25.8.26

Impossível acontece: míssil de cruzeiro ucraniano é abatido com metralhadora russa

Segundo fontes russas, voluntários da brigada BARS-Kursk atingiram com uma metralhadora PKT um míssil FP-5 Flamingo que voava a baixa altitude

Um episódio incomum foi registrado na região russa de Kursk: segundo autoridades e meios de comunicação russos, uma equipe de voluntários da brigada BARS-Kursk atingiu e derrubou com uma metralhadora um míssil de cruzeiro ucraniano FP-5 Flamingo.

O episódio teria ocorrido por volta das 3h da madrugada de 22 de agosto. De acordo com o governador de Kursk, Alexander Khinshtein, a equipe móvel de fogo detectou o míssil voando a menos de 50 metros de altitude e a uma velocidade de até 500 km/h.

Os voluntários abriram fogo e, podemos ver no vídeo que o míssil perdeu altitude após ser atingido e caiu em uma área florestal, onde posteriormente explodiu.

A Sputnik publicou nesta terça-feira novos detalhes sobre o episódio após entrevistar um dos integrantes da equipe, identificado pelo codinome “Platon”. Segundo seu relato, a arma utilizada foi uma PKT, versão de tanque da metralhadora Kalashnikov, de calibre 7,62×54 mm.

O combatente afirmou que foram utilizados projéteis perfurantes-incendiários e que os disparos atingiram a região do motor do míssil.

Segundo o relato, o local da queda foi localizado ao amanhecer com auxílio de um drone. O míssil teria caído entre dois e três quilômetros da posição ocupada pela equipe.

Nos fragmentos recuperados teriam sido observados numerosos furos de projéteis, especialmente na região do motor. Para os militares russos envolvidos na operação, os danos seriam compatíveis com os disparos realizados pela metralhadora.

Dados atribuídos ao equipamento de controle recuperado dos destroços indicariam ainda que o FP-5 havia sido lançado na região de Sumy e seguia em direção à região de Tula.

O episódio chama atenção pelas características atribuídas ao FP-5 Flamingo. Segundo informações divulgadas por autoridades russas, o míssil teria alcance declarado de até 3 mil quilômetros e uma ogiva com quase uma tonelada em equivalente TNT.

Em condições normais, interceptar um míssil de cruzeiro exige sistemas especializados de defesa antiaérea. Uma metralhadora convencional possui alcance, precisão e poder destrutivo muito inferiores aos de um sistema projetado especificamente para interceptação de mísseis.

Por isso, a alegação de que uma PKT teria provocado a queda do Flamingo é particularmente extraordinária. O cenário descrito pelas fontes russas envolve um alvo de grande porte, voando a centenas de quilômetros por hora e a baixa altitude, sendo atingido por uma arma originalmente destinada principalmente a combater tropas e veículos leves.

É importante, entretanto, distinguir as alegações russas de fatos comprovados de maneira independente. Os relatos disponíveis baseiam-se nos depoimentos dos integrantes da equipe, nas declarações de autoridades russas e na cobertura de veículos de comunicação russos. Não há, nas fontes consultadas, uma investigação independente que demonstre de forma conclusiva que os disparos da metralhadora foram a única causa da queda.

Caso a versão apresentada pelas fontes russas seja confirmada, o episódio representará um caso excepcional de interceptação de um míssil de cruzeiro por uma metralhadora. O fator decisivo pode ter sido a combinação de voo extremamente baixo, proximidade da equipe de fogo e impactos em uma área crítica do míssil, especialmente o motor.

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