Fernanda do Nelsão reforça a importância do acolhimento e da prevenção no Outubro Rosa

Encontro na sede do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba destacou que o enfrentamento do câncer de mama exige informação, apoio emocional e cuidado durante todo o ano

O Outubro Rosa está chegando ao fim, mas a luta contra o câncer de mama não pode ficar restrita a um mês de conscientização. Essa foi uma das principais mensagens do encontro promovido na terça-feira (27), na sede central do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), em Curitiba, com participação de Fernanda Queiroz, assessora da Força Sindical do Paraná e responsável pela organização e intermediação da atividade.

Promovido pelo Conselho da Mulher da Força Sindical do Paraná, o encontro reuniu mulheres e trabalhadores para uma conversa sobre a prevenção do câncer de mama, a saúde emocional e a importância de oferecer acolhimento às pessoas que enfrentam a doença e às suas famílias.

A atividade foi conduzida pela terapeuta e professora Tati Braholka, que abordou a relação entre emoções e saúde. A proposta foi ampliar o debate para além dos sintomas e dos tratamentos convencionais, chamando a atenção para os conflitos emocionais e as dificuldades que podem acompanhar o diagnóstico e o tratamento do câncer.

Fernanda: o cuidado precisa acontecer de janeiro a janeiro

Em seu depoimento, Fernanda Queiroz destacou que prevenção e combate à doença precisam caminhar juntos. Ela também ressaltou que o movimento sindical pode desempenhar um papel importante na construção de uma rede de apoio para quem enfrenta o câncer de mama.

“Outubro Rosa é de janeiro a janeiro”, afirmou Fernanda, lembrando que a conscientização não deve se limitar às campanhas realizadas em outubro.

Para ela, a palestra foi importante não apenas pela quantidade de informações compartilhadas, mas também por mostrar que as pessoas em tratamento não estão sozinhas. O acolhimento, segundo a assessora, também precisa estar presente dentro dos sindicatos e das organizações dos trabalhadores.

Fernanda lembrou que a atuação do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher da Força Sindical envolve trabalhadoras de diferentes categorias profissionais, como metalúrgicas, gráficas, motoristas, cobradoras, têxteis e químicas.

É uma rede de mulheres que pode contribuir para levar informação, solidariedade e apoio a quem precisa. Em um momento de tantas incertezas, saber que existe alguém disposto a ouvir e caminhar ao lado de quem enfrenta a doença faz diferença.

Nem sempre o Outubro Rosa é cor-de-rosa

Um dos pontos mais marcantes do depoimento de Fernanda foi a lembrança de que a realidade de quem enfrenta o câncer nem sempre corresponde à imagem positiva que costuma acompanhar as campanhas de conscientização.

“Não fala do que é a pessoa que está passando pelo tratamento. E não só a paciente ou o paciente, mas também a família desse paciente, que também adoece. E nem sempre é rosa”, ressaltou.

A observação chama a atenção para uma dimensão que nem sempre recebe o espaço necessário no debate público: o sofrimento emocional, o medo, o cansaço e as mudanças na rotina que atingem tanto a pessoa diagnosticada quanto quem acompanha seu tratamento.

O diagnóstico de câncer pode transformar a vida de uma família inteira. Por isso, além do atendimento médico, o apoio emocional e o acolhimento também merecem atenção. Reconhecer as dificuldades não significa perder a esperança, mas compreender que ninguém deveria precisar enfrentar esse caminho sem apoio.

Informação também é uma forma de prevenção

Durante o encontro, Fernanda reforçou a importância de ampliar o acesso à informação e de incentivar as pessoas a cuidarem da própria saúde. Em seu depoimento, ela mencionou uma estimativa de incidência do câncer de mama entre mulheres para o período de 2026 a 2029.

Como o dado citado na fala não veio acompanhado da identificação da fonte, o número precisa ser confirmado antes de ser publicado como estatística oficial. A divulgação responsável de informações sobre saúde exige que os números sejam apresentados com sua origem, período de referência e população considerada.

A orientação central, porém, permanece: procurar os serviços de saúde, conversar com profissionais, esclarecer dúvidas e seguir as recomendações de prevenção e acompanhamento adequadas a cada pessoa são atitudes importantes. O diagnóstico precoce pode ampliar as possibilidades de tratamento, embora não exista uma medida isolada capaz de eliminar todos os riscos.

O cuidado também não deve ser visto como responsabilidade exclusiva das mulheres. Embora o câncer de mama seja muito mais frequente entre elas, homens também podem desenvolver a doença e precisam estar atentos a alterações suspeitas e procurar atendimento médico quando necessário.

Cuidar de si também é cuidar de quem está ao seu lado

Ao final de sua fala, Fernanda deixou um recado dirigido tanto às mulheres quanto aos homens trabalhadores: colocar a própria saúde entre as prioridades não é egoísmo.

“Se você ama sua família, se cuide, se coloque em primeiro lugar. Não é egoísmo”, afirmou.

A mensagem dialoga diretamente com a realidade de quem passa boa parte da vida dividido entre trabalho, responsabilidades familiares e preocupações financeiras. Muitas vezes, o cuidado com a própria saúde acaba adiado, seja pela falta de tempo, pela dificuldade de acesso aos serviços ou pela tendência de colocar as necessidades de todos à frente das próprias.

É justamente por isso que campanhas como o Outubro Rosa precisam ir além da divulgação de símbolos e mensagens. Elas devem ajudar a abrir conversas, combater a desinformação, estimular a procura por atendimento e fortalecer redes de apoio.

A atividade realizada na sede do SMC reforçou que o enfrentamento do câncer de mama envolve muito mais do que um diagnóstico ou um tratamento. Envolve pessoas, famílias, profissionais de saúde e comunidades que podem contribuir para que ninguém enfrente a doença em isolamento.

O mês de outubro termina, mas a mensagem precisa continuar. Prevenção, informação, acompanhamento médico e acolhimento são compromissos permanentes. Cuidar da saúde é cuidar da própria vida — e também de quem caminha ao nosso lado.

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