Witkoff transmite a Putin saudações de Trump - EUA intensifica mediação para encerrar guerra na Ucrânia

Enviado de Trump a Moscou traz esperança de que mediação estadunidense traga a paz para o conflito entre Ucrânia e Rússia

Reprodução/RT News

O enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, transmitiu ao presidente russo, Vladimir Putin, os melhores desejos do presidente Donald Trump durante reunião realizada neste sábado (5) no Kremlin. O encontro, que também contou com a participação de Jared Kushner, genro e enviado de Trump, integra uma nova tentativa de Washington de retomar as negociações para pôr fim à guerra na Ucrânia.

A informação foi inicialmente divulgada pela mídia russa, mas o encontro e a mensagem de Trump foram posteriormente repercutidos por veículos internacionais independentes.

Segundo a Reuters, Witkoff transmitiu as saudações e os agradecimentos de Trump a Putin, inclusive pela pausa temporária nos ataques contra Kiev durante a presença da delegação americana na região. A Reuters informou ainda que Putin afirmou considerar proveitosos os contatos entre Moscou e Washington e manifestou disposição para continuar trabalhando com os enviados americanos.

“O presidente Trump lhe enviou seus melhores desejos”, afirmou Witkoff durante o encontro, segundo a RT Brasil e a cobertura internacional do episódio.

Putin, por sua vez, também transmitiu palavras de agradecimento e seus melhores desejos ao presidente americano.

Nova tentativa de mediação dos Estados Unidos

A reunião ocorre no contexto de uma nova iniciativa diplomática de Washington. O presidente Donald Trump afirmou que Witkoff e Kushner estavam levando a Moscou e posteriormente a Kiev uma proposta destinada a encerrar a guerra.

A AFP informou que Trump descreveu a missão como uma tentativa de romper o impasse diplomático e apresentou a viagem como parte de um plano para encerrar mais de quatro anos de guerra.

A Deutsche Welle, citando AFP, AP, Reuters e dpa, também confirmou que Witkoff e Kushner foram enviados a Moscou e Kiev com uma proposta de paz. Segundo a publicação, a visita representa uma nova tentativa da administração Trump de reativar as negociações.

A Associated Press acrescentou que os dois enviados se reuniram com Vladimir Putin no Kremlin para tentar revitalizar negociações que haviam perdido força.

Pausa de três dias nos ataques contra Kiev

Um dos elementos mais relevantes da visita foi a decisão de Putin de suspender durante três dias os ataques contra Kiev.

A Reuters informou que Putin determinou uma pausa de três dias nas ações militares contra a capital ucraniana, enquanto o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky anunciou uma medida de reciprocidade em relação aos ataques contra Moscou.

A Ukrainska Pravda, citando o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, confirmou a ordem russa e informou que a suspensão estaria relacionada à preparação para a visita dos enviados americanos a Kiev.

É importante, contudo, fazer uma distinção jornalística: a pausa anunciada não equivale a um cessar-fogo geral na Ucrânia. A AP registrou que os combates e ataques continuavam em outras áreas do país, apesar da tentativa de estabelecer uma janela de segurança para a missão diplomática americana.

Witkoff e Kushner seguem para Kiev

Depois de Moscou, Witkoff e Kushner devem viajar para Kiev, onde estão previstos contatos com o governo ucraniano.

A The Guardian informou que Zelensky havia confirmado a visita dos dois negociadores americanos e que Kiev pretendia garantir condições de segurança durante a passagem da delegação.

A EFE já havia noticiado, na véspera, que os emissários americanos planejavam visitar Moscou e Kiev nos dias 5 e 6 de setembro para realizar consultas destinadas a buscar uma solução negociada para o conflito.

A missão também foi confirmada pela CNN, que informou que a visita a Kiev representaria a primeira ida dos dois enviados à capital ucraniana no âmbito dessa nova etapa das negociações.

Contatos entre Putin e enviados de Trump

O encontro de 5 de setembro se insere em uma sequência de contatos entre o Kremlin e representantes da administração Trump.

2025

  • 11 de abril — Putin recebe Steve Witkoff.
  • 25 de abril — novo encontro com Witkoff.
  • 6 de agosto — reunião com Witkoff.
  • 15 de agosto — cúpula no Alasca, com Witkoff integrando a delegação americana.
  • 2 de dezembro — encontro com Witkoff e Jared Kushner.

2026

  • 22 de janeiro — Putin recebe Witkoff, Kushner e Josh Gruenbaum.
  • 5 de setembro — Putin recebe Witkoff e Kushner no Kremlin.

Putin fala em “paz duradoura e absoluta”

Nos dias anteriores ao encontro, Putin havia reafirmado que Moscou não pretende simplesmente “congelar” o conflito, mas alcançar uma solução que classificou como uma “paz duradoura e absoluta” na Ucrânia e na Europa.

A declaração foi registrada pela imprensa internacional após as recentes aparições públicas do presidente russo.

A posição russa, entretanto, continua acompanhada de exigências que representam obstáculos importantes para um acordo. A Reuters informou que Moscou mantém demandas territoriais e outras condições que Kiev rejeita, o que limita as expectativas de um avanço rápido.

Contatos entre Washington e Moscou continuam

Segundo a RT Brasil, Putin também afirmou que existem contatos entre Rússia e Estados Unidos, inclusive em nível de inteligência, e que Moscou permanece aberta ao diálogo com os representantes de Trump.

A existência de canais de comunicação entre os dois países é compatível com a avaliação de que Washington vem tentando manter diferentes vias de contato com o Kremlin. A visita do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Moscou no período anterior também foi interpretada internacionalmente como parte da tentativa de manter canais de comunicação abertos.

No entanto, não se deve interpretar esses contatos como evidência de um acordo iminente. A Interfax Ukraine, citando informações da Bloomberg, relatou que as expectativas dentro do Kremlin em relação a um acordo imediato permaneciam muito baixas e que Moscou continuava resistente a concessões significativas.

O que Trump pretende obter

A nova rodada de diplomacia ocorre depois de meses de dificuldades para produzir um acordo de cessar-fogo duradouro.

A New York Times informou que Witkoff e Kushner viajaram a Moscou e Kiev com o objetivo de reativar as discussões sobre um acordo de paz. Segundo o jornal, a missão ocorre em um momento particularmente delicado do conflito.

A estratégia americana parece combinar pressão diplomática, contatos diretos com o Kremlin e tentativa de aproximar as posições russa e ucraniana. A visita simultânea a Moscou e Kiev é especialmente significativa porque permite aos negociadores americanos ouvir diretamente as duas partes antes de apresentar ou ajustar propostas.

O encontro de 5 de setembro representa, portanto, um novo sinal de que Washington, Moscou e Kiev continuam mantendo canais diplomáticos ativos, apesar da continuidade da guerra.

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