Volvo: trabalhadores aprovam propostas e Nelsão reforça mobilização pela jornada 5x2
Após assembleias na fábrica, dirigente sindical vai à porta da montadora orientar funcionários e terceirizados sobre a mudança que começa em dezembro
A mudança para a jornada 5x2 está mobilizando os trabalhadores metalúrgicos da Grande Curitiba. E a discussão não acontece apenas dentro das fábricas ou nas mesas de negociação. Ela também está nas portas das empresas, onde dirigentes sindicais conversam diretamente com quem vive a realidade do chão de fábrica.
Na Volvo do Brasil, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), a mobilização teve mais um capítulo na quinta-feira, 5 de novembro. Os trabalhadores participaram de assembleias nos turnos da empresa, incluindo o segundo turno, para discutir as propostas e os encaminhamentos apresentados pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) à direção da montadora.
As propostas colocadas em votação foram aprovadas pela maioria dos trabalhadores e trabalhadoras participantes, autorizando o encaminhamento das negociações para adequação da jornada e revisão dos acordos coletivos diante da nova realidade.
Nelsão volta à porta da Volvo para orientar os trabalhadores
Na manhã desta sexta-feira (6), Nelson Silva de Souza, o Nelsão, esteve novamente na porta da fábrica para conversar com os funcionários e, principalmente, chamar a atenção dos trabalhadores terceirizados para a mudança que se aproxima.
Em uma mensagem gravada em frente à montadora, Nelsão reforçou que a conquista da jornada 5x2 precisa alcançar todos os trabalhadores, não apenas aqueles diretamente contratados pelas grandes empresas.
Segundo ele, existe uma preocupação especial com os profissionais terceirizados, que muitas vezes continuam submetidos a jornadas mais extensas, mesmo trabalhando dentro das mesmas instalações e convivendo diariamente com os empregados das montadoras.
“Não é só para os montadores. Essa conquista agora é para todos os trabalhadores”, é a mensagem central de Nelsão no vídeo.
O dirigente também pede que os trabalhadores fiquem atentos às mudanças e acompanhem as orientações do sindicato, que pretende fiscalizar o cumprimento das novas regras e atuar para que os direitos sejam respeitados.
Uma conquista que tem história na Volvo
Nelsão também aproveitou a conversa para lembrar a trajetória das negociações pela redução da jornada na indústria metalúrgica da região.
Segundo ele, a Volvo já trabalha com jornada de 40 horas semanais desde 1996, resultado de uma trajetória de negociação sindical da qual participou quando atuava na mobilização dos trabalhadores nas empresas.
Essa lembrança ajuda a compreender que a discussão sobre redução da jornada não começou agora. É resultado de décadas de organização, negociação coletiva e participação dos trabalhadores.
O desafio atual é fazer com que os novos direitos constitucionais sejam respeitados em toda a cadeia produtiva, incluindo empresas prestadoras de serviços e trabalhadores terceirizados.
O que muda a partir de dezembro?
A mudança está prevista na Emenda Constitucional nº 141/2026, promulgada pelo Congresso Nacional em 16 de outubro.
Conforme a Rádio Senado, a nova organização com dois dias de descanso semanal remunerado começa a valer em 15 de dezembro de 2026.
A redução da jornada também será progressiva. Na primeira etapa, o limite passa a ser de 42 horas semanais. Depois de mais 12 meses, o limite será de 40 horas semanais, sem redução salarial.
A própria emenda estabelece que a diminuição da jornada não poderá resultar em redução salarial nominal, proporcional ou de qualquer outra espécie. A garantia também alcança os pisos salariais.
Isso significa que trabalhar menos horas não poderá ser usado como justificativa para pagar menos.
A Constituição garante dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos. A organização dos descansos deverá respeitar as características de cada atividade e as condições previstas na legislação e nos instrumentos coletivos.
Terceirizados não podem ficar para trás
O alerta de Nelsão merece atenção. Em muitas empresas, os trabalhadores terceirizados exercem atividades essenciais para o funcionamento das fábricas, mas continuam submetidos a condições diferentes das oferecidas aos empregados diretamente contratados.
Com a nova regra, a redução da jornada também alcança os contratos de trabalho em vigor, observadas as disposições constitucionais e as regras específicas de implementação dos contratos.
Por isso, o trabalho dos sindicatos será fundamental para acompanhar a transição, discutir os ajustes necessários com as empresas e fiscalizar o cumprimento dos direitos.
Nelsão também defende que o trabalho aos sábados e domingos seja evitado e, quando houver necessidade de trabalho extraordinário, sejam respeitadas as regras de remuneração e os acordos coletivos aplicáveis.
Mais tempo para viver
Para nós, do Sulpost, existe uma dimensão humana que não pode ficar de fora dessa discussão.
Quem trabalha em uma fábrica sabe o que significa acordar cedo, enfrentar o trânsito, cumprir uma jornada inteira e voltar para casa muitas vezes sem tempo para acompanhar os filhos, cuidar da saúde ou simplesmente descansar.
Para quem é terceirizado, a situação pode ser ainda mais difícil. Muitas vezes, são profissionais que fazem o mesmo esforço diário, dentro do mesmo ambiente de trabalho, mas precisam lutar para ter reconhecidos direitos básicos.
A redução da jornada não é apenas uma discussão sobre horários. É uma discussão sobre qualidade de vida, saúde, dignidade e distribuição do tempo entre trabalho e vida pessoal.
A mobilização na Volvo mostra que a transição para a escala 5x2 exige participação dos trabalhadores, negociação sindical e fiscalização. A aprovação das propostas em assembleia é parte desse processo, mas o trabalho continua até que os novos direitos estejam efetivamente aplicados.
Como Nelsão faz questão de lembrar, essa conquista precisa valer para todos. Porque trabalhador é trabalhador, seja contratado diretamente pela montadora ou por uma empresa terceirizada.
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