Brasil reduz em 42% perdas florestais em 2025 — e ajuda a frear devastação global

Queda histórica reposiciona o país no debate climático, mas desafio até 2030 segue longe do ideal

Brasil reduz em 42% perdas florestais em 2025 — e ajuda a frear devastação global. Queda histórica reposiciona o país no debate climático, mas desafio até 2030 segue longe do ideal

O verde respira um pouco mais aliviado — e o mundo sente. Em meio a um cenário global ainda pressionado pela necessidade de expansão do agronegócio e pelos incêndios florestais, o Brasil registrou em 2025 uma queda significativa nas perdas florestais. O dado, divulgado nesta terça-feira (29) pela Agência Brasil, aponta uma redução de 42% na perda de cobertura arbórea em florestas tropicais úmidas em comparação com 2024.

Na prática, isso significa que o país perdeu cerca de 1,6 milhão de hectares no período — ainda um número alto, mas consideravelmente menor que o do ano anterior. E não se trata apenas de estatística doméstica: o impacto dessa redução ajudou a puxar para baixo o resultado global.

O levantamento é do Global Forest Watch, iniciativa do World Resources Institute (WRI), com base em dados do laboratório Glad, da Universidade de Maryland. Segundo a codiretora do projeto, Elizabeth Goldman, o Brasil atingiu o menor nível de perdas não associadas a incêndios desde o início da série histórica, em 2001.

Esse recuo foi puxado principalmente pela redução do desmatamento direto — aquele sem uso do fogo —, que inclui corte raso, degradação florestal e outros fatores naturais. Só nesse tipo de perda, a queda foi de 41% em relação ao ano anterior.

Há um padrão territorial nesse movimento. Estados como Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre e Roraima concentraram mais de 40% dessa redução. Na contramão, o Maranhão foi o único a registrar aumento nas perdas.

Os dados dialogam com os números do sistema oficial brasileiro, o Prodes, ainda que utilizem metodologias diferentes. Enquanto o monitoramento nacional foca no desmatamento, o Global Forest Watch amplia o olhar e inclui outras formas de degradação da cobertura vegetal.

Para especialistas, o resultado não surgiu por acaso. Há uma combinação de fatores em jogo: políticas públicas mais ativas, fiscalização, participação da sociedade civil e iniciativas econômicas voltadas à preservação. Entre elas, o estímulo à produção em áreas já desmatadas, a criação de mecanismos como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e incentivos para serviços ambientais.

O Brasil, nesse cenário, volta a ocupar uma posição estratégica — não apenas como parte do problema, mas também como peça central na solução. Afinal, está no cruzamento entre produção de alimentos, energia e estabilidade climática.

No plano global, os números também mostram melhora. Em 2025, o mundo perdeu cerca de 4,3 milhões de hectares de florestas tropicais úmidas — uma redução de 35% em relação ao ano anterior, quando o desmatamento atingiu níveis recordes.

Mas o alívio é parcial. As perdas causadas por incêndios seguem elevadas, figurando como a terceira maior da série histórica desde 2001. Nos últimos três anos, o fogo tem devastado florestas em um ritmo duas vezes maior que há duas décadas.

Outro ponto de atenção é que, apesar da queda, o planeta ainda está longe da meta firmada por mais de 140 países: zerar ou reverter a perda florestal até 2030. Segundo o WRI, o ritmo atual ainda está cerca de 70% acima do necessário.

Há, portanto, uma ambiguidade inevitável nos números. O avanço é real, consistente e relevante — especialmente no caso brasileiro. Mas o tempo climático não opera com folga.

Em outras palavras: a direção parece correta. A velocidade, nem tanto.

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