quarta-feira, 30 de julho de 2025

Tarifaço dos EUA deixa de fora aviões, minérios e suco de laranja — café, frutas e carnes não estão entre as exceções

Tarifaço seletivo aplicado pelos EUA parece deixar claro quem eles querem atingir. Com a taxação do café, da carne e da fruta, o Brasil rural parece estar claramente na mira de Donald Trump

Por Ronald Stresser | Sulpost

 
© Antonio Milena - Arquivo/Agência Brasil  

A caneta de Trump voltou a pesar. Nesta quarta-feira (30), o presidente dos Estados Unidos assinou a ordem executiva que aumenta em 50% as tarifas sobre produtos brasileiros. Mas não para todos. Aviões, suco de laranja e minérios escaparam. Já o café, as demais frutas e as carnes — não.

É uma pancada no agro brasileiro.

O documento classifica o Brasil como “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional dos EUA. A mesma linguagem que o governo americano já usou contra Cuba, Irã e Venezuela.

As novas tarifas entram em vigor no dia 6 de agosto. Produtos já em trânsito não serão atingidos.

Ataque direto ao trabalhador rural

Seu Agenor planta café no interior do Paraná. Tem 64 anos. Herdou o ofício do pai e o passou aos filhos.

— A gente vive disso. Agora vai sobrar produto e faltar renda — diz ele, sentado no terreiro de secagem, com o olhar perdido no chão.

O Brasil é o maior exportador de café do mundo. Também lidera na produção de carnes e frutas tropicais. Os EUA são um dos principais compradores.

Com a nova taxa, tudo fica mais caro para os americanos. E, por isso, menos competitivo para nós. O mercado se fecha. O produtor perde. A família sente.

Por que taxação seletiva?

Aviões não foram taxados. Nem o suco de laranja. Tampouco os minérios.

Há interesses por trás. A Embraer tem parcerias nos EUA. Gera empregos lá. A indústria de suco da Flórida depende da laranja brasileira. E os minérios... bem, os EUA não querem cortar sua fonte.

No fundo, Trump protege o que é estratégico para eles. E aperta o que afeta mais o pequeno produtor brasileiro.

Os gringos mandam onde?

Trump ainda fez uma ameaça: se o Brasil quiser negociar, precisa mudar de postura. Na segurança, na economia e na política externa. Ao invés de cuidar do próprio país, que já parece cheio de problemas, Trump parece querer arrumar inimigos por toda parte.

Mais do que comércio, isso é uma pressão desleal. Uma tentativa de forçar o Brasil a seguir a cartilha americana. Mais que um jogo pesado, é chantagem.

E mais: Trump ameaça subir ainda mais as tarifas se o Brasil retalhar.

O campo sente

Essa medida não atinge só as exportações. Ela atinge pessoas. Famílias. Cidades pequenas que vivem da lavoura e da pecuária.

O impacto pode ser prifundo. Principalmente para quem está longe das capitais. Para quem acorda antes do sol nascer. Para quem vive da terra.

Enquanto isso, nas bolsas de valores e nos salões de Washington, seguem os discursos. Aqui, no chão do Brasil, sobra a incerteza enquanto alguns políticos inescrupulosos, da extrema-direita, comemoram.

📌 Esta reportagem faz parte da cobertura especial do Sulpost sobre os efeitos do tarifaço de Trump no Brasil rural. Apoie o jornalismo independente: Pix para (41)99281-4340

Sulpost – Jornalismo com voz, rosto e raízes.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou?
Então contribua com qualquer valor
Use a chave PIX ou o QR Code abaixo
(Stresser Mídias Digitais - CNPJ: 49.755.235/0001-82)

Sulpost é um veículo de mídia independente e nossas publicações podem ser reproduzidas desde que citando a fonte com o link do site: https://sulpost.blogspot.com/. Sua contribuição é essencial para a continuidade do nosso trabalho.