Nunes Marques diz que sistemas eleitorais estão “blindados” contra fraudes
Na véspera do segundo turno das eleições presidenciais, presidente do TSE confirma autenticidade dos sistemas de totalização dos votos; auditorias públicas continuam neste domingo (25)
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou neste sábado (24) que os sistemas eleitorais estão preparados e protegidos contra interferências indevidas. A declaração foi feita durante a Cerimônia de Verificação dos Sistemas Eleitorais e Emissão da Zerésima, realizada em Brasília, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais.
“Os sistemas que acabamos de verificar estão prontos, autênticos e blindados contra qualquer ingerência indevida”, declarou o ministro. Segundo ele, é responsabilidade da Justiça Eleitoral garantir que cada voto depositado na urna eletrônica seja registrado e apurado com precisão.
“As cidadãs e os cidadãos do nosso país podem ter a mais absoluta certeza de que, ao comparecerem às seções eleitorais e pressionarem a tecla ‘Confirma’, seu voto será registrado, preservado e totalizado com absoluta integridade e transparência”, afirmou.
O que foi verificado pelo TSE?
De acordo com o relato oficial do Tribunal, a cerimônia deste sábado confirmou que os programas instalados nos equipamentos da Corte correspondem às versões anteriormente examinadas, assinadas digitalmente e lacradas.
Foram verificados quatro sistemas fundamentais para o processamento dos resultados eleitorais:
- Transportador Web: utilizado no fluxo de transmissão dos arquivos eleitorais;
- Receptor de Arquivos de Urna (RecArquivos): responsável pelo recebimento dos arquivos encaminhados à Justiça Eleitoral;
- Informação de Arquivos de Urna (InfoArquivos): utilizado na consulta e no tratamento de informações relacionadas aos arquivos das urnas;
- Sistema de Gerenciamento da Totalização (Sistot): empregado no processamento e na totalização dos resultados.
Segundo o TSE, as verificações foram concluídas com sucesso. A conferência confirmou que os programas examinados correspondem às versões oficiais, sem alterações detectadas nos arquivos verificados.
Como funciona a proteção dos sistemas eleitorais?
A segurança não depende apenas de uma declaração das autoridades. Ela envolve procedimentos técnicos destinados a permitir a identificação de alterações nos programas e a fiscalização das diferentes etapas do processo eleitoral.
Um dos mecanismos utilizados é a assinatura digital, acompanhada dos chamados hashes, ou resumos digitais. Esses códigos funcionam como identificadores dos arquivos: quando um arquivo é modificado, seu resumo digital tende a apresentar um resultado diferente do registrado originalmente. A comparação permite identificar alterações e verificar se os programas em uso correspondem às versões oficiais.
O procedimento realizado neste sábado comparou as assinaturas digitais e os resumos dos sistemas com os registros oficiais. A verificação é uma etapa adicional de controle sobre os programas responsáveis pelo recebimento, pela transmissão e pela totalização dos resultados.
Em 4 de setembro, o TSE já havia realizado a assinatura digital e a lacração dos sistemas das Eleições 2026. Na ocasião, foram concluídos os procedimentos de preparação das versões que serviriam de referência para as verificações posteriores.
Fiscalização não termina antes da votação
A cerimônia deste sábado representa uma etapa importante da fiscalização, mas os controles não se encerram com a verificação dos sistemas instalados no Tribunal.
Conforme informou o TSE, neste domingo (25), dia da votação do segundo turno, serão realizados o Teste de Integridade das Urnas Eletrônicas e o Teste de Autenticidade dos Sistemas Eleitorais. Os procedimentos permitem verificar aspectos do funcionamento dos equipamentos e a correspondência entre os programas utilizados e as versões oficiais previamente auditadas e lacradas.
No Teste de Integridade, votos registrados em cédulas de papel são digitados em uma urna eletrônica e, posteriormente, os resultados são comparados. Já o Teste de Autenticidade verifica se o software instalado no equipamento corresponde à versão oficial desenvolvida, auditada, assinada e lacrada pela Justiça Eleitoral.
Segundo o TSE, as auditorias podem ser acompanhadas por representantes de partidos políticos, do Ministério Público, de entidades fiscalizadoras e da sociedade civil.
Confiança nas urnas é questão de democracia
Em uma eleição presidencial disputada, a confiança no resultado é fundamental. Por isso, informações verificáveis sobre os procedimentos de segurança, auditoria e fiscalização são essenciais para que os eleitores compreendam como funciona a apuração dos votos.
Isso não significa que sistemas tecnológicos devam ser tratados como imunes a qualquer possibilidade de falha. Significa que sua confiabilidade precisa ser sustentada por mecanismos de proteção, testes, auditorias e transparência, com procedimentos capazes de identificar eventuais problemas.
A declaração de Nunes Marques vem justamente na véspera de uma votação decisiva para o país. Ao afirmar que os sistemas estão “blindados contra qualquer ingerência indevida”, o presidente do TSE reforça a posição institucional da Justiça Eleitoral sobre a integridade dos programas verificados.
Para o eleitor, a orientação é simples: exercer o direito ao voto com tranquilidade, buscar informações em fontes oficiais e desconfiar de mensagens que atribuam irregularidades às urnas sem apresentar evidências verificáveis.
A democracia depende da livre manifestação da vontade popular, mas também da responsabilidade de candidatos, partidos, autoridades e cidadãos na preservação da confiança pública. A fiscalização transparente e a divulgação de informações comprovadas são parte desse compromisso.
- Com informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Sulpost — Jornalismo digital, cidadão e independente. Informação de interesse público.

Comentários
Postar um comentário
Deixe seu comentário