exportações e importações brasileiras por produto, país, estado, quantidade e valor. A plataforma mantém séries históricas desde 1997.

Isso permite que pesquisadores e jornalistas acompanhem a dimensão econômica do comércio formal de pedras preciosas, inclusive por códigos específicos da Nomenclatura Comum do Mercosul.

Os dados oficiais não devem, entretanto, ser confundidos com uma estimativa do mercado clandestino. Uma coisa é aquilo que foi declarado ao Estado. Outra é aquilo que eventualmente circula fora dos registros.

Quando a riqueza mineral vira crime

A legislação brasileira estabelece uma diferença fundamental: os recursos minerais, inclusive os encontrados no subsolo, pertencem à União. A pesquisa e a lavra dependem de autorização, concessão ou outro título minerário previsto na legislação.

Também existe a Permissão de Lavra Garimpeira, conhecida como PLG, instrumento previsto na legislação para determinadas atividades de garimpagem. Mesmo nesses casos, a atividade está submetida às exigências legais e ambientais.

A Agência Nacional de Mineração é responsável pela regulação e fiscalização do aproveitamento dos recursos minerais pertencentes à União.

A Lei nº 8.176/1991 também estabelece punições para quem explora matéria-prima pertencente à União sem autorização ou em desacordo com o título, alcançando determinadas condutas relacionadas à aquisição, transporte, industrialização, posse e comercialização do produto obtido ilegalmente.

Portanto, retirar uma pedra preciosa do subsolo brasileiro não significa automaticamente ter o direito de vendê-la. Declarar a origem da pedra é essencial.

O crime pode começar muito antes da fronteira

Quando se fala em contrabando, é comum imaginar apenas a pessoa tentando atravessar uma fronteira com pedras escondidas. As investigações mostram uma realidade mais complexa.

Uma cadeia clandestina pode envolver a extração, a intermediação, o transporte, a documentação irregular, a comercialização e, em determinados casos, a tentativa de introduzir a mercadoria no mercado formal ou levá-la ao exterior. Por isso, nem toda apreensão de pedra preciosa significa, automaticamente, que houve contrabando.

Em muitos casos, a investigação começa justamente porque não havia documentação capaz de demonstrar a origem legal do material. Essa distinção é importante. Jornalismo responsável não pode transformar uma suspeita policial em sentença.

As operações que revelam o tamanho do problema

O problema não surgiu agora. Ao longo dos últimos anos, diferentes forças policiais investigaram cadeias de extração e comércio irregular de pedras preciosas.

Em maio de 2020, durante uma ação conjunta, a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal apreenderam 1.590 pedras de diamante escondidas em um compartimento secreto de um veículo blindado em Vilhena, Rondônia. Segundo a PF, as pedras seriam comercializadas na região Sudeste. Dois homens foram presos e a ocorrência envolveu suspeitas de usurpação de bens da União, receptação e associação criminosa.

O episódio é significativo não apenas pelo número de pedras, mas porque mostra como o transporte é uma das etapas fundamentais da cadeia clandestina.

Diamantes e uma rota que chegou ao Paraná

Em outubro de 2023, a Polícia Federal deflagrou a Operação Elusorius, com dez mandados de busca e apreensão em Rondônia e no Paraná. De acordo com a investigação, o grupo era especializado no comércio ilegal de diamantes extraídos da Terra Indígena Roosevelt e transportados, em sua maioria, para o Paraná.

A PF informou que foram apreendidas pedras sem comprovação de origem, além de armas, munições, celulares e equipamentos relacionados ao garimpo. Um dos elementos apontados pela investigação chama atenção: o uso de notas fiscais falsas para tentar conferir aparência legal às pedras.

É nesse ponto que a pedra deixa de ser apenas uma mercadoria irregular e passa a integrar uma estrutura mais sofisticada de ocultação da origem. 

Uma organização internacional

Também em 2023, a Operação Itamarã revelou uma investigação de dimensão internacional. A PF investigou uma organização especializada, segundo a apuração, na exploração, intermediação, comércio e exportação ilegal de pedras preciosas, especialmente diamantes brutos.

Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão e oito mandados de prisão preventiva em diferentes estados brasileiros, além de medidas de cooperação internacional. A investigação apontou movimentação superior a R$ 30 milhões em aproximadamente sete meses.

Esse número, porém, precisa ser lido corretamente: trata-se do valor atribuído pela investigação à movimentação financeira da organização naquele período, e não de uma estimativa do total do contrabando de pedras preciosas existente no Brasil.

2026: as pedras continuam aparecendo

Os casos mais recentes mostram que o problema não ficou no passado. Em abril de 2026, a Polícia Federal deflagrou a Operação Itaberaba, em Rondônia e Mato Grosso.

A investigação começou depois da prisão em flagrante de dois suspeitos em Cacoal, com 25 pedras de diamante. Segundo a PF, a análise dos celulares apreendidos levou os investigadores a uma rede de comercialização irregular de pedras provenientes de lavra realizada em terras indígenas sem autorização legal ou licença ambiental.

Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão. A investigação alcançou suspeitos de participar de diferentes etapas da cadeia, da extração à intermediação e comercialização.

Em maio, a Polícia Civil da Bahia também prendeu quatro homens suspeitos de transportar irregularmente pedras de esmeralda em Itaberaba. O material foi encaminhado para perícia, justamente porque a natureza e as características das pedras precisam ser tecnicamente confirmadas.

E em junho, a PRF apreendeu pedras preciosas e joias sem documentação de origem durante uma fiscalização na BR-262, em Juatuba, Minas Gerais. A ocorrência foi encaminhada à Polícia Federal.

O próprio caso demonstra por que é necessário cuidado com a linguagem: a PRF registrou a ausência de comprovação de origem e versões contraditórias apresentadas pelo condutor, mas a investigação posterior é que deve determinar a natureza das irregularidades.

O que os números ainda não conseguem mostrar

Aqui existe uma informação tão importante quanto qualquer estatística: o Brasil não dispõe de uma série nacional pública e consolidada que permita afirmar quanto, em toneladas ou em dinheiro, foi contrabandeado em pedras preciosas entre 2018 e 2026.

Existem apreensões, operações, prisões, investigações e processos espalhados por diferentes instituições. Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, polícias civis, polícias militares, Receita Federal, Ministério Público e Justiça registram suas próprias ocorrências e procedimentos.

Somar esses números indiscriminadamente produziria uma estatística aparentemente precisa, mas metodologicamente frágil. E é justamente isso que não faremos. O Sulpost prefere admitir uma lacuna estatística a preencher o vazio com um número inventado.

O valor que não aparece na vitrine

O prejuízo provocado pela extração clandestina também não se resume ao imposto que eventualmente deixa de ser recolhido. Existe a apropriação irregular de um recurso mineral pertencente à União. Pode existir dano ambiental. Em determinadas situações, pode haver exploração de trabalhadores, invasão de áreas protegidas e pressão sobre territórios indígenas.

E existe ainda o problema financeiro. Uma pedra preciosa é pequena, portátil e pode concentrar grande valor econômico. Essas características tornam as gemas particularmente interessantes para cadeias clandestinas e todo tipo de organização criminosa que procura transportar grandes valores de forma discreta.

Quando uma pedra sem origem é lavrada, recebe documentação fraudulenta e entra no mercado formal, aí o problema passa a envolver também a tentativa de ocultar a procedência do patrimônio mineral brasileiro.

O contraste com a economia legal

É importante olhar para os dois lados da mesma história. O Brasil possui uma cadeia legítima de produção e exportação de gemas. Nossas pedras preciosas são cobiçadas por todo o mercado internacional. O comércio exterior registra essas operações e permite acompanhar sua evolução.

O mercado formal paga impostos, movimenta empresas, emprega profissionais especializados e transforma uma riqueza geológica em produto de maior valor agregado. A ilegalidade faz o caminho inverso. Retira a riqueza sem autorização, reduz a capacidade de fiscalização do Estado, pode causar danos ambientais e tenta inserir o produto em uma cadeia comercial onde sua origem deixa de ser perceptível.

A diferença entre uma pedra legal e uma pedra clandestina pode estar justamente em algo que não aparece a olho nu: a documentação que conta de onde ela veio.

De quem é a riqueza que está debaixo dos nossos pés?

Talvez essa seja a pergunta mais importante desta reportagem. Uma esmeralda pode caber na palma da mão. Um diamante bruto pode parecer apenas um pequeno fragmento de pedra.

Um cristal de turmalina pode passar despercebido para quem não conhece mineralogia. Mas todos podem carregar um valor econômico extraordinário. E, antes de chegarem à vitrine, todos saíram de um mesmo lugar: o subsolo do nosso país.

É por isso que a discussão sobre pedras preciosas não deveria ser tratada apenas como assunto de luxo, joalheria ou colecionismo. É também uma discussão sobre patrimônio público, mineração, fiscalização, meio ambiente, trabalho, comércio exterior e segurança.

O Brasil não precisa esconder suas pedras preciosas. Precisa conhecer melhor sua riqueza, fiscalizar sua origem e garantir que o valor gerado por ela percorra caminhos legais. Porque uma pedra preciosa pode até começar sua história oculta debaixo da terra. Mas a história de quem fica com o valor dela é escrita muito depois que ela é retirada do subsolo.

Lula 3: mais fiscalização, mas ainda falta medir o tamanho do prejuízo

A partir de 2023, o governo federal começou a recompor uma estrutura estatal que havia perdido capacidade de fiscalização ao longo dos anos. O exemplo mais concreto está na própria Agência Nacional de Mineração: em 2025, 216 novos servidores foram nomeados depois de 15 anos sem concursos públicos amplos. A ANM informou que o reforço representa cerca de 30% de aumento do quadro funcional e deve ampliar a capacidade de análise, fiscalização e governança sobre os recursos minerais brasileiros.

Não é uma mudança pequena. Fiscalizar o subsolo brasileiro exige gente, tecnologia, informação e presença no território. Sem estrutura para analisar processos, verificar títulos minerários e acompanhar atividades de mineração, a legislação pode existir no papel e ser pouco efetiva na prática.

Outro avanço ocorreu no combate financeiro às atividades ilegais. Em fevereiro de 2023, a ANM publicou a Resolução nº 129, resultado de uma ação coordenada pela Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA), com participação de órgãos como COAF, Polícia Federal, Ministério Público e a própria ANM. A norma estabeleceu mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo nas atividades de extração mineral.

Isso é particularmente importante para as pedras preciosas. Uma gema tem uma característica que interessa ao crime: concentra muito valor em pouco volume. Uma pequena pedra pode ser transportada com facilidade e, se sua origem não for devidamente documentada, pode entrar em uma cadeia comercial aparentemente legítima.

Por isso, combater o crime não significa apenas apreender a pedra. É preciso descobrir de onde ela veio, quem a extraiu, quem comprou, quem transportou, quem vendeu, quem recebeu o dinheiro e, eventualmente, quem tentou colocá-la no mercado internacional.

Há mais repressão?

Os fatos disponíveis indicam que existe uma atuação repressiva importante. As operações da PF contra o comércio ilegal de diamantes e outras pedras preciosas continuaram durante o terceiro mandato de Lula, inclusive com ações envolvendo Rondônia, Mato Grosso, Paraná e outros estados.

Em 2023, a Operação Elusorius investigou o comércio ilegal de diamantes provenientes da Terra Indígena Roosevelt e apontou o transporte das pedras para o Paraná. No mesmo ano, a Operação Itamarã investigou uma organização que, segundo a PF, movimentou aproximadamente R$ 30 milhões em sete meses com atividades relacionadas ao comércio e à exportação ilegal de pedras preciosas.

Em 2024, a Operação Vertex voltou a atingir uma estrutura de comércio ilegal de diamantes em Rondônia.

E em 2026 a Polícia Federal continuou realizando operações, incluindo a Operação Itaberaba, que começou depois da apreensão de 25 diamantes em Cacoal e alcançou suspeitos de participar de diferentes etapas de uma cadeia de comercialização irregular.

Esses casos não provam, isoladamente, que o contrabando tenha aumentado ou diminuído. Mas mostram que o Estado continua investigando e desarticulando estruturas desse tipo.

E a mineração está trazendo mais resultados para o Brasil? Aqui precisamos ser rigorosos. Os dados oficiais disponíveis permitem acompanhar o comércio exterior brasileiro por produto, valor, quantidade e destino por meio do Comex Stat, mas não permitem atribuir automaticamente qualquer crescimento das exportações de pedras preciosas a uma política específica do governo Lula 3.

Também seria deveras impreciso utilizar o valor das exportações legais como medida do tamanho do mercado clandestino. O que podemos afirmar é que o governo federal ampliou a capacidade institucional da ANM e criou mecanismos mais claros de prevenção à lavagem de dinheiro no setor. Coisa que não existia no governo anterior. A agência também vem trabalhando na modernização de seus processos e na ampliação da fiscalização.

Isso cria condições melhores para que a riqueza mineral seja conhecida, regulada e, quando explorada legalmente, transformada em atividade econômica formal. Mas condições melhores não significam que o problema esteja resolvido. O subsolo não pode ser tratado como terra sem dono. 

Há uma questão que ultrapassa governos. O subsolo brasileiro não é uma fronteira econômica sem lei. Os recursos minerais pertencem à União. Quem extrai uma gema sem autorização não está simplesmente “garimpando por conta própria”. Dependendo das circunstâncias, pode estar se apropriando ilegalmente de patrimônio mineral público e alimentando uma cadeia que envolve outros crimes.

É por isso que combater o comércio clandestino de pedras preciosas interessa ao país inteiro. Não se trata apenas de impedir que uma esmeralda, um diamante ou uma turmalina atravesse ilegalmente uma fronteira.

Trata-se de impedir que uma riqueza que pertence ao Brasil seja retirada sem controle, tenha sua origem ocultada e reapareça no mercado como se tivesse nascido legalmente. O avanço existe. A conta completa ainda não.

O governo Lula 3 apresenta avanços objetivos na recomposição da capacidade da ANM, na regulamentação de mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e na continuidade das operações de inteligência e repressão contra cadeias ilegais e organizações criminosas especializadas no contrabando das riquezas do nosso subsolo.

Mas ainda não existe uma estatística nacional capaz de responder, com precisão, quanto das pedras preciosas brasileiras é extraído ilegalmente, quanto deixa de ser arrecadado e qual é o valor total que sai clandestinamente do país. Essa é uma lacuna que precisa ser enfrentada. É uma informação relevante que precisa de tratamento urgente por parte da União.

Porque não basta apreender algumas cargas, prender intermediários ou fechar um garimpo. O Brasil precisa saber quanto tem, quanto produz, quanto exporta legalmente, quanto perde e quem está ficando com a diferença.

As pedras preciosas brasileiras são patrimônio mineral e também oportunidade econômica. Geram divisas para o nosso país. O desafio do Estado é fazer com que o brilho delas apareça nas estatísticas oficiais, no emprego, na renda, na indústria de lapidação e nas exportações — e não apenas nos cofres de quem consegue retirar riqueza do subsolo brasileiro à margem da lei.

A riqueza está debaixo dos nossos pés. O que precisa mudar é a capacidade de protegê-la. Basta de perdas internacionais.


Fontes e metodologia

Esta postagem foi produzida a partir de informações públicas de órgãos oficiais e bases estatísticas, especialmente Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Agência Nacional de Mineração, Ministério de Minas e Energia e Serviço Geológico do Brasil.

Para comércio exterior, foi considerada a base oficial Comex Stat. Os dados de exportação não representam o mercado clandestino e não devem ser utilizados como estimativa do contrabando.

Valores e quantidades mencionados em operações policiais correspondem às informações divulgadas pelas próprias autoridades no momento das ações. Suspeitas, investigações e apreensões não equivalem a condenações judiciais.

A legislação mineral brasileira considera os recursos minerais, inclusive os do subsolo, bens da União. A pesquisa e a lavra dependem dos instrumentos legais correspondentes e estão sujeitas à fiscalização do poder público.

Nota editorial do Sulpost
Nosso compromisso é separar fatos comprovados, informações oficiais, investigações em andamento e interpretações. Quando não existe estatística confiável, não inventamos números.

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15.8.26

Sergio Butka participa do Emprega Araucária e destaca importância da saúde do trabalhador

Presidente do SMC participou do 2º Simpósio Municipal do Emprego, Trabalho e Renda, que reuniu trabalhadores, empresários, sindicalistas, estudantes e representantes do poder público

 
Sergio Butka participa do Emprega Araucária e destaca importância da saúde do trabalhador

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região (SMC), Sergio Butka, participou, nesta quinta-feira (13), do Emprega Araucária, 2º Simpósio Municipal do Emprego, Trabalho e Renda, realizado na sede da Unifacear, em Araucária.

Promovido pela Secretaria Municipal de Trabalho e Emprego, o evento teve como proposta aproximar trabalhadores e empresas, além de promover oportunidades, serviços e debates relacionados ao mundo do trabalho.

Entre as atrações do simpósio esteve a palestra de Carol Costa, CEO e fundadora do Grupo Potencial, que abordou a importância de ambientes de trabalho saudáveis e da atenção às relações entre trabalhadores e equipes.

Durante o evento, também foram discutidos temas relacionados à saúde mental e ao bem-estar dos trabalhadores, questões que ganham cada vez mais espaço nas relações de trabalho e nas políticas de prevenção.

Para Sergio Butka, a discussão sobre saúde do trabalhador precisa estar no centro da atuação sindical.

“Não é só a questão do salário, não é só a questão de condições internas, mas a saúde do trabalhador é o que prevalece.”

O presidente do SMC ressaltou ainda a trajetória da entidade na defesa da saúde dos trabalhadores. Segundo ele, o sindicato atua há mais de quatro décadas nessa área, por meio de seu departamento especializado.

A programação reuniu representantes do poder público, do movimento sindical, empresários, trabalhadores e estudantes, fortalecendo o debate sobre emprego, qualificação profissional, relações de trabalho e saúde.

O evento também marcou a segunda edição do simpósio, que teve uma programação ampliada em relação ao ano anterior.

Serviço

Emprega Araucária — 2º Simpósio Municipal do Emprego, Trabalho e Renda
Realização: Secretaria Municipal de Trabalho e Emprego de Araucária
Local: Unifacear, Araucária
Data: 13 de agosto de 2026

Confira abaixo a participação de Sergio Butka no evento -  🔗 veja a galeria de fotos 🔗


14.8.26

Trump perde força nos Estados Unidos enquanto tarifaço contra o Brasil abre uma crise que também pode custar caro a Washington

Pesquisas mostram presidente americano com apenas 35% de aprovação, a maioria dos americanos rejeita o aumento de tarifas - muitos brasileiros sentem cada vez mais os efeitos políticos e econômicos da reunião entre Flávio e Donald


Imagem: reprodução da internet

Há momentos em que uma disputa internacional deixa de ser apenas uma disputa entre governos. Ela atravessa fronteiras, chega ao supermercado, ao preço da gasolina, ao emprego, à mesa das famílias e, no caso do Brasil, acaba entrando também na campanha eleitoral.

É exatamente o que começa a acontecer com Donald Trump. O presidente americano voltou à Casa Branca prometendo força, prosperidade e uma política externa capaz de colocar os Estados Unidos novamente no centro das decisões mundiais. Mas, oito meses depois do início de seu segundo mandato, as pesquisas mostram uma realidade bem menos confortável.

A aprovação de Trump está em 35%, segundo a pesquisa Reuters/Ipsos divulgada no início de agosto. É apenas um ponto acima do pior índice registrado durante seu atual mandato. E há um detalhe especialmente importante: pela primeira vez em quase uma década, os americanos passaram a confiar mais nos democratas do que nos republicanos para cuidar da economia — 37% contra 36%.

Não é uma diferença enorme. Mas, politicamente, é um sinal. Principalmente porque a economia sempre foi apresentada por Trump como uma de suas principais credenciais.

O tarifaço também não é tão popular assim

É aqui que a história começa a ficar ainda mais interessante. A política de tarifas de Trump, vendida como instrumento para proteger empregos americanos e pressionar parceiros comerciais, não conta com o apoio da maioria da população dos Estados Unidos.

Pesquisa do Pew Research Center mostrou que 60% dos americanos desaprovamvam o aumento substancial das tarifas, enquanto 37% aprovavam. Apenas 13% diziam aprovar fortemente a política dos tarifaços.

É verdade que existe uma divisão partidária muito forte. A base republicana tende a apoiar Trump e suas decisões com muito mais intensidade. Mas Trump não governa apenas para os republicanos.

E quando o consumidor americano começa a perceber que uma tarifa sobre produtos estrangeiros pode acabar incorporada ao preço pago dentro dos EUA, a conversa deixa de ser ideológica e passa a ser doméstica. A medida resulta mais em inflação do que na alegada proteção de mercado.

É o velho problema da política econômica: quem anuncia a tarifa pode até falar em punição ao estrangeiro. Quem está no caixa do supermercado quer saber como e quem vai pagar a conta, para poder manter o padrão de vida tão valorizado pelos estadunidenses.

O Brasil está no meio da disputa

A relação entre Brasília e Washington, infelizmente, vem se deteriorando rapidamente. Após os Estados Unidos imporem novas tarifas sobre produtos brasileiros, o governo Lula reagiu acionando a Lei da Reciprocidade. Brasília também voltou a pedir negociação com as autoridades comerciais americanas, enquanto deixou aberta a possibilidade de medidas de resposta.

O que deveria ser uma negociação comercial acabou ganhando uma dimensão política extraordinária. E isso acontece justamente em um ano eleitoral no Brasil. Não é pouca coisa.

Uma recente Pesquisa Datafolha mostrou que 52% dos brasileiros acreditam que as tarifas americanas têm também o objetivo de ajudar a candidatura de Flávio Bolsonaro. Entre os eleitores de Lula, essa percepção chega a 73%.

O tiro acabou saindo pela culatra

Há outro dado que merece atenção. Uma pesquisa divulgada pela Reuters mostrou que 42% dos brasileiros disseram que as tarifas americanas os aproximaram de Lula, enquanto apenas 27% afirmaram que a medida os aproximou de Flávio Bolsonaro.

É uma reação política que provavelmente não estava no roteiro de Washington. Aqui preciso fazer uma distinção importante. Não significa que todo brasileiro tenha passado a apoiar Lula por causa de Trump. Significa que uma parcela do eleitorado pode interpretar a pressão estrangeira como uma questão de soberania nacional — e, diante dela, preferir cerrar fileiras em torno do governo brasileiro.

Trump e Lula: números que contam uma história

A comparação entre os Estados Unidos e o Brasil também é interessante. Trump tem hoje 35% de aprovação entre os americanos, segundo a Reuters/Ipsos. No Brasil, a pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto de 2026 mostra Lula com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% de Flávio Bolsonaro.

Ronaldo Caiado e Renan Santos aparecem com 4% cada, Romeu Zema e Augusto Cury têm 2%, e Samara Martins aparece com 1%. Indecisos somam 10%, enquanto brancos e nulos chegam a 8%.

No segundo turno, Lula aparece com 43% contra 40% de Flávio Bolsonaro — uma diferença de apenas três pontos percentuais, dentro da margem de erro de dois pontos. Talvez efeito ainda da mesma polarização provocada nos Estados Unidos, que acabou elegendo Donald Trump.  

A comparação não é perfeita. Estamos falando de aprovação presidencial nos Estados Unidos contra intenção de voto para uma eleição que ainda vai acontecer no Brasil. São indicadores diferentes e não devem ser tratados como se fossem equivalentes. Certo é que a imagem do bolsonaro ficou diretamente ligada a Donald Trump e suas políticas, tanto econômicas quanto sociais, bastante questionáveis.

Entretanto achei interessante comparar esses números, eles ajudam a enxergar o ambiente político. Trump governa com aprovação de apenas 35%. É hoje um dos presidentes mais impopulares da América do Norte.

Lula, por sua vez, aparece hoje com 38% no primeiro turno e 43% em um cenário de segundo turno contra seu principal adversário.  

E Flávio Bolsonaro, justamente o candidato brasileiro mais associado politicamente ao trumpismo, aparece com 31% no primeiro turno e 40% no segundo. Ou seja, a impopularidade de Donald trump pode acabar puxando para baixo também a popularidade do candidato trumpista aqui no Brasil.

O Brasil que os americanos conhecem

Existe ainda uma dimensão humana nessa história que costuma desaparecer quando governos começam a trocar tarifas e ameaças. Brasileiros e americanos têm uma relação muito maior do que aquela que aparece nos comunicados oficiais de Washington e Brasília.

Há brasileiros vivendo nos Estados Unidos, americanos vivendo no Brasil, estudantes, trabalhadores, turistas, empresários, pesquisadores, famílias e comunidades inteiras conectadas pela relação entre os dois países.

Por isso, seria precipitado afirmar que “os americanos estão revoltados com o tarifaço contra o Brasil”. Não há, até o momento, uma pesquisa nacional recente que faça exatamente essa pergunta e permita sustentar essa conclusão. O que as pesquisas mostram é algo diferente — e talvez até mais importante.

Os americanos, em sua maioria, não estão entusiasmados com o aumento das tarifas de Trump.

E o desgaste do presidente não acontece apenas entre seus adversários políticos. A pesquisa Reuters/Ipsos mostra que o problema começa a atingir justamente áreas nas quais os republicanos tradicionalmente levam vantagem, como no caso da economia.

Ou seja: não é apenas o Brasil. É um desgaste mais amplo da maneira como Trump está conduzindo a política americana.

A conta ainda não chegou ao fim

O episódio Brasil–Estados Unidos está longe de terminar. O governo Lula abriu, de maneira legítima, processo de reciprocidade contra Washington. Os americanos seguem avaliando os efeitos das tarifas sobre preços e economia. E, no Brasil, a oposição tenta transformar a pressão americana em argumento eleitoral enquanto o governo procura apresentar o conflito como uma questão de soberania.

No fundo, há uma pergunta simples por trás de tudo isso: até onde o eleitor americano está disposto a pagar o preço das escolhas de Donald Trump?

E existe uma segunda pergunta, talvez ainda mais interessante para nós: até onde o eleitor brasileiro aceitará que uma potência estrangeira entre, direta ou indiretamente, na disputa pela Presidência da República do Brasil?

A resposta vai aparecer nas urnas brasileiras, nas eleições que se aproximam. Mas uma coisa parece estar se tornando evidente. Trump queria mostrar força, poder diante do Brasil. Ele tentou nos humilhar, assim como está fazendo com outros países, inclusive com o seu vizinho Canadá.

Por enquanto, o que o Presidente americano conseguiu foi produzir uma crise diplomática, provocar uma reação de Brasília, alimentar o debate eleitoral brasileiro e, dentro dos próprios Estados Unidos, continuar convivendo com índices de popularidade que além de muito baixos, sinalizam continuar caindo.

Às vezes, na política internacional, a maior dificuldade não é impor uma tarifa. É convencer o próprio povo de que vale a pena pagar por ela. Enquanto isso, no Brasil quem fez questão de associar sua imagem ao trampismo ainda vai ter que se explicar muito, durante os debates com os candidatos à presidência da república. Porque a soberania nacional não se questiona, não está em votação.

O Brasil é um país soberano e não necessita de tutela Americana. Talvez, inclusive, eles precisem mais de nós do que nós deles. Trump precisa entender que o nosso país não está à venda. E certamente quem usa um boné que diz: Make América Great Again (Fazer a América Grande Novamente), talvez já devesse ter se mudado para lá. Não concorda?

Fontes das Pesquisas: Reuters/Ipsos, Pew Research Center, Datafolha, Quaest e Reuters.

Sulpost — Jornalismo independente sobre o Paraná, o Brasil e o mundo.

El Niño ganha força e pode estar entre os mais intensos desde 1950; Paraná deve sentir os efeitos no clima e na economia

NOAA eleva para mais de 90% a chance de um El Niño muito forte no fim de 2026. No Paraná, excesso de chuva pode beneficiar algumas lavouras, mas também trazer aumento de pragas, custos e prejuízos no campo

 
NOAA eleva para mais de 90% a chance de um El Niño muito forte no fim de 2026. No Paraná, excesso de chuva pode beneficiar algumas lavouras, mas também trazer aumento de pragas, custos e prejuízos no campo

O oceano parece distante quando olhamos para uma plantação no interior do Paraná. Mas, a história conta que algumas vezes, aquilo que começa a milhares de quilômetros daqui termina aparecendo no céu, no solo, nas estradas rurais e até no preço dos alimentos que chegam à mesa.

É exatamente esse o sinal de atenção que vem do Pacífico.

O El Niño está ganhando força e a nova atualização da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aumentou significativamente o alerta para os próximos meses. A agência estima probabilidade superior a 90% de que o fenômeno alcance a categoria de muito forte durante o período de maior influência previsto para o fim de 2026.

Mais do que isso: para o trimestre de outubro a dezembro, a NOAA calcula em cerca de 69% a possibilidade de o episódio alcançar uma intensidade histórica, considerando os principais eventos observados desde 1950.

Para entrar nessa faixa excepcional, o aquecimento médio de três meses na região do Pacífico utilizada como referência pela agência precisa atingir pelo menos 2,5°C acima da média.

O oceano está aquecendo — e a atmosfera responde

A história começa bem longe do Paraná. As águas do Pacífico Equatorial já apresentam um aquecimento expressivo. Em julho, as temperaturas da superfície do mar no setor oriental do Pacífico Equatorial ficaram mais de 2°C acima da média. Na região Niño 3.4, uma das principais referências para o acompanhamento do fenômeno, a anomalia chegou a aproximadamente 1,4°C.

Próximo à costa da América do Sul, o aquecimento foi ainda mais acentuado, chegando a cerca de 2,9°C acima da média.

É uma mudança importante porque o oceano e a atmosfera funcionam como um sistema. Quando grandes áreas do Pacífico Equatorial mudam de temperatura, também mudam os padrões de circulação atmosférica, a distribuição de umidade e o comportamento de correntes de vento que ajudam a organizar o regime de chuvas em diferentes partes do planeta.

Por isso, o El Niño não é simplesmente uma história sobre um oceano mais quente. É uma história sobre como essa energia adicional pode reorganizar o clima muito além do Pacífico.

O que isso significa para o Brasil?

É importante fazer uma ressalva antes de qualquer previsão alarmista: o El Niño forte não significa automaticamente mais chuva ou mais calor em todos os lugares.

O fenômeno aumenta a probabilidade de determinados padrões climáticos. Mas cada região responde de maneira diferente, e outros sistemas atmosféricos e oceânicos também participam dessa equação.

No Brasil, a Região Sul costuma estar entre as áreas que mais sentem a influência do El Niño. Em determinados episódios, a circulação atmosférica favorece períodos de chuva mais frequente e volumosa no Sul, enquanto partes do Norte e do Nordeste podem apresentar maior risco de precipitações abaixo da média.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) já registrou, em 2026, sinais compatíveis com esse padrão e chamou atenção para a influência do fenômeno sobre as condições de chuva na Região Sul.

Um dos mecanismos envolvidos é o fortalecimento dos chamados jatos de baixos níveis, correntes de vento que transportam umidade e podem contribuir para levar mais vapor d'água para a região.

E o que aconteceu no começo do inverno já oferece uma pequena amostra do problema.

Paraná: quando a chuva ajuda — e quando começa a atrapalhar

No campo paranaense, a questão não pode ser resumida a uma pergunta simples: vai chover mais? A pergunta realmente importante é outra: quando vai chover, quanto vai chover e como essa água será distribuída? Para uma lavoura, chuva pode significar vida.

Em junho, as condições de umidade do solo ajudaram culturas de inverno como trigo e aveia. Em algumas áreas do Paraná, a disponibilidade de água era considerada favorável ao desenvolvimento das plantas.

Mas existe um ponto em que a mesma chuva que ajuda passa a prejudicar.

No início de julho, volumes elevados registrados principalmente no oeste e no sudoeste paranaenses aumentaram a pressão sobre as lavouras de trigo. Segundo o INMET, a elevada umidade favoreceu a ocorrência de doenças fúngicas e manchas foliares.

É uma diferença que pode parecer pequena para quem acompanha apenas a previsão do tempo, mas que pode ser enorme para quem vive da agricultura.

Alguns dias de chuva podem fornecer a água necessária ao desenvolvimento de uma cultura. Uma sequência prolongada de precipitações, solo encharcado e dificuldade para entrar com máquinas no campo representam outro cenário.

Chuva persistente pode aumentar a incidência de doenças, dificultar a aplicação de defensivos, atrasar operações agrícolas, comprometer a qualidade dos grãos e elevar os custos de produção.

Em episódios mais severos, tempestades também podem provocar erosão, alagamentos e danos à infraestrutura rural.

Por outro lado, quando a chuva chega na quantidade e no momento adequados, pode melhorar a disponibilidade de água no solo e favorecer determinadas culturas.

É por isso que a intensidade do El Niño, sozinha, não determina o resultado de uma safra. A distribuição das chuvas será tão importante quanto o volume total acumulado.

Um El Niño muito forte não significa desastre em todo lugar

A própria ciência climática recomenda cautela. Mesmo um El Niño excepcionalmente forte não garante que todos os efeitos tradicionalmente associados ao fenômeno acontecerão da mesma maneira em todas as regiões.

O que aumenta é a probabilidade de determinados padrões. Quanto mais intenso o fenômeno, maior pode ser a confiança em algumas dessas tendências. Mas elas continuam sendo probabilidades, e não uma sentença sobre o tempo que fará em determinado município, dia ou semana.

O clima é muito mais complexo. O El Niño interage com outros sistemas atmosféricos e oceânicos. As condições do Atlântico, por exemplo, também podem modificar a distribuição das chuvas sobre o território brasileiro.

Por isso, para o Paraná, o momento é muito mais de atenção e preparação do que de anunciar um desastre antes que ele aconteça.

E a crise climática, onde entra nessa história?

Aqui existe outra distinção importante. O El Niño é um fenômeno natural do sistema climático da Terra. Ele não foi criado pela atividade humana. Portanto, não é correto afirmar simplesmente que a crise climática "causou" o atual El Niño.

A questão é mais complexa. O planeta está mais quente em razão do aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. Isso significa que fenômenos naturais como o El Niño passam a atuar sobre um planeta que já apresenta temperaturas médias mais elevadas.

A ciência ainda investiga exatamente como o aquecimento global poderá alterar a frequência e a intensidade dos episódios de El Niño e La Niña. Existe, porém, maior segurança em relação a outro aspecto: o aquecimento do planeta pode modificar a intensidade dos impactos associados aos eventos climáticos extremos.

É por isso que pesquisadores analisam cada vez mais a interação entre a variabilidade natural do clima e a mudança climática provocada pelas atividades humanas.

Um El Niño muito forte não é, sozinho, sinônimo de crise climática. Mas seus efeitos acontecem em um mundo que já está mais quente e no qual extremos de temperatura, chuva e seca representam riscos crescentes para cidades, agricultura, água, energia e infraestrutura.

Quando o clima chega ao supermercado

Existe ainda uma dimensão dessa história que costuma ficar escondida atrás dos mapas meteorológicos. O clima também é economia.

Uma seca em uma grande região produtora pode reduzir a oferta de determinado alimento. Uma chuva excessiva pode destruir parte de uma safra. Uma quebra de produção pode elevar preços. E, em uma economia globalizada, o problema não necessariamente fica onde a chuva caiu.

Estudos do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostram que episódios de El Niño podem produzir efeitos importantes sobre preços de commodities, inflação e atividade econômica, embora os impactos sejam muito diferentes entre países e regiões.

O mecanismo é relativamente simples. Se uma seca reduz a produção de uma commodity agrícola importante, a oferta diminui. Se a demanda permanece, a tendência é de pressão sobre os preços.

Trigo, café, arroz, frutas, óleos vegetais e outras commodities podem ser afetados dependendo da região atingida e da intensidade dos impactos.

A energia também entra nessa conta. Mudanças na disponibilidade de água podem afetar a geração hidrelétrica em determinadas regiões. Quando a geração diminui, pode haver maior necessidade de recorrer a outras fontes de energia. No fim dessa cadeia, o consumidor pode sentir os efeitos na inflação.

Não significa que todo El Niño necessariamente provocará aumento generalizado dos preços. Mas existe evidência histórica de que choques associados ao fenômeno podem pressionar commodities e inflação em diferentes economias.

Para o Paraná, o alerta vai muito além da previsão do tempo

É por isso que acompanhar o El Niño interessa não apenas aos meteorologistas. Interessa ao agricultor que precisa decidir quando plantar e aplicar defensivos. Ao produtor de trigo que precisa proteger a lavoura contra doenças. À cooperativa que precisa planejar armazenagem. Ao transportador que depende de estradas em boas condições. À indústria de alimentos que precisa comprar matéria-prima.

E interessa também ao consumidor, que pode sentir no supermercado as consequências de uma safra afetada pelo clima.

No Paraná, onde agricultura e agroindústria têm enorme peso econômico, essa conexão é especialmente evidente.

Se as chuvas forem bem distribuídas, o El Niño poderá favorecer determinadas culturas. Se vierem concentradas, persistentes ou acompanhadas de tempestades, os problemas podem aumentar.

É uma diferença que pode parecer pequena em uma previsão meteorológica, mas que pode ser enorme para quem está trabalhando com uma lavoura.

O que pode acontecer

A NOAA prevê que o El Niño continue se fortalecendo até o fim de 2026. Para o trimestre de outubro, novembro e dezembro, a probabilidade de um episódio muito forte chega a aproximadamente 95% na classificação baseada no índice utilizado pela agência. No trimestre seguinte, de novembro a janeiro, permanece em torno de 90%.

A agência também estima em 69% a chance de que o trimestre outubro-dezembro registre um episódio de intensidade histórica, considerando a série de eventos observados desde 1950.

O próximo boletim mensal da NOAA está previsto para setembro. Até lá, talvez a palavra mais importante não seja medo. É preparação. O clima não pode ser controlado. Mas seus riscos podem ser monitorados e, em muitos casos, reduzidos.

Para o Paraná, isso significa acompanhar de perto as lavouras, os níveis dos rios e reservatórios, as condições das estradas rurais, os sistemas de drenagem e os alertas meteorológicos.

Para o setor produtivo, significa incorporar cada vez mais a informação climática às decisões econômicas. E lutar por um seguro maior para as colheitas dentro do Plano Safra. Muitas lavouras são inteiramente vendidas mesmo antes de serem plantadas. Se a colheita for prejudicada o agricultor precisa ter um plano de seguro.

E, para todos nós, significa compreender que o clima não respeita fronteiras. Quando o oceano muda de temperatura a milhares de quilômetros de distância, a consequência pode aparecer na chuva sobre uma plantação paranaense, na qualidade de uma safra, no preço de uma commodity e, algumas semanas ou meses depois, na conta do supermercado do outro lado do planeta.

O El Niño começa no Pacífico. Seus efeitos, porém, podem chegar muito mais longe. A atmosfera terrestre não tem fronteiras.

Com informações das seguintes agências: Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA); Instituto Nacional de Meteorologia (INMET); Fundo Monetário Internacional (FMI) e Painel El Niño 2026

O Sulpost acompanha os efeitos das mudanças e variações climáticas sobre o Paraná, a agricultura, a economia e a vida das pessoas.

José Baka Filho morre aos 63 anos após luta contra o câncer

Ex-prefeito de Paranaguá e comunicador do Litoral estava internado em Curitiba para tratamento de um câncer no pâncreas; morte provoca manifestações de pesar entre amigos, políticos e pessoas que acompanharam sua trajetória

Ex-prefeito de Paranaguá e comunicador do Litoral estava internado em Curitiba para tratamento de um câncer no pâncreas; morte provoca manifestações de pesar entre amigos, políticos e pessoas que acompanharam sua trajetória


A notícia chegou nesta sexta-feira, 14 de agosto, soube do acontecido pelo companheiro e parceiro do blog, Nelsão da Força. Logo cedo ele me passou uma notícia que trouxe silêncio para muita gente que conheceu José Baka Filho, acompanhou sua trajetória e, de alguma maneira, cruzou sua história com a de Paranaguá.

O ex-prefeito de Paranaguá, comunicador e dirigente de veículos de comunicação do Litoral morreu aos 63 anos, depois de enfrentar nas últimas semanas uma batalha contra um câncer no pâncreas.

Baka estava internado no Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba, onde realizava o tratamento. Em julho, quando decidiu falar publicamente sobre a doença, procurou principalmente tranquilizar as pessoas que vinham acompanhando sua situação.

Naquele momento, dizia que a recuperação estava evoluindo bem. Agradeceu as mensagens, as orações e o carinho que vinha recebendo e contou que cada manifestação de apoio fazia diferença.

Também revelou que, no início, a família havia escolhido manter o diagnóstico em sigilo. Era uma decisão tomada para preservar sua privacidade e permitir que ele enfrentasse os primeiros dias do tratamento com mais tranquilidade.

A esperança durante o tratamento

A esperança, naquele momento, ainda estava presente. Baka falava em concluir o tratamento, voltar gradualmente às atividades e seguir trabalhando nos projetos que vinha construindo para a política parnanguara.

Antes de descobrir a doença, segundo relato divulgado durante o tratamento, ele continuava envolvido nas articulações políticas e nos projetos para as eleições de 2026.

Era uma demonstração de que, mesmo diante de uma situação delicada, continuava olhando para frente.

Uma vida ligada a Paranaguá

Nascido em Paranaguá, em 27 de novembro de 1962, José Baka Filho construiu praticamente toda a sua trajetória pública ligada à cidade e ao Litoral.

Engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Paraná, iniciou sua carreira profissional ligado à Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina.

Na política, chegou à Prefeitura de Paranaguá pelo PDT e comandou o município por dois mandatos consecutivos, entre 2005 e 2012.

Mas a política nunca foi a única dimensão de sua vida pública. Baka também construiu uma relação muito próxima com a comunicação, especialmente com o rádio, tornando-se uma figura conhecida dos meios de comunicação do Litoral.

Nos últimos anos, atuava como diretor da Massa FM Litoral e continuava presente no cotidiano político e social de Paranaguá. Foi, portanto, uma dessas figuras que acabam se confundindo com a própria história de uma cidade.

Para alguns, era o prefeito. Para outros, o político do PDT. Para muitos, era o homem do rádio, da comunicação, das conversas e dos encontros que fazem parte da vida de uma comunidade.

Uma despedida em meio à dor

O Blog Papo Reto com o Nelsão, em nome de Nelsão e de toda a sua família, recebe com profundo pesar a notícia da morte de José Baka Filho.

Neste momento de dor, a solidariedade se estende principalmente aos familiares, amigos, companheiros de caminhada política, colegas de trabalho, colaboradores e a todos aqueles que tiveram a oportunidade de conviver com Baka.

A morte encerra uma trajetória, mas não apaga as histórias construídas ao longo dela.

Paranaguá perde hoje uma personalidade que esteve por décadas presente na vida pública, política e na comunicação do Litoral.

Nelsão e sua família manifestam seus mais sinceros sentimentos e pedem a Deus que conforte o coração de todos os que sofrem com esta perda. Que a família encontre força para atravessar este momento.

Que os amigos encontrem nas lembranças um pouco do conforto que agora parece faltar.

E que a história de José Baka Filho permaneça viva na memória daqueles que caminharam ao seu lado.

Descanse em paz, companheiro Baka.

Apuração: Blog Papo Reto com o Nelsão / Sulpost. Informações sobre o tratamento contra o câncer e a internação foram confrontadas com publicações da imprensa do Litoral divulgadas em julho de 2026.

Seis meses depois, Nelsão ainda pergunta: quem vai responder pela violência da PM do Paraná na greve da Brose?

Agressão contra dirigente sindical ganhou repercussão nacional, chegou a Brasília e deixou uma pergunta sem resposta: o que foi feito para apurar a atuação da Polícia Militar durante a greve?

Há imagens que não deveriam ser esquecidas. E algumas delas, graças à tecnologia, já não podem ser apagadas. Podem, no máximo, cair no silêncio enquanto outras notícias ocupam seu lugar.

Uma dessas cenas aconteceu em 4 de fevereiro de 2026, diante da fábrica da Brose, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Trabalhadores estavam em greve quando uma intervenção da Polícia Militar do Paraná (PMPR), terminou com a imobilização e a prisão do dirigente sindical Nelson Silva de Souza, o Nelsão da Força. Vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) e Força Sindical Paraná.

As imagens, da truculência policial, circularam por todo o país. Todas as Centrais Sindicais denunciaram a violência policial e o cerceamento do direito de greve. Trabalhadores relataram o uso de spray de pimenta. Outros dirigentes também denunciaram truculência. Nelson foi algemado com tiras de nylon que poderiam até ter causado uma gangrena em suas mãos, de tão apertadas.

A PM apresentou sua versão para a ocorrência. Os trabalhadores e sindicalistas apresentaram outra. É justamente por isso que, seis meses depois, a pergunta continsindicalistasssária: houve uma investigação efetiva e independente sobre o que aconteceu?

A greve terminou. A pergunta não cala

A paralisação dos funcionários e funcionárias da Brose terminou em março, mas o caso, as perguntas e a indignação não terminaram com ela. O Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT-PR) ajuizou uma Ação Civil Pública contra a empresa, apontando práticas antissindicais durante a greve e pedindo, entre outras medidas, R$ 1 milhão por dano moral coletivo.

É uma resposta institucional importante. Mas diz respeito à conduta da empresa. E a atuação da Polícia Militar? Essa é uma questão vital e que precisa ser apurada separadamente. Mas até agora nada apareceu e não se sabe se algo foi feito, sequer se foi aberto um inquérito pelo serviço reservado da própria PMPR, ou denúncia do Ministério Público do Paraná (MPPR).

Nelsão quer saber se a Corregedoria da PMPR abriu procedimento. Quer saber se a Secretaria de Estado da Segurança Pública tomou alguma providência. Quer saber se o Ministério Público do Paraná recebeu a denúncia e acompanhou o caso. E, acima de tudo, quer saber se houve responsabilização. Afinal, quem deu a ordem?

Não foi apenas Nelsão

A denúncia nunca envolveu somente a agressão sofrida pelo dirigente sindical. Outros sindicalistas, trabalhadoras e trabalhadores também relataram violência e truculência durante os conflitos registrados ao longo da greve. Há inclusive imagens comprovando as denúncias.

Por isso, a questão ultrapassa a experiência pessoal de Nelsão. Se houve abuso, é preciso saber quem praticou, quem autorizou, quem fiscalizou e quais medidas foram tomadas. A apuração se faz assaz, para impedir que algo semelhante volte a acontecer.

Não se trata de condenar antecipadamente nenhum policial ou cadeia de comando. Trata-se de investigar. Inclusive o suposto aparelhamento da Polícia Militar pela empresa. E, que se a investigação concluir que não houve irregularidade na ação policial, que isso também seja informado publicamente. Pois as pessoas que ficaram traumatizadas com o episódio, gente tinha desconfiava na polícia mas agora tem medo. Merece uma explicação do Estado.

As marcas das algemas nos braços do Nelsão

Quando a notícia também bate à porta de casa

Há uma razão pessoal para que esta discussão também me atravesse como jornalista. Na mesma época dos acontecimentos da Brose, minha própria casa recebeu diversas visitas policiais. Em uma delas, a porta foi arrombada. Em outra, houve ameaça de arrombamento caso minha companheira não abrisse a porta.

Sou jornalista, sou pessoa com deficiência e já tenho uma certa idade. Até hoje, ninguém apareceu para pagar sequer o caixilho que ficou danificado. Nunca antes disso tinha acontecido na minha vida, e olha que eu já briguei com gente grande porque aprendi que o sol, a lua e a verdade não se esconde para sempre.

Considero aquilo um abuso e continuo também esperando uma resposta. Foram dezenas de vezes a polícia de pistola engatilhada na porta da minha casa. Poucas equipes foram cordiais. Na maioria considero que foi abuso, ainda mais que todas aconteceram depois das 18 horas.

Não trago essa experiência para substituir provas ou investigação. Apesar do trauma, não guarda mágoa ou rancor. Mas carrego comigo essa experiência terrível, e agora trago à tona porque é impossível discutir abuso de autoridade sem lembrar que, do outro lado da ocorrência, existe sempre uma pessoa.

Existe uma casa. Existe uma família. Existe alguém que precisa continuar vivendo depois que a viatura vai embora. Quando é levado dentro da viatura também preciso voltar para casa, mesmo local aonde trabalho, carregando esse estigma comigo.

Existe uma pergunta que demorou para ser feita ser feita: quem fiscaliza quem tem o monopólio da força? Meu pai, assim como o meu avô, que também eram jornalistas aqui nessa mesma cidade, sempre me disseram: a tropa é reflexo do comandante.

Trabalhador, sindicalista e jornalista não são inimigos do Estado

Quando um trabalhador está em greve, ele continua sendo cidadão. Ser trabalhador não é crime.

Quando um sindicalista está na porta de uma fábrica, continua protegido pela Constituição. Sindicalismo não é crime.

Quando um jornalista denuncia aquilo que considera errado, também continua tendo seus direitos fundamentais preservados. Jornalismo não é crime.

Da mesma forma, qualquer cidadão abordado pelo Estado tem direito à dignidade, à integridade física, à presunção de inocência e ao devido processo legal. E, em caso de abuso você não merece reparação moral e material, deveria ao menos haver um pedido oficial de desculpas.

Por isso, não podemos aceitar como normal a ideia de que alguém possa ser tratado como culpado antes de qualquer investigação ou julgamento. Ninguém pode ser levado em suposto flagrante forjado através de denúncia caluniosa. Perturbação da paz inclusive, que hoje em dia é muito alegada por essa corporação, está regulada por lei e tem aferição do Inmetro. Não ultrapassar 95 decibéis durante o dia. Não ultrapassar 90 decibéis após as 22h00.

Armas existem para proteger vidas e enfrentar situações de risco. Não podem se transformar em instrumento de intimidação contra cidadãos que exercem direitos. Não podem ser engatilhadas contra pessoas inocentes que estão dentro da privacidade do lar ou na porta das fábricas e não oferece ameaça alguma ao próximo, a si mesmo e muito menos às autoridades.

Chega de trabalhador ser tratado como inimigo porque fez greve. Chega de sindicalista ser tratado como ameaça porque organizou sua categoria. E chega de jornalista ser tratado como criminoso simplesmente porque fez uma denúncia, ou esbraveja indignado contra sistemas obscuros supostamente com motivação financeira e ideológica.

O exercício do pensamento é livre. A livre expressão é garantida pela Constituição Federal sendo vedado apenas o anonimato. Qualquer manifestação pode ser feita em qualquer lugar público, desde que avisado antes e que não fruste outra marcada anteriormente.

A polícia tem uma função essencial na democracia. Justamente por isso, precisa ser protegida de práticas que possam comprometer a confiança da sociedade. Durante quase 55 anos da minha vida, confiei na polícia. Hoje tenho medo da polícia. E olha que nesse meio tempo morei 11 anos no Rio de Janeiro. Mas foi aqui no Paraná, durante o governo Ratinho Junior, que a polícia realmente me deu medo.


De São José dos Pinhais a Brasília

Voltando ao caso da Brose, que saiu dos portões da fábrica e ganhou repercussão nacional, mobilizando entidades sindicais e chegando às instituições do Paraná e de Brasília. Podemos perceber que a denúncia não desapareceu.

Mas também aumenta a responsabilidade das autoridades em oferecer uma resposta. Só a verdade pode esclarecer os fatos. E, isso só pode ser obtido através de investigação pelas instituições competentes. O caso precisa ser apurado e uma resposta precisa ser dada.

Não cabe a uma reportagem antecipar conclusões sobre eventual responsabilidade individual. Todos são inocentes até se prove o contrário. Cabe às instituições investigar, ouvir os envolvidos, analisar as imagens e apresentar suas conclusões. É preciso coragem. É assim que funciona um Estado Democrático de Direito.

As perguntas continuam sem resposta

Por isso, o blog Sulpost faz publicamente as perguntas que permanecem depois de seis meses:

  • O que foi feito para investigar a atuação policial durante a greve da Brose?
  • A Corregedoria da PMPR abriu procedimento administrativo?
  • A Secretaria de Segurança Pública instaurou alguma investigação?
  • O Ministério Público do Paraná recebeu a denúncia?
  • Os policiais envolvidos foram identificados e ouvidos?

  • As imagens da ocorrência foram incorporadas a algum procedimento?

  • Os policiais usavam câmeras corporais?
  • Se houve investigação, houve conclusão?
  • Algum agente foi responsabilizado?
  • Se não houve responsabilização, qual foi a conclusão que levou a isso?

  • Que medidas serão adotadas para evitar que trabalhadores em greve voltem a ser submetidos a situações semelhantes?

  • Que medidas serão adotadas para que o local de trabalho e moradia de um jornalista não seja invadido na calada da noite?

Investigar não é atacar a Polícia Militar

Essa talvez seja a parte mais importante desta discussão. Investigar uma denúncia de abuso de autoridade não significa atacar a Polícia Militar. Muito pelo contrário, significa inclusive inocentar bons policiais e identificar de onde veio a ordem, para poder se saber se foi uma ação policial ou um comando realizado dentro, ou fora da legalidade.

Uma instituição forte é aquela que também aceita ser fiscalizada. Os bons policiais, que são a grande maioria, aqueles que trabalham corretamente e respeitam a lei, também ganham quando eventuais abusos são apurados. A responsabilização de quem eventualmente ultrapassa os limites da autoridade não enfraquece a corporação.

Uma investigação completa sobre todos esses acontecimentos, inclusive, protege a instituição. Protege quem veste a farda corretamente. E protege, principalmente a sociedade, os mais vulneráveis, os trabalhadores e trabalhadoras, cidadãos e cidadãs, aqueles que para quem entra para as forças policiais, jura servir e proteger.

Da mesma maneira, uma denúncia não transforma automaticamente o denunciado em culpado. É justamente a investigação que deve separar fato, suspeita, excesso, erro e responsabilidade. E, se forem constatadas irregularidades o inquérito deve evoluir, naturalmente, penso eu, para a esfera administrativa e judicial cabível.

Para que não aconteça novamente

A greve da Brose acabou. A ação trabalhista continua. Mas as pessoas que passaram por aquela situação vexatória e desumana também continuam carregando suas marcas.

Algumas ficam no corpo. Outras permanecem na memória. E há aquelas que atingem algo mais difícil de reconstruir: a confiança. Talvez algumas pessoas tenham procurado a Justiça. Talvez outras tenham desistido por medo, inclusive medo de que aconteça alguma coisa com a sua própria família, pelo cansaço ou pela sensação de que ninguém iria ouvi-las.

É justamente por isso que a cobrança precisa continuar. E chega aqui, preto no branco, tornando-se indelével. Sem medo da verdade. Sem medo de perguntar. Sem medo de exigir respostas. Não se trata de escolher entre trabalhadores e policiais.

Trata-se de escolher entre o silêncio e a transparência; entre a impunidade, os possíveis abusos por parte das autoridades, as falsas denúncias que levam a polícia ao erro, à lei e ao Estado Democrático de Direito.

Se houve excesso, ele precisa ser apurado. Se aconteceu alguma espécie de abuso, que haja investigação e responsabilização. Se não houve irregularidade, que a investigação demonstre isso e traga a todas e todos, que se sentiram machucados, feridos em seus direitos pelo Estado, uma resposta.

O que não pode acontecer é uma denúncia de violência contra trabalhadores desaparecer simplesmente porque os meses passaram. Então esquentamos a falta, e trazemos fatos novos ao conhecimento público.

A Brose já responde a uma ação na Justiça do Trabalho. Agora é preciso saber o que aconteceu com as denúncias relacionadas à atuação policial. Inclusive na minha casa e local de trabalho, que se tornou truculenta justamente na mesma época dos fatos ocorridos com o Nelsão.

Porque uma sociedade democrática não pode pedir ao trabalhador que esqueça aquilo que o Estado ainda não explicou. A greve acabou. O Nelsão está lá na casa dele, com a família, aguardando eu mandar o link para ele ler essa reportagem, que resolvemos escrever juntos. Eu continuo vivo, ainda bem que nenhuma pistola disparou ou não usaram um fazer contra uma pessoa que tem problemas em um dos ramos do coração.

A pergunta, não cala e exige resposta. O governo Ratinho Júnior não pode simplesmente terminar sem que essas respostas apareçam. Mesmo que tentem nos oprimir ou criminalizar com o poder do Estado, a publicação está feita. A história dirá quem errou, quem acertou, quem eram os bons ou os maus, ou talvez até, simplesmente esclareça os fatos pois existem trabalhadores e famílias com a dignidade ferida pelo Estado.

Nem eu, nem o Nelsão, nem o movimento sindical e muito menos os trabalhadores, trabalhadoras, companheiros e companheiras, vão deixar essas perguntas cairem no esquecimento.

Os danos não ficaram apenas registrados nas imagens daquele dia na Brose é nas noites em claro, que passei com medo de ter a porta novamente arrombada pela polícia do Estado do Paraná.

As marcas ficaram no corpo, na memória e na confiança de pessoas que talvez antes enxergassem a polícia como proteção e hoje sintam medo quando encontram uma farda ou veem uma viatura passar.

E talvez seja justamente aí que esteja a questão mais importante de todas: se queremos uma sociedade mais segura e justa, precisamos também de instituições nas quais o cidadão possa confiar. Se a polícia fiscaliza os cidadãos, quem fiscaliza a polícia?

Por isso, seis meses depois, continuamos perguntando:

  • O que aconteceu depois daquela prisão?
  • Quem investigou?
  • Qual foi o resultado?

E o que o Estado do Paraná fará para garantir que aquilo, O que é isso não aconteça novamente? Da minha parte continua esperando alguém pagar o caixilho da minha porta e me pedir desculpas perante a todos aos quais me senti humilhado por ser tratado de forma desumana como fizeram com a Nelsão. Uma coisa terrível, um absurdo, tentando manchar histórias e reputação construída ao longo de décadas.

Assusta ser levado preso de dentro de casa, durante a noite, justamente quando o filme brasileiro que faz mais sucesso no exterior, inclusive premiado com o Oscar, fala sobre um jornalista levado por militares da sua casa, que nunca mais voltou. Mas eu ainda estou aqui. E o companheiro Nelsão também, lutando pelo que para nós é certo, através das nossas garantias constitucionais. Cada um na sua área de atuação.

Nota editorial: A existência de denúncias e imagens da ocorrência não significa antecipar culpa individual. O objetivo desta reportagem é cobrar que as autoridades competentes investiguem os fatos, esclareçam o que ocorreu e, caso sejam constatadas irregularidades, adotem as medidas cabíveis previstas em lei.

Os relatos do Nelson e pessoais apresentados nesta reportagem são resultado de experiência do autor - Ronald Sanson Stresser Jr - e não como prova de outros casos. Por isso costumo dizer que o mesmo calçado mal feito, aperta o calcanhar de um, a bolha no pé do outro, e o calo de outrem.

A presunção de inocência, o contraditório, a ampla defesa e os direitos fundamentais previstos na Constituição Federal valem para todos — trabalhadores, sindicalistas, jornalistas, policiais, empresas e autoridades públicas. E também sempre é preciso observar o estatuto do deficiente, garantido a preservação da dignidade justamente daqueles que mais precisam da proteção do Estado.

Investigar não é condenar. Investigar é garantir que a verdade possa ser conhecida. Porque, como dizia o Buda: existem três coisas que não se escondem para sempre, o sol, a lua e a verdade. Mesmo que estejamos vivendo dias nublados, tenho certeza de que a verdade há de voltar a raiar no horizonte do Paraná.

Basta! Sindicalismo não é crime. Ideologia política progressista não é crime. Jornalismo não é crime. Deficiência ou neurodivergência, além de não ser crime é sinônimo de respeito. Para isso existem as leis.

Lembrando que a perseguição feroz para cima da minha pessoa como cidadão, da minha família, do meu posicionamento político e do meu trabalho, não começou este ano. Os registros da Polícia Militar do Estado do Paraná talvez contem melhor a parte da história que ainda me é oculta. A primeira vez que fui levado preso, após arrombamento da porta da minha residência durante a noite sem que houvesse flagrante algum, foi em junho de 2025.

13.8.26

Alexandre Guimarães oficializa candidatura à Alep e coloca Campo Largo no centro da disputa de 2026

Presidente da Câmara de Campo Largo confirma pelo PDT uma candidatura que pretende transformar sua experiência política local em uma nova representação da cidade na Assembleia Legislativa do Paraná 

 
Presidente da Câmara de Campo Largo confirma pelo PDT uma candidatura que pretende transformar sua experiência política local em uma nova representação da cidade na Assembleia Legislativa do Paraná

Campo Largo voltou a olhar para a estrada que leva a Curitiba, ao progresso do município e de toda a região. Depois de semanas em que seu nome circulava como possibilidade, Alexandre Guimarães confirmou nesta quarta-feira (12) que vai disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Paraná pelo PDT. O anúncio foi feito pelo próprio vereador e presidente da Câmara de Campo Largo em um vídeo publicado em suas redes sociais.

“Hoje, um passo importante na nossa caminhada”, disse Alexandre.

A frase é simples. Mas, para quem acompanha a política de Campo Largo, ela representa uma mudança de patamar. A partir de agora, a disputa deixa de ser apenas uma conversa de bastidores e passa a ter nome, rosto e projeto.

Alexandre volta a colocar seu futuro político em uma eleição estadual — e, com isso, Campo Largo volta a buscar espaço próprio na Alep.

Um discurso que começa pela vida das pessoas

No vídeo de lançamento, Alexandre escolheu não começar falando de números, obras ou cargos.

Falou de gente.

Citou a família, a educação, a saúde, o empresário, o empreendedor e o trabalhador. E terminou defendendo uma sociedade em que ninguém fique pelo caminho.

“O Paraná que queremos é aquele que fortalece a família, que dá uma educação de qualidade, uma saúde acessível, que dá condições ao empresário e ao empreendedor de investir, e que assiste o trabalhador”

Depois, resumiu sua visão de futuro:

“Uma sociedade justa, equilibrada, pujante, é aquela onde todas as pessoas se sentem incluídas. Este é o Paraná que nós queremos.”

É nesse ponto que a candidatura começa a ganhar uma identidade própria. Mais do que apresentar uma lista de promessas, Alexandre tenta construir uma conversa com diferentes setores da sociedade.

É um discurso que procura aproximar quem trabalha, quem empreende, quem precisa do serviço público e quem espera encontrar no Estado condições para melhorar a própria vida.

A política estadual não é novidade para Alexandre

A volta à disputa estadual também não acontece por acaso. Alexandre Guimarães já conhece os corredores da Assembleia Legislativa. Em 2014, foi eleito deputado estadual pelo PSC com 24.357 votos, resultado que encerrou um período de 24 anos sem Campo Largo ter um representante no Legislativo estadual.

Na eleição seguinte, em 2018, tentou renovar o mandato pelo PSD. Recebeu 6.601 votos somente em Campo Largo, mas não conseguiu retornar à Assembleia. Depois, voltou a concentrar sua atuação na política municipal.

Em 2024, foi novamente eleito vereador de Campo Largo, desta vez pelo PDT, com 1.116 votos, ficando entre os 15 parlamentares escolhidos para a Câmara Municipal. Hoje, ele preside o Legislativo municipal. E, é justamente dessa trajetória que nasce a nova tentativa de chegar à Assembleia.

De Campo Largo para o Paraná

Há uma diferença importante entre disputar uma eleição para vereador e buscar uma cadeira de deputado estadual. Na Câmara Municipal, o território político é a cidade. Na eleição para a Assembleia, é preciso atravessar as fronteiras municipais e construir uma votação regional.

Alexandre já viveu essa experiência. Agora, porém, retorna a uma disputa estadual depois de anos de atuação política mais próxima da realidade de Campo Largo. O desafio será transformar conhecimento da política local, experiência parlamentar e alianças partidárias em uma rede capaz de alcançar diferentes municípios não apenas da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), mas de todo o estado.

E isso muda também o papel de Campo Largo na eleição. A cidade deixa de ser apenas o ponto de partida de uma candidatura. Passa a ser parte de uma estratégia maior.

Uma candidatura dentro de um projeto político mais amplo

Alexandre também não estará sozinho nesse caminho. O PDT do Paraná oficializou Requião Filho como candidato ao Governo do Estado e confirmou apoio à candidatura de Gleisi Hoffmann ao Senado. No plano nacional, o partido também confirmou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A composição começou a ganhar forma ainda em maio, quando Alexandre participou do ato “Vozes do Paraná”, em Curitiba, que reuniu lideranças do PDT, PT, PCdoB, PV, PSOL e Rede, Federação formada em torno das pré-candidaturas de Requião Filho (PDT), Gleisi Hoffmann (PT) e da reeleição do presidente Lula.

Agora, com a candidatura de Alexandre colocada oficialmente na rua, essa articulação ganha uma dimensão ainda mais concreta. O eleitor de Campo Largo terá diante de si uma eleição em que a escolha para deputado estadual estará conectada também às disputas pelo Governo do Paraná, pelo Senado e pela Presidência da República.

O trabalhador entra na conversa

Um dos pontos mais interessantes do anúncio de Alexandre está justamente na maneira como ele aproxima o empreendedor do trabalhador. Ao defender condições para que empresários e empreendedores possam investir, o candidato imediatamente acrescenta a necessidade de assistência ao trabalhador.

Essa combinação também conversa com os apoios que começam a se formar em torno de sua candidatura em Campo Largo. Entre eles estão o de Nelsão da Força e da sua companheira, a Fernanda do Nelsão, lideranças ligadas ao movimento sindical e à Federação formada pelos partidos do Campo Progressista Paranaense.

O resultado é uma candidatura que tenta construir pontes entre diferentes mundos da cidade com a capital e toda a região leste do Estado. De um lado, quem produz, empreende e gera atividade econômica. De outro, quem vive do próprio trabalho e depende de serviços públicos que funcionem de verdade.

No meio disso tudo está uma cidade que conhece Alexandre há bastante tempo e que agora terá de decidir se quer levá-lo novamente para a política estadual. É a força do povo de Campo Largo, dos trabalhadores da RMC, novamente na Assembleia Legislativa do Paraná.

O passado ajuda, mas o presente faz acontecer

A experiência anterior certamente faz parte do patrimônio político, do currículo de Alexandre Guimarães. Mas eleição não é repetição automática do passado, é luta, é ir de casa em casa visitando o eleitorado, é ouvir o trabalhador e a trabalhadora, conversar com as pessoas e conhecer suas demandas.

Também no cenário político, o Paraná de 2026 é outro. Os partidos mudaram, as alianças mudaram, os nomes mudaram e o eleitor também mudou. A própria trajetória de Alexandre Guimarães mostra isso. Em 2014, chegou à Assembleia pelo Partido Social Cristão (PSC). Em 2018, tentou permanecer no Legislativo estadual pelo Partido Social Democrata (PSD). E, em 2024, retornou à Câmara de Campo Largo pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT).

Agora, em 2026, apresenta-se novamente ao eleitor paranaense, desta vez integrado a um projeto político estadual conduzido pelo PDT e Federação Brasil da Esperança. A tarefa será transformar essa trajetória em uma nova votação estadual.

Campo Largo volta a olhar para a Assembleia

Existe, portanto, algo maior acontecendo do que simplesmente o lançamento de uma candidatura a deputado estadual. Campo Largo volta a entrar de maneira mais evidente no cenário da eleição 2026 para a Assembleia Legislativa.

Alexandre conhece a política municipal, já passou pelo Legislativo estadual e hoje preside a Câmara. Essa experiência será colocada à prova novamente diante dos eleitores. E o apoio de quem acredita na trajetória e nas obras de Alexandre Guimarães é essencial, pois a disputa não será pequena.

Outros grupos políticos também trabalham para apresentar seus nomes e seus projetos ao eleitorado campo-larguense e ajacências. O município, ocupa uma posição muito importante na Região Metropolitana de Curitiba, estratégica, e tende a ser novamente um território muito disputado nas eleições que se avizinham.

Para Alexandre, a questão será transformar presença política em votos dentro e fora dos limites da cidade. Para Campo Largo, a questão é ainda mais direta: decidir se, em 2026, quer voltar a ter uma voz própria na Assembleia. A voz de Alexandre Guimarães.

“Este é o Paraná que nós queremos”

No fim do vídeo, Alexandre não fala apenas de Campo Largo. Ele é mais uma Voz do Paraná. E talvez seja justamente neste ponto que esteja o principal diferencial da nova etapa da caminhada deste político campolarguense. O vereador que até aqui tinha sua atuação concentrada na cidade passa a precisar conversar com um Estado inteiro.

Família. Educação. Saúde. Trabalho. Empreendedorismo. Inclusão. São as palavras escolhidas pelo candidato para apresentar essa sua nova caminhada rumo ao legislativo paranaense.

A candidatura está oficialmente colocada. Agora começa a parte menos simples da política: caminhar, conversar, ouvir, construir alianças e transformar uma trajetória construída em Campo Largo numa candidatura capaz de alcançar o Paraná por inteiro.

Para a cidade, começa também uma nova disputa pelo espaço que um dia já foi ocupado por um representante local na Assembleia. E, desta vez, Campo Largo não estará apenas assistindo à eleição. Vai estar novamente no centro dela.


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