Roberto Requião pode chegar à Câmara Federal com uma das maiores votações do Paraná

Ex-governador e ex-senador disputa uma vaga de deputado federal pelo PDT; histórico de mais de 7,4 milhões de votos em quatro eleições majoritárias alimenta expectativa de uma votação expressiva


Ex-governador e ex-senador disputa uma vaga de deputado federal pelo PDT; histórico de mais de 7,4 milhões de votos em quatro eleições majoritárias alimenta expectativa de uma votação expressiva nas eleições de 2026

Aos 85 anos, Roberto Requião (PDT) voltou às urnas. Desta vez, a disputa é diferente: o ex-governador e ex-senador quer uma cadeira na Câmara dos Deputados, em Brasília. 

É como disse Bob Dylan: "as pedras que rolam não criam limo". Requião tem uma lucidez incrível e com a experiência dos anos não há quem conheça melhor o estado que ele. A história de região se mistura com os caminhos do Paraná.

E, nesta reta inicial de campanha eleitoral gratuita em rede de rádio e TV, o nome de Requião começa a reaparecer com força nos bastidores da política paranaense.

Publicações recentes apontam a possibilidade de o candidato terminar a eleição entre os deputados federais mais votados do Paraná. Há até quem projete uma votação capaz de colocá-lo entre os mais votados do país.

Mas é preciso fazer uma ressalva: não existe, até agora, pesquisa pública registrada que permita confirmar numericamente essa previsão. Trata-se de uma leitura baseada no histórico eleitoral e na capacidade de mobilização associada ao nome Requião.

Um patrimônio político construído nas urnas

O argumento mais forte por trás dessa expectativa está nos números.

Nas quatro últimas eleições majoritárias disputadas por Roberto Requião, foram 7.452.368 votos.

  • 2010 — Senado: 2.691.557 votos
  • 2014 — Governo do Paraná: 1.634.316 votos
  • 2018 — Senado: 1.528.291 votos
  • 2022 — Governo do Paraná: 1.598.204 votos

A média dessas quatro disputas chega a aproximadamente 1,86 milhão de votos por eleição.

É claro que não se pode simplesmente transportar uma votação majoritária para uma eleição proporcional. São sistemas eleitorais diferentes, com estratégias, concorrentes e regras de distribuição de cadeiras distintas.

Mas o número ajuda a dimensionar o chamado recall eleitoral de Requião: milhões de paranaenses já escolheram seu nome em eleições anteriores.

Agora, a aposta é na Câmara

A candidatura de 2026 representa uma mudança importante na trajetória política de Requião. Depois de disputar governos e o Senado durante décadas, ele entra agora em uma eleição proporcional.

Nas redes sociais oficiais, o candidato mantém a apresentação da candidatura com o número 1212, reforçando a marca eleitoral que será levada às urnas.

O fator Requião Filho

Existe ainda uma circunstância que pode ampliar a exposição do sobrenome nas eleições deste ano.

O filho de Requião, Requião Filho (PDT), disputa o Governo do Paraná e aparece em segundo lugar, com 24% das intenções de voto, na pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em 3 de setembro. O levantamento colocou Sergio Moro na liderança, com 45%, projetando um cenário de segundo turno entre as duas campanhas.

A campanha majoritária e a candidatura proporcional, evidentemente, são projetos distintos. Mas a presença simultânea dos dois Requião na disputa cria uma circunstância política incomum: o sobrenome estará presente tanto na corrida pelo Palácio Iguaçu quanto na eleição para a Câmara Federal.

O desafio é transformar memória em voto

É justamente aqui que está a questão central da campanha de Roberto Requião. Ter sido governador por três mandatos e senador da República traz reconhecimento. Ter ultrapassado a marca de 1,5 milhão de votos nas últimas três eleições majoritárias também não é um detalhe.

Mas eleição proporcional exige outra matemática.

O eleitor precisa escolher o candidato para deputado federal, e a votação individual se combina com o desempenho do partido para definir a distribuição das cadeiras.

Por isso, o grande desafio de Requião será transformar o recall político acumulado durante décadas de vida pública em votos proporcionais. Muitos paranaenses já votaram nele em eleições passadas e seu capital e potencial políticos são inegáveis.

Se conseguir fazer isso em escala significativa, a campanha de Requião à Câmara dos Deputados, poderá realmente entrar na briga pelas primeiras posições, transformando capital político em voto.

Por enquanto, portanto, a palavra mais adequada é expectativa. No próximo dia 4 de outubro saberemos a resposta das urnas.

Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dados eleitorais públicos, Paraná Pesquisas e cobertura da imprensa sobre a campanha eleitoral de 2026.

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