20.7.26

Consumo das famílias mantém economia em movimento, mas FGV vê sinais de desaceleração

Monitor do PIB mostra alta de 0,7% em maio, impulsionada principalmente pelos brasileiros que continuam consumindo, enquanto indústria e exportações começam a perder força

Foto: Rafa Nepomuceno/Agência 


Contrariando o discurso de narrativas falsas geradas pela polinização política da extrema direita, a economia brasileira voltou a ganhar ritmo em maio. Depois de um abril marcado por uma leve retração, a atividade econômica acelerou novamente e registrou crescimento de 0,7%. O dado, divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), confirma que o mercado interno continua sustentando boa parte da expansão do país.

Mais do que um simples indicador estatístico, o resultado ajuda a contar uma história conhecida por milhões de brasileiros. Mesmo diante de juros elevados, crédito caro e um cenário internacional ainda incerto, as famílias continuam movimentando o comércio, contratando serviços e mantendo a economia em funcionamento.

Mas a fotografia completa mostra nuances importantes. Se, por um lado, o consumo segue forte, por outro começam a aparecer sinais de perda de fôlego em setores estratégicos da atividade econômica.

O brasileiro continua movimentando a economia

Segundo o Monitor do PIB, o consumo das famílias cresceu 3,3% no trimestre móvel encerrado em maio, alcançando o melhor desempenho desde o último trimestre de 2024.

Mais de 60% desse avanço veio dos setores de serviços e de bens duráveis, indicando que a demanda interna permanece aquecida. É o consumidor que continua mantendo lojas abertas, restaurantes cheios, viagens acontecendo e diversos segmentos da economia em atividade.

De acordo com entrevista da economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, à EBC, esse foi o principal fator responsável pelo crescimento observado em maio.

Nem todos os motores estão funcionando

Apesar do resultado positivo, a FGV faz um alerta importante.

A agropecuária voltou a crescer depois de uma sequência de retrações, mas a indústria praticamente ficou estagnada, mostrando perda de dinamismo. O setor de serviços foi o único que apresentou desempenho mais consistente.

Na avaliação da instituição, essa concentração do crescimento em apenas um componente — o consumo das famílias — revela uma economia menos equilibrada do que aparenta à primeira vista.

Quando investimentos, indústria e exportações deixam de acompanhar esse movimento, o crescimento tende a perder intensidade ao longo do tempo.

Exportações desaceleram

As vendas brasileiras para o exterior continuaram crescendo, mas em velocidade menor.

O avanço foi de 4,3%, o menor desde o segundo trimestre de 2025. Segundo a FGV, essa desaceleração foi influenciada principalmente pela redução do ritmo das exportações da indústria extrativa mineral, um dos segmentos que mais vinha contribuindo para o desempenho externo do país.

Enquanto isso, as importações aumentaram 8,9%, registrando o terceiro trimestre móvel consecutivo de expansão.

Investimentos dão sinais de recuperação

Nem tudo, porém, inspira preocupação.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede os investimentos realizados em máquinas, equipamentos, construção e infraestrutura, apresentou crescimento de 2% no trimestre móvel. Foi a segunda alta consecutiva após quatro períodos seguidos de retração.

A taxa de investimento chegou a 18,6% do PIB em maio, a segunda maior registrada em 2026, atrás apenas de fevereiro.

Embora ainda distante do nível considerado ideal para acelerar o crescimento econômico de longo prazo, o resultado indica que empresas começam, lentamente, a recuperar parte da confiança para investir.

Um ano de crescimento moderado

O comportamento da economia ao longo de 2026 mostra um avanço gradual, ainda que sem grandes acelerações.

  • Janeiro: 0,7%
  • Fevereiro: 0,5%
  • Março: 0%
  • Abril: -0,1%
  • Maio: 0,7%

No trimestre móvel encerrado em maio, a economia cresceu 1,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

Já no acumulado de 12 meses, a expansão ficou em 1,7%. Embora positiva, ela mostra perda de intensidade. Em março, esse indicador era de 3%. Um ano antes, alcançava 3,8%.

É justamente essa desaceleração gradual que desperta a atenção dos economistas.

PIB oficial sai em setembro

O Monitor do PIB da FGV funciona como um importante termômetro da atividade econômica brasileira, antecipando tendências antes da divulgação oficial.

O resultado definitivo será apresentado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgará o PIB do segundo trimestre de 2026 no próximo dia 1º de setembro.

Enquanto isso, as expectativas continuam relativamente otimistas. O mercado financeiro, segundo o Boletim Focus do Banco Central, projeta crescimento de 1,99% para a economia brasileira neste ano. Já o Ministério da Fazenda trabalha com uma estimativa mais elevada, de 2,3%.

Entre o otimismo e a cautela

Os números divulgados pela FGV reforçam uma percepção que vem se consolidando ao longo de 2026: a economia brasileira continua crescendo, mas em velocidade moderada.

O consumo das famílias segue sendo o grande sustentáculo dessa expansão, demonstrando resiliência mesmo em um ambiente de juros elevados. Ao mesmo tempo, indústria, exportações e parte dos investimentos ainda caminham em ritmo mais lento, limitando uma recuperação mais robusta.

O desafio dos próximos meses será justamente ampliar os motores desse crescimento. Se mais setores voltarem a ganhar força, a economia poderá entrar em uma trajetória mais consistente. Caso contrário, os sinais de desaceleração apontados pela FGV tendem a se tornar cada vez mais visíveis.


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Mercado vê inflação em queda, mas juros altos ainda desafiam recuperação da economia

Nova edição do Boletim Focus mostra leve melhora na expectativa para o IPCA de 2026, enquanto projeções para crescimento econômico, dólar e taxa Selic permanecem praticamente inalteradas

Nova edição do Boletim Focus mostra leve melhora na expectativa para o IPCA de 2026, enquanto projeções para crescimento econômico, dólar e taxa Selic permanecem praticamente inalteradas. Mercado vê inflação em queda, mas juros altos ainda desafiam recuperação da economia.

A inflação continua dando sinais de desaceleração nas projeções do mercado financeiro. Aos poucos, sem alarde, as expectativas começam a se mover na direção de um cenário mais favorável para o bolso dos brasileiros, embora o caminho até o centro da meta ainda esteja longe de ser concluído.

O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Banco Central, reduziu novamente a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026. A previsão passou de 5,16% para 5,15%, mantendo uma sequência de revisões para baixo observada nas últimas semanas. Há apenas um mês, o mercado projetava inflação de 5,33% para o próximo ano.

Apesar da melhora gradual, a expectativa ainda permanece acima da meta perseguida pelo Banco Central, indicando que o processo de controle da inflação continua exigindo cautela da política monetária.

Economia cresce, mas em ritmo moderado

As previsões para o desempenho da economia brasileira praticamente não mudaram.

Segundo o Focus, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 1,99% em 2026, estimativa que permanece estável pela terceira semana consecutiva. Para 2027, a projeção é de expansão de 1,65%, enquanto para 2028 o mercado espera crescimento de 2%.

O cenário revela uma economia que continua avançando, mas ainda distante de um ciclo de crescimento mais acelerado.

Dólar permanece estável

No câmbio, as expectativas seguem praticamente congeladas.

O mercado prevê que o dólar encerre 2026 cotado em R$ 5,20, projeção mantida há cinco semanas consecutivas. Para os anos seguintes, as estimativas permanecem em R$ 5,28 em 2027 e R$ 5,30 em 2028.

A estabilidade cambial ajuda a reduzir parte das pressões sobre os preços, principalmente dos produtos importados e de insumos industriais.

Selic continua elevada

O principal freio para uma recuperação mais vigorosa da economia continua sendo o custo do dinheiro.

Os analistas mantiveram pela quarta semana seguida a previsão de que a taxa básica de juros (Selic) termine 2026 em 14% ao ano.

Atualmente, a Selic está em 14,25%, nível definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião de junho. Com isso, o mercado espera pelo menos um corte até o fim deste ano, embora os juros devam permanecer elevados por um período prolongado.

Para 2027, a expectativa segue em 12%, enquanto para 2028 a projeção permanece em 10,5%.

Vale lembrar que, entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006.

O equilíbrio entre inflação e crescimento

A política de juros continua sendo um dos principais instrumentos utilizados pelo Banco Central para controlar a inflação.

Quando a Selic cai, o crédito tende a ficar mais barato. Empresas encontram melhores condições para investir e as famílias conseguem financiar consumo com menor custo, impulsionando a atividade econômica.

Por outro lado, juros menores também podem aumentar a circulação de dinheiro na economia e pressionar os preços.

Já quando a Selic permanece elevada, acontece o movimento inverso: financiamentos ficam mais caros, o consumo desacelera e a inflação tende a perder força. O efeito colateral, porém, costuma aparecer no ritmo da economia, que cresce de forma mais lenta.

Além da taxa básica, os juros cobrados pelos bancos também refletem fatores como risco de inadimplência, custos operacionais e margem de lucro.

Sinais positivos, mas ainda com cautela

A nova edição do Boletim Focus reforça um cenário de estabilidade. A inflação segue em trajetória de queda, ainda que lenta, enquanto o crescimento econômico permanece moderado e os juros continuam elevados como principal ferramenta de combate à alta dos preços.

Para consumidores, empresários e investidores, o momento inspira um misto de otimismo e prudência. Os indicadores apontam para uma economia mais previsível, mas deixam claro que a retomada do crescimento sustentado ainda dependerá do equilíbrio delicado entre inflação sob controle, redução gradual dos juros e manutenção da confiança nos rumos da política econômica.

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Obras do Novo Inter 2 avançam no Hauer e alteram trânsito a partir desta segunda-feira

Intervenção na Rua Professor João Soares Barcelos integra o maior projeto de modernização do transporte coletivo de Curitiba e prepara a cidade para uma nova geração de corredores de ônibus

Intervenção na Rua Professor João Soares Barcelos integra o maior projeto de modernização do transporte coletivo de Curitiba e prepara a cidade para uma nova geração de corredores de ônibus

O trânsito vai mudar no bairro Hauer a partir desta segunda-feira (20). Quem passa diariamente pela Rua Professor João Soares Barcelos precisará redobrar a atenção: o trecho entre as ruas Hipólito da Costa e Cleto da Silva será totalmente bloqueado para a continuidade das obras do Novo Inter 2, um dos maiores projetos de mobilidade urbana em andamento na capital paranaense.

A intervenção, de acordo com a PMC, começa às 8h e faz parte da requalificação do corredor viário que dará origem a um novo binário com a Rua Oliveira Viana. A previsão da Prefeitura é que os trabalhos durem cerca de dez dias, desde que as condições climáticas sejam favoráveis.

Mais do que uma mudança temporária no trânsito, a obra representa um novo passo na modernização do sistema de transporte coletivo que transformou Curitiba em referência mundial no uso de corredores exclusivos de ônibus.

Mudanças no trânsito

Durante o bloqueio, agentes estarão orientando os motoristas na região. O desvio recomendado é permanecer na faixa da direita da Rua Professor João Soares Barcelos, converter à direita na Rua Hipólito da Costa, seguir pela Rua Isaías Régis de Miranda, acessar a Rua Cleto da Silva e retornar à Rua Professor João Soares Barcelos.

A orientação é que os condutores programem seus deslocamentos com antecedência para evitar congestionamentos nos horários de maior movimento.

Um corredor preparado para o futuro

As obras incluem drenagem, pavimentação e adequações que permitirão a implantação do novo binário entre as ruas Professor João Soares Barcelos e Oliveira Viana.

Na mesma região, outros binários já estão sendo implantados, como Francisco Derosso/Innocente Rebellato e Gabriel Frecceiro de Miranda/Leoncio Derosso. O projeto também prevê o alargamento do viaduto da Francisco Derosso sobre a Linha Verde, onde futuramente será construída uma estação de integração do Inter 2.

O Novo Inter 2 vai muito além da recuperação do asfalto. O programa contempla pavimento de concreto de alta durabilidade, melhorias no sistema de drenagem, calçadas acessíveis, iluminação em LED, modernização das estações e infraestrutura preparada para a futura operação de ônibus elétricos.

O maior investimento em mobilidade da história recente

Financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com contrapartida da Prefeitura de Curitiba, o Novo Inter 2 integra o programa PRO Curitiba, que reúne cerca de R$ 6 bilhões em investimentos estruturantes espalhados pelos bairros da cidade.

Ao todo, o projeto moderniza aproximadamente 38 quilômetros do corredor Inter 2, beneficiando 28 bairros e ampliando a capacidade de atendimento de cerca de 155 mil para até 181 mil passageiros por dia.

A expectativa é reduzir o tempo de viagem, aumentar a segurança viária, melhorar a acessibilidade e preparar o sistema para as próximas décadas.

Referência nacional em transporte coletivo

Curitiba continua sendo reconhecida nacional e internacionalmente como a cidade que desenvolveu o modelo de transporte coletivo de superfície mais avançado do país.

Criado na década de 1970, o sistema de corredores exclusivos de ônibus — que inspirou redes de BRT em diversas cidades do mundo — passa agora por sua maior atualização em décadas. O Novo Inter 2 busca justamente preservar esse legado, incorporando novas tecnologias, infraestrutura mais resiliente e soluções voltadas à mobilidade sustentável.

Para quem enfrenta os transtornos temporários das obras, a promessa é de um sistema mais moderno, seguro e eficiente quando todas as intervenções forem concluídas.


19.7.26

Menos mortes nas rodovias do Paraná, mas uma vida ainda se perde a cada 15 horas

Balanço da Polícia Rodoviária Federal revela redução nos acidentes fatais e recordes históricos de apreensões de armas, drogas e medicamentos ilegais no primeiro semestre de 2026

 
Foto: André Filgueira / PRF

Por alguns segundos, o trânsito parece apenas um fluxo constante de veículos. Caminhões carregados de produção agrícola, famílias seguindo para as férias, trabalhadores voltando para casa. Mas basta um erro, um instante de distração ou uma ultrapassagem mal calculada para que uma viagem comum termine em tragédia.

Foi com esse contraste entre avanços e desafios que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apresentou, nesta semana, o balanço das ocorrências registradas nas rodovias federais do Paraná durante o primeiro semestre de 2026. Os números mostram uma notícia positiva: as mortes diminuíram. Mas também lembram que ainda há muito a fazer para tornar as estradas mais seguras.

Segundo o superintendente da PRF no Paraná, Fernando César Oliveira, entre janeiro e junho foram registradas 285 mortes nas rodovias federais que cruzam o estado. No mesmo período do ano passado haviam sido contabilizados 302 óbitos. A redução foi de 5,6%.

Mesmo assim, o dado continua duro de aceitar: em média, uma pessoa perdeu a vida a cada 15 horas nas BRs paranaenses.

Os acidentes mais graves continuam sendo evitáveis

As colisões frontais permanecem como as maiores responsáveis pelas mortes no trânsito. Foram 90 vítimas fatais nesse tipo de acidente apenas no primeiro semestre.

Logo atrás aparecem os atropelamentos, com 56 mortes, seguidos pelas colisões traseiras.

Na maior parte dos casos, as causas se repetem ano após ano: ultrapassagens em locais proibidos, velocidade acima do permitido, desatenção ao volante e direção sob efeito de álcool.

Os números da fiscalização ajudam a explicar esse cenário. Nos primeiros seis meses do ano, a PRF registrou mais de 310 mil infrações por excesso de velocidade, quase 6,9 mil ultrapassagens proibidas e mais de 2,1 mil motoristas flagrados dirigindo sob o efeito de bebidas alcoólicas.

Crime organizado encontra forte resistência nas rodovias

Enquanto combate os acidentes, a PRF também enfrenta outro desafio permanente: impedir que as rodovias federais sejam utilizadas pelas organizações criminosas.

E os resultados impressionam.

O Paraná registrou, em 2026, as maiores apreensões de fuzis e de medicamentos para emagrecimento já realizadas pela Polícia Rodoviária Federal em toda a sua história no Brasil.

O número de armas apreendidas saltou de 23 para 93, mais que quadruplicando em relação ao mesmo período de 2025.

Também foram retirados de circulação:

  • 90,5 toneladas de drogas;
  • 5.308 munições;
  • 132.932 medicamentos importados ilegalmente do Paraguai.

Grande parte dessas apreensões foi possível graças ao fortalecimento do trabalho de inteligência, ao uso crescente de tecnologia e à integração da PRF com outras forças de segurança pública.

Segurança é responsabilidade compartilhada

Durante a apresentação do balanço, Fernando César Oliveira destacou que os resultados refletem o comprometimento dos policiais rodoviários federais e os investimentos feitos na área de inteligência policial.

Mas lembrou que a população também desempenha um papel importante.

Quem presenciar qualquer situação suspeita ou tiver informações sobre crimes em andamento nas rodovias federais pode acionar a PRF pelo telefone 191. A denúncia pode ser feita de forma anônima.

Ao mesmo tempo em que as estatísticas mostram uma redução nas mortes, elas também revelam que centenas de famílias ainda foram marcadas pela perda de alguém que saiu de casa e não voltou.

Cada número divulgado pela PRF representa muito mais do que um indicador de desempenho. Representa vidas interrompidas, histórias que ficaram pelo caminho e um lembrete permanente de que prudência, fiscalização e investimento em segurança continuam sendo indispensáveis para quem percorre as rodovias brasileiras.

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18.7.26

O tarifaço de Trump e a contradição do livre comércio

Ao transformar tarifas em arma política, os EUA colocam em xeque um dos princípios que sempre defenderam: o livre mercado entre as nações


O tarifaço de Trump e a contradição do livre comércio

Há uma contradição difícil de ignorar na política comercial adotada por Donald Trump. Ao aplicar tarifas impraticáveis como instrumento de pressão política sobre o Brasil, os EUA enfraquecem justamente um dos princípios que eles mesmos trabalharam para consolidar. Desde o pós-guerra, o livre comércio foi colocado como caminho para a prosperidade e paz entre as nações.

Tarifas de importação são legítimas, quando usadas para corrigir desequilíbrios ou proteger setores estratégicos. O problema começa quando as tarifações deixam de cumprir o papel de salvaguarda econômica para se tornarem ferramenta de pressão política. 

O jogo de pôquer da geopolítica

Trump parece negociar como um jogador de pôquer: aposta alto, blefa e tenta concentrar a maior pilha de fichas sobre a mesa. É uma estratégia que pode produzir ganhos de curto prazo, mas também incentiva outros países a reduzirem sua dependência dos Estados Unidos.

Nesse contexto, o Brasil faz o que qualquer nação soberana deveria fazer: busca diversificar mercados, fortalecer o BRICS e ampliar relações comerciais com diferentes parceiros. Não se trata de romper com os EUA, mas sim de evitar depender exclusivamente deles.

O dólar e a nova ordem econômica

A maior força norte-americana talvez nem seja seu poderio militar, mas sim a hegemonia do dólar nas relações internacionais. É natural, portanto, que iniciativas capazes de ampliar o uso de moedas locais e fortalecer instituições como o Novo Banco de Desenvolvimento, presidido pela brasileira Dilma Rousseff, despertem atenção em Washington.

Como resposta ao tarifaço, o Brasil deve agir com diplomacia, mas também com firmeza. Antes de utilizar os instrumentos de reciprocidade previstos em lei, dentro das regras do comércio internacional, precisamos negociar.

Nosso país possuí exemplos de sucesso, como, por exemplo, a Embraer, que construiu competitividade disputando mercados em todos os continentes. Essa é uma estratégia que pode inspirar vários setores da economia brasileira.

O multilateralismo é o caminho

Governos passam. O que permanece é a necessidade de os povos dialogarem de igual para igual. O comércio deveria aproximar as nações, como fizeram durante séculos os grandes mercadores que conectaram povos e culturas, e não servir de instrumento para dividir o mundo.

Buscar prosperidade é legítimo. Transformá-la em um jogo de soma zero, no qual um só vence e todos os demais perdem, nunca foi uma fórmula duradoura para o progresso. O sonho de um mundo livre, com mais pontes e menos muros, permanece, e, certamente irá sobreviver a era Trump.


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Embraer vai a Farnborough para reforçar crescente protagonismo brasileiro na indústria aeronáutica

Com recorde de pedidos, aumento nas entregas e aposta em aviação comercial, defesa e mobilidade aérea urbana, Embraer vai marcar presença numa das maiores feiras da aviação mundial

 

Há momentos em que uma feira internacional vai muito além da exposição de aeronaves. Ela se transforma em um termômetro da indústria aeroespacial global. É exatamente esse o cenário do Farnborough International Airshow 2026, no Reino Unido, onde a Embraer desembarca em um dos períodos mais sólidos de sua história recente.

Entre os dias 20 e 24 de julho, a fabricante brasileira apresentará ao mercado internacional não apenas dois de seus programas mais estratégicos — o E195-E2 e o KC-390 Millennium —, mas também uma visão de longo prazo para a mobilidade aérea urbana por meio da Eve Air Mobility, subsidiária responsável pelo desenvolvimento do eVTOL, a futura aeronave elétrica de pouso e decolagem vertical.

Crescimento sustentado fortalece posição global

A participação da Embraer em Farnborough acontece em um momento de expansão consistente.

No primeiro semestre de 2026, a companhia entregou 109 aeronaves, crescimento de aproximadamente 20% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram entregues 91 unidades. O desempenho acompanha uma carteira recorde de pedidos e evidencia os ganhos obtidos com a ampliação da capacidade produtiva e dos programas de eficiência operacional.

Segundo o presidente e CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, a empresa vive um ciclo sustentado de crescimento impulsionado pela demanda em praticamente todos os segmentos em que atua. Para a companhia, Farnborough representa uma oportunidade estratégica para fortalecer relações com operadores, governos, fornecedores e potenciais clientes de diversos continentes.

E195-E2: eficiência e sustentabilidade em destaque

Na exposição estática, um dos grandes protagonistas será o E195-E2, maior integrante da família E-Jets E2.

Considerado pela fabricante o narrowbody de pequeno porte mais eficiente do mundo, o modelo reúne melhorias aerodinâmicas, motores de nova geração e redução significativa no consumo de combustível e nas emissões de carbono.

Além dos ganhos ambientais, o avião vem consolidando sua presença internacional por oferecer elevada eficiência operacional em rotas de média densidade, segmento que ganha importância à medida que companhias aéreas buscam reduzir custos sem abrir mão da capacidade de transporte. Hoje, a família E2 já opera nos seis continentes.

KC-390 amplia presença internacional

Outro destaque brasileiro em Farnborough será o KC-390 Millennium, aeronave multimissão desenvolvida para transporte militar, reabastecimento em voo e operações humanitárias.

Capaz de transportar tropas, veículos, equipamentos e cargas pesadas, o KC-390 vem ampliando sua presença internacional e conquistando novos operadores, inclusive países integrantes da OTAN.

Entre seus diferenciais estão a elevada velocidade de cruzeiro, grande capacidade de carga, flexibilidade operacional e menores custos de ciclo de vida quando comparado a aeronaves da mesma categoria.

Durante o evento, o KC-390 realizará demonstração aérea e também será palco da cerimônia oficial de batismo da aeronave destinada à Força Aérea da República Tcheca.

Mobilidade aérea urbana entra em cena

A Embraer também utilizará Farnborough para apresentar sua estratégia de longo prazo para o transporte urbano.

A Eve Air Mobility exibirá um mock-up em tamanho real de seu eVTOL, além de oferecer uma experiência de voo simulada aos visitantes.

O projeto faz parte da aposta da empresa brasileira na mobilidade aérea urbana sustentável, mercado que deverá ganhar espaço ao longo da próxima década com aeronaves elétricas voltadas ao transporte de passageiros em grandes centros urbanos.

Mais do que desenvolver um novo veículo, a Eve trabalha em um ecossistema completo que inclui infraestrutura, serviços, suporte operacional e gerenciamento do tráfego aéreo urbano.

Brasil reafirma liderança tecnológica

Com mais de 9 mil aeronaves entregues desde 1969, a Embraer permanece entre as principais empresas aeroespaciais do planeta e segue como uma das maiores exportadoras brasileiras de produtos de alto valor agregado.

Sua atuação integrada nos segmentos de aviação comercial, executiva, defesa, serviços e mobilidade aérea urbana demonstra uma estratégia de diversificação que reduz riscos de mercado e amplia oportunidades de crescimento.

Em Farnborough 2026, a fabricante brasileira chega não apenas para apresentar aeronaves, mas para reafirmar seu papel como uma das protagonistas da inovação na indústria aeronáutica mundial.

Para mais informações visite o site da Embraer.

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17.7.26

Guta Stresser volta aos palcos de Curitiba em espetáculo que convida o público a refletir sobre o analfabetismo emocional

Atriz curitibana retorna à cidade natal em nova temporada gratuita de Os Analfabetos, com apresentações no Espaço Excêntrico e no Centro Cultural Boqueirão, ambas com tradução em Libras

 
Guta Stresser volta aos palcos de Curitiba em espetáculo que convida o público a refletir sobre o analfabetismo emocional. Atriz curitibana retorna à cidade natal em nova temporada gratuita de Os Analfabetos, com apresentações no Espaço Excêntrico e no Centro Cultural Boqueirão, ambas com tradução em Libras.

Há espetáculos que entretêm. Outros provocam. E existem aqueles que permanecem conosco muito depois que as cortinas se fecham. É justamente esse o convite de Os Analfabetos, montagem que marca o retorno da atriz curitibana Guta Stresser aos palcos de sua cidade natal em uma temporada gratuita que promete emocionar o público.

Conhecida nacionalmente pela personagem Bebel, da série A Grande Família, Guta reencontra Curitiba em um momento especial da carreira. Depois de anos dedicados à televisão, ao cinema e ao teatro, ela volta às origens para interpretar Mariana, protagonista de um drama psicológico que coloca o espectador diante de uma pergunta desconfortável: será que realmente sabemos ler nossos próprios sentimentos?

Um espelho para o público

Inspirado nas obras do cineasta sueco Ingmar Bergman e do dramaturgo Nelson Rodrigues, o texto de Paula Goja mergulha nas contradições humanas para discutir aquilo que o diretor Adriano Petermann define como "analfabetismo emocional".

O espetáculo convida o público a olhar pelo buraco da fechadura da vida como ela é e a fazer um questionamento profundamente pessoal:

"Diante da nossa incapacidade de ler a nós mesmos, como podemos verdadeiramente compreender o outro? Ou somos capazes de nos ver além das aparências que criamos?"

A peça acompanha personagens presos às convenções sociais, às máscaras que constroem para sobreviver e às dificuldades de expressar aquilo que realmente sentem. Drama e humor caminham lado a lado em uma encenação que provoca o espectador a refletir sobre as relações humanas, a solidão e a falta de diálogo que marcam a vida contemporânea.

O retorno de Guta à cidade onde tudo começou

Mariana, personagem vivida por Guta Stresser, é uma atriz consagrada que sofre uma ruptura emocional durante uma apresentação de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues. No auge da carreira, ela simplesmente para de falar diante do público. A partir desse silêncio nasce toda a narrativa.

Em entrevistas, Guta revelou identificar-se justamente com a crise vivida pela personagem, lembrando que todo artista, em algum momento, questiona sua própria profissão e o sentido do que faz.

O retorno aos palcos curitibanos também tem um significado afetivo. Foi em Curitiba que a atriz iniciou sua trajetória artística ainda adolescente, no teatro amador e no Teatro Guaíra. Voltar à cidade agora representa, nas palavras da própria atriz, "quase um recomeço".

Temporada em dois teatros

Nesta nova temporada, Os Analfabetos será apresentado em dois espaços culturais de Curitiba, ampliando o acesso do público ao espetáculo.

Serviço

Espetáculo: Os Analfabetos

18 a 26 de julho
Espaço Excêntrico
Rua Lamenha Lins, 1429 – Rebouças – Curitiba

Horários
Sábados: 18h e 21h (duas apresentações)
Domingos: 19h

30 de julho a 2 de agosto
Centro Cultural Boqueirão
Rua José Guercherski, 281 – Boqueirão – Curitiba

Horários
Quinta e sexta-feira: 15h e 20h (duas apresentações)
Sábado e domingo: 20h

Entrada: gratuita, com distribuição de ingressos a partir de uma hora antes de cada sessão, no próprio teatro.

Acessibilidade: todas as apresentações contam com tradução e interpretação em Libras.

Ficha técnica

Direção: Adriano Petermann
Texto: Paula Goja
Elenco: Guta Stresser, Guenia Lemos, Stella Mariss, Gabriel Gorosito, Elisan Correia e Anderson Fregolente.

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Tarifaço dos EUA vira munição política no Paraná, enquanto preocupação maior recai sobre empregos e indústria

Deputada Gleisi Hoffmann responsabiliza Eduardo e Flávio Bolsonaro pela crise comercial com os EUA

Crédito: reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro

O tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras ganhou novos contornos políticos no Paraná. Nesta quinta-feira (16), a deputada federal e pré-candidata ao Senado, Gleisi Hoffmann (PT-PR), responsabilizou integrantes da família Bolsonaro pela escalada da crise comercial, afirmando que a atuação de Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos colocou em risco a soberania nacional e milhares de empregos brasileiros, especialmente no Paraná.

Segundo Gleisi, a decisão de Washington ameaça diretamente a economia paranaense, cuja relação comercial com o mercado norte-americano movimenta cerca de US$ 1,5 bilhão por ano. O estado possui aproximadamente 700 empresas com parte significativa de seu faturamento vinculada às exportações para os EUA, sendo que 16 delas dependem desse mercado para mais de 90% da receita.

"A decisão anunciada em Washington pode atingir parte da economia do país e muito da economia do nosso estado", afirmou a deputada federal.

Madeira é o setor mais vulnerável

Entre todos os segmentos econômicos, a indústria madeireira aparece como a mais exposta aos efeitos da tarifa. Produtos como compensados, molduras, madeira serrada, pisos, portas e móveis representam aproximadamente 40% das exportações paranaenses destinadas ao mercado estadunidense.

A cadeia produtiva da madeira está presente em 266 municípios do Paraná e emprega mais de 38 mil trabalhadores, especialmente nas regiões dos Campos Gerais, Centro-Sul e Norte Pioneiro.

Empresas que fabricam produtos sob medida para compradores norte-americanos podem enfrentar maior dificuldade para redirecionar rapidamente suas vendas a outros mercados, o que pode resultar em cancelamento de contratos, redução da produção e até fechamento de turnos.

Acusações e contrapontos

Gleisi afirmou que Eduardo Bolsonaro teria incentivado medidas econômicas contra o Brasil ao defender, ainda em 2025, o uso de tarifas como instrumento de pressão política sobre decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

A deputada também acusou Flávio Bolsonaro de colocar interesses nacionais em segundo plano durante articulações políticas com Donald Trump e Marcos Rúbio, na Casa Branca.

As declarações representam a visão do cenário pela ótica da parlamentar, e o blog concorda com ela. Entretanto, o ato oficial do governo norte-americano, que instituiu a tarifa, não atribui sua decisão à atuação da família Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro até se manifestou publicamente contra a cobrança de 25% durante audiência realizada em Washington, no último dia 7 de julho. Na ocasião, o senador defendeu que a entrada em vigor da medida fosse adiada por 180 dias para permitir novas negociações. Ou seja, não foi contrário ao tarifaço, apenas pediu mais prazo, o que acabou não acontecendo.

Governo brasileiro contesta justificativas

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) justificou a tarifa alegando práticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano, citando temas como serviços digitais, meios de pagamento, propriedade intelectual, mercado de etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal. O departamento estadunidense não fala sobre o Irã, segundo especialistas parece óbvio que o Irã fazer parte do BRICs incomoda os trumpistas, que desprezam o multilateralismo.

O governo brasileiro rejeita essas justificativas e argumenta que, ao longo dos últimos quinze anos, os EUA acumularam superávit de aproximadamente US$ 410 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil, contestando a narrativa de prejuízo comercial.

Enquanto isso, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua negociando para ampliar a lista de produtos brasileiros isentos da nova tarifa, incluindo madeira serrada, móveis e outros itens relevantes para a economia paranaense.

O Paraná no centro da disputa política

O tarifaço também entrou definitivamente na disputa eleitoral de 2026. Gleisi Hoffmann sustenta que Eduardo e Flávio Bolsonaro colocaram interesses políticos acima dos interesses nacionais e afirma que essa postura ameaça diretamente empregos e empresas do Paraná.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, é um dos principais apoiadores da pré-candidatura do senador Sérgio Moro (PL) ao Governo do Paraná. Diante desse cenário, a crise comercial também alimenta o debate sobre o modelo de liderança que os paranaenses desejam para conduzir o estado nos próximos anos.

Independentemente da disputa política, a preocupação mais imediata permanece econômica. Caso a tarifa entre em vigor em 22 de julho, trabalhadores e empresas poderão sentir rapidamente seus efeitos, especialmente nas regiões cuja economia depende da indústria madeireira e das exportações para o mercado norte-americano.

Ao mesmo tempo, cresce a expectativa para que os governos federal e estadual ampliem as negociações internacionais, garantam linhas de crédito às empresas afetadas e apresentem um diagnóstico detalhado dos municípios e setores mais vulneráveis ao impacto da medida.

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Tony Garcia perde apoio do DC às vésperas das convenções no Paraná

Inativação da direção estadual do partido enfraquece o projeto eleitoral do empresário, mas não encerra sua pré-candidatura ao governo

 

Faltando poucos dias para o início das convenções partidárias, a pré-candidatura de Tony Garcia ao Governo do Paraná sofreu um revés. A direção estadual da Democracia Cristã (DC), presidida por Ricardo Gomyde, foi oficialmente inativada por decisão do partido, conforme registro validado pela Justiça Eleitoral em 15 de julho.

A mudança retira de Tony a estrutura partidária que sustentava seu projeto político, mas não significa, por si só, o fim de sua pré-candidatura. A definição dos candidatos ocorrerá durante as convenções, entre 20 de julho e 5 de agosto, e a legenda ainda poderá formar uma nova direção estadual.

Nos bastidores, aliados do senador Sergio Moro (PL) comemoram a mudança por considerarem que ela enfraquece um adversário que prometia levar ao debate eleitoral críticas à atuação da Lava Jato. No entanto, não há documento da Justiça Eleitoral que atribua a decisão ao senador ou a seu grupo político.

Tony Garcia, que se apresenta como ex-colaborador da força-tarefa da Lava Jato, afirma ter atuado como informante a pedido de Moro. O senador nega as acusações, e as alegações do empresário seguem sem decisão definitiva da Justiça.

Agora, a atenção se volta para os próximos registros da Justiça Eleitoral, que indicarão quem assumirá o comando da DC no Paraná e qual será o futuro da legenda nas eleições de 2026.


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16.7.26

Brasil poderá enfrentar até 127 dias de calor extremo por ano até 2075. O tempo para agir está se esgotando

Estudo projeta aumento de 1,7°C na temperatura máxima média do país, mas especialistas alertam que a combinação entre a crise climática e um novo El Niño pode tornar os eventos extremos ainda mais severos nas próximas décadas


Brasil poderá enfrentar até 127 dias de calor extremo por ano até 2075. O tempo para agir está se esgotando. Estudo projeta aumento de 1,7°C na temperatura máxima média do país, mas especialistas alertam que a combinação entre a crise climática e um novo El Niño pode tornar os eventos extremos ainda mais severos nas próximas décadas.

Há poucos anos, uma onda de calor era notícia justamente por ser um acontecimento raro. Hoje, ela já faz parte do cotidiano de milhões de brasileiros. O que antes surpreendia passou a ser esperado. E, se as projeções científicas se confirmarem, as próximas décadas poderão transformar o calor extremo em uma das principais características do clima brasileiro.

Um estudo divulgado pela plataforma de inteligência climática i4sea projeta que o Brasil poderá registrar até 127 dias de calor extremo por ano até 2075. Atualmente, a média nacional é de apenas seis dias anuais nessa condição. A pesquisa utilizou 26 modelos climáticos internacionais, incluindo o MPI-ESM1-2-HR, do Instituto Max Planck de Meteorologia, para construir cenários regionalizados sobre o futuro do clima brasileiro.

O levantamento aponta que a temperatura máxima média do país deverá subir cerca de 1,7°C, mas em algumas regiões, especialmente na Amazônia, o aumento poderá chegar a impressionantes 7°C. Os números, por si só, já são suficientes para acender um sinal de alerta. Mas existe um fator que torna esse cenário ainda mais preocupante.

A crise climática mudou as regras do jogo

Durante décadas, o planeta alternou naturalmente períodos de El Niño e La Niña. Esses fenômenos sempre influenciaram o regime de chuvas e as temperaturas em diversas partes do mundo.

O problema é que o próximo El Niño não encontrará mais o mesmo planeta das décadas passadas.

A Terra já aqueceu aproximadamente 1,3°C desde a Revolução Industrial em consequência das emissões de gases de efeito estufa provocadas pela atividade humana. Em outras palavras, o El Niño continuará sendo um fenômeno natural, mas passará a atuar sobre um sistema climático que já está profundamente alterado pelo aquecimento global.

É como adicionar combustível a um incêndio que já estava em andamento. Por isso, cientistas vêm alertando que os próximos episódios de El Niño poderão potencializar ondas de calor, secas prolongadas, incêndios florestais e eventos extremos de chuva com intensidade superior à registrada em décadas anteriores.

Não é o El Niño, sozinho, que explica o novo cenário. Tampouco apenas a mudança climática. É justamente a combinação entre ambos que preocupa a comunidade científica.

Norte lidera projeções mais preocupantes

Segundo o estudo, a Região Norte será a mais impactada. A temperatura máxima média poderá aumentar 2,8°C, enquanto os dias de calor extremo saltariam para 193 por ano.

Rondônia aparece como o estado com maior aquecimento projetado, seguida por Acre e Roraima.

Neste último, a projeção indica um cenário impressionante: até 250 dias de calor extremo por ano, o equivalente a cerca de dois terços do calendário.

No Centro-Oeste, os dias de calor extremo poderão passar de cinco para 107 por ano.

Mesmo a Região Sul, tradicionalmente associada a temperaturas mais amenas, deverá sentir mudanças importantes. A projeção indica aumento médio de 1,1°C, enquanto os dias de calor extremo cresceriam de quatro para 38 anuais.

O calor não afeta apenas os termômetros

Quando se fala em aquecimento global, muita gente ainda imagina apenas tardes mais quentes. 

Na prática, os impactos são muito maiores. Temperaturas elevadas aumentam o risco de desidratação, agravam doenças cardiovasculares e respiratórias, reduzem a produtividade no trabalho, elevam o consumo de energia elétrica, pressionam os sistemas de saúde e afetam diretamente a agricultura, a produção de alimentos e o abastecimento de água.

As cidades também sofrem. O asfalto deforma, equipamentos urbanos são danificados e bairros com pouca arborização transformam-se em verdadeiras ilhas de calor. É uma mudança que atravessa praticamente todos os setores da sociedade.

A janela para reduzir os impactos ainda existe

Nenhum estudo sério afirma que o futuro está completamente definido. As projeções dependem, em grande medida, das decisões tomadas nas próximas décadas.

Cada tonelada de dióxido de carbono (CO₂) que deixa de ser lançada na atmosfera contribui para limitar o aquecimento futuro. Quanto menores forem as emissões globais, menores tendem a ser os impactos sobre as próximas gerações.

Isso exige uma transformação profunda na forma como produzimos energia, nos deslocamos, consumimos recursos naturais e planejamos nossas cidades.

Não se trata apenas de proteger florestas — embora isso seja indispensável. Trata-se também de acelerar a transição para energias limpas, reduzir o uso de combustíveis fósseis, ampliar o transporte coletivo de qualidade, recuperar áreas degradadas e investir em infraestrutura capaz de suportar um clima cada vez mais extremo.

"A atmosfera é uma só. Não existem fronteiras para o dióxido de carbono. O ar que respiramos é compartilhado por toda a humanidade. Cada tonelada de CO₂ que deixamos de emitir hoje representa um futuro menos hostil para as próximas gerações."

Um desafio coletivo

A emergência climática deixou de ser uma previsão distante para se tornar parte da realidade.

As ondas de calor registradas nos últimos anos, as enchentes históricas, as secas prolongadas, os incêndios florestais e os recordes sucessivos de temperatura mostram que o planeta já responde ao acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera.

Ainda há tempo para evitar os cenários mais severos. Mas esse tempo diminui a cada ano. O carbono lançado hoje permanecerá na atmosfera durante décadas, influenciando o clima que será vivido por nossos filhos e netos.

A ciência continua produzindo conhecimento. As tecnologias para reduzir emissões já existem. O que falta, em grande medida, é transformar esse conhecimento em decisões políticas, econômicas e sociais compatíveis com a dimensão do desafio.

O desafio não pertence apenas aos governos. Também passa pelas empresas, pelas cidades e por cada cidadão. Reduzir emissões, preservar florestas, ampliar o uso de energias renováveis e tornar nossas comunidades mais resilientes são escolhas que definirão a qualidade de vida das próximas gerações.

A atmosfera é um patrimônio comum da humanidade. Cuidar dela deixou de ser apenas uma pauta ambiental. É uma questão de saúde pública, de segurança alimentar, de estabilidade econômica e, sobretudo, de responsabilidade com o futuro.

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EUA confirmam tarifaço contra o Brasil e governo Lula reage: "Não há justificativa para medidas unilaterais"

Palácio do Planalto anuncia reação imediata com base na Lei da Reciprocidade e promete recorrer à OMC. Para o Sulpost, medida ultrapassa o campo comercial e assume contornos políticos

EUA confirmam tarifaço contra o Brasil e governo Lula reage: "Não há justificativa para medidas unilaterais". Palácio do Planalto anuncia reação imediata com base na Lei da Reciprocidade e promete recorrer à OMC. Para o Sulpost, medida ultrapassa o campo comercial e assume contornos políticos.

O dia 15 de julho de 2026 entrou para a história das relações entre Brasil e Estados Unidos como um dos momentos de maior tensão diplomática das últimas décadas. O governo norte-americano confirmou a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla lista de produtos brasileiros, decisão que provocou reação imediata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do Palácio do Planalto.

Em nota oficial, o governo brasileiro repudiou a medida, afirmando que não há qualquer justificativa para as sanções comerciais anunciadas por Washington e que as alegações apresentadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) não encontram respaldo nas normas internacionais de comércio.

A resposta brasileira será baseada na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, além da retomada do contencioso no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Pix, plataformas digitais e meio ambiente entram na disputa

O aspecto mais surpreendente do documento divulgado pelo USTR é que ele vai muito além de questões tarifárias tradicionais. Entre as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos aparecem críticas ao Pix, à regulação das plataformas digitais, à política ambiental brasileira, à proteção da propriedade intelectual, ao mercado de etanol e até às ações de combate ao desmatamento.

Para o governo brasileiro, essas alegações são descabidas. O Palácio do Planalto reafirma que o Pix se tornou um patrimônio nacional e uma referência internacional em infraestrutura pública de pagamentos, enquanto a regulamentação das plataformas digitais busca proteger crianças, famílias e a própria democracia brasileira.

Também foram rebatidas as críticas relacionadas ao meio ambiente. O governo sustenta que, desde 2023, o país retomou políticas de fiscalização ambiental que reduziram significativamente os índices de desmatamento em diferentes biomas.

Empresas americanas também criticaram o tarifaço

Um dos pontos destacados pelo governo brasileiro é que a própria consulta pública promovida pelo USTR revelou forte resistência à medida. Das 78 manifestações apresentadas durante as audiências, 63 foram contrárias à adoção das novas tarifas, incluindo representantes do setor privado norte-americano.

Outro dado lembrado pelo Planalto enfraquece o argumento de desequilíbrio comercial. Segundo estatísticas oficiais dos próprios Estados Unidos, os norte-americanos acumulam um superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos quinze anos. Além disso, em 2025, mais de três quartos das importações vindas dos EUA entraram no mercado brasileiro sem pagar imposto de importação.

Reação brasileira e diversificação de mercados

Além da reciprocidade comercial, o governo federal informou que pretende ampliar a busca por novos mercados para reduzir a dependência das exportações destinadas aos Estados Unidos. O Plano Brasil Soberano deverá incluir medidas de apoio aos setores mais afetados pelo tarifaço, preservando empregos, investimentos e a capacidade produtiva nacional.

Análise do Sulpost

Na avaliação do Sulpost, o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos extrapola uma disputa estritamente comercial. Ao incluir temas como o Pix, a regulação das plataformas digitais e políticas ambientais entre suas justificativas, Washington amplia o conflito para áreas que dizem respeito à soberania regulatória brasileira.

É natural que países defendam seus interesses econômicos. No entanto, quando instrumentos tarifários passam a ser utilizados para pressionar decisões internas de outra nação, o debate deixa de ser apenas comercial e assume claros contornos políticos e geopolíticos.

Independentemente das divergências entre os governos, a defesa da soberania nacional, do respeito às regras multilaterais e da previsibilidade nas relações internacionais interessa não apenas ao Brasil, mas ao equilíbrio e a segurança do comércio entre nações.

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15.7.26

Paraná segue favorecido pelas chuvas, enquanto tendência de seca no Centro do Brasil acende alerta para a segunda safra de milho

Boletim Agroclimatológico do Inmet prevê trimestre marcado por calor acima da média e déficit de chuvas nas regiões centrais do país; no Sul, cenário favorece as lavouras, mas exige atenção redobrada ao avanço de doenças fúngicas

Lavoura de milho substitui a soja no inverno e simboliza a pujança do agronegócio em uma das terras mais férteis do país, mas seca ameaça 2ª lavoura de 2026 - Reprodução/Wikimidia

O campo brasileiro entra no segundo semestre olhando para o céu com sentimentos opostos. Enquanto produtores das regiões centrais do país acompanham com preocupação a previsão de um trimestre mais seco e quente, agricultores do Sul convivem com um cenário inverso: chuva abundante, boa umidade do solo e um novo desafio, o controle de doenças nas lavouras.

O alerta faz parte do mais recente Boletim Agroclimatológico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A previsão para o trimestre de julho, agosto e setembro aponta um aprofundamento da seca em boa parte do Centro-Oeste, interior do Norte e do Nordeste, justamente em um período decisivo para parte da segunda safra de milho, para as pastagens e para o planejamento da próxima temporada agrícola.

Milho pode sentir os efeitos da estiagem

Nas áreas onde a colheita do milho de segunda safra ainda está em andamento, a redução das chuvas pode até favorecer a operação das máquinas e diminuir a umidade dos grãos, preservando sua qualidade.

Mas o cenário muda nas lavouras mais tardias. Segundo o Inmet, a combinação entre temperaturas acima da média e falta de chuva deve aumentar o déficit hídrico ao longo de setembro, especialmente em áreas do Tocantins, Amapá e sudeste do Pará. Nessas regiões, a deficiência de água poderá comprometer o enchimento dos grãos e reduzir a produtividade.

Além da agricultura, as pastagens também entram na zona de preocupação. A recuperação mais lenta da cobertura vegetal pode afetar a pecuária, elevando custos de produção e pressionando toda a cadeia de proteína animal nos próximos meses.

Calor aumenta risco de queimadas

Outro ponto que chama atenção no boletim é a previsão de temperaturas acima da média em praticamente todo o país.

Na Região Norte, estados como Amazonas, Acre, Pará, Roraima, Tocantins e norte de Rondônia poderão registrar temperaturas até 2°C acima da média climatológica. Esse cenário favorece a redução do nível dos rios, amplia o risco de incêndios florestais e aumenta a vulnerabilidade dos ecossistemas amazônicos.

No Centro-Oeste, o inverno também deverá ser mais quente e seco. Se, por um lado, o clima favorece a maturação e a colheita do algodão, por outro amplia o risco de perdas na segunda safra do milho e pode refletir no custo da alimentação animal durante o segundo semestre.

Paraná vive cenário mais favorável

Para os produtores paranaenses, o boletim traz uma perspectiva relativamente positiva. As chuvas registradas nas últimas semanas mantiveram boa disponibilidade de água no solo, favorecendo o desenvolvimento das lavouras de milho e das culturas de inverno.

A previsão indica continuidade de precipitações acima da média em boa parte da Região Sul durante este trimestre. Para muitas propriedades rurais, isso representa segurança hídrica e boas condições para o desenvolvimento das culturas.

Mas nem tudo são boas notícias. A elevada umidade, combinada com menor incidência de radiação solar, cria um ambiente ideal para a proliferação de doenças causadas por fungos. O Inmet recomenda monitoramento constante das lavouras, especialmente nas áreas de trigo e demais culturas de inverno, além de atenção às janelas para aplicação de defensivos agrícolas.

Nordeste também entra em alerta

No interior do Nordeste, a preocupação é semelhante à observada no Centro-Oeste. O avanço da estiagem poderá comprometer lavouras de milho e feijão cultivadas em sistema de sequeiro, principalmente durante as fases de floração e enchimento dos grãos.

As lavouras de algodão tendem a se beneficiar das condições mais secas, enquanto as pastagens deverão sofrer queda significativa de produtividade ao longo do trimestre.

El Niño reforça contraste entre Sul e Norte

As previsões mais recentes confirmam que o fenômeno El Niño permanece estabelecido no Oceano Pacífico e deve continuar influenciando o clima brasileiro até o início de 2027.

Na prática, isso reforça um padrão conhecido pelos meteorologistas: mais chuva sobre a Região Sul e maior tendência de seca no centro-norte do Brasil.

O Painel Nacional do El Niño, elaborado por órgãos como Inmet, INPE, ANA e Cemaden, recomenda monitoramento permanente das condições climáticas por produtores rurais e gestores públicos, diante da possibilidade de ondas de calor, queimadas e impactos sobre a produção agrícola.

Para o agronegócio brasileiro, o trimestre que começa agora será marcado menos pela falta de tecnologia e mais pela capacidade de adaptação. Em um país de dimensões continentais, o clima continuará distribuindo oportunidades e riscos de forma desigual — exigindo decisões rápidas dentro e fora das porteiras.

Xx

Loucos, somos então, por que não assumir?

Em um texto de Manaoos Aristides, a reflexão convida o leitor a abraçar a autenticidade, enfrentar os medos e encontrar sentido na simplicidade da vida

 
Loucos, somos então, por que não assumir? Em um texto de Manaoos Aristides, a reflexão convida o leitor a abraçar a autenticidade, enfrentar os medos e encontrar sentido na simplicidade da vida
A foto de capa é de Manaoos Aristides, quando apresentou, como ator, "Diário de um louco", de Gogol, autor Russo. No teatro Amazonas, nos anos de chumbo da ditadura militar (1967) - Arquivo Pessoal

LOUCOS, SOMOS ENTÃO, POR QUE NÃO ASSUMIR?

É o equilíbrio: abraçar, o mundo real passa a ser "loucura" então que seja, mas não se isole ou machuque. Assumir a "loucura" é conquistar a libertação. Muitas vezes, o que chamam de loucura é apenas a coragem de pensar diferente, quebrar regras rígidas ou viver com mais autenticidade.

Muitas vezes, acordamos com pressa para ver o dia terminar em escuridão. Uma lógica, a noite faz parte do tempo. É o tempo que temos para perceber que esse espaço está em branco. Temos como sentido de vida preencher, esquecendo que o dia existiu e vai nascer um novo espaço em branco, e pelos ponteiros do relógio temos que arrumar uma razão para poder abrir os olhos e ver a vida passar e sentir o coração bater para saber que temos.

A vida não acontece só no ato de parir, acontece quando respiramos lentamente, orando e louvando o Senhor. Mesmo nas quietudes dos pequenos começos e grandes fins. Hoje, permita-se respirar com o saber e consciência, somos o que somos. Perceba que cada opção, seja qual for e por menor que seja, mostra o que realmente somos e a essência de cada um de nós, refletindo o que virá: morte ou vida, vida ou morte. Valorize e busque pertencer ao instante que questiona tudo.

Só assim vamos encontrar o significado silencioso do medo e da explosão sonora do grito. É necessário ter coragem e vulnerabilidade para saber que a simplicidade são os alimentos à autodescoberta.

(Texto de Manaoos Aristides)

MANAOOS

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