segunda-feira, 18 de maio de 2026

Ateliês de Nise da Silveira completam 80 anos e seguem transformando vidas pela arte e pelo cuidado

Experiência criada em 1946 revolucionou a saúde mental no Brasil ao substituir práticas violentas por acolhimento, expressão artística e dignidade humana

Experiência criada em 1946, por Nise da Silveira, revolucionou saúde mental no Brasil, trocando práticas violentas por expressão artística e dignidade
Ateliê do Museu de Imagens do Inconsciente - Divulgação - Museu de Imagens do Inconsciente

Há lugares onde a arte não nasce apenas da inspiração. Ela brota da sobrevivência. Vive e se atualiza na resistência.

Em uma sala silenciosa no bairro Engenho de Dentro, na zona norte do Rio de Janeiro, pincéis continuam deslizando sobre telas enquanto mãos moldam barro, bordam memórias e reinventam existências. O espaço parece simples à primeira vista, mas carrega uma das experiências mais revolucionárias da história da psiquiatria brasileira.

Neste 18 de maio, os ateliês terapêuticos criados pela médica psiquiatra Nise da Silveira completam 80 anos.

O aniversário marca não apenas a longevidade de um projeto pioneiro, mas a permanência de uma ideia que atravessou décadas enfrentando preconceitos, manicômios e tratamentos violentos: a noção de que pessoas em sofrimento psíquico precisam, antes de tudo, de escuta, dignidade e afeto.

A arte contra o silêncio dos manicômios

Criados em 1946, os ateliês surgiram como alternativa aos métodos considerados padrão na época — eletrochoques, isolamento e lobotomia. Enquanto boa parte da psiquiatria apostava na repressão da subjetividade, Nise fazia o caminho oposto: oferecia liberdade criativa.

Hoje, os espaços integram o Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro, considerado referência internacional em arteterapia e saúde mental. Ali está guardado o maior acervo do mundo do gênero: mais de 400 mil obras produzidas por pacientes ao longo de décadas. Desse total, 128 mil foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Quando a arte fala o que a dor não consegue dizer

Os ateliês seguem funcionando diariamente e atualmente atendem dezenas de pessoas encaminhadas pelo SUS, pelos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e por clínicas da família.

Dentro do método criado por Nise, ninguém é tratado apenas como paciente. Ela preferia chamá-los de “clientes”, numa tentativa de romper com a lógica manicomial tradicional que colocava pessoas em sofrimento psíquico em posição passiva diante do tratamento.

Hoje, sete atividades seguem ativas: pintura, cerâmica, teatro, ritmologia, corpo e movimento, atividades plásticas e rodas voltadas às questões femininas.

Segundo disse a psicóloga Adriana Lemos, coordenadora dos ateliês, à Agência Brasil, a arte muitas vezes alcança aquilo que a linguagem verbal não consegue expressar.

“O sofrimento não é apenas psíquico. Existe também toda uma vulnerabilidade social.”

Ela relata que alguns frequentadores conseguiram retomar vínculos familiares, ampliar autonomia e até ingressar no ensino superior. Neste ano, três participantes iniciaram cursos em instituições públicas do Rio de Janeiro.

A médica que revolucionou a psiquiatria brasileira

Nascida em Maceió, em 1905, Nise da Silveira enfrentou forte resistência dentro da própria medicina ao rejeitar tratamentos agressivos que dominavam a psiquiatria da época.

Inspirada também pelas ideias do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, ela passou a enxergar a arte como um caminho legítimo de reorganização emocional e reconstrução subjetiva.

Ao longo das décadas, seus ateliês deixaram de ser vistos apenas como “terapia ocupacional” e passaram a despertar interesse científico, artístico e acadêmico em diversos países.

Dragões, bordados e reconstruções silenciosas

No Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro, que também replica o modelo criado por Nise da Silveira, histórias de transformação seguem acontecendo diariamente.

Uma delas é a de Israel Alves Correia, conhecido pelos dragões que cria a partir de materiais reaproveitados como PVC, embalagens e peças plásticas.

Durante quase duas décadas ele produziu esculturas de bois e berrantes, até encontrar nos dragões sua principal forma de expressão artística.

Ele não vende as obras.

“Quem quiser ver meus trabalhos venha aqui.”

Para terapeutas e profissionais da saúde mental, os ateliês funcionam como espaços de ancoragem emocional, acolhimento e reconstrução de vínculos.

Um legado que segue vivo

As comemorações pelos 80 anos dos ateliês acontecem justamente no Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio.

Ao longo de todo o ano, o Museu de Imagens do Inconsciente abrirá os ateliês ao público em atividades gratuitas de criação livre e expressão artística.

A programação inclui fóruns científicos, exposições, cursos, debates e o lançamento do documentário Um Caminho para o Infinito: Emygdio de Barros, dedicado a um dos artistas revelados pelos ateliês de Nise.

O museu também trabalha na publicação internacional de livros da psiquiatra em inglês, francês e espanhol, além de ampliar intercâmbios com instituições estrangeiras interessadas em adaptar sua metodologia.

O objetivo é fazer com que as ideias de Nise da Silveira continuem atravessando universidades, políticas públicas e serviços de saúde mental no Brasil e no exterior.

Oito décadas depois, seus ateliês seguem lembrando algo que ainda parece urgente no mundo contemporâneo: cuidar de alguém também pode ser um ato de escuta, liberdade e criação.

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Um vídeo vindo da África chegou hoje à redação do Sulpost — e é impossível assistir sem sentir o coração apertar

Crianças de uma aldeia em Moçambique aparecem descalças, com fome e pedindo ajuda humanitária em gravação enviada hoje ao Sulpost pelo Bruxo Chik Jeitoso

 
Um vídeo vindo da África chegou hoje à redação do Sulpost — e é impossível assistir sem sentir o coração apertar. Crianças de uma aldeia em Moçambique aparecem descalças, com fome e pedindo ajuda humanitária em gravação enviada hoje ao Sulpost pelo Bruxo Chik Jeitoso.
Divulgação

Às vezes a internet para. Não pelas notícias políticas, pelas brigas ou pelo barulho diário das redes sociais. Mas por algo muito mais simples — e muito mais forte.

Hoje, um vídeo vindo de uma aldeia em Moçambique chegou até a redação do Sulpost através do parceiro Bruxo Chik Jeitoso. E por alguns minutos tudo pareceu pequeno diante das imagens.

No vídeo, crianças africanas aparecem reunidas em um campo de terra batida. Algumas estão sem chinelo. Outras vestem roupas já gastas pelo tempo. Muitas delas olham para a câmera com aquele tipo de olhar que não precisa de tradução.

Na aldeia, que fica na localidade de Mafambisse, próxima à Igreja de São Mateus, a imagem é de fome e abandono. Mas o pedido é de esperança de gente muito humilde tentando sobreviver. Com dificuldades para falar e emocionadas, as crianças fazem um pedido simples: ajuda para comer.

“Estamos pedindo ajuda. Não temos roupa, nem chinelo, não temos comida”, diz uma das crianças na gravação enviada ao blog.

Em outro momento, elas rezam juntas e pedem que Deus abençoe as pessoas que puderem estender a mão do outro lado do oceano.

“Abençoe a sua vida, a sua família e o seu trabalho”, repetem em coro.

 

Uma realidade dura em um dos países mais pobres do planeta

Moçambique, no sudeste da África, está entre os países com menor Índice de Desenvolvimento Humano do mundo. Mais da metade da população vive em situação de pobreza extrema e milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar diariamente.

A realidade em muitas aldeias é brutal. Falta comida, saneamento, acesso à saúde, educação e até água potável em diversas comunidades afastadas dos grandes centros.

O país também sofre constantemente com enchentes, ciclones e conflitos internos que acabam aprofundando ainda mais a crise humanitária.

E no meio disso tudo estão as crianças. Crianças que continuam sorrindo mesmo sem quase nada. Crianças que ainda acreditam que alguém pode ouvir.

Um pedido que atravessa continentes

Segundo o Bruxo Chik Jeitoso, o vídeo foi enviado diretamente por pessoas da comunidade africana com quem ele mantém contato solidário há algum tempo. A mobilização agora busca arrecadar ajuda humanitária para alimentação, roupas, chinelos e itens básicos para as crianças da aldeia.

Num mundo acostumado a ignorar a dor distante, talvez o mais importante neste momento seja justamente não virar o rosto. Porque para quem tem pouco, qualquer ajuda muda o dia. E para quem não tem nada, às vezes muda a vida.

Como ajudar

Quem desejar colaborar com a ação humanitária pode contribuir através da chave PIX divulgada pelos responsáveis pela campanha.

Chave PIX - CPF: 719.497.751-60 - em nome de Afonso João Joaquim (segundo informado no vídeo) - fizemos uma transferência simbólica, de pequeno valo, para conferir os dados.

O Sulpost reforça a importância de sempre verificar a autenticidade das campanhas solidárias antes de realizar contribuições financeiras.

Divulgação

Cientistas usam DNA da água do mar para mapear espécies na Bahia — e lembrar por que a vida na Terra é tão rara

Projeto brasileiro transforma amostras ambientais em pistas sobre biodiversidade, mudanças climáticas e preservação dos oceanos

Pesquisadores recolhem amostras marinhas - Robert Sforza/Divulgação

O mar parece silencioso quando visto da superfície. Mas, sob a água, existe uma biblioteca viva — antiga, delicada e cada vez mais ameaçada. Cada peixe que cruza um recife, cada tartaruga que mergulha no litoral brasileiro, cada camarão escondido nos manguezais deixa algo para trás: fragmentos invisíveis da própria existência.

Agora, cientistas brasileiros estão aprendendo a ouvir esses rastros.

No sul da Bahia, pesquisadores iniciaram uma nova etapa de um dos mais ambiciosos projetos de biodiversidade já realizados no país. A iniciativa utiliza uma técnica moderna chamada DNA Ambiental metabarcoding para identificar espécies marinhas sem precisar capturá-las. Basta coletar água do mar. Dentro dela, está registrada parte da história da vida naquele ecossistema.

O oceano fala através da genética

O trabalho integra o projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB), desenvolvido pelo Instituto Tecnológico Vale (ITV) em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Centro Tamar e reservas extrativistas do sul baiano.

Mais do que uma pesquisa científica, o estudo ajuda a lembrar algo que a humanidade frequentemente esquece: a vida na Terra é rara. Talvez raríssima.

Em um universo praticamente infinito, ainda não encontramos outro planeta com oceanos pulsando vida, florestas respirando, pássaros migrando ou recifes funcionando como cidades submarinas. Tudo o que conhecemos sobre existência biológica está concentrado aqui — numa fina camada azul ao redor de um pequeno planeta.

E mesmo assim, essa vida vem sendo pressionada diariamente. Os oceanos aquecem. Espécies desaparecem antes mesmo de serem totalmente estudadas. Corais sofrem branqueamento. Manguezais recuam. A pesca predatória altera cadeias inteiras de sobrevivência. Em muitos lugares, a destruição acontece em silêncio, sem manchetes.

Como funciona o DNA ambiental

Segundo disse à Agência Brasil a coordenadora do GBB pelo ICMBio, Amely Branquinho Martins, todo organismo deixa pequenas marcas biológicas nos ambientes por onde passa — escamas, pelos, urina, fezes ou partículas microscópicas contendo DNA.

Quando os pesquisadores coletam amostras da água, conseguem sequenciar esse material genético e compará-lo com bancos de dados científicos. Na prática, isso significa que um simples tubo de água pode revelar quais espécies vivem ali, inclusive animais raros, ameaçados ou difíceis de observar. É como se o oceano nos contasse uma história através da genética.

Nas reservas extrativistas de Corumbau e Cassurubá, os pesquisadores coletaram amostras em dezenas de pontos estratégicos. O objetivo é mapear espécies importantes para o equilíbrio ambiental e também para as comunidades tradicionais que dependem da pesca e do extrativismo.

Entre os organismos monitorados estão peixes recifais, camarões, moluscos, caranguejos e espécies ameaçadas de extinção, como os budiões — fundamentais para a saúde dos corais brasileiros. Também entram no radar espécies invasoras, como o peixe-leão e o coral-sol, capazes de desequilibrar ecossistemas inteiros.

Ciência sem destruir a natureza

O método tem outra vantagem importante: ele reduz impactos sobre os próprios animais.

Sem necessidade de captura, armadilhas ou perseguição, a técnica é considerada não invasiva. Em muitos casos, ela consegue inclusive superar limitações dos métodos tradicionais de monitoramento da biodiversidade.

O pesquisador Alexandre Aleixo, coordenador do GBB pelo ITV, explica que praticamente qualquer ambiente guarda vestígios genéticos: água, solo, folhas, troncos e até o ar. A ideia pode soar futurista, mas já é realidade em vários países.

Uma cápsula do tempo para entender o clima

Há um detalhe fascinante nisso tudo: o DNA funciona como uma cápsula do tempo. Através dele, cientistas conseguem compreender como espécies sobreviveram a mudanças climáticas do passado, incluindo períodos extremos como a Era do Gelo. Essas informações podem ajudar a prever quais organismos têm maior capacidade de adaptação diante das mudanças climáticas atuais — talvez o maior desafio ambiental deste século.

A pesquisa brasileira também se conecta a uma questão econômica e social. Preservar biodiversidade não significa congelar a natureza distante da vida humana. Significa proteger fontes de alimento, renda, equilíbrio climático, medicamentos, água limpa e estabilidade ecológica.

Quando uma espécie desaparece, não some apenas um animal. Some uma peça inteira de um sistema que levou milhões de anos para se formar.

O Brasil tentando ouvir a própria biodiversidade

Desde 2023, o projeto GBB já sequenciou centenas de espécies e dezenas de genomas de referência, incluindo animais emblemáticos da fauna brasileira, como onças, antas, araras e espécies amazônicas de importância ecológica e econômica. No futuro, o projeto pretende expandir o monitoramento para outros biomas brasileiros, incluindo Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampa.

Há algo simbólico no fato de cientistas brasileiros estarem recolhendo pequenas amostras de água para compreender a imensidão da vida. Porque preservar o planeta talvez comece exatamente assim: aprendendo primeiro a enxergar valor no que quase ninguém vê.

Os oceanos não são apenas paisagem. As florestas não são obstáculos ao progresso. E os animais não são figurantes da existência humana. Todos fazem parte de um equilíbrio extremamente raro no cosmos conhecido. E essa raridade impõe uma responsabilidade coletiva.

Cuidar da biodiversidade deixou de ser apenas uma pauta ambiental. Hoje, é uma questão de sobrevivência civilizatória.

O resultado do projeto pode ser acessado por meio da plataforma GenRefBR

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domingo, 17 de maio de 2026

Trabalhador por conta própria já enfrenta jornadas maiores que as previstas na CLT no Brasil

Dados do IBGE revelam rotina puxada de motoristas, entregadores e autônomos em meio ao debate nacional sobre redução da carga semanal de trabalho

Dados do IBGE revelam rotina puxada de motoristas, entregadores e autônomos em meio ao debate nacional sobre redução da carga semanal de trabalho
Motoboy está entre os trabalhadores por conta própria com a maior jornada diária de trabalho
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O despertador toca cedo. Em muitos casos, antes do sol nascer. Para milhões de brasileiros que vivem do próprio trabalho, o expediente não termina quando o relógio marca o fim da tarde. Ele continua na corrida seguinte, na entrega extra, no último passageiro da noite ou na tentativa de fechar mais uma venda antes de voltar para casa.

Os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ajudam a dimensionar essa realidade. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, referente ao primeiro trimestre de 2026, os trabalhadores por conta própria registraram a maior jornada média do país: 45 horas semanais.

O tempo supera em mais de cinco horas a carga média enfrentada pelos empregados do setor público e da iniciativa privada. Enquanto a média geral dos ocupados ficou em 39,2 horas semanais, os empregados registraram 39,6 horas. Já os empregadores apresentaram média de 37,6 horas trabalhadas por semana.

O levantamento considera pessoas com 14 anos ou mais e inclui diferentes formas de ocupação, com ou sem carteira assinada, temporários, informais e trabalhadores autônomos.

A realidade dos autônomos

Hoje, o Brasil possui cerca de 25,9 milhões de trabalhadores por conta própria. O grupo representa 25,5% de toda a população ocupada no país. Entre os exemplos mais comuns estão motoristas e entregadores por aplicativo, vendedores ambulantes, pequenos comerciantes e prestadores de serviço que dependem diretamente do próprio esforço diário para garantir renda.

Na definição do IBGE, trabalhador por conta própria é aquele que atua explorando o próprio empreendimento, sozinho ou com sócio, sem manter empregados fixos. Em muitos casos, a sobrevivência financeira depende diretamente do número de horas trabalhadas.

E existe um detalhe importante nesse cenário: diferente de empresas maiores ou empregadores tradicionais, o trabalhador autônomo quase nunca consegue delegar funções. Quando ele para, a renda também para.

O analista da pesquisa, William Kratochwill, explicou à Agência Brasil que os trabalhadores classificados como empregados acabam ficando mais próximos dos limites previstos pela legislação trabalhista brasileira.

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece jornada máxima semanal de 44 horas, normalmente distribuídas em oito horas por dia, além da possibilidade de até duas horas extras diárias. Existem exceções, como a escala 12x36, comum em áreas como saúde e segurança.

“Mesmo que o trabalhador não seja formalizado, há uma tendência do mercado de seguir o padrão da lei”, observou o pesquisador do IBGE.

Para quem trabalha por conta própria, no entanto, esse limite praticamente desaparece.

“Se quiser trabalhar 24 horas por dia, ele pode, não tem nada que o impeça, a não ser a sua própria limitação”, destacou Kratochwill ao comentar os dados.

Já no caso dos empregadores, o cenário costuma ser diferente justamente pela possibilidade de distribuir tarefas entre funcionários e equipes.

Auxílio familiar e informalidade

A pesquisa também analisou os chamados trabalhadores auxiliares familiares — pessoas que ajudam parentes em negócios, atividades agrícolas ou pequenos comércios sem receber pagamento direto em dinheiro.

Nesse grupo, a jornada média registrada foi de 28,8 horas semanais no primeiro trimestre de 2026.

O dado revela outra camada silenciosa do mercado de trabalho brasileiro: milhões de pessoas que contribuem para sustentar atividades familiares sem vínculo formal e muitas vezes sem qualquer proteção previdenciária.

Debate sobre jornada ganha força

A divulgação dos dados acontece justamente em um momento em que o país acompanha o avanço das discussões sobre mudanças na jornada de trabalho.

No Congresso Nacional, tramitam propostas que defendem a redução da carga semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial, além do fim da escala 6x1 — modelo em que o trabalhador tem apenas um dia de folga por semana. As propostas incluem duas PECs e um projeto de lei apresentado pelo governo federal.

Na última quarta-feira (13), representantes do governo e da Câmara dos Deputados chegaram a um acordo político para avançar na tramitação das propostas que estabelecem a adoção da escala 5x2.

Enquanto o debate segue nos corredores de Brasília, a realidade das ruas continua sendo marcada por jornadas longas, aplicativos ligados até tarde da noite e trabalhadores que, muitas vezes, ultrapassam os próprios limites físicos para conseguir fechar as contas no fim do mês.

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18 de Maio mobiliza fábricas e trabalhadores da Grande Curitiba em campanha do SMC contra violência infantil

Sindicato intensifica ações de conscientização nas portas das fábricas e reforça importância da denúncia e da proteção coletiva de crianças e adolescentes

18 de Maio mobiliza fábricas e trabalhadores da Grande Curitiba em campanha do SMC contra violência infantil. Sindicato intensifica ações de conscientização nas portas das fábricas e reforça importância da denúncia e da proteção coletiva de crianças e adolescentes.

O som da fábrica, o movimento apressado das trocas de turno e a rotina pesada da indústria na Região Metropolitana de Curitiba, nesta semana ganharam outro tipo de alerta. Entre boletins sindicais, conversas rápidas no café e materiais distribuídos nas entradas das empresas, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) intensificou a mobilização do 18 de Maio — Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

A campanha, realizada em meio ao chamado Maio Laranja, leva para dentro do ambiente de trabalho uma discussão que normalmente permanece oculta na intimidade do lar, no sentimento de vergonha, muitas vezes, do medo e do silêncio das vítimas. A proposta do Sindicato é ampliar a conscientização entre trabalhadores, famílias e comunidades sobre sinais de abuso, prevenção e canais de denúncia.

Instituída pela Lei Federal nº 9.970/2000, a data nacional relembra o caso da menina Araceli Cabrera Sánchez, assassinada em 1973, em um crime que se tornou símbolo da luta contra a violência sexual infantojuvenil no Brasil.

Nas ações realizadas pelo SMC, o discurso é direto: proteger crianças e adolescentes não é responsabilidade apenas das famílias ou das autoridades. É uma tarefa comunitária, coletiva.

Durante a mobilização, o Sindicato distribui materiais informativos nas fábricas e reforça mensagens de acolhimento e orientação nos canais oficiais da entidade. O foco está principalmente na identificação precoce de sinais de violência, na importância da denúncia e acompanhamento dessas crianças e jovens.

18 de Maio mobiliza fábricas e trabalhadores da Grande Curitiba em campanha do SMC contra violência infantil
SMC/Reprodução

Sinais que merecem atenção

Entre os sinais que podem indicar situações de abuso estão:

  • Medo excessivo ou tristeza constante;
  • Isolamento social;
  • Mudanças bruscas de comportamento;
  • Agressividade ou ansiedade;
  • Queda no rendimento escolar;
  • Conhecimento sexual incompatível com a idade;
  • Marcas físicas sem explicação.

A campanha também chama atenção para o crescimento dos casos de exploração sexual no ambiente digital. O aumento do acesso de crianças e adolescentes às redes sociais e plataformas online ampliou os riscos de aliciamento, exposição e circulação criminosa de imagens de abuso e violência sexual infantil.

O alerta do SMC acompanha uma preocupação nacional. Neste mês, o governo federal promove ações integradas de enfrentamento à violência sexual infantil, incluindo campanhas educativas, reforço das redes de proteção e debates sobre segurança digital envolvendo crianças e adolescentes.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania realiza neste mês, em Brasília, o III Congresso Brasileiro de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, reunindo especialistas, conselhos tutelares, movimentos sociais e representantes da rede pública de proteção.

Silêncio protege o agressor

Enquanto isso, no chão das fábricas da Grande Curitiba, a campanha do SMC tenta transformar informação em prevenção. Para dirigentes sindicais, falar sobre o tema ainda é um desafio porque a violência sexual infantil frequentemente acontece dentro de círculos próximos da vítima.

Por isso, a orientação é clara: observar mudanças de comportamento, escutar sem julgamento, acolher com cuidado e denunciar.

Casos suspeitos podem ser denunciados de forma anônima pelo Disque 100, canal nacional de proteção aos direitos humanos, disponível 24 horas por dia. Em situações envolvendo imagens ou vídeos de abuso sexual infantil na internet, as denúncias também podem ser feitas pela plataforma denuncie.org.br.

A campanha nacional “Faça Bonito”, símbolo do 18 de Maio, reforça exatamente essa mensagem: o silêncio protege o agressor. Denunciar é um ato de proteção.

No entendimento do Sindicato, defender a infância e a adolescência parte da luta por dignidade social. Afinal, quem protege crianças e adolescentes protege também o futuro das famílias, que são a base da sociedade.

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sábado, 16 de maio de 2026

Datafolha mostra Lula à frente no 1º turno e empate técnico com Flávio Bolsonaro no 2º

Pesquisa divulgada neste sábado (16) foi realizada antes da crise envolvendo Daniel Vorcaro ganhar força nacional; entretanto novos levantamentos já apontam desgaste do senador do PL — tracking Atlas já mostra Lula abrindo 7 pontos no 2º turno 

 
Segundo os números do tracking, Lula teria 49,1% contra 42,6% de Flávio Bolsonaro. Nos votos válidos, o cenário projetado seria de 54% a 46% para o atual presidente. Pesquisa divulgada neste sábado (16) foi realizada antes da crise envolvendo Daniel Vorcaro ganhar força nacional; entretanto novos levantamentos já apontam desgaste do senador do PL — tracking Atlas já mostra Lula abrindo 7 pontos no 2º turno
Site "O Cafezinho" - Reprodução 

O cenário da corrida presidencial de 2026 ganhou novos contornos neste sábado (16), com a divulgação da nova pesquisa Datafolha, que mostra o presidente Lula (PT) liderando o primeiro turno e empatado tecnicamente com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma eventual disputa de segundo turno.

O levantamento ouviu 2.004 eleitores em 139 municípios entre os dias 12 e 13 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00290/2026.

No principal cenário de primeiro turno, Lula aparece com 38% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro soma 35%. Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) marcaram 3% cada. Renan Santos aparece com 2%, e Cabo Daciolo, com 1%. Brancos e nulos somam 9%, enquanto 3% disseram não saber em quem vão votar.

Já na simulação de segundo turno, Lula e Flávio aparecem numericamente empatados, ambos com 45% das intenções de voto. Outros 9% afirmaram votar em branco, nulo ou em nenhum dos dois candidatos.

A pesquisa vem atrelada a um detalhe considerado decisivo nos bastidores políticos: a maior parte das entrevistas ocorreu antes da repercussão nacional do caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O episódio passou a ser chamado informalmente de “caso Dark Horse” ou “BolsoMaster” após a divulgação de áudios e mensagens relacionados ao financiamento de um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante a tarde de ontem (15), o tracking diário realizado por veículos de imprensa começaram a indicar reflexos políticos da crise. Dados do Instituto Atlas, divulgados e publicados pela CNN Brasil, nesta sexta-feira, apontam Lula abrindo sete pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro em um cenário de segundo — a sondagem foi realizada após o vazamento dos áudios pelo site The Intercept Brasil.

Segundo os números do tracking, Lula teria 49,1% contra 42,6% de Flávio Bolsonaro. Nos votos válidos, o cenário projetado seria de 54% a 46% para o atual presidente.

A leitura predominante entre analistas políticos em Brasília é que o desgaste teria atingido principalmente eleitores moderados e indecisos, segmento considerado estratégico numa disputa polarizada.

A nova pesquisa Datafolha também mediu rejeição. Lula aparece com 47% de rejeição, enquanto Flávio Bolsonaro registra 43%. Os índices permanecem relativamente estáveis em relação ao levantamento anterior.

Na pesquisa espontânea — quando os nomes não são apresentados aos entrevistados — Lula lidera com 27% das citações, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 18%. Jair Bolsonaro, inelegível, ainda foi citado por parte dos entrevistados.

Outro dado observado nos bastidores é a dificuldade dos nomes alternativos da direita em romper a polarização nacional. Zema e Caiado mantêm rejeição menor, mas ainda enfrentam alto índice de desconhecimento entre os eleitores.

Enquanto isso, o ambiente político em Brasília permanece em estado de atenção. Integrantes do PL tentam conter os danos da crise envolvendo Vorcaro, enquanto setores da direita já discutem, reservadamente, possíveis rearranjos caso a turbulência continue avançando sobre a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. O nome da ex primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a circular fortemente entre a ala mais conservadora do partido.

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Dino abre investigação sigilosa sobre emendas ligadas ao filme de Bolsonaro

Supremo quer rastrear destino de recursos enviados por parlamentares do PL para ONGs associadas à produtora do longa “Dark Horse”, cinebiografia ainda inédita do ex-presidente

Dino abre investigação sigilosa sobre emendas ligadas ao filme de Bolsonaro. Supremo quer rastrear destino de recursos enviados por parlamentares do PL para ONGs associadas à produtora do longa “Dark Horse”, cinebiografia ainda inédita do ex-presidente
Ministro Flávio Dino - Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Brasília amanheceu mais uma vez atravessada por uma pergunta que insiste em voltar ao centro da política brasileira: afinal, para onde está indo o dinheiro das emendas parlamentares?

Na sexta-feira (15), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de uma investigação preliminar — e sob sigilo — para apurar o envio de recursos públicos a organizações ligadas à produtora responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A decisão amplia uma ofensiva que já vinha sendo construída discretamente dentro do STF desde março, quando começaram a surgir suspeitas sobre o destino de verbas parlamentares destinadas a entidades culturais conectadas ao mesmo grupo empresarial responsável pela produção do longa.

No centro da apuração estão o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura, duas ONGs associadas à produtora audiovisual Go Up Entertainment. Segundo as representações apresentadas pelos deputados Tabata Amaral e Pastor Henrique Vieira, parlamentares do PL teriam direcionado emendas para essas entidades enquanto elas mantinham vínculos com a produção do filme sobre Bolsonaro.

Entre os nomes citados aparecem os deputados Mário Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon. Frias, ex-secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro e um dos entusiastas do projeto cinematográfico, teria destinado cerca de R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil entre 2024 e 2025.

O caso ganhou dimensão ainda maior depois que o site The Intercept revelou diálogos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a reportagem, Flávio teria buscado apoio financeiro privado para concluir o filme, com negociações que chegariam a R$ 134 milhões.

Parte desse valor, segundo os relatos publicados, teria começado a circular antes da interrupção das tratativas. O senador nega irregularidades. Disse que não houve promessa de vantagem indevida e afirmou que os recursos discutidos eram privados.

Já a produtora Go Up Entertainment divulgou nota negando ter recebido dinheiro diretamente de Vorcaro ou do Banco Master.

Nos bastidores de Brasília, o episódio passou a ser tratado como mais um teste para a política de rastreabilidade das emendas parlamentares defendida por Dino no Supremo. Desde o auge das discussões sobre o chamado “orçamento secreto”, o ministro vem endurecendo exigências de transparência e cobrando identificação detalhada sobre a destinação de recursos públicos.

A representação apresentada ao STF sustenta que existiria um “ecossistema de pessoas jurídicas interconectadas”, expressão usada nos autos para descrever a relação entre ONGs, produtoras e empresas culturais associadas à mesma direção administrativa.

O receio apontado pelos parlamentares autores da denúncia é de que a estrutura tenha dificultado a rastreabilidade dos recursos.

Outro elemento que chamou atenção do Supremo foi a dificuldade para localizar Mário Frias. Oficiais de Justiça tentam, há semanas, intimar o deputado para prestar esclarecimentos. Diante da ausência, Dino solicitou à Câmara dos Deputados informações sobre os endereços residenciais do parlamentar em Brasília e São Paulo.

Enquanto isso, o filme Dark Horse — ainda não lançado — continua cercado por turbulência política antes mesmo de chegar às telas. O projeto, pensado para narrar a trajetória de Bolsonaro como fenômeno político nacional, acabou empurrado para o centro de uma investigação que mistura dinheiro público, financiamento privado, guerra ideológica e disputa de narrativa às vésperas do ciclo eleitoral de 2026.

E em Brasília, quando cinema, emenda parlamentar e campanha política começam a aparecer na mesma frase, dificilmente a história termina nos créditos finais. Agora é estourar pipoca e aguardar as cenas dos próximos capítulos.

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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Mata Atlântica respira: desmatamento cai 28% e atinge menor nível da série histórica

Redução chegou a 40% nas florestas maduras e especialistas afirmam que fiscalização ambiental começa a produzir resultados concretos no bioma mais devastado do Brasil

Mata Atlântica respira: desmatamento cai 28% e atinge menor nível da série histórica. Redução chegou a 40% nas florestas maduras e especialistas afirmam que fiscalização ambiental começa a produzir resultados concretos no bioma mais devastado do Brasil.

O verde ainda resiste. E, desta vez, com um raro sinal de alívio vindo das matas brasileiras. Depois de décadas acumulando cicatrizes silenciosas, a Mata Atlântica registrou em 2025 a menor taxa de desmatamento desde o início do monitoramento histórico.

A queda foi de 28% em relação ao ano anterior — um dado que, sozinho, já seria expressivo. Mas existe um detalhe ainda mais simbólico: nas áreas de florestas maduras, aquelas mais antigas e biodiversas, a redução chegou a 40%.

Os números divulgados nesta quarta-feira (13) pela Fundação SOS Mata Atlântica mostram que a devastação caiu de 53.303 hectares em 2024 para 38.385 hectares em 2025. Já no levantamento realizado pelo Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, o desmate das florestas maduras despencou de 14.366 hectares para 8.668 hectares — a primeira vez, em quatro décadas, que o índice anual fica abaixo da marca dos 10 mil hectares.

Um respiro raro para um bioma ameaçado

É uma notícia importante. Talvez uma das mais relevantes do ano na área ambiental. A Mata Atlântica é o bioma mais devastado do Brasil. Restam apenas fragmentos espalhados entre cidades, rodovias, áreas agrícolas e regiões urbanizadas. Mesmo assim, ela continua sendo essencial para o abastecimento de água, para a estabilidade climática e para a sobrevivência de milhares de espécies da fauna e da flora brasileiras.

Os dados fazem parte do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica, desenvolvido pela SOS Mata Atlântica em parceria com a MapBiomas e a Arcplan. O levantamento aponta redução do desmatamento em 11 dos 17 estados abrangidos pelo bioma.

Bahia e Minas ainda lideram perdas florestais

Apesar da desaceleração, alguns estados continuam concentrando a maior parte da devastação registrada no país.

A Bahia lidera o ranking com 17.635 hectares desmatados em 2025. Em seguida aparecem Minas Gerais, com 10.228 hectares, Piauí, com 4.389 hectares, e Mato Grosso do Sul, com 1.962 hectares.

Juntos, esses quatro estados responderam por 89% de toda a área devastada identificada no período.

Segundo a SOS Mata Atlântica, cerca de 96% das áreas destruídas foram convertidas para uso agropecuário, muitas delas com indícios de ilegalidade.

Fiscalização e pressão social ajudaram na queda

Os pesquisadores avaliam que a redução do desmatamento está diretamente ligada ao fortalecimento da fiscalização ambiental e ao aumento da pressão pública sobre crimes ambientais.

Entre as ações citadas estão a Operação Mata Atlântica em Pé, os embargos remotos aplicados em áreas ilegais e a restrição de crédito rural para propriedades desmatadas irregularmente.

A própria Lei da Mata Atlântica aparece no relatório como um dos principais instrumentos de proteção do bioma.

Especialistas alertam para risco de retrocessos

Apesar dos números positivos, ambientalistas afirmam que o cenário ainda exige vigilância permanente.

“O desmatamento continua acontecendo e, na Mata Atlântica, cada fragmento perdido faz diferença”, alertou Luis Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da SOS Mata Atlântica. “O desafio é manter essa trajetória até zerarmos o desmatamento.”

A entidade também demonstrou preocupação com recentes mudanças aprovadas pelo Congresso Nacional, como a Lei Geral do Licenciamento Ambiental e a chamada Lei da Licença Ambiental Especial.

Na avaliação da fundação, as novas regras podem enfraquecer mecanismos de controle justamente no momento em que os dados mostram que a fiscalização vem funcionando.

“Os números apontam que o desmatamento cai quando a lei é aplicada com rigor e critérios técnicos. Enfraquecer os instrumentos de proteção agora é arriscar o que levamos anos construindo”, afirmou Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica à Agência Brasil.

Quando preservar deixa de ser discurso

Num país acostumado a acompanhar recordes negativos na área ambiental, os números de 2025 carregam um significado raro: o de que preservar ainda é possível quando existe fiscalização, pressão social e vontade política.

A Mata Atlântica ainda está ameaçada. Ainda perde árvores todos os dias. Ainda enfrenta interesses econômicos poderosos. Mas, pela primeira vez em muito tempo, ela parece respirar um pouco melhor.

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Escândalo BolsoMaster abala 2026

Tracking diário da Atlas divulgado pela CNN mostra Lula abrindo sete pontos sobre Flávio Bolsonaro após crise envolvendo Daniel Vorcaro; operação da PF contra aliado do PL no Rio amplia desgaste da direita — pré-candidatura de Flávio Bolsonaro parece estar derretendo

 
Escândalo BolsoMaster abala 2026 — Tracking diário da Atlas divulgado pela CNN mostra Lula abrindo sete pontos sobre Flávio Bolsonaro após crise envolvendo Daniel Vorcaro; operação da PF contra aliado do PL no Rio amplia desgaste da direita — pré-candidatura de Flávio Bolsonaro parece estar derretendo

O clima mudou rápido no tabuleiro de 2026. Em poucos dias, a direita brasileira saiu da expectativa de consolidação em torno da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para uma sequência de crises que começou nos bastidores financeiros e desembarcou no centro da disputa presidencial.

Trackings diários do Instituto Atlas, divulgados pela CNN Brasil nesta sexta-feira (15), indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu vantagem de sete pontos percentuais sobre o senador Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno.

Segundo os dados atualizados às 11h, Lula aparece com 49,1% das intenções de voto, contra 42,6% de Flávio. Nos votos válidos, o cenário projetado pelo instituto aponta 54% para o petista e 46% para o senador.

A virada acontece logo após o vazamento de áudios em que Flávio menciona negociações milionárias com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. O episódio atingiu em cheio um dos pilares do discurso bolsonarista: o combate às velhas estruturas de poder e ao sistema financeiro tradicional.

Nos bastidores políticos, a leitura predominante é de que o desgaste não veio apenas da revelação do contato com Vorcaro, mas da sensação de contradição entre o discurso público da direita radical e as relações expostas nos áudios.

O impacto parece ter atingido principalmente o eleitor moderado e indeciso — justamente a faixa do eleitorado considerada decisiva em um eventual segundo turno.

Enquanto isso, os demais nomes da direita, como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, registraram apenas oscilações discretas nas simulações monitoradas pelo Atlas.

Mas o desgaste não parou nos áudios. Na manhã desta sexta-feira, uma operação da Polícia Federal envolvendo suspeitas ligadas à refinaria Refit colocou o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro — aliado histórico do bolsonarismo e filiado ao PL — no centro de uma nova crise política.

A sucessão de episódios em menos de uma semana ampliou a sensação de turbulência dentro da direita, especialmente no Rio de Janeiro, estado que já carrega um histórico recente de escândalos políticos envolvendo governadores e grupos de influência.

Dentro do campo conservador, o ambiente já não é de unanimidade. Parte da base bolsonarista mantém o discurso de perseguição política. Outra ala, porém, passou a demonstrar preocupação com os efeitos acumulados das crises sobre a imagem moral construída pela direita desde 2018.

Nos corredores de Brasília, aliados de outros presidenciáveis conservadores começaram a enxergar espaço para reposicionamento. O cálculo é simples: se o desgaste continuar crescendo, a disputa pela liderança da direita em 2026 pode deixar de ser automática para o clã Bolsonaro. E isso já começa a aparecer nas pesquisas.

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Operação Sem Refino mira Cláudio Castro e reacende debate sobre relações do bolsonarismo com investigados por corrupção

Ex-governador do Rio, aliado histórico da família Bolsonaro e filiado ao PL, foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal; empresário ligado ao setor de combustíveis teve prisão decretada

 
Operação Sem Refino mira Cláudio Castro e reacende debate sobre relações do bolsonarismo com investigados por corrupção. Ex-governador do Rio, aliado histórico da família Bolsonaro e filiado ao PL, foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal; empresário ligado ao setor de combustíveis teve prisão decretada.

O tabuleiro político do Rio de Janeiro amanheceu sacudido nesta sexta-feira (15), e mais uma vez atinge o bolsonarismo. Agentes da Polícia Federal bateram à porta de endereços ligados ao ex-governador Cláudio Castro durante a Operação Sem Refino, investigação que mira um grupo econômico suspeito de fraudes fiscais, ocultação patrimonial e movimentações financeiras consideradas atípicas.

A ofensiva autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) também teve como alvo o empresário Ricardo Magro, controlador da Refit — antiga Refinaria de Manguinhos — contra quem foi expedido mandado de prisão preventiva.

Ao todo, a PF cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal. A operação contou ainda com apoio técnico da Receita Federal. Na casa de um policial civil visitado pela PF foi encontrado dinheiro vivo, mais de 500 mil reais escondidos em caixas de sapato.

Segundo os investigadores, o grupo utilizaria estruturas empresariais complexas para ocultação de patrimônio, dissimulação de bens e envio de recursos ao exterior. A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.

A dimensão da operação imediatamente provocou repercussão política — especialmente porque Cláudio Castro é um dos aliados mais próximos do núcleo bolsonarista no Rio de Janeiro.

A ligação política com o clã Bolsonaro

Filiado ao Partido Liberal (PL) desde 2021, Castro construiu sua trajetória recente em forte alinhamento com o grupo político liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante seu governo, participou de agendas conjuntas, recebeu apoio explícito da família Bolsonaro e tornou-se peça estratégica do PL no estado.

Nos bastidores da política fluminense, Castro era frequentemente tratado como um dos principais operadores institucionais do bolsonarismo no Rio após a saída de Bolsonaro da Presidência.

O caso ganha peso político adicional porque acontece em um momento delicado para o campo bolsonarista. Nos últimos dias, o senador Flávio Bolsonaro — apontado por aliados como pré-candidato do PL à Presidência em 2026 — já enfrentava desgaste após revelações envolvendo pedidos considerados controversos nos bastidores políticos de Brasília, sendo diretamente ligado a Daniel Vorcaro, preso no caso do Banco Master.

Agora, a nova operação da PF amplia novamente o foco sobre figuras próximas ao entorno político e econômico ligado ao bolsonarismo fluminense.

Refit, combustíveis e suspeitas bilionárias

A investigação também lança luz sobre a atuação da Refit, refinaria historicamente envolvida em disputas tributárias e investigações sobre o setor de combustíveis no Rio de Janeiro.

De acordo com a Polícia Federal, as apurações integram investigações conduzidas no âmbito da ADPF 635, que trata da atuação de organizações criminosas e de suas conexões com agentes públicos no estado.

Além da prisão preventiva de Ricardo Magro, a Justiça determinou inclusão de um dos investigados na Difusão Vermelha da Interpol — mecanismo internacional utilizado para localização e captura de foragidos.

O tamanho do bloqueio financeiro determinado pela Justiça — cerca de R$ 52 bilhões — chamou atenção de investigadores e operadores do mercado, transformando a Operação Sem Refino em uma das maiores ofensivas recentes envolvendo suspeitas financeiras no setor de combustíveis brasileiro.

Pressão política cresce

Embora Cláudio Castro ainda não tenha sido denunciado ou condenado, o fato de um ex-governador aliado diretamente ao bolsonarismo ser alvo de mandado da PF aumenta a pressão política sobre o PL e sobre o discurso anticorrupção historicamente utilizado pelo grupo.

Nos corredores de Brasília, aliados já avaliam que a sucessão de crises envolvendo nomes próximos ao clã Bolsonaro pode produzir desgaste na construção do projeto presidencial do partido para 2026.

Até o fechamento desta reportagem, a defesa de Cláudio Castro não havia divulgado posicionamento detalhado sobre a operação. Ontem, em entrevista à Globo News, o senador Flávio Bolsonaro se explicou, ou ao menos tentou se explicar, sobre suas conexões com Vorcaro e o Banco Master. 

Veja no vídeo o seguir. As operações da PF de hoje, contra Cláudio Castro e o grupo Refit, e a divulgação das conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, de ontem, a princípio parecem não ter ligação, entretanto se trata de pessoas de um mesmo grupo político, a extrema-direita brasileira, com escândalos, prisões e denúncias em série envolvendo corrupção, justamente a principal bandeira do bolsonarismo que é a luta contra este crime.

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Startup coreana tenta novo lançamento em Alcântara após falha de 2025

Após explosão do foguete HANBIT-Nano no ano passado, empresa sul-coreana confirma causa da falha e prepara nova missão espacial a partir do Maranhão ainda em 2026

 
Startup coreana tenta novo lançamento em Alcântara após falha de 2025. Após explosão do foguete HANBIT-Nano no ano passado, empresa sul-coreana confirma causa da falha e prepara nova missão espacial a partir do Maranhão ainda em 2026.

O céu de Alcântara guarda uma espécie de memória silenciosa. Em dezembro do ano passado, um foguete sul-coreano subiu da plataforma cercado de expectativa internacional, mas desapareceu do radar pouco mais de meio minuto depois da decolagem. Agora, meses após a falha que interrompeu a missão, a empresa responsável afirma ter encontrado a causa do problema — e já prepara uma nova tentativa em território brasileiro.

A startup espacial sul-coreana INNOSPACE anunciou nesta quinta-feira (14) que pretende realizar um novo lançamento do foguete HANBIT-Nano no terceiro trimestre de 2026, novamente a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.

A missão anterior, realizada em 22 de dezembro de 2025, seria o primeiro lançamento comercial do veículo. Mas, aos 33 segundos de voo, uma anomalia provocou a ruptura do foguete ainda durante a subida.

Segundo a investigação conduzida em conjunto pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), autoridades sul-coreanas e a própria empresa, o problema começou com um vazamento de gases de combustão na parte frontal da câmara de combustão do primeiro estágio do foguete híbrido.

A análise técnica revisou dados de telemetria, imagens de vídeo, rastreamento do voo e mais de 300 fragmentos recuperados em Alcântara após o incidente. O relatório concluiu que a falha ocorreu devido a deformações surgidas durante a remontagem de componentes do sistema, após a substituição de um plugue frontal da câmara de combustão ainda na fase de preparação do lançamento no Brasil.

Na prática, a vedação ficou comprometida. E isso foi suficiente para encerrar a missão poucos segundos depois da decolagem.

O CEO da INNOSPACE, Soojong Kim, afirmou que a empresa vai reforçar os protocolos de montagem, os procedimentos de qualidade e os sistemas de verificação técnica antes da próxima tentativa.

“Esse processo gerou ativos técnicos valiosos que contribuirão para o avanço das tecnologias de veículos lançadores”, declarou o executivo.

Do lado brasileiro, o coronel Alexander Coelho Simão, investigador responsável pelo caso no CENIPA, destacou o nível de cooperação entre as equipes brasileiras e sul-coreanas durante a apuração.

O órgão classificou oficialmente a ocorrência como “incidente”, e não “acidente”, dentro dos protocolos espaciais adotados pela Força Aérea Brasileira.

Apesar da falha, a empresa decidiu manter Alcântara em seus planos estratégicos. O novo lançamento já possui janela reservada para este ano e deve transportar o “InnoSat-0”, primeiro satélite experimental desenvolvido pela própria INNOSPACE.

A próxima missão também contará com integração tecnológica da empresa sul-coreana SpaceBey, especializada em sistemas de separação de nanosatélites. O equipamento será responsável por liberar o satélite após a chegada à órbita planejada.

Os testes de integração já estão acontecendo na cidade de Cheongju, na Coreia do Sul. Segundo a empresa, a ideia é criar um ecossistema espacial integrado, conectando foguete, satélite e sistema de separação dentro da própria indústria espacial coreana.

Enquanto isso, o Brasil continua observando o movimento com uma mistura de potencial e frustração histórica.

Alcântara é considerada uma das melhores bases de lançamento do planeta por causa da proximidade com a Linha do Equador, condição que reduz custos operacionais e aumenta eficiência de lançamentos orbitais. Ainda assim, o programa espacial brasileiro segue convivendo com atrasos, descontinuidade política e projetos que atravessam décadas sem alcançar maturidade operacional consistente.

No cenário atual, empresas estrangeiras parecem avançar mais rapidamente sobre uma estrutura geográfica que o próprio Brasil ainda não conseguiu transformar plenamente em liderança espacial.

Se o novo cronograma for mantido, o HANBIT-Nano deve voltar a cortar o céu maranhense ainda neste ano. E Alcântara, mais uma vez, estará no centro das atenções da corrida espacial contemporânea.

Fonte: INNOSPACE, Agência Espacial Brasileira (AEB) e CENIPA.

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quinta-feira, 14 de maio de 2026

O Brasil voltou a vestir a amarelinha? A disputa política pela camisa da Seleção entra em campo na Copa de 2026

Com figurinhas inspiradas no álbum da Copa, o “Time Lula” recoloca em campo a esquerda vestindo a camisa da CBF — e reacende a briga política pela camisa da Seleção

 
O Brasil voltou a vestir a amarelinha? A disputa política pela camisa da Seleção entra em campo na Copa de 2026. Com figurinhas inspiradas no álbum da Copa, o “Time Lula” tenta recolocar a esquerda dentro do imaginário popular do futebol — e reacende a briga simbólica pela camisa da Seleção.

A Copa do Mundo ainda nem começou, mas a política brasileira já entrou em campo. Nas redes sociais, grupos ligados ao presidente Lula passaram a divulgar peças inspiradas no tradicional álbum de figurinhas da Copa de 2026. O visual lembra imediatamente os cromos colecionáveis que atravessam gerações — agora adaptados para a disputa eleitoral brasileira.

Entre as “figurinhas” aparecem nomes como Gleisi Hoffmann, Requião Filho, Roberto Requião, Ana Júlia, Carol Dartora, Zeca Dirceu, Arilson Chiorato e o sindicalista Nelsão da Força. Tudo embalado por slogans em clima de transmissão esportiva:

“Olha a Copa do Mundo aí, gente! A escalação do presidente Lula só tem fera!”

A estética não surgiu por acaso. Nos bastidores, a avaliação de setores da esquerda é de que 2026 oferece uma oportunidade rara: disputar novamente símbolos nacionais que, nos últimos anos, acabaram fortemente associados ao bolsonarismo — principalmente a camisa da Seleção Brasileira.

E talvez seja justamente aí que a campanha queira mexer. Porque, para muita gente, a amarelinha nunca deixou de ser apenas futebol. Nunca deixou de ser infância, rua cheia, televisão ligada, buzina no bairro, superstição antes do jogo e coração acelerado em dia de Copa.

A esquerda percebeu isso.

Percebeu também que existe um desgaste crescente na ideia de que patriotismo, bandeira ou camisa da Seleção pertençam a apenas um grupo político. O discurso que começa a circular entre aliados de Lula tenta recuperar justamente essa dimensão afetiva do futebol brasileiro.

A velha “pátria de chuteiras”.

Expressão eternizada pelo cronista Nelson Rodrigues para definir o Brasil que se reconhece dentro do futebol — às vezes mais do que na própria política. E a operação visual das figurinhas conversa diretamente com essa memória coletiva.

O álbum da Copa sempre foi um ritual popular no país. Crianças, adolescentes, adultos. Escola, banca de jornal, troca de repetida, ansiedade pelo pacote raro. Ao transformar políticos em “jogadores” de um “time”, a campanha tenta se aproximar de uma linguagem emocionalmente familiar ao brasileiro comum.

Não é exatamente novidade. Em 2022, apoiadores de Lula já haviam espalhado figurinhas virtuais de WhatsApp com slogans como “Lula Tri” e “Time do Lula”. Agora, com a Copa de 2026 acontecendo em meio ao calendário eleitoral, a estratégia ganhou escala maior — e visual mais sofisticado.

No Paraná, a movimentação também funciona como demonstração de força interna do grupo lulista, especialmente em torno da pré-candidatura de Gleisi Hoffmann ao Senado. O estado segue sendo um dos terrenos mais difíceis para o PT nacionalmente, o que explica a tentativa de construir uma comunicação mais popular, leve e emocional.

Do outro lado, bolsonaristas continuam usando a camisa da Seleção como símbolo político central. A disputa, portanto, não é apenas eleitoral. É simbólica.

Quem representa “o Brasil”. Quem fala em nome da rua. Quem ocupa emocionalmente a imagem da bandeira, da amarelinha e da ideia de nação.

No fim das contas, talvez a maior mensagem dessa nova campanha esteja justamente aí: a tentativa de dizer que a camisa da Seleção não tem dono. Porque a Copa nunca foi de um partido. Ela sempre foi conquistada pela Seleção em nome do país inteiro.

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Arthur Lira, Congresso e Lula: afinal, quem criou a “taxa das blusinhas”?

Deputado Zeca Dirceu afirma que cobrança nasceu no Congresso e destaca que Lula extinguiu a taxa federal nesta terça-feira (12)

Arthur Lira, Congresso e Lula: afinal, quem criou a “taxa das blusinhas”? Deputado Zeca Dirceu afirma que cobrança nasceu no Congresso e destaca que Lula extinguiu a taxa federal nesta terça-feira (12).

O debate sobre a chamada “taxa das blusinhas” voltou ao centro das redes sociais depois da decisão do governo federal de extinguir a cobrança federal sobre compras internacionais de pequeno valor. Mas, no meio da disputa política, uma informação continua confundindo muita gente: afinal, quem criou a taxa?

A resposta passa menos pelo Palácio do Planalto e mais pelo Congresso Nacional.

A taxação sobre compras internacionais de até US$ 50 acabou sendo incorporada ao projeto do programa Mover durante a tramitação na Câmara dos Deputados. O trecho foi incluído pelo relator da proposta, deputado Átila Lira (PP-PI), em meio às negociações conduzidas pelo então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Nas redes sociais, o deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) decidiu entrar no debate para contestar a narrativa de que a medida teria sido criada diretamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Não foi o presidente Lula que taxou as blusinhas”, afirmou o parlamentar em vídeo publicado após a revogação da cobrança federal.

Segundo Zeca Dirceu, a taxação nasceu dentro do Congresso Nacional e não no Executivo. O deputado também destacou que Lula extinguiu a taxa federal na última terça-feira (12), por meio de uma Medida Provisória assinada no Palácio do Planalto.

A nova regra entrou em vigor já nesta quarta-feira (13), logo após a publicação no Diário Oficial da União.

Com a mudança, compras internacionais de até US$ 50 deixam de pagar o imposto federal de importação. Para compras acima desse valor, porém, permanece a cobrança de 60% de imposto de importação.

Zeca Dirceu ainda ampliou a discussão para os estados. No vídeo, ele desafia governadores a também reduzirem ou zerarem o ICMS cobrado sobre compras internacionais.

Para o parlamentar, a diminuição da carga tributária precisa acontecer em todas as esferas do poder público — federal e estadual — para produzir efeito real no bolso dos consumidores brasileiros.

A chamada “taxa das blusinhas” virou um dos temas mais explorados no debate político recente justamente porque afeta diretamente hábitos populares de consumo, especialmente em plataformas estrangeiras de e-commerce usadas por milhões de brasileiros.

No auge da discussão, consumidores reclamavam que pequenas compras feitas em aplicativos internacionais passaram a chegar ao Brasil com preços muito acima do esperado após a incidência de tributos federais e estaduais.

Enquanto apoiadores do governo tentam atribuir a origem da medida ao Congresso, opositores seguem responsabilizando Lula pela sanção da proposta aprovada pelos parlamentares. O tema acabou se transformando numa disputa de narrativa política — e segue rendendo forte repercussão nas redes.

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Câmara de Curitiba homenageia Dr. Iraci Borges por trajetória histórica em defesa dos trabalhadores

Proposta apresentada pelo presidente da Câmara, Tico Kuzma, reconhece legado do advogado que dedicou mais de quatro décadas ao movimento sindical e ao Direito Trabalhista no Paraná

 

O plenário da Câmara Municipal de Curitiba viveu um momento de reconhecimento e memória nesta terça-feira (13), durante a aprovação em primeiro turno da homenagem póstuma ao advogado trabalhista Dr. Iraci da Silva Borges.

O projeto, de autoria do vereador e presidente da Casa, Tico Kuzma (PSD), prevê que um logradouro público da capital paranaense passe a levar o nome do advogado, eternizando sua trajetória ligada à defesa dos trabalhadores e ao movimento sindical.

Falecido em 20 de fevereiro de 2025, Dr. Iraci atuou por mais de quatro décadas junto ao Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba e outras entidades sindicais do Paraná, tornando-se referência nacional no Direito Trabalhista.

Durante a sessão, Tico Kuzma afirmou que “grandes cidades se constroem também preservando a memória das pessoas” e destacou que a homenagem vai além de uma simples denominação pública. Segundo ele, a proposta busca “eternizar a trajetória de um homem que dedicou sua vida à justiça, ao trabalho, ao conhecimento, ao serviço e também às pessoas”.

O parlamentar relembrou ainda a formação acadêmica e a atuação profissional de Iraci Borges, formado pela Faculdade de Direito de Curitiba em 1976 e especializado em áreas ligadas ao sindicalismo, negociação coletiva e arbitragem, inclusive com participação em cursos internacionais.

Doutor Iraci não enxergava apenas os processos. Enxergava pais e mães de família, trabalhadores que dependiam da Justiça para garantir dignidade dentro de casa”, declarou Kuzma na tribuna.

Além da advocacia, Dr. Iraci também deixou marcas na formação de novas gerações de profissionais como professor universitário e palestrante. O vereador ressaltou ainda a capacidade de diálogo, liderança e articulação do homenageado, lembrando que ele “sabia construir pontes e unir pessoas”.

A sessão contou com a presença de dezenas de convidados, familiares, sindicalistas e representantes de entidades. O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba foi representado pelo seu presidente Sérgio Butka e pelo 1º vice-presidente da entidade, Nelson Silva — o Nelsão da Força —, que acompanhou a votação no plenário.

Também estiveram presentes a viúva do homenageado, Bernardete Eralci Rosa Borges, representantes da Grande Loja do Paraná — instituição onde Iraci Borges chegou ao posto de 24º Sereníssimo Grão-Mestre — e lideranças sindicais da capital e da região metropolitana.

Diversos vereadores utilizaram a tribuna para destacar o legado do advogado. Angelo Vanhoni (PT) afirmou que a homenagem representa também o reconhecimento a uma vida dedicada à luta dos trabalhadores. Já Vanda de Assis (PT) declarou que, se estivesse vivo, Iraci “estaria conosco na luta pelo fim da escala 6x1”.

A proposta recebeu 28 votos favoráveis em primeiro turno e retorna à pauta da Câmara na próxima segunda-feira (18), quando será analisada em votação definitiva. Após a sanção do Executivo, um espaço público de Curitiba — como rua, praça, parque, escola ou CMEI — passará oficialmente a levar o nome de Iraci da Silva Borges.

Governo lança painel sobre agrotóxicos na água — enquanto estudos já encontram resíduos até na chuva no Brasil

Nova ferramenta federal promete ampliar transparência sobre pesticidas em rios e bacias hidrográficas, mas pesquisas recentes mostram que a contaminação já alcança aquíferos, reservatórios e até a água da chuva

 
Governo lança painel sobre agrotóxicos na água — enquanto estudos já encontram resíduos até na chuva no Brasil.

Tem coisa que a gente não vê. Mas está ali. Escorrendo pelo solo depois da chuva. Descendo para rios pequenos do interior. Entrando em reservatórios. Infiltrando no lençol freático. E, em alguns casos, voltando do céu junto com a própria chuva.

Foi nesse cenário que o governo federal lançou nesta semana um novo painel nacional de monitoramento de agrotóxicos nos recursos hídricos do país.

A ferramenta, apresentada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), reúne dados sobre a presença de pesticidas em bacias hidrográficas brasileiras e tenta organizar informações que, até agora, estavam espalhadas entre órgãos públicos, laboratórios e pesquisas independentes.

Segundo o governo, a ideia é ampliar a transparência, facilitar o acesso aos dados e ajudar na formulação de políticas públicas ambientais e sanitárias.

Durante o lançamento, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, reconheceu o tamanho do desafio.

“Produzir alimentos exige também proteger as águas, os territórios e a saúde humana”, afirmou.

Mais de 10 mil análises

Os primeiros números divulgados pelo painel mostram que mais de 10 mil análises laboratoriais já foram realizadas em recursos hídricos monitorados pelo governo.

Hoje, 49 tipos de agrotóxicos estão sendo acompanhados.

O S-Metolacloro, herbicida bastante usado em lavouras brasileiras, apareceu como a substância mais detectada nas análises.

O painel também reúne informações sobre:

  • uso predominante do solo;
  • vulnerabilidade ambiental das bacias;
  • representatividade agrícola das regiões;
  • e distribuição dos pontos de monitoramento pelo país.

A ferramenta foi criada dentro do Pronara, o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos, com apoio técnico da Embrapa.

Mas os alertas já vinham antes

O lançamento acontece num momento em que estudos brasileiros começam a mostrar um quadro mais amplo — e mais preocupante. Em 2025, pesquisadores da Unicamp encontraram resíduos de 14 agrotóxicos na água da chuva em cidades do estado de São Paulo, incluindo Campinas, Brotas e a capital paulista.

Algumas substâncias detectadas já estavam proibidas no Brasil. O estudo chamou atenção para um fenômeno pouco discutido fora do meio científico: a chamada deriva atmosférica.

Na prática, parte do produto pulverizado nas lavouras não fica na plantação. O vento carrega partículas químicas para longe. Depois, elas retornam ao ambiente através da chuva.

E o problema não para na superfície. Pesquisas da Universidade de São Paulo também apontaram risco relevante de contaminação de aquíferos usados para abastecimento humano em regiões agrícolas do Ceará.

Ou seja: parte dessas substâncias consegue infiltrar no solo e alcançar águas subterrâneas.

Um problema silencioso

O debate sobre agrotóxicos no Brasil costuma explodir quando aparece alguma nova liberação de produto ou disputa política em Brasília. Mas a contaminação da água acontece de forma silenciosa. Sem cor. Sem cheiro. Sem manchete imediata.

E justamente por isso o monitoramento virou uma preocupação crescente entre pesquisadores ambientais e especialistas em saúde pública. O próprio governo admitiu que, até agora, os dados existiam de forma fragmentada.

“Os dados existiam, mas estavam dispersos”, afirmou Capobianco durante o lançamento.

Na prática, isso dificultava análises nacionais mais consistentes. Agora, a promessa é centralizar as informações numa plataforma pública. O governo também reconhece que o sistema ainda está em fase inicial e que a cobertura territorial deve crescer nos próximos anos.

Entre a potência agrícola e o impacto ambiental

O Brasil segue entre os maiores produtores agrícolas do planeta. E é justamente aí que a discussão ganha um tom delicado. Setores do agronegócio defendem os pesticidas como ferramentas essenciais para manter produtividade em larga escala.

Já pesquisadores e ambientalistas alertam para efeitos acumulativos sobre rios, fauna aquática, polinizadores, solo e saúde humana. No meio disso tudo, a água acaba funcionando como uma espécie de espelho invisível da própria atividade humana. E talvez seja justamente por isso que o novo painel do governo tenha peso simbólico tão grande.

Ele não resolve o problema sozinho. Mas escancara algo que já vinha aparecendo nas pesquisas brasileiras: os rastros químicos da produção agrícola não ficam apenas no campo. E, muitas vezes, chegam muito mais longe do que se imaginava.

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