Campanha arrecada alimentos e água para comunidades ribeirinhas afetadas pela estiagem no Amazonas

Mobilização da Amazônia Solidária 2026 pretende arrecadar ao menos 23 toneladas de alimentos para famílias da Região Metropolitana de Manaus - estado decretou emergência nos 62 municípios diante do agravamento da seca

Foto: EBC/Ag. Brasil/Reprodução

A Campanha Humanitária Amazônia Solidária 2026, que se iniciou neste mês de outubro, é uma mobilização que visa formar uma rede de pontos de coleta de alimentos não perecíveis e água potável. Consulta das arrecadações serão destinados às comunidades ribeirinhas da Região Metropolitana de Manaus, que estão sendo severamente afetadas pela estiagem.

Organizada pela rede colaborativa Converge Amazônia, a mobilização pretende arrecadar 23,4 toneladas de alimentos até 31 de outubro. As doações serão destinadas a comunidades das bacias do Puraquequara e do Tarumã-Açu, além de áreas de Jatuarana, Paraná da Eva, Paraná do Terra Nova e Janauari, incluindo Vila Nova e Nova Vila.

A mobilização ocorre em meio ao agravamento das condições de seca na Amazônia. Em 21 de setembro, o Governo do Amazonas decretou situação de emergência devido à estiagem nos 62 municípios do estado, que já dura 180 dias. A medida considera a previsão de chuvas abaixo da média, temperaturas elevadas e ainda a possibilidade de agravamento dos impactos sobre os rios, o abastecimento e a logística das comunidades ribeirinhas.

De acordo com as projeções consideradas pelo Governo do Estado do Amazonas, até 162 mil famílias, ou aproximadamente 648 mil pessoas, podem ser afetadas em diferentes níveis pela redução das chuvas e dos níveis dos rios, gerando um cenário de verdadeira emergência climática.

O cenário também está inserido em uma condição climática mais ampla. O Painel El Niño 2026-2027, produzido por órgãos como Inmet, Inpe, Cemaden, ANA, Serviço Geológico do Brasil e Censipam, informou em 1º de outubro que o fenômeno está em intensificação e que a probabilidade de um evento de intensidade muito forte entre outubro e dezembro é superior a 95%. Os modelos indicam que o super El Niño pode persistir até pelo menos o início de 2027.

O boletim, de acordo com a Agência Brasil, aponta ainda que a seca vem se intensificando no Norte e no Nordeste. Com dados parciais de setembro, o Índice Integrado de Seca classificou 197 municípios brasileiros em situação de seca severa, contra 153 em agosto. Os municípios em seca extrema passaram de quatro para 24, com destaque para o Amazonas entre os estados atingidos.

No Amazonas, a atualização do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico mostrou que a área do estado atingida pela seca passou de 60% para 94% do território entre julho e agosto. A área classificada como seca moderada aumentou de 8% para 50% no mesmo período.

Para as comunidades ribeirinhas, a redução do nível dos rios representa mais do que uma dificuldade ambiental. A navegação, que funciona como principal meio de transporte em muitas localidades, fica comprometida, afetando o acesso a alimentos, água, saúde, educação e mercados. A pesca e a agricultura familiar também sofrem com a redução da disponibilidade de água.

Reportagem da TV Brasil realizada em Manaquiri, na Região Metropolitana de Manaus, mostrou comunidades enfrentando dificuldades de navegação, pesca e produção agrícola durante a estiagem. Em alguns trechos, embarcações já encontram passagens estreitas e moradores relatam impactos sobre o fornecimento de energia e a disponibilidade de peixes.

“Para nós, que vivemos nesses territórios, o rio é caminho, fonte de alimento e parte da nossa vida. Quando o acesso pelo rio fica comprometido, toda a rotina da comunidade é afetada.”

— Matheus Amazônia, coordenador-geral da Converge Amazônia

Mobilização

A arrecadação nos pontos de coleta que aderirem à campanha começa na terça-feira, 6 de outubro. Entre os dias 21 e 27 de outubro, estão previstas ações de mobilização para ampliar o volume de doações.

Segundo a organização, cada ponto de coleta ficará responsável pelo recebimento, registro e armazenamento adequado dos produtos. A Converge Amazônia fará as retiradas por região, a consolidação dos materiais e, com apoio de voluntários, a triagem por validade, integridade e tipo de produto.

O volume arrecadado será organizado em cestas de aproximadamente 23,4 quilos, destinadas a complementar a alimentação das famílias durante o período em que a pesca, a agricultura e o acesso às comunidades estiverem prejudicados pela seca.

A distribuição das cestas está prevista para ocorrer entre 8 e 22 de novembro, por transporte terrestre e fluvial, de acordo com as condições de cada território e os cadastros validados pelas lideranças comunitárias.

Para doações realizadas a partir de outros estados, a organização busca apoio dos Correios, da Força Aérea Brasileira (FAB) e de companhias aéreas. Segundo a Converge Amazônia, essas alternativas ainda dependem de confirmação.

“Para doações de outros estados, estamos buscando apoio dos Correios, da FAB [Força Aérea Brasileira] e de companhias aéreas. Essas possibilidades ainda dependem de confirmação. O processo terá registros de arrecadação e entrega, com prestação pública dos resultados”, afirma Matheus Amazônia.

Como participar

Para integrar a rede de pontos de coleta em Manaus ou em outros estados, é necessário preencher o formulário de adesão e participação disponibilizado pela organização. Depois do cadastro, os responsáveis pela campanha entrarão em contato para orientar sobre os procedimentos de recebimento, armazenamento e encaminhamento das doações.

A campanha busca responder a uma emergência que tem efeitos concretos sobre a vida cotidiana de milhares de pessoas na Amazônia. Com a perspectiva de manutenção de condições de chuva abaixo da média e temperaturas acima do normal nos próximos meses, a logística de acesso às comunidades e a segurança alimentar permanecem entre os principais pontos de atenção para o estado.

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