Dois tornados atingem o Paraná e previsão coloca Estado novamente sob alerta máximo nesta sexta-feira

Temporais já deixaram mortos, provocaram destruição e atingiram centenas de pessoas. Para amanhã, 11 de setembro, o cenário exige atenção redobrada: o INMET prevê um ambiente favorável a tempestades severas, granizo, rajadas muito fortes e até novos tornados em pontos isolados

⚠️ ALERTA PARA SEXTA-FEIRA, 11 DE SETEMBRO

O INMET mantém aviso vermelho de grande perigo para tempestades em áreas do centro, oeste e sul do Paraná.

A previsão indica chuva intensa, trovoadas, rajadas de vento, granizo e possibilidade de fenômenos severos. O instituto também aponta ambiente favorável à formação de supercélulas e, de forma localizada, microexplosões e tornados.

Não é previsão de que um tornado atingirá determinada cidade. É um alerta para um ambiente atmosférico com potencial para tempestades severas. Em uma situação assim, o melhor momento para se proteger é antes da tempestade chegar. 

🔗 Monitore pelo radar 🔗

Temporais já deixaram mortos, provocaram destruição e atingiram centenas de pessoas. Para amanhã, 11 de setembro, o cenário exige atenção redobrada: o INMET prevê um ambiente favorável a tempestades severas, granizo, rajadas muito fortes e até novos tornados em pontos isolados

O Paraná viveu uma madrugada de tempo severo

O que aconteceu entre a tarde de quarta-feira (9) e a madrugada desta quinta-feira (10) não foi apenas mais um episódio de chuva forte. O Simepar confirmou dois tornados no Paraná, em municípios de diferentes regiões do Estado.

O primeiro ocorreu por volta das 17h de quarta-feira, em uma área pequena e localizada de Francisco Alves, no Noroeste. O fenômeno teve curta duração e, segundo o Simepar, ainda não há registro de danos diretamente associados à passagem do tornado. A tempestade que o originou, entretanto, era uma supercélula e também provocou forte queda de granizo, causando danos em outras áreas do município.

O segundo tornado ocorreu aproximadamente às 0h40 desta quinta-feira em Espigão Alto do Iguaçu, na região Centro-Sul. O Simepar confirmou a ocorrência e iniciou o levantamento dos danos para definir posteriormente a intensidade do fenômeno segundo os critérios da Escala Fujita.

É importante fazer essa distinção: ainda não há classificação definitiva para esses dois tornados. A intensidade não deve ser estimada apenas pela aparência das imagens ou pela quantidade de estragos. O levantamento técnico considera características e extensão dos danos para estimar a velocidade dos ventos.

Os tornados não foram os únicos problemas

Os temporais das últimas horas provocaram ocorrências em diferentes regiões do Paraná. Segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira, 583 pessoas foram afetadas em 11 municípios, com registros de vendavais, granizo e outros impactos.

Em Ponta Grossa, o episódio mais grave até o momento foi um deslizamento de terra provocado pelo temporal. Um barranco atingiu uma residência e matou três integrantes de uma família: um casal de 21 anos e uma criança de 5 anos. O local foi interditado pelos Bombeiros por causa do risco de novos deslizamentos.

A tragédia mostra que, em uma situação de tempo severo, o perigo não está apenas no vento. Chuva intensa pode provocar deslizamentos, enxurradas, alagamentos, queda de árvores, interrupção de energia e isolamento de comunidades.

Também houve impacto no sistema elétrico. De acordo com informações divulgadas nesta quinta-feira, mais de 22 mil unidades consumidoras chegaram a ficar sem energia no Paraná, com ocorrências especialmente na Região Metropolitana de Curitiba e no Litoral.

Nessas horas, quando ocorrem episódios de clima extremo o consumidor sente mais ainda o preço da privatização, muitas vezes o Estado tem que intervir para resolver. Por isso a opinião do blog Sulpost é pela reestartização da Copel. Pública outra vez.

Por que sexta-feira preocupa ainda mais?

A resposta está na combinação de vários ingredientes atmosféricos.

O INMET explica que um ciclone extratropical deverá se formar na noite de sexta-feira, entre o nordeste do Rio Grande do Sul e o Oceano Atlântico. O sistema deve se deslocar rapidamente para o oceano e atingir sua maior intensidade durante o sábado (12).

Antes disso, porém, a atmosfera já estará muito instável.

Há disponibilidade de umidade, circulação de ventos em diferentes níveis da atmosfera, atuação de sistemas de baixa pressão e condições favoráveis ao desenvolvimento de grandes nuvens de tempestade, as chamadas cumulonimbus.

É justamente essa combinação que pode produzir tempestades organizadas e muito fortes.

O próprio INMET ressalta que, na sexta-feira, existe possibilidade de microexplosões, rajadas intensas, granizo e tornados de forma localizada, especialmente no centro-sul e oeste do Paraná, além de áreas de Santa Catarina e do noroeste do Rio Grande do Sul.

O que esperar nas próximas 48 horas

Sexta-feira, 11: será o período de maior preocupação. O Paraná terá tempo chuvoso, com trovoadas e rajadas de vento. O aviso vermelho de grande perigo abrange áreas do centro, oeste e sul do Estado. Entre os municípios citados pelo INMET estão Foz do Iguaçu, Cascavel, Guarapuava, Ponta Grossa e Francisco Beltrão.

As condições atmosféricas poderão favorecer tempestades severas, granizo, fortes correntes de ar descendentes e, em pontos isolados, tornados. O instituto deixa claro que não é possível determinar antecipadamente qual cidade será atingida por esses fenômenos.

Sábado, 12: a situação começa a mudar, mas ainda haverá instabilidade. O INMET prevê pancadas de chuva e trovoadas principalmente no Noroeste, Norte e Nordeste do Paraná. Também há previsão de chuva no Oeste, Centro e Leste do Estado. O aviso passa para amarelo de perigo potencial no centro-norte e leste do Paraná.

O ciclone extratropical deverá atingir sua maior intensidade próximo à costa durante a madrugada e a manhã de sábado e depois se afastar gradualmente.

O cenário, portanto, não significa que o Paraná estará livre de riscos no sábado. Significa que o ambiente tende a perder gradualmente parte da severidade observada na sexta-feira.

E onde entra o El Niño nessa história?

É importante separar as coisas.

O El Niño é um fenômeno climático de escala muito maior. Ele ocorre quando há aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial central e leste, alterando padrões de circulação da atmosfera e influenciando chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

Segundo a atualização publicada nesta quinta-feira pelo INMET, com base na nova projeção da NOAA, as anomalias da temperatura da superfície do mar ultrapassaram 3°C no Pacífico Equatorial Leste em agosto.

A NOAA, por meio do Climate Prediction Center, aponta mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte durante a primavera e o verão de 2026-2027 no Hemisfério Sul. Para outubro a dezembro, a probabilidade de o episódio alcançar uma intensidade histórica, superando os eventos registrados desde 1950, está em 75% na atualização divulgada hoje.

Mas atenção: isso não significa que o El Niño esteja "causando" diretamente os tornados desta semana.

O fenômeno climático pode alterar o pano de fundo atmosférico e aumentar a probabilidade de determinados padrões de chuva em determinadas regiões. Porém, um tornado específico depende de condições meteorológicas de menor escala, como supercélulas, cisalhamento do vento, umidade, instabilidade e a interação entre diferentes sistemas atmosféricos.

É exatamente por isso que o Painel El Niño 2026-2027, coordenado pelo INPE em conjunto com INMET, ANA, CEMADEN, SGB, Defesa Civil e outras instituições, faz uma distinção importante entre previsão climática e previsão do tempo.

O El Niño ajuda a compreender tendências de semanas e meses. Já a previsão meteorológica dos próximos dias é que acompanha a evolução dos sistemas responsáveis por uma tempestade específica.

O Paraná precisa levar esse alerta a sério

Talvez essa seja a parte mais importante desta história.

Não é necessário esperar que um tornado seja visto no horizonte para levar um alerta meteorológico a sério. Quando os institutos oficiais identificam um ambiente favorável a tempestades severas, o objetivo do alerta é justamente permitir que as pessoas se antecipem ao problema.

Na sexta-feira, diante de trovoadas fortes, rajadas de vento ou granizo, a recomendação é procurar abrigo em local seguro, afastar-se de árvores, postes e estruturas metálicas e evitar permanecer em áreas abertas.

Durante uma tempestade, também é prudente desligar equipamentos eletrônicos da tomada quando houver risco de descargas elétricas e evitar contato com estruturas que possam conduzir eletricidade.

Em caso de enxurrada, não tente atravessar áreas alagadas a pé ou de carro. A água pode esconder buracos, correntezas, bueiros abertos e outros perigos que não são visíveis.

Quem vive próximo a encostas deve redobrar a atenção diante de chuva persistente ou intensa. Rachaduras, movimentação do solo, estalos de estruturas, portas ou janelas que passam a emperrar e surgimento de água em locais incomuns podem indicar necessidade de deixar a área e procurar um lugar seguro.

Emergência climática é assunto sério

Há uma diferença importante entre alarmismo e prevenção.

Alarmismo é dizer que um tornado certamente atingirá determinada cidade sem que exista base científica para afirmar isso. Prevenção é reconhecer que as condições atmosféricas estão perigosas, acompanhar os alertas oficiais e tomar medidas antes que a tempestade chegue. Fazer uma consulta no sistema de radar do Simepar é a dica.

O Paraná já teve dois tornados confirmados em menos de 24 horas. Já houve mortes provocadas pelo temporal, danos materiais e centenas de pessoas afetadas. E, para esta sexta-feira, os meteorologistas estão dizendo que a atmosfera continuará muito instável.

Por isso, não é hora de entrar em pânico. É hora de prestar atenção. Emergência climática é assunto sério. Para acompanhar a evolução do tempo, consulte diretamente o Simepar, os avisos do INMET, o INPE/CPTEC e os canais oficiais da Defesa Civil do Paraná. Em uma emergência, acione a Defesa Civil pelo 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.

Fontes: Simepar, Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), NOAA/Climate Prediction Center, Defesa Civil do Paraná e informações de ocorrências divulgadas pelas autoridades e equipes de emergência.

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