terça-feira, 29 de julho de 2025

Carla Zambelli é presa na Itália após semanas foragida

Zambelli é presa em Roma após sair de casa; polícia italiana e Interpol já monitoravam a deputada

Por Ronald Stresser | Sulpost

 
 

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi presa na tarde desta terça-feira (29) em Roma, na Itália. Ela estava foragida desde o início de junho, após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão. A sentença também determinou a perda de seu mandato parlamentar.

A confirmação da prisão veio após o deputado italiano Angelo Bonelli informar o paradeiro da parlamentar às autoridades. Bonelli publicou em suas redes sociais que Zambelli estava escondida em um apartamento na capital italiana. Como a polícia não tinha mandado para entrar no apartamento, esperaram o momento certo para fazer a abordagem em local público, o que ocorreu por volta das 16h40 da tarde.

Tentativa de evitar a extradição

Ela alegou não ser foragida e pediu para não ser deportada ao Brasil. A defesa informou que a parlamentar sofre de problemas de saúde e toma mais de 20 medicamentos. Também argumenta que Zambelli é alvo de perseguição política.

Nos últimos dias, a deputada entregou uma carta assinada por sua mãe pedindo asilo político à primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. A deputada vinha tentando apoio da direita italiana para permanecer no país.

Condenação e fuga

Zambelli deixou o Brasil no início de junho. Primeiro passou pelos Estados Unidos. Depois seguiu para a Itália, onde tem cidadania. Sua condenação no STF se deu por participação na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto.

Segundo a investigação, Zambelli participou da falsificação de documentos judiciais, incluindo um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.

Aposta na ultradireita internacional

A deputada vinha mantendo contatos com políticos da extrema direita europeia. Tentava apoio político para barrar a extradição. Especialistas apontam que há uma articulação entre setores da ultradireita internacional e o bolsonarismo brasileiro.

Na Itália, Meloni lidera um governo de direita. Ainda assim, há pressão dentro do Parlamento italiano para que Zambelli seja extraditada. A esquerda e o centro se uniram nesse pedido. A decisão final caberá ao governo italiano.

Mandato suspenso e futuro incerto

Zambelli ainda mantém o mandato de deputada, mas está licenciada. O apartamento funcional que usava em Brasília já foi desocupado. Familiares estavam morando lá. Um suplente exerce a função na Câmara.

Agora, com a prisão confirmada, o Congresso Nacional deve discutir a cassação definitiva. Há também expectativa sobre como será o andamento do pedido de extradição feito pelo governo brasileiro.

A Justiça começa a alcançar o bolsonarismo

A prisão de Zambelli é mais um sinal de que o cerco aos aliados de Jair Bolsonaro está se fechando. Além dela, Eduardo Bolsonaro também é alvo de processos. Zambelli, inclusive, estaria apostando em uma reação conjunta caso ele também tenha problemas com a Justiça.

Depois de semanas escondida, foi localizada e, no momento certo detida, sem oferecer resistência. Ela teria dito que não aguentava mais viver confinada e acabou presa. O futuro dela agora depende da Justiça italiana — e de uma decisão que pode mudar os rumos de sua vida política.

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