segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Pedágio sem cancela, escândalo sem fim — o Paraná diante de um novo desafio: as "rodovias caça-níqueis"

Sob o discurso da modernização, denúncias de cobrança ilegal, lucros antecipados e falhas de fiscalização reacendem a desconfiança histórica sobre os contratos de pedágio no estado

O Paraná volta a viver um velho dilema travestido de modernidade. Sob o discurso da inovação e da fluidez no trânsito, o novo modelo de pedágio sem cancela — o chamado free flow — começa a ser implantado em rodovias estratégicas do estado. Mas, por trás das cancelas eletrônicas e das promessas tecnológicas, ressurgem denúncias, números alarmantes e uma pergunta que ecoa entre motoristas, prefeitos e especialistas: quem está pagando, de fato, essa conta?

A resposta pode estar nos detalhes dos contratos, nas planilhas pouco transparentes e em uma denúncia explosiva que ganhou força nas últimas semanas.

Um sistema moderno com práticas antigas

O modelo free flow elimina as praças físicas de pedágio e cobra automaticamente pela passagem do veículo, por meio de sensores e câmeras. A promessa é reduzir filas e acidentes. Na prática, a implantação ocorre em meio a um ambiente de desconfiança pública, alimentado por um histórico traumático: durante décadas, o Paraná teve alguns dos pedágios mais caros do país.

R$ 200 milhões a mais no primeiro ano

Levantamento atribuído à Federação das Indústrias do Paraná (FIEP) aponta uma possível manobra regulatória que teria permitido um excesso de arrecadação superior a R$ 200 milhões já no primeiro ano dos novos contratos. Esse valor, segundo especialistas, deveria retornar aos usuários — o que não ocorreu.

A denúncia de Requião Filho

O deputado estadual Requião Filho, pré-candidato ao governo do Paraná, foi contundente ao comentar o caso em vídeo amplamente divulgado:

“Nós vamos, nos próximos 30 anos, sofrer esse roubo na nossa economia. Além de terem embolsado mais de R$ 200 milhões, já fizeram distribuição de lucro, o que era proibido no primeiro ano, e cobraram três meses a mais do que o previsto em contrato, de forma ilegal.”

Segundo o parlamentar, as mesmas empresas do modelo antigo permanecem nos novos contratos, repetindo práticas que marcaram o passado dos pedágios no estado.

Free flow: eficiência para quem?

O novo sistema levanta dúvidas que seguem sem resposta clara: como o motorista será informado sobre valores? Quem fiscaliza a arrecadação? Onde estão os dados públicos em tempo real?

Um debate que vai além do asfalto

Mais do que infraestrutura, o pedágio voltou a ser símbolo de disputa política, econômica e moral no Paraná. A tecnologia avança, mas a transparência segue atrás.

Linha do tempo dos escândalos dos pedágios no Paraná

De 2015 a 2026, o estado acumulou denúncias de tarifas abusivas, contratos desequilibrados, obras não executadas e, agora, suspeitas de cobrança ilegal e lucros antecipados — uma década marcada por desconfiança e embates públicos.

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