Depois da Boca Maldita, a política continuou à mesa no Nina
Lançamento da candidatura de Thiago Bagatin reuniu militantes, amigos e personagens da política curitibana em uma noite de conversa, encontros e barreado
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| Rachel Pompeo, proprietária do Nina, ladeada por Thiago Bagatin e Thelma |
Há tardes em Curitiba onde a política parece sair dos palanques e encontrar seu lugar mais natural: à mesa. Foi assim neste sábado, 12 de setembro. Depois do comício do presidente Lula na Boca Maldita, segui no Centro de Curitiba. Eu e a Guta, minha irmã, caminhamos até o Nina, na Rua Marechal Deodoro, 847.
Fomos prestigiar o evento da campanha do Thiago Bagatin, que reuniu amigos, militantes, apoiadores e gente interessada em política para o lançamento oficial de sua candidatura a deputado estadual pelo Paraná. E o endereço foi uma boa escolha.
O Nina, conhecido como “comida com arte”, já se incorporou à vida cultural da cidade. É daqueles lugares que não funcionam apenas como restaurante: há música, arte, conversa e encontros. É um restaurante com identidade progressista e inclusiva da casa e do espaço dado às discussões políticas.
Mas na tarde deste sábado de comício do presidente Lula, em Curitiba, a política não precisou disputar espaço com a gastronomia. As duas coisas caminharam juntas. Foi natural, síncrono, política colocada à mesa junto com um prato típico da cozinha paranaense.
O barreado servido na noite ajudou a dar ao encontro um sabor especialmente caiçara. Depois de uma tarde em que milhares de pessoas ocuparam a Boca Maldita para ouvir Lula, terminar o dia diante de um prato que carrega tanta história do Paraná foi uma maneira bastante apropriada de continuar a conversa.
Quem vai ao Nina pode fazer aquilo que, infelizmente, a política brasileira muitas vezes parece ter esquecido: conversar.
Conversar muito sobre política, mas também falar de pessoas, de Curitiba, de eleições, de histórias que ficaram pelo caminho e das histórias que ainda estão começando. Conhecer o Thiago, suas propostas e projetos deu ânimo. É a renovação a caminho da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep).
Encontrei gente interessante. Reencontrei pessoas conhecidas. Conheci outras. Ouvi opiniões diferentes. Troquei ideias. E, sobretudo, encontrei um ambiente em que era possível falar de política sem que toda divergência precisasse terminar em agressão.
Isso pode parecer pouco. Não é. Em tempos de radicalização da já quase insuportável polarização política, quando uma parcela do debate parece incapaz de enxergar o adversário sem transformá-lo em inimigo, poder sentar à mesa, conversar, discordar e continuar conversando é quase um ato de resistência democrática. Além de que a experiência gastronômica é incrível.
É justamente aí que está uma das melhores imagens da tarde e do início de noite deste sábado (12): a política deixando de ser apenas uma guerra de palavras nas redes sociais e voltando a ser encontro entre pessoas.
O lançamento de uma candidatura
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| Presenças políticas importantes acompanharam o lançamento |
O motivo principal da tarde, naturalmente, era político.Thiago Bagatin lançou oficialmente sua candidatura a deputado estadual pelo Paraná, com o número 65.123. Psicólogo e professor da UFPR, Bagatin disputa a eleição pelo PCdoB, dentro da Federação Brasil da Esperança, do campo Progressista do Paraná.
Não foi, portanto, apenas uma confraternização pós comício de Lula. Foi o primeiro grande momento público de uma campanha que pretende transformar militância, presença nas redes e atuação política em votos nas urnas de outubro.
E há uma simbologia interessante na sequência dos acontecimentos. Primeiro, a Boca Maldita: a praça, a multidão, o discurso, as bandeiras. Depois, o Nina: a mesa, a conversa, o barreado, a música, os encontros e as projeções eleitorais para outubro próximo.
Dois ambientes diferentes para uma mesma política. Uma política que precisa saber falar para milhares, mas que também precisa saber conversar com algumas dezenas.
Foi nesse segundo ambiente que acompanhei o lançamento da candidatura de Bagatin. E, há algo de particularmente interessante em observar nesses encontros. É neles que as alianças aparecem, que as divergências ficam mais claras, que as histórias pessoais se cruzam com as estratégias eleitorais e que, muitas vezes, se percebe aquilo que nenhum discurso de campanha consegue explicar sozinho.
Uma noite sem gritaria
Talvez tenha sido isso que mais me chamou a atenção. Foi uma noite de política sem a obrigação da gritaria. Não que faltassem posições firmes. Muito pelo contrário. Estávamos entre pessoas que sabem exatamente de que lado estão e que têm opiniões bastante claras sobre os rumos do Paraná e do Brasil.
Mas havia espaço para o velho e necessário exercício da conversa. Talvez seja uma das coisas que mais precisamos recuperar na política: a capacidade de conversar antes de tentar vencer o outro.
O Nina proporcionou isso nessa tarde de sábado. Com comida boa, barreado na mesa, gente interessante ao redor e uma quantidade considerável de assunto político para atravessar a noite.
No fim, o lançamento de uma candidatura acabou se transformando também em outra coisa: uma fotografia de um pedaço da esquerda curitibana, reunida depois de um grande ato político, conversando sobre o presente e tentando imaginar o futuro.
A eleição ainda vai exigir muita estrada, muita conversa e, certamente, muitos embates. Mas, dessa tarde e início de noite, de setembro, no Nina, ficou uma impressão boa: a política ainda pode ser feita de encontro.
E, convenhamos, depois de uma tarde na Boca Maldita, terminar o dia com um bom papo, cachacinha artesanal e um barreado delicioso. Foi uma maneira bastante curitibana de começar uma campanha.


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