Rafael Greca e Luiz Carlos da Rocha: uma fotografia que simboliza encontros e aproximações na política de Curitiba

O ex-prefeito de Curitiba declarou apoio a Lula no segundo turno e protagonizou um movimento político que contrariou antigos aliados. 

A imagem ao lado de um dos advogados da defesa do presidente recupera também a memória dos dias de resistência em Curitiba

 
 

Curitiba, PR — Algumas fotografias dizem muito mais do que aquilo que aparece no enquadramento. Uma imagem publicada pelo advogado Luiz Carlos da Rocha, ao lado do ex-prefeito Rafael Greca, merece ser observada também pelo significado político e histórico desse encontro.

Greca, que governou Curitiba por três mandatos e integrou como candidato a vice-governador a chapa de Sandro Alex (PSD) nas eleições estaduais de 2026, surpreendeu parte do cenário político paranaense ao declarar apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.

A manifestação aconteceu no dia 19 de outubro, durante um encontro com músicos no bairro Bom Retiro. Na ocasião, Greca falou sobre soberania nacional, cultura, educação, políticas sociais e a importância de preservar os interesses brasileiros.

Também recuperou referências de sua formação política, mencionando Leonel Brizola e defendendo que as diferenças ideológicas não podem impedir a construção de um projeto nacional.

A declaração teve um significado particular. Greca estava politicamente ligado ao grupo de Ratinho Junior e havia disputado as eleições estaduais na chapa de Sandro Alex. Entretanto, enquanto seus antigos aliados se posicionavam a favor de Flávio Bolsonaro, o ex-prefeito fez sua própria escolha.

Não foi apenas uma manifestação de apoio eleitoral. Foi também uma sinalização de que, em determinados momentos, as convicções sobre o país podem falar mais alto que os alinhamentos partidários.

A memória dos dias de Lula na Polícia Federal

A presença de Luiz Carlos da Rocha na fotografia acrescenta outra dimensão à história.

Ele integrou a equipe de advogados que acompanhou Lula durante os 580 dias em que o presidente permaneceu detido na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, entre abril de 2018 e novembro de 2019.

Naquele período, Curitiba se tornou o centro de uma das maiores disputas políticas e jurídicas da história recente brasileira.

O advogado Manoel Caetano, também integrante da defesa, assumiu a rotina de acompanhamento local e visitava Lula praticamente todos os dias, de segunda a sexta-feira. Luiz Carlos da Rocha igualmente participou da equipe jurídica que esteve ao lado do então ex-presidente.

Foram meses de trabalho jurídico, encontros, conversas e resistência política. Uma história que permanece na memória de quem acompanhou aqueles acontecimentos de perto.

Uma Curitiba que também tem história política

O posicionamento de Rafael Greca merece registro porque revela uma aproximação entre lideranças de trajetórias diferentes.

Sua manifestação em defesa da soberania brasileira, da cultura e das políticas públicas dialogou com bandeiras historicamente presentes no trabalhismo e no campo progressista.

Isso não significa apagar suas diferenças partidárias ou sua trajetória política. Significa reconhecer que a democracia também se constrói quando pessoas com histórias distintas encontram pontos de convergência em torno de questões nacionais.

A fotografia de Greca com Luiz Carlos da Rocha ganha, assim, um significado que ultrapassa o registro pessoal: aproxima a memória de um período marcante da política brasileira de um novo momento de articulação política em Curitiba.

A história não é feita apenas de partidos, disputas e resultados eleitorais. Também é feita de encontros, escolhas e posições assumidas nos momentos em que cada pessoa precisa dizer de que lado está em relação aos grandes temas do país. E Curitiba, mais uma vez, foi palco de um desses capítulos.

Sulpost — Jornalismo digital, cidadão e independente. Informação de interesse público e compromisso com a verdade.

Leia também >>

Avião executivo cai sobre conjunto residencial na Flórida; acidente deixa mortos e provoca incêndio de grandes proporções

Do petróglifo à inteligência artificial: o coração brasileiro ainda pulsa sem medo de ser feliz

Piso nacional para funcionários da educação avança no Senado e prevê salário de R$ 3.847,97

O outro braço da história: cineasta paranaense quer levar a alma da Amazônia para as telas do Brasil

Carta golpista de Flávio Bolsonaro tropeça no ChatGPT e vira constrangimento político

Rubio nega participação dos EUA na saída de Flávio Bolsonaro, mas pagamento de jatinho levanta suspeitas

COP17 termina com acordos, mas o planeta continua esperando ações concretas

Onda democrata impõe derrota histórica a Trump e retira dos republicanos o controle do Congresso

Capacitismo: Brasil já tem lei, mas Congresso discute como ampliar a proteção contra a discriminação

Ayahuasca: por que uma droga alucinógena pode ser consumida em rituais religiosos enquanto outras substâncias são proibidas?