Celular apreendido, Banco Master no centro das investigações e a inquietação no coração do poder paranaense após nova fase da operação da Polícia Federal
Por Ronald Stresser — 14 de janeiro de 2026
Delegacia especial do aeroporto internacional de São Paulo (Guarulhos) — Reprodução/Internet
Curitiba — O som mais alto desta terça-feira não veio das sirenes, nem do burburinho das redações em alerta permanente. Veio do silêncio. Um silêncio espesso, quase constrangedor, que atravessou gabinetes, corredores e salas climatizadas do poder paranaense após a deflagração de mais uma fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
No centro dessa inquietação institucional está um nome que há anos transita entre o mercado financeiro, grandes privatizações e bastidores do poder: Nelson Tanure, empresário baiano ligado à compra da Copel Telecom e agora citado nos desdobramentos do caso Banco Master.
Tanure voltou ao noticiário não por um novo investimento, mas por ter se tornado alvo de diligências da Polícia Federal. Segundo informações apuradas, aparelhos celulares foram apreendidos no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, pouco antes de um voo com destino a Curitiba — detalhe que ampliou o impacto político do episódio.
A repercussão ganhou contornos ainda mais evidentes quando o deputado estadual Arilson Chiorato (PT), presidente do partido no Paraná, comentou o caso em seu perfil no X (antigo Twitter):
Resumo treta da PF hoje Compliance Zero+ Tanure + Banco Master: o empresário comprador da CopelTelecom com grana do Master tem celular apreendido no Galeão antes do voo pra Curitiba. Timing perfeito pra ‘oi Ratinho, bora privatizar mais uma com o Master Cheque sem fundo?’ 📱🚫✈️
— Arilson Chiorato (@arilsonchiorato) January 14, 2026
O conteúdo da publicação viralizou entre lideranças políticas e servidores públicos por sugerir algo sensível: a possível conexão entre privatizações no Paraná, operações financeiras sob suspeita e decisões estratégicas do poder público.
Nelson Tanure: trajetória, influência e controvérsias
Conhecido por investir em empresas em crise, Nelson Tanure construiu sua carreira nos setores de energia, telecomunicações, saúde e infraestrutura, quase sempre por meio de fundos e estruturas societárias complexas. Para o mercado, é um operador experiente; para críticos, um personagem recorrente em ambientes onde a transparência é colocada à prova.
No Paraná, seu nome ganhou projeção a partir da privatização da Copel Telecom, em 2020, durante o governo Ratinho Junior. O ativo estratégico foi adquirido por um fundo ligado ao empresário e posteriormente incorporado ao grupo Ligga Telecom.
Com o avanço da Operação Compliance Zero, questões antes ignoradas retornam ao debate público: a origem dos recursos, as conexões financeiras e os impactos políticos que os desdobramentos da operação - a investigação em si - podem causar. É importante frisar que estamos em ano eleitoral e os estragos podem ser grandes. Cautela parece ser o tom adotado até agora adotado pelo Executivo paranaense, que até o fechamento da matéria ainda não havia se manifestado e, provavelmente, ao que parece não o fará, mas cabeças podem rolar.
Banco Master e a Operação Compliance Zero
A segunda fase da Compliance Zero aprofunda as investigações sobre o Banco Master, instituição que sofreu intervenção e foi liquidada após suspeitas de irregularidades financeiras. A Polícia Federal investiga o caminho do dinheiro, possíveis fraudes e o uso de estruturas paralelas.
A defesa de Tanure afirma que ele não é sócio do banco, apenas cliente ou investidor. Ainda assim, os investigadores buscam compreender se fundos e empresas associados ao empresário tiveram algum tipo de ligação com valores sob apuração.
Celulares apreendidos, mensagens analisadas e fluxos financeiros rastreados indicam que a investigação está apenas começando e muito do que era oculto no esquema agora certamente será revelado.
Inquietação no Palácio Iguaçu
Uma fonte consultara pelo Sulpost relata que o Palácio Iguaçu viveu um dia de cautela e silêncio. Não houve pronunciamentos oficiais, mas houve preocupação. Tanure não é um empresário periférico: construiu influência e manteve diálogo com diferentes núcleos do poder estadual.
A possibilidade de que relações antes discretas venham à tona, a partir de perícias técnicas e quebras de sigilo, aumentam a tensão nos bastidores e nos corredores, as vezes um se faz um ambiente lúgubre e nas noites mais quietas há a lenda de que a guarda ouve o espírito de dona Flora Munhoz da Rocha (1911 - 2014) tocando piano.
O que está em jogo
A Operação Compliance Zero ultrapassa a figura de um empresário ou de um banco específico. Ela toca em um ponto central da democracia brasileira: a fronteira entre o interesse público e o poder econômico.
Enquanto a Polícia Federal avança com seu trabalho, o mercado observa, a política calcula e o Paraná aguarda. O silêncio, neste caso, pode dizer mais do que qualquer discurso, pois, é o que é.

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