Meta fecha acordo de até US$ 18 bilhões após acusações de estimular vício em redes sociais
Meta é acusada de desenvolver Facebook e Instagram com mecanismos capazes de estimular uso compulsivo, especialmente entre crianças e adolescentes. Acordo nos EUA prevê pagamento bilionário e mudanças nas plataformas
A Meta, dona do Facebook e do Instagram, fechou um acordo que pode chegar a US$ 18 bilhões para encerrar uma série de processos movidos por estados e territórios dos Estados Unidos. As ações acusavam a empresa de ter desenvolvido recursos de suas redes sociais de maneira a estimular o uso compulsivo — comportamento que, em linguagem popular, transforma usuários contumazes em verdadeiros viciados em redes sociais.
O acordo encerra um dos maiores confrontos judiciais já travados contra uma empresa de tecnologia por causa dos efeitos das redes sociais sobre crianças e adolescentes. As acusações sustentavam que a Meta conhecia os riscos associados ao uso excessivo de suas plataformas e, ainda assim, mantinha mecanismos destinados a aumentar o engajamento e o tempo de permanência dos usuários.
Limite de duas horas por dia
Entre as mudanças previstas está a criação de um limite diário de duas horas de uso para adolescentes, além de bloqueio de acesso durante a madrugada, entre meia-noite e 6h, salvo autorização dos pais. O acordo também prevê restrições a notificações durante o horário escolar e reforço dos mecanismos de verificação de idade e controle parental.
Outra medida prevista é a redução da exposição de adolescentes a determinados mecanismos de engajamento, incluindo mudanças na forma como reações e curtidas são exibidas.
Não é um acordo europeu
Apesar de acusações semelhantes existirem na Europa, o acordo de até US$ 18 bilhões anunciado agora é dos Estados Unidos. A Meta enfrenta, separadamente, investigações e processos na Europa relacionados aos possíveis efeitos de características consideradas potencialmente viciantes de Facebook e Instagram sobre menores.
Documentos da própria empresa registram que a Comissão Europeia abriu procedimentos sobre o tema e, em 2026, apontou preliminarmente a existência de recursos potencialmente viciantes nas plataformas.
Meta não admite culpa
O acordo não representa uma admissão de responsabilidade por parte da empresa. A Meta afirma que já vinha adotando medidas para tornar suas plataformas mais seguras para usuários jovens. O entendimento ainda depende de aprovação judicial.
O caso, porém, amplia a pressão sobre as grandes plataformas digitais e coloca em discussão uma questão cada vez mais difícil de ignorar: até que ponto uma rede social pode usar mecanismos de engajamento para prender a atenção de seus usuários antes que isso passe a ser tratado como um problema de saúde e de proteção ao consumidor?
Para os milhões de usuários que passam horas rolando telas, recebendo notificações e retornando repetidamente aos aplicativos, a disputa judicial americana pode representar o início de uma mudança importante na maneira como o chamado “vício em redes sociais” é tratado pelas autoridades.

Comentários
Postar um comentário
Deixe seu comentário