Lula pede direito de resposta após declarações de Flávio Bolsonaro em sabatina da TV Globo
Campanha do presidente levou ao TSE oito pontos que considera falsos ou descontextualizados; pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira mostra Lula com 38% e Flávio com 30% no 1º turno
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| Foto: Site do PT |
A disputa pela Presidência da República ganhou mais um capítulo nesta semana. A Coligação Brasil Pronto Pra Mais, que apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido de direito de resposta contra declarações feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) durante a sabatina realizada pela TV Globo em 28 de agosto.
De acordo com a campanha de Lula, a entrevista teria apresentado uma série de afirmações falsas, descontextualizadas ou incompatíveis com fatos documentados. O pedido encaminhado ao TSE reúne oito pontos que os advogados da coligação contestam e nos quais defendem que o eleitor precisa ter acesso à versão apresentada pela campanha.
A discussão envolve temas que estão entre os mais sensíveis da atual disputa eleitoral, como a segurança das urnas eletrônicas, a relação de Flávio Bolsonaro com Adriano da Nóbrega, os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e o filme Dark Horse, além do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, do poder de compra do salário mínimo e da origem do Pix.
O que a campanha de Lula contesta
No caso das urnas eletrônicas, a defesa de Lula afirma que Flávio Bolsonaro teria negado ter questionado anteriormente a segurança do sistema eleitoral. A campanha, entretanto, cita declarações públicas feitas pelo candidato ao longo dos anos para sustentar que houve, sim, questionamentos sobre a confiabilidade das urnas e sobre a adoção do voto impresso.
Outro ponto apresentado ao TSE envolve Adriano da Nóbrega. Segundo os advogados da campanha de Lula, a afirmação de Flávio Bolsonaro de que não existiam acusações relevantes contra o ex-policial quando ele foi homenageado não corresponderia à cronologia dos fatos apresentada no processo.
A campanha também contesta a versão apresentada por Flávio Bolsonaro sobre os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023. O candidato do PL classificou o episódio como uma “farsa”, enquanto a equipe jurídica de Lula sustenta que os atos foram objeto de decisões judiciais e que houve condenações relacionadas à tentativa de ruptura institucional.
Outro capítulo do pedido envolve Daniel Vorcaro, banqueiro ligado ao Banco Master. A campanha de Lula questiona as explicações dadas por Flávio Bolsonaro sobre a relação entre os dois e afirma que as informações apresentadas publicamente não seriam suficientes para esclarecer integralmente a destinação dos recursos relacionados ao filme Dark Horse.
O tarifaço norte-americano também aparece entre os pontos questionados. A campanha de Lula rejeita a tentativa de atribuir ao governo brasileiro a responsabilidade pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos e afirma que houve atuação do governo federal nas negociações com autoridades norte-americanas.
Na questão do salário mínimo, os advogados da campanha contestam a afirmação de que o trabalhador estaria perdendo poder de compra em razão da política econômica do governo. O documento cita os reajustes concedidos nos últimos anos e afirma que houve ganho real acima da inflação.
Por fim, o pedido aborda o Pix. Flávio Bolsonaro afirmou que o sistema foi criado durante o governo de Jair Bolsonaro e que sua gratuidade teria sido uma exigência do então presidente. A campanha de Lula contesta essa versão e lembra que o desenvolvimento do sistema envolveu trabalhos iniciados antes do governo Bolsonaro, enquanto a regulamentação e o lançamento ocorreram posteriormente.
É importante ressaltar que esses oito pontos fazem parte dos argumentos apresentados pela campanha de Lula no pedido protocolado no TSE. Portanto, as acusações apresentadas pela coligação não devem ser confundidas, por si só, com uma decisão definitiva da Justiça Eleitoral sobre cada uma das afirmações.
Pesquisa mostra Lula na frente no primeiro turno
Em meio à troca de acusações entre os candidatos, uma nova pesquisa eleitoral divulgada nesta terça-feira, 1º de setembro, coloca Lula na liderança da corrida presidencial.
Segundo o levantamento Real Time Big Data informado na divulgação da pesquisa, Lula aparece com 38% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 30%. Augusto Cury, do Avante, aparece com 11%, e Renan Santos, do Missão, tem 7%.
Com esses números, Lula abre uma vantagem de oito pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro no cenário estimulado de primeiro turno.
| Candidato | Intenção de voto |
|---|---|
| Lula (PT) | 38% |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 30% |
| Augusto Cury (Avante) | 11% |
| Renan Santos (Missão) | 7% |
A pesquisa ouviu 2.000 eleitores entre os dias 27 e 31 de agosto, por telefone e pela internet. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03490/2026.
Os números ajudam a dimensionar o momento atual da disputa, mas não representam o resultado da eleição. Com a campanha ainda em andamento, novos levantamentos, debates, alianças e acontecimentos políticos podem alterar o cenário até o dia da votação.
Por enquanto, o que se vê é uma eleição marcada pela forte polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro e por uma disputa cada vez mais intensa pela narrativa sobre o passado, o presente e as propostas para o país.
No meio dessa disputa, o eleitor terá uma tarefa fundamental: separar acusações de fatos comprovados, acompanhar as respostas de cada candidato e avaliar as informações antes de decidir o voto.

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