quinta-feira, 30 de abril de 2026

Curitiba qualifica quem cuida da cidade — do turista ao meio ambiente

Capacitações integram Guarda Municipal e Polícia Militar em ações que combinam acolhimento, técnica e preservação da vida

Curitiba qualifica quem cuida da cidade — do turista ao meio ambiente. Capacitações integram Guarda Municipal e Polícia Militar em ações que combinam acolhimento, técnica e preservação da vida.

O centro de Curitiba respira movimento — e, agora, também um novo tipo de preparo. Entre o fluxo de visitantes e a rotina dos moradores, a cidade começa a moldar uma segurança pública mais próxima, mais técnica e mais humana. Não é apenas sobre presença nas ruas, mas sobre saber orientar, acolher e agir com precisão.

Atendimento que orienta e acolhe

A Prefeitura de Curitiba informou que na tarde desta quarta-feira (29), o Palacete Wolf virou sala de aula para agentes da Guarda Municipal. A capacitação, promovida pelo Instituto Municipal de Turismo (IMT), teve como foco qualificar o atendimento a turistas que circulam pela região central da cidade.

Mais do que informações básicas, os guardas receberam uma leitura técnica e territorial dos atrativos de Curitiba — entendendo fluxos, rotas e dinâmicas urbanas. A formação incluiu ainda uma vivência prática na Linha Turismo, permitindo que os agentes experimentassem o olhar do visitante em deslocamento pela cidade.

A proposta é direta: transformar o atendimento em uma experiência mais eficiente e acolhedora. Os guardas capacitados passam a atuar também em espaços dedicados ao turismo e integram o Grupo de Emprego Operacional, reforçando a organização urbana e o suporte cotidiano à população.

Uma nova turma já está prevista para esta quinta-feira (30), ampliando o alcance da iniciativa.

Treinamento técnico para salvar vidas

Em outra frente, a qualificação ganha contornos ainda mais técnicos. No Museu de História Natural do Capão da Imbuia, policiais militares do Batalhão de Polícia Ambiental – Força Verde participaram de uma etapa da Capacitação em Policiamento Ambiental.

De acordo com a prefeitura, o treinamento reuniu agentes de diversas regiões do Paraná, além de policiais dos estados do Acre, Amazonas e Piauí, guardas municipais de Curitiba e Araucária e equipes da Patrulha Rural.

O conteúdo vai direto ao ponto: manejo de animais peçonhentos, protocolos de contenção e prevenção de acidentes. Um tipo de conhecimento que exige precisão — e que pode evitar tragédias silenciosas, tanto para pessoas quanto para animais.

Segundo os técnicos do museu, o intercâmbio de experiências com os policiais também fortalece o trabalho científico. Situações reais vividas em campo ajudam a aprimorar os procedimentos, enquanto o conhecimento técnico garante mais segurança nas operações.

Segurança com inteligência e sensibilidade

As duas iniciativas, embora distintas, caminham na mesma direção. Curitiba investe em uma segurança pública que vai além da vigilância: aposta na qualificação contínua, na integração entre instituições e na capacidade de resposta diante de diferentes cenários.

Do turista que precisa de orientação ao morador que se depara com um animal silvestre, a cidade constrói respostas mais preparadas — e, sobretudo, mais humanas.

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MPF denuncia à CIDH mineração ilegal — com uso de mercúrio — na Amazônia

Mercúrio usado em garimpos contamina rios, ameaça comunidades e expõe falhas na proteção ambiental

MPF denuncia à CIDH mineração ilegal — com uso de mercúrio — na Amazônia. Mercúrio usado em garimpos contamina rios, ameaça comunidades e expõe falhas na proteção ambiental.

O rio corre — mas já não tão cheio de vida, ele está doente. Em muitos pontos da Amazônia, a água perdeu a transparência antiga. O que antes era alimento, sustento e caminho virou também risco. Invisível, o mercúrio segue correnteza abaixo, silencioso — e persistente.

É nesse cenário que o Ministério Público Federal (MPF) levou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) uma denúncia formal contra os impactos da mineração ilegal. O documento, apresentado na semana passada, expõe prejuízos à saúde e ao meio ambiente causados pelo uso sistemático do metal pesado nos garimpos clandestinos.

A comissão internacional é vinculada à Organização dos Estados Americanos (OEA), o que amplia o alcance político da denúncia e coloca o tema sob observação internacional.

Um problema reiterado — e agravado

De acordo com reportagem da Agência Brasil, o estudo apresentado agora não surge isolado. Ele complementa uma exposição anterior feita pelo MPF, em março, à Relatoria Especial sobre Direitos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (Redesca), indicando que o problema já vinha sendo acompanhado em nível internacional.

O uso do mercúrio no garimpo ilegal segue um método simples — e devastador. A substância líquida se liga facilmente ao ouro, formando a chamada “amálgama”. Depois, essa mistura é aquecida: o mercúrio evapora, o ouro fica.

O que desaparece da vista não desaparece do ambiente.

O ciclo da contaminação

Ao evaporar, o mercúrio se dispersa no ar e retorna ao solo e aos rios. A contaminação se espalha pelos cursos d’água, atinge os peixes — base alimentar de indígenas e ribeirinhos — e entra diretamente na cadeia alimentar.

Os efeitos são conhecidos: danos neurológicos, prejuízos ao desenvolvimento infantil, comprometimento motor e cognitivo. Em áreas mais críticas, há registros de contaminação acima do recomendado por organismos internacionais de saúde.

Mas o impacto não se limita à toxicidade. O garimpo ilegal também provoca desmatamento acelerado, remoção intensa de solo e alteração dos leitos dos rios — uma transformação física da paisagem que permanece mesmo após a atividade cessar.

Um alerta que atravessa fronteiras

A própria Redesca já havia emitido alerta recente sobre o direito humano à água nas Américas, com foco especial no chamado Escudo das Guianas — região que inclui partes do Brasil e países vizinhos.

Isso reforça um ponto central: a contaminação não respeita fronteiras. Os rios amazônicos conectam territórios e espalham o problema para além do país.

Entre normas e limites

Em resposta à Agência Brasil, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) afirma que tem endurecido o controle sobre o mercúrio.

Uma das medidas foi a criação da Instrução Normativa nº 26/2024, que exige cadastro e rastreabilidade para quem opera com o metal. O objetivo é restringir o acesso ao produto importado legalmente e coibir seu desvio para atividades ilegais.

Ainda assim, há um limite evidente: a norma não tem força de lei.

Já os decretos federais nº 97.507/1989 e nº 97.634/1989 continuam em vigor e proíbem o uso de mercúrio na extração de ouro — salvo em atividades devidamente licenciadas.

O que está em jogo

A denúncia do MPF à CIDH não trata apenas de crime ambiental. Trata de um sistema que, segundo o próprio órgão, já se estrutura como economia paralela, com impactos diretos sobre direitos fundamentais.

No centro da questão, permanece algo essencial: água contaminada, alimento comprometido, comunidades expostas.

E uma floresta que, mesmo em silêncio, continua dando sinais de esgotamento. Porque na Amazônia, hoje, o ouro ainda brilha — mas o alto custo, humano e ambiental de sua exploração, já não pode mais ser ignorado.

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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Sexta é o novo sábado — e talvez o início de outra economia possível

Experiência com 41 empresas em Portugal reforça viabilidade da semana 4x3 e reforça ainda mais o debate no Brasil sobre o fim da escala 6x1

Sexta é o novo sábado — e talvez o início de outra economia possível. Experiência com 41 empresas em Portugal reforça viabilidade da semana 4x3 e reforça ainda mais o debate no Brasil sobre o fim da escala 6x1.


O tempo, às vezes, muda de lugar sem fazer barulho. Em Lisboa, entre vitrines abertas e cafés cheios numa sexta-feira que já não parece sexta, uma nova lógica começa a ganhar corpo — mais silenciosa que revolucionária, mas com potencial de mexer em tudo.

A ideia vem ganhando forma com o lançamento do livro Sexta-Feira é o Novo Sábado, do economista português Pedro Gomes, professor da Universidade de Londres. A obra reúne dados concretos de 41 empresas em Portugal que, por decisão própria, adotaram a jornada de quatro dias de trabalho e três de descanso — a chamada escala 4x3.

Não se trata de experimento marginal. São mais de mil trabalhadores envolvidos, em setores diversos, testando na prática algo que, até pouco tempo, parecia inviável.

E os números chamam atenção.

Mais da metade das empresas (52%) decidiu manter o novo modelo. Outras 23% optaram por uma versão adaptada da jornada reduzida. Apenas 19% voltaram ao padrão tradicional. Para mais de 90%, não houve aumento de custos — e 86% registraram crescimento de receita.

Há algo acontecendo aqui — e não é apenas uma reorganização de agenda.

Produtividade: menos tempo, mais entrega

Segundo disse à Agência Brasil, o argumento central de Gomes é direto: reduzir horas não significa produzir menos. Pelo contrário.

Historicamente, cada redução de jornada veio acompanhada de aumento na produtividade por hora. Empresas ajustam processos, eliminam desperdícios — reuniões mais curtas, fluxos mais eficientes — e conseguem manter ou até ampliar resultados.

É uma lógica que desafia o senso comum empresarial.

“Há muito alarmismo econômico. Em qualquer país, o discurso inicial é sempre o mesmo: não vai funcionar. Mas os dados mostram outra coisa.”

O efeito invisível: tempo livre também é economia

Talvez o ponto mais interessante não esteja dentro das empresas — mas fora delas.

Quando o trabalhador ganha tempo, ele não apenas descansa. Ele consome, circula, participa.

Gomes resgata um exemplo clássico: em 1926, o industrial Henry Ford reduziu a jornada para 40 horas semanais e ajudou a consolidar o fim de semana moderno. O resultado foi imediato: mais gente indo ao cinema, viajando, consumindo cultura. A indústria do entretenimento floresceu e se consolidou como potência econômica.

O mesmo fenômeno apareceu na China, nos anos 1990, quando a adoção do fim de semana de dois dias impulsionou o turismo interno.

A lógica é simples — e poderosa: trabalhadores também são consumidores.

E o Brasil?

O debate chega ao Brasil em um momento sensível. A jornada 6x1 ainda é realidade para milhões de trabalhadores, enquanto propostas de redução para 40 horas semanais avançam lentamente no Congresso.

Para Gomes, o país reúne condições claras para essa transição.

Há um fator adicional: o tempo perdido no deslocamento urbano. Em grandes cidades brasileiras, horas diárias são consumidas apenas no trajeto casa-trabalho. Reduzir a jornada, nesse contexto, não é só questão econômica — é também qualidade de vida.

  • Menos faltas ao trabalho
  • Menor rotatividade de funcionários
  • Maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal
  • Impacto positivo especialmente para mulheres
  • Mais tempo para viver

Todos esses fatores reduzem custos invisíveis para as empresas — aqueles que raramente entram na planilha, mas pesam no dia a dia.

O medo da mudança — e o atraso

Mesmo com evidências, a resistência persiste.

Empresas tendem a reagir apenas após mudanças legais. Antes disso, prevalece a cautela — ou a inércia.

É um padrão histórico. A jornada de 40 horas, hoje considerada padrão, também foi vista como radical no passado.

PIB: o argumento que perde força

Um dos principais temores no Brasil é o impacto no crescimento econômico. Mas os dados analisados por Gomes — 250 casos de redução de jornada desde 1910 — indicam o contrário.

Nos cinco anos anteriores às mudanças, o crescimento médio do PIB foi de 3,2%. Após a redução, subiu para 3,9%. Ou seja: trabalhar menos horas não travou a economia. Em muitos casos, ajudou a impulsioná-la.

Sexta-feira mudou — e isso talvez seja só o começo. Leia o livro de Pedro Gomes.

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Metalúrgicos da Grande Curitiba se preparam para a 27ª Metalfest, com sorteio de carro e clima de reencontro

Evento tradicional do SMC acontece no dia 3 de maio, em São José dos Pinhais, e reúne famílias, lazer e organização coletiva em um só espaço

Metalúrgicos da Grande Curitiba se preparam para a 27ª Metalfest, com sorteio de carro e clima de reencontro. Evento tradicional do SMC acontece no dia 3 de maio, em São José dos Pinhais, e reúne famílias, lazer e organização coletiva em um só espaço.

O som de risadas misturado ao cheiro de comida boa no ar. Crianças correndo, reencontros acontecendo sem pressa e aquele sentimento raro de pausa no meio da rotina pesada. É nesse clima que a família metalúrgica da Região Metropolitana de Curitiba se prepara para mais um capítulo de uma tradição que atravessa gerações.

No próximo domingo, 3 de maio, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) realiza a 27ª edição da Metalfest, no Metal Clube de Campo, em São José dos Pinhais. Um evento que vai além da festa — é, na prática, um espaço de convivência, identidade e fortalecimento coletivo.

O vice-presidente do sindicato, Nelsão da Força, reforça o convite às famílias, ao lado da companheira Fernanda Queiroz e de toda a família: a ideia é simples, mas potente — reunir trabalhadores e seus familiares para um dia de descanso, alegria e conexão.

A programação mantém o que já virou marca registrada. Música ao longo do dia, praça de alimentação com food trucks, atividades para as crianças — incluindo pipoca, algodão doce e cachorro-quente gratuitos — e, claro, o momento mais aguardado: o sorteio de um carro zero quilômetro.

Mas há regras. Cada associado titular tem direito a um cupom, liberado mediante inscrição prévia e check-in no evento. E, como manda a tradição, é preciso estar presente na hora do sorteio, com documento em mãos. Caso contrário, o prêmio volta para a urna.

O presidente do SMC, Sérgio Butka, resume o espírito da festa com uma frase que carrega memória e propósito: desde 1994, a Metalfest funciona como um ponto de respiro. Um momento em que o trabalhador não apenas descansa, mas se reconhece no coletivo, encontra colegas de outras fábricas e recarrega as energias para as lutas do cotidiano.

Neste ano, a organização adiciona um incentivo extra. Os primeiros dois mil associados titulares que fizerem inscrição e check-in até o meio-dia recebem crédito alimentação no SMC Card. Na prática, isso significa autonomia para circular pelos espaços da festa escolhendo o que consumir — de refeições completas a bebidas e doces.

O uso é simples: pode ser feito tanto com o cartão físico quanto pelo celular, via sistema SMC Pay. Tudo pensado para reduzir filas e facilitar a experiência.

As inscrições seguem abertas até o dia 2 de maio, pelo portal oficial da Metalfest. A recomendação é não deixar para a última hora.

No fim das contas, a Metalfest não é só sobre o carro sorteado ou a estrutura montada. É sobre algo menos visível — e talvez mais essencial: o direito ao encontro. Um domingo em que o trabalho dá lugar à convivência. E onde, por algumas horas, o coletivo fala mais alto que a rotina.

SERVIÇO

27ª METALFEST

📅 Data: 3 de maio de 2026 (domingo)

🕙 Horário: a partir das 10h

📍 Local: Metal Clube de Campo do SMC

Rua Antônio Singer, nº 2304 — São José dos Pinhais (PR)

Inscrições 1° de maio: www.forcapr.com.br

Inscrições METALFESTsimec.com.br/metalfest

📍📍Convide a família e os amigos e participe! 

Brasil reduz em 42% perdas florestais em 2025 — e ajuda a frear devastação global

Queda histórica reposiciona o país no debate climático, mas desafio até 2030 segue longe do ideal

Brasil reduz em 42% perdas florestais em 2025 — e ajuda a frear devastação global. Queda histórica reposiciona o país no debate climático, mas desafio até 2030 segue longe do ideal

O verde respira um pouco mais aliviado — e o mundo sente. Em meio a um cenário global ainda pressionado pela necessidade de expansão do agronegócio e pelos incêndios florestais, o Brasil registrou em 2025 uma queda significativa nas perdas florestais. O dado, divulgado nesta terça-feira (29) pela Agência Brasil, aponta uma redução de 42% na perda de cobertura arbórea em florestas tropicais úmidas em comparação com 2024.

Na prática, isso significa que o país perdeu cerca de 1,6 milhão de hectares no período — ainda um número alto, mas consideravelmente menor que o do ano anterior. E não se trata apenas de estatística doméstica: o impacto dessa redução ajudou a puxar para baixo o resultado global.

O levantamento é do Global Forest Watch, iniciativa do World Resources Institute (WRI), com base em dados do laboratório Glad, da Universidade de Maryland. Segundo a codiretora do projeto, Elizabeth Goldman, o Brasil atingiu o menor nível de perdas não associadas a incêndios desde o início da série histórica, em 2001.

Esse recuo foi puxado principalmente pela redução do desmatamento direto — aquele sem uso do fogo —, que inclui corte raso, degradação florestal e outros fatores naturais. Só nesse tipo de perda, a queda foi de 41% em relação ao ano anterior.

Há um padrão territorial nesse movimento. Estados como Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre e Roraima concentraram mais de 40% dessa redução. Na contramão, o Maranhão foi o único a registrar aumento nas perdas.

Os dados dialogam com os números do sistema oficial brasileiro, o Prodes, ainda que utilizem metodologias diferentes. Enquanto o monitoramento nacional foca no desmatamento, o Global Forest Watch amplia o olhar e inclui outras formas de degradação da cobertura vegetal.

Para especialistas, o resultado não surgiu por acaso. Há uma combinação de fatores em jogo: políticas públicas mais ativas, fiscalização, participação da sociedade civil e iniciativas econômicas voltadas à preservação. Entre elas, o estímulo à produção em áreas já desmatadas, a criação de mecanismos como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e incentivos para serviços ambientais.

O Brasil, nesse cenário, volta a ocupar uma posição estratégica — não apenas como parte do problema, mas também como peça central na solução. Afinal, está no cruzamento entre produção de alimentos, energia e estabilidade climática.

No plano global, os números também mostram melhora. Em 2025, o mundo perdeu cerca de 4,3 milhões de hectares de florestas tropicais úmidas — uma redução de 35% em relação ao ano anterior, quando o desmatamento atingiu níveis recordes.

Mas o alívio é parcial. As perdas causadas por incêndios seguem elevadas, figurando como a terceira maior da série histórica desde 2001. Nos últimos três anos, o fogo tem devastado florestas em um ritmo duas vezes maior que há duas décadas.

Outro ponto de atenção é que, apesar da queda, o planeta ainda está longe da meta firmada por mais de 140 países: zerar ou reverter a perda florestal até 2030. Segundo o WRI, o ritmo atual ainda está cerca de 70% acima do necessário.

Há, portanto, uma ambiguidade inevitável nos números. O avanço é real, consistente e relevante — especialmente no caso brasileiro. Mas o tempo climático não opera com folga.

Em outras palavras: a direção parece correta. A velocidade, nem tanto.

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Governo libera R$ 330 milhões para conter alta do gás de cozinha em meio à crise internacional

Medida provisória subsidia importação de GLP para evitar repasse imediato ao consumidor diante dos efeitos da guerra no Oriente Médio

Governo libera R$ 330 milhões para conter alta do gás de cozinha em meio à crise internacional. Medida provisória subsidia importação de GLP para evitar repasse imediato ao consumidor diante dos efeitos da guerra no Oriente Médio.

O fogo baixo na cozinha, às vezes, diz mais sobre o mundo do que os noticiários. Nos últimos dias, o preço do gás de cozinha voltou a entrar no radar — não por decisão local, mas como reflexo direto de um cenário internacional em ebulição.

Diante desse movimento, o governo federal decidiu agir. Uma medida provisória publicada nesta terça-feira (28) abriu um crédito extraordinário de R$ 330 milhões para subsidiar a importação de gás liquefeito de petróleo (GLP), numa tentativa de conter a alta e evitar que o impacto chegue com força ao consumidor.

A lógica é direta: o governo passa a cobrir parte do custo do gás importado para que ele seja vendido no país pelo mesmo preço do produto nacional. Sem essa compensação, a diferença seria repassada quase integralmente ao consumidor final — e o botijão, que já pesa no orçamento, ficaria ainda mais caro.

A iniciativa faz parte de um pacote anunciado no início de abril, quando a escalada da guerra no Oriente Médio pressionou o mercado internacional de petróleo. Como efeito em cadeia, subiram os custos do transporte e dos derivados, incluindo o gás de cozinha.

Hoje, cerca de 20% do GLP consumido no Brasil vem do exterior. Esse dado ajuda a explicar por que o país não passa ileso por oscilações externas. Quando o preço internacional sobe, a conta inevitavelmente chega aqui.

Para reduzir esse impacto, o governo estabeleceu um subsídio de R$ 850 por tonelada de gás importado. Na prática, trata-se de uma compensação para que distribuidoras não precisem repassar toda a alta ao consumidor. O foco, segundo o Palácio do Planalto, é proteger especialmente as famílias de baixa renda, mais vulneráveis a esse tipo de aumento.

A medida vale, inicialmente, entre 1º de abril e 31 de maio, com possibilidade de prorrogação por até dois meses, dependendo do comportamento do mercado internacional.

Do ponto de vista fiscal, o crédito extraordinário fica fora do limite de gastos do arcabouço, mas entra na conta da meta de resultado primário. Para este ano, a Lei de Diretrizes Orçamentárias prevê superávit de R$ 34,3 bilhões, com margem de variação.

É uma intervenção pontual, mas que revela o tipo de pressão que crises externas exercem sobre o cotidiano. No caso do gás, o impacto é imediato: afeta o preparo dos alimentos, reorganiza despesas e, em muitos casos, força escolhas difíceis dentro de casa.

Ao tentar segurar o preço do botijão, o governo busca conter não apenas uma alta específica, mas um efeito em cadeia que rapidamente se espalha pelo custo de vida. Em um cenário ainda instável, a medida funciona como contenção — um esforço para que o que acontece fora do país não se traduza, de forma automática, em mais peso no bolso do consumidor.

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terça-feira, 28 de abril de 2026

Deputado Arilson destaca suspensão de multas do free flow pelo Governo Lula e aponta falhas no pedágio no Paraná

Líder da Oposição na Alep afirma que medida corrige injustiça contra motoristas e cobra ação da ANTT diante de falhas no modelo de cobrança

28/04/26 - via Assessoria de Imprensa do deputado*

Deputado Arilson Chiorato, Líder da Oposição na Assembleia do Paraná e presidente do PT-PR
Foto: Valdir Amaral/Alep

A suspensão de 3,4 milhões de multas do pedágio free flow, anunciada pelo Governo Lula (PT), foi destacada nesta terça-feira (28) pelo deputado Arilson Chiorato, Líder da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e presidente do PT-PR. De acordo com o deputado Arilson, a medida corrige distorções que penalizavam motoristas e expõe problemas na forma como o sistema vem sendo aplicado nas rodovias do estado.

O parlamentar participou de mobilização em Brasília no início de abril, ao lado da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) e do deputado estadual Luiz Claudio Romanelli (PSD), para denunciar falhas no modelo e pedir a suspensão das multas aplicadas no sistema.

"O free flow é um tipo de pedágio sem cancela, em que o motorista deveria pagar pelo quanto usa a estrada. Usou pouco, paga menos; usou mais, paga mais", explicou Arilson.

Para isso, o modelo prevê a instalação de vários pórticos eletrônicos ao longo da rodovia, que registram o trecho percorrido. No Paraná, porém, o que ocorre é diferente, segundo o deputado Arilson: as praças físicas estão sendo substituídas por cobrança eletrônica com tarifa cheia, independentemente da distância, o que gera confusão, multas e ainda reduz postos de trabalho.

Durante a sessão plenária, o Líder da Oposição afirmou que a decisão do Governo Federal responde a um problema concreto enfrentado pelos usuários nas rodovias. A medida reconhece que o modelo atual gerou confusão e, segundo o deputado Arilson, penalizou motoristas sem informação clara sobre cobrança, prazos e formas de pagamento.

“O que aconteceu foi uma punição em massa. O motorista não tinha informação clara e acabou multado. Essa decisão corrige uma injustiça”, afirmou.

A medida, anunciada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) nesta terça-feira, garante prazo de até 200 dias para regularização das tarifas sem multa e sem pontos na Carteira Nacional de Habilitação. Também suspende novas penalidades durante esse período e determina prazo para que as concessionárias ajustem seus sistemas e ampliem o acesso às informações.

O deputado Arilson voltou a criticar o modelo aplicado no Paraná e cobrou atuação mais rigorosa da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Para o parlamentar, além de a forma de cobrança adotada não seguir o conceito de pedágio proporcional previsto no free flow, há impactos na prestação de serviços. 

“Você diminui o atendimento, reduz postos de trabalho e continua cobrando tarifa cheia”, afirmou.

Contrato não foi cumprido

O deputado Arilson afirmou que o modelo atual não respeita o contrato de concessão. As regras previam etapas antes da implantação do sistema proporcional, incluindo estudos técnicos sobre o fluxo de veículos em toda a malha rodoviária, conforme o Líder da Oposição.

“Não tem autorização para fazer o que estão fazendo hoje. O contrato previa estudo antes da implementação”, disse.

De acordo com o contrato, as concessionárias teriam até três anos para realizar estudos e apresentar os dados à ANTT, seguidos de mais dois anos para definição do modelo de cobrança proporcional. Para o deputado Arilson, esse processo não foi cumprido.

Projeto propõe isenção para moradores

O debate sobre o pedágio no Paraná também envolve um projeto de lei apresentado pelo deputado Arilson em 2019. O PL 778/2019 prevê isenção de pedágio para moradores de municípios com praças instaladas ou em regiões próximas. A proposta busca evitar que moradores paguem para circular dentro da própria cidade.

O texto estabelece critérios como comprovação de residência ou vínculo de trabalho e registro do veículo na região. A proposta já passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas ainda aguarda votação em Plenário.

Segundo o deputado Arilson, a suspensão das multas é um avanço, mas não resolve o problema de fundo. Ele defendeu que medidas como a isenção para moradores, prevista em seu projeto, ajudam a corrigir distorções e reduzir o impacto do pedágio para quem usa a rodovia no dia a dia.

Assessoria de Imprensa do deputado Arilson Chiorato - Reprodução 

Ponte de Guaratuba tem inauguração transferida e ganha aura de bons presságios às vésperas da abertura

Com previsão de mau tempo, cerimônia passa para o feriado de 1º de Maio e obra começa a ser cercada por rituais, crenças e gestos de esperança no litoral

Ponte de Guaratuba tem inauguração transferida e ganha aura de bons presságios às vésperas da abertura. Com previsão de mau tempo, cerimônia passa para 1º de Maio e obra começa a ser cercada por rituais, crenças e gestos de esperança no litoral.

O céu virou pauta antes mesmo da inauguração. A Ponte de Guaratuba, que atravessa a baía entre expectativa e concreto, teve sua cerimônia oficial transferida para o dia 1º de maio, às 16h, depois que a previsão do tempo indicou chuva intensa, ventos fortes e descargas elétricas no litoral paranaense nesta semana.

A decisão do Governo do Estado reposiciona o momento simbólico da entrega — não mais sob ameaça de tempestade, mas sob a promessa de um feriado com presença de público e clima de celebração. A cerimônia será realizada na cabeceira da ponte, no lado de Guaratuba.

Entre o concreto e o presságio

No feriado de Tiradentes, com a estrutura praticamente pronta ao fundo, o influenciador espiritualista Chik Jeitoso voltou à cena com um novo vídeo — simples, direto e carregado de significado para seus seguidores.

Na gravação, ele antecipa o momento da inauguração e propõe um ritual simbólico, uma simpatia, para quem fizer a primeira travessia:

Dia 1º inaugura a ponte… e o nome é sugestivo, Ponte da Vitória. Diz a lenda que quando você passar pela primeira vez em cima de uma ponte, em cima de água salgada, você faz três pedidos… ponte nova, energia nova…

O convite segue com um gesto de retorno:

Dando tudo certo, você entrega três cestas básicas… porque é impressionante a energia… mas faça o pedido com muita fé… Ponte da Vitória, é a tua vitória.

A fala ecoa um sentimento místico, que mistura expectativa, fé e a longa espera por uma ligação definitiva, por terra, entre Caiobá e Guaratuba.

Pontes, sorte e histórias antigas

A ideia de que pontes carregam energia simbólica não é nova. Ao redor do mundo, essas estruturas acumulam rituais, promessas e, através dos séculos, alimentam a crença popular.

  • Na Ponte Carlos, em Praga, visitantes tocam estátuas em busca de sorte e do retorno à cidade. Na Ponte da Misarela, em Portugal, tradições ligam o local a rituais de fertilidade cercados por lendas antigas.

  • Na Itália, a Ponte della Maddalena carrega histórias de pactos sobrenaturais, enquanto a Ponte dos Suspiros, em Veneza, foi ressignificada pelo romantismo — casais que passam por ali acreditam selar amor duradouro.

  • Há ainda a simbólica Ponte do Arco-Íris, presente em narrativas espirituais como um lugar de reencontro e passagem.

Rituais que atravessam o Brasil

No Brasil, a tradição ganhou novos contornos. Pontes e espaços urbanos passaram a receber cadeados como símbolo de amor e permanência.

Locais como a Ponte do Amor Eterno, em São Roque, o Deck do Amor, em Holambra, e a Fonte do Amor Eterno, em Gramado, mostram como o gesto se incorporou ao cotidiano.

A lógica é simples e persistente: atravessar, desejar, marcar presença e esperar no universo conspirando ao seu favor.

Guaratuba entra nesse mapa invisível

Ainda não inaugurada oficialmente, a Ponte de Guaratuba já começou a ser vivida de outra forma. Pessoas param para observar, fotografar, comentar.

O vídeo de Chik Jeitoso, além de ajudar a criar essa atmosfera — também dá voz a ela.

Com 1.240 metros de extensão, quatro faixas de tráfego, ciclovia e passagem para pedestres, a ponte foi projetada para reduzir a travessia entre Guaratuba e Matinhos para cerca de dois minutos, substituindo o ferry boat.

Mas, antes mesmo de cumprir essa função, já passa a ocupar um espaço simbólico no imaginário local.

Como será a inauguração

O evento do dia 1º será dividido em dois momentos. O primeiro, um cerimonial oficial, restrito a autoridades, acontece na cabeceira da ponte em Guaratuba.

Na sequência, haverá o hasteamento da bandeira do Paraná próximo ao trecho estaiado, seguido de um espetáculo com fogos, drones e iluminação.

A população poderá acessar a ponte apenas após o show. Até lá, haverá bloqueios nas proximidades das cabeceiras, com orientação das forças de segurança e do DER-PR.

Os melhores pontos de visualização serão as regiões de Caieiras e da Prainha, que contarão com estrutura, telões e arquibancadas.

O ferry boat seguirá operando normalmente durante todo o período e o movimento promete ser grande. Quem deixar para descer de última hora vai poder curtir o momento. Talvez a gente veja a última fila de travessia, de carro por barcaça, da história da Bahia de Guaratuba.

Entre fé, tempo e travessia

Pontes sempre foram mais do que caminhos. São lugares de passagem — e, por isso mesmo, carregam significado. Quem atravessa, deixa algo de um lado e encontra algo do outro.

No caso de Guaratuba, essa travessia vem carregada de décadas de espera. Agora, com nova data marcada e um céu ainda em observação, a inauguração se aproxima não só como evento público — mas como um momento que mistura concreto, expectativa e, para muitos, um gesto silencioso de fé.

Ponte de Guaratuba tem inauguração adiada por causa do tempo

Cerimônia passa do dia 29 de abril para 1º de maio, no feriado do trabalhador

Ponte de Guaratuba tem inauguração adiada por causa do tempo. Cerimônia passa do dia 29 de abril para 1º de maio, no feriado do trabalhador.

O céu do litoral paranaense mudou os planos — e, desta vez, falou mais alto que qualquer agenda oficial. O Governo do Paraná decidiu adiar a inauguração da aguardada ponte de Guaratuba, que aconteceria nesta terça-feira (29), para a próxima sexta-feira, 1º de maio, às 16h.

A razão é direta: a previsão indica chuva forte, ventos intensos e risco de raios entre os dias 29 e 30. Em um evento ao ar livre, com expectativa de grande público, a escolha foi pela cautela.

Com a mudança, a inauguração agora coincide com o feriado do Dia do Trabalhador — o que deve atrair ainda mais gente para acompanhar de perto um dos projetos mais aguardados do litoral do estado.

A programação inclui cerimônia oficial, show com drones, iluminação especial e queima de fogos. A liberação para o tráfego de veículos ocorre somente após o encerramento do evento.

E no meio de tanta expectativa, nem o nome escapou da criatividade popular. O governador chamou de Ponte da Vitória, o bruxo Chik Jeitoso cravou como Ponte da Sorte… mas o povo, com aquela objetividade que não falha, resolveu antes mesmo da primeira viga: é — e sempre foi — a Ponte de Guaratuba.

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Da roça ao chão de fábrica: Nelsão da Força reforça alerta sobre saúde no trabalho

Vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Nelsão da Força destaca riscos psicossociais, defende ambientes mais humanos e critica jornada exaustiva no Brasil

 
Da roça ao chão de fábrica: Nelsão da Força reforça alerta sobre saúde no trabalho. Vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Nelsão da Força destaca riscos psicossociais, defende ambientes mais humanos e critica jornada exaustiva no Brasil.

O caminho do Nelsão da Força não cabe em linha reta. Ele começa na terra vermelha do norte do Paraná, atravessa décadas de trabalho duro e desemboca, hoje, na linha de frente da luta sindical em Curitiba e região metropolitana.

Nelson Silva de Souza começou cedo — cedo mesmo. Aos três anos, já ajudava os pais na roça, limpando pé de café, carpindo e empilhando madeira. Uma infância moldada pelo esforço antes mesmo de entender o que aquilo significava.

Quando veio morar em Curitiba, por volta de 1974, a rotina mudou totalmente de cenário, mas não em potência de luta. Vendeu picolé, sorvete, trabalhou em floricultura e colheu verduras. Uma trajetória comum a tantos trabalhadores, em sua maioria invisíveis, que sustentam a cidade antes de serem reconhecidos por ela.

Em 1980, vem o primeiro registro em carteira. Dentro da Volvo, mas ainda pelo início modesto, humilde: terceirizado da limpeza, passando pelas empresas Huria, Alfa e Metropolitana até 1984.

Depois, uma pausa brusca. Serviço militar no Rio de Janeiro. Torna-se paraquedista do Exército, acumulando 13 saltos a partir de aeronaves como Búfalo, Hércules e Bandeirante.

Em 1985, retorna à vida civil e à Volvo — agora no almoxarifado. E dali não sai mais. É ali que constrói sua estabilidade e fortalece sua atuação dentro do chão de fábrica.

O salto seguinte não vem do avião, mas da organização coletiva. Em 1996, Nelsão foi eleito vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), cargo que ocupa até hoje, atravessando diferentes fases da indústria e das relações de trabalho no país.

Saúde no trabalho: um alerta que vai além dos acidentes

No Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, celebrado em 28 de abril, o recado reforçado pelo sindicato é direto: o risco no trabalho não é apenas físico — ele também é mental.

Os números ajudam a dimensionar o cenário:

  • Cerca de 546 mil afastamentos por problemas de saúde mental em 2025
  • Mais de 1,6 mil mortes por acidentes de trabalho apenas no primeiro semestre
  • Mais de 540 mil ações trabalhistas envolvendo segurança e saúde

Mas o problema vai além das estatísticas. A forma como o trabalho é organizado — carga excessiva, jornadas longas, pressão constante — tem impacto direto na saúde dos trabalhadores.

Quando essas condições são inadequadas, surgem os chamados riscos psicossociais: estresse, assédio e esgotamento.

Relação jornada de trabalho x qualidade de vida

Dentro desse contexto, o sindicato também chama atenção para a necessidade de rever o modelo de jornada no Brasil, especialmente pelo fim imediato da escala 6x1, infelizmente ainda amplamente praticada.

A discussão já avança na Câmara dos Deputados, dividindo opiniões entre pressão social e resistência de setores econômicos. Entretanto segue firme, com forte apoio popular. Independente de ideologia ou candidato: o trabalhador cansou de viver para trabalhar e quer um dia a mais para viver.

Para o movimento sindical, reduzir a jornada não é apenas uma pauta trabalhista, mas uma questão direta de saúde pública e qualidade de vida. Uma decisão muito importante que vai trazer aos trabalhadores além de um dia de descanso, mais um dia para cuidar da saúde, educação, cultura, família, cuidar de viver mais e melhor.

Memória e mobilização

A data do 28 de abril também é um dia de memória — pelas vítimas de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. Segundo informa o SMC, como parte das ações, o Fórum Nacional das Centrais Sindicais promove uma live especial reunindo trabalhadores e especialistas.

A escolha simbólica de um trecho da música Cotidiano, de Chico Buarque — “Todo dia eu só penso em poder parar” — resume o sentimento de muitos trabalhadores diante da rotina exaustiva.

Uma voz que vem do chão de fábrica

Quando Nelsão da Força fala, não é um discurso distante. É alguém que viveu cada etapa do trabalho no Brasil — da roça à indústria, da terceirização à liderança sindical.

O recado que ele transmite é direto: ambiente saudável não é luxo, descanso não é privilégio e saúde mental não pode continuar sendo tratada como detalhe. A luta, como ele reforça, segue sendo coletiva — e ainda está longe de terminar.

Greca diz que não tem cara de vice e que vai ganhar às eleições

Com crescimento orgânico e rejeição a papel secundário, ex-prefeito endurece discurso enquanto Moro lidera e oposição busca unidade

Greca diz que não tem cara de vice e que vai ganhar às eleições. Com crescimento orgânico e rejeição a papel secundário, ex-prefeito endurece discurso enquanto Moro lidera e oposição busca unidade.

O jogo político do Paraná começa a ganhar contornos mais nítidos — e, ao mesmo tempo, mais tensos, com palavras mais incisivas. E, no caso a frase veio seca, direta, sem rodeios. Em entrevista a uma rádio paranaense, Rafael Greca tratou de fechar uma porta que, até pouco tempo, permanecia entreaberta:

Gosto de tirar primeiro lugar e gosto de ganhar no primeiro turno. E não vou ser vice de ninguém, porque olhe bem pra mim, acha que eu tenho cara de vice?

A declaração não surge no vazio. Ela dialoga diretamente com o novo momento da corrida ao Palácio Iguaçu.

Um novo desenho eleitoral

A pesquisa mais recente da Quaest, divulgada ontem, dia 27 de abril, e repercutida ao longo das últimas horas, mostra Sérgio Moro na liderança com 35% das intenções de voto no primeiro turno.

Na sequência, aparece Requião Filho com 18%, enquanto Greca registra 15% — tecnicamente empatados dentro da margem de erro.

Mais atrás, Sandro Alex surge com apenas 5%, número que chama atenção sobretudo quando contrastado com a aprovação do governo Ratinho Junior, que ultrapassa os 80%.

O dado mais sensível, no entanto, está no segundo turno: Moro venceria todos os adversários testados — inclusive Greca e Requião Filho. É esse conjunto de números que reposiciona o jogo.

O fim da hipótese de vice

Até poucas semanas atrás, nos bastidores, Greca era frequentemente citado como um nome viável para compor como vice em uma chapa competitiva — especialmente por seu capital político em Curitiba e perfil de centro.

Agora, o cenário muda. O crescimento considerado “orgânico” — sem campanha estruturada, sem máquina estadual e sem polarização direta — alterou o cálculo estratégico.

Dentro dessa lógica, especialistas ouvidos pelo Sulpost apontam uma inversão de papéis: se antes Greca poderia ser vice, hoje passa a ser um forte cabeça de chapa em torno do qual alianças progressistas deveriam se formar. Ou, no mínimo, alguém que não aceita mais posição secundária dialogar para compor chapa com o emedebista.

A fragmentação favorece Moro

Enquanto Greca endurece o discurso, a liderança de Moro se sustenta justamente na fragmentação do campo adversário.

Os números indicam um padrão claro: há um bloco consistente que garante ao senador a dianteira, enquanto os demais nomes disputam o mesmo espaço político — sobretudo o eleitorado de centro e centro-esquerda.

Nesse ambiente, a divisão custa caro. Simulações mostram que, mesmo quando o segundo colocado muda, o resultado final permanece: Moro vence todos no segundo turno.

Polarização real ou ilusória?

O cenário também expõe uma dinâmica mais profunda. A narrativa dominante sugere um país polarizado entre extremos. Mas, na prática, os dados eleitorais indicam algo mais complexo: dois polos duros, com cerca de 30% cada, e um campo intermediário — o centro — que representa a maior fatia, mas segue disperso.

No Paraná, essa lógica se reproduz. Greca, filiado ao MDB, tenta justamente ocupar esse espaço — um eleitorado menos ideológico, mais pragmático, mas historicamente difícil de unificar.

O que está em jogo

A fala de Greca não é apenas retórica. Ela é um movimento. Ao rejeitar publicamente a posição de vice, ele sinaliza força para negociações futuras, tenta atrair apoios que hoje orbitam outros nomes e, sobretudo, se posiciona como alternativa viável ao favoritismo de Moro.

Mas há um ponto incontornável: vencer o atual líder exige convergência. Sem isso, o cenário tende a se repetir — com um primeiro turno fragmentado e um segundo turno previsível.

Eleição que começa a ganhar forma

Ainda é cedo. As candidaturas não estão formalizadas, alianças seguem em aberto e o eleitorado pode oscilar. Mas uma coisa já ficou clara nesta virada de abril: Rafael Greca decidiu jogar para ganhar — e não para compor.

Resta saber quem, diante disso, estará disposto a recuar para viabilizar um projeto maior. Porque, neste momento, no Paraná, a matemática eleitoral é simples — e implacável: dividido, o campo adversário perde. Unido, pelo menos, disputa.

O bolsonarismo está apostando todas as suas fichas, e todo o seu capital político na eleição do senador Sérgio Moro para o governo do estado. E no Paraná, Bolsonaro parece ser mais forte, e mais popular que o próprio governador Ratinho Junior.

Lastimável, pois Bolsonaro nada tem a ver com o paranismo, com os ideais e projetos para a nossa terra, na verdade o bolsonarismo parece saber muito pouco do nosso Estado. Já Greca, é discípulo de Jaime Lerner, Requião Filho herdeiro do legado do pai e Sandro Alex candidato do governador. O Paraná precisa tomar cuidado, não pode perder a identidade.

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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Fila, espera e respiro: o retrato da saúde pública em Curitiba em 2026

Entre avanços silenciosos e gargalos persistentes, o SUS na capital paranaense mostra sinais de recuperação — mas ainda cobra tempo de quem não pode esperar

Fila, espera e respiro: o retrato da saúde pública em Curitiba em 2026. Entre avanços silenciosos e gargalos persistentes, o SUS na capital paranaense mostra sinais de recuperação — mas ainda cobra tempo de quem não pode esperar.

O dia começa cedo, antes do sol firmar presença. Na porta da unidade, a fila já se desenha — discreta, mas constante. Gente que chega com exame em mãos, receita vencendo, dor que não dá mais para adiar. Foi assim também hoje. Um dia inteiro dedicado à saúde, como tem sido boa parte de 2026.

Há um tipo de cansaço que não aparece nos números oficiais. Ele está no intervalo entre marcar uma consulta e finalmente ser atendido. Dois meses de espera, neste caso. Não é pouco — mas, comparando com o que já foi, também não é mais o pior cenário.

A sensação, ainda que cautelosa, é de que algo começa a se reorganizar no sistema público de saúde de Curitiba.

Entre a rotina e o limite físico

Na UBS Ouvidor Pardinho, a cena chama atenção: fila para entrar e outra para cadastro. Um fluxo contínuo, quase silencioso, de pessoas tentando acessar o básico. O espaço, no entanto, impõe um limite concreto — o prédio é tombado como patrimônio histórico e não pode ser ampliado.

Há improvisos. A farmácia foi deslocada para o outro lado da rua, um “puxadinho” necessário para dar conta da demanda. Mas não resolve o essencial: falta espaço, faltam profissionais, falta fôlego estrutural.

Ainda assim, o atendimento anda.

Renovar receitas tem sido relativamente simples. O problema aparece quando o caminho exige algo a mais — exames novos, encaminhamentos, especialidades. Aí o tempo volta a pesar.

E tempo, em saúde, não é detalhe técnico. É variável crítica.

Um sistema que já esteve pior

Apesar das dificuldades cotidianas, os indicadores mais recentes ajudam a entender por que o sistema não parece colapsado como em outros momentos.

O principal exemplo vem da dengue.

Curitiba registrou uma queda expressiva de 94% nos casos em 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 62 casos entre janeiro e meados de abril, contra 999 em 2025. Em relação a 2024, a redução chega a 99%.

A diferença não é marginal — ela muda completamente a pressão sobre o sistema.

Menos casos significam menos internações, menos sobrecarga nas unidades básicas, menos gargalo nos hospitais. O reflexo é direto no atendimento de outras demandas, como consultas clínicas e exames.

Essa redução também aparece nos focos do mosquito transmissor: de mais de 1.600 registros no período anterior para cerca de 500 neste ano.

A prefeitura atribui o resultado a um conjunto de ações contínuas: mutirões de limpeza, fiscalização de terrenos, uso de tecnologia para notificação de casos e a aplicação de métodos biológicos no controle do mosquito.

Há também ampliação da vacinação contra a dengue em grupos estratégicos, incluindo profissionais da linha de frente.

O que os números não mostram — mas o cotidiano revela

Na prática, o sistema parece operar em uma zona intermediária: longe do colapso, mas ainda distante do ideal.

Casos de síndrome respiratória grave seguem sob controle, o que ajuda a manter o fluxo dentro de uma normalidade possível. Não há sensação de “afogamento” nas unidades, como em picos recentes de crises sanitárias.

Mas a pressão estrutural permanece visível.

A fila na porta da UBS não é exceção — é sintoma.

O aumento de pessoas buscando cadastro indica algo maior: mais gente dependente do SUS, mais demanda concentrada em unidades que não cresceram no mesmo ritmo.

E isso cria um paradoxo silencioso: o sistema melhora nos indicadores gerais, mas ainda exige paciência individual de quem está ali, esperando.

Entre o avanço e a urgência

O SUS em Curitiba, neste início de 2026, parece ter reencontrado algum grau de estabilidade. Há sinais claros de avanço, especialmente no controle de epidemias e na organização do fluxo básico de atendimento.

Mas estabilidade não é sinônimo de conforto.

Para quem está na ponta — no banco da recepção, na fila do cadastro, na espera por um exame — a experiência ainda é de travessia. Menos turbulenta do que antes, talvez. Mas longe de tranquila.

E é nesse espaço, entre o dado positivo e a vivência real, que a saúde pública continua sendo testada todos os dias.

Porque, no fim, o sistema pode até estar respirando melhor.

Mas quem depende dele ainda conta o tempo.

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domingo, 26 de abril de 2026

A “bateria de carvão” que pode reescrever o futuro da energia

Nova tecnologia chinesa elimina a queima do carvão e captura o CO₂ no próprio processo — promessa ainda distante, mas com potencial disruptivo

 
A “bateria de carvão” que pode reescrever o futuro da energia. Nova tecnologia chinesa elimina a queima do carvão e captura o CO₂ no próprio processo — promessa ainda distante, mas com potencial disruptivo

O carvão sempre teve cheiro de passado. De fumaça, de fuligem, de chaminés pesadas contra o céu. Mas, em laboratórios na China, ele começa a ganhar outro significado — silencioso, quase paradoxal.

Pesquisadores chineses anunciaram nesta semana o desenvolvimento da primeira célula de combustível de carvão com emissão zero de carbono. A proposta desafia uma das certezas mais arraigadas da matriz energética global: a de que carvão e poluição são inseparáveis.

O sistema, chamado de Direct Coal Fuel Cell (ZC-DCFC), abandona completamente a lógica da combustão. Nada de fogo, nada de vapor, nada de turbinas girando. Em vez disso, o carvão é reduzido a um pó fino, tratado e inserido em uma célula eletroquímica — uma espécie de bateria avançada.

Dentro desse ambiente controlado, ocorre a oxidação eletroquímica do material. É ali que a energia é liberada diretamente em forma de eletricidade, com eficiência potencialmente superior às usinas térmicas tradicionais.

O detalhe que chama atenção — e sustenta o discurso de “emissão zero” — está no destino do dióxido de carbono gerado. Em vez de escapar para a atmosfera, ele é capturado no próprio sistema e reaproveitado. Pode virar gás de síntese ou até compostos como bicarbonato de sódio.

É um ciclo fechado. Ou, pelo menos, essa é a promessa.

Uma virada conceitual

O que está em jogo aqui não é apenas eficiência energética — é uma mudança de paradigma. O carvão deixa de ser queimado e passa a ser “processado”. Sai do campo térmico e entra no eletroquímico.

Esse deslocamento não é trivial. As tecnologias atuais de geração a carvão raramente passam de 45% de eficiência e carregam uma pesada carga ambiental, com emissões superiores a 800 gramas de CO₂ por quilowatt-hora.

Ao eliminar a combustão, a nova abordagem não só reduz perdas energéticas como facilita — tecnicamente — a captura do carbono. Em um sistema fechado, o CO₂ não se dispersa; ele pode ser manipulado.

Na prática, é mais fácil lidar com carbono concentrado do que com fumaça espalhada no ar.

O contexto: dependência e transição

A inovação não surge por acaso. A China ainda depende fortemente do carvão, responsável por cerca de 60% da sua geração elétrica, mesmo com o avanço acelerado de fontes renováveis.

Ao mesmo tempo, o país estabeleceu a meta de neutralidade de carbono até 2060. Entre esses dois polos — dependência e transição — nasce a necessidade de soluções híbridas, que não eliminem imediatamente o carvão, mas o reinventem.

Esse movimento também dialoga com uma estratégia maior. Nos últimos meses, a China tem ampliado investimentos em hidrogênio verde, energias renováveis e tecnologias de captura de carbono, buscando liderar a próxima fase da economia energética global.

Promessa, mas não solução imediata

Apesar do impacto conceitual, a tecnologia ainda está longe da escala comercial. Especialistas apontam que sistemas como esse podem levar décadas para se tornarem economicamente viáveis — possivelmente apenas após 2045.

Há desafios técnicos, de custo e de infraestrutura. E há, também, um debate inevitável: até que ponto faz sentido investir em “carvão limpo” em um mundo que tenta abandonar combustíveis fósseis?

A resposta ainda não está clara.

Mas o fato é que, ao transformar carvão em algo mais próximo de uma bateria do que de uma chama, a China abre uma nova frente no debate energético. Não se trata apenas de reduzir danos — mas de reimaginar o próprio papel de um dos recursos mais controversos da história industrial.

E, talvez, de ganhar tempo em uma transição que ainda está longe de ser simples.

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Fim de semana do trabalhador reúne ação solidária e festa com sorteios de carros no Paraná

Programação inclui o 1º de Maio Solidário, com arrecadação de alimentos, e a 27ª MetalFest, com atrações para toda a família e prêmios

 
Fim de semana do trabalhador reúne ação solidária e festa com sorteios de carros no Paraná. Programação inclui o 1º de Maio Solidário, com arrecadação de alimentos, e a 27ª MetalFest, com atrações para toda a família e prêmios

O início de maio chega com um convite direto — quase um chamado — para quem move a indústria todos os dias. É o fim de semana do trabalhador ganhando forma nas ruas, nos pátios e nos encontros que misturam reivindicação, confraternização e um pouco de sorte.

Entre a sexta-feira, 1º de maio, e o domingo, dia 3, a agenda dos metalúrgicos no Paraná se divide em dois momentos bem distintos, mas conectados pelo mesmo espírito coletivo.

1º de Maio Solidário

O primeiro compromisso é na sexta-feira (1º), com o 1º de Maio Solidário da Força Sindical. A proposta vai além da celebração: há um componente social evidente. Para participar dos sorteios, é necessário doar 2 kg de alimento, o que garante um cupom digital.

Associados ao sindicato são isentos da doação, mas precisam validar a participação para concorrer. A mobilização ocorre em dois pontos:

  • Araucária
  • São José dos Pinhais

Em cada local, serão sorteados dois carros 0 km, totalizando quatro veículos. As inscrições estão abertas e podem ser feitas online: www.forcapr.com.br

27ª MetalFest

Dois dias depois, no domingo (3), o cenário muda — mas o público é o mesmo. É dia da 27ª edição da MetalFest, um evento que mistura entretenimento, serviços e benefícios diretos para os trabalhadores.

A programação começa às 10h, no MetalClube de Campo, em São José dos Pinhais.

Além das atrações voltadas à família — como praça de alimentação com food trucks e recreação infantil — o evento traz um incentivo adicional: os primeiros 2 mil associados que fizerem check-in até o meio-dia recebem crédito alimentação no cartão do sindicato para uso dentro da festa.

Também haverá sorteio de um carro 0 km durante o evento.

Para participar, é necessário realizar inscrição prévia até às 12h do dia 2 de maio: simec.com.br/metalfest

A organização orienta que os participantes levem o cartão de fidelidade do sindicato para validação no local.

No fim, o roteiro está posto: dois dias, dois formatos, um mesmo eixo. Entre a solidariedade do dia 1º e a celebração do dia 3, o trabalhador não fica de fora — ele é o centro de tudo.

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MON abre as portas com outro ritmo: visitas guiadas de maio convidam o público a desacelerar e olhar de novo

Encontros às sextas-feiras, sempre às 15h, propõem uma imersão de 1h30 pela arquitetura, acervo e exposições do museu

MON abre as portas com outro ritmo: visitas guiadas de maio convidam o público a desacelerar e olhar de novo. Encontros às sextas-feiras, sempre às 15h, propõem uma imersão de 1h30 pela arquitetura, acervo e exposições do museu
Exposição no MON - Jaqueline Prado/AEN

O concreto branco parece suspenso no ar. Quem cruza o vão livre do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, já sente que ali o tempo corre diferente — ou talvez desacelere. Em maio, essa experiência ganha uma camada a mais: o museu organiza uma série de visitas guiadas que transformam o passeio em conversa, observação e descoberta.

As mediações acontecem sempre às sextas-feiras — dias 1º, 8, 15, 22 e 29 — com início às 15h. Durante cerca de uma hora e meia, educadores do museu conduzem grupos por entre salas, obras e corredores, propondo leituras que vão além do olhar apressado. A ideia é simples, mas potente: ampliar a percepção do visitante e estreitar sua relação com o espaço.

O ponto de encontro é direto, sem mistério: em frente à bilheteria, no vão livre. A partir dali, o percurso se desenrola como uma espécie de narrativa — ora técnica, ora sensorial — que atravessa arquitetura, design e artes visuais.

Para participar, o visitante deve escolher a data desejada no site de ingressos do museu e selecionar a opção que inclui a visita guiada, conforme a categoria (inteira, meia-entrada ou isenção).

Exposições em cartaz

Quem participa das visitas também encontra um museu em plena atividade. Entre as exposições em cartaz estão:

  • “Technological Dances”, de Alice Anderson
  • “Nem Todo Viandante Anda Estradas – Da Humanidade como Prática”, da 36ª Bienal de São Paulo
  • “Sonhos de Cinema: Arte para a Sétima Arte”
  • “Trilhos e Traços – Poty 100 anos”
  • “África, Expressões Artísticas de um Continente”
  • “Ásia: a Terra, os Homens, os Deuses”
  • “O Mundo Lúdico dos Mangás e Animes”

Além disso, o visitante pode explorar o Pátio das Esculturas, o Espaço Niemeyer e as obras ao ar livre do projeto “MON sem Paredes”.

Um gigante cultural

Referência nacional e internacional, o Museu Oscar Niemeyer reúne um acervo de cerca de 14 mil obras, distribuídas em mais de 35 mil metros quadrados de área construída — o que o coloca como o maior museu de arte da América Latina. Vinculado à Secretaria de Estado da Cultura, o MON concentra produções de artes visuais, arquitetura e design, além de coleções expressivas de arte asiática e africana.

Mais do que números, o que o museu oferece é experiência. E, em maio, essa experiência vem com mediação, escuta e tempo — três coisas cada vez mais raras.

Serviço

Visitas guiadas no MON

  • Datas: 1º, 8, 15, 22 e 29 de maio
  • Horário: 15h
  • Duração: aproximadamente 1h30
  • Ponto de encontro: em frente à bilheteria (Vão Livre)
  • Valor: R$ 20

Como participar: selecionar a sexta-feira desejada no site de ingressos e escolher a opção com visita guiada, conforme categoria (inteira, meia ou isento).

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Fragata Tamandaré entra em operação e marca nova fase da Marinha brasileira

Primeiro navio da classe é incorporado com sistemas de combate testados e acordo prevê expansão do programa com mais quatro unidades

Fragata Tamandaré entra em operação e marca nova fase da Marinha brasileira. Primeiro navio da classe é incorporado com sistemas de combate testados e acordo prevê expansão do programa com mais quatro unidades. Veja o vídeo oficial da Cerimônia de Mostra de Armas, no Rio de Janeiro

O casco cinza corta a Baía de Guanabara com uma presença que não passa despercebida. Não é só mais um navio — é um marco. A Fragata Tamandaré (F-200) entra oficialmente em serviço e, com ela, uma mudança silenciosa, porém profunda, começa a ganhar forma na Marinha do Brasil.

O momento foi breve, protocolar, quase contido. Mas o significado é amplo. Na última quinta-feira (24), a Marinha do Brasil incorporou oficialmente a Fragata Tamandaré (F-200) à sua frota — o primeiro navio de uma nova geração que reposiciona o país no mapa da construção naval militar.

Não se trata de uma estreia simbólica. A embarcação chega após concluir uma sequência rigorosa de testes, incluindo validações em mar aberto e exercícios com sistemas de combate. Em outras palavras: entra em operação pronta para uso real, sem a fase de adaptação que, historicamente, marcava projetos desse porte no Brasil.

O salto é técnico, mas também estratégico. A Tamandaré foi concebida dentro de um conceito moderno de guerra naval, com integração de sensores, sistemas automatizados e capacidade de atuação em múltiplos cenários — da defesa antiaérea ao combate antissubmarino.

Um projeto que vai além do navio

Por trás do casco e dos sistemas embarcados, há um arranjo industrial que explica boa parte do peso desse momento. O programa reúne a Embraer Defesa & Segurança, a alemã Thyssenkrupp Marine Systems (TKMS) e o consórcio Águas Azuis, responsável pela construção em território nacional.

O resultado é duplo: de um lado, a entrega de um meio militar avançado; de outro, a formação de uma base industrial com capacidade crescente de absorver tecnologia e manter projetos complexos em andamento.

Os números ajudam a dimensionar o impacto. Cerca de 2 mil profissionais atuam diretamente na construção das fragatas. Considerando efeitos indiretos, o programa já movimenta algo próximo de 23 mil empregos — um reflexo do efeito multiplicador típico da indústria de defesa.

As últimas 72 horas mudaram o jogo

Se a incorporação da F-200 já seria, por si só, um marco, o que aconteceu nos bastidores nos últimos dias amplia ainda mais o alcance do programa.

Durante a cerimônia, Embraer, Ministério da Defesa e TKMS assinaram um Memorando de Entendimento que abre caminho para um segundo lote de quatro fragatas da mesma classe.

Na prática, isso significa mais do que dobrar o programa original. Significa manter a linha de produção ativa, preservar o conhecimento transferido e evitar um velho problema brasileiro: ciclos industriais interrompidos antes de amadurecer.

Há também um componente geopolítico evidente. O acordo reforça a cooperação entre Brasil e Alemanha, consolidando uma parceria que vai além da compra de equipamentos — envolve desenvolvimento conjunto, engenharia e potencial de exportação.

Fragata Tamandaré F-200 entra em operação e marca nova fase da Marinha brasileira
24 de abril de 2026 - A Fragata Tamandaré F-200 entra oficialmente em serviço - Divulgação

Produção em ritmo incomum

Enquanto a F-200 inicia sua vida operacional, outras três embarcações avançam em diferentes estágios de construção. É um cenário raro: quatro fragatas sendo produzidas simultaneamente no país.

Esse ritmo indica algo que vai além da entrega de navios. Mostra uma cadeia produtiva ativa, com continuidade — um elemento essencial para qualquer ambição de autonomia no setor de defesa.

O que muda no mar — e fora dele

A entrada da Tamandaré altera o equilíbrio em três dimensões.

No plano operacional, inicia a substituição gradual de navios mais antigos e amplia a capacidade de monitoramento da chamada Amazônia Azul — área estratégica que concentra rotas comerciais e recursos naturais.

No campo tecnológico, representa avanço na integração de sistemas complexos, uma competência dominada por poucos países.

E, no eixo industrial, consolida uma base que pode sustentar novos projetos — inclusive com potencial de exportação, caso o programa mantenha consistência ao longo do tempo.

Entre expectativa e continuidade

A F-200 Tamandaré não resolve tudo. Nenhum navio resolve. Mas ela estabelece um ponto de inflexão.

O verdadeiro teste começa agora: manter o programa vivo, garantir previsibilidade e transformar capacidade técnica em política de Estado.

Se isso acontecer, o Brasil deixa de apenas operar navios e passa a dominar, de forma consistente, o ciclo de construção naval militar. É uma mudança que não faz barulho imediato — mas redesenha o futuro da soberania nacional.

Assista à Cerimônia de Mostra de Armas da "Tamandaré" (F-200), a nova guardiã da soberania da nossa Amazônia Azul

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