Irã divulga vídeo de navios em Ormuz e desafia versão dos EUA sobre abertura do estreito
Teerã afirma que embarcações continuam dependendo de autorização iraniana para atravessar a região; Washington diz ter removido minas das principais rotas internacionais
O Irã divulgou neste sábado (29) um vídeo que mostra embarcações concentradas no Estreito de Ormuz, em uma demonstração de força diante das declarações dos Estados Unidos de que as principais rotas internacionais da região foram desminadas e estão abertas à navegação.
Na sexta-feira (28), a Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou que o Irã mantém “controle total” sobre o estreito e que as restrições à navegação continuarão enquanto Washington não cumprir as condições estabelecidas por Teerã.
O vídeo divulgado neste sábado reforça a versão iraniana de que navios precisam de autorização para atravessar a região. A afirmação, porém, deve ser entendida como uma demonstração de controle operacional e militar, e não como reconhecimento de soberania exclusiva do Irã sobre o estreito.
EUA afirmam ter removido minas
Na quinta-feira (27), o comandante do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), almirante Brad Cooper, declarou que as forças americanas haviam concluído uma operação para retirar minas marítimas das rotas internacionais de navegação em Ormuz.
Segundo Cooper, a operação contou com mergulhadores da Marinha, equipes SEAL e apoio aéreo. O militar afirmou ainda que os Estados Unidos haviam supervisionado a passagem segura de aproximadamente 1.500 embarcações comerciais, responsáveis pelo transporte de cerca de 750 milhões de barris de petróleo.
A versão americana é contestada pelo Irã, que continua afirmando que o tráfego marítimo está sujeito às determinações de Teerã.
Tráfego permanece abaixo do normal
Apesar da disputa sobre o controle da passagem, embarcações continuam transitando pelo estreito.
Dados da empresa de rastreamento marítimo Kpler citados pela Reuters mostram que sete navios de carga atravessaram o Estreito de Ormuz na quinta-feira. O número ficou abaixo da média de 15 embarcações registrada nos dez dias anteriores.
O movimento indica que o estreito não está completamente fechado, mas também que a navegação permanece muito abaixo dos níveis considerados normais.
Irã e Omã negociam corredor temporário
Enquanto Washington e Teerã divergem sobre as condições de navegação, Irã e Omã negociam um corredor marítimo temporário para facilitar a circulação de embarcações.
O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Mohsen Rezaei, afirmou na sexta-feira que os dois países chegaram a um entendimento sobre uma rota que passaria por águas iranianas e omanenses. O corredor seria administrado conjuntamente.
Segundo o governo iraniano, uma abertura mais ampla dependeria do cumprimento de condições impostas aos Estados Unidos.
Por que Ormuz é tão importante?
O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia e é uma das principais rotas de transporte de energia do planeta.
Dados da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) mostram que cerca de 20,9 milhões de barris de petróleo e derivados passaram pelo estreito diariamente no primeiro semestre de 2025 — aproximadamente um quinto do consumo mundial de líquidos de petróleo.
A crise provocada pelo conflito reduziu drasticamente esse fluxo. No segundo trimestre de 2026, a média caiu para 4,9 milhões de barris por dia, contra 14,9 milhões no primeiro trimestre.
O transporte de gás natural liquefeito também sofreu forte redução.
Disputa envolve direito internacional
O Estreito de Ormuz é uma passagem internacional entre o Irã e Omã. A Organização Marítima Internacional (IMO) reafirmou que o direito de passagem por estreitos utilizados para a navegação internacional não deve ser impedido ou suspenso.
Segundo a organização, pelo menos 70 ataques contra a navegação internacional foram registrados durante a crise, com 19 marítimos mortos.
Assim, a disputa atual envolve não apenas a capacidade militar de controlar o tráfego, mas também questões de segurança marítima e direito internacional.
Por enquanto, Irã e Estados Unidos apresentam versões diferentes sobre a situação: Washington afirma que as principais rotas foram desminadas e podem ser utilizadas, enquanto Teerã sustenta que continua controlando operacionalmente o acesso ao estreito.
Os dados de navegação indicam que o tráfego foi retomado parcialmente, mas permanece muito abaixo dos níveis anteriores à crise.
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