Jovens brasileiros representarão o país em conferência da ONU sobre a água

Erleyvaldo Bispo e Laura de Azevedo Viana estão entre os 100 jovens de 75 países selecionados para participar da Conferência da ONU sobre a Água, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos

Erley Bispo também foi cofundador do F20, que reuniu representantes de favelas para o G20 - Arquivo Pessoal/EBC

Dois jovens brasileiros que conhecem, por experiência própria, os efeitos da falta de acesso à água potável terão a oportunidade de levar essa realidade para um dos principais debates internacionais sobre o futuro da água.

O ativista sergipano Erleyvaldo Bispo, de 28 anos, e a bacharel em direito Laura de Azevedo Viana, de 23 anos, estão entre os 100 jovens selecionados, de 75 países, para participar da conferência da Organização das Nações Unidas (ONU), que será realizada de 8 a 10 de dezembro de 2026, em Abu Dhabi.

Da realidade da seca ao debate internacional

De acordo com a Agência Brasil, Erleyvaldo nasceu no agreste de Sergipe, região marcada por períodos de estiagem. Em comunidades onde o abastecimento regular não é garantido, moradores podem depender de carros-pipa para ter acesso à água.

A experiência pessoal ajudou a aproximá-lo da defesa do direito à água e das questões ambientais e sociais relacionadas à segurança hídrica.

Laura, de Salvador, também conhece essa realidade. Ela relata ter vivido períodos de falta d'água em seu bairro e desenvolve atuação relacionada à governança dos oceanos e ao racismo ambiental.

As trajetórias dos dois mostram que a discussão sobre água não se limita à preservação de rios, nascentes e oceanos. O tema também envolve desigualdade social, infraestrutura, saúde pública, justiça ambiental e o direito das populações ao acesso seguro à água e ao saneamento.

Juventude no centro da discussão

A participação dos jovens faz parte da estratégia da ONU para ampliar a presença das novas gerações nas discussões internacionais sobre recursos hídricos.

Os 100 jovens selecionados representam diferentes países e comunidades e passarão por uma etapa de preparação antes da conferência. A proposta é que levem para o encontro internacional as experiências, necessidades e prioridades das populações de onde vêm.

Para países como o Brasil, que possui uma das maiores reservas de água doce do planeta, mas convive com profundas desigualdades na distribuição e no acesso ao recurso, a presença de representantes diretamente ligados às comunidades afetadas dá outra dimensão ao debate.

Água, saneamento e desigualdade

A Conferência da ONU sobre a Água tem como um dos seus principais objetivos acelerar ações para garantir água potável e saneamento para todos.

A questão está diretamente relacionada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, especialmente ao ODS 6, que estabelece a necessidade de assegurar a disponibilidade e a gestão sustentável da água e do saneamento para todas as pessoas.

O desafio é particularmente importante diante das mudanças climáticas, que podem intensificar secas, enchentes, ondas de calor e outros eventos extremos, afetando de maneira desigual diferentes populações.

Experiência local que chega ao debate global

A escolha de Erleyvaldo e Laura chama atenção justamente porque suas histórias pessoais estão conectadas a problemas que milhões de pessoas enfrentam diariamente.

De um lado, a experiência de uma comunidade do agreste nordestino que convive com a seca e com a necessidade de abastecimento emergencial. De outro, a realidade urbana de uma jovem de Salvador que vivenciou problemas de abastecimento e atua na discussão sobre justiça ambiental.

São experiências diferentes, mas que convergem em uma questão fundamental: o acesso à água não pode ser tratado apenas como uma questão ambiental. É também uma questão de direitos, cidadania e justiça social.

Conferência será em dezembro

A Conferência da ONU sobre a Água será realizada entre 8 e 10 de dezembro de 2026, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Até lá, os jovens selecionados participarão de atividades preparatórias para organizar suas contribuições e chegar ao encontro com propostas e prioridades de suas comunidades.

A expectativa é que a participação da juventude ajude a aproximar as decisões internacionais da realidade vivida por quem está na ponta, especialmente em comunidades que já enfrentam os efeitos da escassez de água e das desigualdades ambientais.

O Sulpost acompanha o debate porque água é vida, mas também é um direito. E garantir esse direito exige políticas públicas, investimento, planejamento e participação social.

Postagem editada pelo Sulpost, informações da Agência Brasil (EBC) e Organização das Nações Unidas (ONU): Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e o ODS 6, relacionado à água potável e ao saneamento.

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