20.8.26

Visita, diálogo e compromisso: movimento sindical recebe candidatos e candidata que defendem os trabalhadores do Paraná

Ao longo da semana, o SMC (Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana), a Força Sindical do Paraná e os Amigos do Butka receberam candidatos de diferentes partidos para conversar sobre propostas e políticas públicas relacionadas ao emprego, à renda, ao desenvolvimento e à valorização da classe trabalhadora do Estado

Ao longo da semana, o SMC (Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana), a Força Sindical do Paraná e os Amigos do Butka receberam candidatos de diferentes partidos para conversar sobre propostas e políticas públicas relacionadas ao emprego, à renda, ao desenvolvimento e à valorização da classe trabalhadora do Estado
Gleisi, Butka, Arilson e Nelsão, em encontro recente na RMC - Reprodução

Foram encontros que colocaram frente a frente representantes do movimento sindical paranaense e nomes que disputam diferentes cargos nas eleições de 2026. A ideia é conhecer propostas, apresentar as reivindicações dos trabalhadores e discutir os caminhos que o Paraná e o Brasil podem seguir nos próximos anos.

Entre as lideranças que contam com o apoio do movimento sindical está o presidente Lula, do PT. Lula não esteve no SMC durante esta semana, mas sua trajetória tem uma relação histórica com o movimento sindical e, especialmente, com a classe metalúrgica. O presidente e o vice-presidente da Força Paraná e do SMC também tem uma história política junto ao Presidente da República.

Antes de chegar ao Planalto, Lula foi metalúrgico e construiu sua trajetória sindical no ABC Paulista. Sua própria história se mistura ao chão de fábrica. Lula passou pela liderança do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, tornando-se uma das principais referências do sindicalismo brasileiro.

Essa história é lembrada pelo movimento sindical como parte de um compromisso que ultrapassa períodos eleitorais: a defesa do emprego, dos salários, dos direitos trabalhistas e de melhores condições de vida para quem trabalha.

Gleisi e sua luta em defesa das trabalhadoras e trabalhadores do Brasil 

Outro nome que recebe o apoio do movimento sindical é Gleisi Hoffmann, do PT, candidata ao Senado pelo Paraná. Com uma longa trajetória política no Estado e no governo federal, Gleisi é reconhecida pela capacidade de articulação entre o Paraná, o Congresso Nacional e o governo federal.

A atuação de Gleise, na política tem sido marcada pela defesa de políticas públicas, dos direitos trabalhistas, da educação e da saúde públicas, além de programas voltados à redução das desigualdades. Gleisi já foi Senadora, e, é dela, o projeto de lei que acabou com os antigos 14º e 15º salário, que recebiam os parlamentares do Congresso Nacional.

Para o movimento sindical, essa capacidade de diálogo e articulação é importante em um momento em que decisões tomadas em Brasília têm impacto direto sobre a vida dos trabalhadores paranaenses, em especial para cuidar da trabalhadora, da mãe, da mulher paranaense. Hoje são muitos os lares paranaenses aonde o trabalho da mulher é que contribui com a maior parte da renda familiar. 

Gleisi não luta apenas pela igualdade de salários entre homens e mulheres, mas também por mais mulheres em cargos de chefia, na direção das empresas e também nas esferas da administração pública.

O candidato ao governo do estado Requião Filho, do PDT - Reprodução/Alep 

Requião Filho: serviços públicos e desenvolvimento

Na disputa pelo Governo do Paraná, Requião Filho, do PDT, também integra o grupo de candidatos que dialogam com o movimento sindical.

Deputado estadual, ele apresenta uma candidatura de oposição ao atual modelo de governo no estado e, entre suas principais bandeiras, está a defesa dos serviços públicos, das empresas estatais, da classe trabalhadora, da educação, saúde e valorização dos servidores públicos. Requião Filho promete zerar o ICMS de pequenas empresas e atrair novos negócios para o Paraná, promovendo um novo ciclo industrial no estado, aumentando a geração de empregos.

Ao passo que o candidato critica os atuais processos de privatização e terceirizações, ele também defende mudanças no modelo de pedágios, além de propostas voltadas ao desenvolvimento regional e ao fortalecimento de micro e pequenas empresas. O candidato ao governo do estado pelo PDT também promete abrir novos concursos públicos, trazendo mais empregos e renda para o povo paranaense.

Arilson Chiorato, na defesa dos direitos trabalhistas

Arilson Chiorato, do PT, é outro nome que vem mantendo diálogo próximo com o movimento sindical desde o início de sua jornada na política paranaense. Deputado estadual e presidente do PT do Paraná, Arilson tem sua atuação parlamentar marcada pela defesa da educação pública, dos servidores, da agricultura familiar, dos direitos trabalhistas e das empresas públicas.

Assim como o candidato a Governador Requião Filho e da candidata ao Senado Gleisi Hoffmann, ele quer cuidar das pessoas. Cuidar do povo paranaense. Entre as pautas que aproximam seu mandato do movimento sindical está a luta ferrenha pelo fim da escala 6x1. Tema que já foi levado a debates na Assembleia Legislativa do Paraná com participação de representantes dos metalúrgicos e da Força Sindical do Paraná.

Arilson também luta pela reestartização da Copel, e quer levar essa bandeira para Brasília. A população paranaense paga um custo muito alto pela energia elétrica. Hoje o Paraná tem o segundo maior custo de vida do Brasil, ficando atrás apenas do Distrito Federal.

Nelsão, Alexandre Guimarães e Fernanda do Nelson, no SMC - Reprodução

Alexandre Guimarães e o olhar para a Região Metropolitana

Também do PDT, Alexandre Guimarães coloca sua experiência municipalista na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa do Paraná.

Vereador e presidente da Câmara Municipal de Campo Largo, Guimarães tem sua trajetória política ligada às demandas dos municípios, com atenção especial a questões como infraestrutura, saúde, transporte, desenvolvimento regional e geração de oportunidades.

Para os trabalhadores da Região Metropolitana de Curitiba, esse olhar municipalista tem um significado especial. Afinal, emprego, transporte, saúde, moradia e qualidade de vida estão diretamente ligados às condições das cidades onde o trabalhador vive e trabalha. 

Alexandre Guimarães já foi deputado estadual, e sabe o caminho para para poder atender as demandas dos trabalhadores e da trabalhadoras paranaenses na ALEP.

Alexandre Curi também assumiu compromisso com a classe trabalhadora

Na quarta-feira (19), o SMC recebeu Alexandre Curi, presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Paraná e candidato ao Senado Federal pelo Paraná.

Curi se reuniu com Sérgio Butka e Nelsão da Força, respectivamente presidente e vice-presidente da Força Sindical do Paraná e do SMC. A conversa teve como tema principal as políticas públicas voltadas aos trabalhadores e trabalhadoras do Estado, com destaque para emprego, geração de renda, qualificação profissional e valorização dos trabalhadores.

Ao longo de sua trajetória política, Curi foi autor e participou de iniciativas relacionadas ao mundo do trabalho. Entre elas está uma proposta apresentada em 2009 para fortalecer a proteção dos empregos nas empresas beneficiadas por incentivos fiscais do Paraná.

Outra frente de atuação envolve o desenvolvimento econômico e a geração de oportunidades, com iniciativas de fomento à agroindústria, capacitação, empreendedorismo, acesso ao crédito e geração de renda.

Mas, para além dos projetos e números, encontros como esse também colocam frente a frente quem representa os trabalhadores e quem pretende ocupar um espaço de decisão política em Brasília.

Foi justamente esse o espírito da conversa no SMC, segundo Sérgio Butka:

“Hoje tivemos aí a visita do presidente da ALEP, Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi, que está hoje licenciado, para discutir políticas para os trabalhadores do Paraná. E eu, como presidente da Força, tive a honra de receber ele aqui no nosso Sindicato, onde tivemos uma conversa bastante produtiva, pensando já no futuro dos trabalhadores do Paraná. Foi uma boa visita, esperamos que em breve tenhamos bons resultados.”

Ouvir, dialogar e cobrar

Para Sérgio Butka e Nelsão da Força, receber os candidatos é também uma forma de colocar as reivindicações da classe trabalhadora no centro do debate eleitoral.

São diferentes partidos, diferentes trajetórias e diferentes projetos políticos. Mas existe um ponto em comum nos encontros: a necessidade de discutir o futuro do trabalho e a qualidade de vida de quem produz a riqueza do Paraná.

O trabalhador quer emprego, mas quer também emprego de qualidade. Quer salário digno, segurança, saúde, transporte, educação, tempo para a família e condições para viver com dignidade.

É por isso que o movimento sindical busca participar do debate eleitoral, ouvindo quem pretende ocupar espaços de decisão e apresentando as demandas de quem está todos os dias nas fábricas, nas empresas e nos mais diferentes setores da economia.

A eleição de 2026 coloca novamente em discussão os caminhos que o Paraná e o Brasil pretendem seguir. E, nesse processo, o trabalhador também precisa ter informação para conhecer os candidatos, suas trajetórias, suas propostas e, principalmente, seus compromissos com a classe trabalhadora e o movimento sindicalista paranaense.

Requião Filho dá largada na campanha entre propostas, pesquisas e uma disputa que começa a apertar

Candidato do PDT a governador segue firme em segundo lugar nas pesquisas, rumo ao segundo turno

 
O candidato Requião filho, do PDT - Foto: Orlando Kissner

A campanha eleitoral começou oficialmente e, no Paraná, o tabuleiro já começa a ganhar contornos mais nítidos. Para o candidato Requião Filho (PDT), os últimos dias trouxeram uma mistura de boas notícias eleitorais, exposição pública e um desafio que não pode ser ignorado: transformar uma candidatura que se mostra competitiva nas pesquisas, para buscar uma virada no segundo turno.

O cenário mais recente coloca o pedetista novamente no centro da disputa. Na pesquisa Real Time Big Data divulgada em 18 de agosto, Sergio Moro aparece na liderança, com 37% das intenções de voto. Sandro Alex tem 22% e Requião Filho, 20%. Os dois estão empatados tecnicamente dentro da margem de erro, que é de 2%. O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 13 e 17 de agosto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-09262/2026.

É um número que merece atenção. Não porque uma pesquisa determine o resultado de uma eleição — não determina —, mas porque mostra que a briga pela segunda vaga de passagem para o segundo turno ainda está em aberto.

A disputa pelo segundo lugar

Há poucos dias, outro levantamento havia colocado Requião Filho em posição ainda mais confortável. Na pesquisa Paraná Pesquisas, realizada entre 13 e 16 de agosto e registrada no TSE sob o número PR-09048/2026, Sergio Moro aparece com 46,1%, Requião Filho com 23,4% e Sandro Alex com 16,5%.

São fotografias diferentes de um mesmo momento eleitoral. E talvez seja justamente isso que retornando a disputa ainda mais interessante. Requião Filho não está isolado em segundo lugar. Sandro Alex se aproxima. Moro mantém uma vantagem larga. E ainda existe um contingente expressivo de eleitores que não decidiu o voto.

Na Real Time, por exemplo, 12% não souberam ou não quiseram responder, enquanto 6% declararam voto branco ou nulo. A eleição, portanto, ainda está longe de estar definida.

Rejeição

Há, porém, uma pedra no caminho. Requião Filho também aparece com rejeição elevada. Na mesma pesquisa Real Time, 41% dos entrevistados disseram que não votariam nele de jeito nenhum, percentual superior ao de Sergio Moro, com 38%, e Sandro Alex, com 29%. Na rejeição Requião Filho e Sérgio Moro também estão tecnicamente empatados, dentro da margem de erro.

É aí que a matemática eleitoral fica mais complicada. Ter 20% ou 23% das intenções de voto coloca o candidato na disputa. Mas uma rejeição alta pode limitar sua capacidade de crescer. Ainda mais em um momento em que a campanha está se tornando mais polarizada, os partidos começam a receber o fundo eleitoral e o eleitor começa, de fato, a escolher entre duas opções.

Requião Filho sabe que sua candidatura carrega um sobrenome conhecido no Paraná. Filho do ex-governador Roberto Requião, ele procura construir uma identidade própria. Ao mesmo tempo, recupera algumas bandeiras que marcaram os governos de seu pai, programas que continuam sendo sucesso até hoje, e, em especial, a defesa do patrimônio público e das empresas estatais, 

Copel, Sanepar e a ideia de devolver o Estado aos paranaenses

Uma das principais marcas da campanha é a crítica à privatização da Copel. Requião Filho defende que o Paraná volte a ter o controle da companhia. Em entrevistas, fala em recomprar ações e redirecionar a empresa para uma política de desenvolvimento estadual, com atenção especial aos custos da energia para famílias, indústria e agronegócio.

A defesa da Copel pública acompanha a trajetória política do candidato há anos e reaparece nesta eleição como uma das principais linhas de oposição ao governo Ratinho Junior. O mesmo raciocínio aparece quando ele fala da Sanepar e da Celepar.

Na sabatina recente, promovida pelo portal Bem Paraná, Requião Filho afirmou que pretende auditar a privatização da Copel, avaliar os valores envolvidos e buscar a retomada do controle estatal. Também se posicionou contra a continuidade da privatização da Celepar.

É uma proposta de forte conteúdo político. E também uma aposta eleitoral: falar diretamente sobre aquilo que o candidato entende como patrimônio dos paranaenses.

ICMS Zero para pequenos negócios

Na economia, Requião Filho tenta apresentar uma bandeira diferente. A proposta de zerar o ICMS para micro e pequenas empresas foi lançada pelo candidato ainda em março, por meio da plataforma ICMS Zero. A ideia voltou ao centro do discurso eleitoral nas últimas semanas.

O argumento é simples: aliviar a carga tributária de quem está na ponta, no comércio de bairro, na pequena empresa, no empreendimento familiar.

Requião Filho afirma que sete em cada dez empregos no Paraná são gerados por micro e pequenas empresas e sustenta que a renúncia representaria cerca de 2% da arrecadação estadual.

Seus adversários alegam que o ICMS não é apenas dinheiro do governo estadual. Pela Constituição, parte da arrecadação é repartida com os municípios. Portanto, uma eventual mudança significativa na cobrança precisará apresentar uma engenharia fiscal capaz de sustentar a promessa.

É justamente aí que uma bandeira de campanha começa a precisar transformar-se em plano de governo, mostrando de onde vai sair o dinheiro e qual será a compensação. Entretanto, parece ser óbvio que as pequenas empresas gerando mais empregos e renda, muito provavelmente também vão aumentar a arrecadação nos municípios.

Saúde: menos prédios, mais gente

Na área social, o candidato tem insistido em outro argumento: não basta inaugurar hospitais.

Na sabatina feita pelo Bem Paraná, Requião Filho criticou a terceirização de serviços de saúde e defendeu concursos públicos, valorização dos profissionais e o funcionamento pleno das estruturas que já existem. A lógica também apareceu na agenda de debates da campanha: o governo precisa cuidar das pessoas antes de contabilizar obras.

É uma narrativa que dialoga diretamente com o eleitor que enfrenta uma fila, espera por um exame ou procura atendimento médico.

Educação e escolas cívico-militares

Na educação, Requião Filho também se posiciona contra o atual modelo de escolas cívico-militares.

A crítica é acompanhada pela defesa de professores concursados, estrutura escolar e políticas de inclusão, em contraste com o modelo adotado pelo governo Ratinho Junior.

A relação com Lula

Existe ainda uma questão política delicada. O PDT confirmou apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. Requião Filho participou das articulações do partido e esteve ao lado de Lula no início da campanha. Mas, ao mesmo tempo, Requião Filho procura deixar claro que seu eventual governo não seria uma extensão do governo federal.

Na recente sabatina do Bem Paraná, o candidato enfatizou sua independência política em relação a Lula. É uma distinção importante para uma eleição estadual. Requião Filho precisa manter o vínculo com o campo progressista, que pode lhe garantir estrutura política e eleitoral, mas também tenta conversar com um eleitorado que não necessariamente votará em Lula.

Em outras palavras, a campanha parece procurar um equilíbrio: Lula no palanque nacional, Requião Filho como protagonista no Paraná. 

E se Moro não estiver no segundo turno?

Os números da Real Time, divulgados pelo portal UOL, trazem outro dado que chama a atenção. Num eventual segundo turno sem Sergio Moro, Sandro Alex aparece com 33% e Requião Filho com 30%. A diferença está dentro da margem de erro.

É um cenário hipotético, claro. Mas revela algo importante: a candidatura de Requião Filho tem musculatura suficiente para disputar uma eleição apertada contra o nome apoiado pelo grupo governista.

Quando Moro aparece na disputa, entretanto, o quadro muda bastante. No cenário testado pela Real Time, Moro venceria Requião Filho por 55% a 27% em segundo turno. 

Entretanto, em nossa análise, nessa hipótese apoios mudam, os candidatos derrotados em primeiro turno precisam escolher um campo político para apoiar no segundo turno que é praticamente uma nova eleição, que começa do zero.

Por isso, o desafio do pedetista é duplo: chegar ao segundo turno, ampliar seu eleitorado e diminuir os índices de rejeição.

A campanha começou — e agora vem a parte mais difícil

Há uma diferença entre uma pré-campanha e uma eleição de verdade. Antes, candidatos testam frases, propostas e alianças. Agora, cada declaração começa a ser medida pelo eleitor, pelo adversário e pelas pesquisas. Os grandes debates, que ainda vão ocorrer na televisão podem mudar a opinião dos eleitores.

Requião Filho chega a esse momento com algumas cartas importantes na mão: aparece competitivo nas pesquisas, ocupa o espaço de principal nome da oposição em parte dos levantamentos e tem propostas que já ganharam identidade própria, como o ICMS Zero e a retomada do controle público da Copel, para baixar o preço da conta de luz dos consumidores paranaense. Cuidar das pessoas, como diz o candidato.

Há uma longa estrada até outubro, mas o tempo passa rápido. De hoje, até as eleições, temos um mês e duas semanas. O Paraná ainda vai assistir a debates, sabatinas, confrontos, alianças, ataques, respostas e, principalmente, à entrada de milhões de eleitores que ainda não escolheram seu candidato.

Por enquanto, a fotografia mostra Sergio Moro na frente e uma disputa mais apertada atrás dele. Outro fator analisado é que mora não pode simplesmente deixar de comparecer a todos os debates, principalmente o da Rede Globo que encerra a rodada de debates do primeiro turno.

Requião Filho está dentro da disputa.

Agora começa a verdadeira campanha. E será nela que o candidato terá de descobrir se os 20% ou 23% que aparecem nas pesquisas são apenas um ponto de partida — ou o limite de seu eleitorado. Apoiadores da campanha de Requião Filho, ouvidos pelo blog, apontam que a expectativa da campanha é chegar ao segundo turno com cerca de 30% dos votos.

SULPOST
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19.8.26

A nova corrida espacial

Que pouso foi esse?

O Zhuque-3 Y2, da empresa chinesa LandSpace, decolou e, depois de colocar o satélite Honghu-03 em órbita, fez algo que até pouco tempo parecia exclusividade da Space X: o primeiro estágio retornou da órbita terrestre e pousou em pé, suavemente, no meio do deserto.

E até de espantar: olhando para esse foguete, é impossível não pensar em uma mistura de Falcon 9 com New Glenn. O visual é impressionante, mas o que realmente chama atenção é o que ele acabou de fazer. A China mostra mais uma vez sua força na nova era da conquista espacial.

A missão representa um passo importante para o programa espacial comercial chinês, e marca uma nova ela nas corridas espaciais, agora por parte da iniciativa privada. 

A LandSpace conseguiu realizar o retorno controlado do primeiro estágio, que é o propulsor ou o foguete propriamente dito, usando pernas de pouso, avançando na corrida pelos foguetes reutilizáveis.

E o pouso foi espetacular. Na mosca.

Neste vídeo, dá para acompanhar alguns dos momentos mais incríveis do voo: a decolagem, a separação dos estágios, a descida e, finalmente, o momento em que o Zhuque-3 reduz a velocidade e faz o touch down, tocando suavemente o chão.

É a nova era tecnológica da conquista do espaço, a nova era da conquista do espaço pela humanidade, acontecendo diante dos nossos olhos. E a corrida pelos foguetes reutilizáveis acaba de ganhar um novo protagonista. A China chegou chegando, em alto estilo.

Confira como foi a quarta-feira dos candidatos à Presidência

Candidatos tiveram agendas em Minas Gerais, Paraíba, São Paulo e Distrito Federal - veja no vídeo da Agência Brasil

Os candidatos à Presidência da República cumpriram agendas de campanha em diferentes estados nesta quarta-feira (19). As atividades incluíram reuniões com apoiadores, visitas a regiões de grande circulação, participação em eventos e apresentação de propostas para áreas como educação, segurança pública, saúde e infraestrutura.

Confira como foi o dia dos candidatos:

Hertz Dias (PSTU)

Hertz Dias esteve em Juiz de Fora (MG), onde participou de reuniões com apoiadores e da assembleia dos trabalhadores da educação municipal.

O candidato defendeu a valorização dos profissionais da educação, o aumento dos investimentos públicos e um sistema educacional que assegure oportunidades iguais para estudantes de diferentes condições socioeconômicas.

Renan Santos (Missão)

Em João Pessoa (PB), Renan Santos acompanhou a retirada de câmeras instaladas em uma região da capital paraibana e atribuídas a uma facção criminosa.

Durante a agenda, afirmou que o combate às organizações criminosas será uma de suas prioridades caso seja eleito. Segundo o candidato, o objetivo é impedir que grupos criminosos controlem a circulação de moradores ou mantenham territórios sob seu domínio.

Romeu Zema (Novo)

Romeu Zema esteve na zona leste de São Paulo, onde conversou com eleitores e visitou a Feira de Guaianases.

Em conversa com jornalistas, criticou os efeitos da inflação sobre os preços dos alimentos e defendeu a redução dos gastos públicos.

Ronaldo Caiado (PSD)

Ronaldo Caiado participou pela manhã, em Brasília, do 4º Congresso das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos.

No evento, defendeu o uso de inteligência artificial na saúde, com recursos como prontuários médicos pelo celular e agendamento virtual de consultas e revisões. Segundo ele, a tecnologia pode contribuir para agilizar o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), reduzir filas e acelerar diagnósticos.

À tarde, Caiado participou do 11º Fórum CNT de Debates, promovido pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), também na capital federal.

Durante o evento, afirmou que as condições das rodovias não acompanharam o crescimento do volume de cargas transportadas no país. Como alternativa, defendeu a ampliação das malhas ferroviária e hidroviária.

Sem agenda pública

Os candidatos Augusto Cury (Avante), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Pablo Marçal (PRTB), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP) e Wilson Grassi (Democrata) não tiveram agenda pública de campanha nesta quarta-feira (19).

As eleições presidenciais estão marcadas para 4 de outubro de 2026. Daqui um mês, duas semanas e um dia. 


Justiça rejeita acusação de fake news contra Arilson em publicação sobre Filipe Barros e Banco Master

Decisão do TRE-PR considerou que não ficou comprovada divulgação de informação falsa ou gravemente fora de contexto; novas revelações da investigação do Banco Master mantêm o caso no centro do debate político e judicial

A Justiça Eleitoral rejeitou a acusação apresentada pelo Partido Liberal (PL) do Paraná contra o deputado estadual Arilson Chiorato (PT), que havia sido questionado por relacionar o deputado federal Filipe Barros (PL-PR) e a legenda ao Banco Master.

Na decisão, a desembargadora federal Claudia Cristina Cristofani concluiu que não ficou comprovada a divulgação de informação falsa ou gravemente fora de contexto. A magistrada também considerou que as manifestações de Arilson estavam inseridas no contexto de crítica política e debate eleitoral.

O processo teve origem em um vídeo gravado pelo deputado estadual em frente à sede do PL, em Curitiba. Na gravação, Arilson fez críticas a integrantes do campo político adversário e mencionou o Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro e posteriormente liquidada pelo Banco Central.

Segundo a decisão, as expressões utilizadas no vídeo apresentavam tom de ironia e crítica política. No caso específico de Filipe Barros, a defesa de Arilson apresentou documentos, projetos, requerimentos e reportagens que, segundo a decisão, serviam de base para os questionamentos feitos pelo parlamentar.

A Justiça, entretanto, não entrou no mérito de determinar se a interpretação política feita por Arilson a partir desse material era correta ou proporcional. O ponto analisado no processo eleitoral foi se a publicação configurava divulgação de informação falsa ou propaganda eleitoral irregular.

A decisão também rejeitou a alegação de que Arilson teria pedido diretamente aos eleitores que não votassem nos políticos mencionados. Conforme a análise judicial, a manifestação tinha caráter persuasivo e desfavorável aos adversários, mas não configurava pedido direto de não voto.

Investigação sobre Filipe Barros

A disputa judicial ocorre em meio a uma série de investigações sobre o Banco Master e às acusações políticas envolvendo diferentes agentes públicos.

No início de agosto, Arilson Chiorato protocolou na Polícia Federal, em Brasília, uma notícia de fato para pedir apuração sobre a atuação de Filipe Barros em assuntos relacionados ao banco. O pedido foi apresentado na capital federal porque, por ser deputado federal, Barros possui foro por prerrogativa de função.

Na ocasião, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o documento apresentado por Arilson solicitou diligências para verificar a origem de minutas legislativas e eventual contato com representantes do Banco Master. Barros negou favorecimento ao banco e afirmou que havia denunciado a instituição à Polícia Federal, à Procuradoria-Geral da República e ao Tribunal de Contas da União.

O próprio deputado federal também já havia reagido publicamente às acusações. Em julho, classificou como “mentirosa” a afirmação de Arilson de que teria atuado em favor do Master e afirmou que pretendia reapresentar proposta relacionada ao Fundo Garantidor de Créditos.

Até o momento, portanto, as acusações políticas e os pedidos de investigação não equivalem a uma conclusão judicial de que Filipe Barros tenha cometido crime ou favorecido ilegalmente o Banco Master.

Novas revelações aumentam pressão sobre o caso Master

O caso ganhou novos desdobramentos nos últimos dias. Reportagem publicada em 18 de agosto informou que a Polícia Federal investiga dois ex-servidores do Banco Central, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, por suspeitas de terem fornecido informações internas ao então controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Segundo a apuração, os dois participaram de um grupo de WhatsApp criado em 2025 com Vorcaro, no qual teriam sido compartilhados documentos e informações relacionadas à fiscalização do banco. A investigação também apura se os servidores receberam vantagens indevidas. Ambos negam irregularidades e suas defesas sustentam que contribuíram com as investigações e que os contatos tinham caráter institucional.

Outra reportagem publicada nesta semana revelou que instituições interessadas em adquirir ativos do Master chegaram a procurar o Banco Central em busca de garantias jurídicas diante da deterioração financeira da instituição. BTG Pactual e J&F, por meio do PicPay, teriam solicitado manifestações do BC para reduzir riscos relacionados a operações envolvendo ativos do grupo.

As investigações também continuam avançando na esfera do mercado de capitais. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) marcou para 8 de setembro o julgamento de um processo que envolve Daniel Vorcaro, integrantes de sua família e outras pessoas por suspeitas de irregularidades relacionadas à emissão de cotas do fundo imobiliário Brazil Realty. O processo trata de fatos ocorridos antes mesmo de o Banco Master assumir a atual configuração.

O que a decisão da Justiça significa

A decisão do TRE-PR não declarou que todas as afirmações feitas por Arilson sobre Filipe Barros são verdadeiras, nem determinou que o deputado federal tenha cometido qualquer irregularidade relacionada ao Banco Master.

O que a Justiça Eleitoral decidiu foi que, naquele processo, não ficou comprovado que Arilson tenha divulgado informação falsa ou gravemente fora de contexto, e que as manifestações analisadas estavam dentro dos limites do debate político.

A distinção é relevante porque o caso envolve, de um lado, acusações e questionamentos políticos e, de outro, investigações que ainda estão em andamento. Eventuais responsabilidades criminais ou administrativas dependem das respectivas apurações e das decisões das autoridades competentes.

Em declaração divulgada após a decisão, Arilson afirmou que a decisão confirma que suas manifestações estavam baseadas em informações que já faziam parte do debate público.

“Se existem documentos, projetos, requerimentos e reportagens, nós temos o direito e o dever de cobrar explicações.”

Arilson Chiorato

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, em meio à crise financeira da instituição e às investigações sobre operações envolvendo carteiras de crédito. Daniel Vorcaro foi preso no âmbito das investigações e voltou a ser detido em 2026. As acusações são negadas pelas defesas dos investigados.

Com novas frentes de investigação abertas e processos ainda em andamento, o caso Master continua envolvendo autoridades do sistema financeiro, empresários e diferentes personagens da política brasileira. No Paraná, a decisão do TRE-PR encerra, neste processo específico, a acusação eleitoral apresentada contra Arilson pela publicação que relacionava Filipe Barros e o PL ao episódio.


18.8.26

Conhecimento indígena e ciência revelam biodiversidade da Terra Panará, na Amazônia

Inventário colaborativo já registrou 14.823 animais de 602 espécies em território de 500 mil hectares entre Pará e Mato Grosso

 
© André Villas Bôas/ISA

Uma iniciativa que une o conhecimento ancestral do povo Panará à ciência acadêmica está ajudando a revelar a biodiversidade da Terra Indígena (TI) Panará, na Amazônia. O primeiro inventário colaborativo realizado no território, que possui cerca de 500 mil hectares na divisa entre Pará e Mato Grosso, já registrou 14.823 animais pertencentes a 602 espécies.

A pesquisa ganhou novos contornos depois que seus resultados foram apresentados, em junho, durante o Seminário Saberes e Conservação de Territórios Indígenas, realizado na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém. As informações atualizadas mostram que o trabalho, iniciado a partir da integração entre pesquisadores indígenas e acadêmicos, também identificou espécies que até então não eram conhecidas pelos próprios Panará.

A reportagem original sobre a iniciativa foi publicada pela Agência Brasil, que acompanhou o trabalho de pesquisa e conservação no território.

O projeto é promovido pela Conservação Internacional (CI-Brasil) em parceria com a Rede Xingu+, a Associação Indígena Iakiô, universidades públicas e outras organizações. Entre as instituições envolvidas estão a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

A iniciativa integra uma estratégia de conservação da biodiversidade em uma região submetida à pressão do garimpo ilegal, da expansão de atividades agropecuárias e de outras ações irregulares. O inventário também busca produzir informações que possam fortalecer a proteção do território e o monitoramento de seus recursos naturais.

Ciência e conhecimento tradicional

Pesquisadores indígenas e das universidades trabalham juntos em trilhas pelo território, realizando registros fotográficos, coleta de amostras de espécies e de água do rio Iriri, afluente do Xingu que atravessa a Terra Indígena, além da inclusão de informações no inventário.

A proposta é combinar ferramentas científicas e tecnológicas com o conhecimento acumulado pelos Panará sobre a floresta, os animais, os rios e os ciclos naturais do território.

“Foi muito bom trabalhar junto com pesquisadores não indígenas. Um ensinou ao outro”, afirma o pesquisador Kiarysy Kaiabi Panará, conhecido como Cutia.

Segundo Renata Pinheiro, diretora do programa Povos Indígenas e Comunidades Locais da Conservação Internacional Brasil, declarou à repórter Fabíola Sinimbú, da Agência Brasil, os pesquisadores acadêmicos contribuem principalmente com ferramentas tecnológicas de catalogação, enquanto os pesquisadores indígenas oferecem um conhecimento detalhado do território construído ao longo de gerações.

“Os Panará sabem ler a floresta de um jeito que nenhum instrumento científico consegue substituir. Eles conhecem a alimentação de cada animal, como se movimenta, e esse conhecimento alimenta diretamente a ciência que construímos juntos”, destaca Renata.

Tecnologia ajuda a revelar espécies

Para a coleta de dados, pesquisadores indígenas receberam capacitação para utilizar GPS, aplicativos de catalogação e câmeras de armadilha, conhecidas como camera traps. Os equipamentos são acionados pelo movimento ou calor emitido pelos animais que passam diante dos sensores.

A tecnologia permitiu registrar animais difíceis de serem observados diretamente na floresta e ampliar o conhecimento sobre a fauna existente no território.

“Quando as câmeras capturaram os bichos de pelo, a gente conseguiu identificar mais bichos do que a gente conhece. Depois disso, eu também fiquei muito feliz em conhecer essa parte da pesquisa com a tecnologia”, diz a pesquisadora Pentê Panará.

Escolhida pelos integrantes da aldeia Panará Sõnkârãsãn, onde vive, Pentê também destaca a importância da participação das mulheres na pesquisa.

“Toda vez que eu voltava do trabalho de pesquisa, as outras mulheres me perguntavam sobre o que estávamos fazendo e como era trabalhar com essa parte de tecnologia. Acho que outras mulheres Panará também gostariam de participar”, afirma.

602 espécies e animais ameaçados

O levantamento registrou 602 espécies e identificou a presença de animais ameaçados ou vulneráveis. Entre eles estão o macaco-zogue-zogue (Plecturocebus vieirai) e o tatu-canastra (Priodontes maximus).

De acordo com os resultados divulgados durante o seminário da UFPA, também foram encontradas espécies que não faziam parte do conhecimento tradicional registrado pelos próprios Panará, entre elas a perereca-de-vidro e a maria-leque.

A pesquisa permitiu ainda acompanhar espécies ameaçadas e coletar informações sobre a qualidade da água do rio Iriri, elemento fundamental para a vida das comunidades indígenas e para o equilíbrio ecológico do território.

Árvore “Já” pode ser nova para a ciência

Uma das descobertas mais significativas está no estudo da flora. Conhecida pelos Panará como “Já”, uma árvore encontrada durante o levantamento passou a ser analisada pelos botânicos por apresentar características que indicam que pode se tratar de uma espécie ainda não descrita pela ciência.

Durante o estudo botânico, que examinou quase 500 árvores em uma parcela de um hectare de floresta, pesquisadores identificaram características particulares nas folhas da planta. Segundo informações divulgadas pela UFPA, a análise aponta uma probabilidade estimada em cerca de 90% de que se trate de uma nova espécie para a ciência.

A confirmação científica, porém, ainda depende de novas coletas. Os pesquisadores precisam encontrar novamente o indivíduo durante o período de floração ou frutificação para obter material suficiente para a descrição formal da espécie.

O pesquisador Domingos Cardoso, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e coordenador da plataforma Flora e Funga do Brasil, explicou que, até o momento, foram analisadas principalmente as folhas da planta. A identificação definitiva ainda precisa seguir os procedimentos científicos de descrição e revisão botânica.

Pesquisa ainda precisa ser concluída

Segundo a Conservação Internacional, os resultados apresentados em junho correspondem a três anos de trabalho de inventário. A pesquisa, entretanto, ainda não chegou ao fim.

A Agência Brasil informou que o trabalho foi interrompido por falta de recursos para uma nova rodada de expedições. A expectativa dos pesquisadores é retomar as atividades para completar o inventário e ampliar o número de registros.

“Durante essa pesquisa, toda vez que a gente andava na mata, a gente encontrava rastro de outros bichos. Dá até pra saber o caminho onde eles andam. Para mim, ainda tem muitos mais”, afirma Pentê Panará.

Conhecimento com autoria indígena

Uma das características centrais do projeto é a preocupação com a autoria e o controle dos conhecimentos produzidos. Ao final do inventário, os dados deverão ser analisados pelos pesquisadores indígenas antes de sua disponibilização no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr), plataforma que reúne registros de ocorrência de espécies, coleções biológicas e conjuntos de dados científicos.

A proposta é que os pesquisadores Panará sejam reconhecidos como detentores e autores dos conhecimentos associados aos registros. Dessa forma, quando outras instituições de pesquisa necessitarem consultar determinadas informações, o acesso deverá considerar a participação dos pesquisadores indígenas.

A Conservação Internacional também desenvolveu um protocolo para a publicação dos trabalhos acadêmicos produzidos a partir da pesquisa. Antes da divulgação, pesquisadores não indígenas apresentam aos Panará, em vídeos ou áudios, quais informações serão utilizadas, qual é o objetivo da publicação e quais aspectos serão abordados.

Depois dessa apresentação, os pesquisadores Panará e a comunidade podem acrescentar sua visão sobre o conteúdo antes da autorização para publicação.

“A gente estabeleceu esse protocolo, e tudo que foi feito até agora vem ao encontro da tradição oral dos povos indígenas, para que todos tivessem esse cuidado de colocar essas informações na oralidade, num vídeo, para que os Panará conseguissem entender e reagir ao que estava sendo colocado ali”, conclui Renata Pinheiro.

Um modelo de pesquisa intercultural

Além dos resultados científicos, a experiência na Terra Indígena Panará apresenta uma metodologia de pesquisa baseada na colaboração entre conhecimento tradicional e ciência acadêmica. Para os envolvidos, a experiência mostra que o conhecimento indígena não é apenas uma fonte complementar de informação, mas parte fundamental da compreensão do território e da definição de estratégias para sua conservação.

A experiência também evidencia como tecnologias de monitoramento podem ser incorporadas ao conhecimento tradicional sem substituir o papel dos povos indígenas na interpretação da floresta e na definição sobre o uso dos dados produzidos.

A atualização dos resultados foi divulgada pela Universidade Federal do Pará e pela Amazônia na COP30/UFPA. Informações sobre o inventário também foram divulgadas pela Conservação Internacional Brasil.

Fonte original: Agência Brasil, reportagem de Fabíola Sinimbú, publicada em 18 de agosto de 2026. Atualização: Sulpost, com informações divulgadas posteriormente pela UFPA, Amazônia na COP30/UFPA e Conservação Internacional Brasil.

Moro e Requião Filho lideram disputa pelo Governo do Paraná; Senado tem corrida aberta por duas vagas

Pesquisa Paraná Pesquisas mostra Moro na liderança, seguido por Requião Filho. No Senado, Deltan Dallagnol aparece na frente, mas situação jurídica pode mudar completamente a disputa

 
Moro e Requião Filho lideram disputa pelo Governo do Paraná; Senado tem corrida aberta por duas vagas

O senador Sergio Moro (PL), do mesmo partido de Flávio Bolsonaro, aparece na liderança da corrida pelo Governo do Paraná, segundo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas divulgado nesta semana. No cenário estimulado, Moro soma 46,1% das intenções de voto.

Requião Filho (PDT) aparece em segundo lugar, com 23,4%, enquanto Sandro Alex (PSD) registra 16,5%.

Na sequência aparecem Luiz França (Missão), com 0,9%; Tayná Miessa (UP), com 0,6%; Alexandre Salomão (Missão), com 0,4%; Samuel de Mattos (PSTU), com 0,1%; e Adriano Teixeira (PCO), com 0,0%. Outros 5% não souberam ou não quiseram opinar.

Eleições rumam para 2º turno

O resultado coloca Moro em uma posição confortável na largada da campanha. A diferença para Requião Filho é de 22,7 pontos percentuais, enquanto Sandro Alex aparece 29,6 pontos atrás do peelista.

Candidato Intenção de voto
Sergio Moro (PL) 46,1%
Requião Filho (PDT) 23,4%
Sandro Alex (PSD) 16,5%
Luiz França (Missão) 0,9%
Tayná Miessa (UP) 0,6%
Alexandre Salomão (Missão) 0,4%
Samuel de Mattos (PSTU) 0,1%
Adriano Teixeira (PCO) 0,0%

Com os números atuais, Moro e Requião Filho são os dois candidatos mais bem posicionados para chegar a um eventual segundo turno. A definição, naturalmente, dependerá dos votos válidos e do resultado efetivo da eleição.

Senado: Deltan lidera, mas situação jurídica é decisiva

Se a disputa pelo governo apresenta uma liderança bastante clara, o cenário para o Senado é bem mais apertado. O Paraná elegerá dois senadores em 2026, e a pesquisa mostra quatro nomes competitivos na disputa pelas duas cadeiras.

Deltan Dallagnol (Novo) aparece em primeiro lugar, com 34%. Alexandre Curi (PSD) registra 29,6%, Gleisi Hoffmann (PT) aparece com 28,1%, Filipe Barros (PL) soma 26% e Cristina Graeml (PSD) tem 17,2%.

Candidato Intenção de voto
Deltan Dallagnol (Novo) 34,0%
Alexandre Curi (PSD) 29,6%
Gleisi Hoffmann (PT) 28,1%
Filipe Barros (PL) 26,0%
Cristina Graeml (PSD) 17,2%

A diferença entre Alexandre Curi e Gleisi Hoffmann é de apenas 1,5 ponto percentual. Já Gleisi está somente 2,1 pontos à frente de Filipe Barros. Na prática, portanto, a pesquisa aponta uma disputa bastante aberta pelas duas vagas.

Deltan pode ter candidatura indeferida

O resultado de Deltan exige uma ressalva jurídica importante. O ex-procurador da Operação Lava Jato teve seu registro de candidatura a deputado federal cassado por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023, em decisão que reconheceu causa de inelegibilidade relacionada à forma como deixou o Ministério Público Federal enquanto havia procedimentos disciplinares em andamento.

Agora, Dallagnol tenta disputar uma das duas vagas do Senado pelo Paraná. Para isso, apresentou à Justiça Eleitoral um Requerimento de Declaração de Elegibilidade, buscando afastar antecipadamente os efeitos da decisão anterior.

A questão, entretanto, está longe de ser pacífica. A discussão jurídica envolve justamente saber se a decisão do TSE de 2023 produz efeitos de inelegibilidade para a eleição de 2026. O TRE-PR deverá analisar a situação no processo de registro da candidatura, e uma eventual decisão poderá ser posteriormente submetida ao TSE.

O ponto central: Deltan lidera a pesquisa para o Senado, mas sua candidatura ainda está sujeita à análise da Justiça Eleitoral. Caso o registro seja definitivamente indeferido, a presença de seu nome na pesquisa não significará necessariamente uma candidatura válida nas urnas.

Votos podem perder validade

Mesmo que um candidato esteja com o registro questionado judicialmente e apareça na urna, isso não significa que seus votos estejam definitivamente garantidos.

A legislação permite, em determinadas circunstâncias, que candidatos com registro sub judice continuem realizando campanha e tenham seus nomes apresentados ao eleitor. Entretanto, a validade dos votos fica condicionada à situação definitiva do registro pela justiça eleitoral.

Assim, se a candidatura de Dallagnol for definitivamente indeferida pela Justiça Eleitoral, os votos eventualmente recebidos por ele poderão não produzir os efeitos de uma candidatura válida. É justamente esse fator que pode alterar completamente a leitura da pesquisa para o Senado.

O que aconteceria sem Dallagnol?

Se Dallagnol for impedido definitivamente de disputar a eleição, o cenário das duas vagas se torna ainda mais relevante. Alexandre Curi e Gleisi Hoffmann aparecem atualmente em segundo e terceiro lugares, respectivamente, com Filipe Barros se aproximando dos primeiros colocados.

Por isso, não seria correto afirmar que Curi e Gleisi já estariam eleitos com base exclusivamente nesta pesquisa. O levantamento mostra uma vantagem numérica para os dois, mas, de acordo com a pesquisa Filipe Barros está praticamente empatado, dentro da margem de erro.

A eventual saída de Dallagnol, portanto, pode provocar uma redistribuição significativa das intenções de voto e transformar a corrida pelas duas cadeiras em uma disputa ainda mais acirrada entre Alexandre Curi, Gleisi Hoffmann e Filipe Barros.

Pesquisa mostra cenários diferentes para governo e Senado

O levantamento apresenta dois retratos bastante diferentes da eleição paranaense. Para o Governo do Estado, Sergio Moro aparece na liderança, enquanto Requião Filho e Sandro Alex disputam a segunda posição.

A mesma pesquisa também nos faz observar que o primeiro, segundo e terceiro colocados na pesquisa têm, pela ordem, praticamente o dobro de votos de quem vem atrás. O cenário mais provável é de um segundo turno entre Moro e Requião Filho.

No Senado, por outro lado, a disputa está muito mais apertada. Deltan lidera numericamente, mas sua situação jurídica pode ser determinante. Logo atrás estão Curi e Gleisi, separados por poucos pontos percentuais.

Portanto, o principal dado político da pesquisa para o Senado não é apenas quem está na frente, mas a possibilidade de uma mudança no cenário caso a Justiça Eleitoral impeça Dallagnol de disputar.

Sobre a pesquisa

O levantamento do Instituto Paraná Pesquisas foi realizado entre os dias 13 e 16 de agosto de 2026, com 1.520 eleitores em 65 municípios do Paraná. A margem de erro é de aproximadamente 2,6 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Outro ponto bastante relevante que precisa ser observado nesta rodada apresentada pelo Instituto Paraná Pesquisas, é que no cenário espontâneo, quando não é apresentado o nome dos candidatos, 59,5% do eleitorado não conhece ou não sabe em quem votar para o Governo do Estado. Já para o Senado o número é maior, 78,6% do eleitorado não sabe e/ou não opinou.

A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PR-09048/2026.

17.8.26

"Tempo é o que temos. No piscar, passou...", por Manaoos Aristides

Bom dia: tempo é o que temos. No piscar, passou...

O tempo é o bem mais precioso que recebemos. Ele passa silenciosamente, levando consigo momentos que jamais voltarão.

O hoje é tudo o que temos.

O tempo é o que temos de mais valioso. Ele voa, acelerando os ponteiros do relógio. No piscar de olhos, passou.

E, quando percebemos, descobrimos que o amanhã sequer teve tempo de conhecer o ontem.

Passa rápido. Tudo passa rápido. E o hoje é tudo o que realmente temos. O resto é incerto.

Talvez por isso seja tão importante parar por alguns instantes, respirar e perceber a vida acontecendo diante de nós.

Parar e silenciar também pode ser uma forma de reconhecer aquilo que verdadeiramente importa. É nesse silêncio que muitas vezes encontramos a força para cultivar a amizade, o amor, a fé e os vínculos que dão sentido à nossa caminhada.

“Valorize cada segundo, abrace quem você ama agora e faça da sua vida uma história bonita de paz e alegria.”

Tudo é importante. Mas o tempo não foi feito para seguir os nossos passos. Somos nós que precisamos aprender a caminhar com ele.

E, na perspectiva da fé, nosso Criador usa cada segundo para esculpir, no mármore do universo, o nosso nome. Ele nos ensina, nos transforma e nos abençoa em cada momento da existência.

Por isso, não deixe para depois aquele abraço. Não adie aquela palavra de carinho. Não espere uma ocasião especial para dizer a alguém que você ama o quanto essa pessoa é importante.

O momento é agora.

O ontem já passou. O amanhã ainda não chegou. O que temos é este instante — precioso, único e impossível de repetir.

Que este novo dia nos encontre mais atentos à vida, mais próximos de quem amamos e mais dispostos a construir uma história marcada pela paz, pela alegria, pela amizade e pelo amor.

Texto: Manaoos Aristides

MANAOOS

SULPOST
Jornalismo, reflexão e informação para começar o dia.

Lula larga na pole-position e abre vantagem na largada da campanha

Lula abre a corrida na liderança, com maior mobilização no lançamento e cinco pontos sobre Flávio na primeira pesquisa da campanha

 

A corrida presidencial de 2026 começou oficialmente neste domingo (16) com os principais candidatos levando às ruas estratégias bastante diferentes. E a primeira fotografia da disputa coloca Lula na pole-position.

O presidente abriu sua campanha no estádio Primeiro de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, um dos locais mais simbólicos de sua trajetória política. O ato reuniu, segundo estimativa divulgada pela Folha de S.Paulo, entre 20 mil e 30 mil pessoas.

A escolha do local foi carregada de simbolismo: foi ali que Lula ganhou projeção nacional como líder sindical durante as greves dos metalúrgicos do ABC. O discurso combinou memória, realizações de governo, segurança pública, soberania nacional e propostas para um eventual novo mandato.

Do outro lado da disputa, Flávio Bolsonaro escolheu Copacabana, no Rio de Janeiro, para lançar sua candidatura. O ato teve como eixo a defesa do legado de Jair Bolsonaro, críticas ao governo Lula, segurança pública e oposição ao Supremo Tribunal Federal.

Neste caso, há uma medição independente do público: o Monitor do Debate Político USP/Cebrap estimou 8,9 mil participantes no pico, com intervalo entre 7,8 mil e 9,9 mil pessoas. Como as duas estimativas foram produzidas por metodologias diferentes, a comparação deve ser vista como indicativa, e não como uma medição padronizada entre os dois eventos.

Os outros lançamentos

Ronaldo Caiado iniciou a campanha em Goiás, com missa e carreata pelo Entorno do Distrito Federal. Romeu Zema escolheu Montes Claros, em Minas Gerais, para uma agenda com missa, ato político e caminhada. Já Renan Santos fez seu lançamento em São Paulo, diante da Faculdade de Direito da USP, concentrando o discurso em segurança pública e combate ao crime organizado.

Nenhum desses eventos apresentou, até o momento, uma estimativa independente de público comparável às disponíveis para Lula e Flávio. Isso impede transformar o tamanho das mobilizações em um ranking rigoroso de força eleitoral.

A pesquisa reforça a largada

Divulgada nesta segunda-feira (17), a nova pesquisa BTG/Nexus coloca Lula com 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36% de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado aparece com 5%, enquanto Renan Santos e Romeu Zema registram 4% cada.

A diferença de cinco pontos entre Lula e Flávio está fora da margem de erro de dois pontos percentuais no primeiro turno. O levantamento ouviu 2.003 eleitores entre os dias 14 e 16 de agosto.

A fotografia muda, entretanto, quando se olha para um eventual segundo turno: Lula aparece com 47% contra 44% de Flávio Bolsonaro, resultado considerado empate técnico.

Pole-position, mas corrida aberta

Os primeiros números permitem uma leitura clara: Lula começa a corrida na liderança, tanto nas intenções de voto para o primeiro turno quanto na capacidade de mobilização demonstrada em seu lançamento.

A vantagem, porém, não autoriza cravar uma vitória antecipada. A campanha apenas começou, e ainda haverá debates, propaganda eleitoral, alianças, ataques entre adversários e mudanças na percepção do eleitor.

O dado político mais importante desta largada é outro: Lula começa alguns metros à frente, enquanto Flávio Bolsonaro aparece como seu principal perseguidor. Os demais candidatos iniciam a corrida em um patamar significativamente inferior nas pesquisas.

A bandeirada está distante. Mas, na primeira volta, o carro de Lula saiu da pole.

SULPOST — Jornalismo independente e análise dos fatos.

16.8.26

Pedras preciosas: o brilho e o lado oculto da riqueza brasileira

Do garimpo à joalheria, gemas brasileiras movimentam uma rede legal, mas também aparecem em investigações sobre extração e comércio clandestinos

Do garimpo à joalheria, gemas brasileiras movimentam uma rede legal, mas também aparecem em investigações sobre extração e comércio clandestinos

Além dos milhões de anos que que as pedras preciosas precisam para se formar sob altas pressões, elas também parecem guardar histórias recentes dentro delas.

Antes de chegar a uma joalheria, fazer parte de uma coleção particular ou estar numa feira especializada, uma esmeralda, uma água-marinha, uma turmalina, um topázio ou um diamante pode ter passado por muitas mãos. Primeiro, pela terra, pela rocha de onde é extraída. Depois, pelo trabalho de quem encontrou, ou minerou o mineral, depois vem a seleção, o corte, a lapidação e, finalmente, ela chega ao mercado.

É uma cadeia produtiva que gera emprego, renda, conhecimento, exportações e desenvolvimento regional. Mas existe também o outro lado dessa história. Há anos, as pedras preciosas também são objeto de investigações da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e das polícias estaduais. As investigações envolvem extração sem autorização, transporte sem comprovação de origem, comércio irregular, e, em determinados casos, organizações suspeitas de contrabando.

O Brasil tem riquezas minerais extraordinárias. E justamente por isso existe uma pergunta que merece ser feita: quanto dessa riqueza percorre os caminhos legais e quanto acaba nas mãos de redes clandestinas?

Um país de pedras raras

O território brasileiro reúne uma das maiores diversidades de gemas do mundo. Entre as pedras encontradas no país estão ametista, ágata, água-marinha, esmeralda, turmalina, topázio, opala, granada, rubi, safira e diamante, além de outras variedades utilizadas tanto na joalheria quanto em coleções mineralógicas.

Minas Gerais ocupa um lugar especial nesse mapa. O estado é conhecido por ocorrências de esmeralda, água-marinha, turmalinas e pelo topázio imperial, tradicionalmente associado à região de Ouro Preto.

A Bahia também possui importantes ocorrências de esmeralda e outras gemas. A Paraíba tornou-se mundialmente conhecida pela turmalina Paraíba, de coloração azul ou azul-esverdeada extremamente característica.

O Espírito Santo aparece entre as regiões produtoras de água-marinha. O Rio Grande do Sul é uma referência internacional em ametista e ágata. O Piauí possui tradição na produção de opala.

Goiás, Rio Grande do Norte, Ceará, Pará, Tocantins e outros estados também integram o mapa brasileiro das pedras preciosas e minerais de interesse gemológico. Não existe, portanto, uma única “capital das pedras preciosas” no Brasil. Há uma geografia inteira de minerais, cada qual com características próprias e mercados diferentes.

Da pedra bruta à joia

Uma gema retirada do solo está muito longe de ser aquilo que o consumidor encontra na vitrine. A pedra bruta pode ser cortada, serrada, desbastada e lapidada. Dependendo do mineral, podem ser aplicadas técnicas destinadas a valorizar cor, transparência, brilho, simetria e aproveitamento do material. É nessa transformação que o valor pode mudar radicalmente.

Uma pedra excepcionalmente rara, com boa cor, transparência, tamanho e qualidade de lapidação, pode alcançar valores muito superiores aos de um exemplar comum da mesma espécie mineral.

Por isso, não é tecnicamente correto afirmar simplesmente que existe “a pedra mais cara do Brasil”. O preço depende das características específicas de cada gema, de sua procedência, de seu tratamento, de sua qualidade e do mercado em determinado momento.

Turmalina Paraíba, esmeralda e topázio imperial

Algumas gemas brasileiras alcançaram reconhecimento internacional justamente por sua raridade. A turmalina Paraíba é um dos exemplos mais conhecidos. Sua coloração intensa e a composição química associada ao cobre fizeram com que determinados exemplares alcançassem preços extraordinários no mercado internacional.

A esmeralda também ocupa posição de destaque. Minas Gerais, Bahia e Goiás aparecem entre as áreas produtoras brasileiras. Já o topázio imperial possui uma ligação histórica particularmente forte com Minas Gerais, especialmente com Ouro Preto. O Serviço Geológico do Brasil registra a região como produtora dessa variedade, considerada a mais valiosa entre os topázios.

E há ainda a água-marinha, uma variedade do berilo que encontrou no Brasil alguns de seus exemplares mais conhecidos. A pedra se tornou objeto de desejo na Europa quando um conjunto de joias, de ouro branco com água-marinha, foi presenteado à rainha Elizabeth II, da Inglaterra, pelo também embaixador Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, do Brasil. 

A rainha da Inglaterra inclusive usou essas joias em seu primeiro encontro com o presidente Lula, em 7 de março de 2006, Na ocasião, Lula e a primeira-dama Marisa Letícia foram hospedados no Palácio de Buckingham em Londres.

São riquezas que não aparecem apenas em números de produção. Elas também fazem parte da identidade geológica e cultural de diferentes regiões brasileiras. E A Coroa Inglesa fez questão de mostrar isso, o respeito pelas pedras preciosas brasileiras, na ocasião mencionada.

Existe um mercado legal — e ele é importante

É importante não colocar toda a atividade de pedras preciosas sob suspeita. Existe uma cadeia formal formada por empresas de mineração, cooperativas, garimpeiros legalizados, lapidadores, laboratórios, comerciantes, joalheiros, exportadores e trabalhadores especializados.

O comércio exterior brasileiro também registra oficialmente essa atividade. O Comex Stat, sistema oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), permite consultar exportações e importações brasileiras por produto, país, estado, quantidade e valor. A plataforma mantém séries históricas desde 1997.

Isso permite que pesquisadores e jornalistas acompanhem a dimensão econômica do comércio formal de pedras preciosas, inclusive por códigos específicos da Nomenclatura Comum do Mercosul.

Os dados oficiais não devem, entretanto, ser confundidos com uma estimativa do mercado clandestino. Uma coisa é aquilo que foi declarado ao Estado. Outra é aquilo que eventualmente circula fora dos registros.

Quando a riqueza mineral vira crime

A legislação brasileira estabelece uma diferença fundamental: os recursos minerais, inclusive os encontrados no subsolo, pertencem à União. A pesquisa e a lavra dependem de autorização, concessão ou outro título minerário previsto na legislação.

Também existe a Permissão de Lavra Garimpeira, conhecida como PLG, instrumento previsto na legislação para determinadas atividades de garimpagem. Mesmo nesses casos, a atividade está submetida às exigências legais e ambientais.

A Agência Nacional de Mineração é responsável pela regulação e fiscalização do aproveitamento dos recursos minerais pertencentes à União.

A Lei nº 8.176/1991 também estabelece punições para quem explora matéria-prima pertencente à União sem autorização ou em desacordo com o título, alcançando determinadas condutas relacionadas à aquisição, transporte, industrialização, posse e comercialização do produto obtido ilegalmente.

Portanto, retirar uma pedra preciosa do subsolo brasileiro não significa automaticamente ter o direito de vendê-la. Declarar a origem da pedra é essencial.

O crime pode começar muito antes da fronteira

Quando se fala em contrabando, é comum imaginar apenas a pessoa tentando atravessar uma fronteira com pedras escondidas. As investigações mostram uma realidade mais complexa.

Uma cadeia clandestina pode envolver a extração, a intermediação, o transporte, a documentação irregular, a comercialização e, em determinados casos, a tentativa de introduzir a mercadoria no mercado formal ou levá-la ao exterior. Por isso, nem toda apreensão de pedra preciosa significa, automaticamente, que houve contrabando.

Em muitos casos, a investigação começa justamente porque não havia documentação capaz de demonstrar a origem legal do material. Essa distinção é importante. Jornalismo responsável não pode transformar uma suspeita policial em sentença.

As operações que revelam o tamanho do problema

O problema não surgiu agora. Ao longo dos últimos anos, diferentes forças policiais investigaram cadeias de extração e comércio irregular de pedras preciosas.

Em maio de 2020, durante uma ação conjunta, a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal apreenderam 1.590 pedras de diamante escondidas em um compartimento secreto de um veículo blindado em Vilhena, Rondônia. Segundo a PF, as pedras seriam comercializadas na região Sudeste. Dois homens foram presos e a ocorrência envolveu suspeitas de usurpação de bens da União, receptação e associação criminosa.

O episódio é significativo não apenas pelo número de pedras, mas porque mostra como o transporte é uma das etapas fundamentais da cadeia clandestina.

Diamantes e uma rota que chegou ao Paraná

Em outubro de 2023, a Polícia Federal deflagrou a Operação Elusorius, com dez mandados de busca e apreensão em Rondônia e no Paraná. De acordo com a investigação, o grupo era especializado no comércio ilegal de diamantes extraídos da Terra Indígena Roosevelt e transportados, em sua maioria, para o Paraná.

A PF informou que foram apreendidas pedras sem comprovação de origem, além de armas, munições, celulares e equipamentos relacionados ao garimpo. Um dos elementos apontados pela investigação chama atenção: o uso de notas fiscais falsas para tentar conferir aparência legal às pedras.

É nesse ponto que a pedra deixa de ser apenas uma mercadoria irregular e passa a integrar uma estrutura mais sofisticada de ocultação da origem. 

Uma organização internacional

Também em 2023, a Operação Itamarã revelou uma investigação de dimensão internacional. A PF investigou uma organização especializada, segundo a apuração, na exploração, intermediação, comércio e exportação ilegal de pedras preciosas, especialmente diamantes brutos.

Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão e oito mandados de prisão preventiva em diferentes estados brasileiros, além de medidas de cooperação internacional. A investigação apontou movimentação superior a R$ 30 milhões em aproximadamente sete meses.

Esse número, porém, precisa ser lido corretamente: trata-se do valor atribuído pela investigação à movimentação financeira da organização naquele período, e não de uma estimativa do total do contrabando de pedras preciosas existente no Brasil.

2026: as pedras continuam aparecendo

Os casos mais recentes mostram que o problema não ficou no passado. Em abril de 2026, a Polícia Federal deflagrou a Operação Itaberaba, em Rondônia e Mato Grosso.

A investigação começou depois da prisão em flagrante de dois suspeitos em Cacoal, com 25 pedras de diamante. Segundo a PF, a análise dos celulares apreendidos levou os investigadores a uma rede de comercialização irregular de pedras provenientes de lavra realizada em terras indígenas sem autorização legal ou licença ambiental.

Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão. A investigação alcançou suspeitos de participar de diferentes etapas da cadeia, da extração à intermediação e comercialização.

Em maio, a Polícia Civil da Bahia também prendeu quatro homens suspeitos de transportar irregularmente pedras de esmeralda em Itaberaba. O material foi encaminhado para perícia, justamente porque a natureza e as características das pedras precisam ser tecnicamente confirmadas.

E em junho, a PRF apreendeu pedras preciosas e joias sem documentação de origem durante uma fiscalização na BR-262, em Juatuba, Minas Gerais. A ocorrência foi encaminhada à Polícia Federal.

O próprio caso demonstra por que é necessário cuidado com a linguagem: a PRF registrou a ausência de comprovação de origem e versões contraditórias apresentadas pelo condutor, mas a investigação posterior é que deve determinar a natureza das irregularidades.

O que os números ainda não conseguem mostrar

Aqui existe uma informação tão importante quanto qualquer estatística: o Brasil não dispõe de uma série nacional pública e consolidada que permita afirmar quanto, em toneladas ou em dinheiro, foi contrabandeado em pedras preciosas entre 2018 e 2026.

Existem apreensões, operações, prisões, investigações e processos espalhados por diferentes instituições. Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, polícias civis, polícias militares, Receita Federal, Ministério Público e Justiça registram suas próprias ocorrências e procedimentos.

Somar esses números indiscriminadamente produziria uma estatística aparentemente precisa, mas metodologicamente frágil. E é justamente isso que não faremos. O Sulpost prefere admitir uma lacuna estatística a preencher o vazio com um número inventado.

O valor que não aparece na vitrine

O prejuízo provocado pela extração clandestina também não se resume ao imposto que eventualmente deixa de ser recolhido. Existe a apropriação irregular de um recurso mineral pertencente à União. Pode existir dano ambiental. Em determinadas situações, pode haver exploração de trabalhadores, invasão de áreas protegidas e pressão sobre territórios indígenas.

E existe ainda o problema financeiro. Uma pedra preciosa é pequena, portátil e pode concentrar grande valor econômico. Essas características tornam as gemas particularmente interessantes para cadeias clandestinas e todo tipo de organização criminosa que procura transportar grandes valores de forma discreta.

Quando uma pedra sem origem é lavrada, recebe documentação fraudulenta e entra no mercado formal, aí o problema passa a envolver também a tentativa de ocultar a procedência do patrimônio mineral brasileiro.

O contraste com a economia legal

É importante olhar para os dois lados da mesma história. O Brasil possui uma cadeia legítima de produção e exportação de gemas. Nossas pedras preciosas são cobiçadas por todo o mercado internacional. O comércio exterior registra essas operações e permite acompanhar sua evolução.

O mercado formal paga impostos, movimenta empresas, emprega profissionais especializados e transforma uma riqueza geológica em produto de maior valor agregado. A ilegalidade faz o caminho inverso. Retira a riqueza sem autorização, reduz a capacidade de fiscalização do Estado, pode causar danos ambientais e tenta inserir o produto em uma cadeia comercial onde sua origem deixa de ser perceptível.

A diferença entre uma pedra legal e uma pedra clandestina pode estar justamente em algo que não aparece a olho nu: a documentação que conta de onde ela veio.

De quem é a riqueza que está debaixo dos nossos pés?

Talvez essa seja a pergunta mais importante desta reportagem. Uma esmeralda pode caber na palma da mão. Um diamante bruto pode parecer apenas um pequeno fragmento de pedra.

Um cristal de turmalina pode passar despercebido para quem não conhece mineralogia. Mas todos podem carregar um valor econômico extraordinário. E, antes de chegarem à vitrine, todos saíram de um mesmo lugar: o subsolo do nosso país.

É por isso que a discussão sobre pedras preciosas não deveria ser tratada apenas como assunto de luxo, joalheria ou colecionismo. É também uma discussão sobre patrimônio público, mineração, fiscalização, meio ambiente, trabalho, comércio exterior e segurança.

O Brasil não precisa esconder suas pedras preciosas. Precisa conhecer melhor sua riqueza, fiscalizar sua origem e garantir que o valor gerado por ela percorra caminhos legais. Porque uma pedra preciosa pode até começar sua história oculta debaixo da terra. Mas a história de quem fica com o valor dela é escrita muito depois que ela é retirada do subsolo.

Lula 3: mais fiscalização, mas ainda falta medir o tamanho do prejuízo

A partir de 2023, o governo federal começou a recompor uma estrutura estatal que havia perdido capacidade de fiscalização ao longo dos anos. O exemplo mais concreto está na própria Agência Nacional de Mineração: em 2025, 216 novos servidores foram nomeados depois de 15 anos sem concursos públicos amplos. A ANM informou que o reforço representa cerca de 30% de aumento do quadro funcional e deve ampliar a capacidade de análise, fiscalização e governança sobre os recursos minerais brasileiros.

Não é uma mudança pequena. Fiscalizar o subsolo brasileiro exige gente, tecnologia, informação e presença no território. Sem estrutura para analisar processos, verificar títulos minerários e acompanhar atividades de mineração, a legislação pode existir no papel e ser pouco efetiva na prática.

Outro avanço ocorreu no combate financeiro às atividades ilegais. Em fevereiro de 2023, a ANM publicou a Resolução nº 129, resultado de uma ação coordenada pela Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA), com participação de órgãos como COAF, Polícia Federal, Ministério Público e a própria ANM. A norma estabeleceu mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo nas atividades de extração mineral.

Isso é particularmente importante para as pedras preciosas. Uma gema tem uma característica que interessa ao crime: concentra muito valor em pouco volume. Uma pequena pedra pode ser transportada com facilidade e, se sua origem não for devidamente documentada, pode entrar em uma cadeia comercial aparentemente legítima.

Por isso, combater o crime não significa apenas apreender a pedra. É preciso descobrir de onde ela veio, quem a extraiu, quem comprou, quem transportou, quem vendeu, quem recebeu o dinheiro e, eventualmente, quem tentou colocá-la no mercado internacional.

Há mais repressão?

Os fatos disponíveis indicam que existe uma atuação repressiva importante. As operações da PF contra o comércio ilegal de diamantes e outras pedras preciosas continuaram durante o terceiro mandato de Lula, inclusive com ações envolvendo Rondônia, Mato Grosso, Paraná e outros estados.

Em 2023, a Operação Elusorius investigou o comércio ilegal de diamantes provenientes da Terra Indígena Roosevelt e apontou o transporte das pedras para o Paraná. No mesmo ano, a Operação Itamarã investigou uma organização que, segundo a PF, movimentou aproximadamente R$ 30 milhões em sete meses com atividades relacionadas ao comércio e à exportação ilegal de pedras preciosas.

Em 2024, a Operação Vertex voltou a atingir uma estrutura de comércio ilegal de diamantes em Rondônia.

E em 2026 a Polícia Federal continuou realizando operações, incluindo a Operação Itaberaba, que começou depois da apreensão de 25 diamantes em Cacoal e alcançou suspeitos de participar de diferentes etapas de uma cadeia de comercialização irregular.

Esses casos não provam, isoladamente, que o contrabando tenha aumentado ou diminuído. Mas mostram que o Estado continua investigando e desarticulando estruturas desse tipo.

E a mineração está trazendo mais resultados para o Brasil? Aqui precisamos ser rigorosos. Os dados oficiais disponíveis permitem acompanhar o comércio exterior brasileiro por produto, valor, quantidade e destino por meio do Comex Stat, mas não permitem atribuir automaticamente qualquer crescimento das exportações de pedras preciosas a uma política específica do governo Lula 3.

Também seria deveras impreciso utilizar o valor das exportações legais como medida do tamanho do mercado clandestino. O que podemos afirmar é que o governo federal ampliou a capacidade institucional da ANM e criou mecanismos mais claros de prevenção à lavagem de dinheiro no setor. Coisa que não existia no governo anterior. A agência também vem trabalhando na modernização de seus processos e na ampliação da fiscalização.

Isso cria condições melhores para que a riqueza mineral seja conhecida, regulada e, quando explorada legalmente, transformada em atividade econômica formal. Mas condições melhores não significam que o problema esteja resolvido. O subsolo não pode ser tratado como terra sem dono. 

Há uma questão que ultrapassa governos. O subsolo brasileiro não é uma fronteira econômica sem lei. Os recursos minerais pertencem à União. Quem extrai uma gema sem autorização não está simplesmente “garimpando por conta própria”. Dependendo das circunstâncias, pode estar se apropriando ilegalmente de patrimônio mineral público e alimentando uma cadeia que envolve outros crimes.

É por isso que combater o comércio clandestino de pedras preciosas interessa ao país inteiro. Não se trata apenas de impedir que uma esmeralda, um diamante ou uma turmalina atravesse ilegalmente uma fronteira.

Trata-se de impedir que uma riqueza que pertence ao Brasil seja retirada sem controle, tenha sua origem ocultada e reapareça no mercado como se tivesse nascido legalmente. O avanço existe. A conta completa ainda não.

O governo Lula 3 apresenta avanços objetivos na recomposição da capacidade da ANM, na regulamentação de mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e na continuidade das operações de inteligência e repressão contra cadeias ilegais e organizações criminosas especializadas no contrabando das riquezas do nosso subsolo.

Mas ainda não existe uma estatística nacional capaz de responder, com precisão, quanto das pedras preciosas brasileiras é extraído ilegalmente, quanto deixa de ser arrecadado e qual é o valor total que sai clandestinamente do país. Essa é uma lacuna que precisa ser enfrentada. É uma informação relevante que precisa de tratamento urgente por parte da União.

Porque não basta apreender algumas cargas, prender intermediários ou fechar um garimpo. O Brasil precisa saber quanto tem, quanto produz, quanto exporta legalmente, quanto perde e quem está ficando com a diferença.

As pedras preciosas brasileiras são patrimônio mineral e também oportunidade econômica. Geram divisas para o nosso país. O desafio do Estado é fazer com que o brilho delas apareça nas estatísticas oficiais, no emprego, na renda, na indústria de lapidação e nas exportações — e não apenas nos cofres de quem consegue retirar riqueza do subsolo brasileiro à margem da lei.

A riqueza está debaixo dos nossos pés. O que precisa mudar é a capacidade de protegê-la. Basta de perdas internacionais.


Fontes e metodologia

Esta postagem foi produzida a partir de informações públicas de órgãos oficiais e bases estatísticas, especialmente Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Agência Nacional de Mineração, Ministério de Minas e Energia e Serviço Geológico do Brasil.

Para comércio exterior, foi considerada a base oficial Comex Stat. Os dados de exportação não representam o mercado clandestino e não devem ser utilizados como estimativa do contrabando.

Valores e quantidades mencionados em operações policiais correspondem às informações divulgadas pelas próprias autoridades no momento das ações. Suspeitas, investigações e apreensões não equivalem a condenações judiciais.

A legislação mineral brasileira considera os recursos minerais, inclusive os do subsolo, bens da União. A pesquisa e a lavra dependem dos instrumentos legais correspondentes e estão sujeitas à fiscalização do poder público.

Nota editorial do Sulpost
Nosso compromisso é separar fatos comprovados, informações oficiais, investigações em andamento e interpretações. Quando não existe estatística confiável, não inventamos números.

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