Lula intensifica ofensiva no Sul para reduzir vantagem da direita e fortalecer aliados
Presidente inicia nesta sexta-feira (11) uma série de atos em Porto Alegre e Curitiba; mobilização em Florianópolis foi remarcada para 19 de setembro. Região concentra 22,8 milhões de eleitores e pode ser estratégica em uma eleição nacional apertada
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia nesta sexta-feira (11) uma série de agendas políticas na Região Sul do Brasil. A caravana passará pelo Rio Grande do Sul e pelo Paraná neste fim de semana e terá uma terceira etapa em Santa Catarina no dia 19 de setembro.
A ofensiva tem dois objetivos principais: fortalecer candidaturas de aliados nos estados e reduzir a vantagem histórica da direita e do bolsonarismo em uma região que reúne cerca de 14% do eleitorado brasileiro.
O roteiro começa por Porto Alegre, segue para Curitiba no sábado (12) e termina em Florianópolis na semana seguinte. A mudança de data em Santa Catarina foi anunciada pela organização para concentrar a mobilização na reta final da campanha.
Agenda de Lula no Sul
| Data | Cidade | Local | Horário |
|---|---|---|---|
| 11 de setembro | Porto Alegre (RS) | Largo Glênio Peres | Concentração às 17h; ato previsto para 19h |
| 12 de setembro | Curitiba (PR) | Boca Maldita, Rua XV de Novembro | 10h |
| 19 de setembro | Florianópolis (SC) | Praça Tancredo Neves, em frente à Alesc | 9h |
Em Porto Alegre, Lula participará de ato em apoio à candidatura de Juliana Brizola ao governo gaúcho. Também estarão no palanque os candidatos ao Senado Paulo Pimenta e Manuela d'Ávila, integrantes da frente de partidos que apoia o presidente.
Em Curitiba, o ato terá a participação de Requião Filho, candidato apoiado por Lula ao governo do Paraná, além de Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha, que disputam vagas ao Senado.
Já em Santa Catarina, o presidente participará de ato em apoio à candidatura de Gelson Merísio ao governo estadual, ao lado dos candidatos ao Senado Décio Lima e Afrânio Boppré.
Florianópolis foi remarcada
A etapa catarinense sofreu alteração no calendário. O ato inicialmente previsto para este fim de semana foi transferido para sábado, 19 de setembro, às 9h, na Praça Tancredo Neves, em frente à Assembleia Legislativa de Santa Catarina.
A mudança permite que a campanha concentre esforços no estado a aproximadamente duas semanas do primeiro turno.
Expectativa de público
Até o momento, não há uma estimativa oficial de público divulgada pelas coordenações dos atos para as três cidades. A dimensão de mobilizações anteriores, entretanto, oferece uma referência.
Em setembro de 2022, um comício de Lula no centro de Porto Alegre reuniu, segundo estimativa da organização, cerca de 40 mil pessoas.
Em Curitiba, um ato realizado na Boca Maldita durante a campanha de 2022, junto om Roberto Requião, ocupou trechos da Rua XV de Novembro e teve público estimado pela organização em até 50 mil pessoas.
Para Florianópolis, ainda não foi divulgada uma estimativa numérica confiável para o ato do dia 19.Por isso, a expectativa de público deve ser tratada com cautela até que as coordenações das campanhas divulguem números oficiais.
Por que o Sul é estratégico para Lula?
Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina somam aproximadamente 22,86 milhões de eleitores nas eleições de 2026. Juntos, os três estados representam cerca de 14% do eleitorado brasileiro.
| Estado | Eleitores em 2026 | Resultado do 2º turno de 2022 |
|---|---|---|
| Paraná | 8.609.026 | Bolsonaro 62,41% x Lula 37,59% |
| Rio Grande do Sul | 8.526.233 | Bolsonaro 56,37% x Lula 43,63% |
| Santa Catarina | 5.725.753 | Bolsonaro 69,25% x Lula 30,75% |
Os números de 2022 mostram o tamanho do desafio. Bolsonaro venceu nos três estados no segundo turno, com a maior vantagem registrada em Santa Catarina, onde abriu quase 39 pontos percentuais sobre Lula.
O cenário ajuda a explicar por que a campanha petista decidiu intensificar a presença presidencial na região. Em uma eleição nacional apertada, não é necessário necessariamente vencer no Sul para que uma redução das diferenças produza impacto no resultado nacional.
Rio Grande do Sul: disputa mais aberta
No Rio Grande do Sul, a presença de Lula tem também o objetivo de fortalecer a candidatura de Juliana Brizola ao governo estadual.
Levantamentos recentes apontam uma disputa competitiva no estado, com Juliana e Luciano Zucco próximos na corrida pelo Palácio Piratini. A eleição estadual, portanto, oferece à campanha presidencial uma oportunidade de associar a imagem de Lula a uma candidatura com potencial de crescimento.
O estado também tem importância histórica para o campo progressista. Embora Bolsonaro tenha vencido em 2022, a diferença foi significativamente menor que a registrada no Paraná e, principalmente, em Santa Catarina.
Paraná: o maior colégio eleitoral do Sul
O Paraná tem atualmente 8,6 milhões de eleitores e se tornou o quinto maior colégio eleitoral do país.
A visita de Lula a Curitiba ocorre, portanto, em um território eleitoralmente relevante e onde a direita mantém vantagem histórica.
O ato na Boca Maldita também será utilizado para impulsionar Requião Filho na disputa pelo governo estadual e Gleisi Hoffmann na corrida ao Senado. Em 2002 o comício de Lula e Requião foi decisivo para o presidente receber mais de 2 milhões e meio de votos no 2º turno no Paraná.
Para a campanha presidencial, o desafio é reduzir a distância registrada em 2022 e ampliar a votação entre eleitores que não necessariamente se identificam com o PT, mas podem optar por Lula em uma eventual disputa de segundo turno.
Santa Catarina é o maior desafio
Santa Catarina aparece como o cenário mais difícil para o campo governista.
O estado deu a Bolsonaro 69,25% dos votos no segundo turno de 2022, contra 30,75% para Lula. A vantagem da direita permanece expressiva nas pesquisas eleitorais atuais, tanto na disputa presidencial quanto na corrida pelo governo estadual.
É nesse contexto que a transferência do ato para 19 de setembro ganha importância política. A campanha terá a oportunidade de concentrar a mobilização no estado na reta final antes do primeiro turno.
Eleição nacional pode ser decidida por margens pequenas
O interesse da campanha de Lula pelo Sul ocorre em um momento de forte competitividade na corrida presidencial.
Pesquisas recentes apresentam diferenças entre os institutos, mas convergem em um ponto: um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro tende a ser muito mais equilibrado do que o mapa eleitoral de 2022 poderia sugerir.
Levantamentos recentes da Quaest, AtlasIntel e Palver mostram cenários de segundo turno próximos, com os dois candidatos dentro ou próximos da margem de erro em diferentes pesquisas.
Isso aumenta a importância de estados nos quais Lula perdeu por margens largas em 2022. Se a campanha conseguir diminuir significativamente essas diferenças, poderá transformar milhões de votos adicionais em uma vantagem nacional relevante.
O objetivo não é necessariamente vencer o Sul
O cálculo eleitoral da campanha petista é mais complexo do que simplesmente buscar a vitória nos três estados.
Uma redução da vantagem da direita no Paraná e em Santa Catarina, combinada com uma votação mais forte no Rio Grande do Sul, pode representar um ganho expressivo para Lula no resultado nacional.
Com cerca de 22,8 milhões de eleitores, o Sul não pode ser ignorado por nenhuma campanha presidencial. A estratégia de Lula é, portanto, disputar votos onde historicamente encontrou mais resistência e, ao mesmo tempo, utilizar sua presença para fortalecer candidaturas aliadas aos governos estaduais e ao Senado.
Serviço: agenda do presidente
- Porto Alegre: sexta-feira (11), Largo Glênio Peres. Concentração às 17h e ato previsto para 19h.
- Curitiba: sábado (12), Boca Maldita, Rua XV de Novembro, às 10h.
- Florianópolis: sábado (19), Praça Tancredo Neves, em frente à Alesc, às 9h.
Com informações do Tribunal Superior Eleitoral; TRE-PR; TRE-RS; TRE-SC; Correio do Povo; Gazeta do Povo; UOL; Folha de S.Paulo. Ajude o Sulpost via Pix: (41) 99281-4330
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