Itaipu prevê queda do nível do rio Paraná, mas feriado exige atenção com as chuvas

Depois de semanas de cheia, rio deve baixar cerca de três metros até sábado

Vertedouro voltou a operar após fechamento temporário, enquanto previsão indica chuva em Foz do Iguaçu no feriado de Finados.

Foto: William Brisida/Itaipu Binacional

Depois de semanas de preocupação com a cheia dos rios Paraná e Iguaçu, a região de Foz do Iguaçu começa a receber uma notícia mais favorável. A Itaipu Binacional prevê que o nível do rio Paraná recue aproximadamente três metros até amanhã, sábado (31), trazendo a perspectiva de alívio para quem vive nas áreas próximas às margens.

Mas é importante não confundir uma previsão de queda com o fim dos riscos. A água demora a baixar, os efeitos das chuvas podem persistir por vários dias e uma mudança nas condições meteorológicas pode alterar o cenário. Para as famílias atingidas, a recuperação não termina quando o nível do rio começa a cair.

Segundo a atualização divulgada pela Itaipu em 29 de outubro, o nível do Paraná estava em 117 metros acima do nível do mar na estação de medição da Ponte da Amizade. A estimativa é chegar a 114,3 metros até sábado.

A redução depende de dois fatores principais: a diminuição da quantidade de água liberada pela usina e a queda da vazão do rio Iguaçu, que deságua no Paraná abaixo da barragem de Itaipu.

Uma cheia que se intensificou ao longo de outubro

A situação atual é resultado de um período prolongado de chuvas significativas nas bacias hidrográficas que influenciam o comportamento dos rios da região.

No início de outubro, a Itaipu já monitorava a possibilidade de elevação do Paraná. Em 6 de outubro, a usina alertou que o nível poderia subir entre 2,5 e três metros. No dia seguinte, equipes começaram a prestar assistência a moradores do bairro San Rafael, em Ciudad del Este, no Paraguai, diante do risco de inundação.

Em 9 de outubro, quando o nível do Paraná estava em 109,17 metros na estação da Ponte da Amizade, a Itaipu informou que trabalhava para reduzir os impactos da cheia. A situação, entretanto, continuou evoluindo.

Em 12 de outubro, o rio chegou a 116,13 metros. Dois dias depois, ultrapassou a marca de 121 metros, refletindo o volume de chuvas registrado nas bacias do Iguaçu, na área do reservatório e em outros pontos que contribuem para a formação das vazões.

O avanço das águas exigiu atenção especial em áreas ribeirinhas de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este. No lado paraguaio, mais de 100 famílias do bairro San Rafael já haviam recebido assistência quando a Itaipu divulgou, em 13 de outubro, um balanço das medidas de prevenção e retirada de moradores.

As atualizações podem ser consultadas nos comunicados oficiais da usina: monitoramento no início de outubro, avanço da cheia e assistência às famílias e balanço da situação em 20 de outubro.

O papel do vertedouro e a decisão de fechar as comportas

Durante a cheia, a Itaipu utilizou o reservatório e o vertedouro como parte da estratégia para administrar os volumes de água e reduzir os impactos sobre o rio Paraná.

Em 23 de outubro, a usina informou que buscava manter o nível do rio próximo de 115 a 116 metros, mesmo diante da previsão de chuvas volumosas. A estratégia consistia em criar espaço no reservatório para receber parte da água que chegaria nos dias seguintes e reduzir a liberação da usina no período de maior vazão do rio Iguaçu.

O pico da vazão do Iguaçu estava previsto para o dia 25. Naquele domingo, às 17h32, a Itaipu fechou o vertedouro depois de 26 dias de operação ininterrupta. Segundo a nota oficial publicada em 26 de outubro, a medida ajudaria a armazenar água no reservatório e a reduzir a quantidade liberada a jusante da barragem.

A usina estimou que a estratégia de controle do vertimento poderia evitar uma elevação de até quatro metros no nível do Paraná. Naquele momento, porém, a vazão do Iguaçu ainda representava uma preocupação importante para a região.

É necessário esclarecer que o fechamento não foi definitivo. Na atualização publicada em 29 de outubro, a própria Itaipu informou que o vertedouro estava novamente aberto, com a calha esquerda em operação e vazão média de nove milhões de litros de água por segundo.

A operação pode mudar de acordo com as condições hidrológicas e as necessidades do sistema elétrico. Por isso, a abertura ou o fechamento do vertedouro, isoladamente, não determina o nível do rio Paraná.

Por que o rio Iguaçu influencia tanto o Paraná?

Existe uma diferença importante entre a água liberada pela usina e aquela que chega ao Paraná pelo rio Iguaçu. A Itaipu consegue controlar a defluência de seu reservatório, mas não controla diretamente a vazão do Iguaçu, que deságua no Paraná abaixo da barragem.

Quando o Iguaçu recebe um volume excepcional de água, sua vazão pode dificultar o escoamento do Paraná na região da confluência dos dois rios. Esse fenômeno é conhecido como efeito de remanso e contribui para a elevação do nível das águas.

De acordo com a atualização mais recente da Itaipu, a vazão do Iguaçu chegou a 16 milhões de litros por segundo no dia 25 de outubro. A expectativa para esta sexta-feira (30) era de redução para aproximadamente seis milhões de litros por segundo.

Mesmo com a queda, o volume continuaria muito acima da vazão média do rio, estimada pela usina em cerca de 1,5 milhão de litros por segundo. A diminuição ajuda a explicar a expectativa de recuo do Paraná, mas não elimina a necessidade de monitoramento.

As informações técnicas e os dados atualizados podem ser acompanhados no portal especial da Itaipu sobre a cheia do rio Paraná, que reúne o Boletim Hidrológico e informações sobre o funcionamento do vertedouro e do reservatório.

Feriado de Finados: como fica o tempo em Foz do Iguaçu?

Com o feriado nacional de Finados na segunda-feira (2 de novembro), muita gente pretende viajar, visitar familiares ou aproveitar o tempo livre. Para quem vai circular por Foz do Iguaçu e pela região de fronteira, entretanto, a previsão do tempo merece atenção.

Na previsão consultada no Simepar nesta sexta-feira, o cenário para os próximos dias indica mudanças nas condições meteorológicas, com possibilidade de chuva no domingo e precipitações mais expressivas na segunda-feira.

Sábado, 31 de outubro: a previsão do Simepar indica tempo sem chuva significativa em Foz do Iguaçu. A probabilidade de precipitação registrada na previsão diária é de 0%, embora as condições possam mudar.

Domingo, 1º de novembro: aumenta a possibilidade de chuva. O Simepar aponta probabilidade de precipitação de 98%, com acumulado previsto de aproximadamente 2,1 milímetros. Também há indicação de rajadas de vento que podem chegar a 47 km/h.

Segunda-feira, 2 de novembro, feriado de Finados: a previsão consultada aponta probabilidade de chuva de 98% e acumulado diário estimado em 17,8 milímetros. As rajadas de vento podem chegar a 40 km/h.

Esses valores são estimativas de previsão, não garantias do volume que será efetivamente registrado. O cenário pode mudar, por isso vale conferir as atualizações antes de sair de casa.

Consulte a previsão oficial do Simepar para Foz do Iguaçu e o portal do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). O INMET também alertou para a possibilidade de chuvas expressivas em partes do Paraná durante o período analisado em seu informativo meteorológico de 26 de outubro.

O que a previsão significa para o nível do rio?

A expectativa divulgada pela Itaipu é de que as chuvas previstas para os próximos dias não sejam suficientes para provocar uma nova elevação significativa do nível do Paraná. A usina, porém, continua acompanhando a situação e poderá ajustar a operação conforme a evolução das vazões e das condições meteorológicas.

Há um detalhe importante: a previsão de chuva para Foz do Iguaçu não é, por si só, suficiente para determinar o comportamento do rio. Também é necessário considerar as precipitações nas bacias a montante, a quantidade de água que chega ao reservatório, a vazão do Iguaçu e as condições de escoamento do Paraná.

Em outras palavras, uma chuva localizada pode ter efeito limitado sobre o nível do rio, enquanto precipitações volumosas em áreas distantes podem influenciar a situação dias depois.

Água baixando não significa risco encerrado

Para quem teve a casa atingida, perdeu móveis, precisou deixar o próprio lar ou ainda aguarda condições seguras para voltar, a queda do nível do rio é uma notícia importante. Mas a recuperação exige tempo, cuidado e informação confiável.

Mesmo quando a água recua, podem permanecer áreas alagadas, margens instáveis e condições inadequadas para o retorno imediato às residências. A orientação é respeitar as recomendações da Defesa Civil e não voltar a locais de risco apenas porque o nível do rio começou a baixar.

O feriado também pede planejamento. Quem pretende viajar deve acompanhar a previsão meteorológica, as condições das estradas e os avisos das autoridades. Em caso de chuva forte, é prudente evitar áreas sujeitas a alagamentos e não se aproximar de margens de rios com correnteza elevada.

A Itaipu mantém as informações hidrológicas em seu portal de acompanhamento das cheias. Os moradores também devem consultar os comunicados da Defesa Civil do Paraná e seguir as orientações das equipes locais.

Depois de semanas de apreensão, a perspectiva de redução do nível do Paraná traz algum alívio. O importante, agora, é que a água continue baixando, que as condições meteorológicas permaneçam dentro do cenário previsto e que as famílias atingidas possam retomar a rotina com segurança. Até lá, acompanhar os dados oficiais continua sendo a melhor forma de transformar informação em proteção.

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