Confirmado: Flávio Bolsonaro deixou o Brasil e vai morar nos Estados Unidos
New York Times e Reuters confirmam viagem com base em fontes; senador não entregou os documentos exigidos pela Justiça, e parlamentares pedem prisão preventiva
O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos, segundo informações publicadas nesta terça-feira (27) pelo The New York Times e pela agência internacional Reuters.
O jornal norte-americano afirma que recebeu a confirmação de dois funcionários do governo dos Estados Unidos, que falaram sob condição de anonimato. A Reuters, por sua vez, ouviu uma fonte do governo norte-americano e um aliado próximo do senador. As duas publicações informam que a viagem ocorreu depois que Flávio recebeu ordem judicial para entregar seus passaportes à Polícia Federal (PF).
A informação representa uma mudança importante em relação às primeiras notícias da manhã, quando a localização do senador ainda era desconhecida e seus aliados negavam que ele tivesse deixado o país.
O caso agora envolve três questões centrais: como Flávio conseguiu sair do Brasil apesar da proibição judicial, qual foi a rota utilizada e quais providências serão adotadas pelas autoridades brasileiras.
Existem perguntas em aberto. Se ele teria passado pelo Paraná e por Foz do Iguaçu. Estado aonde o candidato do PL, seu apoiador Sérgio Moro, venceu as eleições no primeiro turno e cidade aonde o prefeito é o general Silva e Luna, amigo de seu pai Jair Bolsonaro, ex-presidente que encontra-se em prisão domiciliar em Brasília.
Certamente a Polícia Federal está investigando. Como ele cruzou a fronteira é a pergunta para a qual certamente serão exigidas respostas. Teria tido ajuda dos americanos? E se teve ajuda de aliados, quais foram os cúmplices?
Estados Unidos devem conceder visto, diz autoridade americana
Na reportagem do The New York Times, uma autoridade norte-americana afirmou que os Estados Unidos pretendem conceder um visto a Flávio Bolsonaro. A informação acrescenta uma dimensão diplomática ao episódio, que ocorre em meio a tensões políticas entre os governos brasileiro e norte-americano.
Até o momento, porém, não há confirmação pública suficiente para afirmar em qual cidade Flávio desembarcou, se já passou pelo controle migratório norte-americano ou se o visto mencionado já foi efetivamente emitido. A Reuters também informou que não conseguiu estabelecer a rota exata da viagem.
O senador tem o irmão Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Eduardo, ex-deputado federal, vive no país desde 2025 e foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos de prisão por sua atuação em articulações para pressionar autoridades brasileiras. A eventual reunião dos irmãos nos Estados Unidos, entretanto, não foi confirmada pelas reportagens consultadas.
PF cancela passaportes e vai comunicar Moraes
A Polícia Federal cancelou os passaportes brasileiro comum e diplomático de Flávio Bolsonaro depois que terminou, na manhã desta terça-feira, o prazo de 24 horas para a entrega dos documentos, sem que o senador comparecesse para cumprir a determinação.
Segundo a Agência Brasil, a PF informou que vai comunicar o descumprimento da ordem ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A corporação não havia identificado registro formal de saída do senador nos sistemas migratórios brasileiros.
Esse detalhe é importante: a ausência de registro oficial não significa que Flávio permaneceu no país. A investigação busca esclarecer se ele atravessou uma fronteira sem passar pelo controle migratório regular ou se utilizou outra rota.
O UOL, em reportagem da Agência Estado, informou que a defesa havia sinalizado que entregaria os documentos pela manhã, mas isso não ocorreu. A publicação também destacou que, naquele momento, não havia mandado de prisão contra Flávio. Por isso, o descumprimento da ordem de entrega dos passaportes não permite, por si só, classificá-lo juridicamente como foragido.
Argentina nega registro de entrada
Uma das principais dúvidas envolve a passagem pela Argentina. A primeira versão divulgada pelo portal argentino Infobae apontava que Flávio teria atravessado a fronteira e embarcado em um jato particular em Puerto Iguazú, na província de Misiones.
Entretanto, a Direção Nacional de Imigração argentina informou não ter encontrado registro de entrada do senador no país. Conforme a reportagem do UOL/Agência Estado, as autoridades argentinas também fiscalizaram a aeronave mencionada nas primeiras notícias e disseram que não havia plano de voo apresentado para transportar a família Bolsonaro.
Já a Folha de S.Paulo ouviu pessoas próximas ao senador que afirmaram que ele teria seguido para os Estados Unidos por outro ponto de partida na Argentina, e não necessariamente por Puerto Iguazú. Essa versão, atribuída aos interlocutores, ainda não esclarece a rota exata nem resolve a ausência de registros migratórios.
Assim, a confirmação de que Flávio viajou aos Estados Unidos, publicada por veículos internacionais com base em suas fontes, convive com dúvidas ainda abertas sobre o trajeto percorrido e as circunstâncias da saída do Brasil.
Parlamentares pedem prisão preventiva e alerta vermelho da Interpol
O caso também chegou à frente política e jurídica. Os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG), além da deputada federal eleita Ana Elisa Santos (PT-MG), pediram ao ministro Alexandre de Moraes a prisão preventiva de Flávio Bolsonaro. No mesmo requerimento, solicitaram que, caso seja expedido mandado de prisão, seja acionado o mecanismo de alerta vermelho da Interpol.
A informação foi publicada pela CNN Brasil. Os parlamentares alegam descumprimento da ordem judicial e risco de fuga, e pedem que a defesa informe o paradeiro do senador e que a Procuradoria-Geral da República se manifeste com urgência.
É necessário fazer uma distinção: até o momento das informações consultadas, o que está confirmado é a apresentação do pedido por parlamentares. Não há confirmação de que Moraes tenha decretado a prisão preventiva ou determinado a inclusão do senador na lista de difusão vermelha da Interpol.
O mecanismo internacional não funciona como uma condenação. O alerta vermelho é um pedido de localização e prisão provisória para fins de extradição ou medida legal equivalente, conforme as regras aplicáveis. Sua emissão depende dos procedimentos próprios e não decorre automaticamente de uma solicitação parlamentar.
Quais investigações envolvem o senador
De acordo com a Agência Brasil, a ordem de entrega dos passaportes e a proibição de viajar foram determinadas por Alexandre de Moraes no contexto de uma investigação que envolve Flávio e o advogado Willer Tomaz, sob suspeita de lavagem de dinheiro. Ambos negam irregularidades.
A PF investiga suspeitas relacionadas a recursos financeiros e a uma empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. Flávio também é alvo de outra investigação relacionada ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os detalhes dos procedimentos judiciais exigem cautela, pois parte das decisões tramita sob sigilo.
Flávio não foi condenado nesses casos e nega ter cometido irregularidades. A existência de uma investigação não equivale à comprovação de culpa.
Derrota eleitoral e repercussão internacional
A saída do senador ocorre dois dias depois do segundo turno presidencial, no qual Lula foi reeleito. O episódio amplia a repercussão da derrota eleitoral e abre uma nova frente de tensão entre o campo bolsonarista, o Judiciário brasileiro e autoridades norte-americanas.
Antes da eleição, Eduardo Bolsonaro havia defendido publicamente que o irmão deixasse o Brasil caso perdesse a disputa. Depois da votação, Flávio inicialmente questionou o resultado, mas o Partido Liberal reconheceu a vitória de Lula, segundo a Agência Brasil.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também fez declarações questionando a eleição brasileira, segundo a cobertura internacional. A eventual concessão de visto a Flávio, se confirmada oficialmente, poderá alimentar o debate diplomático, mas não significa, por si só, que o governo norte-americano tenha decidido interferir nas investigações brasileiras.
O que ainda falta esclarecer
O ponto central agora é estabelecer a rota utilizada pelo senador, confirmar as circunstâncias de sua entrada nos Estados Unidos e verificar como a viagem ocorreu depois da ordem judicial que o proibia de deixar o Brasil.
Também será necessário acompanhar a manifestação da Polícia Federal ao STF, a decisão de Alexandre de Moraes sobre o pedido de prisão preventiva e eventual solicitação de alerta vermelho da Interpol. Até que essas medidas sejam oficialmente confirmadas, não se deve afirmar que o senador já é alvo de um alerta internacional ou que exista ordem de prisão contra ele.
O episódio levanta uma questão que vai além da disputa partidária: decisões judiciais precisam ser cumpridas, e eventuais violações devem ser apuradas com base em provas. Ao mesmo tempo, o direito de defesa e a presunção de inocência precisam ser respeitados, independentemente do sobrenome ou da posição política do investigado.
O Sulpost continuará acompanhando as informações oficiais e as atualizações dos veículos que noticiaram a viagem. A prioridade é esclarecer o que aconteceu, separar fatos comprovados de versões atribuídas a fontes e manter o leitor informado sem transformar suspeitas em sentenças antecipadas.
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