Alexandre Curi aposta em presença nos municípios e tenta levar a campanha ao Senado para além da disputa ideológica

Presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Alexandre Curi corre o estado em campanha que busca despolarização, por união do povo paranaense, para chegar ao Senado Federal nas eleições que se aproximam

 
Presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Alexandre Curi corre o estado em campanha que busca despolarização, por união do povo paranaense, para chegar ao Senado Federal nas eleições que se aproximam

Em uma campanha que entrou em uma fase mais intensa nas últimas semanas, Alexandre Curi vem percorrendo o Paraná com uma mensagem que procura aproximar Brasília da realidade dos municípios. Candidato ao Senado pelo Republicanos, com o número 100, Curi transformou a experiência acumulada na política estadual e a relação com prefeitos, lideranças e diferentes setores da economia em um dos principais argumentos de sua candidatura.

O discurso tem um ponto de partida simples: “Menos Brasília, Mais Paraná”. A partir dele, o candidato tenta apresentar o Senado como um espaço de representação dos interesses concretos do Estado — de estradas e ferrovias à saúde, segurança, agricultura e recursos para os municípios.

Uma campanha que começa pelas cidades

A agenda de Curi tem sido marcada pela interiorização. Nas últimas semanas, o candidato esteve em diferentes regiões do Paraná, participando de reuniões com entidades, produtores, representantes do setor público e lideranças locais.

Em Foz do Iguaçu, por exemplo, discutiu desenvolvimento econômico e as demandas da região. Em outros municípios, a pauta passou por segurança pública, agronegócio, infraestrutura e investimentos.

Mais do que apresentar propostas em eventos formais, Curi tem procurado explorar uma característica que faz parte de sua própria narrativa política: a ideia de conhecer de perto as diferentes realidades do Paraná.

Ele costuma lembrar que já percorreu os 399 municípios do Estado e afirma que um senador precisa manter essa proximidade depois de chegar a Brasília — e não apenas durante a campanha.

“O Paraná precisa de um senador presente, que conheça as necessidades dos municípios e acompanhe a chegada dos recursos”, é uma das ideias que aparecem com frequência no discurso do candidato.

Da infraestrutura ao Fundo Sul

Entre os temas mais presentes na campanha está a infraestrutura. Curi fala em acompanhar de perto projetos como a Nova Ferroeste, a modernização dos portos de Paranaguá e Antonina, investimentos em rodovias, ferrovias, saneamento e a ampliação da infraestrutura aeroportuária.

A lógica apresentada pelo candidato é que não basta anunciar uma obra. É preciso garantir projeto, recurso e acompanhamento para que o investimento efetivamente chegue à população.

Outra proposta que ganhou espaço na campanha é a criação de um Fundo Sul, voltado aos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A ideia seria criar uma fonte de recursos para investimentos e também para respostas mais rápidas diante de situações de emergência provocadas por eventos climáticos.

O tema ganhou força depois dos episódios de chuvas e desastres que atingiram diferentes regiões do Sul do país.

O agro como parte da identidade paranaense

O agronegócio também ocupa uma posição central na campanha. Curi tem defendido medidas relacionadas ao crédito, seguro rural, armazenagem, logística, fertilizantes e fortalecimento do cooperativismo.

Nos últimos dias, acrescentou outro elemento a esse discurso: a aproximação entre o campo e a tecnologia.

A proposta é transformar o Paraná em um polo de inovação para o agronegócio, aproximando produtores, cooperativas, universidades e startups. Na visão apresentada pelo candidato, tecnologia pode ajudar a aumentar produtividade e competitividade sem afastar o produtor da realidade do campo.

Segurança pública também ganhou espaço

A segurança pública aparece como outro eixo importante. Curi defende maior participação da União no financiamento das estruturas de segurança dos estados, especialmente em áreas de fronteira, além do fortalecimento das polícias, da inteligência e do uso de tecnologia.

Em reuniões com entidades do setor, o candidato também falou sobre a necessidade de fortalecer as guardas municipais e melhorar a integração entre as diferentes forças de segurança.

A campanha apresenta ainda números de recursos que Curi afirma ter ajudado a viabilizar durante sua trajetória parlamentar. Esses valores fazem parte da prestação de contas e da narrativa política apresentada pelo próprio candidato. Ele tem feito da proteção às mulheres em situação de vulnerabilidade uma de suas mais fortes bandeiras (veja o vídeo postado por ele, em suas redes sociais, no rodapé desta postagem).

Saúde, educação e uma agenda mais próxima da vida cotidiana

Embora os temas nacionais tenham crescido na comunicação eleitoral, a campanha mantém uma série de propostas diretamente relacionadas ao cotidiano das pessoas.

Na saúde, Curi defende mais recursos federais para os municípios e a atualização dos valores pagos pelo Sistema Único de Saúde. Na educação, fala em investimentos em creches, ensino técnico e qualificação profissional.

Também foram apresentados programas específicos sobre mulheres, idosos, meio ambiente e proteção animal.

A intenção é construir uma campanha que não fique restrita às grandes discussões de Brasília, mas consiga traduzir o trabalho de um senador em questões que chegam diariamente às cidades.

O debate sobre o STF mudou o tom da campanha

Nas últimas semanas, entretanto, um tema nacional passou a ocupar espaço cada vez maior: o Supremo Tribunal Federal.

Curi declarou apoio ao impeachment do ministro Alexandre de Moraes e defendeu mudanças na estrutura e no funcionamento do STF. Entre as propostas mencionadas estão alterações nas regras para decisões monocráticas, maior transparência, mecanismos de fiscalização e a discussão sobre mandato para ministros.

O candidato afirma que sua posição não significa aderir à polarização política nacional. Ao mesmo tempo em que apresenta críticas contundentes ao Supremo, procura sustentar que o Senado precisa ser um ambiente de diálogo e negociação entre diferentes forças políticas.

Essa combinação passou a fazer parte importante de sua comunicação: ter posições firmes em determinadas pautas, mas preservar capacidade de diálogo para tratar dos interesses do Paraná.

Uma candidatura que mudou de caminho

A candidatura ao Senado também precisa ser entendida dentro da trajetória política recente de Curi.

Durante anos, ele construiu seu nome como possível candidato ao Governo do Paraná. A decisão de disputar o Senado alterou esse caminho e levou a campanha a construir uma nova narrativa.

Hoje, Curi apresenta a candidatura ao Senado como uma oportunidade de levar para Brasília a experiência acumulada no Paraná e a capacidade de articulação construída ao longo de sua trajetória política.

Em entrevistas recentes, afirmou que, caso eleito, pretende cumprir o mandato de oito anos antes de voltar a discutir uma eventual candidatura ao Governo.

Entre Brasília e o Paraná

À medida que a campanha avança, o que se percebe é uma tentativa de equilibrar duas dimensões.

De um lado, Curi procura falar diretamente com o eleitor paranaense sobre problemas bastante concretos: estradas, hospitais, segurança, produção rural, empregos, educação e recursos para os municípios.

De outro, passou a ocupar espaço em debates nacionais, principalmente quando o assunto envolve o STF, a relação entre os Poderes e o funcionamento das instituições.

O desafio da campanha é fazer essas duas dimensões caberem na mesma mensagem. E, até aqui, a resposta de Curi tem sido insistir na ideia de que um senador precisa ter posição política, mas também precisa saber negociar.

É nesse ponto que a candidatura tenta encontrar sua identidade: um político formado no Paraná, com forte discurso municipalista, que agora busca transformar essa experiência em representação no Senado.

Alexandre Curi entra na reta eleitoral apresentando uma campanha que combina presença no interior, defesa de investimentos para o Estado e uma participação cada vez mais explícita nos grandes debates políticos nacionais. O lema para ele parece ser: menos Brasília e mais Paraná. Ele quer chegar ao Senado para poder fortalecer o povo da nossa terra, o nosso estado, as nossas gentes.

Nota editorial: As propostas e declarações atribuídas a Alexandre Curi nesta reportagem são baseadas em entrevistas, debates, materiais divulgados pela campanha e informações públicas disponíveis até 17 de setembro de 2026. Quando valores de investimentos são mencionados como realizados durante sua trajetória parlamentar, eles correspondem a números apresentados pela própria campanha.

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