Ala da campanha de Lula descarta ruptura com Moraes: não pode “perder um aliado” no STF

Estratégia eleitoral é afastar imagem do presidente da do ministro, sem romper politicamente com o magistrado; STF analisa nesta terça-feira (15) caso envolvendo mensagens de Daniel Vorcaro

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que o chefe do Executivo deve se afastar eleitoralmente da imagem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mas sem promover uma ruptura política com o magistrado.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, uma ala de aliados considera que Lula não pode “perder um aliado” dentro do Supremo. A orientação defendida é que o presidente sustente a necessidade de apuração dos fatos, sem assumir a defesa direta de Moraes nem ser associado às decisões e condutas do ministro que estão sob análise.

A estratégia ganhou força diante da repercussão do caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e do desgaste provocado pela crise interna no STF. O objetivo da campanha é evitar que a controvérsia seja transformada pela oposição em uma disputa direta entre Lula e o bolsonarismo.

De acordo com reportagem do Poder360, parte da equipe de campanha avalia que o presidente deve manter uma postura institucional diante das apurações, ao mesmo tempo em que preserva a relação política com Moraes.

Pressão eleitoral

A preocupação da campanha aumentou após pesquisas eleitorais apontarem uma disputa mais apertada pela Presidência. Levantamento da Quaest divulgado na segunda-feira (14) mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 42% das intenções de voto contra 40% de Lula em um eventual segundo turno. O resultado está dentro da margem de erro.

Flávio Bolsonaro tem explorado politicamente a proximidade entre Lula e Moraes. O movimento preocupa aliados do presidente, que avaliam ser necessário impedir que a crise envolvendo o STF seja associada diretamente ao governo e à candidatura petista.

Por isso, Lula tem adotado um discurso de defesa da transparência e da apuração dos fatos. A estratégia permite ao presidente se posicionar sobre o caso sem assumir uma defesa pessoal de Moraes.

Sessão do STF ocorre nesta terça-feira

O Supremo Tribunal Federal realiza nesta terça-feira (15), a partir das 10h, uma sessão extraordinária para analisar a controvérsia envolvendo informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro e as supostas relações do empresário com Alexandre de Moraes.

O caso tramita na Petição 16.662. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, assumiu a relatoria do processo e conduzirá a análise pelo plenário da Corte.

Entre os pontos em discussão está a validade dos procedimentos que levaram à análise dos dados do telefone de Vorcaro, além do destino das informações relacionadas a Moraes e do pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para anular a decisão que determinou o aprofundamento da apuração.

A sessão foi mantida exclusivamente para tratar do caso Moraes–Vorcaro. Já a análise de eventual investigação envolvendo o ministro André Mendonça foi marcada por Fachin para o dia 23 de setembro.

Crise interna no Supremo

A crise começou a ganhar dimensão pública após Mendonça, que inicialmente relatava o caso, retirar o sigilo de documentos e divulgar informações da investigação da Polícia Federal envolvendo mensagens de Vorcaro e Moraes.

Moraes reagiu e questionou a atuação de Mendonça, enquanto decisões conflitantes envolvendo a Polícia Federal ampliaram a tensão entre integrantes da Corte. Fachin interveio para centralizar os procedimentos que envolvem ministros do Supremo e evitar novos conflitos de competência.

Moraes nega irregularidades e classificou o relatório utilizado no caso como uma tentativa de desestabilizar o STF. O ministro também contesta a interpretação dada às mensagens atribuídas a ele.

Nos últimos dias, novos diálogos extraídos do celular de Vorcaro também passaram a mencionar pessoas próximas a outros ministros do Supremo, ampliando o alcance político da crise. As mensagens, por si só, não comprovam pagamentos ou interferência judicial, mas aumentaram a pressão sobre a Corte.

Governo tenta manter distância do conflito

Para a campanha de Lula, a prioridade é evitar que o episódio seja apresentado como uma disputa pessoal entre o presidente e seus adversários políticos em torno de Moraes.

A orientação é defender a transparência, deixar que o STF apure os fatos e evitar manifestações que possam ser interpretadas como uma defesa automática do ministro. Ao mesmo tempo, aliados descartam, neste momento, um rompimento político com Moraes.

O cálculo eleitoral é que a crise do Supremo deve ser tratada como uma questão institucional do Judiciário, e não como um problema diretamente vinculado ao governo Lula.

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