Requião Filho conversa com arcebispo de Curitiba e defende política que cuide das pessoas
Encontro com Dom Peruzzo colocou saúde, envelhecimento e atuação das pastorais no centro de uma conversa que aproxima política e realidade social
Em uma campanha eleitoral marcada muitas vezes pela disputa de números, ataques e promessas, há conversas que ajudam a lembrar que, no fim das contas, a política deveria ter um destinatário muito concreto: as pessoas.
Foi com esse espírito que o candidato ao Governo do Paraná, Requião Filho (PDT), esteve na Arquidiocese de Curitiba para uma conversa com o arcebispo metropolitano, Dom José Antônio Peruzzo. O encontro, realizado no dia 10 de setembro, colocou sobre a mesa temas que nem sempre ganham espaço no debate eleitoral, mas fazem parte da vida de milhares de paranaenses.
E aqui há um aspecto que merece atenção. Dialogar com a Igreja Católica é dialogar também com uma instituição profundamente presente na sociedade brasileira. O Brasil continua sendo o país com o maior número de católicos do mundo. Dados do Vaticano apontaram cerca de 182 milhões de católicos brasileiros em 2023. Ao mesmo tempo, o Censo 2022 mostrou que 56,7% da população de 10 anos ou mais se declarou católica, revelando também as profundas transformações religiosas pelas quais o país vem passando.
Por isso, independentemente de posições partidárias ou religiosas, o diálogo entre agentes políticos e representantes da Igreja pode ajudar a trazer para o debate público uma realidade que está muito além das urnas: a realidade de quem precisa de saúde, acolhimento, companhia, assistência e dignidade.
Uma conversa sobre gente de verdade
Segundo o relato do encontro, Dom Peruzzo destacou a importância de uma política capaz de compreender os problemas antes de simplesmente apresentar respostas prontas. A ideia é simples, mas importante: quem formula políticas públicas precisa conhecer a vida de quem será atendido por elas.
Requião Filho afirmou que pretende colocar o cuidado com as pessoas no centro de suas propostas, citando entre os desafios do Paraná a necessidade de ampliar e qualificar o atendimento à saúde em todo o Estado.
Mas foi a situação da população idosa que ganhou um espaço especial na conversa.
Dom Peruzzo tem atuação ligada à Pastoral da Pessoa Idosa (PPI), trabalho que acompanha justamente aqueles que muitas vezes passam despercebidos pelo debate público. A Arquidiocese de Curitiba já destacou a dimensão desse trabalho pastoral, que envolve acompanhamento, escuta, acolhimento e atenção às pessoas idosas.
É uma realidade que aparece dentro de muitas famílias: o idoso que já cuidou dos filhos, ajudou a criar netos, trabalhou durante décadas e, com o avanço da idade, passa a precisar de ajuda para tarefas que antes fazia sozinho.
Como resumiu Dom Peruzzo:
“O grande pobre que aparece nos meus olhos, entre muitos pobres que temos, é aquele idoso que já cuidou de todo mundo e que agora precisa ser cuidado.”
A frase toca em uma questão que vai muito além da assistência social. O envelhecimento da população brasileira está transformando as necessidades das famílias e exigindo novas respostas do poder público.
Não basta construir paredes
Foi justamente nesse ponto que Requião Filho chamou atenção para uma questão prática: política pública não se resume a construir prédios.
Um espaço para atender idosos pode ser importante. Mas quem vai trabalhar ali? Quem serão os cuidadores? De onde virão os recursos? Como será feita a manutenção? Que profissionais estarão disponíveis? Como será a parceria com municípios, instituições e entidades que já atuam nesse campo?
O candidato resumiu sua preocupação em uma pergunta:
“Não adianta fazer um espaço para idosos e depois perguntar: quem vai estar lá? Quem vai estar tocando? Qual é a parceria? Quem serão os profissionais? Quem serão os cuidadores?”
É uma discussão que interessa diretamente a quem tem pai, mãe, avô ou avó precisando de cuidados. E interessa também a quem, hoje, ainda não enfrenta esse problema, mas provavelmente enfrentará em algum momento da vida.
Onde o poder público não chega, alguém precisa chegar
A conversa também passou pelo trabalho realizado pelas pastorais. Em muitas comunidades, são voluntários, agentes pastorais, paróquias e organizações sociais que chegam primeiro a situações de vulnerabilidade.
Não se trata de substituir o Estado. Pelo contrário. A presença dessas redes comunitárias pode ajudar o poder público a enxergar melhor onde estão os problemas e quais são as necessidades reais de cada comunidade.
A própria Arquidiocese de Curitiba mantém uma estrutura pastoral ampla, com atuação em 146 paróquias e diversas frentes de trabalho.
É justamente por isso que o diálogo importa.
Em uma sociedade plural, a política não pode conversar apenas com quem está dentro dos partidos, dos sindicatos, das empresas ou das estruturas de governo. Precisa ouvir também quem acompanha diariamente as famílias, os idosos, os doentes, os pobres e aqueles que, muitas vezes, não conseguem sequer chegar até uma repartição pública para pedir ajuda.
Política também é saber ouvir
O encontro entre Requião Filho e Dom Peruzzo pode ser lido, portanto, por uma perspectiva mais ampla do que a disputa eleitoral de 2026.
É um exemplo de como diferentes setores da sociedade podem conversar sobre problemas concretos sem que isso signifique confundir os papéis de cada instituição.
A Igreja tem sua missão religiosa e pastoral. O Estado tem suas responsabilidades constitucionais. E os políticos, quando disputam um cargo público, precisam apresentar propostas e ouvir a sociedade.
Quando esses mundos conseguem dialogar com respeito, quem pode ganhar com isso é justamente quem costuma ter menos espaço para falar: a pessoa que precisa de atendimento no posto de saúde, a família que cuida de um idoso acamado, o trabalhador que não consegue pagar um cuidador ou aquele cidadão que simplesmente precisa de alguém que o escute.
Em tempos de polarização, talvez uma das tarefas mais importantes da política seja justamente recuperar a capacidade de conversar.
E, no caso brasileiro, conversar com a Igreja Católica significa também reconhecer a dimensão histórica, social e comunitária de uma instituição que está presente em praticamente todos os cantos do país, sem esquecer que o Brasil de hoje é religiosamente mais diverso do que foi no passado.
O encontro na Arquidiocese de Curitiba colocou essa realidade no debate eleitoral do Paraná: antes de pensar em estruturas, obras ou números, é preciso perguntar quem será cuidado, quem vai cuidar e como garantir que a política pública funcione quando chegar à vida real.
Porque, no final, uma política que não consegue enxergar as pessoas corre o risco de cuidar apenas de suas próprias planilhas.
Requião Filho (PDT) é candidato ao Governo do Paraná e concorre com o número 12 nas eleições de 4 de outubro.
Com informações do relato do encontro e da Arquidiocese de Curitiba: as declarações atribuídas a Requião Filho e Dom José Antônio Peruzzo nesta matéria foram reproduzidas a partir do material fornecido à redação e do relato publicado sobre o encontro.

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