Lula mobiliza milhões nas redes, enquanto Eduardo Bolsonaro questiona urnas e fala em saída do irmão do país
Na reta final da eleição presidencial, campanha aposta na mobilização digital, enquanto declarações do ex-deputado levantam questionamentos sobre o reconhecimento do resultado das urnas
Na reta final da campanha presidencial de 2026, a disputa também acontece nas redes sociais. De um lado, o presidente Lula (PT) participou por telefone de uma transmissão ao vivo comandada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pelo canal Exército do Lula, criado no WhatsApp. Do outro, Eduardo Bolsonaro (PL), que vive nos Estados Unidos, voltou a questionar a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro e defendeu que seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL), deixe imediatamente o país caso perca a eleição.
Lula provoca adversários e pede mobilização digital
Durante a transmissão, Lula ironizou a repercussão internacional da mobilização digital de seus apoiadores e fez referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao líder chinês, Xi Jinping.
Segundo o relato divulgado sobre a transmissão, Lula afirmou que Trump estaria preocupado com seu exército digital e declarou que o grupo de apoiadores seria melhor do que o do presidente americano.
Na ocasião, Janones informou que o canal reunia 10,6 milhões de seguidores. Lula pediu que os participantes ampliassem o engajamento para alcançar a marca de 13 milhões antes do segundo turno, marcado para este domingo (25).
A estratégia demonstra a importância das redes de comunicação direta na campanha eleitoral. Com milhões de participantes, esses canais permitem que apoiadores compartilhem informações, divulguem propostas e mobilizem eleitores sem depender exclusivamente dos meios tradicionais de comunicação.
Acesse o Canal do Lula, oficial, no Whatsapp.
Eduardo Bolsonaro questiona as urnas e sugere saída do Brasil
Enquanto a campanha de Lula busca ampliar a mobilização de seus apoiadores, Eduardo Bolsonaro fez declarações controversas em entrevista ao podcast americano Louder with Crowder, apresentado pelo comentarista político Steven Crowder.
Questionado sobre o que seu irmão deveria fazer caso perdesse a eleição presidencial, Eduardo respondeu, inicialmente em tom de brincadeira, que seria possível mandar fuzileiros navais. Em seguida, afirmou seriamente que era favorável a que Flávio deixasse o Brasil em caso de derrota.
Eduardo justificou sua posição alegando que Lula teria ameaçado investigar o senador durante o debate presidencial. A declaração, porém, não demonstra, por si só, que Flávio seria alvo de perseguição política ou que precisaria deixar o país.
A fala merece atenção porque a alternância de poder e o reconhecimento dos resultados eleitorais são elementos fundamentais da democracia. Candidatos e partidos têm o direito de contestar decisões e apresentar questionamentos pelos meios legais, mas a derrota eleitoral, por si só, não constitui justificativa para abandonar o país.
Desconfiança das urnas sem comprovação de fraude
Na mesma entrevista, Eduardo voltou a questionar a segurança das urnas eletrônicas brasileiras. Ao defender sua posição, declarou: “Da mesma forma que eu não posso provar que houve fraude, eles não podem provar que não houve.”
O argumento inverte o princípio básico da comprovação de alegações. A ausência de prova de uma fraude não constitui evidência de que ela ocorreu. Para sustentar uma acusação dessa natureza, é necessário apresentar elementos verificáveis que permitam uma investigação técnica e independente.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponibiliza informações sobre o funcionamento, a fiscalização e a segurança do sistema eletrônico de votação. Entre os mecanismos de transparência está o Boletim de Urna (BU), documento impresso ao final da votação em cada seção eleitoral, que registra os resultados daquele equipamento e pode ser conferido pelos fiscais partidários. Os dados também são disponibilizados para consulta pública.
O Brasil utiliza urnas eletrônicas desde 1996. O sistema é submetido a procedimentos de fiscalização, auditoria e verificação, com participação de instituições e entidades habilitadas. Questionamentos sobre seu funcionamento podem ser examinados pelos instrumentos institucionais disponíveis.
Isso não significa que sistemas eleitorais estejam dispensados de fiscalização. Significa que eventuais irregularidades precisam ser demonstradas por evidências concretas, e não apenas pela repetição de suspeitas.
O debate sobre o voto impresso
Eduardo Bolsonaro também criticou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) contrárias à adoção do voto impresso associado ao sistema eletrônico.
O tema foi objeto de diferentes iniciativas legislativas. Em 2002, o Congresso aprovou uma lei que previa a impressão do voto, posteriormente revogada. Em 2009, uma nova legislação estabeleceu a impressão do registro do voto, mas o dispositivo foi declarado inconstitucional pelo STF em 2011. Em 2015, outra lei voltou a prever a impressão do voto, e a medida foi considerada inconstitucional pela Corte em 2018.
Entre os fundamentos das decisões estavam os riscos à liberdade e ao sigilo do voto, além de questões relacionadas à segurança do processo eleitoral. O histórico pode ser consultado na jurisprudência e nos registros oficiais do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral.
A situação judicial de Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde 2025 e perdeu o mandato de deputado federal em razão do excesso de faltas às sessões da Câmara.
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, em junho de 2026 ele foi condenado pela Primeira Turma do STF a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. A condenação teria se tornado definitiva em 3 de outubro, com determinação do ministro Alexandre de Moraes para o início do cumprimento da pena e a expedição de mandado de prisão.
Por se tratar de informação judicial relevante e recente, a situação processual deve ser conferida diretamente nos registros oficiais do STF, especialmente quanto ao trânsito em julgado e às medidas de execução penal.
Eduardo Bolsonaro defende que Flávio fuja do Brasil em caso de derrota e fala em chamar fuzileiros dos EUA. No podcast do conservador Steven Crowder, o filho 03 de Jair Bolsonaro defendeu que os Marines, força militar dos EUA, invadissem o Brasil. https://t.co/o62gMBZdnr
— ICL Notícias (@ICLNoticias) October 24, 2026
O que está em jogo na reta final
A disputa presidencial não se resume às propostas econômicas, sociais e políticas dos candidatos. Também envolve o compromisso com as regras democráticas, a confiança nas instituições e a disposição de respeitar a decisão soberana dos eleitores.
É legítimo fiscalizar as eleições, cobrar transparência e questionar procedimentos com base em evidências. O que não contribui para a democracia é transformar suspeitas sem comprovação em certezas ou tratar antecipadamente uma eventual derrota como motivo para abandonar o país.
Enquanto Lula investe na mobilização de milhões de apoiadores, as declarações de Eduardo Bolsonaro colocam em evidência outra questão: como os diferentes grupos políticos se comportarão diante do resultado das urnas?
Em uma democracia, a disputa termina com a apuração dos votos. A fiscalização deve continuar, mas o resultado precisa ser tratado pelos caminhos legais, com responsabilidade e respeito à vontade popular. O sistema eleitoral brasileiro é um dos mais avançados do mundo e as alegações de fraude jamais foram comprovadas. O sistema é robusto e extremamente confiável.
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