A verdade não tem partido, mas exige coerência

Nelsão fala de fé, honestidade e responsabilidade na política e numa mensagem carregada na fé reforça seu apoio ao presidente Lula no segundo turno

Nelsão fala de fé, honestidade e responsabilidade na política e numa mensagem carregada na fé reforça seu apoio ao presidente Lula no segundo turno

A verdade não pode depender da conveniência política, da religião ou da pessoa que está sendo julgada. Esse é o recado de Nelsão, metalúrgico, trabalhador e apoiador da reeleição do presidente Lula, em vídeo gravado na tarde desta quarta-feira (21), a quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais.

Em sua mensagem aos brasileiros, a todas as companheiras e companheiros de tantas jornadas, Nelsão faz um apelo aos trabalhadores, às trabalhadoras, aos jovens e às famílias. Ele pede para que as pessoas façam uma reflexão sobre os ensinamentos do evangelho de nosso senhor Jesus Cristo, antes de decidir o voto. 

Nelsão questiona o uso da religião como instrumento político e defende que honestidade, respeito à vida e responsabilidade sejam cobrados de todos, independentemente de partido ou posição social. 

Um discurso que não pode ganhar espaço é o do fundamentalismo religioso. Basta olharmos ao nosso redor para poder enxergar até aonde o fundamentalismo religioso pode levar certos países. Certamente este não é o desejo de Cristo, pois não foi o que Ele ensinou.

O que a Bíblia ensina sobre a verdade?

No vídeo que você vai ver a seguir, Nelsão fala a partir de sua própria experiência de vida. Metalúrgico e ex-catequista, ele convida o eleitor a consultar padres, pastores e outras lideranças religiosas sobre o que a Bíblia ensina a respeito de mentir, roubar, enganar, levantar falso testemunho e tirar a vida de outra pessoa.

Longe de tentar ser um conselheiro religioso, Nelsão sugere que as pessoas busquem aconselhamento espiritual com seus próprios dirigentes, de suas paróquias, igrejas, comunidades e religião.

A reflexão também está presente em passagens conhecidas do Novo Testamento. Em João 8:32, lemos: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Em Mateus 7:16, a orientação é reconhecer as pessoas por seus frutos.

A mensagem é simples: não basta falar em Deus, ou citar trechos do Evangelho sem antes defender os valores cristãos. De nada adianta se apresentar como exemplo de honestidade sem ter atitudes que sejam coerentes com o discurso.

Em Efésios 4:25, encontramos a orientação para abandonar a mentira e falar a verdade ao próximo. Esse princípio universal de honestidade não pode, ou ao menos não deveria mudar conforme a preferência eleitoral de cada pessoa.

Não faz sentido condenar a mentira quando parte de um adversário e procurar justificativas quando ela pode supostamente beneficiar alguém em quem depositamos apoio e confiança. O mesmo vale para corrupção, abuso de poder e qualquer conduta que prejudique a sociedade. Como pode a mentira combater a corrupção?

Transparência também vale para quem disputa a Presidência

A discussão sobre a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Lula e Flávio Bolsonaro colocou a transparência no centro do debate político desta reta final da campanha.

Nesta terça-feira (20), Lula protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para a divulgação automática de seus dados e dos dados de familiares, relativa aos últimos oito anos, condicionada à adoção de medida equivalente por Flávio Bolsonaro (PL). A proposta também contempla empresas vinculadas a ambos os candidatos, nos termos do documento apresentado.

Nesta quarta-feira (21), Flávio declarou que aceita o desafio, mas apresentou condições adicionais, entre elas a divulgação de informações relacionadas ao ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e ao cartão corporativo da Presidência.

Ora bolas, isso não é um jogo. O que está em jogo aliás é o futuro do Brasil, é o futuro de cada um de nós. Portanto, é muito importante distinguir uma declaração pública de uma autorização formal, e ambas da efetiva divulgação dos dados. Até que as condições sejam resolvidas e as informações sejam disponibilizadas, não se pode afirmar que os sigilos de ambos foram efetivamente abertos.

Também precisamos evitarprecisamoss precipitadas. A disposição para divulgar informações pode ser examinada como um compromisso particular de transparência, mas não comprova, por si só, inocência ou culpa. Da mesma forma, divergências sobre as condições de divulgação não constituem prova de crime.

O eleitor tem o direito de cobrar explicações, comparar as posições dos candidatos e avaliar se as propostas apresentadas contribuem efetivamente para a prestação de contas à sociedade.

Dois pesos e duas medidas não combinam com honestidade

Jesus também advertiu todos nós com relação à hipocrisia e ao julgamento precipitado. Em Mateus 7:3-5, Ele questiona aqueles que enxergam o defeito alheio, mas não reconhecem as próprias falhas. Ele está sempre sondando nossas almas, ninguém pode enganar a Deus.

Mesmo tendo mais de dois mil anos, esta é, sem dúvida alguma, um reflexão continua atual. É fácil apontar os erros de quem pensa diferente de nós. Difícil é reconhecer problemas em quem admiramos, apoiamos ou ajudamos a eleger. O ato de contrição nada mais é do que admitir uma culpa, fazer antes de tudo a mea-culpa, para então poder pedir perdão a Deus.

Isso não significa tratar todos os políticos como iguais, ignorar diferenças entre projetos ou deixar de reconhecer responsabilidades individuais. Significa exigir provas, respeitar os fatos, os processos legais e aplicar critérios coerentes, sem proteger ninguém por conveniência partidária. Não estamos falando aqui de torcidas como se fosse uma partida de futebol. Falamos do futuro do Brasil e da família de cada um de nós. É isso que está em jogo.

O compromisso com a verdade não exige neutralidade diante de todas as propostas políticas. Inclusive dizem que os lugares mais quentes do inferno estão reservados para aqueles que se mantém neutros em tempos de crise.

Um candidato não pode defender armas e ao mesmo tempo defender o evangelho de Jesus Cristo. Cada cidadão tem o direito de escolher seu lado, defender suas convicções e declarar seu voto. O que não deveria fazer é transformar preferência política em justificativa para mentir ou ignorar fatos comprovados por investigações sérias. Como pode pessoas que alegam ser religiosas achar que se pode enganar o próprio Deus?

Por que Nelsão vota em Lula

Nelsão não esconde sua posição. Ele declara apoio à reeleição de Lula e defende um governo comprometido com o povo, com mais empregos, saúde e educação. Um presidente que garante o estado laico e a liberdade de culto e crença para toda a população. Um candidato cristão, que defende Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, e todas as religiões porque éFederalue manda a Constituição Federal.

Neste momento, às vésperas do dia mais importante das nossas vidas pelos próximos quatro anos, o apelo é dirigido especialmente à classe trabalhadora, que conhece o valor do salário, do emprego, dos direitos conquistados e do acesso aos serviços públicos.

“Vamos votar naquele que pensa no povo e não quer enganar?”, pergunta Nelsão no vídeo.

É uma posição política clara, assumida pelo autor da mensagem. O apoio a Lula não elimina a necessidade de cobrar transparência do presidente, assim como a oposição a Flávio Bolsonaro não autoriza condená-lo sem provas. A coerência está justamente em não abrir mão dos princípios quando se trata de quem recebe nosso voto.

A verdade não tem partido, mas exige coerência

O Brasil precisa continuar a ser governado com responsabilidade, transparência e respeito aos fatos. Precisa de cidadãos dispostos a questionar seus representantes, em vez de agir como torcedores que justificam qualquer atitude do próprio time, condenando o próximo apenas quando lhe convém.

A mentira não se transforma em verdade porque é repetida por alguém em quem confiamos, mesmo que ela seja repetida mil vezes. O erro não deixa de ser erro porque foi cometido por um político do nosso partido ou uma pessoa que admiramos. E uma acusação não se transforma em prova apenas porque poderia confirmar aquilo em que desejamos acreditar.

É possível defender Lula, apoiar sua reeleição e, ao mesmo tempo, continuar exigindo que seu governo preste contas. Da mesma forma, é legítimo apoiar Flávio Bolsonaro, mas isso não o dispensa de responder aos questionamentos públicos e apresentar esclarecimentos quando necessários. Quando faz isso ele contraria o próprio discurso.

Acreditamos que Lula representa o caminho mais adequado para o país. Pedimos para que todos os brasileiros e brasileiras considerem as consequências de seu voto, para si próprios, para todos os trabalhadores, trabalhadoras e suas famílias.

No próximo domingo, dia 25, Nelsão vota 13, em Lula. A mesma escolha de pelo menos metade da população brasileira. E, a mensagem final é acima de tudo um convite à reflexão: estamos realmente comprometidos com a verdade ou apenas com aquilo que favorece o "nosso lado"?

Para o Nelsão a verdade não tem partido, não tem dono e não deveria ter dois pesos e duas medidas. Para o Brasil crescer não se trata de nós contra eles, mas que todas e todos nós permaneçamos de mãos dadas, juntos contra os problemas.

Comentários

Leia também >>

Fim da escala 6x1: Congresso prepara promulgação histórica, enquanto PEC da Segurança Pública sai da pauta

Lula e Flávio Bolsonaro frente a frente: o que esperar do primeiro debate na Band

Fábio Camargo propõe antecipar fiscalização das contas públicas durante transição no Paraná

Brasil registra 305,7 mil ligações indesejadas por minuto; novas regras miram robôs e fraudes

O outro braço da história: cineasta paranaense quer levar a alma da Amazônia para as telas do Brasil

Senado aprova fim da escala 6x1 em dois turnos, com 75 votos favoráveis e apenas um contrário

Curitiba nas ruas, Brasil diante da TV: dois dias de mobilização e um debate que elevou a temperatura eleitoral

Rafael Greca faz discurso em defesa de Lula, da cultura brasileira e da soberania nacional em sarau de Curitiba (VÍDEO)

Parece deepfake de ficção científica, mas não é: Tesla mostra Roadster capaz de voar por alguns instantes

Milei anuncia novo corte de empregos públicos na Argentina, mas austeridade ainda não garante melhora de vida