Dom Orlando Brandes volta a viralizar ao defender soberania nacional durante homilia
Trecho de celebração realizada em Aparecida no 7 de Setembro voltou a circular nas redes sociais nesta semana; arcebispo falou sobre eleições, consciência, bem comum e independência do Brasil
Um trecho da homilia de Dom Orlando Brandes, arcebispo emérito de Aparecida, voltou a ganhar grande circulação nas redes sociais nesta quarta-feira, 24 de setembro.
A fala foi registrada durante uma celebração no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil. Ao mencionar o período eleitoral, o religioso orientou os fiéis a escolherem seus candidatos de acordo com a própria consciência e tendo como referência o bem comum.
“Nossa Senhora, padroeira do Brasil, nesse ano eleitoral, que elejamos aquelas pessoas segundo o nosso coração, segundo a nossa consciência, segundo o nosso conhecimento”, afirmou.
Na sequência, Dom Orlando relacionou a celebração da Independência à defesa da soberania brasileira.
“Vamos defender a nossa soberania. Nenhum poder de fora, seja quem for, não deve mandar aqui.”
“Aqui é nossa casa, aqui é nossa pátria”
O arcebispo continuou falando sobre identidade nacional e pertencimento.
“Aqui é nossa soberania, aqui é nossa casa, aqui é nossa pátria, aqui é o chão abençoado que Deus nos deu e faz parte da nossa identidade”, disse.
Em outro momento, Dom Orlando afirmou que a nacionalidade também representa uma dimensão de identidade coletiva: “Sou brasileiro, sou brasileira”. Ele associou ainda o cuidado com o território à preservação da natureza, afirmando que esse “jardim” precisa ser cultivado porque “a natureza e o mundo também estão feridos”.
O vídeo não cita Lula
A repercussão política do vídeo aumentou porque a soberania nacional é atualmente um dos temas presentes no discurso eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Alguns veículos e usuários das redes sociais passaram, por isso, a relacionar a fala de Dom Orlando ao campo político progressista.
Há, porém, uma distinção importante para quem acompanha o episódio jornalisticamente: no trecho divulgado, Dom Orlando Brandes não menciona Lula, o PT ou qualquer outro candidato e não faz um pedido nominal de voto.
O que o religioso efetivamente faz é falar sobre o processo eleitoral, recomendar uma escolha baseada na consciência e no bem comum e defender a soberania brasileira.
O posicionamento da CNBB
A posição institucional divulgada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para as eleições de 2026 também ajuda a contextualizar a discussão.
Em mensagem publicada em junho, a CNBB afirmou que a Igreja Católica não indica candidatos nem partidos políticos, ao mesmo tempo em que defende a participação consciente dos cidadãos e apresenta princípios relacionados à dignidade humana, ao bem comum e à responsabilidade social.
Em agosto, o secretário-geral da CNBB, Dom Ricardo Hoepers, reforçou essa orientação ao afirmar que a missão da Igreja não é indicar candidatos ou partidos, mas oferecer critérios para que cada pessoa faça sua escolha de maneira consciente.
Assim, a fala de Dom Orlando pode ser compreendida dentro de uma discussão mais ampla sobre cidadania, ética, eleições e soberania, sem que seja correto transformar automaticamente suas palavras em um pedido de voto para determinado candidato.
Soberania é uma questão de Estado
Independentemente das preferências eleitorais de cada brasileiro, soberania nacional é um conceito que ultrapassa a disputa entre partidos e candidatos.
Em termos políticos, significa a capacidade de um Estado exercer sua autoridade sobre seu território e conduzir seus assuntos internos e externos sem submissão a outro Estado.
Foi justamente essa ideia que apareceu de forma direta na homilia: “Nenhum poder de fora, seja quem for, não deve mandar aqui”.
Em um país que se prepara para escolher seus representantes, a fala ganha naturalmente uma dimensão política. Mas também permite uma reflexão que vai além da campanha eleitoral: quem deve decidir os caminhos do Brasil?
A escolha continua sendo do eleitor
Dom Orlando colocou a palavra “consciência” no centro de sua orientação aos fiéis. E esse talvez seja o aspecto mais objetivo do trecho que voltou a circular.
Em uma democracia, a decisão sobre o voto pertence ao eleitor. Cabe a cada cidadão conhecer os candidatos, suas propostas, seus históricos e suas posições e formar sua própria convicção.
A mensagem institucional da CNBB para 2026 segue essa mesma linha ao defender participação consciente e responsável no processo eleitoral.
O vídeo pode, portanto, provocar diferentes interpretações políticas. Mas a informação precisa permanecer separada da interpretação: Dom Orlando falou de eleições, consciência, bem comum e soberania nacional. Não declarou, nesse trecho, apoio a Lula ou a qualquer candidato.
É uma diferença pequena na aparência, mas fundamental para o jornalismo.
Sulpost — jornalismo independente e cidadão, informação e interesse público.
Com informações da CNBB e de veículos que repercutiram a homilia de Dom Orlando Brandes.

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