Motorista relata crises de ansiedade após ter carro depredado em ato pró-Flávio Bolsonaro em Curitiba

Carlos Diovanne procurou a Polícia Civil para relatar os impactos pessoais e profissionais do episódio

Deputado Arilson Chiorato pede cassação de vereador de Almirante Tamandaré, e caso também é alvo de representação ao Ministério Público.

O carro de Carlos, depredado pelo vereador bolsonarista (detalhe) - Reprodução/Sulpost

O que começou como um episódio de violência durante uma manifestação política em Curitiba agora tem novos desdobramentos. Carlos Diovanne, motorista que teve o vidro traseiro do carro quebrado durante um ato de apoio a Flávio Bolsonaro (PL), relata crises de ansiedade, insônia e dificuldades para manter sua rotina depois do ocorrido.

Segundo reportagem publicada pelo Plural em 22 de outubro, Diovanne esteve no 1º Distrito Policial de Curitiba, acompanhado de advogados, para complementar o boletim de ocorrência e detalhar as consequências do episódio. De acordo com o relato divulgado, ele precisou procurar atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), teve dificuldades de concentração e rendimento profissional e ficou quatro dias afastado do trabalho.

O caso aconteceu na noite de 17 de outubro, no cruzamento das ruas XV de Novembro e Doutor Muricy, nas proximidades da Boca Maldita, no Centro da capital paranaense. O motorista passava pelo local com uma acompanhante quando o veículo foi cercado por manifestantes durante o ato político.

Imagens registradas pelo fotojornalista Luis Pedruco e divulgadas nas redes sociais mostram pessoas hostilizando os ocupantes, chutando o automóvel e arremessando objetos. Na sequência, um homem utiliza a haste de uma bandeira do Brasil para atingir e quebrar o vidro traseiro. O episódio foi noticiado por veículos como a Band e o Portal Nosso Dia.

Arilson Chiorato pede cassação do vereador

O homem apontado nas imagens como responsável por quebrar o vidro é o vereador Denys Moraes (PRD), de Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba. A identificação e as acusações contra o parlamentar fazem parte dos desdobramentos que deverão ser apurados pelas autoridades competentes.

O presidente estadual do PT, deputado Arilson Chiorato, apresentou, ao lado do dirigente municipal Hélio dos Santos Dias, uma representação à Câmara Municipal de Almirante Tamandaré pedindo a cassação do mandato de Denys Moraes. O documento aponta possível quebra de decoro parlamentar e solicita que o Legislativo examine a conduta atribuída ao vereador.

Conforme noticiado pelo Brasil de Fato, o PT também acionou o Ministério Público do Paraná (MPPR), solicitando investigação criminal sobre o episódio, a identificação de outros possíveis envolvidos e a preservação de imagens que possam contribuir para esclarecer os fatos.

Chiorato cobrou uma resposta institucional à conduta atribuída ao parlamentar. “Ele é uma figura pública e não pode se comportar assim”, afirmou o deputado, segundo a reportagem do Brasil de Fato, ao defender a apuração das responsabilidades e a análise do pedido de cassação.

O presidente da Câmara Municipal, Fábio Guerra Corrêa (MDB), conhecido como Ferrugem, informou que a representação será encaminhada à Comissão de Ética para análise, observando o Regimento Interno e a legislação aplicável. A informação foi divulgada pela TMC.

É importante esclarecer que o pedido de cassação não significa perda automática do mandato. O caso precisa seguir os procedimentos legais, com direito ao contraditório e à ampla defesa. Da mesma forma, a representação ao Ministério Público não equivale a uma denúncia criminal recebida pela Justiça nem a uma condenação.

Relato inclui provocações e ameaças

Além dos danos materiais ao automóvel, o caso envolve relatos de hostilização e ameaças durante a manifestação. Segundo as informações atribuídas ao boletim de ocorrência, Diovanne teria sido alvo de provocações e ameaças de morte. Esses relatos precisam ser investigados e confrontados com os depoimentos, as imagens disponíveis e os demais elementos reunidos pela Polícia Civil.

A defesa avalia medidas judiciais para buscar reparação pelos prejuízos sofridos e providências nas esferas pertinentes. A apuração deverá esclarecer as circunstâncias do episódio, a participação de cada envolvido e a eventual existência de responsabilidades criminais, civis, eleitorais ou político-administrativas.

Violência política não pode ser naturalizada

O episódio levanta uma questão que vai além do prejuízo material causado pela quebra de um vidro: ninguém deve ser intimidado, ameaçado ou agredido por suas convicções políticas. A liberdade de manifestação é um direito democrático, mas não autoriza violência contra quem pensa diferente ou simplesmente passa por um local onde ocorre um ato político.

Quando a vítima relata insônia, crises de ansiedade, necessidade de atendimento médico e afastamento do trabalho, as consequências deixam de ser apenas materiais. O caso exige uma apuração cuidadosa, com atenção aos impactos sofridos pelo motorista e sem antecipar conclusões sobre responsabilidades que ainda dependem de investigação.

O Sulpost acompanhará os desdobramentos, incluindo a apuração policial, as providências do Ministério Público e a tramitação do pedido de cassação apresentado por Arilson Chiorato na Câmara de Almirante Tamandaré.

Também é necessário registrar que, nas reportagens consultadas sobre o caso, o vereador não havia apresentado manifestação pública sobre as acusações até as respectivas atualizações. O espaço para sua versão deve permanecer aberto, assim como para informações oficiais da Polícia Civil, do Ministério Público e da Câmara Municipal.

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