Estado do Paraná aceita dividir subsídio com a União para conter alta impulsionada por crise internacional
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| Imagem meramente ilustrativa/IA/Sulpost |
O preço do diesel sobe silenciosamente nas bombas — mas o impacto faz barulho em toda a economia. Do frete ao alimento, tudo sente. E foi nesse cenário que o Paraná decidiu se mover.
Nesta terça-feira (31), o governador Ratinho Junior confirmou a adesão do estado ao programa do governo federal que busca reduzir o custo do diesel no país. A medida, proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, surge como resposta direta à escalada dos preços provocada por tensões no Oriente Médio.
A escolha do Paraná destoa de boa parte dos estados brasileiros, que vêm resistindo à proposta por temer perdas significativas de arrecadação.
Como funciona o acordo
O modelo apresentado pela União prevê um subsídio total de R$ 1,20 por litro de diesel, dividido igualmente entre os entes federativos.
- R$ 0,60 pagos pela União
- R$ 0,60 assumidos pelos estados que aderirem
A participação é voluntária e terá validade inicial de dois meses, a partir da edição da medida provisória federal.
No caso do Paraná, a decisão veio após discussões técnicas no âmbito do Confaz. Mesmo diante do impacto fiscal estimado em R$ 77,5 milhões por mês — cerca de R$ 155 milhões no período total — o governo estadual optou por seguir com a adesão.
Pressão nos preços
Desde o início do conflito no Oriente Médio, o diesel acumulou alta de 22,53% no Brasil, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Um aumento que não fica restrito aos postos: ele atravessa cadeias inteiras — transporte, produção, consumo.
O Paraná, que importa cerca de 2 bilhões de litros de diesel por ano, sente esse efeito com intensidade. É o terceiro maior importador do país, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais.
Divergência entre estados
Enquanto o Paraná sinaliza alinhamento com a União, o cenário nacional está longe de consenso.
O Comsefaz, que reúne os secretários estaduais da Fazenda, já manifestou resistência à proposta. O principal argumento é direto: a redução do ICMS comprometeria receitas essenciais para áreas como saúde e educação.
- Sul, Sudeste e Centro-Oeste tendem a rejeitar a medida
- Nordeste demonstra maior inclinação ao apoio
Estratégia federal
Além do subsídio compartilhado, o governo federal já zerou tributos federais (PIS/Cofins) sobre o diesel. A ideia é conter o avanço da inflação e evitar efeitos em cascata — especialmente no custo do frete, um dos principais vetores de pressão sobre os preços.
O que diz o governo do Paraná
Segundo o secretário da Fazenda, Norberto Ortigara, a decisão busca equilíbrio entre responsabilidade fiscal e impacto social.
“O Paraná mantém seu compromisso com a preservação da atividade econômica e proteção do povo paranaense. Buscamos um entendimento coletivo que permita reduzir a carga tributária sem estimular guerra fiscal entre os estados.”
O que vem agora
As negociações continuam em nível nacional. A adesão de mais estados será decisiva para determinar o alcance real da medida — e sua capacidade de, de fato, segurar os preços nas bombas.
Por enquanto, o Paraná se posiciona como um dos primeiros a entrar no esforço conjunto. E, num cenário de incerteza global, qualquer movimento conta.













