Roberto Requião pode chegar à Câmara Federal com uma das maiores votações do Paraná
Ex-governador e ex-senador disputa uma vaga de deputado federal pelo PDT; histórico de mais de 7,4 milhões de votos em quatro eleições majoritárias alimenta expectativa de uma votação expressiva
Aos 85 anos, Roberto Requião (PDT) voltou às urnas. Desta vez, a disputa é diferente: o ex-governador e ex-senador quer uma cadeira na Câmara dos Deputados, em Brasília.
É como disse Bob Dylan: "as pedras que rolam não criam limo". Requião tem uma lucidez incrível e com a experiência dos anos não há quem conheça melhor o estado que ele. A história de região se mistura com os caminhos do Paraná.
E, nesta reta inicial de campanha eleitoral gratuita em rede de rádio e TV, o nome de Requião começa a reaparecer com força nos bastidores da política paranaense.
Publicações recentes apontam a possibilidade de o candidato terminar a eleição entre os deputados federais mais votados do Paraná. Há até quem projete uma votação capaz de colocá-lo entre os mais votados do país.
Mas é preciso fazer uma ressalva: não existe, até agora, pesquisa pública registrada que permita confirmar numericamente essa previsão. Trata-se de uma leitura baseada no histórico eleitoral e na capacidade de mobilização associada ao nome Requião.
Um patrimônio político construído nas urnas
O argumento mais forte por trás dessa expectativa está nos números.
Nas quatro últimas eleições majoritárias disputadas por Roberto Requião, foram 7.452.368 votos.
- 2010 — Senado: 2.691.557 votos
- 2014 — Governo do Paraná: 1.634.316 votos
- 2018 — Senado: 1.528.291 votos
- 2022 — Governo do Paraná: 1.598.204 votos
A média dessas quatro disputas chega a aproximadamente 1,86 milhão de votos por eleição.
É claro que não se pode simplesmente transportar uma votação majoritária para uma eleição proporcional. São sistemas eleitorais diferentes, com estratégias, concorrentes e regras de distribuição de cadeiras distintas.
Mas o número ajuda a dimensionar o chamado recall eleitoral de Requião: milhões de paranaenses já escolheram seu nome em eleições anteriores.
Agora, a aposta é na Câmara
A candidatura de 2026 representa uma mudança importante na trajetória política de Requião. Depois de disputar governos e o Senado durante décadas, ele entra agora em uma eleição proporcional.
Nas redes sociais oficiais, o candidato mantém a apresentação da candidatura com o número 1212, reforçando a marca eleitoral que será levada às urnas.
O fator Requião Filho
Existe ainda uma circunstância que pode ampliar a exposição do sobrenome nas eleições deste ano.
O filho de Requião, Requião Filho (PDT), disputa o Governo do Paraná e aparece em segundo lugar, com 24% das intenções de voto, na pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em 3 de setembro. O levantamento colocou Sergio Moro na liderança, com 45%, projetando um cenário de segundo turno entre as duas campanhas.
A campanha majoritária e a candidatura proporcional, evidentemente, são projetos distintos. Mas a presença simultânea dos dois Requião na disputa cria uma circunstância política incomum: o sobrenome estará presente tanto na corrida pelo Palácio Iguaçu quanto na eleição para a Câmara Federal.
O desafio é transformar memória em voto
É justamente aqui que está a questão central da campanha de Roberto Requião. Ter sido governador por três mandatos e senador da República traz reconhecimento. Ter ultrapassado a marca de 1,5 milhão de votos nas últimas três eleições majoritárias também não é um detalhe.
Mas eleição proporcional exige outra matemática.
O eleitor precisa escolher o candidato para deputado federal, e a votação individual se combina com o desempenho do partido para definir a distribuição das cadeiras.
Por isso, o grande desafio de Requião será transformar o recall político acumulado durante décadas de vida pública em votos proporcionais. Muitos paranaenses já votaram nele em eleições passadas e seu capital e potencial políticos são inegáveis.
Se conseguir fazer isso em escala significativa, a campanha de Requião à Câmara dos Deputados, poderá realmente entrar na briga pelas primeiras posições, transformando capital político em voto.
Por enquanto, portanto, a palavra mais adequada é expectativa. No próximo dia 4 de outubro saberemos a resposta das urnas.
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