quinta-feira, 31 de julho de 2025

Mobilidade Verde: Bonde Digital Pode Redefinir o Transporte na RMC

O futuro nos trilhos invisíveis: Curitiba testa bonde digital urbano, prometendo um salto em mobilidade sustentável

Por Ronald Stresser | Sulpost

 
DRT e BRT - Ilustração/Sulpost
DRT e BRT - Ilustração/Sulpost
 

Curitiba, uma Smart City, cidade conhecida por sua vanguarda em transporte público, se prepara para virar mais uma página em sua história de mobilidade urbana: vem aí o Bonde Digital Urbano, um veículo 100% elétrico, de três vagões, guiado por tecnologia de indução magnética. Uma espécie de metrô de superfície, mas sem os trilhos que costumamos ver. Ele simplesmente anda sobre linhas digitais, como se a internet tivesse finalmente tocado o chão de asfalto das nossas ruas.

No papel, o projeto impressiona. Segundo a fabricante chinesa, CRRC, cada bonde tem capacidade para até 400 passageiros, atinge velocidade de 70 km/h e tem autonomia para rodar por 30 anos. Mas mais do que números, o que está em jogo é uma transformação silenciosa – e magnética – no jeito como os curitibanos se deslocam.

O veículo será testado num trecho de aproximadamente 10 km, entre Pinhais e Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. O objetivo é avaliar seu desempenho em condições reais, como aclives, curvas, paradas e fluxo de passageiros. Inicialmente os testes estão programados para durar 15 meses. O governo do Paraná, por meio da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (AMEP), investirá R$ 6 milhões em obras de infraestrutura, sinalização e adaptação urbana. É o tipo de investimento que pretende plantar raízes na mobilidade do estado – ou melhor, trilhos digitais.

Dos bondes de tração animal à inteligência artificial

Curitiba tem uma relação afetiva com os bondes. Quem passa pela Rua XV de Novembro vê o "Bondinho da Leitura", símbolo do passado romântico da cidade. Lá atrás, os primeiros bondes eram puxados por cavalos. Depois vieram os bondes elétricos, desativados em 1952, substituídos pela promessa mais moderna dos ônibus.

Agora, passadas mais de sete décadas, o bonde está de volta — mas completamente reinventado. Esqueça os trilhos de ferro. O novo modelo utiliza a chamada tecnologia Digital Rail Transit (DRT), que cria um trajeto virtual guiado por sensores e indução magnética no asfalto. Uma espécie de realidade aumentada aplicada ao transporte público.

Trata-se de um derivado do sistema ART – Autonomous Rail Rapid Transit, desenvolvido pela gigante chinesa CRRC (China Railway Rolling Stock Corporation), a maior fabricante de material ferroviário do mundo. O ART é considerado o primeiro "trem sem trilhos" do planeta, já circulando em cidades da China, Malásia e Emirados Árabes Unidos.

Tecnologia limpa para um planeta sustentável

Além da inovação estética e funcional, o Bonde Digital traz uma bandeira cada vez mais urgente: a sustentabilidade. Totalmente movido a eletricidade, o veículo não emite gases poluentes e reduz significativamente o ruído urbano. Há versões também com propulsão a hidrogênio, ainda mais limpas.

Mais do que uma promessa futurista, o DRT oferece baixo custo de implementação, já que dispensa a instalação de trilhos físicos e grandes obras de engenharia. Com sensores inteligentes e rastreamento orbital, ele se adapta a diferentes realidades urbanas: de centros comerciais e bairros residenciais a polos turísticos e cidades satélites. Um modelo de transporte público inclusivo, flexível e escalável.

Novo tempo sobre rodas

Moradores de Curitiba que conviveram com os antigos bondes enxergam o retorno com um misto de nostalgia e curiosidade. “O bonde fazia parte da nossa paisagem. Era lento, mas charmoso. Agora ele volta mais rápido, mais limpo e, parece, mais inteligente”, conta dona Marta, 73 anos, que ainda guarda uma foto antiga com o bonde de ferro ao fundo.

Para os mais jovens, a inovação tem outro significado. “É como se a cidade estivesse entrando no século XXI de verdade. A gente precisa de transporte moderno, sustentável e acessível”, diz Gabriel, estudante de engenharia, que acompanhou os primeiros anúncios do projeto com entusiasmo.

Testar é preciso, ousar é vital

O desafio agora é transformar essa promessa tecnológica em realidade concreta. Os testes serão cruciais. É preciso avaliar não apenas o desempenho do veículo, mas sua integração com o sistema atual, a segurança dos passageiros, os custos de operação e, claro, a aceitação da população.

Se tudo correr bem, Curitiba poderá se tornar a primeira cidade da América Latina a operar um sistema DRT em larga escala. Um feito digno de sua tradição em inovação urbana, marcada pelo BRT (Bus Rapid Transit), pelos terminais integrados e pelas canaletas exclusivas para ônibus – soluções que inspiraram o mundo.

Com o Bonde Digital Urbano, Curitiba reescreve sua relação com os trilhos. Não mais de ferro, mas digitais, invisíveis e inteligentes. O passado se reinventa no presente, de olho num futuro onde mobilidade, tecnologia e meio ambiente viajam na mesma composição.

 

 

📬 Contato da redação: Ronald Stresser ✉️ stresser.pt@gmail.com📞 WhatsApp: (41) 99281-4340 (Pix)

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