Após quase 12 horas de deslocamento, o foguete da NASA alcança o histórico Pad 39B e marca um novo capítulo da exploração espacial tripulada
Por Ronald Stresser — 18 de janeiro de 2026
| O poderoso foguete SLS deixa o hangar rumo à histórica plataforma 39B, em operação que durou cerca de 12 horas — NASA/Divulgação |
Às 18h42 (horário da Costa Leste dos Estados Unidos — 17h42 pelo horário de Brasília) de ontem, sábado, 17 de janeiro, a história voltou a se mover lentamente sobre trilhos. Após quase 12 horas de deslocamento, o foguete Space Launch System (SLS) da missão Artemis II, com a nave Orion acoplada, chegou à Plataforma de Lançamento 39B, no Kennedy Space Center, na Flórida (EUA). O mesmo solo que, décadas atrás, sustentou os passos iniciais da humanidade rumo à Lua voltou a sentir o peso de um sonho coletivo.
Horas antes, ainda na madrugada, o crawler-transporter 2 iniciou sua jornada de cerca de 6,4 quilômetros a partir do Vehicle Assembly Building (VAB). Avançando a uma velocidade máxima de apenas 1,3 km/h, o gigante mecânico conduziu o foguete e a nave espacial com a precisão de quem carrega não apenas toneladas de metal, mas também sonhos e expectativas globais.
Ao sair do imenso hangar do VAB, a operação fez uma pausa estratégica. Era necessário reposicionar o crew access arm, a ponte que permitirá, no dia do lançamento, que astronautas e equipes finais tenham acesso direto à cápsula Orion. Cada etapa foi acompanhada por engenheiros, técnicos e olhos atentos ao redor do mundo — muitos deles pela primeira vez acompanhando esse tipo de evento em tempo real pela internet.
Nos próximos dias, a NASA dará início aos preparativos para o chamado wet dress rehearsal, o ensaio geral que simula o abastecimento do foguete com seus propelentes criogênicos, a contagem regressiva e os procedimentos de esvaziamento seguro do combustível dos foguetes. O teste está previsto para ocorrer até, no máximo, 2 de fevereiro próximo. Se necessário, novos ensaios poderão ser realizados, incluindo a possibilidade de retorno do foguete ao VAB — o prédio de montagem de veículos — para eventuais ajustes adicionais que possam se fazer necessários.
A missão Artemis II será o primeiro voo tripulado do novo programa lunar dos EUA. A bordo estarão os astronautas da NASA Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA). Eles percorrerão uma trajetória de aproximadamente dez dias para saindo da Terra realizar duas órbitas ao redor da Lua antes do retorno à Terra.
Mais do que um sobrevoo, trata-se de um ensaio simbólico que prepara a humanidade para uma nova era, com bases permanentes em solo lunar. A Artemis II representa a ponte entre o passado e o futuro, entre a memória das missões Apollo, da corrida espacial, e a ambição de estabelecer uma presença humana sustentável na Lua — um passo essencial para, no horizonte, levar astronautas a Marte.
| A Artemis II na plataforma 39B - NASA/Divulgação |
Quando o homem pisou pela primeira vez fora da Terra
Entre 1969 e 1972, as missões Apollo redefiniram o lugar da humanidade no universo. Foi em 20 de julho de 1969 que Neil Armstrong e Buzz Aldrin, durante a Apollo 11, tornaram-se os primeiros seres humanos a pisar em um corpo celeste extraterrestre. Outras cinco missões levaram astronautas à superfície lunar, encerrando-se com a Apollo 17, em dezembro de 1972.
Aquelas imagens granuladas, transmitidas ao vivo pela televisão, pararam o mundo. Famílias se reuniram em salas de estar, bares e praças para testemunhar algo que parecia ficção científica: o ser humano caminhando sobre outro mundo.
Da televisão em preto e branco à internet em tempo real
Desde 1972, nenhum ser humano voltou à Lua. Naquele tempo, a informação viajava no ritmo do rádio, dos jornais impressos, dos satélites e dos telejornais da TV aberta. Hoje, vivemos a era da instantaneidade, das transmissões ao vivo em alta definição, das redes sociais e da cobertura global minuto a minuto.
A chegada da Artemis II à plataforma de lançamento sinaliza que, nas próximas semanas, os olhos do planeta voltarão a se erguer para o céu. Vamos voltar a olhar para cima. A diferença é que agora o mundo inteiro carrega uma tela no bolso. A missão tende a se tornar um dos acontecimentos mais acompanhados do ano, conectando gerações que assistiram às lendárias missões Apollo com aquelas que só conheciam a Lua como um ícone distante no céu noturno.
Mais de meio século depois, a pergunta não é apenas se voltaremos à Lua — mas o que faremos a partir dela. A Artemis II não carrega apenas astronautas: leva consigo a memória do passado, a tecnologia do presente e a esperança de um futuro em que a humanidade volte a ousar, afinal quando Deus criou o ser humano, selou o nosso destino, ao afirmar: crescei-vos e multiplicai-vos...

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