Haddad tenta conter tensão com Trump e promete defesa do Brasil com dignidade: “Virar a página da subserviência”
Por Ronald Stresser | SulpostO ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apareceu nesta terça-feira como voz de equilíbrio. Tentou acalmar os ânimos. Falou firme, mas com serenidade. E deixou claro: o Brasil não vai se curvar.
Desde que Donald Trump anunciou o tarifaço — 50% sobre todos os produtos brasileiros — o governo Lula está em alerta. A medida começa a valer já no dia 1º de agosto. O impacto pode ser devastador para parte da indústria nacional.
Mas Haddad quer diálogo. Com respeito.
“Tem que haver uma preparação antes. Para que seja uma coisa respeitosa. Para que os dois povos se sintam valorizados à mesa. Sem sentimento de viralatismo, sem subordinação”, disse o ministro.
A possibilidade de uma conversa entre Lula e Trump existe. Mas não será às pressas, nem de qualquer jeito. “É nosso papel, como ministros, azeitar os canais. Para que essa conversa, quando acontecer, seja dignificante e edificante”, afirmou Haddad.
A tensão nos bastidores é real. Parte da oposição pressiona para que Lula ligue logo para Trump. Mas há receio de que o presidente brasileiro seja humilhado, como ocorreu com o premiê do Reino Unido. O governo quer evitar esse desgaste.
Resposta com coragem, não com medo
Haddad não está sozinho. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está nos EUA. O vice-presidente Geraldo Alckmin também atua fortemente. Já teve três conversas longas com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick.
O Brasil está tentando todos os caminhos. Inclusive com apoio do Senado. Oito senadores estão em Washington. Buscam abrir diálogo com parlamentares norte-americanos.
“Precisamos virar a página da subserviência. Com humildade, sim. Mas com firmeza. Respeitando os valores do nosso país”, defendeu o ministro da Fazenda.
Contingência já está pronta
Enquanto isso, Lula tem em mãos um plano de contingência. A proposta é ajudar empresas que vão sentir o golpe do tarifaço. A medida foi construída por quatro ministérios: Fazenda, Desenvolvimento, Relações Exteriores e Casa Civil.
Há diferentes cenários na mesa. Um deles prevê a criação de um programa para manutenção do emprego — nos moldes do que foi feito na pandemia.
“O presidente Lula vai decidir o que será colocado em vigor. O momento, o montante, a escala. Mas o Brasil vai estar preparado para cuidar de suas empresas, dos seus trabalhadores. E, ao mesmo tempo, seguir negociando”, explicou Haddad.
Medidas estruturais
Em entrevista à CNN Brasil, o ministro detalhou o pacote. Ele inclui ações de curto, médio e longo prazo. Há propostas para reformar os programas de exportação. A ideia é fortalecer pequenas, médias e grandes empresas.
“Vamos diversificar parcerias. Trazer crédito. Socorrer quem está em dificuldade. Não dá para esperar que as empresas encontrem novos mercados da noite para o dia”, disse.
Haddad comparou a iniciativa com o Pronampe Solidário. Um programa criado para atender empresários afetados pelas enchentes no Rio Grande do Sul. A lógica agora é a mesma: proteger quem mais precisa.
Sinais de abertura
Apesar da tensão, há esperança. Haddad revelou que empresários americanos têm dado sinais de sensibilidade. Estão mais abertos ao diálogo. Ainda não se sabe se isso será suficiente até o dia 1º. Mas o Brasil vai insistir.
“A relação sempre foi amistosa. Não há razão para mudar isso. Não podemos permitir que temas alheios ao nosso governo se transformem em motivo para tensão”, reforçou o ministro.
Dignidade no centro
No fim do dia, o que Haddad fez foi mais do que uma coletiva. Foi um gesto político. Um posicionamento. O Brasil quer diálogo, sim. Mas sem se ajoelhar.
Não se trata apenas de tarifas. Trata-se de respeito. Trata-se de soberania.
E Haddad deixou isso bem claro.
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