20.8.26

Requião Filho dá largada na campanha entre propostas, pesquisas e uma disputa que começa a apertar

Candidato do PDT a governador segue firme em segundo lugar nas pesquisas, rumo ao segundo turno

 
O candidato Requião filho, do PDT - Foto: Orlando Kissner

A campanha eleitoral começou oficialmente e, no Paraná, o tabuleiro já começa a ganhar contornos mais nítidos. Para o candidato Requião Filho (PDT), os últimos dias trouxeram uma mistura de boas notícias eleitorais, exposição pública e um desafio que não pode ser ignorado: transformar uma candidatura que se mostra competitiva nas pesquisas, para buscar uma virada no segundo turno.

O cenário mais recente coloca o pedetista novamente no centro da disputa. Na pesquisa Real Time Big Data divulgada em 18 de agosto, Sergio Moro aparece na liderança, com 37% das intenções de voto. Sandro Alex tem 22% e Requião Filho, 20%. Os dois estão empatados tecnicamente dentro da margem de erro, que é de 2%. O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 13 e 17 de agosto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-09262/2026.

É um número que merece atenção. Não porque uma pesquisa determine o resultado de uma eleição — não determina —, mas porque mostra que a briga pela segunda vaga de passagem para o segundo turno ainda está em aberto.

A disputa pelo segundo lugar

Há poucos dias, outro levantamento havia colocado Requião Filho em posição ainda mais confortável. Na pesquisa Paraná Pesquisas, realizada entre 13 e 16 de agosto e registrada no TSE sob o número PR-09048/2026, Sergio Moro aparece com 46,1%, Requião Filho com 23,4% e Sandro Alex com 16,5%.

São fotografias diferentes de um mesmo momento eleitoral. E talvez seja justamente isso que retornando a disputa ainda mais interessante. Requião Filho não está isolado em segundo lugar. Sandro Alex se aproxima. Moro mantém uma vantagem larga. E ainda existe um contingente expressivo de eleitores que não decidiu o voto.

Na Real Time, por exemplo, 12% não souberam ou não quiseram responder, enquanto 6% declararam voto branco ou nulo. A eleição, portanto, ainda está longe de estar definida.

Rejeição

Há, porém, uma pedra no caminho. Requião Filho também aparece com rejeição elevada. Na mesma pesquisa Real Time, 41% dos entrevistados disseram que não votariam nele de jeito nenhum, percentual superior ao de Sergio Moro, com 38%, e Sandro Alex, com 29%. Na rejeição Requião Filho e Sérgio Moro também estão tecnicamente empatados, dentro da margem de erro.

É aí que a matemática eleitoral fica mais complicada. Ter 20% ou 23% das intenções de voto coloca o candidato na disputa. Mas uma rejeição alta pode limitar sua capacidade de crescer. Ainda mais em um momento em que a campanha está se tornando mais polarizada, os partidos começam a receber o fundo eleitoral e o eleitor começa, de fato, a escolher entre duas opções.

Requião Filho sabe que sua candidatura carrega um sobrenome conhecido no Paraná. Filho do ex-governador Roberto Requião, ele procura construir uma identidade própria. Ao mesmo tempo, recupera algumas bandeiras que marcaram os governos de seu pai, programas que continuam sendo sucesso até hoje, e, em especial, a defesa do patrimônio público e das empresas estatais, 

Copel, Sanepar e a ideia de devolver o Estado aos paranaenses

Uma das principais marcas da campanha é a crítica à privatização da Copel. Requião Filho defende que o Paraná volte a ter o controle da companhia. Em entrevistas, fala em recomprar ações e redirecionar a empresa para uma política de desenvolvimento estadual, com atenção especial aos custos da energia para famílias, indústria e agronegócio.

A defesa da Copel pública acompanha a trajetória política do candidato há anos e reaparece nesta eleição como uma das principais linhas de oposição ao governo Ratinho Junior. O mesmo raciocínio aparece quando ele fala da Sanepar e da Celepar.

Na sabatina recente, promovida pelo portal Bem Paraná, Requião Filho afirmou que pretende auditar a privatização da Copel, avaliar os valores envolvidos e buscar a retomada do controle estatal. Também se posicionou contra a continuidade da privatização da Celepar.

É uma proposta de forte conteúdo político. E também uma aposta eleitoral: falar diretamente sobre aquilo que o candidato entende como patrimônio dos paranaenses.

ICMS Zero para pequenos negócios

Na economia, Requião Filho tenta apresentar uma bandeira diferente. A proposta de zerar o ICMS para micro e pequenas empresas foi lançada pelo candidato ainda em março, por meio da plataforma ICMS Zero. A ideia voltou ao centro do discurso eleitoral nas últimas semanas.

O argumento é simples: aliviar a carga tributária de quem está na ponta, no comércio de bairro, na pequena empresa, no empreendimento familiar.

Requião Filho afirma que sete em cada dez empregos no Paraná são gerados por micro e pequenas empresas e sustenta que a renúncia representaria cerca de 2% da arrecadação estadual.

Seus adversários alegam que o ICMS não é apenas dinheiro do governo estadual. Pela Constituição, parte da arrecadação é repartida com os municípios. Portanto, uma eventual mudança significativa na cobrança precisará apresentar uma engenharia fiscal capaz de sustentar a promessa.

É justamente aí que uma bandeira de campanha começa a precisar transformar-se em plano de governo, mostrando de onde vai sair o dinheiro e qual será a compensação. Entretanto, parece ser óbvio que as pequenas empresas gerando mais empregos e renda, muito provavelmente também vão aumentar a arrecadação nos municípios.

Saúde: menos prédios, mais gente

Na área social, o candidato tem insistido em outro argumento: não basta inaugurar hospitais.

Na sabatina feita pelo Bem Paraná, Requião Filho criticou a terceirização de serviços de saúde e defendeu concursos públicos, valorização dos profissionais e o funcionamento pleno das estruturas que já existem. A lógica também apareceu na agenda de debates da campanha: o governo precisa cuidar das pessoas antes de contabilizar obras.

É uma narrativa que dialoga diretamente com o eleitor que enfrenta uma fila, espera por um exame ou procura atendimento médico.

Educação e escolas cívico-militares

Na educação, Requião Filho também se posiciona contra o atual modelo de escolas cívico-militares.

A crítica é acompanhada pela defesa de professores concursados, estrutura escolar e políticas de inclusão, em contraste com o modelo adotado pelo governo Ratinho Junior.

A relação com Lula

Existe ainda uma questão política delicada. O PDT confirmou apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. Requião Filho participou das articulações do partido e esteve ao lado de Lula no início da campanha. Mas, ao mesmo tempo, Requião Filho procura deixar claro que seu eventual governo não seria uma extensão do governo federal.

Na recente sabatina do Bem Paraná, o candidato enfatizou sua independência política em relação a Lula. É uma distinção importante para uma eleição estadual. Requião Filho precisa manter o vínculo com o campo progressista, que pode lhe garantir estrutura política e eleitoral, mas também tenta conversar com um eleitorado que não necessariamente votará em Lula.

Em outras palavras, a campanha parece procurar um equilíbrio: Lula no palanque nacional, Requião Filho como protagonista no Paraná. 

E se Moro não estiver no segundo turno?

Os números da Real Time, divulgados pelo portal UOL, trazem outro dado que chama a atenção. Num eventual segundo turno sem Sergio Moro, Sandro Alex aparece com 33% e Requião Filho com 30%. A diferença está dentro da margem de erro.

É um cenário hipotético, claro. Mas revela algo importante: a candidatura de Requião Filho tem musculatura suficiente para disputar uma eleição apertada contra o nome apoiado pelo grupo governista.

Quando Moro aparece na disputa, entretanto, o quadro muda bastante. No cenário testado pela Real Time, Moro venceria Requião Filho por 55% a 27% em segundo turno. 

Entretanto, em nossa análise, nessa hipótese apoios mudam, os candidatos derrotados em primeiro turno precisam escolher um campo político para apoiar no segundo turno que é praticamente uma nova eleição, que começa do zero.

Por isso, o desafio do pedetista é duplo: chegar ao segundo turno, ampliar seu eleitorado e diminuir os índices de rejeição.

A campanha começou — e agora vem a parte mais difícil

Há uma diferença entre uma pré-campanha e uma eleição de verdade. Antes, candidatos testam frases, propostas e alianças. Agora, cada declaração começa a ser medida pelo eleitor, pelo adversário e pelas pesquisas. Os grandes debates, que ainda vão ocorrer na televisão podem mudar a opinião dos eleitores.

Requião Filho chega a esse momento com algumas cartas importantes na mão: aparece competitivo nas pesquisas, ocupa o espaço de principal nome da oposição em parte dos levantamentos e tem propostas que já ganharam identidade própria, como o ICMS Zero e a retomada do controle público da Copel, para baixar o preço da conta de luz dos consumidores paranaense. Cuidar das pessoas, como diz o candidato.

Há uma longa estrada até outubro, mas o tempo passa rápido. De hoje, até as eleições, temos um mês e duas semanas. O Paraná ainda vai assistir a debates, sabatinas, confrontos, alianças, ataques, respostas e, principalmente, à entrada de milhões de eleitores que ainda não escolheram seu candidato.

Por enquanto, a fotografia mostra Sergio Moro na frente e uma disputa mais apertada atrás dele. Outro fator analisado é que mora não pode simplesmente deixar de comparecer a todos os debates, principalmente o da Rede Globo que encerra a rodada de debates do primeiro turno.

Requião Filho está dentro da disputa.

Agora começa a verdadeira campanha. E será nela que o candidato terá de descobrir se os 20% ou 23% que aparecem nas pesquisas são apenas um ponto de partida — ou o limite de seu eleitorado. Apoiadores da campanha de Requião Filho, ouvidos pelo blog, apontam que a expectativa da campanha é chegar ao segundo turno com cerca de 30% dos votos.

SULPOST
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