Do botox ao ovo: os momentos mais bizarros que marcaram o primeiro turno das eleições
Promessa de botox por menos de R$ 100, drone contra o feminicídio, ovo em carreata, teorias sobre supostos “clones” de Lula e bate-boca em debate. Relembre os episódios inusitados, as gafes e as polêmicas que movimentaram as redes sociais durante a campanha eleitoral
Uma campanha eleitoral costuma ser marcada por propostas, debates, alianças e disputas políticas. Mas, além da discussão sobre os rumos do país, o primeiro turno também produziu cenas inesperadas, declarações controversas e episódios que rapidamente se transformaram em assunto nas redes sociais.
Entre ideias pouco convencionais, provocações entre adversários e informações falsas que circularam na internet, alguns acontecimentos acabaram disputando espaço com os próprios programas de governo. Coisas do arco da velha, que estão fazendo o Brasil virar motivo de piada.
Vamos relembrar alguns dos episódios mais curiosos da campanha e tentar entender por que eles chamaram tanta atenção.
“Meu Botox, Minha Vida”: estética na pauta eleitoral
Uma das propostas mais inusitadas atribuídas à campanha presidencial foi o programa “Meu Botox, Minha Vida”, associado a Wilson Grassi, apresentado no rascunho como candidato do Democratas à Presidência da República.
A iniciativa previa, segundo a descrição divulgada, aplicações de toxina botulínica para mulheres de baixa renda por menos de R$ 100. A proposta chamou atenção justamente por aproximar um procedimento estético de um programa de política pública voltado à população de menor renda.
O episódio alimentou comentários e brincadeiras nas redes sociais. Como se trata de uma informação específica sobre candidatura e programa de governo, a identificação do candidato, do partido e do documento original precisa ser conferida antes da publicação.
Um ovo no caminho de Flávio Bolsonaro
Em setembro, durante uma carreata em Goiânia, Flávio Bolsonaro (PL) teria sido alvo de um ovo lançado por um morador de um prédio próximo ao trajeto do comboio.
O episódio ganhou repercussão depois que o senador classificou o ocorrido como uma “tentativa de homicídio”. A expressão provocou reações e virou tema de comentários e memes nas redes sociais.
O caso também ilustra como acontecimentos pontuais de uma campanha podem ganhar dimensões maiores quando acompanhados de declarações fortes e ampla circulação de vídeos.
Drones para proteger mulheres: solução tecnológica ou ideia controversa?
Outra proposta descrita durante a campanha envolvia o uso de tecnologia para ampliar a proteção de mulheres em situação de risco. A ideia, atribuída no rascunho ao presidenciável Augusto Cury (Avante), previa um aplicativo de georreferenciamento capaz de indicar a delegacia mais próxima.
O aspecto mais incomum estava na resposta emergencial: o envio de um drone equipado com sirene para tentar intimidar um possível agressor.
A proposta despertou curiosidade por combinar ferramentas digitais, monitoramento geográfico e equipamentos aéreos em uma estratégia de segurança pública.
O debate sobre o assunto, porém, vai além do efeito de novidade. Uma política efetiva de enfrentamento à violência contra a mulher depende de atendimento rápido, proteção das vítimas, investigação, prevenção e uma rede de serviços preparada para agir. O uso de drones, por si só, não substitui essas medidas.
O suposto cochilo de Gilberto Kassab
Durante um debate presidencial realizado pela Band, em agosto, imagens de Gilberto Kassab, apresentado no rascunho como candidato a vice na chapa de Ronaldo Caiado (PSD), circularam nas redes sociais com a interpretação de que ele estaria cochilando.
A cena virou motivo de brincadeiras. Kassab, entretanto, negou que estivesse dormindo e afirmou que mexia no celular.
O episódio mostra como uma imagem isolada pode adquirir vida própria na internet. Em ambientes de disputa política, poucos segundos de vídeo são suficientes para alimentar interpretações, provocações e memes.
Os supostos “clones” de Lula
As teorias conspiratórias também encontraram espaço durante a campanha. Publicações nas redes sociais espalharam alegações de que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria morrido e sido substituído por supostos “clones”.
Não há evidência confiável que sustente essa narrativa. Trata-se de uma alegação conspiratória, que deve ser identificada como informação falsa, e não apresentada como uma dúvida legítima sobre a identidade do presidente.
O episódio evidencia um problema recorrente nas campanhas contemporâneas: conteúdos sem comprovação podem alcançar grandes audiências, sobretudo quando exploram a desconfiança política e são compartilhados sem verificação.
“Baixa o dedinho!”: o bate-boca no Ceará
A disputa pelo governo do Ceará também teria produzido um dos momentos mais comentados dos debates eleitorais. Durante um confronto entre Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT), os candidatos trocaram acusações.
Em determinado momento, Ciro teria apontado o dedo para o adversário, que respondeu com a frase “Baixa o dedinho”. A discussão prosseguiu e o trecho ganhou repercussão nas redes sociais.
Além do potencial humorístico, cenas desse tipo expõem uma questão importante: o limite entre o confronto político, necessário em uma democracia, e a transformação do debate público em espetáculo de provocações pessoais.
Nossa Senhora Aparecida entrou na disputa
Outro episódio que provocou discussões envolveu Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.
Publicações nas redes sociais atribuíram ao candidato a intenção de retirar da santa esse título. O assunto foi associado à circulação de um vídeo em que ele teria afirmado que, se eleito, um de seus primeiros atos seria declarar que o Brasil pertence ao “Senhor Jesus Cristo”.
As duas coisas, contudo, não devem ser confundidas automaticamente. Uma declaração religiosa e a alegação de que alguém pretende retirar um título religioso oficial são afirmações diferentes e exigem a consulta ao vídeo integral e às fontes originais.
Em uma campanha marcada pela presença de referências religiosas, a controvérsia mostrou como fé, identidade política e interpretação de declarações podem se misturar em disputas nas redes sociais.
Romeu Zema e o celular na cabine de votação
No dia da votação, Romeu Zema (Novo) chamou atenção ao entrar na cabine eleitoral com um aparelho que foi identificado como celular. A utilização de telefone celular na cabine é proibida pelas regras da Justiça Eleitoral, que buscam preservar o sigilo do voto.
O episódio provocou repercussão e levantou questionamentos sobre o cumprimento das normas eleitorais.
Na sequência, também circularam publicações que acusavam o ministro Gilmar Mendes de ter cometido infração semelhante. Segundo a descrição apresentada no material original, imagens relacionadas ao ministro teriam sido interpretadas incorretamente: o objeto seria uma carteira, e não um telefone celular.
Em situações como essa, a análise das imagens originais e das verificações publicadas por agências de checagem é essencial para separar uma infração efetiva de uma acusação baseada em interpretação equivocada.
“Te amo em Cristo Jesus”: a resposta de Michelle Bolsonaro
Michelle Bolsonaro também apareceu em um episódio que circulou amplamente nas redes sociais durante a votação em Brasília.
De acordo com o relato divulgado, após ser hostilizada por uma eleitora, Michelle respondeu com um gesto de coração e disse: “Te amo em Cristo Jesus”. A eleitora teria reagido com novas ofensas.
O vídeo passou a circular como mais um registro de confronto político em um ambiente de forte polarização.
O episódio mostra como até interações breves entre figuras públicas e eleitores podem se transformar em símbolos de disputas mais amplas. Para compreender o contexto, é importante assistir à gravação completa, sem depender apenas de trechos selecionados ou legendas publicadas por terceiros.
Brasil ou Índia? A confusão atribuída a Donald Trump
Para fechar a lista, o rascunho menciona uma publicação de Donald Trump relacionada às eleições brasileiras que teria confundido o Brasil com a Índia e sido corrigida posteriormente.
Se confirmada a partir da publicação original e de seu histórico de edição, a confusão seria um exemplo de como erros geográficos podem ganhar repercussão internacional em poucos minutos.
Nas redes sociais, uma correção posterior nem sempre impede que a versão inicial continue circulando. Capturas de tela e republicações podem prolongar a vida de uma informação equivocada mesmo depois de sua alteração.
Antes de publicar esse episódio como fato, é necessário confirmar o perfil responsável pela postagem, o conteúdo original, a referência às eleições brasileiras e a eventual correção.
Quando a política vira meme
Propostas inusitadas, discussões acaloradas, declarações polêmicas e teorias conspiratórias mostram como uma campanha eleitoral pode ultrapassar os limites dos palanques e dos programas de governo para ocupar o cotidiano das redes sociais.
O humor faz parte da cultura política e pode ajudar a expor contradições, exageros e situações absurdas. Mas há uma diferença importante entre rir de um episódio confirmado e compartilhar uma informação falsa como se fosse verdadeira.
Em uma democracia, o eleitor precisa ter acesso a informações confiáveis para avaliar candidatos, propostas e comportamentos. O meme pode divertir; a informação verificada é que permite formar opinião com responsabilidade.
E você, qual desses episódios considera o mais bizarro? Houve algum momento da campanha que ficou de fora desta lista? Conte nos comentários e compartilhe esta matéria com quem acompanhou a campanha eleitoral.
Nota editorial: os episódios e as atribuições específicas desta pauta devem ser conferidos nas fontes originais antes da publicação. A inclusão de uma alegação nesta retrospectiva não significa que todos os detalhes estejam independentemente confirmados.
SULPOST — Jornalismo independente, informação de interesse público, compromisso com a democracia e, volta e meia, um toque de humor. Porque o Brasil, do jeito que vai, está virando piada no resto do mundo.

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