segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

No olho da tempestade: 2025 e as batalhas do SMC na linha de frente

Entre portas de fábrica, assembleias e repressão policial, Nelsão da Força, vice-presidente do SMC, se tornou um dos rostos mais visíveis da resistência operária em um ano decisivo para a categoria

Nelsão da Força convoca trabalhadores a lutar por seus direitos em porta de fábrica na RMC - Divulgação/SMC

Curitiba — O chão frio do piso de fábrica, o barulho das máquinas e alertas ao fundo, o olhar atento de quem depende do salário para sustentar sua família. Foi nesse cenário, repetido dezenas de vezes ao longo de 2025, que o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) reafirmou, na prática, o seu papel histórico: estar junto com o trabalhador e com a trabalhadora sempre que eles precisam do sindicato.

À frente de muitas dessas mobilizações esteve Nelson Silva de Souza, o Nelsão da Força, vice-presidente do SMC. Marido da Fernanda Queiroz, casal querido por todo mundo em Campo Largo — município vizinho a Curitiba — onde moram.

Figura popular no estado, com histórico de muitas lutas, Nelsão é conhecido nas portas de fábrica, nas assembleias e nos enfrentamentos diretos com o patronato. Ele se consolidou em 2025 como uma das principais vozes da luta trabalhista na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).

O ano de 2025 não foi apenas mais um ciclo de negociações. Foi um período marcado por embates duros, votações tensas, resistência coletiva e conquistas arrancadas na base da organização.

O SMC promoveu assembléias e deu assistência aos trabalhadores de diversas empresas, sendo que as principais mobilizações foram na Neodent, ClearCorrect, Arotubi, Simoldes, Stori, Cabs, Maflow, Seccional, Hacc e VW. O sindicato mobilizou milhares de trabalhadores em campanhas salariais que exigiram reajustes dignos, valorização real e respeito.

As assembleias reuniram jovens em seu primeiro acordo coletivo e veteranos que carregam na memória outras batalhas. Em comum, a compreensão de que nenhum direito cai do céu. Cada percentual conquistado foi fruto de pressão, presença e coragem.

A mobilização na Neodent/ClearCorrect se tornou símbolo desse processo. Após a rejeição de propostas consideradas insuficientes, os trabalhadores deram prazo par sea negociação real. A resposta veio com avanços salariais e melhorias no vale-mercado, resultado direto da força coletiva organizada pelo sindicato.

Mas 2025 também expôs as contradições de um país que ainda insiste em criminalizar a luta social. Em um episódio que ganhou repercussão nacional, um vídeo publicado pelo Sulpost nas redes sociais mostrou Nelsão cercado por policiais militares enquanto realizava atividade sindical legítima em frente a uma fábrica.

O registro viralizou. Até o fechamento desta reportagem, ultrapassava 443 mil visualizações, com milhares de curtidas, comentários e compartilhamentos. As imagens reacenderam o debate sobre o direito constitucional à organização sindical e os limites da atuação do Estado diante da luta dos trabalhadores.

O impacto foi imediato. Trabalhadores de diferentes categorias, juristas, estudantes e lideranças políticas se manifestaram em solidariedade. Para muitos, o vídeo não mostrava apenas um dirigente sindical cercado, mas a tentativa de cercar um direito garantido por lei.

Ao longo do ano, o SMC esteve presente em diversas frentes: acordos de Participação nos Lucros e Resultados, reajustes acima da inflação, ampliação de benefícios e resistência contra retrocessos. Cada conquista teve um denominador comum: mobilização na base.

Na Grande Curitiba, o sindicato segue sendo mais do que uma entidade formal. É espaço de escuta, proteção e enfrentamento. Em tempos de precarização e discursos que tentam deslegitimar a organização coletiva, 2025 mostrou que o sindicalismo segue vivo — e necessário.

Ao fechar o ano, o SMC olha para 2026 com a experiência de quem sabe que cada batalha deixa marcas, mas também constrói legado. Para os trabalhadores e trabalhadoras da RMC, fica a certeza de que nenhuma luta é solitária quando existe organização.

Porque onde há exploração patronal, haverá resistência dos trabalhadores. E onde houver trabalhador, haverá sindicato.

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