IPESPE aponta desconfiança acima de 50% em Flávio; Datafolha confirma empate entre os candidatos

A dois dias da eleição, pesquisas mostram Lula e Flávio tecnicamente empatados. Mas o candidato do PL enfrenta um problema: 51% dos entrevistados não confiam nele

O eleitor terá de decidir entre a continuidade do atual governo e uma nova administração ainda cercada de incertezas.

A dois dias da eleição, pesquisas mostram Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados. Mas o candidato do PL enfrenta um obstáculo importante: 51% dos entrevistados dizem não confiar nele O eleitor terá de decidir entre a continuidade do atual governo e uma nova administração ainda cercada de incertezas.

A eleição presidencial de 2026 chega à reta final sem um vencedor definido nas pesquisas. Os levantamentos mais recentes mostram uma disputa voto a voto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Mas, para além da intenção de voto, um indicador merece atenção: a confiança que os candidatos inspiram no eleitorado.

Divulgada nesta sexta-feira, 23 de outubro, a pesquisa IPESPE/Abrapel revela que 51% dos entrevistados dizem não confiar em Flávio Bolsonaro. Em relação a Lula, esse percentual é de 48%.

O dado chama a atenção porque mais da metade dos entrevistados manifesta desconfiança em relação ao candidato do PL justamente quando ele disputa uma eleição nacional em condições de empate técnico. Não significa que todos esses eleitores necessariamente votarão em Lula, mas revela uma dificuldade que Flávio precisa superar: convencer uma parcela do país de que está preparado para assumir a Presidência da República.

Datafolha e IPESPE apontam disputa aberta

Na quinta-feira, 22 de outubro, o Datafolha divulgou uma pesquisa que colocou os dois candidatos com 50% dos votos válidos cada um. O levantamento ouviu 2.520 pessoas em 154 municípios, entre os dias 20 e 22, e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Já o levantamento IPESPE/Abrapel, divulgado nesta sexta-feira, aponta Flávio com 50,5% dos votos válidos e Lula com 49,5%. Foram entrevistados 1.500 eleitores em todo o país, entre 20 e 22 de outubro, com margem de erro de 2,6 pontos percentuais.

Na prática, os dois levantamentos apontam para o mesmo cenário: não há vantagem estatisticamente segura de um candidato sobre o outro. As diferenças observadas estão dentro das respectivas margens de erro.

É importante lembrar que pesquisas eleitorais não são previsões do resultado das urnas. São retratos da opinião dos entrevistados no período em que os levantamentos foram realizados. Ainda assim, quando diferentes pesquisas indicam uma disputa tão apertada, fica evidente que a mobilização dos eleitores e o comparecimento às urnas podem realmente fazer a diferença.

O que está em jogo para o Brasil?

O eleitor não escolherá apenas entre dois nomes. A decisão de domingo também definirá os rumos políticos e econômicos do país nos próximos quatro anos.

De um lado, Lula busca um novo mandato para dar continuidade aos programas e às políticas de seu governo. Seus apoiadores defendem a manutenção de iniciativas sociais, a valorização do trabalho, a ampliação de oportunidades e a continuidade de uma agenda que, na avaliação do campo progressista, deve combinar desenvolvimento econômico e redução das desigualdades.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro apresenta-se como representante do campo bolsonarista e da oposição ao atual governo. Sua candidatura mobiliza eleitores que desejam uma mudança de orientação política e que mantêm forte identificação com o legado de Jair Bolsonaro, que hoje se encontra em prisão domiciliar, em Brasília, por tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito.

O desafio colocado ao eleitor é avaliar não apenas os discursos de campanha, mas também as propostas, a experiência, os compromissos públicos e as condições políticas que cada candidato efetivamente têm para governar o Brasil.

As dúvidas que cercam a candidatura de Flávio

A reta final da campanha também é marcada por questionamentos relacionados às relações políticas e financeiras de Flávio Bolsonaro.

Entre os assuntos que ganharam repercussão estão as apurações envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e as relações do candidato com o advogado Willer Tomaz, que foi apontado em documento do Ministério da Fazenda como responsável por movimentar cerca de R$ 5 bilhões em apostas ao longo de 2025.

Segundo reportagem da CNN Brasil, o documento técnico da Secretaria de Prêmios e Apostas também registrou saques superiores a R$ 200 milhões. O volume total apostado, porém, não corresponde necessariamente a dinheiro novo desembolsado, pois os valores podem incluir sucessivas reapostas.

O caso está cercado de questionamentos e apurações. A existência de investigação não equivale à comprovação de crime, e o advogado afirma que os recursos têm origem lícita e são compatíveis com seus rendimentos. As alegações e os esclarecimentos dos envolvidos precisam ser considerados com responsabilidade.

As conexões entre Flávio, o advogado e o universo das apostas estão entre os temas que exigem esclarecimentos públicos. Em uma eleição presidencial, o eleitor tem o direito de cobrar transparência de quem pretende administrar o país.

Essas controvérsias, entretanto, não permitem concluir, por si sós, que tenham determinado o resultado das pesquisas. O dado mensurável é outro: mesmo com a disputa tecnicamente empatada, a pesquisa IPESPE/Abrapel registra desconfiança em relação a Flávio acima de 50%.

Dois dias para uma decisão que terá consequências por quatro anos

O calendário eleitoral não oferece muito tempo para novas mudanças de opinião. A votação será neste domingo, 25 de outubro, e o país escolherá entre a continuidade do governo Lula e a alternativa representada por Flávio Bolsonaro.

Em uma disputa tão equilibrada, cada voto importa. Também importa a qualidade da informação que chega ao eleitor. É preciso distinguir fatos comprovados de acusações, propostas concretas de slogans e pesquisas de previsões definitivas.

Para quem defende a continuidade dos projetos do atual governo, a eleição representa a oportunidade de manter essa agenda e tentar avançar em seus objetivos. Para quem deseja mudança, o voto em Flávio significa apostar em outra orientação política, com os compromissos e as incertezas próprios de um novo governo.

O resultado não está decidido. As pesquisas mostram uma disputa aberta, e a palavra final será dos eleitores.

O Brasil chega ao domingo diante de uma escolha importante. Mais do que a força das torcidas políticas, o que deveria prevalecer é a capacidade de cada candidato de apresentar propostas, prestar contas de suas relações e demonstrar como pretende governar um país de dimensões continentais e profundas desigualdades.

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