sábado, 28 de março de 2026

Soja entra na reta final no Paraná com 82% da safra colhida

Colheita de verão se aproxima do fim com produção robusta; milho surpreende e a mudança de estação já começa a redesenhar o campo

Colheita de verão se aproxima do fim com produção robusta; milho surpreende e a mudança de estação já começa a redesenhar o campo

O barulho das colheitadeiras perdeu intensidade — mas não sumiu. Em muitas regiões do Paraná, ele ainda atravessa a tarde como um lembrete de que o ciclo está terminando. A AEN Paraná informa que a safra de soja 2025/2026 caminha para o fim com 82% da área já colhida.

Na prática, isso significa que cerca de 5,77 milhões de hectares já passaram pelas máquinas, segundo o mais recente levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura. A produção estimada chega a 21,88 milhões de toneladas — um volume alto, consistente, dentro de um padrão que o estado vem sustentando nos últimos anos. Não é uma safra recorde. Mas também não há sinal de recuo.

Milho foge da regra e pode fazer história

Se a soja confirma regularidade, o milho da primeira safra aparece como exceção — e das mais interessantes. Houve aumento de 25% na área plantada. Em condições normais, isso dilui produtividade. Desta vez, o campo respondeu diferente.

A projeção aponta para 3,8 milhões de toneladas, com rendimento acima de 11 mil quilos por hectare. Se esse número se confirmar, será a maior média já registrada no Paraná, superando o recorde anterior. É o tipo de resultado que não vem só do clima — passa por manejo, tecnologia e timing.

O outono já muda o desenho do campo

Com a soja praticamente resolvida, o olhar do produtor começa a virar. O próximo ciclo já está em jogo — e ele não repete exatamente o anterior.

A cevada ganha espaço. Puxada pela demanda da indústria de malte e pela boa saída da safra passada, a cultura deve crescer 14% em área, chegando a 118 mil hectares. Mantido o rendimento, pode ultrapassar meio milhão de toneladas.

Do outro lado, o trigo recua. A estimativa é de queda de 6% na área, pressionada principalmente pela expansão do milho safrinha.

Movimentos paralelos no agro

Enquanto os grãos dominam o cenário, outras cadeias também mostram sinais relevantes:

  • Mel: o Paraná consolida a vice-liderança nas exportações no início de 2026, com US$ 2,3 milhões e expectativa de avanço nos próximos meses.
  • Batata: primeira safra praticamente encerrada, com preços reagindo à qualidade do produto.
  • Feijão: área menor, refletindo um mercado menos atrativo neste momento.
  • Caqui: colheita em andamento, com preço médio de R$ 5,77/kg e tendência de ajuste conforme a oferta aumenta.

Base estrutural segue firme

Mesmo com mudanças pontuais entre culturas, o Paraná mantém uma base produtiva difícil de deslocar. O estado chega a 19 anos consecutivos como líder nacional na produção de carnes — um indicador que vai além de uma safra específica.

Os números ajudam a dimensionar:

  • 34,4% do abate de frango do Brasil
  • 2,299 bilhões de aves abatidas em 2025
  • 1,226 milhão de toneladas de carne suína
  • 4,3 bilhões de litros de leite produzidos

Mais do que volume, o padrão, desenvolvido por de décadas, é de ganho contínuo de qualidade e eficiência.

Um ciclo que termina, outro que começa

A safra atual não crava um novo recorde geral — mas reforça algo mais silencioso e talvez mais importante: estabilidade em alto patamar.

A soja fecha bem. O milho pode surpreender até o fim. E a mudança de estação já reorganiza o mapa produtivo do estado. No campo, raramente há pausa. O que existe é trabalho.. uma união de forças entre os governos federal, estadual e os semeadores do solo do Paraná.

Edição: Ronald Stresser Jr.

Itaipu mostra transparência nas contas

Mesmo sob pressão cambial e desafios econômicos, a hidrelétrica mantém equilíbrio financeiro e amplia investimentos sociais e ambientais em 2025

Mesmo sob pressão cambial e desafios econômicos, a hidrelétrica mantém equilíbrio financeiro e amplia investimentos sociais e ambientais em 2025

O movimento das águas no Rio Paraná segue constante — firme, silencioso, quase indiferente às oscilações do mundo lá fora, deixando a represa de Itaipu em seu patamar ideal de geração de energia. Mas, nos bastidores da maior geradora de energia limpa do planeta, 2025 foi um ano de tensão calculada, decisões estratégicas e números que contam uma história maior do que aparentam.

As Demonstrações Contábeis da Itaipu Binacional referentes ao exercício de 2025 foram aprovadas pelo Conselho de Administração e pelo Conselho Fiscal, consolidando um ciclo marcado por desafios cambiais e, ao mesmo tempo, por um volume expressivo de investimentos em áreas sociais e ambientais. Os dados já estão disponíveis no Portal de Transparência da empresa.

Investimento que vai além da energia

A Itaipu segue operando como algo maior do que uma usina. Para Brasil e Paraguai, ela funciona como um motor de desenvolvimento — silencioso, mas decisivo.

Em 2025, os investimentos socioambientais alcançaram US$ 1,213 bilhão. Desse total, US$ 689,1 milhões foram destinados ao lado brasileiro, evidenciando o peso das ações no território nacional.

Uma parte significativa desses recursos — US$ 306,5 milhões, equivalente a 45% — foi direcionada à modicidade tarifária. Na prática, isso significa energia mais acessível para o consumidor brasileiro, por meio de repasses à conta de comercialização administrada pela ENBPar.

O restante, US$ 382,6 milhões (55%), financiou um conjunto amplo de iniciativas. São projetos que atravessam áreas como conservação ambiental, apoio a comunidades indígenas, infraestrutura, saúde, educação e inclusão social. Um mosaico de ações que, somadas, ajudam a desenhar o impacto real da usina além da geração de energia.

O peso invisível do câmbio

Se por um lado os investimentos avançaram, por outro o cenário cambial trouxe um desafio relevante — daqueles que não aparecem diretamente para o consumidor, mas influenciam profundamente as contas.

Em 2025, o Real brasileiro se valorizou 11,1% frente ao dólar. O Guarani paraguaio foi ainda além, com alta de 16,0%. Para uma empresa que opera com o dólar como moeda funcional — conforme determina o Tratado de Itaipu — esse movimento gera impacto direto nas demonstrações financeiras.

Na prática, a valorização das moedas locais pressiona os resultados contábeis. Ainda assim, a Itaipu conseguiu manter o equilíbrio financeiro e cumprir integralmente seus compromissos — um indicativo de solidez operacional em meio a um ambiente econômico instável.

Transparência e governança

Os efeitos da variação cambial estão detalhados nas Demonstrações Contábeis e nas Notas Explicativas, seguindo padrões internacionais de transparência e governança corporativa.

É um movimento que reforça a posição da Itaipu não apenas como gigante energética, mas também como instituição pública binacional comprometida com prestação de contas e clareza na gestão.

No fim das contas, enquanto a água segue seu curso natural, os números revelam algo mais profundo: a capacidade de adaptação de uma estrutura complexa, que precisa equilibrar interesses de dois países, oscilações econômicas globais e, ao mesmo tempo, continuar entregando energia — e desenvolvimento.

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sexta-feira, 27 de março de 2026

Ataques atingem museus no Irã e colocam em risco séculos de história persa

Bombardeios atribuídos a EUA e Israel danificam ao menos 120 locais culturais, incluindo patrimônios reconhecidos pela Unesco

Gettyimages.ru / Fatemeh Bahrami/Anadolu

O silêncio de um museu não é vazio — ele guarda vozes antigas. No Irã, esse silêncio foi interrompido por explosões.

Relatórios divulgados nesta sexta-feira (27), pela agência de notícias iraniana, indicam que ataques aéreos atribuídos aos Estados Unidos e a Israel atingiram ao menos 120 museus e marcos históricos em diferentes regiões do país, incluindo áreas na capital, Teerã. Os dados foram apresentados por Ahmad Alavi, chefe do Comitê de Patrimônio Cultural da cidade, em entrevista à agência iraniana ISNA.

Entre os locais afetados estão estruturas que não pertencem apenas ao Irã — mas à história da humanidade.

O Palácio Golestan, em Teerã, um dos símbolos da arquitetura persa e reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco, está entre os atingidos. Também foram registrados danos no Palácio de Mármore, no Museu Teymourtash e no complexo de Saadabad, que abriga não apenas museus, mas também instalações ligadas à presidência iraniana.

A destruição não se limita à capital.

Na histórica cidade de Isfahan, considerada uma das joias arquitetônicas do mundo islâmico, ataques afetaram a Mesquita Jameh e o Palácio Chehel Sotoun, além de impactos relatados na icônica Praça Naqsh-e Jahan, construída no século XVII. No oeste do país, áreas arqueológicas no Vale de Khorramabad também sofreram danos.

A própria Unesco confirmou que ao menos quatro dos 29 sítios iranianos reconhecidos como Patrimônio da Humanidade foram atingidos. Em nota, a organização alertou para danos a “diversos sítios de importância cultural” na região.

Outras perdas incluem casas históricas na cidade de Bushehr — estruturas que ajudam a contar a vida cotidiana de diferentes períodos da história iraniana.

O Irã abriga um dos acervos culturais mais antigos do planeta. Sua herança remonta à civilização persa, consolidada no Planalto do Irã a partir do século VI antes de Cristo. Cada palácio, mesquita ou sítio arqueológico carrega camadas de tempo que atravessam impérios, religiões e transformações políticas.

Quando um desses espaços é atingido, não é apenas pedra que se perde. Perde-se contexto. Perde-se memória. Perde-se uma parte da narrativa humana que não pode ser reconstruída com precisão.

Em cenários de guerra, a destruição de patrimônio cultural costuma ser tratada como dano colateral. Mas, em muitos casos, ela também carrega um peso simbólico: atingir a identidade de um povo, sua história e seus marcos civilizatórios.

Entre a estratégia militar e a preservação cultural, a linha é frágil — e, muitas vezes, ignorada. No fim, a pergunta que fica não é apenas sobre quem avança ou recua em um conflito. É sobre o que sobra quando o conflito termina.

Edição: Ronald Stresser Jr

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Rumo à Lua: Artemis II entra na reta final e reacende o sonho de uma geração

Com lançamento previsto para 1º de abril, missão da NASA marca o retorno de astronautas à órbita lunar — pela primeira vez uma mulher vai deixar a orbita da Terra 

A tripulação da Artemis II (da esquerda para a direita): o astronauta da CSA (Agência Espacial Canadense) Jeremy Hansen e os astronautas da NASA Christina Koch, Victor Glover e Reid Wiseman.

Ontem, 25 de março, os astronautas que compõe a tripulação da missão Artemis II já add, chegaram oficialmente à base de lançamento que pode recolocar a humanidade no caminho da Lua. Sorriram para fotos, acenaram discretamente — mas havia algo mais ali: consciência do momento.

O lançamento segue previsto para quarta-feira, 1º de abril, dentro de uma janela de duas horas que se abre às 18h24 (horário do leste dos Estados Unidos). Até lá, a rotina é técnica, quase clínica: revisão de cronogramas, exames médicos, simulações, reuniões. Mas por trás dessa disciplina, pulsa o lado mais humano da missão — despedidas, silêncios, e o peso simbólico de deixar a Terra, ainda que por poucos dias.

E talvez seja justamente esse lado humano que ganhou forma em um pequeno detalhe anunciado ali mesmo, no Kennedy Space Center.

Durante um breve discurso, o comandante Reid Wiseman apresentou ao mundo o companheiro mais improvável da missão: um pequeno objeto de pelúcia chamado “Rise”.

Branco, arredondado, com um rosto sorridente e um chapéu que mistura as cores da Terra com desenhos de galáxias, estrelas e foguetes, o mascote carrega mais do que fofura. Ele será o indicador de gravidade zero — aquele momento simbólico em que, ao flutuar, revela que a nave deixou definitivamente o abraço do planeta.

Mas “Rise” não nasceu dentro da NASA. Ele veio da imaginação de Lucas Ye, um jovem de Mountain View, na Califórnia. Seu desenho foi escolhido entre mais de 2.600 propostas enviadas por estudantes de mais de 50 países — uma espécie de votação global, silenciosa, sobre como representar o sonho de voltar à Lua.

O nome não é por acaso. Inspirado na icônica imagem do “nascer da Terra”, registrada durante a missão Apollo 8, “Rise” carrega uma ideia simples e poderosa: subir, erguer-se, olhar de novo para casa — só que de longe.

Entre os finalistas estavam criações vindas da Finlândia, Peru, Canadá e Estados Unidos. Histórias diferentes, culturas distintas, todas convergindo para um mesmo ponto no céu. No fim, venceu o desenho que melhor traduziu aquilo que a missão também tenta resgatar: o encantamento.

Enquanto isso, do lado de fora das narrativas simbólicas, a engenharia segue seu curso implacável. O foguete SLS (Space Launch System), a cápsula Orion e toda a infraestrutura de solo continuam em preparação intensa. Cada válvula, cada sistema, cada linha de código sendo revisada — porque no espaço, margem de erro não é um conceito aceitável.

A Artemis II não pousará na Lua. Não desta vez. Sua missão é outra: testar, validar, garantir que o caminho está seguro para os próximos passos — aqueles que, de fato, pretendem levar humanos novamente à superfície lunar.

Mas seria um erro dizer que esta é apenas uma etapa técnica.

Há mais de 50 anos, a humanidade olhou para a Lua com olhos de descoberta. Agora, olha novamente — mas com outra consciência. Mais conectada, mais global, mais plural. A presença de um astronauta canadense na tripulação e de um mascote criado por um estudante mostram isso com clareza: o espaço já não pertence a uma bandeira só.

Ele pertence à curiosidade humana.

Nos próximos dias, enquanto os astronautas alternam entre protocolos e momentos com suas famílias, o mundo também entra em contagem regressiva — ainda que nem todos percebam.

Porque, no fundo, cada lançamento como esse reacende uma pergunta antiga, quase infantil, mas essencial: até onde a gente consegue ir?

Sulpost — Jornalismo que respira junto com o tempo

Serviço — Missão Artemis II

  • Lançamento previsto: 1º de abril de 2026
  • Janela: a partir das 18h24 (horário do leste dos EUA)
  • Duração da missão: cerca de 10 dias
  • Tripulação: Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch (NASA) e Jeremy Hansen (CSA)
  • Objetivo: voo tripulado ao redor da Lua, sem pouso, para validação de sistemas

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quinta-feira, 26 de março de 2026

Requião volta ao centro do jogo e sinaliza candidatura à Câmara com força eleitoral rara

Ex-governador critica “comercialização” da política e desponta como um dos nomes mais competitivos do Paraná para 2026

Ex-governador critica “comercialização” da política e desponta como um dos nomes mais competitivos do Paraná para 2026

Tem gente que entra na disputa. E tem gente que muda o clima da disputa só de aparecer. Roberto Requião é desse segundo tipo.

A sinalização feita ontem, 25 de março, em suas redes sociais, não é um gesto isolado — é um movimento que reposiciona o debate político no Paraná e projeta efeitos diretos na corrida pela Câmara dos Deputados. Em um cenário ainda disperso, ele surge, desde já, como o pré-candidato mais popular a colocar o nome na mesa.

E popularidade, nesse estágio do jogo, não é detalhe. É vantagem. Requião fala como sempre falou: sem curva, sem filtro e sem preocupação em agradar.

Eles transformaram o Congresso Nacional no mercado. Eles negociam os seus interesses pessoais em troca de emendas (…) o novo para eles é transformar a política num negócio.”

A crítica atinge em cheio o coração de uma das maiores tensões atuais em Brasília: o uso político das emendas parlamentares. Mas, no caso de Requião, não soa como discurso oportunista. Soa como a continuidade deu uma figura rara da política brasileira, um homem realmente autêntico, um dos maiores políticos que o Paraná já produziu.

Ele mesmo faz questão de lembrar o caminho que percorreu:

Já fui muita coisa na política (…) O que eu vi de tudo isso é que nós temos que evitar, de qualquer forma, que a política se transforme num comércio para favorecimentos pessoais.”

Prefeito de Curitiba, três vezes governador do Paraná, duas vezes senador. Não é um currículo qualquer — é uma biografia que atravessa gerações e diferentes momentos do país, desde sua redemocratização. E talvez seja justamente este seu diferencial.

Experiência como ativo — e não como peso

Em um tempo em que muitos tentam se vender como “novos”, Requião aposta no contrário: na experiência como ativo político.

A minha política é a política da firmeza, uma linha reta do começo ao fim.”

A frase funciona como síntese. Não há tentativa de suavizar o personagem — ele continua sendo o político de posições duras, de embates públicos e de discurso nacionalista que marcou sua trajetória.

Mas o contexto mudou. Hoje, em meio à fragmentação e à desconfiança generalizada, esse tipo de previsibilidade pode virar vantagem eleitoral.

Largada à frente em um cenário indefinido

Enquanto outros nomes ainda ensaiam suas candidaturas, testam rejeição ou sequer conseguiram se apresentar ao grande público, Requião já parte de outro patamar.

Ele é conhecido. É lembrado. E, principalmente, identificado. Gostem ou não dele, fato é que a maioria esmagadora da população paranaense o conhece. 

Isso o coloca, com relativa folga, entre os nomes mais competitivos na disputa por uma cadeira na Câmara Federal pelo Paraná — possivelmente o mais forte entre os que já se colocaram como pré-candidatos até aqui.

Não se trata apenas de recall eleitoral. É capital político acumulado — algo que não se constrói de uma eleição para outra.

Um retorno que carrega disputa de narrativa

Mais do que uma candidatura, o que Requião coloca em campo é uma leitura de país.

Nós temos que evitar, de qualquer forma, que a política se transforme num comércio para favorecimentos pessoais.”

A frase resume o eixo da sua intervenção: a política como espaço de interesse público, em oposição ao que ele enxerga como um modelo dominado por negociações e trocas.

É uma disputa de sentido. E, como toda disputa real, não será silenciosa. Requião volta ao jogo com algo que poucos têm ao mesmo tempo: memória, base consolidada e disposição para o confronto. Num cenário ainda morno, isso aquece e leva à ebulição. E pode, mais uma vez, fazer diferença nas urnas.

Gleisi sobe o tom contra Moro e expõe contradições que ecoam forte no Paraná

Em vídeo direto e sem rodeios, ministra Gleisi Hoffman confronta narrativa do ex-juiz, questiona alianças com o bolsonarismo e recoloca o debate no chão paranaense

Por Ronald Stresser, Jr. — Sulpost — Jornalismo que respira com o leitor — Curitiba, 26 de março de 2026

Em vídeo direto e sem rodeios, ministra Gleisi Hoffman confronta narrativa do ex-juiz, questiona alianças com o bolsonarismo e recoloca o debate no chão paranaense

O vídeo de Gleisi não começa apenas com uma fala. Começa com um incômodo. É daqueles conteúdos que não passam despercebidos no feed — não pelo algoritmo, mas pelo peso político que carregam. A imagem é simples, a fala direta, como é a do hábito de Gleisi Hoffmann, mulher autêntica e direta que é. Mas o que está em jogo ali é bem maior do que um embate entre dois nomes conhecidos. É sobre narrativa, coerência, tradição política e memória.

Na tarde desta quarta-feira (25), a ministra da SRI — Articulação Política do governo Lula e pré-candidata ao Senado pelo Paraná — Gleisi Hoffmann, resolveu não suavizar. Foi direta ao ponto — e ao alvo: Sérgio Moro.

“O PT não governa o Paraná” — quando o discurso desmonta a si mesmo

Logo nos primeiros segundos, Gleisi faz o que poucos conseguem com tanta precisão: desmonta o argumento antes mesmo dele ganhar corpo.

“Moro diz que quer tirar o PT do poder. O PT não governa o Paraná, Moro, e nem você é candidato a presidente.”

A frase não é apenas uma resposta. É um enquadramento. Ao trazer o debate de volta ao território real — o Paraná — Gleisi expõe uma desconexão que muitos eleitores já percebem, mas que raramente é verbalizada com tanta clareza: afinal, a candidatura de Moro é sobre o estado, sobre um projeto pessoal de poder ou sobre uma guerra ideológica permanente?

O “arauto da moralidade” e o peso das próprias escolhas

É quando o vídeo avança que o tom muda. Fica mais denso, mais incisivo.

“O que você tem que explicar, arauto da moralidade, é seu acordo eleitoral com Flávio Bolsonaro.”, disparou a ministra.

Aqui, Gleisi toca em uma ferida aberta — e que nunca cicatrizou completamente no imaginário político brasileiro. Moro construiu sua trajetória pública ancorado na ideia de combate à corrupção. Esse foi seu capital político. Sua identidade. Sua promessa. Ele é praticamente o fundador da dita "República de Curitiba".

Mas a mesma figura que deixou o governo Bolsonaro acusando interferência na Polícia Federal — inclusive para proteger a família do então presidente — hoje aparece alinhada ao mesmo grupo político. Não é apenas uma contradição. É uma ruptura de narrativa.

E o eleitor percebe. Se os políticos mais antigos, aqueles com vícios eleitores terríveis, costumavam dizer que os eleitores não tem memória, hoje todas e todos tem internet.

Memória política não é detalhe — é julgamento

Gleisi preza pela história e não deixa isso escapar. Pelo contrário, puxa o fio da memória:

“Ele saiu do governo Bolsonaro acusando corrupção… e agora aparece ao lado dele como se nada tivesse acontecido?”, detona a pré-candidata.

A pergunta  reverbera porque não exige resposta imediata. Ela se instala. Num cenário político onde a memória costuma ser curta, há momentos em que ela volta com força — e cobra coerência. Esse é um desses momentos.

O Paraná no centro — ou apenas no discurso?

Enquanto o embate cresce, uma outra questão começa a circular com mais força — menos nos discursos oficiais, mais nas conversas sinceras, aquelas de bastidores, de rua, de quem observa sem filtro: Se Moro é tão forte no Paraná, por que sua própria base familiar buscou São Paulo?

A eleição de Rosângela Moro como deputada federal por outro estado não é apenas um dado eleitoral. É um símbolo. E símbolos, na política, falam alto. A história conta inclusive que o Paraná já foi província de São Paulo e o aniversário do estado é comemorado justamente no dia da emancipação política.

 É este tipo de simbolismo que toca fundo no coração do paranaense, revelando estratégias, fragilidades — e, às vezes, incoerências de alguns políticos locais.

Requião Filho abriu. Gleisi aprofundou. E o cerco se fecha

O ataque de Gleisi não surge isolado. Ele se conecta com um movimento mais amplo. No dia anterior, o deputado estadual Requião Filho já havia colocado Moro em xeque, questionando seu compromisso com o Paraná. Agora, Gleisi amplia o alcance, eleva o tom e nacionaliza o debate.

É como se diferentes vozes começassem a compor uma mesma narrativa: a de que há mais dúvidas do que certezas em torno do projeto político de Moro.

“Alianças que mudam conforme a conveniência”

A frase final do vídeo não é por acaso. É construção.

“Alianças que mudam conforme a conveniência, lealdades que duram até o próximo acordo.”

Mais do que uma crítica, é uma tentativa de definição. Na política, quem define primeiro, larga na frente. E tanto Gleisi quanto os eleitores e eleitoras do Paraná sabem disso.

O que está em jogo não é 2022 — é 2026

Há algo no ar. Não é só disputa. É antecipação. O Paraná começa a viver, ainda que de forma embrionária, o clima de uma eleição que promete ser intensa, marcada por embates duros e memórias revisitadas. A história do estado e o histórico de cada político vão falar alto até o dia da eleição. O Paraná não pode perder sua identidade.

E nesse cenário, Gleisi Hoffmann mostra que não pretende ocupar um papel coadjuvante. Ela entra em campo com discurso, com história — e com disposição para o confronto. Porque, no fim, não se trata apenas de quem fala mais alto. Mas de quem sustenta o que diz e conhece não apenas a história, mas também o sentimento do próprio povo do qual faz parte. Ela é bicho do Paraná!

Moradores da Rua Ernesto Biscardi, na CIC, reclamam da "privatização" do logradouro

Moradores da Cidade Industrial de Curitiba denunciam bloqueios e questionam restrições em via pública, levantando debate sobre o direito constitucional de ir e vir

Moradores da Rua Agostinho Brusamolin, na Cidade Industrial de Curitiba, denunciam bloqueios e questionam restrições em via pública, levantando debate sobre o direito constitucional de ir e vir

O asfalto da Cidade Industrial de Curitiba (CIC) tem amanhecido sob tensão. Na Rua Ernesto Biscardi, o que antes era apenas mais uma via de circulação cotidiana passou a carregar um incômodo crescente — e coletivo. Denúncias enviadas ao Sulpost por moradores da região, por intermédio do Nelsão da Força, revelam uma sequência de intervenções que, aos poucos, estariam transformando o espaço público em algo cada vez mais restrito.

Segundo os relatos, tudo começou com a instalação de redutores de velocidade. Em seguida, vieram guaritas e a presença de segurança privada. Agora, o cenário teria avançado para bloqueios com cones, cancelas e até atuação da Guarda Municipal, impedindo ou dificultando o acesso de quem não reside diretamente no local. Para muitos, a sensação é clara: a rua estaria deixando de ser de todos.

Foto que acompanha a denuncia, enviada por moradores - Colaboração

Retrato de segregação 

Em uma das manifestações encaminhadas à Prefeitura de Curitiba, o morador Johnny Pinheiro — morador da Rua Agostinho Brusamolin — expressa a preocupação de forma direta: “Acesso à rua […] bloqueada com cancela e cones colocados devido a uma solicitação de um condomínio […] não podemos acessar […] moradores queremos uma posição oficial da regional CIC”. O relato sintetiza o sentimento de quem se vê impedido de circular por um logradouro que, por definição, é público.

O caso escancara uma discussão que vai além da CIC. O direito de ir e vir é garantido pela Constituição Federal e é inalienável a todo cidadão. Qualquer limitação ao uso de uma via pública precisa ser legal, transparente e amplamente justificada — nunca fruto de interesses isolados. Diante das denúncias, a expectativa recai agora sobre uma resposta oficial do poder público. Porque quando uma rua se fecha, o que está em jogo não é apenas o trânsito, mas o próprio acesso à cidade. Isso não fica bonito na foto. É a Curitiba de verdade, não aquela para inglês ver.

A Rua Agostinho Brusamolin, bloqueada - Colaboração 

Nelsão da Força, o morador Johnny Pinheiro e o dirigente sindical Marquinho, entregando a reclamação na regional da CIC hoje pela manhã - Divulgação - Atualizada às 12h13


Artemis II: NASA abre cobertura global e detalha como acompanhar missão histórica à Lua

NASA divulga canais oficiais de transmissão da missão Artemis II, participação virtual e rastreamento em tempo real da cápsula Orion - contagem regressiva está marcada para 1º de Abril  

NASA divulga canais oficiais de transmissão da missão Artemis II, participação virtual e rastreamento em tempo real da cápsula Orion - contagem regressiva está marcada para 1º de Abril

A NASA oficializou a agenda de cobertura da missão Artemis II, que marcará o retorno de astronautas à órbita da Lua após mais de meio século. Em um movimento que reforça o caráter global da missão, a agência norte-americana estruturou uma transmissão aberta e multiplataforma, permitindo que o público acompanhe cada etapa do lançamento e da jornada espacial em tempo real.

A cobertura será distribuída por canais digitais, transmissões ao vivo, atualizações contínuas e recursos interativos — uma estratégia que aproxima a exploração espacial do cotidiano das pessoas e amplia o acesso à informação científica.

Cobertura em tempo real e acesso a conteúdos oficiais

Durante toda a contagem regressiva e ao longo da missão, a NASA publicará atualizações contínuas no blog oficial da Artemis, reunindo informações técnicas, comunicados da equipe e bastidores operacionais.

Imagens oficiais da missão, incluindo registros inéditos em alta resolução, estarão disponíveis em uma central multimídia dedicada.

Já o trajeto da cápsula Orion poderá ser acompanhado em tempo real por meio de uma plataforma de rastreamento desenvolvida pela agência.

Participação virtual aberta ao público

A missão também contará com um programa de participação digital. Qualquer pessoa poderá se registrar como convidado virtual da NASA, recebendo conteúdos exclusivos, notificações sobre o lançamento e acesso a experiências interativas relacionadas à missão.

Após o lançamento, os participantes receberão um selo simbólico no chamado “passaporte virtual” da agência, iniciativa que busca engajar o público em eventos espaciais.

Transmissão em áudio e cobertura técnica

A NASA também disponibilizará cobertura em áudio do abastecimento do foguete e do lançamento, voltada especialmente a veículos de imprensa e público técnico.

Acesso telefônico:
Número: 256-715-9946
Código: 682 040 632

Na região da Space Coast, na Flórida, a transmissão poderá ser acompanhada ainda por frequências de rádio locais, ampliando o alcance da cobertura.

Imprensa e credenciamento

O prazo para credenciamento presencial de veículos de imprensa já foi encerrado. Ainda assim, a NASA mantém canais ativos para suporte à mídia e distribuição de conteúdo oficial.

📩 Contatos:
Johnson Space Center: jsccommu@mail.nasa.gov
Kennedy Space Center: ksc-media-accreditat@mail.nasa.gov
Programação NASA+: nasa-dl-nasaplus-programming@mail.nasa.gov

A política completa de credenciamento segue disponível no portal institucional da agência.

Missão integra nova fase da exploração espacial

A Artemis II faz parte do programa que pretende estabelecer uma presença sustentável da humanidade na Lua. Segundo a NASA, a missão representa um passo estratégico para ampliar a exploração científica, gerar oportunidades econômicas e consolidar tecnologias necessárias para futuras viagens tripuladas a Marte.

Com transmissão global e participação aberta, a agência transforma o lançamento em um evento compartilhado, reforçando o papel da exploração espacial como patrimônio coletivo da humanidade.

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quarta-feira, 25 de março de 2026

Requião Filho sobe o tom contra Moro e transforma disputa de 2026 em duelo direto no Paraná

Em vídeo nas redes, deputado acusa ex-juiz de traição política e mira contradições do adversário em prévia do embate eleitoral

O vídeo postado pelo deputado Requião Filho (PDT) - que está viralizando no Instagram - começa como uma cena de novela. Não é exagero. A fala é construída com calma, tom de voz firme, quase como quem puxa o espectador para dentro de uma história conhecida. Mas a curva vem rápido. Em poucos segundos, a metáfora vira confronto. E o alvo é direto: Sérgio Moro, recém filiado ao PL.

Nas redes sociais, o deputado estadual e pré-candidato ao governo do Paraná, Requião Filho (PDT), decidiu abandonar qualquer zona de conforto e partir para o embate aberto com o ex-juiz da Lava Jato. O tom não é de crítica pontual. É de ruptura narrativa, é contundente.

“Toda história tem um vilão que posa de bonzinho. No final, cai a máscara”, afirma no vídeo publicado no Instagram, em um recado que funciona menos como opinião e mais como sinal político claro de que a disputa de 2026 já começou.

A construção do personagem

Requião Filho não faz um ataque direto logo de início. Ele constrói um enredo. Relembra ao eleitor a saga do ex-juiz. Recupera a imagem pública de Moro ao longo dos anos: o juiz rigoroso, o símbolo do combate à corrupção, o homem que dizia evitar a política para não comprometer sua credibilidade.

Em seguida, desmonta essa narrativa.

O deputado relembra declarações antigas do ex-juiz, quando afirmava que entrar na política poderia colocar em dúvida a integridade do seu trabalho. A partir daí, estabelece o ponto central da crítica: Moro teria se transformado exatamente naquilo que dizia rejeitar.

Alianças que viraram munição

Requião Filho avança para um terreno ainda mais sensível. O deputado cita a aproximação de Moro com figuras como Valdemar Costa Neto e o campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

A estratégia é evidente. Trazer à tona contradições públicas e expor mudanças de posicionamento. Mostrar o verdadeiro Sérgio Moro e não aquele vendido por hábeis marketeiros políticos.

Ele relembra o rompimento de Moro com Bolsonaro, marcado por acusações graves à época, e contrapõe com o apoio atual ao mesmo grupo político. O argumento é de incoerência.

O deputado também toca em um ponto que ainda reverbera nos bastidores do Paraná: a relação com Álvaro Dias. Segundo ele, Moro teria traído o ex-senador ao mudar de rota eleitoral, episódio que deixou marcas no cenário local.

Ambição versus projeto

A crítica não fica apenas na trajetória. Ela tenta atingir o núcleo da candidatura adversária.

Para Requião Filho, Moro não apresenta um projeto consistente para o Paraná, mas sim um movimento guiado por ambição pessoal. Em um dos trechos mais incisivos do vídeo, afirma que a política do ex-juiz seria centrada nele mesmo, distante das necessidades reais da população.

A tentativa é clara: retirar Moro do campo simbólico da moralidade e trazê-lo para o terreno concreto da política, onde contradições pesam.

O início de um confronto inevitável

A postagem do pré-candidato ao governo do Paraná, não surge isolada. Ela faz parte de um movimento maior.

Requião Filho aparece hoje como um dos principais nomes da oposição no Paraná, com crescimento nas pesquisas e articulação de alianças no campo progressista. Moro, por sua vez, ainda lidera cenários, sustentado por uma base consolidada, embora também carregue rejeições importantes.

O que antes era disputa implícita começa a ganhar forma explícita. E o debate deixa de ser apenas institucional para entrar em um campo mais sensível: caráter, coerência e trajetória.

Mais do que um vídeo

No fim, o conteúdo publicado por Requião Filho cumpre um papel estratégico. Não é apenas um ataque. É um marco político.

Marca o momento em que as eleições de 2026 deixam de ser apenas projeções e passam a ser enfrentamento direto. Quando os discursos endurecem e os adversários deixam de ser figuras distantes para se tornarem alvos claros.

No Paraná, ao que tudo indica, o embate entre Requião Filho e Sérgio Moro não será apenas eleitoral. Será construído também no campo da narrativa, da memória e da disputa por significado. No paranismo, ao bem da palavra. Nosso estado é conhecido pela autenticidade das pessoas e não pela falsidade, afinal a vida real se distancia das novelas, mas em um ponto se aproxima, os vilões.

Metalúrgicos do Paraná se mobilizam para conferência nacional e eleições de 2026

Reunião da classe metalúrgica paranaense, no MetalClube de Guaraqueçaba, visa Conferência Nacional da Classe Trabalhadora que acontece em abril — “Queremos saber quais são os candidatos que vão assumir compromisso com os trabalhadores”, diz Butka

Reunião da classe metalúrgica paranaense, no MetalClube de Guaraqueçaba, visa Conferência Nacional da Classe Trabalhadora que acontece em abril — “Queremos saber quais são os candidatos que vão assumir compromisso com os trabalhadores”, diz Butka

O presidente do SMC, Sérgio Butka, de microfone em punho, declarou: “Estamos aqui em Guaraqueçaba para a reunião da Federação”, ele abriu os trabalhos em tom direto, conversando olho no olho com cada trabalhador. A pauta, segundo ele, ultrapassa os limites do estado: trata-se da preparação para a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, marcada para o dia 15 de abril.

Butka destacou que o movimento sindical entrou em um ciclo estratégico. Às vésperas do 1º de Maio e em um ano eleitoral, a prioridade é clara: consolidar propostas e cobrar compromissos concretos de quem pretende disputar as eleições 2026.

“Queremos saber quais são os candidatos que vão assumir compromisso com os trabalhadores.”

A fala não vem isolada. Ela ecoa uma preocupação antiga, mas que ganha força em ano eleitoral: quem, de fato, governa e propõe leis pensando nos trabalhadores?

Entre o capital e o trabalho: o modelo em disputa

No centro do debate está uma escolha que não é nova, mas segue atual — e urgente. Butka coloca de forma direta: o país precisa decidir que tipo de gestão quer para os próximos quatro anos.

Um modelo voltado aos trabalhadores? 
Ou um modelo que privilegia o capital financeiro, onde atuam aqueles que vivem da lógica da especulação e do lucro imediato? Que tem voz na hora das negociações por melhores salários, condições de trabalho e benefícios: a classe patronal ou os trabalhadores?

A crítica não é apenas retórica. Ela revela um sentimento compartilhado em diferentes categorias: o distanciamento entre decisões econômicas e a realidade de quem vive do próprio salário. Um sentimento que está reacendendo a luta sindical, a luta da classe trabalhadora brasileira, que foi quase despedaçada durante os quatro anos de Bolsonaro.

Salário, dignidade e condições de trabalho

Ao longo da fala, o presidente do SMC reforçou que a luta não se resume ao reajuste salarial — embora ele seja essencial. Trata-se também de condições dignas, estabilidade e poder de compra real. O ganho do trabalhador tem que acompanhar o preço do combustível, do supermercado, da saúde, da moradia, da cultura, da educação e do entretenimento.

A equação é simples, mas muitas vezes difícil de alcançar quando não existe boa vontade política: mais renda no bolso e mais respeito no ambiente de trabalho. E, para isso, segundo Butka, será preciso organização.

“Os metalúrgicos do Paraná vão estar fomentando suas bandeiras e defendendo de unhas e dentes.”

Chamado às bases

Há um momento no vídeo enviado ao Sulpost em que o discurso deixa de ser institucional e se torna quase um convite — que também serve de alerta.

“Fica atento, esse ano tem eleição.”

A frase é curta, mas carrega peso. Ela aponta para um entendimento cada vez mais presente no movimento sindical: a disputa não acontece apenas nas fábricas ou nas mesas de negociação, mas também nas urnas. As escolhas feitas pelo trabalhador, nas próximas eleições, vão repercutir nas políticas voltadas à classe durante os próximos quatro anos.

A luta que constrói

O encontro em Guaraqueçaba termina com uma frase que sintetiza o espírito da reunião — e talvez do próprio movimento:

“A luta faz a lei.”

Não se trata de um slogan, e sim de um lembrete histórico. Porque, no fim das contas, cada direito conquistado nasceu de algum tipo de mobilização e muitas vezes levou anos para que fossem conquistados. E, ao que tudo indica, 2026 será mais um daqueles momentos em que a história volta a ser escrita — desta vez, com a caneta nas mãos de quem trabalha. A classe trabalhadora não admita nenhum direito a menos.

É como diz o companheiro Nelsão da Força — vice-presidente do SMC — parafraseando Roberto Requião, aquele que sem sombra de dúvidas foi o governador que mais dez pela classe trabalhadora paranaense: "Desistir não desisto, parar não paro, e, se dignidade custa caro, pago o preço."

Veja o vídeo do presidente Sérgio Butka

Sulpost — Jornalismo que respira luta.

Lula batiza primeiro caça Gripen produzido no Brasil

Marco histórico inaugura nova fase da aviação e da indústria de defesa nacional

Marco histórico inaugura nova fase da aviação e da indústria de defesa nacional
Foto: Ricardo Stuckert (PR)

A aeronave, montada na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, não chega como apenas mais um equipamento à Força Aérea Brasileira (FAB). Ela carrega algo mais difícil de medir: a sensação concreta de mudança de patamar.

Pela primeira vez, o Brasil entra no grupo restrito de países capazes de produzir caças supersônicos de alta complexidade. Não na teoria, não no discurso — mas na prática.

Sem fala oficial, Lula observou. E talvez tenha sido o gesto mais coerente com o momento. Há ocasiões em que o silêncio comunica melhor do que qualquer discurso preparado.

Porque o que estava ali não precisava de explicação longa. Precisava ser visto.

Entre o passado dependente e o futuro possível

Durante décadas, a defesa aérea brasileira se apoiou em aeronaves adquiridas no exterior. Equipamentos eficientes, mas que vinham acompanhados de dependência — de peças, de atualizações, de decisões tomadas fora do país.

O programa Gripen muda essa equação.

Desenvolvido em parceria com a sueca Saab e com participação direta da Embraer, ele não se limita à aquisição de aeronaves. Envolve transferência de tecnologia, formação de profissionais brasileiros e inserção da indústria nacional em uma cadeia global altamente especializada.

Os números ajudam a dimensionar, ainda que parcialmente:

- Mais de 2 mil empregos diretos.
- Cerca de 10 mil indiretos.

Mas o dado mais relevante não cabe em planilha: é a autonomia.

“Quem domina tecnologia domina o futuro.”

A frase do vice-presidente Geraldo Alckmin, dita durante o evento, resume uma lógica que vem sendo construída há anos. Segundo ele, o governo federal já disponibilizou R$ 108 bilhões, via BNDES, para projetos voltados à inovação.

O Gripen está dentro desse movimento mais amplo: o de reposicionar o Brasil como produtor — e não apenas consumidor — de tecnologia estratégica.

O ministro da Defesa, José Múcio, reforçou esse ponto ao destacar que o acesso a tecnologias de ponta impacta diretamente a indústria nacional, elevando seu nível de maturidade e capacidade competitiva.

No fundo, a equação é direta:

- defesa gera tecnologia;
- tecnologia gera indústria;
- indústria gera soberania.

E soberania, hoje, vai muito além de fronteiras geográficas.

Um novo capítulo na aviação brasileira

Para o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Damasceno, segundo informa a EBC, não há espaço para relativizar o momento.

Ele definiu o Gripen como a aeronave mais importante da história da aviação nacional.

A afirmação pode soar forte — mas encontra respaldo no que está em curso.

Das 36 aeronaves adquiridas pelo Brasil, 15 serão produzidas em solo nacional. Isso significa mais do que montagem: significa domínio progressivo de processos, fortalecimento de cadeia produtiva e geração de conhecimento.

Em outras palavras, significa capacidade de continuidade.

Entre o presente e o que vem depois

Durante a visita, Lula também conheceu um projeto que aponta para outra direção do setor aéreo: o eVTOL da Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer.

Um veículo elétrico, de decolagem vertical, pensado para mobilidade urbana.

A imagem é quase didática sem precisar forçar interpretação:

de um lado, um caça supersônico;
do outro, uma aeronave silenciosa e elétrica.

No meio, o mesmo país tentando ocupar espaços diferentes — mas complementares — no futuro da aviação.

Mais do que um avião

O batismo do Gripen não é apenas um ato cerimonial. É um ponto de virada.

Ele marca a passagem:

- do planejamento para a execução;
- da dependência para a autonomia;
- da promessa para a entrega.

Não resolve tudo. Não muda tudo de uma vez.

Mas desloca o eixo, colocando o Brasil na vanguarda da aviação de caça. E, às vezes, é exatamente isso que define o início de uma nova etapa.

No fim, a aeronave batizada hoje em Gavião Peixoto não foi apenas um caça. É uma possibilidade concreta de país.

Marco histórico inaugura nova fase da aviação e da indústria de defesa nacional

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Greve na Brose expõe tensão entre lucro e dignidade do trabalho

Empresa poderá enfrentar multa de até R$ 1 milhão após ação do Ministério Público do Trabalho

O barulho não vem das máquinas. Vem das vozes. Na porta da fábrica da Brose, em São José dos Pinhais, o que se escuta é o eco de uma disputa antiga — trabalho de um lado, poder econômico do outro. Faixas erguidas, passos firmes, olhos atentos. Não é só uma greve. É um recado.

E agora, esse recado começa a ganhar peso jurídico. O Ministério Público do Trabalho da 9ª Região (MPT-PR) entrou com uma Ação Civil Pública contra a empresa após denúncias graves durante a paralisação que mobilizou trabalhadores entre o fim de fevereiro e meados de março. No centro da questão: o respeito — ou a falta dele — ao direito constitucional de greve.

Quando o conflito vira processo

Segundo o MPT, a Brose teria ultrapassado limites legais ao tentar esvaziar o movimento grevista. Entre as práticas denunciadas estão a contratação de trabalhadores temporários para substituir grevistas, restrições ao retorno dos funcionários e até questionamentos sobre a condução interna de processos como a eleição da CIPA.

Na prática, o que está em jogo não é apenas uma disputa trabalhista pontual. É o próprio cumprimento da Lei de Greve (Lei nº 7.783/89), que garante ao trabalhador o direito de parar — sem ser punido por isso.

A decisão é clara: a empresa deverá cumprir integralmente a legislação, sob pena de multa. E não é pouco.

Multa milionária e possível indenização coletiva

O processo prevê penalidades que podem chegar a R$ 100 mil por obrigação descumprida. Somadas, essas infrações podem ultrapassar a casa de R$ 1 milhão.

Além disso, há um pedido de indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 1 milhão. Um valor que, mais do que financeiro, carrega um simbolismo: o reconhecimento de que direitos trabalhistas não são negociáveis.

O que o MPT exige da empresa

  • A proibição de contratar trabalhadores substitutos durante a greve
  • O pagamento correto de salários e verbas aos grevistas
  • A anulação de processos internos considerados irregulares, como a eleição da CIPA durante o movimento
  • A garantia de participação ampla dos trabalhadores em novas decisões

Tudo isso sob vigilância direta da Justiça do Trabalho.

Mais do que números, são histórias

Por trás dos autos do processo, existem pessoas. Trabalhadores que acordam cedo, enfrentam ônibus lotados, sustentam famílias e agora enfrentam também a insegurança.

A greve, muitas vezes tratada como incômodo por setores empresariais, é — na essência — um instrumento de defesa. Um último recurso quando o diálogo falha.

E talvez seja isso que mais incomoda: quando o silêncio vira voz coletiva. Direitos trabalhistas foram adquiridos através de muitos anos de luta, isso faz também da greve da Brose, uma questão de soberania. As empresas multinacionais precisam aprender a respeitar a legislação brasileira.

O que está em jogo agora

A Brose ainda poderá se defender no processo. Mas o recado institucional já foi dado: há limites que não podem ser ultrapassados, mesmo em momentos de crise ou pressão produtiva.

Em um país onde direitos trabalhistas são frequentemente colocados à prova, o caso reacende um debate necessário — qual é o custo de ignorar a dignidade no ambiente de trabalho?

A resposta, ao que tudo indica, pode ser alta. Está na hora da própria sociedade dar uma resposta. Quando o mamute Nacional se instala no Brasil fica sujeita à lei brasileira.

Ao que tudo indica a questão será respondida em bom tom,  pois este pode ser um caso emblemático, que não vai se traduzir apenas em multas e indenizações.

A linha de frente também tem nome

Entre as vozes que ecoam na porta da fábrica, uma delas carrega história, insistência e presença constante: Nelsão da Força. Há meses, ele tem sido uma das figuras centrais na articulação da luta dos metalúrgicos da Brose, acompanhando de perto cada avanço e cada tensão.

Sua atuação, mais do que política, tem sido de resistência cotidiana, no resgate da luta sindical brasileira. O nelas é daquelas que não aparecem sempre nos holofotes, mas sustentam o movimento quando o desgaste começa a pesar na vida do trabalhador.

Procurada pela reportagem do Sulpost, a Brose não se manifestou até o fechamento desta matéria.

Clique aqui e veja as fotos e vídeos da manifestação dos trabalhadores, que no último dia 26 de fevereiro protestaram na porta da fábrica, Centro Cívico e em frente à Superintendência do Ministério do Trabalho e do Emprego, em Curitiba. (Google Drive)

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