quarta-feira, 15 de abril de 2026

Licitação de R$ 580 milhões é suspensa e expõe pressa, suspeitas: é segurança pública, modelo de vigilância chinesa ou vitrine eleitoral?

Projeto de vigilantismo em massa com inteligência artificial soa como ficção — mas começa a revelar uma distopia bem real

 
Licitação de R$ 580 milhões é suspensa e expõe pressa, suspeitas: é segurança pública, modelo de vigilância chinesa ou vitrine eleitoral? Projeto de vigilantismo em massa com inteligência artificial soa como ficção — mas começa a revelar uma distopia bem real

Manhã típica em Curitiba. Frio que engana, clima esquentando aos poucos. Trânsito, café apressado, rotina — o normal de todos os dias. Mas nos bastidores do poder, algo travou. E não foi por acaso.

O Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR) puxou o freio de um projeto bilionário disfarçado de modernização: o programa Olho Vivo. A promessa era simples de vender — mais câmeras, mais tecnologia, mais segurança. Mas o que apareceu no papel foi outra coisa.

Um edital de quase R$ 580 milhões, recheado de inconsistências, valores inflados e decisões que levantam uma pergunta incômoda: isso é planejamento público… ou pressa política, com os olhos já voltados para as próximas eleições?

Projeto grande demais — explicado de menos

A decisão do TCE foi direta: suspender o pregão antes mesmo da contratação avançar. O motivo é claro — risco real de dano ao dinheiro público.

Técnicos identificaram indícios de sobrepreço, falhas na modelagem do projeto e até riscos envolvendo o uso de dados pessoais dos cidadãos — um ponto crítico, e perigoso, quando se fala em monitoramento em tempo real com inteligência artificial.

Em termos mais crus: o Estado tentou contratar um sistema caro, sensível e complexo, potencialmente invasivo… e, pior, sem deixar claro como ele funcionaria na prática.

Há comparações que incomodam ainda mais. Em alguns cenários, o custo projetado ultrapassa em várias vezes soluções semelhantes já implementadas em outras cidades do país — muitas delas com bons resultados, sem avançar sobre a privacidade do cidadão.

Segurança pública sem a Segurança Pública?

Um detalhe chama atenção nos bastidores: a própria Secretaria de Segurança Pública (SESP-PR), que deveria liderar um projeto desse porte, teria participação limitada na formulação do modelo.

Isso ajuda a explicar por que o sistema parece ter nascido de cima para baixo, sem considerar as necessidades reais da população — mais como produto político do que como política pública estruturada.

Quando a tecnologia vira vitrine, o risco é simples: ela deixa de servir à população e passa a servir à narrativa. E todos conhecem o perigo de narrativas construídas de forma apressada — especialmente quando embaladas por inteligência artificial.

O Paraná sob vigilância — e sem debate

O discurso oficial aposta na eficiência. Câmeras inteligentes, reconhecimento de padrões, integração de dados. Tudo isso pode, sim, contribuir com a segurança.

Mas existe um limite que raramente entra na propaganda: quem controla esse sistema? Como esses dados serão usados? Quem fiscaliza o fiscal? Cidadãos comuns também terão suas rotinas, famílias e padrões de vida monitorados?

O avanço de tecnologias de vigilância em massa exige transparência, debate público e regras claras. Nada disso aparece com força nesse projeto.

Em outros países, como a China, modelos de vigilância integral com uso intensivo de inteligência artificial já acenderam alertas globais sobre privacidade e controle social. Até que ponto o Estado pode vigiar seus próprios cidadãos?

Quando um sistema desse tipo nasce cercado de falhas, dúvidas técnicas, pressa e suspeitas, o problema deixa de ser técnico — passa a ser estrutural. Vira problema de Estado.

E agora?

A suspensão não encerra o caso. O governo ainda pode corrigir o edital, ajustar valores e tentar retomar o processo — talvez reduzindo o “olho gordo” sobre o Olho Vivo. Mas o dano político já está feito.

O que era vendido como inovação virou questionamento. O que era vitrine virou investigação. O que era promessa de segurança virou dúvida sobre privacidade.

E o que deveria proteger passou a gerar desconfiança. Vai o governo agora ficar de butuca, atrás da moita, espiando todo mundo? Outra questão levantada foi observada por uma fonte do blog: "estão acabando com os cobradores de ônibus nas estações tubo, querendo automatizar tudo. Será que não querem automatizar a polícia também?"

No fim, a pergunta que fica é simples — e difícil de ignorar: quem está realmente sendo protegido e quem são os verdadeiros interessados nesse projeto?

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Detido pelo ICE nos Estados Unidos, Alexandre Ramagem pode enfrentar extradição ao Brasil

Ex-chefe da inteligência brasileira e ex-deputado federal foi localizado na Flórida após viver como foragido; caso envolve imigração, diplomacia e disputa jurídica internacional

Detido pelo ICE nos Estados Unidos, Alexandre Ramagem pode enfrentar extradição ao Brasil. Ex-chefe da inteligência brasileira e ex-deputado federal foi localizado na Flórida após viver como foragido; caso envolve imigração, diplomacia e disputa jurídica internacional.

O cenário é discreto, quase silencioso — mas carrega implicações de alto impacto político. Em uma unidade de detenção na Flórida, longe dos holofotes brasileiros, um dos nomes mais controversos do cenário recente do país aguarda o próximo movimento da Justiça internacional.

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal, foi detido por autoridades de imigração dos Estados Unidos (ICE) na região de Orlando entre os dias 13 e 14 de abril de 2026. A informação foi confirmada por veículos de imprensa brasileiros e internacionais, além de registros no sistema de custódia americano.

A detenção ocorreu por questões migratórias, mas rapidamente ganhou dimensão política e jurídica. Ramagem estava nos Estados Unidos desde 2025, após deixar o Brasil em meio a investigações e posterior condenação judicial.

Onde ele está

Até o momento, Ramagem permanece sob custódia do ICE na região de Orlando, no estado da Flórida. Registros indicam vínculo com o sistema carcerário do condado de Orange County, prática comum em casos de “immigration hold”, quando o detido aguarda definição sobre deportação ou extradição.

As autoridades americanas não divulgaram oficialmente o nome da unidade específica onde ele está detido — procedimento padrão em casos envolvendo estrangeiros sob custódia migratória.

Por que ele foi preso

A detenção foi motivada inicialmente por irregularidades no status migratório. No entanto, o contexto é mais amplo. Ramagem havia sido condenado no Brasil a mais de 16 anos de prisão por envolvimento em uma tentativa de ruptura institucional.

Após a condenação, fugiu do país e passou a ser considerado foragido da Justiça brasileira, com pedido de cooperação internacional em andamento. Nos Estados Unidos, a abordagem teria ocorrido após identificação pelas autoridades locais, possivelmente em uma situação rotineira, como fiscalização ou verificação documental. A partir daí, o ICE assumiu a custódia.

O que pode acontecer agora

O caso entra agora em uma fase mais complexa, com três caminhos possíveis:

  • Deportação: retorno ao Brasil por irregularidade migratória, processo mais rápido e administrativo

  • Extradição: envio formal ao Brasil com base na condenação judicial, envolvendo decisão judicial e diplomática

  • Pedido de asilo: tentativa de permanecer nos EUA alegando perseguição política

Brasil e Estados Unidos possuem tratado de extradição em vigor, o que permite o procedimento — desde que cumpridos critérios legais, como a chamada “dupla tipificação” (o crime também precisa existir na legislação americana).

Um dos pontos mais sensíveis será a natureza dos crimes atribuídos a Ramagem. Se forem considerados “crimes políticos puros”, a extradição pode ser negada. Caso sejam interpretados como crimes comuns com motivação política, o processo deve avançar.

Disputa jurídica e diplomática

Mesmo com decisão favorável da Justiça americana, a extradição não é automática. A palavra final cabe ao Departamento de Estado dos EUA, o que insere o caso também no campo diplomático.

Além disso, um eventual pedido de asilo pode suspender ou atrasar qualquer tentativa de envio ao Brasil, prolongando o impasse por meses — ou até anos.

Repercussão

A detenção repercutiu rapidamente nos dois países. No Brasil, o caso reacende debates sobre responsabilização política e cooperação internacional. Nos Estados Unidos, entra no radar de discussões sobre imigração e uso do sistema para lidar com estrangeiros procurados por outros países.

Até aqui, o que se sabe é claro — mas ainda incompleto. Ramagem está sob custódia, o Brasil tem interesse em seu retorno, e os Estados Unidos terão que decidir como conduzir um caso que mistura direito, política e diplomacia em um único processo. O desfecho, por ora, segue em aberto.

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O Brasil na corrida dos data centers — entre o futuro digital e o custo ambiental

Com investimentos bilionários e avanço da inteligência artificial, país se consolida como hub tecnológico — mas pressão sobre recursos naturais já entra no radar

Ronald Stresser Jr — Sulpost

 

O Brasil na corrida dos data centers — entre o futuro digital e o custo invisível da energia. Com investimentos bilionários e avanço da inteligência artificial, país se consolida como hub tecnológico — mas pressão sobre recursos naturais já entra no radar.

O zumbido constante dos servidores não aparece nas cidades. Não faz barulho nas ruas, não ocupa manchetes todos os dias — mas está lá. Em galpões discretos, muitas vezes longe do olhar público, o Brasil começa a sustentar uma nova camada da economia: a infraestrutura invisível da era digital.

Os data centers, antes restritos ao universo técnico, viraram peça-chave de um mundo conectado, automatizado e, agora, acelerado pela inteligência artificial. E o país entrou de vez nessa corrida. Nos bastidores, o movimento é intenso.

Um boom silencioso — e estratégico

O Brasil se posiciona hoje como o principal polo de data centers da América Latina, atraindo investimentos pesados e projetos de larga escala. A combinação é poderosa: energia relativamente barata, matriz majoritariamente renovável e um mercado interno massivo.

Não por acaso, gigantes globais e fundos de infraestrutura estão ampliando presença. A lógica é simples — onde há dados, há poder econômico. E há muitos dados.

A digitalização de serviços, o avanço da computação em nuvem e, sobretudo, a explosão da inteligência artificial criaram uma demanda inédita por processamento. Modelos de IA exigem capacidade computacional contínua, intensa — e cara.

Esse novo ciclo já impacta diretamente o consumo energético. A expansão dos data centers começa a aparecer como vetor relevante na demanda por eletricidade no Brasil.

O outro lado da equação

Mas há um ponto que começa a ganhar densidade no debate — e que o entusiasmo tecnológico tende a suavizar: o custo ambiental dessa infraestrutura.

Hoje, os data centers ainda representam uma fração relativamente pequena do consumo nacional de energia. O problema não é o tamanho atual — é a velocidade de crescimento.

A inteligência artificial mudou a escala do jogo. Treinar e operar modelos avançados exige milhares de processadores funcionando sem pausa — o que já começa a pressionar emissões e cadeias energéticas em escala global.

E não é só energia.

A água — usada principalmente para resfriamento — entra na conta. Em alguns casos, um único data center pode consumir volumes comparáveis ao de pequenas cidades ao longo do ano.

Esse é o ponto de tensão: uma infraestrutura essencial para o futuro digital, mas com impacto físico concreto sobre recursos naturais.

Eficiência ou ilusão?

O setor responde com tecnologia. Sistemas mais modernos reduzem consumo, utilizam circuitos fechados de refrigeração e apostam em energias renováveis. A ideia de “data centers verdes” ganha espaço e investimento.

Mas há um paradoxo difícil de ignorar. Quanto mais eficiente a tecnologia se torna, maior tende a ser a demanda total — impulsionada justamente pelo crescimento do uso. A inteligência artificial melhora a eficiência, mas também multiplica o consumo global.

O Brasil no meio dessa encruzilhada

O país reúne condições raras para liderar esse setor. Energia relativamente competitiva, abundância hídrica e território disponível colocam o Brasil como destino natural para grandes operações. Mas essa vantagem vem com responsabilidade — e riscos.

A expansão dos data centers não é neutra: pressiona redes elétricas, reorganiza territórios e pode gerar disputas por recursos, especialmente em cenários de crise hídrica ou eventos climáticos extremos. Em outras palavras: o futuro digital também ocupa espaço físico.

O que está em jogo

A questão não é frear o avanço — isso simplesmente não está na mesa. A pergunta real é outra: como crescer sem repetir os erros de outras revoluções industriais?

O Brasil tem, talvez, uma janela rara de escolha. Pode se tornar apenas um grande hospedeiro de infraestrutura intensiva — ou liderar um modelo mais equilibrado, onde tecnologia e sustentabilidade caminhem juntas de forma menos retórica e mais concreta.

Porque, no fim, toda nuvem tem também endereço fixo. E consome energia, muita energia.

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terça-feira, 14 de abril de 2026

Conta de luz pode disparar no Paraná após privatização da Copel, alerta Arilson

Deputado aponta aumento médio de 19% para residências e mais de 50% em setores industriais, criticando modelo voltado ao lucro

14 de abril de 2026 — Sulpost — via Assessoria do Deputado 

Conta de luz pode disparar no Paraná após privatização da Copel, alerta Arilson. Deputado aponta aumento médio de 19% para residências e mais de 50% em setores industriais, criticando modelo voltado ao lucro.
Deputado Arilson Chiorato, Líder da Oposição na ALEP e presidente do PT-PR (Orlando Kissner/Alep)

O impacto chega primeiro na fatura. Silencioso, direto, difícil de escapar. E pode ficar mais pesado nos próximos meses. Nesta terça-feira (14), na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), o deputado estadual Arilson Chiorato (PT) acendeu um alerta: a conta de energia pode subir, em média, 19,2% para consumidores residenciais — e ultrapassar os 50% em alguns segmentos da economia.

Líder da Oposição e presidente do PT no Paraná, Arilson atribui o cenário à mudança no modelo de gestão da Companhia Paranaense de Energia (Copel), após a privatização conduzida pelo governo Ratinho Jr. (PSD).

Segundo o parlamentar, os números chamam atenção: mesmo com uma queda aproximada de 1% no custo da energia entre 2025 e 2026, a proposta de reajuste segue em alta expressiva. Em áreas como grandes indústrias, mineração e centros comerciais, o impacto pode ser ainda mais acentuado.

“A Copel deixou de ter como prioridade o interesse público e passou a focar no resultado para acionistas. Isso muda a lógica da tarifa e impacta diretamente o bolso da população”, afirmou Arilson.

No plenário, o líder reforçou que a mudança no controle da empresa trouxe uma nova diretriz: maximizar lucro e ampliar a distribuição de dividendos. Para ele, o cenário atual confirma alertas feitos ainda em 2020, durante o debate sobre a venda da estatal.

Estrutura de cobrança pressiona tarifas

Outro ponto destacado pelo deputado é o crescimento da remuneração do capital — índice que representa o retorno sobre investimentos na rede elétrica — que, segundo ele, avançou mais de 70%.

Na prática, a lógica é técnica, mas o efeito é direto: a infraestrutura de distribuição tem seu valor reconhecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), e sobre esse montante incide uma remuneração. Quanto maior esse valor, maior a pressão sobre a tarifa final.

“É investimento virando aumento de tarifa. A empresa investe e depois incorpora esse custo na conta de luz. Quando isso cresce demais, quem paga é o consumidor”, disse.

Na avaliação do parlamentar, o modelo atual permite que investimentos sejam incorporados de forma crescente ao preço pago pela população, ampliando a base de cobrança e abrindo espaço para novos reajustes.

Efeito em cadeia na economia

O impacto, segundo Arilson, não se limita às residências. A alta da energia se espalha pela economia: encarece a produção industrial, pressiona o comércio e chega, inevitavelmente, ao preço final de produtos e serviços.

O deputado também criticou a ausência de resposta do governo estadual diante das mudanças na empresa. Ele mencionou relatos de piora no atendimento, com demora na religação de energia e redução de equipes.

“Há relatos claros de piora no atendimento da Copel. A população enfrenta demora na religação de energia e redução de equipes. Isso é realidade. A questão é: qual foi a decisão do Governo Ratinho Jr. diante disso? Nenhuma”, afirmou.

Para Arilson, os efeitos da privatização já se manifestam no cotidiano dos paranaenses — seja na conta mais cara, seja na pressão crescente sobre o orçamento familiar.

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Ratinho Jr. ignora pesquisas, surpreende aliados e lança Sandro Alex ao governo do Paraná

Com Moro chegando a 52%, escolha do governador desafia lógica eleitoral e acende alerta dentro da própria base

 
Ratinho Jr. ignora pesquisas, surpreende aliados e lança Sandro Alex ao governo do Paraná. Com Moro chegando a 52%, escolha do governador desafia lógica eleitoral e acende alerta dentro da própria base.

O movimento veio sem aviso — quase em silêncio. Nos bastidores, o clima era de expectativa, de cálculo, de espera longa. Até que Ratinho Jr. decidiu. E decidiu contra o que parecia mais óbvio.

O nome escolhido para disputar o governo do Paraná é o de Sandro Alex, ex-secretário de Infraestrutura, um quadro técnico, fiel ao grupo, mas ainda distante do radar da maioria dos eleitores.

A decisão encerra meses de indefinição. Mas, ao mesmo tempo, abre uma pergunta que começa a ecoar — primeiro nos corredores da política, agora também fora deles: qual é, afinal, a lógica dessa escolha?

Os números estavam na mesa

A pesquisa divulgada nesta semana pelo Paraná Pesquisas ajuda a entender o tamanho do desafio.

No principal cenário estimulado, o senador Sergio Moro aparece com 46,0% das intenções de voto. Bem atrás, o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca soma 19,7%, seguido por Requião Filho, com 17,7%.

Em um cenário mais enxuto, sem alguns concorrentes, Moro avança ainda mais: 52,5%.

É o tipo de número que, em política, não passa despercebido. E há um detalhe que pesa: Sandro Alex simplesmente não aparece entre os principais nomes testados.

A escolha que foge do desenho

Diante desse cenário, a decisão de Ratinho Jr. não apenas surpreende — ela desorganiza o que vinha sendo desenhado como caminho natural.

Ficaram de fora nomes com presença eleitoral concreta, como Rafael Greca e o presidente da Assembleia, Alexandre Curi. Ambos aparecem com dois dígitos nas simulações e já partem de um nível conhecido pelo eleitor. Sandro Alex, por outro lado, começa de outro ponto. Mais baixo. Mais distante. Mais incerto. Não é só uma escolha política. É uma aposta. Talvez o governador acredita que de acordo com suas últimas pesquisas de popularidade, acima de 80%, ele pode eleger quem quiser. Isto, mesmo que o nome ainda seja desconhecido da maior parque da população, como é o caso.

Popularidade alta — transferência incerta

O contraste fica ainda mais evidente quando se olha outro dado da mesma pesquisa: a gestão de Ratinho Jr. tem 83,8% de aprovação. É um número robusto, difícil de ignorar. Mas aprovação não se transfere automaticamente. E, na prática, raramente sustenta sozinha uma candidatura.

Entre ser bem avaliado e conseguir eleger um sucessor, existe um caminho — e ele costuma ser mais longo do que parece. Deputados ouvidos pelo Sulpost se disseram surpresos com a decisão do governador, escolha que deve apresentar seus desdobramentos políticos no decorrer do dia de hoje.

Moro cresce — e ocupa o espaço

Enquanto o governo define sua estratégia, Sergio Moro avança. Lidera com folga, cresce entre uma pesquisa e outra e já se aproxima de um patamar que, em alguns cenários, flerta com vitória em primeiro turno.

Nesse contexto, lançar um nome ainda pouco conhecido não parece, à primeira vista, um movimento de enfrentamento direto. Parece outra coisa.

Nos bastidores, as interpretações variam — de estratégia controlada a cálculo político mais amplo. Mas nenhuma delas elimina a sensação de que o governo decidiu sair fora da curva e jogar fora do script.

O efeito na base já começou

Na Assembleia Legislativa, o impacto foi imediato. O PSD, partido de Ratinho Jr e maior bancada da Casa, observa o cenário com um tipo de preocupação que não costuma aparecer em público.

A conta é conhecida: candidato forte puxa votos. Candidato fraco deixa cada deputado por conta própria. Com 19 cadeiras em disputa, qualquer oscilação no topo da chapa pode custar caro na base. Pode custar a reeleição dos titulares de praticamente metade dessas cadeiras em jogo.

Uma candidatura contra o tempo

Sandro Alex entra na corrida com três tarefas urgentes: tornar-se conhecido, construir identidade eleitoral e enfrentar um adversário que já larga consolidado.

Não é uma largada confortável. É uma corrida contra o tempo — e contra os números. Tudo dentro do contexto de uma largada tardia.

Quando a política desafia os dados

Ratinho Jr. fez sua escolha. E, ao fazê-la, contrariou o que as pesquisas indicavam como caminho mais seguro.

Com Moro liderando com até 52,5%, uma base inquieta e um candidato ainda desconhecido, a decisão do governador deixa de ser apenas estratégica. Ela se torna difícil de explicar.

Porque, no fim, a política pode até ignorar os números por um tempo. Mas dificilmente escapa deles. As pesquisas estão cada vez mais precisas.

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TSE prepara troca de comando: Nunes Marques deve assumir presidência

Votação simbólica nesta terça-feira (14) marca transição antecipada; André Mendonça será o vice na Corte eleitoral

TSE prepara troca de comando: Nunes Marques deve assumir presidência. Votação simbólica nesta terça-feira (14) marca transição antecipada; André Mendonça será o vice na Corte eleitoral.
Ministro Kassio Nunes Marques - Marcelo Camargo/Agência Brasil

O relógio avança em Brasília e, nos bastidores da Justiça Eleitoral, a troca de comando já começa a ganhar forma — discreta, quase silenciosa, mas cheia de implicações para os próximos meses.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realiza nesta terça-feira (14), às 19h, uma votação simbólica que deve confirmar o ministro Kassio Nunes Marques como novo presidente da Corte. Na vice-presidência, assumirá o ministro André Mendonça.

Transição antecipada

Atual vice-presidente do tribunal, Nunes Marques herdará o comando com o fim do mandato da ministra Cármen Lúcia, previsto para o final de maio. A data exata da posse ainda não foi definida.

A eleição segue um rito já estabelecido: no TSE, a escolha da presidência obedece ao critério de antiguidade entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que integram a Corte eleitoral. Por isso, a votação ocorre de forma simbólica.

Nos bastidores, o movimento mais relevante partiu da própria Cármen Lúcia. Diante da proximidade do calendário eleitoral, a ministra optou por antecipar sua saída da presidência, abrindo espaço para uma transição mais organizada. Embora pudesse permanecer no tribunal até agosto, ela já sinalizou que pretende concentrar sua atuação exclusivamente no STF.

Com isso, o ministro Dias Toffoli deve assumir uma cadeira efetiva no TSE.

Perfil

Natural de Teresina (PI), Kassio Nunes Marques tem 53 anos e chegou ao Supremo em 2020, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro para a vaga deixada pelo ministro Celso de Mello.

Antes disso, construiu carreira no Judiciário como desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília. Também atuou por cerca de 15 anos como advogado e teve passagem pela Justiça Eleitoral como juiz do TRE do Piauí.

Como fica o tribunal

A composição do TSE — que reúne magistrados e juristas — é parte essencial do equilíbrio institucional da Corte. Após a saída de Cármen Lúcia, segundo informa a Agência Brasil, o tribunal deve ficar assim:

  • STF: Nunes Marques, André Mendonça e Dias Toffoli
  • STJ: Antonio Carlos Ferreira e Ricardo Villas Bôas Cueva
  • Juristas: Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha

Ao todo, são sete ministros titulares, além dos substitutos.

O pano de fundo

Mesmo sendo uma mudança previsível, o momento não é neutro. A antecipação da transição revela uma preocupação prática: garantir estabilidade administrativa em um período que antecede o ciclo eleitoral.

No calendário político brasileiro, cada ajuste no comando do TSE costuma ser observado com atenção — não apenas pelo impacto jurídico, mas pelo peso institucional que a Corte carrega no processo democrático.

A troca começa silenciosa. Mas, como costuma acontecer em Brasília, seus efeitos tendem a aparecer aos poucos, nos detalhes.

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segunda-feira, 13 de abril de 2026

Primeira safra, produção familiar e clima favorável colocam o a região de Guarapuava no mapa dos vinhos brasileiros

O clima típico de Guarapuava não passa despercebido — ele molda o ritmo da cidade, desenha a paisagem e, agora, começa a dar origem a novos sabores. Entre colinas e geadas frequentes, nasce um vinho ainda fora do mercado, mas já carregado de identidade: o Casa Jordão 

Primeira safra, produção familiar e clima favorável colocam o a região de Guarapuava no mapa dos vinhos brasileiros. O clima típico de Guarapuava não passa despercebido — ele molda o ritmo da cidade, desenha a paisagem e, agora, começa a dar origem a novos sabores. Entre colinas e geadas frequentes, nasce um vinho ainda fora do mercado, mas já carregado de identidade: o Casa Jordão.
Ilustração: IA/Sulpost

A novidade ganhou visibilidade após a deputada Gleisi Hoffmann publicar um vídeo direto da propriedade da família. Em tom espontâneo, ela apresenta o projeto conduzido pelo irmão Juliano e pela cunhada Bianca.

“Eu tô aqui em Guarapuava, na casa do meu irmão Juliano, da minha cunhada Bianca. E eu vim aqui provar um vinho, um vinho que eles fabricam, Casa Jordão. É a primeira safra.”

Produzido de forma artesanal, o vinho é um Pinot Noir que ainda não chegou ao mercado. Segundo a própria deputada, trata-se de um projeto em fase inicial, mas já promissor:

“O vinho é uma delícia. Ainda não tá tão forte no mercado, mas logo vai ficar.”

A fala reforça algo que vai além da experiência pessoal. O Casa Jordão nasce dentro de um movimento maior, que vem ganhando força no interior do Paraná.

Paraná no mapa do vinho

Tradicionalmente lembrado por outras cadeias do agronegócio, o Paraná começa a se firmar como uma nova fronteira da vitivinicultura brasileira. E não por acaso.

Regiões como Guarapuava reúnem condições naturais ideais: altitude elevada, temperaturas mais baixas e boa amplitude térmica. Esse conjunto favorece o cultivo de uvas de alta qualidade, especialmente variedades mais sensíveis como a Pinot Noir.

Nos últimos anos, produtores locais têm apostado nesse potencial. Muitos deles, como no caso do Casa Jordão, surgem a partir da agricultura familiar e avançam de forma gradual, com foco em qualidade e identidade regional.

“A gente tá junto com uma associação agora, vários produtores envolvendo a vitivinicultura aqui em Guarapuava.”

A organização em associações é um dos sinais mais claros de maturidade do setor. Ela indica que a produção deixou de ser isolada e começa a ganhar escala, articulação e perspectiva de mercado.

Da produção familiar ao mercado

Ainda sem comercialização oficial, o Casa Jordão representa esse estágio inicial — quando o vinho nasce primeiro como expressão da terra e da família, antes de chegar às prateleiras.

Ao destacar o projeto, Gleisi também chama atenção para o impacto econômico desse tipo de iniciativa:

“A produção de vinho gera emprego, gera renda. É muito importante.”

Pequenos produtores, organizados e apoiados por condições naturais favoráveis, ajudam a construir um novo capítulo para o Paraná — um estado que começa a transformar seu clima e sua terra em vinhos de qualidade cada vez mais reconhecida.

O Casa Jordão ainda não chegou ao mercado. Mas, como toda boa primeira safra, já sinaliza o que pode vir pela frente.

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Arilson, Gleisi, professor Lemos e Lenir mobilizam lideranças e fortalecem diálogo com a base

Agenda percorre mais de 10 municípios do Norte e Vale do Ivaí, com plenárias, encontros sociais e articulação para 2026

Arilson, Gleisi, professor Lemos e Lenir mobilizam lideranças e fortalecem diálogo com a base. O deputado estadual Arilson Chiorato (PT) cumpriu uma agenda intensa ao lado da deputada federal Gleisi Hoffmann e da vereadora Lenir de Assis. As atividades começaram na sexta-feira, no Norte Pioneiro, e se estenderam até domingo, com encerramento em Jardim Alegre, no Vale do Ivaí.

O fim de semana no Norte do Paraná foi de estrada, reuniões e escuta política. Entre cidades pequenas e polos regionais, lideranças do Partido dos Trabalhadores circularam, conversaram, organizaram — e, sobretudo, ouviram.

O deputado estadual Arilson Chiorato (PT) cumpriu uma agenda intensa ao lado da deputada federal Gleisi Hoffmann, do também estadual Professor Lemos e da vereadora Lenir de Assis. As atividades começaram na sexta-feira, no Norte Pioneiro, e se estenderam até domingo, com encerramento em Jardim Alegre, no Vale do Ivaí. Gleisi é pré-candidata a uma vaga ao Senado, pelo Paraná.

Ao todo, a comitiva passou por mais de dez municípios — entre eles Santana do Itararé, Siqueira Campos, Cambará, Joaquim Távora, Santa Mariana, Bandeirantes, Roncador, Cornélio Procópio e Ivaiporã — reunindo lideranças locais, militantes, gestores públicos e representantes de movimentos sociais.

A proposta, segundo Arilson, foi reforçar a organização partidária e ampliar o diálogo com a base. A agenda incluiu plenárias regionais, visitas institucionais e encontros comunitários. Em Ivaiporã, no sábado, uma plenária reuniu mais de 200 participantes.

Seguimos firmes organizando o partido rumo às eleições de 2026, construindo o futuro do Paraná e do Brasil”, afirmou o deputado, ao lado de Gleisi e do deputado estadual Professor Lemos.

Mobilização regional

Em Roncador, o encontro ganhou dimensão ampliada. Mais de 300 pessoas participaram, incluindo prefeitos, vereadores e representantes do MST. Também estiveram presentes o pré-candidato a deputado estadual Mario Verri e lideranças municipais.

O debate girou em torno da conjuntura estadual e nacional, além da organização partidária. Foi muito ouvir as pessoas, ter esse diálogo direto, que é essencial”, avaliou Arilson, que se coloca como pré-candidato a deputado federal.

Outras agendas em Cornélio Procópio e Siqueira Campos reforçaram o processo de mobilização interna, enquanto visitas a cidades como Santa Mariana, Bandeirantes e Cambará ampliaram o contato com gestores e demandas locais.

Escuta social e políticas públicas

Além da articulação política, a agenda incluiu encontros com segmentos sociais. Em Joaquim Távora, por exemplo, o deputado participou de atividade com o Clube da Melhor Idade, discutindo políticas públicas voltadas à população idosa.

Assentamento 8 de Abril

O encerramento da agenda ocorreu no Assentamento 8 de Abril, em Jardim Alegre, durante a celebração dos 29 anos da comunidade — referência histórica na luta pela reforma agrária na região.

Mais de 300 pessoas participaram do ato, entre assentados, militantes e lideranças. No local, Arilson reforçou o compromisso com as pautas sociais.

Hoje, ao celebrarmos essa trajetória de luta e resistência, reafirmamos nosso compromisso com a reforma agrária, a justiça social e o desenvolvimento para todos”, declarou.

A movimentação do fim de semana deixa claro o momento: mais do que agenda institucional, o partido busca reorganizar sua base e reposicionar sua presença nos territórios — um trabalho silencioso, mas decisivo, quando o horizonte já aponta para 2026.

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Artemis II: a viagem que levou humanos de volta à Lua — e trouxe algo maior de volta

Após quase dez dias no espaço profundo, astronautas retornam à Terra e reacendem, com emoção e precisão, a ambição humana de explorar o desconhecido

NASA/Divulgação

O céu ainda parece o mesmo — azul, amplo, silencioso. Mas há poucos dias, quatro pessoas atravessaram esse limite invisível e foram além do que qualquer ser humano ousou em mais de meio século. E voltaram.

Não como figuras distantes, inalcançáveis. Voltaram com passos ainda cautelosos, corpos readaptando-se ao peso da Terra — e com um tipo de olhar que não se ensaia. Um olhar de quem viu o planeta de longe demais para continuar enxergando tudo da mesma forma.

Foi assim - segundo informa a NASA - que a tripulação da missão Artemis II chegou ao Johnson Space Center, em Houston. Entre abraços longos, lágrimas discretas e uma comoção difícil de traduzir, Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen voltaram ao convívio humano depois de uma jornada que já entrou para a história.

Uma curva ao redor da Lua — e da própria história

O lançamento aconteceu no dia 1º de abril, a partir do Kennedy Space Center, na Flórida. No fim da tarde, o foguete cortou o céu levando consigo mais do que tecnologia de ponta: carregava décadas de espera, de planos interrompidos, de perguntas sem resposta.

Era o primeiro voo tripulado do programa Artemis. Um recomeço — ainda que em tom experimental — de uma presença humana que havia se afastado da Lua desde os tempos do programa Apollo.

Durante quase dez dias, a nave Orion seguiu em silêncio pelo espaço profundo. Em seu ponto mais distante, os astronautas alcançaram cerca de 252 mil milhas da Terra — a maior distância já percorrida por humanos. Em outro momento, passaram a pouco mais de 4 mil milhas da superfície lunar.

Ali, do outro lado da Lua, onde não há sinal direto com a Terra, a missão entrou em um dos seus trechos mais simbólicos. Um breve isolamento absoluto. Nenhuma comunicação. Apenas a nave, seus ocupantes — e o vazio.

O retorno: um mergulho de volta ao mundo

No dia 10 de abril, às 20h07, a cápsula Orion cruzou novamente a atmosfera terrestre. O calor da reentrada, o impacto controlado — e então o oceano. Um splashdown preciso no Pacífico, próximo à costa de San Diego.

O mar, nesse momento, não era apenas destino. Era transição. Da vastidão silenciosa do espaço para o som imediato da vida terrestre.

Após o resgate, vieram os protocolos: exames médicos, monitoramento, adaptação inicial. No dia seguinte, já em Houston, a cena mudou de tom. Menos técnica, mais humana. Famílias reunidas. Sorrisos ainda tímidos. Um certo descompasso entre quem voltou e o mundo que continuou girando normalmente.

Agora, começa uma fase menos visível, mas igualmente importante: recondicionamento físico, avaliações biomédicas e análises detalhadas de cada etapa da missão. Cada dado coletado será peça-chave para o que vem a seguir.

Mais do que um teste — um sinal

Oficialmente, a Artemis II foi uma missão de teste. E, nesse aspecto, cumpriu tudo o que se propôs: validou sistemas vitais, testou o controle manual da nave, executou manobras complexas e garantiu um retorno seguro.

Mas reduzir essa viagem a uma lista de objetivos técnicos talvez seja perder o essencial.

Há algo que escapa aos relatórios: a experiência humana de ver a Terra como um ponto distante, de atravessar o silêncio absoluto, de compreender — na prática — o quão frágil e improvável é a vida aqui.

O próximo passo já começou

A NASA confirmou que os astronautas participarão de uma coletiva no dia 16 de abril, compartilhando detalhes da missão e impressões que ainda estão sendo processadas. A transmissão será aberta ao público nos canais oficiais da agência.

Enquanto isso, o programa Artemis segue avançando. O objetivo não é apenas voltar à Lua — é permanecer. Construir presença, desenvolver ciência, abrir novas fronteiras econômicas e preparar o caminho para um destino ainda mais distante: Marte.

Por muito tempo, a exploração espacial parecia uma memória congelada no passado. A Artemis II muda esse sentimento. Não com promessas grandiosas — mas com algo mais sólido. Com o fato de que fomos. E voltamos. E, ao fazer isso, lembramos a nós mesmos que o horizonte nunca foi um limite. Era só o começo.

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No ar hoje, 13 de abril: Chik Jeitoso promete revelar previsões para 2026 e movimenta os bastidores da política brasileira

Participação no programa Algazarra reacende atenção sobre o bruxo que mistura misticismo, política e milhões de espectadores nas redes

Tem dias em que o noticiário parece seguir um roteiro previsível. E tem dias como hoje.

No ar hoje, 13 de abril: Chik Jeitoso promete revelar previsões para 2026 e movimenta os bastidores da política brasileira. Participação no programa Algazarra reacende atenção sobre o bruxo que mistura misticismo, política e milhões de espectadores nas redes.

13 de abril de 2026 começa com uma expectativa diferente — quase silenciosa, mas presente. No fim da tarde, ela ganha forma: às 19h, o bruxo curitibano Chik Jeitoso volta ao ar prometendo algo que, para seus seguidores, já virou marca registrada — previsões capazes de mexer com o que ainda nem aconteceu.

A participação acontece no programa Algazarra Audiovisual, com transmissão pelo Facebook e YouTube (@algazarranawebOficial). E não é exagero dizer que, antes mesmo de começar, já há gente esperando.

Fenômeno que ultrapassa o misticismo

Luiz Antônio Ferreira Pereira, o nome por trás da figura de Chik Jeitoso, não surgiu agora. São mais de quatro décadas de atuação — 46 anos, segundo ele — transitando entre o esotérico e o entretenimento.

Mas o que mudou nos últimos anos foi a escala. O que antes era restrito a atendimentos e círculos menores hoje alcança números difíceis de ignorar:

  • Mais de 53 milhões de visualizações no Facebook
  • Quase 2 milhões de comentários
  • Mais de 10 milhões de curtidas
  • Centenas de milhares de compartilhamentos

Em suas lives, que chegam a médias de 20 milhões de visualizações, ele ganhou um apelido que resume bem o momento: “Rei das Lives”. Não é só sobre espiritualidade. É sobre alcance. E influência.

O que está em jogo hoje à noite

A chamada do programa não deixa dúvidas: o tema é direto.

Previsões para 2026.

Mas não apenas eleições.

Segundo a divulgação, Chik deve abordar também a Copa do Mundo, guerras e acontecimentos de grande impacto — com foco especial no Brasil. Para quem acompanha suas falas recentes, há um contexto que pesa.

No último dia 31 de março, em entrevista ao Sulpost, o bruxo já havia sinalizado um cenário de tensão crescente, com possíveis abalos institucionais, conflitos internacionais e movimentos nos bastidores do poder. Hoje, a promessa é ir além.

Entre previsões e expectativas

Existe um ponto curioso quando se fala de Chik Jeitoso: a relação com o público não é linear. Há quem acredite. Há quem duvide. Há quem apenas observe. Mas quase ninguém ignora.

Isso porque suas falas não vêm em tom leve. seElas carregam imagens fortes, nomes, situações. Às vezes, desconfortáveis. E é justamente isso que mantém a atenção.

As previsões eu vou dar em abril.”

A frase, dita há 13 dias atrás, funciona agora como um gatilho narrativo. Abril chegou. E hoje, ao que tudo indica, começam as revelações.

Um público que cresce na incerteza

Não é difícil entender por que esse tipo de conteúdo encontra espaço. O mundo atravessa um período de instabilidade — política, econômica, emocional. E, nesse cenário, qualquer tentativa de antecipar o futuro, mesmo que simbólica, ganha força.

Chik Jeitoso ocupa exatamente esse lugar: o de quem afirma enxergar antes. Se acerta sempre, na grande maioria das vezes sim. E, a sorte uma vez lançada, revelada, pode ser mudada, inclusive com os trabalhos mágicos realizados pelo próprio bruxo. Mas, para a maioria, não é esse o ponto. As pessoas querem saber sobre o futuro, o qual o bruxo curitibano é especialista em revelar.

Hoje, 13 de abril, às 19h

A transmissão acontece ao vivo, com acesso aberto pelas redes do programa. Para alguns, será apenas mais uma entrevista. Para outros, um momento decisivo — ou, no mínimo, curioso.

O fato é que, antes mesmo de começar, já cumpre um papel: movimentar a conversa. E, em tempos como os atuais, isso já é muita coisa.

No Facebook, veja em: @AlgazarranawebOficial 
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domingo, 12 de abril de 2026

PRF intercepta 400 kg de mercúrio e evita desastre ambiental na Amazônia

Carga recorde apreendida em Roraima impede contaminação de rios e ameaça a comunidades ribeirinhas inteiras — metal pesado liberado na natureza pode ser invisível, mas é devastador

Foto da apreensão: PRF 

O céu carregado sobre o Norte do Brasil escondia mais do que nuvens naquele trecho da BR-174. Dentro de um carro em fuga, havia um risco silencioso — invisível, mas devastador. Quatrocentos quilos de mercúrio. Uma carga que, se tivesse chegado ao destino final, poderia transformar rios inteiros em corredores de contaminação por décadas.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizou, em Roraima, a maior apreensão de mercúrio já registrada pela corporação no país. A abordagem ocorreu no km 521 da BR-174, durante uma ação orientada por inteligência.

O motorista desobedeceu à ordem de parada e fugiu por cerca de 40 quilômetros, até perder o controle do veículo e sair da pista. Ele conseguiu escapar pela mata. No interior do carro, os agentes encontraram aproximadamente 400 kg de mercúrio, armazenados em 11 recipientes.

O material foi encaminhado às autoridades para investigação. A apreensão faz parte de operações integradas de combate ao garimpo ilegal e ao crime ambiental na Amazônia.

Uma catástrofe evitada

Mais do que um recorde, a operação impediu um potencial desastre ambiental de grandes proporções.

O mercúrio é um metal altamente tóxico que não se decompõe na natureza. Quando despejado em rios, ele se acumula no fundo e é transformado em metilmercúrio — uma substância ainda mais perigosa, que entra na cadeia alimentar.

Pequenos organismos absorvem o contaminante. Peixes menores os consomem. E, ao longo desse processo, a concentração do veneno aumenta progressivamente. Esse efeito, conhecido como biomagnificação, faz com que peixes maiores — base alimentar de muitas comunidades — carreguem níveis extremamente elevados da substância.

Impactos na natureza e na vida humana

Na fauna, os efeitos são diretos: alterações neurológicas, problemas reprodutivos e redução da biodiversidade. Espécies mais sensíveis desaparecem, comprometendo o equilíbrio dos ecossistemas.

Na flora, o impacto químico altera a qualidade da água e afeta toda a dinâmica dos rios e suas margens.

Para os seres humanos, o risco é ainda mais grave. A ingestão de peixes contaminados pode causar danos irreversíveis ao sistema nervoso, rins e coração. Em gestantes, o mercúrio atravessa a placenta e compromete o desenvolvimento do feto.

Os efeitos são silenciosos e de longo prazo — podem levar décadas para aparecer, mas quando surgem, são permanentes.

Garimpo ilegal e contaminação crônica

O mercúrio é amplamente utilizado no garimpo ilegal para separar o ouro de outros sedimentos. O problema está no descarte, frequentemente feito diretamente nos rios.

Uma carga como a apreendida teria potencial para contaminar grandes extensões de uma bacia hidrográfica, tornando a água imprópria para consumo e afetando milhares de pessoas, especialmente populações ribeirinhas e indígenas.

Nos últimos dias, as apreensões do metal na região já ultrapassam 835 kg, evidenciando a escala da atividade ilegal e a pressão sobre a Amazônia.

No fim das contas, o que foi retirado da estrada não era apenas contrabando. Era uma ameaça silenciosa à vida — interrompida antes de alcançar os rios.

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sábado, 11 de abril de 2026

Projeto quer trocar dívidas por empregos e dar fôlego a pequenos negócios

Proposta do deputado Zeca Dirceu cria programa permanente de renegociação tributária e amplia alcance do Programa Desenrola Brasil

O caixa aperta antes do fim do mês. E, quando a conta não fecha, o problema raramente são só os impostos — é o que vem junto: juros, multas, bloqueios, portas que se fecham, escritórios de advocacia que compram títulos podres dos bancos ligando o dia inteiro para a casa dos inadimplentes. Para quem vive do próprio negócio, a dívida vira um limite invisível.

É nesse ponto que entra o Projeto de Lei Complementar 99/2026, apresentado pelo deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR), que amplia o Desenrola Pequenos Negócios e avança sobre um terreno ainda mais sensível: o das dívidas com o próprio Estado.

“Trocar dívida por emprego”

A ideia central do projeto aparece logo na fala do deputado — quase como um resumo da proposta:

Na verdade, o Governo Federal, a Receita Federal, vai estar trocando juros, multas, impostos não pagos… por emprego, por renda.” Disse o deputado.

A proposta cria um modelo de renegociação que reduz encargos e, ao mesmo tempo, oferece benefícios para empresas que mantêm ou ampliam seus quadros de funcionários.

Não tenho dúvida nenhuma que é uma necessidade — e será uma decisão acertada quando o Congresso aprovar esse projeto”, afirma Zeca.

Um “desenrola” que faltava

A proposta também parte de uma crítica direta ao modelo atual:

Não é justo que o governo faça um desenrola para as dívidas bancárias, mas a gente não tenha um desenrola também de impostos…”, ponderou o parlamentar.

O foco são os pequenos negócios que acumulam dívidas tributárias e encontram dificuldade para regularizar sua situação.

Onde o impacto aparece primeiro

Na fala do deputado, o efeito da crise é localizado — e visível:

A economia local… os bairros, as periferias, as favelas, os pequenos municípios… dependem do microempreendedor... São eles que geram 70%, 80% dos empregos nesse contexto.

Zeca Dirceu avalia que é nesse nível que o problema se torna mais evidente: pequenos negócios fecham, empregos desaparecem e a economia desacelera.

O peso da dívida no dia a dia

O projeto tenta enfrentar um bloqueio concreto que vai além dos números:

Essas dívidas… acabam impedindo gente que tem um bom negócio de fazer novos investimentos ... A pessoa fica proibida de acessar financiamentos… muitas vezes até de vender os seus produtos.

Na prática, o deputado federal, que é pré-candidato à reeleição, pelo PT Paraná, explica que estar irregular impede acesso a crédito, participação em licitações e fornecimento para órgãos públicos, inclusive e até principalmente para os microempreendedores individuais. Hoje no Brasil mais de 6 milhões de MEIs estão com a guia de pagamento do DAS atrasada.

O que muda com o projeto

O texto cria o Programa Permanente de Regularização Tributária (PRT-MPE), com três pilares:

  • Descontos amplos em juros e multas
  • Parcelamento em até 120 meses
  • Limite para encargos, que não podem ultrapassar 20% da dívida principal

Além disso, empresas que mantiverem ou gerarem empregos podem obter descontos adicionais.

Experiência pessoal entra no discurso

Ao defender o projeto, o deputado também recorre à própria trajetória:

Eu já fui um pequeno e médio empresário… trabalhei 10 anos com a minha pequena empresa ... Minha mãe, há quase 50 anos, toca uma pequena empresa… meu pai também foi pequeno empresário”, declarou o Zeca Dirceu, mostrando que sabe do que está falando.

Por isso concluiu:

Eu sei o quanto é difícil… o quanto esses pequenos empreendedores trabalham muito.

O que está em jogo

O projeto apresentado por Zeca Dirceu ainda precisa avançar no Congresso, mas o autor aposta em apoio amplo:

Espero que a gente tenha apoio do governo… e do Congresso ... Independente de ideologia… todos aqueles que veem nos pequenos empreendedores quem de fato ajuda no desenvolvimento do país.

No fim, a proposta tenta reequilibrar uma relação antiga: menos punição acumulada, mais chance de recomeço. Se devemos dar a César O que é de César e a Deus o que é de Deus, o tempo do césares já se foi há  milênios, e o presidente Lula é um homem do povo. Outros parlamentares consultados pelo Sulpost concordam num poto: certamente a proposta irá avançar.

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sexta-feira, 10 de abril de 2026

Indígenas cobram demarcação e denunciam avanço da violência nos territórios

Carta entregue ao governo pede proteção efetiva e o fim da exploração de recursos naturais em terras tradicionais

O chão de Brasília volta a vibrar sob passos antigos — firmes, ritmados, carregados de memória. Entre cantos, faixas e corpos pintados, mais de seis mil indígenas ocupam a Esplanada dos Ministérios não apenas com presença, mas com urgência. Não é só uma marcha. É um aviso.
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Ontem, quinta-feira (9), lideranças indígenas entregaram ao governo federal uma carta que é, ao mesmo tempo, reconhecimento e denúncia. O documento admite avanços recentes, mas aponta um cenário que segue crítico: invasões em territórios tradicionais aumentaram, assim como a violência e a criminalização contra esses povos.

A mensagem é direta — e incômoda para quem insiste em adiar soluções históricas. Os povos originários exigem a demarcação de suas terras e o fim da exploração de bens naturais dentro desses territórios. Não como concessão, mas como direito constitucional.

A mobilização ocorre no contexto do Acampamento Terra Livre, a maior assembleia indígena do país, que transforma Brasília em território de resistência viva. O tema deste ano não deixa margem para ambiguidades: “Nosso futuro não está à venda, a resposta somos nós.”

Kleber Karipuna, coordenador-executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), reforça o peso político do momento. Em meio à multidão, em entrevista à EBC, ele resume o que está em jogo:

“Um Brasil soberano é um Brasil com nossos territórios garantidos e protegidos.”

A frase não é retórica. É diagnóstico.

Territórios indígenas: linha de frente contra a crise climática

Na carta, os povos indígenas reafirmam algo que a ciência já reconhece há anos: seus territórios são barreiras reais contra o avanço das mudanças climáticas. Onde há terra demarcada, há floresta em pé. Onde há floresta, há equilíbrio.

Ainda assim, essas áreas seguem sob pressão constante — seja por garimpo ilegal, avanço do agronegócio ou projetos de exploração energética.

Durante a marcha, essa preocupação ganhou escala global. No Palácio do Itamaraty, lideranças indígenas apresentaram uma proposta que ultrapassa fronteiras: a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis.

O documento defende o fim da expansão de petróleo e gás, a criação de zonas livres de exploração e, sobretudo, o reconhecimento dos territórios indígenas como eixo central de qualquer estratégia climática séria.

É uma inversão de lógica. Em vez de tratar esses povos como obstáculo ao desenvolvimento, o movimento os coloca como protagonistas de uma solução possível — e urgente.

O tempo da política e o tempo da floresta

Há um descompasso evidente. Enquanto decisões sobre demarcação seguem lentas nos gabinetes, o avanço sobre terras indígenas acontece em ritmo acelerado no campo. A conta chega primeiro para quem está na linha de frente — e ela vem em forma de conflito, perda e silêncio imposto.

A carta entregue ao governo tenta corrigir esse desencaixe. Pressiona por medidas concretas, proteção efetiva e compromisso contínuo. Não se trata apenas de território físico, mas de existência cultural, espiritual e histórica.

O Acampamento Terra Livre segue nesta sexta-feira (10), mantendo Brasília sob o eco de vozes que, há séculos, resistem. Não há novidade nisso. A novidade — talvez — seja a impossibilidade crescente de ignorá-las.

No centro da capital política do país, a mensagem permanece: sem demarcação, não há justiça. Sem justiça, não há futuro.

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Artemis II continua em seu retorno à Terra após correção de trajetória no espaço

Manobra curta, falha momentânea de comunicação e contagem regressiva para reentrada marcam fase final da missão

Nasa

O silêncio do espaço foi quebrado por um breve impulso — preciso, calculado — que agora traz a tripulação da Artemis II de volta para casa.

Na noite desta quinta-feira (10), às 23h53 no horário de Brasília (22h53 EDT), de acordo com a NASA, a nave Orion acionou seus propulsores por apenas 9 segundos. Foi o suficiente. O empurrão adicionou cerca de 1,6 metro por segundo à velocidade da cápsula, ajustando sua trajetória em direção à Terra. A missão já ultrapassou a metade do caminho de retorno.

Horas antes da manobra, porém, houve um momento de tensão. Um problema inesperado interrompeu temporariamente o sinal entre a nave e a Terra durante uma mudança na taxa de transmissão de dados. Por alguns instantes, comunicações e telemetria ficaram comprometidas. O contato foi restabelecido pouco depois, permitindo que os controladores de voo retomassem os preparativos com a tripulação.

Mais cedo, a NASA também detalhou os procedimentos finais da missão, incluindo as etapas de reentrada na atmosfera e o pouso no oceano — uma fase crítica, onde cada segundo conta.

A próxima correção de trajetória está prevista para esta sexta-feira (10), por volta das 14h53 (horário de Brasília), já como parte da sequência final antes da reentrada.

O retorno está marcado: a cápsula Orion deve amerissar às 21h07 (horário de Brasília), no Oceano Pacífico, ao largo da costa de San Diego, nos Estados Unidos.

Se tudo seguir como planejado, será mais um passo firme no caminho que pode levar humanos de volta à Lua — e além.

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Paraná lidera solidariedade no Brasil e registra menor recusa familiar para doação de órgãos

Estado tem índice de 30% de recusa, bem abaixo da média nacional, e consolida modelo baseado em acolhimento humano e eficiência técnica

Paraná lidera solidariedade no Brasil e registra menor recusa familiar para doação de órgãos. Estado tem índice de 30% de recusa, bem abaixo da média nacional, e consolida modelo baseado em acolhimento humano e eficiência técnica.
Foto: Albari Rosa - Arquivo SESA/AEN

Há algo silencioso, mas importante, acontecendo nos corredores e centros cirúrgicos dos hospitais do Paraná. Não aparece nos boletins diários, não vira manchete imediata — mas salva vidas todos os dias. É o momento em que uma família, mesmo atravessada pela dor, diz “sim”.

Esse gesto, quase sempre íntimo e difícil, tem colocado o Estado em uma posição singular no país. Segundo dados da Agência Estadual de Notícias e do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), o Paraná possui hoje a menor taxa de recusa familiar para doação de órgãos do Brasil: 30%. Um número que, ao lado de Santa Catarina, contrasta com a média nacional, que ainda gira em torno de 45%.

Por trás dessa estatística existe uma engrenagem complexa — e profundamente humana. Existe também uma história.

Mariana Chuch tem apenas 17 anos e fala sobre o futuro com uma naturalidade que impressiona. Planeja prestar vestibular para Psicologia, inspirada pela mãe. Quer estudar, trabalhar, viver. Parece simples — mas não é.

Transplantada de coração há quase um ano, ela carrega no peito mais do que um órgão novo. Carrega a possibilidade.

“Estou pronta para viver plenamente todas as oportunidades que vierem pela frente”, disse a jovem à reportagem da AEN.

A trajetória até aqui não foi leve. O diagnóstico veio cedo — cedo demais. Com apenas sete dias de vida, Mariana já enfrentava uma miocardiopatia dilatada no ventrículo esquerdo. Cresceu entre consultas, exames, adaptações. Seguiu. Resistiu. É uma sobrevivente. Mas o corpo cobrou seu preço.

No ano passado, um AVC mudou o rumo da história da moça. Em seguida, uma trombose. O coração, já fragilizado, não sustentou. A indicação para transplante veio imediata. Era urgente. Após um mês depois da internação, surgiu um órgão compatível. Entre o medo e a esperança, ela entrou na sala de cirurgia.

“Eu acreditava na vida, mesmo com todos os riscos”, relembra.

A recuperação exigiu tempo. Um mês internada, adaptação a medicamentos, um novo ritmo. Um novo corpo, de certa forma. Hoje, recuperada, Mariana olha para frente — e não para trás. E a história dela não é isolada.

Na casa da família Chuch, a doença tem origem genética. O irmão, Henrique, de 11 anos, e a mãe, Sibele, compartilham o diagnóstico. Ainda assim, a palavra que define o ambiente não é fragilidade — é força, é resistência.

“Nunca deixamos que eles se sentissem limitados”, conta Sibele. “A vida não pode ser definida pela doença, mas pelos momentos.”

Há também fé. E uma espécie de disciplina emocional que sustenta o cotidiano.

“Mariana nunca reclamou. Nunca desistiu”, diz a mãe.

A experiência transformou todos ali. Hoje, a família inteira se declara doadora de órgãos. Não como discurso — mas como decisão. Porque entenderam, na prática, o que isso significa.

Sistema eficiente, decisão humana

No Paraná, esse entendimento vem sendo construído com método. Não é apenas uma questão cultural, embora a solidariedade pese. Existe estrutura. Existe estratégia. Há um trabalho dentro dos hospitais para conscientizar familiares de pessoas recém falecidas pela doação de órgãos.

O Sistema Estadual de Transplantes opera com padronização de protocolos, monitoramento rigoroso e integração entre equipes hospitalares, Organizações de Procura de Órgãos (OPOs) e a Central Estadual de Transplantes.

Mas o ponto mais delicado — e decisivo — continua sendo a conversa com a família. É nela que tudo se resolve.

Segundo o novo secretário estadual da Saúde, César Neves, que assumiu o lugar do ex-secretário Beto Preto, a qualificação dessas equipes tem impacto direto nos resultados. A abordagem precisa ser técnica, mas também sensível. Clara, mas respeitosa.

“Priorizamos um acolhimento familiar humanizado e multiprofissional”, afirma o secretário.

E funciona. Um único doador pode salvar até oito vidas. Em 2025, o Paraná realizou 773 transplantes — incluindo 31 de coração. Só nos dois primeiros meses de 2026, já foram 123 órgãos doados, com três transplantes cardíacos realizados.

Os números acompanham uma tendência nacional: rins e córneas lideram. No Brasil, foram quase 5 mil transplantes renais e mais de 13 mil de córnea em 2025. No Paraná, 445 transplantes de rins e 1.066 de córneas foram viabilizados no mesmo período. Em 2024, o Estado atingiu um recorde: 896 órgãos doados e 1.247 córneas.

A decisão começa em vida

Mas há um ponto essencial — e ainda pouco compreendido. No Brasil, ninguém é doador sozinho. A decisão final é sempre da família.

Por isso, declarar esse desejo em vida faz toda a diferença. É o que orienta a coordenadora do Sistema Estadual de Transplantes, Juliana Ribeiro Giugni. Sem essa conversa prévia, o processo pode simplesmente não acontecer. E tempo, nesse contexto, é tudo.

Os órgãos seguem critérios rigorosos de distribuição, com base em uma lista única nacional. Gravidade do paciente, compatibilidade, tempo de espera — tudo é considerado. O sistema é fiscalizado pelo Ministério da Saúde.

Mas nada disso começa sem um “sim”. É um detalhe pequeno, aparentemente. Mas que muda destinos inteiros. Sem o consentimento da família não existe a doação.

Mariana sabe disso melhor do que ninguém. Para ela, o novo coração não é apenas uma continuidade. É um recomeço, pelo qual ela será sempre grata.

Mariana Chuch tem apenas 17 anos e fala sobre o futuro com uma naturalidade que impressiona. Planeja prestar vestibular para Psicologia, inspirada pela mãe. Quer estudar, trabalhar, viver. Parece simples — mas não é.  Transplantada de coração há quase um ano, ela carrega no peito mais do que um órgão novo. Carrega a possibilidade.  “Estou pronta para viver plenamente todas as oportunidades que vierem pela frente”, disse a jovem à reportagem da AEN.
Mariana Chuch - Reprodução/Redes Sociais

“É uma segunda chance. Para mim e para todos que me amam.”


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