Carga de maconha e skunk era transportada em meio a frangos vivos; motorista foi preso e responderá também por maus-tratos a animais
Uma operação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) resultou na apreensão de 1,9 tonelada de drogas na madrugada de sabado (18), no município de Nova Esperança, no norte do Paraná. A ocorrência, divulgada oficialmente pelo superintendente da PRF no estado, Fernando Cesar Oliveira, escancara não apenas a dimensão do tráfico interestadual, mas também o uso de métodos cada vez mais cruéis para ocultar cargas ilícitas.
Durante abordagem a um caminhão na BR-376, os policiais encontraram 1.724 quilos de maconha comum e 189 quilos de skunk — variedade da cannabis com maior concentração de THC. As drogas estavam escondidas em meio a uma carga de frangos vivos, utilizados deliberadamente como estratégia para disfarçar o transporte da maconha ilícita.
Segundo a PRF, as aves eram transportadas apenas nas laterais do caminhão, criando um “paredão” visual para dificultar a fiscalização. A situação, no entanto, revelou um cenário ainda mais grave: uma parte significativa dos frangos estava morta, indicando que os animais não estavam sendo transportados de forma adequada.
Segundo uma fonte ouvida pelo Sulpost, a constatação de aves mortas junto à carga de maconha também pode representar risco de contaminação da erva por doenças, trazendo ainda mais danos ao usuário final. O alerta ganha peso em um momento em que o mundo acompanha com atenção os casos de gripe aviária.
O motorista, de 36 anos, foi preso em flagrante. Aos agentes, ele relatou que saiu de Guaíra (PR), na região de fronteira, e que o destino final da carga ilícita seria São Paulo (SP). Além do crime de tráfico de drogas, o homem também deverá responder por maus-tratos contra animais.
Se condenado o motorista pode pegar anos de cadeia. O crime de tráfico de drogas prevê pena de 5 a 15 anos de prisão, além de multa. O caminhão, as drogas e os animais sobreviventes foram encaminhados às autoridades competentes.
Mais de 1,2 tonelada em Céu Azul
Na madrugada de sexta-feira (16), policiais rodoviários federais já haviam apreendido mais de 1,2 tonelada de maconha em Céu Azul, na região oeste do Paraná. Ao ser abordado pelos agentes, na BR-277, o motorista do caminhão, de 38 anos, acabou preso em flagrante.
Ele teria dito aos agentes que saiu de São Miguel do Iguaçu (PR) e que entregaria a cannabis ilícita em Londrina (PR). Somadas, as apreensões da Polícia Rodoviária Federal ultrapassaram 3 toneladas em um único final de semana, evidenciando um dado incontornável: o consumo segue em crescimento.
Opinião Sulpost: ilegal até quando?
A apreensão de quase duas toneladas de drogas em um único caminhão levanta um questionamento que ultrapassa o campo policial. Em países como Estados Unidos e Uruguai, a maconha — tanto para uso medicinal quanto recreativo — é regulamentada, cultivada legalmente, comercializada sob controle do Estado, gerando empregos formais e arrecadação de impostos.
No Brasil, a proibição segue alimentando o crime organizado, a violência, a exploração de pessoas e até o uso cruel de animais como escudo para o tráfico. Caminhões continuam cruzando rodovias, motoristas que muitas vezes nem sabiam a carga que transportavam são presos, operações se repetem e os números crescem exponencialmente — enquanto o debate público permanece travado.
A questão já não é se o tema deve ser enfrentado, mas até quando o país continuará tratando um assunto complexo como caso de polícia ou apenas como tabu, ignorando evidências internacionais, pesquisas científicas, dados econômicos e impactos sociais.
O crime organizado tem se expandido no Brasil e a droga ilegal funciona como o "whisky do Al Capone", que ao gerar quantias imensas de dinheiro para os criminosos também geram trabalho e retrabalho às forças policiais. A ilegalidade da maconha no Brasil, mesmo que com decisões mais recentes separando bem usuários de traficantes, acaba atravancando o sistema judiciário e inflando ainda mais o já totalmente sobrecarregado o sistema penal brasileiro. A simples permissão do cultivo doméstico para uso recreativo já resolveria grande parte do problema.
Só para ilustrar. Uma grande amiga esteve alguns anos atrás na Califórnia (EUA), e teve sua medicação para dormir apreendida quando embarcou no Galeão. Chegando a São Francisco procurou um médico, que receitou cannabis medicinal, fumada mesmo, ela foi até um dispensário e comprou a erva indicada, e recolhendo impostos para o governo teve um sono tranquilo durante sua estadia em Hollywood, melhor ainda: sem se preocupar com a polícia ou julgamentos sociais.
Relatórios da Prohibition Partners fazem uma projeção de que o mercado global — CBD, medicinal e uso adulto/recreativo — possa atingir em 2026 a marca de US$ 100,4 bilhões.
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