"É hora da verdade": Justiça manda Deltan pagar Lula por danos morais no caso do PowerPoint
Por Ronald Stresser | Sulpost
Era agosto de 2016. Em rede nacional, um jovem procurador da República apresentava, com entusiasmo incomum para o ofício, um slide em PowerPoint que entraria para a história da Justiça brasileira — não pelos acertos, mas pelo espetáculo. No centro da tela, o nome “Luiz Inácio Lula da Silva” destacado como “comandante máximo” de um esquema de corrupção na Petrobras. Sem provas conclusivas, sem sentença, sem direito à defesa. O veredito, porém, já estava implícito: culpado.
Quase uma década depois, o tempo e os tribunais se encarregaram de reescrever essa história. Na última sexta-feira (25), o juiz de Direito Carlo Brito Melfi, da Justiça de São Paulo, determinou que Deltan Dallagnol — hoje ex-procurador da República, ex-deputado federal, cassado e inelegível — indenize Lula em R$ 135.416,88 por danos morais. O valor inclui juros, correção monetária e honorários advocatícios. E há prazo: 15 dias para o pagamento. Caso contrário, a multa aumenta em 10%.
O episódio virou símbolo do abuso de poder, da instrumentalização do Judiciário para fins políticos e da erosão de direitos fundamentais. Segundo a sentença, Dallagnol “extrapolou os limites do exercício da função pública” ao usar linguagem imprópria, antecipar um juízo de culpa e associar Lula a crimes que sequer constavam formalmente na denúncia apresentada.
A decisão é definitiva — transitada em julgado. Sem direito a recurso. E marca mais um ponto final na narrativa construída pela força-tarefa da Lava Jato, que teve suas estruturas desmoronadas pela suspeição do ex-juiz Sergio Moro (declarada pelo STF em 2021), pelas anulações das condenações de Lula e por evidências de conluio entre acusação e magistratura.
Para o deputado federal Zeca Dirceu (PT), a decisão é pedagógica. Em vídeo publicado em seu perfil na rede X, antigo Twitter, ele ironiza a tentativa de Deltan em escapar da dívida:
“Vamos lá, Deltan, tira a mão do bolso. O deputado cassado tem 15 dias para pagar o presidente Lula. Você fez arte, cometeu crime, tem que indenizar.”
Zeca é firme ao afirmar que não se trata de uma revanche política, mas da lei sendo cumprida:
“Quem está dizendo isso não é o Zeca Dirceu. Quem está dizendo isso é o Poder Judiciário Brasileiro.”
O parlamentar ainda alfineta o ex-procurador, sugerindo que ele está fugindo da responsabilidade:
“O Deltan está correndo, está fugindo de pagar o que deve para o presidente Lula. E nós vamos fazer uma campanha: ‘Paga, Deltan, paga já!’”.
O processo, aberto por Lula em 2016, expôs um dos momentos mais controversos do sistema judicial no Brasil democrático. O uso de slides para acusar sem provas, de forma performática e sensacionalista, não apenas manchou reputações, como também corroeu a confiança em instituições que deveriam zelar pela justiça — e não por narrativas políticas.
A defesa de Dallagnol, à época, alegou estar cumprindo a função institucional de informar a sociedade. Mas a Justiça entendeu diferente. Não era informação. Era condenação moral prévia.
Hoje, Lula é presidente da República pela terceira vez, eleito democraticamente. Já Dallagnol amarga o peso das próprias escolhas: teve o mandato de deputado federal cassado pelo TSE, após ser considerado inelegível por fraudes no processo de exoneração do Ministério Público. Ironicamente, agora precisa lidar com a Justiça como réu, não como acusador.
Num Brasil que tenta se reconstruir após anos de polarização e ataques às instituições, a sentença serve como lembrete: não há Justiça sem responsabilidade. E não se brinca com o nome, a honra e a história de um cidadão — nem mesmo quando se está no palco iluminado de uma coletiva de imprensa.
Agora, é Deltan quem está no centro do PowerPoint da vida real. E o título da nova apresentação é simples: “Pague o que deve”.
CONDENADO!
— Zeca Dirceu (@zeca_dirceu) July 28, 2025
A Justiça de São Paulo determinou que o ex-procurador Deltan Dallagnol pague, no prazo de 15 dias, uma indenização de R$ 135,4 mil ao presidente @LulaOficial por danos morais pelo PowerPoint mentiroso. pic.twitter.com/w8yE54YoYp
📍 Com informações do portal UOL (coluna do Rogério Gentile), decisão judicial em São Paulo, Supremo Tribunal Federal, vídeo de Zeca Dirceu divulgado nas redes sociais.
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