Paraná ainda contabiliza os estragos do temporal enquanto milhares continuam sem energia
Apucarana concentra a situação mais grave; PT articula ajuda federal, moradores cobram respostas e Copel mantém equipes em campo
A noite passou, o dia clareou, mas para milhares de paranaenses o temporal ainda não terminou. As árvores podem estar sendo retiradas das ruas, os telhados provisoriamente cobertos com lonas e os postes sendo substituídos. Mas, em muitas casas, a luz ainda não voltou. E sem energia não há geladeira, comércio, internet, bomba d’água, trabalho, escola ou a tranquilidade de saber que a rotina pode recomeçar.
O temporal que atingiu o Paraná entre a noite de segunda-feira (21) e a madrugada desta terça-feira (22) deixou uma conta que ainda está sendo calculada.
Segundo os levantamentos divulgados ao longo desta terça, 30 municípios já haviam registrado ocorrências, com vendavais, granizo, destelhamentos, quedas de árvores e postes.
A luz voltou para muitos. Para milhares, ainda não
A Copel informou que conseguiu restabelecer o fornecimento para mais de 95 mil unidades consumidoras desde o início do temporal. Mas o número de pessoas que continuavam afetadas ainda era expressivo.
Na atualização das 11h30, eram aproximadamente 134 mil unidades consumidoras sem energia no Paraná. Na manhã, o número havia chegado a 161,9 mil. O Norte concentrava a maior parcela dos desligamentos, seguido pelo Noroeste e pelos Campos Gerais/Centro-Sul.
Na Região Metropolitana de Curitiba e no Litoral também havia milhares de consumidores afetados. O problema, portanto, não era mais simplesmente “um apagão”. Eram dezenas de redes diferentes danificadas, postes quebrados, árvores sobre a fiação e subestações atingidas.
A própria Copel informou que 68 postes foram quebrados nas regiões Norte e Noroeste. Das 12 subestações afetadas no Norte, dez já haviam sido recompostas no balanço divulgado durante o dia.
Apucarana: o caso mais dramático
Em Apucarana, a dimensão da destruição impressiona. O Simepar registrou 124,9 km/h de rajada às 19h15 de segunda-feira.
O balanço parcial da Defesa Civil municipal apontava entre 3,5 mil e 4,5 mil pessoas afetadas, cerca de 950 a 1.000 residências comprometidas e entre 400 e 500 árvores derrubadas. Mais de 600 famílias já haviam procurado atendimento emergencial.
No pior momento, aproximadamente 100 mil imóveis chegaram a ficar sem energia na cidade. Durante a manhã desta terça-feira, ainda eram mais de 40 mil consumidores sem fornecimento. A situação levou o município a decretar situação de emergência.
O governador em exercício, Darci Piana, esteve em Apucarana nesta terça-feira, acompanhado do secretário estadual de Segurança Pública, Hudson Teixeira, para acompanhar os trabalhos. O decreto municipal foi homologado e permite que o município avance nos pedidos de ajuda e recursos.
É importante registrar isso porque, diante da dimensão do desastre, a reconstrução não será apenas uma questão de retirar árvores e trocar telhas. Vai exigir dinheiro, logística e tempo.
O PT entrou na articulação por ajuda federal
Em meio à emergência, uma movimentação política chamou atenção em Apucarana.
O deputado estadual Arilson Chiorato (PT) articulou uma reunião entre autoridades do município e a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, órgão do Governo Federal.
Participaram da reunião o prefeito Rodolfo Mota, o vereador Dr. Odarlone Orente (PT), representantes do Corpo de Bombeiros, da assistência social e da área de obras, além de técnicos da Defesa Civil Nacional.
A orientação recebida foi objetiva: o município precisa formalizar o levantamento dos danos para poder solicitar recursos federais destinados à assistência humanitária, recuperação dos serviços essenciais e reconstrução. Arilson afirmou que manterá o contato com a Defesa Civil Nacional durante esse processo.
É uma etapa burocrática que pode parecer distante de quem está olhando para uma casa sem telhado. Mas é justamente essa documentação que transforma o desastre registrado em pedido oficial de recursos.
E a demora da Copel?
Aqui é preciso separar duas coisas. Uma é a reclamação legítima dos consumidores que continuam sem energia. Outra é afirmar que a Copel simplesmente não está trabalhando.
Os dados disponíveis mostram que a companhia mobilizou equipes de eletricistas, manutenção e obras e já restabeleceu dezenas de milhares de unidades. Ao mesmo tempo, os números também mostram que o serviço ainda não havia sido normalizado para todos.
Em Apucarana, por exemplo, mais de 40 mil consumidores ainda apareciam sem energia na atualização das 12h30. Em Maringá, eram 3.839 no início da tarde. Arapongas também permanecia entre os municípios mais afetados.
E aqui está a angústia de quem está do outro lado do fio: a Copel, hoje privatizada, não tem a mesma eficiência, logística e recursos do que a Copel outra hora estatal para recuperar a rede de energia por completo com rapidez. Enquanto isso pessoas reclamam que têm alimentos estragando na geladeira e equipamentos eletrônicos danificados por sobrecargas da rede elétrica, sem resposta sobre substituição ou reparação material por parte da empresa.
Para quem está sem luz, saber que existem equipes trabalhando não resolve o problema imediato.
Há idosos que dependem de equipamentos elétricos, famílias tentando conservar alimentos. Tendo atualizações importantes, informaremos.

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