Safra recorde em 2025 mostra força da agricultura brasileira — Paraná mantém protagonismo, mas revela falha de gestão e articulação política
Paraná fecha 2025 com 13,5% de participação na safra nacional de grãos - Gilson Abreu/Arquivo AEN
Curitiba — O campo brasileiro voltou a entregar números que impressionam — e que dizem muito mais do que aparentam. Em 2025, o Brasil deverá fechar o ano com uma safra histórica de 346,1 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas, um crescimento de 18,2% em relação a 2024, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O recorde não surge do acaso nem de um único ator. Ele é resultado de um conjunto de fatores: políticas públicas nacionais, crédito rural, pesquisa científica, recuperação da previsibilidade institucional e, sobretudo, da capacidade do país de atuar como nação. Quando o Brasil funciona como União, o reflexo aparece no campo, na economia e na segurança alimentar.
A engrenagem nacional por trás do recorde
Os dados do IBGE mostram que arroz, milho e soja responderam por 92,7% da produção total em 2025. A soja atingiu 166,1 milhões de toneladas, o milho 141,7 milhões — ambos recordes históricos. O algodão, o arroz, o trigo e o sorgo também cresceram, consolidando um ciclo produtivo virtuoso e robusto.
Esse desempenho revela algo essencial: a agricultura brasileira depende de coordenação, planejamento e estabilidade. Nenhum estado produz em escala global isoladamente. O ambiente macroeconômico, o acesso ao crédito, a política agrícola e a pesquisa pública formam a base invisível que sustenta os resultados visíveis da lavoura.
Paraná: força produtiva, limite estratégico
Dentro desse cenário nacional, o Paraná aparece como o 4º maior produtor agropecuário do Brasil em 2025, considerando o Valor Bruto da Produção (VBP), que soma lavouras e pecuária. O estado alcançou cerca de R$ 155 bilhões em produção, mantendo-se entre os quatro maiores do país.
O dado, embora positivo, carrega um sinal de alerta. Em 2023, o Paraná chegou a ocupar a 3ª posição no ranking nacional. Em 2025, mesmo crescendo em valor absoluto, perdeu uma colocação relativa, superado por estados que avançaram mais rapidamente em organização estratégica, investimentos e articulação institucional. Isto pois, com relação a 2024 o Estado manteve a mesma posição, quando poderia ter recuperado a posição perdida.
Ou seja: o Paraná não encolheu — cresceu. Mas cresceu menos do que poderia.
Qual o impeditivo para o Paraná liderar?
Com solo fértil, cooperativismo consolidado, tecnologia agrícola avançada e produtores altamente qualificados, o Paraná reúne condições objetivas para disputar o topo do ranking nacional. A limitação não está no campo, nem no produtor.
O entrave está na capacidade de transformar potencial produtivo em liderança estratégica. Estados que avançaram no ranking conseguiram alinhar políticas locais a programas nacionais, captar investimentos, melhorar logística e agregar valor à produção. No agro moderno, competitividade depende menos de discurso e mais de gestão eficiente e cooperação institucional.
Sem isolamento político e sem improviso, a agricultura brasileira avança quando há coordenação entre os entes federativos — e o Paraná ainda tem espaço para evoluir nesse ponto. O que falta parece ser maior diálogo com o Governo Federal, para assim pider trazer ao estado tudo o que o produtor precisa para crescer e prosperar.
Produção que sustenta cidades e territórios
Apesar da perda de posição, o Paraná segue como um dos quatro principais pilares do agro nacional. Municípios como Cascavel, Toledo, Guarapuava, Tibagi e Castro figuram entre os mais produtivos do país, sustentando cadeias de alimentos, exportação, empregos e arrecadação.
Em 2025, a produção de grãos no estado ultrapassou 45 milhões de toneladas, com crescimento superior a 20% em relação ao ano anterior — um dos maiores avanços percentuais do Brasil. O dado pode apontar que o problema não está na capacidade produtiva, mas sim, muito provavelmente, no direcionamento estratégico.
2026: previsão de menor volume, mas mostrando a mesma lição
Para 2026, o IBGE projeta uma produção nacional ligeiramente menor, de 339,8 milhões de toneladas, influenciada principalmente pela queda estimada no milho, arroz, sorgo e algodão. Ainda assim, a soja deve crescer, indicando estabilidade estrutural da agricultura brasileira.
A lição permanece clara: o Brasil produz mais quando planeja, coordena e coopera. Os estados que compreenderem isso tendem a avançar. Diferenças ideológicas, geradas pela polarização política, não fazem safra campeã e nem colocam comida na mesa das pessoas.
Brasil, potência global no Agro
A safra recorde de 2025 reafirma o Brasil como potência agrícola global. O Paraná, mesmo tendo perdido uma posição no ranking — com relação a 2023 — continua entre os gigantes. Mas os números também revelam um caminho possível: com gestão mais eficiente, visão estratégica e maior integração federativa, o estado tem plenas condições de disputar a liderança nacional.
No campo — assim como na política pública — resultados duradouros não surgem do isolamento, mas da construção coletiva. Que os ventos sejam de boa mudança, que traz a chuva certa na hora certa garantindo a boa colheita, e não de tornados e intempéries que destroem tudo.
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