Eduardo Bolsonaro admite sabotagem a senadores e diz trabalhar contra negociações sobre tarifaço de Trump — comitiva brasileira tenta evitar impacto de taxas na economia do país
Por Ronald Stresser | Sulpost
O que era para ser uma missão diplomática de urgência — em defesa de empregos, produção nacional e da dignidade do Brasil — virou também um retrato melancólico da sabotagem interna que atravessa fronteiras. Enquanto oito senadores brasileiros se desdobram em reuniões com parlamentares, empresários e instituições americanas, tentando abrir caminhos para frear o tarifaço de 50% imposto por Donald Trump, um compatriota — Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro — declarou publicamente que está trabalhando contra essa agenda.
Licenciado do mandato e morando nos Estados Unidos, Eduardo disse, sem rodeios, em entrevista nesta segunda-feira (28), que atua “para que eles [os senadores] não encontrem diálogo”. Para ele, o Brasil só poderá ser tratado como parceiro comercial se aceitar condições políticas impostas por Trump, incluindo uma anistia aos envolvidos nos atos golpistas do 8 de janeiro.
“O problema é político, não econômico. Se o Brasil mostrar disposição de resolver essa situação, Trump abre uma mesa de negociação”, disse Eduardo.
Enquanto isso, a comitiva do Senado segue lutando por algo maior: proteger a economia brasileira de mais um golpe — agora econômico.
Missão de paz
Liderada pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), a missão em Washington busca “distencionar” a relação entre Brasil e Estados Unidos.
O objetivo é claro: pavimentar o caminho para que o governo federal possa negociar de forma institucional com a Casa Branca. “A partir do momento que a gente conquistar isso, a missão já cumpre um papel relevante”, afirmou Trad após reunião com a U.S. Chamber of Commerce, que representa empresas de todos os setores da economia americana.
Os senadores têm se reunido com multinacionais como Cargill, ExxonMobil, Johnson & Johnson e Caterpillar. Nesta terça-feira (29), se reuniram com seis congressistas — tanto Democratas quanto Republicanos. Os nomes ainda não foram divulgados por questões de segurança diplomática.
Estão presentes em Washington os senadores Tereza Cristina (PP-MS), Marcos Pontes (PL-SP), Rogério Carvalho (PT-SE), Carlos Viana (Podemos-MG), Fernando Farias (MDB-AL), Esperidião Amin (PP-SC) e Jaques Wagner (PT-BA), que lidera a bancada do governo e reforçou a urgência de um acordo.
“Estamos aqui para defender o Brasil das tarifas unilaterais impostas pelos EUA. Essa missão é institucional e patriótica”, escreveu Wagner nas redes sociais.
Antipatriotismo
Em meio às tratativas, causou indignação nos bastidores diplomáticos a postura de Eduardo Bolsonaro. Não é a primeira vez que o deputado licenciado atua abertamente contra os interesses do país. No passado, chegou a pedir sanções internacionais contra o Brasil. Agora, seu discurso tenta condicionar qualquer acordo à libertação de golpistas, um gesto que subverte a lógica do diálogo internacional.
“Eduardo Bolsonaro está cumprindo o papel de sabotar os interesses nacionais. Ele transforma uma medida tarifária em chantagem política contra a economia, contra os empregos, contra a vida do povo brasileiro”, disse o Senador Rogério Carvalho.
Trump, tarifas e pano de fundo ideológico
A medida unilateral de Donald Trump entra em vigor nesta sexta-feira, 1º de agosto, e afeta todas as importações do Brasil com uma tarifa adicional de 50%.
O presidente americano alega que há desequilíbrio nas relações comerciais, mesmo com o Brasil acumulando 17 anos de déficit com os EUA.
Além disso, Trump cita como justificativas o avanço de políticas regulatórias no Brasil contra plataformas digitais americanas, como Meta e Google, e o andamento do processo judicial contra Jair Bolsonaro — de quem é aliado político.
Como agravante, o governo americano abriu uma investigação contra o Pix, sistema de pagamentos desenvolvido no Brasil e que hoje é uma referência internacional. A justificativa é de “concorrência desleal” com as bandeiras Visa, Mastercard e o Whatsapp Pay, gerando forte desconforto nas relações bilaterais.
Esperança na diplomacia
De Brasília, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo federal está dialogando com os EUA por meio de canais institucionais e “com reserva”. A estratégia é clara: evitar escaladas. Mas com o relógio correndo e o impacto iminente para a indústria nacional, a esperança recai sobre o trabalho dos senadores — que, mesmo com divergências políticas entre si, unem-se agora por algo maior: o Brasil.
Amanhã, quarta-feira (30), a missão se reúne com a Americas Society/Council of the Americas, entidade que conecta lideranças do setor empresarial e da sociedade civil em todo o continente. Será um dos últimos atos da agenda antes do retorno ao Brasil.
O país precisa de união
O gesto de Eduardo Bolsonaro escancara uma triste realidade: há brasileiros dispostos a trabalhar contra o país que os elegeu. Enquanto isso, representantes do povo lutam no exterior para evitar que a indústria nacional — e os empregos que ela gera — sejam esmagados por decisões políticas de potências estrangeiras.
Se existe uma lição neste momento, é a de que o Brasil precisa voltar a se reconhecer como nação. Porque, no fim das contas, um tarifaço não atinge partidos. Ele atinge o trabalhador, o agricultor, o comerciante, a dona de casa e o estudante.
E contra isso, todo patriota deveria lutar.
📍 Com informações da Agência Brasil, redes sociais e reportagens internacionais.
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