Brasil tem quase 2 milhões de trabalhadores por aplicativos
Dados da PNAD Contínua mostram jornadas maiores, menor rendimento por hora e alta informalidade entre trabalhadores plataformizados
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| © Paulo Pinto/Agência Brasil |
Quase 2 milhões de brasileiros trabalharam por meio de aplicativos em 2025, segundo módulo especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento considera trabalhadores de transporte, entregas e prestação de serviços por plataformas digitais. 0
O contingente de 1,959 milhão de trabalhadores plataformizados representa 1,9% dos ocupados no país. A maior parcela, cerca de 1,2 milhão de pessoas, trabalha com transporte de passageiros. Outros 376 mil atuam com entregas e 313 mil prestam serviços gerais ou profissionais por meio de plataformas.
Os dados mostram também uma diferença importante nas condições de trabalho. Em 2025, os plataformizados trabalharam, em média, 44,7 horas por semana, contra 39,3 horas dos demais trabalhadores do setor privado. O rendimento mensal médio foi praticamente igual: R$ 3.147 entre os trabalhadores de aplicativos e R$ 3.148 entre os não plataformizados. Como a jornada é maior, o rendimento por hora ficou em R$ 16,20, 12% abaixo dos R$ 18,40 dos demais trabalhadores.
A informalidade também é significativamente maior. 72,1% dos trabalhadores por aplicativos estavam na informalidade, contra 42,7% dos não plataformizados. A cobertura previdenciária alcançava apenas 34% dos plataformizados, enquanto chegava a 63% entre os demais.
Embora 86,8% se declarassem trabalhadores por conta própria, a pesquisa aponta forte dependência das plataformas. Entre motoristas, 80,2% disseram que o valor recebido por tarefa depende totalmente do aplicativo. Entre entregadores, o índice foi de 78,3%.
O levantamento da PNAD Contínua ajuda a dimensionar uma transformação que já está presente no mercado de trabalho brasileiro: milhões de pessoas dependem das plataformas para obter renda, em atividades marcadas por jornadas extensas, informalidade e menor proteção social.
- Com informações da Agência Brasil e dados do IBGE/PNAD Contínua – Trabalho por meio de plataformas digitais 2025.

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