Estados Unidos vão às urnas: democratas lideram pesquisas e ameaçam maioria republicana no Congresso
Com Trump sob pressão e aprovação próxima de seu pior índice, eleições de meio de mandato podem mudar o equilíbrio de poder em Washington. Câmara é o principal alvo democrata, enquanto Senado permanece mais difícil
A sorte está lançada, e, mais uma vez, parece que o poder está mudando de mãos nos Estados Unidos. Nesta terça-feira, 3 de novembro, os americanos começam a comparecer às urnas para uma das eleições de meio de mandato mais importantes dos últimos anos. Estão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 das 100 vagas do Senado e os governos de 36 estados.
O resultado poderá mudar profundamente a relação de forças em Washington e determinar quanto espaço político Donald Trump terá para conduzir os dois últimos anos de seu mandato.
A pergunta que movimenta a imprensa americana é direta: os republicanos conseguirão preservar o controle do Congresso ou os democratas aproveitarão a insatisfação com o governo para recuperar a maioria legislativa?
Última pesquisa Reuters/Ipsos coloca democratas oito pontos à frente
Uma das informações mais importantes desta reta final veio da pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 2 de novembro, concluída justamente na véspera da votação.
Na chamada votação genérica para o Congresso, 46% dos eleitores registrados disseram preferir candidatos democratas, contra 38% que escolheriam republicanos. A vantagem democrata é de oito pontos percentuais. Na pesquisa anterior, realizada uma semana antes, a diferença havia chegado a 11 pontos.
O levantamento ouviu 1.765 adultos americanos e apresenta margem de erro de dois pontos percentuais. É importante observar que a votação genérica mede a preferência nacional por partidos, não o resultado individual de cada disputa parlamentar.
O mesmo levantamento encontrou apenas 32% de aprovação ao trabalho de Donald Trump na Presidência, enquanto 64% desaprovavam sua atuação. O índice de aprovação está próximo do pior resultado de sua trajetória política.
O custo de vida aparece como uma das principais preocupações do eleitorado. Segundo a Reuters, 78% dos entrevistados consideram esse tema muito importante ou decisivo para escolher seus representantes. Nesse assunto, os democratas também apresentam vantagem na avaliação dos eleitores.
Câmara dos Representantes: democratas são favoritos
A disputa pela Câmara é considerada a oportunidade mais concreta para os democratas recuperarem o controle do Congresso. As 435 cadeiras estão em disputa e são necessários 218 representantes para formar a maioria. Os republicanos defendem uma vantagem bastante estreita, enquanto os democratas tentam conquistar os distritos necessários para assumir o comando da Casa.
Em sua cobertura eleitoral de 3 de novembro, a CBS News recuperou as projeções de seu modelo Battleground Tracker, divulgadas em 25 de outubro. A estimativa central apontava 229 cadeiras para os democratas, com um intervalo possível entre 215 e 237.
Isso significa que, apesar do favoritismo democrata, ainda existe um caminho matemático para os republicanos preservarem a maioria. A definição dependerá principalmente dos resultados em distritos competitivos, espalhados por diferentes estados.
O levantamento do Cook Political Report reproduzido pelo The Guardian também coloca os democratas em posição favorável. Segundo a análise, os republicanos precisam vencer todas as 18 disputas classificadas como indefinidas e ainda conquistar cinco distritos considerados inclinados aos democratas para manter a Câmara.
Senado: disputa mais difícil e decisiva
No Senado, o cenário é mais complicado para a oposição. Os republicanos começam a eleição com 53 cadeiras, enquanto democratas e independentes alinhados à oposição somam 47.
São 35 vagas em disputa, incluindo duas eleições especiais. Para assumir o controle da Casa, os democratas precisam conquistar quatro cadeiras líquidas, considerando a atual composição partidária.
A CBS News identificou 11 disputas consideradas decisivas para a definição da maioria. Entre os estados que merecem atenção estão Alasca, Iowa, Kansas, Maine, Carolina do Norte, Ohio, Carolina do Sul, Texas, Geórgia, Michigan e New Hampshire.
O The Guardian, com base nas classificações do Cook Political Report, destaca sete disputas senatoriais especialmente equilibradas. Os democratas precisam transformar a vantagem nacional em vitórias concretas nesses estados para conseguir a maioria.
O Texas, Ohio e Maine estão entre os confrontos que merecem acompanhamento especial. Uma mudança de partido em estados tradicionalmente competitivos pode alterar completamente o equilíbrio do Senado.
Portanto, embora a oposição apresente chances reais de conquistar a Casa, não há garantia de que a vantagem nas pesquisas nacionais será suficiente.
Governadores: 36 estados também escolhem seus dirigentes
As eleições estaduais são outra frente importante. Trinta e seis estados americanos escolhem seus governadores nesta terça-feira, além de três territórios que também realizam disputas para o Executivo local.
Antes da votação, republicanos e democratas controlavam 18 governos estaduais cada. A eleição poderá modificar esse equilíbrio e fortalecer a presença de um dos partidos na administração estadual.
As disputas na Geórgia, Michigan, Ohio, Arizona, Nevada, Texas e Wisconsin merecem atenção especial, tanto pelo peso político quanto pela possibilidade de mudanças partidárias.
O acompanhamento em tempo real pode ser feito no painel eleitoral do The Guardian, que reproduz os resultados da Associated Press.
É importante não confundir estados com disputas equilibradas com estados nos quais um partido já apresenta vantagem. A definição dos vencedores dependerá da apuração individual de cada eleição.
Mais de 57 milhões já votaram antecipadamente
A participação antecipada é um dos destaques desta eleição. Segundo a CBS News, com dados do University of Florida Election Lab, mais de 57 milhões de americanos já haviam votado antes do dia oficial da eleição.
Esse número inclui eleitores que utilizaram o voto pelo correio e modalidades de votação antecipada presencial. Entretanto, a quantidade de votos antecipados, isoladamente, não permite afirmar qual partido está sendo beneficiado.
O comportamento do eleitorado independente e a participação dos jovens, das minorias e dos trabalhadores serão fatores importantes para compreender o resultado.
Eleição também é marcada por controvérsias envolvendo Trump
O processo eleitoral acontece em meio a tensões institucionais. A Associated Press relata disputas envolvendo a atuação do governo Trump na fiscalização eleitoral, tentativas de restringir procedimentos de votação pelo correio e questionamentos sobre a administração das eleições pelos estados.
Na segunda-feira, a Suprema Corte rejeitou uma tentativa de obrigar a Califórnia a separar milhares de cédulas enviadas pelo correio, com base em alegações do governo federal sobre possíveis eleitores sem cidadania americana.
A discussão é particularmente delicada porque a Constituição americana atribui aos estados papel central na organização das eleições. A interferência federal e as declarações de Trump sobre a legitimidade dos resultados ampliam a preocupação de observadores e autoridades eleitorais.
A Associated Press também registra preocupações com possíveis intimidações de eleitores, fiscalização nos locais de votação e dificuldades provocadas por condições climáticas em algumas regiões.
Boca de urna: ainda não existem resultados confiáveis
Apesar da expectativa, é preciso ter cuidado com informações divulgadas durante o dia. No início da manhã brasileira, as seções eleitorais ainda estavam abrindo em diferentes regiões dos Estados Unidos.
Até este momento, não há pesquisas de boca de urna consolidadas que permitam apontar vencedores. As primeiras projeções baseadas em resultados efetivamente apurados deverão aparecer depois do fechamento das seções eleitorais em cada estado.
De acordo com o cronograma divulgado pela CBS News, a cobertura especial começa às 17h, no horário da Costa Leste, e a programação dedicada aos resultados começa às 19h.
O painel do The Guardian informa que os primeiros resultados são esperados a partir das 18h da Costa Leste, mas os horários variam de acordo com os estados.
Na prática, isso significa que os resultados mais importantes começarão a aparecer durante a noite americana, já na madrugada de quarta-feira no Brasil. Algumas disputas poderão levar dias para serem definidas.
O que está em jogo para Donald Trump?
Trump não disputa esta eleição, mas sua administração está no centro de praticamente toda a campanha. Os resultados serão interpretados como um importante julgamento popular sobre os rumos do governo republicano.
Uma vitória democrata na Câmara permitiria à oposição controlar comissões parlamentares, convocar audiências, investigar integrantes do governo e bloquear ou modificar projetos legislativos.
Se também conquistarem o Senado, os democratas terão condições de impor limites ainda maiores à administração Trump, inclusive nas decisões relacionadas à aprovação de autoridades e outras matérias institucionais.
Uma vitória republicana nas duas Casas, por outro lado, daria ao presidente mais dois anos de controle partidário do Congresso.
O primeiro sinal aponta para uma noite difícil para os republicanos
As pesquisas divulgadas na véspera da eleição indicam uma vantagem democrata na preferência nacional, aprovação presidencial muito baixa e insatisfação com o custo de vida.
A Câmara aparece como o principal objetivo da oposição. O Senado permanece uma disputa mais difícil, mas com possibilidade concreta de mudança de controle. Nos governos estaduais, o resultado poderá redesenhar o mapa político americano.
Por enquanto, a conclusão responsável é que os democratas chegam às urnas em posição favorável, mas ainda precisam transformar essa vantagem em votos e cadeiras.
Os americanos estão escolhendo muito mais do que seus representantes parlamentares e governadores. Estão decidindo o tamanho do poder político que Donald Trump terá até o final de seu mandato.
A sorte está lançada. Agora, é a democracia americana que dará a resposta. Certo é que o Campo Progressista norte-americano jamais esteve tão vivo e pujante como está hoje.
Os resultados devem começar a ser divulgados entre a noite de hoje e o dia de amanhã. Até o final deste dia 4 de novembro estaremos informando os resultados das eleições de meio de mandato.
Uma vitória democrata trará mais espaço de negociação, para o Brasil conseguir dialogar com o Congresso dos Estados Unidos no sentido de baixar as tarifas, injustas e especulatórias, colocadas por Donald trump sobre diversos produtos brasileiros.
Sulpost — Jornalismo digital, cidadão e independente. Informação de interesse público e compromisso com a verdade.

Comentários
Postar um comentário
Deixe seu comentário