Curitiba, capital nacional do rock, transforma destroços em consciência e usa o impacto visual para lembrar que liberdade sobre duas rodas não pode custar vidas
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| Lançamento da campanha da 'Moto Mortal' - PMC/Divulgação |
Rock, motos e o limite entre liberdade e risco
Conhecido por sua ligação com o rock’n’roll e com a cultura das motos, o prefeito de Curitiba empresta à campanha um símbolo que dialoga diretamente com quem vive na estrada ou na labuta diária em cima de uma motocicleta. O rock sempre representou liberdade, inconformismo, vento no rosto. Mas também exige consciência: respeito e atenção máxima no trânsito e às vezes, no caso dos motociclistas, mais atenção nos outros do que em si próprio.
Os sinistros com motociclistas não escolhem estilo, renda ou cilindrada. Atingem o motoboy que cruza a cidade para garantir o sustento e também quem pilota uma Harley-Davidson nos fins de semana, embalado por guitarras e quilômetros de asfalto. A estrada é democrática. O risco também.
Presenças que ampliam o alcance da mensagem
O lançamento da campanha reuniu autoridades diretamente ligadas à mobilidade urbana, segurança viária e educação no trânsito. Estiveram presentes os secretários municipais Marc Souza (Comunicação) e Almir Bonatto (Urbanismo); o presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto; o diretor-presidente do Detran-PR, Santin Roveda; o superintendente da Secretaria de Defesa Social e Trânsito, José Semmer Neto; a diretora da Escola Pública de Trânsito, Melissa Puertas Sampaio; o major Silvio Bélico Junior, subcomandante do BPTran; além dos vereadores Beto Moraes, Fernando Klinger e a deputada Delegada Tathiana Guzella.
O peso institucional ganhou ainda mais força com a presença do superintendente da Polícia Rodoviária Federal no Paraná, inspetor Fernando César Oliveira, reforçando que a tragédia no trânsito não se limita às ruas da cidade — ela se estende pelas rodovias e atravessa todo o Estado, se estende pelas vias e rodovias de todos o nosso país.
As estradas falam — e os números doem
Na véspera do lançamento da "moto mortal", Fernando César Oliveira publicou em seu perfil no Facebook um balanço que ajuda a dimensionar a dimensão do problema nas rodovias federais do Paraná.
Em 2025, houve uma queda de 2,3% no número de óbitos em relação a 2024. Ainda assim, o cenário permanece alarmante: 593 pessoas perderam a vida. Isso significa uma morte a cada 14 horas. O número de feridos ultrapassa 8,5 mil — uma pessoa machucada a cada 60 minutos.
Além das famílias devastadas pelo luto, o impacto recai sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), que absorve diariamente vítimas de sinistros que, segundo a PRF, em sua maioria poderiam ser evitados.
Ultrapassagens malsucedidas, excesso de velocidade, consumo de álcool e desatenção continuam entre os principais fatores associados aos acidentes graves. O diagnóstico é direto e incômodo: o comportamento humano segue como o elo central da tragédia.
Fiscalizar é necessário, conscientizar é vital
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) afirma que tem concentrado esforços justamente nas condutas que mais matam, investindo em fiscalização, inteligência policial e videomonitoramento. Não apenas para combater crimes como tráfico e contrabando, mas para tornar o trânsito menos letal.
A campanha da Prefeitura de Curitiba se soma a esse esforço com uma aposta clara: nenhuma multa substitui a consciência. Nenhuma punição é mais eficaz do que compreender que cada escolha no trânsito pode salvar — ou destruir — uma vida.
Entre o ronco do motor e o silêncio do luto
“A Moto Mais Mortal do Mundo” não condena a motocicleta. Ela denuncia a negligência. Não ataca a liberdade. Alerta para o preço que se paga quando regras, limites e responsabilidade são ignorados.
Entre solos de guitarra e o silêncio de uma casa em luto, a campanha lembra que não existe paisagem, adrenalina ou sensação de liberdade que justifique uma vida interrompida.
Resumindo, a mensagem é simples, direta e brutalmente necessária: ninguém vence quando o trânsito vira uma máquina de moer gente.
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